#054 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Gênesis, especificamente no Capítulo 3, que narra o diálogo entre a serpente, Eva e Adão, culminando na expulsão do Jardim do Éden. O expositor inicia o estudo explicando uma mudança no formato dos vídeos, que passam a ter quarenta minutos para facilitar a absorção do conteúdo denso.

O que é estudado neste episódio

  • A natureza incompleta do texto bíblico: Haroldo Dutra Dias destaca que nenhum texto, incluindo a Bíblia, esgota um assunto. Ele explica que todo texto é um pedaço de um diálogo, inserido em um debate contínuo, e que a intertextualidade é fundamental. Esta perspectiva permite compreender as lacunas e o que não é dito no texto, abrindo margem para a interpretação.
  • A pluralidade dos mundos habitados e a origem da serpente: À luz da Doutrina Espírita, o estudo aborda o princípio da pluralidade dos mundos habitados, que sugere que todos os corpos celestes são habitados, embora em diferentes graus evolutivos. A partir disso, a serpente é interpretada como um grupamento espiritual altamente intelectualizado, mas com grande atraso moral, que deliberadamente nega a lei divina e busca estabelecer um domínio paralelo ao de Deus.
  • A serpente como tipologia psíquica: A serpente não é vista como um nome ou um grupo específico de pessoas, mas como um padrão psíquico que expressa apego à matéria, egoísmo, orgulho, prepotência e desejo de afastar-se de Deus. Este psiquismo é descrito como rasteiro, animalizado, com alta dose de violência e descaso pelo outro.
  • Eva como tipologia psíquica: Eva representa o padrão daquele que, embora não seja intrinsecamente mau, não tem um compromisso firme com a lei divina e oscila entre o bem e o mal. Sua “queda” é atribuída à fragilidade ética decorrente do interesse pessoal, que a leva a situações complexas e, por vezes, a cometer erros por impulsos emocionais não educados.
  • Adão como tipologia psíquica: Adão é o tipo psíquico do omisso, que não reflete, não analisa as consequências, não se conhece e não tem autodomínio. Ele é descrito como alguém que vive “dormindo” espiritualmente, usufruindo da vida e dos recursos sem retribuir, com as “mãos mirradas” para a doação. A maioria da população humana é categorizada neste psiquismo.
  • A dinâmica do mal no mundo: O Capítulo 3 de Gênesis é apresentado como uma resposta à pergunta de como o mal se alastrou no mundo. A didática das tipologias psíquicas (serpente, Eva e Adão) explica como o mal ganha campo rapidamente, com a massa de “Adões” sendo comandada pelos “Evas” (por interesse pessoal) e estes, por sua vez, sendo manipulados pelos “serpentes” (comprometidos com o mal).
  • A modulação do ensino de Jesus: O estudo conclui que Jesus modulava seus ensinamentos e advertências de acordo com o tipo psíquico que estava tratando. Ele lidava de forma diferente com a mulher adúltera (Eva), os fariseus “serpentes” (chamados de “raça de víboras”) e os “Adões”, mostrando a necessidade de abordagens distintas para cada nível de consciência e comprometimento com o mal.

Reflexões

  • A interpretação dos textos sagrados ganha profundidade ao considerar as lacunas e o que não é dito, permitindo uma reflexão mais ampla e a aplicação de princípios doutrinários para preencher esses espaços.
  • As tipologias psíquicas de serpente, Eva e Adão oferecem uma chave de leitura para compreender a complexidade do comportamento humano e a dinâmica da propagação do mal no mundo, não como uma questão de gênero, mas de padrões de consciência e moralidade.
  • A Doutrina Espírita, ao apresentar a pluralidade dos mundos habitados e a evolução dos espíritos, oferece um vasto horizonte para a compreensão das origens e motivações dos diferentes padrões psíquicos, incluindo aqueles que representam o mal e a omissão.

Ler transcrição do episódio

Olá amigos, estamos aqui em mais um vídeo de Dicas do Céu, e hoje nós vamos falar sobre mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis de Moisés. Antes de começarmos a comentar esta passagem, dar continuidade ao comentário da passagem, nós queríamos só informar de uma pequena mudança que ocorreu na gravação dos nossos episódios. Resolvemos encurtar um pouco a duração do vídeo, de uma hora e meia para quarenta minutos. É porque o conteúdo tem adquirido uma densidade, uma concentração de informações, de conhecimentos, e nós julgamos melhor que para ficar mais fácil de aprender, mais fácil de estudar, de entrar em contato com o conteúdo, colocar vídeos mais curtos, de quarenta minutos, isso favorece a continuidade dos episódios, e a absorção por parte de quem está do outro lado assistindo os vídeos.

Na verdade, esta é uma tendência mundial dos vídeos na internet. Cada vez os vídeos se tornam mais curtos, e quem produz conteúdo na internet, acaba tendo que se adaptar, porque as pessoas não têm muito tempo, elas precisam, às vezes, ter um acesso rápido ao conteúdo. Então, aqui, embora a gente não possa fazer um Gênesis em quatro minutos, não seria o adequado, resolvemos fazer em quarenta, porque fica mais prático para que a gente possa estudar o tema. Então, só este esclarecimento, desta pequena mudança, para que você não estranhe, destes últimos episódios, inclusive o de hoje, já está neste novo formato.

Nós estamos estudando o capítulo 3, que é este diálogo entre a serpente Eva e, depois, Adão, que vai culminar na expulsão deles do Jardim de Delícias ou do Éden. Aqui, nós gostaríamos de fazer uma observação que é muito importante. Popularizou-se, sobretudo, na Reforma Protestante, especialmente na Reforma Protestante e, durante um tempo, na teologia católica, mas apenas durante um tempo, a ideia de que, primeiro, toda a verdade estaria contida no texto bíblico. Então, uma espécie de fundamentalismo bíblico lia-se os textos bíblicos, como em alguns setores ainda hoje se lê, desta forma, como se o texto bíblico tivesse uma obrigação de dizer tudo sobre o Universo, todas as verdades, para sempre.

É óbvio que, com um pouco de raciocínio, com um pouco de reflexão sincera, desapaixonada, com um pouco de bom senso, a gente percebe que isso não é lógico, não faz muito sentido. Não faz sentido por quê? Porque não é da estrutura dos textos, seja qualquer texto, esgotar o assunto. Nenhum texto esgota um determinado assunto. Nós vamos dar um exemplo, aqui, singelo. Imagine que você seja convidado, ou seu filho, que está na escola, seja convidado a fazer uma redação sobre a maçã. Vai falar alguma coisa sobre a maçã, ou a pera, ou o abacaxi, não importa.

Imagine se, para redigir este texto, você tiver que dizer tudo o que existe sobre o abacaxi. Bom, o que vai acontecer? Você vai demorar milhões de anos para escrever este texto e ele terá bilhões de páginas. Portanto, é da estrutura do texto, entenda isso, é da natureza do texto, ser incompleto. Porque todo texto é um pedaço de um diálogo. Isso mesmo. Todo texto se insere num debate, num debate que se iniciou antes daquele texto ter sido escrito e um debate que não vai se encerrar com aquele texto. Portanto, se você escrever um texto hoje, ele está dialogando com o que já foi escrito no passado e ele está abrindo diálogo para o que será escrito no futuro.

O texto possui o que os teóricos chamam de intertextualidade. É esse relacionamento que os textos travam entre si e que faz parte da nossa natureza humana. Cada um de nós é fruto de ascendentes, avós, bisavós, pais, mães. E todos nós nos conectaremos com os descendentes, que não sejam na linha direta, porque você pode ter ou não filhos, mas na linha direta, sobrinhos, primos, todos teremos aqueles que nos seguirão, que representarão a geração seguinte da nossa atual linhagem. Os textos também possuem essa característica.

E por que nós estamos comentando sobre isso? Porque muitas pessoas, às vezes, ficam aturdidas, perplexas com o fato de não haver informação precisa sobre determinado elemento no texto bíblico. E isso é proposital. Eu vou dar um exemplo. De onde veio a serpente? Qual a história da serpente? Fala-se, com detalhe, da criação de Adão. O texto descreve, com razoável detalhe, a criação de Eva. Situa os dois no jardim e, de repente, aparece uma serpente astuta, inteligente, argumentativa, cheia de estratégia, onde essa serpente adquiriu esse conhecimento e essa experiência.

Qual é a história dessa serpente? Então, a gente vai percebendo que o texto lida com o explícito e o implícito, o que é dito e o que não é dito. E, para um estudo profundo do texto, nós precisamos lidar com as duas informações, com aquilo que é dito e a parte que está expressa no texto, nós temos que ser cuidadosos e fiéis, porque não dá para fugir daquilo que está expresso no texto. Mas, aquilo que não está dito é onde nós temos uma margem de raciocínio, uma margem especulativa, é onde nós podemos, cada intérprete vai construir a sua maneira de interpretar.

Por essa razão, o povo hebreu, na sua tradição de estudo dos textos hebraicos, que nós, ocidentais, chamamos de Velho Testamento, eles costumavam dizer que a Torá, o texto bíblico hebraico, possui setenta faces, porque é exatamente nessas lacunas, naquilo que não tem no texto, que os intérpretes propunham ideias, propunham caminhos interpretativos e se destacavam, alguns pela sua habilidade, pelo seu bom senso, e outros pela fragilidade das suas interpretações. Mas, não tem problema. O importante é que tudo se somava para uma visão completa do texto.

Então, aqui, você talvez se pergunte, qual é a história desta serpente? O que é esta serpente? E, nós, como estamos fazendo um estudo à luz da Doutrina Espírita, como nós, aqui, estamos utilizando daquela chave que constitui os princípios espíritas, aqueles princípios que explicam o mundo espiritual e as relações do mundo espiritual com o mundo corporal, que foram sistematizados, que foram organizados por Kardec, não são de Kardec. Kardec foi um repórter, um arquivista, aquele que colecionou, aquele que organizou os textos, mas a informação veio dos próprios Espíritos.

De posse destes princípios e destes conhecimentos, nós aplicamos ao texto. Então, por exemplo, há um princípio que nós aprendemos no Espiritismo de que há a pluralidade dos mundos habitados. Isto significa que todos os globos, todos os astros, todos os corpos celestes são habitados. Os Espíritos vão dizer a Kardec que não há vazio, não há vazio. Agora, nem todos os orbes são fisicamente, biologicamente habitados, porque os mundos variam na sua conformação, na sua estrutura e variam no seu grau evolutivo. Portanto, há mundos habitados, mais habitados que o nós, porque, por exemplo, você pode colocar centenas de terras dentro de Júpiter.

Então, é natural que a população de Júpiter seja muito superior à população do planeta Terra. Agora, no planeta Júpiter, os seres que lá habitam não possuem mais um corpo biológico estruturado em carbono, físico, tão material quanto o nosso, mas Júpiter é habitado. Isto implica, então, na ampliação do nosso raciocínio para encarar o universo infinito como a verdadeira humanidade e a Terra como uma pequena família no conceito universal. Olha como que este princípio abre um horizonte vasto para a nossa investigação. Isto significa que habitantes de outras famílias, de outros lugares, podem vir, inclusive, encarnar no nosso orbe, com as suas conquistas intelectuais, com as suas conquistas morais, mas, também, com os seus defeitos, com as suas más inclinações, com os seus maus pendores, trazendo vícios, hábitos, uma série de elementos para esta família, que é a família terrestre.

De posse deste princípio, nós podemos postular que a serpente, então, representa um grupamento espiritual bastante intelectualizado, que desenvolveu muito raciocínio, mas que está em um atraso moral, que deliberadamente nega a autoridade da lei divina e age, pensa, se comporta, se dirige, contrariamente à lei divina, querendo estabelecer uma espécie de domínio temporal paralelo, um poder paralelo ao poder supremo de Deus. Este grupamento é a serpente. E, toda vez que qualquer pessoa, toda vez que você, eu, nos comportamos, seja pensando, agindo, falando, ou mesmo nas nossas atitudes, toda vez que nós imitamos este padrão, é como se nós nos tornássemos serpentes, porque serpente não é um nome, serpente é uma tipologia, serpente é um padrão psíquico, não é um grupo apenas de pessoas, é um padrão psíquico.

Este padrão psíquico, ele expressa apego à matéria, egoísmo, orgulho, prepotência, desejo deliberado de afastar-se de Deus, de não entrar em comunhão com Deus. Este é o padrão psíquico da serpente. E, o padrão psíquico de Eva? O padrão psíquico de Eva é o padrão daquele que, embora não tenha uma natureza má, não queira praticar o mal, ele também não tem um compromisso com a lei divina. Então, ele oscila, é o que está no meio entre a bondade e a maldade, a humildade e o orgulho, a caridade e o egoísmo. Está oscilando, oscilando.

Mas, por conta do interesse pessoal, olha aqui, a questão de Eva não se trata tanto da paixão ou do vício. A questão de Eva é o interesse pessoal. A serpente, não. A serpente é a representante do vício e da paixão. Ela age deliberadamente, seja por conta do vício moral que ela acalenta há milênios, seja por conta da paixão, da falta de domínio de si mesma. Eva, não. Eva age por interesse pessoal e é o interesse pessoal que a coloca na cilada. A queda de Eva é fruto de uma fragilidade ética por conta do interesse pessoal.

Isso a gente vê muito, sobretudo nos dias de hoje. A pessoa não é propriamente desonesta, mas o interesse pessoal a leva a ser desonesta. O interesse pessoal a faz meter-se em verdadeiras ciladas arapucas, situações extremamente complexas que podem, inclusive, redundar em questões kármicas. Colocá-la numa situação complicada perante a lei de causa e efeito, tudo por conta do interesse pessoal. Às vezes, o interesse é um desejo quase pueril, quase infantil. Então, nós podemos ver aquela pessoa que tem um anseio de aparecer, de destacar, de ser aplaudida, de ser vista, porque ela tem uma carência interior, ela quer ser aprovada, há alguma fissura na sua autoestima, há algum problema na formação da sua individualidade, que ela se sente insegura e que ela demanda a aprovação e o aplauso dos outros para construir a sua segurança interior.

Esse interesse pessoal de destaque pode colocá-la em situações constrangedoras, muitas vezes, por iris, não por maldade, pelo interesse pessoal. Isso é Eva. Essa é a atitude, a postura psíquica de Eva. E, muitos, no orbe, cometem erros, cometem crimes, crimes, até mesmo crimes, por conta dessa postura psíquica de Eva. O interesse pessoal se sobrepõe até mesmo ao bom senso. E, o benfeitor Emmanuel vai descrever o processo da queda de Eva no primeiro capítulo do livro Pensamento e Vida, quando ele indica o processo de crescimento espiritual dessa psiquê Eva.

Como que esse tipo psíquico Eva cresce espiritualmente? Através das ilusões que salteiam a inteligência. Salteiam no sentido de assaltar mesmo, de sequestrar, de roubar. Quando o ladrão vem e amarra uma pessoa, agride, bate nela, tira tudo dela, é esse o sentido. A ilusão vem amordar essa inteligência, ataca a inteligência da pessoa, amarra o bom senso dela e ela se mete em situações que quem está de fora pensa assim, mas, meu Deus, como é que fulano, uma pessoa tão inteligente, uma pessoa tão esclarecida, foi entrar numa cilada boba dessa?

Esse é o processo de crescimento desse padrão psíquico que o texto vai chamar de Eva. Nós percebemos aqui que ele é diferente, esse tipo psíquico, do tipo psíquico da serpente. A serpente não. A serpente, ela sabe que está praticando o mal porque ela quer o mal. Ela se compraz no mal. Ela tem prazer no mal. E, não raro, ela tem ganho consciente com a prática do mal. Aqui é diferente. Aí é o psiquismo da serpente, que é rasteiro, é rasteiro. É aquela psiquê que está profundamente agarrada aos interesses materiais mais mesquinhos.

Por isso que é chamada de serpente. Dá para perceber agora que nós temos desses três tipos psíquicos, um deles é animalesco, os outros são humanos. Eva, Adão, são tipos psíquicos humanos. O tipo psíquico serpente está mais para o animal do que para o humano. Então, o tipo psíquico serpente é a inteligência bestializada, é o campo de concentração, é o engenheiro que projeta uma câmara de gás para matar milhares de pessoas, é um grupo político, econômico e científico que atira uma bomba em uma cidade matando centenas de milhões de pessoas.

São aqueles que adulteram um alimento correndo risco de infeccionar milhões, tudo para ganhar alguns centavos. Então, é grotesco, o psiquismo da serpente é grotesco, é muito animalizado, tem uma alta dose de violência, de agressão, de rebeldia, de completo descaso para com o outro. Se eu estiver bem, todos os outros morram e não quero saber, eu só olho para mim. Então, o psiquismo da serpente é mais difícil. Só a dor imensa e profunda será capaz de, ao longo dos séculos, lapidar esse psiquismo serpente, transformando num outro psiquismo mais sutil, mais bondoso, mais harmonizado com as leis divinas.

No caso de Eva, não. Eva é o egoísmo, é o interesse pessoal que a leva a fazer coisas que, eticamente, ela não concorda. No fundo, ela não concorda, mas faz por conta do interesse pessoal. E, você deve estar se perguntando, e Adão? Que tipo psíquico é Adão? Adão é o tipo psíquico do omisso. É aquele que não se permite refletir, que não se permite analisar, que não pensa nas consequências, não se conhece, não tem autodomínio, lembra alguém que está de olhos abertos, mas que parece viver dormindo. Ele não está espiritualmente acordado.

Paulo chamava esse tipo psíquico de aqueles que dormem. Ele está num sono. Ele vive, come, se reproduz, faz as suas necessidades físicas, básicas, mas, espiritualmente, é uma larva no casulo. Está hibernando, lembra um urso que comeu, comeu, comeu e agora hiberna. Esse é o psiquismo de Adão. Ele não é mau, mas também não é bom. Às vezes, ele não prejudica ninguém, mas também não faz nenhum bem. E, segue pelo mundo, apenas usufruindo. Usufrui dos recursos naturais, usufrui da generosidade das pessoas, usufrui dos talentos, usufrui daquilo que a vida dá, mas oferece muito pouco.

Então, Emmanuel diz que na contabilidade da vida, eles estão no negativo, porque eles não sabem retribuir a vida o muito que recebem. A bênção do corpo físico, a bênção da existência, a bênção da família, e passam passam como espécie de predadores. Eles só consomem. Onde chegam, usufruem, mas nunca cogitam de retribuir. É muito sério isso. É aquele companheiro que chega, usufrui de tudo da casa espírita, toma o passe, água fluidificada, participa da atividade, mas nunca perguntou alguém precisa dar ajuda para pagar a luz, pagar a luz da casa espírita.

Ele não se pergunta isso. Ele não se pergunta, porque o psiquismo dele está viciado em usufruir, em receber, receber. Portanto, ele recebe muito bem, às vezes tem até bom gosto. Ele sabe receber, mas está com as mãos miradas, as mãos que dão, as mãos que doam. No psiquismo de Adão, é uma mão atrofiada. Atrofiada, porque ela não exerça, não trabalha, ela não é utilizada. E, por incrível que pareça, dos quase oito bilhões de encarnados na Terra, a grande maioria é o psiquismo Adão. Não é mal, mas também não é bom. Ele se emociona com as coisas boas, mas não se dispõe a sair da frente da televisão, do conforto da sua casa, para fazer qualquer coisa de útil.

Quando ele sai, é porque ele precisa de alguma coisa, algum problema, alguma dificuldade, e aí ele quer usufruir. E, mesmo quando ele está sendo beneficiado, ele é exigente, ele sempre anda com o código de defesa do consumidor na mão. Ele é muito ocioso dos seus direitos, mas não sabe nenhum dos seus deveres. Essa é a maioria da população humana. A maioria dos encarnados na Terra está categorizada nessa tipologia do psiquismo de Adão. Dorme, dorme na carne para acordar na desencarnação. E foi escrito um livro para Adão.

Há um livro da psicografia de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito André Luiz, que descreve o Adão desencarnando. Isso mesmo. Como que Adão desencarna? O que acontece com Adão quando ele acorda no mundo espiritual? Quer saber? Leia o livro Nosso Lá. O livro Nosso Lá conta a história desse psiquismo de Adão desencarnando e vendo a realidade da vida imortal, da vida imperecível. E, aí, ele toma um susto, porque ele percebe que estava encarnado, mas era um morto. E, agora, depois que morreu, é que ele está vivo.

É um paradoxo, um paradoxo. Geralmente, e aqui a história é muito curiosa, porque, ao longo dos séculos, esse texto do capítulo 3 foi lido numa perspectiva machista, contrapondo o homem, homem gênero, com mulher gênero. Mas, o texto não tem essa intenção. Aqui, estamos contrapondo tipos psíquicos. Então, existem mulheres que estão categorizadas no tipo psíquico Adão, existem homens que estão categorizados no tipo psíquico Adão, assim como existem pessoas homoafetivas que psiquicamente são Adão. Então, nós temos homens, mulheres e homoafetivos que podem ser categorizados no tipo psíquico Eva.

Então, isto aqui não tem a ver com gênero, isto aqui tem a ver com tipologia psíquica. E o que é Eva? Eva age por paixão, por isso que é um elemento feminino, que tem a ver com a esfera, tem a ver com aqueles elementos da emoção. O que trai Eva não é um elemento intelectual, o que joga Eva no chão é um elemento emocional, é o interesse pessoal de caráter emocional. Seja uma paixão, aquele desejo, não uma paixão, me desculpem, não é a paixão, porque a paixão já é mais para serpente, é aquela emoção não educada, não controlada, um impulso emocional, um desejo forte que a leva a Assumir a proposta ideológica da serpente.

Então, nós verificamos que muitos psiquismos na Terra são materialistas porque compraram uma ideia da serpente. Não é porque eles são propriamente convictos do materialismo, não é, porque compraram a ideia. Foram, por algum interesse pessoal, por algum ganho emocional, eles se posicionam ali. Eles estão tendo algum tipo de benefício com aquela postura, mas não estão propriamente convictos daquela posição. E, não raro, essas são as criaturas que vão influenciar as outras que dormem. Porque, é claro, o psiquismo Adão é um barco sem vela, porque para onde o vento bate, ele vai.

Esse é o psiquismo Adão. E, óbvio, que o psiquismo Adão vai ser comandado pelo psiquismo Eva. Então, se você entrar numa organização, a maioria é psiquismo Adão, aí você vai ter lá uma meia dúzia, meia dúzia não, algumas dezenas de psiquismo Eva. Vão ser os líderes. Eles vão comandar. Aquela massa de dormentes vão comandar por interesse pessoal. E, aí, você vai identificar uma meia dúzia que é a turma que está comprometida com valores do mal, valores contrários à lei divina. São poucos, mas, altamente perversos, uma ação altamente deletéria.

Esse é o psiquismo da serpente. E, é incrível porque esse grupo de líderes do psiquismo Eva acaba entrando em contato e sendo manipulado por esse psiquismo perverso. A gente vê isso claramente quando se estuda os bastidores da Primeira Guerra Mundial, da Segunda Guerra Mundial, a gente consegue nitidamente, sobretudo na Segunda Guerra Mundial, você consegue nitidamente separar os psiquismos. O que é que foi o psiquismo Adão, que estava dormindo, estava seguindo, que sabia nem o que estava fazendo? É quase que uma omissão criminosa.

Você perguntava assim, mas você sabia que milhares de pessoas estavam sendo assassinadas? Não, eu vi um tanto de gente entrando num trem, num vagão, mas não me perguntei. Tinha um número mais reduzido, que era o psiquismo Eva. Ele não concordava, às vezes ficava até compadecido, até horrorizado, mas tinha algum ganho. Tinha algum ganho. Por exemplo, ele vendia o gás que ia ser utilizado na Câmara de Gás. Era o comerciante do gás. Via crianças sendo assassinadas, truco lentamente, mas o ganhar pão dele era o gás. Então, ele vendia o gás para matar pessoas.

Esse é o psiquismo Eva. E, havia o psiquismo da serpente, que eram aqueles que matavam com requintes de crueldade, chegando a sentir um prazer mórbido. Alguns fotografavam o rosto das vítimas pelo prazer de ver a expressão de horror no rosto delas. Esse é o psiquismo serpente, daquele espírito que se prendeu nas teias da maldade, da perversidade, alguns ingressando em quadros psicóticos, podendo ser categorizados na lista daqueles distúrbios psíquicos de longo alcance, que somente os séculos são capazes de curar, séculos de reencarnação, em resgate, em sofrimento, para poder restaurar aquele psiquismo doente.

Eu espero que você tenha compreendido esse quadro dessas tipologias psíquicas, porque é uma maneira didática. Não é que isto aqui esgota, entende? É claro que tem pessoas que estão aí, você não sabe se ela faz parte de um grupo, de outro, às vezes ela está em uma zona cinzenta, ela não é nem muito um, nem muito outro, mas isto aqui é didático. É uma proposta didática para que a gente compreenda uma coisa importante. A pergunta que o capítulo 3 quer responder é qual? Qual é a pergunta? É a seguinte, como o mal se alastrou no mundo?

Esta é a pergunta. Como o mal se alastrou no mundo? Como o mal assumiu as proporções universais no planeta Terra? Como aconteceu isso? Por que aconteceu isso? Qual foi a dinâmica desse crescimento exponencial do mal, enquanto o bem cresce aritmeticamente? O bem cresce assim, ele sai de 2, aí vai para 3, 3,5, 3,7, 3,75, o mal cresce assim, sai de 2, aí vai para 6, 12, 27, 30. Entenderam? O mal, como? Por que? O capítulo 3 Gênesis quer ser uma resposta para esta pergunta. E, como que o capítulo 3 responde esta pergunta?

Criando, didaticamente, esta tipologia psíquica. Tipologia da serpente, a tipologia Eva, e a tipologia Adão. E, aí, a gente entende por que o mal ganha tanto campo de uma maneira tão rápida. Por conta destas tipologias psíquicas, por conta disso aqui. Então, quando você vê alguém envolvido no mal, ele pode não ser uma pessoa má. Há até uma campanha, agora, sobre acidente de automóvel, sobre embriaguez ao volante, e a campanha publicitária tem uma frase genial, ela diz assim, pessoas boas também matam. Olha que interessante, porque você imagina que alguém que pega o volante e mata alguém imprudentemente é porque ele é um perverso, um criminoso.

Não, às vezes, ele é uma pessoa imprudente. Ele sabia que não podia beber, é uma boa pessoa, é um pai de família exemplar, uma mãe de família exemplar, uma pessoa sensacional, uma pessoa maravilhosa. Aí, comete uma imprudência, bebe, pega o veículo, sem condições de dirigir e acontece uma fatalidade. É o Adão. É o Adão. É o Adão. Então, a gente vai percebendo a complexidade, a sutileza, as nuances e como que nós não podemos tratar com o mal como se todos fossem serpentes. A fala de Jesus com um fariseu truculento, com um fariseu serpente, é diferente da fala de Jesus com o fariseu Eva e é diferente da fala de Jesus com o fariseu Adão.

Jesus modula, ele adequa o seu ensino e a sua advertência ao tipo de psiquismo que ele está tratando. Então, por exemplo, qual mulher adúltera? Você acha que a mulher adúltera é um tipo psíquico serpente? Claro que não! Olha como é que Jesus lida com ela. Agora, com aquele fariseu truculento que usa a religião para a prática do mal, para assassinar pessoas, aí ele fala o quê? Ele fala assim raça de víboras, entendeu? Agora, como é que Jesus está nervoso? Ele está sendo preciso. Raça de víboras. É da linhagem da serpente.

São víboras. É o tipo psíquico víbora, serpente. E, aí, a gente entende que para esse grupo o remédio tem que ser um pouquinho mais amargo, às vezes tem que ser uma internação, uma injeção, um soro ou até mesmo uma cirurgia, porque o tumor psíquico muitas vezes tomou conta da estrutura daquele ser e precisa ser extirpado. Espero que você tenha gostado e que isso tenha contribuído para ampliar a sua reflexão sobre esse texto maravilhoso. No próximo episódio, nós damos sequência a essa reflexão. Nossos anjos são bastante maravilhosos.

Inspirados.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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