Neste episódio, Haroldo Dutra Dias dá continuidade ao estudo do Velho Testamento, aprofundando-se no Livro de Levítico. O foco principal é a compreensão da adoração, purificação e sacrifício, não como rituais externos, mas como processos internos de transformação espiritual.
O que é estudado neste episódio
- A Transição do Antigo para o Novo Testamento: A aula inicia com a leitura de Hebreus 9:11-12, que descreve Cristo como o sumo sacerdote de um tabernáculo não feito por mãos humanas, oferecendo seu próprio sangue para a redenção eterna. Haroldo explica como Jesus resume em sua pessoa toda a função do templo, do sistema de adoração ritualístico e dos sacrifícios, mostrando que o verdadeiro templo é o corpo e a vida é um ato de adoração e purificação.
- O Corpo como Templo e Santuário: A discussão se aprofunda na ideia de que o corpo físico (ou seus equivalentes em outros mundos) é o tabernáculo e santuário, onde a experiência da purificação e redenção espiritual acontece. A vida, em cada ato e gesto, torna-se um processo de purificação.
- A Lei Escrita no Coração: Com base em Jeremias, a aula explora a profecia de uma nova aliança, onde a lei de Deus seria inscrita nos corações. Haroldo conecta isso à ideia de que o coração (ou a consciência, na visão espírita) é o verdadeiro santuário, onde Deus se manifesta e irradia Sua lei.
- A Consciência como Campo de Luz: A definição de Emmanuel sobre a consciência como o “campo da consciência desperta” é apresentada, ilustrando como a mente, através do conhecimento adquirido e da experiência evolutiva, expande seu “halo de luz”, revelando diferentes níveis de evolução espiritual.
- A Profecia de Natã a Davi (1 Crônicas 17:3-14): Haroldo analisa a passagem em que Deus recusa a Davi a construção de um templo físico, afirmando que Ele nunca habitou em casas feitas por mãos humanas, mas sim “de tenda em tenda, de tabernáculo em tabernáculo”. Esta profecia é interpretada como messiânica, apontando para Jesus como o descendente que edificaria uma “casa” espiritual, e Deus faria uma “casa” para ele, referindo-se ao corpo como morada do Espírito.
- O Objetivo da Encarnação (Livro dos Espíritos, questão 132): A encarnação é apresentada como uma imposição divina para a perfeição do Espírito, através das vicissitudes da existência corporal. Além da expiação e missão, a encarnação permite ao Espírito cumprir sua parte na obra da criação, utilizando um “instrumento” (corpo) em harmonia com a matéria de cada mundo.
- Progresso Intelectual e Moral (Livro dos Espíritos, questões 779-780b): A relação entre progresso intelectual e moral é discutida. O progresso intelectual, ao ampliar a inteligência, leva ao discernimento entre o bem e o mal. No entanto, o progresso moral, que é a adesão à lei divina e o prazer em praticar o bem, nem sempre segue imediatamente, podendo levar tempo para se equilibrar.
- O Egoísmo e a Personalidade (Livro dos Espíritos, questão 917): Haroldo explora a dificuldade de extirpar o egoísmo, que nasce da influência da matéria e da identificação do Espírito com a personalidade. O Espiritismo, ao mostrar a imensidão da vida espiritual, ajuda a reduzir a importância da personalidade às suas reais proporções, combatendo o egoísmo.
- A Cruz de Jesus como Sacrifício da Personalidade: A aula culmina na explicação de que a Cruz de Cristo representa o sacrifício supremo da personalidade em favor da individualidade, a morte do egoísmo para o desabrochar da essência espiritual. A redenção eterna é alcançada quando o Espírito domina a personalidade, vivenciando a comunhão com Deus e superando o “pecado” (afastamento de Deus).
Reflexões
- A verdadeira adoração a Deus não reside em rituais externos ou templos físicos, mas na transformação interior do ser, onde o corpo se torna um santuário e a vida, um ato contínuo de purificação.
- O egoísmo, enraizado na identificação com a personalidade material, é superado pela compreensão da imensidão do Espírito e pela vivência da caridade e fraternidade, que nos conecta uns aos outros e a Deus.
- A Cruz de Jesus simboliza o caminho para a redenção, representando o sacrifício da personalidade em prol da individualidade espiritual, um convite universal à superação do egoísmo e à comunhão plena com o Criador.
Ler transcrição do episódio
E aí, galera, tá marcada pra próxima quinta-feira. Ah, que legal. No início da quinta-feira, né. Nossa. Você faltou na reunião. Falou que você já jogou a cadeira. Não, eu não. Falei com o Thiago, Thiago. Chegou aqui com a camisa do Galo. É, então vai ver. É idade, né? É, chegou na hora, né. Problema de veia. É, isso mesmo. Tá muito cansado. Podemos fazer a leitura? Vamos, vamos, Claudinho. Já tá… Em cima da hora, né. É… O tempo voa. Já tá, você quer dar uma? Um pouco. É… Posso me ajudar? É, do livro Caminho, Verdade e Vida, capítulo 65, pedidos.
A câmara tá bem aqui? Câmera. Pedi. Jesus, porém, respondendo, diz. Não sabeis o que pedis. Mateus 20, 22. A maioria dos crentes dirige-se às casas de oração no propósito de pedir alguma coisa. Raros os que aí comparecem na verdadeira atitude dos filhos de Deus, interessados nos sublimes desejos do Senhor quanto à melhoria de conhecimentos, à renovação de valores íntimos, ao aproveitamento espiritual das oportunidades recebidas de mais alto. A rigor, os homens deveriam reconhecer nos tempos o lugar sagrado do Altíssimo, onde deveriam aprender a fraternidade, o amor, a cooperação no seu programa divino.
Quase todos, porém, preferem o ato de insistir, de teimar, de se imporem ao paternal carinho de Deus, no sentido de lhe subornarem poder infinito. Pedições inveteradas abandonam, na maior parte das vezes, o traçado reto de suas vidas, em virtude da rebeldia suprema nas relações com o Pai. Tanto reclamam que lhes é concedida a experiência desejada. Sobrevêm desastres, surtem as dores. Em seguida, aparece o tédio, que é sempre filho da incompreensão dos nossos deveres. Provocando certas dádivas no caminho, adiantando-nos na solicitação da herança que nos traga, exigindo prematuras concessões do Pai à maneira do filho pródigo.
Mas o desencanto constitui-se em veneno da imprevidência e da irresponsabilidade. O tédio representará sempre o fruto amargo da precipitação de quantos se atiram a patrimônios que eles não compreendem. Tenhamos, pois, cuidado em pedir, porque, acima de tudo, devemos solicitar a compreensão da vontade de Jesus a nós mesmos. Qual que é o capítulo? Qual que é o capítulo, Cláudia? Capítulo 65 do livro Caminho Verdadeiro. Já está gravando, não? Já. Não precisa palestra. Não pode falar. Não, não ia comentar. Fala que a chuva é a purificadora do Levítico, porque hoje a gente está com a aula prática da ablução, que é um mergulho na água para purificar.
Vou fazer a prece. Ô, Lucas, faz a prece? Vamos lá, né? Vamos seguir, né? Bom, nosso estudo passado do Levítico, hoje, aproveitar que nós estamos em menor número, queria pedir para vocês participarem mais, falando, para ficar mais dinâmico, não é? No nosso estudo da semana passada, né, a gente comentava sobre aquela questão do tabernáculo e sobre o sacrifício de Jesus. Como que Jesus conseguiu resumir na sua pessoa toda a função do templo, que era material, todo o sistema de adoração, que era ritualístico, e todo o sistema de sacrifícios, que eram, na verdade, uma metáfora da purificação interior.
Então, Jesus consegue mostrar que, na verdade, o nosso templo é o corpo. É no corpo que nós fazemos a grande experiência da purificação e da redenção espiritual. É na experiência corporal. Por isso que os espíritos, no corpo físico, ou no corpo equivalente, que ontem eu estava lendo a Revista Espírita, 1857, que falava sobre a encarnação em Júpiter e dos corpos dos habitantes de Júpiter. E lá dizia que são corpos de uma densidade muito sutil que não difere muito da atmosfera. Então, eles conseguem voar, se deslocar com uma facilidade muito grande, mas eles se alimentam, eles vivem em sociedade, eles se casam, eles têm lar, eles se recolhem, as famílias espirituais vivem juntas e tem um corpo, que pra nós é mais sutil que o nosso perispírito, mas é um corpo.
Então, é interessante, porque nessa perspectiva do corpo como um templo, a vida passa a ser um ato de adoração. E cada ato, cada gesto da nossa vida é também um processo de purificação espiritual, porque nós, até que o Espírito atinja culminâncias da evolução, que por enquanto estão fora do nosso horizonte perceptual, em que eles não tenham mais forma e não tenham necessidade mais da encarnação. Ainda que em corpos sutilíssimos, né? Mas aí nós estamos falando de arcanjos, de espíritos críticos, e aí nós não temos parâmetro pra avaliar isso.
É uma experiência que está muito distante do nosso horizonte. No nosso horizonte, a gente precisa de um corpo pra poder viver o processo de adoração. E aí eu vou ler algumas coisas aqui do Livro dos Espíritos. O processo de adoração, porque nós adoramos a Deus nos atos da vida comum, e nós purificamos nossa alma passando pelas vicissitudes de um corpo, pelas vicissitudes da experiência corporal, que é a nossa sala de evangelização, vamos dizer, né? É o nosso ambiente evangelizador. Por isso que o corpo é tabernáculo, o corpo é santuário.
E o dia que a gente entender isso, a nossa visão de religiosidade vai se mudar, porque nós vamos parar de transferir para a igreja, para o grupo espírita, para os outros grupos, aquilo que é típico do nosso santuário, do nosso tabernáculo íntimo. Cuidar do nosso corpo como sagrado. Como sagrado. E viver a experiência, por mais singela que ela seja, como um ato sagrado, estando presente no agora. Como diz o Emmanuel, o único tempo que nós temos é o agora. Por isso que cada ato é muito importante. Mas aí eu já estou avançando muito, vamos com calma.
Gi, você ia falar? Não? Ah, eu achei que você ia comentar. Então, pra gente dar um start na nossa reflexão, eu vou ler um trecho da Carta aos Hebreus, que é o capítulo 9, versículos 11 a 12, que diz assim, Porém Cristo, apresentado como sumo sacerdote dos bens vindouros, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo, não fabricado, isto é, não desta criação, e não por meio do sangue de cabras e novilhos, mas por meio do seu próprio sangue, penetrou uma vez para sempre no santuário, tem hebreus, tendo conseguido uma redenção eterna.
Nossa, vamos com calma. O texto é… Bom, vamos lá. Primeiro, diferença que ele faz de tabernáculo para santuário. E aí, isso nos deixa com a pulga atrás da orelha. Porque a gente sabe que no sistema do Velho Testamento, o santuário está dentro do tabernáculo. A gente lembra a tenda, o lado de fora, é onde era oferecido o sacrifício, o lugar santo, que é onde estava o candelabro, os pães, etc. E o santo dos santos, que é onde estava a arca da aliança. Isso era visto como o santuário. Aqui ele está dizendo que o santuário é onde há a presença de Deus.
É de onde Deus irradia. E aí eu não estou inventando moda, não. Porque o que diz o texto do Levítico? De lá a luz de Deus resplandece, do santuário. E é lá que há a coluna de fogo. Olha que interessante. Então, quando você se aproxima do santuário, você sente o calor do fogo de Deus e você sente a luz. Lá está o centro de onde parte a sua irradiação. É o santuário. Aqui o que Paulo está dizendo é que Jesus apresentou um tabernáculo que não é feito por mãos humanas, então ele não é o tabernáculo da primeira revelação, ele não é um templo, ele não é uma tenda, porque ele não é feito por mãos de homens.
Então está fazendo uma referência ao corpo de Jesus, ao tabernáculo, que foi o tabernáculo que ele utilizou para nos dar uma lição de comunhão com Deus, de adoração a Deus e de purificação da alma. E que esse processo dele foi tão efetivo que ele alcançou a redenção eterna, que é a purificação total do Espírito. Redenção eterna é o auge do processo de pureza, após ela você tem condição de ficar face a face com Deus. Está dizendo muita coisa aqui. E como ele fez isso? Derramando sangue de novilhos, de cabras, de ovelhas?
Não. Próprio sangue. Então, o ato de viver, o ato de passar por vicissitudes, o ato de renunciar, de se sacrificar, como um ato de oferenda a Deus. E nessa visão, a oferenda não é um presente que você dá para agradar a Deus. A oferenda é um processo de purificação do ofertante. É como se Paulo estivesse dizendo assim, Deus não precisa de nada, nenhuma oferenda. Ele só permite a oferenda para que o ofertante se transforme. Foi fundo agora, né? Bom, então vamos guardar isso aqui. Vou guardar aqui, porque agora nós precisamos voltar.
Quando vocês quiserem comentar, falar qualquer coisa. Oi, Lucas. A questão do templo aí, então o templo é igual a santuário? Nessa metáfora de Jerusalém? É, o templo que tinha lá em Jerusalém, ele era uma ampliação da tenda, do tabernáculo. Foi falta da metáfora que Jesus faz. Aí não é, aí não é. Não é, não é. Nós vamos chegar lá. O que é o santuário? O santuário, nessa concepção, ele não pode ser material. Porque se ele for material, ele é obra das mãos humanas. Então, o que é o santuário? O santuário só pode ser algo feito pelas mãos do próprio Deus.
E se o santuário é o local da presença de Deus, no santuário está a lei de Deus. Aí já começa a dar uma pista, né? Porque no santuário de tenda, de couro, ou no santuário de pedra, de mármore, eu tenho uma arca com pedras, escrito a lei. E eu tenho uma aliança, que é uma aliança ritualística e material. Então, a primeira revelação, ela traz uma prática material. Eu vou ao templo, eu faço coisas materiais, eu ofereço coisas materiais, eu estou numa experiência que é material. E a lei é algo externo a mim, porque ela está escrita numa pedra para eu obedecê-la.
Só que o Jeremias já tinha dito assim, uma nova aliança farei com este povo e inscreverei as minhas leis nos seus corações. Então, nessa perspectiva do Novo Testamento, o coração é o santuário, porque é lá que está a lei de Deus, porque ela vai ser inscrita no sentimento, nas estruturas mais profundas da criatura, onde Deus se manifesta, de onde Deus se radia, em plenitude. E aí vem o livro dos Espíritos depois, ampliando a reflexão, dizendo o quê? O que a gente chama de coração, que é a sede do sentimento, a sede do intelecto, porque para os hebreus o coração é a sede da inteligência, do sentimento, da cognição, de tudo, da vida espiritual, plena.
Os Espíritos vão dizer que é a consciência, porque aí o Espiritismo, ele já está num nível de desmaterialização, porque ele está tirando o Espírito da letra. Então, o Espiritismo está conduzindo a nossa percepção, que a humanidade já está num outro nível espiritual, para patamares superiores, muito mais imateriais. E aí os Espíritos dizem, não, não pensa num coraçãozinho batendo, não é isso. É a consciência. É lá que está a lei de Deus. E se está a lei de Deus, o próprio Deus está na nossa consciência. É de lá que Ele age em nós, conosco e por nós.
Em nós, conosco e por nós. A consciência. Bom, aí alguém vai perguntar assim, mas consciência em que definição? Eu acho a definição de Emmanuel no pensamento vida irretocável, que ele diz assim, a consciência é o campo, campo, como assim campo? É simples, você pega uma vela, apaga todas as luzes e acende uma vela. Você vai ver que a vela tem um halo, um círculo de luz. Ela tem um centro irradiador e um círculo de luz. Se você afastou daquele círculo, vai ficando escuro. Essa é a metáfora que o Emmanuel usa. A consciência é o campo da, a mente, né, é o campo da consciência desperta.
Ou seja, quanto mais a nossa consciência desperta, maior é o seu halo de luz. A mente é o campo da consciência desperta na faixa espiritual, no patamar que o conhecimento adquirido nos permite operar. Ou seja, tem um halo enorme, está em níveis superiores da vida. Tem um halo mais restrito, está em níveis inferiores da vida. O que que determina isso? Experiência evolutiva conquistada. É o que André Luiz chamou de evolução em dois mundos. Tempo de evolução. É, Olha, é bonito, né, porque ele fala, tempo de evolução, é aquilo que a vida já te deu.
Falava desperto também. Desperto, é, já despertou. Você já recebeu muito da vida, já tem muita experiência, espírito velho. E, O elemento vertical, que é aquilo que você já foi capaz de retribuir à vida, que aí revela o seu nível de aproveitamento espiritual. Então, nós não podemos exigir de um espírito que está começando no primata que ele tenha um comportamento que nós temos aqui estudando Levítico. É pedir demais. Ele ainda não recebeu da vida as experiências necessárias para que a sua consciência amplie a percepção.
Mas, em compensação, nós temos criaturas que já estão no segundo degredo, já veio de capela, mas já estava em capela de outro degredo, caiu em capela e depois caiu pra cá e ainda não conseguiu dar uma resposta à vida adequada ao que a vida já lhe ofereceu. Então, o seu coeficiente de aproveitamento, essa equação está em André Luiz, está na Evolução em Dois Mundos. Essa equação não fecha. Ele tem muito tempo horizontal, mas ele tem pouco tempo vertical. E é o que nós estamos dizendo aqui. Agora, o texto que a gente queria pegar é aquele do capítulo 17 do primeiro livro de Crônicas.
O Davi está num palácio, aí ele olha pra tendazinha onde estava o tabernáculo, que estava a Arca da Aliança, e fala, coitadinha da Arca. É bonito isso, né? Porque a primeira percepção que o Davi tem, da lei por fora, isso é bonito. Porque enquanto a gente experimentar a lei por fora, nós não somos filhos, nós somos servos. Porque a sensação é de que alguém está mandando e de que nós estamos constrangidos na obediência. Mas, a partir do momento que a lei foi incorporada, você não sente como se estivesse obedecendo, porque aquilo é o seu natural.
Você sente alegria em viver a lei, porque a lei já está dentro de você, ela é seu modo natural de ser. Então, você não se sente servo, você se sente filho. Isso é muito sério. Essa experiência, ela é definitiva, né? Isso é muito natural. Então, por exemplo, o Sr. Honório costumava dizer assim, se você entra num ambiente, tem uma placa não fume, essa placa só vai mexer com o fumante. Eu, por exemplo, que não fumo, eu nem enxergo onde tem placa de não fume. Porque isso não está mais no meu piso de experiência. Agora, outras placas me incomodam bastante.
Cada um de nós tem o seu calcanhar de Aquiles, né? Tem, enorme. Por exemplo, para algumas pessoas, uma placa irritante é a que limita a velocidade. Então, é uma placa que incomoda. Por quê? Porque a velocidade equilibrada ainda não é o modo natural daquele espírito. Então, ele sente o limite de velocidade como uma imposição de fora para dentro. E é mesmo. E é mesmo. Então, o Davi teve a primeira percepção, olha, a lei está lá, e eu estou aqui. E eu estou num palácio, a lei está numa tenda. Ficou com pena da Arca da Aliança, que estava se deteriorando.
Porém, naquela mesma noite, está em 1 Crônicas 17,3, naquela mesma noite, veio a palavra do Senhor a Natan, dizendo, vai e dize ao meu servo Davi. Servo. É servo. Davi ainda não era um filho. Porque ele está vendo a Arca fora. É servo. Obedece. Ao meu servo Davi. Assim diz o Senhor, tu não edificarás casa para minha habitação. Porque o plano do Davi era construir um templo, onde, segundo a visão dele, Deus pudesse morar, porque, coitadinho de Deus, estava sem morada, estava sem casa. A gente ri disso, mas vamos falar sério.
Quantos de nós constrói templo espírita, casa espírita, constrói igreja, achando que vai construir um lugar sagrado, onde ali vai ter experiência com Deus? É uma visão tão contínua, que a gente imagina o que Deus possa sentir de amor por gente. É. Verdade. Projeta em Deus a nossa sensação de precariedade, né? Coitadinho. Tu não edificarás casa para minha habitação, porque em casa nenhuma habitei. Isso é Deus falando. Desde o dia que fiz subir a Israel até o dia de hoje. Olha só. Isso é sério, porque Davi, nós estamos no ano 1000 a.C.
Já tinha passado o Êxodo, já tinha passado o Moisés. Deus está dizendo assim, Ei, aquela tenda que vocês construíram, eu nunca habitei. Eu nunca habitei em lugar nenhum que vocês construíram. Eu acompanhei vocês. Olha só. Mas, tenho andado de tenda em tenda, de tabernáculo em tabernáculo. Revelador. Olha o que ele está dizendo. Ei, eu nunca habitei. Você está achando que eu não consigo casa para mim? Não. Eu estou habitando de tabernáculo em tabernáculo. Mas, que tabernáculo em tabernáculo se só tinha um tabernáculo?
Que história é essa? Que história é essa? De tabernáculo em tabernáculo. De tenda em tenda. Então, não está falando de algo feito por mãos humanas. Aí, ele continua. Em todo lugar em que andei, com todo Israel, falei, acaso, alguma palavra com algum dos seus juízes a quem mandei apacentar meu povo, dizendo, Por que não me edificas uma casa de cedro? É como se deu… Na ironia, ele está dizendo assim. Quando que eu falei para alguém, eu pedi para edificar uma casa de cedro? Porque o palácio de Davi era feito de cedro.
Uma madeira muito nobre. Muito nobre. Aliás, Salomão enriqueceu comerciando essa madeira nobre. Agora, pois, assim dirá o meu servo Davi, assim diz o Senhor dos exércitos. Tomei-te da malhada e de detrás das ovelhas para que fosses príncipe sobre o meu povo Israel. Ou seja, você estava apacentando ovelha, você era pastor. Eu te peguei e te transformei num rei. Deu uma enquadrada no Davi, né? Deu uma enquadrada. Você estava numa situação, te coloquei numa outra. Agora, você está achando que é rei? Você não é rei, você está rei.
Se eu quiser, eu te volto, você vai ser pastor de novo. Eu fui contigo, por onde quer que andaste. Olha o que Deus está dizendo. Eu fui contigo, eu que te acompanhei. Fiz grande o teu nome, como só os grandes tem na terra. Preparei lugar para o meu povo e o plantarei para que habite no seu lugar e não mais seja perturbado. E jamais os filhos… Aí, continua aqui. Isso, isso. Isso. Essa é a ideia. É porque aqui na profecia, aqui na profecia, vai dizer assim, ó. Há de ser que quando os teus dias se cumprirem e tiveres de ir para junto de teus pais, quer dizer, morrer, então farei levantar depois de ti o teu descendente, que será dos teus filhos e estabelecerei o seu reino.
Esse descendente me edificará casa e eu estabelecerei o seu trono para sempre e eu lhe serei por pai e ele me será por filho. A minha misericórdia não apartarei dele. Misericórdia. Como a retirei daquele que foi antes de ti, mas o confirmarei na minha casa e no meu reino para sempre e o seu trono será estabelecido para sempre. Segundo todas essas palavras e conforme toda essa visão, assim falou Natã a Davi. Essa é a profecia messiânica. Messias, filho de Davi. É o que vai ser filho. Davi é chamado de servo, mas esse descendente seria chamado de filho e ele chamaria Deus de pai.
Então, que tabernáculo é esse? Que aí tem aquele jogo, né? Ele me construirá uma casa e eu farei uma casa para ele. Opa! Vocês estão querendo assistir o estudo, né? Eu farei uma casa, ela querendo fazer pergunta. E ele me edificará uma casa e eu edificarei uma casa para ele. Porque aí o tabernáculo agora já está sendo na visão do quê? Do corpo. E é por isso que a gente vai nos evangelhos, Jesus para de frente do templo e os apóstolos falam, é bonito, né, mestre? O templo é bonito, né? Ele fala assim, não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada.
Mas, eu o reconstruirei no terceiro dia. O templo não estava nem pronto, tinha mais de 40 anos que Herodes estava reconstruindo o templo. E aí, os evangelistas colocam assim e então os apóstolos entenderam que ele falava dele. O corpo agora, tabernáculo. O corpo, minha morada, a casa em que habita meu espírito, a minha consciência e onde existe um santuário na intimidade dessa consciência, que é onde Deus age por nós, conosco e em nós. E em nós. Agora, está muito abstrato, né? Está muito abstrato. Por isso que eu resolvi trazer uns textos do livro dos espíritos para ajudar a gente a esclarecer isso.
Quem se lembra aí da questão da encarnação dos espíritos? Acho que é a questão da 92, não é? 132? É isso mesmo. Deixa eu pegar aqui. Isso. Objetivo da encarnação. Então, aqui Kardec não está falando da reencarnação. Não está. Ele está falando filosoficamente sobre por que, por que espíritos que não são matéria, porque nós somos espíritos, não é isso? O que nós somos? 96, né? Não, 88. Vamos revisar isso aqui, porque é importante, né? Os espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante? Kardec é genial, né? Determinada, ou seja, uma forma determinada, limitada e constante.
Aí os espíritos respondem. Aos vossos olhos? Não. Aos nossos? Sim. Aos nossos olhos, o Espírito tem uma forma determinada, então você sabe qual é a forma, limitada, não é ilimitada, é limitada e é constante, não muda, nem com a evolução. O Espírito é, se quiserdes, uma chama em Clarão ou uma centelha etérea, a chama de uma vela. Essa é a forma do Espírito. Esse é o Espírito, a chama. E, aí, ele é determinada, constante, ilimitada, mas que irradia. Só que, aí, a gente acha que Kardec vai parar, né? Vai parar. Ele continua.
88a. Essa chama ou centelha tem cor? Aí, os Espíritos, para vós, ela varia do escuro ao Brilho do rubi, que é cor de vinho. A cor do rubi é vinho. E, aí, por isso Jesus diz, eu sou a videira verdadeira. Por isso que os Espíritos dizem, coloca no cabeçalho do livro dos Espíritos um galho de uva, a sepa de uma uva, porque é o emblema do trabalho do Criador. E, lá, eles dizem, o licor da uva, que é o vinho, é o Espírito. O bago é o Espírito ligado ao corpo. E, esse processo todo da uva, inclusive de ser amassada, de ser macerada, é a depuração do Espírito para que ele deixe de ser materializado e seja puro Espírito, seja só Espírito, mais nada a não ser Espírito.
Pureza. Quando ele foi isso, ele é um vinho. Ele tem cor rubi, de vinho. Por isso, trabalhadores da videira, os Trabalhadores da vinha, todas as parábolas de Jesus são de vinha, de uva, de vinho. E, por isso, ele transforma a água em vinho. Não é? Conforme o Espírito seja mais ou menos puro. Então, se ele for menos puro, ele é escuro. Por isso que nasceu o meu sangue. Exatamente. Aí, o que o Kardec escreve? Isso aqui é interessante. Isso aqui é interessante. Representam-se comumente os gênios com uma chama ou estrela na fronte.
É uma alegoria que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Colocam-na no alto da cabeça porque aí está a série da inteligência. Ou seja, ele é uma chama que radia. Ok. Aí, o Kardec pergunta na 132. Qual é o objetivo da encarnação dos Espíritos? Por que o Espírito não fica só Espírito desde o momento que ele é criado até o resto da eternidade? Não é? Essa é a pergunta. Às vezes, a gente não entende isso. O Espírito não é uma chama? Por que ele não fica só chama, só Espírito durante toda a evolução? Por que o Espírito tem necessidade de um corpo, seja lá que corpo for esse?
Porque aqui eu estou falando de perispírito, de duplo etérico, de corpo físico. Estou falando só de corpo físico, mas, sobretudo, de um corpo físico. Por que que os Espíritos encarnam? Qual é o objetivo? Para quê? Aí, os Espíritos respondem. Deus lhes impõe a encarnação. Não é convite, é convocação. Impõe. Com a finalidade de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação. Para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, tem, tem que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal. Para purificar o Espírito, para que ele atinja a sua redenção espiritual, ele tem que passar pela vicissitude da existência corporal.
E vicissitude é o quê? Fragilidade. Inconvenientes, né, vamos dizer, não precisa nem dizer aqui. Passar pela vicissitude. Não falou parar nas vicissitudes, não falou estacionar, falou passar. Você pode passar rápido ou pode passar lento. Mas, tem que passar. Tem que passar. Nisto é que consiste a expiação. A encarnação tem ainda outra finalidade. A de pôr o Espírito em condições de cumprir sua parte na obra da criação. Olha só. Todos nós temos uma herança divina porque somos filhos de Deus. Essa herança diz respeito a uma posição que nós ocuparemos na criação infinita de Deus.
Cada um de nós tem a sua posição. Mas, nós só vamos conseguir assumir essa posição, esse cargo e esse encargo, se o Espírito estiver capacitado para assumir o seu encargo. E ele não se torna capacitado a não ser encarnando. Para executá-lo é que em cada mundo ele toma um instrumento em harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. Daquele ponto de vista. Porque nós estamos aqui encarnados no corpo achando que estamos cumprindo toda a vontade de Deus, do ponto de vista de alguém que tem um corpo físico.
E cada um de nós, onde a gente for, terá um corpo que efetuará um processo de purificação em nós. Então, em harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de nele cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É dessa forma que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta. Enquanto a gente cumpre uma função dentro de um coletivo, nós nos aperfeiçoamos individualmente. Onde que a gente quer chegar com isso? Agora, agora, é a lei de progresso, lei do progresso, questão 779. O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?
É a sua consequência. O progresso moral é consequência do progresso intelectual, mas nem sempre o segue imediatamente. Você pode alcançar o progresso intelectual e demorar muito tempo para se chegar ao progresso moral. 780a Como o progresso intelectual pode levar ao progresso moral? Ou seja, Kardec está admitindo que quem leva o ser ao progresso moral é o progresso intelectual. Como? Por que? Como? Fazendo que se compreenda o bem e o mal. O homem, então, pode escolher. Então, não é progresso intelectual de aprender coisas ou ler livros ou falar idiomas, não é isso?
Entrar na universidade, não é isso? Progresso intelectual Progresso intelectual no sentido de ampliar a inteligência. Se você amplia a inteligência, você adquire discernimento. Você consegue discernir o que é bem e o que é mal. Se você consegue discernir, uma hora você vai conseguir viver progresso moral. Bom, então, nós vamos voltar nisso aqui. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o desenvolvimento da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos. Por isso que gera o progresso moral. 780b, aí Kardec coloca um problema.
Nesse caso, como é que se explica que os povos mais esclarecidos sejam frequentemente os mais pervertidos? Isso aqui já está respondido. Estava respondido lá na 780, quando os Espíritos disseram assim, que o progresso moral é consequência do progresso intelectual, mas nem sempre o segue imediatamente. Mas, aí os Espíritos respondem mais. O progresso completo constitui o objetivo, mas os povos, como os indivíduos, só o atingem gradualmente. Enquanto o senso moral não se houver desenvolvido neles, pode mesmo acontecer que se sirvam da inteligência para praticar o mal, para a prática do mal.
O moral, o senso moral e a inteligência são duas forças que só se equilibram com o passar do tempo. A gente queria, estava chegando nisso aqui, para falar uma coisa. Primeiro nível da evolução. Senso é um nível sensorial. Sensorial. Como é que é um nível sensorial? O que me dá prazer eu faço, o que me dá dor eu evito. O que dá prazer é bom, o que traz sofrimento é ruim. Lastimavelmente, em torno de 95% dos encarnados vivem nesse padrão de percepção sensorial. Se me dá prazer eu faço, se me dá dor é ruim, eu não quero.
Então, esse é o nível. Nesse nível material, que é o sensorial, as consciências vão se movimentando. Mas, aí surge o senso intelectual, o progresso intelectual. A inteligência se amplia e ele começa aos poucos a discernir entre o bem e o mal. Então, é bom acordar 5 horas da manhã, quando está chovendo, sair do quentinho, da cama, para poder pegar um ônibus e ir para o serviço trabalhar? Bom não é. Bom não é. Bom não é, não. Agradável não é. Agradável, isso. Bom é. Bom é. Não é agradável. Mas, por ser bom, por eu conseguir distinguir bem e mal, bom, eu passo pelo desagradável.
Isso aqui é incrível. Eu começo a aumentar a minha resiliência ao desagradável. E é uma coisa que tem a ver com a evolução. Resiliência ao desagradável. E eu intelectualmente faço um discernimento. Bom, eu preciso acordar, eu preciso ir para a escola, eu preciso ir ao trabalho, porque eu preciso conquistar o meu dinheiro, eu preciso ampliar. Mas, nós estamos vendo que eu estou mudando de níveis de prazer. Não, eu preciso acordar cedo, ir lá trabalhar, porque eu tenho que ganhar o dinheiro, tenho que pagar as contas aqui.
O prazer ficou mais refinado, pagar as contas, pagar a prestação da casa. E aí eu passo por aquele desagradável para conquistar outras coisas mais sutis, outras sensações mais sutis de felicidade e de prazer. Mas, aí acontece que em um determinado momento em que você começa a discernir muito muito o bem e o mal, surge o senso moral. Quando surge o senso moral, começa a haver adesão à lei divina, adesão. Eu passo a vibrar com a lei divina. Então, não é mais uma questão de discernir o bem e o mal, porque quem discerne o bem e o mal pode ainda fazer o mal.
Ele pode errar conscientemente. Paulo dizia que homem que sou, o bem que eu quero fazer, esse eu não faço, mas o mal que eu não quero, esse eu faço. Eu já tenho discernimento, eu já sei o que que me convém e o que que não me convém, mas eu não tenho força moral para aderir. Adesão. Então, a lei está fora. Mas, quando o senso moral começa a despertar, a lei começa a vir para dentro de mim. Ou seja, o discernimento que eu tive e a ampliação da minha percepção que me torna possível agora ver o bem, me leva agora a aderir e a amar e a sentir prazer no bem.
Aí é o progresso moral. Aí é o filho. Por isso que os Espíritos, o Emmanuel diz, o conhecimento é a anti-sala da sabedoria. Porque você vê, você percebe, você discerne, mas você ainda não tem a experiência de ter incorporado aquilo à sua vida. Você não é experiente. A lei está externa. Bom, interessante a gente ter falado, nós vamos chegar, onde que a gente quer chegar com isso? Questão 917. Qual o meio de destruir seu egoísmo? Aí o Fenelon dá uma resposta longa. Ele diz assim, de todas as imperfeições humanas, a mais difícil de extirpar é o egoísmo.
Porque resulta da influência da matéria. Influência de que o homem ainda muito próximo de sua origem não pode libertar-se, já que tudo concorre para mantê-la. Suas leis, sua organização social, sua educação. A nossa natureza corporal e material nos leva a ter que dar banho no corpo, ter que dar alimento para o corpo, ter que levar ele para dormir, e isso te leva a quê? Um centramento em você. Nós nos ocupamos de nós muito mais tempo do que a gente se dá conta. E as nossas leis, a nossa sociedade, nos levam a pensar mais ainda em nós.
E com tanto estímulo para você pensar só em você, é dificílimo sair do ego, que é o egoísmo. Egoísmo, excesso de ego. Porque ismo é excesso. Egoísmo, excesso de ego. O egoísmo se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material. Vida moral começa a predominar sobre a vida material. É isso que Jesus fez. Toda religião material, toda religiosidade material, todo culto a Deus material, todo ritual material, todo sacrifício material de animais que não transformava consciências porque é externo ao homem.
Então, vira o grupo espírita, sentar na cadeira, tomar pássaro, tomar água fridificada, é material. Isso é externo ao espírita. Esse é um culto material. Só que Jesus instaurou na Terra uma vida moral. Na vida moral, dizia Ele, eu e o Pai somos um. A minha comida é fazer a vontade do Pai que me enviou. Olha, porque aqui Ele está falando de alimento, que é o cerne da vida material. Não é? Alimentação é a preocupação mais fundamental de um ser que tem corpo físico. Porque você até vive sem uma casa, você até fica sem roupa, mas sem alimento pro resto da vida, não fica.
Não fica. Então, Ele fala, o egoísmo se enfraquecerá com a predominância da vida moral sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão que o Espiritismo vos dá sobre o vosso estado futuro real e não desfigurado por ficções alegóricas. Porque o Espiritismo, ele vem tirar as ficções alegóricas de fantasminha, de espuminha, de nuvenzinha. Não, ele vem espírito, porque o mundo espiritual, perispírito, evolução, tudo fica concreto, real. Chega de conto de fadas. Quando bem compreendido e identificado com os costumes e as crenças, o Espiritismo transformará os hábitos, os usos e as relações sociais.
Mas, quando bem compreendido, o egoísmo se baseia na importância da personalidade. Eu vou ler de novo. Isso que ele está dizendo é o Fenelon. O egoísmo se baseia na importância da personalidade. Ora, repito, o Espiritismo bem compreendido, bem compreendido, mostra as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece, de certo modo, diante da imensidade, destruindo essa importância, ou, pelo menos, reduzindo-a às suas reais proporções, ele necessariamente combate o egoísmo. Então, aqui é importante que nós vamos falar sobre ressurreição e redenção.
Então, alguém, a gente pensa assim, alguém pergunta, quem é você? Eu sou o Tiago Franklin. Eu sou o Tiago Franklin. Olha que interessante. Eu sou a Janaína. Sou a Sheila. Sou a Gisela. Sou a Natália. Sou a Adriana. Sou. Ah, você é. Ok. É isso que a grande massa é levada a acreditar piamente. Você começa com a gestação. Então, eu sou o mesmo. Eu, Haroldo, sou Haroldo. Sou. Nasci de Quitiunha, fui registrado em Belo Horizonte, Minas Gerais. Tenho 43 anos. Então, eu só tenho 43 anos de experiência. Eu não tenho mais nada que passa de 43 anos.
Tudo eu é meu corpo. Então, quando eu morrer, acabou Haroldo. Nessa perspectiva, ó, meu Deus, nessa perspectiva, eu fico traumatizado porque mamãe me deu uma chinelada quando eu queria um brinquedo no Natal e ela não me deu. Estou traumatizado. Claro. Por que eu estou traumatizado? Porque a minha personalidade é do tamanho do universo. É tudo o que eu sou. E, É curioso porque, às vezes, nós educamos nossos filhos como se eles fossem a personalidade. Então, tudo o que eles são é o estado atual deles. Depois, a gente reclama que eles são egoístas.
Aí, você fala, meu filho, qual que é o seu patrimônio? Meus brinquedos. Todo o meu patrimônio são meus brinquedos. É claro que ele não quer emprestar, não quer dividir. Porque nós nos a primeiro processo do egoísmo é se identificar com o corpo. Nós nos identificamos com o corpo. Então, é o seguinte, quando meu estômago está doendo, é o estômago do Haroldo. É o Haroldo que está doendo na parte do estômago. Eu não tenho um estômago, não, eu sou o estômago. Eu sou o estômago. Eu sou a minha mão. É estranho isso, né? Por exemplo, um dos grandes problemas dos planos de previdência, um dos grandes problemas do judiciário, por exemplo, é, em determinadas ações de indenização, quantificar.
Por exemplo, você perder um braço, quanto vale o seu braço? Tem uma tabela. Quanto vale um braço? Olha, na perspectiva egoísta, da personalidade, meu braço vale tudo, infinito, porque meu braço sou eu. Eu não tenho um braço, eu sou um braço. E se você perder os dois braços e as duas pernas, quanto de você se perdeu? A gente entra numa angústia, né? Se eu perder meus dois braços e minhas duas pernas, acabou, eu quero ir embora logo, pode me desencarnar. Até a gente crescer. Porque eu estou 100% identificado com a personalidade Haroldo.
Agora, vamos lá. Vamos voltar aqui. Vou ler essa pergunta de novo. O Espírito Haroldo tem uma forma de… O Espírito faz uma fila aqui com 200 mães. Essa aqui foi sua mãe dez vezes, essa aqui foi sua mãe e essa aqui foi… 200 mães. Quem que é sua mãe? Se acontecer isso, o que vai acontecer comigo? Eu vou ser internado no hospital psiquiátrico espírita André Luiz. Por quê? Porque hoje eu só tenho lucidez porque eu acredito que eu sou o Haroldo. Então, fica fácil de administrar. Porque o Haroldo tem 43 anos, ele mora em tal lugar, ele tem uma profissão.
Eu sei quem que é minha mãe, meu pai, eu estou protegido, eu estou no chiqueirinho. Eu estou protegido. Se abrir toda a minha memória espiritual, eu surto. Eu surto. Por que que eu surto? Porque eu não estou preparado para desidentificar o meu espírito da personalidade Haroldo. E é o seguinte, personalidade tem epitáfio, espírito não. Então, Haroldo nasceu 20 de setembro de 1971 e vai morrer dia tal, do mês tal, do ano tal. Essa personalidade tem início e fim. Meu espírito, eu, não tem fim. Então, o que o Fênero está dizendo é sério.
O que o Fênero está dizendo é o seguinte, destruindo a importância da personalidade ou pelo menos reduzindo-a às suas reais proporções, ele necessariamente combate o egoísmo. Por quê? Porque você começa a ficar diante da imensidade, imensidade. E é por isso que muita gente se assusta. Porque se você faz esse mergulho, você vai falar assim, minha esposa, mas quantas esposas? Quantos maridos? Quantas casas? Quantas línguas? Quantos países? Quantos corpos? Quantas cores de pele eu tive? Quantas experiências? Você se identificou com qual?
Ah, isso aqui é fantástico! Você se identificou com qual? Porque identificar significa que você pegou aquela experiência reencarnatória e ficou preso nela. Então, tem gente que acha que ainda é um francês da Revolução Francesa. Ele mora em Belo Horizonte, mora no Rio de Janeiro, mas ainda vive mentalmente na França. Porque ele se identificou. O corpo já morreu, ele já não está mais lá, já reencarnou, mas a mente dele está presa. Presa. Identidade. Ele acha que ele é. Não é? E a gente imagina que agora uma coisa que existe no movimento espírita que é a volúpia por saber quem que eu fui reencarnação de quem.
É interessante isso, né? Uma volúpia, porque eu quero me identificar com aquela criatura que já morreu. Porque a sociedade mudou, os costumes mudaram, as leis mudaram, mudou tudo. Eu não sou mais aquele indivíduo, eu vivi aquela experiência. Eu não sou mais, eu ampliei. Eu hoje vivo de um jeito diferente, eu como coisas diferentes, eu tenho arpes diferentes, eu estou com a mente muito mais aberta. Querendo ou não, eu progredi. E eu identificando, identificado com a experiência. E isso gera o quê? Egoísmo. Egoísmo. O choque que o homem experimenta do egoísmo dos outros é o que, muitas vezes, o torna egoísta, porque sente a necessidade de colocar-se na defensiva.
Vendo que os outros pensam em si mesmos e não nele, é levado a ocupar-se consigo mais do que com os outros. Que o princípio da caridade e da fraternidade seja a base das instituições sociais, das relações legais de povo a povo e de homem a homem e este pensará menos em si quando vir que os outros pensam nele. Porque quando a gente tem uma visão da amplitude e eu parar de me identificar com essa personalidade, o que a gente começa a perceber? Que nós não estamos tão separados assim. Nós estamos mais unidos que a gente pensa.
E aí nós vamos começar a cuidar uns dos outros. E aí o egoísmo vai diminuir. Em face do atual transbordamento de egoísmo, transbordamento de egoísmo, é preciso verdadeira virtude para que alguém renuncie à sua personalidade em proveito dos outros, que quase sempre não reconhece. Mal agradecidos. É principalmente aos que possuem essa virtude que o Reino dos Céus se acha aberto. A esse, sobretudo, está reservada a felicidade dos eleitos, pois em verdade vos digo que no dia da justiça todo aquele que só houver pensado em si mesmo será posto de lado e sofrerá pelo abandono a que será relegado.
Porque a cura do egoísmo é o abandono. Homeopatia. Você tanto pensa em si e tanto se afasta dos outros, que a cura pra isso é a solidão e o isolamento. Só essa homeopatia é capaz de te voltar. Você desejou tanto separar-se dos outros, pensar só em si, afastar-se, que você é colocado na solidão e no isolamento. Aí você fica só com você. Só você pensando em você. Ninguém pensando em você. Quando você prova desse remédio, aí você sente vontade de voltar. E aí cura o egoísmo. O isolamento é a solidão, é o que ele fala aqui.
Né? Que no dia da justiça, todo aquele que só houver pensado em si mesmo será posto de lado e sofrerá pelo abandono a que será relegado. Mas por que isso? Porque Deus é punitivo? Não, porque essa é a cura. É porque ele quer curar o egoísta. A cura do egoísta é ser relegado, é experimentar a solidão e o abandono. Aí ele, pelo princípio homeopático, do semelhante cura semelhante, você leva o excesso ao excesso e aí a reação é voltar para o equilíbrio. Homeopatia, né? Eu levo o excesso ao máximo do excesso e aí eu volto para o equilíbrio.
Agora, por que que nós estamos falando isso aqui? Porque ele diz que o egoísmo nasce do quê? Da influência da matéria. Sobre o Espírito. E da identificação do Espírito com a sua personalidade. E nós dissemos isso tudo para concluir o seguinte. Por que que a Cruz de Jesus tira o pecado do mundo? Agora. Agora. Porque a Cruz do Cristo é o supremo sacrifício da personalidade em favor da Individualidade. A Cruz é a morte do egoísmo para que a nossa essência espiritual desabroche. Quando a nossa essência espiritual desabroche, nós vamos perceber, abre aspas, Emmanuel, que a nossa vida está inelutavelmente ligada à vida de Deus.
E aí nós vamos experimentar comunhão com Deus. União suprema com o Todo-Poderoso. Quando isso foi experimentado, eu não falei, pensado. Pensar eu já penso isso. Eu sou capaz de escrever um tratado filosófico sobre comunhão com Deus. O que eu não consigo ainda é realizar essa experiência em mim. Fazer palestra sobre ela eu consigo. Eu não consigo vivê-la ainda. O dia que eu experimentar a comunhão com Deus, acabou o pecado. Porque o que que é o pecado? O pecado, na linguagem bíblica, é afastar-se de Deus. Se eu experimento essa comunhão, todo o afastamento de Deus chega ao fim.
Eu paro de ficar de costas pra Deus e fico de frente, face a face com Deus. Mas, pra isso, eu preciso desvencilhar-me da influência da matéria. Por quê? Porque ela obscurece a minha percepção. Eu preciso me crucificar pra que haja ressurreição. Pra que haja ressurreição. Então, a personalidade de Haroldo tem que morrer. E dói. Aí, como diz o Altair Veloso, eu vou pedir ajuda de um vizinho. Calil Gibran, os vossos sofrimentos não são os vossos sofrimentos. São apenas a dor da casca de nós se rompendo. Por quê? As nossas dores são dores da personalidade dessa situação.
No fundo, no fundo, fundo no fundo, nós sabemos que somos um diamante indestrutível. Nem a morte física é capaz de nos derrubar. Ela é capaz de nos tirar lágrimas. Isso sim. Porque nós não estamos falando de insensibilidade. Não é isso. Não é insensibilidade. Por isso, Jesus chorou diante de Lázaro. Você não se torna insensível. Você adquire domínio sobre si. É diferente. Então, a cruz, na cruz, morreu a personalidade de Jesus, o homem. Por isso que Emmanuel comenta essa passagem, quando Pilatos apresenta Jesus, ele diz assim, Eis o homem, o homem, Jesus, filho do carpinteiro José, com a dona de casa Maria, que nasceu numa época tal, viveu em tal lugar, morou na Galileia, tinha os amigos, fez isso, fez aquilo, o homem.
Esse homem foi levado pra morrer na cruz. Porque através desse ato, Jesus queria ensinar como que se domina por completo o egoísmo e o coloca na proporção exata que ele precisa. Que é qual proporção? A dos estritos limites do instinto de conservação. Só. Nós só precisamos manter o instinto de conservação. Só. Porque passou disso é excesso. E esse excesso se chama egoísmo, apego à personalidade. E personalidade é o que? Exterior. É corpo, é perna, é braço, é carro, é casa, é marido, é mulher, é exterior. São vínculos, situações e…
O que que Jesus, pra gente encerrar? Por que que a vida de Jesus é definitiva e ela é redentora para o gênero humano? Porque não se trata de religião. Pouco importa se você é budista, taoísta, protestante, católico, não interessa. Você tem uma personalidade. Você é egoísta. E a vida de Jesus é uma lição de como o Espírito dominar a personalidade. De como o Espírito se tornar filho de Deus. Como o Espírito fazer a comunhão suprema com Deus. E isso é válido, não é só pra quem mora na Terra, não. É pra qualquer ser do universo.
Essa é a experiência da evolução. Vai além. É ser Espírito. Ser Espírito é Espírito. Se você é Espírito, você tá voltando pra Deus. Por qual caminho? Aí, nós vamos responder. A pergunta é, pra Deus tem caminho? Ele é onipresente? Tem caminho pra Deus? Ele é onipresente? Se ele tá em todo lugar, não tem caminho pra Deus. Tem caminho pros homens. Pra Deus não tem caminho. Então, essa é o que Paulo vai dizer na Carta aos Hebreus. Esse é o verdadeiro culto. Essa é a verdadeira adoração. Esse é o verdadeiro sacrifício. E isso leva a redenção eterna.
Porque é o supremo ato de adoração a Deus. Voltar pra Ele. Voltar no sentido de abrir-se para a presença Dele. E é isso que tá retratado no Cordeiro Pascal, em Jesus como Cordeiro que tira o afastamento de Deus do mundo. Ou, se quiserem, na linguagem bíblica, o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Porque pecado é afastamento de Deus. Quem quer comentar alguma coisa? O tempinho tá quase indo pro final. Todo mundo calado, né? Nossa! Hoje a gente tava comentando mais cedo sobre essa questão de Vencesse, né? Dessa morte, dessa mudança.
E a gente tava falando sobre Paulo que ficou cego, né? Tanta luz, né? É verdade. Porque para a personalidade de Saulo era luz demais, né? Era fim. Era morte mesmo. Aquela personalidadezinha não cabia Jesus, né? Precisava ele construir uma nova identidade que desse conta da grandeza que era o Cristo. E essa nova identidade que ele construiu foi Paulo de Tarso. Não mais Saulo. Paulo. É bonito, né? Tanto que no final ele diz assim já não sou eu quem vive. É o Cristo que vive em mim. Porque aquela luz que o cegou agora era uma luz que se radiava dele mesmo, né?
Antes era uma luz externa, agora era uma luz incorporada. É diferente. É muito diferente. É diferente. Porque, por enquanto, nós somos iluminados. No meu caso específico, não tenho luz própria. Estou iluminado até eu conseguir brilhar a minha própria luz. É diferente. É diferente. Brilhe a vossa luz. E fim. Ah, sim, eu queria dar um aviso para todos os internautas. Quinta-feira que vem é o lançamento oficial do nosso DVD e Blu-ray Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho. O seminário Litro Musical que foi gravado no SESI, Minas, aqui em Belo Horizonte, está simplesmente maravilhoso.
Maravilhoso. E quinta-feira que vem já começam as entregas. As pessoas já vão começar a receber. Bom, nós aqui somos suspeitos para falar sobre esse DVD, porque ele está muito incrível, muito bonito, com participações muito especiais. E agora, depois desse trabalho enorme do Tiago, do Júlio, de todos os que colaboram na edição, foi um trabalho árduo, muito difícil, mas ficou um trabalho de primeira qualidade. A gente convida a todos a conhecer esse novo trabalho do SER. Ah, sim! Quem está fora do Brasil, dessa vez já está legendado, então está com legenda em inglês e legenda em português, e as pessoas vão comprar por aquele esquema on-demand, que você entra lá no Vimeo ou pela televisão e você aluga e não precisa nem comprar fisicamente, então o preço de frete, de envio não vai existir.
Você entra lá e já assiste como uma TV a cabo do seu país. Fazer a prece, né? Cheio, quer fazer a prece? Por tantas oportunidades de aprendizado e de crescimento que possamos a cada dia morrer um pouco e nascer eternamente ao teu lado que possamos a cada dia pavimentar no bem maior um infinito resto ao Pai para que morrendo possamos viver a vida verdadeira. Auxilie-nos neste esforço diário que possamos pensar no bem, agir no bem, fazer o bem para nos melhorarmos, emergirmos e sermos melhores a cada dia. Desta forma, Jesus, te pedimos que fique conosco e nos auxilie nesta oficina de bem viver.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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