Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no livro de Levítico, focando na terceira das grandes festas mencionadas: a Festa dos Tabernáculos. Este estudo, transmitido ao vivo em 30 de outubro de 2014, convida à reflexão sobre a precariedade da vida terrena e a profunda conexão com a providência divina, à luz dos ensinamentos espíritas.
O que é estudado neste episódio
- A Festa dos Tabernáculos (Sucot): O estudo inicia com a leitura e análise de Levítico, capítulo 23, versículos 33 a 44, que descrevem a Festa dos Tabernáculos. É apresentada como uma celebração de sete dias, onde os israelitas deveriam habitar em tendas para relembrar o período de peregrinação no deserto após a libertação do Egito.
- Estrutura do texto bíblico: Haroldo destaca a estrutura em espiral do texto, que repete informações adicionando novos elementos a cada repetição, expandindo gradualmente o entendimento, semelhante à estrutura do Evangelho de João.
- Significado histórico e espiritual da festa: A festa é contextualizada historicamente como a lembrança da moradia em tendas durante a peregrinação de 40 anos no deserto. Espiritualmente, é interpretada como uma experiência de despojamento e precariedade, onde as famílias armavam tendas em suas casas e nelas habitavam por sete dias, simbolizando a consciência do que é essencial na vida.
- A Festa dos Tabernáculos e a encarnação de Jesus: É feita uma conexão profunda com o Evangelho de João, onde o “Verbo tabernaculou entre nós” (João 1:14), significando que Jesus “armou tenda” entre os homens, compartilhando a experiência da precariedade humana.
- A Transfiguração e a Festa dos Tabernáculos: É abordada a sugestão de Pedro durante a Transfiguração de armar tendas para Jesus, Moisés e Elias, indicando que este evento ocorreu durante a Festa dos Tabernáculos.
- A encarnação como “tenda”: A questão 132 de O Livro dos Espíritos é utilizada para explicar o objetivo da encarnação como um processo de aperfeiçoamento e expiação, comparando o corpo físico a um tabernáculo, uma tenda temporária.
- Lei de Causa e Efeito e Misericórdia Divina: O estudo contrapõe a visão comum da lei de talião com a misericórdia divina, exemplificando com a história do pai de André Luiz e a renúncia da mãe, mostrando que a lei de ação e reação é administrada por Deus com amor e visando o aprendizado, não a punição.
- O dever e a obediência: Com base em Emmanuel, o dever é apresentado como a submissão a princípios divinos que visam o desenvolvimento das faculdades do Espírito, e a obediência a Deus como um caminho para a liberdade e uma maior “faixa de ação” no bem.
- Oração e Atenção: A mensagem “Oração e Atenção” do livro Coragem é explorada, enfatizando a importância de orar, pedir e, em seguida, estar atento às respostas divinas, que podem vir de diversas formas e nem sempre de maneira espetacular.
- Educação do desejo: A prece é vista como uma proposta de educação do desejo, onde Deus responde “sim” ou “não” aos pedidos, sempre visando o bem maior do indivíduo, mesmo que a resposta “não” seja inicialmente difícil de aceitar.
Reflexões
- A vida na Terra é uma experiência de despojamento, onde o corpo físico é um tabernáculo temporário, uma tenda que nos convida a reconhecer o que é verdadeiramente essencial e a nos conectar com a providência divina.
- A lei de causa e efeito não é uma lei de talião, mas sim um mecanismo de aprendizado e evolução, administrado pela misericórdia de Deus, que sempre visa o nosso bem, mesmo em situações de aparente sofrimento.
- A oração e a atenção são ferramentas poderosas para nos sintonizarmos com a vontade divina, permitindo-nos aceitar a condução de Deus em nossas vidas e educar nossos desejos para que estejam em harmonia com o plano maior.
Ler transcrição do episódio
Opa, o ruim é isso aqui, o ruim é isso aqui ó, o cara não fica acostumado com as coisas. Teste o som, som, um, dois, três, demos-lhe? Fazer a prece, testando o som, um, dois, três, tomamos. Jana, você faz a prece? Vai desligar o ventilador ou vai manter? Deus nosso Pai, amigos espirituais presentes, agradecemos a oportunidade de colhermos os frutos do estudo e a dedicação dos amigos espirituais por nós. Pedimos, Senhor, por todos aqueles que convosco vão compartilhar as palavras do nosso irmão, que possam orir nelas com força e paz, conhecimento, harmonia, para a própria caminhada, para as próprias vivências, que possamos também, Senhor, dar de nós o melhor que temos para que possamos contribuir uns com os outros neste momento.
Muito obrigada, Jesus, por essas oportunidades e esteja conosco. Graças, Senhor. Retomando o Levítico, hoje a gente vai comentar sobre a terceira das grandes festas que constam do Levítico, lembrando que a primeira é a Páscoa, a segunda é Pentecostes, que a gente estudou, e hoje é a festa dos tabernáculos. Esta festa está no capítulo 23 do Levítico, versículo 33 até 44. Eu vou ler assim o pedaço inicial dela, versículo 33 Disse mais o Senhor a Moisés, Fala aos filhos de Israel, dizendo Aos quinze dias deste mês sétimo será a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias.
Ao primeiro dia haverá santa convocação, nenhuma obra serviu fareis. Sete dias oferecereis ofertas queimadas ao Senhor, ao dia oitavo tereis santa convocação e oferecereis ofertas queimadas ao Senhor. É reunião solene, nenhuma obra serviu fareis. São estas as festas fixas do Senhor que proclamarei para as santas convocações. No primeiro dia tomareis para vós outros frutos de árvores formosas, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas e salgueiros de ribeiras e por sete dias vos alegrareis perante o Senhor, vosso Deus.
Celebrareis esta como festa ao Senhor, por sete dias cada ano. É estatuto perpétuo pelas vossas gerações. No mês sétimo a celebrareis. Sete dias habitareis em tendas de ramos. Todos os naturais de Israel habitarão em tendas. Para que? Para que saibam as vossas gerações que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus. Assim declarou Moisés as festas fixas do Senhor aos filhos de Israel. Então é importante, primeiro que a estrutura do texto lembra uma espiral.
Ele vai dizendo a mesma coisa, vai repetindo, repetindo, só que cada vez que repete acrescenta um fato novo. É muito interessante isso. Quando a gente lê, por exemplo, o Evangelho de João, o Evangelho de João tem também esta estrutura. Ele fala uma frase, aí repete, cada vez que repete acrescenta um elemento novo. É uma estrutura muito interessante, porque ela lembra círculos concêntricos. Então é como se você começasse com um círculo pequeno e cada vez que você repete aquilo vai ampliando o entendimento, gradativamente.
Toda a estrutura aqui é essa, inclusive das festas. Você começa com a Páscoa, aí depois uma festa que tem um significado mais amplo, que é a Pentecostes, e agora a festa das tendas, que a Igreja acabou adotando essa festa das tendas e deu um outro nome, estabeleceu um processo diferente, que é chamada a festa de Ramos, a famosa festa de Ramos, associando, inclusive, a entrada de Jesus em Jerusalém, toda aquela passagem da vida de Jesus. Mas, o que é interessante aqui é que o motivo, a motivação da festa sempre é dada na ordenação.
Tem um mandamento mandando celebrar a festa e fala-se sempre o motivo, e o motivo aqui é que se na Páscoa o motivo era você vai celebrar a Páscoa para lembrar que eu libertei do Egito, vai celebrar Pentecostes para lembrar que eu doei a torá no Sinai e agora vai celebrar a festa de Tabernáculo, a festa das tendas, para lembrar que vocês habitaram em tenda depois que eu libertei do Egito. Então, é aqui que fica a história interessante. Depois que o povo é libertado da escravidão no Egito, eles começam a fazer a peregrinação no deserto.
E, durante o tempo que eles peregrinam no deserto, que eles imaginavam que fossem quarenta dias e se tornam quarenta anos, eles habitaram em tendas. Então, eram acampamentos móveis. Quando a gente começou a estudar o Levítico aqui, a gente até mostrou aquela imagem, a Marina Marino até postou, da estrutura de deslocamento das doze tribos, porque elas podem ser divididas em quatro grupos de três, e elas se deslocavam formando uma cruz. E, no meio, a grande tenda do tabernáculo. Então, eles moraram em tenda mesmo. E, aqui, nessa festa, eles celebram esse fato de morar em tenda.
Então, até aqui, é o aspecto, isso acho que fica forte, é o aspecto histórico do fato. O que que é o significado espiritual que já era dado pelos hebreus quando celebrava essa festa? Porque, é muito bonito falar assim, né, da festa, mas, experimentar essa festa é desconfortável. Por que que é desconfortável? Porque na ordenança diz assim, habitareis em tendas por sete dias. Então, o que que eles faziam? Geralmente, tinha um terraço nas casas, começava a festa de tabernáculo, armava uma tenda na cobertura, no terraço, e, durante sete dias, a família morava na tenda.
Então, só pra gente ter uma ideia do que que é isso hoje, é mais ou menos você fazer um acampamento no quintal da sua casa com todo mundo da família na barraca. Mas, é uma experiência incrível. É uma experiência incrível. Então, vamos lá. Falar um pouco dessa experiência. Primeira coisa, experiência de proximidade dos relacionamentos. Você está dormindo no pé de alguém e alguém no seu pé. Todo mundo amontoado. Precariedade. É a primeira questão. Porque você não tem aquela cama confortável, você não tem um chuveiro, não vai tomar um banho quente, não vai sentar em uma mesa.
Precariedade. E, é interessante essa experiência da precariedade, porque, se a gente pegar, por exemplo, uma palestra do Amir Klint, quando ele fala que pegou um um saveiro lá, um barro, é um veleiro, e fez a travessia até o polo, ele vai dizer o seguinte, que a maior experiência não é enfrentar tempestade, é você tomar consciência do que você realmente precisa. E, aí, a plateia ficava assim, né, porque ele disse assim, olha, eu vou ficar seis meses no mar, se eu levar cem gramas a mais de comida, o veleiro afunda.
Afunda. Então, ele tinha que calcular exatamente a água que ele vai beber, exatamente a comida, exatamente a roupa, tudo. Não pode ter nada. Não pode nem faltar, porque senão ele morre, e não pode nem sobrar, senão ele naufraga. É um pouco da experiência da tenda. Tem muito a ver com isso. Quer dizer, a festa das tendas é uma festa marcante, porque ela, como é que a gente poderia chamar assim? Acho que a palavra, a festa do despojamento. Você se despoja, porque a gente caminha e vive. E é engraçado isso, né? A vida da gente, você se acostuma com o conforto e com o supérfluo.
Essa é a verdade, não é? Você vai se acostumando com aquilo. E que não é essencial, porque essencialmente a gente precisa de muito pouco, né? A gente precisa de muito pouco mesmo, para viver e para ser feliz. E A festa das tendas, ela tinha esse poder de voltar as pessoas para o centro delas mesmas e verificar, realmente verificar, o que sou eu e o que é exterior a mim, que é uma dificuldade que nós temos hoje. A gente tem dificuldade de dizer a casa é exterior, eu, as minhas roupas não são a minha pessoa, e mais ainda, meu estômago não sou eu, meu pé não sou eu, meu corpo não sou eu.
E se a gente vai voltando mais para dentro ainda, a gente começa a perguntar, então quem que eu sou mesmo? O que que eu sou? O que que eu sou e o que que eu carrego? Inclusive papéis, né? Isso é uma experiência muito profunda. O que eu, o que a gente consegue assim visualizar da festa dos tabernáculos, é que ela é uma festa, que ela nos lembra e Você está peregrinando, você está numa viagem, que ela começou e ela vai terminar. E uma vez por ano as pessoas experimentavam essa desencarnação dentro da encarnação. Porque a grande questão da desencarnação não é propriamente o medo que a gente tem de morrer, o que que vai ser, porque isso aí passa rápido, né?
Quando você assusta, você já está morto, já está do outro lado, já está vendo e as coisas acontecem. A não ser quando a pessoa é muito resistente, muito revoltada, mas se for um coração bom, um coração dócil, logo, logo ele percebe que está vivo mesmo, que não morreu nada, mas o problema são as circunstâncias que a gente carrega. Então, por exemplo, você percebe que você não é casado, você está casado. O que que vai sobrar, é verdade. O que que é o centro, né? O que que é a minha centralidade? Eu não sou casado, eu estou casado.
Da mesma maneira que eu conheci alguém e me casei com essa pessoa, vai descasar. Eu não sou o pai, eu estou o pai. Eu não sou o filho, eu estou o filho. Eu não sou o dono, eu estou administrando os bens. E a experiência mais central que a gente tem, que o encarnado tem, que é do corpo, porque a gente não consegue fazer uma experiência de quem sou eu além do meu corpo, porque eu falo Haroldo, aí eu penso no meu cabelo, no meu nariz, na orelha grande, etc. Então, você se identifica com o seu corpo. E é difícil você ter uma experiência de eu sou fora do corpo, fora da minha fisionomia, do meu corpo, do meu peso, da minha cor.
A ideia do tabernáculo é essa. Então, a primeira ideia é do despojamento, do desapego. Mas, isso é só o começo. Vai piorar. Depois da experiência do despojamento, começa a grande experiência de Deus. É por isso que a festa dos tabernáculos, ela fecha o ciclo das três grandes festas. Ela é uma festa da colheita e a festa da colheita, no mundo antigo, na época de Jesus, é uma experiência muito forte, porque quem é agricultor sabe disso. Plantar é um ato de fé, viver da agricultura é um exercício da fé, porque você não sabe, pode ter uma geada, pode ter uma praga, você não sabe se vai colher.
Nós vivemos pouco tempo aqui em Belo Horizonte uma situação constrangedora com a seca, não foi? Não chovia de jeito nenhum e começou a dar um desespero em todas as pessoas, principalmente quem no entorno vive de plantar alface, porque depende da chuva e a chuva independe da sua vontade. Então, é curioso também que a festa de tabernáculos seja exatamente na colheita. Então, ela tem esse duplo caráter, você se despoja e você se vincula a uma ideia, se vincula a uma experiência de que o provedor é Deus. Deus provê. E é sobre isso que a gente queria explorar mais ao longo do comentário da festa dos tabernáculos.
A gente trouxe alguns textos aqui para trabalhar esse aspecto. O objetivo da festa está dito no texto, é para que saibas que depois que eu te tirei do Egito, você morou em tenda. Sobreviveu, viveu, passou pela experiência e foi provido, foi cuidado, foi amado. A gente gostaria de falar um pouco sobre isso hoje. Até aqui. Alguém quer falar alguma coisinha? Está aí, estou até escutando seus pensamentos. Agora, a festa do tabernáculo ganha um brilho para nós. Agora, vamos para o Evangelho. A festa do tabernáculo ganha uma luminosidade depois que João escreveu o seu primeiro capítulo.
No ano 98, todos os apóstolos tinham desencarnado, estava ele lá velhinho e o João escreve assim e o verbo que é Jesus, é o verbo de Deus, tabernaculou entre nós. Ele começa dizendo, o verbo se fez carne e o verbo tabernaculou. As traduções costumam dizer assim, e o verbo habitou entre nós, mas não é habitar. Morou, viveu, mas não é isso. O verbo grego é esquenesser, que é armou tenda. Armou a tenda. Tem muita coisa nisso, mas, basicamente, Jesus compartilhou a experiência de viver numa tenda. Compartilhou toda a precariedade, toda a fragilidade, toda a exposição de se morar numa tenda.
Fica bonito, né? Ele aceitou a experiência da precariedade humana, abrindo mão da pujança, da abundância, que é a vida de um Espírito que já é puro nos impérios do mundo espiritual. É bonito, por exemplo, quando Humberto de Campos vai descrever, no livro Brasil Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, quando ele vai descrever a chegada de Jesus até onde está velhinho, ele diz assim, abriu-se um caminho luminoso de estrelas, de flores, e do coração das esferas superiores. Ele diz assim, das esferas superiores, não, do coração.
Já dando a entender que os círculos superiores da vida espiritual são círculos que estão profundamente envolvidos pelo sentimento de amor do Criador. É onde o amor vibra de uma maneira incompreensível para nós. Já começa aí. Porque a gente consegue experimentar o amor de mãe, o amor de pai, o amor de filho, o amor de filha, o amor de mulher, o amor de marido, o amor de namorado, de namorada, o amor de amigo, o amor de companheiro de trabalho, mas a experiência do amor de Deus que é infinitamente mais intenso e infinitamente mais extenso do que todos esses amores juntos é algo para nós ainda indescritível, amedrontador.
É uma experiência difícil de de ser aceita. A maioria de nós encarnados tem medo do amor de Deus. Não vou trabalhar muito esse tempo, senão a gente sai um pouquinho fora. Por causa do medo do amor de Deus, a gente necessita de uma lei de causa e efeito bem dura. Nós acabamos atraindo situações de resgate muito dolorosas por não se entregar ao amor de Deus, a gente não acredita que merece ser amado. Eu Ouvi um caso muito, assim, interessante esse final de semana. Uma pessoa muito ligada ao Chico me contou que chegou um médico para o Chico e disse assim, Chico, eu estou, olha, uma situação constrangedora.
Tem um mandarim no meu braço e ele ele fica, assim, ele muda de lugar. Uma hora ele fica na porta da casa de alguém, ele fica ali um mês. Aí a pessoa dá comida, dá água, depois ele sai. E agora, Chico, ele está na varanda do meu consultório. Já tem um mês, Chico, eu não sei o que eu faço, porque eu me sinto não dá para eu tirar ele, Chico, mas está dando um trabalho que eu tenho que levar almoço, tenho que levar janta, levo água, levo tudo. Chico, o que é que eu faço? Aí o Chico falou assim, meu filho, não se preocupe, em pouco tempo ele sairá de lá, infelizmente, porque o sentimento de culpa dele é tão grande que ele não se permite ter um lar.
Estou falando aqui a lei de causa e efeito não está dando um lar para ele, não é isso que estou falando. Na verdade, o que que a gente percebe? Ele está sendo sempre envolvido para ser acolhido. Todas as circunstâncias da vida dele são circunstâncias de acolhimento do amor de Deus, mas ele não se permite ser amado por Deus. Então, o que que ele faz? Boicota, porque ele quer ser um juiz da sua causa. Bom, então saem um pouquinho, né? Basicamente é o seguinte, lei de ação e reação não é lei de Italião. A ação está nas nossas mãos, a reação está na pauta da misericórdia de Deus.
Mas, se eu permito que o meu afastamento de Deus, se eu permito que a minha culpa me torne incapaz de experimentar o amor de Deus, eu vou atrair uma experiência de Italião. Então, vamos lá, para a gente ter uma ideia disso, né? O pai de André Luiz teve duas amantes ao mesmo tempo e a esposa desencarnou. O que que aconteceu? Continuou com as amantes, não é claro? Foi pro céu, céu da boca. Tá lá no umbral com as duas amantes e a mãe numa esfera, numa colônia que é superior ao nosso lar. Então, vamos lá, julgamento, sentença.
Ação e reação. Ele vai vir casado e a esposa vai ter dois amantes para atrair. É, gente. Lei de ação e reação, não é isso que os espíritas falam? Você tem que sofrer tudo o que você fez, olha. Você vai casar apaixonado agora, uma pessoa que está apaixonada por ela, de repente, cinco anos depois do casamento, ela vai chegar e fala, 20% de pensão, eu vou ficar com a casa, com os meninos e com os dois amantes. Lei de ação e reação. É, então vamos ver. Essa é a crença no movimento espírita. Essa é a crença arraigada de nós, espíritas.
Mas, o curioso é que o André Luiz tem uma conversa com a mãe dele e ele fica assim acanhado, né, mãe e o papai, né. Ela fala, eu estou acompanhando o seu pai, eu estou acompanhando o seu pai. É, mãe? Pois é, a senhora viu com quem ele está? Com as nossas duas irmãs. Ela fala assim, eu já estou preparando, nós dois renasceremos e eu receberei as nossas duas irmãs como filhas. Mas, aí você fala, não é possível. Cadê a justiça? Essa lei está frouxa. Não tem. Viriam casados as duas criaturas com as quais ele viveu uma experiência de amor distorcida virão agora como filhas para que ele viva uma verdadeira experiência de amor com essas duas.
Então, eu tenho autonomia para criar essa circunstância? Não. Não tem. Quem cria essa circunstância é Deus. Eu gero causas, mas quem administra a execução da lei é Deus. É ele que delibera. É ele que determina, a menos diz Emmanuel no Consolador. O resgate doloroso é somente para os espíritos endurecidos. Na rebeldia. Vamos voltar, né? Por que nós estamos falando isso? A festa dos tabernáculos é a festa da entrega a Deus. Deus está no comando. Apesar de toda a precariedade. E a vinda de Jesus ao orbe é essa grandiosa lição.
Por quê? Porque toda a vida de Jesus está cercada de aparente precariedade. Não tinha lugar, nasceu numa manjadoura, foi crucificado, quer dizer, tudo na vida de Jesus aparenta precariedade. Mas, é absoluto acolhimento e condução divina. O Vinícius queria falar, né? Aquele momento da transfiguração, os discípulos perguntam para Jesus, você quer que monte uma tenda para ele? Isso, isso. Tem a ver com essa tenda? Tem a ver. Tem a ver. Tem a ver. Tem a ver. Porque era a festa de tabernáculos. A transfiguração ocorre na festa de tabernáculos.
Então, quando os apóstolos viram aquela grande… Poxa, Jesus, Moisés e Elias, a turma toda, as três, as três revelações. E, aí, que eles falam, vamos fazer, vamos celebrar a festa aqui mesmo? Vamos lá. É o que Pedro sugere. Vamos fazer a festa aqui? Vamos arrumar a tenda e ficar aqui? Claro, quem não quer, né? Jesus falou, não. Nós vamos lá para a confusão em Jerusalém. Interessante, porque senão não é a experiência. Quer dizer, a experiência da tenda não é uma experiência mística de se isolar do mundo. É uma experiência de estar mergulhado na vicissitude do mundo.
Já foi bom você ter perguntado isso, porque era o texto que eu ia ler agora. Olha só. Então, se João fala que Jesus tabernaculou entre nós, a grande festa da tenda é a encarnação. Quer dizer, a nossa grande experiência da tenda é encarnar. Olha, olha que interessante aqui. Questão 132 do Livro dos Espíritos. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos? Essa pergunta era… Kardec não está falando de reencarnação. Não é essa a pergunta. A pergunta é para que eu, sendo um Espírito, preciso viver uma experiência curta, longa, média, longuíssima em um corpo de carne?
Por que? Para que? Para que? Não há instrumentos pedagógicos para que esse processo educativo seja vivido no mundo espiritual exclusivamente a gente? Aí, os Espíritos respondem. Deus lhes impõe a encarnação. Ele não está falando de convida a encarnar, não. Oferecer. Impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Qual a finalidade de encarnar? Entrar numa tenda, num tabernáculo. Por isso que esse Paulo diz que o corpo é nosso tabernáculo. Tabernáculo. A gente fica imaginando uma igreja. Não, é a tenda, é a nossa tenda.
Nós estamos acampados aqui. A tenda está armada e, uma hora, ela vai ser desarmada. E, com ela, toda a precariedade, que é estar encarnado. Precariedade e imprevisibilidade. A experiência da encarnação é uma experiência do imprevisível. Eu não sei. Eu não sei o que me espera amanhã. Eu não sei o que me espera hoje à noite. Com o fim de chegar à perfeição. Então, a finalidade é o aperfeiçoamento. Para uns, é a expiação. Ele falou para todos. Para alguns, para outros, missão. Só que, aqui, a gente distorce. Acho que é missionário, mas não é isso.
Mas, para alcançarem essa perfeição, tem que sofrer todas as vicissitudes da experiência corporal. Tenda. Apertado. Precário. Vicissitudes da experiência corporal. É a experiência da vicissitude humana. É, por exemplo, o que o Antenio fala para Alcione. Você vai? Você vai lá? Você tem certeza? Você vai? Voa? Você está ciente de que, assim que você mergulhar nos fluidos da carne, você vai experimentar sentimentos, desejos, que são próprios da faixa dos encarnados? Vicissitude. Você vai experimentar solidão, medo, insegurança, falta de fé e outros desejos.
Você tem o desejo de ter filho, o desejo de carinho, de ser compreendido, de ser correspondido. Você tem certeza? Tem certeza. Já examinei todas as variáveis. Vicissitudes. Nisso, nisso, é que está a expiação. Os Espíritos estão falando assim, a expiação é perder um braço. Não! Não é isso. A expiação é experimentar a vicissitude de estar no corpo. O que passa disso é fruto do nosso endurecimento. Então, eu lembro lá do livro Memórias do Suicídio, quem estiver aí com a leitura fresca, que já tem tempo que eu não ligo, aquele companheiro que vai reencarnar, e aí ele tinha suicidado, e eles projetam o corpo dele perfeito, o corpo está perfeito, mas aí ele não dá conta de vir com o corpo perfeito, e aí ele provoca, pela culpa, um mirramento do braço.
Ele vem com um defeito no braço. O braço, durante o processo de acoplamento do perispírito ao corpo, ele não dá conta de ser amado por Deus e de vir com o corpo perfeito, mesmo depois de ser suicidado, de ter suicidado. Bom, então… Fui imputado aí naquela conversa. Fui, Júlio, porque a vicissitude da vida física, as circunstâncias que ele vai passar, que Deus está destinando para ele, vão educá-lo quanto à questão do suicídio, mas não tem necessidade dele ser punido. A gente fala isso, mas não pensa, né? O amor cobra a multidão dos pecados?
A gente não acredita nisso. A gente acredita que a lei de Italião cobra a multidão dos pecados. Eu tenho que passar pela mesma experiência que eu causei para poder resgatar. Incrível! Gira em torno da culpa. Incrível, né? O próprio evangelizando dá sinais do que ele precisa para sentir essa mensagem, né? Partindo desse princípio, dos recursos didáticos, que serão melhores para ele, partindo desse princípio e imaginando o processo da reencarnação como um grande processo, quando a gente abre os olhos nós, o planejamento encarnatório, nós sinalizamos aquilo, a nossa necessidade nesse sentido.
A nossa necessidade. E, aí, a gente chega aqui reclamando da família, do local de trabalho, da estrutura toda que está à nossa volta, sem aproveitar esse grande processo. É interessante, né, Cláudia? Porque, com essa atitude, porque foi bom você ter tocado nisso, né? Eu acho que é uma coisa, porque a grande aula de evangelização é a encarnação, né? Agora, eu fico imaginando, por exemplo, quando vem você, a Tânia, as meninas, a Kixeila, todas as evangelizadoras, você também é da evangelização? Dá também? Você também já?
Já, né? Quando vocês vêm preparar uma aula de evangelização, vocês vêm com ódio? Não, né? Vocês vêm assim, agora eu vou fazer essa criança sofrer, porque ela vai aprender. Agora, vai ver. É assim? Não é assim, né? Bom, se a encarnação é uma aula de evangelização, ela foi preparada com muito amor, né? Ela foi preparada com muito amor. E, Todas as circunstâncias, todos os cenários, como recursos didáticos, que podem se alterar, aí, agora que é o desafio. Agora que vem o desafio aqui, porque a Tânia está lá, ela preparou uma aula.
Aí, ela estabeleceu um recurso didático para aquela aula. Só que quando ela chega aqui, e ela aplica o recurso didático, ela vê que as crianças têm uma resposta e uma demanda, e ela fala, o quê? Deixa eu mudar logo aqui de recurso. Então, eles já pegaram. Aquilo que ela estava prevendo que era uma técnica, que ela ficaria ali 30 minutos naquela técnica, as crianças assimilaram de uma maneira tão surpreendente para ela, que ela falou, o quê? Deixa eu trazer mais aqui, deixa eu trazer isso aqui. Ou o contrário, né? Imaginou uma técnica que ia durar 10 minutos, mas foi uma coisa e teve que ficar 40 minutos.
Isso acontece? É só imaginação minha? Acontece? Não, só checando, porque a experiência de vocês é muito importante, né? Então, na encarnação também. Foi preparado que você ficaria num setor de trabalho, mas você leva com tanta leveza você de fato se sente amado e permite-se ser amado por Deus com tamanha intensidade que você passa pela experiência, porque você vai passar pela experiência. Pode ser lento, pode ser rápido, você passa pela experiência. Porque é uma tenda, é uma tenda. Ah, não, eu não acredito nisso. Alguém deve estar pensando.
Eu não acredito nisso. Eu aprendi na doutrina espírita que você tem que perder o braço, tem que perder a perna. É isso que eu aprendi. Rancou o olho, vem sem olho. Rancou a mão, vem sem mão. Matou, vai ser morto. Espera aí. E o cirurgião? Matou, vem cirurgião. Não, não vale. Tem que sofrer. Então, vamos lá. Pensamento e vida. Isso é a experiência do tabernáculo. A experiência do tabernáculo é quem está no comando, você ou Deus? Essa é a questão. Você ou Deus? É Deus. Mas, eu vou deixar que ele me ame? É difícil. Por quê?
Por quê? Permitir-se ser amado e ser conduzido significa conectar-se e reaproximar-se de Deus. Ah, mas isso é muito bom. É, mas isso significa perder controle. E tirar controle do encarnado é levar ele para o hospital psiquiátrico. Porque a gente não suporta perder controle. Agora, olha que bonito. Quando Emmanuel fala sobre o dever, ele diz assim, o dever define a submissão que nos cabe a certos princípios estabelecidos como leis pela sabedoria divina para o desenvolvimento de nossas faculdades. Princípio não falou regra.
É diferente. Juridicamente tem diferença. Por exemplo, vou dar um exemplo. O princípio da privacidade é um princípio. A regra de que eu não possa abrir uma correspondência de outra pessoa é uma regra. Nem sempre, ao abrir uma correspondência de alguém, você está ferindo o princípio da privacidade. Não é? Eu posso chegar e falar, Cláudio, você abre pra mim? Chegou uma carta aí no meu e-mail, você podia abrir pra mim? Não pode? Não é? Ou uma carta está sendo utilizada para cometer um crime. Então, a autoridade vai lá, com a ordem, abre a carta.
Está sendo ferido o princípio? Não. Então, o princípio não é regra. O dever é a submissão aos princípios, não a regras. Para viver em segurança, ninguém desprezará a disciplina. Interessante. Obedecem às partículas elementares no mundo atômico, obedece à constelação na glória da imensidade. Então, obediência é eu Não estou no controle. Então, vamos repetir todo mundo, 300 vezes. Eu não estou no controle. Agora, isso é difícil, não é? Por quê? Eu não estou no controle? Então, é a brincadeirinha que o Júlio fez, nós não estávamos em São Paulo, ele virou e falou assim, olha, essa aqui é a que manda aqui.
Eu não mando não, sou eu que mando não. Se você não manda, por que você não está obedecendo? Eu sou eu que mando, por que você não está obedecendo? Então, se é Deus que manda, por que nós não estamos obedecendo? Aí, o Emmanuel diz assim, dessa forma pode-se simbolizar o dever como sendo a faixa de ação. Faixa de ação. No bem que o Supremo Senhor nos traça a responsabilidade para a sustentação da ordem e da evolução em sua obra divina no encalço de nosso próprio aperfeiçoamento. Ou seja, Deus não dá tarefas, Ele te dá uma faixa de ação.
Se é uma faixa de ação, é uma gleba. Você vai arar, você vai plantar, você vai cuidar, você vai colher, mas há uma margem de liberdade. É isso que a gente não entende. Como que o Espírito puro, ele se torna cada vez mais obediente, quanto mais obediente ele é, mais liberdade ele tem. Por que? Porque quanto mais obediente, maior a faixa de ação dele. Então, a minha faixa é o que? Deus me colocou lá, no foro, lá na minha casa, no ser, aqui na atividade, não é? A minha faixa é pequenininha, estreita de ação. E a faixa do Cristo?
O planeta inteiro é uma faixa de ação. Mas, essa faixa de ação, ela é, na sua grandeza, proporcional ao meu grau de obediência. Quanto mais obediente, maior a minha faixa de ação. É lindo isso, não é? Porque… Por que você, não é? Porque… Porque Deus está no meu ombro e eu sou descontrolado. Não, não, é bonito, porque ele fala assim, olha o Emmanuel de bonito, não é? O dever é uma faixa de ação no bem que o Supremo Senhor nos traça a responsabilidade. Então, é bonito, não é? Porque controle não é responsabilidade. Quando a gente vai saber entre quando sou eu que estou querendo ter um controle e quando é Deus que controla?
Marisa, se eu soubesse… Olha, você não sabe como é que eu estou buscando essa resposta e eu vou te dizer uma coisa, viu? Eu vou te dizer uma coisa. Essa é uma experiência que você faz a cada segundo. Cada vez mais eu tenho pensado nos momentos em que Jesus se recolhia. Para preparar esse estudo aqui, eu comecei a pesquisar no Evangelho e já estou chegando a algumas conclusões. Por exemplo, antes de todos os marcos importantes da encarnação de Jesus, ele se afastou e se recolheu. Porque a gente acha que é mágico, sabe?
Que você sabe o tempo todo. Isso não existe. A cada momento você tem que fazer um recolhimento e ver o que é. Sabe por que? Porque muda. Eu vou chegar, espera só um pouquinho. Me espera um tiquinho, só um tiquinho, que tem uma coisa linda aqui. Tem uma coisa linda aqui. Por isso que é conexão. Não adianta você achar que você vai acessar a internet em dez minutos, você vai fazer o download de tudo. Não vai. Você tem que se manter conectado durante toda a sua encarnação para fazer os sucessivos downloads que a vida vai te exigir.
A oração é mais do que rezar. É uma oração. A oração é comunhão com Deus. Vamos? Segundo de quem? Só um pouquinho. Depois ele fala assim, desse modo, pela execução do dever, região moral de serviço em que somos constantemente alertados pela consciência. Região moral de serviço. A consciência vai nos guiando. Por que a consciência? Porque a lei está escrita lá nela. Onde está escrita a lei de Deus? Na consciência. Vamos? Espera só um pouquinho. Vamos lá. Tem uma coisa bonita aqui. Visa ainda outro fim à encarnação, o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação.
Nossa! Como assim? Pois é. Só Deus sabe. E a encarnação é um treino, é uma preparação para que a gente tenha condições de assumir a parte que nos toca na criação infinita. Para executá-la é que em cada mundo toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial deste mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. Daquele ponto de vista. Por que daquele ponto de vista? Porque você só vai cumprir a ordem de Deus mesmo quando você for puro e tomar a tosse da parte que lhe compete na criação infinita.
Então, daquele ponto de vista, você vai cumprindo. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta, porque aqui nós estamos em teia. Então, esse é um grave problema, porque nós estamos em teia. Está tudo interconectado. Por isso que não pode quebrar a teia ou por processos artificiais querer alterar as circunstâncias e as conexões. Programas políticos, programas sociais que tentam interferir nessa teia não funcionam, porque vão contra os processos naturais da natureza. Bom, agora aqui tem uma parte bonita.
E, Como é que é isso? Como é que é a tenda? Como é que é esse processo da comunhão? Como é que é isso? Esse processo ele é duplo e O Evangelho é a boa nova. O Evangelho é a notícia de que o Reino de Deus está próximo. Eu tenho dois processos. Eu posso me conectar com Deus e começar a desenvolver um grau de obediência e Aceitar ser amado, aceitar o amor de Deus e a condução de Deus ou Agir como senhor ditador que exclui Deus e que quer comandar sozinho, quer controlar todas as circunstâncias, tudo extrapolando no exercício da sua responsabilidade, porque você não administra sem gerenciar.
Então, preciso gerenciar meu tempo, preciso gerenciar meu espaço, preciso gerenciar minha vida, minhas atividades. Claro, isso é responsabilidade. Gerenciar não é controlar. O imprevisível está sempre acontecendo e eu estou sempre sendo contrariado, graças a Deus. Então, vamos lá. Finalmente, destaquemos o verbo atrair. Isto aqui está no Caminho em Verdade e Vida, capítulo 129. Finalmente, destacamos o verbo atrair. Verificaremos a extensão de nossa inferioridade pela natureza das coisas e situações que nos atraem.
A observação de Tiago é roteiro certo para analisarmos a origem das tentações. Recorda-te de que cada dia tem situações magnéticas específicas, situações magnéticas específicas. Considera a essência de tudo o que te atraiu no curso das horas e eliminarás os males próprios atendendo ao bem que Jesus deseja. Calma, vamos com calma. Essas situações magnéticas, que são circunstâncias, acontecimentos, os menores são os recursos didáticos da evangelização. E, nós só nos vinculamos a essas circunstâncias em função de sintonia, em função de sintonia.
Guarda aí, vamos chegar lá. Depois, Emmanuel vai dizer assim, isso está no livro Ceifa de Luz, capítulo 17. Em qualquer plano ou condição de existência, estamos subordinados à lei de renovação. Lei de renovação significa que você é tirado de lugares e situações e colocado em outros. Isso é tenda. Você acampou hoje aqui, amanhã você vai acampar em outro dia, em outro lugar. Lei de renovação. À vista disso, sempre que nos vejamos inclinados a envaidecermos por alguma coisa, recordemos, olha que lindo isso aqui, eu vou ler devagarzinho, recordemos que nos achamos inelutavelmente, inelutável é, não adianta lutar, não adianta brigar, não adianta fechar a cara, não adianta ficar rebelde, não tem opção.
Nós nos encontramos, nos achamos, inelutavelmente ligados à vida de Deus, que a benefício de nossa própria vida, ainda hoje, tudo pode rearticular, refundir, refazer ou modificar. Aí dá medo. Essa, essa é a experiência da peregrinação, essa é a experiência da festa de Tabernáculo. Por quê? Porque quando a gente lê isso aqui, dá medo, porque nós somos pessimistas e não conseguimos ser amados, porque a gente não imagina que é sempre em nosso benefício, é sempre em nosso benefício. Bom, mas agora, eu vou ler uma para a gente, eu vou ler uma aqui que é incrível, incrível, isso está na, no livro Coragem, no livro Coragem, olha aqui, capítulo 24.
Coragem não é à toa, Coragem não é à toa. E aí nós vamos começar, lembra lá daquelas situações magnéticas que cada dia traz, etc., chama Oração e Atenção. É o título da mensagem. Oração e Atenção, que era o que você falou. Porque, tudo bem, teoricamente a gente sabe, a minha vida está ligada à vida de Deus, porque eu estou mergulhado na vida de Deus, eu estou mergulhado no fluido cósmico, em Deus nos movemos e nos existimos. Não é? O que a gente não admite é que Ele pode mudar tudo agora. Agora. Agora. Eu até andei experimentando essas coisas assim, fiquei meio atordoado assim.
É, Chega num lugar, sua sogra teve um infarto, sua filha está internada, peraí, eu estou aqui, estou no Rio, peraí, como é que vai voltar, tem passagem, não é? E lendo esses textos aqui, não é? Aí eu estou, aí você fica, ninguém avisa nada, não é? Poxa, ninguém me avisa, eu já viajava, eu já comprava a passagem da volta, não é? Podia vir um aviso assim, agora é o seguinte, sua filha vai internar, vai ter um cálculo renal, vai ter que tirar, sua sogra vai ter um infarto, vai ter que marcar a passagem, então você marca já a passagem de volta, na tal hora, não é?
Não, não é? Juntudo, não é? O Raul, não é? Não é isso? Entra num avião para fazer uma palestra, para que você desce do avião, Você não anda, não fala, não mexe. Bom, então, essa, essa vicissitude, por quê? Por que que o Espírito puro não precisa dessa vicissitude? Porque ele já se permitiu o amor infinito de Deus. Entra agora. E a redenção espiritual, por exemplo, a gente pensa em Paulo, não é? O soldado vem e fala, ó, vou cortar sua cabeça, então cumpre o seu dever. Assim, aí o soldado começa a tremer, cumpre o dever, tá esperando o quê?
A criatura já estava num nível de conexão e o que eu fico mais impressionado, aí corta a cabeça dele, ele sente uma dor, vocês acham que ele apavora? Não, apavora. Sente que é levado ali para um, debaixo de uma árvore, aí já começa a sentir o pescoço, vê que está cego. Olha, assim, às vezes, o Espírita lê o romance, ele lê com a cabecinha dele, mas ele não faz a experiência. Você já imaginou o que é desencarnar, assassinar alguém cortando a sua cabeça? Já não, é uma experiência para criança espiritual. Isso já é uma experiência.
Aí, você chega num plano espiritual cego, cego, o que é que ele faz? Senta, espera, aí chega a Anis. Ou seja, o Paulo, ele já havia alcançado um nível de integração e de entrega que não está mais na nossa faixa. Está sim. Pai, Senhor, o que queres que eu faça? Qual que é o próximo comando, né? Bom, plena, plena, da obediência, porque era curioso, né, ele poderia entrar num processo de culpa, porque o processo de culpa é um processo de auto-punição, é um processo em que eu me torno juiz da minha causa e eu acho que agora eu vou proferir a sentença e vou me condenar, mas não sou eu, não sou eu.
Então, ao se entregar ao processo de obediência, ele entrega. Uma das experiências, para mim, marcantes, foi quando o Senhor Honório entrou na Numa das últimas cirurgias, das últimas internações dele, né, e a gente conversou por telefone, eu perguntei assim, como o Senhor está? Ele falou assim, é, Eu não tenho o processo em mãos, vamos aguardar a misericórdia divina. Não sou eu o juiz, o processo não está na minha mão, vamos aguardar. Foi uma experiência bastante impactante, mas eu queria finalizar lendo este texto.
Oração e Atenção, Coragem, Capítulo 24 Oraste, pediste, você orou, você pediu, desfazete, porém, de quaisquer inquietações e acerena-te, para recolher as respostas da divina providência. Desnecessário aguardar demonstrações espetaculosas para que te certifique quantas indicações do alto, ou seja, não vai vir carnaval. Então, atenção, por isso que a mensagem chama Oração e Atenção. Depois que você ora, fica atento, fica atento. Qual ocorre ao sol que não precisa descer ao campo para atender ao talo de erva que lhe roga calor?
De vez que lhe basta para isso a mobilização dos próprios raios, o sol se irradia. Deus conta com milhões de mensageiros que lhe executam os excelsos desígnios. Ora e pede, pede, pede. Em seguida, presta atenção, algo virá por alguém ou por intermédio de alguma coisa, doando-te na essência as informações ou os avisos que solicites. Em muitas circunstâncias, a advertência ou o conselho, a frase orientadora ou a palavra de bênção te alcançarão a alma no verbo de um amigo, na página de um livro, numa nota singela da imprensa e até mesmo um simples cartaz que te cruze o caminho.
Já ligou isso aí, né? Mas, mais que isso, mais que isso, as respostas do Senhor às tuas necessidades e petições muitas vezes te buscam através dos próprios sentimentos a te subirem do coração ao cérebro ou Dos próprios raciocínios a te descerem do cérebro ao coração. Ou vem assim e vem pra cá ou vem aqui e desce. Deus responde sempre, sempre, seja pelas vozes da estrada, pela pregação ou pelo esclarecimento da tua casa de fé, no diálogo com a pessoa que se tira figura providencial para a troca de confidências, nas palavras escritas, nas mensagens inarticuladas da natureza, nas emoções que te desabrocham da alma.
Ou Nas ideias imprevistas que te fugem no pensamento. Ele está repetindo o que ele falou no parágrafo anterior. A te convidarem o Espírito para a observância do bem eterno. O próprio Jesus, mensageiro divino por excelência, guiou-nos à procura do amor supremo. Quando nos ensinou a suplicar Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. E, Dando ênfase ao problema da atenção, recomendou-nos reescolher um lugar íntimo para o serviço da prece, enquanto ele mesmo demandava a solidão para comungar com a infinita sabedoria.
Recordemos o Divino Mestre e estejamos convencidos de que Deus nos atende constantemente, imprescindível, entretanto, fazer silêncio no mundo de nós mesmos, esquecendo as exigências e desejos. Depois que você pediu, você tem que esquecer. Na hora que você pede, tem que ter o desejo, mas, depois que você pediu, tem que esquecer. Exigências e desejos, não só para ouvirmos as respostas de Deus, mas, também, a fim de aceitá-las, reconhecendo que as respostas do Alto são sempre, sempre em nosso favor, conquanto, às vezes, de momento, apareçam contra nós.
Então, dever de casa para mim, para todos nós e para quem está acompanhando o Levítico. Faz a experiência. Eu estou fazendo. Faz a experiência. Testa. Liga. Faz a prece. Pede. Pede e fica atento para você ver o que que acontece. Só que tem um detalhe. Quando Kardec diz que a Justiça Divina se manifesta tanto nas mínimas coisas, quanto nas máximas, isso exige atenção. Atenção. Porque, você pede algo e, aí, da meia hora, alguém entra na sua sala trazendo uma notícia que é a resposta de Deus para o que você pediu. E, ela pode ser daqui a pouco, daqui um ano, daqui dois anos.
Não. Isso não dá. Isso não pode. Isso não vai ser. Mas, a resposta é sempre a nosso favor, ainda que, no momento, seja contra nós. A dificuldade dessa experiência é quando a resposta é não. Porque, quando a resposta é não, qual que é o desafio? Entender em que parte o meu pedido foi limitado. Ou era contra mim. Onde está a limitação do meu desejo? Não é? Por que eu estou desejando algo que é contra mim e eu estou achando que isso é bom? Porque, se Deus diz, filho, isso é uma tragédia na tua vida e eu estou achando que é bom, tem algo errado na minha percepção.
Agora, se tem algo errado na minha percepção, eu estou desarmonizado com a vida. Porque eu não estou entendendo quem eu sou, quais são as minhas limitações e, principal, quais são as minhas reais necessidades. Várias coisas falo. Marina, o que acontece é o seguinte, quanto mais a gente se aperfeiçoa na atenção Deus começa a responder não com uma voz, mas com um coro de mil vozes, uma cantando em sétima, outra em oitava, outra em segunda menor, outra em quinta. Você começa a ter uma orquestra de vozes, tudo se confirmando através dessas vozes.
Mas, o tempo passou, né, Tiago? Por isso, seja feita a Vossa vontade. Seja feita a Vossa vontade. Pai, se possível, afasta de mim esse cálice. Desejo, pedido, expressão do desejo, mas que não seja feita a minha vontade, mas a tua. Isso significa, pai, eu desejo, porque vida sem desejo não é vida. Vida sem propósito, sem querer, sem sonhar, sem projetar, sem desejar, não é vida espiritual. Não é vida em abundância. Mas, desejo deseducado é indisciplina, é fugir do dever e é atrair sofrimento. Por isso que o grande desafio da prece é a proposta de educação do desejo que está implícito na prece.
Porque Deus responde sim e não. Ao responder sim, Ele está endossando. Filho, teu desejo está, você conseguiu desejar o que é melhor para você. Quando Ele diz não, Ele está dizendo, filho, pensa melhor. Educa teu desejo, você não sabe o que você está pedindo. Porque qual pai que o filho lhe pedindo pão lhe dá uma serpente? Ou lhe dá uma pedra? É o contrário, né? Qual o filho que pedindo pão o pai lhe dá uma pedra? Ou pedindo peixe lhe dá uma serpente? Deus está sempre dando pão e peixe. O problema é quando a gente olha para a serpente e vê peixe.
Olha para a pedra e vê pão. Que é a ilusão. Ilusão. E nenhum encarnado gosta de desiludir. Só que desiludir é evolução. Porque desiludir é crescer espiritualmente. Eu não cresço se eu não desiludir. Fala que passa a ser servo desse novo Senhor, né? Passa a ser servo desse novo Senhor. É verdade. É verdade. O que se liberta, né, é da ilusão. Da ilusão. Da ilusão que é muito… Mais pesada do que as correntes. Mais pesada do que as correntes prendiam na escravidão, né? Que é uma escravidão ainda maior do que a escravidão, né?
Que é a ilusão. Que é a ilusão. As correntes da ilusão. Pode ler. É, só o trechinho, porque o tempo está… O trecho que eu acho que está a ver com Ante os falsos profetas, do livro Religião dos Espíritos, e aí é o terceiro parágrafo. Não despertarás a fome do peixe com uma isca de ouro, nem atrairás a atenção do cavalo com um prato de pérolas, mas, sim, ofertando-lhes a percepção de um leve bocado sangrento ou alguma concha de milho. Isso aí. Isso aí. Você entendeu onde? Sim, com certeza, porque é exatamente isso. Cada consciência está num patamar de evolução e necessita de um processo de nutrição que é diferente.
Agora, o bonito disso é que o cavalo está comendo milho, mas é o milho que vai fazer ele sair de cavalo para uma outra espécie superior, né? O peixe está sendo atraído pela minhoca, mas é a minhoca que vai fazer ele viver a experiência de peixe e passar para uma superior. Então, quando a gente enxerga isso, o milho não é ruim, a minhoca não é ruim, são tudo experiências evolutivas. Aí, o bonito, porque a gente consegue afirmar com Paulo, tudo me é lícito. Comer minhoca, milho, mas nem tudo me convém. Porque quando eu entro para dentro de mim e eu descubro quem eu sou, quem verdadeiramente eu sou, eu identifico que tipo de nutrição eu necessito.
E o grande orgulho, porque o orgulho não é só você fingir que é algo maior do que você é. É um grande orgulho também você fingir que é menor do que você é. Porque a humildade é ser você e identificar o teu alimento evolutivo, aquilo que vai te nutrir, aquilo que vai polarizar o crescimento espiritual. Quando a gente identifica isso, nesse meu atual piso, nesse meu atual estágio evolutivo, esse alimento deve polarizar a minha necessidade de crescimento. E é essa experiência que eu vou viver. Isso é lindo, porque aí eu paro de querer ser um primata e paro de querer ser um anjo e eu vivo o agora, quem eu sou e respeito o outro, quem ele é, a experiência dele, a limitação dele, o círculo dele, a nutrição dele e acabou.
Acabou, né? Fazer a prece? Quem quer fazer a prece? Natália? Não? Gisele? Deus nosso Pai, te agradecemos Senhor pela vida, pelos ensinamentos da noite, te pedindo que possamos retornar aos nossos lares com a mesma paz, a mesma harmonia que provém de Ti e que horas sentimos e o Senhor nos permita outras oportunidades de maiores reflexões sobre o Evangelho de Jesus e sobre o Teu amor. Graças te damos por esta noite bendita e que possamos permanecer contigo hoje, agora e sempre. Assim seja.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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