#080 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias aprofunda a narrativa do dilúvio no livro de Gênesis, explorando suas nuances e o contexto cultural e linguístico da época. O estudo busca transcender a leitura literal, convidando a uma compreensão mais profunda dos ensinamentos morais e espirituais contidos na história.

O que é estudado neste episódio

  • O Dilúvio em Gênesis: Análise do texto bíblico, destacando a singularidade da narrativa hebraica em relação a outros relatos de dilúvio da Mesopotâmia, como o de Gilgamesh, principalmente pelo seu caráter monoteísta.
  • A Língua Hebraica e o Anacronismo: A importância de compreender a língua hebraica como concreta e simbólica, lidando com o cotidiano de agricultores e pastores. Haroldo alerta para o anacronismo de se ler textos antigos com a mentalidade contemporânea, exemplificando com a palavra “Ruach” (vento, respiração), traduzida como “Espírito”, e suas implicações para a compreensão da ação divina e da vida.
  • O Propósito do Relato do Dilúvio: A narrativa não é um tratado geológico ou climatológico, mas sim uma explicação moral e religiosa para a multiplicação da maldade e da violência. O foco é a intervenção divina diante do “projeto da serpente”, que coloca o ser humano no centro, excluindo Deus.
  • A Intervenção Divina e Seus Instrumentos: A forma como Deus “fala” e age na vida das pessoas, não de maneira literal, mas através das circunstâncias e de indivíduos como Noé, que se tornam instrumentos da vontade divina.
  • A Simbologia da Arca e dos Animais: A discussão sobre os “furos” aparentes na narrativa (como a quantidade de animais puros e impuros) é superada pela busca da essência moral e da mensagem subjacente, comparando a leitura literal a focar nos detalhes superficiais de uma obra de ficção.
  • A Lei de Destruição: A severidade da intervenção divina é proporcional à gravidade da maldade humana. O dilúvio é interpretado à luz da Lei de Destruição do Livro dos Espíritos, que afirma que o que é destruído são as formas materiais, e não o Espírito imortal. A destruição no plano material não atinge o plano espiritual.
  • O Dilúvio como Arquétipo: A reflexão final levanta a questão se o dilúvio descreve um fato concreto ou um arquétipo, um padrão do processo de evolução material e dos fenômenos que ocorrem através da lei de progresso, dissolvendo tudo o que é forma e material.

Reflexões

  • A leitura dos textos sagrados deve ir além da literalidade, buscando o sentido moral e espiritual que os autores antigos, em sua linguagem e contexto, procuravam transmitir.
  • A intervenção divina não se manifesta de forma espetacular ou literal, mas através das circunstâncias da vida e das pessoas que se tornam instrumentos da Providência, guiando e amparando os indivíduos em seu caminho.
  • A Lei de Destruição, conforme a Doutrina Espírita, esclarece que a destruição se aplica às formas materiais, sendo um mecanismo de renovação e progresso, sem atingir a essência imortal do Espírito.

Ler transcrição do episódio

A Luz da Doutrina Espírita Olá! Estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, A Luz da Doutrina Espírita. No episódio anterior, nós comentamos alguns aspectos gerais relativos ao dilúvio e hoje, nós vamos já mergulhar sem nenhum duplo sentido nas águas do dilúvio. Vamos adentrar aqui no texto e perceber algumas nuances, alguns aspectos da narrativa judaica e coisas bastante interessantes. Bom, todas as civilizações da Mesopotâmia, daquele entorno de Israel, possuíam narrativas de dilúvio.

Talvez, a mais famosa delas, que acaba de ser traduzida agora, inclusive, pelo grande professor de grego, Jacinto Brandão, da UFMG, que é o de Gilgamesh. É um relato, também, que fala do dilúvio, da criação, um texto muito interessante e que a gente vê como que essas culturas possuíam uma identidade de linguagem, uma estratégia narrativa parecida. O que distingue, aqui, o relato de Gênesis do dilúvio? É o monoteísmo. Todo relato que nós encontramos nos livros do Antigo Testamento, eles estão marcados pela causa primária de todas as coisas.

Tudo é narrado, tudo é dito, mas referenciado à causa primária. O que nós não encontramos na literatura do entorno do povo hebreu. Então, essa é uma característica importante. Deus é colocado como causa primária de todas as coisas, como a origem, como a instância que decide sobre os acontecimentos. De resto, no momento de narrar, de construir os símbolos, as tramas narrativas, cada povo vai seguir a sua tradução literária, a sua índole, as características da sua linguagem. E, aqui, nós precisamos considerar, mais uma vez, as características da língua hebraica.

Sobretudo, da língua hebraica utilizada nessas narrativas, porque nós estamos falando de textos de aproximadamente 3.000 anos atrás. 3.000 anos atrás. Era um outro mundo. O grande erro de alguém que, hoje, abre o livro de Gênesis e lê essa narrativa, é ler com o olhar da sociedade contemporânea. E, esse equívoco, como que ele se manifesta? Ele se manifesta assim. Nós vivemos em uma sociedade em que temos avião, celular, internet, etc, etc. E, lemos este texto aqui, imaginando que quem escreveu este texto tinha tudo isto e conhecia a história como nós.

A gente se esquece que quem escreveu este texto aqui não tinha a nossa memória histórica de 3.000 anos. 3.000 anos depois, tudo o que aconteceu, ele não sabia. Ele só sabia o que veio antes. Isto é um erro muito grave, porque nós temos o chamado anacronismo. A gente quer interpretar um texto histórico produzido em uma sociedade com um olhar contemporâneo. Então, a primeira coisa que nós precisamos, aqui, atentar para a questão da língua hebraica, mais uma vez. A língua hebraica é uma língua concreta. Ela é uma língua que lida com símbolos do cotidiano concreto daquelas pessoas.

E, qual era o cotidiano concreto dessas pessoas? Era um povo de agricultores e de pastores. Agricultores e pastores. Esta era a vida, a vida diária dessas pessoas. Era isto que eles conheciam. Então, eles não eram dados as abstrações que nós temos acesso hoje. É importante a gente entender isto. Eles não tiveram acesso aos filósofos que vieram depois, às construções intelectuais. Eles não conheciam ciência. Nada disso. O pensamento deles é concreto. Eu vou fazer um simples comentário, aqui, para a gente ver como que a nossa leitura da Bíblia é anacrônica.

A pessoa lê, aqui, Ruach, a palavra hebraica, Ruach, que o grego vai traduzir por pneuma. E, as traduções em português, você abre a sua Bíblia e, como é que eles vão traduzir Ruach por espírito. Espírito. Então, qual que é a primeira tendência de nós somos espíritos? Falar em espírito, a gente pensa que exagerante, codificação, mediunidade, psicografia. Mas, você acha que há 3.000 anos atrás, quem redigiu isto conhecia estas coisas? Sabia o que era isto? Claro que não. Então, qual que é a raiz de Ruach? Ruach significa o vento em movimento ou A respiração.

O vento em movimento ou a respiração. Então, você olha para o vento em movimento, o que ele faz? Ele move as árvores. Ele traz frescor, a brisa marítima ou a brisa das montanhas. Ou seja, ele afeta. Mas, você vê o vento? Você pega o vento? Não. Onde se vê o vento? Também. Ou o ar em movimento? Na respiração. Se um ser vivo para de respirar, não tem vida. O vento é associado à vida porque os seres vivos quando morrem, não tem mais vento dentro dele. Não tem mais respiração. Mas, mais ainda. Quando uma pessoa está muito nervosa, o que acontece com ela?

A respiração dela fica ofegante. E, quando ela está muito calma, a respiração dela fica tranquila. E, quando ela tem uma emoção boa, profunda, ela dá um suspiro. Então, o Ruach que é traduzido por Espírito, a palavra traduz isso, a respiração, com todas as suas nuances. Então, esta palavra era utilizada para descrever as emoções. Por quê? Porque, dependendo da sua emoção, muda a sua respiração. Ela era descrita, usada também para descrever a ação de Deus. Por quê? Porque o vento movimenta as marés. Vocês não conheciam o fenômeno da lua e o magnetismo?

Explicava, cientificamente, o que era o magnetismo? Não sabiam. Veio ali, as ondas, as árvores, o efeito de refrescar o clima que o vento traz. É esta palavra, a lua. Por isso que o texto diz que Deus soprou na narina de Adão e ele foi feito o quê? Uma alma vivente. Uma alma. Porque, agora, você tem o corpo, mas o corpo você tem em um cadáver. Eu também tenho o corpo, está lá. Mas, ele respira? Não. E, ele entra em decomposição. Então, Deus formou o corpo, mas, só tem vida quando tem lua, que é respiração, que é o fôlego.

E, quem deu esta respiração? Deus. Colocou este elemento. É uma coisa concreta. A partir do concreto, ao longo do tempo, eles foram abstraindo para sentimentos, para emoções, para sensações físicas e para estados mentais ou psicológicos. E, depois, lá na frente, eles começaram a abstrair para realidades espirituais. Embora, em todo o Velho Testamento, Kardec afirma isto e é verdade. Em todo o Velho Testamento, nós temos vagas noções de espiritualidade. Vagas noções. Eles podem até narrar um acontecimento, um fato espiritual, mas, eles não explicam.

Eles não tem elementos para detalhar, para explicar as causas. Não tem. Não tem. E, não era nenhum objetivo. Porque, o objetivo destes livros aqui é reforçar o monoteísmo, reforçar a crença na existência de um Deus único, na intervenção deste Deus único na vida das pessoas e na vida dos povos, ou seja, na história. Este é que é o sentido. Este é que é o sentido. Então, quando nós lemos aqui o relato da Arca de Noé, precisamos atentar para isto, para este concreto, para este universo limitado do autor que escreveu e, principalmente, para o objetivo do texto.

Então, qual é o objetivo do texto aqui? O objetivo deste texto, eu acho até um pouco de graça, acho realmente muito engraçado. Quando alguém toma este texto aqui e quer utilizar este texto como uma explicação geológica ou de algum fenômeno natural, como se este texto fosse um tratado de geologia, de climatologia ou de eras geológicas, de mudanças geológicas da Terra. Claro que não. Eu não estou dizendo que o autor do texto ou que as pessoas, aquela comunidade, não tenha vivido períodos geológicos, mudanças climáticas.

É claro que eles viveram. Nós também estamos vivendo. Qualquer pessoa encarnada na Terra está vivendo todos os fenômenos climáticos e geológicos que a Terra passa. Isto é óbvio. É claro que eles viveram isto e eles tinham registro disto. Não é isto que eu estou dizendo. Eu estou dizendo que este texto aqui é para explicar, isto aqui é aula de geologia. Isto aqui é aula de climatologia. Não, não é uma aula de climatologia. O propósito do autor aqui é outro. Quer dizer, o objetivo dele é descrever um fenômeno moral. Moral.

Então, o foco do autor bíblico é olhar para as pessoas, para as pessoas. E tentar entender o que está acontecendo na vida das pessoas e na vida das comunidades. Então, é um fenômeno social. E eles vão explicar o que está acontecendo buscando ou invocando razões religiosas. Todos os povos fizeram isto. Qual a diferença do povo hebreu? Que, ao invocar as razões religiosas, eles são monoteístas. Então, tem que ter Deus no meio. Tem que ter um lugar para Deus. Eu não posso construir uma explicação que não tenha um lugar para Deus.

Tudo bem, você está explicando que é isto, mas e Deus? Onde fica Deus nesta história? Então, feitas estas considerações, o que é este texto aqui, finalzinho do capítulo 6, porque é o 6, até o início, que é o capítulo 6. O dilúvio mesmo começa a ser descrito no versículo 5 e, depois, ele prossegue no capítulo 7 também, da sequência no capítulo 8 até o inicio do capítulo 9. Então, qual é o propósito aqui? O propósito aqui é explicar porquê que a maldade estava se multiplicando nas pessoas e nas comunidades. Este é o propósito.

Se olhava para as pessoas, olhava para as comunidades, olhava para os impérios, porque havia, havia civilizações com seus governos, se olhava para isto e percebia o quê? Que a maldade estava se multiplicando, que a violência estava se multiplicando, que a crueldade estava se multiplicando, que a criminalidade, vamos dizer assim, estava se multiplicando. É o mesmo questionamento que nós fazemos. Então, nós olhamos hoje para as pessoas, olhamos para a nossa sociedade e falamos Meu Deus, o que está acontecendo? A maldade está se multiplicando.

E, aí, nós buscamos, nós, Espíritos, buscamos o quê? Uma explicação religiosa, espiritual para este fenômeno. Qual é a nossa explicação espírita? Transição planetária. Mas, como nós, Espíritas, e, de resto, todos os cristãos, sejam católicos, sejam protestantes, mórmon, ou de outras vertentes, como nós somos monoteístas, nós temos que encontrar um lugar para Deus. Então, nós explicamos, não, olha, a maldade está se multiplicando, as crises, a violência no mundo, a criminalidade, o desatino, tudo isto está crescendo, é a transição planetária.

Ah, é a transição planetária. E Deus? Ah, é o seguinte, Deus E, aí, dentro do conceito de transição planetária, nós vamos encontrar um lugar para Deus. Onde Ele está, o que Ele faz, o que Ele determina, como que isto é conduzido, qual que é a lógica, quais são as leis, como que o processo se desenrola, é a mesma coisa. Então, o texto do Dilúvio vai fazer isto. Ele vai buscar uma explicação religiosa, espiritual para o incremento da maldade. E vai narrar, vai construir sua narrativa, segundo princípios bíblicos. Já comentamos aqui.

Primeiro princípio bíblico. Por que a maldade está multiplicando? Aí, o autor bíblico ia dizer para você, simples assim, na lata. Por que o homem ouviu a serpente? É simples assim. Explicação mais simples que esta. Não tem. Aí, o que a maldade está multiplicando? Foi ouvir a serpente? Quem mandou ouvir a serpente? Ouviu a serpente, veio Caim, depois de Caim, foi só multiplicando. Primeiro começou na família. O irmão matando o irmão. Depois foi multiplicando, agora, para o mundo inteiro. Ouviu a serpente. Esta é a explicação.

Esta é a explicação que eles tinham. Esta é a explicação do livro de Gênesis. Então, eu tinha um projeto divino e um projeto da serpente. O ser humano, as comunidades, as sociedades ouviram a serpente e construíram um projeto da serpente. O que é o projeto? Já falamos sobre isto. Você tira Deus, tira Deus e coloca o ser humano no centro. O homem, medida de todas as coisas. O homem, razão de todas as coisas. O homem, solução de todas as coisas. Então, quem vai solucionar é o homem. Tira Deus, Deus faz nada. Deus nem existe.

Esta é a proposta da serpente. Deus nem existe, ou existe, mas não faz nada. Isto aqui, nós que vamos ter que resolver. Deixa Deus fora disto e nós vamos resolver isto aqui. E, aí, vem as propostas. As propostas humanas. E, em meio a milhares de propostas humanas, milhares de tentativas humanas, porque aqui nós temos que entender que Noé está séculos distanciados de Adão. Simbolicamente falando, né, gente? Simbolicamente falando. Mas, há uma distância aqui de séculos. Tanto que o dilúvio chega, Noé tinha seiscentos anos na narrativa simbólica.

Então, o homem viveu seiscentos anos até ter o dilúvio. Então, nós estamos falando de um… as coisas não aconteceram assim. O projeto da serpente já estava há muito tempo aí, tentando, tentando, tentando. Como agora? Exatamente como agora, em que a gente vê a crise e seres humanos querendo serem os salvadores, aqueles que vão solucionar todos os problemas. A mesma coisa. É o projeto da serpente. São homens que vão resolver, porque Deus, Deus, Ele existe, mas, ao que consta, Ele tirou férias e deixou tudo. Então, o que o relato do dilúvio vai dizer?

Não, Deus não tirou férias. Esse é o primeiro ponto. Deus não tirou férias. Deus está atento e observando. Então, durante todo esse tempo, Ele deu corda, deu linha, como diz no papagaio, deu linha. Deu linha. Chega agora, Ele vai puxar. Então, o dilúvio é o momento em que Ele puxa, em que Ele intervém, em que Ele atua, atua. Isso é importantíssimo. Na linguagem simbólica, vamos passar da narrativa, vamos entender o objetivo do narrador. E, olha que eu não estou aqui trazendo o Espiritismo para poder ampliar e fazer uma leitura.

Ainda não. Nós vamos fazer isso daqui a pouco. Vamos primeiro entender no plano do narrador. Então, no plano do narrador, Ele fala deu errado, deu muito errado. O problema está sério. O problema está sério e aí vem a manifestação de Deus. Ah, Haroldo, mas aqui está dizendo que Deus falou com Noé. Aí, Deus chegou e falou. Mas, gente, como é que um pastor, um agricultor, como é que um habitante dessa época ia descrever? Como é que ele ia descrever nessa linguagem simbólica? Essa era a maneira, falou. Falou. Então, aqui nós temos que Deus se manifesta?

Se manifesta. Ele fala? Fala. Mas, fala com boca? Fala com palavras? Então, hoje, já Banhados pelo conhecimento do consolador prometido, nós podemos afirmar que Deus fala através das circunstâncias e das pessoas que cruzam o nosso destino. Hoje, nós sabemos dessa sutileza, mas, eles também, gente. Eles também. Então, quando está dizendo aqui que Deus falou com Noé, o que está o que está querendo dizer aqui? Está querendo dizer que Deus vai utilizar Noé como instrumento. Mas, aí você fala, mas utilizar como? A gente fica muito literal, achando que Deus apareceu e falou, Noé, eu sou Deus.

Então, vamos pensar na nossa situação. Você está passando por uma dificuldade, um problema, você está desorientado, você não sabe como agir, você está muito ferido, muito machucado, desorientado, perdido. E, aí, você entra no banho, toma o banho e fala, meu Deus, socorro, socorro, me ajuda. Sai do banho, veste a roupa e vai para o trabalho. Aí, você está indo para o trabalho, mas, você tem que passar em um determinado local para comprar alguma coisa de comida ou resolver alguma pendência. E, aí, por acaso, por acaso, você encontra uma pessoa.

Por acaso, alguém te dá um DVD do ser. Por acaso, alguém te passa um podcast. Por acaso, alguém te dá um livro. Por acaso, tudo por acaso. Então, por acaso, você encontrou uma pessoa e conversa, vai, conversa, vem, e a pessoa fala, eu estou notando que você está meio triste, eu estou passando por um problema, não, vamos tomar um café, você tem tempo para tomar um café aqui? Tem, tem, vamos tomar um café. E, aí, a pessoa conversa com você cinco minutos. Cinco minutos. E, aquilo muda o rumo da sua existência. Porque ela conversa, ela te dá um livro, ela te indica para você ouvir um podcast, indica para você ouvir um DVD, indica para você ouvir uma palestra no Youtube, não importa o que.

Você vai. Aí, ouve uma, ouve outra, ouve outra. Aí, eu te pergunto, você pode provar, você tem como provar para mim que não foi Deus? Tem como provar? Então, vamos combinar uma coisa, essa pessoa que você encontrou com ela, que tomou café com você e que te indicou um DVD, um vídeo, não foi um noé? Deus falou com ele. Mas, falou como? Encontrou lá, apareceu, ô, fulano, vem cá, vou te mandar um filho meu aí, você vai chamar ele para tomar um café? É assim que as coisas acontecem? Não, não é assim. É isso. Deus age na nossa vida através de pessoas, através de pessoas.

Então, você fala, meu Deus, eu preciso, eu preciso conseguir esse dinheiro para poder pagar, eu preciso. Aí, Deus vai aparecer aqui com as notas, quando você está precisando, filho? Quanto é? R$ 1.500? Espera aí, R$ 100, R$ 200, R$ 200, R$ 400, R$ 1.500, toma aqui, filho, toma aqui. É assim que acontece? Na vida? Não, não é assim. Então, como é que acontece? Acontecem umas coisas, surge uma pessoa, você conversa, daqui a pouco a pessoa está te emprestando, está te dando o dinheiro, te amparando. Ou uma circunstância, uma circunstância, uma circunstância, acontece um fato, imprevisto, imprevisto para você, imprevisto para você.

Você não tinha como prever. Mas, Deus não é previdência e providência? Acontece um fato e resolve. As coisas se encaixam, você fala. Gente, coisa esquisita. Aconteceu aqui, o negócio se encaixou, não é que resolveu? Então, é isso. É isso. Então, nós estamos aqui diante de um fato e Teremos circunstâncias e uma pessoa que vão ser utilizadas como instrumento. É isso que o texto está dizendo. Então, a pessoa que vai ser um instrumento aqui é Noé. Esse é o símbolo. Esse é o símbolo. Porque a grande pergunta que nós temos que fazer aqui é dilúvio, cobrir a terra de água, chover quarenta dias e quarenta noites, uma arca com todos os animais.

Não dá para acreditar nisso. Mas, você está focando nisso? A sua atenção está se voltando para isso? Para a história? Então, se eu te levar para assistir o filme Piratas do Caribe, você vai ficar questionando. Ah, mas não tem pirata. Ah, mas não existe navio, fantasma. É isso? Ou você vai abstrair da ficção, vai abstrair da alegoria e vai retirar a essência moral do ensino. O que você vai fazer? Então, tem um filme, por exemplo, que eu adoro, adoro, adoro, chama Arrival, que é A Chegada. É baseado em um conto do Ted Shine.

É um grande escritor, ele é norte-coreano, mas reside nos Estados Unidos. É premiado, o autor escreveu A Chegada. A Chegada, basicamente, o que tem da ficção? Doze naves espaciais chegam na Terra, uma em cada região. E, aí, começam a se comunicar, e chamam um matemático, uma linguista, e eles têm que decifrar o que esses seres estão querendo dizer. São 100 spoilers. É isso aí, você vai lá e assiste e vai ver. Eu adoro esse filme, esse filme é genial. Aí, você vai falar assim, ah, mas, doze naves? Ah, não, é um negócio de extraterrestres.

Ah, não, não, você vai ficar preso nisso. É isso que você vai pegar? E, a moral que está por trás a mensagem que eles quiseram transmitir, quer dizer, a essência da a genialidade do filme, você vai jogar fora. Aí, você vai ficar com a superfície, que é doze naves, que não sei o que, que isso não tem. É isso? É aqui, é a mesma coisa. Então, você está preocupado com a Arca? É claro, você pensa, a história tem furo? Tem, mandou pegar, nós vamos ver isso aqui, é um dilúvio, todas as espécies. Por que que não mandou pegar peixe?

Pegou os animais e as aves. Peixe não precisou, né? Não tem peixe. Claro, um dilúvio, né? É engraçado, porque no plano da superfície, é claro que tem furos. Você quer ver como é que tem furos? Deixa eu te mostrar aqui. Olha aqui, quer dizer, furo aparente, eu estou falando furo, se você está na superfície. Porque, se você entende o aspecto moral, você vai ver que tudo aqui faz sentido. É um artesanato. Mas, vamos ficar na superfície, em uma crítica superficial. Então, vamos lá. Aqui, ele fala assim, quanto a mim, isso é Deus falando.

Vou enviar o dilúvio, as águas sobre a terra, para exterminar de baixo do céu toda a carne que tiver sopro de vida. Tudo o que há na terra deve perecer. Mas, estabelecerei minha aliança contigo e entrarás na arca tu e teus filhos, tua mulher e as mulheres de teus filhos contigo. De tudo o que vive, de tudo o que é carne, farás entrar na arca dois de cada espécie. Dois de cada espécie. Um macho e uma fêmea. Você pega uma espécie, pega um macho e uma fêmea, para procriar, porque o objetivo era reproduzir depois, para os conservar contigo.

De cada espécie de aves, de cada espécie de animais, de cada espécie de todos os répteis do solo, virá contigo um casal. Só ficou de fora os peixes. Quanto a ti, reúne todo tipo de alimento e armazena, claro, vai guardar o alimento, ele ia ficar quarenta dias dentro da arca. Você virá de alimento para ti e para eles. Então, tinha que levar alimento para ele, para os animais. Você imagina a bagagem. Noé assim fez. Agora, olha que interessante. No capítulo 7, vou ler aqui. E, a Vérdice a Noé entra na arca, tu e toda a tua família, porque és o único justo que vejo diante de mim no meio desta geração.

Olha isso! O único justo é você. De todos os animais puros, tomarás sete pares, o macho e a sua fêmea. Espera aí! Espera aí! É dois de cada espécie ou sete? Então, aqui está dizendo que dos animais puros, você vai pegar sete pares, o macho e a sua fêmea. E, dos animais que não são puros, tomarás um casal, o macho e a sua fêmea. Então, teve uma mudança aqui, porque os animais puros, os animais puros são aqueles que lá na frente, no outro livro que vai ser escrito depois, o judeu não pode comer, os impuros. Os puros, ele pode.

Então, aqui mudou. Mudou o texto. Duas que você pode comer, leva mais, né? Leva sete casais. Duas que você não pode comer, leva um casal só, porque você não vai comer mesmo. Mas, aqui, gira do lado. Então, se você ficar preso à superfície da narrativa, tem essas coisas. Você vê que teve uma emenda aqui, uma retificação. Bom, mas, na verdade, gente, não é dois de cada espécie, é dois quando é impuro. Se é puro, aí você leva sete casais. A arca já aumentou, entendeu? Porque isso aqui é igual a avião, né? Você coloca, imagina, se você aumenta os passageiros, o avião tem que ser maior, que já está complicado.

A arca já vai ter que ser sete vezes maior. É engraçado, né? Mas, você vai se ater a isso? Então, você vai ler aqui e vai ficar preso a isso? É isso que você vai fixar? Ou, já que é um dilúvio, nós vamos mergulhar um pouquinho mais fundo? Aqui, neste estudo, nós estamos buscando mergulhar um pouquinho mais, mergulhar um pouco mais fundo do que está por baixo da superfície. Então, temos alguns elementos aqui. Qual um elemento que se destaca aqui? A intervenção divina foi radical, foi severa. E por que a intervenção divina foi severa?

Porque a maldade atingiu um nível severo. Este é o primeiro ponto aqui. Então, a primeira coisa profunda que nós percebemos aqui, há uma proporcionalidade. Proporcionalidade. A situação era muito grave. Portanto, a medida adotada foi muito grave. Ela foi muito severa. Ela foi muito intensa. Bastante intensa. Qual o instrumento utilizado por Deus para intervir na maldade? Destruição. Olha a sutileza aqui. Quando eu falo destruição, é isso mesmo. Eu quero que você já conecte a sua mente a uma das leis morais. A lei de destruição.

Aí, eu te pergunto, depois você dá uma lida na lei toda, toda a lei de destruição. E eu te pergunto, Espírito é destruído? Não. O Espírito é imortal. Então, na lei de destruição, o que nós aprendemos lá? O que é destruído são formas. O que é material. Que está resumido em uma frase brilhante do livro dos Espíritos. Os Espíritos dizem assim, Deus renova os mundos como renova os seres vivos. Renova como? Destruindo. Os orbes surgem, tem um tempo de vida e acabam. Os sistemas solares surgem, tem um tempo de vida e acabam.

As galáxias surgem, tem um tempo, acabam. O sol, tudo, tudo, tudo que é material tem um ciclo de vida e morte. Todas as espécies biológicas tem um ciclo de vida e morte. Mas, olha só, quanto a mim, vou enviar o dilúvio às águas sobre a terra para exterminar de baixo do céu, não está falando exterminar o que está no céu, toda a carne que tiver sopro de vida. Então, aqui está claro que o dilúvio está se referindo a um fenômeno que atinge o plano material. Porque o plano espiritual, o original, ele não sofre com a destruição do plano material.

Não sofre no sentido dele de ser destruído, não. A destruição do plano material não destrói o plano espiritual. Está dito aqui. Ficou registrado aqui. Tudo o que há na terra deve perecer. Agora, só perece o que tem vida física. É muito interessante isto. É muito interessante isto. Então, olha aqui, será, vou deixar esta pergunta para a gente pensar aí para o próximo episódio. Será que este dilúvio aqui está descrevendo um fato concreto ocorrido na Terra? Ah, o dilúvio de Noé ocorreu na época geológica tal, quando houve um período de glaciação e aí aconteceu…

Será? Que é isto? Ou isto aqui é um arquétipo? Isto aqui é um padrão? Um padrão do processo de evolução material, dos fenômenos que ocorrem através da lei de progresso no plano material. Então, só para você pensar no próximo episódio, onde está o império assírio-babilônico? Eu vou te dar a resposta. No museu. Nos museus. E o romano? E o grego? E o império grego-macedônico? Onde que está? Nos museus. Pensa nisto. Pensa se não há uma lei atuando que dissolve tudo o que é forma, tudo o que é forma, tudo o que é material.

No próximo episódio, nós vamos abrir com Emmanuel falando sobre isto. Até o próximo episódio de Gênesis. Primeiro propósito Nós estamos recolhendo do Velho Testamento elementos que nos possibilitem uma melhor compreensão do Novo Testamento. Portanto, o nosso foco aqui, o nosso propósito é o Novo Testamento. Poderíamos, por exemplo, fazer um estudo sobre a a a a a a a a a

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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