Neste episódio, Haroldo Dutra Dias dá continuidade ao estudo do livro de Levítico, o terceiro livro do Pentateuco, que se destaca por ser um código sacerdotal repleto de regras, práticas e condutas. O estudo busca aprofundar a compreensão da essência do livro, que, à primeira vista, pode parecer um emaranhado de detalhes. A temática central, como em toda a Bíblia, é a relação entre o Criador e a criatura, um fluxo de Deus para o homem e do homem para Deus.
O que é estudado neste episódio
- O significado do nome Levítico: O nome hebraico do livro, “Vaikra”, significa “E Ele chamou”, remetendo à primeira palavra do texto: “E chamou Deus a Moisés”. Isso já indica a temática central de Deus em busca do homem, um Pai que clama pelo filho, como ilustrado na parábola do filho pródigo.
- A Tenda do Encontro (Tabernáculo): A tenda, ou tabernáculo, é um local de encontro entre Deus e o povo, e também de comunhão entre os membros da comunidade. Em uma sociedade oriental antiga, a noção de comunidade era fundamental, e o tabernáculo representava o centro dessa vida comunitária.
- O Sacerdócio como Mediação: O segundo grande tema do Levítico é o sacerdócio. A função principal dos sacerdotes é a mediação entre Deus e o povo. Eles atuam como canais para que os dons e bens divinos cheguem à comunidade, e para que o povo se aproxime de Deus em busca de Sua presença e dádivas.
- As etapas do progresso humano: Haroldo Dutra Dias utiliza a visão de Emmanuel em “A Caminho da Luz” para explicar que o Velho Testamento representa a infância espiritual da Terra, Jesus a maioridade, e a Doutrina Espírita a maturidade. As soluções apresentadas no Levítico são pedagógicas e adequadas à fase infantil da humanidade.
- A necessidade de mediadores: A pergunta “Por que mediadores?” é respondida pela imaturidade espiritual do povo, que não estava preparado para um contato direto com a realidade espiritual. Os mediadores, como os sacerdotes, eram essenciais para um processo de preparação e desmaterialização do homem.
- O conceito de “Santo” (Kodesh): No Levítico, “santo” não tem a conotação ética atual, mas significa “separado”. É a delimitação entre o sagrado e o profano, onde o sagrado é aquilo que foi reservado para o estabelecimento de uma conexão com Deus.
- A imaterialidade de Deus: A grande contribuição do povo hebreu é a concepção de um Deus imaterial, diferente das divindades pagãs que possuíam necessidades humanas. Essa imaterialidade gerava temor e a necessidade de um processo de purificação para a aproximação.
- O processo de desmaterialização: A subida metafórica do homem em direção a Deus implica um processo de desmaterialização, de descolamento da matéria, para que a comunhão espiritual seja possível. Esse processo se dava através de uma “série ascensional de separações”, como a separação do povo, da tribo de Levi, da família sacerdotal e das oferendas.
- O Tabernáculo e seus níveis de santidade: O tabernáculo era dividido em três partes: o Átrio (onde o sacrifício era oferecido), o Lugar Santo (onde só entravam os sacerdotes) e o Santo dos Santos (onde Deus habitava, acessível apenas ao Sumo Sacerdote uma vez por ano, no Yom Kippur).
- O Yom Kippur e a purificação: O Yom Kippur (Dia da Expiação) era o ponto alto do Levítico, quando o Sumo Sacerdote entrava no Santo dos Santos para pedir a purificação de todo o povo. A purificação era acompanhada de dádivas e da inscrição no Livro da Vida.
- A transição para Jesus como Sumo Sacerdote: Paulo, na Carta aos Hebreus, questiona a eficácia dos rituais anuais do Yom Kippur e apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote definitivo, da ordem de Melquisedeque (espiritual, não levítica). Jesus, ao se oferecer em sacrifício, transpõe a esfera material para a espiritual, tornando-se o único mediador e encerrando a necessidade dos rituais.
Reflexões
- O Levítico, com seus rituais e leis, representa uma fase pedagógica da humanidade, onde as práticas materiais visavam preparar o espírito para uma compreensão mais profunda da relação com o Divino.
- A evolução espiritual da humanidade nos leva a transcender os rituais externos, buscando uma comunhão com Deus baseada na desmaterialização do ser e na vivência dos princípios éticos e morais.
- Jesus, como o Sumo Sacerdote da ordem de Melquisedeque, simboliza a superação da necessidade de mediadores rituais, abrindo caminho para uma conexão direta e íntima com Deus através do amor e da verdade.
Ler transcrição do episódio
Bom, então, retomando, né, nosso estudo do Levítico, é… a gente lembra que o livro Levítico, ele é um código sacerdotal e, como um código, ele é cheio de regras, práticas, de condutas, de procedimento e, se a gente faz uma leitura, assim, muito rápida do livro, a gente acaba se perdendo num conjunto de detalhes e dificilmente vai conseguir retirar a essência do livro, o fio condutor, quer dizer, qual é o sentido daquele conjunto de normas, daquele conjunto de regras, daquelas especificações todas. Então, a gente tem tentado aqui fazer um voo panorâmico, um voo concêntrico, a gente vai várias vezes dando volta, dando volta, dando volta e aproximando cada vez mais nas voltas do nosso alvo, até que a gente possa examinar alguns versículos mais específicos do livro, né.
Não precisa nem dizer que a temática central de qualquer livro bíblico é o Criador e a relação do Criador com a Criatura. A temática bíblica é o aspecto religioso da vida, aspecto religioso no sentido de relacionamento, de um fluxo que se estabelece de Deus para com a criatura e da criatura para com o Criador. Então, Deus está sempre subentendido e, na verdade, o livro Levítico ele tem um nome muito interessante, né, porque o nome que os hebreus dão para os livros, geralmente, é a primeira palavra do livro. Então, o primeiro livro que a gente chama de Gênesis é chamado de Bereshit, no princípio, que é a primeira palavra que ocorre.
E, aqui, a primeira palavra do Levítico é e Ele chamou. Ele, Deus, chamou Moisés. Então, o livro chama Vaikra e chamou Deus a Moisés. É curioso isso, porque já deixa implícito a temática central do livro, que o Abraão Joshua Heschel, que foi um grande filósofo judeu, ele tem um livro que fala Deus em busca do homem. Há uma ideia que é essa, Deus buscando a criatura, está indo ao encontro da criatura. Da criatura que se afastou, que entrou num processo sucessivo de afastamento. Nós já comentamos isso aqui desde lá do Éden, os processos de afastamento foram se dando até chegar a um extremo em que Deus precisa buscar com muita intensidade, precisa buscar com muita força mesmo a criatura, tamanho o afastamento que ela se encontra do Criador.
Então, é que essa primeira palavra que chamou Deus, Vaikra, é uma palavra forte. O livro diz de um chamado, de um chamamento divino, de um pai clamando pelo filho. Essa é que é a ideia. Esse termo é muito importante, que é um termo que Jesus a utilizar demais. Ele conta muitas parábolas do pai de família, a própria parábola do filho pródigo, o pai afetuoso, amoroso, buscando, chamando, tentando encontrar o filho quando ele ainda está longe, o filho estava longe, estava afastado e o pai sempre procurando se aproximar.
Então, essa ideia está sempre perpassando o livro, Deus procurando o homem. Aí, vem uma outra ideia central do livro Levítico, que é o templo, que aqui não é templo de pedra, é tabernáculo, é uma tenda. O nome dessa tenda é curioso, é muito curiosa a tenda, porque o nome dela é Tenda do Encontro. Olha como é que está casadinho, né? Deus procurando o homem e pede a Moisés para que construa uma tenda, que nós vamos chamar de tabernáculo. E, nessa tenda, se dará o encontro, o encontro de Deus com o povo, o encontro de Deus com a criatura e o encontro dos próprios membros da comunidade.
Porque, em torno daquela tenda, eles se reuniam, e viviam uma experiência comunitária, que é muito forte, isso é muito importante. Nós temos que imaginar que nós estamos numa sociedade oriental, de quase 3 mil anos atrás, em que essas noções de indivíduo, carteira de identidade, CPF, títulos de eleitor, isso não existe, né? Essa noção de indivíduo, isso não faz parte dessa cultura oriental de 3 mil anos atrás. Ela é uma cultura comunitária, você só é alguém se você pertence a. Isso é muito forte. Então, nós não podemos perder de vista também essa noção comunitária, a tenda do encontro.
Mas, nós já falamos muito aqui sobre a tenda, o tabernáculo, as implicações, finalizamos no último Levítico, até com questões proféticas do tabernáculo, etc. Hoje, nós vamos falar do segundo grande tema do Levítico, que é o sacerdócio. E, o terceiro grande tema são os dons mediados. Quando eu digo dons mediados, eu já falo da função do sacerdote. Qual é a função, se a gente pudesse resumir numa palavra? Qual o papel do sacerdote no Levítico? E, Qual o papel do sacerdote no Velho Testamento? Dos sacerdotes, né, porque não é um sacerdote.
Os sacerdotes. Porque eles têm muitas atribuições, eles têm muitas funções. Eles têm funções, inclusive, sanitárias. A pessoa que é leprosa, se ela se curar, ela tem que se apresentar ao sacerdote. Somente depois que o sacerdote der o veredito de que aquela pessoa está purificada, de que ela está livre da lepra, ela pode ser reintegrada à vida social, à vida comunitária. Então, embora eles tenham muitas atribuições, eles têm um papel só. O papel dos sacerdotes é mediação. Então, eles estão entre o povo e Deus, intermediando.
Então, os sacerdotes são intermediários, mas não no sentido de médium, porque essa função medianímica de médium cabe mais ao profeta. A função do sacerdote é mediadora num sentido mais prático, mais pragmático. Deus quer se encontrar com a sua criatura, com as suas criaturas, Deus quer se encontrar com a comunidade, por quê? Porque Ele quer dispensar dons, bens, dádivas. Mas, Ele precisa de um canal, de intermediários que possam canalizar esses bens até o povo. Essa é a ideia central, esse é o tripé, tabernáculo, sacerdote, dádivas, os dons, os dons de Deus.
E, quando o povo procura o tabernáculo, quando o povo oferece sacrifício, quando o povo ora, quando ele se aproxima e participa das festas sagradas, quando ele faz tudo isso, ele está buscando dons, está buscando alguma coisa de Deus, receber algo de Deus. E, aqui, eu incluo os dons, inclusive a presença divina. Experimentar a presença divina é uma dádiva, é um dom também que se está buscando e que Deus quer oferecer. Então, essa é a temática geral. Agora, vamos entender Deu, Paulo? Deu, não? Os três semacentrais? Porque, aí, a gente pega essas colunas mestras, quando a gente for descendo, a gente vai entendendo as coisas, que é o que nós vamos fazer aqui, agora.
Aí, alguém vai fazer a primeira pergunta. Por que mediadores? Por que precisa de mediadores? Por que esse contato não se faz direto? Essa é a grande pergunta. E, para responder essa pergunta, eu já vou misturar, aqui, terceira revelação, segunda revelação com a primeira. Se a gente pergunta isso para um rabino, ele vai dar uma resposta que está dentro só da primeira revelação. Então, aqui, como nós estamos fazendo um estudo conjunto, utilizando Doutrina Espírita, Evangelho e Velho Testamento, a gente consegue fazer essas sínteses mais largas.
Quando Emmanuel se refere ao Velho Testamento, ele diz assim, é por isso que a par do Evangelho está o Velho Testamento tocado de clarões imortais para a visão espiritual de todos os corações. Uma perfeita conexão reúne as duas leis, que representam duas etapas diferentes do progresso humano. É importante a gente gravar isso. Está no Acaminho da Luz, capítulo 7. Duas etapas do progresso humano. Lá na frente, ele vai especificar essas etapas, ao longo do Acaminho da Luz. Na época do Velho Testamento, nós não podemos entender que o Velho Testamento é só Moisés, né?
Já falamos sobre isso. O Velho Testamento vai de Adão até o último profeta, Zacarias. Então, tem um período aí de mais de 1.500 anos. Muito mais, né? Quase 3.000 anos, 4.000 anos, né? 4.000 anos. Moisés é um centro, uma centralidade, mas você tem todo um período. Isso representa a infância espiritual da Terra. Então, qual é a etapa? Infância. Quando chega Jesus? Maioridade. Então, a humanidade já está com, se fosse o Brasil, que a maioridade judaica é de 13 anos. A nossa é de 18. Então, a humanidade teria com 18 anos.
Responsável. Ela passa a responder. Quando chega Doutrina Espírita? Maturidade. Então, não é mais um jovem, agora é um maduro. Se é uma etapa diferente do progresso humano, nós precisamos entender que as soluções que serão dadas pelo Levítico são soluções para a fase de infância espiritual da humanidade. Isso é importante. Soluções para aquela fase. Porque, senão, todo mundo vai fazer uma pergunta. Eu vou falar um tanto de coisa aqui, no final você vai se perguntar assim, mas por que a espiritualidade ensinou e deixou as pessoas praticarem e acreditarem nessas coisas?
Para depois fazer um processo reverso, de desconstrução. Para que ela construiu para depois desconstruir? A mesma pergunta nós podemos fazer para uma pedagoga. Por que você cria toda uma espécie de jogos pedagógicos, de atividades para criança e depois quando ele já está na idade da abstração, que ele não precisa de você, você desconstrói? Exatamente porque a atividade concreta que está na fase infantil, ela aponta, ela evoca o que será feito no futuro. Esse é o segredo. Então, quando a gente volta para o Levítico, a gente vê que está tudo ali.
Tudo que o Espiritismo já está falando, já está lá. Tudo que Jesus falou, já está lá. Mas, no estado de germem, que não podia ser desenvolvido ainda, mas aquilo tinha um propósito. A palavra que me veio aqui agora tinha uma direção. Aquilo tinha uma direção. Caminhava num sentido, visava um alvo. E é por isso que Paulo, quando vai falar disso tudo aqui, ele diz assim, quando eu era menino, eu falava como menino, eu comia como menino, eu me vestia como menino. É agora que eu não sou mais menino, eu tenho que deixar as coisas de menino para trás.
Então, nós imaginemos, mesmo se você pegar só a sociedade hebraica, só o povo judeu, reconstruir o templo hoje e ficar lá levando bezerro hoje. Será que a comunidade internacional, será que Israel conseguiria manter isso hoje? Milhares de animais sendo sacrificados por dia. Não cabe mais. Eles mesmos têm essa consciência. Então, foi dada uma solução pedagógica, que apontava para uma realidade, mas que era adequada a uma época do desenvolvimento da humanidade. Então, primeira observação que a gente faz. Ou seja, à medida que a humanidade foi crescendo, ela foi percebendo a razão de tudo aquilo, o sentido oculto de tudo aquilo, o sentido espiritual que estava por trás de uma prática material.
Como nós vamos perceber? Vamos imaginar uma seguinte situação. Será que no mundo ditoso tem médium psicógrafo? Vamos imaginar, numa esfera do Cristo, uma esfera de anjos, tem psicógrafo? Eles não têm nem corpo. Vai ter lápis e papel? Não tem nem corpo como o nosso. Então, daqui milhões de anos, nós vamos olhar para essa história toda, de um lápis, de uma psicografia e vamos falar assim, meu Deus do céu, eles estavam atrasados, não é? Estavam precisando… A gente não precisa mais desse tipo de comunicação. É, não é? Esse nível já não existe nessa cidade.
Já está. A comunicação se dá de maneira que a gente nem imagina, o tipo de comunhão. Então, aqui nós temos que pensar da mesma maneira, da mesmíssima maneira. Então, vamos falar das soluções. Por que um mediador? Porque o povo era infantil. O povo não estava preparado para um contato direto com a realidade espiritual. Essa é a questão. Então, nós temos que fazer um trabalho de preparação do povo através do mediador. É o que nós vamos ver aqui. O importante que a gente perceba a questão de sagrado, santo, não tem, nessa época, a conotação ética que tem hoje.
Então, se eu falo santo, hoje, eu estou imaginando um padrão ético de moralidade de alto nível. Não é isso aqui. Isso está implícito aqui. Está implícito, mas não é a tônica. Santo é o oposto de profano. Então, a primeira coisa que vai ocorrer é uma delimitação de territórios. Eu terei o território do sagrado, do sacro, do santo e o território do profano. Por quê? Por que, no profano, eu tenho algo que é a vida material? E, não só a vida material, isso não é um problema. É a vida extremamente materializada. E, esse é o problema.
Esse é o problema. A vida material não é problema nenhum. Depois, nós vamos falar sobre isso aqui. Toda religiosidade bíblica, ela é uma religiosidade do cotidiano. E, nenhum momento da Escritura, nem mesmo o Novo Testamento, nós somos aconselhados a afastar-nos da vida cotidiana. Pelo contrário, a iluminação vem da vida cotidiana. Vem da vida cotidiana. Você se ilumina na mesa de refeição, é na casa, é pescando, é trabalhando, é fazendo atividades. Opa, está quente. Esquentou. A pessoa se ilumina nas atividades do cotidiano.
Não é no sentido de profano, ao contrário, é cotidiano. Porque, essa ideia de se isolar, de sair do mundo, isso é uma deturpação. Isso não cabia na vida hebraica. Você não é iluminado porque está distante da vida, pelo contrário. Você só é iluminado se estiver totalmente conectado à vida, aos menores gestos da vida. Olha que interessante isso. Mas, o sentido aqui é que Deus, Deus, e esse é o contributo, a contribuição do povo hebreu para o mundo. Essa é a contribuição. Deus é imaterial. Esse ponto. Eu posso estar enganado, não fiz uma pesquisa assim tão ampla, posso estar equivocado, mas desconheço divindades totalmente imateriais na antiguidade.
Você pega Zeus, por exemplo, que é o senhor do panteão grego. Zeus tem necessidades sexuais, ele vem à Terra, namora, e é namorador demais, está cheio de esposa na Terra, as esposas ficam grávidas dele, ele tem filhos, esses filhos são semi-deuses, está sempre passeando. Os deuses do panteão grego têm necessidades imateriais, porque, na verdade, eles são homens amplificados, eles são super-homens, eles não são seres espirituais, são homens com um H maiúsculo, com super-poderes. Tem os defeitos humanos superlativos e as qualidades superlativas.
São homens grandes, nada além disso. Se você pega as outras divindades, todas elas têm essas necessidades. O Deus de Israel, o Deus do povo hebreu, é um Deus imaterial, imaterial. Isso é difícil, porque nós estamos na fase da infância da humanidade, vocês imaginam que dificuldade que era isso. Em um período da evolução espiritual da Terra, em que as pessoas eram 99% materializadas, as cogitações eram só materiais. A ideia de que Deus me abençoou, quando? Se eu tive uma boa colheita, se eu estou com saúde, se eu consegui vender meus cabritos, porque tudo está na esfera do material.
Ainda hoje, né? Temos espíritos hoje na Terra que estão nessa fase ainda, não é? Espiritualmente falando, são crianças, né? Só conseguem ver a vida de um prisma material, das questões materiais. Então, a pessoa não consegue ter um pensamento que não seja fora da esfera material. Isso é importante a gente entender. Aí, vem um Deus imaterial. Que negócio é esse? Então, esse Deus, olha que interessante, quando quando o povo percebe esse Deus, um Deus todo poderoso, imaterial, que não tem necessidade, esse Deus, ele não precisa levar comida para ele, ele não precisa ser alimentado.
Olha que coisa isso! E, quando você olha para o homem, o homem é frágil, precisa ser alimentado, precisa ser cuidado, é vulnerável, é fraco. Então, o primeiro sentimento que vem no homem, temor. Ele se amedronta, se amedronta, fica com medo, porque esse Deus é grandioso demais. Então, a história, Moisés chega, tremendo, o povo vê aquela luz, treme, vê o fogo no sinal e todo mundo com medo. É sempre isso, a reação primeira é medo, temor. Eles têm noção dessa distância. E, toda vez que Deus se manifesta, é algo, a montanha toda começa a pegar fogo, é uma coisa, é uma apoteose.
A gente vê isso, por exemplo, em Êxodo 20, versículo 18, e vê isso em Isaías 5, capítulo 5, versículo 5. A saça ardente, a montanha flamejante, o mar que se abre, sempre manifestações apoteóticas. Até aqui, até aqui, está me acompanhando? Bom, aí esse Deus procura o homem e diz pra ele assim, eu quero ter um relacionamento com você, meu filho. E, agora? Como? Como? Como é que vai se estabelecer um relacionamento dessa criatura, tão materializada, tão frágil, tão sujeita a intempéries, a dessabores, tão frágil, com esse ser imaterial, todo poderoso?
E, imagine, aqui nós temos uma coisa bonita, Deus é transcendente, mas essa é uma característica dele, porque ele poderia ser um transcendente e ficar lá no mundo divino dele e nem aí para os homens. Mas, esse Deus aqui, não. Ele é transcendente, mas ele se faz presente. E isso é paradoxal, porque é um absoluto que invade o relativo. É a imanência de Deus. E, como é que faz o relacionamento com Deus desse? Como? O que eu tenho que fazer? Então, vem o primeiro impulso espiritual do povo e esse impulso, ele é direcionado, ele é disciplinado, ele é orientado por Moisés, porque ele já vinha antes, desde Abraão, mas ele é orientado por Moisés.
O primeiro impulso é é preciso que ocorra uma transformação no homem para que ele se aproxime de Deus. Então, se eu pudesse usar uma metáfora, seria o seguinte, Deus desceu ao Sinai, a montanha mais alta, para a mentalidade bíblica, a montanha mais alta não é o Everest. Quem respondeu Everest, errou. É o Sinai. Assim como o lugar mais alto do mundo é Jerusalém. Por quê? Porque foi o máximo que Deus desceu. Ele fez um trabalho de aproximação. Então, ele desce até a montanha. Bom, a montanha, você está num deserto, uma montanha daquele tamanho, alta, é alta, é alta.
Então, ele fez a parte dele. E agora? Vai ter que subir. Então, ao buscar o homem, Deus desceu. Então, intuitivamente, o que que eles sentiram? Uma força que eles diziam, é preciso subir. E aqui começa o que nós vamos chamar, eu vou indicar a bibliografia aqui, existe um bispo, que é o Alberto Vanoa. Ele escreveu esse livro aqui, A Mensagem da Epístola aos Hebreus. A gente já falou dele aqui, acho que é o melhor comentário da Carta aos Hebreus. Já falamos. E ele escreveu esse aqui, Sacerdotes Antigos e Sacerdote Novo, em que ele vai desenvolver um dos temas aqui da Carta aos Hebreus, nesse livro aqui.
Alberto Vanoa. O que que o Alberto Vanoa vai dizer? Quando eu digo que o homem tem que subir, eu estou falando uma metáfora. Estou falando de subir uma montanha fisicamente, não basta isso. Não é só isso que basta. Então, o que que precisa ocorrer? Precisa ocorrer um processo de, aí agora eu vou usar uma terminologia espírita, desmaterialização do homem. Mas, não é desmaterialização, não é isso? Desmaterialização, perder o corpo, não é isso? Ele tem que se tornar menos materializado, ele tem que descolar-se da matéria, da vida material, porque senão ele não vai aproveitar essa conexão espiritual, porque Deus é Espírito.
Deus é espiritual, não é material. Se Ele fosse material, Ele não seria imutável. Qual coisa material que é imutável? Nenhum. Conexão espiritual. Então, o sentido do santo, do kodesh, é aquilo que foi reservado. O copo que foi separado do ritual é santo. O cordeiro que foi separado para ser sacrificado é santo. A faca que vai emolar o cordeiro, ela foi separada? É santa. A veste do sacerdote é santa. Tudo que foi separado para o processo de estabelecimento de conexão com Deus é santo. Então, não é santo nesse sentido ético, o supremo da bondade, não é isso?
O sacerdote, ele é cheio de defeitos, ele é um homem, mas ele é santo. Em que sentido? No sentido de que ele passou por um processo de purificação da vida material, que nós vamos chamar de o que o Alberto Vanua vai vai chamar, né, da série ascensional de separações. Então, eu vou, é como se fosse um processo de depuração. Eu vou coando, né, passo a primeira vez na peneira, dá uma coada, passa de novo na peneira mais fina, vai passando na peneira mais fina até ficar bem purificado. Tá pronto para o processo de conexão.
Então, é uma série ascensional por quê? Porque ela começa e ela vai ficando cada vez mais intensa e cada vez mais difícil. Por exemplo, o sacerdote não pode tocar em ninguém morto, nem se for parente dele. Ele não pode tocar na esposa dele se a esposa dele morreu na cama do lado dele. Se ele acordar, a esposa está morta, tocou nela, não pode participar do trabalho. Olha aqui, porque ele está impuro, está impuro. Então, digamos que ele está no deserto, ele está com fome, chega num lugar e fala você está com muita fome, vem cá, eu preparei aqui uma salada, uma salada árabe.
Aí, o sacerdote, que bom que eu estou com muita fome, aí ele come, você gostou, eu gostei muito, gostei demais. O que tem nessa salada? Eu misturei um cordeirozinho com pedacinho de carne de porco. Carne de porco? Tem carne de porco nessa salada? Tem. Então, eu não vou poder participar. Então, o sujeito tinha viajado lá da cidade dele para ir para Jerusalém, chegou lá, comeu uma lasquinha de carne de porco e não pode trabalhar. Porque ele está impuro. Então, o sentido de impureza tem esse sentido de separações, uma série de separações.
Aí, você pode perguntar, mas, meu Deus, mas são coisas muito materiais, claro, são coisas muito práticas mesmo, não estamos na infância da humanidade espiritual? Você esperava o que? Equação de segundo grau? Vocês não aprenderam nem soma, nem subtração ainda? Você já está querendo trabalhar com trigonometria? Não, com trigonometria não, com logaritmo? Você não aprendeu nem somar ainda? Você já está querendo ensinar logaritmo? Não vai aprender. Não sei se tem um, se vale a pena, mas, assim, olhando para a história, eu conheço pouco.
Quando José foi para o Egito, e teve toda a história lá, a raiz do povo hebreu migrou para o Egito. Migrou toda. E, por conta do tempo que eles passaram lá, que foram algumas centenas de anos, imagino que a cultura original meio que deu uma espacialada, porque, no primeiro momento, eles não eram escravos, porque José tinha poder, mas, com o passar do tempo, eles foram sendo escravizados. A sociedade egípcia tomou conta daquilo, então, uma cultura mais forte do que a outra tenta influenciar nessa. E aí, a impressão que ele tem, e eu fico muito superficial, é que, quando Moisés consegue fazer com que esse povo saia de lá, há uma necessidade de resgatar os valores originais da cultura hebraica.
E, de certa forma, ele teria que ter, ele sozinho teria que dar conta disso, ele teria que ter alguns referenciais. E como era uma sociedade onde a função política e religiosa se confundiam, o líder político era o líder religioso, não tinha separação, era uma hierarquia, uma sociedade religiosa. Então, esses líderes, que seriam os sacerdotes, teriam que ser exemplos, teriam que ser referenciais, teriam que ter um processo. E aí, tem a escolha da tribo de Levi para serem esses… Isso aí, nós vamos falar disso aqui. Para serem os guardiões do tabernáculo.
Exato. Mas, olha, esse pessoal aqui vai ser a turma que vai, vamos dizer assim, ter a tradição religiosa e tal. Mas tinha que estabelecer um código de conduta para que essas pessoas, não sei qual o critério que foi, porque foram escolhidas os Levi, mas, enfim, algum critério houve, que seriam, para aquela sociedade, os referenciais. E aí tem todo esse código que tem que fazer. E aí, como você coloca? Eles seriam os mediadores perante Deus? Eles seriam, vamos dizer assim, os referenciais guardados Mas, as devidas proporções, eu vejo que os Levites da atualidade são os Espíritos, os bons Espíritos, que são os mediadores.
Nossa! E a dignidade é maior. Agora vai mudar. Você avançou, mas nós vamos, tem um mediador, nós vamos chegar aqui, nós vamos chegar nisso. Mas aí você entrou, Sérgio, numa coisa bacana, que é já o processo do ciclo ascendente e o processo de separações. Então, ele começa antes, olha. Ele começa quando? O processo de separação se inicia, bem entre todos os povos, um é escolhido. Olha que interessante. Então, é a eleição do povo hebreu. Esse tema é muito importante. Um povo é eleito para receber centenas de missionários, porque tem um investimento espiritual nesse povo.
Não nasce um Isaías, um Jeremias, você pode até nascer um ali, mas não nascer todo mundo, né? Tá parecendo um país que a gente conhece, né? Aí começa a nascer Elias, Jeremias, Isaías, Natan, Eliseu, tem um tanto no mesmo lugar, né? Teve um processo de separação. E, aí, importante isso agora para a gente ver. Quando o povo é separado, uma série de regras do Velho Testamento são regras de delimitação. Então, tem que deixar a barba, tem que usar roupa não sei o quê, tem que fazer isso, tem que para quê? Para diferenciar dos outros.
Olha aqui. São regras de delimitação étnica. Por que é importante a gente pensar nisso? Quando chega Paulo, sabe qual é a ordem que ele recebe de Jesus? Paulo, joga tudo no chão, joga todas as barreiras, os muros de separação étnica. Dá pra imaginar? Isso não é fácil. Por quê? Porque a gente vai abrir mão dos alicerces. Então, é o que vai acontecer com a gente daqui a um tempo, né? Nós vamos ter que abrir mão de uma série de coisas e nem os espíritos vão estar preparados para isso. Porque vão estar apegados, né? A gente que apega ao copo, ao copo d’água, à jarrinha, à toalha branca, ele apega a elementos que ele se sente seguro.
Então, o primeiro ponto foi esse, delimitação. Você tem que ser diferente. Seus costumes sexuais, alimentares, sociais, religiosos tem que ser completamente diferente de todos os outros povos da Terra. Primeira separação. Bom, separou, ok. E aí? Tem 12 tribos. Porque nós temos que imaginar que as sociedades naquela época, elas são sociedades que se organizam em famílias. Famílias se reúnem em torno de um patriarca eleito, formam uma tribo e as tribos se reúnem e formam uma nação. Aqui nós temos 12. Cada um com a função.
Então, você tem tribo com função militar, tem outro com função econômica, né? Você tem a divisão de tarefas. Como nós temos? Você pega o Brasil, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, os estados, eles acabam se especializando em funções até econômicas, sociais, políticas, até aí nada demais. Os talentos individuais de cada estado. Eu sou mineiro, eu sou paranaense, eu sou gaúcho, isso aqui é tribo. Uma é escolhida, uma é separada. Quando eu digo separada, a tribo de Levi é separada, é separada mesmo. Porque os sacerdotes só podem sair da tribo de Levi.
Não pode ter sacerdote que não seja da tribo de Levi. E aí é uma tradição de pai para filho. Então, são famílias que vivem e que vão gerando sacerdotes. E que tem uma série de restrições. Porque os sacerdotes têm muitas restrições, né? Muitas restrições. Eles acabam tendo um afastamento, um descolamento, que, por exemplo, a tribo que tinha função militar não tinha, né? Ah, é preocupado, vai tocar em morto. Não tem isso. Os sacerdotes e o Levi, eles estavam cheios de restrição. Não pode tocar, tem o banho ritual, tem que lavar a mão, tem que estar puro, tem que estar a veste, tem que cuidar de um tanto de coisa, coitado.
Separou ali a tribo de Levi. Mas, dentro da tribo, uma família é uma família eleita para gerar o chefe dos sacerdotes, que é o sumo sacerdote. Então, você tem uma família que é a família sacerdotal. Então, numa tribo de sacerdotes, uma família vai gerar sumo sacerdote. Que aí é ainda mais complexo ainda, porque o sumo sacerdote ainda tem responsabilidades ainda mais severas. Mais severas. Olha, interessante, né? Por quê? Porque o sacerdote, ele é o mediador. O sumo sacerdote é o mediador dos mediadores. Ele conecta o povo a Deus.
E Deus só manda bênçãos pro povo através do sumo sacerdote. E o povo se contacta a Deus através do sumo sacerdote. Aí, o que que acontece? Você tem que fazer um processo de purificação da oferenda, que são os animais, e aí chega um momento máximo, um, máximo não, um, o penúltimo, o penúltimo momento, que é o do sacrifício. Quando eu levo o animalzinho pra ser sacrificado, o que que tá acontecendo ali? Eu separei um povo, separei uma tribo, separei uma família, foi um processo de separação. Separei um animal, ele é macho, não pode ter defeito, e vou oferecê-lo para basicamente expiar o pecado.
Que é impureza. Isso nós temos que… gente, isso é assim… eu vou falar um pouquinho disso. Vamos ver se vai dar, né? A percepção é que afastei-me de Deus, entrei em estado de risco. Cometi o erro, um pecado, tornei-me impuro. Preciso me purificar e me reaproximar de Deus. E tudo de mal que pode acontecer a um indivíduo só vem, só vem do fato de ele ter se afastado de Deus e de ele ter errado. Tudo de mal vem daí. Você fala, mas não é possível. Negócio, esse negócio é muito primitivo. Né? Aí você pega um sujeito que participou da codificação.
Um dicionário reencarnou, chama Haneman. O Haneman começou a fazer lá os experimentos dele. Fez os experimentos, inclusive nele, né? Inclusive nele. Depois ele escreveu um livro, chamava Organon. Olha lá Organon. O que que o Haneman vai dizer? Para o Organon, ele vai estabelecer dentre a multiplicidade de doenças, porque ele está focando em doença, né? Ele vai trabalhar a doença. O que que ele vai perceber? Você tem infinitas doenças, né? Mas, todas, todas vêm de uma doença, que ele vai chamar de Psora. O Haneman, em vida de encarnado, não teve como desenvolver muito isso, mas ele deixou no Organon o seguinte.
A doença primordial, a que gera todas as outras, Haneman diz, surge de um ato, o afastamento de Deus. Depois, você tem um, logo depois de Haneman, um homeopata norte-americano, o Tyler, que vai trabalhar isso, isso melhor, vai estabelecer Psora primária, Psora secundária, Psora terciária. E, aí, ele vai entrar mesmo a fundo, é chamado filósofo da homeopatia, né? Que pega o pensamento de Haneman, e depois temos o argentino aqui, Masaldi, que vai trabalhar ainda mais. Aí, esse vai trabalhar os núcleos de adoecimento, e todos vão dizer o seguinte, afastou de Deus, você, depois que se afasta, você corre o risco de cometer cinco erros.
O afastamento, que são a Psora secundária, são os núcleos de adoecimento. Não vamos falar disso aqui, porque não é o tema, né? Psora primária, os núcleos de adoecimento. Depois que você se afasta, você tem umas atitudes limitadas. Por exemplo, rebeldia é um núcleo. Você se afasta de Deus e fica rebelde. É um núcleo. E, aí, você vai desenvolver da rebeldia, ela gera N doenças, mas são N, estão ligadas ao núcleo da rebeldia. E, aí, ele vai tratar com remédio homeopático a doença secundária, que é a rebeldia, para tratar em você a doença primária, que é o afastamento.
Então, parece que nós estamos voltando para Levítico, né? Quando você está tomando um remédio homeopático lá, você está Levítico, está fazendo oferenda. Porque o que era a ideia da oferenda? Eu levo o animal e o que o animal tem que fazer? Leva lá o cordeirozinho. Quem está impuro? O cordeiro? Eu. Só que tem que o sangue tem que ser derramado no propiciatório, que é a porta de entrada para o reino imaterial, espiritual, onde está Deus. Então, sangue é vida. Então, toda vez que a gente lê sangue no Levítico, sangue derramado, trope!
Coloca a aparência assim e substitui por vida oferecida, vida dedicada. Agora, muita calma nessa hora, porque nós temos que entender isso aqui bem. Todo um processo de separação, de purificação foi feito. Desde a separação do povo, da tribo, da família da tribo, do sumo sacerdote, da oferenda, da veste, de tudo, do ritual, da limpeza. Então, está tudo puro, está tudo pronto. Aí, o sacerdote tem que oferecer o bichinho por quê? A pergunta é, ele vai? Ele vai onde está Deus? Ele vai onde está Deus? Qual sacerdote que quer ir?
Aí, você ia precisar de um sacerdote para cada sacrifício. Pô, Thiago, você está oferecendo até mais, viu? A gente se vê. Aí, Thiago manda o cordeirozinho no lugar. Então, derrama o sangue do bichinho e o cordeiro vai no lugar de quem está impuro. No sentido de quê? Atingiu o clímax, o processo de separações e rituais. E aí, você conseguiu, depois de tantas separações, transpor o nível material. Foi. Subiu. Da mesma forma, o cereal. Você pega lá e queima, a fumacinha sobe, subiu. Transpôs. Ela abandonou a esfera material e entrou na esfera que é a esfera divina, que é a esfera espiritual.
Isso. Aí que está o bonito do negócio. O que nós vamos entender aqui? Por que alguém tem que ir lá na esfera divina? Por que não é contato? Alguém tem que ir lá. Alguém tem que ir lá. Deus está com as mãos cheias de bênçãos. Mas, quem vai lá buscar? Quem vai lá? É mais ou menos se aparecesse um parente seu desencarnado e falasse, estou cheio de coisa para te entregar, você tem que vir aqui e buscar. Depois eu pego. Não é? Guarda aí e depois eu pego. Depois eu pego. Essa é a ideia. Então, agora, isso que o Alberto Vanuatu não fala isso tudo, hein?
O Alberto Vanuatu não fala isso tudo. A gente só tem condição de falar isso tudo por causa do conhecimento da Autentia Espírita. Aí dá pra gente ir mais fundo. Todo o processo de purificação, todos os rituais, todas as festas, observação do sábado, tudo, tudo, tudo, tudo, sacerdote, existência dos sacerdotes, ritual, incenso, tudo isso é um processo ascensional cujo alvo é máxima desmaterialização. Porque só é possível comunhão plena com Deus se Ele estiver desmaterializado. Comunhão plena. Interessante isso, né? Por isso que Deus, Ele diz assim, eu sou santo.
Três vezes santo. Ele é o separado do separado do separado. Então, nós vamos imaginar o seguinte, o universo é finito ou infinito? Infinito. Finito. Depois do fim é o quê, né? Ele é infinito. Quer dizer, Deus, Deus está depois do infinito. Mas, no centro do Levítico, há uma promessa de quê? De santificação do homem. Isso é muito importante a gente ter isso em vista. Terminou a série ascensional. Então, a gente percebe que qual foi a solução dada pelo Levítico para a necessidade de desmaterialização, de espiritualização da criatura para que ela entrasse em comunhão com Deus?
Qual foi a solução? Ritual. A solução do Levítico é a solução ritual. É um conjunto de rituais. Uma miríade de rituais. Sendo que o ponto alto, o ponto mais alto de toda a atividade sacerdotal. Qual é? Vamos com calma agora. Como que é o tabernáculo? O tabernáculo é dividido em três. Deus não é santo, santo, santo? A primeira parte do tabernáculo é aberta. É onde o sacrifício é oferecido. Ali o povo vem. Ali o pobre mortal chega para entregar para o sacerdote e ele oferece o sacrifício. É o primeiro nível de santidade.
Eu não chamo de atrio dos gentios porque o atrio dos gentios é depois que construíram o templo. Aqui nós estamos falando da tenda. Então, é o lugar do sacrifício. É onde está a bacia, é onde o sangue é expurgido. É onde o sacerdote recebe a oferenda de quem vem espiar seu pecado, vem se purificar, entrega para o sacerdote a oferenda e ele faz o sacrifício. Só que, o segundo nível já é na tenda. É o lugar santo. Então, é o segundo nível de santidade. O que é que tem lá? Tem a mesa com os pães, o candelabro, o incenso.
Lá só entra sacerdote. E, tem que entrar toda hora. Então, o que eles faziam? Dividiam em 24 turnos. Era voando, dividia. Então, se tinha um sacerdote, ele ficava um período. É um plantão, né? Faziam um plantão. Ficavam lá x dias de plantão. O sacerdote, pai do João Batista, por exemplo, o Zacarias, estava lá no plantão. Inclusive, fala qual era o plantão dele, porque era um plantão fixo, não é igual ao meu, que é variável. Da hora o plantão cai num feriado. Não, era um plantão fixo. Da ordem 12. Então, eu sei que naquele período do ano eu estou de plantão.
O sacerdote saía lá da sua cidade, viajava, ia para Jerusalém, cumpriu o plantão dele. Agora, imagina se no caminho ele encontra alguém caído, que foi espancado, que foi assaltado, e ele toca nesse sujeito que ele não sabe se está morto. Depois que ele viajou 500 quilômetros. Quem que vai ser bom samaritano? E ele toca lá e põe tudo a perder. Por isso, o sacerdote, ó, passou longe, o levita, falou, o quê? Eu andei 500 quilômetros, estou preparando para esse negócio aí e eu tocar? Nem deixa, deixa esse pobre aí. Ô Deus, recebe a alma desse coitado.
Eu que não vou perder minha pureza ritual, senão não posso trabalhar? Agora, tem uma coisa curiosa. Deus, na simbologia, Ele não está no propiciatório, Ele não está lá onde está oferecendo o sacrifício, Ele não está no lugar santo, Ele está onde? No santo dos santos. Então, Ele está no santo, santo, santo, no terceiro nível de santidade, que era separado por um véu, uma cortina linda, quando você abria a cortina, lá estava a Arca da Aliança. É lá que estava a nuvem da presença de Deus, em cima da Arca e subindo para o acampamento.
Mas, qualquer sacerdote entrava? Não. Só o sumo. E, detalhe, Ele não entrava a qualquer hora, entrava uma vez por ano. Em qual dia? No principal dia, que é o Yom Kippur. E, aí, Yom Kippur é o dia da purificação? É. É o dia do perdão? É. É o dia do juízo? É. Dia do julgamento? Dia do perdão? Dia da purificação? Só que comunitário. O sumo sacerdote entrava lá para pedir que purificasse todo o povo. Ou seja, o momento máximo do Levítico, do Levítico, o momento máximo de purificação, de aproximação de Deus, o máximo, máximo, máximo, máximo, é o Yom Kippur.
Quando o sumo sacerdote entra, oferece o sacrifício por Ele e pelo povo. Inclusive, os bodes, né, um bode é sacrificado, o outro bode coloca a mão nele, todos os pecados do povo vai para o bodezinho e aí solta o bode no abismo, que é o bode expiatório. Esse leva tudo de ruim com ele, as energias todas ruins e você solta ele num lugar assim de preferência que ele vai morrer rápido. No abismo, é o bode expiatório. Deixa ele levar as impurezas do povo. Era o dia principal. Então, o máximo. Só que aí, gente, Paulo vai fazer a seguinte pergunta.
Olha que coisa, né? Que coisa. Então, num dia, no ano, o sumo sacerdote entrou diante da presença divina, ofereceu o sacrifício para purificar o povo, ofereceu, purificou, purificou, purificou, purificou, fala que purificou, né? Fala que purificou, fala. Depois que purificou, o que ele volta? Ele volta com as bênçãos divinas. A primeira bênção que ele volta é a bênção da vida. Se você foi purificado, você vai viver mais um ano. Então, o seu nome foi inscrito no Livro da Vida. Se você morrer durante o ano, é porque você não foi purificado.
Eu aviso depois. Não te avisa na hora, não. Você vai saber no próximo Yom Kippur. Mas, é sério mesmo. E tem aquela história de meu nome foi escrito no Livro da Vida. É isso. Mas, no Yom Kippur, pede perdão e a resposta vem, no decorrer do ano, vem a resposta. Aguarda, né? Aguarda. Você viveu porque foi aceito. E outras bênçãos, como a colheita, as dádivas. Por que são as dádivas? Olha, gente, as dádivas que acompanham a pureza. As dádivas que acompanham a pureza. Estar puro e próximo de Deus é só dádiva. Olha, é ou não é pedagogas que estão aqui presentes?
É ou não é um joguinho pedagógico feito por pedagogos celestes? É ou não é? Eram crianças. Mas, esse joguinho que eles fizeram, é ou não é um negócio genial? Não é? Fizeram um jogo pedagógico genial. A atividade pedagógica que se criou aqui é genial. É um mestre. É um mestre. Vós me chamais mestre e dizeis bem, pois eu sou. Jesus falou isso. Olha que coisa fantástica. Só que aí Paulo faz uma perguntinha. Posso perguntar? Se purificou, por que tem que ter outro Yom Kippur? Não quer fazer perguntas difíceis assim. Pra que faz essas perguntas?
Não purificou? Não aproximou de Deus? Por que tem que fazer outro? Todo ano, um bode espiritual, mais um bezerro, entra de novo. Mas, ele não está tirando isso do nada. Ele não está tirando. A ideia é a seguinte e aqui que nasce a apocalíptica. Aqui que nasce o pensamento profético e apocalíptico. Foi feito o Yom Kippur? Foi. Mas, purificou o mundo? Não. Está cheio de maldade, está cheio de injustiça, está cheio de violência. Então, o que os profetas começaram a dizer? Haverá um dia em que a Terra terá um Yom Kippur.
A Terra inteira vai ser purificada. Pra eles, é o grande dia do juízo. O dia que eles não chamavam de juízo final. Os hebreus chamam de O dia do Senhor. O dia do Senhor da Terra. Celeste. Que vai iniciar o que? Um mundo vindou. Um novo mundo, porque depois que a Terra passar por esse Yom Kippur, é um novo mundo. É um mundo em que os leões passam junto com os cordeiros, as espadas são convertidas em chardas. Mas, espera aí. Qual sumo sacerdote vai fazer isso? Aí, você já deu a resposta cristã. Tem um sumo sacerdote.
E, isso foi difícil. Essa ideia de, né? Isso era difícil de associar. Na carta aos hebreus, o que que Paulo vai dizer? Ele vai dizer assim, olha, Jesus é o sumo sacerdote que fez isso. Da ordem de Melquisede. Melquisede, porque ele não é da ordem de Levito, porque ele não é da tribo de Levi. Ele é da tribo de Judá. Ele já é da tribo de Judá. Aí, vamos, mas ele é da tribo de Judá? Então, ele não pode ser sumo sacerdote? Não pode, por quê? Tem um que não é da tribo de Levi, nem existia tribo ainda, e ele já era sacerdote do Altíssimo.
Ele fazia função de mediador. Quem é esse sujeito? Melquisede, que aparece lá rapidinho. Você quase não vê ele. Só vê Abraão chegando, Abraão pede bênção pra ele. Abraão não é o patriarca? E ele abençoa o patriarca? O texto bíblico tem essas histórias, né? Tá lá tudo assim, é como se fosse assim, o Tiago tá filmando, Adão, Eva, Caim, aí Caim mata Adel, daqui a pouco Caim é expulso, o Tiago esquece de mudar a câmera, quando ele vira, Caim tá casando. Mas quem criou a sogra? Quem criou a sogra do Caim, meu Deus? De onde surgiu essa família, né?
Então, tem essas coisas assim. Você tá lá, a história do Abraão. Deus fala, Abraão, vou formar através de você uma nação, e você vai ser o pai das multidões, daqui a pouco alguém esquece de mudar a câmera, ou afirma o Melquisedeque. Quem? Quem que é esse homem? É o sacerdote do Altíssimo, mas ninguém contou a história desse homem. Não tem história. O homem surge, abençoa o Abraão, Abraão paga dízimo pra ele, e ele é o rei de Salém, o rei da justiça, o rei da paz. Então, Paulo vai brincar com isso, dizendo o seguinte, o primeiro sacerdote, daí o título da obra do Albert Vanoy, Sacerdotes Antigos, Sacerdote Novo.
O primeiro sacerdócio eram sacerdotes levíticos. O, Agora, último e único sacerdote, único mediador é Jesus. Mas, ele não é levita, ele é da ordem de Melquisedeque. Que ordem é essa? Espiritual. Esse sujeito não tem pai nem mãe, nem genealogia, não é material, não está referenciado ao mundo material, ele está referenciado a outra esfera. E, um detalhe, todo sumo sacerdote leva um bode e um novio. Chegou um sumo sacerdote, não levou ninguém. A hora que chegava na hora, o sumo sacerdote, Deus, acerta, o bode vai no meu lugar.
Não era assim? Olha, cumpri tudo, viu? Estou mandando um cordeiro aí, no meu lugar. Só que esse sumo sacerdote não mandou ninguém, não. Ele transpôs. Ele transpôs da esfera material para a espiritual. Ele fez a transposição pessoalmente. E, aí, naturalmente, isso implica que ele saiu da esfera material. É Incrível, né? Por quê? Porque dedicou a vida num nível tão supremo que não tem mais ritual. Por isso que ele é senhor do sábado, por isso que ele perdoa o pecado, ele não precisa de templo, ele não precisa de nada.
Todo o sistema de solução ritual, de separações, terminou. Ele, agora, é mediador. Essa é a ideia. A ideia que nós vamos trabalhar. Alguém quer só fazer alguma perguntinha para a gente encerrar? Não, é toda a pergunta. Não chegou aí? Não, não foi. Então, meio que poderia ter sido Bóris Peatório, não foi, né? Poderia ter sido. Foi tudo no inverso, né? Na hora que foi escolher, né, quem ia para o sacrifício não foi permitido que fosse alguém porque ele mesmo ia. Mas, é isso mesmo. É isso mesmo. Não, acho que não. Não tinha, Sheila, porque faltava uma chave para você juntar esse quebra-cabeça.
E a peça que faltava para tudo fazer sentido é Jesus. Então, por isso que Paulo começa a Carta aos Hebreus assim, fragmentariamente, antigamente, Deus falou fragmentariamente em muitas partes e de muitos modos, mas estava tudo fragmentado. Essa é a dificuldade do entendimento do Velho Testamento. Porque o Velho Testamento é uma coletânea de fragmentos. Uma coletânea de fragmentos. Então, você tem um tanto de pecinha azul, um tanto de pecinha verde, um tanto de pecinha cor de areia, você não sabe o que faz com aquilo.
Algumas coisas você consegue. Aí, quando vem a figura do Cristo, tudo fica claro porque ele unifica a fragmentação. Então, tudo agora começa a alinhar, é como se houvesse um alinhamento, né. Tudo agora aponta… Ah, entendi. Tudo agora aponta. Foi Paulo. Isso. Isso. Ele consegue. Ah, ele consegue. Isso é. A didática, né, do doutor da lei. Ele foi. E, a gente tem que imaginar também que os primeiros escritos são deles, né. A gente tinha ali anotações de Levi, mas a primeira coisa que é escrita são cartas de Paulo, né.
Então, você imagina, antes de eu ter o Evangelho de Lucas, eu já tinha a carta de Paulo circulando. Antes de eu ter o Evangelho de João, eu tenho a carta de Paulo. A carta de Paulo é primária, é gênese de tudo, né. Tendo essa compreensão, tem que explicar isso agora. Tem que explicar. E o maior desafio também, Sérgio, porque é o seguinte, explicar isso na linguagem judaica, não, era mais fácil, porque é a carta aos hebreus, todo mundo já entende o símbolo, é só ele pegar, conversar com o judeu era fácil. Pega a pecinha 350, junta com a 415.
O difícil é falar com o gentil. Oh, Jesus é o sumo sacerdote. Quem? Deixa eu te explicar. Ele entrou no dia de Yom Kippur, quando? Não sabia nada. Mas, o principal motivo de Jesus não ter sido aceito é porque ele não vinha. Não, não, tem mais motivo, hein? Tem mais motivo. Tem mais motivo. Olha, acho que era quase impossível aceitar Jesus. Porque você chega num templo, você chega num templo, ele diz assim, eu sou o templo, pode te roubar isso aí. E eles estavam construindo. Estavam construindo. Eu sou o templo. Pode tirar a suma.
Anas, Caifás, pode tirar a roupa. Eu sou o sumo sacerdote. E ele fala isso. E ele diz isso. O Caifás rasga a roupa. Quando ele fala assim, quando vires o filho do homem vindo na nuvem, ele fala, você está maluco. Você está dizendo pra mim que você é o filho do homem que vai fazer o julgamento Yom Kippur do mundo? Que é você? Que está preso aqui? Não. Rasgou a roupa. Mas, se a gente pensa assim, mas o que é isso? Um menino de 21 anos de idade em Pedro Leopoldo está recebendo poeta? Tudo quanto é poeta brasileiro, um menino ilusitano, poeta morto?
O que é isso, gente? Conta outra. Cidade com um aerobo? Negócio comunicando de tela? Isso é ficção. Essa foi a reação de espírita. E tem mais. Porque tem gente aí, divulgando na internet, porque é óbvio, do Chico, fantasioso, não lê um capítulo, mas tem um livro dos mestres que chama Laboratório do Mundo Invisível. Porque começava a chegar espírito lá, na sociedade parisiense. Ah, o espírito está com cachimbo. Cachimbo? Espírito com cachimbo? Espírito com túnica. Mas, que negócio é esse? Tem fábrica de cachimbo lá em cima?
Então, Kardec tem que escrever um capítulo chamado Laboratório do Mundo Invisível. E, mesmo depois de ter escrito, tem espírita que abre a obra dela e fala uma espírita com túnica? Ah, não, isso pra mim não dá. Porque ele acha que é uma fumaça. Entendeu? O mundo espiritual é uma fumacinha. É isso, né? Porque é o, como é que fala? É o choque que o espiritual causa em quem está no material. A ponto de André Luiz dizer assim, olha, agora eu não consigo mais explicar pra vocês, porque falta pra mim elemento de comparação.
Eu não tenho nada aí que eu possa citar como exemplo pra explicar o que está aqui. Eu não tenho termo de comparação. Essa é a realidade. Vocês não tem nada aí que eu possa dar de exemplo pra vocês poderem imaginar. É apavorante. É apavorante. E, no fundo, você pensa assim, né? Estava vendo um vídeo, sujeito até exagerado, só pra gente terminar, né? Mas, ele falou uma coisa muito interessante. É o sujeito que está substituindo o Carl Sagan agora no programa, aquele programa Cosmo, Neio, aquele cientista. Ele diz assim, olha, se você pegar um chimpanzé e um homem, arredondando, nós somos, geneticamente falando, 99% iguais a um chimpanzé.
Então, a diferença genética está em 1%. Bom, aí ele diz assim, pensa, 1% Causou a diferença da gente para o chimpanzé. Porque a gente faz sinfonia, nós temos partido político, temos mensalão, temos coisas ruins, mas temos satélites, temos avião, temos tantas coisas que o chimpanzé não tem. Pintamos quadros, escrevemos livros, 1%. Ok. Se chegar hoje um ser, que seja 1% diferente da gente, geneticamente falando, pra mais, quem serão os chimpanzés? Nós. 1% Diferente. Nós vamos parecer chimpanzés perante eles. Na verdade, já veio, esse homem veio, só que não era só 1%, não era mais de 50% diferente, que é o Cristo.
Não tinha jeito. Não dava pra entender Ele, não. Estava muito além. Estava muito além. Então, quando ele fala pra mulher samaritana, mulher, Espírito, você não vai adorar nem nesse monte, nem no outro, não vai ter monte. É como você fala, você não está entendendo. Falaram pra vocês que vai adorar no monte aqui, no outro, mas não vai ter monte, não vai ter tempo, não vai ter nada. Deus é Espírito e Verdade. E, agora, nós estamos aqui tentando entender, estudando Levítico. Vamos ver. Quem quer fazer a prece final?
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
Respostas