Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias continua a aprofundar a análise do livro de Gênesis, focando no ciclo de Abraão, iniciado no capítulo 15. Ele destaca a importância de Abraão como patriarca das três grandes religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo – e a relevância de sua história para a compreensão da primeira revelação.
O que é estudado neste episódio
- Abraão como Fundador do Monoteísmo Prático: O estudo ressalta que Abraão inaugura um monoteísmo acessível às massas, diferente do monoteísmo esotérico já existente em outras culturas. Ele é chamado do politeísmo para o monoteísmo, estabelecendo as bases da primeira revelação, que culminará em Moisés como seu codificador.
- O Conceito de Aliança e Salvação: A aliança de Deus com Abraão é interpretada como um plano espiritual de educação do ser humano, visando a primeira, segunda e terceira revelações, e a regeneração da Terra. A “salvação” é entendida como a imunização do Espírito contra o mal, um processo de purificação espiritual que permite ao indivíduo prosseguir em sua jornada evolutiva, atingindo a redenção e a pureza espiritual.
- A Fé de Abraão como Confiança e Justiça: O versículo 6 do capítulo 15 de Gênesis (“Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça”) é central. Haroldo Dutra Dias explica que a fé de Abraão não é meramente acreditar, mas sim confiar plenamente em Deus, demonstrada ao abandonar sua terra e seguir a orientação espiritual sem garantias visíveis. Essa confiança interior é o principal requisito para ser considerado justo.
- A Quebra da Confiança e o Surgimento do Mal: O estudo traça um paralelo entre a quebra da confiança de Eva no Éden e a necessidade de restabelecer esse vínculo com Deus. O mal surge quando o livre-arbítrio escolhe o contrário da lei divina, e a salvação é o remédio para esse afastamento.
- A Conexão com Deus e a Vontade Divina: A fé de Abraão é um modelo de conexão profunda com Deus, onde o diálogo se dá através de sentimentos, intuições e circunstâncias, e não por palavras articuladas. Essa “internet espiritual” permite ao indivíduo discernir a vontade de Deus a seu respeito, agindo no bem e confirmando o caminho certo.
- O Deus Ativo e Incorpóreo do Monoteísmo: O monoteísmo abraâmico apresenta um Deus vivo, Inteligência Suprema, Amor Infinito e Todo-Poderoso, que age incessantemente. A impossibilidade de fazer uma imagem de Deus (primeiro mandamento mosaico) é explicada por Sua natureza imaterial e incorpórea, desafiando a idolatria de seres falíveis.
Reflexões
- A fé, no sentido de confiança e entrega a Deus, é o alicerce para a construção da justiça interior e a imunização contra o mal.
- O monoteísmo de Abraão representa um avanço espiritual ao apresentar um Deus ativo, que se relaciona individualmente com cada ser, guiando-o através de intuições e circunstâncias.
- A verdadeira conexão com o Criador não se manifesta em ações exteriores primeiramente, mas na construção de uma “internet espiritual” que permite discernir e seguir a vontade divina.
Ler transcrição do episódio
Olá, estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis no Velho Testamento à Luz da Doutrina Espírita. No episódio anterior, nós adentramos o famoso capítulo 15 do livro de Gênesis e entramos em uma divisão ou um ciclo que compõe a estrutura literária desse livro Gênesis, que é o ciclo que trata de Abraão, a sua história, o seu chamado e todos os fatos que cercam essa personagem da mais alta importância na Bíblia e das religiões. É bom lembrar que Abraão é o patriarca da religião judaica, do cristianismo e do islamismo.
Os muçulmanos também. Portanto, há um movimento em Israel que tenta criar um diálogo interreligioso entre cristãos, judeus e muçulmanos, estabelecendo uma fraternidade, um respeito entre as três grandes religiões, que se chama, esse movimento, Filhos de Abraão. Abraão representa, então, o fundador, a base das religiões monoteístas, das três grandes religiões monoteístas da Terra, a judaica, a cristã e a muçulmana. Portanto, é uma figura muito, muito, muito importante. No episódio anterior, nós comentamos, levando em conta a abordagem que nós tentamos fazer neste estudo, que é uma abordagem que conjuga os elementos espirituais com também uma aproximação literária do texto.
Nós também examinamos os aspectos da literatura, da formação do texto, da articulação das partes, do conjunto do livro, para que a gente possa, entendendo a sua estrutura literária, possa compreender como que o sentido foi desdobrado dentro desta forma, dentro desta estrutura literária. E nós comentamos aqui que com Abraão inicia-se um grande conjunto de temas. O primeiro tema é o tema do chamado, da convocação, do chamado. E Abraão, então, é chamado do politeísmo para o monoteísmo. É chamado para constituir as bases da primeira revelação.
É importante nós, aqui, agora, aprofundarmos a nossa reflexão, porque quando nós dizemos que a primeira revelação se resume em Moisés, isso é uma metáfora. É uma metáfora. Não significa que a primeira revelação se circunscreva totalmente à figura de Moisés. Moisés é a culminância. Moisés é a estruturação da revelação. Então, ele é o codificador da primeira revelação. Ele que estrutura, coloca todo o processo numa forma pedagógica para que a gente possa entender. Por isso, então, a primeira revelação ganha o nome de revelação mosaica, porque ele codificou, mas o grande trabalho que durou séculos e séculos e séculos e que demandou a encarnação de inúmeros missionários, começa aqui com Abraão.
A primeira revelação começa com Abraão. É ele que vai fundar o monoteísmo prático, o monoteísmo para as massas, o monoteísmo para um grupo, um monoteísmo aberto, não um monoteísmo fechado, do esoterismo, dos templos iniciáticos, porque esse monoteísmo já existia na Índia, na China antiga, no próprio Egito, na Mesopotâmia, na Grécia. Nós estamos falando aqui do monoteísmo aberto, dito de forma direta. É o Abraão que inaugura esse monoteísmo. Nós temos aqui o tema da aliança, então, da escolha, do chamado da escolha e o tema da aliança.
Aliança no sentido, agora nós podemos entender, quando o texto bíblico fala de uma aliança com Abraão, ele está visando o que? A primeira, a segunda e a terceira revelação. E mais, né? E mais a terra regenerada. Então, ele está traçando um plano espiritual ou um plano de educação do homem espiritual, do ser humano espiritual, não somente do encarnado. Porque nós temos revelações na área da ciência, da filosofia, revelações na agricultura, no artesanato, nas artes, que vão contribuindo para a evolução do encarnado. E temos revelações que dizem respeito ao aspecto religioso, espiritual, porque visam o homem interior, a evolução espiritual interna.
Esse plano de revelação ou como dizem os evangélicos e os católicos, esse plano de salvação. Salvação por quê? Porque nós já estudamos aqui nos episódios anteriores que a grande questão aqui do livro de Gênesis é entender de onde surgiu o mal e por que o mal cresceu exponencialmente. Por que a maldade se alastrou? Primeiro, em um ser humano, depois para o casamento, do casamento para a família, da família para a comunidade e da comunidade para a sociedade, depois para o império e depois para toda a Terra. Então, é um plano gradativo de progressão do mal.
Portanto, é justo também falar, no que diz respeito às revelações, de um plano de salvação. Salvação do quê? Salvação do mal. Salvação desse crescimento exponencial da maldade, do egoísmo, do orgulho, da truculência, da injustiça, da injustiça. Isso é muito importante. Então, para a gente tirar aquela ideia um pouco fantasiosa de salvação e trazer o aspecto de salvação para os seus exatos termos. Por isso, Emmanuel diz assim, o verbo salvar, quando você diz assim, a embarcação foi salva, o que significa? Que a embarcação, o navio, foi livrado do perigo, para quê?
Para que ele prossiga a viagem. Fulano foi salvo de um animal, quer dizer, alguém lá resgatou, não deixou que o animal matasse aquela pessoa, para quê? Para que ela desse sequência à sua vida, para que ela continuasse a vida. Então, essa ideia de salvação, para levar a pessoa à inatividade, à aposentadoria espiritual, isso é uma construção teológica posterior até em desarmonia com o sentido da palavra. Há uma ideia bíblica aqui, que Abraão é chamado, faça-se uma aliança, para começar um processo de purificação espiritual do encarnado.
Então, você vai separando indivíduos do crescimento exponencial do mal, para que tenhamos uma comunidade de Espíritos imunizados do mal. Essa é a ideia de salvação. Daí, chamado, aliança leva para redenção. Porque, o que é a redenção espiritual? É o Espírito imortal atingir um patamar evolutivo em que ele esteja já imunizado do mal. Onde ele não mais se entregue ao mal, onde ele não mais pratique o mal, ele não pensa no mal, ele não sente mais o mal, ele só pensa, sente e age no bem, em absoluta harmonia e conformidade com a lei divina.
Isso é a redenção espiritual. Isso, levado ao extremo, significa pureza espiritual, atingir o estado de pureza ou o estado de bem-aventurança. Então, a gente percebe como que está conectado. Isso é que é importante aqui. Então, vamos lá. Isso é muito importante. Se você não entender essa articulação, você vai ter muita dificuldade de entender a Bíblia inteira, porque a Bíblia é um conjunto de metáforas, de símbolos, mas ela remete a esses temas que são simples, simples. Então, Deus criou tudo, Deus é o Criador, Deus é Todo-Poderoso, Deus possui seus atributos, seus atributos são suas qualidades, é o caráter de Deus, os atributos de Deus estão presentes na sua criação.
No entanto, Ele criou seres livres, livres, com livre arbítrio, livres, inclusive, para escolher seguir ou não a lei divina, que é perfeita. Ora, se Deus criou os Espíritos com liberdade, nós estamos vendo os Espíritos que já evoluíram e chegaram no nível da humanidade. Estamos falando do Espírito assim que ele é criado, simples e ignorante, porque ele é uma criancinha, ele não sabe nada, não tem livre arbítrio, está sob o determinismo, ele vai fazer seu processo evolutivo, mas quando ele chega na fase da humanidade, aí ele tem livre arbítrio, aí ele faz escolhas.
Se ele faz escolhas, qual a possibilidade que tem dele escolher o contrário da lei divina? Quando ele escolhe o contrário da lei divina, eis o mal, surge o mal. Ao escolher o contrário da lei divina, ele se afasta da influência de Deus, ele rejeita. Ele não consegue se afastar de Deus, porque Deus está presente em tudo, inclusive dentro de nós, mas ele rejeita a influência divina e Deus permite, porque isso é livre arbítrio, permite. Então, surge o mal. Aí, nós temos um crescimento do mal. Agora, temos o remédio. Então, Abraão é uma parte do remédio, é o início do remédio, é o início da ação de Deus para recuperar o ser humano que, por ser o próprio livre arbítrio, se afastou de Deus e criou sofrimento e muita dor para si mesmo.
Então, é essa a ideia. Esse é o conceito de salvação. Isso nós precisamos compreender aqui, compreender mesmo. Agora, aqui, há um elemento fundamental que está no versículo 6 do capítulo 15, porque isso aqui, Paulo de Tasso vai utilizar na Carta aos Romanos, capítulo 4. Nós vamos comentar no próximo episódio, mas é importante a gente entender isso aqui. Abraão, ou Abrão, creu, teve fé, confiou do Senhor, porque o verbo aqui vem de Amuná, então, não é acreditar, porque poderia parecer assim, Abraão acreditou em Deus.
Não, confiou em Deus, teve fé. Ter fé é confiar. Como que Abraão demonstrou que confiou em Deus? Ora, ele abandonou a sua terra natal, ele abandonou toda a sua família, ele saiu do lugar que ele nasceu, ele abandonou todos os costumes, todos os hábitos politeístas e seguiu, seguiu a orientação do mundo espiritual superior. Então, ele confiou sem nenhuma garantia. É aqui que é o ponto. Não tinha nada para ele ver, não tinha nada de concreto, de palpável, ele só tinha a confiança interior. E, com essa confiança, ele se lançou ao desconhecido, ao temido, ao inseguro, para lançar as bases de uma nova humanidade.
É importante este verbo aqui, confiar, porque tem a ver com fé. Nós fomos educados religiosamente ao longo de quase dois mil anos ou mais a imaginar que fé é acreditar, acreditar. Então, eu acredito que o avião vai subir, mas o piloto confia. É diferente. Por que ele confia? Porque ele checou tudo, ele examinou, ele abasteceu a aeronave, ele olhou se foram feitas as revisões, ele tomou todas as precauções, ele conhece, ele estudou a aeronave, ele sabe como é que ela funciona, ele sabe manejá-la, então, ele vai seguir todos os procedimentos.
Ele fez tudo. Por isso que ele confia que vai subir. Pode acontecer o imprevisto de ela cair? Pode, mas ele tem tudo para confiar, porque ele fez tudo o que podia, ele conhece, está, de certo modo, no seu quadro de perspectiva, de análise, de prognóstico. Olha que interessante, que é diferente de acreditar. Acreditar, mas por que você acredita? Acredita, tem gente que acredita em mula sem cabeça, acredita em duende, então, acreditar é uma coisa, aqui é confiar, ter fé. Então, Abraão confiou, teve fé, e isso, olha só, isso lhe foi tido em conta de justiça, ou seja, isso foi imputado, isso foi computado, foi contabilizado como justiça.
Isso aqui é importante. O que significa isso aqui? Significa que ao Demonstrar que possuía fé, que possuía confiança, Abraão preencheu o principal requisito para uma pessoa ser declarada um justo. Um justo. Olha que importante isso. Olha que importante ser declarado um justo. E é aqui que Paulo vai, vai se firmar para construir seu raciocínio. Então, perceba, não disse assim, e Abraão ajudou muitos pobres e isso lhe foi contabilizado como justiça. E ele foi considerado justo, porque ele ajudou muitos pobres. Abraão, então, construiu um altar, entende?
Então, não foi nada que ele fez externamente. Foi uma aquisição interior. A aquisição interior, que é a primeira. Gente, é tudo muito lógico. Vamos examinar. Olha só. Estávamos lá, Adão, Eva, no Paraíso. Antes do mal surgir, o que aconteceu? Como é que a serpente conseguiu, com seu marketing, no seu departamento de venda, convencer Eva, que depois convenceu Adão? Como é que ela conseguiu isso? Esse projeto dela de tirar Deus e colocar o ser humano, o ser humano ser a medida de todas as coisas, e aí, portanto, um sistema frágil, frágil que gera o mal.
Como é que ela conseguiu isso? Ela só conseguiu isso porque antes foi rompido um laço de confiança. Eva rompeu com o Criador. Ela desconfiou. Ela perdeu o vínculo, a ligação, a relação de confiança. Por isso que religião é religare, é restabelecer o vínculo de confiança, é restabelecer a entrega a Deus, confiando na sua providência, confiando na sua condução, confiando na sua sabedoria. Restabelecer. Isso aqui é importante. Porque antes foi quebrado. Então, está vendo como é que tudo fecha? Eva quebrou, depois convenceu o marido, quebraram também o laço, aí a serpente teve vez.
Porque, senão, a gente imputa toda a responsabilidade da serpente. Não! Você só cai na tentação se alguma coisa interior dentro, alguma coisa interior dentro, alguma coisa interior quebrou. Então, primeiro precisa romper dentro, para depois romper fora. O exterior, a obsessão, a influência espiritual, ela só te atinge se algo interior já rompeu. Esse algo interior aqui, no caso, foi o laço de confiança, ou seja, a fé, fé no sentido de confiança, de entrega. E por onde que começa o restabelecimento do homem, do ser humano ideal, do ser humano imagem e semelhança do Criador, ou do ser humano justo, que está lá no livro dos Espíritos, o justo por excelência.
Pratica toda a lei de justiça, de amor e de caridade. Por onde que começa? Pela construção da fé. Fé. Fé com confiança. Fé como relacionamento com Deus. Fé como entrega a Deus. Entrega, entregar a direção, deixar que Ele conduza, relacionar-se com Ele. Acontece uma coisa, você indaga, você pergunta, você se relaciona com Deus. E Deus vai respondendo como? Com palavras? Conversando com você? Claro que não! Deus responde através de circunstâncias e através de pessoas. Então, você ora, você conversa com Deus e aí acontece algo.
Você ora, você conversa com Deus e aí chega alguém. E as coisas vão fluindo naturalmente, porque é assim que Deus conversa. E nós vamos ver isso na história de Abraão. Ele foi criando um relacionamento com Deus, ele foi dialogando, dialogando no sentido espiritual, não é dialogando de falar Oi Deus, tudo bem? Deus é incorpóreo. Isso está lá na questão 13 do livro dos Espíritos. Deus é imaterial, é incorpóreo. Então, como é que Ele fala? Ele não tem boca, não tem dente, não tem língua, não tem corpo. Então, como é que Ele fala?
Alta de Sousa, no poema psicografado por Chico Xavier, Mensagem Fraterna, do Parnagia Lentum, responde. Deus responde em ti mesmo e te esclarece. Responde em ti mesmo. Como? Através dos sentimentos e das ideias que brotam dentro de você. Você acha que são suas, mas, na verdade, são de Deus. Quando são boas, né? E, quando são ruins, estão vindo de alguém ou de você mesmo. Mas, quando vem aquele sentimento, aquela ideia, está brotando, é o próprio Deus se comunicando com você por palavras inarticuladas. Não são palavras humanas, são sentimentos, insights, intuições, ideias.
Você vislumbra o quadro. E, aí, você começa a interagir. Aí, surge uma circunstância, surge uma pessoa confirmando que a sua intuição estava correta, confirmando que você estava no caminho certo. Isso é fé. É isso que Abraão vai fazer. Então, ele tem o sentimento, ele age e as circunstâncias vão confirmando que ele está no caminho certo. As circunstâncias vão confirmando. Essa é a fé de Abraão. Não é uma fé mágica. Então, você tem a intuição, eu preciso fazer isso, eu preciso mudar a minha profissão, eu preciso fazer uma alteração profissional.
Aí, você sente aquilo, sente, aí você faz as suas orações e vai sentindo que é aquilo, aí começam a surgir circunstâncias, as pessoas começam a aparecer confirmando que aquilo é real, que aquilo é verdadeiro e acaba se concretizando. Ou, o contrário, você tem um desejo que não é bom e nada acontece, você fica forçando, aquilo não vai para a frente, você fala deixa eu voltar para dentro, eu estou querendo desviar. Então, é essa a interação com o Criador. É uma interação interna, subjetiva, que se confirma no objetivo.
No mundo exterior, nas circunstâncias, nos fatos, se confirma. Então, isso é o primordial requisito do Espírito Superior. Não é o que Ele faz. É a conexão dEle. Mas, gente, isso é tão simples. Vocês querem ver uma coisa? Se você tem uma banda de internet de fibra ótica, 200 giga, lá, você baixa o que quiser, o que quiser. Você baixa um DVD, um filme, um vídeo lá do canal do Cê, que você assinou, você faz o streaming lá, você engasga. Pode ser de alta resolução, 4K. Por quê? Porque a sua conexão é perfeita. Agora, se você tem uma internet ruim, toda hora cai, não faz.
Engasga, começa e trava. Começa e trava. Pode até vir em alta definição, mas, você começa a assistir e trava. Aí, vai mais um pouquinho e trava. Está em alta definição. Está bom, mas, não consegue. Esse é o sentido aqui. O principal requisito do ser humano justo é Uma excelente internet espiritual, uma excelente conexão com Deus. Porque, se você tem uma excelente conexão com Deus, naturalmente, você vai fazer o bem, pensar no bem, sentir o bem, agir no bem. Por isso é que é difícil construir essa conexão. Por isso é que é difícil.
É essa construção interior que nós temos que buscar. E, aqui, é bonito o texto, porque o que que Abraão… Abraão tinha construído alguma comunidade? Ele já tinha sido circuncidado? Não. Já tinha construído algum templo? Não. Mandou-lhe sacrificar algum animal? Não. Não. Ele não tinha feito nada de concreto, exteriormente falando, mas, interiormente. Interiormente, ele havia começado a construir uma conexão com Deus. Então, ele é capaz de sentir a vontade de Deus a respeito dele? Isso é importante, porque, muitas vezes, a gente fica querendo sentir a vontade de Deus com respeito ao outro.
Não tem jeito. Não tem jeito. Se você é um pai, uma mãe, responsável por alguém, você ainda sente aquela influência, enquanto você está cuidando. Mas, depois que a pessoa atinge a maioridade, que ela já está maior e seguindo o seu livre-arbítrio, não tem como. Deus tem uma supervisão individual. Ele se comunica individualmente conosco e ele diz qual a vontade dele a meu respeito. Então, eu construo uma conexão com ele e eu sei o que ele deseja de mim. Por isso que Jesus fala assim com Hanã, quando Hanã pergunta. No capítulo 13, eu ligo Boa Nova.
Ah, você conhece os códigos do Império, as regras do Templo? Aí, Jesus responde para ele. Eu sei qual a vontade de meu pai a meu respeito. Olha só. Então, assim, eu sei o que Deus planejou para mim, eu sei o que Deus planificou para mim. Acabou. É a conexão profunda, que é o que Abraão começa a construir e esse é o principal requisito. Essa é a fé monoteísta. Por isso, o monoteísmo de Abraão é um avanço espiritual na Terra. Avanço espiritual na Terra. Porque, até então, as pessoas cultuavam deuses de pedra, de ouro, de metal, estátuas, imagens, inanimadas, deuses que não se relacionam com o ser.
Aqui, não. Aqui é apresentado um Deus vivo, um Deus que é Inteligência Suprema. Se Ele é Inteligência Suprema, se Ele é Amor Infinito, e se Ele é Todo-Poderoso, Ele vai ficar imóvel? Você consegue imaginar um ser que é Inteligência Suprema, Amor Infinito, Todo-Poderoso, parado, sem fazer nada? É possível isso? Não. Não. Por isso, os Espíritos respondem. Está lá no livro dos Espíritos, quando Kardec indaga sobre a matéria, quando a matéria foi criada, se foi criada por Deus, se existiu de todo o tempo como Deus. Mas, os Espíritos falam que foi criada, mas das origens nós não sabemos.
Só sabemos de uma coisa. Deus, modelo de perfeição, você poderia imaginá-lo em algum momento inativo? Ele, modelo de perfeição, Inteligência Suprema, Amor Infinito, Todo-Poderoso, você vai imaginar Ele inativo? Parado? Não. Ele age. Então, Deus que é apresentado no monoteísmo aqui de Abraão, é um Deus ativo, atuante. Ele age incessantemente, ininterruptamente. Jesus vai falar isso no Evangelho de João, capítulo 4. Meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho. Meu Pai trabalha até agora. Então, é um Deus de ação incessante, ininterrupta, de ação eterna.
Ele está se relacionando conosco permanentemente, agindo com a Sua Inteligência Suprema, agindo em nós e por nós, com o Seu Amor Infinito. E Ele é o Todo-Poderoso. Então, a gente vê que não é mais uma estátua, não é mais um ídolo, não é mais uma imagem. É por isso que a gente sempre volta a falar que o problema das religiões e o problema das escolas espiritualistas é idolatrar pessoas, idolatrar o ser humano. Qual é o problema disso? Que você está adorando, idolatrando uma pessoa que é falível, que não é Inteligência Suprema.
Qual espírito, qual criatura que tem Inteligência Suprema? Nenhum, só Deus. Qual criatura, qual ser humano que tem amor infinito? Nenhum. Qual criatura, qual ser humano que tem poder absoluto? Nenhum. Então, eu vou adorar um ser imperfeito por melhor que ele seja? Esse é o desafio do monoteísmo de Abraão, da fé monoteísta de Abraão. Adorar um Deus perfeito, Todo-Poderoso, imaterial, incorpóreo, tanto que o primeiro mandamento que Moisés vai codificar, porque Moisés é um codificador, primeiro teve mesa girante, teve tudo, aconteceu tudo, aí vem Moisés e codifica.
Mas, começa tudo com Abraão. Então, Moisés codifica. Qual que é o primeiro mandamento? Não fazer imagem de Deus? Não tem imagem. Por quê? Porque ele é imaterial, ele é incorpóreo. Como é que você vai fazer imagem de algo que é incorpóreo e imaterial? Você representa ele como uma fumaça? Uma fumaça é matéria. Um plasma? Um plasma é matéria. Energia? Energia é matéria. Ele é imaterial. Como é que você representa ele? Por isso que é o primeiro mandamento. Aí, todo mundo fala coisa boba, primeiro mandamento, não fazer imagem de Deus.
Mas, eu nem tenho imagem em casa. Será que é só isso? É muito mais profundo do que isso. Um Deus imaterial é desafiador. Mas, ele não é apenas imaterial, ele é inteligência suprema. Então, ele tem sabedoria infinita e ele é o amor infinito e superlativo, que abrange a criação infinita. Só o amor de Deus consegue abranger toda a criação. Nenhuma criatura consegue amar nesse patamar. Por isso, quando chegam para Jesus de maneira idólatra e falam bom mestre, ele diz, por que você está me chamando de bom? Bom, só há um, que é o Pai.
Ele é a bondade. Olha que lindo isso. É essa fé monoteísta que está sendo implantada, construída aqui em Abraão, em semente. E, essa semente vai florescer, vai desabrochando, um processo evolutivo, até que chega Jesus para nos mostrar como que é. Como que é isso aqui no grau máximo, num grau supremo. Aí, lembrando a letra, já não é só arco-íris, é comunhão. Então, em Jesus, aí atingiu o acabamento máximo. Agora, no próximo episódio, nós vamos examinar aí o texto da Carta aos Romanos, que fala de Abraão. Até lá! Tua recompensa.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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