Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz do Espiritismo, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no livro do Êxodo, explorando a simbologia do Tabernáculo e a presença de Deus na jornada humana, com base na obra de Allan Kardec.
O que é estudado neste episódio
- O Tabernáculo como símbolo dinâmico: Haroldo retoma a discussão sobre o Tabernáculo, não apenas como uma estrutura estática, mas como uma tenda móvel que peregrina com o povo hebreu no deserto. Ele destaca que essa mobilidade representa a presença constante e itinerante de Deus.
- Jesus como o Tabernáculo: É feita uma conexão profunda com o Evangelho de João, onde o apóstolo afirma que Jesus “tabernaculou entre nós”. Haroldo explica que Jesus é o modelo do Tabernáculo perfeito, a morada de Deus, e que Ele nos guia em nossa peregrinação espiritual.
- Deus habita em seres, não em templos: A ideia de que Deus não habita em templos feitos por mãos humanas, mas sim nos seres inteligentes da criação, é reforçada, com Cristo sendo o modelo desse “templo”.
- A presença de Deus (Shekinah): A “nuvem da glória” ou “Shekinah”, que emana do Santo dos Santos, é interpretada como a essência divina, o “ectoplasma da presença” ou “fluido cósmico”, manifestando-se como uma coluna de fogo, simbolizando o espiritual.
- A Gênese, Capítulo 2, de Allan Kardec: Haroldo Dutra Dias explora trechos cruciais de “A Gênese”, de Allan Kardec, para elucidar a natureza de Deus e a capacidade humana de percebê-Lo.
- Item 29: Kardec discute a possibilidade de Deus ter um “centro de ação” que irradia incessantemente pelo universo, como o Sol irradia luz. Contudo, ele pondera que esse foco provavelmente não está fixado em um ponto, mas percorre constantemente o espaço sem fim, simbolizando a ubiquidade divina.
- Item 30: A humildade da razão diante dos “problemas insondáveis” de Deus é enfatizada. Kardec afirma que Deus é infinitamente justo e bom, e que qualquer percepção contrária é falha da nossa compreensão. A confiança em Deus é essencial, e a compreensão plena de Sua essência é privilégio dos Espíritos puros.
- Item 31: A questão de “por que não vemos Deus” é abordada. Kardec explica que nossas percepções sensoriais são limitadas e que apenas a visão espiritual, a alma, pode perceber Deus.
- Item 33: A analogia do vale e da montanha é utilizada para ilustrar a purificação espiritual. Assim como uma pessoa no fundo de um vale não vê o Sol, mas percebe sua luz difusa, e só o vê em todo o esplendor ao subir acima da névoa, a alma precisa se elevar moralmente para perceber Deus. As imperfeições são “camadas nevoentas” que obscurecem a visão espiritual.
- Item 34: Kardec reitera que apenas os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização podem perceber Deus, pois Ele é a essência divina por excelência. A ausência de visão de Deus pelos Espíritos imperfeitos não significa que Ele esteja distante, mas que suas imperfeições os impedem de vê-Lo, mesmo estando “mergulhados no fluido divino”.
- Item 37: A dificuldade de descrever a aparência de Deus para os Espíritos puros é destacada. Kardec compara a situação à de um cego de nascença tentando compreender o brilho do Sol, ressaltando a limitação da linguagem humana e da inteligência para descrever o indescritível.
- A purificação espiritual: A encarnação é apresentada como o “filtro purificador” para o Espírito, um processo trabalhoso de superação de imperfeições e ampliação de virtudes.
- O perispírito e a moralidade: O perispírito se espiritualiza à medida que a alma se eleva em moralidade, tornando-se a “túnica nupcial” que permite a percepção de Deus.
- A cegueira espiritual: As imperfeições são “camadas de névoa” que nos tornam cegos para a luz divina, um tema central no Evangelho de João.
Reflexões
- A jornada espiritual é uma peregrinação constante, onde a presença de Deus nos acompanha, mesmo que nossas imperfeições nos impeçam de percebê-Lo plenamente.
- A humildade é fundamental para compreender a grandeza de Deus, pois nossa razão e linguagem são limitadas para descrever Sua essência.
- A purificação moral é o caminho para “ver a Deus”, pois cada imperfeição superada é uma “camada de névoa” a menos que obscurece nossa visão espiritual.
Ler transcrição do episódio
Boa tarde, Haroldo! Tudo bem? Oi, Júlio! Boa tarde! Boa tarde, minhas amigas, meus amigos! Bem-vindos ao nosso estudo do êxodo, não é, Júlio? Pois é! Estamos aqui… Estava até agora pouco assistindo, tentando relembrar como é que foi semana passada, o nosso papo, a gente falou um pouquinho sobre livre-arbítrio, falamos sobre o êxodo, como essa representação de Deus acompanhando a gente, não é isso, Júlio Anderson? Então, só para dar uma aquecida aí para o pessoal. E é daí que nós vamos… Daí que a gente vai retomar, não é?
Daí que a gente vai retomar. Isso aí! Então, olha, para mim aqui, a primeira que eu vejo é a Rúbia, Marice de Azevedo, depois a Regina Evaldi, Aíris Oliveira, Marcelene Pacheco, a Francisca Cesarini, Marília Candeu, Rosemary Barbosa, Gilda Brito, Silvia Salomé, Helena Aparecida, Aldenice Brito, Stanislau Júnior, Emília Camacho, Ilian Gomes, o Almery, olha, Valmeri, Valmeri, é que fala seu nome, Valmeri. Ela é de Salvador, a Juliana Buquerque, a Marisa Calvi, e tem uma galera aqui já, já estamos aqui com… Só chegando gente, né, 142, aqui para nós no final, que está a Chile no finalzinho aqui, a Margarete, a Silvana Gabrieli, a Josi Rodrigues, a Tammy Mary, olha, hoje tem Mary aqui, adoidado, Tammy Mary Simeonato, e a Elisabeth Góes Salgueiro, e Sandra Morine.
Ah, maravilha! É isso aí, Haroldo, mas e aí, meu amigo, o que temos para hoje? Pois é, o nome da continuidade, né, é o que a gente está estudando aqui, né, Júlio? Sim. A gente… desenvolver esse tema que a gente estava desenvolvendo, né? Aham. E aí nós vamos seguir aqui, eu separei um texto de Kardec, para a gente poder pensar um pouquinho, que é o capítulo dois do livro A Gênese. Só lembrando, fazendo aqui uma… uma rememoração, a gente comentava que existe um aspecto estático no tabernáculo, que é a estrutura do tabernáculo, então, isso é algo estático.
E, muitas vezes, a gente estuda só essa parte. Ah, o tabernáculo é dividido em três salas, né, ou três ambientes, aquele ambiente ali do sacrifício, de animais, o lugar santo, o santo dos santos, mas a gente perde um elemento dinâmico do tabernáculo. O tabernáculo é uma tenda móvel. Ela é uma tenda que é desmontada durante o dia, viaja com os hebreus e é montada durante a noite, né? E, quando eu falo desmontada, é parte dela, né? Parte dela, não é ela toda, né? Aquela parte dos sacrifícios, porque aqueles elementos essenciais da tenda, eles levavam com eles, né, deslocavam com eles.
Bom, mas nós não estamos querendo chamar a atenção para esse detalhe aí, porque esse detalhe não faz sentido, né? O que é importante aqui é a tenda peregrina junto, a tenda peregrina com o povo hebreu. E, por que é importante a gente destacar isso? Porque essa promessa foi feita lá no início de Êxodo. Quando Deus conversa com Moisés, ele diz pra Moisés que ele estava compadecido com o sofrimento do povo hebreu na escravidão. Olha isso! E que ele seguiria, que ele guiaria. Ora, o que a gente tira desse aspecto dinâmico do tabernáculo?
No capítulo um do evangelho de João, o apóstolo vai dizer que Jesus tabernaculou entre nós, que Jesus armou uma tenda. O que que ele faz aí? Com um verbo, com um verbo, João Evangelista evoca todo o tabernáculo, porque ele está dizendo o que? Ele está dizendo, pessoal, o tabernáculo de Deus que nos acompanha, que peregrina conosco, tem nome. Ele é uma pessoa. O tabernáculo lá do Velho Testamento é o Cristo. Ele é o modelo de tabernáculo. Ô garoto, mas eu também não sou tabernáculo? Não sabeis vós que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?
Sim! Mas você ainda é filhote. Você não é ave ainda. É? Por isso que o Cristo é modelo. Ele é o modelo do tabernáculo perfeito. O modelo da morada de Deus, porque Deus mora em seres, não em templos feitos por mãos humanas. Não é isso que está lá na profecia? Deus não habita em templos feitos por mãos humanas. Ele só habita em templos feitos pelas próprias mãos dele. Quais são os templos construídos pelas próprias mãos de Deus? Os seres inteligentes da criação. Os seres inteligentes da criação. Então, Cristo é o modelo de tabernáculo.
E, como ele se peregrina conosco e nos orienta, por isso que ele é guia. Ele é guia porque ele conduz a nossa peregrinação de Espírito imperfeito para Espírito puro. Bom, acho que eu falei muita coisa aqui. Vamos deixar um pouquinho aí, Júlio? Dá uma sondada aí, para ver se tem alguém vivo ainda. Você está sem som, Júlio? De repente vai começar a baixar, algumas pessoas que eram desmaiadas em casa, mas daqui a pouquinho eles retornam. Exato. Mas, Haroldo, essa metáfora do tabernáculo é muito interessante, porque você está imerso em Deus e Deus está imerso em você.
Como é que é isso? Aquela ideia de total preenchimento. Isso. Na menor partícula que se pode identificar das coisas, que são as células, do que a gente é feito, sei lá, tudo isso está tudo envolvido ali nos princípios inteligentes, e daí vai, vai, vai. Então tem muito tabernáculo aí, hein, Haroldo? Tem muito, tem muito, muito. E agora eu vou trazer aqui umas coisinhas, né, Júlio? Sobre essa presença de Deus, porque a gente lembrando que do lugar santo dos santos sai a nuvem da presença, a xerriná, é a nuvem da glória, que não é uma nuvem, né, gente?
Quer dizer, o símbolo não é de uma nuvem, não imagina que é uma nuvem branquinha, não é isso. Não é? Então, você pode chamar, se você quiser, o ectoplasma da presença, o fluido cósmico da presença e uma coluna de fogo, porque fogo é o espiritual. Então, essa nuvem, a xerriná e a coluna de fogo é como se fosse assim, a essência divina soltando relâmpagos no fluido cósmico. Deu uma ideia? Sim? Metáfora, pelo amor de Deus, se alguém interpretar isso aqui o pé da letra, nós vamos cancelar a pessoa aqui, excluir ela da live.
Brincadeira, gente. Então, vamos lá. Olha o que o Kardec escreve. Olha o que o Kardec escreve no capítulo 2 do livro A Gênese. Gente, muita tensão agora, muita tensão. Olha o que Kardec escreve. Nada obsta, quer dizer, não há nenhum obstáculo em se admitir para o princípio da soberana inteligência, ou seja, para Deus, um centro de ação, um foco principal a irradiar incessantemente inundando o universo com seus eflúvios, como o Sol com a sua luz. Nós podemos imaginar isso? Podemos. Um foco absoluto de luz, de poder, de inteligência, de amor, irradiando para o universo inteiro.
Provável. Aí, ele fala assim, mas onde esse foco? Onde está? O centro emanador é o que ninguém pode dizer. Ninguém. Ninguém, só Deus. É o que ninguém pode dizer, só Deus. Provavelmente, não se acha fixado em determinado ponto, como não o está a sua ação. A ação de Deus está fixada em algum ponto? Não! Ele não está em toda parte? Então, é provável que não tenha um centro. Olha isso. Sendo também provável que percorra constantemente as regiões do espaço sem fim. Ora, se isso for verdade, Júlio, ele está sempre peregrinando pelo universo.
Ele está peregrinando. Está percorrendo o universo infinito, o universo sem fim, constantemente. Por quê? Porque o rua, o espírito sopra onde quer. Não sabe de onde ele vem, nem para onde ele vai. Olha que coisa linda, Júlio. Se simples espíritos têm o dom da ubiquidade, em Deus há de ser sem limites essa faculdade. Porque tudo que Deus tem de atributo, nós também temos em grau pequenininho. Olha que interessante isso. Os espíritos não têm o dom da ubiquidade? Eles não têm o dom de irradiar, estar em mais de um lugar ao mesmo tempo?
Os espíritos superiores e puros. Não é? Porque a criança não faz aquilo que o adulto faz. Os espíritos superiores e puros, eles não têm o dom da ubiquidade? Em Deus a ubiquidade é absoluta e infinita. Olha isso. Então, gente, pensa nessa frase de Allan Kardec. É esse o símbolo de Êxodo. O símbolo de um tabernáculo andando como se fosse uma tenda É exatamente isso que Kardec está explicando. Só que se fosse explicar isso há 3.500 anos atrás, nessa linguagem do Kardec, ninguém ia entender nada. Porque, para explicar naquela época, você tinha que usar ovelhas, tendas, areia, sol, pão, símbolos concretos capazes de afetar a mente de seres absolutamente concretos e apegados ao corpo.
Como até hoje. Talvez 90% dos encarnados não tenha condição de acompanhar isso que nós estamos lendo aqui. É triste, mas é verdade. É triste, mas é verdade. Júlio, você está muito calado. Fala mesmo. Eu estou aprendendo. Estou aqui igual a todo mundo. Então, vamos lá. Vamos aprender mais com o nosso professor Rivai. Vai para onde agora? Vou continuar. Enchendo Deus o universo, poder-se-ia ainda admitir a título de hipótese que esse foco não precisa transportar-se por se formar em todas as partes onde a soberana vontade julga conveniente que ele se produza.
Olha isso. Aqui é a coluna de fogo, Júlio. Essa é a coluna de fogo. É o foco. Deus fala, agora eu vou manifestar mais intensamente aqui, agora, nessa live do êxodo. E quem poderá impedi-lo? E quem poderá prever? Ninguém. Então, onde a vontade soberana dele julga conveniente se formar um foco, lá vai se formar. Donde o poder dizer-se que ele está em toda parte e em parte nenhuma. Ele está em toda parte e em parte nenhuma. Então, muito cuidado, gente. A maioria dos religiosos da Terra acha que Deus é um canarinho e que tem uma gaiola que prendeu Deus.
A maioria dos religiosos acha que Deus é um passarinho na gaiola dele. Então, ele já entendeu tudo de Deus, ele já sabe tudo de Deus, ele já sabe o que Deus escolheu, ele já sabe o que Deus vai fazer, ele já sabe o que Deus já determinou para cada pessoa. Santa ignorância. Santa ignorância. A vontade de Deus é soberana. No fundo, no fundo, ninguém sabe, ninguém sabe o que ele vai decidir. Cuidado! Cuidado! Cuidado! Cuidado com as suas certezas. O que te derruba são as suas certezas, não são suas dúvidas, são as suas certezas.
Por isso, diz Jesus, porém, Senhor, seja feita a tua vontade, não a minha. Seja feita a tua vontade, não a minha. Para, para de querer colocar Deus numa gaiolinha e achar que você já entendeu tudo, porque você não entendeu nada. Nos próximos 15 segundos, sua vida pode virar de cabeça para baixo, pode mudar tudo e você ficar sem entender nada. Esse é o ponto. Agora, diante desses problemas insondáveis, cumpre que a nossa razão se humilhe. É o item 30, Júlio, item 30. Diante desses problemas insondáveis, cumpre que a nossa razão se humilhe.
Deus existe. Disso não podemos dividir. É infinitamente justo e bom. Essa é a sua essência. Infinitamente justo e bom. Se está te parecendo que Deus é injusto, o problema é da sua compreensão, não de Deus. Se está te parecendo que Deus não é bom, o problema é a sua compreensão, não é Deus. Pessoal, nós estamos lendo o capítulo 2 do livro A Gênese. Capítulo 2, item 30. Livro A Gênese. A tudo se estende a sua solicitude. Compreendemos. Só o nosso bem, portanto, pode ele querer. De onde se segue que devemos confiar nele?
Ele só quer o nosso bem, mas o nosso bem nem sempre é o mais agradável para a gente. Então, uma coisa é ser agradável, outra coisa é ser o bem. O bem nem sempre é agradável. Devemos confiar nele. É o essencial. Quanto ao mais, esperemos que nos tenhamos tornados dignos de o compreender. Só se torna digno de compreender Deus os Espíritos puros. E quando eu vejo o encarnado dizendo que já entendeu tudo de Deus, aí eu faço aquela pipoca no micro-ondas, sento no sofá e tenho certeza que eu vou assistir uma boa comédia.
Encarnado que quer explicar o universo, agora eu vou dar uma aula com todas as leis do universo. É comédia pura. É comédia das melhores. É comédia insuperável. Vamos lá. Aí, desce mais um pouquinho, Júlio, agora nós vamos para o item 31. 31. Porque, veja, nós estamos falando, então, de Compreenderás, então, a dor que te domina sob a linguagem pura e peregrina da voz de Deus em luz de redenção. Deus é peregrino na sua criação. Alta de Sousa. Alta de Sousa. Por quê? Porque ele está percorrendo o ilimitado incessantemente, instantaneamente.
Está percorrendo o ilimitado. Então, o tabernáculo é um símbolo maravilhoso de Deus do fluido cósmico. Gente, porque o deserto do Êxodo não é o deserto da Judéia. A gente tira isso da cabeça. O deserto do Êxodo é a criação. Quem está peregrinando são os Espíritos. Uma infinita peregrinação rumo à perfeição, que nunca tem fim. Nunca cessa, porque a evolução nunca cessa. Você está sempre peregrinando. Você está sempre… Agora, é claro que chega uma hora na jornada que ela fica boa demais, né? Fica boa por quê? Porque não tem nem monte nem vale em direitais caminhos do Senhor.
E todos os montes foram aplainados e todos os vales foram cobertos. Não está lá na profecia de Zaíris? Chega o momento da evolução espiritual que não tem nem vale nem monte. É uma planície espetacular. Felicidade sem mescla, sem variação. Então, vamos lá. 31. Aí, Kardec chama a visão de Deus. Se Deus está em toda parte, por que não o vemos? Veloemos quando deixarmos a terra? Tais as perguntas que se formulam todos os dias. Aí, o Kardec. A primeira é fácil de responder. Por serem limitadas as percepções dos nossos órgãos visuais, elas nos tornam inaptos à visão de certas coisas, mesmo materiais.
Alguns fluidos nos forgem totalmente à visão e aos instrumentos de análise, e continua sendo matéria. Entretanto, não duvidamos da existência deles. Vemos os defeitos da teste, mas não vemos o fluido que a transporta. Vemos os corpos em movimento sob a influência da força da gravitação, mas não vemos essa força. Então, o campo gravitacional é fantástico. Eu não o vejo, mas brinca com ele. Brinca. Brinca com a gravidade. Os nossos órgãos materiais não podem perceber as coisas de essência espiritual. Unicamente com a visão espiritual é que podemos ver os Espíritos e as coisas do mundo imaterial.
Somente a nossa alma, portanto, pode ter a percepção de Deus. Dá-se a que ela o veja logo após a morte? A esse respeito, só as comunicações de além túmulo nos podem instruir. Por elas, sabemos que a visão de Deus constitui privilégio das mais purificadas almas e que bem poucas, ao deixarem o envoltório terrestre, se encontram no grau de desmaterialização necessária a tal efeito. Uma comparação vulgar o tornará facilmente compreensível.” Agora, olha que lindo. Olha que lindo. 33, sobe só um pouquinho, Júlio? O texto aí, sobe.
Uma pessoa que se ache no fundo de um vale envolvida por densa bruma não vê o sol. Vou ler de novo. Uma pessoa que se ache no fundo de um vale envolvida por densa bruma não vê o sol. Júlio, o problema é do sol. O problema é sol, meu. Sol, meu. Entretanto, pela luz difusa, percebe que está fazendo sol. Se começar a subir a montanha, à medida que for ascendendo, o nevoeiro se irá tornando mais claro, a luz cada vez mais viva. Então, quem tem que subir? Quem tem que subir? É o viajou. É o viajou. Contudo, ainda não verá o sol.
Só depois que se haja elevado acima da camada brumosa e chegado ao ponto onde o ar esteja perfeitamente límpido, puro, puro, ela o contemplará em todo o seu esplendor. Gente, não podemos ter dúvida disso. O mesmo se dá com a alma. O envoltório peresperítico, conquanto nos seja invisível e impalpável, é, com relação a ela, à luz divina, verdadeira matéria, ainda grosseira demais para certas percepções. Ele, porém, se espiritualiza à proporção que a alma se eleva em moralidade. As imperfeições da alma são quais camadas nevoentas que lhe obscurecem a visão.
Então, nós estamos cobertos de camadas de imperfeição. Cada imperfeição de que a alma se desfaz é uma imácula a menos. Todavia, só depois de se haver depurado completamente, é que goza da plenitude das suas faculdades. Tem alguém com dúvida ainda? Sendo Deus… Fala mais um pouquinho, 34 agora, Júlio. Não descer, peraí. 34. Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber. Então, quem entra no Santo dos Santos? Passa a dótica. Somente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização.
Aí, eles verão a Deus. Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus. Pelo fato de não o verem, não se segue que os Espíritos imperfeitos estejam mais distantes dele do que os outros. Atenção agora, gente. Muita atenção agora. Todo mundo agora… Atenção quadruplicada. Pelo fato dos Espíritos imperfeitos, nós não sermos capazes de ver a Deus, não se segue que ele esteja mais distante de nós do que dos Espíritos puros. Esses Espíritos, como os demais, como todos os seres da natureza, se encontram mergulhados no fluido divino, do mesmo modo que nós estamos mergulhados na luz.
O que há é que as imperfeições dos Espíritos imperfeitos são vapores que os impedem de ver a Deus. Para isso, não é preciso subir nem procurar nas profundezas do infinito. Desimpedida a visão espiritual das bélidas que a obscureciam, eles o verão de todo o lugar onde se achem, mesmo da Terra, porquanto Deus está em toda parte. Gente, isso aqui é precioso. Você não precisa ir a lugar nenhum para ver a Deus, você só precisa se purificar. E, quando nós nos tornarmos Espíritos puros, nós vamos chegar a uma conclusão. Deus sempre esteve de cara com a gente.
Ele sempre esteve cara a cara com você. E você não viu. Por que você não viu? Porque as camadas de imperfeição espiritual te tornaram cego. Cego. Cego. Aliás, esse é um dos grandes temas do Evangelho do apóstolo João. O tema da luz e da cegueira. O cego e a luz. A luz é Deus. Os cegos somos nós, Espíritos imperfeitos, cujos nevoeiros de imperfeição são camadas que nos impedem de ver a luz. Agora, respira. Vamos abrir para um comentário, porque a paulada vem no item 37. Mas vamos esperar um pouquinho para o pessoal, quem está cambaleando, para se equilibrar.
Para se equilibrar. Ó, Júlio, quem está aqui? Nosso irmão querido Vinícius Lima Lousada. Ó, Vinícius. Da Associação do Rio Grande do Sul. Ó, Vinícius, um abraço, meu querido. Coisa boa, Vinícius. A mensagem para mim hoje, mas não tive nem tempo de responder, meu irmão. Me perdoa. Vamos lá, então. Quer ir pula? Agora, Júlio? Não, vamos deixar o pessoal se recuperar um pouquinho, né? Porque está demais, né? Mas, assim, Santo dos Santos não é fácil mesmo, gente. É. Santo dos Santos não é fácil. Não é fácil. A gente precisa se revestir de muita humildade quando a gente começa a falar de Deus.
A gente fala de Deus com muita arrogância. A gente fala de Deus com muita empáfia. Para falar de Deus tem que ter muita humildade. É verdade. Essa questão que envolve tanta ainda limitação nossa para penetrar. E, às vezes, a gente fala como quem soubesse a vontade de Deus. Ainda mais sobre a vida do outro. Geralmente sobre a vida do outro. Na maioria das vezes, né, Júlio? Sobre a vida do outro a gente acha que sabe tudo. E aí elege o seu Deus. E é interessante que… Eu acho até interessante e natural, né? Deus tem os atributos daquela pessoa, né?
Geralmente. É o que ele pensa de uma forma… Assim é que ele impõe a Deus atitudes muito próprias. Muito difícil a gente fazer isso demais. É de se pensar mesmo, né? Dessa ressignificação, de estudar, de aprender. Ter mais humildade quando se trata de um tema tão… Tão delicado. Mas antes de você vir, você falou do cego, né? E a cura dos cegos no evangelho… A cura dos cegos. É bem marcante isso, né? Eu nunca pensei o quanto isso pode estar significando para nós muitas vezes esse fator de ver a Deus. Esse fator daquele que não vê a Deus.
E quais eram as circunstâncias de cada um para a gente se enquadrar na atitude de quando é que a gente se torna cego, né, Haroldo? Quando é que a gente se torna cego? E por que dessa cegueira? Por que? É, o Kardec fala aqui, né? Para cada imperfeição é uma camada de névoa. E aí, cada um faz a sua matemática, né, Júlio? Cada um faz a sua somatória aí das imperfeições. Naturalmente, ao longo da nossa ascensão espiritual, nós vamos subtraindo imperfeições e ampliando virtudes, né? Ampliando virtudes. Isso é curioso porque a cabalagem daica fala isso, né?
São as cliput, são as escamas. É bonito porque fala aí sobre Paulo, né? Com que escamas caíram dos seus olhos. Imperfeições que nos deixam. Imperfeições que a gente não quer mais alimentar. Isso é bonito, ó. Imperfeições que a gente não quer mais alimentar. Que a gente não quer mais manter. Tô procurando aqui porque o Gladstone, né, nosso poeta aqui, fala, né? Isso. Das escamas véus, né? Escamas véus. Isso aí, são véus que nos impedem de ver, né? De ver. Cortinas que impedem da luz entrar, né? Olha que bonito, né? Ele fala, é a música Zaqueu, né?
Me levarei do chão, meu espírito deseja retirar a escama véu e contemplar-te a visão. Ah, é isso. Ah, bonito, né? É isso aí. É isso aí. Bonito, né? Tem algumas perguntas aí, Júlio? Antes da gente passar para o item 37. Deixa eu dar uma olhada. Item 37. Você quer contemplar alguma, né? Nossa, pessoal. O negócio aqui ficou. Vou pegar uma aqui já. Como nos purificar, né? Isabel perguntou. Como nos purificar? Encarnando. Passando pelas provas e eventuais expiações, ao longo das encarnações, nós vamos nos purificando. É isso.
O filtro purificador se chama encarnação. É isso. É a nossa escola. É válido dizer que sinto a presença de Deus quando contemplo a natureza? Claro. Com certeza. Com certeza. Poxa. Vestir a túnica nupcial pode explicar-nos? Não seria perder o perispírito para ver a Deus? Eu não gosto de falar em perder perispírito, não, hein? Isso não está na obra kardeciana, não. Vamos voltar um pouquinho aqui. Olha aqui. Aonde? Eu estou procurando aqui. Nós passamos aqui. Quer ver? Olha aqui. No item 33. Final do item 33. Kardec diz assim.
O mesmo se dá com a alma. O envoltório perispirítico, conquanto nos seja invisível e impalpável, é, com relação a ela, a alma, verdadeira matéria, ainda grosseira demais para certas percepções. Ele, porém, o perispírito, se espiritualiza à proporção que a alma se eleva em moralidade. O perispírito se espiritualiza à proporção que a alma se eleva em moralidade. Então, o que seria o perispírito de um espírito puro? A túnica nupcial. Haroldo. Está aí, olha. Pergunta, Haroldo. Tabernáculo é o mesmo que ele é o verbo? Não, não, não.
Não. Isso aí está no Evangelho de João que diz assim. E o verbo se fez carne e habitou entre nós. Essa é a tradução em português da maioria das Bíblias. E o verbo se fez carne e habitou entre nós. Acontece que, no grego, o que está escrito lá não é habitar. Não é esse verbo que está lá. O verbo em grego que está lá é armou tenda, montou tabernáculo. E aí, alguns autores sugerem um neologismo. Armou tenda entre nós ou armou tabernáculo por tabernaculou entre nós. Então, João usou um verbo de propósito. Ele usou o verbo ligado ao tabernáculo porque ele queria fazer essa associação com o livro de Êxodo.
Então, ao invés de habitou entre nós, porque o verbo grego lá não é habitar, é o verbo armou tenda. O que o João está sugerindo? Que o Cristo é o tabernáculo. O tabernáculo que acompanhou o povo hebreu no deserto, na verdade, era o Cristo. Bonito, não é? Demais. Tem mais uma aqui, Heron. Ela está falando que, por mais conhecimento que a gente tenha, é tão difícil a gente ultrapassar essas camadas. Esse desafio é natural? Não é difícil, não. É trabalhoso. Não é difícil, não. É trabalhoso. É trabalhoso. Você começa lá no átomo e vai evoluindo, vai evoluindo.
Aí chega nos seres vivos, vai evoluindo, vai evoluindo. Aí você atinge a espécie humana, vai evoluindo, vai evoluindo. É só trabalhoso. Depois de alguns bilhões de anos, você é espírito puro. Esse é o caminho, essa é a jornada. Não tem jeito, minha querida. É igual falar que eu vou de Belo Horizonte para São Paulo, são 550 quilômetros. Não tem jeito de eu ir saltando. Eu saio daqui e vou dirigindo. E eu vou ter que percorrer metro a metro. Metro a metro. Passo a passo. E passo a passo eu vou avançando. É isso. Não tem mágica, gente.
Não tem mágica. Não tem varanha do Harry Potter. Marudo… Antes de eu te mandar a pergunta mais difícil da noite, a questão que me veio à mente aqui agora, uma imagem, que o caminho da evolução não é um caminho onde a evolução está ali no final daquela reta. Não é como ir a São Paulo. Ele se alcança quando você dá o primeiro passo para ir para São Paulo. Então, a gente tem essa sensação, é muito difícil, porque o caminho faz parte da chegada. O caminho tem que ser festejado, reconhecido, porque quando se põe a caminho, Marudo, você já tem que entender que você já está no processo.
Então, a questão da evolução não é eu estou aqui, de repente eu estou lá. Eu estou aqui, aí aprendo, aprendo, aprendo, aprendo, aprendo. Nunca é uma coisa que eu não aprenda, a menos que a gente esteja desatento, né, Marudo? Isso. Esteja desatento com a caminhada. Eu gosto de falar isso. Eu gosto da viagem. Eu gosto de ir para os lugares, mas eu gosto do meio do caminho. Eu gosto de… Com certeza. É como se não existisse o meio do caminho. Agora, pergunta difícil, Marudo. Essa você não vai saber. Então é a maioria.
Então é a maioria das perguntas. É mais uma para a maioria delas. E aí, Leonora? E aí, Leonora? Minha filha, só Deus. Só Deus com a sua peregrinação pelo espaço ilimitado para saber onde é que ele vai. Ela foi para o Pará com o marido e ela me mandou ontem para judiar de mim a foto dela entrando num barco, naqueles rios lá, lindos assim, então me mandou foto do Cruzeiro do Sul, da noite estrelada, Marudo. Eu vou te falar um negócio. Não, mas foi o seguinte, Júlio. É que ela perguntou o que a gente ia falar. Eu falei que ia falar de Deus peregrinando e ela falou assim, estou cansado de teoria, vou para a prática.
Eu sei que depois da terceira foto que ela me mandou eu bloqueei ela no WhatsApp. Isso. Essas pessoas que ficam viajando mandando foto bonita têm que bloquear. Agora, vamos lá para o item 37, Júlio. Desce mais um pouquinho. Ou melhor, sobe. 37. Agora, muita calma nessa hora. Muita calma nessa hora. Porque o Kardec aqui está fazendo um exercício de imaginação. Imagina que você chegou à condição de espírito puro. Esquece espírito imperfeito, esquece terceira ordem, esquece segunda ordem, você chegou. Espírito puro, primeira ordem.
Ok? Isso que o Kardec vai escrever aqui somente se aplica aos espíritos puros. Sob que aparência se apresenta Deus aos que se tornam dignos de vê-lo? Será sob uma forma qualquer? Sob uma figura humana? Ou com um foco de resplendente luz? A pergunta. Escuta a pergunta. Não fica ansioso pela resposta não, porque nós não temos. Nós não temos a resposta. A gente tem que se encantar com a pergunta. Para aqueles que se tornaram dignos de vê-lo, ou seja, os puros, sob qual forma eles se apresentam? Sob uma forma qualquer?
Uma estrela? Uma luz? Uma coluna de fogo? Uma nuvem da presença? Uma sarsa ardente? Qual foco? Sob a forma de uma figura humana? Ou com um foco de resplendente luz? A linguagem humana é impotente para dizê-lo, porque não existe para nós nenhum ponto de comparação capaz de nos facultar uma ideia de tal coisa. Ou seja, indescritível. Indescritível. Não tem como descrever. Somos quais cegos de nascença a quem procurassem inutilmente fazer compreendessem o brilho do sol. Aqui a gente entende a passagem do cego de nascença no Evangelho de João.
Agora a gente entende. O cego de nascença que Jesus curou. Como se explica a luz do sol para o cego de nascença? Como? Como? A nossa linguagem é limitada pelas nossas necessidades e pelo círculo das nossas ideias. Olha, Júlio, a gente tem palavra para alguma coisa que a gente não conhece? Então, vou fazer um exercício aqui. Júlio, me fala dez palavras que representem algo que você não conhece. Haschrasche. Haschrasche. Havada. Havada. Eu falei só cinco, não é? Você entendeu? Entendeu? Como que você vai dar nome para uma coisa que você não conhece?
Não tem jeito. Como que você vai criar palavra para uma coisa que você nunca experimentou, Júlio? Como que você vai ter linguagem para algo que você nunca viveu? Para algo que você não tem um sentido? Como que você vai ter palavra para uma ideia que você nunca teve? A palavra pode até surgir depois que você tem a ideia, não é? Como surgiu aí a ideia. Mas eu estou falando de uma ideia de algo que você não conhece, Júlio. Não, porque não tem referência nenhuma. Você não conhece. Não conhece nada, absolutamente nada. Qual que é o nome dessa ideia?
Gente, nós só temos palavras para aquilo que a gente sabe. Para aquilo que a gente tem uma ideia. Ainda que seja uma ideia vaga. Que toca os nossos sentidos, né, Haroldo? É. E que faz parte da nossa vida. Como é que eu vou nomear uma coisa que não faz parte da minha vida? Como? Então, olha que bonito. A nossa linguagem é limitada pelas nossas necessidades. Quais são as nossas necessidades? Dormir, comer, ir ao banheiro. Perceberam? Criancinhas. A linguagem dos selvagens não poderia descrever as maravilhas da civilização.
A linguagem dos povos mais civilizados é extremamente pobre para descrever os esplendores dos céus. A nossa inteligência é muito restrita para compreender e a nossa vista, por muito fraca, ficaria deslumbrada. Não é? Então, agora o Júlio vai pegar uma música aí. Não sei como ele vai pegar. Como a luz que os olhos fechados não podem ver. As origens lustrais do amor se convertem em trevas. Mas o tempo, o dia-a-dia, nos desgasta e nos transforma. Até que um novo entendimento da vida faça brilhar o coração, abrir as portas do sentimento.
E, vamos deixar a Cacau cantando, porque canta quem pode, escuta quem tem juízo. Como a luz que os olhos fechados não querem ver. As origens lustrais do amor se convertem em trevas. Mas o tempo, o dia-a-dia, nos desgasta e nos transforma. Até que um novo entendimento da vida nos faça brilhar o coração, abrir os olhos do sentimento para ver o que a inteligência sonha e não alcança. Mas a mara revela o homem e o ser real. O animal, a vida em todas, em todas as manifestações. Coração aberto ao amor, natureza em tudo, natureza em tudo.
Limpar o coração na frente do sentimento para ver um adeus, para ver adeus, para ver adeus, para ver adeus, para ver adeus. Para ver um adeus, para ver um adeus. Inclusive nos olhos. É verdade. Vamos agradecer a todo mundo aí, deixar essa mensagem. Beijo pra vocês.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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