#065 – Estudo do Velho Testamento – Livro Êxodo

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz do Espiritismo, Haroldo Dutra Dias aprofunda a compreensão do livro de Êxodo, focando na simbologia do Tabernáculo e na relação de Deus com a humanidade e a criação.

O que é estudado neste episódio

  • A Manifestação de Deus e o Tabernáculo: O estudo retoma a discussão sobre a manifestação de Deus, utilizando o Tabernáculo como um símbolo concreto para expressar a forma como Deus acompanha o processo evolutivo. É ressaltado que a cultura hebraica emprega símbolos para comunicar verdades abstratas e complexas.
  • A Ação de Deus: Haroldo explora a ideia de que Deus age tanto internamente (imanência), inspirando ideias e emoções, quanto externamente (transcendência), através da criação e do fluido cósmico. A complexidade dessa ação é enfatizada, reconhecendo a limitação da inteligência humana para compreendê-la plenamente.
  • O Significado do Êxodo: O livro de Êxodo é apresentado como uma narrativa da relação de Deus com o indivíduo, o universo e a comunidade, simbolizada pela metáfora da tenda do Tabernáculo, que acompanha a jornada do povo hebreu.
  • A Terceira Revelação e a Bíblia Hebraica: É destacado que a Terceira Revelação (o Espiritismo) é fundamental para a compreensão dos grandes símbolos da Bíblia hebraica, oferecendo o conhecimento necessário sobre Deus, Espírito, matéria e fluido cósmico.
  • A Dinâmica do Tabernáculo e a Evolução Espiritual: A discussão avança para a dinâmica do Tabernáculo, relacionando-a diretamente ao processo de evolução espiritual. Haroldo reitera que a evolução é o elemento central do ensino espírita.
  • A Vontade e as Leis Divinas: Deus é apresentado como inteligência e vontade supremas, que estabeleceu leis (parâmetros) para a criação. A decisão divina de criar os espíritos simples e ignorantes, permitindo sua evolução, é defendida como a melhor opção, baseada na sabedoria e justiça divinas.
  • O Princípio do Grão de Mostarda: É introduzido o conceito do “princípio do grão de mostarda”, que governa o universo, onde tudo começa pequeno e evolui para algo grandioso e complexo, desde o Big Bang até o desenvolvimento do espírito.
  • Livre-arbítrio e Consequências: A discussão aborda o livre-arbítrio como uma lei fundamental, que permite todas as escolhas, inclusive o mal. Contudo, é enfatizado que as consequências das escolhas são inalienáveis, levando à expiação, reparação e arrependimento.
  • A Degeneração e Regeneração do Livre-arbítrio: O processo de uso inadequado do livre-arbítrio leva à sua degeneração, que, por sua vez, impulsiona a consciência espiritual ao amadurecimento e à regeneração.
  • O Senso Moral e o Amor ao Bem: A regeneração do livre-arbítrio culmina no desenvolvimento do senso moral, que leva o espírito a amar o bem e a desejar ardentemente a prática do bem, alcançando patamares de sabedoria e amor.
  • A Jornada do Espírito Puro: O estudo conclui com a visão do espírito puro, que, após milhões de anos de evolução, compreende o livre-arbítrio e se dedica a cuidar da criação com o mesmo amor de Deus, assumindo posições espirituais elevadas.

Reflexões

  • A complexidade da ação divina, tanto imanente quanto transcendente, é um convite à humildade intelectual, reconhecendo as limitações humanas na compreensão do Absoluto.
  • O livre-arbítrio, embora permita escolhas que geram sofrimento, é uma lei divina que impulsiona a evolução, levando o espírito à regeneração e ao desenvolvimento do senso moral e do amor ao bem.
  • A Terceira Revelação, o Espiritismo, oferece as chaves para desvendar os profundos ensinamentos contidos nas escrituras antigas, revelando a lógica e a justiça divinas por trás dos símbolos e narrativas.

Ler transcrição do episódio

Falamos muito semana passada, retrasada, né? Retrasada, é, retrasada. Semana retrasada também é passada, tá bom? Mas a gente falou muito sobre Deus, Arudo, né? Falamos da manifestação de Deus, da presença de Deus, de que nem um Cristo é capaz de sondar Deus plenamente, que a gente não tem essa arrogância de colocar Deus no nosso baldinho, né? Mas vamos dar uns boa tarde aqui pra depois você vai me contar do que que nós vamos falar hoje, Arudo? Tá bom, tá bom, vamos lá. A Aldenice tá aqui, primeira que pra mim aparece, a Ângel Castilo, o Stanislau Júnior, que tá sempre com a gente, o Heitor Barreiros, Adriana Prevedelo, Marta Pila, a Rúbia, Maris, a Inês Riso, a Rosilda Rosa, Tânia Antiqueira, nossa amiga, o João Caldas, o Hugo Didier, Adriana do Claudio, Adriana Marins, tá aí, Catarina Hermínia, eu pedi pro pessoal falar, tem muito lugar chovendo, tem muito lugar com sol, né?

Marília Candeu, Valéria Brunazo, Dice Barbieri, lembrei da Elaine de Souza, e vamos lá no fim da lista, vai, quem que tá aqui pro fim, quem chegou agora? Chegou o designer gráfico Tiago de Curitiba, Mirtes Alves, Fabiana Batista, Rosana Montolar, Marisa Calvi, Ondina Sucupira, gente, boa tarde, viu? E aí, Haroldo, o que temos para hoje? Pois é, hoje nós vamos, eu pensei aqui em tratar de um aspecto que a gente começou a falar, que a gente tava falando da manifestação de Deus, né? No tabernáculo, o grande símbolo, a grande proposta do tabernáculo é comunicar, a gente falou sobre isso, a cultura hebraica, ela usa uns símbolos concretos para expressar coisas que são muito abstratas, que são até difíceis de explicar.

Então, uma coisa que é difícil de explicar é como que Deus acompanha o nosso processo evolutivo. É difícil entender isso. A gente pode ter uma ideia geral. Deus age dentro do nosso psiquismo, Ele nos inspira ideias, Ele provoca estados emocionais em nós, Ele mexe com a gente de dentro para fora? Sim! Sim! A gente tem esse contato. Evidentemente que Deus, na sua infinita sabedoria e no seu infinito amor, Ele jamais vai nos violentar, Ele jamais vai nos sacudir de uma maneira que nos desestruture, que nos desequilibre.

Mas, que Ele se comunica, Ele se comunica, que Ele mexe com a gente. Então, é aquela ideia, você vai ter um bebezinho recém-nascido, você não vai pegar o recém-nascido e sacudir ele, jogar pra cima, né? O recém-nascido você pega ali com todo cuidado, com todo carinho. Já uma criança maior você brinca com ela, aí o adulto é outro tipo de relação, então Deus vai se adaptando. A gente tem uma ideia disso? Tem! A gente tem uma ideia disso. Mas, como que é mesmo um mecanismo? Aí Nós não sabemos, nós não sabemos, porque aí só Aqueles Espíritos puros nos mais altos patamares da Hierarquia Celeste são capazes de compreender esse processo de comunhão.

André Luiz nos dá uma dica, diz que o processo de comunhão dos Cristos com Deus é indescritível. Então, assim, indescritível. É difícil de escrever uma coisa indescritível. É muito complexo, a gente não entende bem. Além disso, Deus age por fora, porque tudo que é criado é criado no fluido cósmico e mesmo os seres espirituais, as inteligências estão mergulhadas no fluido cósmico. Então, é até impreciso a gente dizer que Deus age na criação. É quase que bobo isso, que Ele age na criação. A criação surge do fluido cósmico.

Ela é uma condensação do fluido cósmico, uma transformação. Então, agora, como é que é isso? Não sei. André Luiz, quando vai se referir à matéria cósmica, ao fluido cósmico, ele diz assim, matéria para nós inabordável e tem encarnado aqui escrevendo o livro explicando o universo. Não é? Agora que eu decifro todos os mistérios. Virou Deus, explica tudo. É isso que eu estou querendo dizer. A gente tem uma ideia, mas a gente não consegue explicar os detalhes. Ou seja, é muito mais complexo do que a gente imagina, porque o princípio inteligente é criado simples e ignorante.

À medida que ele evolui, ele vai se tornando complexo, a complexidade vai se manifestando e ele vai adquirindo Sabedoria, saber, saber emocional e saber intelectual, amor e sabedoria. Deus é um consumidor. Deus é a complexidade infinita que é tão complexo, tão complexo, que é simples. Eu ia trazer essa fala, porque a gente ouve um amigo espiritual nosso que fala disso, a gente é criado simples e ignorante e chega lá simples e sábio. Mas é um simples no outro patamar. O Leonardo da Vinci diz, o mais alto grau da sofisticação é simplicidade.

Então, você fala, um átomo é simples? É. É. O universo é simples. É simples, mas é num patamar acima. Exatamente. É num patamar acima de simplicidade, de compreensão dessa simplicidade. É muito interessante isso daí, Haroldo. É muito interessante. Só vou te perguntar, quando a gente, até pensei assim nos momentos em que a gente vê, por exemplo, quando vai falar nas bem-aventuranças, os que verão a Deus, essa percepção de Deus, clara de Deus, e lembrei de uma passagem, que não sei se tem a ver, vou só jogar pra você, que é aquela fala, que é a letra mata e o espírito vivifique.

Quando a gente fala que é indescritível, significa que descrição não cabe… Sabe o que acontece, Júlio? Nós não temos inteligência pra descrever isso. Essa é a verdade. A nossa inteligência é limitada. Como que uma inteligência ilimitada vai descrever o absoluto? Então, esse é o ponto. É indescritível por isso. Por isso. Porque, mais ou menos assim, é como se tivesse uma caixa e você enfiasse a mão lá na caixa e pensava o que será que tem aqui. Uai, engraçado, parece que tem uma bolinha aqui, parece que tem um quadrado, só que essa caixa é infinita.

E você está a escutando. Então, bom, mas não vamos entrar, também, nesses voos filosóficos, porque eu estou trazendo isso aqui pra dizer o seguinte. Deus age na criação infinita, age, e Ele age dentro de nós. Esse é o ponto. Ele é imanente e Ele é transcendente. Age dentro de nós por processos que nós desconhecemos, porque existe uma conexão entre a inteligência, entre o Espírito e Deus. Existe uma conexão e eu não sei qual é, eu não sei como é, eu não sei explicar isso. E existe uma conexão da criação com Deus, porque tudo está mergulhado no fluido cósmico e toda a forma surge da matéria cósmica.

Glória à matéria cósmica. Glória à matéria cósmica, à energia potencial que dá vida aos elementos, base de portentosos movimentos onde a forma se acaba e principia. Então, é isso. O tabernáculo, a tenda é um rascunho, é uma imagem pobrezinha, mas esperançosa que tenta descrever isso. Uma tenda que acompanha a caminhada do povo hebreu, uma tenda onde o Todo-Poderoso se manifesta. Olha aí, de novo, Ele está entre nós, Ele está ao redor de nós e Ele está se manifestando dentro de nós. Dentro de nós. Então, se a gente não entender isso, nós não entendemos o livro de Êxodo.

Pode fechar, bora para casa tomar café. O livro de Êxodo está descrevendo isso, a relação de Deus com o indivíduo, a relação de Deus com o universo, a relação de Deus com a comunidade. Essa relação está simbolizada, ela está numa metáfora. Essa metáfora se chama a tenda do tabernáculo. A tenda do tabernáculo. Então, é muito importante isso, é muito importante, muito importante. Ô, Júlio, nós estamos aqui com um amigo queridíssimo, rapaz, o Otaciro Rangel. Ô, Otaciro, meu querido amigo, saudade. Gente do céu, a gente já estava muito chique, né?

Agora ficou demais, né? Seja bem-vindo, querido. Nossa, que honra recebê-lo aqui. Que maravilha. Nossa, querido amigo Otaciro Rangel, gente, é físico de primeira linha, né? Grande cientista e pesquisador da Universidade de São Carlos, em São Paulo, é uma autoridade aí, né? Ele é físico, mas espiritualizado, né? Exatamente. Mas só físico. Exatamente. Então, essa é a metáfora. E agora veja, como era difícil entender essa metáfora 3 mil anos atrás. Porque hoje, nós, mesmo tendo o livro dos Espíritos, e mesmo tendo a obra de André Luiz, a gente tem dificuldade de entender.

Imagina 3 mil e 500 anos atrás. É por isso, gente, que a Terceira Revelação explica a Primeira. É por isso que a Terceira Revelação explica a Segunda. Porque, sem esse conhecimento de Deus, Espírito, matéria, matéria surgindo da matéria cósmica, do fluido cósmico, que é um campo, sem esses conhecimentos, fica difícil entender os grandes símbolos da Bíblia hebraica. Então, eu gostaria de chamar a atenção para isso. Porque, às vezes, Júlio, a gente se perde. Estudar a Bíblia hebraica, chamada de Velho Testamento, é como entrar numa floresta, floresta amazônica.

Floresta amazônica. Você tem que tomar cuidado para não se perder na análise das árvores e perder a visão da floresta. Então, você para ali, se encanta com uma árvore, fica olhando um detalhe da árvore, fica dez anos olhando para a árvore, mas, é o seguinte, tem milhões de árvores. Se você não tirar o olho do detalhe, você não enxerga o todo. Então, agora, o que eu estou pedindo aqui, para todos nós, é tira os olhos do detalhe. Vamos olhar o todo. Qual que é o todo, gente? Êxodo fala desse processo em que Deus nos acompanha e se comunica conosco.

A criação está mergulhada nele e ele está dentro das individualidades. Ah, Herodoto, como? Como? Essa resposta é fácil. Não sei. Não sei. Não sei. Se você não soubesse, eu te diria. Não sei. Então, agora, a gente tira algumas conclusões daí. Se a inteligência suprema do universo está nos acompanhando dentro de nós e ao nosso redor, tem algo aí. Tem algo aí. Tem algo aí. Se Deus está dentro de mim, se ele está ao meu redor, por que eu estou construindo templos de pedra para me comunicar com Deus? Por que eu estou elegendo montanhas para subir nas montanhas para me comunicar com Deus?

Essa é a grande pergunta de Jesus para a mulher samaritana. Os verdadeiros devam virar em que Deus será adorado em espírito e verdade, ou seja, sem mentira, sem ilusão, e em espírito, não em matéria, não em matéria, templo, tijolo, madeira, símbolo religioso, montanha, lugar sagrado, em espírito e verdade. E aí ele diz assim, e aí, minha filha, essa pergunta que você está me falando é de monte, não tem sentido, se é monte Sinai, se é monte Guerazim, não faz sentido, não faz sentido, não é? Você falando disso, né? E é o processo, né?

O fato é que a gente ainda não consegue entrar nessa essência do porquê da criação, dos porquês, até aquela história do infinito, até o infinito do porquê, porquê, porquê, porquê, a gente sente que existe um processo de aprendizado com a matéria, é isso que a gente consegue perceber, subir ao monte ensina o quê? É isso que a gente está querendo perceber. Isso aí desenvolve em nós cognição, desenvolve em nós sentimentos, que são a essência que fazem parte da vida do Espírito puro. Então, está tudo certo. E aí nós chegamos num ponto.

O que o tabernáculo quer nos dizer é que quem guia a nossa evolução é Deus. Diretamente e através dos seus Cristos, que são os porta-vozes da sua vontade, os agentes executores dos desígnios divinos. Está aqui um comentário para você ligar com ele aí. Ah, legal! É uma boa metáfora. Se você entender isso aí como metáfora, se você estiver entendendo isso aí literalmente, aí Fica sério. Mas é uma metáfora muito linda, muito bonita. É uma metáfora muito bonita. E a própria metáfora do fio de prata que nos une, que é a Terra, que nos mantém ligados ao plano maior também, nos deixa ligado ao corpo, nos deixa ligado ao Espírito.

Tem muita coisa pra aprender, né, a gente está muito limitado. Muita coisa não, na verdade tem um infinito, né, Júlio? É só ter um infinito. Infinito é coisa demais, né? Deixa eu falar com o senhor. Pode, pode… Quer atender a luz aí, rapidinho? Não, já deu, já resolveu. É que, na verdade, eu fico pensando nisso, né? Só tem um infinito pra aprender. E quanto mais se aprende, mais infinito tem pra aprender, né? Fica gostoso, né? Eu aprendi isso com você. Essa questão, lembrar que nós estamos na Terra, A gente está numa circunstância em que nós temos cinco sentidos, né, nós temos limitadas percepções, encarnados, e algumas coisas, nós precisamos realmente caminhar pra desvincular e vincular novamente pra poder perceber mais coisas, mais cores, né, Arudo?

Porque é muito difícil explicar cor pra quem nunca viu cor, né, Arudo? Isso, isso. É muito difícil. Isso. Às vezes, né, Arudo, nos falta o aspecto cognitivo e espiritual, né? O material que nós temos aqui não abarca o que precisa pra entender o espiritual mais elevado. É ter calma, né, é ter calma pra poder chegar lá, né? Isso. Bom, e aí, pensando nisso, Júlio, a gente precisa agora, porque até agora a gente deu uma ênfase aqui no nosso estudo, a estrutura do tabernáculo. A estrutura do tabernáculo. E, agora, a gente vai ter que observar mais a dinâmica do tabernáculo.

A dinâmica do tabernáculo. Então, o tabernáculo tem uma estrutura e ele tem uma dinâmica de funcionamento. E, é importante a gente entender essa dinâmica de funcionamento, porque tanto a estrutura quanto a dinâmica remetem ao processo de evolução espiritual. Pra falar a verdade, Júlio, eu acho que o processo de evolução espiritual é o elemento mais importante do ensino dos Espíritos. E, toda vez que a gente se sente desesperançoso, toda vez que a gente permite que a nossa mente penetre num labirinto de dúvida, de desespero, de perplexidade, é sempre bom voltar para essa ideia da evolução espiritual.

E, eu queria comentar e resgatar. A gente já falou muito isso aqui, muito mesmo, muitas vezes, mas eu gostaria de resgatar isso aqui um pouquinho para relembrar e para a gente reforçar alguns conceitos. Deus é todopoderoso. Ele é inteligência infinita, inteligência suprema, amor infinito, amor supremo e ele tomou decisões, porque Deus decide. Ele é inteligência suprema, mas ele também é vontade suprema. Então, Deus toma decisão a cada milionésimo de segundos, de segunda. Ele está tomando decisão ininterruptamente. Ele decide.

E, Deus escolheu, ele estabeleceu leis, leis, mas, veja, leis aqui no sentido de parâmetros. Então, vamos pensar um pouquinho aqui. Ele poderia ter dito assim, vou criar todo mundo puro, todo espírito perfeito. Não podia ele? Podia. Podia. Podia o que ele quisesse. Ele não quis. Ele não quis. Ele não quis isso. Por que, senhor? Por que? E aí, a gente fala, por que Deus não fez isso? Ele não fez porque ele é inteligência suprema. E a decisão que ele toma é sempre a melhor, consideradas as possibilidades. Se ele tomou a decisão de fazer do jeito que é, esse é o melhor cenário.

Esse é o melhor cenário. Esse é o melhor cenário. Haroldo, eu queria falar para quem, como eu, já tive tanta dificuldade com isso, né? Esse é um pressuposto básico, assim, para mim, fala de mim. Se eu desconstruir esse pressuposto de inteligência suprema, bondade, justiça, fica difícil levar a coisa, né, Haroldo? Se nós entendermos que nós é que teríamos condição de analisar como fomos criados, seria muito complicado o ser humano caminhar. Porque ele se perderia no infinito de dúvidas e questionamentos, e dificuldades.

É muito difícil de sair, né? Porque, às vezes, pode não fazer lógica para nós aquilo. Aí, quando a gente perde esse negócio, é a hora que a gente se perde também dessa conexão. E eu entendo que é a melhor alternativa que nós temos, né? Nós temos que considerar que esse criador é bom, justo, não é? Inteligência suprema. Porque, do contrário, questionaríamos tudo, não é, Haroldo? A partir daí. Haroldo R.: Exatamente. É por isso, Júlio, que o Allan Kardec, ele apresenta, ele estrutura a questão número 13 de O Livro dos Espíritos, onde os Espíritos declinam o que a gente poderia chamar de os principais atributos da divindade.

Qualidades de Deus que, se ele não possuísse essas qualidades, ele não seria Deus. Atributos da divindade. Então, lá está. Imaterial. Imaterial. Incorpóreo. Incorpóreo. Soberanamente justo e bom. Olha isso. Ele é a justiça e a bondade no absoluto, no superlativo. E aí, vai aos atributos. Até aí, tudo bem. Só que, quando a gente vai lá para o livro A Gênese, tem um capítulo chamado Deus. E aí, o Kardec, genial, porque a gente decora as falas de Kardec, mas nós, Espíritas, precisamos aprender a raciocinar como Kardec.

Essa, talvez, seja a grande lição que nos falta. Não decorar o que ele escreveu, mas aprender a pensar como ele. E o Kardec, quando vai falar dos atributos, ele escreve de forma genial assim Os atributos de Deus são um crivo para você avaliar se uma ideia é falsa ou verdadeira. Olha que fantasia. Então, você tem uma ideia. Eu acho que o universo é desse jeito. Você acha? Feriam algum atributo da divindade? Feriu? Feriu. Então, é falso. Ah, não feriu. Então, tem uma probabilidade de ser verdadeiro. Probabilidade de ser verdadeiro.

Mas, se feriu, não é automaticamente verdadeiro. Você tem chance. Tem chance de ser verdadeiro, igual a chance da mega sena. Confere. Não feriu? Confere. Feriu, meu amigo. Abandona. Abandona, você está no caminho errado. Então, por exemplo, mas podia ter criado todo mundo perfeito. Feriu o atributo da justiça. Por quê? Porque a justiça é um conceito complexo, mas ela tem um aspecto que é mérito, esforço, trabalho, conquista, vitória, superação, autodomínio. É um dos aspectos. Tem vários outros. Equidade, tem várias outras coisas, mas esse é um dos aspectos.

E, aí, tinha, então, que criar o que a gente chama de princípio do grão de mostarda. O universo segue o princípio do grão de mostarda. A parábola do grão de mostarda. Esse é o princípio de funcionamento do universo. Então, por exemplo, o nosso universo começou do Big Bang. Começou com a sementinha, um grão de mostarda, transformou numa coisa gigantesca, imensa, que o telescópio James Webb está revelando para a gente. Você vai reencarnar. Começa numa celulazinha, o zigoto, e se multiplica, multiplica, multiplica e forma um corpo com trilhões, trilhões de células.

O princípio inteligente começa simples e ignorante e se transforma em um espírito puro, altamente complexo, sofisticado, sábio, amoroso. É o princípio do grão de mostarda. Essa é uma lei. É uma lei divina. Tudo segue esse princípio. Tudo, tudo, tudo, tudo. E, aí, a gente tem que concordar com Nando Reis, que o caminho só existe quando você passa. É tão fácil perceber que a sorte escolheu você e você serve nem nota. Quando o dia ainda é madrugada, você já gastou, né? Aí, você já gastou sua cota. Quer dizer, você não espera o processo.

Tem que esperar o processo. Como é que chama essa música? Você lembra o nome da música? É do Skank, né? Ah, sim. Vou procurar. Um dia, ela já vai achar alguém que lhe queira, como você não quis fazer, né? Aí, começa a dizer isso. Mas, é bonito, porque o que ele está dizendo ali? Tudo é um processo. Eu não chego. Eu não chego automaticamente no processo. Eu tenho que respeitar a lei do grão de mostarda. Então, tudo começa pequenininho e vai chegando. E, veja, isso funciona para os seres e funciona para os mundos. E, aí, a gente vai entender uma coisa bonita agora.

Bonita. Se eu dou um livre-arbítrio, é porque eu estou permitindo más escolhas. O Paulo percebeu isso. O apóstolo Paulo, inspiradíssimo, inspirado pelo Cristo, intermediando ali, estevam fazendo o papel de médium ali entre o Cristo e Paulo, né? Ele escreveu assim, tudo me é lícito. Tudo me é lícito. A partir do momento que você ganhou o livre-arbítrio, tudo é lícito. Tudo. Tudo. É tudo. Tudo é tudo. Tudo é lícito. Até procurar aqui o significado. Mas a medida… É… Mas a medida que você evolui, algumas coisas se tornam inconvenientes.

Inconvenientes para o seu grau de evolução. A Juliana escreveu, mas tem as leis. Mas que lei sobrepõe a lei do livre-arbítrio? Tem a lei, uai. O primeiro artigo da lei é livre-arbítrio. É a lei, uai. É a lei. A primeira lei. Veja, gente, calma. O pessoal tá… Gente, respira. Respira. Respira. Se existe o livre-arbítrio, significa que você pode escolher o que você quiser. Só que agora tem um outro aspecto da lei. Calma, o pessoal tá nervoso. O outro aspecto é você precisa lidar com as consequências da sua escolha. Esse é um outro aspecto da lei.

Mas isso você já sabe. Dá uma pausa nisso. Isso todo mundo já sabe. Falar aqui de consequência, de ação e reação, falar de resgate, de reparação do mal. Isso aí todo mundo aqui já sabe. Sei não, hein, Erol. Sei não, hein. Sei não, hein. A gente tem até que voltar nessas coisas, porque realmente a gente confunde o livre-arbítrio com o direito de ferir o outro. Diferente uma coisa de outra. É claro, né? Você faz, tem consequências, inclusive na medida do que você sabe, né, Erol? Exato. Mas aí nós estamos chegando nesse ponto da consequência.

Nós estamos no ponto aqui do livre-arbítrio. Você tem livre-arbítrio de escolher o que você quiser. Inclusive o mal. Inclusive o mal. E esse é um aspecto que nos causa uma certa repulsa, porque a gente não aceita o fato de Deus permitir que alguém escolha o mal ou que alguém escolha nos fazer mal. Esse é o ponto. Não é possível. Não, Deus é perfeito, mas aqui ele errou. A gente não fala, mas sente isso. Ah, não, ele errou. Não, não pode, não pode, não pode. Não, não, isso não pode. Isso não pode. A gente tem uns probleminhas que não é com o outro, é com Deus, né, Erol?

É com Deus. Com Deus. Mas você não está entendendo. A pessoa usou o livre-arbítrio para matar, para trucidar, para picotar, para causar um mal a milhões de pessoas. Sim. Sim. E não vai ter consequência? Você acha que não? Não. Mas por que que Deus permitiu? Deus permitiu porque assim, vamos voltar lá no artigo primeiro. Artigo primeiro, livre-arbítrio. Artigo segundo, leia de novo o primeiro. Artigo terceiro, consequência. Eu ousaria dizer que se eu colocasse um artigo primeiro dentro das atributos, por que? Inteligência suprema.

Vamos entender. Mas aí, Júlio, agora vai ajudar a gente a entender. Agora a gente vai ajudar a gente a entender. Segundo a lei do grão de mostarda, os mundos começam primitivos, os seres também. Depois, esses mundos passam por um período em que o hábito de péssimas escolhas, o uso, o uso ruim do livre-arbítrio, a rebeldia coloca esse ser num oceano de expiação, porque tudo me é visto, mas nem tudo me convém. Então, quando eu saio daquela primitividade, que eu não tenho nem consciência direito e eu entro na razão, eu já tenho um certo grau de consciência do que eu estou escolhendo, eu já consigo distinguir o que me convém e o que não me convém, começa-se a acumular consequências.

Por quê? Essa é uma outra lei divina. Ninguém vai administrar as consequências do seu livre-arbítrio. Então, os benfeitores podem te ajudar, a bondade divina pode te socorrer, os afetos da alma podem te auxiliar, mas ninguém pode te isentar isentar das consequências da sua ação. Ninguém! Então, com isso, o que acontece? Nós temos um estágio primitivo, depois nós temos um estágio de uso inadequado do livre-arbítrio e esse processo de tudo é isso, tudo é isso, tudo é isso, de fazer todas as escolhas vai de uma forma dolorosa dolorosa transformando e amadurecendo a consciência espiritual amadurecendo a consciência espiritual amadurecendo a consciência espiritual Então, chega um determinado momento que essa consciência começa a despertar para a ideia de que eu não quero mais o que é inconveniente para mim e, na verdade, eu não quero nem o que é inconveniente para o outro.

Então, surge uma sensibilidade. No momento que surge essa sensibilidade, começa um processo de regeneração. Regeneração do livre-arbítrio que degenerou. Então, você tem que regenerar o que degenerou. E o que degenerou? O livre-arbítrio. O livre-arbítrio daquele indivíduo está degenerado. Por que está degenerado? Ora, porque ele só faz escolhas que trazem reparação, expiação e arrependimento. O que ele faz? Ele se arrepende. Ele tem que reparar o mal e ele tem que expiar. Então, o livre-arbítrio dele está degenerado.

Ah, mas eu achava que Deus tinha que suspender o livre-arbítrio da pessoa quando ela chega nessa situação. Aí, eu vou, abre aspas, repetir o que os Espíritos disseram para Kardec. Desde quando Deus te pede conselhos? Então, ele não suspende o livre-arbítrio de ninguém. Não suspende o livre-arbítrio de ninguém. No momento em que o Espírito começa a regenerar o seu livre-arbítrio, ele começa a entrar num grau de sensibilidade intelectual e emocional que Kardec chama de senso moral. Senso moral. Então, ele começa a desenvolver o senso moral.

Então, eu chego e falo assim Eu Posso exercer o meu livre-arbítrio agora e ferir o Júlio, mas eu não quero. Eu posso mentir para o Júlio agora, mas eu não vou fazê-lo. Eu posso enganar o Júlio. Eu posso? Eu posso? Está no meu livre-arbítrio, mas eu não farei porque agora eu tenho senso moral. Senso moral. E, aí, o senso moral madurece, Júlio. Você passa da regeneração. Seu livre-arbítrio agora está maduro. Seu senso moral está desenvolvido. Aí, Júlio, você se apaixona pelo bem. Você começa a amar o bem. Espíritos da segunda ordem.

Você começa a desejar ardentemente o bem. Você fica feliz quando alguém sorrir. Você fica feliz quando pode ajudar alguém. Você fica feliz quando todos estão bem. Sim. E, aí, o seu livre-arbítrio, Júlio, ele começa a amadurecer. Ele começa a se ampliar. O seu senso moral começa a se ampliar. Rapaz, você vai ficando sábio. O seu sentimento vai ficando delicado. Você vai se tornando uma pessoa amorosa e aquilo vai crescendo e vai crescendo de repente, Júlio. De repente. De repente você está no santo. Santo dos santos.

Está em comunhão com Deus. Você está falando para ele assim pai, sou teu filho, sou tua filha. Eu, agora, pai, só quero cuidar da criação, cuidar da tua criação com o mesmo amor que você cuida. Por isso que Jesus nos pergunta no Boa Nova, mas como podemos amar a Deus aborrecendo-lhe a obra? Se você diz que ama a Deus a quem não vê e odeia seu irmão a quem vê, você é mentiroso. Então, está lá, né, no Boa Nova. Então, você já tem comunhão. E, agora, você começa a entender o infinito do bem, o infinito do amor, o infinito da sabedoria.

E aí, Júlio, quando eu era criança, eu falava como criança, eu comia como criança, eu me vestia como criança. Mas, agora que me tornei adulto, as coisas de criança ficaram para trás. Então, o Espírito Puro olha para trás e diz assim, eu era criança, eu era criança, eu era criança, eu era criança. E aí, só para concluir, ele sai do mundo ditoso, porque ele já está experimentando felicidade há milhões de anos, ele já é habitante do mundo ditoso há milhões de anos, ele já ama profundamente o bem, aí ele fala assim, a minha comida é fazer a vontade do meu pai.

Porque a vontade de Deus é perfeita, é o infinito amor, é o infinito a sabedoria. Pai, me permite cuidar da tua casa. E aí, você começa a assumir as grandes posições espirituais espirituais, que só os seres que amam assumem. O livro, nessa gente, os que amam governam a vida. Os que amam. Os que amam. Aí, Júlio, quando chega nisso, aí, um Cristo bate no seu ombro assim e fala assim, Ei, meu filho, Ei, Júlio, agora você entendeu o livre-arbítrio, né? Agora você entendeu o livre-arbítrio. Aí, você fala assim, mas eu estou preocupado com os mundos de expiação e prova.

Por que você está preocupado? Tem infinitamente mais mundos celestes do que de expiação e prova e, filho, fica preocupado, não, que todo mundo de expiação, todos os mundos de expiação e prova se tornarão mundos celestes. É da lei. Muito bem. Teve um momento que você falou, eu estava com um texto aqui, você falou várias palavras e foi falando praticamente o texto. Teve um texto do Emmanuel que se chama De Alma Desperta. Eita, lembra? Eu vou ler um trezinho pra você aqui. Ele começa comentando aqui um texto de segundo Timóteo, 1,6.

Deixa eu chegar nele aqui. Acabei saindo. Beleza. Aqui, ó. É indispensável muito esforço de vontade para não nos perdermos indefinidamente na sombra dos impulsos primitivistas. À frente dos milênios passados em nosso campo evolutivo, somos suscetíveis de longa permanência nos reveladores do erro, cristalizando atitudes em desacordo com as leis eternas. Os erros são temporários, mas a lei divina é eterna. É eterna. Para que não nos demoremos no fundo dos precipícios, temos ao nosso dispor a luz da revelação divina dádiva do alto, que, em hipótese alguma, devemos permitir se extinga em nós.

Em face da extensa e pesada bagagem de nossas necessidades de regeneração, você falou regeneração aí, hein? Aí, viu? E aperfeiçoamento, você falou isso também? As tentações para o desvio, que você falou também, surgem com esmagadora percentagem sobre as sugestões de prosseguimento no caminho reto, dentro da ascensão espiritual. Nas menores atividades da luta humana, o aprendiz é influenciado a permanecer às escuras. Nas palestras comuns, cercam-no insinuações caluniosas e descabidas. Nos pensamentos habituais, recebe mil e um convites desordenados das zonas inferiores.

Nas aplicações da justiça, que você falou também, é compelido a difíceis recapitulações em virtude do demasiado individualismo do pretérito, que procura perpetuar-se. Nas ações de trabalho, em obediência às determinações da vida, é muita vez levado a buscar descanso indevido. Até mesmo na alimentação do corpo, é conduzido a perigosas convocações ao desequilíbrio. Aí encerra agora. Por essa razão, Paulo aconselhava ao companheiro não ouvidar-se a necessidade de acordar o dom de Deus no altar do coração. Que homem sofrerá, olha só, que o homem sofrerá tentações, é o que nós falamos aí, Haroldo, que o homem sofrerá tentações que cairá muitas vezes, que se afligirá com decepções e desânimos na estrada iluminativa, não padece dúvida para nenhum de nós, irmãos mais velhos, em experiência maior.

Entretanto, entretanto, e aqui vem a bomba, é imprescindível marcharmos de alma desperta na posição de reerguimento e redificação, sempre que necessário. Que as sombras do passado nos fustiguem, mas que jamais nos esqueçamos de reacender a própria luz. Haroldo Nogueira Eu não consigo acrescentar aí nenhuma interjeição, não consigo colocar nada nesse texto, é perfeito, é perfeito, é manga, não é? Haroldo Nogueira De alma desperta, pessoal, caminho, verdade e vida. Então, gente, um bom final de semana para todo mundo, alivie o coração e caminhemos de alma desperta, lembrando de Jesus para Levi.

Levi, quem governa o mundo é Deus, quem governa o mundo é Deus, gente. Não vamos nos esquecer disso, hein? Não vamos nos esquecer disso. Quem governa o mundo é Deus. Então, de alma desperta, vamos seguir nossa caminhada, enfrentando os obstáculos e desafios que tiverem para serem enfrentados. Transição planetária é isso e não é fácil. E, vamos embora. Transição planetária. Se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria. Lembrando a frase final de semana, né Haroldo? Viveremos as dificuldades, mas sempre reacendendo a própria luz, né?

Reacendendo a própria luz. Amor de Deus. Pode voltar pro passado de jeito nenhum. Mas custamos sair dele. Pois é, e o passado que nós estamos falando é o nosso, tá, gente? O do outro é fácil, o problema é o nosso. Haroldo, olha, maravilha, cara. Muito bom, viu? Obrigado, obrigado por tudo. Obrigado pelas conversas, obrigado pela paciência, obrigado pelo seu tempo. Foi ótimo, maravilhoso. Viu? E que Deus te abençoe. Gente, em paz, viu gente? Em paz, espíritas, em paz. Amai-vos. Eis o primeiro mandamento, né? Amai-vos.

Vamos lá, gente. Beijo a todos. Que Deus.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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