Neste episódio do estudo do Velho Testamento, conduzido por Haroldo Dutra Dias, aprofundamo-nos no Livro de Levítico, explorando sua relevância e conexão com o Novo Testamento e a Doutrina Espírita. Haroldo aborda a importância de estudar o Velho Testamento, desmistificando a ideia de que ele estaria ultrapassado ou deveria ser descartado.
O que é estudado neste episódio
- A importância do estudo do Velho Testamento: Haroldo Dutra Dias responde à pergunta fundamental sobre a necessidade de estudar o Velho Testamento e, especificamente, o Livro de Levítico, refutando a ideia de que ele estaria ultrapassado.
- O exemplo de Allan Kardec: É destacado como Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e “A Gênese”, se debruçou sobre textos bíblicos, incluindo o Velho Testamento, para fundamentar a Doutrina Espírita.
- As três revelações: A discussão sobre as três revelações (Moisés, Jesus e Doutrina Espírita) e como elas se complementam, formando um todo coeso, conforme explicado no capítulo 1 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.
- Conexão entre Levítico e a Carta aos Hebreus: É enfatizado que a compreensão da Carta aos Hebreus é impossível sem o estudo do Livro de Levítico, devido às inúmeras referências explícitas e implícitas.
- Jesus como o centro da revelação: A ideia de que Jesus é o guia e modelo, unificando os fragmentos da primeira revelação (Velho Testamento), conforme a questão 625 de “O Livro dos Espíritos”.
- A revelação fragmentada no Velho Testamento: Análise da passagem de Hebreus 1:1-2 (“Polímeros kai politropos”), que descreve como Deus falou “em muitas partes” e “de muitos modos” pelos profetas, em contraste com a unidade da mensagem de Jesus.
- O caminho para Emaús (Lucas 24:13-35): A narrativa de Jesus interpretando as Escrituras (Velho Testamento) para os discípulos, mostrando como Ele é o cumprimento de todas as profecias.
- Análise e síntese da revelação: O Velho Testamento como análise (fragmentos) e o Novo Testamento como síntese (Jesus unificando tudo), sendo a Doutrina Espírita a chave para aprofundar essa compreensão.
- O propósito do estudo: Fortalecer a fé, a esperança e a caridade, aprofundando o conhecimento da revelação divina para enfrentar as provações da vida.
- Fé raciocinada vs. fé ingênua: A distinção entre fé raciocinada, que encara a razão, e a fé cega, destacando a importância da confiança em Deus diante das limitações da razão humana.
- A Lei de Justiça, Amor e Caridade: A questão 879 de “O Livro dos Espíritos” é citada para explicar que a verdadeira justiça divina é inseparável do amor e da caridade, refutando a interpretação literal de “olho por olho, dente por dente” como mandamento divino.
- Exemplos de amor e perdão no Velho Testamento: Casos como o de José perdoando seus irmãos e o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo (Levítico 19:18) são apresentados para contestar estereótipos sobre o Velho Testamento.
- O mandamento de amar ao próximo: A revelação de que o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo está presente no Livro de Levítico (capítulo 19, versículo 8), e não apenas no Novo Testamento.
Reflexões
- O estudo do Velho Testamento, à luz da Doutrina Espírita, revela a progressividade da revelação divina, mostrando que Jesus é o ponto central que unifica e plenifica os ensinamentos fragmentados dos profetas.
- A verdadeira justiça divina é indissociável do amor e da caridade, conforme ensinado por Jesus e elucidado pelos Espíritos, transcendendo a visão limitada da justiça humana.
- A fé raciocinada nos convida a aprofundar nossa confiança em Deus, reconhecendo as limitações da razão diante dos desígnios divinos e fortalecendo nossa esperança e perseverança.
Ler transcrição do episódio
Fazer mais, é só fazer essa pequena divulgação da aula. Depois eu passo, senão todo mundo se concentra e não presta atenção, não é? Vamos lá. Bom, nós temos que retomar aqui, porque a gente está estudando em um sistema espiral. Idas e vindas, idas e vindas, porque o tema é complexo e a gente não consegue abordar de uma vez só. Então, precisa de muita calma, de muito tato pra gente ir aproximando dos temas, criando intimidade com os temas, até que surja aquele insight, aquela compreensão que vai revelar o conteúdo espiritual que está no texto.
Então é assim mesmo, aos poucos, que a gente vai se aproximando da mensagem. E aí a gente vai voltar aqui em um tema que foi abordado, assim, muito rápido, no nosso estudo passado, retomar e avançar mais um pouco. Só que antes, eu gostaria de esclarecer um tema. Muitas pessoas têm indagado, as pessoas que estão acessando a aula, que estão participando com a gente, de qual necessidade se estudar o Velho Testamento. Por que estudar o Velho Testamento? Por que estudar o Livro Levítico? Não bastaria estudar o Novo Testamento?
Não estaria o Velho Testamento ultrapassado? O Velho Testamento não deve ser descartado por nós e ficar só com o Novo Testamento? E nós que somos Espíritos, não deveríamos descartar toda a Bíblia? Ficar só com a doutrina? Ficar livre da Bíblia? Pra que isso? Se a doutrina espírita é clara, ela é objetiva, ela fala, pra que a Bíblia? Então, fugindo dessas posições radicais e evitando caminhar no terreno das opiniões pessoais, a gente resolveu pedir socorro ao próprio texto do Novo Testamento. Então vamos lá. Se nós descartássemos toda a Bíblia, não haveria Evangelho segundo Espiritismo.
O trabalho de Kardec foi extrair textos, selecionar textos e comentar à luz da doutrina espírita. Então essa posição, ela não é razoável, porque o próprio codificador se debruçou sobre os textos do Novo Testamento, chamou os Espíritos pra dialogar, criou uma sala de estudo e uma sala de estudo curiosa, porque quem participava do estudo com Kardec era Santo Agostinho, Erasto, Paulo de Tarso, os Espíritos. Ele comentava um pouquinho, dava a palavra, os Espíritos vinham e comentavam e ele criou um grande grupo de estudo, unindo os Espíritos e os encarnados e produziu o Evangelho segundo Espiritismo.
Mas será que ele se deteve apenas no Novo Testamento? Bom, se nós abrimos o livro A Gênese de Kardec, a gente vai ver que não. O livro A Gênese, ele estudou também Gênese de Moisés, Adão e Eva, uma série de outros temas. Então, a gente vê que no próprio exemplo de Kardec, já há um incentivo a que a gente, utilizando os princípios, as luzes da doutrina espírita, a gente abra toda a Bíblia e estude ela como um todo, como um ponto único. Outra questão que Kardec fez questão de frisar está no capítulo 1 do Evangelho segundo Espiritismo, Eu não vim destruir a lei.
Lá ele coloca as três revelações, a primeira, a segunda e a terceira, mostrando como é que elas dialogam, como é que elas formam um todo. Então isso, só isso já seria o suficiente para que a gente se afaste de uma posição fundamentalista, de uma posição exagerada, exacerbada e tenha a humildade de reconhecer que esses textos são textos que compõem a revelação divina, que é feita em três partes, mas que é um todo, que é uníssono. E aí vem a pergunta, qual que é a posição do Velho Testamento? E aí nós resolvemos, seguindo aí os passos da maninha, da Ayla, trabalhar as duas primeiras palavras da Carta aos Hebreus.
E isso é interessante. Se nós abandonarmos o Velho Testamento, digamos que a gente adote uma posição fundamentalista mediana. Não, então tá bom, eu aceito o Novo Testamento, só vou jogar fora o Velho. Então, ok, vamos ler a Carta aos Hebreus. O autor diz assim, Jesus é o sumo sacerdote fiel e misericordioso. Mas eu não consigo mais interpretar a sumo sacerdote porque eu joguei o Velho Testamento fora. Bom, o que é a sumo sacerdote? Eu não consigo interpretar a Carta aos Hebreus, mas o problema é mais grave, porque se eu vou nos Evangelhos e diz assim, Jesus é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.
Mas, eu joguei o Velho Testamento fora, como é que eu vou entender Cordeiro? Como é que eu vou entender pecado? Ou então, quando ele parte o pão e diz, esse é meu corpo, e toma o vinho e fala, esse é meu sangue, o sangue da nova aliança. Mas, eu não tenho mais Velho Testamento, como é que eu vou entender isso? Então, a gente está percebendo que isso não é razoável. E, a doutrina espírita é a doutrina da fé raciocinada. Então, não importa quem está dizendo, importa o que está sendo dito. Se o que está sendo dito é lógico, é razoável, é embasado, não importa quem está dizendo, não importa a força do argumento, o que importa é a lógica da palavra, o embasamento da palavra.
Então, aqui, acho que já deu pra perceber que é importante. A gente vai ver como que é importante. E, quando nós estudamos o Livro Levítico, a gente estuda como se fosse um par. O Livro Levítico e a Carta aos Hebreus, elas formam um par. É simplesmente impossível, impossível entender a Carta aos Hebreus sem o estudo do Livro Levítico. Por uma razão singela, a Carta aos Hebreus a todo momento faz referência explícita e implícita ao Livro Levítico. Então, esse é um ponto fundamental. Por isso, a gente está estudando o Livro Levítico, mas fazendo uma conexão sempre com a Carta aos Hebreus.
Por que isso? Porque nós aprendemos na questão 625 que o nosso guia e modelo é Jesus. Então, o centro, o centro das nossas cogitações, o centro das nossas reflexões, o nosso norte, o roteiro, será sempre, é e será sempre Jesus. Não tem outro, não tem outra pessoa, não tem outro livro, não tem outra ideia, é Jesus na sua vida, no seu ensino, que representa o nosso centro, porque Ele é o tipo mais perfeito. Então, Ele é o centro. O que é, então, a primeira revelação e o que representa a terceira revelação? A terceira revelação eu não vou responder, eu vou deixar uma interrogação.
A terceira revelação está na questão 627, eu não vou ler aqui. Está lá, está na questão 627. Qual que é o papel da doutrina espírita? Diante do ensino insuperável e imperecível de Jesus, que o ensino de Jesus é eterno. Vamos na questão 627 e explica. E, com relação à primeira revelação? É interessante a Carta aos Hebreus. A Carta aos Hebreus diz assim, polímeros cai, politropos, depois eu vou explicar isso, no passado Deus falou aos pais, pelos profetas, e nestes últimos dias falou-nos pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por quem ou através de quem fez, aí eu uso uma palavra aqui, aionas, que pode ser mundos, séculos, eras, por quem fez os mundos, por quem fez as eras, por quem fez os séculos.
Vamos lá, polímeros, todo mundo estudou isso. 5ª, 6ª, 7ª, 8ª, 7ª, pegava aquelas figuras geométricas que tinham mais de um lado, não é? É um polímero. Porque meros, em grego, é parte, poli é muito. Então, muitas partes. Olha só, então o autor, que pra nós é Paulo, está lá no livro Paulo Estevam, está dizendo em muitas partes falou Deus pelos profetas, ou seja, eu posso interpretar essa palavra em dois níveis, um espacial e um temporal. O que que é muitas partes do ponto de vista espacial? Em muitos lugares, em pedaços, e temporalmente falando, em várias épocas.
Então, o que que o autor está querendo dizer? Que quando veio a primeira revelação em que Deus através do próprio governador espiritual do orbe e dos Espíritos que o assistem, que o ajudam, se revelou, ele fez de diversas formas, ou diversas formas não, em diversas partes, fragmentariamente. Então, é como se ele pegasse um espelho, quebrasse e cada pedacinho foi dado em uma época. Você tem um pedacinho aqui, um pedacinho ali, um pedacinho acolá. O ensino está fragmentário. Esse é um ponto decisivo do Velho Testamento.
O Velho Testamento é fragmentário. Ele é um conjunto de partes distribuídas. Então, Isaías trouxe partes, Jeremias trouxe partes, o Livro Levítico traz partes, o Livro Gênesis traz partes, Êxodo traz outros pedaços e fica aquele mundo de pedaços. E quem abre fica com a mente em pedaços também, quando não fica com o ânimo em pedaços. E aí o que é que faz? Fecha esse livro e vão jogar ele no livro, vão falar que ele não presta, que ele não serve pra nada, porque eu não estou conseguindo juntar esses pedaços. E qual é o fio que permite juntar essas partes?
Ponto de interrogação. Mas, isso é uma palavrinha, um advérbio que Paulo utilizou, polímeros. Fragmentariamente, Deus falou pelos profetas. Em diversas épocas, Deus falou pelos profetas. Fragmentos. Mas, ele usa outra, politropos. Tropos é maneira, modo. De muitos modos aqui é lido, porque Deus não só falou em partes, em diversas épocas, mas de modos diferentes. Quer dizer, a maneira que a espiritualidade encontrou pra dar algum ensinamento através de Moisés foi diferente da maneira como foi dado o ensinamento através de Abraão.
A maneira de Jeremias é diferente da de Isaías. De Isaías é diferente do Salmo. O Salmo é diferente de Provérbios. Então, pra complicar, não bastasse o Velho Testamento ser um quebra-cabeças de diversas pecinhas. A maneira como elas foram dadas também variou. Vários modos. E, isso é fantástico. Por quê? O que Paulo está, ou pra quem não admite que a Epístola seja de Paulo, o autor de Hebreus está querendo dizer, é que nós temos um passado e um agora, um presente que representa a vinda de Jesus e um futuro que representa uma promessa.
Então, eu tenho passado, presente e futuro. No passado fragmentário, diversos modos, maneiras diferentes, às vezes de se dizer a mesma coisa. E, isso foi percebido pelos sábios hebreus? Foi. Gamaliel, Ilel diziam que a Torá tem setenta faces. Se você imaginar que cada face é um fragmento, você precisa ter flexibilidade pra poder interpretar, porque ela tem sentidos múltiplos, diversas maneiras, muitos modos. E, com Jesus? O que aconteceu com Jesus? O que o texto me parece? Me parece. É uma forma de interpretar. E, nesses últimos dias, dando a entender que nós estamos no final de um processo e que Jesus vem nos últimos dias, nesse final desse processo, Deus falou pelo Filho.
Antes eram profetas, agora é Filho. Um. Muitos, agora é um. Vários ensinos, vários modos, agora um modo, um ensino. Isso aqui é interessante. Se a gente pensa nisso, vamos imaginar mil peças do quebra-cabeças espalhadas. Imaginem. Não, vamos imaginar mais de mil. Ou imaginar um quebra-cabeça de um milhão de peças. Quando chega Jesus, todas as peças se encaixam e formam quem? Ele. É como se ele… Vamos imaginar um desenho animado? Acho que fica mais interessante, né? Um desenho animado. Tinha aquele desenho, pra quem gosta, né, do coisa, ele ia transformar assim, aí as pedrinhas iam chegando, formava ele, formava o rosto, de várias pedras.
Quem lembra disso, né? Então, o coisa era formado assim, um tampão de pedrinhas formava o coisa. Aqui também. Quando Jesus chega, todas as milhões de pecinhos do Velho Testamento se reúnem num só lugar, numa só pessoa. Por quê? Porque ele, agora, é o ensino. Jesus é a palavra. O que que Deus tem a nos dizer? Ele é Deus falando. A vida dele é o que Jesus tem a nos dizer. É o que Deus tem a nos dizer. A vida de Jesus. E ele não vem destruir a lei. Ele não vem jogar o Velho Testamento fora. Ele vem cumprir. Ele vem reunir os fragmentos em uma unidade.
Ele vem juntar os anéis partidos. Unificar, cumprir, preencher, tornar pleno. Isso, eu não estou tirando isso da minha cabeça, né? De jeito nenhum. Isso está em Lucas. Todo mundo se recorda o capítulo 24 de Lucas, que é o caminho para Emmaus. Jesus acabara de ser crucificado e os apóstolos andavam tristes, cabisbaixos, tristões, porque para eles parava aquela dúvida. Será que Jesus era mesmo Messias? Será que Jesus era de fato esse ser que veio unificar todos os fragmentos? Que veio representar na sua pessoa tudo o que Deus tinha a dizer?
Expressar através da sua vida tudo o que Deus tinha a nos ensinar? Então eles começam, falavam ainda estas coisas, quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse Paz, seja convosco. Olha que lindo! Eles, porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um Espírito. Mas ele lhes disse Por que estáis perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Não é esse texto? Estou olhando o texto errado. Estou olhando a tradução. Falha nossa! Acorda! Está aqui, olha. Capítulo 24, 13. Naquele momento, que é essa que eu li aqui, é quando ele chega mostrando para Tomé, pede para tocar.
Vamos lá! Naquele mesmo dia, dois deles estavam de caminho para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém, 60 estádios, e iam conversando a respeito de todas as coisas sucedidas. O que eles estavam falando? Da morte de Jesus, da crucificação, da humilhação, da tristeza, da dúvida, da incerteza. Aconteceu que, enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e ia com eles. Só caminhar com eles. Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de o reconhecer. É bonito isso, né? Quando Jesus está caminhando do nosso lado e a gente não consegue vê-lo.
Porque o problema não é da bondade e da solicitude de Jesus, é da nossa displicência em perceber quem está ao nosso redor. Eles foram. Então lhes perguntou Jesus que é isso que vos preocupa e de que é ir destratando à medida que caminhais. O que está preocupando vocês? Enquanto vocês caminham, vocês estão tratando de quê? E eles pararam entristecidos. Um, porém, chamado Cleópas respondeu dizendo és o único, porventura, que tendo estado em Jerusalém, ignoras as ocorrências desses últimos dias? Meu amigo, que mundo que você está vindo, né?
Você não sabe o que aconteceu em Jerusalém? Ele fica espantado ainda, né? Não é possível que você não saiba o que aconteceu. E eles perguntaram, é um desses últimos dias, e ele perguntou quais? Quais são os acontecimentos? E explicaram. O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes, ou seja, os sumos sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse Ele aquele que haveria de redimir Israel.
Olha o verbo, esperava que fosse Ele. Mas depois de tudo isso, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É verdade que algumas mulheres, das que estavam conosco, nos surpreenderam, tendo ido de madrigada ao túmulo e não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo ter tido uma visão de anjos, os quais afirmam que Ele vive. De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram do que disseram as mulheres, mas não o viram. Então lhes disse Jesus, ó iníciantes, alunos ignorantes e tardios de coração, para crer tudo o que os profetas disseram, porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?
E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras. Imagina! Então, Jesus começou lá. Gênesis, todos os profetas, em todo o Velho Testamento, Jesus começou a interpretar o Velho Testamento. E, às vezes, a gente encontra gente dizendo que não pode estudar o Velho Testamento. Então, tem que chamar a atenção de Jesus, tem que repreendê-lo. E, Jesus, no entanto, o que é que fez? Mostrou, livro por livro, que esses livros apontavam para Ele, que Ele é aquele que reúne todos os polímeros e politrópolos, todas as pecinhas, todas as maneiras que a Espiritualidade Superior encontrou para se revelar.
Ele é quem unifica tudo. E, para compreendê-lo em profundidade, eu tenho que estudar as pecinhas. Quando a gente volta aqui para estudar o Levítico, nós estamos estudando as pecinhas para entender Jesus, para entender o trabalho que Ele fez de unificação, de reunião. É esse o sentido, né? Da Carta aos Hebreus. Então, é por isso. Nós vamos fazendo um trabalho de análise e síntese. Velho Testamento é análise, Novo Testamento é síntese. Para entender a síntese, você precisa decompor em pecinhas. E, para entender as pecinhas, você tem que sintetizá-las um todo.
Então, esse movimento de síntese e análise, análise e síntese, é o movimento pendular indispensável para se entender a revelação divina, que se dá em três maneiras, três formas. E, depois, vem a doutrina espírita e tira os símbolos e fala da essência espiritual, traz aqueles elementos que permitem que a gente consiga estudar o todo. É por essa razão que a gente une aqui doutrina espírita, Novo Testamento e Velho Testamento, procurando uma visão ampla, uma síntese mais profunda, para entender com mais profundidade, com mais consistência.
E, para que entender com mais profundidade? Para recuperar a nossa fé. É o que Paulo vai dizer na Carta aos Hebreus. Ele diz assim, Por que eu estou falando essas coisas complicadas com vocês? Porque eu estou percebendo que vocês estão desanimados. Eu estou percebendo que vocês estão querendo desistir. Eu estou percebendo que vocês estão perdendo a perseverança. Estão desalentados, sem fé no futuro, descrentes da promessa. Então, esse estudo aprofundado é um fortalecimento da fé, da perseverança, da esperança. É esse o sentido.
Toda vez que a gente aprofunda no conhecimento da revelação, nós aprofundamos a nossa fé, a nossa esperança e a nossa caridade. Porque como pode alguém ser bondoso, ser caridoso, se ele não tem fé no futuro, se ele não tem esperança de que vai alcançar? Vale a pena ser bom? Começa a passar na cabeça da pessoa. Vale a pena continuar sendo bom? Eu estou aqui na tarefa, estou trabalhando, só recebo perseguição, recebo crítica, afronta, me sinto sozinho, não sou compreendido. Será que vale a pena? Ou, então, você está fazendo o trabalho, aí vem provações, expiações na sua vida, sofrimento, dificuldades na sua vida pessoal, na sua vida familiar, na sua vida afetiva, na sua vida financeira, e você começa a se perguntar faz sentido isso?
Para a gente alcançar um patamar superior de fé, de esperança e de caridade, é preciso aprofundar o nosso conhecimento. Quanto mais profundo o nosso conhecimento e a nossa interação com a revelação, porque não é só conhecer intelectualmente, é preciso haver uma interação, uma intimidade. Quanto mais profunda a nossa interação, mais esperança, mais perseverança. É por isso que Paulo vai dizer na Carta aos Hebreus tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados. Esse é o sentido. Está cansado de fazer o bem?
Continua levantando as mãos. Está com o joelho ralado de tanto cair? Levanta o joelho, porque a mensagem agora é aprofundamento da fé, da fé. E muitos podem achar estranho falar em fé, porque muitas pessoas acreditam que fé raciocinada é razão pura, mas não é isso, gente. Kardec diz assim, fé raciocinada é aquela capaz de encarar a razão face a face. Ora, se a fé raciocinada é razão, como é que ela vai encarar a razão? Razão é uma coisa, fé raciocinada é outra. Fé raciocinada é uma fé diferente da fé ingênua, da fé fundamentalista, da fé sem reflexão.
Então, fé raciocinada é uma fé profunda, mas é fé, é fé. Por quê? Porque a nossa razão é limitada. Esse é o ponto. Acontece uma coisa na minha vida familiar, a minha razão é limitada, porque eu não conheço todas as minhas encarnações passadas. Então, eu não sei por que eu estou vivendo isso agora. Eu não sei. Eu estou no trabalho do bem e aparece alguém que fica só perseguindo e eu não sei por que essa pessoa está na minha vida. Por que essa pessoa está me atrapalhando? Por que esse mundo é tão grande e não vai ela para outro lugar?
Tem que ficar do meu lado. Por quê? A minha razão é limitada. Eu não sei explicar. Aí, eu perco um filho, perco uma filha, perco uma mãe, perco um pai, um parente querido e a minha razão não consegue explicar. Não consegue. Por que aquele meu ente querido foi embora tão cedo? Eu não consigo explicar. Cadê a razão? Então, é preciso a fé, a fé raciocinada, porque a fé… Oh, existe uma lei de causa e efeito, a justiça divina é perfeita, ela é misericórdia, ela é equilíbrio, existe a reencarnação, nós somos imortais. E aí eu consigo ter fé, mas eu não consigo explicar.
Eu me sinto consolado, mas eu não sei porquê. Eu só vou entender depois. Por que aconteceu aquilo? Por que eu tive que passar por aquilo? Não vou entender agora. Esse é um ponto muito importante, muito importante. Por que eu tenho essa vida e não outra? Por que certas coisas que eu queria tanto, eu não consigo realizar? É como se tivesse uma porta fechada, você tanto quer, mas naquela área parece que todas as portas se fecham. E não adianta, não adianta você ter cinco doutorados, não adianta você ser a pessoa mais inteligente do mundo, você não consegue explicar, a razão é limitada.
Então, aqui, nós partimos por um aprofundamento da fé, da crença. Porque, nessas horas, Deus está pedindo pra gente confia, não é acredita, porque fé acreditar é muito fácil. Se acredita que existe Espírito, você vai no reunião de materialização, ele materializa na sua frente, acabou. Bastaria os Espíritos materializarem na rua, a humanidade inteira estaria convencida, mas isso resolve uma coisa? Resolve nada, porque fé não é crer, fé é confiar. Você sabe que existe Espírito, sabe que existe reencarnação, mas você confia que Deus está te conduzindo?
Sua vida cheia de problemas, coisas acontecendo, você confia que Ele está te conduzindo? Você confia que isso vai passar, que isso é uma fase? Então, quando a gente fala fé, aprofundar a fé, é aprofundar a confiança, confiar, confiar que Deus, que o Espírito da idade superior está nos amparando, está nos conduzindo, vai passar, vai se explicar, vai chegar o momento em que nós vamos entender, mas agora é preciso confiar, e pra confiar plenamente, para se entregar, é preciso aprofundar as raízes da nossa confiança e da nossa esperança.
Esse é o propósito do nosso estudo de Levítico. Esse é o sentido profundo. Vamos lá. Oi, querido. Um posicionamento rigoroso, caracterizado a gente estudando, a gente percebe que ela é cega, que ela simplesmente… sem raciocinar, sobre a proposta real, talvez. Não sei se você… não é raciocinar tanto, mas é essa postura cega, mas rigorosa. Engraçado que à medida que a gente vai percebendo aqueles que buscaram aprofundar a fé, que conquistaram uma fé raciocinada, mais proveitosa, digamos assim, eles têm o mesmo posicionamento.
O mundo olha e fala assim, mas fulano, ele é… como fala, ele é rigoroso. Como fala, ele é fanático. Mas, não é fanático, você percebe que, na verdade, é uma firmeza, uma calma, uma tranquilidade em cima do processo, que se não for a fé raciocinada, se não for… É importante, mas a gente também corrigiu uma visão, porque o Velho Testamento é politropos, várias maneiras. Então, é perigoso quando eu digo assim, o Velho Testamento é só o segmento da lei. Então, como é que explicam Isaías? Como é que eu explico? Como é que eu explico Daniel?
Um rigorista? Então, o Velho Testamento são várias maneiras, tem de tudo. Tem o rigorista e tem aqueles da vanguarda. Então, por exemplo, Isaías já estava visualizando o Messias e muita gente do lado de Jesus não viu. Ele, oito séculos antes, viu e ele é Velho Testamento. É bonito isso, não é? Olha que interessante. Então, por isso que o Paulo está dizendo polímeros, fragmentado, politropos, de diversas maneiras. Quando você abre o Velho Testamento, você tem de tudo, de tudo. Você tem a história, abre a história de Ruth, você chora.
Que mulher! Abre o livro de Jó. Foi levado até o último do último, até o limite da resistência. Mas, ele é completo? Não. Você pega José, foi vendido pelos irmãos, vendido. No entanto, o que ele fez? Vingou? O Velho Testamento não é olho por olho, dente por dente? Então, por que que José perdoou seus irmãos? Velho Testamento não é olho por olho, dente por dente? Não é só gente radical, fanática que só prega justiça? Como é que José perdoou? Olha que interessante isso. Só que, foi completo? Não. Então, ali eu tenho altos e baixos.
As criaturas oscilam. Com a chegada de Jesus, não tem mais oscilação. Jesus é tabor, é transfiguração, não tem mais oscilação. Ele unifica todas as aspirações, todas as esperanças e todos os acertos. Isso é que é bonito, não é? Porque, por exemplo, o que que o Paulo vai fazer no capítulo 11 da Epístola aos Hebreus? Olha que interessante, por isso que eu estou pontuando isso. Olha o que que ele vai dizer. Ele vai cantar o hino da fé, né? Vai dizer assim, Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim, pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus contra as suas ofertas.
Pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte. E aí vai, Pela fé, Noé, divinamente instruído acerca do acontecimento que ainda não se viam e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa, pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem da fé. Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu a fim de ir para um lugar que devia receber poderança e partiu sem saber para onde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaac e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa, porque aguardava a cidade que tem fundamentos.
Aguardava, da qual Deus é o arquiteto e edificador. Por isso tem uma mensagem bonita do Emmanuel, que fala, chama-se O Velho Testamento. O livro chama-se Coletâneas do Além. E aí ele diz assim, Os profetas são os trabalhadores, Jesus é o salário. O Velho Testamento representa o homem batendo a porta da casa divina. O Novo Testamento é Deus abrindo as portas e respondendo aos seus filhos. É bonito, não é? Porque tudo aquilo que essas pessoas, que esses missionários, profetas, vários missionários, centenas, talvez milhares, talvez milhares, ansiaram, visualizaram, se encheram de esperança, assim, há de haver bondade, há de haver um mundo justo, há de haver um mundo fraterno.
Ser bom deve compensar. Há de haver uma resposta, meu Deus, não é? E aí vem a resposta. Vem o salário. É bonito isso. Porque, senão, a gente pega uma pecinha, que é o que ocorre. Isso é muito bonito, gente, tá? Lição a Nicodemus, capítulo de Boa Nova. Jesus conversa com… Boa Nova de Humberto de Campos, psicografia do Chico. Jesus conversa com Nicodemus, fala só parábolas, Nicodemus fica atônito, não entende nada. E aí vem o Tiago, Tiago Menor, e diz assim, Mestre, se eu entendi bem o que o senhor falou dos resgates, então é o seguinte, onde houver um assassino, amanhã haverá um assassinado.
Porque se a lei de causa e efeito é retornar a você o que você fez, o mundo é um ciclo sem fim de miséria, de ódio e de resgate. Eu assassinei, amanhã sou assassinado, quem me assassinou é assassinado, é assassinado, eu giro um ciclo vicioso. Aí Humberto de Campos diz assim, Jesus compreendendo a amplitude da objeção, perguntou para Tiago, Tiago, como se dá o processo de redenção na lei de Moisés? É agora. Se essa questão fosse questão de vestibular, a maioria de nós ia tomar bomba, a maioria dos Espíritos, porque ele não pensou duas vezes.
Ele disse assim, olho por olho, dente por dente, na pita, porque é a visão que nós temos. Nós imaginamos o Velho Testamento uma peça única e não polímeros. A gente imagina que é uma peça única. E nessa peça única é só justiça vingativa. É a única coisa que a gente enxerga no Velho Testamento. Por isso que se resume em Velho Testamento em justiça. Justiça. Não, Velho Testamento é justiça. Velho Testamento é o seguinte, você furou meu olho, eu furo o seu. Velho Testamento é, você cortou meu pé, eu corto o seu. É justiça.
Mas, acontece que Paulo está dizendo que Velho Testamento é polímeros e politropos. É muitas ensinos, ensinos fragmentários e muitas maneiras. Aí, eu tiro muito, fica um só. Uma maneira, um ensino. Aí, é bom esse texto. Porque não sou eu que estou dizendo. Está lá no livro Boa Nova. Quando Tiago responde isso, Jesus fala com ele, até você, Tiago, até você, Tiago, não é você não, Tiago, é o Tiago menor. É o Tiago Franco que ficou até… Até você, Tiago, estás procedendo como Nicodemus? Olha, estás procedendo como Nicodemus?
Mas, ele fala, mas eu não te recrimino, eu não julgo a exiguidade da visão espiritual com que examinas os escritos antigos. Olha que coisa! Exiguidade da visão espiritual, ou seja, estreiteza de mente. Jesus diz pra ele, não reparastes qual o primeiro mandamento da lei? Qual é? Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças. É o primeiro mandamento. Agora, eu pergunto, qual o mandamento que é olho por olho, dente por dente? É o sétimo, o oitavo, o quinto? Hã? Não tem? Será?
É mesmo? Gente, olha, por isso Jesus diz pra ele, Tiago, até você, o exército subiu no Sinai, recebeu duas pedras, cinco mandamentos de um lado, cinco do outro, não tem olho por olho e dente por dente nas pedras? Isso não está lá. E você está resumindo o Velho Testamento em olho por olho, dente por dente? É, então isso é… Mas, tem olho por olho, dente por dente? Tem, tem, mas não é mandamento de Deus. Foi medida disciplinar de Moisés. Não foi revelação divina. Então, existe alguma revelação de Deus dizendo olho por olho, dente por dente?
Não existe. Então, a primeira revelação é olho por olho, dente por dente? Está equivocado. Olho por olho, dente por dente, apedrejamento, tudo isso são medidas disciplinares adotadas por Moisés para conter o povo. Não é a revelação. Então, é preferível seguir Paulo. Muitos ensinos, muitas maneiras diferentes. Novo Testamento, o ensino é um homem, a maneira é uma só, é ele. Ele é o verbo. Bonito isso, não é? Sim, mas é isso que Jesus vai explicar pra ele, na sequência. Aí, ele fala assim, onde há um problema entre dois seres, nós temos que abrir espaço para três coisas.
Toda vez que há uma perturbação na harmonia divina, ocorrem três coisas. Ocorre algo dentro de mim, ocorre algo no ambiente, e ocorre algo dentro da pessoa que eu prejudiquei. Dentro de mim, o que precisa ocorrer? Arrependimento, não é? No ambiente, a restauração, na pessoa que foi prejudicada, a reparação. É isso que diz a lei. Não é? Reparar. Vamos lá. Boa. Só uma coisa que foi respondida, e foi muito ao encontro da razão. Sim, sim. Sim, sim. Quando eu tive essa indagação da lei de causa e efeito, aí a resposta foi assim, vermelho, a lei é de causa e efeito.
A lei não é de ação e reação. Ou seja, toda causa vai gerar um efeito. Agora, o efeito não necessariamente vai ser o mesmo processo se repetindo. Porque uma coisa é ação e reação. Ação e reação dependem do outro que está com você. Ou seja, qual é a reação? Plantio e colheita, e causa e efeito. Essa é a lei, que determina que tudo o que você faz vai desencadear um processo que futuramente vai gerar um ensino. E a ação e reação fala muito da sua… melhor, do outro. Você está trabalhando assim. Você está trabalhando assim.
É porque você pegou a palavra ação e reação no sentido subjetivo. A minha ação e a reação do outro. Não é? Estou interpretando… Vamos ampliar o quadro. Os acontecimentos são fruto, exclusivos da minha ação? O que vocês acham? Uma pergunta boa. Se eu pegar a minha vida hoje, ela é a resultante absoluta, ela é 100% resultado da minha ação no passado? Bom, nós temos duas respostas. Sim e não. Sim e não. Então, vamos lá. Se eu responder que sim, que tudo o que está acontecendo comigo hoje é o resultado mecânico, matemático, inflexível, sem pôr nem tirar nada do que eu fiz.
Se a minha resposta é essa, eu tenho que fazer uma outra pergunta. O que está fazendo Deus? Está de braço cruzado. Está tudo no piloto automático. Deus tirou férias. Ele não interfere em nada. É isso? Ele não age. Não. Não é isso? É isso que a gente aprende na doutrina espírita? Não, não é isso. Não é isso. O que que a gente aprende? Qual o conceito lá no livro dos Espíritos? Providência divina. Providência divina. Deus cuida dos seus filhos. Então, se eu examinar a minha vida atual, eu vou perceber o quê? Parcela é decorrente das minhas ações e parcela dos acontecimentos é a ação de Deus na minha vida.
Você quer dar um nome pra isso? Misericórdia. Divina. Se você for lá no livro Ação e Reação, André Luiz vai falar em congelamento de débito, suspensão de débito, adiamento de resgate, solicitude divina, misericórdia e amor. E aí? Então, a equação é mais complexa. A equação é muito mais complexa. Porque quando eu falo de lei, de justiça, de que justiça você está falando? Justiça humana? Qual justiça você está falando? A justiça divina, como é que ela é? Nós aprendemos, está lá, a última lei da parte das leis morais.
Está lá, lei de justiça vírgula amor e caridade. Não falou lei de justiça vírgula lei de amor vírgula lei de caridade. Quem separou? É uma lei só, está no singular. Justiça vírgula amor e caridade. Então, quando eu falo justiça, você tem que perguntar, justiça para Deus, justiça humana ou justiça divina? Porque na justiça divina existe o seguinte, na justiça divina, o pai de André Luiz tinha duas amantes, traiu a esposa e ela aceitou, na vida seguinte, vir casada com ele e receber as duas amantes dele como filha. E agora?
E agora? Onde está a justiça? Quem te falou que Deus segue a justiça humana? Quem falou isso? Quem falou que lei de causa e efeito é tudo o que você fez você vai receber? Quem falou isso? Quem falou que a sua vida é o resultado matemático de tudo o que você fez? E Deus? E agora? Então, pela lei de justiça humana, pela lei de justiça humana, André Luiz podia entrar em nosso lar? Não, mas a mãe interviu, usou o crédito dela, colocou ele lá dentro. Mas, onde está a justiça? Peraí, você está querendo dizer que Deus é injusto?
André Luiz vai chamar no livro Ação e Reação de créditos, cheque especial, cheque especial. Dão um crédito, um empréstimo. Você tem? Você não tem. O recurso você tem? Não tem. Você recebeu de empréstimo. Mas, o empréstimo salvou André Luiz. A pergunta é, se Deus fosse um juiz humano, se Deus fosse um justiceiro, Ele exterminava todos os seus filhos? Deus é Pai, amoroso e compassivo e justo. Amoroso, compassivo e justo. Por isso, Jesus chama a atenção de Tiago Menor. Tiago, até você! Meu Deus! Você está lendo o Velho Testamento e vendo um Deus vingativo, meu filho?
Onde você está com a visão? Porque você está misturando, está misturando a revelação divina com as suas mazelas. Porque a justiça divina, ela é lei de justiça, vírgula, amor e caridade. Uma lei. Ela é tríplice. Justiça, amor e caridade. Tríplice. Tríplice. E é o que está no Livro dos Espíritos. Qual o caráter, qual seria o caráter do verdadeiro homem justo? Aquele que praticasse a lei de justiça, não a somar o inteiro a pureza, e também a lei de amor e caridade. É a questão do Livro dos Espíritos. Não é? Que vale até a pena a gente selecionar aqui, porque essa é tão importante.
Questão 879. Qual seria o caráter do homem que praticasse a justiça em toda a sua pureza? Qual seria? Seria um arrancador de olho. É isso? Porque justiça não é olho por olho, dente por dente? Seria um dentista. Arrancador de dente. É isso? Qual seria o caráter do homem que praticasse a justiça em toda a sua pureza? Os Espíritos respondem. O do verdadeiro justo a exemplo de Jesus. Então, são os Espíritos que estão somando Jesus de justo, o verdadeiro justo. Então, eles não estão trabalhando com a justiça humana, estão trabalhando com a justiça divina.
Por quanto praticaria também o amor do próximo e a caridade, sem os quais não há verdadeira justiça? Só há verdadeira justiça onde há amor ao próximo e caridade. Aí tem justiça perfeita. É questão 879. Mas, a gente esquece que não tem olho por olho e dente por dente nas tábuas, esquece que nunca Deus ensinou isso no Sinai para Moisés e resume todo o Velho Testamento em olho por olho e dente por dente. E ainda fala que o Velho Testamento é justiça e o Novo Testamento é amor. Então, e a questão 879? Que fala que o verdadeiro justo a exemplo de Jesus é aquele que ama o próximo e pratica a caridade, sem as quais não há verdadeira justiça.
Então, nós temos a justiça falsa, que é a justiça do olho por olho e dente por dente, e temos a verdadeira justiça, que é lei de justiça, vírgula amor e caridade. Essa é a verdadeira justiça, a justiça divina, que é a justiça restaurativa ou justiça regeneradora. … … … … … … … … … … … … … Nós precisamos tomar um cuidado é para a gente não entrar, não entrar nesses excessos, nesses conceitos errôneos. Isso é muito perigoso. É isso aí. É por isso que a sabedoria de Paulo … Muitos, muitas vezes ou muitos ensinos, fragmentariamente e de maneiras diversas, falou Deus aos pais pelos profetas.
Porque não tem como você comparar um profeta Isaías com Moisés. Mas, Isaías é Velho Testamento. José perdoando os irmãos e recebendo o pai e os irmãos e acolhendo eles é Velho Testamento. Se fosse olho por olho e dente por dente, o que ele faria com a família? O que ele faria com os irmãos? O que ele faria? Então, a gente precisa tomar cuidado com esses estereótipos. Estereótipos. E que a gente fala sem pensar, sem pensar. Há uma justiça divina nos rege. Nessa justiça divina existe amor e caridade. Porque senão ela não seria divina.
Ela é humana. E o pior disso tudo, gente, é que agora eu dou meu testemunho. Meu testemunho. Nem a justiça humana é mais olho por olho e dente por dente, nem a humana. No Brasil, nós temos uma resolução do Conselho Nacional de Justiça, resolução 125, e agora uma reforma do Código de Processo Civil, determinando que se adote um novo formato do judiciário no Brasil, a exemplo da experiência que foi feita em Nova Iorque. Que experiência foi feita em Nova Iorque? Fizeram o chamado sistema multiportas. O que era o sistema multiportas?
A justiça tem várias portas. Então, você pode entrar pela porta dura da sentença do juiz, mas você pode entrar pela porta da composição, da mediação, da arbitragem. Aí, o que começou a acontecer? Mais de 95% dos casos judiciais em Nova Iorque, que chegavam nesse centro, eram resolvidos de forma consensual. Na justiça. Na justiça. Isso é na lei humana. Agora, você vai dizer o quê? Que o Conselho Nacional de Justiça no Brasil é mais perfeito do que Deus? Deus? Alguém acha isso? Deus é olho por olho, dentro por dentro?
Não é. Então, a justiça é divina. Composição. Composição. E, a gente pensa assim, todo mundo sabe dos problemas que teve Ismael e Isaac, não é? Ismael saiu, Sarah expulsou a mãe, aconteceu um tanto de coisa, não é? No entanto, no enterro do pai Abraão, quem estava lá? Ismael e Isaac, os dois enterrando o pai. E aí? Não é olho por olho? O Velho Testamento não é justiça? Depende do que você chama. Eu me recordo de um caso em que chegou um casal, eles tinham separado, tinha uma filha e era uma audiência criminal. Ele tinha oito processos criminais contra ela e ela tinha nove processos contra ele.
A audiência durou uma hora, terminou da seguinte maneira. Acabou os processos de todos eles. A gente conversou, falou com eles, falou, vocês vão ficar o resto da vida brigando e trazendo processo criminal. Para mim, não tem problema, porque eu vivo do processo. Se não tiver processo, eu não tenho emprego, não tenho salário. Então, para mim, não tem problema. Mas, para vocês, eu acho que não é o ideal. Eu estou aqui trabalhando, vai ter sempre processo. Fizeram um acordo, acabaram com nove mais oito, dezessete processos.
Fizeram uma composição civil, encerraram todos os processos. A pergunta é, houve justiça? Houve! Houve justiça. Houve! Porque ambos aprenderam que não podem molestar um ao outro, ambos se comprometeram a respeitar-se mutuamente. E qual que é o objetivo da justiça? Não é esse? Então, ele foi atingido. Isso é muito bonito, mas não será esse o objetivo da justiça divina? Ou será que a justiça divina se comprasse em assistir o nosso sofrimento? Não pode ser assim. Não pode ser isso. A justiça divina se comprasse em ver o nosso coração amolecendo.
Aí, sim, aquele coração de pedra amolecer, ficar mais sensível, mais compassivo, ter mais compaixão. Ao invés de sofrer, não tem sentido. E, aí, a gente quase não entrou no Levítico, falando só do Velho Testamento, mas eu acho que foi importante para fundamentar o que nós estamos fazendo aqui, o que nós estamos fazendo aqui. E, para quem não está convencido ainda, porque nós estamos lendo Levítico, porque o doutor da lei resumiu a revelação em duas partes. Amar a Deus sobre todas as coisas. Deuteronômio 6, versículo 4.
E amar ao próximo como a si mesmo. Amar ao próximo como a si mesmo está no Livro Levítico, capítulo 19, versículo 8. O mandamento de amar ao próximo como a nós mesmos está no Livro Levítico. Eu acho que isso já é razão suficiente para a gente estudar esse livro. E, mais, no Livro Levítico diz assim, se o boi do teu inimigo cair num buraco, tira o boi, leva ele para o seu pasto, alimenta o boi, cura o boi e depois devolve o boi para o seu inimigo. Mas, isso está no Velho Testamento, não é possível? Não é Velho Testamento?
Então, devia estar assim, se o boi do seu inimigo cai no buraco, mata o boi e come. Não é seu inimigo? Mas, lá está dito, pega o boi, cuida dele, cura o boi, deixa bonitinho, chega no seu inimigo, você devolve o boi para ele. Então, Levítico 19, capítulo 19, o amar ao próximo como a nós mesmos é o versículo 8, esses do boi estão ao longo do 19, Levítico 19, Deuteronomio 6, versículo 4. Semana que vem a gente volta mais, mas eu acho que foi bom porque ajuda a gente a perceber o que é essencial, o que é essencial. Então, a gente vai aqui juntando…
Ah, sim, nós temos que avisar que quinta-feira que vem nós estamos no evento da Conferência do Paraná, que tem o evento da Conferência, não é? E aí nós temos a reunião do Levítico, avisar para todo mundo que está acompanhando, mas aí dá para assistir as aulas anteriores e tudo, porque a gente vai estar na Conferência em Curitiba, no Paraná, que é um evento muito importante, reúne mais de 10 mil pessoas, a gente já tem esse compromisso há mais de um ano já comprometido, por isso que não vai dar para a gente cumprir aqui.
Mas, são poucos os eventos que vão pegar a quinta-feira e a gente vai retomando aí na secléssia. Hoje? É, mas eu acabei não utilizando, porque eu trouxe um tanto de livro hoje e acabei falando só do Novo Testamento mesmo, que eu peguei Carta aos Hebreus, que é o Novo Testamento grego, Interlinear. Eu trouxe aqui o livro, esse é da irmã Ayla, está comigo, viu, maninha? Está comigo, eu vou devolver, não vou ficar para mim, não. Estou tirando o xerox dele, que ela me emprestou, do Vanoá, que é o comentário à Carta aos Hebreus, a mensagem da Epístola aos Hebreus.
É extraordinário, quem está acompanhando o curso aí com a irmã Ayla, é realmente um livro sensacional. Trouxe aqui o livro, o dicionário, Louenaida, que, na minha opinião, é um dos melhores dicionários de grego do Novo Testamento, porque ele pega a palavra grega, todas as ocorrências do Novo Testamento e sistematiza a palavra, então você consegue ter uma visão. Eu tinha preparado aqui também no computador a tese de doutorado da Ayla, tinha separado algumas coisinhas aqui, mas, hoje a gente ficou falando só da importância de se estudar o Velho Testamento e não deu para falar da tese da Maninha.
Mas, na próxima aula, a gente fala e o livro Sete Minutos com Emmanuel. Afinal de contas, Emmanuel está sempre nos amparando aí com seus textos. É só. É só. Vamos fazer a prece, né?
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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