#035 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Retomando o estudo do livro de Gênesis, Haroldo Dutra Dias conduz a análise do final do sexto dia da criação e o início do sétimo, conforme narrado no capítulo 1 e 2 do Gênesis. Aprofundando-se nas passagens, o expositor explora a ordem divina para o ser humano dominar as demais espécies, à luz da doutrina espírita, e a simbologia do descanso divino no sétimo dia.

O que é estudado neste episódio

  • Gênesis 1:28: A ordem para dominar a Terra: A passagem “Deus os abençoou, o homem e sua mulher, e lhes disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a, dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra” é analisada em sua dimensão literal e, principalmente, espiritual.
  • Gênesis 1:27 e a criação do homem e da mulher: A narrativa da criação do homem e da mulher é vista como um exemplo da “narrativa em círculos concêntricos”, um artifício literário hebraico onde uma ideia é apresentada sinteticamente e depois desenvolvida com mais detalhes, como a história de Eva no capítulo 2.
  • A evolução do princípio inteligente: Com base em “Evolução em Dois Mundos” de André Luiz (capítulo 3, item “Evolução no Tempo” e capítulo 6, item “Genealogia do Espírito”), é traçado o percurso do princípio inteligente desde organismos monocelulares até o ser humano, destacando o tempo gasto na automatização dos impulsos biológicos.
  • Gênesis 2:1-3: O sétimo dia e o descanso divino: A conclusão da obra da criação e o descanso de Deus no sétimo dia são interpretados como uma lei da natureza, onde o descanso é parte integrante e conclusiva do trabalho, simbolizando a necessidade de pausas para a reflexão e o apontamento para o futuro.
  • O padrão setenário (Shavua): A recorrência do número sete na Bíblia é explorada como um padrão cíclico e um paradigma que se amplia, contendo ciclos menores e estando contido em ciclos maiores, servindo como chave para a compreensão de profecias e do tempo.

Reflexões

  • A ordem divina para “dominar sobre os animais” é interpretada como um chamado ao Espírito para dominar seus próprios automatismos biológicos e instintivos, conquistados ao longo de bilhões de anos de evolução.
  • A liberdade verdadeira, conforme a filosofia socrática, reside na capacidade de autodomínio e de dizer “não” aos próprios desejos e impulsos, transcendendo a escravidão das pulsões e condicionamentos.
  • A jornada evolutiva do ser humano, do “Adão” (ser humano entre a animalidade e a angelitude) ao “segundo Adão” (o Cristo, na angelitude), é um caminho de bilhões de anos, onde a moralidade e o senso moral são desenvolvidos para suplantar os automatismos animais.

Ler transcrição do episódio

Olá, gente, boa noite para todos, retomando nosso estudo do Gênesis. Hoje, nós pretendemos encerrar este sexto dia, fazer algumas considerações sobre o final do sexto dia, para que a gente possa entrar no sétimo dia e, aí, encerrar esta narrativa que toma quase que o capítulo um inteiro e parte do capítulo dois do livro Gênesis. No capítulo dois, depois dos primeiros versículos que encerram estes sete dias da criação, o texto dedica uma atenção especial a Adão e a história começa, a história humana, a partir desta figura simbólica que é Adão.

O interessante, aqui no final do sexto dia, que são os versículos vinte e oito do capítulo um em seguinte, diz assim, Deus os abençoou, o homem e sua mulher, e lhes disse, sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a, dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra. A primeira coisa que eu queria chamar a atenção aqui, que no versículo vinte e sete foi dito assim, Deus criou o homem, a sua imagem, a imagem de Deus ele o criou, o macho e fêmea os criou. E, só lá no decorrer do capítulo dois, início do três, é que vamos ter a história da Eva sendo tirada da costela de Adão.

O que é interessante aqui? A gente já comentou que o livro de Gênesis é o livro que oferece padrões. Todos os padrões de temas e de artifícios literários estão no Gênesis. E, aqui, nós vamos encontrar um grande artifício literário, especificamente da literatura hebraica, que é a narrativa em círculos concêntricos. Então, você diz uma coisa, Deus criou o ser humano, macho e fêmea os criou. Diz-se sinteticamente. Está tudo dito. Mais para frente, Ele vai repetir e contar a história de como a mulher foi criada, da costela de Adão.

Como foi essa criação? Essa bipolaridade de homem e mulher, macho e fêmea. Então, é importante a gente ficar atento para isso, porque, se você ler o Evangelho de João, esse expediente vai ser utilizado o tempo inteiro. O tempo inteiro. Paulo também faz a mesma coisa. Ele diz sinteticamente, aí vai desenvolvendo. Desenvolve um pouquinho, depois repete e desenvolve um pouco mais, repete e desenvolve um pouco mais. Está sempre repetindo, mas a repetição nunca é uma repetição absoluta. Ela sempre acrescenta um elemento novo.

Então, dá a ideia, e o Sr. Honório adorava isso, dá a ideia de uma espiral, que ela vai repetindo, mas vai abrindo, como se ela fosse ascendendo e alcançando contornos cada vez maiores. Então, é importante destacar isto aqui, que é um padrão literário de Gênesis e ele vai se repetindo. Mas, o que nos chama a atenção aqui é que, se os animais foram criados no quinto dia, o homem foi criado no sexto dia. O homem, o ser humano. E, no final do sexto dia, há uma ordem para que o ser humano domine sobre as demais espécies animais e vegetais.

Se nós formos fazer uma interpretação assim, literária, básica, quase que literal, de fato, é isto que acontece. Então, os seres humanos aprenderam a cuidar do gado, de outros animais, desenvolveram a pecuária, etc. Aprenderam a manipular o solo, as espécies de plantas, da agricultura, aprendem a interferir em aspectos da terra, do planeta, no solo, no clima, etc. Então, nós percebemos que esta espécie, a espécie humana, é aquela que mais interfere na biosfera. Às vezes, de uma maneira até deletéria, demais, muito agressiva, mas é a espécie dominante.

É ela que muda os rumos do processo evolutivo, que, se ocorresse de maneira automatizada, sem interferência da inteligência humana, demoraria muito mais ou seguiria outro curso. A evolução tomaria outros caminhos. Então, nós constatamos isto. Mesmo o autor, de três mil anos atrás, era capaz de constatar isto. Quando olhava os pastos, a agricultura, o homem manipulando as plantas, os cultivos de vegetais, etc., o homem cuidando de certos animais, extraindo deles o alimento, a locomoção, etc., ele percebe que esta espécie, a espécie humana, ocupa uma posição especial no projeto da criação.

Ok! Mas, nós podemos avançar, também, agora, com o auxílio da chave espírita. Lembrando aquele conselho de Kardec, lá na introdução do Evangelho segundo o Espiritismo, quando o codificador diz assim muitos pontos da Bíblia, dos Evangelhos e dos autores sacros, em geral, somente são ininteligíveis, ou seja, incompreensíveis, por falta da chave que faculte o entendimento. Esta chave está completa no Espiritismo, no sentido de que o Espiritismo, não no sentido de movimento espírita, mas o Espiritismo no sentido das leis que regem o mundo espiritual.

Então, esta declaração de Kardec não é uma declaração que estabelece um privilégio para o movimento espírita ou um detrimento das demais religiões. Não! Ele está dizendo que o conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e o conjunto dessas leis é o Espiritismo, é a ciência espírita, faculta a chave para que a gente entenda o texto livre. E, hoje, nós vamos experimentar isto aqui. Quando a ordem divina de domínio chega ao ser humano, dominai sobre os répteis, os animais, quais as implicações espirituais disso?

O que nós podemos extrair para além disso? Então, eu selecionei aqui dois textos de André Luiz que estão no Evolução em Dois Mundos. O primeiro deles está no capítulo 3, num item do capítulo 3 chamado Evolução no Tempo. André Luiz diz assim É assim que dos organismos monocelulares aos organismos complexos, em que a inteligência disciplina as células, colocando-as a seu serviço, o ser viaja no rumo da elevada destinação que lhe foi traçada do plano superior, tecendo com os fios da experiência a túnica da própria exteriorização, segundo o molde mental que traz consigo dentro das leis de ação, reação e renovação, em que mecaniza as próprias aquisições, desde o estímulo nervoso à defensiva imunológica, construindo o centro coronário no próprio cérebro, através da reflexão automática de sensações e impressões em milhões e milhões de anos, pelo qual, com o auxílio das potências sublimes que lhe orientam a marcha, configura os demais centros energéticos do mundo íntimo, fixando-os na tessitura da própria alma.

É um parágrafo longo. André Luiz dá para dividir aqui em cinco parágrafos. Mas, vamos detalhar um pouquinho mais antes de a gente ler o restante, porque, depois, ele solta mais um outro parágrafo maior do que este. Então, olha que interessante aqui. Primeiro, o princípio inteligente começa no organismo monocelular, uma célula. Ali, aquele psiquismo embrionário vai aprender a controlar os processos celulares, os processos de uma célula, que são gigantescos. Se nós estudarmos uma célula, tudo o que ela faz, alimentação, inscrição, processo de respiração do oxigênio, todos os fenômenos bioquímicos que ocorrem em uma célula é algo, assim, descomunal.

Então, o princípio inteligente começa regendo uma célula. Depois, ele começa a ir para organismos mais complexos, pluricelulares, com mais de uma célula. Por isso que ele está dizendo aqui que a inteligência disciplina as células, colocando-as ao seu serviço. Então, ele vai aprendendo, cada vez mais, a comandar outras células. E, assim, ele começa uma viagem traçada pelo plano superior, que é a viagem evolutiva, a viagem da evolução. Com isso, o que ele faz? À medida que ele adquire experiência, ele vai tecendo uma túnica, que é o perispírito.

É o seu corpo, o corpo físico original. Porque o nosso corpo físico, propriamente dito, é uma veste do perispírito. O corpo físico, propriamente dito, é o perispírito. Por quê? Kardec nos ensina que ele é formado dos elementos do orbe. Portanto, indo a outro orbe ou vindo de outro orbe, precisa recompor isto. André Luiz vai trabalhar o tema no livro Entre a Terra e o Céu e no livro Libertação, dizendo a mesma coisa. É uma tessitura plástica, um corpo extremamente plástico, mas formado da substância do orbe, segundo um molde que é o corpo mental.

E, aí, não entra em detalhes do corpo mental, porque nós não conhecemos nem 5% do corpo espiritual, do perispírito. Não dá para avançar para o corpo mental, não temos a menor condição. Nós estamos, ainda, sem instrumento para medir e avaliar o perispírito e as propriedades do perispírito. Mas, sabemos que tem um molde ali que é mais perceptível quando ocorre o processo de quando ele se encolhe, ele sofre uma regressão, que é no momento em que vai reencarnar, uma miniaturização, quando reencarna, e no processo de desencarnação, porque, quando se desencarna, o perispírito, também, no momento da desencarnação, ele é preparado, ele vai sendo composto, como se fosse um feto.

Um processo que, segundo André Luiz, pode demorar dias, horas, dias, meses, anos, dependendo da consciência que está desencarnando, do estágio evolutivo dela. Anos, nós estamos pensando em uma inteligência bem rudimentar, que vai formar isso. Então, o perispírito é esse corpo, essa veste, altamente sensível, plástica, que reflete, com precisão, como se fosse uma tela de LED, todas as emoções, sensações, pensamentos e estados de alma. Por isso, define, com precisão, a situação do Espírito. Ela foi construída. E, aqui, André Luiz dá o percurso.

Começa com o centro coronário, aí, os outros centros de força, que estão no perispírito e que vão ser responsáveis, como se fossem centrais que comandam órgãos e sistemas do corpo físico. Então, o perispírito foi construído. Foi construído. Daqui a pouco, eu vou dizer porque nós estamos lendo isso. Nós vamos prosseguir um pouco mais. Contudo, para alcançar a idade da razão, com o título de homem, ou seja, para alcançar a idade da razão, com o título de Adão, porque Adão é homem, é ser humano, dotado de raciocínio e discernimento, o ser, automatizado em seus impulsos, na homagem para o reino angélico, despendeu para chegar aos primórdios da época quaternária, em que a civilização elementar do Sílex denuncia algum primordio técnica, nada menos de um bilhão e meio de anos.

Um bilhão e meio. Então, aqui, nós já temos mais ou menos uma média do princípio inteligente, para ele sair de um organismo monocelular até chegar a um primata da era do Sílex, da idade da pedra. No organismo monocelular, a idade da pedra, um bilhão e meio de anos. É claro que isto aqui não é um número absoluto, é uma média que a espiritualidade tem. Isto é perfeitamente verificável na desintegração natural de certos elementos radioativos na massa geológica do globo. Claro, a história evolutiva está registrada geologicamente na Terra, não há nenhuma dúvida disso.

E, entendendo-se que a civilização aludida, porque aí, da idade da pedra em diante, começa uma civilização humana, então, começa a espécie humana, floresceu há mais ou menos duzentos mil anos, preparando o homem, com a benção do Cristo, para a responsabilidade, somos induzidos a reconhecer o caráter recente dos conhecimentos psicológicos destinados a automatizar na constituição fisio-psicosomática do espírito humano as aquisições morais que lhe habilitarão a consciência terrestre a mais amplo degrau de ascensão à consciência cósmica.

Eu vou traduzir isto aqui. O que o André Luiz disse aqui? Para entrar no período ominal, no estágio de evolução de ser humano, foram gastos um bilhão e meio de anos para automatizar impulsos biológicos. Isto é conquista nossa. Ninguém aqui precisa se concentrar para o seu aparelho digestivo funcionar. Ele funciona. Todo o seu sistema imunológico funciona sem você ficar agora, 30 plaquetas, você não precisa ficar controlando isto. Já está automatizado. Mas, isto foi conquistado em um bilhão e meio de anos. De evolução.

Está automatizado. Então, o que nós queremos dizer com isto? Biologicamente falando, nós, Espíritos, já temos a conquista da automatização dos impulsos físicos. É conquista. Qual é o desafio, agora? É este o desafio que está em Gênesis, aqui. Dominai sobre os animais, sobre os répteis. Que ordem é esta? É uma ordem para o Espírito dominar os seus automatismos biológicos, instintivos, dominar todos estes impulsos conquistados ao longo de um bilhão e meio de anos. Então, quanto tempo ele vai gastar para isto? É o que Andrés está dizendo.

Se você pegar do homem da idade do Sílex, até hoje, 200 mil anos. Mas, nós não podemos dizer que a moralidade do homem da pedra é como a nossa. Então, nós temos, aí, o quê? 25, 30 mil anos de experiência moral contra um bilhão e meio de experiência instintiva, evolutiva, que fixou os automatismos biológicos. Então, o que é isto? Isto não é nada. É importante para que a gente coloque a evolução dentro de um quadro. Porque, às vezes, nós vamos falar sobre transição planetária e as pessoas ficam apavoradas porque a Terra não se tornou perfeita em 20 anos, em 100 anos.

Como é que nós vamos pular de um estágio em que nós somos humanos, na tentativa de dominar o passado ancestral animal porque nós estamos em luta com a animalidade? Esta é a nossa posição. Espíritos, numa jornada ascensional para alcançar o reino angélico, porque, no reino angélico, os automatismos morais são como os nossos automatismos biológicos. A caridade no anjo não despende esforço mental para ser caridoso, como nós não despendemos esforço para respirar. É natural. Automatizou. Aquela pauta da disciplina gera espontaneidade.

Mas, por quê? Uma entidade angélica tem, talvez, um bilhão de anos de moralidade. Nós temos que pensar nisso. Você imagina um Espírito puro cuja sua última encarnação foi há um bilhão de anos atrás. Ele já é puro há um bilhão de anos. Evidentemente, que as conquistas morais nele, os automatismos de ordem espiritual, já suplantaram os automatismos de ordem animal. Então, ele cumpriu o mandamento de dominar sobre as aves do céu, sobre os répteis. Ele tem total domínio dos impulsos, das pulsões, das instintividades. Total domínio.

Em outro ponto, André Luiz vai tocar neste tema, especificamente no capítulo 6, no item chamado Genealogia do Espírito. Ele finaliza dizendo assim Com a supervisão celeste, porque evolução se dá com supervisão, quem já alcançou ajuda quem está na conquista, com a supervisão celeste, o princípio inteligente gastou, desde os vírus e as bactérias, das primeiras horas do protoplasma na Terra, mais ou menos quinze milhões de séculos. Então, aqui ele mudou a equação. Era um bilhão e meio de anos, quinze milhões de séculos.

Mas, eu gostei disso aqui, porque quinze são duas semanas. Então, nós podemos ter uma semana de Sete milhões de séculos. Uma semana evolutiva. Gastou duas. Tem alguma coisa aqui. Não sei o quê. Porque, aqui, começa a trabalhar com grandezas que não estão sob a nossa observação, como diz o Arrago, lá no livro A Gênese, A Gênese, de Kardec. Ele diz assim que os ciclos que vocês conseguem observar são aqueles que dizem respeito à vida humana. O ciclo lunar, o sol solar terrestre, das estações do ano. Mas, esses ciclos aqui de milhões de séculos, só os supervisores celestes que estão lá no mundo espiritual observando isso.

Então, quinze milhões de séculos. Interessante, não é? Para sair de um organismo monocelular, ou de um vírus, uma bactéria monocelular, até a fim de que pudesse, como ser pensante, embora em fase embrionária da razão, lançar as suas primeiras emissões de pensamento contínuo para os espaços cósmicos. Então, quinze milhões de séculos para ele começar a ter pensamento contínuo. Ou seja, para ele se tornar um primata. Então, é preciso a gente colocar a evolução nesse prisma. Daí a ordem dada ao Adão. O Adão, o ser humano do Gênesis, é o ser humano que está entre a animalidade e a angelitude.

O segundo Adão, que é o Cristo, já é o ser na angelitude. Por isso que ele é um padrão, por isso que ele é um modelo, por isso que ele é um guia. Ou, como diz Teilhard de Chardin, ele é o ponto ômega, ele é o ponto para o qual convergem todas as espécies. É claro, porque a bactéria quer chegar aonde? Para onde ela está caminhando? Para onde? Para ir em direção ao Cristo. Todas as espécies estão em direção a ele. Ele é o ponto de convergência. É ele que referencia a evolução terrestre. Por que ele referencia a evolução terrestre?

Porque ele percorreu esses caminhos multibilenares. Não é multimilionário, é multibilenário, de bilhões e bilhões de anos. Esses caminhos já foram percorridos. É importante a gente entender este mecanismo, este mecanismo da evolução. Alguém quer fazer um comentário? Uma observação? Não é interessante isto? Então, fica a ordem. Quando Kardec utiliza a expressão senso moral, ele está fazendo referência a uma faculdade espiritual que pode ser sintetizada no seguinte, este domínio sobre a retaguarda evolutiva. Quanto mais aprimorado o senso moral, mais domínio sobre a retaguarda evolutiva possui o Espírito.

Quanto maior o domínio, mais autonomia. Porque Sócrates era dizer uma coisa interessante. Uma das reflexões que coube a Sócrates foi trazer para a filosofia a investigação sobre a moral, sobre a conduta. Tanto que a filosofia de Sócrates é chamada de filosofia moral. E, o que Sócrates vai trabalhar, ao menos no Gênesis, depois Aristóteles vai desenvolver? Se você faz tudo o que você quer, você não é livre. Você é um escravo. Interessante isto! Por quê? Porque você não tem autodomínio, você não tem capacidade de dizer não a si mesmo.

Contenção do desejo é liberdade, porque significa autonomia. A questão é você, neste raciocínio de Sócrates, você só é verdadeiramente livre se você for capaz de resistir a você mesmo, aos seus próprios desejos, às suas próprias pulsões, aos seus próprios arroubos. Senão, você não é livre. Você acha que é livre, mas você está totalmente determinado por forças, está sendo determinado por forças impulsivas. Daí, este raciocínio de Sócrates vai culminar no diálogo que ele tem com a esposa, quando ele está preso, que ela chega chorando e fala assim, eles te prenderam.

Ele fala, não, eu sou livre, eu não estou preso, eu sou livre. É claro que ali, Sócrates, a esposa estava falando em um plano biológico, em um plano adâmico. Seu corpo está preso em uma cela. Sócrates está conversando em um nível moral. Meu corpo está preso, mas eu estou livre. Quem me prendeu aqui é que está preso. Então, levou a discussão da liberdade para um outro potamar. Quem me prendeu está andando aí, acha que está livre, mas não está, porque é escravo de condicionamentos, condicionamentos sociais, preconceitos, paradigmas, pulsões, emoções, desejos.

Eles são escravos. Eles não conseguem dizer não a toda esta carga de impulso e, por exemplo, tomar uma decisão justa. Não conseguem. Sócrates, que estava fisicamente preso, era absolutamente autônomo. Isto aconteceu com Cristo na cruz. Então, nós olhamos para Jesus na cruz e pensamos em prisão. Mas, ali está um ser absolutamente livre, absolutamente livre. Isto é muito interessante. Então, esta ordem aqui não é uma ordem pequena, dominai sobre. O homem, criado no sexto dia, tem que, agora, dominar os outros dias, o quinto, o quarto, o terceiro, o segundo.

Quanto mais autodomínio, mais liberdade. É o inverso. É um desafio. E, chegamos no finalzinho deste capítulo, do sexto dia. Começa o início do capítulo 2, só para a gente fechar a sequência, o sétimo dia. E, o texto diz assim Assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército. O texto está resumindo de novo. Isto aqui é uma frase de fechamento. O céu e a terra com todo o seu exército. Está querendo dizer o quê? Que até o ser humano compõe o exército da criação. Interessante isto, porque este exército aqui, que pode ser pensado também nas estrelas, as virtudes do céu, os Espíritos do Senhor, que são as virtudes do céu, quais estrelas cadentes, são potências celestes.

Daí, o Deus dos exércitos, Sevaud, que tem duplo sentido aí, o Senhor das estrelas, o Senhor dos exércitos, o Senhor dos Espíritos. É uma frase aqui que resume tudo. Concluiu, sete, no sétimo dia. Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera, e no sétimo dia descansou. Aqui, eu queria comentar uma coisa. No sétimo dia, não foi feito nada. Só foi concluída a obra. Parece um paradoxo. Parece um paradoxo. Então, aqui tem uma lei belíssima. Só o descanso conclui o trabalho. Só o descanso conclui o trabalho. Não, não é possível.

Então, vamos pensar. Primavera. Começa a brotar, tudo floresce. Verão. Outono. Inverno. O que conclui o ciclo? O inverno, que é o descanso. É o descanso da Terra. Por isso, os Espíritos, quando nos ensinaram as leis morais, nos dizem assim, a lei de descanso é lei da natureza. A obra só se conclui no descanso. Então, você só termina quando para de produzir. Olha que interessante! Por quê? Parar a produção, descansar é referenciar o que foi feito para o futuro. Se você só faz e não para, a sua ação não aponta para o futuro.

Ela anda em círculos. Ela não sai do lugar. Então, isto é o extraordinário do texto. Deus conclui a sua obra e descansa no sétimo dia. Aí, você fica pensando, meu Deus, se Ele descansou no sétimo dia, e, no sétimo dia, não foi feito nada. Vou ler de novo. Assim foram concluídos o céu e a terra com todo o seu exército. Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizeram e, no sétimo dia, descansou, depois de toda a obra que fizeram. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação.

Aqui, fica claro. O fazer foram nos seis dias. O descanso é a conclusão da obra. Então, o descanso compõe a obra. O descanso compõe. E, aqui, nós temos um outro padrão importantíssimo, bíblico, que, nesta finalização da narrativa, a gente passa a ter, agora, uma régua simbólica, que é o período setenário, a Shavua. Em português, não faz muito sentido. Aqui, temos uma dificuldade de você ler o livro de Gênesis em português quando poderia ser lido em hebraico. Lendo em hebraico, ele tem uma riqueza, ele tem mais perfume, tem mais cor do que lendo na tradução.

Por quê? Vamos explicar aqui. A língua hebraica é uma língua interessante, simples, limitada. Pelo menos, este é o hebraico antigo. Hoje, o hebraico moderno, que incorporou um tanto de língua, tem um vocabulário como o nosso. Mas, o hebraico antigo é uma língua limitada, um vocabulário limitado, uma sintaxe limitada. É uma língua limitada. Todas as palavras derivam de verbos e os verbos são feitos de três consoantes. Então, você tem um radical que são três consoantes e todas as palavras da família derivam daquele radical.

Como é que é o processo de derivação? Acrescentar vogais. Acrescentar vogais. Então, por exemplo, homem, ish, mulher, ishá. O radical é o mesmo. Sete, shevet, semana, shavua. Só mudei as vogais. Sábado, shavat ou shabat. É o sábado. É a mesma coisa. Se você lê e o texto, aqui que é bonito, aqui que é bonito, porque o texto antigo eles não colocavam vogal, só colocavam consoante. Aí, você lê e fala, como é que eu vou saber se é sábado, se é semana ou se é sete? Pelo contexto e pela tradição oral. Porque o texto só tinha consoante, não tinha vogal.

Então, você olhava as mesmas consoantes para sete, para semana e para sábado, você vai falar, o que é? O que é que o texto está falando aqui? Por isso, tem um caso clássico de um gentio que procurou Iléu, o avô de Gamaliel e pediu para ele ensinar a orar a ele. Aí, ele ensinou. Esse discípulo era atrevido e falou assim, eu quero que você me ensine, mas eu não acredito nesse negócio de tradição oral, não. A gente pode aprender sozinho. Aí, o Iléu falou assim, então vamos. Abre aí o texto. Só tinha consoante, não é? Ele ensinou para ele uma leitura.

No outro dia, o Iléu falou assim, abre o texto, era o mesmo texto, ensinou tudo diferente. Aí, ele falou, mas isso aqui é tudo diferente do que você falou. Mas, não cabe? Eu só não mudei as vogais? Então, não precisa de tradição oral, você pode aprender sozinho. Deu um checkmate no discípulo, ou seja, estava querendo dizer para ele que o texto era só uma referência, era a tradição oral que guardava a leitura apropriada do texto. A leitura e as dezenas de interpretações, porque eles adoram várias interpretações e não uma.

Então, essa ideia nossa ocidental de toda a verdade, o texto diz tudo, não tem sentido. Na época, não tem o menor sentido isso. Então, aqui é importante, porque quando a gente vai falar de semana, de sete, de sábado, é a mesma coisa. Nós estamos falando de um padrão cíclico que vai ser utilizado em toda a Bíblia. E, como o livro de Gênesis é o livro dos primórdios, é o livro dos padrões, é o livro dos paradigmas, aqui nós temos mais um, o paradigma setenário ou a equação da Shavua, o sete. Por isso que eu achei muito interessante este texto de André Luiz, quando ele diz assim, do vírus às primeiras bactérias até a emissão do primeiro pensamento contínuo, 15, opa, 15, tem coisa aí, teve um sete, teve um outro sete, aí começou um período, um outro, novo.

Então, só que são 15 milhões de séculos, cada dia um milhão de séculos. Então, é só a unidade que muda, só muda a unidade. Sete, sete o quê? Dia de 24 horas? Não, milhões de séculos. Esta é a unidade. Interessante, não é? Interessantíssimo! E, olha aqui, e olha aqui, estes 15 milhões de séculos representam para nós, aqui, só o quinto dia e parte do sexto. Então, o ciclo da criação aqui é uma coisa maior ainda, maior ainda. É bonito isto, não é? Naquela ideia de que todo ciclo contém outros menores do que ele e está contido em outros maiores do que ele.

Então, toda vez que eu dou um ciclo, ele tem que conter outros menores e está dentro de outros maiores. Por isso, o padrão setenário é como se fosse um fibonacci, vai se ampliando, ampliando, ampliando, mas é o mesmo padrão, é um padrão que cresce. E, aqui, eu tenho uma chave para a profecia, uma chave para o tempo e todos os textos proféticos, mesmo o Novo Testamento, Apocalipse, vão fazer referência a estes sete aqui, os sete dias da criação. Aqui, então, a gente encerra estes sete dias da criação. Encerra ou não?

Encerra a síntese, porque agora vai começar. Agora, ele vai começar a abrir o sexto dia. Vai abrir a criação do homem e da ideia, agora, da evolução humana. As gerações já dão esse esforço do ser humano para o autodomínio, a herança. Por quê? Aqui, a gente conclui dizendo assim, todos os animais estão dentro de nós. Todos aqueles hábitos dos animais estão dentro de nós. São heranças, heranças da evolução. Então, o Espírito retrograda, não, porque ele não perde aquisição, mas, do ponto de vista comportamental, ele degrada, ele deteriora.

Você pode se animalizar completamente, perder todas as suas referências humanas e se tornar uma fera, mais bestial do que a fera mais feroz. Porque a fera, por mais feroz que ela seja, atua segundo o instinto. Você não vê o leão caçando vinte e quatro horas. Não vê. O leão tem os momentos de ferocidade e tem o momento em que ele está deitado, está brincando, está correndo. Agora, você pode encontrar um ser humano que, vinte e quatro horas, é uma fera bestial. Está sempre com as mandíbulas triturando tudo o que ele encontra vinte e quatro horas por dia.

Então, ele deteriora, é mais perigoso. Ele degrada. Por quê? Porque ele recupera arquivos, faz o download e instala no sistema operacional. Não, agora, você não é ser humano, não. Agora, você é jacaré. E, assim, vai. E, assim, vai. Em todos os níveis, o registro está lá. A ideia aqui é criar uma consciência espiritual que seja capaz de manipular esses registros mnemônicos com autonomia. Sem ser, por eles, dominado. Dominar sobre os animais, sobre os répteis, etc. E, é tão bonito isto, porque este tema vai ser desenvolvido.

Eu estou trabalhando isto aqui porque ele vai ser desenvolvido. Qual é o tema da tentação ou do teste de Adão? É a serpente. É uma réptil. Aí, voltou na temática. Vinha uma ordem dominar sobre os répteis. E, quem dominou Adão? O réptil. Adão e Eva foram dominados por um réptil. Esta é a história das quedas morais, das nossas fragilidades morais. Nós somos dominados por heranças evolutivas, multimilenárias, que dizem respeito ao nosso estágio que vai dos vírus, das primeiras bactérias, aos sílicos, ao homem primata.

Está tudo aí dentro da gente. Tudo dentro da gente. Ou seja, para resumir bem, a arca de Noé somos nós. Aquela história de construir uma arca, de colocar um princípio ativo e um princípio passivo de cada espécie, este é o nosso psiquismo. E, por que colocou um macho e uma fêmea? Porque o padrão se reproduz. Se você começar a agir como um leão, daqui a pouco, tem uma família de leões aí dentro. É uma família. São energias psíquicas que se expandem, porque o processo é dinâmico, ele se reproduz. A arca de Noé somos nós.

Isto, a gente vai ver lá para frente. Mas, o que é interessante do texto? É que o texto vai abrindo, mas ele sempre volta. O que é a arca de Noé? É a história do ser humano que deixou todos os bichos dominarem ele. O que é a história do Adão? É a história de um ser humano que deixou um bichinho dominar ele, só que era um réptil danado, uma vírgula, uma jararaca. Deixou dominar. Deixou dominar. Esta é a luta, é a jornada evolutiva. Mas, estes são os senos dos próximos capítulos. Vamos fazer a nossa prece. É um evento muito importante.

Nós vamos ter no auditório Monte Calvário, às 19h30, no dia 9 de julho, uma apresentação do Grupo Estradas. Este grupo tem estrada. Este grupo é um berço de todo o movimento artístico, musical em Belo Horizonte. Ali, tem Cacau, Vanessa, Júlio, Willi, o próprio Tim, o Cássio Fajardo. Então, é uma turma que inaugurou este movimento da arte espírita, através da música, pelo menos aqui em Belo Horizonte. É este Grupo Estradas, que tem uma relação profunda e íntima com o ser. Este grupo vai gravar um DVD, pretende gravar um DVD, narrando as estradas percorridas.

Este evento, no dia 9 de julho, é um evento para nós arrecadarmos fundos, com vistas à gravação deste DVD. Eu vou fazer uma pequena palestra, depois, nós vamos ter uma apresentação musical. Estamos convidando a todos que puderem, por favor, prestigiar, ajudar, para que a gente consiga gravar este tão sonhado, tão esperado, esta promessa difícil de cumprir, que é o DVD do Estradas. Pai de infinita bondade, Divino Mestre Jesus, amigos espirituais, que nos orientam e sustentam a nossa caminhada, nós agradecemos a oportunidade de refletir sobre estes textos em companhia de corações queridos e as bênçãos recebidas, não só na forma de orientação, mas, também, de energia, Senhor, que nos revigoram e nos animam para a continuidade da jornada.

Suplicamos, também, que todas as bênçãos recebidas sejam encaminhadas aos nossos corações amados, que eles, também, recebam de tudo o que foi recolhido por nós nesta noite. Pedimos o auxílio e o amparo aos nossos adversários e inimigos, sobretudo, aos inimigos da causa espírita. Amparem os nossos amigos que acompanham pela internet, os seus lares, as suas famílias, e que nós possamos, na próxima semana, vermos renovadas as oportunidades de encontrar e estudar esses sublimes ensinamentos. Esteja conosco, Senhor, agora e sempre.

Que assim seja! Como é que podem ser todas essas coisas? Bem-vindo ao mundo bíblico, onde uma coisa é só ser pedra.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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