Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do livro de Gênesis, focando no encerramento do que ele denomina o “primeiro círculo concêntrico” das narrativas bíblicas. O estudo explora a ideia de que Gênesis apresenta uma estrutura cíclica, onde temas são revisitados e ampliados, como sementes que se desenvolvem em uma árvore, uma metáfora que Jesus utilizou para o Reino de Deus. Este primeiro círculo, que abrange Gênesis 1:1 a Gênesis 2:4, é apresentado como o germe de toda a Bíblia, contendo as potencialidades que se desdobrarão até o Apocalipse.
O que é estudado neste episódio
- A estrutura cíclica de Gênesis: A narrativa bíblica é vista como uma série de círculos concêntricos, onde cada ciclo expande e aprofunda os temas iniciais. O primeiro ciclo (Gênesis 1:1 – 2:4) é a base, contendo o germe de toda a revelação bíblica.
- A artificialidade da divisão em capítulos e versículos: Haroldo Dutra Dias destaca que a divisão moderna da Bíblia em capítulos e versículos, introduzida por volta de 1600, nem sempre respeita a estrutura literária original do texto, que era contínuo.
- Os sete dias da criação e o descanso divino: A criação é um processo cíclico, culminando no sétimo dia com o descanso, que é parte integrante da obra divina. O descanso é uma lei natural, assim como o trabalho, e será revisitado em outras leis do Velho Testamento, como o descanso da terra a cada sete anos.
- O ser humano como ápice da criação: No sexto dia, o ser humano (Adão, no sentido de humanidade) é criado com a capacidade de reconhecer a si mesmo e a Deus, possuindo livre-arbítrio e a potencialidade de relacionamento com o Criador.
- O tema central da Bíblia: o relacionamento entre Criador e criatura: A Bíblia, em sua essência, trata do relacionamento fundamental entre Deus e a humanidade, que pode ser chamado de religião, religiosidade ou espiritualidade.
- O planejamento divino e a avaliação do “bom”: A narrativa da criação mostra um Deus que planeja, concretiza e avalia, considerando “bom” aquilo que corresponde ao Seu projeto. O homem ideal, o “Adam Kadmon” ou homem primordial, é aquele que corresponde ao projeto divino de humanidade.
- A perspectiva da evolução bíblica: Diferente da ideia de um caminho a ser apontado, a evolução bíblica é vista como um processo de atração. Deus, sendo a perfeição e o destino final, atrai toda a criação para Si, para o projeto original.
- O plano da salvação e o livre-arbítrio: O texto bíblico sugere que, embora haja um projeto para o homem, o livre-arbítrio permite que ele se desvie, recusando a atração divina e criando seus próprios projetos imperfeitos, o que resulta em desumanidade (Caim, violência, egoísmo).
- A intervenção divina e a lei de causa e efeito: Deus não é um Criador ausente, mas operante e vigilante, intervindo para corrigir rotas. A doutrina espírita, com a lei de causa e efeito (ação e reação), oferece um mecanismo divino de correção de rota, um “GPS divino” que busca trazer a criatura de volta ao projeto original.
- O rompimento da relação e a necessidade de salvação: O livre-arbítrio permite que o homem rompa a relação com Deus, perdendo o rumo e o sentido da vida. A “salvação” é o resgate para que a criatura retorne ao relacionamento com o Criador, que se relaciona com todos de forma igual, como o sol que derrama luz para todos.
- O ser humano como “criança divina”: No início, o ser humano é uma criança divina, com todas as potencialidades da angelitude, mas que precisa amadurecer. Erros podem ser de aprendizado ou de rebeldia, exigindo medidas pedagógicas, por vezes dolorosas, para que a criatura se torne dócil e aceite a consultoria divina.
- O Cristo como o “homem do projeto”: A história bíblica culmina com a vinda do Cristo, que é o “homem do projeto”, o modelo e guia que representa a concretização da humanidade divina. Ele é a “caixa do quebra-cabeça” que une todas as peças fragmentadas da revelação divina, mostrando como o projeto de Deus se manifesta.
- A “nova geração” e a Gênese de Kardec: A “nova geração” mencionada no último capítulo de “A Gênese” de Allan Kardec é interpretada como a concretização do antigo projeto divino, a retomada da espiral evolutiva em um nível superior, tendo o Cristo como modelo.
Reflexões
- A Bíblia, especialmente o Gênesis, não deve ser lida como uma sequência linear de eventos, mas como um processo cíclico e espiralado de revelação e desenvolvimento, onde cada parte contém o germe do todo.
- O livre-arbítrio humano, embora grandioso, é limitado e sujeito às leis divinas. As escolhas que nos afastam do projeto de Deus geram consequências que, pela lei de causa e efeito, servem como mecanismos de correção para nos reconduzir ao caminho da evolução.
- Jesus Cristo é o modelo e o guia para a humanidade, representando o projeto divino de ser humano em sua plenitude. Toda a revelação bíblica, fragmentada no Velho Testamento, encontra sua unidade e sentido Nele.
Ler transcrição do episódio
Olá, estamos de volta nesta nova temporada do Gênesis e hoje fazendo um fechamento daquilo que a gente considera como já dito na no último episódio o fechamento do primeiro círculo concêntrico das narrativas de Gênesis. O que nós estamos querendo dizer com isto? Nós comentamos no episódio passado que Gênesis utiliza de um expediente muito interessante que é fazer uma narrativa completa como se fosse um círculo aí completa o círculo depois ele repete a mesma coisa, mas acrescentando novos elementos depois repete acrescentando novos elementos, então você teria uma série de círculos cada vez mais se ampliando desenvolvendo aquele tema que está em estado de semente e esta ideia de semente é muito interessante para a gente entender isto.
É como se você na semente tivesse todas as potencialidades que vão aflorar que vão se desenvolver na árvore. Este é o sentido não é por outra razão que Jesus chega até mesmo a utilizar este símbolo da semente para falar de realidades que demandam tempo para serem concretizadas como no caso do reino de Deus. Tudo isto está conectado. Aqui fecha-se o primeiro círculo concêntrico o menorzinho de todos, mas o fundamental aquele que contém tudo Nós poderíamos dizer que do capítulo 1 versículo 1 de Gênesis até o capítulo 2, versículo 4 pegou um pedacinho do capítulo 2 e isto é bom para mostrar para a gente como que esta divisão em capítulos e versículos às vezes é artificial porque ela não obedece à estrutura do texto e ela foi colocada lá por volta do ano de 1600, porque o texto original não tem esta divisão ele segue direto só tem consoante e segue na sequência sem divisão esta divisão é posterior e nem sempre ela atende à estrutura literária mesmo do texto porque ela tem a ver com a visão de quem está fazendo a divisão daqueles que fizeram a intervenção.
Como isto se tornou uma convenção internacional, não justifica, hoje, mudar, porque, senão, você constrói uma tradução uma Bíblia que ninguém vai conseguir dialogar porque o objetivo de colocar capítulo e versículo é para que você possa se comunicar e citar o texto para que todos possam citar o texto em uma comunidade internacional e todos terem a certeza de que estão falando do mesmo trecho bíblico esta é a função do texto mas, aqui, a gente já vai libertar vamos nos libertar disto aqui, nós temos uma sequência capítulo 1 versículo 1 até o capítulo 2 versículo 4 que são os sete dias da criação a narrativa da criação em sete dias sendo que no sétimo há a conclusão da obra e o descanso portanto descansar faz parte do trabalho divino da criação e é o descanso que coroa a obra que coroa a ação criadora isto é muito importante também nós já comentamos do livro dos Espíritos na parte das leis morais que o descanso é também lei da natureza e ele é uma lei juntamente com a lei do trabalho compõe um par e assim funciona em tudo até a terra precisa de um descanso precisa se recuperar e teremos ao longo do Velho Testamento ordens para que o povo hebreu observe a cada sete anos o descanso da terra não pode plantar no sétimo ano todo este quadro que nós vamos ver posteriormente o que nos chama a atenção aqui é que este bloco os sete dias da criação ele contém o germe de toda a Bíblia de toda a Bíblia até o final de Apocalipse de todo o Evangelho tudo é um desenvolvimento deste núcleo então é isto que nós pretendemos hoje comentar e fazer algumas reflexões para abrir esta esta visão para que nós possamos esta perspectiva de análise do texto então revisando o que aconteceu aqui a criação foi dividida em blocos então ela não aconteceu em um jato contínuo ela aconteceu em um processo cíclico primeiro fez uma coisa depois uma outra etapa depois uma segunda etapa até chegarmos na sétima etapa não é ato ou sete porque o sete aqui vai ser aquele padrão matemático bíblico que vai inspirar todas as profecias toda a história bíblica ela está referenciada no tempo com o sete nós veremos isto aqui com mais detalhes embora já tenha comentado isto em episódios anteriores mas veremos isto com mais detalhes e também ela mostra as sementes que vão se desenvolver então vamos rever isto aqui o que que este bloco literário básico esta pedra fundamental nos mostra nos mostra no topo da etapa criadora que é o sexto dia aquela espécie que é capaz de reconhecer-se e reconhecer a Deus que é a espécie humana que é o Adão é o homem mas não no sentido de homem em oposição a mulher gênero não é isto o homem no sentido de ser humano do ser humano em comparação com as demais espécies esta espécie biológica que é o ser humano é o capaz de refletir sobre ele mesmo fazer escolhas portanto ele tem o livre-arbítrio e ele é capaz de reconhecer um criador como ele reconhece a si mesmo e ele reconhece um criador que é o outro há a possibilidade de relacionar relacionamento e este é o tema bíblico então se a gente pudesse assim resumir em meio segundo do que a bíblia fala qual é o tema da bíblia ela fala sobre relacionamento mas relacionamento conjugal relacionamento de amizade ela fala do relacionamento que é a base de todos os outros relacionamentos que é o relacionamento da criatura com o criador esta é a questão de um lado o criador do outro a criatura e a relação entre eles esta relação nós podemos dar o nome de religião de religiosidade de espiritualidade e a questão de terminologia de gosto mas é a relação e Na mordura da narrativa nós temos um criador que prepara todo o cenário todos os elementos desde o sol, a lua, as estrelas, a terra, a vegetação, as demais espécies animais, os rios, os mares tudo é um cenário uma composição, um ambiente pedagógico para que esta espécie, este ser se desenvolva e siga um traçado que é o que nós vamos falar aqui como assim um traçado embora não fique muito evidente nesta narrativa do capítulo 1, inicio do 2 de Gênesis, neste bloco aqui Gênesis, capítulo 1, versículo 1 até capítulo 2, versículo 4 embora isto não esteja assim patente o que que a gente percebe aqui houve um planejamento o planejamento fica claro nos verbos e na maneira como a criação é narrada Deus criou e fez criou e fez e viu que era bom criou, fez, viu que era bom então há uma projeção uma concretização e uma avaliação uma seleção do que é bom porque só o que é bom bom no sentido de que aquilo que corresponde ou que mais se aproxima ao projeto você avalia o que foi feito e Ajuiza se aquilo que conseguiu ser concretizado está próximo do projeto se está é bom correspondeu ao projeto então do ponto de vista de Deus há uma perspectiva Ele quer que a criação corresponda ao seu projeto e nós vamos ver isto claramente na criação do ser humano Ele é a imagem e semelhança de Deus há um homem ideal o homem primordial que os hebreus chamam de Adam Kadmor que Kadmor é primordial ou primeiro o homem primeiro pode até dizer um homem platônico, um ser humano platônico é aquele que corresponde ao projeto divino de humanidade Deus projetou o ser humano soprou nele, insuflou nele todas as potencialidades e um conjunto de virtudes de capacidades que iriam se desenvolver então a ideia é de que o criador isto é importante, porque nós temos um hábito de pensar a evolução como alguém que está apontando um caminho então como se a evolução fosse assim vai para lá esta é a nossa ideia de evolução se ela fosse uma estrada e eu digo assim segue aqui quando eu digo isto, eu estou assumindo que eu estou aqui, eu não estou lá mas a evolução não é assim por quê?
Porque Deus já está onde tudo vai chegar a perspectiva da evolução bíblica é a perspectiva de que o criador está na perfeição na chegada e ele atrai para ele tudo que se desenvolve está sendo atraído pelo criador é diferente a perspectiva ele já está na perfeição ele é a perfeição então ele puxa tudo para o projeto original como que os nossos irmãos evangélicos e os teólogos católicos vão se referir a isto? Eles não vão usar a palavra evolução eles vão falar do plano da salvação ou história da salvação por que a história da salvação?
Porque o texto dá a entender que tem um projeto para o primeiro homem mas este primeiro homem de início não corresponde nem a um por cento do projeto ele não aceita esta ação atrativa de Deus e ele resolve caminhar por conta própria ele recusa este poder atrator atrativo de Deus e diz que vai caminhar e seguir o próprio caminho e neste seguir o próprio caminho ele deixa de corresponder ao projeto divino então ele se torna algo que não é o homem não é o homem projetado por Deus então ele se torna desumano não é trocadilho isto aqui não é trocadilho um caim que mata o irmão é desumano um assassino é desumano não é uma desumanidade a violência o roubo o egoísmo todas as mazelas que nós vivemos hoje no mundo não é desumano é desumano e o que significa isto?
Significa que o ser humano recusou o projeto de uma humanidade e adotou um projeto individual próprio mas como que uma criatura imperfeita que está em processo de aperfeiçoamento pode criar um projeto perfeito como é que isto é possível? É algo para a gente refletir até para que a gente não se iluda com instituições e projetos humanos não deposite toda a sua fé em instituições que são frutos de um projeto humano e, portanto, são falíveis como seres humanos todo o projeto humano é falível porque ele foi feito por criaturas que são imperfeitas que estão em processo de aperfeiçoamento tudo o que o ser humano cria vai se aperfeiçoar isto é muito importante porque esta é a tensão bíblica que está descrita aqui no primeiro capítulo o primeiro capítulo está em germem o homem foi criado com toda a potencialidade quando começa a narrativa do capítulo 2 nós vamos mostrar que este homem porque tem o livre-arbítrio olha que interessante porque tem o livre-arbítrio ele pode recusar esta força gravitacional de Deus recusar em parte em parte até um determinado limite porque o livre-arbítrio humano não pode ser igual ao livre-arbítrio de Deus a vontade humana não pode ter a mesma força e o mesmo status da vontade divina a vontade humana é limitada reduzida ela é observada ela é condicionada as leis divinas Deus concede um livre-arbítrio dentro de uma margem de movimentação e já está bom porque com esta margem já faz tanta coisa equivocada e boa também então a ideia deste Deus perfeito atraindo a sua criação para a perfeição é muito importante porque isto vai justificar as intervenções de Deus na história que é o que o texto de Gênesis mais faz questão de frisar se tem uma coisa que o texto de Gênesis quer nos transmitir transmitir a nós leitores é a ideia de um Deus operante vigilante e atuante ele não é um Deus que criou e tirou férias e foi embora e deixou as coisas funcionando não agora ele não é também um Deus que decide tudo para quem não haveria espaço para o livre-arbítrio estes dois extremos confundiram grandes homens por exemplo Einstein Einstein acreditava na existência de Deus mas de um Deus que criou deixou as leis e tirou férias porque um homem que via as guerras viveu naquele período de convulsão do início do século XX bomba atômica aquela história toda e estes homens olhavam para isto e falavam que não é possível que Deus permita isto e não entenderam que o livre-arbítrio faz parte da criação então o homem pode errar dentro de uma margem que para nós é gigantesca esta margem para Deus é pequena porque ele diminui o universo infinito para nós nós podemos criar uma bomba atômica e destruir um planeta, mas o que é a destruição de um planeta para Deus para nós é assombroso para Deus então nós vamos entendendo este contorno uma margem de livre-arbítrio e Deus intervindo atuando ou Corrigindo rota e aqui nós consideramos preciosa a contribuição do espiritismo para a interpretação do texto bíblico porque quando a doutrina espírita nos revela a lei de causa e efeito o que é a lei de ação e reação a lei de ação e reação é um mecanismo divino de correção de rota é o gps divino recalculando há um projeto você se desviou criou um estrago criou uma desarmonia prejudicou um semelhante criou um distúrbio o que é feito você perde parcela do seu livre-arbítrio perde parcela do seu livre-arbítrio e é feita uma correção de rota corrige a rota você volta de novo para a rota quando eu digo rota não estou falando de um caminho reto estou falando de possibilidades tem possibilidades de desvio são infinitos caminhos de desvio e infinitos caminhos de acerto você sai da zona de erros e vem para a faixa de acertos então não é um caminho retilíneo não tem que fazer isso e isso não é um conjunto de possibilidades mas no bem porque você pode viver de infinitos modos mas sem prejudicar ninguém sem ferir ninguém sem ferir-se a si mesmo infinitos modos da mesma maneira você pode viver de infinitos modos prejudicando ferindo aos outros e a si mesmo tem probabilidades para cá e probabilidades para cá essa é a ideia nós não estamos nessa visão newtoniana não estamos raciocinando com a visão da nova física física quântica é uma correção de rota a lei de causa e efeito essa é a ideia quando o homem começa a exercer o livre-arbítrio e é o que nós vamos ver aqui na narrativa do capítulo 2 em diante no próximo episódio vamos começar a estudar isso no próximo ciclo na primeira oportunidade que o ser humano tem de exercer o seu livre-arbítrio o que ele faz ele rejeita a condução divina ele rejeita essa força atrativa do criador o que acontece quando ele rejeita ele cria da parte dele não da parte de deus da parte dele um rompimento de relações com o criador o criador continua inalterável a relação dele conosco mas nós temos que observar que relação com o criador como diz Emmanuel não é como você pegar um pão e entregar para alguém um ato mecânico de entrega não é assim porque o criador não se relaciona assim de um modo particularista conosco nos privilegiando em detrimento dos outros não o criador relaciona-se com seus filhos de modo igual em pé de igualdade então como que é o relacionamento do criador com a criatura é como um sol derramando luzes para todos de igual modo um espírito superior não tem mais benção de deus do que nós não o que acontece é que ele tem maior capacidade de recolher as bençãos que nós ele desenvolveu uma permeabilidade maior do que nós porque eu posso me fechar totalmente a esta luz do sol me isolar completamente não deixar entrar a luz romper assumir uma postura refratária e ai somente a dor é claro que o criador tem elementos para amaciar isso recuperar para trazer de volta a criatura ao relacionamento com ele e esse trazer de volta o relacionamento com ele bíblicamente se chama salvação salvar porque a ideia de que se você romper o relacionamento com Deus você está perdido no sentido técnico da palavra você está perdido, você está sem rumo você é um náufrago então você precisa ser salvo resgatado essa é a ideia para que você volte a ter direção para que a sua vida volte a ter sentido volte a ter propósito volte a ter rumo é importante isto aqui muito bonito muito profundo essa ideia que está aqui no primeiro bloco da narrativa de Gênesis um ser humano com livre-arbítrio e com todas as potencialidades divinas então nós poderíamos dizer grosso modo é um símbolo não podemos tomar isso ao pé da letra que do capítulo 1 versículo 1 até o capítulo 2 versículo 4 nós temos um ser humano que é um ser divino criança então é uma criança divina ela tem todas as potencialidades da angelitude mas é ainda uma criança terá que amadurecer terá que aprender como que ela poderia aprender vamos imaginar se ela for uma criança dócil se ela for uma criança dócil ela vai cometer erros que são erros de aprendizado é o erro aprendizado o erro revolução agora se ela for uma criança rebelde ela vai cometer erros que não são erros de aprendizado são erros de rebeldia erros da criança recalcitrante erros da criança birrenta que está em luta que não aceita a autoridade paterna e que cria uma série de problemas e de resistências que vão exigir o que um conjunto de medidas pedagógicas inspiradas na dor nós vamos ver isso tudo aqui ai somente elementos pedagógicos que incluem dor para poder amaciar para poder diminuir esta rebeldia esta dureza para que ela consiga se tornar dócil e aceite novamente este poder atrator de Deus ela consiga se relacionar e fazer escolhas com a consultoria divina este é o desafio da evolução você aprender a tomar decisões com a consultoria divina porque Deus está sempre nos inspirando no nosso coração de um modo imponderável ele tem acesso direto ao nosso coração então a todo momento ele está nos monitorando e está em relação conosco se eu desenvolvo acessibilidade eu consigo absorver o que é melhor para mim naquele momento e ai eu começo a tomar decisões mais acertadas porque embora eu não veja embora a minha visão não consiga abarcar o todo por um processo intuitivo eu tomo decisões porque eu estou sob a tutoria sob a consultoria divina e ai a evolução ganha efetividade ganha eficácia vai mais rápido e mais eficiente com menos transtornos com menos dificuldades com menos acidentes como é a nossa evolução a evolução de nós que somos Espíritos encarnados nesse orbe aqui que é um orbe caracterizado por ser habitado por Espíritos extremamente rebeldes Espíritos extremamente resistentes a condução divina e aqui o texto também vai denunciar isto do que que a gente conclui isto aqui então esta criança divina criada aqui no primeiro bloco de Gênesis ela terá uma história ela irá fazer uma série de escolhas Deus vai intervir corrigindo rotas ai ela vai fazer outras escolhas Deus vai intervir de novo e ai nós vamos ter a história bíblica que vai culminar o que no momento em que vem até nós o homem do projeto aquele ser humano que é o projeto original aquele ser humano que representa tudo que Deus projetou porque que ele veio para trazer concretude ao projeto para mostrar na prática como que é o projeto funcionando esse ser humano é o Cristo então a encarnação é isto o que que é a encarnação é o projeto concreto concreto então vem aqui aquele ser humano que estava previsto aqui no capítulo 1 versículo 27 Deus criou o homem na sua imagem a imagem de Deus ele o criou Jesus o Cristo é esse projeto aqui andando andando vivendo ser humano com a sua humanidade divina não é uma humanidade minha não é a minha porque a minha humanidade é uma humanidade deturpada porque como eu rejeitei a consultoria divina como eu rejeitei a condução divina eu criei uma aberração uma deformidade que precisam ser corrigidas arestas que vão ter que ser polidas para que chegue agora o Cristo ele é o modelo essa é a ideia de modelo ele é o modelo e ele é o guia porque que ele é o guia porque como ele já está lá na ponta e como Deus é o poder o grande poder que atrai e Jesus já percorreu esse caminho ele já foi atraído ele já percorreu esse caminho ele vem aqui ele volta para falar vem cá vem comigo vou mostrar para vocês como que é deixar-se ser atraído por Deus deixar Deus conduzir por isso ele é um guia ele nos leva nesse processo então nós já Os próprios hebreus já perceberam isso que era a criação que está em Gênesis capítulo 1 versículo 1 a 2 versículo 4 a pedra fundamental está aqui mas nós teríamos uma era messiânica porque entre esse trecho de capítulo 1 versículo 1 de Gênesis até 2 versículo 4 ocorreram coisas que não correspondem a esse projeto aqui houve o desvio de rota e a grande correção não a correção individual de rota mas a correção coletiva de rota a correção do mundo eles chamam de era messiânica porque nós chamamos de mundo de regeneração mundo ditoso não é nenhum mundo de regeneração, é o mundo ditoso porque o mundo de regeneração é uma transição para o mundo ditoso para a grande era messiânica aponta para todas aquelas benesses da era messiânica que o mundo de regeneração está mais próximo dela mas não é ela ainda toda é curioso porque tudo isto aqui é uma simbologia é um vocabulário mas quando a gente vai no livro A Gênesis de Kardec os Espíritos vão utilizar este vocabulário de Gênesis o último capítulo do livro A Gênesis de Kardec fala de a nova geração não é curioso isto porque nós comentamos aqui que o livro de Gênesis mosaico é conhecido na cultura hebraica como o livro das gerações nós comentamos isto inclusive o livro de Gênesis todo pode ser dividido em dez blocos que são o que as dez genealogias qual que é a primeira genealogia Adam Adam e Eva Caim, Abel, Sete Noé aí encerra depois começa uma outra são dez curiosíssimo isto e lá no final do livro A Gênesis nós temos a nova geração olha que interessante é como se fosse o que que os Espíritos metaforicamente simbolicamente estão nos querendo dizer olha vai continuar a Bíblia vai continuar é como se acrescentasse aqui agora vem a nova geração vocês leram dez aqui agora vai ter uma nova geração cujo modelo é quem é o que foi aí, é o Cristo ele é o modelo da nova geração que não é uma geração Adânica é uma nova mas ela é nova em que sentido ela é nova no sentido de concretude porque em termos de projeto ela não é nova é o velho e antigo projeto a nova geração de Espíritos é na verdade a concretização do antigo projeto do capítulo um versículo um capítulo dois versículo quatro do livro Gênesis é a retomada daquele sentido de espiral você retoma no nível superior eu não sei se está muito complicado isso mas sem essa perspectiva a gente não consegue ler o texto bíblico ou comete um grande equívoco que é repartir o texto bíblico se você começa a falar em novo testamento velho testamento você está partindo você está fazendo cortes num bolo que é um bolo completo não tem como isso aqui é um todo isso aqui é um quebra-cabeça cujas peças foram sendo colocadas ao longo do tempo a primeira pecinha veio depois veio a outra e porque eu estou usando este símbolo do quebra-cabeça?
Porque é o que Paulo de Tasso vai utilizar no primeiro versículo da carta aos hebreus no primeiro versículo o que ele vai dizer? Ele vai dizer que Deus falou aos pais olha que interessante de modo fragmentado através dos profetas fragmentado mandou uma pecinha mandou outra pecinha do quebra-cabeça mandou outra pecinha do quebra-cabeça mandou outra pecinha está tudo fragmentado a peça é falsa? não a peça é verdadeira a peça é inválida? Não, ela é válida mas ela é uma peça, ela não é o todo de repente o que Deus faz?
Ele manda a caixa do quebra-cabeça porque geralmente na caixa do quebra-cabeça vem ele montado quem que é a caixa do quebra-cabeça? Jesus Cristo ele é a caixa quando ele vem você fala entendi é assim que monta aí você monta tudo aí você pega tudo e monta tudo faz sentido porque todas as pecinhas se encaixam porque elas se encaixam todas? Porque ele é um modelo do quebra-cabeça ele é um modelo concreto é importante entender isto é isto que Paulo está dizendo lá na carta aos hebreus de modo fragmentado e de muitos modos o que significa isto?
é um quebra-cabeça mesmo porque o quebra-cabeça é fragmentado é polímeros são pedaços mas um pedaço não é igual ao outro cada pedaço tem uma característica o livro de Isaías tem uma característica Êxodo tem outra característica isto aqui tem outra característica tudo é diferente é diverso tem uma diversidade de fala e tem uma como se fosse tudo partido tudo fragmentado quando você reúne os fragmentos eles formam um todo uniforme mas rico porque rico? Por causa da diversidade das partes quem não quebra-cabeça tem uma montanha umas pecinhas são mais escuras outras são mais verdes outras são azulzinhas cada pedacinho tem uma característica quando você monta você dá uma paisagem única rica mas conectada o Cristo então é Este modelo é o quebra-cabeça montado o que Paulo estava dizendo é que todas estas pecinhas que foram colocadas visavam este quebra-cabeça tudo que foi fornecido foi para chegar neste perfil neste modelo de ser humano que é Jesus Cristo não sei se isto ajuda se está muito complexo mas é isto aqui agora a gente entende portanto qual deve ser a nossa leitura e é a leitura que está presente inclusive na doutrina espírita está no Evangelho segundo espiritismo está lá a moral do Cristo é a moral mais perfeita porque ela reflete a lei divina não é o que Kardec fala reflete a lei divina então está lá como é que a gente lê toda a Bíblia lê Com a caixinha do quebra-cabeça na mão a gente lê com o Cristo aqui eu venho aqui como nós estamos fazendo agora eu estou pegando aqui capítulo 1 versículo 1 até 2 versículo 4 estou pegando esta pecinha está aqui Jesus onde que eu encaixo aqui vem aqui encaixa aqui este texto está dizendo que tudo foi montado para que o projeto de ser humano pudesse se desenvolver crianças divinas queriam se tornar neste ser humano aqui que é o Cristo aí tudo faz sentido tudo ganha um brilho porque nós vamos ver aqui neste ser humano aqui tem um assassino aqui tem um doador de vida neste ser humano aqui deturpado ele tira a vida do semelhante neste ser humano que é o modelo ele doa a vida ele restitui a vida neste modelo de ser humano aqui que perdeu a conexão com Deus tem um ser humano que vinga que tem ódio neste modelo aqui é o ser humano que perdoa então são os opostos são os opostos nós vamos fazer uma leitura de todo o Velho Testamento como o oposto aquilo que não deveria ser e as intervenções divinas chamando a atenção está errado não é assim vem para cá vem para cá para cá onde?
Onde é o para cá? O para cá é o Cristo é o modelo com isto a gente encerra este episódio de hoje e No próximo episódio nós já vamos voltar no segundo círculo que vai repetir o que está aqui mas trazendo novos elementos novas histórias novas aventuras sobre este ser humano que decidiu apartar-se de Deus desligar o GPS e seguir um caminho próprio até a próxima Legendas pela comunidade Amara.org
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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