Neste episódio, Haroldo Dutra Dias conclui o estudo do livro de Gênesis, à luz da Doutrina Espírita, focando na figura de José e sua importância para a transição da família patriarcal para a nação hebraica.
O que é estudado neste episódio
- A Parábola do Filho Pródigo em Gênesis: A história de Adão e Eva é revisitada como uma parábola do filho pródigo, onde Eva representa o filho mais astuto que rejeita a paternidade divina, e Adão, o filho mais ingênuo. A desobediência inicial, ao dar ouvidos à serpente e buscar usurpar a posição divina, leva à perda do paraíso e à descompensação familiar.
- Caim e Abel: A consequência da escolha de Adão e Eva se manifesta em Caim, que assassina Abel, o irmão que veio para resgatar a família através do amor. Esta primeira família bíblica é apresentada como uma miniatura de todo o mal presente na Bíblia, cujos temas se repetem e se desenvolvem ao longo das narrativa.
- A Evolução dos Temas Bíblicos: A Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, é vista como uma saga da jornada evolutiva. Os temas apresentados inicialmente em Adão, Eva, Caim e Abel são desenvolvidos e ampliados nas famílias de Abraão, Isaque, Jacó e, posteriormente, Moisés, ganhando complexidade e sabedoria, assim como a evolução espiritual.
- José como Transição: José representa a transição do âmbito familiar para o conceito de nação. Sua história marca o ponto em que a narrativa bíblica se move do nível pessoal para o coletivo social, preparando o terreno para a formação das doze tribos de Israel.
- A Integridade Moral de José: José é vendido como escravo, mas mantém sua integridade moral e ética, mesmo antes da existência dos Dez Mandamentos. Sua recusa à esposa de Potifar e sua resignação diante da injustiça o levam a prosperar no Egito, tornando-se um conselheiro do Faraó.
- O Perdão e a Misericórdia de José: O ponto central da história de José é sua capacidade de perdoar os irmãos que o traíram. Ele não busca vingança, mas acolhe e resgata sua família, interrompendo o ciclo do mal e do revide. Este ato de perdão e misericórdia é a base da formação do povo hebreu.
- José como Símbolo de Estabilidade Moral: José mantém-se íntegro e fiel a Deus em todas as circunstâncias, seja na adversidade ou na bonança. Ele é um exemplo de estabilidade moral e espiritual, uma figura que será retomada em Jó, que também demonstra integridade em todas as provações.
- A Honra ao Pai: José honra seu pai, Jacó, mesmo diante dos equívocos paternos, sem humilhá-lo ou cobrar-lhe. Este respeito e amor filial são destacados como um exemplo de conduta.
- O Amor, a Misericórdia e o Perdão como Essência do Velho Testamento: O estudo enfatiza que, ao contrário de interpretações superficiais que resumem o Velho Testamento a “olho por olho, dente por dente”, a história de José revela que o amor, a misericórdia, o perdão e a fé são os pilares que moldam a narrativa e a formação do povo hebreu.
Reflexões
- A história de José demonstra que o perdão e a misericórdia são capazes de interromper o ciclo do mal, redimindo erros e construindo as bases para um futuro de união e prosperidade.
- A integridade moral e a fidelidade aos princípios divinos, mesmo diante das maiores adversidades, são qualidades que transcendem as leis escritas, manifestando-se na consciência individual.
- A jornada do povo hebreu, desde as famílias patriarcais até a formação da nação, reflete a evolução espiritual da humanidade, onde os temas se repetem em níveis mais complexos, sempre com o objetivo de aprendizado e aprimoramento moral.
Ler transcrição do episódio
Olá, amigos, bem-vindos a mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, à luz da doutrina espírita. Nós estamos já caminhando para o final, final da nossa abordagem do livro Gênesis. Tem muita coisa ainda que poderia ser tratada, mas a gente prefere fazer esse voo panorâmico para que a gente possa ter a oportunidade também de estudar outros livros e tenho certeza que vocês vão gostar do próximo livro que vai ser estudado. Então, vamos com calma, caminhando para o final do nosso estudo do Gênesis, tratando da figura do José.
Nós comentamos aqui que o José, em vários aspectos, ele é um esboço do que virá ser o Cristo no Novo Testamento. Então, nós tínhamos estudado um aspecto muito curioso aqui nas famílias patriarcais. A gente começa lá na primeira família, que é Adão, Eva, Caim e Abel. Já logo nessa primeira família, o que é que acontece? Os pais já começam errados. Então, o grande erro de Adão e Eva não tem nada a ver com questão sexual, esse mito que se criou em torno do Velho Testamento, de que o fruto que Eva comeu tem alguma conotação sexual.
Nós, já no início do nosso estudo do livro Gênesis, tratamos detalhadamente qual era o projeto da serpente, qual foi a astúcia da serpente e o que ela queria. Na verdade, o que a serpente queria era retirar Deus dessa família, retirar os princípios da lei divina, da lei moral dessa família. Então, ele começa por Eva, ela então rejeita a paternidade divina, olha que bonito isso, ela rejeita o pai, o Criador, rejeita as leis divinas e assume o projeto da serpente que é se tornar Deus, usurpar a posição divina, querer ser mais que o próprio Deus.
Então, Adão cumpre esse projeto com ela, os dois preferem ouvir a serpente do que ouvir o pai. Então, a gente percebe que a história de Adão e Eva é a parábola do filho pródigo. Os filhos, o tanto pródigo quanto o filho mais velho, esses dois filhos aí da parábola representam Eva e seu marido, Adão. É uma… Jesus pegou lá no Gênesis e construiu a história. Então, eles são filhos de quem? Adão e Eva são filhos de Deus. Então, na parábola do filho pródigo, está lá o pai, que é Deus. Está o filho, que é o mais velho, que é o mais astuto, representa aqui, no caso, Eva, porque primeiro houve a serpente, a que planeja tudo, a que está ali, ela quer ser igual a Deus, quer usurpar a função divina e o Adão, representando o filho mais novo, o filho mais ingênuo, o filho pródigo.
Então, está ali, representado. Esse rompimento com Deus provoca uma descompensação na família. Então, essa família, agora, ela não tem mais a lei divina norteando. Ela não está mais aberta à condução divina. Ela se opõe a Deus. Qual que é a consequência disso? Surge Caim. Caim é a concretização dessa opção feita por Adão e Eva e de uma série de outros, a perda do paraíso, o espinho, todas aquelas condições que se agravaram. Então, surge ali Caim. Mas, a misericórdia divina é tão grande que manda uma figura destacada, diferente, para resgatar, Adel.
E, aí, o que acontece? Caim assassina, mata o próprio irmão, o irmão que veio, pelo amor, pelo bem, resgatar a família. Então, a primeira família bíblica é uma família em miniatura, ela tem todo o mal da Bíblia inteira. Ela é uma miniatura. Se você pegasse uma lente poderosa e falasse, meu Deus, tudo o que tem na Bíblia está aqui nessa história. Então, a Bíblia é apenas um desenvolvimento dessa história. E, aí, você vai seguindo as famílias. Abraão, Isaac, Jacó, mesmo antes de Abraão, todas as outras, Noé, todas as outras que são citadas, mas essas principais, Abraão, Isaac, Jacó, depois, lá na frente, Moisés, todas essas famílias dos patriarcas são desenvolvimentos dessa história em miniatura que está em Adão e Eva, Caim e Abel.
Então, esse é o aspecto brilhante do texto do Velho Testamento. Ele apresenta um tema e, aí, ele vai repetindo esse tema, repetindo, mas, cada vez que ele repete, ele amplia, ele fica mais complexo. É como a evolução, simples e ignorante, vai ganhando em complexidade, complexidade estrutural, a evolução vai ficando cada vez mais complexa, uma célula, aí, fica duas células, aí, um órgão, um sistema vai ficando complexo e vai ganhando em sabedoria. Deixa de haver a ignorância e vai aprendendo. Então, o Espírito vai adquirindo aprendizado espiritual, tanto intelectual quanto moral ou emocional.
Então, isso é que é a evolução. E, a história segue essa lógica. A história bíblica vai apresentando quadros que vão desenvolvendo, mas, o tema é o mesmo, o tema é o mesmo. Então, nós poderíamos dizer que, como a Sinfonia de Beethoven, esse é o tema da Sinfonia, o resto da Sinfonia vai desenvolver esse tema. Nós podemos pensar exatamente dessa maneira. Então, quando chega aqui em José, nós temos a família já, doze irmãos, as doze tribos. Então, agora, a história bíblica já está preparando a gente para sair da família e nos encaminharmos para a nação.
Então, nós estamos saindo de um nível pessoal para um nível coletivo social. Então, tudo aquilo que havia se desenvolvido na família Adão, Eva, Caim e Abel, foi desenvolvido e chegou nos doze filhos de Jacó. Então, doze filhos de Jacó, completou, está na complexidade máxima a família bíblica. E, essa família, agora, ela representa a própria nação hebraica, as doze tribos. E aí, a história vai prosseguir, mas vai prosseguir agora com o povo hebreu, que são as doze tribos. Então, olha que interessante. Saiu do nível pessoal, foi para o nível social, coletivo.
E, aí, a história vai se desenvolvendo, desenvolvendo, desenvolvendo, até abarcar a humanidade inteira. Porque, quando chegamos no Novo Testamento, nós saímos de uma nação e passamos para a humanidade inteira. Então, aquilo que começou na família, desenvolveu e virou uma nação, um país, desenvolveu e virou toda a humanidade. Esse é o percurso de Gênesis a Apocalipse. Essa é a trajetória, essa é a trajetória, vamos assim dizer, que a gente não pode perder de vista. E José, então, ele está nessa transição entre a família, o aspecto pessoal e a nação.
Por isso que a história de José ela se desenvolve da seguinte maneira. José é vendido e ele chega no Egito e Potifar se encanta com ele, com seus dons, com seus talentos, com a sua capacidade de administrar, capacidade de gerar riqueza, capacidade de atuar no mundo material, porque a gente vê que José é um espírito maduro. Só que, aí, a esposa do Potifar se encanta por José e ele, por princípios éticos e morais, percebe que coisa curiosa. José não tem nem dez mandamentos. José é antes de Moisés. Não tem Torá, não tem nada disso e ele já tem os princípios éticos e morais.
É importante a gente pensar nisso. Não precisa a gente ficar achando que o Velho Testamento é só Moisés, é só ordenanças, mandamentos. Não é. Então José recusa a mulher do Potifar, que estava acostumada, porque no Egito isso era comum. Ela fica com raiva, inventa uma mentira contra o José e ele acaba sendo preso por algo que ele não cometeu. Mas, aí, mais uma vez, usando os seus dons, a sua resignação, investindo no bem, acreditando que mantendo-se fiel à prática do bem, ele irá vencer e sanear todos os males. José consegue, novamente, cair nas benesses do faraó no momento de crise.
Lá, ele prevê a crise, ele administra e acaba se tornando um grande conselheiro, alguém muito bem, ali no Egito. E, aí, a gente já vê que a história já está começando a preparar para sair da família de Jacó dos Doze Filhos para as Doze Tribos, para a nação hebraica, a nação do povo hebreu, o povo hebreu, vamos dizer assim, a nação e o povo. Então, a gente, olha que interessante isso. Então o José, ele chega no Egito porque foi traído pelos irmãos, mas ele não guarda rancor, não quer se vingar. Ele encontra os irmãos, ele faz de tudo, ele procura e, quando ele encontra, olha que bonito, é ele que encontra, é ele que vai resgatar, ele que vai lá e chama.
E, aí, quando os irmãos estão lá, ele se revela, os irmãos ficam assustados, achando que naquele momento ele vai vingar e, pelo contrário, ele abraça, acolhe a todos, acolhe o seu pai respeitosamente, ele honra o pai, ele não se coloca como superior ao pai, ele honra, mostra o amor que ele tinha pelo pai e coloca toda a família numa situação muito confortável ali no Egito. Mas, é claro que tudo na vida muda, depois vai vir uma outra crise, outro período de vacas magras e o povo hebreu, que vai prosperar muito no Egito, vai acabar sendo escravizado no Egito, até em resgate a tudo o que tinha feito antes.
Então, essa escravidão no Egito é um resultado das escolhas que as famílias, que o povo, fez antes. Não chega até esse ponto. Então, não é assim gratuitamente. A gente enxerga isso. Mas, o bonito aqui da história de José, então, nessa perspectiva, é como que ele coloca um ponto final como que ele estanca o mal, ele retribui o mal com o bem. Isso é bonito nessa história, eu acho que é o elemento mais fundamental dessa história que a gente tem que destacar isso, é como que o bem interrompe a multiplicação do mal. O mal vinha ganhando e como é que o mal ganha força?
Porque ele prejudica alguém e alguém revida, praticando o mal. Aí, o mal está sempre sendo renovado. Eu prejudico alguém, aí alguém revida me prejudica, aí eu prejudico e fica aquele ciclo do mal, o ciclo da ofensa. Eu te ofendo para que você me ofenda, para que eu te ofenda, para que você me ofenda, para que eu te ofenda, para que você me ofenda. Eu te firo para que você me fira, para que eu te fira, para que você me fira, e assim vai. Olho por olho, dente por dente, olho por olho, dente por dente, olho por olho, dente por dente, depois está todo mundo cego, todo mundo banguelo.
Então, é o ciclo da progressão do mal. Quando surge o bem, o bem retribui o mal com o bem. Ele quebra a história, quebrou, cortou, cortou. Em José, nós temos o Reconciliate com teu adversário, enquanto estás a caminho com ele. Então, enquanto os irmãos estavam vivos, enquanto os irmãos estavam ali, ele reconciliou. Ele reconciliou como? Perdoando, através do perdão. Perdoou, porque naturalmente o José não teria passado por tudo isso, se não fosse resgate também. Mas, ele perdoa, ele acolhe, ele resolve colocar um basta nessa história, para que essa história não siga adiante no ciclo do revide, no ciclo do mal.
E é introduzida também a ideia da dignidade moral. Então, José prospera, ele experimenta a autoridade e a riqueza, mas ele mantém-se José. Então, José não deixa de ser José. Ele era José quando ele foi preso, ele era José quando ele era filho, ele era José quando foi traído pelos irmãos, ele era José quando estava bem, ele era José quando ele está preso no Egito, ele é José quando a injustiça é descoberta e há reparação e ele volta para o poder, ele se mantém sempre o mesmo José. Na adversidade ou na felicidade, na alegria e na tristeza, José mantém-se moralmente íntegro, que é muito difícil.
Porque, geralmente, a gente acha que quando está na carência, na escassez, nós somos comedidos, mas aí tão logo vem a bonança, a gente perde o controle e vai para o excesso, o trabalho que foi feito se perde. Ou então, quando a pessoa está bem, ela mantém um certo padrão moral, quando ela tem que enfrentar a escassez, ela cai na revolta, na inconformação e ela não dá conta de vencer e de passar por aquela experiência. Então, o José é também esse símbolo da estabilidade, a estabilidade moral e espiritual. Ele é sempre o mesmo, não importa em que circunstância ele está.
Isso é muito importante, gente. Esse aspecto do José vai ser retomado em uma outra figura bíblica, Jó. Jó também dá esse exemplo. Na bonança, na escassez, em todas as situações que ele passa, ele dá um exemplo de integridade, de estabilidade moral que José deu. Então, o faraó muda, mas José é sempre o mesmo. E ele renova aqui todo um ciclo de erros na família patriarcal, na família dos patriarcas hebreus. E aqui, já comentamos isso no episódio anterior, mas vamos desenvolver, aqui, nessa ideia de que José resgata a família, os doze irmãos, as doze tribos, e prepara esses doze irmãos para a formação da nação hebraica, para a formação do povo hebreu.
Esse gesto de perdão, de acolhimento, de bondade, de misericórdia, está na base da formação do povo hebreu. Então, na base do povo hebreu está a misericórdia, o amor e o perdão. É por isso que Jesus irá dizer misericórdia quero, não sacrifício. Também, uma referência à história de José. Então, essa nação, o povo hebreu, só foi formado, ele só pôde se desenvolver graças a um ato de perdão. Na história do povo hebreu existe o perdão e a misericórdia, porque se José não tivesse perdoado, se José não tivesse tido misericórdia, os patriarcas teriam perecido, eles teriam sido extintos da face da terra, a família patriarcal tinha acabado, só tinha sobrado José.
Então, nós não teríamos o desenvolvimento da história bíblica. Então, quem garantiu a formação do povo hebreu e, portanto, a escolha do povo hebreu e a doação da Torá, quem permitiu isso foi um ato de misericórdia e perdão e amor de José. Olha como é que é importante, né. Raramente a gente vê essa interpretação. As pessoas ficam muito focadas no mandamento, nos 10 mandamentos, nos 613 mandamentos, nos mitos voltos, focadas em uma série de coisas e esquecem essa base, que a base, a história do povo hebreu está ali cessada no perdão, na misericórdia, no amor, no acolhimento de José.
E José fez uma coisa fantástica. Mesmo antes de haver 10 mandamentos, ele honrou o pai e a mãe, honrou o seu pai. Ele não se colocou em uma posição superior ao pai, ele não humilhou o pai, ele não cobrou nada do pai, porque a gente vê que o Jacó, aqui, é inapto. Ele não consegue educar os filhos, ele não consegue exercer autoridade paternal, ele comete um tanto de equívoco, mas José em nenhum momento reclama ou lança esses equívocos na cara de Jacó. Ele se porta como um filho, respeita, honra o pai, faz tudo sem humilhar, sem se colocar como superior.
É quase que uma aula aqui de constelação familiar, é quase que uma aula, mas é muito bonito isso. E, aí, com José, a partir desse ato, encerra-se, aqui, esse ciclo das famílias patriarcais e, aí, começa a história, agora, não mais de família, agora começa a história do povo hebreu, do povo hebreu, que vai ser escravizado, vai ficar 400 anos lá no Egito e depois virá o profeta Moisés para libertar o povo. E, aí, Moisés vai resgatar essa estrutura da família patriarcal, das 12 tribos. Ele vai resgatar isso, vai resgatar, porque, aí, já havia acabado.
Então, é importante a gente ter isso, aqui, em vista, como que a história vai se desenrolando, se desenvolvendo e, aqui, nós temos no coração do Velho Testamento, lá no coração do Velho Testamento, perdão, misericórdia, respeito, acolhimento à família, aos irmãos e um filho honrando o pai. E, aí, é curioso, porque quando a gente pergunta, assim, para a pessoa, ah, resumo do Velho Testamento, ela fala olho por olho, dente por dente, mas, meu Deus, é assim que nós vamos resumir o Velho Testamento? E, a história de José, e essa história aqui, faz o que?
Joga ela fora? Joga fora essa personagem? Esse ápice, aqui, da história dos patriarcas, que é um ápice de misericórdia, de perdão, de amor, joga fora? Então, a gente vê como que as aproximações apressadas, superficiais do Velho Testamento, eles tampam a nossa visão e não nos permitem enxergar a essência que está ali moldando a história. Então, o que está moldando o Velho Testamento é o amor, é a misericórdia, é o perdão e a fé. Fé, no sentido de fidelidade a Deus, porque José foi fiel a Deus, seguindo a tradição dos seus ancestrais.
E, aqui, se encerra, então, a história de José e do livro Gênesis, em que a gente viu, de forma tão bonita, começou lá com um problema numa família, Adão e Eva, e se encerra aqui a família sendo resgatada, literalmente. José resgatou mesmo a família, pagou as dívidas, trouxe a família, acolheu, resgatou, redimiu, porque perdoou, redimiu porque exerceu misericórdia e transmitiu para os seus, para toda a sua família, os princípios morais, éticos e espirituais da lei divina, que não estava escrita em lugar nenhum, ainda, mas, já estava escrita na consciência de todos.
104 episódios. Encerramos, então, hoje com 104 episódios do estudo do livro Gênesis. Foi maravilhoso e agora surpresa, surpresa que nós vamos daqui a pouco anunciar qual será o próximo livro do Velho Testamento que será estudado. Mas, aguarde, que isso aí é surpresa. Um abraço a todos. É muito interessante isso, porque José é o vínculo, então, do Velho Testamento com o Novo, um primeiro vínculo, um dos primeiros vínculos. Nós já tivemos esses vínculos, eles estão sempre colocados. Desde o início da narrativa você tem Adão…
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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