Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Êxodo, focando na simbologia e no aspecto dinâmico do Tabernáculo, à luz da Doutrina Espírita.
O que é estudado neste episódio
- A Dinâmica do Tabernáculo: O estudo aborda a estrutura e, principalmente, o funcionamento do Tabernáculo, sua manutenção e deslocamento, que possuem uma simbologia profunda.
- A Peregrinação do Povo Hebreu como Símbolo: A peregrinação do povo hebreu no deserto é analisada não apenas como um evento histórico, mas como um símbolo da evolução espiritual do Espírito imortal, que é peregrino em sua jornada de “simples e ignorante” a “Espírito puro”.
- O Conceito de Espírito Errante: É retomada a terminologia de Allan Kardec sobre “Espírito errante”, que não significa que erra, mas que peregrina, que está em uma trajetória evolutiva até atingir a condição de Espírito puro.
- O Tabernáculo como Símbolo de Encarnar e Desencarnar: A dinâmica de armar e desarmar o Tabernáculo é comparada ao ciclo de encarnar e desencarnar, representando a jornada evolutiva em espiral do Espírito.
- A Essência do Livro de Êxodo: Haroldo Dutra Dias enfatiza que o espírito da letra do Livro de Êxodo é a evolução anímica, a evolução da alma, do princípio inteligente ao Espírito puro.
- A Função do Tabernáculo: A função do Tabernáculo é interpretada como a manifestação da presença de Deus entre o povo, simbolizando que Deus caminha conosco em nossa jornada evolutiva.
- Deus Transcendente e Imanente: A discussão aborda a onipresença de Deus, que é transcendente (existe independentemente da criação) e imanente (está em tudo e em todos), caminhando conosco e em nós.
- A Pedagogia Divina: A necessidade de símbolos concretos como o Tabernáculo é explicada pela pedagogia divina, que se adapta ao nível de compreensão da humanidade em diferentes estágios evolutivos.
- Conflito entre o Profético e o Institucional: É analisado o conflito entre a proposta divina (mobilidade do Tabernáculo, sistema de juízes) e o desejo humano (rei, templo fixo), que levou à institucionalização e à perda da fluidez.
- A Mensagem de Jesus sobre o Templo: A fala de Jesus sobre a destruição do templo e a adoração a Deus em espírito e verdade é vista como uma continuidade da tradição profética, alertando contra a materialização excessiva e a fixação em estruturas terrenas.
- A Natureza da Matéria e a Permanência do Espírito: A efemeridade das construções materiais e das civilizações é contrastada com a permanência do Espírito, que é a única realidade duradoura.
- As Raízes no Céu: A reflexão sobre a “árvore invertida”, onde nossas raízes estão no céu (em Deus) e não na terra, reforça a ideia de que não devemos nos enraizar excessivamente na matéria.
- A Ilusão de Definir Deus: É abordada a importância de não cair na ilusão de que podemos definir ou prever os desígnios de Deus, pois Ele é insondável e sempre “o Outro”.
Reflexões
- A peregrinação do povo hebreu no deserto é um poderoso símbolo da jornada evolutiva do Espírito, que, como um peregrino, avança em espiral, encarnando e desencarnando, até alcançar a pureza.
- O Tabernáculo representa a presença constante de Deus em nossa caminhada, mostrando que Ele não é um ser distante, mas um Pai que nos acompanha e está em nós, adaptando Sua pedagogia ao nosso nível de compreensão.
- A história do Tabernáculo e do Templo nos convida a refletir sobre a importância de não nos apegarmos excessivamente às estruturas materiais e institucionais, lembrando que a verdadeira conexão com o Divino reside na fluidez e na evolução espiritual.
Ler transcrição do episódio
Boa tarde, amigos! Boa tarde, Leonoro! Boa tarde, Júlio! Amigos! Amigos! Coisa boa! Estamos aqui, já com… O primeiro que entrou aqui pra mim é o Denis Furlan. Depois a Márcia Gomes, a Silvia Salomé, Cris Gonçalves, Maria Orminda, Cléo do Viva, Rosilda Rosa, Marília Candel… Olha só esse aqui, José Eduardo Sintra. Acompanho há mais de três anos. É esse aí, ao vivo, pela primeira vez. Êxodo Levítico Gênesis e Evangelho de João. Pela primeira vez ao vivo, seu José Eduardo. Seja bem-vindo, amigo! Seja bem-vindo, seu José!
Coisa boa! Boa tarde! Coisa boa! Pra nós é uma alegria, viu? Ter o senhor, a energia agora, vibrando no mesmo momento, né, Haroldo? Vibrando real time. A Rosângela Santos, a Maria Dolores… Pessoal que é a primeira vez, vai deixando seu recadinho aí. A Alba Pureza de Goiânia… Estou amando estes estudos, ó! Alba… A Regina Oliveira, né? Ela é do Núcleo de Radiação Espírita Obreiros do Caminho, em Goiânia. Angel Castilo, Maria Paulina… Ô, gente, é muita gente bacana, né? Ondina Sucupira, Eliane Barroso… A Elísia está aí também.
O Olar Estrasburguer… Estrasburguer, já estou acostumando com o nome dele aqui. Vamos ver quem chegou por último aqui, que deu o último aqui, ó. Luciana Ribeiro de Franca, São Paulo. Diz que Franca é a cidade que mais centro espírita tem no Brasil. Haroldo… Não, você não sabe muito disso, não. É… Diz que Franca é a cidade com maior população espírita no Brasil. Dizem as más línguas, né? As boas línguas. Então, Haroldo… Um monte de amigos dando boa tarde, todos muito bem-vindos, né? O nosso estudo de êxodo à luz da doutrina espírita.
Vamos lá, então. Preparadinhos. Não, pois é, vamos… Olha, a gente… No nosso encontro passado, a gente conversou aprofundando mais um pouco sobre o lugar santo. Conversamos sobre perguntas e respostas no último mesmo. Ficamos respondendo um monte de perguntas. É de verdade. É. A gente respondeu muitas perguntas, né? Muitas perguntas bacanas, a gente conversou. Muita coisa boa, muita pergunta legal. E, de certo modo, a gente já viu o básico, aqueles elementos essenciais do tabernáculo. Agora, eu queria propor, né, Leon?
Acho que o Julio caiu aí. Propor para a nossa reflexão o aspecto dinâmico do tabernáculo. Porque, até agora, nós estudamos a estrutura do tabernáculo e não o funcionamento do tabernáculo. Então, agora, a gente vai focar na dinâmica de manutenção do tabernáculo, na dinâmica do deslocamento do tabernáculo, porque essa dinâmica também possui uma simbologia muito profunda. Não é só a estrutura, é também esse modo de funcionamento, esse modo de operação do tabernáculo. Então, lembrando, não faz sentido um tabernáculo se não houvesse peregrinação do povo hebreu.
É muito importante a gente assimilar isso. Enquanto o povo hebreu está escravo no Egito, não há tabernáculo. Não há tabernáculo. Embora haja religiosidade hebraica. Então, a crença no Deus único, o cultivo de ideias sobre o Deus único, aquelas histórias que estão ali em Gênesis, da origem do povo hebreu, do pacto feito pelo Deus único com o povo hebreu, aquilo, naturalmente, era transmitido pela tradição oral de geração para geração. Há um momento da história do povo hebreu, é importante a gente entender isso, que o povo hebreu nasce de famílias tribais.
Você tem ali famílias tribais, os filhos de Jacob. E, aí, quando eles mesmos se dividem, naquele episódio lá do José, irmão contra irmão, repetindo, esse é um tema, esse é um grande tema que se repete, não é? É como se fosse um acorde que sempre voltasse na música. O mesmo acorde, que é o irmão traindo o irmão. Então, a gente vê Caim traindo o irmão Abel, a gente vê Jacob traindo Ezau, a gente vai percebendo isso, e, depois, os filhos de Jacob traem o irmão José, e a história para com o perdão de José. Então, o perdão de José coloca fim à transmissão desse processo de traição do próprio irmão.
Mas, veja, o fato de José perdoar não isenta o povo da responsabilidade perante a lei divina. Então, a escravidão é decorrente dessa conduta, dessa, muitas vezes, ingenuidade do povo hebreu em não seguir aquela orientação divina. A partir do momento da libertação do povo hebreu, do Egito, a partir do momento que eles entram em peregrinação, surge a função a função do tabernáculo. Então, o tabernáculo, ele se justifica, o tabernáculo assume a sua a sua estrutura e o seu papel dinâmico no povo hebreu a partir da peregrinação.
E isso é muito importante, porque isso nos faz pensar no símbolo da evolução espiritual. Então, a peregrinação do povo hebreu é um evento histórico? É. É um evento concreto? É. Mas, ele é só um evento histórico e concreto? Não. Então, além de ser um evento histórico e concreto, situado num tempo histórico, em uma geografia específica, esse evento ecoa, ele transcende espaço e tempo para evocar um símbolo muito mais profundo. E qual é o símbolo mais profundo? A peregrinação do Espírito imortal. O Espírito também é peregrino.
O Espírito também está numa jornada de simples e ignorante a Espírito puro. Então, ele caminha da simplicidade do ponto de vista estrutural, é simples estruturalmente falando, não é simplicidade no sentido de virtude, é simples no sentido de estrutura. Então, ele vai evoluindo e a estrutura vai ficando cada vez mais complexa, cada vez mais intricada, e ele é ignorante no sentido de experiência. Experiência que diz respeito ao sentimento e experiência que diz respeito ao intelecto. Então, a ignorância não é só de ler livro, consultar no Google, não é isso.
É ignorar no sentido de não ter vivência, não ter experiência. E, à medida que a evolução prossegue, o Espírito vai adquirindo experiência. Experiência no campo do sentimento, experiência no campo da razão. Essa é uma grande trajetória. Tanto que, Allan Kardec vai utilizar uma terminologia que é muito interessante, a gente já comentou isso aqui, não é, Leonora? Mas, vale a pena voltar? Que é o seguinte, quem não é Espírito puro, então, todo mundo que não é Espírito puro, quem está de Espírito puro para baixo, olha isso, quem está de Espírito puro para baixo é Espírito errante.
Errante, não é que erra, não, gente. A palavra errante tem o sentido de peregrino, que peregrina, que faz uma trajetória. E, de fato, é isso. Quando você chega a Espírito puro, termina a peregrinação, porque agora você atinge uma condição de estabilidade. Você continua evoluindo, você continua ampliando. Evidente, mas estável. Ao chegar à condição de Espírito puro, não está mais sujeito à encarnação em corpos perecíveis, não está mais sujeito à expiação, não está mais sujeito a provas, alcançou pureza moral, desenvolveu a asa da sabedoria e a asa do amor, e agora é um habitante do mundo celeste, dos mundos celestes, não é?
É o Espírito bem-aventurado. Cessou aquela peregrinação, cessou aquele caminhar, que, qual que é o caminhar? É o caminhar de você, uma hora está no mundo espiritual, outra hora está encarnado. Uma hora está no mundo espiritual, outra hora está encarnado. Quer dizer, essa instabilidade na situação do Espírito. Ainda que ele esteja no mundo espiritual, ele está esperando a próxima reencarnação. E, ele está reencarnado, está esperando para desencarnar e voltar para o mundo espiritual. Então, é uma situação provisória.
É uma situação provisória, que é a peregrinação. Então, o povo hebreu peregrinando no deserto é um povo que arma a tenda de noite, dorme, de manhã reúne a tenda e peregrina. Chega de noite, arma a tenda, dorme, depois, desarma a tenda e peregrina. Que símbolo é esse? Encarnar e desencarnar. Encarnar e desencarnar. Então, eu arma a tenda, desmonto a tenda. Arma a tenda, desmonto a tenda. É esse movimento e você está avançando. Então, num dia você está num ponto, no outro dia você está x Deslocado daquele ponto inicial.
Na evolução, também. Na evolução, também. O povo peregrinou numa linha reta? Quem deve? Quem deve? Se eles tivessem peregrinado em linha reta, eles tinham chegado na Terra Prometida quatro semanas, talvez, estourando aí, quatro meses, ficaram quarenta anos girando, porque a evolução se dá em espiral. A evolução se dá em espiral. Então, a gente vai, volta e sobe um pouquinho. Vai, volta e sobe um pouquinho. Vai, volta e sobe um pouquinho. Vai, volta e sobe um pouquinho. Nessas idas e vindas, você vai galgando novos patamares.
Novos patamares. Então, esse eu acho, gente, que se alguém aqui está acompanhando o estudo de Êxodo, esquecer tudo, não pode esquecer essa parte. Então, o livro de Êxodo, tudo, tudo do livro de Êxodo, é um símbolo da evolução anímica, da evolução da alma. De princípio inteligente, simples e ignorante, a espírito puro. Isso é Êxodo. Êxodo é isso. Esse é o espírito da letra. Ah, eu tenho letra ali? Tenho. Eu tenho fato histórico ali? Tenho. Eu tenho fato geográfico ali? Tenho. Mas isso é letra. Qual que é o espírito da letra de Êxodo?
Evolução anímica. É o título do livro do Gabriel Delânia, não é? Evolução anímica, evolução da alma, evolução do espírito. De princípio inteligente, a espírito puro. Essa é a grande simbologia. Esse é o Arta. Agora, se a gente entende esse quadro geral, agora a gente vai colocar o Tabernáculo. Então, o Tabernáculo, ele se insere nessa dinâmica da peregrinação. Olha que bonito isso. Se a gente perguntar qual a dinâmica do Tabernáculo? A dinâmica do Tabernáculo é a dinâmica da peregrinação do povo hebreu. Então, o Tabernáculo se insere nesse movimento de peregrinação.
E aí, isso facilita para que a gente tire o espírito da letra. O símbolo, portanto, do Tabernáculo é um símbolo de conexão com Deus que se insere na nossa jornada evolutiva. Então, dei essa pincelada. Deixa eu tomar uma água aqui, abrir para as perguntas, para a fala, que eu dei uma disparada aqui, mas só para a gente dar uma situada. Né, Júlio, Eleonora? É, mas está achando que… Parou de estudar hoje, hein? Importantíssimo, né, esse contexto geral. Temos algumas perguntas dos nossos amigos. Vê se tu acha lá, Júlio, a do Stanislaw, que ele vai perguntar, realmente, o símbolo que você falou sobre o Tabernáculo.
Então, o símbolo do Tabernáculo. A gente tinha estudado que êxodo era dividido em três fases, né? A última era a comunhão. Acho que tem alguma ajuda ali. Eleonora, foi bom você ter tocado nisso, porque a gente já comentou isso aqui, mas é sempre bom repetir isso. Qual a estrutura dos livros bíblicos? Os livros bíblicos são fractais. O que significa isso? É um cristal que, se você quebrar, ele se parte em cristais iguais ao grandão. Então, é um cristal. Se você quebrou ele em dez, vai virar dez cristais iguais àquele grandão.
Se você pegar um desses dez e quebrar de novo, vai virar tanto… Ou seja, a parte é sempre igual ao todo. Então, se você divide o livro de êxodo, se você quebra ele, ele se divide em três partes, que são as três partes do Tabernáculo. Então, é uma estrutura de fractais, uma estrutura de cristais que vão se acumulando, né? Por que isso? Porque a mensagem é a mesma. Na verdade, você está transmitindo a mesma mensagem de várias perspectivas diferentes. Então, é como se você estivesse olhando o mesmo fenômeno, a mesma coisa, mas explicando com palavras, com imagens diferentes.
Diferentes. Então, você olha para o Tabernáculo. Vamos lá. Qual é o sentido geral do Tabernáculo? Para que existe o Tabernáculo? Para que existe o Tabernáculo? Essa resposta está escrita direta no êxodo. Nós já lemos ela aqui. Deus diz assim, construam para mim um tabernáculo e eu habitarei nele, no tabernáculo? Não. O texto é sutil. O texto diz assim, construam para mim um tabernáculo e eu habitarei Betorem. Betorem é entre eles. Eles é o povo. Então, qual a função do Tabernáculo? A função do Tabernáculo é Deus ter uma tenda entre nós.
É dar a ele uma tenda para que ele possa peregrinar conosco. Então, olha que bonito isso. O Criador é transcendente? É. Se não existir a criação, o Criador continua existindo? Claro! É a mesma coisa você perguntar se não tiver os quadros de um pintor, o pintor continua existindo? A existência do pintor não está atrelada à existência do quadro que ele pintou, da pintura dele. Então, o Criador é eterno e ele existe, mesmo que a criação não exista. Então, ele é transcendente. Segundo, o Criador é absoluto, ele é perfeito.
Ele é soberana-bondade, soberana-justiça. Então, o Criador não se aperfeiçoa, porque se não aperfeiçoa, o que é perfeito? Como é que aperfeiçoa o que é perfeito? O Criador é absoluto e perfeito. Então, ele está numa jornada evolutiva? Não! Não! Questão 13 de O Livro dos Espíritos. O Criador é imutável. Imutável. Ele não muda, ele não altera. Ele é imutável. Mas, ele não é soberano-amor? Ele não é soberana-misericórdia? Ele não é soberana-caridade? É! Então, por caridade, ele peregrina com a gente. Essa é a lição do tabernáculo.
A lição do tabernáculo é Deus não está lá no destino te esperando chegar. Não! Ele está caminhando junto com você. Só que agora eu vou fazer um… Igual tinha aquelas brincadeiras chamadas trava-língua, não é? Agora eu vou fazer um trava-cérebro. Ele está caminhando junto com a gente, mas ele já está lá. É bicorporeidade. Ele está com a gente caminhando, mas ele já está na chegada, porque ele está em todo lugar. E ele está lá no início também. Ele está no meio do caminho, ele está no fim, ele está em dois terços do caminho.
Ele está em tudo. E, quando acabar o lugar, ele ainda está lá. Quando acabar todos os lugares, ele ainda está. Percebe? Ele é onipresente. Isso aí é o William Gomes. Ele é onipresente. Veja, isso é importante, porque muitas pessoas imaginam um Deus distante. Um Deus longínquo, que olha de cima, que olha do alto, da altura das alturas. Também. Também. Mas, ele olha a partir dos nossos olhos também, porque ele está dentro de nós. Então, Deus nos enxerga de fora, mas enxerga também através dos nossos olhos, porque ele caminha conosco.
Aliás, mais ainda do que conosco. Ele caminha em nós. Em nós, conosco, e nos observa de longe. Isso é onipresente, gente. Isso é onipresente. Então, ele está lá no destino, na chegada, nos observando. Ele está conosco, e ele está dentro de nós, olhando através dos nossos olhos. E, ele ficou lá onde a gente passou. Porque, lá por onde a gente passou, tem gente passando agora. E, ele está lá também. E, onde a gente vai passar, ele está lá também. Eita, agora complicou. A imagem, Haru, daquela imagem do oceano, dos peixes no mar, nesse fluido cósmico, é a imagem que mais me vem.
A gente caminha nele, ele nos envolve, ele nos penetra, ele nos acompanha, porque nós não conseguimos nos desvincular dele. Somos totalmente conectados a ele, ao pensamento de Deus, como fala ali na matéria cósmica, imersos no seu pensamento, de tal forma que ninguém consegue se desvencilhar do seu acompanhamento, não consegue ter uma atitude que o surpreenda, não consegue… Somos esses filhos cuidados por um pai que habita em tudo, em nós habita, em nós habita. Ele não está, ele é, talvez. Na verdade, os hebreus, eles têm uma coisa muito interessante.
O pessoal está perguntando qual é a diferença de Torá para a Bíblia hebraica. A Bíblia hebraica são 64 livros que nós, cristãos, chamamos de Antigo Testamento. Os hebreus, os judeus, não chamam de Antigo Testamento, eles chamam de Bíblia hebraica. A Torá são cinco livros desses 64, ok? Então, os hebreus têm uma coisa interessante, para estudar os atributos de Deus, questão 3 do Livro dos Espíritos. Para estudar os atributos de Deus, eles dão nomes. Então, Deus tem vários nomes. Cada nome que ele tem é um atributo dele.
É uma maneira didática. E um dos nomes que Deus tem, uma das formas que ele é chamado, é de lugar. Lugar. Por que ele é lugar? Porque ele é onde tudo está. Então, se a gente for ser preciosista, eu não posso falar assim, ah, Deus está dentro de mim. A gente fala isso para o didático, né? Para o didático. A verdade é que ele é o lugar. Nós é que estamos no lugar. As coisas todas estão no lugar que é ele. Que é o símbolo do fluido cósmico, da matéria cósmica. Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e mundos.
Constelações e seres como peixes no oceano. Não tem sentido eu dizer assim, ah, o mar está dentro da ostra. Nossa, o mar está dentro da ostra. Nossa, o mar está rodeando a ostra. É importante, é didática, mas é melhor dizer assim, a ossa está dentro do mar, né? Não fica mais fácil? A ossa está dentro do mar, né? O peixe está dentro do mar, né? O lugar dele é o mar, né? Então, Deus é o lugar. E tudo, toda a criação está dentro. Não tem fora. Não tem fora. O único que está fora é ele, Deus. E o problema é que ele está fora e está dentro.
Que são os atributos da transcendência e da imanência. E para Deus não deve ter fora e dentro, né? Para Deus não tem fora nem dentro, né? É. Tem porque ele criou a matéria cósmica, né? Então, para entender, Júlio, para ficar mais fácil, o Einstein, assim, só para facilitar para você poder entender. Onde o infinito termina, Deus começa. Pois é. Ajudou muito. Ajudou muito. Para a gente poder entender. Ajudou, muito. Agora, não sei… Agora eu entendi tudo. Primeiro, vou ter que descobrir quando é que o infinito acaba agora.
E a gente fica pensando, então, o tabernáculo como esse material que Deus usa para nos lembrar, né? É uma pedagogia, para nos lembrar essa comunhão, para nos lembrar que ele está conosco. É uma aula, né? Espiritual. Então, aí, é bonito. O tabernáculo é uma manifestação da presença. Isso é bonito. Olha aqui. A presença divina é constante na criação. A presença divina. Mas, ela se manifesta. Às vezes, ela fica mais ostensiva. Ela é uma presença. De vez em quando, esse mar dá uma onda. Quando esse mar dá uma onda, nós chamamos de manifestação divina.
Ele se manifestou. Se manifestou mais intensamente. Naquele ponto do infinito. Porque ele está presente no infinito. De vez em quando, num ponto do infinito, ou em vários pontos, né, você tem um um pico de energia. É a manifestação de Deus. Então, o tabernáculo é um símbolo concreto. Ah, mas por que o povo hebreu precisou construir uma tenda para entender isso? Porque eles viveram há 3 mil anos atrás. É uma coisa de você perguntar, mas por que eu preciso ensinar para uma criancinha de 2 anos com um brinquedinho concreto?
Por que eu não dou uma fórmula para ela? X2 mais 2, X mais 5 é igual a 10. Porque ela não vai entender. Simples assim. Simples assim. Nós estamos vivendo, já passando pela primeira revelação, já passando pela segunda, já passando pela terceira, estão tendo dificuldade de entender? Imagina quem só tinha a primeira. Imagina esse povo que não tinha nem a primeira revelação. Você que está sentada aí, confortavelmente assistindo essa live, que tem diante de você a terceira, a segunda e a primeira revelação, como eu, estamos aqui quebrando a cabeça para entender, imagina quem não tinha nem a primeira.
Então, a linguagem tem que ser apropriada ao nível de compreensão do aluno, da aluna, do educando. Isso é um princípio básico da pedagogia. Não posso oferecer para uma aluna, para um aluno, um material que está além da capacidade de compreensão dele, porque aí a falha não é do aluno, a falha é do educador. A falha é do educador. Não é? É isso aí. E você falando sobre esses ciclos, evolução, aí o tempo passa e esse tabernáculo vira um templo de pedra fixo. Aí o tempo passa e Jesus olha para ele e fala que não vai ter mais pedra sobre pedra, que Deus vai ser adorado em todos os lugares, no monte.
Podemos compreender assim como uma evolução também do pensamento, do sentimento? Eleonora, aqui tem um tema muito bonito, um tema bíblico, porque a história bíblica, ela acontece numa dialética, num conflito, um conflito entre o profético e o institucional. Então, a mensagem dos profetas era uníssona. O povo hebreu não tenha rei, não tenha rei. O povo hebreu não se fixe, não fixe, mantém essa estrutura fluida, pode até ir para uma terra, ir para um lugar, habitar, ocupar aquele lugar, mas não defina um lugar porque o tabernáculo é móvel.
E o sistema que Moisés implementou era o sistema dos juízes, vocês lembram? Então, ele dividia o povo em pequenos grupos e ali aqueles pequenos grupos se organizavam para uma administração e o Moisés reunia com esses representantes, com esses anciãos, com esses conselhos e deliberava. Então, você não tinha uma pessoa detendo o poder. Acontece que, por pressão política e econômica, o povo quis um rei e quis fixar e quis construir um templo. E aí gerou esse conflito. Então, nós temos um conflito aí, aquilo que era proposta divina e aquilo que era desejo humano.
Esse é o ponto, não é? Evolução é isso, não é? Evolução não é isso? Evolução é isso, não é? Deus propõe uma coisa e você deseja outra. Não é? É isso, não é? Então, surgiu esse conflito. Jesus vem da tradição profética. Então, ele vem dizendo o quê? Para que esse templo de pedra aqui? Para que vocês fixaram o tabernáculo aqui? Agora eu não consigo movimentar ele. Agora ele está preso aqui no chão. E aí? E se alguém dominar esse território aqui? Vocês vão ficar sem tabernáculo, que foi o que aconteceu. Foi exatamente o que aconteceu.
Hoje, lá onde era o templo, tem agora uma mesquita. Eles foram avisados disso. Não fixa! Não fixa! Você está em movimento. O tabernáculo tem que se movimentar junto com você. Mas, a gente tem necessidade de quê? De autorreferência. Então, a gente fala assim, eu sou brasileiro, eu sou mineiro de tal cidade, eu sou da cor da pele XY, eu sou do gênero masculino ou do gênero feminino. A gente fica cheio de autorreferências. E quando você vai se autorreferenciando, autorreferenciando, autorreferenciando, as suas raízes começam a ficar grudadas no chão.
Como diz a música do Gilberto Gil. A paz. Como se o vento de um tufão arrancasse os meus pés do chão, onde eu já não me enterro mais. Então, essa ideia de que era preciso ter um fluxo, algo dinâmico, algo menos institucionalizado, para quê? Para que essa estrutura fosse aberta à lei de progresso. Então, vamos pensar, se o povo hebreu não tivesse rei, quem era o rei na época de Jesus? Era Hades. Se o povo hebreu não tivesse um templo fixo, com toda aquela estrutura, será que não teria sido mais fácil para compreender a mensagem de Jesus?
Veja, não se trata aqui de diminuir o papel das instituições, não é isso, gente. A Bíblia hebraica sempre incentivou a comunidade, a regra da comunidade, encontrar uma maneira de viver em comum, não é? Estabelecer uma justiça, etc, etc. Mas, precisa ser tão denso? Precisa ser tão rígido? E, aí, olha o Loura, isso nos remete a uma questão. A gente encarna, mas, precisa materializar tanto? A gente encarna, mas, precisa encarnar tanto? Pessoa 1 – Tanto templo, né? Pessoa 2 – Tanto templo. Não precisa ir tão fundo, não precisa ficar tão materializado?
Não precisa, né? Você pode encarnar, reencarnar, né? Ter um corpo biológico, mas, você não precisa ser tão materializado. Você pode cultivar um pouquinho de transcendência, um pouquinho de religiosidade, um pouquinho, pelo menos, de espiritualidade. Não precisa ficar tão chumbado ao chão, tão condensado, tão materializado. Então, é isso, né? Esse é o dilema, né? Mas, é o dilema evolutivo, né, Eleonora? É o dilema evolutivo. É o grande dilema mesmo. É, não sei nem o que eu falo, quando a gente entra nesses atributos de Deus e nesse processo todo, né?
A gente parece que sai do terreno de segurança e a gente tenta trazer para o material, né, Haroldo? Acho que assim, é tão assim que a gente tenta trazer para o material, né? Dá um pouco a gente os exemplos materiais e a necessidade do homem deixar de ser nômade, né? Também foi uma coisa que foi necessária no seu processo, né? De constituir família, né? Todo esse processo aí. Isso, isso aí. Entender essa naturalidade, né? Você habitar num lugar, habitar, deixar de ser nômade, não é o problema, viu, Júlio? O problema é você criar raiz na terra.
É você ficar enraizado e não conseguir mais se movimentar. Porque evolução é fluxo. Evolução é jornada. Evolução é jornada. E isso é bonito, né? Porque é o que Jesus fala para o público. Lembra disso? Que horas, que momento que é? No momento que ele encontra com o público, né? No momento que ele encontra com o público, ele fala isso com ele. Você está com esse teu império, não vai sobrar nada desse império seu. Porque ele é um império material e é da natureza da matéria a inovação, né? A matéria, ela está sempre em transformação, não é?
Como é que é chamada a transformação da matéria? Reação química. A matéria está sempre transformando. Os átomos estão ali interagindo, gerando novas substâncias. Então, tudo que é material está em processo de transformação, não é? Transformação eterna. É da natureza da matéria a instabilidade. Então, Jesus olha para aquilo e diz assim – nossa, você está orgulhoso disso, não é? E é interessante porque olha como é que Jesus se dirige a público. Ele fala assim – não venho falar ao homem de Estado superficial e orgulhoso que só os séculos de sofrimento encaminharão ao regaço de meu pai.
Não é? E aí ele fala – então o império é bem uma motoada de cinzas, não é? Quando Estevão vai fazer o discurso de defesa dele no cenédrio, ele fala assim – o que vocês queriam? Um Messias que viesse num carro de guerra e de glória, num carro que ao primeiro buraco do caminho pode tombar? Olha isso. É interessante, não é? Você fala assim – nossa, Air Force One, o avião do presidente dos Estados Unidos. O Air Force One. É, mas o Air Force One é um avião que pode cair. Cair e morrer, todo mundo está lá dentro, inclusive o presidente.
Que glória é essa? Que glória é essa? Essa é a pergunta do Estevão. É essa glória que vocês queriam ver no Messias? Ele andando num carro que passa numa pedra num buraco e o Messias cai no chão e rola no chão? Isso é que é a glória que vocês esperam? Vocês esperavam isso, não é? Então, é claro que é um poder material, é claro que socialmente isso tem um impacto. Também a gente não pode ser ingênuo, não é? O Império Romano era muito poderoso, não é? Tinha poder de vida e morte. Mas, ser muito poderoso significa que tem o poder total, não é?
Depois, a gente fala assim – todos os Césares morreram, não é? Todos, não é? Todos. E chegou o momento que o próprio Império morreu, como todos os outros. Então, Emmanuel começa o caminho da luz falando isso, não é? Cadê as civilizações? Cadê as civilizações? Cadê as civilizações da Mesopotâmia de cinco mil anos atrás? Cadê? Olha lá! Onde que está? Pó! Pó! Pó! E, tudo que a gente está vendo agora de glorioso hoje, em 2022, daqui cinco mil anos, pó! Pó! Porque só é permanente o Espírito. O mundo espiritual é permanente.
É permanente. Profundo, não é? Muito profundo. Muito profundo, Herodo. Só para a compreensão minha, assim, porque quando a gente fala disso, desse discurso de Esteva, estou tentando casar, porque, na interpretação, uma interpretação rasa, Jesus também deu esse exemplo, que não seria no material, no elemento material que estaria a glória, porque ele nasce numa manjedoura, nasce numa estrutura que, vamos dizer assim, material escassa, e ele mostra que, ainda que o corpo tombe, como ele foi levado à cruz, o espiritual sobrevive.
Então, na verdade, olhar para esses elementos, entendendo que a glória não está na matéria, não está nisso que a gente vê com os olhos, nesse templo que a gente constrói, nessa estrutura material. Nossas raízes não têm que estar na terra, Herodo. Vamos dizer assim. Uma vez eu ouvi uma fala sua, se não for, eu estava sonhando, essa coisa da árvore invertida, nossas raízes estão no céu. Não é? Nossas raízes não estão na terra, nossas raízes estão no céu, em Deus, e não na terra, na matéria em si. Exato. Uma árvore ao contrário.
É, isso aí. Não sei onde que eu ouvi isso não, mas não sei se faz sentido também não. Mas é que você falou que era para complicar, falando aquele trem lá que tinha que saber onde que Deus termina o infinito. Agora tem gente que não vai dormir hoje aí, falou que fica acordado pensando nesse negócio de onde começa Deus, que termina o infinito. É uma placa de… É, porque o importante, sabe, Júlio, é a gente nunca alimentar a ilusão de que a gente definiu Deus. Porque aí é a ilusão de que você colocou o mar dentro do seu copo da água.
É. Então, é muito importante isso, e é um exercício que a gente precisa fazer, porque o nosso copo vai ficando cada vez maior. Quanto mais você evolui, maior o seu copo, maior o seu recipiente. Mas não pode ter essa ilusão. Então, essa ilusão de que o Criador cabe dentro de nós. É a ilusão da vossa. Ele cabe dentro do meu entendimento, Ele cabe dentro da minha compreensão. E aí, qual que é a cilada? Eu começo a achar que eu posso prever qual será o próximo passo de Deus. Não posso prever. Não posso prever. E esse é o grande dilema.
Porque as pessoas falam não, agora Deus vai fazer isso, viu? Deus vai escolher isso agora. Ele agora quer isso. Quem é você para dizer o que Deus escolheu, o que Ele quer? Então, Emmanuel diz assim os insondáveis desígnios do Altíssimo. Insondáveis. Insondáveis. Insondáveis significa não há ninguém no universo, nenhum Cristo capaz de insondar Deus. Ele só tem acesso àquilo que Deus permite que eles acessem. É bonito, não é? A teologia chama que é o outro, com o O maiúsculo. Deus é sempre o outro. Ele não é uma extensão de você.
Ele não é uma extensão de você. Não imagina que você construiu uma gaiola e que Deus é um passarinho e agora você colocou ele dentro da gaiola. Porque dentro da gaiola é dentro da minha religião, aí Deus acredita no que eu acredito, Deus defende o que eu defendo. Eita! Como é que fica a fala de Jesus para Hanã? Eu sei qual é a vontade de meu pai. A meu respeito. A meu respeito. Isso é o que nos basta. Tem que saber qual é a vontade de Deus, a seu respeito, não a respeito do mundo. Essa cena é mais bonita que a cena do outro.
Se possível, afaste o caso, mas que seja feita a tua vontade, não a minha. Então, ali o Cristo está confessando pai, eu não sei qual é a tua vontade. Eu já dei uma sondada aqui, como governador do planeta, eu já dei uma olhada aqui nos próximos 20 mil anos da humanidade teremos. Mas eu não consegui ir além de 20 mil anos, pai. Isso foi onde eu cheguei. Mas o Senhor enxerga tudo, então que seja feita por vontade, não a minha. Esse é um ponto importante. Esse é um ponto importante. Meus queridos, eu vou ter que despedir de vocês, porque tem agora 17 horas.
Não, calma, calma, porque estão todos aqui adorando, agradecendo a live, as reflexões, está todo mundo assim, que nem nós aqui, pensando e refletindo. Acho que ficamos com essa imagem que somos os peregrinos, encarnando e voltando ao plano espiritual e que a gente tem essa vida que flui, que caminha, que anda. E Jesus nos acompanhando. E Deus está conosco. É isso aí. Deus está conosco. Gente, foi muito bom, viu, Haroldo? Muito bem, a gente não vai dormir essa noite pensando nas coisas que você falou. Assim que é bom.
Muito obrigado. Assim que é bom. Vai com a sensação de que entender o Deus tem alguma coisa errada. É uma obsessão. É. É bom trabalho aí. Eleonora, um beijo também. Um beijão a todo mundo. Fiquem com Deus. Gente, obrigada. Ótima semana. Nos encontramos sexta que vem. Isso aí. Um abraço, pessoal. Um abraço, gente. Com Deus. Com Deus.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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