#073 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio do estudo do Livro Gênesis, Haroldo Dutra Dias aprofunda a discussão sobre a genealogia bíblica e a importância de compreender a linguagem utilizada nas escrituras. O estudo, à luz da Doutrina Espírita, busca desmistificar interpretações literais e convida à reflexão sobre os símbolos e alegorias presentes no Velho Testamento.

O que é estudado neste episódio

  • A Linguagem Bíblica e suas Interpretações: Haroldo Dutra Dias inicia o estudo abordando a distinção entre a linguagem científico-filosófica e a linguagem religiosa-simbólica da Bíblia. Ele destaca que muitos equívocos na compreensão das escrituras surgem da mistura dessas linguagens.
  • Questões 50 e 51 de “O Livro dos Espíritos”: O estudo se aprofunda na análise dessas questões, que tratam do povoamento da Terra e da figura de Adão. A questão 50, “A espécie humana começou por um único homem?”, é respondida pelos Espíritos na linguagem científico-filosófica, afirmando que Adão não foi o primeiro nem o único. Já a questão 51, “Poderemos saber em que época viveu Adão?”, é respondida na linguagem simbólica-bíblica, indicando aproximadamente 4.000 anos antes de Cristo, baseada em cálculos de hermenêutica bíblica.
  • A “Virose do Literalismo”: É apresentada a ideia de que a interpretação literal da Bíblia é uma “virose” que leva ao fanatismo e ao fundamentalismo, seja para atacar a Bíblia por supostos “erros científicos” ou para defendê-la cegamente. A “vacina antiliteralismo” é proposta como ferramenta para uma compreensão mais profunda e espiritual.
  • A Lógica da Linguagem Simbólica: O estudo explora a lógica interna da linguagem simbólica religiosa, exemplificando com as idades dos personagens bíblicos e a cronologia da “semana adâmica” (7.000 anos), que representa ciclos de evolução.
  • A Genealogia de Adão a Noé e de Noé a Abraão: São analisadas as dez gerações de Adão a Noé, que culminam no dilúvio, e as dez gerações de Noé a Abraão, que marcam o início de uma nova era monoteísta. O número dez é destacado como um elemento simbólico de rebelião e separatismo em contextos proféticos.
  • A Genealogia de Jesus nos Evangelhos: É explicado que as genealogias de Jesus em Mateus e Lucas não são meros registros históricos, mas sim narrativas simbólicas que conectam Jesus a ciclos evolutivos e o apresentam como o “novo Adão”, o homem da nova era.
  • A Nota de Kardec na Questão 51: A nota de Kardec é analisada, mostrando como ele concilia as perspectivas científica e simbólica sobre Adão, reconhecendo-o como um mito ou alegoria que personifica as primeiras idades do mundo.
  • A Semana Milenar e o Mundo de Regeneração: O conceito da “semana milenar” (7.000 anos) é aprofundado, com a Terra passando por um “grande Shabbat” de regeneração, que é uma transição para um mundo de provas e expiações, e não um ponto final.

Reflexões

  • A compreensão da linguagem simbólica da Bíblia é fundamental para extrair o “Espírito da letra” e evitar interpretações equivocadas que geram fanatismo ou negação.
  • A Doutrina Espírita, ao conciliar ciência e religião, oferece um valioso suporte para interpretar as escrituras, revelando a profundidade dos ensinamentos morais e espirituais contidos nas alegorias bíblicas.
  • A evolução da humanidade, conforme descrito nas genealogias e ciclos bíblicos, reflete um processo contínuo de aprendizado e aprimoramento espiritual, culminando na era de regeneração como um período de convalescença e preparação para futuros estágios evolutivos.

Ler transcrição do episódio

Obrigado por assistir! Olá, amigos! Estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, do Velho Testamento, A Luz da Doutrina Espírita. E hoje, dando continuidade, de certo modo, abrindo uma página paralela nos temas que estamos estudando ao longo destes episódios, hoje queremos falar sobre genealogia. E, por trás deste tema, genealogia bíblica, que nós já abordamos aqui muitas vezes, demos uma visão panorâmica, hoje nós queremos abordar um tema que está por trás dos símbolos bíblicos, incluindo a genealogia, que é a linguagem, linguagem bíblica.

E, para começar a nossa reflexão, eu vou citar uma questão do livro dos Espíritos. Nós temos aqui a questão cinquenta e a questão cinquenta e um do livro dos Espíritos. Ambas as questões estão em uma parte importantíssima do livro dos Espíritos, que é o capítulo três. O capítulo três recebeu o título, por Kardec, de Criação. Criação, em português, remete ao termo grego Gênesis, Gênesis, e ao livro Bereshit, do hebraico, que se refere a Gênesis. Então, a gente percebe que o capítulo três do livro dos Espíritos, ele vai tratar desses temas que nós estamos abordando aqui, direta ou indiretamente.

Olhem os itens desse capítulo três do livro dos Espíritos. Formação dos mundos, formação dos seres vivos, povoamento da terra, Adão, diversidade das raças humanas, pluralidade dos mundos, considerações e concordâncias bíblicas referentes à criação. Então, aqui nós gostaríamos de iniciar pela primeira dúvida. Muitas pessoas se aproximam de mim ou de outros que participam deste projeto e perguntam por que estudar o livro Gênesis de Moisés, a Lua da Doutrina Espírita? Ora, nós acreditamos que a resposta já está aqui, nesse último item do capítulo três do livro dos Espíritos.

Considerações e concordâncias bíblicas referentes à criação. Então, o próprio Kardec fez questão de mesclar na sua abordagem do tema criação, a luz do Espiritismo, com a ajuda dos Espíritos superiores, fez questão de mesclar as grandes indagações da Bíblia, as histórias, a abordagem, a linguagem bíblica a respeito do assunto e utilizou esses conhecimentos e aquilo que os Espíritos lhe revelaram como uma base, como um suporte para a interpretação do texto bíblico, com a finalidade de erradicar dessas interpretações os equívocos que foram se acumulando ao longo dos séculos.

O texto permaneceu praticamente invariável, mas as interpretações foram se alterando e foram acumulando erros, acumulando equívocos, ingenuidades, às vezes, disparates e absurdos. Então, os grandes problemas da Bíblia, nós costumamos dizer, não está na Bíblia, está nos intérpretes, na herança interpretativa. E, a maioria das pessoas, quando aponta erros na Bíblia, sem o perceberem, estão falando de erros de interpretação e não de erros do texto, não de problemas do texto em si. Há alguns problemas do texto, mas eles são mínimos e são problemas que podem ser explicados pelo processo de transmissão dos manuscritos, pela cultura da época, é compreensível, é identificável e não não causa nenhum grande transtorno na apreensão da mensagem espiritual do texto bíblico.

Os equívocos maiores, os equívocos mais graves, eu diria mesmo equívocos impeditivos, equívocos que impedem retirar o Espírito da letra, estão nas interpretações, nos padrões interpretativos, que é muito mais do que uma interpretação. Determinadas correntes interpretativas da Bíblia estabeleceram padrões de interpretação, uma espécie de franquia, como as franquias que nós conhecemos e elas entregam para as pessoas esses padrões interpretativos de modo que o indivíduo não consegue sair daquele circuito, ele não consegue sair daquelas limitações do padrão interpretativo.

Por mais triste que pareça, esses padrões interpretativos estão de tal forma incrustados na memória espiritual das pessoas, dos encarnados, que mesmo os Espíritas, banhados aí com as claridades do Consolador Prometido, chegam ao texto bíblico com esses padrões e reproduzem interpretações equivocadas, milenares, sem perceberem que estão reproduzindo. Entram em luta, discutem, atacam, acreditando que estão aclarando o texto bíblico, na verdade, eles estão em luta com interpretações equivocadas. Então, esse é um cuidado que precisamos ter.

E, ao longo do nosso estudo de Gênesis, do livro Gênesis, de Moisés, nós buscamos, aqui, afastar esses equívocos daquilo que nos é possível, porque alguns equívocos nós também temos e sequer percebemos que temos. Mas, estudando juntos, um grupo de pessoas estudando, nós vamos aprendendo uns com os outros. Todos aqui estamos aprendendo, aqui é um grupo de alunos, os professores estão no mundo espiritual, nós somos alunos, estamos aprendendo juntos, crescendo com o estudo. Desde o primeiro episódio que nós gravamos, eu tenho aprendido muito, tenho enriquecido muito com as sugestões, com as perguntas, com as oposições, com as críticas e nós vamos aperfeiçoando.

E, esse é o processo de aprendizado, ninguém estuda porque já sabe, todos estudam porque querem aprender, querem aprimorar. Estamos todos aqui aperfeiçoando os nossos recursos interpretativos. Mas, olha que coisa interessante, aqui eu queria ressaltar um ponto que é fundamental. Digamos que você esteja em um congresso, um congresso internacional e que você saiba falar português e saiba falar inglês. Então, você encontra uma pessoa com um brasileiro e você fala português. Daí, em 30 segundos, você encontra com um americano e começa a falar inglês.

O que ocorreu? Você mudou a linguagem. Não é uma mudança simples, é uma mudança significativa porque nós sabemos que o inglês possui uma estrutura enquanto língua possui uma estrutura muito diferente da nossa. Dando um exemplo bem simples, o adjetivo em inglês vem antes do substantivo, geralmente, em português, o adjetivo vem depois do substantivo. Embora, esta seja uma mudança muito pequena, ela é importante ao se comunicar. Mas, há mudanças ainda mais radicais na sintaxe, na estrutura da língua, na conjugação dos verbos, nos tempos verbais.

É uma outra linguagem. Os programadores de computador sabem muito bem o que significa isso. Eles programam, às vezes, em linguagens diferentes. O ato de programar é o mesmo, mas as linguagens mudam e, aí, os recursos para construir programas, para construir aplicativos mudam em função da linguagem utilizada. Então, aqui na questão 50, nós vamos detectar uma linguagem e, na questão 51, outra linguagem. Vamos ver este fenômeno. A questão 51 e 50 estão no item povoamento da Terra, Adão. Então, Kardec pergunta aos Espíritos, a espécie humana começou por um único homem?

Esta é a pergunta de Kardec. A espécie humana, todos os habitantes da Terra, todas as diversas etnias chinesa, europeia, iraniana, brasileira, indígena, africana, todos começaram em um único homem? Então, percebe-se, aqui, qual a linguagem utilizada por Kardec. Que linguagem é esta aqui? Esta aqui é a linguagem científico-filosófica. É uma linguagem. Esta linguagem possui suas regras, possui seus parâmetros, seus métodos de raciocínio. Os Espíritos, entendendo que Kardec se utilizava de uma linguagem científico-filosófica, respondem na mesma linguagem, na mesma linguagem.

Respondem a ele. Não! Aquele, a quem chamais Adão, não foi o primeiro, nem o único a povoar a Terra. Então, esta é uma resposta na linguagem científico-filosófica. É uma reflexão científica e, ao mesmo tempo, filosófica. Então, o que está dizendo aqui? Numa linguagem antropológica, histórica, sociológica, está dizendo Adão não foi o primeiro homem, não foi o primeiro homem. Então, o estudo da evolução, o estudo da antropologia já nos demonstrou isso. A arqueologia, com a descoberta dos fósseis, já nos demonstrou isso.

Adão não é O primeiro homem. Também não é o único, também não é o único. No estudo da evolução das espécies, nós temos populações, não indivíduos. Então, você tem uma população que é substituída por uma outra população, que é substituída por uma outra população, através dos processos de evolução da forma física, através dos processos de evolução do Espírito em si. Isso já tinha sido esclarecido e seria esclarecido nas demais questões posteriores a esta. Então, aqui está na linguagem científico-filosófica. A resposta está dada, ok.

Encerrou o tema? Esgotou o tema? Não. Porque, agora, o que Kardec vai fazer? Vai mudar de linguagem. Então, ele estava falando inglês ou português e, agora, ele muda, muda a linguagem. Agora, começa a falar chinês, japonês, mudou a linguagem. E, é a questão 51. Poderemos saber em que época viveu Adão? Então, não se iluda. Pela resposta, pela resposta, nós vamos dizer pela resposta, os Espíritos captaram que houve uma mudança de linguagem. Kardec parou de falar o francês, passou a falar chinês, japonês, só para a gente ter uma ideia.

E, deram uma resposta curiosíssima. Olha a resposta. Mais ou menos naquileia assinalaes, ou seja, mais ou menos na época quileia assinalaes, cerca de 4.000 anos antes de Cristo. Como, como obter esta data? Porque, o que os Espíritos estão dizendo é o seguinte, ora, o cálculo que vocês fizeram aí está mais ou menos correto. Adão, de fato, viveu 4.000 anos antes de Cristo. Mas, que história é essa se Adão não foi o único homem? Não foi o primeiro? Que história é essa? Adão existe? Então, se você me pergunta assim, Adão existiu?

A primeira pergunta que eu vou te fazer é você está me fazendo esta pergunta, em que língua? Na linguagem científico-filosófica ou na linguagem religiosa bíblica? Numa linguagem de hermenêutica bíblica, de interpretação bíblica, ou seja, em uma linguagem metafórica, metafórica, ou você está me perguntando isso em uma linguagem científico-filosófica? Esse é o ponto, esse é o ponto. Em uma linguagem metafórica, simbólica, portanto, religiosa, porque toda a linguagem do Velho Testamento é uma linguagem oriental, religiosa, evocativa, que exige interpretação.

Então, você precisa mudar de linguagem. Os Espíritos disseram 4.000 anos, mas, que cálculo é esse? Que cálculo é esse? Esse é um cálculo não científico-filosófico, esse é um cálculo de hermenêutica bíblica, é um cálculo de interpretação bíblica. Então, pessoal, qual é o problema grave aqui? O problema grave é quando você mistura linguagens. Quando você mistura linguagens, e isso foi feito ao longo dos séculos, por exemplo, Galileu, utilizando a linguagem científico-filosófica, propôs, propôs que o sistema heliocêntrico era superior ao sistema ptolomaico, ou seja, não era o Sol e as estrelas que giravam em torno da Terra, mas sim a Terra que girava em torno do Sol.

Essa foi a proposta de Galileu, porque Galileu inaugurava uma nova era na evolução humana, em que a linguagem científico-filosófica ganharia uma predominância e, junto com ela, a linguagem e os recursos da tecnologia. Então, ele estava falando de uma linguagem. Os religiosos da época, sem perceberem essa diferença e porque eram fanáticos, fundamentalistas e interpretavam o texto literalmente, portanto, acreditavam que o texto bíblico está escrito em uma linguagem científica descritiva, olha só, acreditavam que o texto bíblico descrevia a realidade.

Quase condenaram Galileu à morte. Galileu teve que recuar um pouco para continuar fazendo as pesquisas, não ser condenado à morte. Então, o mundo viveu gradativamente a percepção de que era necessário separar a linguagem, que a realidade é tão infinita que nenhum de nós pode abarcar a realidade com o pensamento. A realidade é infinita, ela não cabe no pensamento. Então, nós podemos abordar a realidade com linguagens diferentes e essas linguagens são complementares. A linguagem religiosa, mítica, simbólica, nos faculta aprender a realidade por um outro prismo.

Ela evoca, evoca elementos da realidade que são diferentes daqueles que a linguagem científico-filosófica faz, porque a linguagem científica é uma linguagem que procura mais descrever, quantificar. Aliás, aquilo que não é quantificável, que não pode ser medido e comparado, medição, não faz parte do escopo da ciência. Ela se autolimita e evita abordar. Isso. A filosofia quer descrever mais uma visão mais unicista, ela quer enxergar o todo, quer estabelecer relações de causa e efeito, portanto, trata-se de uma abordagem mais qualitativa.

Enquanto a ciência tem uma abordagem predominantemente quantitativa, a filosofia tem uma abordagem predominantemente qualitativa. A religião, a linguagem religiosa, melhor dizendo, não a religião, não é por isso que você vai confundir religião com as religiões do mundo, as igrejas, o tempo, não tem nada disso. Nós não estamos falando disso, estamos falando da linguagem religiosa, da linguagem mítica, simbólica. Essa é uma linguagem da psiquê, é uma linguagem do inconsciente, é uma linguagem que evoca valores. Ela está em busca de sentimentos, de percepções, de apreensões daquilo que eu apreendo, daquilo que eu sinto, daquilo que o mundo provoca em mim.

Então, é outra linguagem. E, aqui, houve uma mudança da questão 50 para a questão 51. Misturar isso é regredir a Idade Média. Há uma época primitiva do raciocínio em que nós éramos absolutamente fanáticos e fundamentalistas. Querer misturar essas linguagens é regredir a essa época, que é algo que nós estamos procurando evitar a todo custo. Então, esse é um ponto tão fundamental porque, frequentemente, eu recebo material assim O cientista fulano de tal vai explicar a abertura do Mar Vermelho. Então, eu tenho vontade de rir.

É vontade de rir. Por quê? O sujeito que se dá o trabalho de fazer uma investigação científica para ver como o Mar Vermelho abriu, ele misturou a linguagem. Percebe? Ele misturou tudo. Ele, de fato, acredita que o texto que descreve a abertura do Mar Vermelho e a passagem do povo hebreu é um texto que está na linguagem científico-filosófica, mas não está. Não está. Esse texto está na linguagem simbólica, na linguagem da parábola. Então, você imaginar o seguinte, eu vou descobrir, agora, eu vou fazer uma pesquisa biológica para saber que de que espécie era a mula de Balaão, a mula que conversou com Balaão, para saber se nós temos uma espécie biológica de mulas que falam.

Percebeu? Percebeu? Então, há um texto, no Velho Testamento, da mula de Balaão que conversa com ele, inclusive, uma profecia, quase que uma profecia para o Balaão. Então, você acredita que mula fala? Que mula conversa? Então, é óbvio que o texto foi construído em outra linguagem, na linguagem simbólica, na linguagem da parábola. É outro universo, é o universo religioso. É o universo da evocação de sentimentos, da transmissão de valores morais através de textos. Percebe? Não é uma descrição científico-filosófica. Então, você fazer uma investigação biológica para saber se existiu alguma mula que fala já começou errado, porque você está partindo do pressuposto que esse texto é literal.

Então, eu fazer uma investigação científica se o Mar Vermelho abriu, eu estou partindo do pressuposto de que a descrição, de que o texto do Mar Vermelho é literal. Percebe? É interessante porque se Kardec pergunta em que época viveu Adão, se você leva isso em uma linguagem científica, os Espíritos vão dizer não, ele viveu no ano tal, do Paleolítico, não, isso é linguagem científica filosófica. Aqui, os Espíritos perceberam e cambiaram, mudaram, mudaram a linguagem, transformaram agora, na época da Sena Lais, quatro mil anos antes de Cristo.

Então, voltaram para uma lógica da linguagem bíblica. Qual é a lógica dessa linguagem bíblica? Ela tem uma lógica? Ela tem uma lógica. Ela tem uma lógica. Tem uma lógica. Da mesma maneira que a linguagem filosófica tem sua lógica própria, a linguagem científica tem sua lógica própria, vamos imaginar, há um texto excepcional do professor Chibene da Unicamp e ele diz, qual é a característica da ciência hoje? Primeiro, experimentação. A característica básica da ciência é a experimentação. Ela faz experimentos que possam ser reproduzidos em qualquer lugar do mundo.

O experimento, eu preciso experimentar. É o que distingue ter uma proposta, uma teoria do experimento. Então, o experimento é algo feito que pode ser reproduzido por qualquer pessoa. Você estabelece lá os padrões que foram feitos no experimento e dali você extrai uma teoria realmente científica que foi submetida ao experimento. Essa é a primeira característica. A segunda característica é a matematização. Ou seja, a lógica da ciência é a lógica matemática. A ciência expressa suas conclusões, suas premissas, suas propostas em uma linguagem matemática.

Então, há uma lógica matemática. Eu não posso apresentar uma teoria científica que fira os axiomas da matemática, que subverta. Eu posso até desenvolver a matemática e fazê-la dar um passo adiante. Nós tivemos isso. A geometria, por exemplo, a teoria da relatividade utiliza uma geometria que não é a geometria de Euclides, é uma outra geometria. Mas, essa geometria tem uma lógica. Então, quem desenvolveu essa geometria, desenvolveu axiomas e parâmetros, definiu aquilo. Então, Einstein utilizou-se desse arsenal lógico, matemático e desenvolveu a teoria da relatividade.

Então, há uma lógica, há uma linguagem. A linguagem filosófica também tem sua lógica. E, a linguagem simbólica religiosa também tem sua lógica. E, onde está essa lógica? No próprio texto. A lógica está no próprio texto. Então, nós já tínhamos apresentado esse gráfico aqui, que é um gráfico que nós já tínhamos mostrado, antes, um gráfico obtido na sinagoga, em que os judeus tratam da criação do universo, que não está no texto bíblico. Então, para explicar a criação do universo, os judeus desenvolveram a Kabbalah ou Kabbalah, em português, em hebraico, Kabbalah e A partir do texto bíblico e, a partir da Kabbalah, eles fazem um processo interpretativo e desenvolvem, aí, uma cronologia dos acontecimentos bíblicos até o momento que nós estamos vivendo agora, que é da vinda do Messias para eles ou da era messiânica, que nós chamamos de entrada no mundo de regeneração.

Então, aqui tem uma lógica. Qual é a lógica deste gráfico? Qual é a lógica deste gráfico? A lógica deste gráfico, aqui, é a lógica do texto bíblico. Nada que está aqui está fora do texto e tudo que está aqui tem uma base no texto. Então, para se determinar em que época viveu Adão, o que você faz? Você soma quantos anos viveu Adão, qual foi o filho dele, quantos anos viveu, e vai somando, vai somando e vai perceber que quando você chegar em Jesus, mais ou menos, nós tivemos de Jesus a Adão quatro mil anos. De Jesus a Transição planetária, aproximadamente dois mil anos.

Da transição planetária a concretização, concretização total da regeneração, mais mil anos. Então, nós temos quatro mil, dois mil, mil, quatro mais dois mais mil dá sete, sete mil. Sete mil é uma semana em hebraico, uma shavua. Então, essa é a semana milenar ou semana adâmica. Então, nós tivemos a primeira geração de homens, que é Adão, que já explicamos aqui, Adão representa uma geração de seres humanos que são os seres humanos desconectados de Deus. Iniciou-se o plantio, com a vinda do Cristo, de uma nova geração de seres humanos, por isso ele é tipo, por isso Jesus é modelo, porque ele é, na linguagem de Paulo em Coríntios, o novo Adão, o novo Adão, o novo homem, o homem absolutamente em conexão com Deus.

Então, a semana adâmica finda com esses mil anos de transição e mundo de regeneração, que Kardec afirma, isso é importante resgatar no texto de Kardec, que o mundo de regeneração é uma transição do mundo de expiação e prova para o mundo de todos. Quer dizer, o objetivo é o mundo de todos. Então, nós temos aí o mundo de regeneração que é uma transição. Há muita gente que acredita que o mundo de regeneração é uma chegada. Não, é uma transição. Tanto que Kardec utiliza uma metáfora incrível. O mundo de regeneração, os Espíritos utilizam, o mundo de regeneração é o mundo de convalescentes.

Há, existe ainda o mal mas, os seres estão já saturados do mal. Então, é como alguém que passou por uma cirurgia em que o mal foi erradicado, o câncer foi erradicado, há um risco dele voltar e eles estão em tratamento, fazendo de tudo para que não volte. Isso é o mundo de regeneração. Na linguagem bíblica, isso dura mil anos. Na linguagem bíblica, que o Apocalipse vai utilizar essa linguagem aqui, sete mil anos, uma semana. Uma semana. É o que está na segunda carta de Pedro, capítulo 2, versículo 3, sabendo primeiramente isso, que para o Senhor, mil dias é como um ano e um dia é como mil anos.

Uma semana, sete dias, um dia é como mil anos, sete mil anos. Sete mil anos. Então, está aí a lógica. Então, esse quadro aqui da sinagoga tem toda a história bíblica, toda a história bíblica narrada da perspectiva das idades. Então, o que nós estamos querendo comentar aqui é por que o texto bíblico apresenta idades. Adão viveu tantos anos e viveu muitas centenas de anos. E, aí, o que acontece? Acontece aquele problema de sempre. Eu vou ter que dar um nome para esse problema, para a gente já identificar. É como se fosse um vírus que ataca todos nós.

Todos nós estamos sujeitos a pegar essa virose, que é a virose do literalismo. O que é a virose do literalismo? Nossa, mas Adão viveu centenas de anos. Como é que um homem pode… ou seja, eu estou confundindo linguagem simbólica bíblica com linguagem científica. Então, é óbvio que ao descrever os anos que viveu Adão, a descrição é simbólica e está se referindo a ciclos, a um período da humanidade de tanto a tanto, em que vigorou uma mentalidade, uma mentalidade. É assim que nós dizemos, a Idade Moderna, a Pós-Modernidade.

Então, do ponto de vista histórico, o que que nós estamos querendo dizer com isso? Que, na época moderna, na Revolução Industrial, vigorou uma mentalidade, na Pós-Modernidade, agora, vigorou uma outra mentalidade, valores, princípios, costumes sociais, práticas econômicas, etc, etc, etc. Mentalidade. Por isso que você diz assim a Idade Média durou tanto tempo, o Iluminismo durou tanto tempo, a Era Moderna durou tanto tempo, a Pós-Modernidade se iniciou. É isso. Só que tudo isso está descrito, aqui, no texto bíblico, na linguagem simbólica bíblica.

Mas, aí, vem o vírus, pega a pessoa, ela contrai a virose do literalismo e começa a interpretar isso como se fosse descrição científica da realidade. E, daí, depois que você pegou a virose do literalismo, qual que é a evolução da doença? Fanatismo e fundamentalismo. Fanatismo e fundamentalismo, depois que você pegou a virose. Por quê? A virose do literalismo, ela leva dois caminhos. Ou você, agora, vira um guerreiro da ciência que quer destruir a Bíblia e mostrar todos os erros científicos que tem na Bíblia, como se a Bíblia tivesse sido escrita na linguagem científica.

Pegou a virose do literalismo. Onde está o equívoco? O equívoco está na interpretação literal da Bíblia. A pessoa acredita que a Bíblia é literal. Então, ele se transforma em um pseudo-defensor da verdade e da ciência e vai atacar e mostrar todos os equívocos da Bíblia. Esse é um grau máximo da doença. Mas, tem outro. A pessoa que contrai o vírus do literalismo e, aí, se transforma em um defensor da Bíblia. Esse é o fundamentalista, o fanático, que pode chegar no grau máximo que é do homem-bomba, da pessoa que pratica atentados, mata centenas de pessoas para defender o texto sagrado.

Então, é o mesmo extremo. O que quer desmontar o texto e o que quer salvar o texto a todo custo estão no grau máximo de uma doença que vem do mesmo vírus. Que vírus? O literalismo. Confundir linguagens que são diferentes. Acreditar que japonês e português é a mesma linguagem. É a mesma linguagem. Não é. O que faz, então? Precisamos tomar a vacina antiliteralismo. Toda vez que nós abrimos a Bíblia para estudar, tem que tomar uma dose da vacina antiliteralismo. Tem que tomar uma dose, porque os processos vão ficando sutis.

Eu não vou citar obras aqui, mas existem obras espiritualistas, espiritualistas e que são utilizadas, que os Espíritas divulgam, aplaudem. Obras espiritualistas que baseiam seus raciocínios em uma interpretação literal. Literal. Então, por exemplo, tomam este episódio aqui de Adão e Eva, da queda de Adão e Eva, em sentido literal e querem explicar isso literalmente em uma linguagem filosófica ou em uma linguagem científica. Então, o que a gente faz? Você olha para o alicerce e vê que o erro já está na base. É claro que o edifício está equivocado.

Não tem como. Não tem como. Qualquer leitura do texto bíblico que parta da literalidade está equivocada, está equivocada, de início, de princípio. E, aí, constroem teorias e constroem. Na base, você vai ver. A primeira coisa que eu, particularmente, observo, quando eu vejo um Espírito, principalmente a obra mediúnica, é Espírito, ou é alguém que criou uma doutrina espiritualista e utiliza o texto bíblico. Eu olho. Como que ele abordou o texto bíblico? Abordou da perspectiva literalista? Aí, está contaminada. Está contaminada.

A árvore já está contaminada na raiz, na raiz. Então, aqui, todo o nosso esforço é no sentido de separar a linguagem. É outro universo, é um universo paralelo. Você está no universo, aqui, da linguagem científica e filosófica, quando você vem para o texto bíblico, é um universo paralelo. Você tem que falar outra língua, você tem que raciocinar com outros padrões, que é o padrão simbólico. E, aí, extrair o Espírito da letra. Ou seja, tirar o sentido da letra. Entender que é um símbolo. E, é o que está sendo feito aqui.

Então, quando nós fazemos esta tabela aqui, a gente vai perceber a genealogia de Adão. Então, você tem Adão, aí vem Sete, Enoche, Kenan, Mahalelo, Iared, Hanoca, Metsuselah, Lamer e Noar, que é Noé. Então, a gente percebe que de Adão até Noé, nós temos dez gerações. Dez gerações. Importante que aqui tem um elemento simbólico, simbólico. Quando chegou na décima geração, houve o dilúvio. Então, praticamente teve que começar do zero. O dilúvio vem, destrói as gerações e começa do zero. Depois, você tem de Noé a Abraão, mais dez gerações, seguindo o texto do Bíblio.

Mais dez gerações. Aí, o que acontece? Abraão deixa essa geração de dez para construir uma nova geração, a geração monoteísta. Então, embora não seja destruída essas dez gerações anteriores a Abraão, ela é abandonada. E o dez é um número importante, porque as tribos de Israel eram doze e aí houve dez que fizeram um movimento separatista sobre a liderança da Samaria. Então, os separatistas. Então, a gente percebe aqui um aspecto interessante nesse separatismo, porque ele evoca o dez, as dez gerações. Dez povos, dez tribos se separaram.

Dez. E, aí, a gente vai perceber que o Apocalipse e os livros proféticos toda vez que querem falar de rebelião, de separatismo, de Deturpação, vão utilizar o número dez. É uma lógica, mas não é complicado. Se você entende a linguagem, se você pega a história e a interpreta na linguagem simbólico religiosa, tudo fica claro. O problema é você querer achar que a linguagem simbólica religiosa é a linguagem descritiva científica. Aí, não tem jeito. Aí, é uma confusão. Aí, sai o cientista para provar como é que foi a abertura do Mar Vermelho, aí alguém vai provar como é que foi a multiplicação dos pões, aí não tem jeito.

Aí, aí fica difícil. Então, há uma lógica nisso tudo, uma lógica incrível, incrível, os profetas vão se referir a esse ponto aqui e a gente percebe que são sete mil anos importantíssimos na evolução do planeta Terra. Revela um ciclo, um padrão de ciclo, que é a Shavua, que é o período setenário, que serve para dias, serve para meses, serve para anos, sete anos. A encarnação se completa em sete anos e ele serve para milênios, sete mil anos. Sete mil anos. Então, é um padrão, padrão interessantíssimo, que decorre da maneira como o tempo se estrutura.

Então, isso aqui é a estruturação do espaço-tempo, sobretudo bíblico. Era isso que a gente queria destacar, daí a importância da genealogia. E é por isso que Mateus inicia o Evangelho com a genealogia de Jesus. Porque a lição profunda que está por trás ali é que, ao citar aquela genealogia, Mateus está querendo dizer que Jesus representa a culminância de grandes ciclos que chegam nele e terão desdobramento a partir dele. É isso que ele está querendo dizer. É isso que ele está querendo dizer. Mateus fez uma proposta genealógica começando de Abraão, porque ele quis iniciar, fazer uma conexão do início do monoteísmo até Jesus e Lucas faz uma proposta ainda mais ampla.

Então, recua a genealogia de Jesus até Adão, que já é um raciocínio de Paulo. Para mostrar que Jesus é um novo Adão, é um novo homem, é o homem da nova era. Jesus é o homem da nova era. Aqui estão os pontos que a gente não pode deixar escapar de maneira nenhuma se quisermos fazer uma interpretação mais lucida, mais proveitosa do texto bíblico. E, por incrível que pareça, na interpretação da Bíblia, a coisa mais difícil depois de 35 anos estudando a Bíblia na atual encarnação, eu percebi que a maior dificuldade da interpretação da Bíblia, a maior dificuldade não é a Bíblia, não é o conhecimento, não é a língua, não é nada disso, é a pessoa libertar-se dos condicionamentos reencarnatórios, do conjunto de sistemas interpretativos que prenderam o Espírito no literalismo.

Essa é a maior dificuldade, é a maior dificuldade, é a maior dificuldade. Então, a pessoa entende assim, quando Jesus diz em um sermão profético e o sol e a lua e as estrelas cairão, ela fala, não, isso é um texto simbólico, não, isso aí tem que interpretar. Aí, você pergunta assim, e o nascimento de Jesus? É, não, eu não sei, o nascimento de Jesus, eu não sei, eu já não sei, é a até dificuldade de romper a barreira literalista e a interpreta o texto bíblico literalmente. Literalmente. Então, em algum ponto, ela engasga, em algum ponto, ela quer buscar a descrição exata, lógica, matemática, científica do texto bíblico.

Percebe que nós não estamos falando, nós não estamos falando que o texto bíblico não tenha por trás dele fatos históricos, não é isso, esse não é o ponto. Fatos históricos ocorreram, é óbvio que houve um Abraão, porque senão nós não teríamos o povo hebreu, não teríamos o monoteísmo. Então, houve um Espírito que se chamou Abraão, reencarnou, teve uma missão, viveu, é claro, é claro, houve Moisés, claro, teve um Espírito, Moisés, nasceu, reencarnou, desencarnou, cumpriu sua missão. Houve um fato histórico? Houve. O que nós estamos dizendo é que o texto bíblico não é uma descrição absolutamente científica do fato ocorrido.

Então, ela narra o fato em outra linguagem. E, é importante apontar aqui algo, os historiadores, a teoria atual da história, também vai dizer que nem mesmo na linguagem científico-histórica, há uma descrição exata do fato histórico. Por quê? Porque, para narrar um fato histórico, você tem que eleger as variáveis que você quer dar ênfase. Então, se eu quero descrever, por exemplo, o último mês da história do Brasil, no último mês, de hoje até o mês passado, o que você vai escrever? As questões políticas? Então, você está elegendo.

Você está elegendo as questões políticas como um fator principal para você descrever. Porque você poderia, por exemplo, descrever a história do Brasil nos últimos 30 dias da perspectiva dos movimentos sociais. Você poderia descrever, a partir da perspectiva dos movimentos comunitários. Você poderia descrever os últimos 30 dias de história do Brasil da perspectiva da defesa dos direitos dos negros, dos afrodescendentes. Você poderia descrever os últimos 30 dias da perspectiva da luta para a defesa dos direitos da mulher.

Ou você poderia descrever os últimos 30 dias da história do Brasil da perspectiva dos defensores do meio ambiente. O que você vai eleger? Economia? Política? Meio ambiente? Minorias? Mudanças climáticas? O que você vai eleger? Porque não tem como você descrever tudo. Não tem, é impossível. É impossível. Descrever tudo é impossível. Porque não basta você listar todos os acontecimentos em todas as áreas, você tem que conectar. E como é que você vai conectar? Como é que você vai conectar tudo? Todos os fatos? Isso não existe.

Então, elege-se determinados fatores e você faz uma história daquilo que você elegeu. Você narra aquilo que você elegeu. Mas, não há uma narrativa completa e absoluta que esgote todos os elementos. Não tem. Não tem. Então, não há perspectivas. Por isso, nós tivemos ao longo do tempo correntes históricas. Então, há uma corrente histórica que privilegia os fatos da vida privada. Então, vai narrar, por exemplo, o rei D. Pedro II, eu vou falar o que ele comia, onde ele morava, com quem ele casou, com quem ele namorou, o que ele fez, os fatos da vida privada.

É uma outra corrente que privilegia os fatos da vida pública. Então, eu pego a vida pública. Mas, D. Pedro II é muito maior do que os fatos da sua vida privada e os fatos da sua vida pública, porque o mesmo homem estava em ambos os lugares e em todos ao mesmo tempo. Em todos esses lugares. Então, o que você vai eleger para descrever? Não é que o texto bíblico seja contando uma historinha. É uma outra confusão que se faz. Isto aqui não é o sítio do pica-pau amarelo. Não se trata de uma boneca de pano que fala, de um sabugo que virou gente e de um saci-pererê.

Não é o sítio do pica-pau amarelo. A Bíblia está descrevendo fatos históricos, mas, com detalhe. Ela elegeu naquela imensidão de fatos aqueles que interessavam e narrou em uma linguagem simbólica. Narrou em uma linguagem da parábola em uma linguagem evocativa, religiosa, porque ela quer, acima de tudo, transmitir valores espirituais e religiosos através da narrativa. Olha a sutileza e é aqui que muitos paralisam e é aqui que muitos não conseguem entender entender o texto bíblico. É… O interessante é que Kardec coloca uma nota na questão 51, olha que interessante.

O homem cuja tradição se conservou sob o nome de Adão foi um dos que sobreviveram em certa região a alguns dos grandes cataclismos que em diversas épocas abalaram a superfície do globo e tornou-se o tronco de uma das raças que hoje o povoam. As leis da natureza se opõem a que os progressos da humanidade, constatados muito tempo antes do Cristo, tenham podido realizar-se em alguns séculos, caso o homem não existisse na Terra, senão a partir da época assinalada para a existência de Adão. Alguns e com muita razão, olha só, alguns e com muita razão consideram Adão um mito ou uma alegoria, personificando as primeiras idades do mundo.

Fantástico, não é? Então, na primeira parte da nota, Kardec usa a linguagem científica e filosófica para provar que não tem jeito, não dá, o progresso da ciência já mostra que Adão não pode ser o primeiro homem, não pode. Então, aquelas teorias lá norte-americanas do criacionismo, não dá, não dá, não dá. Por outro lado, aí ele muda alguns vírgula e com muita razão, com muita razão vírgula, consideram Adão um mito ou uma alegoria. Mito, aqui, não é sentido de mentira. Tem muita gente que acha que mito é sinônimo de mentira.

Essa é a acepção popular da palavra mito, não é o que Kardec está utilizando aqui, porque Kardec, inclusive, foi tradutor de uma obra que tem raízes mitológicas. O mito é uma parábola, é uma narrativa simbólica que quer descrever ou evocar uma realidade psíquica, interior, psicológica, espiritual. Então, é tanto que ele fala um mito ou uma alegoria, uma alegoria, personificando as primeiras idades do mundo. Primeiras idades do mundo, o que Kardec está dizendo? Os ciclos iniciais da evolução humana, da evolução do homem enquanto espírito, com consciência, com razão.

As primeiras idades, idades no sentido de ciclo. Então, Kardec foi, separou uma linguagem, ponto, outra linguagem e com muita razão pode ser interpretado como alegoria, como simbólico. Então, é incrível esse raciocínio, e Kardec vai escrever ensaios sobre Adão e Eva, sobre essas questões e, aí, já na linguagem, entendendo que é uma alegoria e extraindo o sentido espiritual, a lição moral, o ensinamento que está por trás, que está dentro, vamos dizer, da alegoria. Esse é um ponto que a gente queria destacar quando a gente está falando em genealogia aqui e porque o livro Gênesis está, aí, todo dividido em genealogias.

Lembrando um ponto importantíssimo, que a primeira genealogia bíblica, a primeira genealogia é a da Terra, são sete dias. Então, estamos lá. Primeiro, o céu, a terra e a luz, depois o firmamento, a atmosfera, o raquia, o firmamento, depois nós tivemos o mar, a terra, as árvores, a vegetação, no quarto dia, os luminários, sol, lua, olha que interessante, sol, lua, depois os peixes, os animais gigantes, e, depois, os animais menores, iadão, tudo no sexto dia. E, o sétimo dia, que é o grande Shabbat, o grande dia do descanso.

Mostrando, aí, o descanso, a finalização do ciclo. Nós podemos dizer que o mundo de regeneração é um grande Shabbat. A época da regeneração, esse período milenar, é um grande descanso, é um Shabbat. Por isso que Kardec vai falar que é um período de convalescência, saiu da cirurgia, o que faz um convalescente? Ele repousa, ele recupera forças para a nova semana, para os trabalhos da nova semana. Esta é a lógica, aí, dos milênios, dos sete mil anos de Adão até o mundo de Toso, sendo que os últimos mil anos é esta transição, mundo de transição, regeneração.

Porque a regeneração é uma transição, é uma transição. Não podemos confundir isso, hein? Então, nós temos quatro mil anos, dois mil anos, seis mil anos. Aproximadamente, depois de dois mil, do ano dois mil, começou-se a transição e a transição vai até o ano três mil. Só que a transição, ela começa tensa, ela começa difícil e ela vai se concretizando, se concretizando, se concretizando, se concretizando, até atingir o ápice. Quando ela atinge o ápice, inicia um novo ciclo, que é o ciclo do mundo de Toso. Não é? Então, a Terra vai ser um recém-nascido de um mundo de Toso.

Agora, gente, uma coisa é ser recém-nascido, outra coisa é ser adulto. Então, nós não podemos confundir um mundo de Toso adulto com um mundo de Toso recém-nascido. Recém-nascido fala? Recém-nascido anda? Recém-nascido trabalha? Não, recém-nascido fica ali no becinho, sendo alimentado. Então, a Terra também, depois desses mil anos aí, que é a transição com a regeneração, ela ingressa e vira um recém-nascido de um mundo de Toso. E, aí, mais milênios mais milênios até ela se concretizar em um mundo feliz. Então, é ter um longo trabalho pela frente.

Nós estamos vivendo, agora, os primeiros momentos, o primeiro século dessa transição de mil anos, que é contubadíssimo, que é contubadíssimo, que é bem difícil mesmo. Não tem nada de extraordinário disso. Essa aí é a narrativa da semana milenar ou semana adâmica. Nós vamos falar bastante sobre isso ao longo do nosso estudo do Gênesis. Até o próximo episódio. É curioso porque muitos de nós, Espíritas, faz uma interpretação de lei de causa e efeito como se fosse lei de vingança. Precisa tomar cuidado com isso. Tomar muito cuidado.

Lei de ação e reação sim.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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