Falar de Paulo de Tarso é sempre um convite à transformação. Neste episódio do PodSER, Thiago Franklin recebe Guilherme Del Valle e Bete Barbieri, da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, com a participação de Haroldo Dutra Dias, para um bate-papo sobre a obra Paulo de Tarso e as Leis Morais — trabalho que conecta a vida do Apóstolo dos Gentios às lições da terceira parte de O Livro dos Espíritos.
Neste episódio
Lançado por Guilherme Del Valle em 2017 pela editora da FERGS, o livro nasceu de um insight: aproximar a trajetória de Paulo, narrada principalmente em Paulo e Estêvão, das dez leis morais codificadas por Allan Kardec. A conversa percorre como cada lei ganha vida no exemplo de Paulo — o trabalho (a profissão flexível do tecelão), a conservação lida como sustentabilidade, a reprodução vista como fecundidade e paternidade espiritual, a cooperação inspirada no cooperativismo cristão da casa do caminho —, sempre buscando o espírito da letra e a aplicação prática para os dias de hoje.
Participantes
- Thiago Franklin — apresentador do PodSER (Portal SER / Espiritismo.TV).
- Guilherme Del Valle — autor de Paulo de Tarso e as Leis Morais, do Centro Espírita Emmanuel (Viamão/RS) e do movimento federativo da FERGS.
- Bete Barbieri — da editora da FERGS, que supervisionou a obra.
- Haroldo Dutra Dias.
Destaques
- A recusa de compartimentar a vida: se Jesus é o modelo e guia, ele inspira também a atividade profissional, a família e a vida em sociedade — não apenas a vivência religiosa.
- A jornada de Saulo a Paulo como prova de que é possível, numa só encarnação, ressignificar uma rota de enganos e viver as leis morais.
- Uma reflexão corajosa sobre o fanatismo religioso: em nome de um ideal, ultrapassam-se limites que a lei de justiça, amor e caridade jamais autoriza — com o lembrete de que “misericórdia” foi o lema da Inquisição.
- O valor de ouvir: assim como Gamaliel advertiu Paulo, somos sempre cercados de amigos que acendem a luz amarela. Construir o hábito da escuta, do trabalho em equipe e da liderança servidora previne as quedas.
- No quadro “Qual é a boa nova?”, o anúncio da série Paulo de Tarso e as Leis Morais no Espiritismo.TV, com vídeos sobre cada uma das dez leis, e a celebração do movimento espírita nas mídias sociais.
Ler transcrição do episódio
A de nascer, nova era de crescer, novo homem coração de quem quer servir. É prosperir novo, perto é burilar o íntimo, colorindo o céu de um novo ser. Olá pessoal, estamos iniciando mais um episódio do Pode Ser. Aqui é Thiago Franklin e a alma humana poder-se ar, elevar para Deus tão somente com o progresso moral, sem os valores intelectivos? Essa foi uma pergunta feita para Emmanuel no livro O Consolador. Vamos lá Guilherme, se apresenta Guilherme. Vou deixar o Haroldo por último para a gente se sentir abraçado no bate-papo.
Olá amigos, aqui é Guilherme Del Valle da Silva, e a nossa frase é a que está na introdução do livro Paulo Estevam, editado pelo Espírito Humano e na psicografia de Francisco Cães do Xavier. Sem cooperação não poderia existir amor, e o amor é a força de Deus que equilibra o universo. Olá amigos, eu sou a Bete Barbieri, e a nossa frase é a frase que está em uma mensagem ditada por Emmanuel a Chico Xavier em março de 1940, e que foi publicada pela primeira vez por Clóvis Tavares no livro Amor e Sabedoria de Emmanuel.
Ela diz assim, Luseiro da fé viva, Paulo não pode ser ouvidado em tempo algum. Seu vulto humano é o de todo homem sincero que se toque do amor divino pelo cordeio de Deus. Lede-os sempre, e não vos arrependereis. Olá pessoal, aqui é Haroldo Dutra Dias, e a minha frase é retirada das cartas de Paulo, cartas aos romanos, em que ele diz assim, Se Deus é por nós, quem será contra? A de nascer, nova era de crescer Novo homem, coração de quem quer servir É prosperir, novo perpétuo E logo o íntimo colorindo O céu de um novo ser Colorindo o céu de um novo ser O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita.
No círculo acanhado do órbito terrestre, ambos são classificados como adiantamento moral e adiantamento intelectual. Mas, como estamos examinando os valores propriamente do mundo em particular, devemos reconhecer que ambos são imprescindíveis ao progresso, sendo justo, porém, considerar a superioridade do primeiro sobre o segundo, porquanto a parte intelectual, sem a moral, pode oferecer numerosas perspectivas de queda na repetição das experiências, enquanto que o avanço moral jamais será excessivo, representando o núcleo mais importante das energias evolutivas.
Essa foi a resposta para a pergunta que eu li no início do podcast. Hoje nós estamos aqui com o amigo Guilherme Del Valle e a nossa querida Beth, da Federação Espírita do Rio Grande do Sul. O Guilherme lançou em 2017 o livro Paulo de Tarso e as Leis Morais, lançado pela editora Francisca Spinelli, atual editora Fergues. E nós vamos bater um papo sobre esse trabalho que foi lançado, né, Guilherme? Junto com a Beth, o Aroldo. E falar de Paulo é sempre bom, né? A gente deve sempre ter várias leituras de Paulo, Paulo de Tarso, o livro Paulo e Estevam, as cartas de Paulo, e é isso aí.
Vamos para o nosso bate-papo. Isso mesmo, Tiago. Na verdade, a proposta do trabalho que foi lançada pela nossa federação, né, ele tem o objetivo de conectar a vida e obra de Paulo de Tarso, conhecido pela Igreja Católica de São Paulo, convertido de Damasco, apóstolo dos gentios, como consta tanto em Atos dos Apóstolos quanto nas Epístolas Paulinas, mas principalmente com a obra Paulo e Estevam, que nós já citamos anteriormente. Com a terceira parte do livro dos Espíritos que fala sobre as leis morais. Então, é interessante que depois que nós lançamos o trabalho, o pessoal vem comentar conosco, né?
Depois que eu li o livro, deu vontade de ler Paulo e Estevam de novo. Se deu essa vontade, o objetivo da obra foi cumprido, porque ele aponta para a estrela, né? Que a obra é maior que a obra do Cristo, que Jesus aponta para Deus, que é o grande objetivo das nossas vidas, viver de acordo com as leis divinas. Antes da gente falar sobre a obra, eu quero saber quem é o Guilherme primeiro, para a gente poder entender de onde que vem isso. Tá bom. Tiago, assim, nós nascemos em Porto Alegre, região metropolitana da capital dos gaúchos, aqui no Rio Grande do Sul, mas trabalhamos sempre no centro espírita em Viamão, região metropolitana como nós dissemos.
E tá criado na Casa Espírita, desenvolvendo trabalhos ali, mas depois nós começamos a participar da Era de Comunicação da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, quando a Beth, na época, o Gabriel, atual presidente da FEVES, era o diretor do Departamento de Comunicação, nos fez esse convite muito amigável, e a Beth, na época, era presidente da FEVES. E quando nós quisemos conhecer um pouco mais sobre o que é o movimento federativo, a organização do movimento, ela nos disse assim, Gui, podem me chamar de Gui, tá, gente?
Gui, para entender um pouco mais o movimento espírita, eu leio o livro do Paulo Estevam, no mínimo, uma vez por ano. Foi bem na época que o Haroldo, assim, divulgava muito pelo Brasil os eventos dos 70 anos do Paulo Estevam. Foi bem naquele período, assim. Então, nós tomamos isso como uma orientação, né, de alguém que nos ama. A gente começou a estudar mais a obra até que depois, no final, culminou, então, esse trabalho. Acho que a gente pode se apresentar mais ou menos por esse caminho, né, Tiago? Quer saber qual que é a sua profissão?
Quer saber se você é solteiro ou casado? Se você tem filho? Se você é mineiro, se você é carioca, se você… Passa a ficha completa aí. Tá bom, Gui. Dentro dessa característica, né, pessoal, nós estamos aqui, então, no Rio Grande do Sul, trabalhador do Centro Espírita Emmanuel, de Viamão. Profissionalmente, se quer, minha ficha é corrida, né? Nós trabalhamos em funcionais autônomos, né? Temos uma empresa e também trabalhamos na área da saúde, fazendo algumas atividades. No movimento espírita, hoje, nós estamos na presidência do Centro Espírita Emmanuel, que é esse canal que nós estamos lançando aqui pelo Espiritismo TV, que é um BB.
Nós dizemos do Centro Espírita com três anos. E atuamos também no movimento federativo, na presidência da União Municipal Espírita de Viamão, né? Fomos diretor da área de comunicação da FERGS, da Federação Espírita do Rio Sul, e casado com a Fernanda. Agora fechou, Pedro. A voto. Por que você quis conectar leis morais com pau? Qual que foi a intuição, assim? Qual foi o flash que você teve para poder fazer essa conexão? Sim, Haroldo. Depois que a gente começou a se aproximar mais da obra do Paulo Estevam, né? E a gente sempre, desde pequeno, a gente tem essa inclinação para o trabalho com Jesus, né?
Trabalhar na área espírita. E Paulo é um modelo de trabalhador cristão, modelo de trabalhador espírita. Tanto que no livro que a Beth utilizou, Amor e Sabedoria de Emmanuel, quando o doutor Rômulo Joviano, pelo menos está citado na obra, né? Quando o doutor Rômulo Joviano pegou a primeira vez o Paulo Estevam e leu, ele dizia, esse é o livro do trabalhador cristão. E ele nos encantou no sentido de estudar a operação, o coração do servidor. E um dia, assim, eu sempre fiquei muito intrigado com o que o Paulo utilizou no Tesselão.
Eu sempre achei essa passagem muito bonita. O esforço dele em não fazer da fé uma profissão. É viver com o suor do próprio rosto. E uma vez eu estava entrando em uma escola católica, uma escola que nós prestávamos um serviço terceirizado, e eu entrei às sete horas da manhã, entrei na escola e começou a vir Paulo na minha cabeça. Paulo, Paulo, Paulo. E eu entrei no hall de entrada da escola e fiquei com o Paulo. E eu pensei, será que o inconsciente registrou alguma imagem de Paulo que está aqui nas imagens católicas ali?
E eu comecei a olhar para o lado, não, Dérick, é o sagrado coração de Maria, imaculado coração de Maria. E nisso passou a irmã diretora da escola na frente e eu perguntei para ela, irmã, quando vocês estão na universidade estudando teologia, qual é a obra que vocês estudam sobre Paulo, a vida de Paulo? Ela me disse, vem amanhã falar com o padre, que o padre vem aqui para a gente se confiançar e ele vai te orientar melhor. Daí no outro dia eu fui lá, conversei com o padre e ele me disse assim, é o livro Paulo apóstolo dos gentiosos do Rinaldo Fábio.
Daí eu fui lá, comprei o livro, coloquei na mochila e um dia eu fui pegar ele a uma casa para fazer uma leitura e na primeira parte que eu abri tinha uma justificativa por que Paulo teria sido o Tecelão, mas algo muito bem fundamentado, com várias conexões. E eu achei minha resposta e resolvi escrever sobre isso. Nunca tinha escrito nada, mas anotar. Eu pensei, é isso, eu posso conectar com a lei de trabalho e depois vem o insight. Então agora a gente pode conectar com cada lei moral baseada nos relatos do livro de Paulo Estevam principalmente.
E a partir então, brinco com a Bete até às vezes, hoje a gente está em quarentena, naquela época eu já fiz o meu exercício para a quarentena. Porque eu estava nas minhas férias de fevereiro, eu fiquei 20 dias em casa, não fiz nada, de manhã à noite, escrevendo o livro, isso aí em 20 dias. E depois a gente mandou os textos para a Bete, ela precisou ter um olhar, até que eu fiquei com receio, o que a gente vai fazer com isso agora? Eu achei que era para botar no site a Bete com o olhar dela, com a experiência que a nossa editora da Ferna escreveu, ela disse, não, isso aqui é uma publicação.
E daí o texto foi amadurecendo, tem muito que amadurecer ainda. Hoje a gente faz uma outra leitura, mas foi com esse objetivo, não é, Haroldo? Eu digo assim, ele é um livro que se dirige a todos os trabalhadores, a qualquer pessoa, na verdade, porque vem falando das leis morais, então sabendo que é a única verdadeira para a felicidade do homem, o homem só é infeliz quando ela se afasta, então para qualquer pessoa a obra vai servir. Mas fala mais ao coração do trabalhador, porque a gente faz a conexão de como um trabalhador espírita, que é desafiado em muitas frentes hoje, nós dizemos principalmente do jovem, às vezes sente dificuldade em ser espírita no mundo que nós vivemos hoje.
Então a gente percebe ali algumas diretrizes de espiritualidade de Paulo que a gente pode usar como uma referência para aplicar nas nossas vidas. Foi mais ou menos essa percepção da obra. Eu relia ontem aquele texto da obra que fala no cooperativismo, cooperativismo cristão, e que alinha todos aqueles aspectos da casa do caminho, da forma como era estruturada a comunidade cristã, e fiquei vendo o quanto nos nossos dias, com essas dificuldades que todos os setores da economia, da sociedade civil estão vivendo, o quanto aqueles princípios que ali estão serão úteis ser vivenciados.
Não sei como é que vocês veem isso, mas eu achei, disse, nossa, isso foi escrito para todos os tempos, mas agora isso tem um valor. Eu ia comentar até isso, Beth, porque eu não sei se é a questão do condicionamento espiritual de muitos séculos em que nós fomos conduzidos a examinar os evangelhos e essas figuras basilares do evangelho, como, por exemplo, Paulo, nós sempre tivemos uma aproximação muito ritualística, muito religiosa, no sentido estrito. Então, Paulo de Tarso, Maria e o próprio mestre sempre vistos como uma figura de culto, sempre vistos como figuras para a adoração, o irmão que fala para o gênero flexótico, para ajoelhar e orar.
E pessoas que não são vistas como referência na vida social, na vida do indivíduo. Então, eu achei bacana essa iniciativa de conectar o trabalho do Paulo com as leis morais, porque as leis morais de Kardec dão uma visão mais ampliada do que é o ser humano espiritualizado, do que é o homem de bem. O homem de bem é chamado ao compromisso na família, ele é chamado ao compromisso no relacionamento afetivo, ele é chamado ao compromisso profissional, ele é chamado ao compromisso na educação dos filhos, ele é chamado ao compromisso do cidadão.
Então, ele tem muitas frentes de trabalho, além da frente de divulgação, da frente propriamente religiosa, comunitária, da vivência religiosa na comunidade em que ele está inserido. Então, eu achei bom isso, porque a gente sente que, às vezes, nós tendemos a separar as coisas, a criar compartimentos estanques. Minha profissão não tem nada a ver com o Espiritismo. Eu sou Espírita, mas profissão não entra aqui, não. Lá na profissão… Mas, é engraçado, porque, se Jesus é o modelo e guia, como é que eu posso desenvolver uma atividade econômica ou profissional e Jesus não ser o guia e o modelo dessa atividade?
É curioso isso, não é? Então, o modelo e guia quem? Ah, não, meu modelo e guia na minha atividade econômica é o Adam Smith. Agora, aqui no Espiritismo, é Jesus. Então, assim, é complexo isso, porque não é como o Paulo enxergava, não é, Guilherme? Não dá para compartimentar, não é? Não se deve, não é? Essa questão dessas figuras, como o Haroldo fala, essas figuras que se transformaram em paradigmas para o mundo cristão, algo que me chama muito a atenção sempre é o grande esforço que estas almas fizeram para compatibilizar as suas vivências com a mensagem cristã.
E isso não é fácil. Não é alguma coisa… Porque a veneração, muitas vezes, ela coloca o ser acima do bem e do mal. Parece que nasceram… Nós ainda temos muito isso, né? A santidade. Parece que nasceram, assim, com uma auréola e que não estavam sujeitos às tentações, aos vícios, às quedas. Não, né? Aos ataques. Aos ataques. Eles passaram por tudo isso e tiveram a força de superar, de cair, de se erguer e de continuar no caminho, errando, acertando. Então, eu vejo assim, a obra traz muito para perto das nossas mazelas, das nossas dificuldades, mostrando, assim, é como Emmanuel diz, quem estará no mundo sem uma missão?
Nossa, isso é lindo, né? Isso é lindo. E é uma coisa interessante, né? Porque o Guilherme citou a obra do Fábio, né? Sobre o Paulo e tudo. E, assim, nós temos uma bênção que a obra de Paulo Estevão é uma bênção. Ela traz, assim, uma quantidade de informação que nos permite ter uma visão mais ampla e mais pé no chão. Uma visão mais realista das personagens do Novo Testamento, em especial de Paulo. Então, é curioso que, por exemplo, a questão do terceirão. Ora, Paulo direcionou toda a vida dele para uma carreira jurídica.
Uma carreira jurídica, né? O Supremo Tribunal, o STF de Israel, era o Sinédrio. Então, Paulo fez a formação jurídica, que é o doutor da lei, é uma formação jurídica. Ele começa a estagiar, depois ele começa a atuar dentro do Supremo, e ele, então, é cogitado para ocupar uma das cadeiras de ministro do Supremo. É importante ser dito isso. E, aí, em função de uma série de complicações que ele criou, porque eu gosto muito de pensar nisso, não estava programado de Abigail desencarnar. A desencarnação de Abigail foi precipitada por Paulo.
Não estava programado de Estêvão ser assassinado. Ao menos naquele momento. Talvez tenha sido precipitada a desencarnação de Estêvão por Paulo. Então, é interessante isso. E, no momento que ele mesmo complica a sua programação espiritual, ele mesmo cria uma série de óbices e de dificuldades para a própria programação espiritual, ele é obrigado a sair do Sinédrio e é obrigado a assumir a fé cristã. E ele procura o Daniel. O Daniel fala, olha, vamos lá, você precisa de uma profissão flexível, porque você vai andar o mundo.
Então, você precisa de flexibilidade. Não dá para você ter uma profissão fixa geograficamente, porque, senão, você não será uma boa atriz. Tu vê, Nero, hoje o juiz já pode andar o mundo, e, naquela época, não dava, né? Você precisa de uma coisa flexível. Então, e aí, olha, você aprendeu alguma coisa? Você aprendeu? Vamos ver. O que está na sua linha? Porque também não dava para ele aprender uma profissão naquela altura do catafalque, naquela circunstância de vida. O que você tem aí? Você tem uma família judaica, e as famílias judaicas são muito previdentes.
A pessoa tem que aprender, no mínimo, duas profissões. Eu acho isso fantástico. É, bacana. No mínimo, duas. Então, você tem uma segunda aí que seu pai cuidou. É, não, sim, tem. Meu pai, eu tive duas. Eu fui treinado para ser ministro do Supremo, mas também ter celular. E é um misto de artesão e comerciante. Meu pai tinha uma empresa, comerciava, tapete, então, nessa conjuntura, o Gamaliel encontra ali uma solução, que é uma habilidade que ele já tem, é algo que ele aprendeu, era uma profissão flexível, ele poderia, em qualquer lugar, exercer essa profissão, em qualquer lugar do Mediterrâneo que ele circulasse, poderia trabalhar, aquilo não comprometeria as viagens e o trabalho espiritual dele, então, caiu como uma nuva.
Agora, é engraçado, Guilherme, quando a gente vai fazer um estudo na Casa Espírita, não dá para você chegar para o jovem e falar para ele, seja Tecelão para você pregar o Evangelho. A gente precisa trazer a lição para hoje, não é? E, às vezes, a gente tem essa dificuldade, a dificuldade de trazer o espírito da letra, não é? Então, chegar para o jovem, olha, você pode ser um trabalhador da Federativa, você pode ser trabalhador do movimento espírita e ter uma profissão flexível, aliás, você pode ter duas. Então, por quê?
Porque aí nós estamos tirando o espírito da letra, a gente não está só preso ao fato histórico em si, não é? Hoje, muitas vezes, o jovem tem aquela percepção de que, pelo fato de ele estar no início de um estudo na universidade, por ainda não ter uma carreira definida, ele também não pode trabalhar. Não pode trabalhar. Então, essa proposta que você traz busca uma profissão flexível, uma forma flexível de fazer os estudos. Hoje, os cursos EADs estão aí para isso, não é? De forma sincrônica. Então, quantas lições mesmo a gente continua bebendo lá na trajetória de Paulo?
É bacana essa conversa, porque isso também não impede que você coloque o seu diploma à disposição da sua religião, do seu movimento. Isso também é importante a gente colocar, porque a gente vê aí quantas pessoas com capacidade… Eu falo que eu trabalhei muito tempo num jornal aqui em Belo Horizonte, e vários jornalistas, cartunistas, e era uma empresa evangélica. Vários deles eram espíritas, frequentavam o Centro Espírita, mas estavam a serviço de um outro órgão, um jornal. Mas muitos deles não se colocavam à disposição de fazer nada com o ofício dele, como jornalista.
Eu acho que isso também é importante a gente refletir sobre isso, porque também não é isso, não é, Haroldo? Não significa buscar uma outra profissão para não aplicar dentro do… Por exemplo, é até bom você ter levantado isso, não é? Vou passar para o Guilherme, mas o Guilherme está caladinho também demais, não é? Fala, porque, como disse, o espírito dê verdade para Kardec. Não basta você escrever um livro, dois livros, você já te expôs. Já me expôs, exatamente. Uma vez eu fiz uma palestra sobre o Paulo e o Sergo, numa mocidade.
Era um encontro de jovens. E aí, no final, um jovem me procurou muito angustiado, porque ele falou assim, nossa, eu tenho tanta admiração por Paulo, mas eu estou muito angustiado. Eu falei, mas por quê? Porque o Paulo não casou e eu tenho uma namorada, eu tenho vontade de casar. E aí eu falei para ele, olha, que é interessante, a literalidade da religião, a literalidade da experiência religiosa. Aí eu disse para ele, mas o Simão Pedro era casado. O casal mais amigo do Paulo era Acla e Prisca, eles eram casados. O Simão tinha filho, o Simão não tinha uma outra profissão.
Ele trabalhava totalmente à disposição do movimento cristão e o movimento cristão o auxiliava. Então, amigo, a gente tem muitas configurações ali. Aquela configuração foi a configuração que se adequou à programação espiritual do Paulo. Agora, você não pode imaginar que a programação espiritual do Paulo, aquela configuração, ela vai se adequar a todos os encarnados do planeta para sempre. Porque não é isso, né? Você tem o João, você tem o Simão Pedro, você tem o Levi. O Levi, por exemplo, ele tinha um emprego que não permitia ele sair da Galileia, ele não pôde sair de Cafanaum.
O Levi ficou o tempo todo, até a desencarnação dele, em Cafanaum, porque ele era fiscal da Receita. E a desencarnação era em Cafanaum, ele não pôde. Então, o que Jesus chamou ele? Você não pode sair? Escreve um evangelho. E o evangelho dele perpetuou. Então, por que nós vamos desmerecer o trabalho de Levi ou ficar comparando o trabalho de Levi com o de Paulo? É importante isso, né, Guilherme? É. Isso é uma das grandes dificuldades que nós passamos na juventude, porque nós fizemos um movimento oposto. A gente se dedicou na primeira juventude muito intensamente ao movimento espírita, trabalhando numa profissão que aprendemos no início da vida, vamos dizer assim, para depois, então, pensar.
Depois que tinha uma certa maturidade no movimento espírita, a gente foi muito benéfico, porque quando a gente foi fazer os nossos estudos profissionais, a gente conseguiu olhar para um outro ângulo e aproveitar muito mais. Por exemplo, a lei de cooperação que a Beth falou foi uma aula de cooperativismo. É daí que vem o olhar, né? Tudo que eu estudava, eu via, eu aplico isso no espiritismo. Eu ficava olhando, eu tive uma aula de cooperativismo e eu vi, nossa, isso aqui é o Paulo Estevam, o Arras do Caminho Operando.
E isso tudo gera, e a gente acaba tendo essas pessoas assim como modelos, inspirações, mas a gente tem que ter o cuidado para ver a parte que nos compete na obra, né? E quais são as nossas profissionalidades para entregar. E o que a gente fala na lei de reprodução, que a gente trabalha exatamente isso, né? O Paulo foi um homem, um homem extremamente fecundo em todos os aspectos e quando ele teve que aplicar a sua energia sexual, a sexualidade, que é a energia criativa que pode ser expressada através da reprodução sexual, ele canalizou toda a sua energia para ser fecundo em outras áreas, né?
Multiplicou e foi generoso e assim mesmo foi pai também, porque apesar de não ser pai biológico, é narrado no Paulo Estevam que em muitos momentos ele é chamado de pai, né? O pai espiritual de muitos de nós ainda hoje. Ele é o pai do Timóteo, né? Ele adotou literalmente o Timóteo, é um filho. Ali foi realmente um filho, ele deu ao Timóteo toda a educação, por exemplo, que eu dou para o meu filho, João Gabriel. Então não é porque a gente não tem uma atividade, uma vida sexual ativa, um parceiro, que a gente não deixa de ser, né?
Uma criatura que multiplica, né? Então acho que esse é o espírito que eu tento porque assim, eu tentei pegar nas leis morais, vários aspectos, mas não fugindo daquela coisa um pouco mais objetiva, por exemplo, a lei de conservação, né? Que geralmente ele fala mais dos aspectos da preservação do corpo e tal. A gente tentou aplicar como é porque conservação hoje é sustentabilidade, né? Sustentabilidade é ter atitudes saudáveis no presente que não vão comprometer o futuro. Então a gente tentou aplicar nesses aspectos e na lei de reprodução, assim, que a gente comentou agora, a lei de trabalho, foi um pouco tentando fugir aquele do mais lógico, tentando buscar isso que tu comentaste da questão mais espiritual.
Fugir do planeta das circunstâncias básicas ali. Eu não recebi o original da obra que o Guilherme nos trouxe assim. Eu fiquei muito surpresa, assim. Surpreendida positivamente. Porque na condição, assim, de supervisionar as obras da editora, a gente recebe muito material, né? Tem material que você para na segunda página, assim, porque tu já consegue ter um. Eu fui lendo e fui verificando primeiro que eu achei, assim, muito interessante o espectro de pesquisa, né? Muita pesquisa bibliográfica. Ele realmente mergulhou dentro da bibliografia espírita e não espírita, tanto que cada capítulo ali tu vê a bibliografia, ela é vasta, né?
E depois esse enchoque que ele traz, assim, de fugir ao lugar comum. É realmente uma leitura adequada aos nossos tempos, com desafios que nós vivemos, visto por uma lente prática, objetiva. Então, eu gosto muito da obra, assim, seguidamente busco nela referência para trabalho, estudo, palestra, enfim. É realmente um trabalho bonito. É interessante, porque essa fala do Guilherme no início, a orientação que ele recebeu da Beth de, se ele quiser entender o movimento espírita, releia Paulo Estevão uma vez por ano, né? É engraçado, porque essa é uma orientação que a gente ouvia aqui também, em Belo Horizonte, com o pessoal do movimento, né?
Seu Honório, a gente sabe que essa turma toda tinha esse hábito também de estar sempre relendo Paulo Estevão, principalmente nos momentos de conflitos, né? Do movimento e deles próprios, de buscar orientação, né? Uma coisa bonita de a gente trazer para a gente mesmo, né? Trazer para o nosso cotidiano como espíritas, né? Tem obras que elas não devem sair da cabeceira, né? É verdade. Sabe que eu iniciei no movimento espírita, eu tinha ali por volta de 19 anos, foi logo depois que eu casei, eu casei bem jovem, e aí comecei a sentir os reflexos da necessidade de educar a faculdade mediúnica.
Até então eu vinha da religião católica, não tinha a menor noção do que era isso. Eu comecei com alguns processos de tristeza profunda, aquele choro sem ter uma razão, enfim, e foi quando o Zeca, meu marido, me levou no centro espírita e disse, olha, eu acho que eu sei qual é o problema que está te afetando, e aí nunca mais saí de lá. E quando eu li a obra, nossa, eu li a primeira parte do Paulo Estevam e fiquei com uma bronca com o livro, gente. Mas eu desenvolvi uma raiva do tal de Paulo, por quê? Por catavismo religioso.
Eu vinha da igreja católica em que a gente venerava São Paulo. Aí me dou de cara com aquele homem perseguindo, trucidando cristãos, mandando apedrejar. Nossa senhora! Eu fiquei assim, primeiro fiquei desiludido. Me senti traída. Esse é o santo? Esse é o santo que me ensinaram a venerar? Esse é o São Paulo? Mas o que que é isso? Das duas, uma ou esse livro aqui está mentindo ou eu fui enganada a vida inteira. Aí fui conversar com a minha dirigente do grupo de estudos. E ela então me Trouxe uma lição que eu nunca mais esqueci, que é exatamente o que é o ser humano, o que é a sua luta, o que é a sua vida e o que é a sua superação.
E aí me disse se tu quiseres entender verdadeiramente isso tem que terminar de ler o livro porque eu quero te dizer uma coisa se tu não suportas ler a primeira parte desse livro e seguir lendo, tu não vai suportar, minha filha, o trabalho no Nascear Espírito. Nossa! Quando ela me disse isso, eu disse opa! Voltei assim, o livro na cabeceira, eu olhava e agora leio, não leio. Até que infelizmente me decidi a ler todo ele e aí a gente não para mais, porque a gente vai entendendo. Mas eu fiquei muito bronquiada de início, meu Deus!
Guilherme, vamos aproveitar então para a gente poder entrar um pouquinho na obra. Vou te fazer uma pergunta aqui para a gente poder aproveitar essa fala da Beth e dessa história de Paulo. É possível em uma encarnação alterar uma rota de vida? Uma vida de enganos ou de conceitos e vivenciar as leis morais? Eu acho que o Paulo é um exemplo disso, porque a maturidade de Paulo, quando a gente estuda o livro Trilhas da Libertação, a gente vê os quatro pilares da obsessão, as quatro grandes verdades. Os espíritos obsessores geralmente tentam nos pegar, nossos trabalhadores e pessoas em gerais.
Sexo, narcisismo, poder e dinheiro. E a gente vê que o Paulo, ainda quando saúdo, tinha pontos que ele já era um espírito extremamente maduro, inclusive na sua sexualidade. Ele fala, por exemplo, que quando jovem ele teve as tentações, o mundo fazia os convites, mas ele já tinha maturidade, um controle sexual, uma disciplina que esperava a heroína ignota dos seus sonhos que era Abigail. Então a gente vê que um espírito que tem essa maturidade e esse autocontrole não é um espírito de primeiras encarnações, então tinha maturidade.
Mas Paulo cai aonde? No orgulho de filho, no narcisismo, no poder. Tanto que ele fala com Sadoque que ele queria subjulgar Roma e a Grécia pelo poder do povo de Israel. Então a gente vê que é aí que há o conflito, porque o Emmanuel disse que Saulo era um obsidiado, estava numa religião dos espíritos. E a gente vê então que o que tu falou lá no início, Thiago, a inteligência afastada do amor, a inteligência afastada da moral é tirania, se torna crime, se torna violência, se torna expoliação e é por aí por diante. E a gente vem pela transformação de Paulo, de Saulo a Paulo, e um homem que buscou com toda sua força ressignificar sua vida, um coração apaixonado.
Eu gosto muito daquela passagem que logo depois vem o fenômeno de voz direta e diz que Paulo e Barnabé deveriam prender a primeira viagem. O Emmanuel diz lá mais ou menos assim, o Cristo o chamava e para atender o chamado ele iria até o fim do mundo. Se Paulo hoje tivesse encarnado na Terra e Jesus aparecesse pra ele espiritualmente e dissesse, olha, a gente tem que levar o Evangelho pra Marte, fundar o centro espiritual lá em Marte, porque eu fiz um acordo com o Cristo planetário de lá e a gente vai fazer agora um momento de unificação do sistema solar, Paulo daria um jeito de encarnar-te hoje.
Não hoje, agora, mas nessa encarnação. Então o espírito que ele tinha de buscar e saber também que se Jesus está falando ele vai ter instrumentos pra isso, mas um processo de não se acomodar jamais. Esse é um criador extremamente operante. E isso vem um homem que foi um assassino em vida, porque a gente vê Saulo, quando Estevão está sendo executado, ele é retirado ali da execução, moribundo e vai pra uma sala, inseparado e ele diz, não, Saulo só estava defendendo a lei de Moisés, Estevão estava sendo indulgente, como um santo era, mas Paulo ele utilizou da lei pra fazer uma vingança pessoal.
Tanto que Gamaliel fez outra leitura daquela situação, não queria condenar Estevão e Paulo utilizou daquilo, então ele foi um assassino. E assim mesmo em vida. Mas isso é uma coisa curiosa, que está lá no prefácio do Paulo Ceu, na introdução o Emmanuel diz assim e tem vários textos também, quando ele compara Paulo com Madalena, é que esse é o problema do fanático religioso. Esse é o problema do fanatismo religioso. Então, no fanatismo religioso, os ideais eles começam a ser utilizados como pretexto para os meios. Então, é importante a gente ficar atento a isso, porque isso ocorre demais no movimento espírita e a Beth sabe o que eu estou falando.
Então, em nome dos ideais nós adotamos determinadas práticas ou nos permitimos ultrapassar certos limites que não poderiam ser ultrapassados, jamais. Então, eu falo limites das leis morais, em especial a lei de justiça, amor e caridade. Então, o fanatismo de Paulo fez com que ele ultrapassasse regras do próprio judaísmo. Sim. Então, não havia regras no judaísmo, não há, nunca houve, que permitem, por exemplo, a tortura. E a gente sabe que na perseguição aos cristãos, os cristãos foram presos e foram torturados. E o Paulo sabia que os mecanismos de tortura estavam sendo aplicados.
E ele sabia que aqueles mecanismos de tortura eram contrários aos princípios do judaísmo. E, mais, eram contrários aos princípios, principalmente, da família do seu educador. Porque o Gamaliel é neto de Hiléu e a escola de Hiléu é a escola da brandura, da caridade, do convencimento, da persuasão, de você ser mais flexível. Então, ele não só passou o limite da lei interna, sua própria crença, como ele feriu a tradição onde ele foi educado. Então, eu falo isso para a gente trazer, nós não estamos aqui julgando ninguém, pelo amor de Deus, trazer a tradição para nós.
Até que ponto, eu falo comigo, com o cuidado que eu tenho comigo, não vou apontar dedo para ninguém. Então, eu pensei, como expositor espírita, será que eu não estou usando a tribuna espírita? Estou ultrapassando os limites daquilo que a tribuna espírita permite? Será que eu, Arô, fico sempre atento a isso, entende? Quando eu subo na tribuna, eu falo, o movimento espírita, a doutrina espírita, ela impõe regras e limites para o exercício da tribuna espírita. Eu não posso ultrapassar essas regras, eu não posso ultrapassar esses limites.
Eu não posso, em nome do ideal, por exemplo, do ideal de defesa da pureza doutrinária, ultrapassar os limites do exercício da exposição espírita. Olha que bonito isso! Não é? Porque isso acontece. Isso acontece. Então, no exercício da direção de uma casa espírita, eu tenho um limite. O exercício do poder de gestão, ele está limitado pelos princípios da lei moral, da lei de justiça amor e caridade. Será que, em nome do ideal, da tarefa espírita, eu não estou avançando e me permitindo extrapolar os limites? Porque foi isso, né?
E qual que é o perigo disso? É que o ideal, ele anestesia a consciência de que eu estou passando o limite. Não, olha, realmente a gente não deve fazer isso. Realmente a gente não deve fazer. Mas, foi por uma causa justa, foi pela pureza doutrinária. Eu gosto de pensar nisso porque sabe qual que era o lema? O lema da Inquisição? Misericórdia. É verdade. O lema da Inquisição, o Tribunal da Inquisição estava lá. Misericórdia. Mas, estava lá. Misericórdia. Era o lema da Inquisição. Imagina. Interessante, né? É. Sabe que a gente a gente eu fiquei te ouvindo assim a questão do fanatismo principalmente no terreno religioso nós temos no terreno das religiões a gente precisa migrar o quanto antes para outros paradigmas.
O paradigma da Liderança servidora substituir as lideranças autocráticas o paradigma das construções coletivas em lugar das decisões solitárias a gente tem buscado assim construir no movimento espírita disseminar estudar e compartilhar essas ideias do quanto uma construção coletiva quanto mais ampla ela se torne ainda que ela seja mais difícil mais trabalhosa o quanto ela nos poupa de muitos erros porque a sabedoria da maioria por vezes ela precisa se impor principalmente quando esta maioria ela traz de forma muito evidente na sua essência os princípios daquela doutrina daquele segmento que a gente se torna adepto porque o homem sozinho isolado com muito poder é Não há como ele não se tornar um tirano até pelo imediatismo a gente tem pressa as vezes de produzir no outro transformações que nós não produzimos em nós mesmos então a gente se espelha forma as vezes uma imagem daquilo que a gente é no outro e é ali que nós queremos empreender a mudança e não em nós mesmos pelo processo de autoconhecimento eu acho que a raiz do fanatismo ela realmente está nisso assim o quanto nós somos apressados em querer mudar o panorama exterior sem mudarmos a nós mesmos primeiro é muito importante e Beth eu olhando na sua fala veio uma ideia aqui que me ativou porque o Paulo ele foi avisado que ele estava excedendo Gamaliel chamou ele e falou meu filho consente você está exagerado isso aqui quer dizer o espírito na sua encarnação ele está sempre cercado de amigos de pessoas que estão ali meio que acendendo a luzinha amarela e aquela luzinha vermelha quando a gente opta por decisões muito bruscas não foi porque a luz vermelha não se acendeu né Beth geralmente antes da criatura se encaminhar para a queda moral ela foi avisada por inúmeros inúmeros corações amigos inúmeros muitas pessoas tiveram conversas francas com ela dizendo meu amigo tu está colocando a perder tu está tomando uma decisão muito equivocada fica atento para isso não é só que aí é isso que o Guilherme falou a pessoa está tão inflamada ela está tão é tão narcisista que ela fala eu não vou ouvir ninguém eu vou fazer isso que não importa a opinião de ninguém quando nós falamos assim a gente é exatamente para exaltar a transformação de Paulo parece que ele é lá embaixo na parte mais escura da pessoa naquele momento mas para a gente poder ver depois a transformação dele de um homem que estava totalmente equivocado e que faz um processo de transformação tão grande e que respondendo a pergunta do Tiago consegue encontrar uma redenção depois de um grande esforço de doar a sua vida integralmente para uma causa e ser acolhido pelos braços de Jesus, então é essa mensagem que a gente tem a trazer de transformação porque o livro Paulo Estevam uma vez perguntaram qual é a grande mensagem do livro Paulo Estevam, se pudesse resumir em uma frase e é uma questão tão difícil fazer esse exercício porque como o Haroldo e a Beth comentaram o livro Paulo Estevam é uma obra inesgotável a gente pode olhar ela de diversos ângulos e ele vem preenchendo um reato de informação e botar o ponto final em muitas dúvidas de pesquisas históricas também espirituais sobre Paulo mas eu diria assim não sei se o Haroldo a Beth e o Tiago concordam conosco mas parece que a grande mensagem é a vivência da lição fortalecida por Jesus do amai os vossos inimigos é um exercício e o inimigos aqui é aquela pessoa que pensa diferente de ti não digo inimigo no sentido de alguém que fez alguma coisa contra, mas uma pessoa hoje que pensa diferente de ti como se fosse um antagonista em alguns pontos e a gente percebe que a obra o emana sempre em diversos pontos tentando trazer essa aproximação a necessidade de reconciliação de desenvolver as ideias com mais serenidade com mais tranquilidade a gente vê que em diversas passagens Jesus utilizou essa pedagogia nas relações para formar essa lição e eu ouvi também sabe o que era?
Eu preciso confessar que muitas vezes eu peguei o telefone, liguei para a Beth liguei para o Gabriel falei, olha gente, está acontecendo isso eu estou pensando minha vida está caminhando para isso o que é que vocês acham? O que é que vocês estão pensando? Qual que é a ideia? E eu ouvi mesmo fazer uma escuta ativa olha eu acho que isso aqui está você vai enfrentar a luta aqui, mas é isso mesmo é isso, aqui eu acho que você tem que ter tem que descuidar, tem que ter isso é muito importante é muito importante porque eu acho que a nossa grande meta deve ser cumprir a missão é o que o Emmanuel disse ninguém está no mundo sem uma missão a nossa meta aqui é cumpri-la é cumprir a nossa missão e quando a gente atenta para isso você começa a ouvir até uma crítica eu só faço uma crítica deixa eu pensar nisso aqui porque pode ter um percentual de razão deixa eu modular aqui a pessoa não está totalmente certa mas pelo menos eu acho que eu realmente tenho que controlar essa intensidade aqui eu preciso atentar para isso é algo muito importante porque eu penso assim e se o Paulo tivesse ouvido o Gamaliel?
E se o Paulo tivesse desistido do processo de apedrejamento de Estêvão? Cinco minutos depois ele ia ficar sabendo que Estêvão era cunhado dele uma semana depois Estêvão estaria no casamento dele nós teríamos um Paulo casado com um cunhado uma família isso aí é quase como um time de super-heróis porque Paulo, Abigail e Estêvão e Gamaliel porque Gamaliel talvez desistiria de ir para o deserto olha a potencialidade dessa configuração e por uma teimosia por uma teimosia ele desfez tudo e optou por um caminho e quantos expositores, quantos médiuns, quantos líderes espíritas fizeram isso com as suas encarnações com as suas missões porque não tiveram essa coragem de ouvir quem eles não gostavam né Bete?
É porque eu estava te ouvindo e pensando assim que nós precisamos criar o hábito de ouvirmos o hábito de trabalharmos em equipe o hábito de sermos mais um porque se a gente não desenvolve esse hábito dificilmente naquele momento em que nós estamos injetados em que nós estamos inflamados por uma ideia, a gente vai ouvir. Isso precisa ser um hábito construído em momentos em todos os momentos essa questão vamos fazer alguma coisa vamos planejar vamos fazer um projeto disso, ouvir as partes interessadas comprometer as pessoas isso demora muito tempo isso leva horas de reunião, de conversa mas é assim porque é isso que vai criar em mim uma disposição de ouvir as pessoas de colocar a minha visão em cheque de modificar aquilo que eu achava que era a grande maravilha do mundo e alguém vem e diz olha, mas se tu colocar isso aqui vai ficar melhor e aí você olha se é verdade então isto é um exercício que nós precisamos fazer porque senão é muito difícil que na hora que surge o conflito você vá parar, sentar e ouvir as pessoas, se isso não é um hábito é muito raro com grande esforço com exceções há pessoas que conseguem fazer mesmo não tendo a habitualidade disso mas se nós criarmos uma habitualidade de fazermos isto vai ficar mais fácil nos momentos de dificuldade que a voz do outro consiga tocar no coração da gente é isso aí o papo está muito bom eu queria a gente está com um novo quadro dentro do podcast que é o qual é a boa, qual é a boa nova então para a gente poder finalizar acho que se cada um puder trazer qual é a boa nova de cada um o que está lendo o que vem por aí nos projetos do Movimento Espírita que estão atuando eu vou começar aqui falando sobre o projeto com o Centro Espírita Emmanuel a gente vai comemorar o aniversário do centro, né Guilherme?
A nossa boa nova, Thiago, é essa parceria entre o Centro Espírita Emmanuel e a plataforma Espiritismo TV do Senhor, que é a série Paulo de Tarso e As Reis Morais é baseada nessa obra que nós falamos nesse podcast e tem o objetivo de conectar a vida e a obra de Paulo nós estamos elaborando essa série com pequenos vídeos para fazer uma pequena abordagem sobre cada capítulo, lembrando que As Reis Morais são 10, né quando Kardec estuda a lei natural, a lei divina ele divide em 10 matérias que é da lei de adoração até a lei de justiça, amor e caridade então vamos tentar organizar o possível, um episódio para cada capítulo mas tem alguns capítulos às vezes que vão ser um pouco mais extensos e a gente está estudando a ver se vai fazer dois ou mais episódios de determinado capítulo mas eu acredito que a grande Boa Nova é esse lançamento, né Tiago essa parceria que nós falamos sobre Paulo de Tarso e As Reis Morais Beleza, e Arouldo?
Qual é a sua boa, Arouldo? Pois é, eu vou falar a Boa Nova porque um irmão meu chegou do interior e aí eu estou esperando lá na casa da minha mãe e irmã do Jequetion, e está todo mundo esperando lá e eu falei, eu vou precisar ir lá para encontrar com eles, né a Boa Nova que está enchendo o meu coração é porque eu sempre olhei para Paulo e via esse ser humano que buscava todos os meios e todas as formas para levar a essência da mensagem de Jesus então para mim a Boa Nova foi o movimento espírita ter descoberto as mídias sociais o movimento espírita do ponto de vista coletivo então ouvi casas espíritas fazendo live federativas fazendo live, tendo perfil no Instagram, perfil no Facebook eu estou muito feliz muito feliz porque antes da pandemia eu ouvia assim nossa, mas você fica querendo aparecer, fica fazendo live cuidado com o orgulho Arouldo cuidado, viu, você vai ficar vaidoso agora eu vejo todo mundo nas lives, eu estou tão feliz porque uma live da federativa, uma live dessa do grupo Espírito Humano uma live da FEGS pode salvar uma vida de alguém que está querendo suicidar no Japão a pessoa está sozinha ela mora sozinha, ela está querendo suicidar, ela liga o Instagram dela e vê lá alguém da FEGS fazendo uma live eu acho que o espírito ele deve porque depois de um tempo do espiritismo é o que o Chico fala você precisa de uma tonelada de cascalho para tirar um grama de diamante mas para a pessoa que está começando para ela tudo é útil para ela tudo é um alimento, às vezes a gente que tem muitos anos não é qualquer palestra, não é qualquer live que vai te alimentar você já tem muitos anos, você já aprendeu você já tem muita história mas para a pessoa que está na dificuldade uma live singela, uma palestra simples pode fazê-la mudar de ideia e a gente não pode se omitir nisso então eu vendo aí todas as instituições do movimento federativo vendo os espíritas assumindo as mídias sociais colocando a sua como diz o Chico, colocando a sua bancazinha de peixe e vendendo o seu peixe para mim essa foi a notícia de 2020 eu estou comemorando muito, muito e você Bete, qual é a sua boa nova?
A minha boa nova que está sim fazendo como a gente diz o coração sair pela boca é que depois de longos anos de Conversas de negociações de insistência mesmo, até deu uma certa teimosia dos nossos presidentes da FEDES de vários anos e agora completando com o nosso querido Gabriel, finalmente nós conseguimos assinar com a Federação Espírita Brasileira um contrato que se traduz em um passo de unificação gigantesco, primeiro a Federação Espírita Brasileira vai divulgar e comercializar na sua página nas suas mídias os livros da Editora FEDES e também vai transformá-los através de um segundo contrato que assinamos em e-books para colocar nas plataformas da Amazon e nas demais sob o guarda-chuva da FEB e isso vai se ampliar para todas as demais federativas que tem editor então Haroldo, eu te digo que eu não ganhei o ano, ganhei o século Maravilha, ótima notícia essa é uma ótima notícia uma excelente Boa Nova excelente Boa Nova Tiagão, eu tenho que me despedir querido vai lá Haroldo abraço do teu pessoal meu querido, beijão que alegria te ver beijão dá um beijo beijo, dá um beijo obrigado é isso aí gente, vamos aproveitar então a saída do Haroldo e agradecer nós agradecemos muito o Bet e o Guilherme pela presença de vocês acho que é mais uma parceria que se inicia com o nosso pode ser e com o espiritismo.
tv e o ser que a gente se reconheça como irmãos né, como cristãos e a gente se abraça pra caminhar como acredito que o Trigueiro vai trazer aí na temática dele pra essa nova ordem social que a gente consiga contribuir com esse novo mundo que vem por aí que é tão esperado e não só pelo espiritismo mas por todas as religiões do mundo, todos eles tem algum ponto onde fala sobre um novo mundo uma nova era, um mundo de regeneração que vem por aí e eu queria agradecer muito a oportunidade de vocês estarem aqui com a gente a gratidão é nossa Tiago e eu acho que essa parceria que nós estamos fazendo como o Haroldo comentou, a questão de termos novos ângulos pra esse novo formato que está surgindo dentro do nosso movimento não gosta de dizer que o movimento vai mudar não vai mudar, ele vai evoluir vai crescer mais, mas as bases também sedimentadas de orientações lembrei da parábola das deusas virgens o Noel está próximo agora é hora de vigilância carregar o monoflore pra que a nossa lâmpada não atague e quando ele chegar a gente poder realmente entrar em bôdas com ele isso aí, nos organizar é isso mesmo Tiago, muito obrigado obrigado Guilherme pela oportunidade de trabalho mais uma vez, parabéns ao nosso bebezinho que é esse Centro Espírita Emmanuel bebê saudável lindo, promissor e Jesus abençoe vocês e o trabalho do nosso ser nesta trajetória bonita de divulgação da nossa doutrina muito obrigado, é isso aí
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