#006 – Estudo do Velho Testamento – Livro Levítico

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Neste estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Levítico, o sexto episódio da série. Após um sobrevoo inicial sobre o livro, o foco agora é descer aos detalhes, examinando versículos e temas centrais à luz da Doutrina Espírita e do Novo Testamento.

O que é estudado neste episódio

  • Poema de Abertura: O estudo inicia com a leitura do poema “Carta de Natal”, de Casimiro Cunha (do livro “Ontologia Mediúnica de Natal”), buscando trazer um tom mais amoroso à abordagem.
  • Caminho Temático do Levítico: Haroldo Dutra Dias propõe um caminho temático para o estudo do Levítico, que será abordado em episódios futuros, mas é introduzido neste:
    • O Tabernáculo (Mikdash): Tema central deste episódio, representando o local privilegiado da presença divina no Velho Testamento.
    • O Sacerdócio: A mediação e o papel do sacerdote, a ligação com a Carta aos Hebreus, as exigências de pureza e santificação, a comunhão com Deus e os dons mediados pelo sacerdote.
    • O Corban (Sacrifícios e Oferendas): Estudo detalhado das oferendas.
    • As Festas: As celebrações judaicas como processo de santificação do tempo.
  • Afastamento e Aproximação de Deus: A ideia central do Pentateuco Mosaico sobre o afastamento da criatura do Criador, a “queda” do Éden, e o subsequente processo de “religar” (religião) para recompor os elos. A Bíblia começa com uma criação aprovada e termina em Apocalipse com uma nova criação, simbolizando a redenção individual e coletiva.
  • O Tabernáculo como Símbolo de Santidade: A construção do Tabernáculo (Mikdash, lugar da santidade) é analisada como um símbolo do processo de separação do profano para o sagrado, um movimento de afastamento do mundo para se aproximar de Deus.
  • Êxodo 19 e a Manifestação Divina no Sinai: A revelação de Deus no Monte Sinai, a santificação do povo e os limites impostos para a aproximação, levantando a questão do porquê o povo não podia se aproximar diretamente de Deus.
  • Instruções para a Construção do Tabernáculo: Os capítulos 25, 26, 27, 29, 30 e 31 de Êxodo detalham as instruções divinas para a construção do Tabernáculo, que já está pronto no início do Livro de Levítico.
  • Estrutura Tripartida do Tabernáculo: A tenda da reunião (Ohel Mo’ed) é tripartida em:
    • Lugar dos Sacrifícios (Átrio)
    • Lugar Santo
    • Santo dos Santos (onde estava a Arca da Aliança com os querubins e as tábuas da lei, simbolizando a presença divina).
  • As Três Ordens de Espíritos e o Tabernáculo: Uma hipótese é apresentada, conectando a estrutura tripartida do Tabernáculo com as três ordens de Espíritos descritas por Allan Kardec na Revista Espírita (fevereiro e abril de 1858, item “Diferentes Ordens de Espíritos”):
    • Terceira Ordem (Espíritos Imperfeitos): Predominância da matéria sobre o Espírito, propensão ao mal, ignorância, orgulho, egoísmo. Comparada ao Átrio dos Sacrifícios, onde há predomínio do sangue e sacrifícios de animais.
    • Segunda Ordem (Espíritos Bons): Predominância do Espírito sobre a matéria, desejo do bem, qualidades e poderes para o bem. Comparada ao Lugar Santo, onde só entram os sacerdotes.
    • Primeira Ordem (Espíritos Puros): Nenhuma influência da matéria, superioridade intelectual e moral absoluta, despojados de todas as impurezas. Comparada ao Santo dos Santos, onde só entra o sumo sacerdote, e onde está a Arca da Aliança e a nuvem da presença divina.
  • Progressão e Purificação: A progressão dos Espíritos é vista como um processo de depuração e purificação, refletindo os rituais de purificação do Levítico. A redenção da criatura humana é também a regeneração do mundo.
  • Desmaterialização e Sacrifício: A ideia do sacrifício (corban) como um processo de desmaterialização, onde a vida (no sangue) passa do mundo material para o espiritual. Jesus como o Cordeiro de Deus que se desmaterializou na cruz, transformando o material em espiritual, e sua ressurreição como a espiritualização suprema.
  • Espíritos Errantes e Encarnados: A Revista Espírita (1858) é citada para explicar que “errante” não significa desorientação, mas sim “sujeito ao erro”, em um processo de peregrinação (reencarnações) até atingir o estado de Espírito puro, que não mais precisa encarnar.
  • O Espiritismo entre os Druidas: A Revista Espírita (abril de 1858) apresenta as “Tríades dos Druidas”, que descrevem três círculos de existência: o círculo da região vazia (inacessível), o círculo da migração (onde prevalece a morte e a transmigração) e o círculo da felicidade (onde não há mais morte, apenas vida). Isso é comparado à animalidade, humanidade e angelitude.
  • Os Messias do Espiritismo: A Revista Espírita (fevereiro de 1868) traz a mensagem de São Luís sobre os “Cristos” ou “Messias” como Espíritos puros que atingiram a perfeição, são infalíveis e se comunicam diretamente com Deus, servindo como mediadores e agentes orientadores da criação. Jesus é apresentado como o sumo sacerdote que aboliu os sacrifícios de animais, cumprindo-os, e criou uma ponte entre a humanidade e Deus.
  • O Tabernáculo Interior: A evolução da humanidade, do sacrifício de seres humanos para animais, e depois para o sacrifício interior, onde o tabernáculo não é mais de pedra, mas sim o santuário da luz de Deus dentro de cada Espírito, conforme Emmanuel em “O Consolador” e “Vida e Sexo”.
  • Poema de Encerramento: O estudo finaliza com o poema “Agradeço, Senhor”, de Maria Dolores (do livro “Antologia da Espiritualidade”), que reflete sobre as súplicas e o amor divino.

Reflexões

  • O Livro de Levítico, com seus rituais e leis de pureza, pode ser compre

    Ler transcrição do episódio

    Bom, retomando então o nosso estudo do Levítico, a gente gostaria de propor-se começar sempre com a leitura de um poema do Chico e terminar com um poema, para a gente dar um tom mais amoroso ao nosso estudo. Então, hoje a gente começa com um poema do Casimiro Cunha, está no livro Ontologia Mediúnica de Natal, ele se chama Carta de Natal. Meu amigo, não te esqueças pelo Natal do Senhor. Abre as portas da bondade ao chamamento do amor. Reparte os bens que puderes às luzes da devoção. Veste os nus com solos tristes na festa do coração.

    Mas não te esqueças de ti no banquete de Jesus. Segue-lhe o exemplo divino de paz, de verdade e de luz. Toma um novo compromisso na alegria do Natal, pois o esforço de si mesmo é a senda de cada qual. Sofres? Espera e confia. Não te furtes de lembrar que somente a dor do mundo nos pode regenerar. Foste traído? Perdoa. Esquece o mal pelo bem. Deus é a suprema justiça. Não deves julgar a ninguém. Esperas bens neste mundo? Acalma o teu coração. Às vezes, ao fim da estrada, há fé e desilusão. Não tivestes recompensas? Guarda este ensino de cor.

    Perdons de fazer o bem é a recompensa melhor. Queres esmola do céu? Não te fartes de saber que o Senhor guarda o quinhão que venhas a merecer. Desesperaste? Recorda, na sombra dos dias teus, que não puseste a esperança nas luzes do amor de Deus. Natal, lembrança divina, sobre o terreno escarcel. Aconchega-te aos pobrezinhos que são eleitos do céu. Mas, ouve, irmão, vai mais longe na exaltação do Senhor. Vê se já tens a humildade, a seiva eterna do amor.” Casimiro Cunha. Então, vamos ao nosso Levítico, estudo do Levítico.

    E, agora, a gente quer convidar todos para já entrarmos mais no livro mesmo Levítico. A gente estava num processo de sobrevoo, girando em torno do livro, abordando alguns aspectos gerais, mas, agora, a gente quer realmente descer, examinar mais atentamente, começar a trazer versículos paralelos, versículos do próprio texto Levítico. E, a gente propôs, assim, um caminho para ser seguido, que é um caminho temático para o estudo do Levítico. Nós já abordamos aqui a estrutura do livro, a ordem dos temas, a gente vai repetir isso, sempre vai voltar, mas, a gente propôs, assim, alguns temas centrais do livro que são como ideias gerais.

    Então, vamos lá. O primeiro deles é o tabernáculo. Esse é o primeiro tema que é o que nós vamos falar hoje. Porque o tabernáculo, ele representa o local privilegiado da presença divina no Velho Testamento. Depois, nós vamos falar sobre o sacerdócio, a mediação, o papel do sacerdote, a ligação lá com a carta aos hebreus. Aliás, é bom lembrar, o nosso estudo aqui, ele sempre busca o Levítico, textos do Velho Testamento, textos do Novo Testamento e textos da Doutrina Espírita. Ele é sempre um estudo tríplice. Todo o assunto a gente aborda com esses três elementos, as três revelações.

    No papel do sacerdócio, quando a gente for estudar o sacerdócio, nós vamos falar sobre a aproximação de Deus, as exigências de pureza, de santificação do sacerdote, dos objetos do culto e das oferendas do corban. Vamos falar sobre comunhão com Deus, que é um dos temas do sacerdócio, e dos dons mediados pelo sacerdote. Esse é um tema importante também. Nós já comentamos na última aula que todo o processo de separação e de aproximação de Deus, ele visava preparar o sacerdote para se tornar um mediador de bens divinos, de dádivas divinas para ele, o indivíduo, e para o povo.

    Então, a gente vai estudar sobre isso, os dons que ele exerce a mediação. Se a gente não entende isso, a gente não consegue compreender, por exemplo, a Carta aos Hebreus. E não consegue compreender, por exemplo, por que que Jesus é o Cordeiro de Deus, por que que ele é o sumo-sacerdote? Está lá na Carta aos Hebreus. De que bens que Jesus é mediador, quais dádivas ele é o portador. Então, a gente vai estudar isso. Depois, nós vamos estudar o corban, que são os sacrifícios, as oferendas. Vamos estudar uma por uma, características, vamos fazer algumas reflexões e, por fim, nós vamos estudar as festas, que são as celebrações judaicas do povo judeu, que estão na Torá, e elas representam também um processo de santificação do tempo.

    Essa é a ideia, tornar o tempo algo sagrado, sacralização do tempo. Então, hoje a gente começa com o tabernáculo. Vamos estudar o tabernáculo. A gente tinha comentado que há uma ideia central em todo o Pentateuco Mosaico, Gênesis, Êxodo, Números, Levítico e Deuteronômio, os cinco livros, a ideia de que houve um afastamento da criatura com relação ao Criador. Então, nós temos um momento ideal, um momento, digamos, teoricamente puro, que é quando a criatura está no Jardim do Éden, num contato permanente e direto com o Criador.

    Esse contato é perdido, essa relação criatura-Criador é rompida, porque o homem deliberadamente se afasta do Criador e quando ele se afasta do Criador, o que acontece com ele? Ele se deforma. Essa é a ideia. O homem que foi criado à imagem e semelhança do Criador se deforma, ele perde as suas características divinas e vai se identificar com outros elementos que não são divinos, ou seja, com ele mesmo. Essa é a ideia. A ideia da queda de Adão e Eva é a ideia de que o homem tirou o Deus do centro e colocou ele mesmo.

    Então, ele substituiu o Criador, que é onipotente, onipresente, que é a sabedoria infinita, que é o amor infinito, e colocou a própria criatura que é frágil. Ela é imperfeita, ela é impura no centro. Quando você tem algo que é frágil, imperfeito e impuro no centro, ocorre um caos. Esse caos decorrente do afastamento do homem do Criador, ele afeta só o indivíduo? Na concepção do Velho Testamento? Não. Ele afeta a criação inteira. Então, ele é um fenômeno cósmico, porque ele provoca uma degradação do homem e do mundo.

    Olha que interessante! Então, você tinha uma situação ideal do Éden e agora sai do Éden e nós passamos por uma terra de expiação, uma terra de dor, uma terra de sacrifício, de suor. Essa é a ideia. Essa é a ideia da queda do paraíso, que está expressa lá no livro Gênesis. Bom, o que vai acontecendo então? Toda vez que o homem dá um passo atrás, toda vez que ele se afasta de Deus, Deus se aproxima dele. É bonito isso, não é? Então, Deus em busca do homem. O Criador está sempre buscando, está sempre procurando. Ele está sempre com a intenção de reatar o relacionamento, de atrair, atrair a criatura com relação a ele.

    E isso nós demos um nome, a humanidade deu um nome para isso. Qual o nome? Religar. Aquilo que estava ligado, foi rompido, precisa ser religado. Os elos precisam ser recompostos. E a gente chama esse processo de reunir, de unir novamente a criatura ao Criador de religião, de religar. No sentido mais profundo, né? Claro que nós não estamos falando aqui de rituais, de denominações religiosas, nem de dogmas, não é nesse sentido. Estamos falando aqui num sentido muito filosófico, no sentido da união da criatura com o Criador.

    Então, esse é o tema central de toda a Bíblia. Tanto que a gente vai perceber algo muito curioso. A Bíblia começa com uma criação aprovada, porque a cada passo da criação, Deus checa e vê que é bom, não é assim? E viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã do dia primeiro. E viu Deus que era bom. Foi a tarde e a manhã do dia dois. Até que ocorre o problema de Adão e Eva. E com o afastamento, a criação inteira degenera. Essa é a ideia. Depois nós vamos ter o quê? Lá em Apocalipse, o que vai ocorrer? Uma nova criação, novo céu, nova terra.

    Por quê? Quando a criatura é redimida, quando ela se aproxima de Deus, quando ela se une a Deus, toda a criação volta ao seu estágio de perfeição. Ou seja, a redenção não é um processo individual apenas. Ela não envolve um indivíduo somente. Ela é um processo individual e coletivo. Haverá uma redenção final, que é a redenção do próprio mundo. Como é que a gente aprende isso na Doutrina Espírita? Sobre a progressão dos mundos. Então, nós temos um mundo primitivo, há aí um problema, que é um mundo de expiação e prova, até chegar-se a regeneração.

    O mundo vai ser purificado, vai ser regenerado. Lembrando que regenerar é gerar de novo. Vai ser uma nova criação, que Paulo fala nas suas cartas, e aí nós entraremos no mundo de todos. Ou seja, esse é o panorama de toda a Bíblia. Afastamento e aproximação. Mas, olha que coisa interessante. Quando a gente vai falar do tabernáculo, por que Deus, no Velho Testamento, simbolicamente falando, ordena a construção de um tabernáculo? Tabernáculo, em hebraico, é Mikdash. Mikdash. É uma letrinha Mi com a raiz Kdash, que gera Kadosh, que é santo.

    Kadosh, santo. Kodesh, santo. Kadosh, santificar, santificado. Mikdash, quer dizer, o lugar da santidade. O que que é isso? Nós falamos, já anteriormente, sobre essa palavra santo, que às vezes a gente faz uma certa confusão com ela. O santo é tudo aquilo que foi separado para o serviço de Deus. Ou seja, tudo aquilo que foi reservado para estar a serviço de Deus. E aí nós temos uma separação. O mundo profano, comum, as coisas comuns e as coisas santificadas. As coisas comuns, elas estão a serviço do homem. Olha que interessante!

    Do homem. Podem estar até a serviço de Deus, mas estão a serviço do homem. As coisas santas estão exclusivamente a serviço de Deus. Esse é o ponto. Então, o que que a gente nota aqui? O afastamento da criatura exige, como meio de correção, um processo de separação. O homem se afastou de Deus. Para que ele se aproxime de Deus, eu preciso afastá-lo das coisas comuns. Aproximar o homem de Deus é afastá-lo de alguma coisa. Vamos tentar entender isso. Quando a criatura se afastou do Criador, ela se afastou de Deus, mas ela se aproximou de quê?

    Porque toda vez que a gente se afasta de alguma coisa, nós nos aproximamos de outra. De que que ela se aproximou? Não é? Do quê? Ela se aproximou dela mesma. Então, foi um processo de hipertrofia do ego. A hipertrofia do eu. A hipertrofia do eu gera egoísmo e egolatria, que é o orgulho. Egolatria é o culto ao próprio eu e o egoísmo é tudo para mim. Olha que interessante isso. Então, na verdade, quando a criatura se afastou de Deus, ela criou um processo sucessivo de separações. Ela foi se separando aos poucos. E, agora, para fazer o caminho contrário, qual que é a proposta bíblica?

    Lá, nós estamos falando de metáforas, né? Nós estamos falando de símbolos. Isso não podem ser tomados ao pé da letra. O que que aconteceu? Deus, de todos os povos, separa um, que é o povo da aliança, o povo hebreu. Olha que interessante. Então, afastou todo mundo, aí, agora, ele tem que separar um. Dentro desse povo, ele separa uma tribo, que é a tribo de Levi, uma tribo de sacerdotes. Quem nasceu na tribo de Levi? Moisés, Arão, seu irmão, são da tribo de Levi. Dentro da tribo de Levi, ele tem que separar uma família, a família sacerdotal.

    No caso, a família de Moisés e de Arão. Dentro dessa família, eu tenho que separar um sumo-sacerdote. Então, na família, Arão foi sumo-sacerdote. Então, eu separo sacerdotes e um sumo-sacerdote. Depois, eu começo a separar objetos, lugar. É um processo de afastamento do mundo. Olha que interessante, não é? Vai afastando para se aproximar de Deus, ou seja, um movimento contrário. E, no auge desse processo de aproximação, nós temos o tabernáculo. Então, vamos entender o Mikdash, quer dizer, o lugar sagrado, o lugar reservado a Deus.

    É claro que isso é um símbolo e é claro que, ao estudar o tabernáculo aqui, nós não estamos numa posição ingênua, achando que nós vamos ter que construir um tempo, reconstruir um tabernáculo, nós não estamos mais nisso. Nós estamos aqui, agora, numa visão espiritual, porque nós sabemos que não são mais necessários templos de pedra, construções humanas para nos relacionarmos com Deus. Então, nós estamos aqui em busca do Espírito da letra, do Espírito que vive e fica. Então, onde que nós vamos chegar com essa história do tabernáculo?

    No capítulo 19 de Êxodo. Olha que interessante! Quando Moisés liberta o povo da escravidão do Egito, Deus vai se revelar no Monte Sinai. E como que ocorre essa manifestação? Porque a montanha se incendeia, há uma incandescência, há um fogo, uma luminosidade, mas houve uma preparação? Houve. Está no capítulo 19 de Êxodo, versículos 9 e em diante. Olha o que é que diz. Adonai disse a Moisés, Eis que virei a ti na escuridão de uma nuvem, para que o povo ouça eu falar contigo, olha só, e para que também creiam sempre em ti.

    E Moisés relatou a Adonai as palavras do povo. Adonai disse a Moisés, Vai ao povo e faz-o santificar-se hoje. Olha só! Pediu que Moisés fosse ao povo e o povo tinha que ser santificado. Hoje e amanhã. Lá vem as suas vestes. Estejam prontos depois de amanhã, terceiro dia. Está parecendo alguma coisa? Porque depois de amanhã, Adonai descerá os olhos de todo o povo sobre a montanha do Sinai. E tu fixarás os limites da montanha e lhes dirás, guardai-vos de subir a montanha e não toqueis nos seus limites, todo aquele que tocar na montanha será morto.

    Ou seja, foi estabelecido um limite, é mais ou menos assim. Imagine se o Barack Obama viesse a Belo Horizonte. Então, a segurança faz um limite, você não pode ultrapassar daquele limite. Tem guardas, tem toda uma proteção. Então, quando Deus simbolicamente desce sobre o Sinai, foi estabelecido um circo, o povo não poderia passar daquele circo, mesmo santificando e lavando suas vestes. Por quê? E o texto vai dizer todo aquele que tocar na montanha será morto. Ninguém porá a mão sobre ela. Quando soar o chifre do carneiro, então subirão a montanha.

    Moisés desceu da montanha e foi encontrar-se com o povo. Ele o fez santificar-se e lavaram as suas vestes e depois disse ao povo, estrais preparados para depois de amanhã. E aí dá as recomendações. Ao amanhecer, desde cedo, houve trovões e relâmpagos e uma espessa nuvem sobre a montanha e um clamor muito forte de trombeta e o povo que estava no acampamento pôs-se a tremer. Moisés fez o povo sair do acampamento ao encontro de Deus e puseram-se ao pé da montanha. Eles não subiram, ficaram embaixo da montanha. Toda a montanha do Sinai fumegava, ou seja, fumaça, fogo, porque Adonai descera sobre ela no fogo.

    No fogo. Por isso que fogo, no Velho Testamento, é símbolo de tudo que é espiritual. Daí as línguas de fogo em Pentecostes. Fogo é símbolo do Espírito. Descera sobre ela o fogo e sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha. Fornalha? Olha o processo de purificação aqui, porque fornalha é algo que purifica, né? Você coloca lá e aquilo refunde. Então, a montanha se tornou uma fornalha. O som da trombeta ia aumentando pouco a pouco, Moisés falava e o povo lhe respondia no trovão. Adonai desceu sobre a montanha do Sinai, no cimo da montanha, chamou Moisés para o cimo da montanha.

    Moisés subiu, não o povo. Só subiu Moisés. Adonai disse a Moisés, desce e adverte o povo que não ultrapasse os limites para ver Adonai, para que muitos deles não pereçam. Então, olha que interessante. Tinha templo aqui? Não. Tinha algum templo, tabernáculo? Não. Aqui, na linguagem simbólica do Velho Testamento, Deus estava se manifestando, Ele incendiou a montanha. Mas, podia se aproximar? Não podia. Por quê? Eis a questão. Por que o povo não pode se aproximar de Deus? O que que ocorreu? O que que está implícito aqui?

    Vamos guardar essa pergunta. E, aí, mais pra frente, o livro segue, Levítico segue, quando chega no capítulo 25 de Êxodo, Deus dá instruções a Moisés para a construção do tabernáculo, do mikdash, do lugar sagrado, onde Ele faria morada. Olha que interessante. Então, agora, nós teríamos um tabernáculo onde Ele, Deus não, a nuvem, porque não é Ele todo, não é? É uma emanação de Deus, é a nuvem, não é Ele todo, porque o absoluto não pode ser, nós não podemos colocar Deus dentro desse copo. Então, Deus não cabe dentro do tabernáculo, do mikdash, mas a sua presença invadiria, preencheria todo o tabernáculo.

    Daí a importância do tabernáculo. O tabernáculo passa a ser um lugar que fica no meio do povo, nós vimos isso na primeira aula, naquela imagem, as doze tribos acampadas em torno do tabernáculo, o tabernáculo ficava no meio, a tenda, tinha uma tenda, nós vamos ver essa estrutura, o tabernáculo lá no meio, ele era um lugar de reunião do povo, onde as pessoas se encontravam e onde elas se aproximavam de Deus, porque ali estava a presença de Deus. Está enigmático, não está? Está bem enigmático. Bom, vem a instrução para a construção do tabernáculo, os capítulos 25, 26, 27, 29, 30, 31 de Êxodo, tudo instrução sobre a construção do tabernáculo.

    Olha aqui, estão vários capítulos de Êxodo instruindo. Quando começa o Livro Levítico, o tabernáculo está construído. Aí vem as instruções para quê? Para a utilização do tabernáculo. Então, o Livro Levítico é um conjunto, é chamado de Torah Koranim, ou seja, a Torah dos sacerdotes, as leis relativas à utilização do tabernáculo e da aproximação com Deus. Mas, como é que é o tabernáculo? Nós vimos isso também na imagem, já colocamos aí aquela, a estrutura do tabernáculo, da tenda, né, da tenda da reunião, Orrelo Meód, onde estava o tabernáculo.

    Como é que é essa tenda? Ela é tripartida. Então, eu tenho o lugar dos sacrifícios, o lugar santo e o santo dos santos, onde está a arca da aliança com os dois querubins, com as asas assim, e lá dentro as tábuas da lei. Querubins lembrando o quê? Quando Adão sai do Jardim do Éden com Eva, quem que fica guardando a entrada do jardim? Um querubim com uma espada flamejante. Olha que interessante! Um querubim com uma espada de fogo, guardando a entrada. Não entra mais qualquer um agora. É preciso passar por um processo de purificação para voltar para o Éden.

    E, sobre as tábuas da lei, você tem dois querubins. E é sobre a arca da aliança que está a nuvem da glória, a nuvem da presença de Deus. Bom, deve estar todo mundo confuso. Meu Deus, que tanto de símbolo! O que que quer dizer isso? Três? Três etapas para se chegar no santo dos santos? Que é a terceira? E todo um conjunto de rituais com base nessa estrutura do tabernáculo? Vamos tentar clarear um pouquinho isso? Vamos! Vamos lá! Allan Kardec, Revista Espírita, fevereiro e abril de 1858, no item Diferentes Ordens de Espíritos.

    Vamos lá! Kardec diz assim, Um ponto capital na doutrina espírita é o das diferenças que existem entre os Espíritos sob o duplo ponto de vista, intelectual e moral. Então, há diferenças intelectuais e morais entre os Espíritos. Seu ensino a esse respeito jamais variou. Não menos importante, porém, é saber que eles não pertencem eternamente à mesma ordem e que, em consequência, essas ordens não constituem espécies distintas. São diferentes graus de desenvolvimento. Então, Kardec, em contato com o mundo dos Espíritos, percebeu que os Espíritos eram diferentes.

    Você tinha os Espíritos moralmente mais elevados e moralmente menos elevados, intelectualmente mais elevados e intelectualmente menos elevados. E, ele descobriu que essa divisão não é eterna, não. Os Espíritos progridem. Então, vamos. Os Espíritos seguem a marcha progressiva da natureza. A natureza tem uma marcha progressiva e os Espíritos também têm uma marcha progressiva? Sim. Tanto que, no Livro dos Espíritos, Kardec fala da progressão dos mundos. Olha, se os mundos progridem, então a natureza também está no processo de aperfeiçoamento.

    E, se os Espíritos seguem a marcha progressiva da natureza, significa que a natureza está sempre adequada ao nível dos Espíritos que nela habitam. O que isso significa? É o conceito do Velho Testamento de que a separação da criatura do Criador afetou também a natureza. A redenção da criatura humana é também regeneração do mundo. É um processo único. Não é bonito isso? Progridem os Espíritos e progridem os mundos. Por isso que Paulo fala da nova criação. Quando o homem for redimido, a natureza da Terra será redimida também.

    Olha que bonito isso! Os Espíritos das ordens inferiores são ainda imperfeitos. Depois de depurados, atingem as ordens superiores. Depurados? O que é depurar? Não é extrair as impurezas? Depurar não é purificar? E todo levítico não fala do processo de purificação? Então, aqui está a chave para a gente começar a abrir o Levítico. A progressão dos Espíritos é um processo de depuração, purificação, purificação. Atingem as ordens superiores, avançam na hierarquia, à medida que adquirem qualidades, experiência e conhecimentos que lhes faltam.

    Olha só! No verso, a criança não se assemelha ao que será na idade madura. Entretanto, é sempre o mesmo ser. A classificação dos Espíritos baseia-se no grau de adiantamento deles, nas qualidades que já adquiriram e nas imperfeições de que terão ainda de despojar-se. Olha que bonito! Os Espíritos em geral admitem quantas categorias principais? Ou três grandes divisões? Três. Três. Os Espíritos em geral admitem três categorias principais ou três grandes divisões. Na última, a que fica na parte inferior da escala, estão os Espíritos imperfeitos, que devem ainda percorrer todas ou quase todas as etapas.

    Caracterizam-se pela predominância da matéria sobre o Espírito e pela propensão ao mal. Olha, os da segunda ordem se caracterizam pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem. São os Espíritos bons. A primeira ordem, finalmente, compreende os Espíritos puros, os que atingiram o grau supremo da perfeição. Faremos, todavia, notar que os Espíritos não ficam pertencendo exclusivamente a tal ou tal classe, sendo sempre gradual o progresso deles e muitas vezes mais acentuado num sentido que em outro, pode acontecer que muitos reúnam em si os caracteres de várias categorias, o que seus atos e linguagem tornam possível apreciar.

    Porque, às vezes, você evolui muito em moral, mas não evolui em intelecto. Evolui muito em intelecto, mas não evolui em moral. Então, você acaba sendo uma mistura, não é? A gente tinha uma brincadeira na faculdade, os amigos falavam assim, qual o período que você está? Aí, o sujeito falava assim, eu estou no quinto período fatorial. Porque quem lembra de matemática é assim, ele está no quinto período, mas ele deve matéria do quarto, do terceiro, do segundo e do primeiro período. Então, na verdade, ele está no quinto período, mas deve matéria de todos os períodos anteriores, ele está em todos os períodos, não é?

    Quinto fatorial. É engraçado isso, porque a evolução dos Espíritos também, não é? O Espírito está numa escala lá, mas é a escala fatorial, porque ele tem características de todas para baixo, compromisso. Três ordens. Atrio dos sacrifícios, predomínio do sangue, dos sacrifícios de animais, lugar santo, onde só entram os sacerdotes, segunda ordem dos Espíritos, santo dos santos, só entra o sumo sacerdote, terceira ordem. Então, essa é a nossa hipótese. Nós estamos lançando aqui agora e teremos alguns minutos para comprovar a nossa hipótese.

    Estaria o tabernáculo de Êxodo e de Nevítico fazendo uma referência às três ordens de progressão dos Espíritos? Será? Sim. E, agora, eu vou trazer textos de Kardec, de Kardec, para a gente observar, só que eu queria chamar a atenção agora para a linguagem. Então, vamos refrescar algumas palavrinhas aqui, vamos relembrar? Santidade, pureza, purificação, sangue, expiação. Vamos guardar essas palavras? Porque elas vão aparecer no texto. Elas vão aparecer no texto. E, vão aparecer uma outra coisa. Por que que, quando você sacrificava um animal, o importante era o sangue do animal?

    Por quê? Nós falamos isso numa aula passada, porque o importante era a vida que estava no sangue. Ou seja, qual que é a ideia do corban, do sacrifício? Que quando você leva o animal para ser sacrificado, é porque ao ser sacrificado, ao morrer, ele passa do mundo material para o mundo espiritual, que é onde está Deus. Então, todo o processo de sacrificação do Levítico é um processo de desmaterialização. Isso é o que fala Vanoir. Vanoir fala isso no livrinho dele sobre a Carta aos Hebreus. Livrinho, livrão, é pequenininho, mas é um grande livro.

    Alberto Vanoir. Desmaterialização. E, por que que o sacerdote oferecia assim um animal no seu lugar? Porque ele queria ir? Ele ia? O que que é desmaterialização completa? Ele tinha que morrer. E, por que que Jesus é o Cordeiro de Deus? Porque ele não levou nenhum animal, não. Ele foi no lugar. Ele foi à oferta. Então, ele se desmaterializou na cruz. Ao ser morto na cruz, ele transformou o que era material no que era espiritual. Então, a ressurreição é a espiritualização suprema. É você atravessar todas as ordens e chegar o mais próximo possível de Deus.

    Essa é a ideia. Vamos checar? Vamos ver o texto? Vamos. Então, vamos lá. Terceira ordem. Como é que o Kardec defina a terceira ordem? Espíritos imperfeitos. Características gerais. Predominância da matéria sobre o Espírito. Claro. Porque, se ele está no máximo afastamento de Deus, ele não pode estar espiritual, porque Deus é espiritual. Ele está o máximo materializado possível. Ele está mais próximo de quê? Da sua herança animal. Então, imagine. Quando o Espírito entra na idade da razão, Seu Honório vai adorar isso, não é?

    Seu Honório adorava isso, não é? Quando o ser entra na consciência, na razão, ele tem que escolher agora. Tem que escolher entre o bem, que é Deus, e o mal, que é ele. Porque, se ele se afastar de Deus, é o mal. Se ele se aproximar de Deus, é o bem. Se ele seguir a vontade de Deus, é o bem. Se ele seguir a sua vontade, é o mal. Se ele aceitar Deus como regente, ele é humilde, Deus é o centro, está tudo certo. Se ele afasta Deus e se coloca no centro, é o orgulho, é o mal. Se ele aceita o amor e a fraternidade, é a caridade.

    Se ele não aceita, é o egoísmo. Então, o mal é o quê? É eu seguir ao ego, o eu. O mal é o império do eu. Tira Deus, só fica eu, eu, eu. Aí, o que que acontece? Se o Espírito faz essa opção, ele afasta Deus, ele fica com o quê? Ele fica com ele, não é? Se eu afasto Deus, sobra o quê? Sobra eu. O quê que eu sou? Eu sou milhões de anos na animalidade. E quantos segundos na espiritualidade? Cinco. Vamos fazer uma conta aqui. Quantos anos nós temos de caridade e de amor? Quantos milhões de anos de animalidade nós temos?

    Então, a jornada de espiritualização não é uma jornada de afastamento da animalidade? Não é? Animalidade não é a ausência da razão? Porque quando o ser está estagiando na animalidade, ele não tem razão, ele não tem o livre-arbítrio. Não é isso? Se ele não tem, ele está num lugar estreito. O quê que é estreito? Mitraim, Egito. Então, a escravidão no Egito é o período que o Espírito estagia na animalidade. E o êxodo, a saída da animalidade e a máxima espiritualização se chama redenção, libertação. É o Cristo que vive em mim.

    Já não sou eu, já não sou milhões de anos na animalidade, são os padrões superiores agora que vivem em mim. Então, nós lembramos lá do livro no mundo maior. A mente é dividida em quantas? Em quantas? Cinco? Três, né? O tabernáculo é quanto? Três, né? Engraçado, né? Mas deve ser coincidência, né? No porão da individualidade está o quê? Todas as experiências semelhantes. E no superconsciente? Os padrões espirituais do futuro, né? Então, é isso. O predomínio da matéria. Então, quando o Espírito imperfeito ele está mais próximo da animalidade do que da espiritualidade.

    Então, ele está distante, ele está afastado da presença divina. Propensão para o mal. Por que propensão para o mal? Porque ele está mais propenso a seguir ele do que a seguir Deus. Ele está mais propenso a seguir a sua vontade do que a vontade de mim, né? Né? Por isso que ele está propenso ao mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhe são consequentes. Tem a intuição de Deus, mas não compreendem. Por que não compreendem? Porque está muito distante. Aí vai para o segundo nível, segunda ordem. Espíritos bons.

    Características gerais. Predominância do Espírito sobre a matéria. Claro, já está mais espiritualizado, já está mais distante da animalidade. Desejo do bem. Por que desejo do bem? Porque como ele está se afastando do ego, ele deixa de ser egoísta e passa a ser caridoso, fraterno. Ele se afasta da egolatria, do orgulho, então ele passa a ser humilde. Aí surge o desejo do bem. Suas qualidades e poderes para o bem estão em relação com o grau de adiantamento que hajam alcançado. Uns têm ciência, outros a sabedoria e a bondade.

    Então, é um processo demorado, não é? São duas asas do amor e da sabedoria. Os mais adiantados aliam o saber às qualidades morais. Não estando ainda completamente desmaterializados, conservam mais ou menos, conforme a categoria que ocupem, os traços da existência corporal. Traços da animalidade. Necessidade do sacrifício do animal. Necessidade da reencarnação, de levar o corpo para ser imolado. Aí vem. Compreendem Deus e o infinito e já gozam da felicidade dos bons. São felizes pelo bem que fazem e pelo mal que impedem.

    O amor que os une lhes é fonte de inefável aventura, que não tem a perturbá-los nem a inveja, nem os remorsos, nenhuma das paixões más, paixões más, que constituem o tormento dos espíritos imperfeitos. Todos, entretanto, ainda têm de passar por provas até que atinjam a perfeição absoluta. Ainda tem sacrifício. Ainda tem que purificar. E, primeira ordem, Espíritos puros. Santo dos Santos. O que é que tem no Santo dos Santos? A Arca da Aliança, os querubins e a nuvem da presença divina, não é? Vamos ver os Espíritos puros?

    E as tábuas da lei. Nenhuma influência da matéria. O que é? É espiritualização completa. Superioridade intelectual e moral absoluta com relação aos Espíritos das outras ordens. Primeira classe, classe única, não tem divisão. As outras classes têm divisões, subdivisões. Esta não tem, é única. Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, de que é suscetível a criatura.

    Então, é uma perfeição de criatura, não é perfeição do Criador. Olha que importante isso. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, não tem mais que sofrer provas nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus. O que aconteceu? A aproximação absoluta de Deus. União divina. Vamos guardar essa palavra que nos romances de Emmanuel aparece toda hora. União divina. Todos nós temos dentro de nós uma sede de união divina, saudade de Deus, vontade de voltar para o seio Dele, vontade de voltar para a casa paterna.

    União divina. Essa felicidade, porém, não é a da ociosidade monótona. A transcorrer em perpétua contemplação. Eles são os mensageiros e os ministros de Deus. O que que são? Mediadores de Deus. São os ministros, mediadores, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. Comandam a todos os Espíritos que lhes são inferiores. Auxiliam-nos na obra de seu aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões. Assistir os homens nas suas aflições, consitá-los ao bem ou à expiação das faltas que os conservam distanciados da suprema felicidade constitui para eles ocupação gratíssima.

    A alegria deles é ajudar a gente. Olha, são designados, às vezes, pelos nomes de anjos, arcanjos ou serafins. Bonito, né? Vamos lá. Então, nós falamos tantas coisas aqui, né? Saída lá da animalidade, êxodo, aproximação de Deus, o povo não podia chegar no monte Sinai porque não estava puro, não podia passar do limite. E o que o povo fez no deserto? Começa com P. Pere… Peregrinação no deserto. Depois dessa ordem aqui, Kardec escreve um texto pequenininho chamado Espíritos errantes ou encarnados. Errantes ou encarnados?

    Olha o que Kardec diz. Quanto às suas qualidades íntimas, os Espíritos pertencem a diferentes ordens que percorrem sucessivamente à medida que se depuram. Purificação. Como estado, isso é qualidade, e o estado deles podem estar encarnados, isto é, unidos a um corpo, num mundo qualquer, ou errantes. Errantes, ou seja, despojados do corpo material e aguardando nova encarnação para se melhorarem. Ou seja, os Espíritos errantes não formam uma categoria especial, é um dos estados em que podem encontrar-se. O estado errante ou de erraticidade não constitui inferioridade para os Espíritos, pois que nele os podemos encontrar de todos os graus.

    Todo Espírito que não está encarnado é, por isso mesmo, errante, à exceção dos Espíritos puros, que, não tendo mais encarnação a sofrer, estão no seu estado definitivo. Espírito puro está no mundo espiritual definitivamente. O que a teologia chama disso? Qual que é o estado de imortalidade permanente? Estado de imortalidade permanente. Não precisar mais reencarnar. Ressurreição. Redenção. Redenção é o processo máximo de espiritualização que você deixa de ser errante. Você não precisa mais encarnar. Então, você está num estado definitivo de espiritualidade.

    São os Espíritos puros, puros, bem-aventurados. Quem se transforma o Espírito na sua última encarnação? Espírito bem-aventurado é Espírito puro. E quem precisa encarnar ainda? Errante. Ele está no mundo espiritual, mas lá ainda não é a morada definitiva dele. Então, ele vem pra Terra e volta, vem e volta, vem e volta. Então, erraticidade, encarnação. Erraticidade, encarnação. E esse processo de ir e vir se chama peregrinação no deserto. Peregrinação. Somos peregrinos até o dia que a gente chegar. Quando a gente chegar, Espírito puro, acabou.

    Definitivamente desmaterializados e espiritualizados. Deu aí, gente? Alguém quer falar alguma coisinha? Essa palavra errante, erraticidade, elas são cidades que não há sentido. Algo que não tem rumo, que não tem direção. No entanto, a gente vê que no mundo espiritual, que tem objetivo, tem atividades, etc. Os Espíritos trabalham. Essa palavra errante, não é só pra mim que dá essa sensação. Erraticidade é algo que não tem direção. Não tem objetivo. É, mas não é, nós não podemos confundir. No início dá, né, essa sensação.

    Mas, nós não podemos confundir erraticidade com desorientação. Erraticidade tem a ver com peregrinação e tem a ver com, agora que está o bonito, sujeito ao erro. Isso é erraticidade. Ainda sujeito a errar. Esse é o sentido. Porque depois que ele se torna Espírito puro, ele não mais está sujeito ao erro. Daqui a pouquinho vão guardar cenas dos próximos capítulos. Isso é que é erraticidade. Por isso que a gente vai no Obreiros da Vida Eterna, quando fala da materialização do Asclépios, o benfeitor fala para André Luiz, Asclépios aspira a representar a Terra nas comunidades de Júpiter.

    Os que estão lá esperam vigilantes detencer as comunidades do Sol. Os que estão lá esperam vigilantes. Por que eles se esperam vigilantes? Por que que quando Alcione vai reencarnar, o benfeitor dela fala assim, você tem certeza que você vai? Muitos saem daqui em missões arriscadas como essa e voltam repletos de compromissos. Por quê? Como ela não tinha atingido ainda o estado de pureza total, ela ainda está sujeita ao erro. Por isso que é errante. Bonito, né? Vai vir mais aqui, tem um texto aqui que vai falar sobre isso.

    Corre agora! Sempre é assim, né? Aí eu achei, na Revista Espírita, de 1858, mês de abril, um item chamado O Espiritismo entre os Druidas. O Espiritismo entre os Druidas. Kardec reproduz um texto de um especialista que fala sobre as tríades dos druidas. Eu vou ler aqui as tríades. Tríade 12. Tríade é assim, é tudo em três. Eles vão dando tudo em três. Três. Três ordens de espírito, né? Vamos lá! Kardec reproduz essas tríades e depois ele coloca uma tabela, a escala espírita e a escala druídica. Coloca uma comparando com a outra pra mostrar que o Espiritismo estava na doutrina dos druidas.

    Porque o Espiritismo não é uma propriedade de nós, espíritas, não. O Espiritismo não é uma propriedade dos espíritas, não. O Espiritismo é a lei da natureza. Porque o Espiritismo significa leis do mundo espiritual. São leis naturais. Não pertencem a ninguém. Pertencem a Deus, né? Então, vamos lá. Tríade número 12. Há três círculos de existência. O círculo da região vazia, cegã, onde, exceto Deus, não há nada vivo, nem morto e nenhum ser que Deus não possa atravessar. Difícil, né? Ou seja, o que ele está dizendo aqui?

    O que os cabalistas judeus chamam de Ensof. É o lugar onde só tem Deus, mais nada. Inacessível a qualquer criatura. É o absoluto. Por isso que Deus cria do nada. Depois nós temos o quê? O círculo da migração. Migração. Abred. Onde todo ser animado procede da morte e o homem o atravessou. E o último círculo? O círculo Ginf, da felicidade. Onde todo ser animado procede da vida e o homem o atravessará no céu. Então, no círculo abred, da migração, prevalece a morte. Por quê? Reencarnar é morrer, ter que morrer. Toda vez que você reencarna, você tem que morrer.

    E no círculo do Ginf, que é o da felicidade, que é o dos Espíritos puros, não tem mais encarnação, então não tem mais morte. É só vida. Por isso que Paulo fala do primeiro Adão, alma vivente, porque alma vivente ela vive e morre. E o segundo Adão, que é o Cristo, que é Espírito, vivificante, não morre mais. Bonito, né? Treze. Treze estados sucessivos de seres animados. O estado de descida no abismo, Anuf, o estado de liberdade na humanidade e o estado de felicidade no céu. O que significa isso? Animalidade, humanidade, angelitude.

    Quatorze. Três fases necessárias de toda a existência em relação à vida. O começo em Anuf, a transmigração em Abret, e a plenitude em Ginf. E sem essas três coisas, nada pode existir, exceto Deus. Fantástico, né? Aí é um comentário que Kardec reproduz. Em resumo, sobre esse ponto capital da teologia cristã, assim como Deus em seu poder criador tira as almas do nada, as tríades não se pronunciam de maneira precisa. Depois de terem revelado Deus em sua esfera eterna e inacessível, elas mostram simplesmente as almas originando-se nas camadas mais profundas do universo, no abismo, Anuf.

    Daí passam para o círculo das migrações, Abret, onde seu destino é determinado através de uma série de existências, conforme o bom ou mau uso que hajam feito de sua liberdade. E, por fim, elevam-se ao círculo supremo, Ginfield, onde as migrações cessam, onde não mais se morre e onde a vida transcorre em completa felicidade, em tudo conservando sua atividade perpétua e a plena consciência da sua individualidade. Seria preciso, ou seja, o druidismo não caiu no erro das teologias orientais, que levam o homem a ser finalmente absorvido no seio imutável da divindade, porquanto, ao contrário, distingue um círculo especial, o círculo do vazio ou do infinito, cegã, que forma o privilégio incomunicável do ser supremo e do qual nenhum ser, seja qual for o seu grau de santidade, jamais poderá penetrar.

    Ou seja, o círculo absoluto de Deus, nenhuma criatura penetra. É o Ensof dos cabalistas do judaísmo. Depois do Ensof, que é onde só tem Deus o absoluto, o ilimitado, o infinito, aí vem Ginfield, que é um das criaturas perfeitas, o das migrações e o do abismo. Mas, o bonito aqui é grau de santidade. Olha que interessante, que à medida que o Espírito vai se purificando, ele vai se santificando. É o ponto mais elevado da religião visto marcar o limite fixado ao progresso das criaturas. Há um limite ao progresso das criaturas.

    Bonito, não é? Bonito isso, não é? Agora, para a gente completar aqui, na Revista Espírita de fevereiro de 1868, tem um título chamado Os Messias do Espiritismo. Agora, vamos lá. Nós aprendemos que os Espíritos puros, não é? Espíritos puros. Então, olha que aqui São Luís, Lamené e Lacordé vão dizer. Ao lado de Deus, pode ir? Pode continuar? Ao lado de Deus, estão numerosos Espíritos chegados ao topo da escala dos Espíritos puros. Ou seja, tem uma escala lá, não é? Que mereceram ser iniciados em seus desígnios, para dirigirem a execução dos desígnios de Deus.

    Deus escolheu dentre eles seus enviados superiores, encarregados de missões especiais, podeis chamá-los Cristos. Mais? Mais um pouquinho? Os Messias, seres superiores, chegados ao mais alto grau da hierarquia celeste, depois de terem atingido uma perfeição que os torna infalíveis daí por diante, infalíveis, e acima das fraquezas humanas, mesmo na encarnação. Olha o que São Luís está dizendo. Um Cristo, quando encarna, mesmo encarnado, Ele é infalível, infalível. Está acima das fraquezas humanas, mesmo quando Ele está encarnado.

    Admitidos nos conselhos do Altíssimo, recebem diretamente Sua Palavra. Diretamente Sua Palavra. Eles falam com Deus diretamente palavra que são encarregados de transmitir e fazer cumprir. Verdadeiros representantes da divindade da qual tem o pensamento, é entre eles que Deus escolhe seus enviados especiais, os seus Messias, para as grandes missões gerais, cujos detalhes de execução são confiados a outros Espíritos encarnados ou desencarnados, agindo sob suas ordens ou sob sua inspiração. Tem aqui uma evolução em dois mundos?

    Júlio, vê se você consegue uma evolução em dois mundos pra gente, ou mesmo digital. Então, olha, o que que São Luís, isso é Revista Espírita, eu estou trazendo um texto de Kardec. A mensagem de São Luís, Revista Espírita de fevereiro de 1868. Um Cristo, ele não tem, eu não baixei ele, mas o iniciozinho da evolução em dois mundos, achei-lhe achar, enquanto eu estava procurando. O que que ele está dizendo, então, gente? Quando Paulo fala do Cristo, de Jesus, o sumo sacerdote, aquele que entrou no santo dos santos, aboliu todos os sacrifícios e se transformou no intermediário entre Deus e os homens, é isso que ele está falando.

    Jesus criou uma ponte entre a criatura humana e Deus. O que ele encarnou, ele encarnou, então ele experimentou o que que é ser humano. Dor, fome, sede, tudo, foi crucificado, experimentou todas as dores, todas as dores humanas, mas ele tem uma diferença, ele já é um Cristo, ele já se comunica diretamente com Deus, diretamente. É isso que a Carta aos Hebreus vai explicar, esse processo. E por isso que o sacrifício de Jesus na cruz aboliu os sacrifícios anteriores, aboliu não, cumpriu, cumpriu, não há mais necessidade do sacrifício de animais, querendo dizer que se nós nos aproximarmos do Cristo, se nós nos unirmos a Jesus, isso significa purificação total da alma, purificação total da alma, você não necessita mais encarnar, você sai do ciclo das migrações encarnatórias.

    Achou não, Cheio? É o início, o primeiro capítulo. Qual a criação em plano maior? Sua amiga? Primeira página, depois da introdução. Então, olha aqui, do que nós estamos falando, né? De um processo que, achou? Olha só, André Luiz, primeira parte do Livro Evolução em Dois Mundos vai dizer assim, olha só, plasma divino, o fluido cósmico é o plasma divino, austo do Criador. O que que é austo, gente? Austo é O que que Deus fez nas narinas de Adão? Soprou. Então, o fluido cósmico é o austo do Criador, ou força nervosa do Todo-Sábio.

    Porque se você toca, se você tocou aqui, toquei nesse copo aqui, Deus sentiu. Ele sentiu. Porque o fluido cósmico é a força nervosa. Nesse elemento primordial vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano. Paulo de Tarso. Em Deus nos movemos e existimos. Então, nós estamos mergulhados no fluido cósmico. Aí ele vem. Qual a criação em plano maior? Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as inteligências divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível.

    O processo de comunhão de um Cristo com Deus, um encarnado não pode descrever. Nós não temos como descrever. Nós não sabemos o que é. Não adianta tentar. É indescritível a comunhão, indescritível. Os grandes devas da teologia hindu ou os arcanjos da interpretação de variados tempos religiosos extraindo desse hálito espiritual do fluido cósmico, os celeiros da energia com que constroem os sistemas da imensidade, em serviço de cocriação em plano maior, de conformidade com os designios do Todo-Misericordioso, que faz deles agentes orientadores da criação excelsa.

    Essas inteligências gloriosas tomam o plasma divino e convertem-no em habitações cósmicas, de múltiplas expressões, radiantes ou obscuras, gazeificadas ou sólidas, obedecendo a leis pré-determinadas, quais moradias que perduram por milênios e milênios, mas se desgastam e se transformam, por fim, de vez que o Espírito criado pode formar ou cocriar, mas só Deus é o Criador de toda a eternidade. Nenhum cocriador pode criar algo que dura para sempre, só Deus. Então, eles formam obras que duram, mas se desgastam e se transformam, cocriação em plano maior.

    Bom, então, para a gente encerrar, seria importante dizer, sobre o tabernáculo, que nós, no estado primitivo, sacrificávamos seres humanos. Crianças, mulheres, pessoas eram assassinadas nos altares. A humanidade progrediu, passou a sacrificar animais, pois ela parou de sacrificar animais. E começou o quê? O processo natural da evolução, que é um processo de desmaterialização. Hoje, nós não temos mais necessidade de sacrificar pessoas, não temos mais necessidade de sacrificar animais, nós estamos num processo de sacrificação, de sacrifício interior.

    Por quê? Porque o tabernáculo agora não é de pedra. O tabernáculo é de quê? Cada Espírito detém consigo o seu íntimo santuário, erguido ao amor. E Espírito algum menoscabará o lugar sagrado de outro Espírito sem lesar a si mesmo. Vida e sexo. Ou então, Consolador pergunta 311, para Deus o mundo não mais deveria persistir no velho costume de sacrificar nos altares materiais. Em seu nome, razão por quem enviou aos homens a palavra do Cristo, a fim de que a humanidade aprendesse a sacrificar no altar do coração, na ascensão divina dos sentimentos para o seu amor.

    E, na questão 303, Emmanuel diz assim, a aquisição do conhecimento espiritual com a perfeita noção de nossos deveres desperta em nosso íntimo a centelha do Espírito divino que se encontra no âmago de todas as criaturas. A centelha, olha o fogo aí, olha o fogo. Nesse instante, descerra-se a nossa visão profunda, o santuário da luz de Deus dentro de nós mesmos. Santuário, o mikdash, o tabernáculo da luz de Deus dentro de nós mesmos, consolidando e orientando as nossas mais legítimas noções de responsabilidade na vida.

    Enquanto o homem se desvia ou fraqueja, distantes dessa iluminação, ou seja, afastados da luz de Deus, seu erro justifica-se, de alguma sorte, pela ignorância ou pela cegueira. Todavia, a falta cometida com a plena consciência do dever, depois da benção do conhecimento interior, guardada no coração e no raciocínio, essa significa o pecado contra o Espírito Santo, o Espírito Santo, o Ruach Kodesh que está dentro de nós, o Espírito de Deus dentro de nós. Porque a alma humana estará, então, contra si mesma, repudiando as suas divinas possibilidades.

    É lógico, portanto, que esses erros são os mais graves da vida, porque consistem no desprezo dos homens pela expressão de Deus que habita neles. Expressão de Deus. Nós temos uma emanação de Deus, não Deus inteiro, porque Deus é absoluto, mas uma expressão de Deus dentro de cada criatura. É o tabernáculo. Por isso que a viagem ascensional da animalidade à espiritualidade suprema do grau de pureza do Espírito é também uma viagem interior, porque nós estamos nos dirigindo em rumo ao santuário da luz divina que está dentro de nós.

    E, para encerrar, eu queria ler um poema da Maria Dolores, que está no Antologia da Espiritualidade, chamado Agradeço, Senhor. Agradeço, Senhor, quando me dizes não às súplicas indébitas que faço através da oração. Muitas dasquelas dádivas que peço, estima, concessão, tosse, prazer, em meu caso, talvez fossem espinhos na senda que me deste a percorrer. De outras vezes imploro-te favores, entre lamentação, choro e barulho, mero capricho, simples algazarra que me escapam do orgulho. Existem privilégios que desejo, reclamando-te o sim.

    Que se me florescessem na existência, seriam desvantagens contra mim. Em muitas circunstâncias rogo afeto, sem achar companhia em qualquer parte, quando me das a solidão por guia, que me inspira a buscar-te. Ensina-me que estou no lugar certo, que a ninguém me ligaste de improviso, e que desfruto agora o melhor tempo de melhorar-me em tudo o que preciso. Não me escute às exigências loucas, faz-me perceber que alcançarei, além do necessário, se cumprir o meu dever. Agradeço, meu Deus, quando me dizes não com teu amor, e sempre que te rogue o que não deva, não me atenda, Senhor.

    Ah, que lindo, né? Eu vou fazer a praça.

    Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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