Neste episódio de encerramento do estudo do livro de Gênesis, Haroldo Dutra Dias aborda questões levantadas pelos participantes, aprofundando a compreensão do Velho Testamento sob a ótica espírita. O estudo faz um voo panorâmico sobre Gênesis, conectando-o à mensagem de Jesus e aos princípios da Doutrina Espírita.
O que é estudado neste episódio
- A idade dos Patriarcas bíblicos: A discussão centraliza-se na interpretação das idades longevas de personagens como Matusalém e Adão, apresentadas no capítulo 5 de Gênesis. Haroldo explica que a Bíblia combina história e literatura, e que as “eras” dos patriarcas podem ser interpretadas como períodos de influência ou eras que eles inauguraram, e não apenas como a duração de suas vidas biológicas. A mensagem principal é extrair o “espírito da letra”, buscando a mensagem espiritual por trás dos relatos.
- A relação entre a técnica de estudo PaRDeS e o cotidiano: A técnica PaRDeS, que significa “jardim” em hebraico e é um acrônimo para os níveis de interpretação bíblica, é relacionada à busca pela pureza espiritual. Haroldo explica que a compreensão e prática dos ensinamentos bíblicos, à luz da Doutrina Espírita, visa a purificação do Espírito e a conquista do “Jardim do Éden espiritual”, ou seja, o estado de bem-aventurança.
- O que é o Targum: É explicado que o Targum são as traduções do hebraico para o aramaico, surgidas quando o povo hebreu, após o exílio, passou a falar aramaico no dia a dia, enquanto o hebraico permaneceu como língua litúrgica. Essas traduções eram livres e revelam como os textos eram interpretados na época de Jesus e nos séculos adjacentes.
- Indicações de livros para aprofundamento em Gênesis: São sugeridos o comentário de Bruce Waltke sobre Gênesis (editora Cultura Cristã), o Velho Testamento Interlinear da Sociedade Bíblica do Brasil, a Bíblia do Peregrino (Alonso Schökel), a Bíblia de Jerusalém e a João Ferreira de Almeida (Revista e Corrigida), com a recomendação de usá-las em conjunto para uma análise mais completa.
- A vinda do Messias como “filho de Davi”: A profecia do segundo livro de Samuel, capítulo 7, versículo 14, que promete a Davi que o Messias viria de sua linhagem, é analisada. Haroldo explica que a profecia abrange tanto o processo (a linhagem de Davi, com seus erros e correções) quanto o resultado (Jesus). A correção mencionada na profecia (“castigá-lo-ei com vara de homem e com açoites de homens”) refere-se aos descendentes de Davi até a chegada de Jesus, que, como Espírito puro, purifica e regenera toda a história anterior.
Reflexões
- A interpretação bíblica, especialmente do Velho Testamento, não deve se limitar a uma visão literalista, mas buscar o “espírito da letra”, compreendendo que os textos antigos frequentemente utilizam linguagem simbólica e literária para transmitir mensagens espirituais profundas.
- A jornada espiritual de cada indivíduo, pautada na vivência dos ensinamentos e na busca pela purificação, é o caminho para alcançar o “Jardim do Éden espiritual”, um estado de bem-aventurança e pureza que é o propósito da evolução do Espírito.
- As profecias messiânicas, como a que se refere a Jesus como “filho de Davi”, revelam a complexidade da providência divina, que tece os fios da história através de gerações, permitindo a evolução e a purificação mesmo em meio às imperfeições humanas, culminando na vinda de Espíritos puros como Jesus para regenerar e salvar.
Ler transcrição do episódio
A Luz da Doutrina Espírita Olá, pessoal, bem-vindos a mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis – A Luz da Doutrina Espírita. Ao longo desta jornada, nós abordamos vários temas, temas centrais para a compreensão, não apenas do Velho Testamento, mas, também, primordialmente, do Novo Testamento. Fizemos um voo panorâmico sobre este livro gigantesco, sobre esta grandiosa obra da literatura religiosa do povo hebreu, fazendo, aí, as conexões imprescindíveis e necessárias com a mensagem de Jesus. E, é claro, sempre abordando os temas, sempre interpretando, sem perdermos o alicerce, as bases da Doutrina Espírita, dos princípios que estão no Livro dos Espíritos, na Codificação e nas obras subseteadas.
Nós esperamos que você tenha gostado, que você tenha apreciado esta abordagem, que não pretende excluir nenhuma outra. Na verdade, este estudo apenas soma, contribui com tantas outras e enriquece nossa caixa de ferramentas, vamos assim dizer, da interpretação bíblica. E, hoje, encerrando, aí, esta temporada de estudos do livro Gênesis, nós vamos responder algumas perguntas. Pessoas da comunidade Estudo, que acompanharam, que têm seguido jornada junto conosco neste estudo, ficaram com algumas dúvidas e, neste episódio, nós reservamos um momento para responder estas perguntas e para interagir com estas pessoas maravilhosas, que a gente tem um máximo carinho, um profundo carinho por todas elas.
Queremos agradecer aqui a todos vocês que acompanharam, que sugeriram, que fizeram perguntas, fizeram críticas. Foi um estudo maravilhoso, nós aprendemos muito, temos recebido respostas muito boas e estamos nos preparando para um novo estudo. Mais um livro do Velho Testamento será estudado. Eu vou deixar aqui a surpresa, porque, daqui a pouco, nós vamos começar a divulgar qual é o livro e você vai poder acompanhar no espiritismo. tv www.espiritismo.tv Aguardamos você lá! A Marta de Paula, do Rio de Janeiro, nos fez aqui uma pergunta, que é a pergunta de todos nós que iniciamos o estudo do livro Gênesis, que é o primeiro livro do Velho Testamento, Bereshit para os Hebreus.
É a respeito da idade dos patriarcas. Logo ali no capítulo 5, em diante do livro Gênesis, o redator bíblico começa a narrar que os patriarcas Matusalém, Adão e tantos outros viveram idades, assim, fora da média, 500, 600, 700, 900 anos. Isso impressiona algumas pessoas, porque, quando a gente observa o cotidiano, o dia-a-dia, a gente não vê, com muita frequência, pessoas vivendo, passando da faixa dos 100 anos. O que dirá a 3.500 anos atrás, onde a média de vida era de 50 anos, 60 anos, no máximo. Bom, aqui, nós precisamos abordar, antes de responder Marta esta questão das idades, nós precisamos mudar a forma de pensar.
Muitas pessoas abrem o livro Gênesis e fazem a seguinte pergunta Isto aqui é Fato, é história, é real ou Ou É literatura? Esta é a pergunta que faz. Isto aqui é história ou É literatura? Então, eu pergunto assim Adão, existiu um ser humano chamado Adão ou Isto aqui é uma história criada? Sabe onde está o problema? No ou. O problema está no ou. Por quê? Os redatores bíblicos, para redigir os livros, eles se basearam em histórias reais, se basearam em histórias reais. Entende? Então, realmente existiu um rei Davi, realmente existiu um Salomão, existiu um profeta Isaías e, seguramente, com muita segurança, existiu um indivíduo que tinha o nome de Adão, existiu um indivíduo que tinha o nome de Abraão, claro, isso aqui, com certeza, existiu um indivíduo que tinha o nome de Isaac, outro indivíduo que tinha o nome de Jacó.
Essas pessoas existiram, elas viveram, elas eram pessoas espiritualizadas, inspiradas, que reencarnaram com a missão de trazer um progresso religioso para os seres que habitavam no planeta Terra naquele período. Ok? Aí, vem o redator. O redator, na hora em que ele vai redigir, ele relata exatamente o fato de como aconteceu o concreto? Não. Na hora de redigir, o que ele faz? Ele acrescenta, ele altera, ele aumenta, ele exagera, ele coloca uma história, ele mistura, igual nos filmes de hoje, igual nos filmes de hoje.
Se você assiste uma série no Netflix falando sobre a vida de dois policiais em Los Angeles, você acredita realmente que a vida real de dois policiais de Los Angeles é exatamente igual ao seriado do Netflix? Você realmente acredita nisso? Agora, nós podemos dizer que o seriado do Netflix sobre a vida de dois policiais é pura ficção, que aquilo ali não tem nada de realidade? Também não podemos dizer isso. Então, vamos trocar o ou pelo i Então, em matéria de livros bíblicos, nós temos história, fato real e Literatura, fato concreto e Imaginação literária e ficção.
É aqui que, ao interpretar, nós precisamos ter sensibilidade interpretativa para separar o que é base concreta, o que é base histórica daquilo que é literatura. E, não importa o que é base histórica e o que é literatura, nós temos que tirar o espírito da letra, porque os autores bíblicos escrevem para transmitir uma mensagem. Eles não escrevem para registrar fato histórico. Nenhum autor bíblico quer fazer relato histórico para ficar guardado em biblioteca para depois ir para o curso de História. Não! Eles não criam histórias e ficções para serem poetas, autores literários.
Também não! Eles escreveram para transmitir uma mensagem espiritual, uma mensagem religiosa. Entende? Então, ele usa fato histórico e literatura a serviço da mensagem. Então, quando nós vamos interpretar, o que nós temos que fazer? Nós temos que ir à mensagem, porque a mensagem é a essência da coisa. É a essência. Então, aqui vamos dizer a gente não diz hoje, olha aqui, século XX, século XXI, a gente não diz assim a era Vargas, Getúlio Vargas. Você conhece o Getúlio Vargas? Você sabe que o Getúlio Vargas nasceu na data tal, desencarnou na data tal, suicidando-se, não é?
Nós sabemos isso. Mas, a era Vargas durou o mesmo tempo da vida do Getúlio? Quando Getúlio morreu, acabou a era Vargas? Não! A era Vargas durou muito mais tempo do que a vida de Getúlio Vargas. É isso que está no Gênesis. A era Matusalém durou tantos anos. Matusalém viveu pouco, mas a era Matusalém durou centenas de anos. A era Adão durou centenas de anos. A era, entende? Então, quando você olha esses personagens, esses personagens do livro Gênesis, o que os hebreus fazem? Eles vão somando as datas, vão somando, e, se você somar, você vai ver o quê?
Que temos quatro mil anos de Adão até Jesus. A era cristã, bom, Jesus viveu trinta e oito anos, não é isso? Mas, a era cristã durou trinta e oito anos? Não! Nós ainda não estamos aí a quase dois mil anos de era cristã da influência de Jesus? É a mesma coisa. É disso que a literatura bíblica está falando. Então, não confunda o personagem, a pessoa real, com a era, com o período que ele inaugurou. Mata, espero que tenha esclarecido, espero que tenha tirado esta grande dúvida, que não é só sua, é de todos nós. A próxima pergunta é da Marcia Milk, de Barueri, São Paulo.
A Marcia pergunta sobre a relação que tem do Pardes. O Pardes é o Jardim do Éden, em hebraico, Pardes. E, os hebreus costumam fazer um trocadilho com as iniciais desta palavra? Para falarem da interpretação bíblica, para dizer que as iniciais de Pardes geram os tipos de interpretação que você pode fazer do texto, simbolizando aí que, uma vez que você interprete o texto, uma vez que você compreenda o texto, você entra num Jardim do Éden espiritual. Esta é a ideia. Então, qual é a relação que nós podemos fazer com o cotidiano?
Mas, à luz da doutrina espírita, tudo que nós estamos aprendendo, interpretando Bíblia, encarnando, vivendo expiações e provas, é para a purificação dos nossos Espíritos. Nossa meta, o nosso propósito, é a pureza espiritual. Uma vez atingida a pureza espiritual, nós ingressamos no estado da bem-aventurança, nos tornamos Espíritos bem-aventurados, Espíritos felizes, que conquistam, com seu esforço e com o auxílio de Deus, o direito de morarem definitivamente nos mundos felizes, nos mundos celestes. Por quê? Porque já eliminaram os vícios, já Educaram as energias que representam as paixões, já temperaram seus sentimentos, já emitem uma irradiação de bondade e de sabedoria, não pensam mais apenas no interesse pessoal, mas, também, no bem comum, ou seja, Espíritos puros.
Este é o Pardes, este é o Jardim do Éden que aguarda a todos nós, interpretando os textos sagrados, extraindo o Espírito da letra, mas, sobretudo, vivendo, testemunhando e praticando a mensagem, nós conquistamos este Jardim. Esta é a mensagem do cotidiano. Desde a hora que nós acordamos até a hora que nós acordamos, porque, durante o somo, nós estamos em atividade espiritual, então, da hora que acordamos à hora que acordamos, há sempre circunstâncias e oportunidades de nós aprimorarmos a nossa alma para conquistar o Jardim do Éden.
Esta é a mensagem. Nós temos uma outra pergunta da Joana, de São Paulo. A Joana pergunta o que é o Targum? A gente tanto fala aqui no Targum, o Targum, o que é o Targum, Joana? Vamos lá! Joana, o povo hebreu falava o hebraico antigo. Então, na época de Moisés, nós tínhamos um hebraico antigo, uma língua que faz parte da família das línguas semíticas, que é outra família da nossa linguagem. Então, nós que falamos português, italiano, francês, latim, grego, é outra família de línguas, não é a família semítica. Na família semítica, nós temos o hebraico, o aramaico e outras línguas muito importantes.
Pois bem, o hebraico antigo foi evoluindo com toda a língua, porque a língua é viva, ela vai se modificando, vai se transformando. Mas, houve um tempo em que o povo hebreu foi escravizado pelos Medo-Persas. Primeiro pelos assírios babilônicos, e, aí, a linguagem assíria, o assírico, o povo hebreu teve um contato muito forte com a tradição cultural da Babilônia, com a linguagem no assírico, e, depois, eles foram escravizados pelos Medo-Persas, o Império Medo-Persa. E, o Império Medo-Persa falava aramaico. Então, neste momento, quando o povo hebreu volta do grande exílio para a terra de Israel, quando ele recupera a terra de Israel, a população está falando aramaico.
A linguagem das ruas é o aramaico e a linguagem religiosa, dos textos sagrados, da liturgia na sinagoga, a linguagem das orações, a linguagem das festas, dos rituais judaicos, é a linguagem hebraica. É, mais ou menos, se você pensar há 100 anos atrás, 70 anos atrás, em que as missas na igreja católica eram celebradas em latim, em latim. Então, você saia na rua e falava português, entrou dentro da igreja e era tudo em latim. Isso há muito tempo atrás. Assim era em Israel, na terra de Israel, na Palestina, ao tempo de Jesus.
O povo falava aramaico em vários dialetos. Então, você tinha uma variação, o aramaico que era falado na Galiléia, o aramaico que era falado ali em Jerusalém e em outras regiões e o hebraico, que era a linguagem litúrgica. Então, ia celebrar a Páscoa? Hebraico. Ia fazer oração? Hebraico. Ia ler o texto bíblico? Hebraico. Só que o que aconteceu? Vai acontecendo, a gente sabe disso. O povo começou a não saber mais falar o hebraico. Então, para ler as Escrituras, precisava de tradução, traduzir do hebraico para o aramaico.
Qual que é a palavra tradução em aramaico? Em aramaico, a tradução é Targum. Targum. Então, aí surgiram os Targums, ou traduções em aramaico, traduções do hebraico para o aramaico. E é muito curioso, porque essas traduções eram traduções muito livres, porque o povo não conseguia compreender o texto bíblico. Então, os tradutores faziam tipo essa bíblia na linguagem de hoje. Eles eram mais autores do que tradutores. Mas, isso foi interessante, porque quando você pega essas traduções ou Targums, você consegue ver como que eles interpretavam o texto naquela época, ou, pelo menos, como que parcela daquela sociedade, daquele grupamento, interpretava o texto bíblico em hebraico.
Então, é valioso, é um patrimônio, porque a gente estuda as interpretações ao tempo de Jesus, naquele período ali, cem anos antes, cem anos depois de Jesus. Mais ou menos, há duzentos anos, a gente consegue mapear as interpretações daquela época. Então, a tradução em aramaico é Targum. Isso é o Targum. Pessoal, muita gente tem pedido aí uma indicação de livro de literatura para se estudar o livro Gênesis, para continuar os seus estudos e aprofundar esses estudos. Em língua portuguesa, tem muita obra, mas está em inglês.
Então, eu vou indicar aqui uma boa de um grande autor de linha protestante, que é o Bruce Waltke. O Bruce Waltke escreveu esse comentário do Antigo Testamento, Gênesis, e, aqui no Brasil, foi editado pela Cultura Cristã. Então, nessa obra, ele dá um panorama, ele dá uma visão, ele organiza o pensamento. É claro que, em determinados momentos, a interpretação dele, a meu ver, fica pobre, não está à altura da inteligência desse homem. E, muitas vezes, ele se perde no dogma, nas limitações teológicas do seu alinhamento intelectual, que é natural.
Todos nós temos as nossas limitações, o nosso horizonte. Mas, é preciso ter consciência disso. Mas, é uma obra extraordinária, vale a pena, está em português, então, facilita muito o estudo do livro Gênesis. Pessoas também têm perguntado sobre a tradução do Velho Testamento. Eu indico, aqui, três. A primeira é uma edição da Sociedade Bíblica do Brasil, que é o Velho Testamento Interlinear. Já estava em três volumes e eu não sei, tenho dúvida, se já saiu o quarto. Não sei se saiu o quarto volume, mas já estava em três volumes.
O que é o interlinear? Vem o texto hebraico e ele coloca, em cima de cada palavra do texto hebraico, uma tradução. Então, você consegue ver quais são as palavras que existem e, a partir desse interlinear, você compara as traduções, se as traduções criaram palavras que não existem, se elas acrescentaram coisas. Então, ajuda você a fazer uma checagem. E, aí, eu gosto muito de usar a Bíblia do Peregrino, do Alonso Sheker e a Bíblia de Jerusalém. Ambas têm falhas, têm dificuldades. É isso aí, tradução é isso. Por isso, a gente não pode ficar apenas com uma tradução.
E, você tem ali o João Ferreira de Almeida, Revista Incorrigida, porque o João Ferreira de Almeida, embora não seja uma tradução boa, ela é bem literal. Então, você consegue perceber, porque a Bíblia de Jerusalém acrescenta muita palavra que não existe, muda, às vezes, a frase, tem esse problema. Mas, no geral, ela é uma tradução elegante. O Alonso Sheker tem notas de rodapé fabulosas, tanto do Velho Testamento, quanto do Novo Testamento, mas a tradução dele é muito livre. Então, tem que ir equilibrando a outra aí, João Ferreira de Almeida, Revista Incorrigida, Bíblia de Jerusalém, Alonso Sheker e você, com o interlinear na mão, para saber onde que eles estão delirando e onde que eles estão acertando.
Com esses quatro aí na mão, você faz você cerca de maneira bem interessante e dá para fazer o estudo seguido do Gênesis. Nós temos aqui uma outra pergunta da Érica de Araújo. É uma pergunta do livro Levítico. Mas, a gente aproveita aqui para responder esta pergunta, porque trata-se de um tema muito importante, que é o tema messiânico, a vinda do Messias. Ela se refere ao capítulo 7 do segundo livro de Samuel, especificamente o versículo 14, que é quando Natão, o profeta, está prometendo ao rei Davão que da sua linhagem sairá o Messias.
Ele terá um filho, Davi terá um filho e será o Messias. E, aí, tem uma passagem que diz assim Eu serei para ele pai e ele será para mim filho. Se ele fizer o mal, castigaloei com vara de homem e com açoites de homens. Minha fidelidade não se afastará dele, como tirei de Saul e afastei de ti e afastei de diante de ti. A tua casa e a tua realeza subsistirão para sempre diante de ti e o seu trono se estabelecerá para sempre. E, aqui, uma passagem altamente simbólica, altamente simbólica. Por quê? Porque quando a profecia – e isso nós precisamos compreender aqui – quando a profecia promete o Emmanuel, um Deus conosco, da linhagem de Davi, filho de Davi, nós temos que separar duas coisas distintas, o resultado e o processo.
O resultado é Jesus, o processo é a linhagem de Davi. Então, Davi teria um filho, que teria um filho, que teria um filho, que teria um filho, que teria um filho, que teria um filho, que teria um filho, até chegar em Jesus. Então, é uma progressão, uma progressão em que, durante o percurso, nós temos vários herdeiros que vão cometer erros, que vão cometer erros e que serão corrigidos. Por quê? Porque a promessa espiritual é que não seria tirado da linhagem de Davi, em hipótese nenhuma. Mesmo que todos os herdeiros de Davi cometessem atrocidades, não seria tirado o Messias.
O Messias seria da linhagem de Davi, da linhagem real, para manter a simbologia, para manter a construção que é toda a base do Velho Testamento. Olha que interessante isto! Porque, se não chegaria Jesus, se ele fosse de outra linhagem, ele não teria legitimidade perante os seus. Mesmo adotando todos estes cuidados, ele já não foi aceito. Então, todos estes descendentes, o que eu entendo que a mensagem está dizendo aqui é que, olha, eu não vou tirar da linhagem, porque já havia sido trocada a linhagem. E, agora, não.
Era a linhagem de Davi, da raiz de Jessé, que é o pai de Davi. Esta é a profecia. Então, os descendentes cometeriam erros, eles seriam corrigidos e, aí, chega o Cristo. Claro, Espírito puro. Ele não precisa ser corrigido, não é? Mas, ele assume, olha que bonito, simbolicamente, ele assume todas as quedas dos seus ascendentes, todas as quedas dos seus ancestrais e ele purifica por amor. Por amor. É como um Espírito que nasce em uma família, um Espírito superior. Por exemplo, a mãe de André Luiz nasceria, casaria de novo com o pai de André Luiz e receberia as duas amantes do pai de André Luiz como filhas.
Ela precisava disso? Não. Mas, ela receberia. Então, com o amor dela, ela iria purificar toda aquela história de equívocos, de enganos e demais. É o que Jesus faz. Então, a profecia que ela é dupla, ela confunde o meu, porque ela está falando ao mesmo tempo de Jesus, mas, também, dos descendentes até chegar a Jesus. Então, é claro, Jesus não precisa ser corrigido, não precisa ser açoitado, mas, os descendentes precisam. Então, olha que sutileza. Por isso que o texto hebraico é difícil, porque ele tem muitas faces, ele aborda muitas coisas ao mesmo tempo.
E, aí, a gente tem que separar uma coisinha da outra para não confundir. Então, este castigo, esta correção, é dos descendentes até chegar a Jesus, porque Jesus chega já puro e purifica tudo para trás. Tudo para trás. Esta é a ideia, inclusive, da genealogia de Mateus e da genealogia de Lucas. Jesus é o ápice, Ele é a purificação, Ele é o conserto, Ele regenera, Ele salva, Ele cura toda a história anterior. Esta é a ideia. Minhas amigas, meus amigos, chegamos, então, ao final da nossa jornada de estudos do livro Gênesis, de Moisés, à luz da Doutrina Espírita.
Eu espero que vocês tenham apreciado esta longa caminhada e que ela tenha enriquecido a nossa sensibilidade, os nossos conhecimentos, a nossa vida, com a luz espiritual que jorra destes textos antigos, quando eles são interpretados, não segundo a letra, mas segundo o Espírito. Um abraço a todos vocês e eu já convido para o nosso próximo estudo. A nova temporada será sobre o livro de Isaías, o Profeta Isaías, o livro que é conhecido como o Evangelho dentro do Velho Testamento, o profeta que retratou, talvez, com maior número de minúcias e de detalhes, a vinda do Messias.
Espero que vocês apreciem. Breve, breve, nós iniciamos aí a primeira temporada, com o primeiro episódio do estudo do livro de Isaías. Aguardo vocês! Os doze irmãos, as doze tribos, e prepara esses doze irmãos para a formação da nação hebraica, para a formação do povo hebreu. Esse gesto de perdão, de acolhimento.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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