#053 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias dá continuidade à análise do Livro de Gênesis, focando no diálogo entre a serpente e a mulher. O estudo aprofunda-se na simbologia da serpente e suas implicações para a compreensão da evolução espiritual e dos desafios morais da humanidade.

O que é estudado neste episódio

  • A simbologia da serpente: A serpente é analisada como um símbolo do elemento tentador, da astúcia e da manipulação. O estudo explora como a serpente, a partir de Gênesis 3, reaparece na tradição apocalíptica como dragão, representando a amplificação do mal em dimensão, alcance e intensidade.
  • Interpretação oriental vs. ocidental: Haroldo Dutra Dias destaca a importância de compreender a linguagem simbólica oriental do texto hebraico, evitando interpretações literais que desviam do significado essencial que o autor bíblico quis evocar. A astúcia da serpente é caracterizada pela sutileza, ocultação e manipulação, misturando verdade e mentira para confundir.
  • Concupiscência e atração: A concupiscência é apresentada como o elemento interior que permite a ligação entre o indivíduo e o manipulador, conforme a epístola de Tiago (capítulo 1, versículos 13 e 14). Eva foi atraída e “engodada” pela serpente devido a um desejo cultivado em sua intimidade, que a tornou vulnerável à manipulação.
  • Hierarquia de experiência espiritual: O estudo propõe uma hierarquia de experiência entre Adão, Eva e a serpente. Adão representa a alma mais primária, Eva um estágio intermediário, e a serpente uma alma mais experiente, porém cristalizada no mal. Essa distinção explica as diferentes “penalidades” ou processos educativos para cada um: trabalho para Adão, dor para Eva e expiação para a serpente.
  • A mente e a ilusão: A mente humana, segundo Emmanuel (em “Pensamento e Vida”), cresce entre ilusões que assaltam a inteligência. O erro não é por falta de inteligência, mas pela ação de desejos e compulsões que “amordaçam” a razão. O processo educativo após a ilusão é a “desilusão”, que permite à inteligência reavaliar e aprender.
  • Referência de Jesus à serpente: A fala de Jesus em João, ao dizer “Vós tendes por pai ao diabo e vos esforçais por fazer a sua vontade”, é interpretada como uma referência ao “adversário” (diabolos/satanás), que propõe um caminho oposto ao de Deus.
  • Inteligência e inspiração divina: A proposta de Deus é que a inteligência humana seja usada sob inspiração divina, levando ao bem. Quando a conexão com o divino é cortada, a inteligência busca conteúdo na própria experiência, que ainda é muito ligada à animalidade.
  • Domínio sobre a herança animal: O diálogo entre a mulher e a serpente simboliza a necessidade de humanizar as emoções e dominar a herança animal, que se manifesta em reações instintivas. A evolução consciente implica em agir de forma ponderada, e não apenas reagir impulsivamente.
  • Reações e autoconhecimento: A importância de observar as próprias reações é destacada como um meio de autoconhecimento, revelando o “passado dominante” e as conquistas espirituais.
  • Multiplicação da serpente (símbolo): A serpente, como símbolo, se multiplica em Gênesis, representando todo o conteúdo psíquico animalístico e instintivo. Essas experiências dos reinos inferiores não são negativas em si, mas precisam ser usadas de forma adequada, com autodomínio e discernimento, conforme a inteligência iluminada pelo Evangelho.

Reflexões

  • A astúcia da serpente em Gênesis revela a natureza sutil e manipuladora do mal, que se manifesta na mistura de verdade e mentira, e na ausência de clareza de intenções.
  • A vulnerabilidade à tentação reside na concupiscência interior, ou seja, nos desejos e inclinações que cultivamos, que podem nos tornar suscetíveis à manipulação.
  • A evolução espiritual é um processo de aprendizado e desilusão, onde a inteligência, quando libertada das amarras dos desejos e compulsões, nos guia para o autodomínio e para a ação consciente, inspirada pelos valores do Evangelho.

Ler transcrição do episódio

O LIVRO GÊNESIS DE MOISÉS Estamos aqui, em mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis de Moisés, neste ano de 2017, dando sequência ao episódio anterior em que nós comentávamos aquele diálogo ocorrido entre a serpente e a mulher. Retomando alguns pontos, nós estamos aqui utilizando a tradução da Bíblia de Jerusalém, porque ela possui algumas notas interessantes, ela faz algumas referências a outros textos bíblicos, e, embora ela apresente alguns aspectos problemáticos com relação à tradução do hebraico, naquilo em que tiver uma dificuldade, nós vamos complementando com o próprio texto hebraico do original e vamos fazendo algumas observações.

Por isso, ao longo dos episódios, algumas palavras, nós vamos tomar o significado delas no grego, no hebraico, que é o original do Velho Testamento, vamos trazer a tradição judaica para nos ajudar, ou seja, o nosso estudo, ele tenta abrir caminhos para uma melhor compreensão do texto, não ficando restrito a uma única tradução. A gente sempre comenta isso, é muito perigoso depender de uma única tradução. Aqui, por questão de praticidade, nós utilizamos a Bíblia de Jerusalém, mas, na verdade, usamos, também, a Bíblia do Peregrino, utilizamos João Ferreira de Almeida, Revista Incorrigida, utilizamos traduções da própria comunidade hebraica e texto da Interlinear, editado pela CPAD.

Várias edições, várias traduções são utilizadas neste nosso estudo. E, aqui, nós comentávamos no episódio anterior sobre o significado da serpente. A serpente, a partir deste texto básico do capítulo 3, ela vai reaparecer em diversas épocas, em diversos episódios, mas modificada. Por exemplo, na tradição apocalíptica, que é a literatura que fica no período intertestamentário, entre o Velho e o Novo Testamento, quase 200 anos, nós tivemos um hiato do último profeta até os textos do Novo Testamento, neste ato produziu-se uma literatura chamada de Apocalíptica.

Na Apocalíptica, a serpente vai aparecer como dragão. Então, o que a gente percebe que aconteceu? Uma amplificação da serpente, mostrando a progressão geométrica do mal. Não se trata de uma progressão simples. Aquele elemento psíquico simbolizado pela serpente, ele ganha em dimensão, em alcance, inclusive territorial, porque passa a englobar o mundo inteiro e ele ganha também em intensidade. Então, é uma serpente muito mais astuta, é uma serpente com mais técnica, com mais ardil, com mais estratégia, mais sofisticada do que essa que aparece aqui no texto original de Gênesis, que é a primeira vez em que ela ocorre.

A gente sempre gosta de frisar que um erro básico cometido por nós ocidentais, nós ocidentais, quando lemos este texto oriental e é oriental este texto, os hebreus estavam no Egito, depois passaram pela Pérsia, ficaram um pouco na Grécia, Babilônia, ficaram um tempo cativos na Babilônia, tiveram contato com muitos povos do Oriente e tem uma linguagem, a própria língua hebraica é de filiação oriental. O modo de pensar do hebreu é muito diferente do nosso modo de pensar. Quando eles utilizam um símbolo, eles estão querendo captar um elemento essencial do símbolo, mas nós não podemos exagerar no símbolo.

Então, eu vou dar um exemplo. Você não é que não pode, mas deve evitar. Você vai examinar aqui a serpente, aí você começa a ficar pensando na cor da serpente. Se ela tem língua ou se ela não tem língua? Se a língua dela é fendida ou se não é fendida? Isso é relevante para o texto? Parece-nos que não. O que o autor bíblico quis evocar, evocar da serpente? Essa é a pergunta que nós devemos fazer. Quando ele coloca uma serpente para simbolizar o elemento tentador, aquele elemento psíquico que vai confundir, que vai derrubar, que vai ativar em nós um conteúdo de ignorância ou de inferioridade moral, por que escolheu para simbolizar esse elemento psíquico a serpente?

O próprio texto vai dizer porque ela rasteja, porque ela é sutil, ela se esconde, a serpente não fica às claras, ela está sempre escondida, ela está sempre se ocultando, ela sempre está agindo na reação, na reação, ela espera primeiro uma ação e ela reage, ela sempre pega por trás, pelo calcanhar, de suas laio, essa é a característica da serpente. Por isso, a palavra básica utilizada aqui astuta e astúcia é isso, astúcia é uma coisa que não é feita às claras, astúcia é uma capacidade não muito elogiável que certas pessoas têm de ocultar, de manipular, de lidar, ela fala um pouco de verdade e ela mistura um pouco de mentira na sua fala, essa é a astúcia, então você fica confuso porque a pessoa está dizendo a verdade, mas ela também está dizendo mentira e você não consegue distinguir o que é verdade e o que é mentira, a pessoa silencia, mas ela silencia para te confundir, quando ela fala, ela fala pela metade para poder te induzir, ela nunca parece que está te sugerindo nada, ela nunca parece que está dizendo, ela nunca se compromete, ela apenas problematiza.

Então, a atuação da serpente, aqui, revela a astúcia, porque ela não chega para a mulher e diz assim olha Eva, eu tenho um plano, o meu plano é dominar o mundo e, para isso, eu quero me opor ao projeto de Deus, Deus criou um ser humano, a sua imagem e semelhança e esse ser humano é simples e ignorante, mas ele precisa ganhar experiência através do amor e da conexão com Deus, mas eu quero defender um projeto contrário, eu quero me opor a Deus e eu quero experimentar por conta própria, eu não quero depender de Deus, eu quero fazer o que me dá vontade e, como eu estou me opondo, estou aqui chamando algumas pessoas para se opor a mim, isso não é astúcia, isso não é astúcia, isso revelaria um tal grau de sinceridade que aí não seria serpente, aí não seria serpente, a serpente não faz isso, então ela chega, ela não diz que tem projeto, ela não diz a que veio, ela não fala dela, mas ela levanta a questão, o que Deus te disse?

Ah, ele te disse isso porque ele está com medo de que se você comer do fruto da árvore, do conhecimento do bem e do mal, vai ficar igual a ele, você vai ter o conhecimento do bem e do mal, ou seja, esse é o ardinho, ela não diz a que veio, ela não diz o que ela apetende, ela não diz o que ela lucra com essa história, qual que é o ganho dela nessa história, ela simplesmente joga com verdade e mentira, ela joga com luz e sombra, ela oculta e essa é a marca, é a marca do mal, é a marca da obsessão, é a marca da fascinação, é a marca da influenciação espiritual inferior, toda influenciação espiritual inferior joga com esse ardinho, joga com esse ardinho, você não consegue identificar o que a pessoa quer, o que ela está dizendo aqui, qual que é o interesse dela, porque nada é claro, tudo fica no oculto, tudo fica no nublado, se você diz assim, não, eu não disse isso, eu não disse isso, em nenhum momento eu disse isso, em nenhum momento eu pedi isso, portanto, manipulação é a marca da serpente, mas manipulação é apenas um lado da moeda, o outro lado da moeda é a concupiscência, a concupiscência é aquele elemento no interior do outro indivíduo que permite a ligação dele com o manipulador.

O apóstolo Tiago Menor percebeu isso, tanto que ele escreveu na sua epístola, no capítulo 1, versículo 13, onde ele diz assim, que Deus não tenta, não testa ninguém, mas, cada um é testado quando atraído, atraído e engodado pela própria concupiscência. Versículos 13 e 14 do capítulo 1, atraído, isso é interessante, houve uma atração entre Eva e a serpente, Eva atraiu a serpente, ela atraiu e foi engodada, o engodo é como se fosse o anzol, o anzol que pega o peixe, esse é o engodo, tem lá a isca e ali a pessoa é capturada.

Então, Eva foi atraída e depois ela foi fisgada pela serpente, por quê? Por conta de um elemento que ela cultivava na sua própria intimidade, não fosse esse elemento de sombra cultivado por Eva na própria intimidade, ela não teria atraído, ela não teria sido envolvida pela serpente e ela não teria mordido a isca. Emmanuel é tão sábio que ele usa um símbolo que é muito interessante neste caso, ele diz assim, Pegue uma vasilha cheia de diamantes e coloque na frente de um cavalo. Tire esta vasilha de diamantes agora e pegue uma vasilha cheia de milho.

Quando você coloca uma vasilha cheia de milho na frente de um cavalo, ele vai ficar perturbado, vai querer comer o milho, o diamante não vai ligar, agora faz isso com o ser humano, depois o milho e a vasilha de diamante, ele vai para o diamante. Então, cada um é atraído e fisgado pela concupiscência interior, ou seja, por aquele desejo acalentado na intimidade. O fato aqui é que Eva acalentava já este desejo da serpente, ela poderia não ter a astúcia que a serpente tinha, ela poderia não ter um plano articulado como a serpente tinha, porque, neste caso, nós vamos concluir que a serpente é mais experiente que Eva e mais experiente, mais ainda do que Adão.

Aqui, é uma hierarquia de experiência. Adão é a alma mais primária na linguagem de Emmanuel, depois temos Eva, que está um pouco adiante e, depois, temos a serpente, que está um pouco adiante. Aí, talvez, surja uma dúvida em você. Você está querendo dizer que a serpente é mais evoluída? Experiência, tempo de experiência evolutiva, ser uma alma mais velha ou uma alma mais nova, necessariamente, não significa ser um espírito superior, um espírito bom. Por que? A alma jovem, inexperiente, está naqueles estágios ainda iniciais da evolução como ser humano.

É ingênua, não tem experiência, não tem uma história evolutiva mais complexa. À medida que ela vai progredindo nas reencarnações, vai adquirindo conhecimento, aí, se bifurca. Ela pode optar pelo caminho do bem e, aí, vai se tornando um espírito bom, um espírito superior ou ela pode, também, optar pelo caminho do mal. E, ela vai ganhando, então, experiência na maldade, na malícia, em se opor a Deus, em ferir a lei divina. Vai se tornando um experto em violar a lei divina. Isto, também, ocorre. Então, é uma alma velha, experiente, mas cristalizada no mal.

Aqui é o caso. Aqui é o caso. Nós temos uma Eva já experiente, mas não tão astuta como a serpente. E, temos um Adão cuja falha é ingenuidade, é não avaliar, é não ter uma identidade própria, é seguir inconscientemente propostas, seguir inconscientemente o que está acontecendo. Este é o caso aqui. Por isso que as penalidades vão ser diferenciadas. A gente vai perceber isto aqui. A penalidade de Adão é de trabalho, trabalho com o suor do rosto, dos espinhos. Por quê? Porque são elementos de dificuldade que vão dar experiência a Adão.

Já no caso de Eva, que está meio caminho, é um espírito mais amadurecido, mais experimentado, mas já inclinado, já se inclinando para os caminhos do mal, o remédio vai ser o quê? O parto doloroso, a dor. Então, já não é mais um trabalho duro e árduo, já é a dor. E, para a serpente, já é o total elemento de expiação. Então, ela arrasta no chão, ela vai comer pó, ela vai ser esmagada, é a expiação, já é o elemento cármico nos seus níveis mais intensos, dado o grau de astúcia e o grau de maldade. Isto é muito bonito, porque este texto aqui é um retrato da evolução.

Ele mostra as possibilidades da evolução do Espírito. Isto é que é bonito da gente avaliar. Por conta deste desejo, por conta desta concupiscência interior, Eva se entregou a este ardil truncado, porque toda manipulação é truncada, todo engano, todo engodo é truncado. Você só cai naquilo porque tem um desejo que fere a sua racionalidade. É por isto que Emmanuel vai dizer no livro Pensamento e Vida, no capítulo 1, A Mente e o Espelho da Vida, que a mente humana, que tem mentes em outros graus evolutivos, que não estão na espécie humana, mas ele vai dizer que na espécie humana, como que a mente cresce?

Ela cresce entre ilusões que salteiam, ou seja, que assaltam a inteligência, ilusões que assaltam a inteligência. Significa que nós cometemos o erro não foi por falta de inteligência, por falta de experiência. Nós tínhamos inteligência suficiente para identificar o ardil. Nós tínhamos compreensão, porque senão não seria permitido. Se o Espírito não tem a inteligência suficiente sequer para dimensionar o que está acontecendo, a providência divina atua no caso. Só há teste para o aluno que aprendeu a matéria. Ninguém faz uma prova de um conteúdo que não foi ensinado.

Não é razoável isso. Eu estou na quinta série e aí recebo uma prova da sétima? Não é razoável isso. Eu só posso ser testado naquele conteúdo que eu já aprendi, que eu já tenho noção. Então, a inteligência aponta olha, isso não pode, isso está errando, isso não pode ser feito assim, mas, aí vem a ilusão, a ilusão que é alimentada pelo desejo ou, às vezes, por uma pulsão, por uma compulsão. Esse desejo, essa compulsão, às vezes, um vício faz com que a nossa inteligência seja agredida, amordaçada, amarrada, colocada no porta-mala do carro e a ilusão pega o volante e ela comanda o veículo.

E, aí, sucede um conjunto de equívocos, um conjunto de experiências dolorosas, dolorosas, em que o Espírito vai desiludir. Uma vez entregue a ilusão, o processo educativo é a desilusão. Na desilusão, a gente recolhe os caquinhos que sobraram, os pedacinhos que sobraram, abre o porta-mala, tira a mordaça da nossa inteligência, desamarra a nossa inteligência e a nossa inteligência agora liberta e fala eu sabia disso, isso aqui e, aí, começa a fazer a avaliação, regressa, realmente tinha esse furo aqui, tinha esse furo aqui, tinha isso, tinha isso, eu devia ter ouvido fulano, eu devia ter observado isso, eu devia ter sido cuidadoso, é assim que funciona, é assim que funciona.

Se fossem seguidos, se fossem seguidos os caminhos, os indicativos da inteligência, do bom senso, da ponderação, o erro não teria sido cometido, ao menos daquela maneira. Então, a experiência seria outra, poderia ter sido cometido um erro, porque nós somos imperfeitos, estamos em processo de aperfeiçoamento, mas seria um erro razoável, um erro dentro de um limite, não seria um erro tão fora do limite, tão irrazoável, tão exagerado, tão grave naquele ponto. Essa é a beleza aqui desse texto, é um texto tão pequeno, esse aqui do capítulo 3 e ele é o texto que vai servir de base a vários outros textos da Bíblia inteira.

O próprio mestre faz referência a esse texto aqui, que nós estamos estudando agora. Por exemplo, em João, quando ele está discutindo no Evangelho de João, quando ele está discutindo com os férias de Deus, ele diz assim Vós tendes por Pai ao diabo e vos esforçais por fazer a sua vontade. Foi assim desde o princípio. Está citando lá o princípio. Aí, cita Caim, o homicídio de Caim. É essa a história, porque o diabo aqui, vou explicar isso de novo, a palavra diabolos é uma palavra grega, diabolos. O que significa essa palavra grega, diabolos?

Ela significa adversário. Diabolos traduz uma palavra hebraica chamada satanás. Satanás é o hebraico que significa a mesma coisa, o adversário, o oponente. E, no latim, tanto satanás quanto diabo pode ser traduzido como demônio, etc. Diabo, Deus, em português a gente tem demônio, diabo, satanás, tem os três. Tem essas três traduções aí. Mas, o sentido é de adversário. Então, o que Jesus estava querendo dizer? Ele estava fazendo a referência lá ao princípio, dizendo que os fariseus estavam imitando, estavam seguindo o projeto da serpente.

Deus propõe um tipo de ser humano, a serpente propõe outro. O Criador propõe um ser humano que é a imagem e semelhança dele e que, portanto, utiliza a inteligência, olha aqui, que lindo isso aqui. A proposta de Deus é que a nossa inteligência seja utilizada sempre sob a inspiração divina. Quando nós usamos a nossa inteligência inspirados pela providência divina, a nossa inteligência vai nos levar ao bem, porque a inspiração divina vem como um sentimento de respeito ao outro, de não fazer o próximo que eu não quero que seja feito para mim, de amor, de seguir um conjunto de valores como fraternidade, solidariedade, humildade, bondade.

Então, quando esta inspiração chega na nossa inteligência, é como se a inteligência humana, imperfeita, limitada, se iluminasse sob a inspiração divina e, aí, ela será uma inteligência potencializada. Agora, quando a inteligência humana corta a internet, a conexão com a providência divina, o que ela vai fazer? Ela vai ter que buscar combustível, vai ter que buscar conteúdo. Onde que ela vai buscar conteúdo? Nela mesma, na própria experiência. Qual que é a nossa experiência? A nossa experiência é assim. Imaginemos que o nosso psiquismo seja um lago.

Um centímetro de profundidade do lago é a nossa encarnação no gênero humano e, Alguns quilômetros de profundidade de água é a nossa experiência nos reinos inferiores da natureza, no reino animal, no reino vegetal, no reino mineral. Então, comparativamente falando, nós somos uma peliculazinha humana e quilômetros de animalidade. A nossa experiência ainda é muito próxima da animalidade. A nossa referência psíquica ainda é uma referência animal. Nós estamos nos humanizando, nos tornando humanos e, depois que nos tornarmos humanos, através do Evangelho, aí sim, nós ingressaremos em uma outra fase, que é a angelitude.

Primeiro, o projeto é o homem de bem. O projeto do Evangelho sobre o Espiritismo é o anjo, é o homem de bem, o ser humano de bem. Humanizar que é o nosso conteúdo humano domine sobre a experiência multimilenar da animalidade, que é outro símbolo desta passagem. Este diálogo entre a mulher e a serpente quer dizer que as nossas emoções se humanizam, caminham em direção aos valores do homem de bem e domine sobre a herança animal, que é a serpente. Esta é a protesta. Acontece um fato. Nós temos uma reação instintiva de brigar, de xingar, de impor como um cachorro que é agredido e que quer morder, latir e morder.

Esta é a nossa experiência. Por quê? Porque esta experiência está arquivada em milênios e milênios e milênios para natural que ela flote. Mas, à medida que a alma vai se educando, vai se iluminando, ela consegue sentir isto, porque este conteúdo vem. Nós não podemos evitar o contato com a serpente. Não tem jeito. Ele vem, mas, quando ele vem, a gente faz com que este conteúdo novo domine. Você sente aquilo, mas, você não age inspirado por aquilo. Você para, segura, dorme, passa um dia, passa dois, você acalma, domina aquilo e, aí, você permite que a sua inteligência, inspirada pelos valores do Evangelho, tome a decisão.

Haja, você calcula, maçã, planeja, cria uma estratégia diferente do impulso animal. Então, aqui é interessante, porque há uma outra simbologia aqui. A serpente, a marca da serpente, é a reação. Porque, a gente não vê uma serpente andando aí na rua, você não vai ver uma serpente em uma estrada de terra, andando, no meio da estrada de terra, seguindo 5 quilômetros. Ninguém vê isso. Ela pode cruzar a estrada de terra, mas, ela fica escondida nos matos, nos cantos. De vez em quando, ela passa. Então, significa que a serpente age na reação.

Ela não age na ação, ela mais reage do que age. E, a evolução consciente é agir. Isso é que é difícil. Você está no trânsito, acontece uma coisa e você esqueceu de dar a seta, a pessoa te xinga, abre o vidro, para o carro, abre o vidro, olha para você e fala assim, ô, seu imbecil, seu idiota, dá a seta. Para aquilo, o seu sangue ferve, vai a 100 graus centígrados. Você fica perturbado. Ali é a hora do teste. Porque, se você for na reação, você vai baixar o vidro também e vai passar recibo. Se você conseguir sentir isso, fica vermelho, arrepiado, mas, você toma o controle.

Aí, você tem uma frase de equilíbrio. Nossa, está certo, me desculpe, cortou. Então, é um desafio. Ele falava demais? Falava muito demais. Falava que a gente preocupa muito com as nossas ações, porque a gente tem que preocupar muito mais com as nossas reações. São nelas que a gente revela, se revela. A gente começa a preocupar com a reação observada, e é um segundo que a reação nos pega. Você não está esperando, vem uma circunstância, você não está preparado, às vezes, você está em um péssimo momento, vem aquela circunstância, e vem dar uma rasteirada.

Eu lembro, uma vez, ele me contando assim, foi muito engraçado, que ele falou comigo assim, olha, quando você for fazer suas audiências lá, que aconteceu um fato grave, você não diga e não faça nada, você pede para ir ao banheiro, aí você sai do ambiente, vai ao banheiro, passa uma água no rosto, faz uma prece, porque aí você saiu do clima da reação, saiu do clima da reação, aí você volta para aquele ambiente, se posiciona, e aí, dá uma resposta. E, é verdade, porque tem coisa que você fala no calor, mas, em 30 segundos, você não fala daquele jeito.

Se você tomar uma água, um café, for ao banheiro, você não vai falar daquele jeito, você só falaria daquele jeito se fosse no impulso, se fosse no embalo aqui da serpente, se for na flecha da mão do alqueiro, se ele não souber como e onde lançá-la, ele não vai ter como recolhê-la, não vai ter como recolher, uma vez lançada, acabou, se ele atirar no impulso, acabou, pode se ferir, pode se ferir, ferir quem não gostaria, quem não gostaria, ou ferir além do que ele gostaria, ferir além do que ele gostaria, quer dizer, você quer dar um tapinha e acaba, quer dar um toque e exagera, e acaba dando uma droga, você quer dar uma advertência leve, não está errado, não está legal, aí você vem É, É a nossa reação, e, geralmente, a reação, ela denota a nossa verdade, Ela mostra o passado dominante, exatamente, quer dizer, o que já é conquista.

Então, aqui é importante, porque isso vai ser desenvolvido mais adiante no texto de Gênesis, nós vamos estudar isso, essa serpente vai se multiplicar, ela, eu estou falando do ponto de vista do símbolo, do símbolo, então, lá em Noé, essa serpente vai ser representada com todos os animais em par, em casal, ou seja, com a sua capacidade de multiplicação, revelando o que? Todo o nosso conteúdo psíquico animalístico ou instintivo, instintivo, porque a verdade precisa ser dita, nós não podemos, simplesmente, categorizar a nossa experiência de princípio inteligente nas faixas do reino animal como uma experiência negativa, de jeito nenhum.

Nós passamos por abelha, aprendemos a fazer mel, aprendemos a organização da colmeia, aprendemos a caçar, não é mal, esse conteúdo não é mal, não é mal. Essa ferocidade do leão, essa capacidade de correr em direção a uma presa, pode ser a determinação que você tem para passar em um concurso, é a mesma energia. O que Paulo vai dizer é que, às vezes, essa energia, ela não é má, mas ela é inadequada, ela é inconveniente em determinada situação. Em determinada situação, num trato com um coração, um irmão, numa reunião, num trato com alguém, você trazer essa energia do leão, ela é inconveniente, ela pode ser inconveniente.

Por outro lado, você pode estar na direção de um grupo, em um momento de crise, e você toma a liderança e lidera o grupo e salva as pessoas e faz por essa energia, a mesma energia que leva o leão a correr atrás da presa, ou a leoa, ou a leoparda, a mesma energia. Naquele momento, ela foi inconveniente. É o que leva Paulo a dizer que tudo é lícito, mas nem tudo lhe convém. Toda a experiência evolutiva é boa, mas não significa que ela é inconveniente. Aqui, a inteligência iluminada pelo sentimento inspirado, pelo sentimento alinhado com o Evangelho, vai permitir o bom uso desses arquivos espirituais, fruto da nossa passagem pelos reinos inferiores da natureza.

São lições valiosas, mas o texto bíblico disse, lá no capítulo 2, domine o homem sobre as feras, sobre as aves, sobre os peixes. Domine! Por isso que os Espíritos vão dizer, é o autodomínio, o autodomínio, o autocontrole, a capacidade de selecionar. Vem o impulso e a gente seleciona. Esse aqui é conveniente agora, esse aqui não é conveniente agora. Em determinados momentos, você tem que falar com energia, em determinados momentos você tem que falar com doçura. Tem um momento para ser beija-flor e tem um momento para ser leopardo.

Na hora que a gente entende isso, as experiências vão sendo utilizadas a nosso favor. Nós sempre podemos utilizar a nosso favor. Só se torna contra nós quando nós perdemos a conexão com as esferas superiores. No próximo episódio, nós continuaremos as nossas reflexões sobre este texto. Aqui, há um desejo deliberado de conhecer, experimentar e praticar o mal. Essa é a proposta da serpente. É essa a proposta dela para a mulher.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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