Neste estudo do Velho Testamento à luz do Espiritismo, Haroldo Dutra Dias continua a aprofundar-se no livro de Gênesis, explorando a riqueza da genealogia e suas implicações espirituais. O episódio retoma a análise do capítulo 5, que inicia a linhagem de Adão, e expande a discussão para a importância das descendências na narrativa bíblica e na compreensão da evolução espiritual.
O que é estudado neste episódio
- Gênesis, capítulo 5, versículos 1-3: A narrativa da criação de Adão à imagem e semelhança de Deus, a menção de “homem e mulher” e a designação de “Homem” para ambos, indicando a espécie humana. A genealogia de Adão, com destaque para o nascimento de Sete.
- A estrutura genealógica do Gênesis: O livro é dividido em dez genealogias (Toledot), que não se focam apenas na origem material, mas principalmente na evolução da espécie humana e na encarnação de espíritos.
- A evolução da consciência: A progressão da complexidade biológica na natureza, desde seres inorgânicos até o ser humano, e como essa complexidade se relaciona com o surgimento e desenvolvimento de graus de consciência e inteligência.
- O ser humano como espécie escolhida: A ideia de que a espécie humana é o veículo biológico para a encarnação de espíritos capazes de reconhecer a existência de Deus e de se verem como sua descendência.
- O “gene da divindade”: A reflexão sobre a constituição psíquica e espiritual do ser humano, que contém atributos divinos em grau limitado, conforme ensinado por Emmanuel no capítulo 30 do livro “Fonte Viva” (“Educa”).
- A importância do estudo do Velho Testamento: A necessidade de compreender o Gênesis para entender as genealogias do Novo Testamento, como a de Jesus em Mateus (capítulo 1, versículos 1-16), que segue um padrão numérico simbólico (três vezes 14 gerações, ou seis vezes sete).
- A evolução como “corrida de revezamento”: A metáfora da encarnação como um processo coletivo, onde os espíritos se agrupam por afinidades e se revezam na construção da evolução, entregando e recebendo o “bastão” das gerações.
- O conceito de Ubuntu e a interdependência humana: A ideia de que a constituição do indivíduo depende do contato e da relação com o outro, e que a contribuição para o coletivo é, em última instância, uma contribuição para si mesmo.
- Simbolismo numérico: A exploração dos números sete (ciclos, tempo, perfeição dos ciclos), doze (organização, estrutura comunitária, perfeição da comunidade) e dez (rebelião, desagregação social, perda de unidade). A divisão do Gênesis em dez genealogias é interpretada como um símbolo da desagregação e da multiplicação do mal.
Reflexões
- A genealogia no Gênesis transcende a mera listagem de nomes, revelando um profundo significado espiritual sobre a origem divina do ser humano e sua jornada evolutiva.
- A compreensão da nossa identidade como “descendência” de Deus gera um senso de pertencimento universal e nos impulsiona a reconhecer os atributos divinos em nós mesmos e nos outros.
- A evolução é um processo coletivo e interligado, onde cada geração contribui para o progresso das futuras, e a desagregação social é um reflexo da perda de unidade e equilíbrio.
Ler transcrição do episódio
Novo Episódio do nosso estudo do livro Gênesis à Luz do Espiritismo, da Doutrina Espírita E, nós, no episódio anterior, começamos a explorar alguns aspectos importantes do início do capítulo 5 do livro Gênesis, que é o capítulo que trata da genealogia. Aliás, já no final do capítulo 9, se vocês se recordam, no versículo 25, está escrito assim Adão conheceu sua mulher, ela deu à luz um filho e lhe pôs o nome de Sete, porque disse ela, Deus me concedeu outra descendência no lugar de Abel, que Caim matou. Também a Sete nasceu um filho e ele lhe deu o nome de Enoch, que foi o primeiro a invocar o nome do Senhor.
E, inicia-se o capítulo 5 com a seguinte narrativa Eis o livro da descendência, em hebraico, Toledot, de Adão. No dia em que Deus criou Adão, ele o fez à sua semelhança. Homem e mulher ele os criou, abençoou-os e lhes deu o nome de Homem. Olha que interessante, lhes deu o nome de Homem. Interessante isto aqui, não é? Adão e Eva deu o nome a ambos de Homem, porque o homem aqui no sentido de ser humano, de espécie humana, no dia em que foram criados. Quando Adão completou 130 anos, gerou um filho, a sua semelhança, como sua imagem, ele deu o nome de Sete.
Então, aqui, a gente quer retomar alguns aspectos de uma abordagem espiritual deste tema descendência. Nós já comentamos aqui em episódios anteriores que a própria estrutura do livro Gênesis é Uma estrutura de descendências. O livro pode ser dividido em dez genealogias, dez descendências. E, é natural, porque ele é um livro que fala das origens da criação. Mas, acontece que nós, ocidentais, temos uma mente muito voltada, muito focada, quando falamos a palavra origem, na origem das coisas. Origem do universo, origem do sistema solar, e a preocupação, aqui, do livro de Gênesis está mais voltada para genealogias humanas.
É um olhar diferente, porque ele foca na evolução que se dá na espécie humana, sem desprezar os antecedentes da espécie humana que repousam nos animais, nos vegetais e nos seres inorgânicos ou, supostamente, inanimados, na matéria inorgânica. Então, ela volta, mas, volta para linkar com a evolução humana. É por isso que a primeira geração de Gênesis é a geração dos céus e da terra, que aborda aqueles elementos que extrapolam a espécie humana, mas, o objetivo é chegar no ser humano. O objetivo é chegar neste início do capítulo 5 do livro Gênesis, que diz assim Deus criou Adão, fez a sua semelhança, imagem e semelhança de Deus.
Homem e mulher os criou, homem e mulher. Então, essa bipolaridade psíquica e chamou Adão e Eva de homem, de ser humano. Olha, que interessante isso! Por quê? Porque, na espécie humana, nós aprendemos isso em O Livro dos Espíritos. O Livro dos Espíritos retoma este ponto. A espécie humana foi aquela escolhida por Deus para a encarnação dos seres que são capazes de reconhecer-lhe a existência. Então, vamos lá! É importante a gente atentar para este fato, porque, se você olhar para o mundo, você pode olhar de uma perspectiva puramente material e biológica.
Se eu encaro de uma perspectiva puramente material, não penso em consciência, em inteligência, em faculdade psíquica, não penso em nada disso. Penso apenas nas formas biológicas. Eu tenho o quê? Eu tenho o ser humano, a espécie biológica humana com o seu acervo, com o seu patrimônio genético, que se expressa em diversas etnias, que abrange várias características, mas que guarda um elemento comum, que é a forma humana, aqueles caracteres que a gente distingue, você consegue distinguir um ser humano de um ser de outra espécie.
Então, no topo da escala evolutiva está o ser humano, a espécie humana, do ponto de vista biológico, puramente físico. E, para trás, nós vamos encontrando outras espécies que vão se tocando e vão formando elos evolutivos e, aí, nós vamos descendo, descendo. Quando eu digo descendo, em aspectos de complexidade biológica, porque se você pega um símio, ele pode até começar a se aproximar da forma física humana, mas ele não tem uma estrutura cerebral tão completa e complexa como a do ser humano. Então, nós vamos reduzindo complexidade e, aí, você vai chegando nas plantas, espécies que você não sabe o que é, uma zona cinzenta, até os seres inorgânicos.
Então, eu pego uma pedra, um cristal e eu sei diferenciar uma pedra de um pé de alface, um pé de alface de um elefante. Eu sei diferenciar. Fica patente que a natureza foi ganhando graus de complexidade física, biológica e, na medida em que ganhou complexidade biológica, aí foi aparecendo um fenômeno interessante, a expressão de graus de consciência. Olha que interessante! Então, você pega o seu cachorrinho de estimação, vai dizer que ele não tem um grau de consciência, que ele não se reconhece, que ele não reconhece o dono, que ele não tem hábitos, que ele não tem temperamento.
Vai me dizer que não. Não tem – eu fico até com medo de usar esta palavra, mas bem entre aspas mesmo, bem entre aspas – o cachorrinho não tem até uma personalidade, bem entre aspas, não tem uma característica. Então, ele já começa a apresentar isso, graus progressivos de consciência. Aí, você encontra, em alguns animais, expressões extraordinárias de inteligência, de consciência, de expressão, até chegar a um ponto, em alguns símios, que lembram comportamentos da espécie humana. E, aí, chegamos na espécie humana, que é esta espécie escolhida, ou seja, a espécie humana é a espécie biologicamente escolhida para a encarnação de seres espirituais que já atingiram um grau evolutivo que lhes dá condição de terem consciência de si mesmos e consciência de uma causa primária, de uma inteligência primária, de uma origem para tudo, ou seja, reconhecem Deus.
Reconhecem Deus e, em graus mais sofisticados desse reconhecimento, vê, nessa causa primária, uma paternidade, um elemento gerador, daí o nome Gênesis. Reconhecem Deus, o Gerador, a origem e se vê como filho, como descendência. Então, isto é que é importante, é um foco diferente, porque há aqui um componente psíquico, psicológico e espiritual. O livro Gênesis não está simplesmente como um livro de biologia descrevendo uma evolução de Tecidos celulares, de corpos, não. Ele está agregando um elemento aqui que é um elemento psíquico e espiritual.
E, este elemento psíquico e espiritual, ele muda tudo, porque ele traz para esta genealogia biológica um elemento de identidade psíquica, identidade espiritual. O ser humano, quando tomado do sentimento, sentimento de ligação com Deus, que é a religiosidade, a religiosidade, religiosidade, né, no dizer de Emmanuel, é o sentimento divino, de vínculo, então, o ser humano, quando se apossa deste sentimento, vê em Deus uma paternidade ou maternidade, não importa, uma origem e se reconhece descendência. Então, esta palavra é muito forte, daí o nome Gênesis, daí o livro estar dividido em dez genealogias, daí a questão que nós estamos abordando neste episódio, que é a questão da descendência, porque, no fundo, estabelecer uma relação com Deus e um processo de comunhão com o divino é reconhecer-se descendência, reconhecer-se descendência e reconhecer-se descendência tem dois desdobramentos muito profundos.
Quando você reconhece descendência, primeiro, isso gera pertencimento, porque se eu sou descendência, os outros também são. Então, nós pertencemos. É a grande sensação de pertencimento humano que Jesus evoca quando diz Pai Nosso. Pai Nosso. O Nosso, aí, é este resgate do pertencimento humano. Eu encaro a humanidade como o meu grupo, como a minha genealogia, como meus pares, meus iguais. Mas, também, há Nessa ideia de genealogia, de descendência, uma outra, que é a de origem, porque, se eu sou descendência, então, eu sou imagem e semelhança.
Veja como é que isso é importante. O ser humano, a espécie humana, na qual encarnam Espíritos, já com a inteligência e o sentimento desenvolvidos o suficiente para reconhecer Deus, vê em si qualidades divinas. Então, é aqui que entra a odisseia bíblica. A odisseia bíblica porque o leão, o elefante, o cachorro se reconhece enquanto um ser orgânico biológico distinto. Ele se reconhece, mas, ele não é capaz de cogitar sobre qualidades divinas e sobre um Criador divino. Não é! Então, quando surge no horizonte da evolução espiritual o reconhecimento do Espírito de uma origem divina, concomitantemente surge nele a busca por fragmentos, pelo DNA, pelo seu DNA, mas, um DNA psíquico, espiritual.
Por isso, Emmanuel irá dizer no capítulo 30 do livro Fonte Viva também o Espírito imortal contém o gene da divindade. Estamos em Deus tanto quanto Deus está em nós. Olha que profunda esta mensagem. É um capítulo importantíssimo, o capítulo 30 do livro Fonte Viva, que se chama Educa. Também o Espírito eterno traz em si o gene da divindade. Estamos em Deus tanto quanto Deus está em nós. O que significa isto? Nós estamos em Deus no sentido de que Deus, com o fluido universal, com o fluido cósmico, que é o seu sensório, que é a sua força nervosa, ele abrange toda a criação.
Então, a criação está dentro, está imersa no seu fluido cósmico. Estamos em Deus, mas, este é um dos aspectos. Tem outro aspecto. Deus está em nós. Está em nós no sentido de que a nossa constituição psíquica e espiritual possui um DNA, um código genético. E, este código genético são as qualidades, os atributos de Deus, só que limitados. Enquanto Deus possui estes atributos num grau infinito, diz Kardec na questão número 13 do livro dos Espíritos, os Espíritos dizem a ele e ele comenta, enquanto Deus possui aqueles atributos num grau ilimitado, nós também possuímos mas num grau limitado.
Se amplia, se amplia, mas nunca fica ilimitado, mas temos a qualidade. E, este DNA, que é a nossa genealogia, é o que nos dá a identidade psíquica e espiritual e estabelece em nós valores, qualidades, potenciais que nos distingue nos distingue do envoltório corporal. Através do corpo, do envoltório corporal, nós participamos do biológico, do animal, do perecível, da vicissitude, daquilo que é temporário, impermanente, frágil, no entanto, em função deste DNA, que é divino, nós participamos dos atributos da divindade.
É importante pensarmos nisso, porque nós gostamos de admirar, por exemplo, os Espíritos extremamente superiores, nos esquecendo que um dia, num recuado passado, eles ocuparam o mesmo degrau evolutivo que nós ocupamos hoje, o mesmo degrau evolutivo. Então, ele conquistou atributos? Não, ele desenvolveu atributos, desenvolveu atributos. É isso que o livro está dizendo. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Imagem e semelhança de Deus. Semelhança porque não é igual. Então, onde que está a diferença? É que Deus possui estas qualidades num grau ilimitado, infinito.
Mas, nós possuímos. Então, vamos lá. Capacidade de amar, nós a possuímos num grau limitado e ela vai se desenvolvendo, mas sempre será limitada. Deus a possui num grau infinito e absoluto. Por isso, Ele é Deus. Mas, a qualidade está lá, porque nós somos Filhos. Por isso, o Salmo diz vós sois Deuses e Jesus retoma isso lá em João. Não está escrito vós sois Deuses? Então, Jesus fazendo referência ao Velho Testamento. Não está escrito vós sois Deuses? Com d minúsculo? Não é? O que isto quer dizer? Não é que nós somos Deus e vamos ter vários Deuses?
Não é isso, um Olimpo de Deus? Não. O melhor seria assim, vós sois divinos. Nós somos divinos. Por quê? Porque fomos gerados da divindade. Isto é muito bonito. É muito bonito isto. Então, é isto que o tema genealogia, inicialmente, quer propor. Enquanto todas as outras culturas do Oriente Médio descreviam o processo de formação do mundo e do cosmos a partir de uma perspectiva puramente física e biológica ou Conectando a Deuses e estabelecendo também uma genealogia de vários Deuses, aqui o monoteísmo hebreu liga a evolução a um Deus e estabelece este DNA divino que há no ser humano e em toda a criação, a marca da divindade em toda a criação e mostra este processo de genealogia.
Isto é muito incrível, não é? É uma visão muito sofisticada, muito sofisticada. Por isso, quando vem Jesus trazendo a mensagem do Evangelho, a mensagem do Evangelho é o quê? É uma mensagem que pode ser resumida em um ponto. Comunhão. A mensagem do Evangelho é no sentido de acenar para a realidade da existência de uma comunhão entre criatura e Criador. Reafirmar e desenvolver esta ideia, porque já havia uma ideia vaga no Velho Testamento desta possibilidade de comunhão, mas Jesus vem ampliá-la em um grau máximo. Ele vem dizer eu e o Pai somos um.
Então, ele vem dizer que o objetivo da criação, o objetivo da evolução é atingir este grau indescritível de comunhão com Deus. Grau indescritível de comunhão com Deus. Esta é a mensagem do Evangelho. É uma extraordinária é o resumo mais extraordinário, porque todos os problemas da evolução decorrem da perda de comunhão com Deus. E a solução de todos os desafios da evolução passam pelo aprimoramento, pelo incremento da comunhão com o Criador. Daí, o tema genealogia. Então, este é o primeiro, o elementar, o primordial aspecto.
Por isso, o primeiro mandamento amar a Deus sobre todas as coisas. Sobre todas as coisas. Que é o reconhecimento do nosso supremo pertencimento. É o reconhecimento daquela relação que, ainda que a gente se afaste de Deus, da parte dele nunca há um afastamento. E, ele nunca se torna ausente. Ele está sempre presente. Então, ele é a eterna presença. Ele é a eterna presença. Isto é fundamental. Mas, agora, tem um outro aspecto. Um outro aspecto fundamental, aqui. Muitos perguntam, assim, mas, poxa, qual a necessidade de a gente voltar aqui para o livro do Evangelho?
Para o livro do Gênesis, do Velho Testamento? Ficar estudando isso, não é? E, a gente não se cansa de repetir. Então, vamos lá. Digamos que fosse possível ficar apenas com o Novo Testamento. Apenas com o Evangelho, então. Até tirar o Novo Testamento, ficar só com o Evangelho. Aí, eu começo o Evangelho de Mateus. E, o Evangelho de Mateus começa com a genealogia. Quer dizer, o capítulo 1 do versículo 1 até o versículo 16 é uma lista genealógica. Onde Mateus tirou isso? Tirou do padrão do livro Gênesis. Ele fez a estrutura.
Ele foi lá, Ipsis Literis, buscou a estrutura. E, aí, ele diz assim, portanto, o total das gerações de Abraão até Davi, 14 gerações. De Davi até o exílio na Babilônia, 14 gerações. E, do exílio na Babilônia até Cristo, 14 gerações. Sete, sete, sete, sete, sete, sete. Não é interessante? Por quê? É sete mais sete. Sete mais sete. Sete mais sete. Então, o que significa isso? Que são seis sete. Seis vezes sete. Três vezes quatorze é igual a seis vezes sete. Seis é o número do homem. Então, eu tenho, até o Cristo, a saga humana, que é seis vezes sete.
É o seis, que é o dia em que o homem foi criado, no relato do Gênesis, e sete, que é a marca bíblica dos ciclos. Então, eu tenho seis setes. E, chega no Cristo, porque a partir do Cristo é o sétimo sete. É o sete. Se é o sete, já não é mais humano, já toca no divino. Então, é uma beleza isso, o simbolismo rico. Agora, como é que eu vou entender essa genealogia aqui sem voltar? Porque os nomes todos que estão citados aqui estão no Velho Testamento. Como é que eu vou estudar esse capítulo 1 de Mateus, aqui? Como é que eu faço?
Não tem como. Agora, o que que está dizendo esse capítulo? Porque diz assim, Abraão gerou Isaac, Isaac gerou Jacob, e interessante que Lucas também. Lucas também faz uma genealogia, só que ele remonta a Adão, porque ele estava sob a influência de Paulo. Então, ele pega uma outra estrutura, um outro olhar. Você está olhando para a mesma coisa, mas de outro ângulo. Então, Lucas olha de outro ângulo. Ele remonta a Adão. Certo! Porque Paulo vai dizer em Coríntios, o primeiro Adão, alma vivente, o primeiro Adão, o segundo Adão, chama Jesus de o segundo Adão.
Espírito que dá vida, o Espírito que vivifica, mostrando um novo patamar. Então, até aqui, eu estava em um patamar que era biológico. Com o Cristo, eu já penetrei nos arcanos da espiritualidade superior, nos máximos potenciais do Espírito, para que eles eclodam, para que a semente saia do solo e comece a a Crescer, florescer e frutificar. Ela sai do solo, sai da terra. É importante. E, qual o sentido desta lista aqui, com este tanto de personagens? Ora, cada personagem desta aqui, citada na genealogia de Jesus, tem uma história.
Tem um pai, tem uma mãe, tem uma esposa, um marido, uma família, nasceu numa época, num determinado contexto, viveu situações, viveu experiências. Não é só um nome. Este nome aqui evoca toda uma época, toda uma atmosfera, todo um conjunto de experiências. E, aí, cada vez que se acrescenta um nome numa genealogia, você está trazendo aquela experiência. Então, quando eu digo assim, Adão e Eva geraram Caim e Abel, Caim, quando eu falo Caim, eu estou evocando o quê? Eu estou evocando aquele agricultor que matou o irmão, que saiu da companhia dos pais, se casou, foi para um outro lugar, os seus filhos foram ferreiros, músicos, quer dizer, teve um desdobramento a partir daquele Caim.
Profissões, comunidades, ou seja, aquele formato psíquico e espiritual se desenvolveu ao longo de uma linha. E Abel? Abel tem toda a sua história, aí ele é assassinado, depois vem sete no lugar dele, aí depois vem a noite, então vai uma sequência e aí você tem uma linha de Abel, uma linha de Caim e outras linhas. Então, a genealogia ela dá uma perspectiva agora e agora nós vamos ter que ter atenção nisso aqui. É que a evolução na carne, o fato de encarnar não é um processo individual, não se dá num processo individual.
A encarnação é uma corrida com revezamento. Todo mundo lembra lá do Boltz, não é? O Usain Bolt lá na corrida quatro por quatro, quatro de revezamento, quatro. Então, eram duzentos metros, não é? Duzentos? É, duzentos. Ok, mas você estabelece lá um espaço que sem medo é duzentos metros, tem quatro corredores, ou pode ter mais, mas no caso da Olimpíada eram quatro. Então, cada um ficava posicionado num determinado marco espacial. Então, o primeiro vinha e corria, ele tinha que fazer o seu percurso, o seu trecho e entregar o bastão para o outro, que pegava daquele ponto, o mais rápido possível, dava sequência, o outro pegava até concluir.
Então, quatro por cem, quatro por cem, então é cem metros dividido por quatro, cada um corre aí vinte e cinco metros. O que que é a evolução biológica na Terra? É isso, é isso. Só que com um detalhe, hoje você está entregando a tocha para daqui cem anos você pegá-la de novo, o bastão. Você está entregando para alguém agora, daqui a pouquinho lá na frente é você que vai voltar a pegar o bastão. E, Naquele grupo que você entregou, não raro, com raras exceções, naquele grupo que você entregou. Então, o que que isso significa?
Que os Espíritos se agrupam segundo afinidades psíquicas, espirituais, psicológicas. Espirituais, psíquicas e psicológicas. Eles se agrupam e eles vão ali, um entregando o bastão para o outro e se relacionando. Então, se você pega todo o conjunto de encarnações ocorridos na Terra, desde o surgimento da espécie humana até hoje, e hoje num ritmo frenético, porque nós temos quase oito bilhões de pessoas gerando outras, então o revezamento aí não é quatro por cem, é oito bilhões por cem. Então, você corre aí o que? 50, 60, 70 anos, 80 e entrega o bastão.
Daqui a pouco, você está de novo voltando e pegando o bastão. Esse é o sentido aqui da genealogia. Esse é o sentido. O sentido de uma construção que é conjunta, que é coletiva, que é comunitária. E isso é muito importante, porque hoje nós vivemos uma transição planetária e num período de evolução social da Terra, em que foi inculcado na nossa mente um paradigma infantilmente individualista. Infantil? Individualista. Por que infantil? Porque você não se constitui, sequer se constitui sem a presença dos outros. Querem ver uma coisa?
Você pegar um bebê e deixar ele nos primeiros 14 anos de vida sem nenhum contato com outro ser humano. Ele vai falar o que? Não vai falar nada. Não vai falar. Porque nós nos constituímos, aprendemos a falar, agimos, no contato com o outro que eu me defino, que eu me construo, que é bonito. Os africanos, não todos, mas, uma parte da África chama isto de Ubuntu. Ubuntu. Eu só sou porque você é. Eu só sou porque você é. Os poetas são incríveis, não é? O Fernando Brandt, o compositor, ele tem uma letra que é linda, está até em uma música do Glasson, que é Lugarzinho, o povo do Lugarzinho.
Ele diz assim, Esse povo vive em mim onde eu estiver. Esse povo vive em mim onde eu estiver. Então, você vai, você muda, porque não é lugar, não é lugar, é o que te gerou, é o que te constituiu, está ali em você. E, o Gabriel Garcia Marques, grande colombiano, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, escreveu, você não pertence a nenhum lugar até enterrar alguém que você ama. Forte, não é? A hora que você enterra alguém que você ama, aí você passa a pertencer àquele lugar, àquele lugar. Então, isso tem um aspecto profundo aqui da evolução, profundo.
Então, quando nós dizemos assim, poxa, eu estou fazendo pelo coletivo, pelo coletivo, será? Será? Não. Nós estamos aqui contribuindo, fazendo alguma coisa para a sociedade? Eu estou fazendo por mim. Porque, depois, quem vai pegar esse bastão sou eu. Sou eu. Eu que vou pegar o bastão. O que eu construí agora, o que eu contribuí, vai ser piso para lá na frente para eu poder correr. E assim que a gente avança. Aí, o sentido da genealogia. Então, a beleza que Jesus quis que isso aqui fosse narrado. Olha que lindo isso.
Então, Jesus quis dizer assim, peguei o bastão. Mas, olha, não esqueça não, não esqueça por onde que esse bastão veio não. Chegou. Agora, eu vou levá-lo. Aí, também, meu Deus do Céu. Aí, ele levou o bastão. Oh, meu Deus! Levou esse bastão para tão longe. Vamos ter que rebolar para poder pegar o bastão de volta. Porque, aí, ele foi longe. Então, eu me lembro aqui do Dostoyevsky, Dostoyevsky, Os Irmãos Karamazovsky. E, Tem um trecho lá dos Irmãos Karamazovsky, que ele, os irmãos contam uma história. É uma história, é um conto, não é uma história verdadeira de que Jesus tinha voltado à Terra.
Esse é o que está lá. É um interlúdio. Então, a história está correndo, eles contam essa história no meio. Olha a inteligência do Dostoyevsky. Jesus tinha voltado e todo mundo reconheceu que era ele mesmo. A túnica, as marcas na mão, ele começou a fazer as curas, os milagres, tudo de novo. E, todos estavam falando que era Jesus mesmo, todo mundo reconheceu. Aí, veio o inquisidor e prendeu Jesus. E, Jesus não falou nada. Não se defendeu, nada. Foi preso. E, aí, o inquisidor chegou pra ele e falou assim, ó Jesus, eu sei que é você.
Eu sei que você é Jesus. Não tem dúvida nenhuma de que é você, que você voltou. Agora, deixa eu te explicar porque eu te prendi. É porque é o seguinte, olha só, você fundou uma religião que é muito sofisticada. É um negócio para poucos, porque ela dá muita autonomia. Então, nós, aqui da Igreja, fizemos uma religião que é menor do que a sua, mas é mais adequada, porque atende a massa. Ela dá menos autonomia. Então, é isso. Mas, o bonito aqui é que Jesus quer salientar, no seu Evangelho, esse processo da evolução em que nós vamos colaborando.
Ou seja, é quando Emmanuel diz assim o homem é herdeiro do homem. Eu estou me referindo ao encarnado. Nós, encarnados, somos herdeiros dos encarnados. Nós estamos hoje neste ponto por causa dos que nos antecederam. Daí, a constelação familiar vem e diz assim, respeita quem veio antes, respeita este processo, porque ele é divino. Mas, mais do que isso, se nós queremos algo, precisamos fazer o máximo agora, para entregar para esta nova geração, para que ela faça o máximo e, quando a gente voltar lá, a gente vai receber da próxima.
O que nós estivermos entregando agora, parte disso nós vamos receber. Parte disso nós vamos receber. É um aspecto da justiça coletiva. Por isso que os Espíritos falam em débito coletivo. Existe o débito individual, que são aqueles elementos que dizem respeito à sua vida pessoal, a como você se estruturou. Mas, existe o que é coletivo, que é este processo aqui de descendência. O que que nós esta geração nossa está entregando? O que que nós estamos entregando? Que conceitos? Que paradigmas? Que concepções? O que que nós estamos construindo?
Essa é a grande questão do ambientalismo, do direito ambiental e das questões ambientais. Que planeta nós vamos entregar para os nossos filhos? O que que eles vão receber? O que que eles vão entregar para os filhos deles? Vão entregar o que? Essa é a porque está em cheque. Está em cheque. Tem algumas nações do mundo que se todos os outros países tivessem o mesmo padrão de consumo que algumas nações do mundo você precisaria de oito planetas Terra para dar conta. Tamanho o grau predatório com o que nós estamos vivendo na Terra.
Nós nos tornamos predadores. Estamos destruindo tudo para não sobrar nada para nós. São os grandes questionamentos. As grandes questões aqui que essa genealogia nos traz. Nos traz. Então, dois elementos. E, agora, um terceiro. Eu vou só acenar e nós vamos desenvolver no próximo episódio. Livro de Gênesis 10 Genealogias 10 Genealogias E, aí, eu vou ter que entrar aqui no simbolismo numérico. Quando eu falo em coletivo Vamos lá, vamos para a gente entender os números. Quando eu falo em ciclo, ciclo, tempo, tempo, eu falo sete.
São ciclos setenários. Que é como que a evolução se processa no tempo. Então, vamos gravar. Tempo, ciclo, temporal, sete. Agora, esquece isso. Esquece isso. Vamos falar de outra coisa. Agora, vamos falar de estrutura humana, comunidade humana, processo coletivo humano. Qual que é o símbolo da perfeição? Porque, quando eu refiro a tempo, qual que é a perfeição dos ciclos? É o sete. Mas, aí é tempo. Agora, não. Agora, eu estou falando de comunidade. Qual que é a perfeição? Doze. Então, quando eu falo de organização, de estruturação coletiva, comunitária, é doze.
Por isso, doze tribos, doze apóstolos. Perfeito? Perfeito. Se o doze é a estrutura comunitária, é saudável, íntegra, harmonizada, dinamicamente harmonizada, que ela está ali operando como um organismo, o doze, como que eu expresso desagregação social, desagregação comunitária, rompimento, ruptura e perecimento. Porque, um organismo, se eu rompo, eu pereço. Qual que é o símbolo do rompimento? Está na história. Doze tribos, teve uma rebelião, dez se tornaram rebeldes e desestruturaram o processo das doze tribos. Então, dez é o símbolo da rebelião, da desagregação, da perda de unidade, da perda de equilíbrio dinâmico.
Esta é a simbologia. Então, Gênesis está dividido em dez genealogias. Entenderam? Por quê? Porque é o símbolo da desagregação, da progressão do mal, da multiplicação do mal e do crime na Terra. Portanto, da desagregação comunitária. Porque, um indivíduo se desagrega, aí o outro copia, o processo se multiplica e ele vira coletivo, que é o que nós estamos vivendo hoje. Está chegando aos máximos graus do coletivo. Este processo de desagregação é o dez. No próximo episódio, nós vamos falar nesse sentido do papel agregador de Jesus, daquele que vem para curar, do médico, que vem para restaurar, daquele que vem para restabelecer a unidade, a agregação, o equilíbrio dinâmico, que é o doze.
Até lá! Então, o experimento é algo feito, que pode ser reproduzido por qualquer pessoa. Você estabelece lá os padrões que foram feitos no experimento e dali você extrai uma teoria realmente científica que foi submetida ao experimento. Essa é a primeira característica. Segunda característica.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
Respostas