Neste episódio, Haroldo Dutra Dias nos conduz por mais um estudo aprofundado do Velho Testamento, com foco no Livro de Levítico. Acompanhamos a discussão sobre a evolução espiritual, a transição da antiga para a nova aliança e a profunda transformação que Jesus Cristo representa para a humanidade.
O que é estudado neste episódio
- A evolução do Espírito: Partindo das questões 191-A e 196 de O Livro dos Espíritos, o estudo aborda a jornada do Espírito desde a infância espiritual até a perfeição, comparando-a à vida corporal. É ressaltada a necessidade das existências corporais para o aprimoramento e a depuração do Espírito, que passa por um “cadinho” de tribulações para alcançar a perfeição.
- Instinto e Paixões: É feita uma distinção clara entre instinto, como a inteligência divina agindo na criatura, e paixões, que são desequilíbrios do desejo e da vontade, fruto do apego do Espírito à matéria. As paixões geram hábitos e imperfeições morais que demandam purificação.
- Limitações da Cognição Humana: A discussão se aprofunda nas limitações da percepção humana, condicionada pelos sentidos físicos, e como essa limitação afeta nossa compreensão do universo e da espiritualidade. É levantada a questão de como seria a cognição de Espíritos puros, não limitados pela matéria.
- A Pedagogia da Primeira Revelação: O estudo retorna ao Levítico para analisar o papel do sacerdócio, os rituais de purificação e a série ascendente de separações (nação, tribo, família, sacerdote, objetos, lugares, ofertas) que visavam o contato com Deus. Essa pedagogia era adequada à infância espiritual da humanidade.
- A Nova Aliança em Jeremias e Ezequiel: São exploradas as profecias de Jeremias (capítulo 31, versículo 31) e Ezequiel (capítulo 36, versículo 24), que anunciam uma nova aliança, não mais baseada em rituais exteriores, mas na interiorização da lei de Deus no coração e nas entranhas.
- Idolatria e Adoração: A idolatria é discutida como a substituição de Deus por outros objetos de adoração, e a lógica de que “você se torna aquilo que você adora”. É enfatizado que a adoração é uma lei universal e que todo “Deus” exige um sacrifício.
- Jesus Cristo: A Nova Aliança e o Novo Altar: Jesus é apresentado como o modelo, o novo coração, o novo templo, a nova adoração e a nova aliança. O sacrifício não é mais de animais, mas a própria vida, e o altar agora é o próximo. A parábola do Bom Samaritano ilustra a primazia da misericórdia sobre o culto ritualístico.
- A Mediação de Jesus: Com base na Carta aos Hebreus, é explicado por que Jesus é o sumo sacerdote perfeito: ele está próximo de Deus e próximo dos homens, tendo experimentado todas as dificuldades da encarnação, o que o torna um mediador compassivo e eficaz.
Reflexões
- A evolução espiritual é um processo contínuo e gradual, que se assemelha ao desenvolvimento humano, passando da infância à maturidade, mas sem declínio. As existências corporais são oportunidades de progresso e depuração.
- A verdadeira adoração a Deus se manifesta não em rituais exteriores, mas na interiorização da lei divina e, principalmente, no amor e serviço ao próximo. O semelhante se torna o “altar” onde demonstramos nosso amor a Deus.
- Jesus Cristo é o modelo e o guia para a humanidade, representando a transição de uma pedagogia exterior para uma interior, onde a misericórdia e a caridade são os pilares da nova aliança.
Ler transcrição do episódio
Bom, voltamos aí depois da viagem, retomando o estudo do Levítico. A gente queria aproveitar para agradecer a todos que estão acompanhando pela internet, principalmente em outros países e que disseram para a gente que estão acompanhando, explicar que este estudo é feito aqui na sede do Meimei e As meninas estão todas aqui, todo mundo do Meimei, a turma toda do Cê. É daqui que a gente faz as transmissões e este é um estudo do nosso grupo e Como a gente tem aprendido com Jesus a não ser egoísta, a gente só transmite para não ficar guardado, mas na verdade é um estudo do nosso grupo aqui, a gente está aprendendo.
E, Na outra reunião que a gente teve, nós comentamos que a gente ia ficar um tempo falando sobre o sacerdócio, o papel do sacerdote, qual que é a função dele no Levítico, a função da primeira revelação, o que que acontece quando chega Jesus e hoje nós vamos aprofundar um pouquinho nesse tema, sempre lembrando que a gente vai seguindo assim como se fosse uma uma espiral porque não dá para abordar certos temas sem antes examinar outras questões, então aos pouquinhos a gente vai voltando, repetindo, mas sempre que a gente repete, a gente aprofunda um pouquinho.
Então, hoje eu quero começar com duas questões que aparentemente não tem nada a ver com o tema, mas que a gente vai perceber que tem tudo a ver. Está no Livro dos Espíritos, na questão 191-A, quando Kardec pergunta assim, vamos ler 191 primeiro, ele diz assim, As almas dos nossos selvagens são almas no estado de infância? Os Espíritos respondem, infância relativa, mas já são almas desenvolvidas, pois nutrem paixões. Interessante! Aí, Kardec pergunta, 191-A, Então, as paixões são um sinal de desenvolvimento? Os Espíritos respondem, de desenvolvimento, sim, mas não de perfeição.
São um sinal de atividade e de consciência do eu, ao passo que, na alma primitiva, a inteligência e a vida se acham no estado de germem. A resposta é enigmática, não é? E, Kardec comenta, o comentário do Kardec é que é incrível, ele diz assim, A vida do Espírito em seu conjunto apresenta as mesmas fases que observamos na vida corporal. Ele passa gradualmente do estado de embrião – olha aí a pré-concepção – ao da infância, estado de embrião ao estado de infância, para chegar, através de uma sucessão de períodos, ao estado de adulto, que é o da perfeição, com a diferença de não haver para o Espírito nem o declínio, nem a decrepitude, como na vida corporal.
Que a sua vida, que teve começo, mas não terá fim. Que lhe é necessário, do nosso ponto de vista, um tempo imenso para passar da infância espiritual ao completo desenvolvimento, do nosso ponto de vista. Porque, do ponto de vista de Deus, esse tempo é pequeno demais. E que o seu progresso se realiza não numa única esfera, mas passando por diversos mundos. A vida do Espírito, pois, se compõe de uma série de existências corporais, cada uma das quais apresenta para ele uma oportunidade de progresso, do mesmo modo que cada existência corporal se compõe de uma série de dias, em cada um dos quais o homem adquire mais experiência e mais instrução.
Mas, assim como na vida do homem há dias que não produzem nenhum fruto, na do Espírito há existências corporais que não lhe trazem nenhum resultado, porque não a soube aproveitar. Interessantíssimo isso aqui. E, Para a gente sair do Livro dos Espíritos, na questão 196, Kardec pergunta assim, não podendo o Espírito melhorar-se a não ser por meio das tribulações da existência corporal? Porque foi isso que os Espíritos disseram para eles, da necessidade de existências corporais. Por quê? Porque nós precisamos das tribulações, das dificuldades que somente uma existência corporal proporciona.
Então, Kardec, já que está nas questões anteriores, ele já parte do pressuposto, todo mundo sabe isso. Não podendo o Espírito melhorar-se a não ser por meio das tribulações da existência corporal, serve-se que a vida material seja uma espécie de cadinho ou de depurador pelo qual devem passar os seres do mundo espiritual para alcançarem a perfeição? Olha a pergunta de Kardec. Quer dizer que a existência corporal é um forno o objetivo para o qual se encaminham. Interessante isso, não é? Então, está aqui a questão do livro dos Espíritos e a gente vai perguntar o que isso tem a ver com o tema que a gente está abordando.
O que chama, o que é interessante nesses ensinamentos que Kardec recolhe da espiritualidade superior é que os Espíritos são criados simples e ignorantes, simples também no sentido da organização, eles não têm uma complexidade de organização, por exemplo, perispiritual, etc, etc. Ignorantes no sentido de que eles ignoram mesmo, eles vão ter que descobrir tudo, vão ter que desenvolver, inclusive, o pensamento. E Kardec trabalha que para guiar o Espírito na evolução existe o instinto. Então, é interessante porque na linguagem, na terminologia de Kardec, nós não podemos confundir instinto com paixão.
Instinto, diz Kardec, é Deus agindo na criatura. Então, o que é que leva as formigas a se organizarem numa complexidade de um formigueiro? É a inteligência divina agindo nesses seres. Então, Kardec desenvolve esse raciocínio no chamado ensaio sobre o instinto, que ele vai elaborar as várias hipóteses e vai chegar à conclusão de que o instinto não pode ser um Espírito superior, por quê? Porque ele é uniforme em todos os pontos do globo. Então, uma formiga chinesa não é diferente de uma formiga russa, de uma formiga brasileira.
Outro, o instinto, a gente nunca vê um formigueiro fechar porque não funcionou. Quer dizer, formigueiro não fecha, né? Não tem colméia de abelha que não dá certo, que vai à falência. Isso não existe. Então, teria que ser uma inteligência suprema, griando para não ter falha. Então, ele vai desenvolvendo uma série de raciocínios e chega à conclusão que o instinto é o próprio pensamento divino através do fluido cósmico, guiando os seus seres que estão no processo de evolução. Mas, à medida que ele desenvolve a razão, aí o que vai acontecendo?
Deus vai deixando que o ser utilize a sua inteligência. Porque desabrocha a razão, ele começa a utilizar a inteligência, ele começa a sentir, num primeiro momento, o pensamento não é contínuo. Então, a gente percebe isso nos animais, tem hora que eles dão uma parada. Ele para, ele não está pensando. Não é contínuo. E, o sentimento também está desenvolvendo. Quando o pensamento é contínuo, você não consegue parar de pensar. E, quando você começa a ter os sentimentos, você começa a desenvolver o arbítrio, a escolha. Então, nós temos aquele impulso que vem do instinto, que é a inteligência divina nos guiando e temos a nossa inteligência tendo que tomar decisões, tendo que fazer escolhas.
E, quando nós começamos a exagerar no uso de certas faculdades, a exagerar no aproveitamento dos recursos ou quando nós perdemos o controle dos desejos das próprias emoções, surgem o que a gente chama de paixões. Então, as paixões são desequilíbrios do desejo, da vontade, do querer, etc., que levam o Espírito para o vício que afasta das leis divinas e que traz sofrimento. Porque a paixão é sempre o excesso, quando a gente exagera. Então, Kardec faz isso, essa distinção muito grande. As paixões geram hábitos e esses hábitos acumulados, eles dão o que Kardec vai chamar de imperfeições morais.
Então, a imperfeição moral, ela pede um processo de purificação. E o que que é interessante quando Kardec vai falar das paixões? Eu fiquei tentando raciocinar, mas é realmente difícil a gente encontrar uma equação que fuja disso que Kardec ensina. Ele diz assim, as paixões são fruto do apego do Espírito à matéria. Então, eu fico tentando, eu ia pedir para o grupo imaginar uma paixão que não tenha nada a ver com uma coisa material. Porque, geralmente, na base das paixões, o egoísmo, por exemplo, eu quero tudo para mim.
Mas, eu quero o que? O instinto de conservação ele leva a gente a preservar o corpo, leva a gente a cuidar para ter o que comer, ter o que dormir. Mas, quando a gente desvia do instinto de conservação, aí começa a ficar uma paixão, você quer tudo para você, você começa a sugar, vira um egoísmo. E, assim, tudo mais se desvirtua e se transforma em paixões, uma gula, etc. Todas as paixões, elas demonstram uma escravidão do Espírito à matéria. E, quando Kardec pergunta assim, o que se transforma o Espírito na sua última encarnação?
Eles respondem bem-aventurado, feliz, Espírito puro, ele está purificado. Então, quando a gente pensa no Espírito puro, é até difícil, porque é um Espírito que já está afastado das necessidades materiais. Para a gente, em alguns casos, eles não têm nem a forma física mais humana. Então, para a gente é muito difícil, porque todas as pedagogias aqui vão poder ajudar, porque toda a nossa cognição é baseada nos sentidos, não é? Todo o nosso processo de cognição, tanto que a criança, por exemplo, se ela não tem ainda a coordenação fina, não é isso?
Ela tem só a coordenação grossa, ela não tem a coordenação fina motora ainda, ela não consegue desenvolver certos raciocínios, não é isso? Ela depende de uma sincronia, da motora, para ela poder ter acesso a um raciocínio mais abstrato. É isso mesmo? Eu já estou falando bobagem. Me ajuda aí. Então, a gente, por exemplo, como seria a nossa cognição se nós enxergássemos não apenas pelos olhos, mas se todo o nosso corpo enxergasse? Olha aqui, parece uma pergunta tola, não é? Nós falamos assim, vira para a direita, se você todo enxerga, se você enxerga para a frente, para cima, para baixo, para o lado direito, para o lado esquerdo, para trás, se você todo enxerga, tem direita?
Tem para cima? É uma coisa curiosa, porque quando você faz uma simulação, por exemplo, de ver o universo, você sai para fora da Terra, se você olha para baixo, tem galáxia, se você olha para cima, tem galáxia, para o lado, para tudo quanto é lugar. Então, não tem fora da Terra, não tem em cima, embaixo, para o lado, não tem, para frente, para trás, não tem. Então, a gente imagina que o fato de só enxergar pelos olhos limita a nossa cognição. Nós temos uma inteligência limitada. Por quê? Porque a gente só ouve pelos ouvidos, só ouve a frequência que o ouvido capta.
Olha que interessante. A polícia utiliza cachorro treinado para poder… ele cheira as malas em aeroportos, etc., para saber se tem drogas, se tem alguma coisa ilícita, alimento que não pode entrar no país, e o cachorro sente, ele tem um olfato mais apurado do que o nosso. Então, pelo menos do ponto de vista do olfato, ele tem acesso a muito mais informações do que a gente tem. Então, ele é mais inteligente do que a gente. Nós não somos capazes de cheirar e saber o que tem dentro da mala de uma pessoa. O cachorro é. Olha que interessante.
Por exemplo, nós só enxergamos um determinado espectro. Nós não enxergamos o infravermelho e o ultravioleta. A nossa visão, o olho é limitado. Se nós enxergássemos tudo, em todas as frequências, a nossa visão do universo seria completamente diferente. Então, a nossa inteligência está limitada aos sentidos. Ela é uma inteligência que lembra uma criança num cercadinho. A nossa capacidade de percepção. Porque a gente pensa, seria produtivo que a gente tivesse uma percepção cem mil vezes maior? Seria perturbador. Porque nós não temos uma mente capaz de lidar com esse conjunto, com essa quantidade de informações.
E o que a gente percebe? À medida que surge a internet, mapa 3D, tudo isso está sendo um treino celular. É um treino que a espiritualidade está fazendo com a gente para a gente dar um passo à frente na cognição. Não é interessante? Diversos paralelos estão em frequências que escapam a esse intervalo que nós percebemos. Também. Então, antes de supor que os Espíritos puros enxergam em um intervalo quase infinito, todos os universos são percebidos. Exato. Todas as direções do universo. Exato. Porque a inteligência deles não está limitada pela matéria.
Está limitada. E a gente percebe, por exemplo, até a nossa velocidade. Nenhum corpo material desenvolve uma velocidade superior à da luz. Corpo material não. É um limite da matéria. Os Espíritos falam isso. Deus estabeleceu um limite para o conhecimento humano. E o Emmanuel diz, né, nos órgãos dos sentidos, as cinco janelas da alma, Deus estabeleceu limites à nossa inteligência. Então, quando a gente imagina um processo de depuração espiritual, quando fala Espírito puro ou puro Espírito, será que nós somos puro Espírito?
Não, nós não somos puro Espírito. Nós somos ainda uma mescla de Espírito e matéria. Não sei se está muito filosófico, se tiver. Mas, é verdade, a matéria, ela é o nosso berço. Nós somos crianças que estão no bercinho, sendo embaladas, com uma percepção limitada. E por isso que Kardec fala do Espírito e compara a evolução espiritual com a vida humana. Então, o Espírito também passa pela infância espiritual, ele vai se desenvolvendo, até que ele se torna um adulto. O adulto maduro, mesmo, segundo Kardec, aqui na questão, nós não fazemos ideia mesmo.
Nós não fazemos ideia. Por que eu estou fazendo isso? Por que eu estou falando isso aqui? O processo de depuração? Esse conjunto de princípios é o que vai ajudar a gente a voltar para o Levítico. O sacerdote, os rituais de purificação do sacerdote e aquilo que nós falamos, da série ascendente de separações. Então, separou uma nação, dentro da nação separou uma tribo, dentro da tribo separou uma família, dentro de uma família separou o sacerdote, o sacerdote separa a roupa, separa o objeto, separa o lugar, separa a oferta, tudo é separado para ter o contato com Deus.
Então, ele se afasta do mundo profano. Agora, nós podemos já fazer uma reflexão. Quando a primeira revelação chega ao mundo, a humanidade estava na infância espiritual. Então, não tinha como falar abertamente sobre essas questões. Não tinha como. Então, o que a espiritualidade fez? Deu um tanto de pecinha de lego e falou assim, vai montando. Daqui a pouco eu mostro para vocês a figura. Qual que é a figura que vocês vão montar? Aí, a humanidade progride, progride, atinge a maioridade espiritual. Aí, vem a figura, o modelo.
Gente, vocês vão montar esse modelo aqui. O modelo é quem? O Cristo. Jesus é o modelo. Aí, você fala, ah, então é isso que eu tenho que montar? Então, peraí, deixa eu encaixar as pecinhas. Foi o que aconteceu. Mas, as pecinhas estão lá. Todas as peças estão lá para a gente montar. Agora, nós temos um modelo, nós vamos montar a peça. Quando a humanidade atinge a maturidade espiritual, espiritual, vem a terceira revelação para fazer o quê? Explicar. Agora, eu vou explicar para vocês. Vou explicar para vocês o quê? Por que que nós demos um jogo pedagógico?
Qual era o objetivo dessa atividade pedagógica? Quantas aulas nós tínhamos preparado para vocês aprenderem essa atividade pedagógica? Qual faculdade que nós gostaríamos que vocês desenvolvessem? Onde que a gente… Aí, revelou o plano pedagógico. Porque agora nós temos maturidade para entender o processo pedagógico que foi utilizado com a gente. Por isso que não tem como separar a primeira, a segunda e a terceira. É uma coisa só. Na verdade, é um processo só. Só que ele foi falado para a gente como uma criança. Um dia, a criança vai falar e vai falar agora eu entendi.
Por que que lá no Meimei fizeram aquela brincadeira, tinha um jogo, eu montei, agora eu estou entendendo. Era isso. O objetivo era esse. Aqui também. Todo esse processo do Levítico que fala de purificação, purificação, purificação, santificação, depuração, depuração, para quê? Para ter contato com Deus, para se relacionar com Deus. Toda depuração material, ela tinha um sentido. O objetivo era, mais adiante, falar do verdadeiro processo de depuração, que é o processo das existências corporais. O processo evolutivo. E, agora, é isso que a gente queria entrar.
E, o que que é bonito nessa história? É que eles revelam. As profecias, elas contam qual vai ser a próxima aula. Esse ano, o programa foi esse. Agora, mais pra diante, nós vamos mudar o programa, a matéria vai ser essa. Então, aqui as atividades, isso são as profecias. Nós vamos ver claramente aqui. Mas, antes de eu ler, queria saber se alguém quer fazer algum comentário, quer falar alguma coisinha. Ninguém? Nossa Senhora, que silêncio. Bom, então, o que que a gente viu nos nossos outros estudos do Levítico? No deserto, no tabernáculo, a instituição do sacerdote de um templo móvel, que era a tenda com a arca.
Era uma tenda e móvel. A instituição dos rituais, dos sacrifícios, das funções sacerdotais, elas são eminentemente concretas. É concreto mesmo. Era o dia inteiro matando animal. Isso é, era o dia inteiro fazendo algo concreto. E, Algumas ordens que eram cumpridas, eram cumpridas sem se entender o motivo. Sem entender. Porque proibição de comer algumas carnes, esse animal pode, esse não pode. Você sabe a explicação? Não sabe. Era um conjunto de ordens concretas. E, esse conjunto de ordens concretas era chamado da aliança.
Então, Deus fez uma aliança. Olha que interessante isso. Foi Deus quem propôs ao povo. Ele chegou e falou assim, eu quero manter um relacionamento com vocês. Mas, para eu manter esse relacionamento, nós vamos fazer acordos. Esses acordos são chamados de alianças. Então, fez uma aliança com Noé. Tem as alianças pequenininhas, né? Uma aliança com Noé, aliança com Abraão, aliança com Isaac, aliança com Jacob. E, se você reúne essas alianças pequenininhas, nós podemos pensar numa aliança, uma aliança que é a aliança que engloba todo o Velho Testamento.
Desde Adão até Zacarias, que é o último profeta. Nós podemos imaginar só Moisés. Moisés é uma figura. Ele é central, porque ele unifica, ele traz a revelação da lei, mas o Velho Testamento não é só Moisés. Então, toda essa soma, nós podemos imaginar a primeira revelação toda como uma aliança, feita no estado de infância da humanidade e com atividades concretas. Mas, olha que interessante. A gente vai lá para Jeremias. Nós estamos falando de um profeta 700 anos antes de Cristo, aproximadamente. Olha o que ele vai escrever.
Está no capítulo 31, versículo 31. Eis, aí virão os dias, diz o Senhor. Dois pontos. Aí, Deus vai falar. Farei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. As tribos do norte e as tribos do sul. As doze tribos. Farei uma nova aliança. Não segundo o pacto que eu fiz com seus pais. Ou seja, não vai ser a mesma coisa da aliança que eu fiz com seus pais, com seus antepassados. No dia em que eu os tomei pela mão para os tirar da terra do Egito. Pacto que eles invalidaram e eu mostrei o meu poder sobre eles. Ou seja, eles descumpriram, porque tinha uma série de coisas que foram ordenadas e eles não cumpriram.
Mas, o pacto não é esse. Qual que é o novo pacto? Mas, esta será a aliança que farei com a casa de Israel. Depois daqueles dias, diz o Senhor, imprimirei a minha lei nas suas entranhas, lá na barriga, no estômago, e as escreverei nos seus corações. E eu lhes serei o seu Deus e eles me serão o meu povo. Bom, pedagogas, já dá para perceber a mudança de tom. Eu vou só falar um aspecto da cultura hebraica para a gente entender. Nas culturas orientais, de um modo geral, e principalmente na hebraica, nada acontece na cabeça.
Por quê? Porque a cabeça é algo exterior. Não tem mente na cabeça. Para nós, ocidentais, isso é difícil, porque para nós tudo está aqui. Para o oriental, não tem nada aqui. Tudo está aqui. A gente pensa aqui. Coração e entranha. A gente sente aqui. Bom, se você pensar bem a questão dos chakras, é isso mesmo, né? Quando você está nervoso, o que acontece? Quando você está magoado, você está triste, você está deprimido. A gente sente aqui e a gente pensa aqui. É tudo aqui que ocorre, não aqui. Isso aqui é exterior. O interior do homem é aqui.
Então, quando a profecia de Jeremias diz eis que eu colocarei a minha lei nas suas entranhas, imaginem, isso já é uma revelação muito forte, porque está dizendo assim, eu vou tirar todas as práticas materiais concretas. Não é isso. Eu quero a lei na entranha e eu vou escrever a lei não em pedra, mas no coração. O que foi anunciado é que Deus faria um pacto em que agora mudaria a pedagogia. A pedagogia agora seria uma pedagogia interior, não exterior mais. Não seriam mais atividades exteriores, mas um processo de interiorização.
Como é que eles compreenderam isso? Não compreenderam. Como é que compreende isso? 700 anos antes de Jesus, como é que você compreende isso? Não tem jeito de compreender. Não tem como compreender isso. Eu particularmente acredito que estava fora do horizonte de compreensão da humanidade. E podemos dizer mais, estar fora do horizonte da maior parte da população encarnada hoje. Porque a maior parte das pessoas vive uma vida 100% exterior. Do momento que a pessoa acorda até o momento que ela acorda, ela está fazendo coisas.
Ela está com toda a mente, todo o sentimento voltado para fazer coisas materiais. E, aqui, está vindo um projeto que era de interiorização. Eu vou trazer a lei para a entranha e eu vou escrever a lei no coração. Então, bom, aí o que eu faço com a arca? Porque a arca da aliança tem umas pedras com a lei escrita. Se a lei está escrita no meu coração, o que eu faço com a arca? Gente, sem falta de educação, pelo amor de Deus. Joga fora, joga na cabeça. Entendem? Eu tenho toda uma tenda, tenho uma arca, tenho todo um processo exterior.
Se isso vai vir para o meu coração, e aí? Assim, 40, 50, 100 anos à frente, né, da humanidade, mas tão avançado, com exceção dos espíritos, espíritos como Cristo, por exemplo, que aí não, vamos até tirar, não dá nem para exemplificar, ou de espíritos muito superiores, né, que ele vem, mas eles vêm e se adequam. Eles se adequam. Porque também, não sei se o organismo que eles trazem, se o cérebro que eles trazem, comporta o conhecimento espiritual que eles têm. Será que não é? Por milênios, né, porque Jeremias está há 700 anos, mas aí tem 10 mil anos antes de Cristo, onde o sacrifício eram sacrifícios humanos, para deuses que cada um, cada um de Deus tinha.
Isso aí ele já tinha superado, né, então ele já estava na época de Jeremias, eles já estavam estabelecidos, ele já tinha um rei, ele já tinha um templo, ele já fazia um sacrifício ali, só para Deus, mas era um sacrifício de animal. E, A sensibilidade que um Jeremias tinha era a sensibilidade social. Então, o que ele via? Aquele mundo de sacrifício toda hora, mas injustiças sendo cometidas, viúvas, órfãos, os próprios sacerdotes sendo injustos, sendo impuros, sendo imorais, mercadejando com a religião. Então, a incoerência do sistema, isso eles viam.
Então, isso aqui é interessante, né, eles viam, olha, esse sistema concreto, ele não purifica. Porque se purificasse, as viúvas não estariam sofrendo, os órfãos não estariam sofrendo, tanta injustiça não estaria sendo cometida, principalmente por aqueles que são os responsáveis por zelar pela religiosidade. Então, esse é um processo interessante, né, que a gente percebe também até no nosso meio, né. Quer dizer, o quanto que, assim, dentro dos nossos movimentos religiosos, as pessoas adotam comportamentos umas com as outras que são absolutamente incompatíveis com a crença e com o que elas professam.
O que elas acreditam, o que elas falam, o que elas estudam, mas elas agem de uma maneira completamente incompatível. Então, isso aí ele percebia. Então, eu acredito que, já naquele momento de Jeremias e de Ezequiel, que eu vou ler aqui, já havia um anseio. Olha, nós queremos algo que seja verdadeiro. Queremos algo que seja de verdade. E não esse aspecto religioso que está todo institucionalizado, que está cheio de ações, mas que no interior as pessoas não têm nada de… A gente sente isso, né? Hoje, no movimento espírita, a gente sente isso muito, né?
Você tem os grupos, tem as federativas, tem todos, mas o comportamento do espírita é um comportamento muito estranho, né? Muito estranho. Às vezes, completamente decepcionante, né? Porque a gente pensa, poxa, como é que a gente pode ainda fazer certas coisas tendo esse conhecimento na mão, né? Tendo essa estrutura, até de trabalho, essas oportunidades de trabalho ainda não vivendo. Então, essa sensibilidade ele tinha, tanto que ele denuncia. Jeremias, Isaías, Ezequiel, os profetas, eles eram promotores de justiça. Está o nosso Gilberto aqui, né?
Os procuradores de justiça, eles eram os denunciadores, eles denunciavam mesmo toda a injustiça, toda a maldade, tudo que estava em desarranjo, né? Mas, denunciavam não de uma maneira de quem quer destruir, né? Denunciavam com muita coragem, mas também com a voz da esperança, mostrando também que Deus agiria, que haveria uma intervenção divina no processo. Nem tudo era queda humana, porque, afinal de contas, é um pacto, é um contrato. Então, se de um lado do contrato tem um homem falível, do outro lado tem um Deus Todo-Poderoso.
Então, é bonito isso, né? Nós temos uma aliança com o Todo-Poderoso. Então, alguém nesse contrato é muito poderoso. Ou melhor, ele é Todo-Poderoso. Então, a denúncia do profeta era no sentido de que o Todo-Poderoso vai resolver esse problema contratual. Essa aliança vai ser resolvida. E aí começam a vir as profecias da nova aliança, virar uma nova aliança. Vamos falar mais um pouquinho da Ezequiel, só pra gente entender. Ezequiel 36, 24. Porque eu vos tirarei dentre as gentes, dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra, e derramarei sobre vós – agora, aqui que está bonito – uma água pura.
Por quê? Está sugerindo aí purificação, né? Derramarei sobre vós uma água pura e vós sereis purificados de todas as vossas imundícias, e eu vos purificarei de todos os vossos ídolos. Purificarei dos vossos ídolos. Agora, vamos falar sobre isso aqui, do ídolo, né? E vos darei um coração novo. Um coração novo. E porei um novo Espírito no meio de vós. E tirarei da vossa carne o coração de pedra. E vos darei um coração de carne. Nossa, que lindo, né? Bonito. A questão do ídolo, nós, às vezes, a gente ouve muito isso. A primeira revelação, o povo hebreu revelou o monoteísmo, a crença num Deus único.
Então, existe um só Deus. Gente, isso aí os egípcios sabiam. Sabiam. Os pobres já sabiam há muito tempo. Será que é isso mesmo? Qual que é a grande questão dos profetas? É a idolatria. Idolatria é você adorar outros deuses. Você substitui, tira Deus e coloca algo no lugar. A idolatria. Qual que é a lógica disso? A lógica, e Jesus fala isso no ensinamento, a lógica para os profetas é a seguinte, você se torna aquilo que você adora. Essa é a lógica. Jesus fala assim, onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração.
Por que o tesouro? O tesouro é o que você adora. É o que você acha que é precioso. O tesouro é aquilo que você acredita que é precioso. O que você acredita que é precioso, lá estará o seu coração. O seu coração vai pra lá. Coração. Então, vamos fazer umas analogias. A pessoa que adora a bebida vou dar um exemplo bem bem grosseiro. Quem ama a bebida alcoólica, depois de um tempo ele começa a se transformar numa bebida alcoólica. Ele cheira álcool, o suor dele é álcool, a fala dele é embolada, o raciocínio dele é lento, a pele muda.
Não é isso? Não é isso? A gente percebe. Você chega perto do alcoólatra, a pele dele é flácida, ele cheira álcool. Eu estou dando um exemplo assim, grosseiro, né, pra dizer que a pessoa se transformou naquilo que ela adora. Isso é forte. Isso sem mencionar os aspectos espirituais. Então, por exemplo, André Luiz menciona no Libertação, quando ele vai descendo para aquelas regiões muito inferiores, porque o umbral, né, o umbral a gente já está acostumado, a gente já tem até o GPS, a Rón, a gente já sabe tudo, né. A gente já anda no umbral, a gente já sabe onde tem tudo, a gente já está acostumado.
Mas, tem uns lugares bem mais pra baixo. Nesses bem mais pra baixo, o que André Luiz começou a perceber? Alguns Espíritos, ele sentia sede. Quando ele ia beber, a água virava ouro. Ele tocava alguma coisa, virava ouro. Por quê? Porque ele tirou Deus e passou a adorar Mamon, que é o Deus da riqueza. Deus da riqueza. Mas, nós temos coisas curiosas, por exemplo. Complicadas, né? Quinto Varro. No início do Livar de Cristo, Quinto Varro é pra ajudar o filho. Aí, ele dá a oportunidade, são cem anos, ele vem na primeira encarnação.
Quando o Quinto Varro desencarna que ele não conseguiu ajudar o filho, ele entra em desequilíbrio. Aí, vem o Clódio, que é o Espírito que fala Varro. Assim, não. O amor que você sente pelo filho está se transformando numa idolatria. Assim, você não vai conseguir auxiliar. O processo de… Por isso que o primeiro mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas. Mas, é difícil, né? É difícil. Ou seja, nós podemos dizer que a humanidade venceu a idolatria só porque acredita que existe um só Deus, mas nós estamos longe disso.
Nós estamos longe disso. E mais, a primeira lei moral do Livro dos Espíritos é a lei de adoração. Por quê? Se a gente se transforma naquilo que adora, se nós adoramos a Deus, o que nós nos transformamos? Em seres divinos. Há o processo de divinização do ser humano. Você se torna divino, porque o seu coração vai para Deus. Você passa a adorar a Deus sobre todas as coisas. A lei de adoração é incrível. É impossível não adorar alguma coisa. Não existe nenhum ser humano que não adore algo, incluindo a si próprio. Porque a adoração própria, também, que é o orgulho, né?
Você adora, adora, adora, adora, adora, adora, e aí cristaliza, porque não consegue mais transcender. E, o que que é interessante? Todo Deus pede um sacrifício. Isso é incrível. Isso é incrível. Toda adoração tem um processo de oferenda. Então, a pessoa adora o dinheiro, aí ela trabalha 22 horas por dia. Tá oferendo, tá oferendo, tá oferecendo, tá sacrificando. Quando os profetas ficam bravos, porque tá sacrificando aos outros idos, a gente pensa ingenuamente, quer pegar um carneirinho e levar num templo, sacrificar a Apolo.
Quem dera. Quem dera que fosse isso. Não é? Quantos sacrifícios a gente faz por causa do egoísmo, né? A gente fala mal das pessoas, a gente vibra negativamente com o trabalho de alguém, a gente faz calúnia com a pessoa que tá trabalhando. A gente prejudica a tarefa do outro pra nossa ter relevância. Nós fazemos coisas horríveis, oferendas, sacrifícios pra idolatrar o ego. Então, isso é o século. É verdade que algumas religiões estão só na adoração? Só na adoração todas as religiões estão, porque o objetivo da religião é a adoração.
Não é? O que é certo é que algumas religiões estão num processo de adoração puramente material. Porque a adoração é uma lei. A adoração é uma lei. O adorar é colocar o afeto, é colocar o sentimento, é colocar a alegria, o prazer naquilo. Então, há uma lei de adoração. Nós E, aí, olha que interessante isso, né? Tá lá nos provérbios, toda a literatura sapiencial do Velho Testamento. A nossa sede de Deus é infinita. E qualquer coisa que você colocar no lugar não vai satisfazer. Então, se você adora o dinheiro, nunca vai ser suficiente.
Se a criatura adora o sexo, nunca vai ser suficiente. Ele nunca vai saciar. Porque nada pode saciar a nossa sede de adorar a Deus. Nós temos uma sede do absoluto, né? A sede do divino, a sede do absoluto. Se você direciona pra outra coisa, fica insaciável. É o que Jesus fala com a mulher samaritana. Você vem aqui, busca água, você não percebeu? Toda vez você vai vir buscar água. Você vai vir buscar água, vai matar a sede, vai ter sede de novo? Mas, eu tenho da água viva, aquela que você vai beber e nunca mais você vai ter sede.
A água viva é a verdadeira adoração a Deus. Olha que interessante. Na questão da mulher samaritana, os discípulos são lá pra comprar comida. Eles chegam e falam, olha, compramos comida. Ele fala, comida? Eu já tenho comida. E a mente dos apóstolos é uma mente concreta, né? Então, fala, quem comprou comida pra ele? Alguém deu comida? Você comprou? Você que deu comida pra Jesus? Aí, Jesus fala assim, a minha comida é fazer a vontade de meu Pai. Isso é incrível, né? Meu alimento é amar e servir a Deus. É a nova aliança.
Então, quando chega Jesus, Ele é o novo coração, o novo homem, o novo templo, a nova adoração, a nova aliança. Todos os sacrifícios de animais não tem mais animal. Por quê? Porque não pode ter mais nada externo. O sacrifício de Jesus, agora, é a sua própria vida. Por isso, Ele é o cordeiro que tira o pecado do mundo. Não tem mais um cordeirinho externo, não tem que ir lá pegar um bichinho, coitadinho, né? Não é externo. O sangue, agora, é a própria vida. Então, na primeira aliança, o Espírito vivificante, é o Espírito que dá vida, um novo culto, agora, a adoração a Deus é viver para Deus, é dedicar a vida a Deus.
Mas, como? Aí, Jesus estabelece assim, isso aqui é interessante, misericórdia quero, não sacrifício. Está lá na profecia. Misericórdia implica um outro. Estamos de acordo quanto a isso? Se for só eu e Deus, eu vou ser misericordioso como? Eu preciso de alguém. Eu preciso de alguém. Então, Jesus começa a falar não só que Ele é o novo templo, que Ele é o novo homem, Ele é o novo culto, Ele é o novo sumo sacerdote. O sacrifício não é mais nada externo agora, não tem mais animal, o sacrifício agora é a própria vida. Mas, Ele começa a falar o seguinte, se você vier oferecer algo no altar e descobrir que teu irmão tem algo contra ti, deixa a oferenda e vai conciliar com teu irmão.
Então, o que é mais importante? A oferenda no altar ou a conciliação com o irmão? A conciliação com o irmão. Bom, então, o próximo, agora, passa a ser um altar. Isso é interessante porque Ele vai contar uma parábola que é uma parábola que envolve sacerdote. Então, é uma parábola que tem a ver com Levítico. Agora, a gente pode falar sobre isso. A parábola do bom samaritano. Desci o sacerdote, desci o levita. Nós estamos falando de quê? De templo, de sacrifício, de pureza ritual, etc, etc. Por que o sacerdote e o levita não atenderam o homem que estava caído morto?
Porque sacerdote e levita não podem tocar cadáver. Eles não podem se transformar em impuro. Eles não podem perder a pureza ritual. Por quê? Porque eles têm que praticar o culto. Mas, o culto da primeira aliança é um culto exterior, porque ele é um culto pedagógico. São atividades pedagógicas que apontam para uma finalidade, que é Jesus. Quando chega o samaritano, o que ele faz? Ele vai ao culto? Não. Ele faz um ritual de purificação? Não, mas ele atende ao homem caído. Então, quem cumpriu a lei? O sacerdote, o levita ou o samaritano?
Olha que pergunta complicada. Porque o sacerdote e o levita fizeram tudo o que está na lei. Como é que você pode fazer tudo o que está na lei de pedra e não cumprir a lei? E o samaritano, que não fez nada que está na lei de pedra, mas fez tudo. Por quê? E o próprio doutor da lei responde. Por quê? Porque ele exerceu a misericórdia. E o doutor da lei conhecia a profecia. Misericórdia quero e não sacrifício. Ou seja, o serviço ao próximo, a caridade ao próximo, está acima, acima do culto. Isso, pra gente, é inversão de lógica.
Porque a gente fala, eu sou cristão, eu sou cristão, mas nós colocamos o ritual acima do ser humano. Olha que coisa. É um desafio, né? E o que Jesus está dizendo é o altar agora é o próximo. Toda, olha só, a separação lá das ovelhas e dos cabrinhos. Como é que é a separação? Chega o filho do homem e fala assim, tive fome e me deste de comer. Tive sede e me deste de beber. Tive frio e me deste o agasalho. Aí, as ovelhas perguntaram assim, eu? Mestre, nós não te demos nada de comer, não. Você está confundindo a injustiça com os cabritos.
Você está enganado. Nós não demos nada pra comer. Não te demos água, não te demos vestido, não. Deram? Não deram, Mestre. Deram? Toda vez que fizeste a um desses pequeninos, a mim o fizeste. Mudou a lógica. O altar agora, o meu altar é o semelhante. Então, como que eu mostro a minha adoração a Deus? Amando o próximo. Está ficando difícil, não é? Está ficando difícil. Por quê? A prova do meu amor a Deus é o meu semelhante. O meu semelhante é a minha prova de fogo. É onde eu mostro se eu adoro ou não a Deus. Então, você vê Alcione vindo lá de Sirius.
Nossa, o que ela vai fazer? Vai ser presidente dos Estados Unidos? Vai ser presidente do Brasil? Presidente da Federação? Não. Vai ficar dentro de uma casa cuidando dos familiares. A vida inteira. A vida inteira dentro de casa cuidando das pessoas. Cuidando. Meu Deus, mas isso não é possível. E aí? Desencarna? Para onde que ela vai? Emmanuel diz assim. É um anjo. É um anjo. Mas não tem uma coisa errada. Entende? Tem uma coisa errada porque eu viajei o mundo inteiro fazendo palestras, não é possível. Pois é, mas não adianta.
O teste de fogo é o amor ao próximo. O próximo é o meu altar. É no próximo que eu mostro a Deus o quanto eu amo. Então, essa é uma nova aliança. É um novo coração, uma lei que é colocada. Não tem mais, tiram-se aí agora as pedagogias, porque tem uma hora que tem que tirar os jogos pedagógicos que a criança tem que fazer, não é? Agora, ela tem que ir no raciocínio abstrato, não dá mais para ficar com atividades pedagógicas. Ela precisa adquirir o conhecimento, ela precisa do raciocínio abstrato. Então, chegou uma hora, depois que Jesus veio, que tirou as escoras, todo o carrinho, como é que chama aquele negocinho que anda, o voador, aquilo ele tirou, tirou as rodinhas da bicicleta, agora tem que andar, agora tem que andar.
E o culto de Jesus, né, a adoração de Jesus, ele adora a Deus através da sua ação consemelhante. A isso, o André Luiz vai falar no nosso lá, a Laura, né, a Laura, ela fala no vértice, né, quer dizer, a verticalização é o nosso amor a Deus e a horizontalização é o meu amor ao próximo. E aí, cria o ângulo reto, a retidão, né, a nova aliança, uma lei que é interior, que não é mais exterior, um altar que agora é o próximo, uma adoração ao Deus que agora é servir ao semelhante. É interessante isso, que eu encontrei um rabino, um livro de um rabino, uma história de Daís, que ele fala assim, a primeira destruição do templo foi porque os judeus não amavam a Deus sobre todas as coisas.
A segunda vez que o templo foi destruído, no ano 70, foi porque os judeus não amavam o próximo como a si mesmo. Não sou eu que estou dizendo, é o rabino. Depois vem brigar comigo, né? Não sou eu, estou só citando. Então, quando ele faz o processo de purificação, ele volta com as bênçãos. Aí, o que Emmanuel vai dizer? Ante a glória dos mundos evolvidos, das esferas sublimes que povoam o universo, o estreito campo em que nos agitamos na crosta planetária, é limitado círculo de ação. Ficou assim, pequenininho. Se o problema, no entanto, fosse apenas o de espaço, nada teríamos de lamentar.
A casa pequena e humilde, iluminada de sol e alegria, é paraíso de felicidade. Uma casinha pequenininha, tem sol, tem alegria, tem um paraíso. Não precisa de muito grande, né? A angústia do nosso plano procede da sombra. A escuridão invade os caminhos em todas as direções. Trevas que nascem da ignorância, trevas que nascem da maldade, da insensatez, envolvendo povos, instituições e pessoas. Nevoeiros que assaltam consciências, raciocínios e sentimentos. Em meio da grande noite, é necessário acendamos nossa luz. Sem isso, é impossível encontrar o caminho da libertação.
Sem a irradiação brilhante de nosso próprio ser, não poderemos ser vistos com facilidade pelos mensageiros divinos, que ajudam em nome do Altíssimo e nem auxiliaremos efetivamente a quem quer que seja. É um nevoeiro tão grande, se você não fazer brilhar a sua luz, você não é visto. Isso está no Caminho, Verdade e Vida, capítulo 180. Mas, aí, não há ação e reação? Não, não, vamos ler um outro aqui. Bom, está no livro o capítulo Raiou a Luz, o livro Levantar e Seguir. Emmanuel diz assim, O Mestre, o Cristo, pois, é o Orientador Supremo de todas as almas que permanecem ou transitam no mundo terreno.
Mesmo quem mora aqui ou quem veio só de intercâmbio, o Mestre é o Cristo. Olha que interessante. Sua luz imortal é tesouro imperecível das criaturas. Sua luz. Os que aprendem ou resgatam, os que se curam ou os que espiam, encontram em seu coração o coração de Jesus. Por quê? Porque ele é o novo coração, a nova aliança. Então, todos encontram no coração dele a claridade dos caminhos eternos. Então, você vê que na mensagem lá do Caminho, Verdade e Vida, ele falava que tudo é escuridão na Terra. E, agora, ele está falando da claridade eterna, que é o coração de Jesus.
Né? Por isso que a gente não cansa de repetir. O Evangelho é o sol da imortalidade que o Espiritismo reflete com sabedoria para as criaturas, para o mundo de hoje, né? É isso. Sol da imortalidade. Então, claridade dos caminhos eternos. A multidão que estaciona nas trevas da ignorância e as fileiras numerosas dos que foram detidos na região da morte pelo próprio erro devem compreender essa luz que está brilhando aos seus olhos desde vinte séculos. Antes do Evangelho, podia haver grande sombra, mas com o Cristo vibra a claridade resplandecente de novo dia.
Por quê? Porque ele é o sol. Mas, é lindo, né? Aí, ele fala assim, agora é interessante. O que que eu emano, né? O Paulo vai dizer na Carta aos Hebreus por que que Jesus é o sumo-sacerdote perfeito pra gente? Por quê? Ele vai dizer assim. Porque pra ser sacerdote, você tem que ser mediador. E uma coisa que ele diz é que pra ser mediador, ele tem que estar perto dos dois lados. Senão, você não é mediador. Jesus está ao lado de Deus. Por quê? Porque ele é um Cristo. Ele é um co-criador em plano maior e os processos de comunhão dos co-criadores em plano maior com Deus, diz André Luiz, são processos de comunhão indescritíveis.
Então, não existe nenhum Espírito na Terra mais próximo de Deus do que Jesus. Ele está em comunhão direta. Jesus comunica-se diretamente com Deus. Não existe nenhum Espírito que faça isso. A não ser os outros Cristos do sistema. Então, não venha com essa de filósofo, de pensador. Nós estamos falando de comunhão. Então, ele está próximo de Deus. E da gente? Bom, aí ele veio numa vida com a gente e Passou por todas as dificuldades que o encarnado pode passar. Tudo que você pode sofrer, encarnado, ele sofreu. Então, você está com cólica renal, ele entende.
Ele apanhou no rim. Ele sabe o que é isso. Perdeu um filho assassinado? Ele e a mãe dele perdeu. Você foi assassinado injustamente? Ele também. Você foi abandonado? Todos os amigos? Ele também. Foi incompreendido por todos, inclusive, os companheiros de grupo espírita, os companheiros de trabalho? Ele também. Então, não tem nenhum sofrimento que um ser humano possa passar que Jesus não tem experimentado. Só que tem um detalhe. Ele só tirou a mais. Sobesse. Agora, isso é o que o Paulo fala. Então, ele está próximo da gente.
Por isso que ele pode mediar. Porque ele… Entendem, gente? Se o negócio ficar muito apertado o critério lá, ele fala assim, o pai, mas olha, coitado, dá uma chance para o Arona, é difícil, a situação, ele está encarnado lá, é difícil, vamos dar mais uma chance, vamos ter compreensão, a gente se sente sozinho mesmo quando está lá, fica uma falta de esperança, fica nervoso, vamos dar uma chance. Nós temos um mediador. Isso é incrível. Um ser que, no momento ele está falando com Deus, nós já não sabemos o que é isso, o processo de comunhão é indescritível, então não tentem tentar entender, muito menos escrever.
Então, Jesus tem contato direto com Deus, mas ele se materializa e se fala com um ser humano encarnado. Está lá no Evangelho. Ele vai de uma ponta a outra, de um extremo ao outro. É um mediador. Agora, olha que interessante, o Emmanuel vai no livro Mais Perto. Não, no livro Aflitos, a lição se chama Mais Perto. Mais Perto. Olha aqui que o Emmanuel, se não é um comentário à Carta aos Hebreus. Essa eu dedico pra Imaíl. Nem no céu, indiferente aos enigmas do mundo, nem na Terra, esquecido das perfeições celestiais, mas sim suspenso entre os anjos e os homens.
Suspenso entre os homens e os anjos, como a dizermos que somente algemados à cruz de nossos próprios deveres é que acharemos, depois da procura vitoriosa, o excelso caminho de nossa própria ressurreição. Porque a gente não pensa nisso, né? Enquanto ele estava crucificado, os pés dele não tocavam a terra. Mas, ele também não estava nas alturas, não estava também afastado, porque ele foi provocado, a lança foi furado. Então, nem indiferente aos enigmas do mundo, nem esquecido das perfeições celestiais, mas suspenso entre os anjos e os homens.
No meio, como a dizermos que somente algemados à cruz de nossos próprios deveres é que acharemos o excelso caminho da nossa própria ressurreição. Bonito, né? Como é que Emmanuel consegue essas coisas? Aí, para encerrar, quem faz a prece final? Eu vou ler essa mensagem e a gente já faz a prece. Nossa, ficou todo mundo, agora, meio triste, assim. A mensagem é para dar uma animada. Faz, Cláudio Abreu faz. Essa mensagem está na Revista Reformador, de agosto de 1957, se chama Nascenda do Cristo. O caminho de Jesus é de vitória, da luz sobre as trevas e, por isso mesmo, repleto de obstáculos a vencer.
Senda de espinhos gerando flores, calvário e cruz indicando ressurreição. O próprio mestre, desde o início do apostolado, desvenda às criaturas o roteiro da elevação pelo sacrifício. Sofre, renunciando ao divino esplendor do céu, para acomodar-se à sombra terrestre na estrebaria. Experimenta a incompreensão de sua época, auxilia sem paga. Serve sem recompensa. Padece a desconfiança dos mais amados. Depois de oferecer sublime espetáculo de abnegação e grandeza, é içado ao madeiro por malfeitor comum. Ainda assim, perdoa aos verdugos, ouvida as ofensas e volta do túmulo para ajudar.
Todos os seus companheiros de ministério, restaurados na confiança, testemunharam a boa nova, atravessando dificuldade e luta, martírio e flagelação. Ressurgindo no Espiritismo, o Evangelho faz nos sentir que tornamos a carne para regenerar e reaprender. Com o corpo físico, retomamos nossos débitos, nossas deficiências, nossas fraquezas e nossas aversões. E não superaremos os entraves da própria liberação, providenciando ajuste inadequado com os nossos desejos inconsequentes. Acusar, reclamar, queixar-se, não são verbos conjugáveis no campo de nossos princípios.
Diz-nos, o Senhor, amais vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Isso não quer dizer que devamos ajoelhar em planto de penitência ao pé de nossos adversários, mas sim que nos compete viver de tal modo que eles se sintam auxiliados por nossa atitude e por nosso exemplo, renovando-se para o bem, de vez que, enquanto houver crime e sofrimento, ignorância e miséria no mundo, não podemos encontrar sobre a Terra a luz do Reino do Céu.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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