#018 – Estudo do Velho Testamento – Livro Salmos

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Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento à luz do Espiritismo, conduzida por Haroldo Dutra Dias, o foco recai sobre o Livro de Salmos, dando continuidade à análise dos textos sagrados. O estudo aprofunda-se no Salmo 5, estabelecendo conexões com o Salmo 1 e explorando conceitos cruciais para a compreensão da espiritualidade.

O que é estudado neste episódio

  • Salmo 5 e sua musicalidade: A discussão inicia-se com a contextualização do Salmo 5, notando a indicação de que este salmo seria acompanhado por flautas, em contraste com o Salmo 4, que sugeria instrumentos de corda. Explora-se a diferença melódica e harmônica que essa instrumentação implica, remetendo ao canto gregoriano e ao modalismo musical.
  • Conexão com o Salmo 1: O Salmo 5 é apresentado como uma oração de proteção contra os ímpios, complementando a distinção entre o caminho dos justos e o caminho dos ímpios abordada no Salmo 1.
  • Definição de “ímpio” e “impuro”: Um ponto central do estudo é a diferenciação clara entre os conceitos de “ímpio” e “impuro”. O “ímpio” é caracterizado pela impiedade, pela falta de compaixão e empatia, agindo conscientemente para causar dor. Exemplos como Herodes são citados. Já a “impureza” é associada a indisciplinas morais, rituais ou comportamentais, como a prostituição (impureza moral) ou a negligência (impureza comportamental), e não necessariamente implica maldade intencional. Maria de Magdala é mencionada como exemplo de impura, não de ímpia.
  • Ações dos ímpios: O estudo destaca que os ímpios não são necessariamente ignorantes, mas sim indivíduos conscientes de suas ações cruéis, muitas vezes disfarçadas de “justiça”. A referência ao personagem Gregório do livro “Libertação” de André Luiz é utilizada para ilustrar a complexidade da impiedade e os mecanismos de atuação dos espíritos cruéis.
  • A oração de Jesus e a superação do Salmo 5: É ressaltada a evolução do pensamento de Jesus em relação à Primeira Revelação. Enquanto o Salmo 5 pede a destruição dos inimigos, Jesus ensina o amor e o perdão, combatendo a manifestação da ignorância e da impiedade, e não a pessoa em si. A oração de Jesus “não te peço que os tires do mundo, apenas te peço que os livres do mal” é apresentada como a superação da visão do Salmo 5, propondo a destruição da impiedade, e não do ímpio.

Reflexões

  • A Doutrina Espírita nos ensina que a evolução é compulsória para todos os seres, e que os resgates mais dolorosos são reservados para aqueles que, por impiedade, se opõem conscientemente à lei divina, estagnando-se no mal.
  • É fundamental discernir entre “ímpio” e “impuro” para evitar julgamentos equivocados e compreender a amplitude da justiça divina, que permite a todos o caminho da redenção, seja pela dor ou pelo amor.
  • A prática do bem e do amor, como exemplificado por Jesus e por personagens como Clarencio em “Libertação”, é a única forma de desarmar a impiedade, sem usar as mesmas armas do mal, transformando a dor em oportunidade de aprendizado e crescimento espiritual.

Ler transcrição do episódio

Música Bom dia! Bom dia, amigos! Sejam todos bem-vindos ao nosso estudo de Salmos. Bom dia, Júlio. Bom dia, Haroldo. Leonor, bom dia. Bom dia, Júlio. Olha, aos pouquinhos nós estamos avançando nesses Salmos, né? Com perseverança, né, Haroldo? Com perseverança. Nós tivemos na última… Eu e Haroldo, né? Estamos gravando aqui esse programa Porque essa semana o Arudo viaja Estamos gravando hoje na quarta-feira Dia 24 E entrando no Salmo 5, né Arudo? Entrando no Salmo 5, Júlio É, rapaz. Lembrando a todo mundo que a gente não tem a pretensão de esgotar a interpretação do Salmo antes de passar para o outro.

A gente faz um voo panorâmico, aborda aqueles elementos principais, E aí já passamos para o próximo salmo, porque a ideia aqui é a gente realmente fazer um voo panorâmico em todos os salmos. E depois cada um aprofunda, estuda com mais calma, e também ora os salmos. Salmos não foram feitos apenas para serem estudados, eles foram feitos para serem cantados. Principalmente, são orações. Sim. Vamos conhecer o… Nós falamos na última semana… Vamos conhecer o Salto 5. Oi, desculpa, Júlio. Nós falamos na última semana disso, que as pessoas podem prosseguir seus estudos e, na medida que alguma sugestão, alguma dúvida, a gente vai ter momentos para a gente poder revisitar essas coisas, porque…

A gente tem aprendido com os salmos a ver o que nós estudamos no evangelho, a ver todo esse aprendizado através dos salmos, né? E à luz da doutrina espírita. Por isso que nós temos esse fio condutor, que é a doutrina, para a gente passar por eles, né? Nós estamos fazendo esse caminho. E em qualquer momento nós podemos citar um salmo, anterior, como também podemos resgatar algum que está mais à frente, que a gente acha que tem a ver, que a gente já conhece. Então, as pessoas se tirem a vontade para estudar e trazer as questões para a gente.

Isso aí, exatamente, exatamente. Aí você ia falar, Leonora? Vamos conhecer o Salmo 5. O Salmo longo, o Salmo é um pouco maior do que os primeiros que a gente está acostumado, Eu já queria abrir com essa curiosidade, que na Bíblia, a de Jerusalém, nas outras traduções até a gente não percebeu isso, mas na de Jerusalém, se o Salmo 4… estava um convite para os instrumentos de corda, o Salmo 5 está um convite para as flautas. Então, ele começa assim, do mestre de canto para flautas, Salmo de Davi. Exatamente. Isso aí, Leonora.

Vamos soprar esse Salmo, então. Acho que é um salmo de criação, porque ele tem sopro aí. É legal a gente pensar musicalmente, né, Haroldo, a tecidura que ele deu pra mensagem, né, porque ele criou um clima, as faltas eram de bambu, né, então você tinha uma questão… Mais melódico, né? Mais melódico. Mais melodia, porque o outro era pra cordas, foi uma coisa mais harmônica, de coro. E aqui mais melodioso. Naquele tempo, cordas eles estavam falando de que instrumentos? O alaúde, a cítara, já tinha tudo isso, né? O Davi tocava alaúde, que é um precursor do violão.

Um precursor antigo do violão. Não tem seis cordas, se eu não me engano são quatro, né? Aí eu não escrevo você, Júlio. Eu só falo do comador. E a corda? Daqui a pouquinho eu te respondo sobre isso aí. Eu acho que são quatro cordas, se eu não me engano. São quatro cordas. Ele tem uma escala um pouquinho menor. Ele lembra um pouquinho, Júlio, o bandolim, né? Lembra muito o bandolim, o banjo, esses instrumentos ali parentes do cavaquinho. Uhum. Porque tem quatro cordas, a escala é menorzinha, mas dá para fazer muita coisa bonita.

Tem variações aqui, né? Eu perguntei no Jato CPT, fala que o Alaú de medieval geralmente tinha quatro a cinco cursos de cordas, talvez ele tivesse até cordas duplas, não, Arouca? Também, alguns tinham corda dupla. Mas é anterior a esse medieval também. Mas, enfim, agora a gente vai com flautas. Agora é feito com flautas. E esse é com flauta, quer dizer, uma coisa mais melodiosa. A gente imagina que era um canto mais com melismas, igual a gente assiste a soprano cantando, um tenor cantando, mais aquela melodia. Interessante, né?

Notas mais longas, né? Ah, isso é importante, né? Aqui lembra muito o canto achão, o canto gregoriano. O canto gregoriano é uma leitura ocidental dessa tradição judaica. Que também não é judaica, a gente tinha na Mesopotâmia, isso é antigo, vamos dizer que os hebreus inventaram isso, eles se apropriaram disso e utilizaram isso para o culto deles, para o judaísmo, mas o canto gregoriano bebe muito nessa fonte. E lembrando uma coisa também, para quem gosta de música, aqui a gente não tem sistema tonal. Sistema tonal foi inventado…

Inventado, não. Foi sedimentado pelo Bach, Johann Sebastian Bach. Então a gente tem aqui modal, Júlio. É o modalismo. E o modalismo… grego, aquele dórico, júnico, eólico, aqueles modos. Então, a música modal lembra muito a música aqui de Minas, essa música modal do norte de Minas, Tavinho Moura, essa turma, né? Essa turma. Nós vamos pesquisar e vamos trazer alguns exemplos, só para a gente se sintonizar, mas a gente vai mergulhar aqui mesmo, um pouco no… legal isso, no texto e no que ele nos remete à luz da doutrina, né?

Mas muito bacana a gente mergulhar nessas questões que têm a ver com o que se sentiu na criação da obra, né? Muito legal. Muito legal. E aqui, do ponto de vista temático, esse é um Salmo que faz uma conexão, o Salmo 5 precisa ser lido em conjunto com o Salmo 1. Com o Salmo 1. A gente lembra que no Salmo 1 nós falamos do caminho dos justos e do caminho dos ímpios. O conceito de ímpio é aquela pessoa impiedosa, pessoa que não tem piedade, ela não tem compaixão, ela não tem empatia pelo outro ser humano. Ela é tão centrada nela, ela é tão centrada no seu interesse pessoal, ela é tão centrada em si mesma, que ela tem um mínimo de compaixão pelo outro, de piedade.

Então, ele se torna um ímpio. No Salmo 1, nós temos o caminho dos justos e o caminho dos ímpios. Lá define isso no Salmo 1. Seria bom quem está nos acompanhando voltar e assistir os episódios que a gente comentou sobre o Salmo 1. Esse Salmo 5 é uma oração em que o salmista clama a Deus para que o proteja dos ímpios, das ações dos ímpios. Então, um salmo de proteção contra a impiedade. E aí eu acho importante a gente voltar no conceito de ímpio, o impiedoso, que é diferente do impuro. Impiedoso, ímpio é uma coisa, impuro é outra.

Mas, na tradição que a gente tem na herança católica, protestante, e mesmo na herança do movimento espírita, a gente mistura as coisas. A gente mistura totalmente. E isso é um problema quando a gente vai falar sobre o pecado, que a gente inclui mais o impuro do que o ímpio. É um bom tema. Estou lançando as sementes aí. É um bom tema. É. Anotar, hein, gente? Vamos lá. Isso. Vamos começar pela impureza? Vamos. Deixa eu pegar minha tradução aqui. Pode puxar aí, Eleonora. Eleonora foi lá e ainda havia agora. Eu pensei assim, vamos começar pela impureza.

Estou tentando aprender o que não é impureza, né? Ai, ai. A gente conversou alguns episódios atrás sobre a questão do pecado, de errar o alvo, e eu lembro que o Haroldo comentou muito essa questão de é aquele que sabe que está fazendo errado, né? Você optou em fazer errado, não somente aquele que você errou porque não sabia utilizar o arco e a flecha, né? Porque a gente não sabia, estamos inexperientes em algum sentimento, estamos inexperientes… em alguma interação com o próximo, né? E às vezes colocamos o pé pelas mãos.

Não é isso, eu entendo assim. Eu sei que se eu falar aquilo, eu vou magoar a pessoa, sabe? Eu sei que se eu falar aquilo, eu vou tocar naquela ferida, né? E aí, às vezes, eu escolho, né? Eu escolho isso. E lembrando do primeiro episódio… que nos impactou… que tem nos impactado… inclusive até nos anteriores… que a gente leu sobre a progressão do mal… primeiro eu paro no caminho… Eu gosto daquele caminho, depois eu já estou confabulando com quem estão paralisados naquele caminho, e daqui a pouco eu já não estou querendo que ninguém mais caminhe, eu já estou querendo paralisar.

Estou zumbando do bem, isso aí, zumbando da bondade. Eu lembro mais ou menos dessa construção que nós já fizemos nos estudos anteriores, se fosse falar um pouco. Exatamente, isso que está lá no Salmo 1. E aqui, eu falei para tratar da impureza, porque, por exemplo… Vou trazer um tema aqui. Prostituição é impureza, não é impiedade. Importante isso. A impureza pode ser uma impureza ritual, moral, uma impureza do comportamento. Então, no caso, por exemplo, da prostituição, ela é uma impureza moral, do comportamento.

Ela tem a ver com as ordenanças da disciplina da sexualidade. Então, a prostituição seria uma indisciplina da sexualidade, gerando impureza. Mas nós temos outras indisciplinas, a indisciplina da língua. Então, a pessoa que fala demais, o tempo todo falando da vida alheia, é o fiscal da vida alheia. Esse… Tem uma indisciplina com a palavra, tem indisciplina com a palavra, com a sexualidade, tem indisciplina com o comportamento. Então, a pessoa que, por exemplo, é negligente, imprudente, precipitada, afobada, isso tudo gera impurezas.

Pode colocar a pessoa em situações delicadas. Nós temos outras impurezas que são rituais. Então, você não seguir, não observar o sábado. Isso gera uma impureza. Mas, veja, isso não necessariamente é o ímpio. Então, mesmo a pessoa que está tentando ser justa, o justo, mas que não é justo ainda, ele está no caminho para se tornar um justo, ele tem impurezas. E é por isso que no Yom Kippur, que é aquele dia do ano, dia do juízo ou dia do perdão, eu peço perdão pelas minhas impurezas, por todas as minhas negligências, imperícias, imprudência, afobamento, indisciplinas.

E estou tentando corrigir isso. Tentando corrigir isso. Os judeus tinham uma série de práticas rituais. A que se destinava essas práticas rituais? Para corrigir essas impurezas. Então, eram disciplinas rituais? Eram. Ritualísticas? Eram. Mas o objetivo delas é purificar. É purificar. Então, você acorda, tem que fazer oração, antes de comer você tem que lavar as mãos, ir orar e agradecer a comida. Isso para que você não coma de maneira impura. O que seria comer de maneira impura? Se alimentar demais, em excesso, os exageros da alimentação, que geram impureza, inclusive danos à saúde.

Então, esse conceito é tão bonito, né? Então nós temos a pessoa imprevidente, ela não cuida do corpo, não cuida da saúde, ela não cuida da sexualidade, é imprevidente e acaba sofrendo muito por conta da sua indisciplina, da sua imprevidência, da sua imprudência. Agora isso, tudo que eu estou falando aqui é muito diferente do ímpio. O ímpio é outra coisa. É outra coisa. É outra coisa. E não raro, o ímpio é uma pessoa muito disciplinada. Muito disciplinada. O que ele não tem é a mínima compaixão com o ser humano. O que ele não tem é a mínima empatia com o outro.

Então, ele entra num caminho que é o caminho da crueldade, da iniquidade. Conscientemente, ele não se importa com a dor do outro e, conscientemente, ele é causa da dor do outro e ele sabe que está causando dor e prejuízo ao outro. Esse é o ímpio. Esse é o ímpio. Esse é o… Eu fico pensando… É diferente, né? É bem diferente. Então, eu estou dizendo isso porque Maria de Magdala era impura, não era ímpio. Agora, Herodes era ímpio. Herodes era um ímpio. Pilatos mandou Jesus para ele. O que ele fez? Ele colocou uma capa vermelha em Jesus…

Um seto de cana e uma coroa de espinho. Isso é típico do ímpio. Ele é cruel. Ele adora ser cruel com o outro. Ele gosta de crueldade. A gente tem que entender isso, gente, porque senão a gente fica fazendo uma interpretação fantasiosa na Bíblia. Então, assim, primeira coisa, vou deixar vocês falarem. A gente tem que orar mesmo para ser protegido dos ímpios. Porque toda vez que você encontra com um ímpio, você sai com a coroa de espinho na cabeça. Nossa, pensei tanta coisa aqui. É. Não? Não, você ia falar, você ia falar.

Você ia falar, se eu sinto. É… Pensei nisso, que na verdade o ímpio e o impuro, mas todos estamos em caminhada. O impuro vai ser purificado com as suas experiências. Lembrei lá de Jesus no Boa Nova, dizendo que estava vindo para… com um cinzel do amor e da boa vontade… para tirar talvez as nossas impurezas… nessa construção divina em nossos corações… fiquei pensando nisso… aí pensei a questão do impuro… mas na questão do impuro… na própria evolução do ser espiritual… então aquele ser é ímpio agora…

nesse retrato aqui ele paralisou ímpio… então ele cristalizou… cristalizou algum sentimento… ele parou na caminhada… E ficou ali, naquele mundinho ali. Mas também na construção do ser e no planejamento de cada um de nós para a perfeição, também fiquei pensando… Da mesma forma que a impureza, Deus também está limpando, né? Essa impiedade também, pensei, quando ele se levanta é desse caminho que ele parou, né? Quando o ímpio, ele… As tribulações que ele vai ter na vida, né? Para quebrar esse fulcro estagnado que a nossa Sheila tanto falava, né?

Quando estagna aquele fulcro ali e a energia, ela se estagna nessa impiedade… Do mal, que nem você falou, da falta de empatia, de sorrir com o caos, de sorrir com esse sentimento contrário à lei. Se a gente for pensar que a impiedade é essa parada no caminho. É, para o ímpio, Deus reserva mais do que tribulações, Eleonora. Para o ímpio… estão reservados na lei divina os resgates mais dolorosos que a gente assiste aqui no mundo corporal. Pensa nos resgates mais dolorosos, os mais dolorosos que existem aqui no mundo corporal.

Esses são para os ímpios, que somos ou que fomos um dia, né? Que somos ou que fomos um dia. Então, os resgates mais dolorosos estão reservados para os ímpios. É só para a gente não ficar aqui porque isso está lá no livro Mensageiros quando a Esmalha e o marido dela lá no Poço de Socorro recebem uma visita de um casal lá de Campo da Paz e esse casal vem com duas filhas está lá no capítulo 29 do livro Os Mensageiros E então elas começam a elogiar, falando com o André Luiz e com o Vicente, começam a elogiar nosso lar.

O nosso lar fala, mas escuta, lá na colônia de vocês não tem esse ministério, não tem essa… Ela fala, não, a nossa colônia é muito próxima da crosta e nosso lar está… está num nível acima da nossa colônia. Mas, ele falou, mas nosso lar, olha o que o André Luiz diz, mas nosso lar, a gente tem lá as câmaras de retificação, eu mesmo passei por elas. Tem lá o Ministério do Auxílio da Regeneração. Ele falou, sim, André, mas lá vocês recebem os espíritos sofredores que já se arrependeram e já reconheceram o erro. Em campo da paz, nós recebemos os obsessores, os espíritos cruéis, que ainda não tiveram sequer a bênção de admitir que estão errados.

Então, é diferente. É muito diferente. Aí ela fala, é muito diferente. Porque aqui nós estamos lidando com um espírito revoltado, rebelde que decidiu se opor à lei divina. Esse é o diabolos. Esse é o adversário. Em hebraico é satanás, em grego, diabolos. Esse é o diabo. É aquele que se opõe. Ele se opõe à lei divina. Então, a gente percebe isso muito claramente, por exemplo, no Gregório. Então, se a gente fizer um estudo psicológico do Gregório no livro Libertação, nós vamos ter uma ideia do que é o ímpio, da impiedade e dos mecanismos utilizados pelo ímpio.

Então, eu acho que é importante que a gente tirar essa imagem ingênua de que o ímpio é um espírito ignorante. Não é, Gregório não é ignorante. O Hélio tem mais conhecimento do que nós três aqui juntos. Ele não era. Ah, porque ele está fazendo, porque… Ah, ele tropeçou, coitadinho, ele não sabia que… Não, ele sabe, Hélio. Ele sabe o que ele está fazendo. Ele estava há um ano coordenando um processo para desencarnar aquela moça, porque ele queria ela desencarnada do lado dele. Para quê? Para vampirizar ela sexualmente.

Ele sabe o que ele está fazendo. As ações dele são planejadas, né? Agora, nós aprendemos com Doutrina Espírita que evolução é para todo mundo se tem uma coisa que você não tem opção é de parar de evoluir isso aí não está no livre-arbítrio da criatura aliás, discutimos isso no episódio anterior tem coisas que estão dentro do livre-arbítrio da criatura e tem coisas que não estão uma das coisas que não estão dentro do livre-arbítrio da criatura é ela decidir se ela vai ou não evoluir isso está fora de cogitação Você vai evoluir, ponto final, por quê?

Porque é o livre-arbítrio de Deus. Simples assim. Perfeito. Muito importante, Haroldo, muito importante, porque são termos que, às vezes, a gente não reflete e coloca tudo no mesmo conceito. Importante, assim, essa referenciada de conceitos. Isso, muito. E é importante, Leonora, porque Jesus vai utilizar o Salmo 5. Gente, isso eu queria chamar a atenção. Jesus está sempre indiretamente pegando nos Salmos. Quando ele fala para os fariseus assim, vocês são túmulos caiados. Está aqui. Está aqui no Salmo 5. Vou pegar qual é o versículo aqui.

Versículo 9. Eles não têm sinceridade nos seus lábios. O seu íntimo é repleto de crimes e a sua garganta é um sepulcro aberto. Os túmulos caiados, né? É branquinho por fora e cheio de podridão por dentro. Então, o que Jesus estava dizendo para aqueles fariseus ali? Que eles eram ímpios. Eles eram cruéis. E aí Jesus diz assim, não são todos os fariseus, tá gente? Gamaliel era fariseu, hein? Cuidado para não generalizar, hein? Gamaliel era fariseu, Nicodemos era fariseu, né? Não são todos os fariseus. Ele diz assim, vocês nem entram no reino de Deus e nem permitem que os outros entrem.

Então aqui e veja, Gregório do Libertação foi um papa então muito cuidado com as instituições religiosas as instituições religiosas estão repletas de ímpios tem que tomar muito cuidado Mas uma alcoolidade que a gente tem que tomar é para não ser um deles. Com certeza. Não é? Usar a religião como um instrumento de crueldade e fazer dentro da religião aquilo que nem os criminosos fazem fora. Esse é um ponto importante para a gente. O Júlio está mudo o Júlio está quietinho hoje o Júlio ficou até mudo esse Salmo 5 ele está pedindo isso mesmo esse Salmo emudeceu o Júlio Eu estava pesquisando algumas coisas aqui.

Tem um trecho do Bonovo que fala… Tem uma pergunta. Não sei qual capítulo que é. A luta contra o mal. Senhor, os espíritos do mal são também nossos irmãos? Inquiriu o admirado apóstolo. Toda a criação de Deus, os que vestem a túnica do mal, envergarão um dia a da redenção pelo bem. Por que não termina com eles? Se Jesus era tão poderoso, por que não acabava com esse mal todo? Acaso poderias duvidar disso? O discípulo do evangelho não combate propriamente o seu irmão, como Deus nunca entra em luta com seus filhos.

Aquele apenas combate toda manifestação de ignorância, como o pai que trabalha incessantemente pela vitória do seu amor junto da humanidade inteira. Isso. Então, combate… Veja, não combate a pessoa. O combate é em relação aos princípios, ao comportamento, àquela postura. Então, é o combate em relação àquilo, né? É. É. Então, ele fala que todos são irmãos aos olhos de Deus, inclusive os ímpios. A redenção pelo bem, aqueles que estão atualmente no mal, encontrarão um dia o caminho da redenção através do bem. Isso também me chamou a atenção, né?

Ele fala que é através do bem, né? Pelo bem. Isso. Agora, Júlio, isso que você está lendo é a novidade da boa nova. Sim. É a novidade da Boa Nova. Por quê? Na primeira revelação, o ímpio é um inimigo a ser exterminado. E ele pede aí no Salmo, né? Pede. Pede para o ímpio ser destruído. Que é o que o discípulo pergunta para Jesus, né? O Davi Flusser… Isso, o Davi Flusser… Ele é muito sensível, foi um grande teórico judeu. Para mim, um dos melhores comentários… Ele tem um livro chamado Cristianismo e Judaísmo, né?

Pela Imago, a editora é Imago. São três volumes, e num desses volumes ele faz, para mim, uma das melhores interpretações do Sermão da Montanha. Uma das melhores, porque ele vai mostrando que… Óbvio, Jesus estava lendo o Salmo, estava citando e compondo ali com a primeira revelação, claro. Mas ele fala, olha, mas tem algo aqui que é único, isso não tem na Bíblia hebraica. O amor e o perdão aos inimigos, isso não existe. Isso aí é só de Jesus. Ele diz, inclusive, não concordo com isso. Hahahaha. Inclusive não concordo com isso, não entendo como que Jesus propõe a solução do problema do mundo amando e perdoando inimigo, porque o inimigo é o ímpio, o inimigo na estrutura da primeira revelação, ele tem que ser eliminado, e eu rezo a Deus pedindo que me dê força para destruir o inimigo, o que me entristece são algumas escolas cristãs trazendo isso, esquecendo o que Jesus ensinou e indo lá e buscando isso da Bíblia hebraica sim muito do dessa questão religiosa na oriente, hoje como é que chama-se do Fundamentalismo religioso é Vem disso, de ainda cultuarem uma religião em que a visão é essa, né, Aroudo?

A visão é essa. Então, ou seja, é complexo, né? E a doutrina nos faz analisar isso como um espectro ainda maior, que é o espectro de que A justiça de Deus é atuante, ou seja, todos nós que estamos sofrendo algum processo temos relação com o processo de dor que passamos e eles são, muitas vezes, aquilo que nos corrige. Então, você vive com o ímpio o resultado da sua impiedade, às vezes, do passado. Sem dúvida, Júlio. Sem dúvida, porque há muita injustiça no mundo, mas não há nenhum injustiçado. Pois é. Então, é exatamente isso.

Essa é a equação. Às vezes, difícil de a gente aceitar. Se eu estou com ímpios, na verdade, eu estou sofrendo a consequência de um dia ter sido. Não é? Então, isso é uma coisa importante. Sim. Quando Clarencio vai conversar com Gregório. O Clarencio vai lá, senta na frente do Gregório e pede permissão. Gregório, eu estou indo em expedição para poder salvar a moça. Ele falou, de jeito nenhum. Essa moça eu quero aqui. Ela me é muito útil. Inclusive, assim, não adianta nem você ficar muito entusiasmado, Clarence, porque ela está quase desenganando.

Já coloquei um colaborador meu lá, já está quase finalizando. Ele falou, não, não preocupa com isso, eu só queria pedir sua autorização para eu poder fazer alguma coisa. Porque, qual que é o seu interesse nela? Ela falou, não, eu venho a pedido da Matilde, aí ele gela. Nem me recordo dessa pessoa. Era a mãe dele. Aí ele fala, Gregório, concede, concede, por favor. Eu não estou te pedindo para você auxiliar. Eu só estou te pedindo para você não fazer nada contra a gente. É só você não… Por quê? O Clarencio não queria entrar em luta com o Gregório.

Então, ele foi lá pedir, falou assim, escuta, não é uma luta entre eu e você, por favor, eu não estou pedindo de se ajudar, nada, você pode continuar fazendo tudo o que você está fazendo, eu só não quero que você se volte contra a gente. Ele falou, então tá bom, você só acha que vai conseguir, porque ele achava que o Clarencio não ia conseguir, né? Mas qual foi a estratégia do Clarencio? Está no livro Libertação, né, gente? Qual foi a estratégia do Clarencio? Primeira coisa que o Clarencio faz… Ele pensou assim, quem que é o maior obsessor?

Qual que é o que está lá, direto lá, para desencarnar a moça? Aí é o fulano de tal. Por que ele está fazendo isso? Porque ele quer ajudar um filho. O Gregório fez uma chantagem. Aí o Clarence falou, então vamos ajudar o filho dele. Aí o Clarence ajuda o filho. O obsessor. O que é isso? Conquista o obsessor. Aí o Gregório perde. No final, o Gregório perde, perde feio, né? Pede feito. E aí ele não aceita a derrota, né? Então, no momento, ele pega uma espada lá, ele vem para agredir o Clarencio, o Clarencio senta, começa a fazer uma oração, aí a Matilde materializa.

Bom, essa é a história. Por que eu estou contando essa história? Por que o Clarencio vai pedir permissão para ele? Gente, porque vocês acham que o Gregório está tendo acesso a alguém fora da lei divina? Não. Vocês acham realmente que as pessoas que o Gregório está perseguindo, não sei o quê, que são inocentes, que estão sendo feridos pelo ímpio? Tanto que o Gregório se intitula justiceiro. Justiceiro. Justiceiro. Ele não se vê como criminoso. Ele é o justiceiro. Ele é o Batman que quer limpar Gotham City. E para isso…

agem com as mesmas armas que o coringa. Ai, ai, muito bem. Viu a complexidade? Esse é o ponto que você falou até em outros estudos que a gente falou. As armas do bem não são as mesmas do mal. Enquanto você falava, eu pensei… Não podem, né, Leonor? Não podem ser. Não podem ser de jeito nenhum. Porque, se for, eu deixo de ser justo e me transformo em justiceiro. O justiceiro, eu estou quase me tornando ímpio. Qual que é a diferença do justiceiro para o criminoso? Qual que é a diferença? Qual que é a diferença? A intenção?

A intenção? Mas do ponto de vista prático, qual que é a diferença? Nenhuma. Nenhuma. Toma o lugar de Deus, né? Exatamente. Na perda de justiça, amor e caridade. É, porque o justiceiro, qual que é a pauta do justiceiro? Olho por olho, dente por dente. Justiceiro não está preocupado com redenção. Ele está preocupado em devolver a mesma dor que a pessoa causou. Então, vocês lembram que aqueles servidores lá do Gregório, que eles chegam para a mulher, você é uma loba, uma loba, uma loba, você não foi mãe, você foi um bicho, você foi uma loba, loba, loba, aí ela licantropia.

Então, eles estão lidando com uma coitadinha de uma mãe piedosa, inocente, que foi um exemplo de mãe na Terra? Não. Eles estão lidando com uma irmã que falhou clamorosamente é é é É é é Daí entra a questão Do exemplo Do nível de culpa Remorso E o quanto que isso É perigoso No âmbito Inclusive da obsessão Ou seja, aquele que busca Uma justiça se valendo Do sentimento De culpa Para poder conduzir O pensamento Né? Você pensa bem. Por isso que, juro, quando chega numa reunião mediúnica um obsessor muito feroz, muita mágoa, falando, eu vou destruir você, a nossa conversa deve ser assim.

Mas não é possível eu me redimir na prática do bem? Vocês não podem me dar uma oportunidade de eu resgatar todos os meus erros? Praticando bem, porque eu já reconheci que eu errei, eu estou disposto a acertar, porque o resgate pode ser feito pelo amor ou pela dor. Se você escolhe pela dor, como é que vai ser? Vai ser lá do jeito do Gregório. Aquelas pessoas estão resgatando pela dor. Por quê? Porque não se dispõe a resgatar pelo trabalho, no bem e pelo amor. Precisa ser daquele jeito? Não. Mas e se eu não quero que seja pelo amor e pelo trabalho?

Vai ser daquele jeito, porque todos serão redimidos, pela dor ou pelo amor. Mas, assim, é importante por quê? O nosso primeiro impulso é como é possível ter um Gregório? Gente, se a justiça divina permitiu, você não vai permitir? Então, em nenhum momento, o Clarício questiona o trabalho do Gregório. Porque ele sabe que aquilo ali é da lei divina. Se o Gregório está agindo, é porque Deus permitiu. Então, ele vai lá e fala, ó, Gregório, me autoriza, deixa. Eu não estou pedindo sua colaboração, não. Só estou pedindo para você não impedir.

Continua fazendo o que você está fazendo. E o Gregório não acreditou que o Clarencio fosse capaz de reverter. E reverteu espetacularmente a situação, né? É didático, né, Haroldo? É didático, né? Porque, possivelmente, com a autoridade, ele poderia se proteger, mas talvez ele não protegeria os outros, né? Isso aí, Júlio. Isso aí. Não, e o pior do que isso, Júlio. Ele entraria em luta. Imagina o Clarencio lutando com o Gregório. Não faz sentido. Em nenhum momento o Clarencio usa os instrumentos do Gregório. Tanto que ele chega…

Olha qual é a estratégia dele. Qual é o maior obsessor? Qual é o obsessor-chefe? Ele se tornou obsessor por quê? Ah, porque o Gregório chantageou com ele, que ia ajudar o filho. Ele falou, então vamos ajudar o filho dele. Eu quero conquistar o coração desse obsessor. E, quer dizer, todos os instrumentos utilizados pelo Clarence foram instrumentos do bem. A outra face. Ele desarmou usando a outra face. Foi fácil? Claro que não. Deu um trabalho imenso. Mas ele foi costurando, costurando, sem em nenhum momento prejudicar quem quer que seja, nem o maior obsessor da operação.

É… Então, por quê? Porque se ele usasse as armas do Gregório, ele ia se tornar réu do Gregório. E isso o Clarencio não fez. Muito bem, mas nós chegamos no horário limite aqui, você tem que sair para trabalhar. Não, mas o Salmo não acabou, não. Não, não. Esse vai ter mais um episódio, porque a gente entrou numa obra que é a libertação, legal essa costura com libertação por causa daí, porque você tem aí como interpretar e como avaliar e olhar os salmos nos dias de hoje, porque, aparentemente, não parece coerente pedir a Deus que destrua o inimigo, né?

Então, a gente tem que entender bem, colocar cada coisa no seu lugar e compreender o âmbito mais amplo desse salmo, né? Sim. Então tem bastante coisa para a gente conversar sobre essa questão dos ímpios, isso é um assunto diário, né, Arudo? Essa questão da libertação, só assim, terminando, eu atendi na minha reunião e atendo até o presente momento espíritos dessa natureza. Então, assim, isso está acontecendo em muitas reuniões mediúnicas, isso está acontecendo dentro das casas, e isso é muito importante que a gente fale para que a gente saiba lidar, né, Arudo, com essa questão.

Então, Júlio, aí, olha o que é que Jesus, a oração de Jesus para os discípulos. Senhor, eu não te peço que os tires do mundo. Apenas te peço que os livres do mal. Então, nós vamos ter que fazer uma correção no Salmo 5, verificar um Salmo a lá Jesus. Senhor, eu não te peço que destruas os ímpios, mas que destruas a impiedade. Maravilhoso. Onde quer que ela se encontre, inclusive, Senhor, dentro de mim. É. Amém. Amém. Coloca a flauta aí, Júlio. Agora é só entrar com a flauta. Quando você falou lá do cetro de cana, da coroa de espinhos, eu fiz uma analogia para a gente pensar na semana, quantas vezes a gente faz isso mentalmente, qualificando as pessoas…

rotulando as pessoas, dando a elas esse cetro de cana, essa coroa de espinhos, em outros formatos. Agindo com impiedade, que é, por que eu estou fazendo isso com o meu irmão? Por que eu estou fazendo isso com um semelhante? Por que, em nome do espiritismo, da religião, em nome da casa, em nome das regras, eu estou fazendo isso com o ser humano que está entrando aqui? Sim. Por que que em nome de uma instituição eu estou fazendo isso com um trabalhador espírita que está aqui? Por que que eu estou sendo cruel? Essa é a discussão para a gente, não é ficar falando dos outros.

É isso mesmo. É a gente pensar, mas nós vamos ter episódio para isso. Obrigado. Foi ótimo. Foi ótimo, ótimo, ótimo. Muito bom. Um abraço a todos e vamos seguindo em frente. Com Deus, gente. Obrigada por nos acompanharem. Até a próxima. Até a próxima. Até a próxima. “

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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