Neste 52º episódio da série de estudos do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do Livro Gênesis, retomando o intrigante diálogo entre a serpente e a mulher no capítulo 3, a partir do versículo 2.
O que é estudado neste episódio
- A falácia da serpente e a origem do enredo bíblico: O estudo destaca que a proposta da serpente a Eva é o ponto de partida de toda a narrativa bíblica, que culmina no Apocalipse. A vinda de Jesus e sua ação libertadora são consequências diretas dessa proposta e da forma como ela foi recebida e executada por Eva e Adão.
- A árvore do conhecimento do bem e do mal: É abordada a proibição de comer do fruto dessa árvore, que implica em experimentar o mal, não no sentido de conhecer teoricamente, mas de executá-lo. A proposta da serpente é que a vivência e a execução do mal trazem conhecimento e poder.
- A árvore da vida e o crescimento espiritual: Em contraste, a árvore da vida representa uma proposta educativa de aquisição de conhecimento e crescimento espiritual, sem a prática do mal.
- Evolução sem a prática do mal (Questão 120 de “O Livro dos Espíritos”): Haroldo Dutra Dias explora a questão de como o Espírito adquire experiência e conhecimento, purifica-se e desenvolve suas habilidades. Os Espíritos respondem que a evolução se dá pela “fieira da ignorância”, e não pela “fieira do mal”.
- Diferença entre erro, imprudência, negligência e dolo: O estudo diferencia o erro como inabilidade ou imperícia (fruto da ignorância), da imprudência e da negligência (também tipos de ignorância que geram aprendizado), do dolo (o desejo deliberado de praticar o mal).
- A proposta da serpente e o desejo de ser Deus: A serpente, movida pela inveja de Deus e pela crença de que o mal confere poder, propõe a Eva que, ao comer do fruto proibido, ela se tornaria como Deus. Este é o “erro original” da humanidade: acreditar que a violência, o mal e o domínio são formas de poder.
- O erro dos ímpios (Sabedoria de Salomão 2:21-24): O texto de Sabedoria é utilizado para ilustrar como a maldade cega e como a inveja do adversário (a serpente) trouxe a morte espiritual ao mundo. A “morte espiritual” é definida como a autolimitação do livre-arbítrio e a perda de mobilidade espiritual, resultado das escolhas contrárias aos desígnios divinos.
- O reino da serpente e a profecia de Isaías (Isaías 14:3-15): O estudo conecta a proposta individual da serpente a Eva com a formação de um “reino do mal” na Terra, simbolizado pelo “rei da Babilônia”. Isaías profetiza a queda desse reinado, que representa a personificação da serpente entronizada, um projeto de oposição a Deus.
- O projeto do Reino de Deus: Em contraposição ao reino da serpente, Jesus propõe o Reino de Deus, que começa nos corações individuais e se expande para as famílias, comunidades e nações, seguindo a mesma lógica de propagação, mas com um conteúdo de amor e paz.
Reflexões
- A evolução espiritual não exige a prática do mal; ela se dá através da superação da ignorância e da imperfeição, com o desejo sincero de acertar e progredir.
- A crença de que a violência e o domínio conferem poder é a falha original da humanidade, que se contrapõe à mensagem de paz e mansuetude de Jesus.
- O projeto do mal, iniciado individualmente, pode se alastrar e dominar coletividades, assim como o projeto do bem, o Reino de Deus, também se inicia nos corações e se expande para transformar o mundo.
Ler transcrição do episódio
O que é a natureza? Olá! Estamos de volta em mais um episódio desta terceira temporada do nosso estudo do livro Gênesis de Moisés. Se você tem acompanhado esta nova temporada do ano de 2017, você deve ter visto, no episódio anterior, que nós comentávamos sobre este diálogo intrigante entre a serpente e a mulher. E, é a partir deste ponto que nós vamos retomar o nosso estudo. Então, para você que está acompanhando, nós estamos comentando o capítulo 3 do livro Gênesis, especificamente, do versículo 2 em diante. A mulher respondeu à serpente Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse, dele não comereis, nele não tocareis, sob pena de morte.
A serpente disse, então, à mulher, não, não morrereis. Mas Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como deuses, com conhecimento ou versados no bem e no mal. A mulher viu que a árvore era boa ao apetite e formosa à vista e que esta árvore era desejável para adquirir discernimento. Tomou-lhe do fruto e comeu. Então, a gente vai concentrar aqui nesta fala ou melhor, nesta falácia da serpente. Aqui, nós estamos diante de um elemento que é tão importante, mas tão importante que ele vai gerar toda a narrativa bíblica subsequente.
Então, é a partir desta proposta da serpente que surge o enredo bíblico, que vai culminar com o Apocalipse. Tudo mais, todos os demais livros, todas as demais histórias, todas as personagens da Bíblia, tudo o que vai acontecer, incluindo a vinda do Messias, a vinda de Jesus, a ação libertadora de Jesus, tudo isto é uma consequência desta proposta feita pela serpente. E, da maneira como esta proposta foi recebida, foi trabalhada por Eva e por Adão e como que isto foi executado. Porque, a partir do momento em que este projeto, esta empresa, este plano começa a ser executado, ele gera as consequências que foram preditas, que foram previstas pelo próprio Deus.
A proibição de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal que implica em experimentar o mal, mas experimentar no sentido de executar o mal. Este é o ponto. É isto que a árvore do conhecimento do bem e do mal propõe. A experiência do mal, projetar o mal, pensar o mal, imaginar o mal e executar o mal para conhecer as suas consequências, para viver o mal, achando, acreditando que a vivência e a execução do mal traz conhecimento e traz poder. Este é o ponto. A árvore da vida traz implícita uma proposta educativa de aquisição de conhecimento.
Ela traz implícita uma proposta de crescimento espiritual, de alargamento dos horizontes, mas ela não implica a prática do mal. Isto é muito importante. Claro que nós já comentamos sobre isto no episódio, no episódio não, na temporada anterior, quando comentávamos o capítulo 2. Nós falamos sobre a proposta destas duas árvores, parece que isto ficou claro, mas nós vamos sempre precisar retomar isto, porque é um tema tão central, é um tema tão importante, tão importante que levou Kardec a formular perguntas incisivas no Livro dos Espíritos.
Ah, por volta da questão 262 e em diante, Kardec indaga dos Espíritos. Todos os Espíritos precisam passar pela fieira do mal, porque a pergunta é como o Espírito adquire experiência e conhecimento, como que ele se purifica, como que ele desenvolve sua inteligência, suas habilidades. Ele precisa passar pela fieira do mal. E, os Espíritos respondem pela fieira do mal, não, pela fieira da ignorância. Quer pesquisar esta questão aí para a gente, para eu citar o número direitinho? A questão, pesquisar esta questão, você corta este aí, Tiago?
Pesquisa aí esta questão, Júlio, só para eu citar o número dela direitinho. É jogar o Livro dos Espíritos, fieira do mal, alguma coisa, fieira, só para a gente. Livro dos Espíritos. Portanto, os Espíritos deixam claro que para a aquisição de experiência e de conhecimento, para que o Espírito saia do seu estado de simplicidade e ignorância e atinja o estágio de aperfeiçoamento espiritual, ele passa, necessariamente, pela estrada da ignorância. O que está implícito aqui? Está implícito o seguinte, é possível evoluir sem cometer erros?
Uma pergunta importante esta e nós vamos devolver com uma outra pergunta. O que você entende por erro? É importante, porque dependendo da compreensão que você tem de erro, como que você define erro, isso vai afetar a resposta que você vai dar a esta pergunta. É possível evoluir sem cometer erro? Então, vamos fazer um teste. Uma criança com seis anos de idade ingressa em uma aula de piano e o professor, então, vai ensinar a esta criança as técnicas do piano e vai passar peças para ela. Você acredita que esta criança, no primeiro dia de aula, vai receber a peça e ela vai tocar melhor que o professor sem cometer nenhum erro?
Claro que não, claro que não. Então, erro em uma acepção primeira, vamos começar do início, uma acepção primeira significa, por exemplo, uma inabilidade. Você não tem, ainda, habilidade suficiente para executar determinada tarefa. Nós chamamos isto de perícia ou imperícia. Você é um perito ou um não-perito. Você tem perícia ou tem imperícia? Ou seja, você sabe, você tem um condicionamento motor, físico, mental, emocional, consegue executar, porque isso é fruto de anos e muitas, milhares de horas de estudo e dedicação, portanto, você executa com uma relativa perfeição, com um relativo patamar de excelência ou não executa, porque não tem essas horas de treino e não tem a perícia necessária.
É como alguém que ingressa em uma autoescola para aprender a dirigir. Ele não vai sentar e pegar o carro e sair dirigindo, normalmente, como alguém que já dirige há 30 anos. E, mesmo depois que a pessoa tira a carteira de motorista, ela encontra uma dificuldade para pegar uma estrada para dirigir em determinados locais, porque ela não tem ainda a perícia necessária. É possível evoluir sem passar pela imperícia? Não! Não é possível. É isto que os Espíritos estão dizendo. Todos os Espíritos passam pela fileira da ignorância.
É a questão 120, questão 120 do livro dos Espíritos. Para você que está anotando. Tem que passar pela ignorância, a imperícia. Agora, passamos pela imprudência? A imprudência faz parte da ignorância? Em certo sentido, sim. A pessoa que não tem um autodomínio ou Que não domina todas as circunstâncias de um acontecimento, que não tem a habilidade suficiente ou o estado emocional de autocontrole suficiente, ela pode cometer alguma imprudência. E, através da imprudência, ela vai cometer erros e esses erros vão trazer experiências e aprendizados para ela.
É uma espécie de uma culpa. Ela fez aquilo, mas ela não desejava aquela consequência. Às vezes, ela nem esperava que aquilo fosse ter uma consequência. Então, ela foi imprudente. Ou, às vezes, ela foi negligente. É também um tipo de ignorância, a negligência. Não tomou os cuidados necessários, não se portou com o cuidado necessário. É como uma criança que entra em uma sala cheia de cristais e ela faz movimentos assim, agitados e acaba por quebrar algo. Ficou em um misto de imprudência com negligência. Ou, quando você colocou uma panela para esquentar e, aí, se distraiu com alguma coisa e aquilo queimou.
É uma negligência. Ele estava atarefado, estava preocupado, não prestou a devida atenção, mas você não queria, você não colocou aquela panela lá para queimar. Mas, através dessas experiências de negligência, de imprudência, de imperícia, nós vamos adquirindo autocontrole, autoconhecimento, vamos nos aperfeiçoando. Agora, isso é diferente do que o direito criminal chama de dolo. Quando eu quero, eu desejo uma determinada consequência. Por exemplo, eu quero matar alguém. Olha como é que isso é diferente. É diferente de alguém que pegou um carro, estava distraído, não prestou atenção e, de repente, atropelou uma pessoa que veio até a falecer.
E, essa pessoa fica apavorada, ela desmaia, ela precisa de um acompanhamento psicológico, porque ela jamais desejava matar alguém, atropelar alguém. Mas, a negligência dela, a imprudência ou a própria imperíncia em dirigir um veículo causou aquela morte. É uma espécie de erro que foi fruto de uma ignorância, de uma falta de cuidado, de conhecimento, mas aquilo agrega, no fundo, agrega experiência, por mais que seja, às vezes, doloroso. Mas, é diferente de alguém que pega um veículo e fala eu vou matar tal pessoa. E, ele, então, planeja a hora que aquela pessoa vai caminhar, o horário que ela sai, o horário que ele vai pegar o carro, como ele vai fazer, ele calcula e executa a sua ação maldosamente, perversamente, querendo aquele resultado.
É diferente. Isso, esse querer o mal, querer executar é a árvore do conhecimento do bem e do mal. Porque, aqui, nessa árvore, nesse fruto, seja por vício, seja por paixão, seja por maldade, seja por crueldade, você decide a prática de algo que você sabe, você tem consciência que não é certo. A sua consciência já aponta você sabe que aquilo não é certo, mas, por um vício, você não consegue resistir e pratica aquele ato. Ou, por uma paixão, o calor da paixão, você pratica aquele ato. Ou, por maldade mesmo, ou até por crueldade.
Quando você sequer se importa se é certo ou se é errado, já não faz mais diferença, você quer ditar as próprias leis do destino, você não quer ter nenhuma regra, não quer ter nenhum limite, você quer fazer tudo o que você quer, tudo o que você deseja. Essa é O fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Então, é quando o Espírito decide trilhar a estrada do mal. Trilhar a estrada do mal. Essa distinção é muito mais complexa do que isso. Nós estamos aqui dando pinceladas iniciais. O assunto é de uma filosofia imensa.
A filosofia, durante milhares de anos, se debruçou sobre esse tema, o tema do mal, o tema do conhecimento, da limitação humana, a limitação que o homem tem de conhecer, de se determinar, livre-arbítrio e determinismo, destino e livre-arbítrio. Então, o tema é complexo. Nós estamos aqui dando ligeiras pinceladas para que a gente consiga distinguir, porque a primeira impressão que a pessoa tem é que só se evolui comendo da árvore do conhecimento do bem e do mal. E, os Espíritos vão dizer, não, você não precisa praticar o mal para evoluir.
Agora, isso não significa que você não vai errar, porque existe o erro no clima da sinceridade. Existe o erro que é fruto da nossa limitação humana. E, vamos nos perguntar algo aqui, agora. Você é um Espírito puro? Se for que estiver assistindo a este vídeo, eu nem sei por que você está acompanhando esta série do estudo de Gênesis, porque esta série não é para Espíritos puros. Mas, se você é um Espírito como eu, que está no meio da escala espírita, um Espírito imperfeito, que tem impurezas, paixões, imperfeições, ilimitações e que está sujeito à encarnação e à reencarnação como elemento pedagógico para o aprimoramento, você sabe que não conhece tudo.
Você sabe que não domina todas as circunstâncias. Então, eu tenho uma notícia para dar. Em nada que você fizer, em nenhuma decisão que você tomar, você vai conseguir ser perfeito, porque você só poderia tomar uma decisão perfeita se fosse um Espírito perfeito. Só poderia executar algo com a máxima perfeição se fosse um Espírito perfeito. Então, as nossas decisões e as nossas ações, elas são o melhor que podemos fazer, mas, elas estão dentro de um limite de razoabilidade, de sinceridade, de desejo de acertar, de desejo de praticar o bem, de desejo de ser bom, de desejo de fazer a coisa certa, mas, fica uma aresta, fica alguma coisa para ser aperfeiçoada em tudo o que a gente faz.
É natural e isso é evoluir. Isso é comer do fruto da árvore da vida e que você vai se aprimorando e cada vez mais você vai fazendo melhor, cada vez mais você decide melhor, se comporta melhor, trata melhor as pessoas e vai progredindo espiritualmente. Mas, é o contrário aqui. Aqui, há um desejo deliberado de conhecer experimentar e praticar o mal. Essa é a proposta da serpente. É essa a proposta dela para a mulher. E por que? Qual é a razão, o motivo, o móvel da serpente? Ela acredita, primeiro, que está em uma relação de antagonismo com Deus.
Então, ela acredita que pode ser adversário de Deus. Ela acredita que o mal dá poder. Vamos pensar nisso. Como pensa um ditador que joga bomba, que domina, que mata pessoas? Em que ele acredita? Ele acredita que a prática do mal lhe traz poder. Ou, ou, como ele quer o poder, ele não se importa em praticar o mal. O desejo de obter o poder, o desejo de determinar segundo a sua vontade, mesmo que implique a prática do mal, para ele não tem problema. Olha que interessante isso. Ou seja, a prática do mal não constitui um óbice para que ele atinja o poder.
E, por que ele quer o poder? Porque ele quer criar regras, ele quer determinar, ele quer impor a pessoas, a um povo, a um mundo, a sua forma de ver, os seus conselhos, as suas concepções. Então, ele vai praticar o mal, porque ele acredita que isso lhe dá poder. A questão é o poder. Essa é a proposta da serpente. Por isso que nós dissemos a história bíblica começa aqui com essa proposta, porque essa proposta foi aceita pelo ser humano. Então, aqui nós podemos concluir que aqui está a falha original. O erro original da humanidade.
O erro básico da humanidade é acreditar que violência é poder, o mal é poder, usurpar é poder, dominar é poder, agredir é força, é poder. Aqui está a falha básica. Então, quando surge alguém como um gande e diz assim, não, não, não, não, a paz é o poder. Poucos, poucos acreditam. Poucos de nós confiam nisso, porque eu sei o poder da violência, da agressão física. O poder do assassinato, o poder do domínio, da imposição, do autoritarismo, do diminuir as pessoas, dominá-las. Eu acredito nesse poder, mas eu não acredito na força da paz.
Quando Jesus diz, bem-aventurados os mansos, eu não acredito no poder da mansuetude, eu acredito no poder do grito. Da violência, da falta de educação, não da mansuetude, da brandura. Então, a grande questão aqui é uma questão de poder. Ela diz que ele sabe que se você comer do fruto do mal, se você experimentar o mal, você vai conhecer o mal, você vai dominar a prática do mal e isso te tornará um Deus. Isso te tornará um Deus, como ele. Então, agora, veja que o projeto divino era um homem, homem no sentido de ser humano, não no sentido de gênero, um ser humano, a imagem e semelhança de Deus.
Quer dizer, um ser humano que refletisse. Esse é o sentido de imagem e que fosse semelhante, semelhante como alguém que imita o pai, o Criador. Que segue o Criador, que procura agir como o Criador. Essa é a proposta divina. A proposta da serpente é outra. É ocupar o lugar de Deus, usurpar a posição divina, tornar-se Deus. Vamos checar se é isso mesmo? Vamos! Então, o primeiro texto que nós vamos checar é o texto de Sabedoria, Sabedoria de Salomão, capítulo 2, versículos 21 a 24. Olha que interessante esse texto. Esse texto vai falar do erro, o erro dos ímpios.
Então, falou erro, você lembra de quê? Do diálogo da mulher com a serpente e do primeiro erro, que é o erro de Eva e de Adão. Acreditaram que a prática do mal traz poder, mas Deus disse a prática do mal traz morte, não traz poder. Traz morte, morte espiritual, obviamente, e, como consequência, morte física. Como consequência, mas morte espiritual. Por que morte espiritual? Porque morte não é enaneção, morte não é perder o movimento, não é ficar estático. Espiritualmente falando, morte é tolher o próprio livre-arbítrio, porque você fere e, aí, o seu livre-arbítrio, já que foi exercido, traz as consequências para você, então, você mesmo se autolimita.
Então, as escolhas que você fez se transformam em consequências, essas consequências se transformam em destino, destino, limitação, contenção, perda de mobilidade espiritual, morte. Então, o erro do ímpio, o que é o ímpio? O ímpio é aquele que não aceita a autoridade divina, não aceita a lei divina, ele quer se colocar no lugar de Deus, ele quer criar uma lei dele para o universo. Então, olha o que o texto de sabedoria diz assim raciocinam, mas se enganam, porque sua maldade os cega. Olha que inteligente isso! A maldade cega.
Então, a maldade da serpente cegou a serpente e ela vai sofrer as consequências. Cegou Eva e cegou seu marido, Adão. Eles ignoram os segredos de Deus, não esperam o prêmio pela santidade. Agora, o que é santidade aqui? Não é esse conceito religioso, de santo, não. Santidade é aquele que está reservado, aquele que está reservado para Deus. Então, o que o texto está dizendo é que quem aceita o império, o reino de Deus, quem aceita Deus como soberano, se Inicia, vamos por assim dizer, se matricula na escola dos segredos divinos.
Então, Deus vai se revelando aos poucos para essa consciência e ela vai se reservando para Deus, que é a santidade, essa relação íntima, essa comunhão com Deus, que no Velho Testamento é chamada de santidade. Não creem na recompensa das almas puras. Olha esse texto que parece livros de espíritos. Não creem na recompensa das almas puras. Deus criou o homem para a incorruptibilidade e o fez imagem de sua própria natureza. Foi por inveja do adversário, do satanás, satanás aqui é a serpente, foi por inveja do adversário que a morte entrou no mundo.
Exatamente, porque a serpente agia por inveja de Deus, ela queria ser Deus e essa inveja trouxe a morte espiritual para a evolução humana. Então, morte espiritual não está no projeto divino. Como não está no projeto divino, seguir o caminho do mal. Questão 120. Não está no projeto divino de evolução sequer colocar o pé no caminho do mal. Colocar o pé no caminho do mal é decisão humana, contrária ao desejo, aos desígnios de Deus. É uma decisão humana. E, a partir daí, como na literatura grega, a partir do momento que esse erro é cometido, o enredo da tragédia é acionado.
E, aí, nós vamos assistir a um lastramento do mal, a uma ampliação do mal que sai do individual, transfere-se para a família, da família para a comunidade e da comunidade para toda a humanidade. Foi por inveja do adversário que a morte entrou no mundo. Experimentam naqueles que lhe pertencem. O que é o sentido de pertencer ao diabo, ao adversário, ao satanás? Pertencer a ele é aceitar a proposta que ele fez e seguir aquela empresa, aquele caminho, aquele empreendimento, que foi o que Eva e Adão fizeram. Aceitaram a proposta e falaram, não, nós vamos executar.
Nós vamos executar essa sua proposta. Então, passaram a pertencer à serpente. Se tornaram escravos da serpente, no nível individual. Agora, o que vai acontecer coletivamente? Nós vamos lá para o livro de Isaías Isaías, o capítulo que agora é o capítulo 14, o capítulo 14, versículos 3 até versículo 15, que é o que nos interessa aqui. Na verdade, é um poema, aqui é um poema como se fosse um oráculo de queda do rei da Babilônia. Então, vai do capítulo 14, capítulo 14, perdão, versículo 5 até versículo 21, 5 a 21. Esse é o poema.
Para que a gente entenda o texto de Isaías, quem que é o rei da Babilônia aqui? Não importa, não precisa ir no Google pesquisar quem que era o rei da Babilônia na época de Isaías, porque não é isso que ele está falando. Não é isso que ele está falando. Vamos acompanhar o raciocínio agora. Agora, dá uma paradinha aí, toma uma água, dá uma pausa neste vídeo, presta muita atenção, porque nós vamos precisar acompanhar agora um raciocínio. Ele não é difícil, mas ele exige atenção, ele exige muita atenção. A serpente faz uma proposta ao indivíduo, indivíduo, um indivíduo, um indivíduo que tem uma personalidade Eva e faz a proposta ao indivíduo que tem a personalidade Adão.
Para Eva, ela faz a proposta diretamente, para Adão, ela faz a proposta indiretamente, porque primeiro ela convence Eva que, por sua vez, convence Adão. Então, não pensa em Adão como duas pessoas, pense agora em Adão e Eva como personalidades humanas, estilos espirituais. Então, Eva intrigante, bem sem juízo, sem juízo, não quer obedecer, um pouco de insolente. E, ela aceita a proposta por quê? Porque, quando falou vai ser como Deus, ela cumpriu essa proposta. Então, isso já estava dentro dela. É um estilo. Aceitou a proposta.
E, Adão é outro estilo. Adão é o acomodado, é o negligente, é aquele que entra no negócio, ele não nem que queria, mas ele vai, porque não sabe resistir, não sabe se impor, não sabe dizer não. Não quer ter o trabalho de discernir, não quer ter o trabalho de pensar, não quer ter o trabalho de tomar as próprias decisões e de arcar com as consequências. Então, ele vai. São estilos diferentes. Você vê que a serpente não lida com ele, porque ele nem ia entender, viu? Eu fico imaginando um diálogo da serpente com Adão, ele não ia entender.
Adão não ia entender. Hã? O que você está falando? Não, o que ele perguntou? Ah, não sei. O que é que pode comer? Ah, não pergunte para a minha mulher, porque eu nem prestei atenção. Deus estava dando a ordem, eu estava olhando para a grama, eu nem prestei atenção. Quer dizer, é um negligente, é um distraído. Ele está como um barco à deriva. Onde o vento soprar, ele vai. Então, a serpente conversa com aquela que está atenta, com a instigante, que é a personalidade de Eva. E, essa leva a um multidão, que é Adão, que é uma questão que nós vivemos no mundo.
Milhões de pessoas estão aí seguindo um padrão, elas sequer pensam. Por que que elas estão agindo assim? Agora, um grupo limitado de pessoas, não, essas estão agindo conscientemente, criando esses padrões, conscientemente, subordinados a um grupo reduzidíssimo, que é o grupo da serpente, que esse é o grupo dominador mesmo. Esse tem um projeto perverso, de maldade, de poder. Mas, isso é individual. Você está acompanhando? É individual. Mas, os indivíduos não se relacionam? Se relacionam. Os indivíduos não influenciam uns aos outros?
Influenciam. Eva não influenciou Adão? Influenciou. E, aí, vem uma família que influencia. Das famílias, comunidades. As comunidades, povos. Povos e império. Aí, nós chegamos em um reinado, em um império que, agora, extrapolou muito o indivíduo. Não é nem mais uma família, não é mais uma comunidade, não é mais um país. Agora, é um conjunto de povos sob o comando de um rei simbólico. Então, agora você está entendendo o que Jesus falou? Reino de Deus. Arrependeios, porque o reino de Deus está próximo? Se ele está próximo, é porque ele não está aqui.
Qual que é o reino, então, que domina o mundo? É o reino da serpente. Começou num projeto individual e se transformou em um projeto coletivo. Por isso que nós estamos vendo, aí, asilado, gente refugiada, bomba, guerra, matança de milhares de pessoas, crueldade, expoliação econômica, indústrias poderosíssimas impondo comportamentos para explorar pessoas. É um reino. Simbolicamente, quem é o rei? É o rei da Babilônia, porque a Babilônia é o símbolo bíblico do povo da serpente. Não fique assustado, não, com o que eu vou dizer aqui.
A Babilônia é o país de Satanás. Meu Deus, quer dizer que Satanás existe? Não! Satanás não é uma pessoa. Satanás é um projeto. Satanás não é uma pessoa. Se você está procurando alguém que tenha chifre, rabinho, isso é ficção científica. É claro que existem espíritos que se caem num processo de licantropia complicado e que podem se deformar, mas, não é isso. Não é isso. Nós não estamos falando disso. Satanás é um projeto, um projeto de oposição a Deus, aos planos de Deus, à lei divina. E, o que que Zaire está falando neste poema aqui?
Ou neste oráculo, porque é quase que um vaticínio. Ele está profetizando a morte do rei da Babilônia. Então, o que que a profecia vai dizer? O reinado do mal na terra vai acabar. O reinado do mal na terra tem data para acabar. Qual é a data? Só Deus sabe. Mas, ele tem data para acabar. Esse reinado é a Babilônia. Então, aqui, Zaire vai dizer assim e, no entanto, ele está falando com o rei da Babilônia, que é a personificação da serpente entronizada. Então, o rei da Babilônia é a serpente com coroa de rei. Entende? Ou seja, a serpente conseguiu ser bem-sucedida no projeto dela e criou um reino na terra inteira.
Olha que interessante isso. Com milhões de súditos pelo Youtube, pelo Facebook, na economia, nas grandes empresas, na educação, na política, nas artes, em todos os setores, dominando todos os setores da ação humana. Então, temos que pensar sobre isso. Aí, aqui, o profeta Isaías está olhando nos olhos do rei da Babilônia, está olhando nos olhos da serpente e profetizando a queda dela. Então, o que ele diz? E, no entanto, dizias no teu coração, subirei até o céu, acima das estrelas de Deus, colocarei meu trono, estabelecer-me-ei na montanha da Assembleia, nos confins do norte.
O que é a montanha da Assembleia? É a montanha onde moram os deuses, a Assembleia dos deuses. Pensa, por exemplo, no Olimpo, da Grécia, o monte onde ficam os deuses. É isso aqui. Então, qual que era o projeto? Colocar um trono acima das estrelas. Um projeto louco de querer ser mais poderoso que o Todo-Poderoso. Subirei acima das nuvens, tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo e, contudo, foste precipitado ao Sheol nas profundezas do abismo. O Sheol era uma espécie de um local assim pior que o umbral na tradição hebraica, então, eles que quiseram se erguer acima do Altíssimo caíram nas profundezas do abismo.
Então, deu para entender agora? Isso que Isaías está dizendo aqui, pensando na humanidade como um todo, começou na proposta que a serpente fez para Eva. Então, uma proposta que parece ser ingênua, vamos nos tornar semelhante a Deus, vamos experimentar o mal, vamos praticar o mal para que a gente tenha poder, vamos nos tornar deuses poderosos praticando o mal, porque a mentira da serpente é olha, Deus não quer que você pratique o mal, porque Ele sabe que o mal dá poder. E, se você praticar o mal, você vai ficar poderoso como Ele, entende?
Essa é a lógica. Como se Deus fosse malicioso, como se Deus estivesse se escondendo. E, aí, nós lembramos de Einstein, Deus é sutil, mas não é malicioso. E, aqui, a gente vai chegando no final deste nosso episódio, deixando para a reflexão de quem está assistindo a proposta da serpente. A proposta da serpente começou em um coração, primeiro no dela, transferiu-se para o coração de uma outra pessoa, alastrou-se, tomou o mundo inteiro, o mundo inteiro e veio, então, a intervenção divina enviando um Messias, cuja missão, cujo propósito era instaurar na Terra um novo reino, agora não mais um reino ou um reinado do ser humano, mas um reinado de Deus.
Não fora. Percebem porque o Evangelho começa a ser construído no coração? Porque o projeto da serpente não começou em um coração? A serpente não começou a executar o seu projeto em um coração por vez? Assim, também, o projeto reino de Deus começa nos corações, mas, depois, ele ganha as famílias, ele ganha as comunidades, ele ganha as nações e vai ganhar a Terra inteira. É a mesma regra. O processo é o mesmo. Muda o conteúdo. O conteúdo é muito diferente, porque, na proposta de Jesus, nós voltamos ao início, à origem.
Por isso, ele diz assim, mas no início não era assim. No início não era assim. Voltemos ao início. O início é imagem e semelhança de Deus. Deus, como soberano dos nossos corações, dos nossos destinos. Aprender a crescer nessa relação, construir essa relação, comer do fruto, da árvore, da vida. Próximo episódio, nós damos sequência a este estudo. Pensa na atitude. Qual é a atitude do diabo, satanás, da serpente? É uma atitude de adversário de Deus. Ele acha que está competindo com Deus.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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