#081 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio, Haroldo Dutra Dias dá continuidade ao estudo do livro Gênesis, de Moisés, à luz da Doutrina Espírita. Ele retoma a discussão sobre a importância de uma leitura crítica e madura dos textos antigos, destacando a contribuição do Espiritismo para uma compreensão mais profunda das Escrituras, que transcende a abordagem materialista.

O que é estudado neste episódio

  • A leitura do texto bíblico à luz dos princípios espíritas, que considera o Espírito imortal em suas experiências reencarnatórias e o acúmulo de experiências nas civilizações.
  • A necessidade de aliar a ciência e a religião, conforme Kardec em “A Gênese”, sem se prender às posições dos cientistas, mas agregando os princípios espirituais para uma análise completa.
  • A ideia de que o texto bíblico é inspirado e que seus redatores estavam sob a tutela de Espíritos mais elevados, que lhes orientavam, mas que a redação se deu de acordo com a linguagem e cultura da época.
  • A importância de examinar o texto literariamente, sua estrutura, linguagem e lógica, para então aprofundar a percepção e retirar o “Espírito da letra”, o conteúdo eterno e espiritual que diz respeito à essência do Espírito imortal em evolução.
  • A interpretação do dilúvio como uma consequência da multiplicação da maldade humana, prevista desde o momento em que Adão e Eva acolheram a sugestão da serpente, abandonando a direção divina.
  • A distinção entre o bem eterno de Deus, que é perfeito e imutável, e a criação humana, que é perfectível e sujeita a aperfeiçoamento contínuo.
  • A reflexão sobre a permissão divina para que a criatura faça o que é frágil e imperfeito, como parte do processo de aprendizado e evolução, sem que isso signifique ausência de atenção de Deus, o “Mestre do Universo”.
  • A compreensão do dilúvio como um processo de aferição, um teste ou prova, que vem com dificuldades e desafios para apurar o Espírito imortal e fazê-lo subir de nível, transformando sua essência.
  • A simbologia da arca de Noé como um elemento de estabilidade, uma estrutura ou organização que permite passar pelas turbulências, provações e expiações da vida.
  • A responsabilidade individual na construção da “arca”, ou seja, da estrutura psíquica interna e do preparo para enfrentar os desafios, com base nas instruções divinas, mas sem a intervenção direta de Deus na construção.
  • A analogia da arca com a parábola das dez virgens, onde a orientação vem, mas a preparação e a manutenção da “reserva de azeite” são responsabilidades individuais.
  • A Codificação de Kardec como um guia para a construção dessa “arca”, oferecendo orientações para que cada um possa enfrentar os dilúvios da vida, sejam eles perdas, doenças ou reveses financeiros, sem desestrutura interior.

Reflexões

  • A Doutrina Espírita oferece uma lente única para a compreensão das Escrituras, revelando a imortalidade do Espírito e a continuidade da vida, transformando a leitura de textos antigos em um convite à reflexão sobre a jornada evolutiva.
  • O dilúvio, sob a ótica espírita, não é um castigo divino, mas um processo pedagógico de aferição e aprendizado, um desafio que impulsiona o Espírito a um novo patamar de evolução, sem retrocesso.
  • A construção da “arca” é um convite à auto-responsabilidade e ao desenvolvimento interior. Deus oferece o projeto e as instruções, mas a edificação da estrutura que nos permite atravessar as tempestades da vida é uma tarefa individual e intransferível.

Ler transcrição do episódio

A Luz da Doutrina Espírita Olá, amigos! Bem-vindos a mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, A Luz da Doutrina Espírita. No episódio anterior, nós comentamos, com bastante detalhe, sobre os aspectos simbólicos desta passagem. De como é aconselhável uma leitura mais crítica, mais madura destes textos da Antiguidade. Porque, afinal de contas, são textos distanciados de nós, aproximadamente 3.000 anos. Textos produzidos em uma cultura do Oriente, da Mesopotâmia, uma cultura completamente diferente da nossa, num tempo completamente distinto do nosso.

Mas, nem por isso, nem por isso, tratam de assuntos que nos são alheios. E, este é o ponto que nós consideramos a profunda contribuição do Espiritismo para a compreensão das Escrituras. Se nós avaliarmos a literatura bíblica, a história, a sociologia, a antropologia, examinando apenas o elemento material, o que é que nós veremos? Veremos apenas seres humanos, feitos de osso e carne, que morrem e que, portanto, têm um tempo histórico definido. Tudo, então, será reduzido ao elemento material. Esta é a abordagem materialista.

Materialista no sentido de que só leva em conta o elemento material. No entanto, após os fenômenos do século XIX, irmãs Fox, todos os fenômenos mediúnicos e após o trabalho gigantesco de Alain Kardec em concatenar estas mensagens, organizar o ensino dos Espíritos e deixar isto registrado de maneira didática, pedagógica para a nossa avaliação, ou seja, após o surgimento do Espiritismo ou Espiritualismo moderno, como chama León Denis, aqui, nós temos condições de agregar na nossa avaliação o elemento espiritual. E, quando nós acrescentamos o elemento espiritual na nossa análise, não veremos aqui apenas seres humanos que morrem, apenas seres humanos compostos de matéria, apenas culturas e elementos materiais, porque enxergaremos aqui o Espírito imortal nas suas várias experiências reencarnatórias, o Espírito imortal acumulando experiência nas civilizações, nas culturas e, quando não, o Espírito imortal trazendo experiências de outros ambientes para a formação da Terra.

Portanto, a nossa leitura do texto bíblico, à luz dos princípios espíritas, é uma leitura mais desafiadora, mais profunda. Por que mais desafiadora? Porque nós temos o dever, dever, obrigação de considerar todos os aspectos sociológicos, antropológicos, psicológicos, históricos, políticos, econômicos, temos o dever, o Espírita não pode, não pode abrir mão das conquistas da ciência. É o que afirma Kardec no livro A Gênese. Não pode. Lá está dito a aliança entre a ciência e a religião. A aliança é um casamento, é uma cumplicidade, então, nós não podemos abrir mão.

Agora, isso não significa que nós ficamos a refém das posições dos cientistas, porque os cientistas têm suas preferências, eles têm suas incoerências, eles têm suas perturbações, perturbações emocionais, perturbações psíquicas, etc. Nós não ficamos reféns. Nós, também, precisamos trazer os princípios espirituais para que a nossa análise seja completa. Então, aqui, embora a gente examine e perceba que há elementos culturais, que o texto está distanciado de 3.000 anos de nós, que a civilização que produziu este texto era outra, mas, espera lá, são Espíritos?

São Espíritos? Todos somos Espíritos imortais? Somos Espíritos em processo de aperfeiçoamento? E, mais, somos Espíritos em processo de tutela espiritual? Porque a evolução espiritual se processa mediante tutela, assessoria, acompanhamento pedagógico. Isso é providência divina. Quem tem dúvida sobre isso, nós sugerimos. Se você tem dúvida, ou ainda está confuso com relação a este tema, para aí, agora, o vídeo. Vai lá no livro A Gênese de Kardec, no capítulo Deus. No capítulo Deus, tem um item chamado providência divina.

É um item enorme e Kardec vai utilizar toda a sua sabedoria para tratar este tema delicado. E, lá, nós vamos aprender com os Espíritos e com Kardec, que a providência divina atua nos menores, nos mais insignificantes elementos da nossa existência. Atua como? Pedagogicamente. Não é interferindo a todo momento. Como nós não fazemos isso com a criança? Você deixa uma criança fazendo um para-casa, um dever de casa? Você não faz para ela. Mas, você fica acompanhando. Fica lhe dando a tutoria. Você está por perto. É como o aparato médico de socorro em uma corrida de Fórmula 1.

Ele não fica toda hora entrando a ambulância dentro da pista. Não faz sentido. Mas, ela está ali a postos. Se tiver uma intercorrência, se ocorrer algo, todo o aparato funciona. É assim com o corpo de bombeiro, etc, etc, etc. Então, lá a gente aprende esse aspecto da providência divina. Com isso, o que nós queremos dizer? Para nós, da perspectiva espírita, é mais tranquilo entender que este texto é inspirado, que os redatores deste texto aqui estavam sob a tutoria de Espíritos mais elevados, que lhes orientavam, que lhes passavam experiências.

Agora, os redatores redigiram suas emoções, suas intuições, suas percepções de acordo com a linguagem e com a sua cultura, porque seria muito estranho exigir do redator de Gênesis que ele narrasse isto aqui as suas experiências, segundo a nossa língua e a nossa cultura do século XXI. Isto é tão sem propósito que não faz sentido. Então, neste ponto, o que nós fazemos aqui? Nós examinamos literariamente, literariamente, a gente olha para o texto, examina a estrutura do texto, a linguagem, a lógica do texto, como que ele está construído, como se fosse um artesanato, como se fosse um vaso, como se fosse uma toalha de renda.

Você examina a obra, você vê qual é a lógica artística do texto, como que ele está estruturado. Nós examinamos a cultura, a linguagem, para que a gente entenda quais as ferramentas que o Espírito que redigiu isto aqui utilizou. E, depois, nós paramos nisto? Não podemos parar nisto, porque parar nisto seria comer a casca da banana e jogar a banana fora. Nós temos que aprofundar a nossa percepção e retirar o Espírito da letra, a inspiração espiritual que é eterna. Porque nós não estamos falando de Espíritos imortais?

Então, tem um conteúdo aqui que é imortal, tem um conteúdo aqui que não está preso à sociedade, à economia, à política, a gênero, a nada. Tem um conteúdo aqui que é eterno, é espiritual, diz respeito à essência do Espírito imortal em evolução. E, este conteúdo nos interessa. Então, vamos sem trocadilho mergulhar no dilúvio. Já Percebemos aqui que na lógica do texto, é a lógica do texto, porque eu não posso também impor uma lógica que não é do texto. Isto acontece demais. A pessoa vem interpretar o texto bíblico e ela traz a lógica dela e quer que o texto bíblico se ajoelhe diante dela.

Então, ela vem com a lógica dela, com as ideias, e quer que o texto bíblico se curve a lógica dela. Nós não podemos fazer isto. Somos nós que temos que nos curvar a lógica do texto. Então, qual é a lógica do texto aqui? Por que ocorreu o dilúvio? O dilúvio ocorreu porque a maldade se multiplicou e isto já estava previsto. Se você acompanhou os episódios anteriores de Gênesis, você está aí atento, sabendo, nós já passamos por isto, que isto foi previsto, previsto, desde o momento que Adão, que Eva, primeiro, depois, seu marido Adão, acolheram a sugestão da serpente e abandonaram a direção divina, olha isto, a direção divina, e optaram por ter, como conselheiro, a serpente.

Surgiu o mal, surgiu o mal, o mal no sentido daquilo que é frágil, o mal no sentido de fragilidade da criatura. E este é um ponto muito importante, porque o bem eterno, o bem imperecível, é de Deus. Porque só Deus é incriado, é eterno, é imutável, é imaterial, é incorpóreo. Então, tudo de Deus é Absolutamente estável, não há mudança, não há variação, como diz a carta de Tiago, Tiago menor. Em Deus, onde não há sombra de mudança ou de variação, Deus é o eterno sol da criação, o eterno bem e é perfeito. O que é perfeito não pode ser melhorado.

Mas, este não é o estatuto da criatura, porque a criatura de Deus, ela é perfectível. O que é perfectível? É sujeito ao aperfeiçoamento. Por quanto tempo é sujeito ao aperfeiçoamento? Para sempre. Para sempre sujeita ao aperfeiçoamento. É por isso que, quando o doutor da lei chega a Jesus e diz assim, bom mestre, Jesus não aceita o título. Ele fala, bom? Por que você está me chamando de bom? Bom, só há um. Olha que lindo isso, né? Porque, quando Jesus usa o um, Ele está fazendo referência ao Shemá, a declaração do monoteísmo judaico, que é uma declaração dupla, não é uma simples declaração de que só existe um Deus.

Ela é, também, uma declaração de que Deus é um. Deus é unidade. Deus é um todo indivisível, imutável, perfeito. Portanto, só há um bom. Porque, se tiver dois bons, eu tenho dois Deuses. Não é erro de português, não. Dois Deuses. Eu tenho um primeiro Deus e um segundo Deus. Não existe isso. Só há um. Só há um. Então, não pode haver nada que se equipare a Deus em bondade. Ele é o bom, o melhor. Ele é a bondade. Ele é o parâmetro. Tudo que eu for comparar de bom, eu uso como régua Deus. Para medir. Então, Jesus diz isso, coisa linda, para o doutor da lei.

Por que estamos chamando de bom? Só há um. Bom, só há um. É o um. O um. Os judeus são engraçados, né? Os hebreus, eles têm uma frase, assim, a todo momento, né? Eles repetem, assim, a Shem errada, a Shem errada, a Shem errada. A Shem é o nome, porque não fala o nome de Deus. Então, é como se fosse Deus, né? O nome. Deus é um. Deus é um. A Shem errada. Deus é um. Isso é bonito, isso. Então, o mal, aqui, que se multiplica, é a criação humana. A criação humana é má. Nossa, Haroldo, o que você está dizendo? Agora, já estou vendo todo mundo comentar.

Onde que tirou isso? Porque é má. Má No sentido de temporária, que pode ser aperfeiçoada. Tudo que a criatura faz pode ser aperfeiçoada. Por isso que André Luiz começa o livro Evolução em Dois Mundos dizendo assim, co-criadores em plano maior. Olha isso. Co-criadores em plano maior. Não está falando co-criação em plano menor, eu, você, não. Está falando dos co-criadores que fazem galáxias, sistemas solares, planetas. E André Luiz diz assim, que nascem, crescem, se desgastam e se transformam até perecerem. Porque só Deus é o criador de toda a eternidade.

Isso é lindo, gente. Ou seja, achemos errado. Deus é um. O único que cria coisas que duram para sempre é Deus. Os co-criadores criam coisas que vão acabar. Cria a galáxia, ela se desenvolve, acaba. Cria um sistema solar, desenvolve, acaba. Cria um universo, ele cresce, Big Bang, depois, acaba. Porque é uma obra em aperfeiçoamento. E Deus? E Deus? Deus, Gilberto Gil explica. Esse vago Deus por detrás do detrás. Esse vago Deus por detrás do detrás. Deus está atrás do atrás, do atrás, do atrás, do atrás. O humilde, o mais humilde da criação, por detrás do detrás, permitindo que seus filhos façam o pior.

Não, Arudo, não entendi. Não entendeu? Então, vamos lá. Você fala assim, eu vou compor uma música. Porque a gente fala pior, todo mundo pensa em maldade. Não, gente, calma. Calma, serena. Você vai compor uma música. Aí, você faz aquela música. Música linda. Nossa, que música linda. Música linda. Mas, aí, mostra para uma pessoa, aí, um já põe uma crítica, o outro põe uma crítica. Aí, se fosse um outro compositor, eu faria diferente aqui, faria melhor. E, você sabe, você fez a música, ficou boa, mas, você sabe, se fosse um outro grande artista, a música ficaria melhor.

Você não pretende fazer uma letra e achar que vai ficar melhor do que o do Chico Buarque. Bom, você sabe, se fosse o do Chico Buarque, seria um pouquinho melhor, mas, eu fiz, gostei. Imagina Deus. Se fosse Deus que tivesse feito, seria perfeito. Então, você compôs a música, mas, se fosse Deus, seria perfeita a música. Ela não seria boa, ela seria perfeita. Então, por que Ele permitiu que você fizesse algo que não é perfeito? Sabe por quê? Se Ele não permitir isso, não tem espaço para nenhum de nós. Não tem espaço. Nós vamos ficar só em silêncio, em atitude meditativa, esperando Deus fazer tudo.

Eu acho que já deu para perceber, se você olhar ao redor, se você olhar para o Universo, que essa não foi a escolha de Deus. A escolha dEle é ficar por detrás do detrás, permitindo que nós façamos o que é frágil, o que não é perfeito, o que pode ser aperfeiçoado e, às vezes, o que é horrível. Vamos combinar. Permite, às vezes, que a gente faça o horrível. Mas, isso não significa que Deus não esteja atento. Por isso, que, no judaísmo, um dos nomes de Deus é o Mestre do Universo. Este é um dos nomes de Deus. O Mestre do Universo.

Por quê? Porque isso ressalta o papel pedagógico de Deus na criação. Deus educa. Nós aprendemos isso lá. Gesiel fala isso para o pai dele, ao Redeb. Pega lá o Paulo Estevão. O Redeb chega revoltado, quer ir para a vingança e Gesiel abre a passagem e cai assim. Bem-aventurado o varão que Deus corrige, que Deus açoita, não é? Porque Deus corrige todo aquele que ama e açoita todo aquele a quem recebe por filho. Esta é uma linguagem forte do hebraico, a linguagem forte do Velho Testamento. Dizendo assim, Deus corrige, Deus açoita, mas, só quem ele ama e quem ele recebe por filho.

Olha que interessante, não é? Então, com os seus filhos, com a sua criação, com aqueles Espíritos que já tem consciência de si mesmo e consciência da evolução, eles estão sob o processo de correção divina, o processo de pedagogia divina. E como que funciona a pedagogia? A pedagogia nós temos igual em toda escola. Está aqui meu filho, João Gabriel, na escola, aí tem lá provas. São quatro das principais. No primeiro semestre tem duas, no segundo semestre tem duas. É uma avaliação. Ele está tendo aula, recebendo conteúdo, está aprendendo, aí vem a prova.

O que é o teste? O que é a prova? É o dilúvio. O dilúvio é a aferição. Então, há um tempo em que você pode fazer. Pode fazer, você vai fazendo, vai construindo, vai fazendo, vai fazendo o que você quer. Entre aspas, né? Porque o nosso livre-arbítrio é limitado. Mas você vai fazendo. Aí chega o momento da aferição. E o momento da aferição, ele vem com o que? Com dificuldades. Porque não se afere com facilidade. Como é que eu vou aferir com facilidades? Você afere com desafios. Desafios espirituais, desafios emocionais, desafios intelectuais.

O processo de aferição é o que apura o Espírito imortal. O processo de aferição é o que faz o Espírito subir de nível. Por que, gente? Depois que o Espírito passa por um processo de aferição, ele não consegue mais voltar a ser o mesmo. Por que ele não consegue voltar a ser o mesmo? Porque o Espírito não retrograda. Quando você passa por uma aferição, a sua essência se transforma. Então, quando você aprende algo novo, quando o seu sentimento muda, você não volta mais. Porque aquilo é uma conquista agora, uma conquista afetiva, uma conquista intelectual, uma conquista emocional, uma conquista espiritual.

Aí, não tem volta. Muda a essência do Espírito. Muda a essência e o Espírito avança. E, de pequenos avanços em pequenos avanços, ele vai se transformando. Daqui a pouco, você olha e não reconhece mais a origem. Quando você olha para a borboleta, você não consegue mais ver a lagarta. Quando você olha para um pé de laranja, você não consegue mais ver a semente. Porque já se desenvolveu tanto que não tem volta. Assim é a evolução. Então, o dilúvio é esse desafio. E, aqui, está sendo narrado o desafio. Aí, você vai me perguntar assim, mas, pois é, tudo bem, entendi, mas, e esse negócio de animal?

Fazer uma arca, e faz a arca, e põe o animal embaixo, a família fica no meio, e um lugar em cima para soltar a pomba, para ficar voando e checando. Pois é. Pois é. Então, agora, nós temos que examinar isto aqui. Primeira coisa, bem simples, porque a nossa interpretação bíblica, ela tem que partir do simples, das coisas simples. Simples. Então, vamos lá. Se não tivesse arca, o que aconteceria com Noé? Morreria. Então, a arca é um elemento de estabilidade. A arca significa estabilidade. É aquele instrumento, ou aquela organização, nós vamos ver aqui, que permite passar pelo dilúvio, pelo processo de aferição, passar pela aprovação, pela expiação, pela turbulência, com estabilidade.

Sem a arca, a turbulência te engole. Sem a arca, o dilúvio te afoga. Sem a arca, o dilúvio destrói tudo. Muito bonito aqui, nós vamos fazer uma reflexão. Às vezes, a pessoa fala assim, ah, eu estou passando por uma prova, uma aprovação muito grande, mas eu vou melhorar. Não sei. Não sei. Porque, passar por uma aprovação sem estrutura, você pode estiolar-se, você pode desestruturar-se. É por isso que, antes de passar por uma aprovação, por uma expiação, a providência vai nos encaminhando recursos, pessoas e lições, para que a gente possa criar estrutura.

Só que, Deus não vai construir a arca para você. Não vai. Então, este é um ponto aqui, simples. Quem constrói a arca é Noé. Deus dá o projeto, Deus instrui, Ele fala, Ele descreve o dilúvio, Ele fala quanto tempo vai durar o dilúvio, quanto tempo vai durar o dilúvio. Então, todo o processo é mapeado. Mas, Deus não vai lá construir a arca. Não vai. Quem constrói a arca é a pessoa. Este é um ponto muito importante. Porque a arca é como a parábola das dez virgens. A orientação vem. Mas, quem leva a lâmpada e quem mantém a reserva de azeite para que a lâmpada possa iluminar é a virgem.

Então, a virgem sensata é a que tem lâmpada, tem azeite na lâmpada e tem reserva de azeite. Ela não sabe quanto tempo vai durar. Aí, espera. E a insensata? Tem um tiquinho de azeite ali na lâmpada, brilhando, e não tem reserva. Então, estrutura para passar pela escuridão, pela noite, pela turbulência, pela tempestade, pela provação, pela expiação. Quem constrói esta estrutura é o indivíduo. É a individualidade que constrói a estrutura. Por isso que dá uma pausa, até dizer isto aqui. Por que nós estamos estudando isto aqui?

Por que nós estamos fazendo Sete Minutos com Emmanuel, Lítera Musical, estes projetos todos? E mesmo as atividades do Movimento Espírita? Não tem outra explicação, não tem outro sentido que não criar estrutura psíquica interna para que cada um de nós possa passar pelos desafios da vida. Este é o propósito. Então, nós estamos aqui construindo estrutura porque vai vir o dilúvio. E, quando vier o dilúvio, se nós aproveitamos estas oportunidades para construirmos estrutura interior, nós vamos passar por ele. Vamos passar em colume.

Vai ter dificuldade o processo todo, porque ninguém pula. Tem que passar. Mas, sem desestrutura interior, sem desestrutura psicológica, sem desestrutura espiritual. Isto é muito importante. Isto é muito importante. Toda a codificação de Kardec é uma instrução de construção de arca. O que tem ali são orientações para construir a arca, porque eu não sei qual vai ser o dilúvio da sua vida. Eu não sei. Pode ser perder um filho, pode ser perder um marido, uma esposa, pode ser perder a saúde, pode ser ficar cego, ficar paralítico, ter um reverso financeiro.

Eu não sei qual é o dilúvio. Então, individualmente, aqui, nós não sabemos qual o dilúvio nos aguarda, qual será a experiência a feridora do nosso espírito imortal, aquela que vai limar lá no fundo da alma, lá na raiz do dente, um tratamento de canal. Nós não sabemos qual é essa experiência. Então, nós estamos aqui, todos nós, construindo a arca. Ela precisa ser bem construída, ela precisa ser bem estruturada, para quê? Para aguentar, para aguentar. Esta arca possui elementos bem estruturados, para que a gente passe pela crise.

Então, neste episódio, a gente dá uma parada por aqui, mas, no próximo episódio, nós vamos comentar algumas coisas. Por exemplo, qual a estrutura da arca? Por que a arca tem esta estrutura? Qual o objetivo de colocar animais embaixo, as pessoas em cima, e uma pomba no terceiro andar, com uma janelinha? Por que esta separação? O que isto tem a ver com o dilúvio? Quais os elementos foram utilizados na construção da arca? Na vedação da arca, para que não entrasse água? O que isto significa? Tudo isto é material para o nosso próximo episódio, em que nós vamos adentrar nesta questão da arca.

Mas, eu queria já deixar uma dica. Você que está aí acompanhando, nós temos uma dádiva no Consolador Prometido, que são estas informações que vertem da espiritualidade superior, revelações da espiritualidade superior, em nosso auxílio. Então, gostaria que você lesse o livro No Mundo Maior, No Mundo Maior, o capítulo em que Calderaro fala da casa mental. Então, fica esta lição no próximo episódio. Nós vamos tratar destas questões todas. Até o próximo episódio. OBSERVADO Então, durante todo este tempo, ele deu corda, deu linha, como diz no papagaio.

Deu linha. Deu linha. Chega agora, ele vai puxar. Então, diluva o mundo.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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