Neste episódio do estudo do livro Gênesis do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda a simbologia da Arca de Noé à luz da Doutrina Espírita. O estudo baseia-se na obra “O Cérebro Triúno a Serviço do Espírito”, de Irvênia Prada, Décio Iandoli e Sérgio Lopes, que, por sua vez, se inspira nos ensinamentos do benfeitor Calderaro, no livro “No Mundo Maior”, de André Luiz (psicografado por Chico Xavier).
O que é estudado neste episódio
- A Arca de Noé como metáfora da estrutura mental humana, dividida em três níveis, conforme a obra “O Cérebro Triúno a Serviço do Espírito”.
- A hermenêutica do Antigo Testamento, que, segundo Emmanuel em “A Caminho da Luz”, é um monumento da ciência secreta do povo hebreu, agora desvendado com as ferramentas do Consolador Prometido (Espiritismo).
- O Primeiro Andar da Arca (O Porão da Individualidade): Corresponde ao cérebro inicial (tronco encefálico, cerebelo, diencéfalo, núcleos de base e sistema límbico). É o local dos atos instintivos e automatizados, relacionados à sobrevivência e reprodução, arquivados de vivências passadas. Simboliza o inconsciente e o “id”, onde residem instintos que, se descontrolados, geram egoísmo e orgulho. A presença de casais de animais representa um potencial dinâmico e reprodutivo dessas energias.
- O Segundo Andar da Arca (A Zona Intermediária): Representa o neocórtex (excluindo os lobos frontais), onde se despendem esforço e vontade no presente para aquisições intelectuais e definição da postura moral. Simboliza o consciente e o “ego”, a personalidade atual que busca sanear o passado e planejar o futuro. Noé e sua família representam o presente, a personalidade atual, com suas relações, talentos e recursos.
- O Terceiro Andar da Arca (Os Lobos Frontais): Corresponde à área pré-frontal dos lobos frontais, onde se depositam os ideais a serem conquistados e as metas futuras. Simboliza o “supra-consciente” ou “superego”, a parte que ainda se realizará, o “vir a ser”. A janelinha de onde Noé solta a pomba representa a intuição, a mediunidade e a conexão com o divino, sondando os terrenos do futuro e os ideais superiores.
Reflexões
- A Arca de Noé não é apenas uma estrutura externa para enfrentar um fenômeno externo, mas uma profunda alegoria da nossa estrutura mental, um veículo para a mente espiritual se manifestar e evoluir.
- O dilúvio simboliza as experiências de provação e expiação, onde a lei de mudança e progresso desorganiza o exterior para impulsionar um salto evolutivo interior. A forma como o indivíduo lida com essas intempéries depende do nível de sua consciência.
- A Doutrina Espírita oferece as ferramentas para penetrar nas sutilezas do Velho Testamento, revelando a sabedoria oculta e a aplicação prática dos ensinamentos antigos à nossa jornada evolutiva.
Ler transcrição do episódio
A Arca de Noé Olá, amigos! Estamos aqui em mais um episódio do estudo do livro Gênesis do Velho Testamento, Gênesis de Moisés em que estudamos, neste momento, a Arca de Noé. Como sempre temos lembrado, neste nosso estudo, ele reflete uma abordagem que conta com os elementos substanciosos da doutrina espírita para a nossa compreensão do texto. Isso significa que nós não abrimos mão da experiência hermenêutica do povo hebreu construída ao longo de séculos e séculos de estudo desses livros que esse povo soube guardar, soube preservar nas suas tradições e na transmissão oral, não desprezamos a experiência hermenêutica cristã desde os primeiros cristãos, nos primeiros tempos do cristianismo, até os padres da igreja e também, claro, lançamos mão de todo o arcabouço de princípios e de ensinos dos Espíritos concatenados por Allan Kardec e, posteriormente, desenvolvidos na obra subsidiária.
E, Como estamos estudando a Arca de Noé, hoje, nós vamos basear a nossa conclusão, o nosso desenvolvimento do tema num livro extraordinário de três amigos, doutora Irvênia Prada, doutor Décio Iandoli e o doutor Sérgio Lopes. Todos são médicos e escreveram uma obra monumental chamada O Cérebro Triúno a Serviço do Espírito. O Cérebro Triúno a Serviço do Espírito. É um lançamento da ANE Brasil. Eu fui presenteado por estes três amigos com este livro e este livro é precioso porque ele desenvolve um tema que foi tratado no livro No Mundo Maior pelo benfeitor Calderaro quando André Luiz estudava com este benfeitor as estruturas do cérebro e como o Espírito se manifesta no cérebro.
E, particularmente, a parte que nos interessa de imediato é a página 41. Na página 41, a doutora Irvênia trata das estruturas componentes dos três blocos do cérebro. O cérebro é uno, ele funciona como uma unidade, mas, didaticamente, a sua ação, o seu desenvolvimento, pode ser dividido em três blocos e nós vamos perceber uma coisa curiosa. Isto foi trazido pelo benfeitor Calderaro pela mediunidade extraordinária de Francisco Cândido Xavier e nós, ao lermos isto aqui, logo identificamos algo que Honório Abreu sempre falava, já havia desenvolvido no Grupo Emmanuel e, agora, esta obra nos ajuda a clarear e entender ainda com mais clareza, porque esta estrutura tripartida do cérebro é A Arca de Noé.
Isto mesmo. Então, muitos achavam que a Arca seria um barco, que a Arca seria um objeto, onde se colocariam, no primeiro nível, os animais, no nível intermediário, Noé com toda a sua família, seus filhos, Noras, no terceiro andar, a janelinha onde ele solta o pombro para olhar se o dilúvio já terminou. Todos imaginávamos que isto fosse uma estrutura externa para enfrentar um fenômeno externo. Acontece que, como diz Emmanuel no livro A Caminho da Luz, o Antigo Testamento é um monumento da ciência secreta do povo hebreu.
Monumento da ciência secreta do povo hebreu. E diz ele, só os grandes mestres da raça poderiam e conseguiram interpretá-lo fielmente. Mas, agora, com as ferramentas do Consolador Prometido, que vem com o auxílio desses mesmos Espíritos que participaram das três etapas da revelação, nós conseguimos penetrar nesses meandros, nas sutilezas e entender que a Arca de Noé está dizendo respeito ao nosso cérebro, à nossa estrutura mental, o veículo através do qual a mente espiritual pode se manifestar, se desenvolver, se aperfeiçoar e se iluminar na sua jornada evolutiva infinita.
Então, vamos ver o que a doutora Irvene escreve baseada aqui no ensino de Calderaro. Ela diz assim, a parte inicial que é onde estão os animais na Arca. Isso é um ponto fundamental. Na estrutura da Arca, no livro Gênesis, nós vamos ver que Deus ordena, Deus, simbolicamente, ordena a Noé que coloque no primeiro andar da Arca casal de todas as espécies animais, de menos os peixes. Vamos esquecer disso. Cérebro inicial, então, é o local onde estão os animais. E casal por quê? Porque reflete um potencial dinâmico, reprodutivo.
Não é uma energia estanque, morta, parada. É uma energia criativa. Ela está sempre gerando. Por isso que é o casal de animais. Pede-se para colocar um casal de animal para dar a ideia de que eles vão gerar, de que é uma energia criativa. Ela nunca vai desaparecer. Ela sempre vai produzir algo. E esse algo precisa estar sob o controle, sob a supervisão das outras estruturas do cérebro. Então, vamos lá. Cérebro inicial. Compreende o tronco encefálico, bulbo, ponte, mesencefalo, o cerebelo e o diencefalo. E, ainda, os núcleos de base e o sistema límbico.
Ou seja, o conjunto de todas as estruturas subcorticais, uma vez que os outros dois blóculos, que são os outros dois andares da arca, o encéfalo e o córtex cerebral, dizem respeito a outra estrutura. Corresponde ao primeiro andar de nossa casa mental, onde arquivamos todos os atos instintivos, instintivos e automatizados, que foram aprendidos em nossas vivências do passado. Instintivos e automatizados. Olha as espécies animais aí. Todos os atos instintivos e automatizados. Particularmente, os relacionados à sobrevivência e à reprodução da espécie.
Então, aqui está o instinto de conservação, o instinto de preservação da individualidade, o instinto de preservação da posse, daquilo que é nosso. E, tudo isso, imagine, se estiver fora de controle, vai produzir o quê? Um egoísmo feroz, animal e um orgulho, um senso de individualidade e de importância, distorcido, que é o orgulho. Olha que interessante isso, não é? E, aqui, a Dra. Ivênia, citando Calderaro, diz é o porão de nossa individualidade. É o porão, é exatamente a estrutura da arca, porque, onde os animais estão na arca, eles estão onde?
No porão da arca. No porão da arca. Diz respeito ao inconsciente e ao índice. Ou seja, existe uma parte no nosso psiquismo que opera sem que nós estejamos conscientes de que esta parte está operando. Isto aqui é o mais relevante. Então, vamos dizer assim, tem um leão, tem uma pantera, tem uma serpente, tem um gambá, tem um antílope, tudo aí dentro de você, agindo sem que você se dê conta de que você está se comportando, que você está agindo, que você está sendo determinado por essas experiências que duraram milênios, que foram as experiências que, enquanto você era princípio inteligente e você estagiou pelo reino animal, você adquiriu ao longo de milênios de encarnações.
E, isto está tudo arquivado, todo este material, aí dentro do psiquismo. Qual que é a grande questão, o grande símbolo aqui da Arca? A Arca diz respeito a uma estrutura que está em um dilúvio. Então, nós já explicamos aqui o dilúvio. O dilúvio é aquela experiência da aprovação, da expiação, aquela experiência em que tudo ao nosso redor está sendo desconstruído, em que você perde os referenciais. Por quê? Porque está operando a lei de mudança, a lei de progresso. Então, ela desorganiza tudo ao redor para que nós possamos empreender um salto evolutivo.
Se a estrutura mental do indivíduo, se ele está focado no porão da individualidade, qual será o comportamento dele diante das intempéries, diante das dificuldades exteriores? Será um comportamento animal, instintivo, com um detalhe. O animal, ele é instintivo, mas ele não é cruel, porque ele ainda não tem a autoconsciência e o livre-arbítrio dele não está desenvolvido. Então, ele age até a satisfação do instinto. Então, se ele está com fome, ele vai caçar, ele vai morder, ele vai comer, mas, na hora que ele estiver saciado, ele para.
Se ele está em uma luta por território, por espaço, a hora que ele conquista o espaço dele, ele para de brigar. A gente vê isso nos animais. Ele luta ferozmente, mas, na hora que ele conquista o espaço, acabou. O outro sai. Não tem o elemento da perversidade e da crueldade, porque a perversidade e a crueldade, ela surge quando já tem consciência, quando já tem livre-arbítrio e quando o psiquismo está adoecido. Então, qual que é o segredo aqui? Onde a sua consciência está? No porão. Muitos encarnados vivem nesse nível do psiquismo, no porão da individualidade.
Vivem uma vida puramente corporal extintiva, sem desenvolvimento das outras estruturas cerebrais. Então, vamos lá para a próxima agora, a zona intermediária, que é a parte intermediária da arca onde estava Noé com sua família. Noé representando aí, para quem gosta aí da simbologia psicológica, Noé representa o ego, Noé representa o presente, a personalidade presente, as conquistas agora do presente, a confluência entre o passado e o futuro. Porque todos nós estamos encarnados saneando elementos do passado e planejando elementos do futuro.
Não tem ninguém só resgatando. Ninguém. Mesmo quando o resgate é intenso, ele também está planejando o futuro. Vamos imaginar um espírito que nasceu em um corpo que está com paralisia cerebral. Embora seja um resgate doloroso, um resgate muito intenso, ele também está adquirindo o quê? Paciência, ele está adquirindo doçura, ele está aprendendo o afeto. Então, ele também está construindo elementos para o futuro. Na próxima encarnação dele, essas qualidades adquiridas nesse corpo vão se manifestar na outra personalidade.
Então, ele será uma pessoa mais dócil, mais amorosa, mais paciente. Ele terá conquistado essas virtudes. Então, não tem ninguém que está só resgatando. Nós estamos sempre no meio do caminho entre o resgate passado e o planejamento do futuro. Hoje, você está saneando o passado, mas está escrevendo também a sua próxima encarnação. Você está determinando como será. Daí, a responsabilidade do presente. E, como o verdadeiro espírito deve valorizar cada minuto do presente, cada minuto do presente, porque o futuro vai depender de agora, de agora, de agora.
É bom lembrar, amanhã, o seu presente será passado. Será o passado. Então, é bom a gente ficar atento a isso. Então, vamos lá na zona intermediária. Diz a doutora Irvênia, compreende o neocórtex, córtex que reveste externamente os hemisférios cerebrais, menos uma parte dos lobos frontais, quer dizer, tirando o lobo frontal, e talvez também uma parte dos lobos temporais. Corresponde ao segundo andar de nossa casa mental, onde são despendidos esforço e vontade, no presente, no aqui e agora, para aquisições intelectuais e definição de nossa postura moral na esfera psíquica de nosso ser, tem a ver com o consciente e o ego.
Bonito, não é? Então, é o Noé. É o Noé, a esposa, os filhos, as noras, é o Noé com a família. É o presente, a personalidade atual, com todos os elementos que a nossa personalidade está dotada na presente encarnação. Então, você faz um inventário da sua família, das suas relações, das suas possibilidades, dos seus talentos, dos recursos que você tem, tudo isso é o presente. É essa zona intermediária que precisa ser operada. Daí a importância da lei do trabalho, do esforço, da vontade, da disciplina, da perseverança.
Porque, se essa área não estiver atuando, o que acontece? Ou a pessoa fica só no passado, ou ela fica só no ideal, só no sonho, não concretiza nada. Nós temos criaturas assim. A consciência dela está só no terceiro andar, só no sonho. Então, ela planeja, planeja, planeja, mas não executa. Ela é cheia de ideia ideal, mas não tem concretude, não tem realidade. E isso é uma dificuldade, uma dificuldade tremenda. E, por fim, o terceiro andar, que são os lobos frontais, corresponde ao neocórtex dos lobos frontais, mais especificamente, a área pré-frontal dos lobos frontais.
E, talvez, também ao córtex da parte dos lobos temporais. Corresponde ao terceiro andar de nossa casa mental, onde depositamos os ideais a serem conquistados e as metas a serem atingidas no futuro. Tem a ver, portanto, com o nosso supra-consciente ou com o superego. É É aquela parte de nós que ainda vai se realizar. É o vir a ser, o vir a ser, o que nós seremos. Está aí, então, as três estruturas, muito explicado. Eu só peguei a página 41 do livro, onde tem esse pequeno resumo. A doutora Irvênia desenvolve, na primeira parte, toda uma explicação técnica.
Quem quiser se aprofundar, é uma leitura mais densa, mas merece ser feita, porque aí a pessoa vê a imagem, vê os gráficos, vai entender como que funciona, porque isso é real, gente, é o nosso cérebro. Não é só uma metáfora, isso é concreto. Na segunda parte, o doutor Desfiando vai trabalhar sobre o funcionamento e a interação mente-cérebro. Como que a mente espiritual utiliza esses recursos do cérebro. E, na terceira parte, o doutor Sérgio Lopes vai fazer um paralelo entre as leis morais e essas três estruturas da casa mental.
Lembrando que, na Arca de Noé, a terceira, o terceiro andar, era o local que tinha uma janelinha e ele soltava a pomba para voar e olhar se o dilúvio já tinha terminado. Então, é bonito isso, porque o nosso superconsciente, o terceiro andar da casa mental, é onde a gente sonda, através da intuição, da mediunidade, da conexão com o divino, da conexão com a espiritualidade. A gente sonda o que será, sonda os terrenos do futuro, os ideais superiores, os valores morais que nós ainda não temos, que eu não tenho, você não tem, mas que nós ansiamos por conquistar.
Então, é a parte em que nós somos navegadores, é a parte em que nós somos o infante de sagres, a gente explora novos continentes, novos terrenos e tudo isso funcionando em consonância, deve funcionar em consonância. Então, nesse episódio aqui, nós queríamos só fazer esse mapeamento e no episódio posterior, nós vamos desenvolver isso mais, vamos trabalhar um pouquinho mais esses detalhes e fica aí o convite para que cada um leia, aprofunde, estude um pouquinho mais para que a gente possa dar sequência ao nosso episódio.
Até a próxima. Muita paz. Legendas pela comunidade Amara.org Legendas pela comunidade Amara.org
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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