#064 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste 64º episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias nos conduz por uma análise profunda do Livro de Gênesis, Capítulo 4, versículos 1 a 16, que narra a história de Caim e Abel. Acompanhamos a leitura e a interpretação das passagens, enriquecidas pela perspectiva espírita e por reflexões sobre a natureza humana.

O que é estudado neste episódio

  • Gênesis 4:1-16: Caim e Abel. O estudo inicia com a leitura e análise detalhada dos versículos que descrevem o nascimento dos filhos de Adão e Eva, suas ocupações, as

    Ler transcrição do episódio

    Olá, amigos, estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés. E hoje, neste episódio, vamos ingressar no capítulo 4, um capítulo que fala sobre os filhos de Adão e Eva, Caim e Abel. Eu vou ler, então, um trechinho do texto pela Bíblia de Jerusalém, que é a que nós estamos utilizando aqui como referência, embora as imperfeições desta tradução. E, ao longo do nosso estudo, a gente vai comentando essas dificuldades aqui da tradução em si. O homem conheceu Eva, sua mulher, e concebeu e deu à luz a Caim e disse, Adquiriu um homem com a ajuda do Senhor.

    Depois, ela deu também à luz a Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor de ovelhas e Caim cultivava o solo. Passado o tempo, Caim apresentou produtos do solo em oferenda ao Senhor. Abel, por sua vez, também ofereceu as primícias e a gordura de seu rebanho. Ora, o Senhor agradou-se de Abel e de sua oferenda, mas não se agradou de Caim e de sua oferenda. E Caim ficou muito irritado e com o rosto abatido. O Senhor disse a Caim, Por que estás irritado e por que teu rosto está abatido? Se estivesses bem disposto, não levantarias a cabeça?

    Mas, se não estás bem disposto, não jaz o pecado à porta? Como o animal aquado que te espreita? Podes, acaso, dominá-lo? Entretanto, Caim disse a seu irmão Abel, Saíamos. E, como estavam no campo, Caim se lançou sobre seu irmão Abel e o matou. O Senhor disse a Caim, Onde está o teu irmão Abel? Ele respondeu, Não sei. Acaso, sou um guardador de meu irmão? O Senhor disse, Que fizeste o osso-sangue de teu irmão, do solo, clamar para mim? Agora és maldito e expulso do solo fértil, que abriu a boca para receber de tua mão o sangue de teu irmão.

    Ainda que cultives o solo, ele não te dará mais seu produto. Minha culpa é muito… Então, Caim disse ao Senhor, Minha culpa é muito pesada para suportá-la. Vê, hoje tu me banes do solo fértil, terei de ocultar-me longe de tua face e serei um errante fugitivo sobre a terra, mas o primeiro que me encontrar me matará. O Senhor lhe respondeu, Quem matar Caim será vingado sete vezes. E, o Senhor colocou um sinal sobre Caim, a fim de que não fosse morto por quem o encontrasse. Caim se retirou da presença do Senhor e foi morar na terra Radinode, a leste do Éden.

    Aqui termina o versículo 16, nós estamos aqui no capítulo 4, versículos 1 a 16. Antes de nós começarmos a já identificar o conteúdo espiritual, a essência de algumas coisas dessa passagem, eu vou ler dois poemas que estão neste projeto maravilhoso, publicado pelo Ser, que é o projeto Número Infinito, que redundou neste livro e no CD de músicas, em que o José Henrique Martiniano musicou os poemas do Augusto dos Anjos, fez os arranjos maravilhosos e aí facilita a nossa compreensão. E, aqui neste livro, há um estudo dessa obra, uma comparação dos poemas do Augusto dos Anjos encarnado e depois desencarnado, mas dois poemas aqui em especial nos chamam a atenção porque eles dizem dessa passagem em específico, da expulsão de Adão e Eva do Paraíso, do Jardim de Éden ou Jardim de Delícias e agora de um agravamento da situação, porque se antes, com a expulsão do Paraíso, do Éden, que dava todas as coisas, sem a necessidade do homem cultivar, o jardim oferecia tudo, na consequência da ação de Adão, ele precisaria agora, já fora do Jardim de Éden, cultivar a terra.

    Encontraria pedras, espinhos, cardos, obstáculos, mas a terra seria fértil, ela produziria em correspondência ao esforço de cultivo de Adão. Agora, com o primeiro assassinato de dois irmãos, essa passagem emblemática e simbólica de um irmão assassinando o outro e aqui não sejamos ingênuos, não se trata apenas de irmãos de sangue, a passagem faz uma referência que qualquer pessoa é seu irmão, então o assassinato de qualquer pessoa é sempre o assassinato de um irmão, sempre. Ninguém mata um estranho, ninguém mata, ninguém faz um mal, porque também não é apenas matar no sentido físico, tirar o corpo, esse matar aqui tem sentidos profundos, profundos, profundos, mas ninguém faz mal a um outro, apenas um outro faz mal sempre a um irmão e ninguém mata apenas um outro em função da nossa filiação divina, todos somos filhos de um mesmo pai e, portanto, devemos ao outro esse sentimento de família, família espiritual, família humana em função da paternidade divina e do amor que Deus tem por todos os seus filhos, todos eles indistintamente.

    Mas, olha que interessante, no poema Raça Adâmica, poema do Augusto dos Anjos, que está no Parnatja Lentum e aqui a gente já percebe que o título do poema já é uma metáfora, já é uma interpretação dessas passagens que nós estamos estudando aqui, Raça Adâmica. Então, está falando de um gênero humano, de um tipo humano, uma tipologia humana, como nós já comentamos aqui. Olha que bonito! A civilização traz o gravame da origem remotíssima dos áreas, estirpe das escórias planetárias, segregadas num mundo amargo e infame.

    Árvore genealógica dos páreas faz-se mister que o cárcere a conclame para a reparação e para o exame dos seus crimes nas quedas milenárias. Foi essa raça podre de miséria que fez nascer na carne deletéria a esperança nos céus inesquecidos. Glorificando o instinto e a inteligência, fez da terra o brilhante graal da ciência, mas um mundo de deuses decaídos. É um poema maravilhoso, porque reflete isto aqui, como nós já falamos. Os textos que nós estamos estudando, eles são evocações da experiência, de grupamentos de espíritos que são, na linguagem forte, alguns dos anjos, é uma linguagem pesada, então ele fala assim, escória, escórias planetárias.

    Esses espíritos são o resto, aqueles que não conseguiram mesmo acompanhar a evolução dos orbes em que eles evoluíam, em especial o orbe capela, o orbe do sistema de capela, em especial, porque não é o único. E, aí, eles vêm para o cárcere uma prisão no mundo primitivo, e, quando eles chegam aqui à Terra, no mundo primitivo, eles vêm para este cárcere, para quê? Para reparar, para examinar, examinar, refletir, mas refletir sobre o quê? Sobre quedas milenárias. Então, quando eles chegam aqui, eles já estavam em quedas milenárias nos orbes de origem, estavam há milhares de anos caindo, sem absorverem a lei, num processo de repetição de erro, ou de cristalização num processo de erro.

    Por isso que Augusto dos Anjos vai chamar de árvore genealógica dos páreas, são páreas, ou, no sentido exato da palavra, marginais, marginais no sentido de estão à margem do processo. Estão à margem porque alguém os colocou à margem? Não. Deus não exclui ninguém. Deus não marginaliza ninguém. Estão à margem por uma opção própria, que é o que nós estamos observando agora. Uma pessoa que enche o corpo de explosivo e que vai para Londres em um metrô, ou para Paris, para uma ponte famosa, para um lugar turístico, para explodir, matar pessoas, ele está sendo marginalizado por Deus?

    Não. Ele está se marginalizando. É ele que está se excluindo do processo civilizatório. É a própria pessoa que está se excluindo do progresso humano. Porque a humanidade atingiu hoje uma sensibilidade, pelas suas leis, pelo seu grau de civilidade, uma sensibilidade para esse tipo de coisa. Nós não toleramos mais isso. Uma pessoa explodindo, matando crianças, usando arma química em crianças, mulheres indefesas, velhos. Imagine isso. Não é uma guerra que homens fortes estão jogando, que já é horrível, já é uma coisa bárbara.

    Não, não. É uma pessoa forte usando arma química em uma criança de quatro anos, indefesa. Então, é o auge da covardia, é o auge da maldade, da rebeldia. A criatura mergulha o seu psiquismo no mar sombrio da delinquência, no mar sombrio da perversidade. Quando nós nos permitimos ser perversos. Isso pode acontecer comigo, pode acontecer com você, pode acontecer com qualquer um de nós. Quem comanda isso? A vontade. É a vontade que comanda. A criatura só atinge esse patamar porque ela quer e ela sai quando ela quiser. Porque a vontade é o agente poderoso que direciona, tanto para a queda, quanto para a redenção.

    Então, o que Augusto dos Anjos está ponderando neste poema é que a civilização planetária, a civilização da Terra tem um gravame, ela tem um problema, que é a presença desses seres já enrijecidos e que vão construir a civilização ariana, que é a civilização hoje que domina o mundo. Então, a civilização que elege a ciência, a tecnologia como a finalidade da vida e mesmo que provoque os distúrbios, as desigualdades, os crimes, não importa, ela insiste neste projeto e representando, então, glórias, é claro, quem não se encanta com um avião imenso voando, com uma internet, com um computador poderoso, quem não se encanta com essas tecnologias?

    Mas, quando você examina o campo afetivo, emocional e espiritual desses seres, eles lembram deuses caídos. Deuses caídos por quê? Porque eles já apresentam um potencial, eles já apresentam uma condição de estar muito além e, no entanto, estão chafurdados no vício, nas paixões, na iniquidade, na maldade, na perversidade e na delinquência. Então, esta é a o que o Augusto dos Anjos vai chamar de raça adâmica. É o tipo humano padrão. Este é o homem padrão da Terra. Este é o Caim. Porque aqui, agora, nós temos o auge do processo, que é o Caim.

    Aquela cena aparentemente ingênua do primeiro diálogo da serpente com Eva, a serpente tinha em vista o quê? Um Caim. O projeto da serpente, ele só pode formar Caim, ele não forma outra coisa. Olha que interessante isto. Então, nós poderíamos dizer que, como gostava de dizer o Honório Abreu, ele gostava de dizer isto, que do ponto de vista físico, nós temos o processo de concepção. Então, um espermatozóide é introduzido num sistema orgânico feminino e isto gera um bebê. Mas, este é o processo físico, este é o processo das formas.

    André Luiz vai falar, no livro Evolução em Dois Mundos, de um outro processo mais sofisticado, que é o da fecundação psíquica. O que é fecundação psíquica? Quando alguém, pode ser homem, mulher, porque isto não tem a ver com forma física, não tem a ver com órgão genital, alguém coloca em você a semente de uma ideia, a semente de um sentimento, de uma postura, de uma atitude e você acolhe esta semente, deixa ela florescer e daí um tempo você está reproduzindo na sua vida esta conduta. Então, aquilo que era uma ideia, um sentimento, um valor, agora é vida, é vida prática, é modo de viver.

    Então, esta é a ideia que Eva concebeu. Ela concebeu o quê? Ela concebeu Caim que é fruto da semente inoculada pela serpente. Ou seja, o projeto era rebelar-se contra Deus, desconectar-se de Deus e tentar estabelecer um reinado humano. E, o Caim é a máxima expressão deste projeto. O Caim é a concretização deste projeto. E, qual o primeiro fruto? Entende? Por isso que Jesus diz assim, você quer conhecer a árvore? Quer conhecer a árvore? Porque nós podemos ficar aqui em uma discussão filosófica sobre a proposta da serpente.

    Aí, um fala, não, mas esta proposta não é tão ruim assim. Aí, o outro fala, é, ela é ruim, mas tem um aspecto bom. Então, você pode se perder num oceano de especulações racionais. Por isso, qual o critério para se avaliar? O fruto, o fruto qualquer ideia. A gente avalia o valor de uma ideia pela consequência prática objetiva e concreta que ela gera. Porque toda ideia, na aparência, toda ideia tem um brilho. Toda ideia tem um brilho. Reluz, ainda que seja brilho de latão, de lata, mas brilha. Lata velha, mas reluz. Uma lata velha que reluz.

    A questão é o concreto. O projeto da serpente não poderia ser diferente, porque eu tiro Deus do centro, coloco um ego, um eu. Quando Deus está no centro, Ele vela pelo universo inteiro. Então, todos são irmãos e todos são seus filhos. E Ele cuida de todos com igualdade. Se eu tiro Deus do centro, coloco o eu, o que vai acontecer? Eu tenho a egolatria e o egocentrismo. A egolatria e o egocentrismo geram o que de fruto? Geram o que de fruto? O que que gera de fruto? Eliminar meu irmão. Se ele estiver entre eu e o meu objetivo.

    Porque é a egolatria. Eu tenho que ser o principal. Aqui, ele não era o principal. Caim não era. Ele queria ser o máximo, mas ele não era o máximo. Então, eu vou eliminar o máximo, porque aí eu me torno o máximo. É a lógica. É a lógica daquele que tem o ego no centro. É a lógica natural. Esse é o fruto. O fruto do projeto da serpente é que ela gera Caim. Essa é a grande lição da passagem. Essa é a grande lição. E a grande pergunta. Por isso que Jesus, a todo momento, volta para o livro de Gênesis de Moisés. Conhece a árvore pelo fruto.

    Olha, alguém está com uma ideia bonita, está falando algo, está com uma proposta, muito bonita, mas, na prática, qual que é o resultado efetivo disso? Qual que é o resultado efetivo? O que que isso gerou de concreto? Por isso que tem uma passagem belíssima. Está retratada naquele primeiro filme do Bezerra de Menezes, em que alguém chega para o Bezerra e tenta fazer uma contraposição, uma disputa intelectual, um esgrime intelectual, porque isso é fácil de fazer. Isso é a coisa mais natural. A gente ficar esgrimando, disputando ideia, filosofia, argumento, não é isso mesmo.

    Isso aí é fácil. Todo mundo faz isso. Então, começa essa disputa entre materialismo e espiritismo e ele ataca ali a crença do Bezerra e o Bezerra, muito simples, foge desse esgrima, dizendo, olha, então me apresenta os resultados. Quer dizer, qual o fruto do materialismo? Alguma mãe que perdeu o filho e que ele consolou? Alguém que perdeu tudo e que foi amparado? Qual é o fruto concreto? O resultado concreto? Então, nós temos que atentar para isso, ficar muito atento para isso, porque isso também tem acontecido, até no movimento espírita.

    Surgem ideias, pessoas agredindo outras, criticando obras, criticando missionários, trabalhadores. Então, vamos ver qual é o fruto desse crítico. O que ele apresenta de fruto concreto? O que a sua vida gera de bem-estar para a comunidade na qual ele está inserido? O que ela gera? Qual o fruto? Então, aqui, o texto bíblico, engenhosamente, começa com a proposta de uma serpente e erva, engeno, adão, tem o Caim. Chegou o Caim, o fruto. E, Caim é um assassino, porque o processo do reino do eu é um processo de assassinato.

    É. Para que exista uma fortaleza do eu, do eu que eu falo aqui, do egoísmo, egolatrio, egoísmo. Porque, no reino de Deus, não há uma anulação do eu. Não. Não. No reino de Deus, o eu se submete à inteligência suprema e ao amor supremo. Mas, ele está ali, presente. Agora, no reino do eu, não. No reino do eu, eu elimino tudo, só tem eu. Essa é a diferença aqui. E, a primeira tendência da egolatria e do egoísmo é Eliminar o outro. Eliminar o outro. Eliminar. Então, a primeira coisa que eu penso, tirar a pessoa do grupo, excluir ela do movimento, matar, não deixar que ela fale, não deixar que ela participe, excluir.

    Exclusão. A Constelação Familiar vai falar muito dessa lei, que a lei dos sistemas é uma lei de inclusão. A exclusão é ferir a lei divina. Ferir a lei divina. Por isso, Jesus não exclui Judas do colégio apostólico. Jesus adverte ele, fala eu sei o que você está fazendo, eu sei o que você vai fazer, você só está iludindo a você, a mim não. Mas, não exclui. Ninguém exclui Judas, ele que se excluiu. Isso é bonito, isso é muito bonito. O processo de exclusão é o processo do Cain. E, por isso, o poema, que lindíssimo, outro poema do Augusto dos Anjos, está aqui no Número Infinito, essa coletânea, chama Civilização em Ruínas.

    Civilização em Ruínas. Todo o mundo moderno, horrendo, em ruínas, deixa agora escapar o horrendo fruto de miséria e de dor, de pranto e de luto, feito de sane e de cadaverinas. Olha só! Está percebendo que ele está evocando palavras ligadas a Cain? Porque, onde tem assassino, tem cadáver. Onde tem assassinato, tem insânia, loucura. Cain é fruto de um processo. Olha então, vou ler de novo. Todo o mundo moderno, horrendo, em ruínas, deixa agora escapar o horrendo fruto. O fruto, a consequência. De miséria e de dor, de pranto e de luto.

    Por quê? Porque houve morte, assassinato, feito de sane e de cadaverinas. Em vão sobre o calvário áspero e bruto, sangrou Jesus em lágrimas divinas, sob as ofensas torpes e tigrinas, a tentarem-lhe o espírito incorrupto. Saturada de treva, angústia e pena, a civilização que se condena, suicida-se num báratro profundo. Porque, na luz dos círculos da terra, nos turbilhões fatídicos da guerra, ainda é Cain que impera sobre o mundo. Forte, não é? Vou ler de novo. Porque, na luz dos círculos da terra, nos turbilhões fatídicos da guerra, ainda é Cain que impera sobre o mundo.

    Então, basta a gente olhar. Você olha hoje para os governos, para os fenômenos das nações que estão ocorrendo, sobretudo envolvendo a Ásia. Quem que impera sobre o mundo? Cain. Cain. E, a sua fome de morte, a sua fome de sangue, isso é importante, não é? Agora, quando nós comentamos isto aqui, neste estudo, não é para ficar fazendo crítica social ou política, nem sociológica. Não é isso, não é? Porque, seria muito cômodo nós, aqui, sentados na varanda da nossa casa, nos arvorarmos em julgadores e juízes de líderes e de nações.

    É muito atrevimento. Não é isso? Quando nós mencionamos isto aqui, é para uma reflexão pessoal, pessoal. Então, assim, o que nós precisamos refletir com esta mensagem é quanto Cain ocupa na minha vida? Quanto? Qual é o papel que Cain ocupa no meu pensamento no meu sentimento, na minha conduta? Eu estou excluindo pessoas e instituições porque elas são imperfeitas? Eu estou poupando a condenação de quem está errado? Eu estou criticando, agindo, querendo destruir com a minha palavra pessoas ou instituições? Eu emano sentimentos de ódio, de raiva contra pessoas e grupos?

    Eu ajo de uma maneira que levanto de manhã, vou a uma padaria e aí eu mato a alegria do atendente que está me entregando o pão porque eu acordei mal-humorado? Eu vou para o aeroporto e tiro a tranquilidade da pessoa que está trabalhando simplesmente porque eu estou ansioso? Isso é Cain. Isso também é Cain. Isso também é Cain. Eu mato a reputação de pessoas porque me permito divulgar no WhatsApp, na internet ou em conversas? Eu me permito atacar a honra das pessoas? O trabalho através de uma crítica não construtiva, de uma crítica agressiva, pessoal, ofensiva, é Cain.

    Isso é Cain. Denegrir alguém, atacar, ferir, abandonar, abandonar, isso é Cain. É a conduta de Cain. Esse é o fruto. É o que ele fala. O horrendo fruto. Alguzandre é genial. Todo mundo moderno, horrendo, em ruínas, deixa agora escapar o horrendo fruto. Esse é o fruto. É o fruto. O que mais é o fruto de Cain? Vamos pensar aqui, fruto de Cain, inveja ou com inveja do irmão, soberba. Qual de nós não tem soberba? Qual de nós? Qual de nós encarnada aqui não tem soberba? Nós temos. Agora, a pergunta não é essa. Essa é a pergunta errada.

    Eu não tenho que ficar perguntando, ah, eu sou orgulhoso, eu sou egoísta, eu sou invejoso. Essa pergunta é tola, porque somos, todos somos. A pergunta que Santo Agostinho nos aconselha a fazer é diferente. A pergunta que ele nos aconselha a fazer é qual o papel que a soberba ocupa na minha vida ou desempenha na minha vida? Qual o percentual de soberba nas minhas atitudes? Porque que tem soberba, tem. Eu tenho soberba, eu tenho soberba, eu sou soberbo. Mas, qual que é o percentual? Como é que está isso? Percebe? Porque, se eu estou com um percentual alto de soberba, eu preciso olhar isso, preciso cuidar disso, preciso me conhecer, refletir, lá como Santo Agostinho, dormir, e falar, puxa vida, mas olha, aquela hora que eu estava no trânsito, porque que eu fiz aquele jeito?

    Soberbo, nossa, então, a soberba agora está influenciando até a maneira como eu dirijo. Puxa vida, eu fui na loja, vi um negócio, mas olha, engraçado, a inveja agora, ela está influenciando até a roupa que eu compro, porque eu estou comprando por inveja. Eu não estou comprando para atender a uma necessidade. Essa reflexão é mais profunda. Essa é a reflexão que nós devemos fazer. Esse é o conhece-te a ti mesmo. É você medir percentual. Qual o percentual de orgulho na minha vida? O que é que é o orgulho? Puxa vida, mas está complicado, porque o orgulho agora está influenciando a minha relação com o meu filho, com a minha filha.

    O orgulho agora chegou na minha relação conjugal. Então, está sério. Está sério, eu preciso acender a luz vermelha, eu preciso corrigir isso. Não é perguntar eu tenho ou não tenho orgulho? Não existe encarnado na Terra que não tenha orgulho. Não existe ninguém encarnado na Terra que não tenha inveja. Não tem ninguém encarnado que não tenha violência. Violência, soberba, inveja, maldade, prepotência, egoísmo, vaidade, todos os encarnados na Terra possuem. Porque quem não possui nada disso não encarna mais em planetas como a Terra, no mínimo, no mínimo.

    Se encarnar, encarna em outros orbes muito a frente. Mas, não em orbes físicos como a Terra. Não encarna. Não encarna. Está aqui encarnado? Tem isso. Mas, essa pergunta, a grande pergunta é percentual. Qual o percentual que a maldade, a maldade já está já está ditando como eu faço compra no supermercado? Olha que interessante isso. A maldade está ditando a minha atuação no movimento espírita. Olha só. Olha. A minha insânia de excluir, de matar pessoas, está indo para a minha atuação dentro da casa espírita? É preocupante.

    Eu preciso olhar isso. Fazer como Santo Agostinho, anotar, anotar. Puxa vida, hoje eu fui fazer a tarefa, eu cheguei, eu sou o coordenador da tarefa, mal tratei todo mundo que estava trabalhando, gente, eu estou virando um caim, nossa, esse meu lado caim está dominando a minha atividade espírita. Aí, tem que ir lá, tem que anotar, tem que vigiar, começar a reduzir, porque é o fruto. Então, é fácil a gente sentar aqui e falar do presidente da Coreia e xingar ele e criticá-lo, não é? Aí, eu vou para o aeroporto, dá um problema no check-in e eu faço o que?

    Eu ajo exatamente como o presidente da Coreia. Exatamente. Exato. Vocês querem ver? Vamos dar um exemplo aqui que é sério. Aí, a gente critica o presidente dos Estados Unidos, o presidente da Coreia, o presidente da guerra. Aí, você compra um ingresso para assistir um espetáculo espírita, dá um problema. Aí, o que você faz? Você age como Caim. Age como Caim. Liga lá o fim de agride, berra, grita. Se tiver uma arma, tira. Um ingresso para ir em um evento espírita. Então, o que isso significa para mim, para você? Para todos nós?

    Porque eu não estou me excluindo disso. Aliás, eu devo confessar aqui de público, eu estou preocupado com o quanto Caim está imperando em mim, Haroldo. O quanto Caim, eu estou preocupado que eu já estou alerta para ficar vigilante e diminuir isso em mim. Então, eu já identifiquei. Eu estou falando aqui para mim. Se isso, de algum modo, puder te ajudar, se isso se aplicar a você, mas eu estou falando de mim. Estou preocupado comigo, não é? Ainda é Caim que impera sobre o mundo. Mas, o mundo lá fora? Não, sobre o mundo íntimo também, principalmente.

    Ainda é Caim que impera sobre o meu mundo íntimo. Porque, se eu pegar as últimas três semanas, eu, eu, as últimas três semanas da minha vida e contabilizar os minutos em que as minhas ações, sentimentos, sentimento, pensamentos e palavras estavam em harmonia com Jesus, desse tamanhinho assim. Mas, se eu somar as palavras, atitudes, pensamentos e sentimentos que estavam em sintonia com Caim, dominou quase que todo o tempo das últimas três semanas. Então, quem que impera no meu mundo íntimo? Quem que está dando ordens aqui?

    Quem que é o presidente do meu coração? Quem que é o presidente do meu país? Caim. Do meu país interior. É ele que preside, é ele que manda, é ele que impera. Não é nem presidente, ele é o imperador. Imperador. E, como ele é o imperador, no meu mundo íntimo, a maioria das minhas ações reflete o quê? Uma vontade de eliminar as pessoas. Você fala, mas, eliminar as pessoas, Haroldo? Como assim? Eu nem tenho vontade de matar. É, acontece que, para Jesus, vamos lá no Sermão do monte, para Jesus, você pensar mal em uma pessoa, você já está matando ela, porque você está excluindo ela.

    Você diminuir uma pessoa, você já está matando. Por que matando? Você está tirando o papel que ela ocupa no sistema que você vive. Deus a colocou no sistema, então, pelo simples fato de eu diminuir a pessoa, eu já estou matando, eu estou excluindo, eu estou querendo tirá-la. Como diz Jesus, só de eu falar a raca, só de eu falar alguma coisa que denigre a imagem de alguém, eu já estou agindo sob inspiração de Caim. É Caim imperando sobre o meu mundo íntimo. Aqui, a gente viu o tamanho do problema que nos espera. Agora, fazemos essas reflexões, não para desanimar ninguém, não para deixar uma mensagem de desalento, de desesperança, não, de jeito nenhum.

    Por que nós estamos dizendo isso? Para que, seguindo o conselho de Santo Agostinho, a gente adquira o hábito de toda noite pegar lá o iPad, e agora não é nem cadernetinha mais, pega o iPad ou o tablet, anota, anota seu dia, anota na primeira coluninha Jesus, na segunda Caim, e anota. Acordei de manhã, como é que foi o café da manhã? Jesus ou Caim? Depois, fui para o trabalho, como é que foi? No trânsito, Jesus ou Caim? E, aí, você vai medindo. Para você, não é para ninguém. Você não tem que mostrar isso para ninguém.

    Ninguém vai cobrar isso de você, nem seu Espírito protetor vai cobrar isso de você. É sua consciência, é você, é sua meta, pessoal, de esforço. E, aí, nós vamos nos conhecendo. Então, a gente faz isso não é para já intervir e para melhorar, não, é para se conhecer, para eu ter a exata dimensão de quanto Caim manda em mim. Porque, depois que eu mapear, nossa, aí eu vou montar uma estratégia para, aos pouquinhos, tirar o poder de Caim e conferí-lo, conferí-lo ao Cristo, ao Cristo dentro de mim, interior, interno. Essa é a proposta que nós temos.

    Nós estamos estudando isso aqui para a redenção, para a nossa iluminação, não para a nossa depressão. Não é para isso, mas, não podemos nos manter nem em ingenuidade. É preciso identificar o fruto. Então, tem muita árvore bonita, com aparência bonita, com folha bonita, com flores exóticas e perfumadas, mas, e o fruto? E o fruto? Qual é o fruto? O fruto é o propósito de toda a árvore. É o propósito de toda a árvore. Então, fica essa lição aí, com a ajuda do Augusto dos Anjos, que faz essa análise maravilhosa de toda a humanidade, de toda a civilização humana, nos ajudando, também, a fazer uma análise mais interior do nosso mundo íntimo, dessa imensidade que é o nosso território interior, para que a gente faça aquela edificação proposta lá na questão de O Livro Consolador.

    A edificação interior, que é o Evangelho dentro de nós. Então, até o próximo episódio, onde nós vamos conviver mais com o nosso Caim, estudar mais essa figura e o Abel, o que foi assassinado, que há lições aí, valiosas, nessa passagem enigmática, simbólica, envolvendo essas grandes personagens desse drama. Até o próximo episódio! A civilização traz o gravame Da origem remotíssima dos áreas Extirpidas histórias planetárias Segregadas num mundo amargo e infame Árvore genealógica de párias Faz-se mister que o cárcere a conclame Para reparação e para o exame Dos seus crimes nas quedas milenárias Foi essa raça podre de miséria Que fez nascer na carne deletéria A esperança nos céus inesquecidos Glorificando o instinto e a inteligência Fez da terra o brilhante grau da ciência Mais um mundo de deuses decaídos A civilização traz o gravame Da origem remotíssima dos áreas Extirpidas histórias planetárias Segregadas num mundo amargo e infame Árvore genealógica de párias Faz-se mister que o cárcere a conclame Para reparação e para o exame Dos seus crimes nas quedas milenárias Foi essa raça podre de miséria Que fez nascer na carne deletéria A esperança nos céus inesquecidos Glorificando o instinto e a inteligência Fez da terra o brilhante grau da ciência Mais um mundo de deuses decaídos Em comparação com o local que se vive.

    Então, se a gente não entende esse aspecto aqui, talvez a nossa leitura desses textos aqui esteja ingênua. Porque esses textos foram motivados por um sentimento interior que nem quem escreveu sabia.

    Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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