Os sinais
“Estando ele assentado no Monte das Oliveiras, aproximaram-se dele seus discípulos, em particular, dizendo: ‘Dize-nos quando serão estas coisas e que sinais haverá de tua vinda e da consumação das eras’.”
(Mateus 24:3)
1 As letras do Eclesiastes nos advertem que há tempo para tudo: há tempo para plantar e há tempo para colher1. Alertam-nos sobre as vaidades, essas vãs especulações dos valores que ainda necessitam germinar.
2 Os discípulos questionam Jesus sobre os sinais de sua vinda e do fim ou consumação dos tempos. Quais serão os indícios da vinda do Cristo? Que devemos esperar? Como serão esses tempos?
3 A ansiedade e o imediatismo fariam perguntas quase análogas às perguntas da prudência. Mas à ansiedade, filha da dúvida pertinaz ou da ausência das bases da confiança no Pai, a resposta será como está descrito no Evangelho: esta geração pede um sinal, e nenhum sinal será dado2, pois não haverá sinais que bastem ao espírito da desconfiança e da descrença vazia. Nada haverá de grandioso que sacie um coração vazio.
4 Este requererá o tempo justo, pois não se pode colher o que não foi plantado, e o fruto verde não traz a substância e a doçura que nutrem e sustentam. É preciso que se embebede da seiva e se deixe ao cuidado do tempo, da luz, do esforço, dos ramos, da esperança de quem o aguarda.
5 Bem como a atmosfera anuncia a tempestade ou o Sol com sinais inequívocos aos bons observadores; assim como a lavoura dá os sinais inconfundíveis de seu bom desenvolvimento, prenunciando a qualidade da colheita; ou mesmo o fruto evidencia pela coloração e pelos odores quando se presta ao alimento, assim também a vinda do Cristo se faz prenunciar por sinais.
6 Se falamos do Cristo-Jesus, o sublime enviado do Pai para se fixar em nosso psiquismo como modelo perfeito de comunhão com o Bem, são inúmeras as profecias que o anunciaram, centenas de anos antes de sua vinda. Não somente as profecias dos eminentes médiuns da primeira revelação, que estão fixadas nas letras bíblicas, mas em inúmeras outras culturas há o aviso grandioso dos novos tempos e da nova ordem.
7 Se nos referimos ao Cristo interno – a promessa da comunhão com o Pai, a bem-aventurança em forma de gérmen, as virtudes enclausuradas pelo desconhecimento e pela inexperiência -, também obteremos, se atentos o suficiente, um compêndio de sinais da “vinda” e da “consumação dos tempos”.
8 Galgamos lentamente a experiência humana desde a demonstração, pelo princípio inteligente que éramos, dos sinais primitivos da razão, que alvorece dos automatismos acumulados na milenar trajetória.
9 Aos poucos, vimos libertando núcleos de virtudes potenciais, que vêm caindo no terreno de nosso coração como as sementes caem na terra, esperançosas da germinação e do crescimento. E, como o Senhor cuida e dá crescimento ao grão minúsculo e frágil que anseia pela proteção do solo e pelo auxílio da chuva e do Sol, o Pai também acaricia as ânsias de perfeição de seus filhos recém-despertos, provendo-lhes de todo o mecanismo mantenedor do progresso incessante.
10 É por isso que nós, Espíritos confinados nas ordens primárias da escala ascensional, recebemos mais misericórdia do que realmente merecemos, pois a Justiça do Senhor é o equilíbrio mantenedor da ordem e do progresso.
11 A Providência Divina deixa-nos claros sinais da destinação sublime que nos aguarda. Toda a natureza sinaliza ordem e progresso, desde as mínimas manifestações de vida até os fulgores das constelações. Do átomo ao infinito, tudo testemunha a magnânima misericórdia que rege a Criação.
12 Estamos destinados à suprema comunhão com a Força Cósmica donde provêm todas as manifestações do Bom e do Belo, a que nossa linguagem limitada chama Deus. Dele procedemos e para Ele voltaremos, depois dos milenares ciclos de aperfeiçoamento. Dentro de cada um de nós, o impulso da evolução, sinalizando o trajeto e o destino.
13 Homens, meus irmãos, porfiai por adquirir a confiança perfeita nos desígnios do Amoroso Criador da Vida. A sempiterna solicitude, que nos cerca de cariciosos cuidados, demonstra-nos o constante e inarredável auxílio que procede dos altiplanos celestes em nosso favor. O Senhor criou-nos para a plenitude e a harmonia. Impossível desviarmos da rota de vitória onde fomos gentilmente colocados.
14 Do verme ao anjo esplendoroso, do átomo ao universo luminoso, tudo é poder, perfeição, beleza e amor. O amor é a sinalização da presença do Pai na Criação. Estejamos no amor e, no amor, caminhemos para o Pai, com o Pai, de mãos dadas com nossos irmãos.
Léon Denis
Médium: Janaína Farias
Equipe mediúnica: portalser.org
1 Ecl 3:1-11
2 Mt 12:38; Lc 11:29-32 ; Mc 8:11-13.
BIBLIOGRAFIA
BÍBLIA de Jerusalém. Coordenada por Gilberto da Silva G.; Ivo Storniolo e Ana Flora Anderson. 3 ed. São Paulo: Paulus, 2000.
DIAS, Haroldo Dutra (Trad). O Novo Testamento. Evangelho de João. 1 ed. 2 imp. Brasília: FEB, 2013.
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