#091 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do livro de Gênesis, com foco especial no capítulo 15, versículo 6, que aborda a fé de Abraão. O estudo se expande para a interpretação de Paulo sobre este versículo, presente no capítulo 4 da Carta aos Romanos, oferecendo reflexões profundas sobre o monoteísmo, as revelações divinas e a natureza da fé espírita.

O que é estudado neste episódio

  • Gênesis 15:6 e Romanos 4: Análise da fé de Abraão e a interpretação de Paulo, destacando a importância de valorizar as raízes espirituais e a conexão entre as revelações.
  • A desconexão com Deus e o surgimento do mal: O estudo explora como o afastamento da fonte divina leva ao egoísmo e à egolatria, comparando o Mar da Galileia (que recebe e doa) com o Mar Morto (que apenas recebe).
  • A gratuidade da vida e das dádivas divinas: Reflexão sobre o valor incalculável da vida, do amor, do afeto e das oportunidades de encarnação, questionando o que fazemos para merecer tais dádivas.
  • A arrogância humana e o projeto da serpente: Discussão sobre a autossuficiência do ser humano que, ao se desconectar de Deus, acredita ser o centro do universo e busca soluções apenas em si mesmo ou em organizações humanas imperfeitas.
  • A parceria com Deus: A importância de reconhecer que a evolução espiritual é uma cooperação entre o ser humano e Deus, onde cada um tem sua parte a cumprir.
  • Os desvios da fé: Abordagem dos extremos: aqueles que esperam que Deus faça tudo e aqueles que acreditam poder fazer tudo sozinhos, sem a intervenção divina.
  • A pedagogia divina: A compreensão de que as penalidades e desafios da vida são instrumentos de amor e educação de Deus para o aperfeiçoamento espiritual, visando a iluminação.
  • A arrogância religiosa: A advertência de Paulo sobre o perigo de construir um sistema religioso que, apesar de dedicado a Deus, acaba por excluí-Lo, como ocorreu com o povo hebreu ao não reconhecer Jesus.
  • A humildade e a aceitação da vontade divina: A necessidade de reconhecer que Deus está no comando e que as circunstâncias e pessoas em nosso caminho são colocadas por Ele para nossa evolução, exigindo humildade e aceitação.

Reflexões

  • A fé espírita, como terceira revelação, não anula as anteriores, mas as complementa, formando um processo contínuo de aprendizado e evolução espiritual.
  • A verdadeira conexão com Deus se manifesta na capacidade de receber e doar, de reconhecer a gratuidade da vida e de cooperar humildemente na obra divina, sem cair na armadilha da autossuficiência.
  • As provações e desafios da vida são parte da pedagogia divina, instrumentos de amor que visam nosso aprimoramento, e nossa resposta a eles determina nossa evolução.

Ler transcrição do episódio

Olá, amigos, estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, no Velho Testamento, à luz da doutrina espírita. No episódio anterior, nós comentávamos sobre o capítulo 15 do livro Gênesis, em especial, aquele versículo notável que fala da fé de Abraão e sobre o que significa essa construção, essa fé expressada por Abraão. Hoje, nós vamos falar de uma interpretação feita por Paulo, deste versículo 6 do capítulo 15 do livro Gênesis, que está no capítulo 4 da Carta aos Romanos, um capítulo importantíssimo, que trará para nós profundas reflexões sobre o que é, de fato, o monoteísmo, o que são, de fato, as revelações, a primeira revelação, a segunda, a terceira revelação e qual a natureza da fé espírita, qual a natureza da nossa fé espírita, que nós, às vezes, vemos com preocupação o Espírito um pouco desconectado das suas raízes, esquecendo-se do capítulo 1 do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, Eu não vim destruir a lei, no qual Kardec conecta a revelação espírita com Jesus, com Moisés, faz esta ponte, mostra que se trata de um processo e se nós perdemos esta história, quando alguém perde a sua história, ele corre o risco de cometer os mesmos erros do passado e, o pior, desviar-se da sua natureza, da sua essência.

Por quê? Porque não conhece suas origens, não conhece suas origens. É como o aluno que já está no segundo grau, no ensino médio, e despreza as lições do ensino fundamental. Então, ele tropeça, comete o erro, às vezes, ele nem passa no vestibular, não porque ele desconhece a matéria do ensino médio, mas porque ele desprezou os fundamentos que foram dados no ensino fundamental. Por isso, se chama ensino fundamental. Nós vemos muito isto acontecendo, muito isto. Então, vamos entender aqui um ponto importantíssimo. Nós já comentamos da estrutura literária do livro de Gênesis, que ela se faz articulando temas.

É mais ou menos como funciona na música. Você escolhe um trecho, dois, três compassos ou, às vezes, cinco notas, como Beethoven, e constrói um tema. E, com aquele tema, você faz variações, você muda e pode construir até mesmo uma sinfonia que gire em torno daquele tema. É como uma palestra. Você tem um tema, você pega ideias principais, e, aí, você fala, compara essas ideias, articula essas ideias, mas, você ouvindo uma palestra de uma hora e meia, você é capaz de resumir em três, quatro ideias principais. Toda uma exposição de uma hora e meia.

Aqui, também. Nós já comentamos isto aqui. Um grande tema que está presente no primeiro ciclo de Gênesis é o surgimento do mal. Como que se deu o surgimento do mal? Comentamos isto no episódio anterior. Primeiro, o ser humano rompeu o vínculo com Deus. Ao romper o vínculo com a fonte, você imagina um rio desconectado da nascente. O que acontece com ele? Seca. Um rio desconectado da nascente, da sua nascente, ele perdeu sua origem. Então, imagine um ser humano desconectado da fonte de tudo que é Deus. Foi isto que aconteceu.

O mal somente surge da desconexão da criatura com o Criador. Quando a criatura se desconecta do Criador, o que ela precisa fazer? Ela precisa substituir a lei divina. Vamos entender isto. É claro que esta é uma tentativa infantil. Infantil. Mas, ele não tem livre-arbítrio. Então, ele vai tentar substituir a lei divina. Por quê? Por parâmetros humanos. Parâmetros humanos. Aí, eu faço uma pergunta aqui. Qual ser humano consegue apenas doar? Nós já vimos isto aqui, que existe uma lição da sabedoria do povo hebreu que faz uma comparação entre o mar da Galiléia e o mar morto.

Por que o mar da Galiléia, ao menos na época de Jesus, era a maior bacia de peixes, rica numa vegetação, numa região de plantação agrícola exuberante? Por que o mar da Galiléia? Porque ele recebia as águas do degelo das colinas de Golã. Então, ele recebia a água da fonte, a água da nascente e desaguava no Jordão. Então, ele recebia e dava, recebia e dava, recebia e dava. Então, o ser humano, que recebe respeito e doa respeito, recebe amor, doa amor, recebe consideração, doa consideração. Então, ele equilibra, está equilibrado.

E o mar morto? O mar morto recebe as águas do Jordão, mas não doa nada. Ele só recebe e não doa. Por isso, ele é um mar morto. Ele só recebe, não doa. Então, qual é o problema do ser humano que se desconecta de Deus, que se afasta da lei divina? É porque ele se torna egoísta e egolatra, egolatra, ego, ego, eu. O egolatra é o orgulhoso, é o orgulho e egoísmo. Então, o que é o egoísmo? É o mar morto, ele só recebe, para si, só para si, só para si. Ele não consegue distribuir, ele não consegue doar. Então, ele cria um sistema, porque, vamos imaginar, olha só, quanto você pagou para nascer?

Interessante! Quanto você pagou para nascer? Você pagou quanto para o seu pai e para a sua mãe? Para ter concepção? Demorou nove meses, você vê que é um produto difícil, porque eles tiveram que se encontrar em um ato de amor, não importa se foi um sexo casual, não me importa, mas era um ato de amor, estavam ali, ou disseram assim, teve uma fera ali. Sua mãe gestou, você gestou nove meses, você nasceu. E, nasceu, se tivesse sido abandonado, totalmente, você morria. Então, se você está aí encarnado, é porque depois uma sucessão de pessoas, pode ser seus pais ou outras pessoas, cuidaram de você até que você tivesse condições de manter a sua própria sobrevivência, a sua própria provisão.

Aí, eu te pergunto, quanto custou? Você pagou quanto? Pagou quanto? Quanto você pagou pelo seu corpo? E, vale quanto? Quanto vale sua vida? Quanto vale sua vida? É interessante isto, não é? Acontece o seguinte, você ingere uma série de nutrientes, por exemplo, o ar, você paga quanto? Porque a gente compra carbono, carbono, que é a luta. Mas, e a respiração? Você paga quanto para respirar? Olha que interessante, gente! Afeto, o amor, a amizade, o amor, o afeto, quanto custa? Tem muita gente tentando comprar com dinheiro, mas é real ou é um teatro?

Estou falando do verdadeiro, custa quanto? Uma pessoa que te ama, está do seu lado, te respeita, divide ali com você, custa quanto? Não tem preço. Então, nós recebemos dádivas incalculáveis, que não tem valor, não pode ser mensurado, incalculável. É bom, porque às vezes a gente não consegue pensar sobre si mesmo, mas aí tem um raciocínio bacana, eu te pago quanto da vida do seu filho? Nossa, que isso! Aí, a gente pensa, né? Porque se falar na própria vida, hoje, está tão banal, né? A vida do seu filho, vale quanto?

Não, não tem valor. Não tem valor, mas nenhuma vida tem valor. Valor monetário, que eu digo, é de um valor incalculável. Então, é esse o foco do Sermão da Montanha. Jesus diz assim, está angustiado com a veste, mas não é o corpo mais que a veste? E, o corpo, você ganhou de graça. Não é a vida mais que a comida? E, a vida, você ganhou gratuitamente. E, olha que eu estou fazendo uma avaliação bobinha, uma avaliação, assim, só de uma vida, como se a gente vivesse só uma vida. Agora, vamos aqui, à luz da doutrina espírita, ampliar esse quadro.

Quantos corpos você já teve? Quantas encarnações? Quantas possibilidades já foram dadas para você? Inclusive, situações materiais. Encarnações, você veio com muitos recursos materiais. Usou errado, mas veio. Veio com saúde, veio com talento, veio com fama, ao longo das encarnações. Conjunto de dádivas que recebeu. E, aí, vem a conta. E, ao longo dessas vidas, o que você deu à vida? O que você distribuiu para a vida? Então, você é mar da Galileia ou é mar morto? Essa é a reflexão. O problema é que, no projeto da serpente, nós temos o ser humano arrogante, arrogante.

Ele nasce, encontra o universo pronto, encontra a Terra pronta, os pais dele deram um corpo físico para ele pronto, ele ganhou a vida, mas ele se acha o centro do universo. Ele acha que não precisa de ninguém. E, ele só começa a achar que não precisa de ninguém depois que ele passa daquela fase em que é um bebezinho, é uma criatura que necessita do outro para viver. Então, ele recebe isso tudo, o universo, a Terra, o corpo, a vida, aí, cuidam dele, o bebezinho, que é um bebezinho e não cuida de si mesmo, aí, ele é criança, aí, ele cresce, faz um curso, às vezes, se forma, vira um intelectual, aí, agora, a partir daí, ele é autossuficiente.

É muito interessante isso. Então, a partir daquele momento, ele decidiu que não existe Deus, eu não preciso de ninguém, eu sou autossuficiente. É muito curioso isso. E, aí, ele cria um projeto, o homem, o ser humano, no centro de tudo, o ser humano, medida de todas as coisas, todas as soluções virão pelo ser humano. Tem alguns que são, vamos dizer assim, que deliram mais ainda. Todas as soluções virão de um ser humano, da política. Todas as soluções virão de um partido político, de uma organização humana. Será? Será?

Organizações humanas trarão soluções definitivas do problema evolutivo? Será? Seres humanos imperfeitos e organizações imperfeitas trarão soluções perfeitas? Será? Olha a distorção. Este é o projeto da serpente. E, é por isso que o mal atingiu esta proporção que nós estamos vendo na transição planetária. Na transição planetária. Em que você mata uma criança andando de patins para cobrar dívida de droga. É isso. Este é o homem perdido. Este é o homem que eu digo ser humano. Este é o ser humano sem conexão com Deus. Absolutamente desconectado de Deus.

Este é o ser humano absolutamente ingrato que não dá valor a tudo o que ele recebeu, inclusive a vida. A vida do outro. A sua própria vida. É desafiador, isto aqui. É desafiador. Mas, olha o que vai acontecer. É aqui que o Paulo vai entrar no capítulo 4 de Romanos. Vai acontecer, e é uma advertência, inclusive para nós espíritas, dentro da casa espírita. O ser humano, acreditando que estabeleceu uma conexão com Deus, acreditando que estabeleceu uma conexão com Deus, ele se vincula a uma religião, ele se vincula a um processo religioso e ele acha que ele vai construir tudo, todo o seu mérito, apenas com a sua própria ação.

Mas, eu frequento lá o grupo, eu dou passe, eu faço isto, então está resolvido. Será? Então, Paulo vai trabalhar um conceito aqui que é a nossa matriz, a base da nossa fé. A base da nossa fé, ela não é um ser humano desconectado de Deus, que faz o mal, nem um ser humano desconectado de Deus, que tenta fazer o bem. Por quê? Porque um ser humano desconectado de Deus, que acredita que é capaz de manter a justiça, de fazer o bem, de garantir a ordem, é um ser humano arrogante e iludido. Então, aqui ficou desafiador. Qual que é a proposta aqui?

É do ser humano conectado a Deus, que faz uma parceria com Deus. Parceria com Deus. Então, ele coopera na obra divina, mas a obra é divina. O Senhor da vinha está lá nas parábolas de Jesus. O Senhor da vinha nunca é um ser humano. O Senhor da vinha é sempre Deus, é Ele que envia, é Ele que gerencia, é Ele que envia os servos. Nós somos servos, servidores na vinha. Uma proposta era de estabelecer uma conexão e uma parceria em que eu passo a cooperar na obra divina. Eu encontro o meu lugar, eu encontro a minha função, eu encontro a minha missão particular e eu colaboro sempre antenado, sempre recebendo as instruções e as direções dadas pela providência divina, inclusive, através dos emissários espirituais que atuam em nome da divindade.

Eu estou em conexão. Porque as coisas se alteram, os planos podem mudar, podem se ampliar. O Chico tinha um planejamento de receber 30 obras, recebeu 400. Mas, Ele seguiu. Ele se manteve fiel, conectado e foi cumprindo, cumprindo, dando a sua cota e a providência divina foi fazendo o restante. Qual é a ideia aqui? Eu não posso me considerar tão autossuficiente, tão bom assim, que eu dispense a parte de Deus. Então, quem faz a parte de Deus é Deus. Quem faz a minha parte sou eu. Então, quais são os desvios? Tem dois problemas aqui.

Tem aquele que acha que tudo é Deus. Tudo é Deus. Então, ele está deitado, não precisa fazer nada, porque Deus vai fazer. Mas, vai fazer como? Porque Deus age através da gente, através das pessoas. Então, você tem que fazer a sua parte, porque Deus age através de você. Agora, tem um outro também que é perigosíssimo. Perigosíssimo. É aquele que acha que pode fazer tudo e que não há nada para Deus fazer. Então, Deus criou as leis, criou tudo, Deus não tem nada que Ele faça. Agora, já tem as instruções aqui, já tem o manual de instruções, eu faço tudo.

Será? Você faz tudo? Será que faz? Quem pode prever o que vai acontecer com você daqui a cinco anos? Você pode prever? Quais as circunstâncias vão se alterar na sua vida? Quais as possibilidades você terá? O que vai ocorrer em um plano global? Então, como é que você pode garantir que você vai fazer tudo? Como é que você pode garantir que todo o sucesso, todo o êxito depende só de você? Não. Não. Então, aqui entra um grande tema, que é o tema da bondade e da caridade de Deus. Deus, modelo de amor e bondade, que está lá no livro dos Espíritos, Deus, modelo de amor e bondade, age com suprema caridade para com seus filhos.

Caridade. E o que é caridade? O próprio fato de a gente encarnar. Tanto que os Espíritos dizem que a maior expressão do perdão de Deus é a encarnação. É a reencarnação. Você merecia? Não merecia. Você não merecia. Mas, você ganhou. Ganhou. Ganhou um corpo, ganhou uma vida, uma terra, um planeta, um universo. Você merece? O que você fez para merecer? O que você fez para merecer? O que você fez para merecer o amor infinito de Deus? Alguma coisa infinita que você fez? Algum bem infinito? Algum bem infinito? Será que teve algum bem infinito que você fez para merecer?

É por isso. Olha que bonito. Quando Chico pergunta a Emmanuel, o que é que representam 60 anos de mediunidade com Jesus? Nossa, 60 anos! A Emmanuel respondeu assim Para Jesus, seis segundos. Nossa! Uma encarnação inteira dedicada ao bem, uma encarnação inteira conectada ao amor, que é a vida do Chico. Uma encarnação inteira, 100 anos. Para Jesus, 100 segundos. Porque só na Terra ele está nesse processo há bilhões de anos. Você vai comparar? Agora você vai me dizer que Deus ama mais Jesus do que o Chico? Deus ama mais o Chico do que você?

Não! Deus ama todos igualmente. Está lá no capítulo 30 do livro Pensamento e Vida, psicografado pelo próprio Chico, ditado pelo Espírito Emmanuel. Deus ama de modo igual tanto o verme quanto o anjo que o representa junto ao verme. O anjo que o representa perante o verme e o verme são amados de modo idêntico. E eu te pergunto, o que o verme fez por merecer esse amor infinito? Fez o que? O que ele fez? Não fez nada. Porque Deus ama. Ama infinitamente os seus filhos. Ama e educa. Ama e corrige. Ama e impõe restrições, impõe limitações, impõe penas.

Impõe penas. Está lá o céu e o inferno das penas e gozos futuros. Penas. Impõe penalidades, claro. Você infringiu a lei, você vai estar sujeito às penalidades da lei divina. Então, olha que interessante isto. Mas, estas penalidades são frutos do quê? Da pedagogia divina, porque o objetivo da lei divina é A nossa iluminação espiritual, o nosso aperfeiçoamento intelecto-moral para que a gente saia das escalas inferiores e atinja na escala espírita, ou escala dos Espíritos, a qualidade de Espírito puro, ou Espíritos da primeira ordem.

É isto, não é? E é sobre isto que Paulo vai dizer. Porque o que aconteceu com o povo hebreu? Ele foi tomado de uma arrogância. Foi tomado de uma arrogância. Então, o povo hebreu acreditou que colocou Deus numa gaiola e que as coisas que eles faziam, em termos de culto, manter o templo, seguir o ritual, sacrificar os animais, cumprir todas as normas de devoção, isso lhes garantia a qualidade de justo. E o que aconteceu? Construíram um sistema dedicado a Deus onde faltava Deus. Tão dedicado a Deus que faltava Deus, a ponto de Deus ter enviado o governador espiritual do orbe e eles, na sua religião, não reconhecerem o enviado de Deus.

Você quer mais desconexão do que isso? Você quer um Exemplo de maior desconexão do que isso? Então, é curioso porque é aquele momento em que o mais desconectado é o religioso. A criatura está dentro de uma instituição espírita, está dentro de um trabalho espírita, e ele é o mais desconectado, ele está fazendo, cometendo atrocidades, porque está totalmente desconectado do enviado de Deus. Ele não está entendendo os planos da espiritualidade superior no seu ambiente de trabalho. Por quê? Por quê? Porque ele acredita que depende apenas dele.

Ele não entendeu que é uma parceria. Eu Coopero na obra divina. Eu coopero. Eu faço a minha parte e Deus faz a dele e, às vezes, nos surpreende. Isso é muito importante. Porque, senão, você acha que você é o dono da vinha. Não é só achar que é o dono da casa espírita. Só isso está no bom. Você acha que você é o dono da vinha, que todo o trabalho espiritual está na sua mão, que você comanda. E, aí, por mais brilhante seja a sua atuação, por mais extraordinária seja a sua contribuição, ela não invalida a contribuição dos demais que Deus escolheu para a sua obra.

E, aí, qual é a dificuldade disso? Humildade. Humildade. A gente reconhecer que as circunstâncias vão se articular e pessoas vão cruzar nosso caminho colocadas por Deus. Quer você goste, quer você não goste. Quer você tenha afinidade com aquele trabalho, quer você não tenha. Ponto final. Porque quem está no comando é Deus, que age através dos seus prepostos. Ele age. Ele não te consulta. Ah, meu filho, será que eu posso mandar um outro trabalhador para fazer isso? Não. Ele não vai te consultar. Ele vai colocar outro trabalhador.

Aí, você não aceita, você cria ciúme, cria inveja, cria despeito, cria conflito, porque não entendeu que quem comanda é Deus. Você coopera até no seu processo de evolução. Tem uma parte que você faz, mas tem uma parte que é Deus que faz. Quer ver? Você está programando aqui, você está fazendo, você faz tudo certinho, de repente, acontece uma mudança na sua vida, uma mudança trágica. Você fica perdido, fica desorientado e é exatamente aquela mudança que vai te trazer uma evolução espiritual enorme. Você previu? Você queria isso?

Você gostou? Você quer repetir? Quer de novo? Mas, te aprimorou? Então, você é o aluno, você não é o supervisor pedagógico da sua evolução. A Orientadora pedagógica, o orientador pedagógico da sua evolução não é você. Você é o aluno. Eu sou o aluno, sou o aprendiz. Basta ao discípulo ser como o seu mestre. É o mesmo jeito. Basta ao discípulo ser como o mestre. Então, tenhamos o mestre como modelo e basta-nos imitá-lo, ser como ele. Mas, querer assumir o lugar dele e ditar o plano pedagógico? Ditar? Isso é vaidade das vaidades, é ilusão, prepotência, arrogância, autossuficiência.

Aí, eu vou conduzir o meu processo evolutivo. Não vai. Então, já está bom demais você responder ao processo evolutivo de maneira sábia, humilde, você tirar nota 10 na prova, ser um bom aluno está suficiente. É isso. Nós encarnamos para isso. Tirar nota 10 na prova, mas não somos nós que elaboramos a prova, não somos nós que aplicamos a prova, não somos nós que conduzimos o processo pedagógico. Nós respondemos a ele e quem melhor responde tem o mal e o bem sofrer. Quem sabe sofrer, quem sabe sofrer, quem sabe sofrer bem, quem sabe sofrer bem, quem responde bem as provocações e as instigações do plano pedagógico divino evolui com mais tranquilidade do que aquele que resiste, briga, rebelde, cria problema.

É sobre isso que o Paulo vai dizer no capítulo 4. E, no próximo episódio, nós vamos detalhar um pouquinho mais disso, como era na religião hebraica. Como que aconteceu isso? Como que esse processo psicológico se concretizou no povo hebreu? Para que a gente entenda como ele está acontecendo hoje no movimento espírita. Também, porque ele está repetindo a mesma coisa. Esse aqui é um padrão cósmico e nós temos que ficar atentos a isso para que a gente perceba quais são as raízes da nossa fé. As raízes da nossa fé é conectarmos a Deus e estabelecermos uma parceria com o Criador no que diz respeito a nossa evolução.

Eu faço a minha parte, eu cumpro a minha parte como um bom filho, como um bom aluno, como um bom servidor. Deus faz a parte dele. E, a gente vai interagindo e mexe um pouquinho aqui e às vezes você falha uma prova aqui e você pede uma segunda chamada, adia uma prova, pede um reforço escolar e assim o projeto vai caminhando rumo ao seu desdobramento. Então, até o próximo episódio nós vamos falar mais detalhadamente sobre isso. Antes foi quebrado. Então, está vendo como é que tudo fecha? Eva quebrou, depois convenceu o marido, quebraram também o laço.

Aí, a serpente teve interesse. Porque, senão, a gente imputa toda a responsabilidade da serpente. Não! Você só cai na tentação se alguma coisa interior dentro já…

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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