#021 – Estudo do Velho Testamento – Livro Levítico

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Levítico, explorando os conceitos de purificação e santidade. O estudo transcende a interpretação literal, buscando o espírito da lei mosaica à luz da Doutrina Espírita e dos ensinamentos de Jesus.

O que é estudado neste episódio

  • Levítico 18:25-30 e 19:1-2: Análise da passagem onde Deus fala sobre contaminação e purificação, culminando na exortação “Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”. É discutido o significado de “santo” não como canonização, mas como “separado”, “diverso” da criação, e como isso se aplica à busca humana pela santidade.
  • A Gênese, Capítulo “Deus”, itens 19-22: Haroldo utiliza a obra de Allan Kardec para elucidar os atributos da divindade – inteligência suprema, único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as perfeições. Esses atributos servem como “bússola da evolução” e “critério infalível” para discernir a verdade em qualquer teoria filosófica ou religiosa.
  • A Providência Divina: A discussão se aprofunda na onipresença e ação de Deus em todas as coisas, desde as mais grandiosas até as mais ínfimas, rechaçando a ideia de um Deus que criou e se afastou. A analogia do fluido perispiritual como veículo do pensamento e sensações do Espírito é usada para ilustrar como Deus pode estar em toda parte e ocupar-se de tudo.
  • O Fluido Cósmico e o Amor Divino: Com base em André Luiz (Evolução em Dois Mundos) e Emmanuel (Pensamento e Vida), o fluido cósmico é apresentado como o “hálito divino”, impregnado do pensamento, sabedoria e amor de Deus, sendo o “plasma divino” que envolve toda a criação.
  • A Inalterabilidade do Amor de Deus: É enfatizado que o amor de Deus é inalterável para todas as criaturas, independentemente de seu estágio evolutivo ou ações, citando exemplos que vão do verme ao anjo, do criminoso ao administrador. A diferença reside na percepção desse amor.
  • A Purificação e a Busca de Deus: Inspirado em Anselm Grün (Para que tua vida respire liberdade), Haroldo aborda a “via purgativa” como o primeiro passo na jornada de retorno a Deus, antes da iluminação e da unificação. A purificação do coração é essencial para ver a Deus tal como Ele é, sem projeções humanas.
  • O Perigo da Idolatria: Crítica à idolatria de seres humanos no movimento espírita, ressaltando que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e reconhecer que somos apenas instrumentos.
  • O Sinal da Imperfeição (Questão 895 de O Livro dos Espíritos): A discussão culmina na identificação do “interesse pessoal” como o sinal mais característico da imperfeição, contrastando com o verdadeiro desinteresse e a caridade como expressões do amor divino.
  • Guardemos a Saúde Mental (Pão Nosso, Capítulo 177): A importância de elevar os pensamentos para as coisas do alto, pois o Espírito residirá onde projetamos nossos pensamentos, sendo o pensamento a energia que nos liga à essência do que pensamos.

Reflexões

  • A santidade, no contexto bíblico e espírita, não é um estado de perfeição inatingível, mas um convite à separação do que é inferior e à busca da comunhão com a essência divina, que é amor e perfeição.
  • A Doutrina Espírita oferece um “critério infalível” para a verdade: qualquer conceito que contrarie os atributos de Deus (justiça, bondade, onipotência, etc.) não pode ser verdadeiro, pois Deus é a inteligência suprema e o amor infinito.
  • O amor de Deus é incondicional e inalterável para todas as criaturas, independentemente de suas ações. A busca pelo bem e pela purificação do coração não visa a “merecer” esse amor, mas a aumentar nossa capacidade de percebê-lo e de nos harmonizarmos com a lei divina, que é a lei de amor.

Ler transcrição do episódio

Eu acho que hoje não é o sinal, não. Testando o som, som, 1, 2, 3, teste. Só está sem som. Está com som? Ah, então vamos, né? Vamos então. Bom, vamos começar, né? O que está, né? Semana passada, a gente vai ter a prece. Nossa, vamos fazer a prece. Quem quer fazer a prece? Faz, Xelinha. Pai de amor e bondade, Jesus, Mestre querido, agradecemos pela benção de mais este dia na Terra. Agradecemos ainda pela oportunidade bendita de gostar de estarmos em conjunto com o Senhor. Nesta noite, contamos com um patrimônio conhecido dos protetores espirituais para a compreensão dos espíritos de outro.

Que os nossos corações possam receber a semente e fazê-la brotar para que a árvore cresça em nós e distribua muitos frutos. Que possamos ainda irradiar os nossos pensamentos e que estes alcancem todos aqueles que necessitam de um dia de paz. Abençoa-nos neste momento e conosco, Jesus, porque nós precisamos de ti. Graças a Deus. Graças a Deus. O estudo da semana passada que a gente finalizou a terceira maior festa e hoje a gente entra nos sacrifícios, nos ritos de purificação. Só que antes da gente examinar especificamente aqueles sacrifícios, as tipologias dos sacrifícios no Levítico, a gente queria fazer uma introdução geral sobre o sistema de purificação, ligando isso ao Evangelho, porque senão fica difícil da gente extrair o espírito da letra dessa parte do Levítico, que é a parte mais difícil, é a parte mais simbólica.

Então, a gente selecionou algumas coisas aqui a partir de um texto do próprio Levítico, que está no capítulo 18, quando Deus, na linguagem simbólica do Velho Testamento, começa a falar sobre contaminação e purificação. Está lá no capítulo 18, versículo 25. Diz assim, E a terra se contaminou, e eu visitei nela a sua iniquidade, e ela vomitou os seus moradores. Porém, vós guardareis os meus estatutos e os meus juízos, e nenhuma destas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós. Porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra, que nela estavam antes de vós, e a terra se contaminou.

Não suceda que a terra vos vomite, havendo-a vos contaminado, como vomitou o povo que nela estava antes de vós. Todo o que fizer alguma destas abominações, sim, aqueles que as cometerem serão eliminados do seu povo. Portanto, guardareis a obrigação que tens para comigo. E aí, o versículo 19, que é o famoso capítulo 19, é, nossa, uma concorrência agora, espera, concorrência cruel. No capítulo 19, os primeiros versículos dizem assim, capítulo 19, versículo 1, disse o Senhor a Moisés, fala a toda congregação dos filhos de Israel e diz-lhes, santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.

Esse é o clímax desse processo todo de purificação. Só a gente relembrando que o santo aqui não tem aquele sentido dos santos, dos mosteiros, dos santos canonizados pela igreja. Não é esse o sentido. Esse é um sentido cultural-religioso que foi emprestado ao termo, mas que não existia na época que esse texto foi escrito. Então, a ideia de santo aqui é do separado, quer dizer, Deus não está misturado. Ele está separado. Ele é algo diverso da criação. Esse é o grande ponto. Se Deus é algo diverso da criação, Ele está separado dela.

E, Ele se reconhece diverso da criação. E, exatamente porque Deus é mais que a criação, Ele pode agir na criação. Agir com infinita autonomia, com infinita liberdade, com absoluta independência. Olha que coisa linda, né? Por isso que Kardec, quando vai trabalhar os atributos da divindade, um dos atributos é Deus é imaterial. Imaterial. Imutável. E, toda criação, ao contrário, está submetida a um processo de eterna mudança. Olha que bonito isso. Porque toda criação está mergulhada no processo evolutivo de aperfeiçoamento, ao infinito.

Porque o progresso, ele jamais cessa, né? O aperfeiçoamento, ele não cessa. Mas, Deus é imutável, porque Ele é perfeito. Então, Deus está fora do processo de aperfeiçoamento da criação. Nós já conversamos sobre isso aqui. Aquele Rabino, Adin Steinsaltz, ele diz assim, depois do infinito começa Deus. Porque a criação é infinita e Deus está para além do infinito. Então, num dos livros dele, ele diz assim, como que eu vou dizer aquilo que é indizível? Como é que nós vamos descrever Deus indizível? Como é essa ideia do eu sou santo?

Agora, vem a grande pergunta da noite. Vós sereis santos. Aí, o que que o que que o texto está querendo dizer com isso? O que que está implícito nisso? Então, nós vamos fazer um percurso aqui, agora, pra gente chegar com o auxílio da doutrina espírita, do Evangelho a uma reflexão mais profunda sobre isso. Vós sereis santos. Porque Deus é. Está separado. E nós? Então, vamos. No livro A Gênese, de Kardec, quem quiser comentar alguma coisinha, fica à vontade. No capítulo Deus, item 19, Kardec, ele dá um guia, que a gente poderia comparar como se fosse a bússola da evolução.

É o GPS da evolução. Se você estiver perdido em algum sentimento, em alguma ideia, liga esse GPS. Liga essa bússola. Aí, você se orienta no rumo certo. Então, no item 19, ele diz assim, Deus é, pois, a inteligência suprema e soberana, é único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as perfeições e não pode ser diverso disso. Aí, Kardec diz assim, tal eixo, tal o eixo sobre o qual repousa o edifício universal. Isso aqui que ele falou é o alicerce sobre o qual repousa toda a criação.

Esse é o farol cujos raios se estendem por sobre o universo inteiro. Única luz capaz de guiar o homem na pesquisa da verdade. Orientando-se por essa luz, ele nunca se transviará. Se, portanto, o homem há errado tantas vezes, é unicamente por não ter seguido o roteiro que lhe estava indicado. Tal também o critério infalível de todas as doutrinas filosóficas e religiosas. Para apreciá-las, dispõe o homem de uma medida rigorosamente exata nos atributos de Deus. E pode afirmar a si mesmo que toda teoria, toda teoria, todo princípio, todo dogma, toda crença, toda prática que estiver em contradição com um só que seja desses atributos, que tenda não tanto a anulá-lo, mas simplesmente a diminuí-lo, não pode estar com a verdade.

É incrível, porque, vamos lá, existe o demônio, um ser consagrado ao mal? Não pode existir, por quê? Por quê? Porque é o seguinte, Deus é a inteligência suprema. Se há um ser igual a Ele, Ele não é a inteligência suprema. Se Ele criou, então, se Ele criou o demônio, Deus não pode ser soberanamente justo e bom, porque Ele criou o autor do mal. Feriu um atributo, então, esse dogma é mentira, porque fere um dos atributos de Deus. E, assim, qualquer teoria filosófica, qualquer, tudo o que a gente pensar, o que o Kardec sugere, passa pelo crivo dos atributos de Deus.

O que não passar pelos crivos do atributo de Deus é mentira. Não pode estar com a verdade. Não pode estar com a verdade. Então, é listo eu ter preconceito por alguém pela sua opção sexual? Então, espera aí, isso fere um atributo de Deus? Deus não é soberanamente bom? Então, não posso ter preconceito, porque isso fere o atributo da bondade suprema de Deus. E, aí, Deus é santo. É isso aqui. Essa é a santidade de Deus. Ele é infinito em todas as perfeições. Então, Deus é infinito amor. Então, como é que um Deus que tem um amor infinito pode discriminar seus filhos?

Não tem jeito. Como é que um ser que é infinito na sabedoria pode cometer um erro? Não é possível. Então, então, está dado o parâmetro. O que que a gente pode dizer, né? Tá todo mundo tão caladinho hoje, hein? Poxa vida! O que que a gente pode dizer? Esse é o santo dos santos. Esse aqui é o tabernáculo que Deus mora. Essa é a coluna de fumaça. Essa é a coluna de fogo, simbólica. Essa é a montanha flamejante do Sinai. Essa é a manifestação de Deus. Essa é a luz que guia os Espíritos na sua evolução. Qualquer teoria que a gente formular, qualquer pensamento contrariou um dos atributos de Deus, nós estamos com a mentira.

Está consoante os atributos de Deus, estamos com a verdade. É, por isso, Kardec fala esse é um critério infalível. Infalível? Infalível. Mas, vamos avançar. Aqui que está bonito agora. Aqui que está bonito. O Kardec vai avançar no item 20 desse capítulo sobre Deus. Ele vai falar sobre a providência divina. Ok. Deus é infinito nas suas perfeições, é infinito amor, é infinita sabedoria, não é? Ok. E eu? E minha vida? E quando eu saio e vou ali na padaria comprar um pão? E quando eu entro no banheiro para tomar um banho?

E quando eu respondo uma mensagem no WhatsApp? O Kardec começa assim. A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, e a tudo preside, mesmo as coisas mais mínimas. Ah, então eu fui ali, peguei um copo, estou tomando água. Deus está envolvido? Está. É isso que Kardec está dizendo. É nisto que consiste a ação providencial. Aí Kardec abre aspas. Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?

Esta é a interrogação que, a si mesmo, dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto a sua ação, que ela se exerça sobre leis gerais do universo, que este universo funciona de toda a eternidade em virtude dessas leis, as quais toda criatura se haça submetida na esfera de suas atividades, sem que haja necessidade da intervenção incessante da providência. Então, isso é o que o incrédulo fala. Não, o negócio é o seguinte. Deus criou o computador, pôs um sistema e tirou férias.

E o sistema é automático. As leis funcionam automaticamente. Ele foi pra depois do infinito. E o universo se funciona sozinho. E o Kardec vai rechaçar essa teoria. Por quê? Vamos lá. Item 21. No estado de inferioridade em que ainda se encontram, só muito dificilmente podem os homens compreender que Deus seja infinito. Vendo-se limitados e circunscritos, eles o imaginam também circunscrito e limitado. Imaginando o circunscrito, figuram-no quais eles mesmos são. A imagem e semelhança deles. Os quadros em que o vemos com traços humanos contribuem mais ainda para entretecer esse erro no espírito das massas, que neles adoram mais a forma que o pensamento.

Para a maioria, é ele um soberano poderoso sentado num trono inacessível e perdido na imensidade dos céus. Tendo restritas suas faculdades e percepções, não compreendem que Deus possa e se digne de intervir diretamente nas pequeninas coisas. Item 22. Impotente para compreender a essência mesma da divindade, o homem não pode fazer dela mais que uma ideia aproximativa, mediante comparações necessariamente muito imperfeitas, mas que, ao menos, servem para lhe mostrar a possibilidade daquilo que, à primeira vista, lhe parece impossível.

E aí, Kardec vai falar uma coisa maravilhosa. Suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos. Sendo inteligente, esse fluido atua mecanicamente por meio tão só das forças materiais. Se, porém, o supusermos dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, capta. Ele já não atuará cegas, mas com discernimento, com vontade e liberdade. Verá, ouvirá e sentirá. Calma. Calma aí. Vamos lá. As propriedades do fluido perispirítico dão-nos disso uma ideia. Então, eu sou santo, vós sereis santos.

O que Kardec faz agora? Começa a avaliar o espírito, o ser humano. E, a partir do ser humano, ele faz uma analogia imperfeita, ele vai dizer, para que a gente tenha uma ideia. Então, vamos voltar para o homem agora. Ele não é de si mesmo inteligente. O fluido perispiritual. O nosso fluido perispiritual é inteligente? Não, pois que é matéria, mas serve de veículo ao pensamento, às sensações e percepções do Espírito. Esse fluido não é o pensamento do Espírito. Sendo quem o transmite, o Espírito, fica, de certo modo, impregnado do pensamento transmitido.

Então, o fluido perispiritual é o meio que transmite o pensamento do Espírito. Então, ele fica impregnado do pensamento. Na impossibilidade em que nos achamos de o isolar, a nós nos parece que ele, o pensamento, faz coro com o fluido, que com este se confunde, como sucede com o som e o ar, de maneira que podemos, a bem dizer, materializá-lo. Assim como dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito pela causa, dizer que o fluido se torna inteligente. Olha que lindo! O gel é o condutor. É o condutor, exato.

Transmite a corrente. Aí, ele vai. Seja ou não assim, no que concerne ao pensamento de Deus, isto é, quer o pensamento de Deus atue diretamente, quer por intermédio de um fluido, Kardec não está fechando a questão. Ele deixou, vamos imaginar, 1864, deixou aberto para o progresso da revelação que depois veio com as obras subsidiárias, sobretudo a obra de Chico, né? Então, quer ele atue diretamente por intermédio de um fluido, para facilitarmos a compreensão da nossa inteligência, figuremos-nos sobre a forma concreta de um fluido inteligente que enche o universo infinito e penetra todas as partes da criação.

A natureza inteira mergulhada no fluido divino. Então, a pergunta é tem como você fazer alguma coisa sem que Deus saiba? E sem que Deus esteja envolvido? Tem como acontecer qualquer coisa no universo sem que Deus esteja envolvido? A resposta é não. Não tem. Ora, em virtude do princípio de que as partes de um todo são da mesma natureza e tem as mesmas propriedades que o todo, olha que coisa linda que Kardec está dizendo, cada átomo desse fluido, se assim nos podemos exprimir, possuindo o pensamento, isto é, os atributos essenciais da divindade e estando o mesmo fluido em toda a parte, tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência e à sua solicitude.

Nenhum ser haverá, por mais ínfimo que o suponhamos, que não esteja saturado dele. Uma bactéria está saturada de fluido cósmico, portanto, ela está saturada de Deus. Não tem pra onde correr, né? Ok. Aí, o Kardec, é bonita, longe de nós a ideia de materializar a divindade. A imagem de um fluido inteligente, universal, evidentemente, não passa de uma comparação apropriada de Deus, uma ideia mais exata do que os quadros que apresentam debaixo de uma figura humana. Destina-se ela a fazer compreensível a possibilidade que tem Deus de estar em toda a parte e de se ocupar de todas as coisas.

Deus é separado, mas Ele está imanente, Ele se ocupa de todas as coisas, Ele é providente, Ele é Pai. Ok. Aí, o Kardec diz que essa ideia ele tirou de uma comunicação recebida na sociedade parisiense, de estudos espíritas. Que comunicação foi essa? O Espírito escreveu assim, o homem é um pequeno mundo que tem como diretor o Espírito e como dirigido o corpo. Nesse universo, o corpo representará uma criação cujo Deus seria o Espírito. Então, o nosso Espírito, quantos bilhões de células tem no nosso corpo, quantos elementos, tem tudo no nosso corpo.

Tem mineral, tem vegetal, tem um animal, tem tudo, tudo. O universo todo, tudo que tem no cosmos tem dentro de nós. Inclusive, as mesmas substâncias químicas, tudo, tudo. Compreende bem que há aqui uma simples questão de analogia, não de identidade. O Espírito está falando, eu estou fazendo analogia, não toma o pé da letra, por favor. Não toma o pé da letra, por favor. Os membros desse corpo, os diferentes órgãos que o compõem, os músculos, os nervos, as articulações, são outras tantas individualidades materiais, se assim podemos dizer, localizadas em pontos especiais do referido corpo.

Se bem seja considerável o número de suas partes constitutivas, de natureza tão variada e diferente, a ninguém é listo supor que se possa produzir movimentos ou uma impressão em qualquer lugar sem que o Espírito tenha consciência do que ocorre. Então, dá um pisão no seu dedão, você sente, toca aqui, você sente. Análogo fenômeno ocorre entre Deus e a Criação. Deus está em toda parte, na natureza, como o Espírito está em toda parte no corpo. Todos os elementos da Criação se acham em relação constante com Ele, como todas as células do corpo humano se acham em contato imediato com o ser espiritual.

Não há, pois, razão para que fenômenos da mesma ordem não se produzam de maneira idêntica num e no outro caso. Está na Gênesis, o capítulo que fala sobre Deus, item 19 e 20. Ok. Podemos prosseguir? Aí tem uma poesia do Augusto dos Anjos. Não sei se ela está aqui, Júlio. Está no CD. Está no CD, não é? Matéria Cósmica. Matéria Cósmica. É. Ah, tem aqui. Tem aqui. Já achei. Dois textos. Três textos. André Luiz diz assim, o fluido cósmico, hálito divino, força nervosa do todo sábio. Então, o que ele está dizendo? O fluido cósmico é um veículo do pensamento de Deus.

Então, ele está impregnado do pensamento. O pensamento divino é a inteligência divina. Então, o fluido cósmico está imantado, não está? Mas, será que é só pensamento enquanto inteligência? Então, vamos lá. Aí, o Augusto dos Anjos diz assim, Glória à matéria cósmica, a energia potencial, que dá vida aos elementos. Base de portentosos movimentos, onde a forma se acaba e principia. Todas as formas se acabam e principiam. Sistematização dos argumentos que elucidam a teleologia. Vou resumir as finalidades. É isso que ele está dizendo.

Vou resumir para vocês as finalidades. Qual a finalidade disso? Dentro da força cósmica, se cria a fonte máter dos conhecimentos. Por quê? Porque o fluido cósmico está imantado do pensamento divino. Então, toda a sabedoria infinita de Deus está no fluido. É a maior biblioteca do universo. É do mundo o ó dignoto. Essa questão do odismo, que era uma teoria do Haishambar, que ele falava do éter e que esse fluido tinha um poder que todos os poderes magnéticos, curativos, todos os poderes da alma eram tirados dessa essência.

É o odismo. Então, ele está dizendo aqui, é do mundo o ó dignoto, o éter divino, onde Deus grava a história do destino. Dos seus feitos de amor no amor imersos. Então, no fluido não tem só a sabedoria infinita de Deus, tem o amor também. E tem a vontade divina guiando a criação. Livro onde o Criador inimitável grava com o pensamento alma o mais superior de todos e insondável, insondável, porque nós só percebemos de Deus aquilo que ele mostra pra gente. Então, o fluido cósmico é o livro onde Deus grava com o seu pensamento alma insondável seus poemas de seres e universos.

Ok? Ok. Vamos lá no Pensamento e Vida. Vou ter que correr hoje. Vamos ter que correr. Vamos lá no capítulo, fala do amor. Livro Pensamento e Vida. Capítulo 30. O amor puro é o reflexo do Criador em todas as criaturas. Reflexo do Criador em todas as criaturas. Brilha em tudo. Por quê? E em todos. Brilha em tudo e em tudo palpita na mesma vibração de sabedoria e beleza. É fundamento da vida e justiça de toda lei. Por quê? O fluido cósmico é o que transmite o amor de Deus, então está a criação infinita mergulhada no amor de Deus.

Surge sublime no equilíbrio dos mundos erguidos à glória da imensidade, quanto nas flores anônimas esquecidas do campo. Porque a florzinha também está mergulhada. Nele fulgura generosa a alma de todas as grandes religiões que aparecem no curso das civilizações por sistemas de fé. As religiões são sistemas de fé. Há a procura da comunhão com a bondade celeste. Qual é o objetivo da religião? Comunhão com Deus. Treinar os homens a terem uma comunhão com Deus, que é esse amor infinito. E nele se enraiza todo o impulso de solidariedade entre os homens.

Plasma divino com que Deus envolve tudo o que é criado. O amor é o hálito dele mesmo penetrando o universo. Isso é humano. Estou só lendo. Vou ler de novo. André Luiz, Evolução em Dois Mundos, capítulo 1. O fluido cósmico é o hálito divino, força nervosa do todo sábio. Emmanuel, o amor é o plasma divino com que Deus envolve tudo o que é criado. O amor é o hálito dele, dele mesmo, Deus, penetrando o universo. Pode ir? Pode ir? Tem mais. Vemo-lo assim, o amor de Deus, como silenciosa esperança do céu, aguardando a evolução de todos os princípios e respeitando a decisão de todas as consciências.

Mercedes, semelhante bênção, cada ser é acalentado no degrau da vida em que se encontra. Eu vou traduzir. Não importa quem você é, não importa o degrau da evolução, não importa o que você fez, não importa o que você fará, o amor de Deus é inalterável. Você é amado da mesma maneira. Quer você seja um criminoso, quer você seja um anjo. Ah, não, aí está demais. Então, eu vou ler. Eu vou continuar lendo. O verme é amado pelo Senhor que lhe concede milhares e milhares de séculos para levantar-se da viscosidade do abismo, tanto quanto o anjo que representa Deus junto do verme.

Então, a Janaína, eu, a Cláudia, aplaudimos o anjo, ficamos emocionados, choramos. Doutor Bezerra, Eurípedes, e a gente derrama lágrima e chora e fica emocionado pela luz desse Espírito, pelas conquistas desse Espírito. Só que, pra Deus, Ele ama o Eurípedes como Ele ama uma bactéria. A bactéria não tem diferença, porque a bactéria vai virar um anjo. E o amor de Deus acalenta cada ser no degrau da vida em que ele se encontra. Então, e ele tem dito isso, né? A seiva que nutre a rosa é a mesma que alimenta o espinho dilacerante.

Na árvore em que se aninha o pássaro indefeso, pode acolher-se a serpente com as suas armas de morte. Porque o pássaro e a serpente são amados do mesmo jeito. Vamos mais, agora é pra chocar. Agora é pra chocar. No espaço de uma penitenciária, respira com a mesma segurança o criminoso que lhe padece as grades de sofrimento e o correto administrador que lhe garante a ordem. Então, gente, é o seguinte, pra Deus, um criminoso que está agora, um assassino que está na Neossungria, é amado da mesma forma que eu que estou fazendo o Levítico.

Então, eu tenho que dizer, é uma infantilidade me aplaudir ou aplaudir quem quer que seja. Isso é espírito infantil das massas. Aplaudir seres, porque o amor de Deus é inalterável para todas as criaturas e coisas da criação. Inalterável. Você não é mais amado porque é bom. E você não é mais amado porque fez algo de bom. E você não é menos amado porque errou. Ou então, qual a vantagem de fazer o bem? Qual a vantagem? Comunhão com Deus, felicidade, apressar o seu processo evolutivo. Agora, ser amado aumenta a percepção desse bom, né?

Nossa, aí você falou, vou até parar aqui. Repete, repete. Então, quando a gente se entrega para a luz, para a caridade, para o bem, para a iluminação, aumenta a nossa percepção do amor, porque é claro que o verme não percebe o amor de Deus como o anjo percebe. E, evidentemente, que se você aumenta a sua percepção, você se sente amado. E, quanto menos percepção você tem, menos você se sente amado. O amor, repetimos, é o reflexo de Deus, nosso Pai, que se compadece de todos e que a ninguém violenta. Embora, em razão do mesmo amor infinito com que nos ama, determine estejamos sempre sobre a lei da responsabilidade que se manifesta para cada consciência de acordo com suas próprias obras.

E, amando-nos, permite o Senhor perlustrar-nos sem prazo o caminho da ascensão para Ele, concebendo-nos quando impensadamente nos consagramos ao mal a própria eternidade para reconciliar-nos com o bem que é a sua regra imutável. Herdeiro dele que somos, aqui que está a chave. Por que o verme é amado do mesmo jeito que o anjo? Porque ambos são herdeiros. Herdeiro dele que somos, raios de sua inteligência infinita e sendo ele mesmo o amor eterno de toda a criação em tudo e em toda parte é da legislação por ele estatuída que cada Espírito reflita livremente aquilo que mais ama, transformando-se aqui e ali na luz ou na treva, na alegria ou na dor a que empenha o coração.

Ou seja, você se torna aquilo que você ama, porque a lei é de amor. A lei é de amor. Então, eu conversava com o Rosandro Ibiá no seminário sobre… ele é psicólogo, né? Então, ele começou a me falar a nossa estrutura psíquica é tão voltada pro amor, tão voltada pro amor que na falta de seres eu amo coisa. Você pode ver o filme Náufrago com Tom Hanks, ele não tem ninguém, então ele começa a amar uma bola, aí ele desenha um rostinho nela. Por quê? Por quê? Não tem como existir sem amar. Não tem jeito. E a lei é de amor.

Você se torna aquilo que você ama. Então, você ama riqueza, você vai se tornar bem material. Você ama e aí vai infinito. Agora, se você ama a Deus sobre todas as coisas, o que vai acontecer com você? Eu sou santo, sereis santo. Se nós amarmos a Deus sobre todas as coisas, nós seremos divinos. Por quê? Porque eu me torno aquilo que eu amo. Eita! Eis porque Jesus, o modelo divino, enviado por ele à Terra para clarear-nos a senda, em cada passo de seu ministério, tomou o amor ao Pai por inspiração de toda a vida. Amor ao Pai.

Amando sem a preocupação de ser amado e auxiliando sem qualquer ideia de recompensa. Descendo a esfera dos homens por amor, humilhando-se por amor, ajudando e sofrendo por amor, passa no mundo de sentimento erguido ao Pai Excelso, refletindo-lhe a vontade sábia e misericordiosa. E para que a vida e o pensamento de todos nós lhe retratem as pegadas de luz, legou-nos, em nome de Deus, a sua fórmula inesquecível. Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei. Prossigamos. Podemos ir? Tem mais. Tem mais. Por uma sincronicidade da vida, chegou um livrinho na minha mão, que é pequenininho no tamanho, grandioso nas ideias, de um padre, Anselmo Grun.

Então, eu dedico para a nossa irmã Ayla, a nossa freira do coração, esse livrinho da Paulos, Anselmo Grun. O título do livro é Para que tua vida respire liberdade. Rituais de purificação para o corpo e para a alma. Não nos enganemos. O livro é profundo. Então, eu selecionei aqui umas coisinhas para a gente ler. Por quê? Para eu voltar para a casa do Pai, para eu entrar em comunhão com Deus e para eu parar de ficar aplaudindo e adorando os seres humanos, parar de ser idólatra, idólatra, porque o idólatra é quem adora homens e mulheres.

Isso é idolatria. Os verdadeiros adoradores são aqueles que amam a Deus sobre todas as coisas. São gratos, são amorosos, reconhecem o trabalho das pessoas, mas não ficam adorando ninguém. Eu estou bem bravo nisso, porque isso é idolatria. E o movimento espírita está cheio de idolatria, cheio de idólatra. Se Moisés voltasse hoje, seria uma faxina, porque nós ficamos incensando e aplaudindo homens, seres humanos. Nós temos que amar Deus. É Deus que é a fonte de tudo. Nós somos instrumentos. Somos o arco na mão do arqueiro.

Sejamos bons arcos. A vida não sabe andar para trás. E como diz alguém aponta para a lua, o tolo olha para o dedo, o sábio olha para a lua. Então, nós temos expositores espíritas, médiums, e as pessoas estão adorando expositores e adorando médiums. Mas, o médium e o expositor é só o dedo que aponta. E nós viramos uma quantidade idólatra, adorando os seres humanos. Precisamos parar com isso. E, para parar com isso, o que tem que fazer? Purificar. Então, vamos lá. Eu estou ficando velho. Nossa! Está vendo? Eu adoro. Então, vamos lá.

A caminhada mística começa sempre com a via purgativa. Um caminho de purificação. Tenho a impressão de que em muitos cursos sobre o tema meditação zen, ou contemplação, se leva muito pouco em consideração esse passo da purificação. Passa-se logo ao segundo nível, a iluminação, ou até mesmo ao terceiro nível, a unificação. Então, o que ele está propondo? Que a jornada de volta para Deus, de comunhão com Deus, tem três níveis. Primeiro, você precisa se purificar para você separar o que é matéria, o que é você, o que é paixão e o que é você, o que é ego, o que é seu eu profundo.

Você precisa se desmisturar, precisa se purificar de você mesmo e dos outros e das circunstâncias e das coisas. Depois, você entra no processo de iluminação, que é o quê? Que é ver e ouvir aquele que tem olhos de ver e ouvidos de ouvir. E, depois, nós entramos no terceiro nível, que é o da comunhão com Deus. É isso que ele está dizendo. Todavia, quando se busca a unificação sem a caminhada da purificação, corre-se o risco de saltar por sobre os nossos lados sombrios e ignorar a tendência de divisão da nossa alma. Deus é um, Deus é unidade, é unificação, mas o nosso coração está cheio de desejo de divisão.

Sob o ponto de vista psicológico, o trabalho com o nosso lado sombrio é condição prévia para a nossa autotransformação e para o caminho espiritual de nos tornarmos um com nós mesmos e um com Deus. Vamos lá. Por isso, Jesus se interessa, sobretudo, pelo coração puro. No Sermão da Montanha, Jesus proclama felizes aqueles que têm coração puro. A meta da pureza é contemplar a Deus, ser um com Deus. Por quê? Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus. Portanto, Jesus não pensa, em primeiro lugar, na pureza moral, na libertação de todas as faltas e fraquezas, mas na clareza e pureza como condição para tornar-se um com Deus.

Pensa na dimensão mística da pureza. Devemos purificar o coração, mas não para sermos sem defeitos e gloriarmos dessa ausência de defeitos. Trata-se de purificar-nos para podermos ver a Deus. Um coração impuro faz suas próprias imagens de Deus. Só é capaz de ver as imagens feitas por ele mesmo, mas não ver o Deus verdadeiro. Só o coração puro pode ver a Deus tal como ele é, sem poluir a imagem de Deus com as suas próprias projeções. Então, eu, que sou um juiz imperfeito, projeto em Deus um juiz bravo que pune, que dá sentença, que manda pra cadeia.

Isso é projeção do Haroldo. Isso é projeção minha. Isso não é Deus. Ok. Jesus fala ainda de purificação no seu discurso metafórico sobre a vinha. Está lá em João. João 15. Por quê? Porque os Espíritos pediram pra Kardec colocar um galho de videira no Prolegomenos do Livro dos Espíritos e disse assim, esse é o emblema do trabalho do Criador. Ali está contido tudo. O barro é o corpo, o licor é a uva e é pelo trabalho que o Espírito se desmaterializa. Então, vamos lá. Deus é o vinicultor. Quando vê uma videira que produz frutos, Ele a limpa.

Pra quê? Pra que ela produza mais frutos. Portanto, o limpar serve para a frutuosidade. Se Deus nos purificar, seremos permeáveis ao seu Espírito e ao seu amor. É uma frase que a Cláudia Abreu adora. Deus operava maravilhas pelas mãos de Paulo. Não é Paulo operava maravilhas. É Deus operava maravilhas. Mas, pra isso, tem que limpar as mãos. Então, quando a gente se purifica, Deus age com o seu Espírito, com o seu amor. E, então, nossa vida produzirá frutos abundantes. Não é porque eu sou bom, não. Não é porque eu sou bom.

Eu estou deixando Deus agir. Brilhe a vossa luz, de anjo dos homens, para que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem quem? A Deus que está no céu. Agora, nós estamos glorificando a pessoa. A pessoa vai lá e faz uma bela palestra. A gente fica glorificando o palestrante e não glorificando a Deus que usou o palestrante. E, então, nossa vida produzirá frutos abundantes. Se misturarmos nossa ação com nossos motivos egocêntricos, representamos apenas a nós mesmos e, com o tempo, deixaremos o anjo produzir frutos.

Pode mais? Tem mais. Agora tem mais. Tem um caso sobre Santo Antão. Santo Antônio, Santo Antão. O Santo Antão foi um monge ascético. Então, diz a tradição que ele ficou anos e anos e anos e anos em um lugar meditando, orando para se purificar. E, na tradição católica, o diabo ficou lá todos aqueles anos, muitos anos, mais de vinte anos. O diabo ficou lá todo dia. Então, o diabo chegava, colocava uma comida gostosa na frente dele, levava uma mulher nua, o diabo fazia umas diabruras. E o Antão, firme, firme. Depois de mais de vinte anos, o diabo falou assim, desisto, desisto.

Esse aí não tem jeito. Virou as costas para o Santo Antão e saiu do lugar em que ele estava. Aí, o Santo Antão ajoelhou e falou assim, meu Deus, obrigado, agora eu sou um santo. Aí, o diabo ouviu isso, opa, voltou. Voltou, falou, é agora que eu pego ele. Entenderam? Por isso que o moço chega, que é o idólatra, isso é o que o idólatra faz. Ah, mas você é um expositor tão maravilhoso. Ah, você não sei o quê. Aí, chegaram para Jesus e falaram, mas você é tão bom. Ele falou, por que você está me chamando de bom? Eu estou me chamando de bom por quê?

Bom só o Pai. Bom só o Pai. O infinito amor é Deus. Nenhuma criatura é infinito amor. Portanto, só Deus pode amar a criação infinita. Por quê? Porque só Ele tem o infinito amor. Eu posso ser instrumento do amor infinito. Basta que eu purifique meu coração. Mas como? Mas como, pelo amor de Deus? Pelo amor de Deus, fala com isso. Quantas virtudes eu tenho que ter? Será que é isso? Será que é o número de qualidades que eu tenho? Questão 895 A exceção dos defeitos e vícios acerca dos quais ninguém se pode equivocar? Por que defeitos e vícios são entrega à paixão?

As paixões são sentimentos que decorrem da relação do espírito com a matéria, das necessidades materiais, dos anseios. Então, ele exagera na dose. Ao exagerar na dose, aquele sentimento que era puro na origem se torna paixão e aí ele se torna escravo em vez de senhor porque as paixões passam a dominá-lo, ao invés dele dominar os sentimentos. Ok. Mas a exceção disso? Qual o sinal mais característico da imperfeição? Então, Kardec está perguntando assim eu não quero efeito, eu não quero saber quantas laranjas essa laranjeira deu, eu quero saber qual é a laranjeira, qual é a raiz.

Sua Nória adorava essa. Questão 895. Sabe o que os Espíritos respondem? O interesse pessoal. O interesse pessoal. Não vão lembrar a história do Santo Antão? Tudo aquilo que ele fez, porque ele queria ser santo, interesse pessoal. Aí o diabo voltou. Aí os Espíritos respondem Muitas vezes as qualidades morais se assemelham, como num objeto de cobre, à adoração que não resiste a pedra de toque. É só a casquinha. Um homem pode possuir qualidades reais que levem o mundo a considerá-lo um homem de bem. Mas essas qualidades, embora assinalem progresso, é claro, nem sempre suportam certas provas, bastando algumas vezes que se fira a corda do interesse pessoal, para que o fundo fique a descoberto.

O verdadeiro desinteresse é coisa rara na Terra. Que é admirado como fenômeno quando se manifesta. O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque quanto mais o homem se prende aos bens deste mundo, tanto menos compreende o seu destino. Então, você vem pra morar ou pra viajar? Se eu vim pra morar, eu quero me estabelecer. Se eu vim pra viajar, eu evito muito peso na bagagem, porque eu estou focado no destino. Compreende seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, ele prova que vê o futuro de um ponto de vista mais elevado.

Merecerá, 897, merecerá a reprovação aquele que faz o bem sem visar a qualquer recompensa, na esperança de que isso lhe seja levado em conta na outra vida e que lá venha a ser melhor a sua situação? Esse pensamento não prejudicará o seu progresso? Os Espíritos respondem. É preciso fazer o bem por caridade, isto é, com desinteresse. Agora, só um lacinho, né? Porque você já é amado. Precisa fazer o bem pra ser amado por Deus. Nós precisamos fazer o bem porque nós somos filhos de Deus. Nós somos imagem e semelhança de Deus.

A gente não consegue ser de verdade sem amar e sem fazer o bem. É contra a nossa natureza. Essa é a raiz do nosso sofrimento. Agir contra a nossa natureza. Nós somos criados pra amar. Nós somos criados pra fazer o bem sem receber nada. É bonito, né? É o filho egoísta da parábola. Verdade. Ah, pai, você não é um cabritinho, né? Pra mim. E, Eu separei uma mensagem do Emmanuel, que agora tem que fazer um… Eu sou santo e serei santo. E agora? E agora? O que que a gente faz? Emmanuel, Livro Pão Nosso, capítulo 177. Mensagem intitulada Guardemos a Saúde Mental.

Comentário da Epístola aos Colossenses, capítulo 3, versículo 2. Pensai nas coisas do alto e não nas da terra. Comenta o bem feitor. O cristianismo primitivo não desconhecia a necessidade da mente sã e iluminada de aspirações superiores na vida daqueles que abraçam no Evangelho a renovação substancial. Quando a gente abraçou o Evangelho, nós abraçamos a renovação substancial. E, pra isso, nós precisamos de uma mente sã e iluminada de aspirações superiores. O trabalho de notáveis pensadores de hoje encontra raízes mais longe.

Sabem agora os que lidam com os fenômenos mediúnicos que a morte da carne não impõe as delícias celestiais. O homem encontra-se além do túmulo com as virtudes e defeitos, ideais e vícios, a que se consagrava no corpo. O criminoso imanta-se imanta-se ao ciclo dos próprios delitos quando se não algema aos parceiros na falta cometida. O avarento está preso aos bens superfluos que abusivamente amontoou. O vaidoso permanece ligado, ligado aos títulos transitórios. O alcoólatra ronda as possibilidades de satisfazer a sede que lhe domina os centros de força.

Centros de força, chacas, sede. Quem se aproxima pelas organizações caprichosas do eu gasta longos dias para desfazer as teias de ilusão em que se lhe segrega a personalidade. Olha o abai, né? Hoje, eu me libertei das grades da ilusão que são muito mais pesadas que as grades de ferro. São os caprichos do eu, do ego. O programa antecede o serviço. O título é Guardemos a Saúde Mental. O programa antecede o serviço. Não adianta você sair correndo pra fazer. Primeiro, você tem que idealizar a realização. O projeto traça a realização.

Tem que planejar, tem que projetar. Ou seja, vida mental. O pensamento é energia irradiante. Espraêmulo na terra e Prender-nos-emos naturalmente ao chão. Seu pensamento está onde? Na terra. Na terra. Você está em busca de que? Aplausos? Aplausos? Flores? Reconhecimento? Bens? Seu pensamento está na terra. Então, você vai ficar preso aonde? A terra. Porque o pensamento é energia. E nós ficaremos jungidos, ligados à essência do que a gente pensa. Elevemo-lo para o alto e conquistaremos a espiritualidade sublime. E Nosso Espírito residirá onde projetamos nossos pensamentos.

Nosso Espírito residirá onde projetamos nossos pensamentos. Alicerces vivos do bem e do mal. Porque antes da gente fazer o bem ou fazer o mal, a gente pensa. Por isso mesmo, dizia Paulo, sabiamente, pensai nas coisas que são de cima. Sereis santo, como eu sou santo. Eu sou o Senhor, vosso Deus. Era isso que eu tinha, né? Era isso aí. Alguém quer falar alguma coisinha? É melhor ficar em silêncio? Quem quer fazer a prece? Fazer? Senti que você está, assim, com um olhar de prece. Senti mesmo, juro. Deus, nosso Pai de amor, essa melodia que nos envolve a todos os instantes, nos impulsionando, nos ajudando a transformar-nos, para encontrarmos a Tua presença mais viva, mais operosa.

Nós agradecemos pela vinda, pelo dia de hoje, pela oportunidade do estudo, do aperfeiçoamento. Que possamos, Pai querido, buscar-te através dos passos que o Mestre nos ensina. Que a nossa semana seja proveitosa e que possamos manter os pensamentos, as coisas do alto. É só assim.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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