Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias retoma a análise do Livro de Levítico, oferecendo uma abordagem panorâmica e multifacetada, inspirada na sabedoria hebraica de que a Torá possui “70 faces”. O estudo busca conjugar a primeira, segunda e terceira revelações (Velho Testamento, Novo Testamento e Doutrina Espírita) para uma compreensão mais profunda das escrituras.
O que é estudado neste episódio
- A Torá como “monumento parcialmente decifrado”: Haroldo inicia citando Emmanuel em “A Caminho da Luz”, que descreve o Antigo Testamento como um repositório de conhecimentos secretos e um monumento de palavras enigmáticas e simbólicas, cuja compreensão se dá pela “visão espiritual dos corações”.
- Moisés e Jesus: Duas etapas do progresso humano: É destacada a complementariedade entre Moisés, que constrói o “grande alicerce do aperfeiçoamento moral do mundo” no Sinai, e Jesus, que no Tabor, ensina a humanidade a “desferir das sombras da terra o seu voo divino para as luzes do céu”.
- O propósito do Levítico: O estudo reitera que o Levítico aborda o sistema de sacrifícios (korban) como um ato de aproximação de Deus, que purifica, expia e santifica.
- A parábola do Bom Samaritano e o Levítico: É feita uma conexão entre a pergunta do doutor da lei a Jesus sobre a vida eterna (Lucas 8) e a citação do Levítico 19:8 (“Amarás o teu próximo como a ti mesmo”), mostrando que a justiça hebraica (tzedakah) engloba caridade, amor e misericórdia.
- A rebeldia do povo e a peregrinação no deserto: Haroldo reflete sobre a recusa do povo hebreu em entrar na Terra Prometida, interpretando-a como um padrão de rejeição do homem às dádivas divinas, que leva à necessidade de mecanismos de mediação.
- O Tabernáculo como mediação: A construção do Tabernáculo, tripartido, é apresentada como um remédio para o afastamento do homem de Deus, simbolizando a necessidade de intermediação para a presença divina.
- O Sacerdote como mediador: A figura do sacerdote é central, sendo o “homem das relações interpessoais”, mediando entre Deus e o povo, e responsável por rituais de aproximação, purificação e comunhão.
- O sistema de separações (Kodesh): É detalhado o processo de consagração e santificação, onde “kodesh” (santo) significa “separado” ou “reservado”. Este sistema começa com a eleição do povo hebreu, a separação da tribo de Levi, da família de Arão, e culmina na consagração do sacerdote, que se dedica exclusivamente ao serviço divino (avodá-torá).
- O sacrifício como símbolo de espiritualização: O sacrifício (korban) é interpretado como um símbolo da espiritualização, onde a oferta é subtraída do mundo terreno e elevada ao mundo espiritual, simbolizada pela fumaça que sobe ao céu.
- Movimento ascendente e descendente: O Levítico é visto como um processo de movimento ascendente (separações rituais) e descendente (dons divinos), onde a eficácia das dádivas de Deus depende da rigorosa observância dos rituais de subida.
- As Bem-aventuranças e o Levítico: Haroldo Dutra Dias propõe uma interpretação das Bem-aventuranças (Mateus 5) à luz do Levítico, com quatro bem-aventuranças ascendentes (pobres de espírito, aflitos, mansos, fome e sede de justiça), uma central (misericordiosos) e quatro descendentes (limpos de coração, pacificadores, perseguidos por causa da justiça, injuriados e perseguidos por causa do Cristo), resumindo o processo de purificação, aproximação de Deus e serviço ao próximo.
Reflexões
- A compreensão do Velho Testamento requer uma “visão espiritual dos corações”, transcendendo a leitura literal para captar os ensinamentos profundos sobre a relação entre o homem e Deus.
- O Levítico, com seus rituais de separação e sacrifício, representa um “paliativo pedagógico” para o afastamento do homem de Deus, contendo, em sua essência, os elementos da solução integral e definitiva que seria trazida por Jesus.
- A verdadeira justiça (tzedakah) na tradição hebraica e cristã não se limita ao cumprimento da lei, mas engloba amor, misericórdia e caridade, sendo a base para a herança da vida eterna.
Ler transcrição do episódio
Bom, retomando, depois de uma semana de interrupção, retomando o estudo do Levítico, nós hoje vamos trazer, assim, alguns ângulos diferentes, uma abordagem panorâmica, uma visão geral, mas um ângulo diferente do que a gente tem trazido nas outras reuniões. É porque diz a sabedoria do povo hebreu que a Torá tem 70 faces. Então, a gente nunca deve se apaixonar por uma expressão, por uma interpretação ou por um ângulo de penetração no texto, porque o texto pode ser abordado de modos muito diversos. É como uma grande montanha, você pode subi-la em 360 graus, e cada ângulo da subida, cada caminho que você escolhe para subir, reserva uma paisagem e experiências diferentes.
E a gente achou interessante também trazer essa nova abordagem, porque depois que a Imaíla tem trazido o curso da Carta aos Hebreus, a gente não pode deixar as luzes da segunda revelação do Evangelho, não pode deixar de aproveitar essas luzes para a interpretação da Bíblia hebraica, do Antigo Testamento. E nós já afirmamos aqui que a nossa intenção é sempre conjugar primeira, segunda e terceira revelação, porque quando a gente une essa sabedoria do Velho Testamento, a luz imperecível do Novo Testamento e as luzes da Doutrina Espírita, nós conseguimos um conjunto bastante proveitoso para a gente.
Então vamos lá. Eu trouxe aqui um texto de Emmanuel que a gente sempre repete, mas eu vou citar rapidamente, está no Acaminho da Luz, no capítulo 7. Emmanuel diz assim, o Antigo Testamento é um repositório de conhecimentos secretos, repositório de conhecimentos secretos, dos iniciados do povo judeu, e que somente os grandes mestres da raça poderiam interpretá-lo fielmente nas épocas mais remotas. E aí ele continua, os livros dos profetas israelitas estão saturados de palavras enigmáticas e simbólicas, palavras enigmáticas e simbólicas, constituindo um monumento parcialmente decifrado da ciência secreta dos hebreus.
Ele usa a palavra monumento, chamando a nossa atenção para a estrutura, para a arquitetura, para a forma. Contudo, e não obstante a sua feição esfingética, aí ele está trazendo a ideia da esfinge, da pirâmide, que é também uma estrutura arquitetônica. E a ideia da esfinge é que ela é um enigma, então se você não decifrar o enigma, a esfinge te devora. Esse é o sentido. É interessante ele usar a esfinge porque ela lembra a passagem do povo hebreu no Egito, a educação de Moisés junto aos sacerdotes egípcios, o acesso que ele teve ao culto iniciático, aos conhecimentos do Egito e também a ideia da estrutura, porque quando eu olho para uma pirâmide fica muito claro que eu estou diante de uma estrutura arquitetônica tridimensional.
Mas quando eu olho para um livro do Velho Testamento ou para um livro do Novo Testamento, nem sempre eu consigo ver a estrutura. Então as pessoas costumam ver apenas um amontoado de frases e elas não conseguem conectar essas frases, elas não conseguem perceber a estrutura arquitetônica porque aquilo é um edifício, mas não de pedras de palavras e tem uma forma. Então, não obstante a sua feição esfingética, é no conjunto um poema de eternas claridades. Mais uma vez, o poema tem forma, tem ritmo, também respeita um padrão.
Seus cânticos de amor e de esperança, olha que interessante, Emmanuel está se referindo ao Velho Testamento, seus cânticos de amor e às vezes nós não conseguimos ver amor no Velho Testamento, só conseguimos ver dureza, rigidez, falta de flexibilidade. No entanto, ele está dizendo que seus cânticos de amor e de esperança atravessam as eras com o mesmo sabor indestrutível de crença e beleza. Então, tem muita gente querendo destruir o Velho Testamento, querendo diminuir o Velho Testamento, querendo abolir o Velho Testamento, mas Emmanuel está dizendo que o seu sabor é indestrutível e está sabor de crença, de beleza, uma obra de arte espiritual.
É por isso que a par do Evangelho, ao lado do Evangelho, está o Velho Testamento tocado de clarões imortais para a visão espiritual de todos os corações. Então, se a gente se aproxima do Velho Testamento com uma visão humana, visão mortal, não vê poema, não vê clarão imortal, não vê forma, não vê cântico, não vê beleza, não vê inspiração, porque ele é destinado à visão espiritual dos corações, porque a compreensão do Velho Testamento só pode se dar pelo coração. Uma perfeita conexão reúne as duas leis, olha o Velho e o Novo, que representam duas etapas diferentes do progresso humano, duas etapas, infância e maioridade, duas etapas.
Ninguém se torna, ninguém adentra a maioridade sem passar pela infância, e na infância estão todos os traços do homem no futuro. Então, ninguém avança negando as suas origens. Nós não podemos fazer isso, né? São duas etapas do progresso humano. Moisés, com a expressão rude, expressão rude da sua palavra primitiva, recebe do mundo espiritual as leis básicas do Sinai, construindo, olha a palavra construir de novo, construindo desse modo, o, artigo definido, o grande alicerce do aperfeiçoamento moral do mundo. É curioso falar de Moisés como um construtor, que nós vamos ver aqui, como que o tabernáculo ocupa uma posição central no Levítico.
Quer dizer, o tabernáculo é o centro do Levítico. Só existe o Livro Levítico porque Moisés recebeu a ordem de construir um tabernáculo. Então, é interessante Emmanuel retomando aqui, ele construiu desse modo o grande alicerce do aperfeiçoamento moral do mundo. Aperfeiçoamento moral. E, Jesus, no tabor, olha que interessante. Então, ele está lidando com duas montanhas, o Monte Sinai e o Monte Tabor. No Monte Sinai, a teofania da primeira revelação, no Monte Tabor, a teofania da segunda revelação. Então, Jesus no tabor ensina a humanidade a desferir das sombras da terra o seu voo divino para as luzes do céu.
Então, se Moisés é aperfeiçoamento moral dos homens na terra, Jesus é o voo para a transcendência. O propósito do Cristo é nos dar duas asas para que a gente voe em direção ao celeste, ao infinito, à transcendência, ao espiritual, que a gente ultrapasse os estreitos limites da terra. Então, é quase que um resgate, não uma abdução, porque a abdução é um rápido. Aqui não. Aqui é um voo. Então, a asa é crescida até que a criatura tenha sabedoria e amor suficiente para transcender. Então, as bases trazidas por Moisés são as bases da renovação moral e da justiça para que nós tenhamos um mundo absolutamente justo, fraterno, perfeito.
Mas Jesus é para além disso. O propósito de Jesus é a transcendência plena. É interessante. Então, esse é o texto básico aí de Emmanuel, pra gente lembrar, não é? E aí a gente volta agora com um novo olhar para o Levítico. Nós já falamos das duas partes do Levítico, do sistema de sacrifício, da aproximação de Deus, depois da comunhão com Deus. Falamos do korban, que é a oferenda ou sacrifício, não se chama sacrifício nem oferenda, em hebraico é korban, cuja raiz é karav, que é aproximar-se. Então toda oferenda é um ato de aproximação de Deus, que purifica, espia e santifica, consagra, para que a criatura possa estar diante de Deus.
Então, esse é o sentido da oferenda. Já comentamos sobre isso, mas hoje nós vamos pegar um outro caminho, vamos olhar para um outro ângulo. Quando Jesus faz uma subida, está em Lucas 8, ele faz uma viagem a Jerusalém, que é a última. Ele, chegando em Jerusalém, procura ali um doutor da lei. E o doutor da lei diz assim pra ele, Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna? Isso, porque na tradição hebraica, Canaã, terra prometida, mundo vindouro, ressurreição, regeneração do mundo, redenção espiritual, é simplesmente chamado de vida eterna.
Olão Rabá, mundo vindouro ou vida eterna. Vida futura. É isso. E, a ideia clara que se tem é que não é qualquer pessoa que pode entrar na terra prometida. Não é. Diz inclusive a tradição hebraica que só os justos herdarão a vida eterna, os justos de todas as nações. Olha que coisa curiosa! Não só da nação hebraica, de todas as nações, os justos. Nós só não podemos cair numa armadilha que a palavra justiça em hebraico é um milhão de vezes mais ampla do que a nossa. O tzedakah, tzedek, que é justiça em hebraico, ele inclui, inclusive, caridade.
Caridade em hebraico é tzedek, justiça é tzedek. Então, a justiça, ela engloba o ser justo, o ser conforme a lei, mas engloba também o amor, a misericórdia, o perdão, a caridade, tudo isso é justiça. Então, não é uma justiça humana, é uma justiça na perspectiva divina, porque a justiça divina também, ela não é bipartida, ela é una, ela tem elementos de imposição, mas tem também elementos de misericórdia. Então, a justiça divina é muito mais ampla, é nesse sentido do justo. E a gente encontra isso também no Livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta, né, qual o caráter do verdadeiro homem de bem, como é que seria o… Aí, ele fala assim, o do homem injusto, porque ele aplicaria da forma mais perfeita a lei de justiça, amor e caridade.
Então, não basta só a lei de justiça, é preciso a de amor e a de caridade pra ser o justo que o Velho Testamento se refere. E, depois, mais na frente, um pouquinho mais na mesma questão, ele fala que Jesus foi esse justo, esse ser que conseguiu incorporar no máximo os elementos da justiça, do amor e da caridade. Então, quando ele pergunta o que eu devo fazer pra herdar a vida eterna, havia várias respostas, né? Talvez a mais direta fosse cumprir os 613 mandamentos, porque não são só 10, são 613. Talvez essa fosse a resposta mais direta.
Mas já no Talmud de Jerusalém, os sábios faziam um resumo dos 613, olha aqui, já resumiam, nos 10 e no Shemá, que é o Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda… houve Israel, o Senhor, nosso Deus é um, Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, com todas as suas forças. Então, eles já entendiam que os 10 mandamentos eram um resumo de um, porque os quatro primeiros mandamentos dizem respeito à relação com Deus e os seis últimos mandamentos dizem respeito à relação com o semelhante, e buscavam resumir os 10 no Shemá.
Então, isso já está no Talmud de Jerusalém. Depois eu vou trazer o texto aqui na próxima reunião, só pra gente não prender no detalhe, né? Mas lá o que eles fazem? Já resumem os 10 no Shemá. E é isso que o doutor da lei faz. Quando Jesus pergunta assim o que está escrito na lei, que é o que nós estamos fazendo aqui, o que é que está escrito? O que está escrito? Eu dou o texto aqui como lês. Aí que está a diferença. E hoje nós estamos fazendo uma leitura diferente. E aí o doutor da lei fala assim, de uma maneira muito interessante, ele diz, Amarás o Senhor o teu Deus, o teu coração, né?
Deuteronômio 6,4. É o Shemá. Ouve, Israel, o principal texto hebraico. É o coração da primeira revelação. Tanto que o Shemá, ele precisava ser recitado de manhã, no meio do dia e à noite, três vezes ao dia. Ele é o texto fundamental, ele é o DNA, é dele que sai tudo. Mas, ele não cita só esse texto. Ele diz assim, E amarás ao teu próximo como a ti mesmo. E aí ele cita Levítico, 19,8. Por quê? Está falando de herdar a vida eterna, está falando de resumo, cita o amar a Deus e amar ao próximo citando Levítico. E aí ele faz uma indagação, porque ninguém tem dúvida quem é Deus, ninguém tem dúvida que Deus é onipotente, pelo menos o doutor da lei não tinha.
Ninguém tem dúvida de que nós temos que estabelecer uma relação com Deus, isso aí o sacerdote, o doutor da lei sabia. Todo o livro fala de aproximação de Deus, de relação com Deus, de união com Deus, de comunhão com Deus. A própria definição de fé é uma definição que implica uma relação de fidelidade. Eu sou fiel a Deus e Deus me julga digno de credibilidade, se eu for fiel. Então, é uma via de mão dupla, fé nesse sentido de fidelidade, de relação íntima em que há confiança mútua entre as partes. Então, isso ele não tinha dúvida, a dúvida era o amar ao próximo, quem é o próximo, como é que ama o próximo, é qualquer próximo mesmo, tem alguma exceção, será que o próximo é só o da minha cor, é só o da minha religião, não é?
Ou será que eu tenho que amar só quem é da minha religião, só quem é do meu partido político, só quem concorda comigo? Então, as dúvidas vêm da relação com o outro. E aí a gente, Jesus ao responder a essas dúvidas, conta a parábola do bom samaritano. E, deve estar todo mundo achando assim, meu Deus, isso é onde que isso vai parar? Já não estou entendendo as relações que estão sendo feitas hoje. Então, vamos lá, para a estrutura. A gente escreveu um pouquinho dessa estrutura no livro Parábolas de Jesus, Textos e Contextos, mas hoje eu vou trazer aqui a estrutura da parábola do bom samaritano para o Levítico, que é a mesma estrutura da Carta aos Hebreus.
Então, Carta aos Hebreus, parábola do bom samaritano, Levítico. Será que dá? Vamos tentar, pelo menos, né? Então, vamos lá. Primeira coisa que nós precisamos refletir. Quando Moisés tira o povo do Egito, está em números 12, o que que ele faz? Ele já leva direto o povo para a Terra Prometida. Direto! Chega na ponta, manda os espiões, fala, dá uma espiada, e os espiões voltam com versões divergentes. A Terra é maravilhosa, todo mundo concordava, uma terra maravilhosa, uma terra de bênção, de dádiva, de despertar o interesse de todo mundo.
Mas, ela está ocupada, os homens são gigantes, eles são muito maiores, nós não vamos conseguir. E, aí, começa a entrar em jogo a promessa feita por Deus, que Ele prometeu a Terra. Isso na linguagem simbólica, é óbvio, né? Então, há uma rebeldia, uma rebeldia, uma rebeldia, a proposta era entrar, vamos entrar, entra direto. Mas, o povo se rebela. E, no que o povo se rebela, eles recebem uma expiação. Aquela geração morreria no deserto. Quarenta anos de peregrinação no deserto. A pergunta é e se o povo não tivesse rebelado?
Se o povo tivesse entrado em Canaã? Se o povo tivesse entrado em Canaã, a revelação seria dada aonde? Como é que seria? Mas, ele não entrou. Então, a primeira coisa que nos chama a atenção aqui é que o Velho Testamento é um cântico de amor e de esperança, porque Deus está sempre amando, doando e sempre entregando o melhor e o homem sempre rejeitando o melhor para ficar com o pior. É essa dicotomia. Deus dá o paraíso para Adão, Adão despreza o paraíso porque ele prefere comer o pão com suor do próprio rosto. Ele prefere a terra cheia de espinhos e Eva prefere parir com dor.
Então, Deus está sempre oferecendo o sublime, o máximo e o homem sempre rejeitando para ficar com o pior. É essa dicotomia. O tempo todo, o Velho Testamento é isso, a todo momento. Depois Moisés sobe ao Sinai, recebe a lei, as pedras, desce, o povo prefere o bezerro de ouro. Essa tensão vai causando o quê? Cada vez que Deus busca o homem, mais o homem se afasta de Deus. Cada vez que Deus dá um passo em direção ao homem, o homem dá um passo atrás, quando não vira as costas. Então, a imagem, talvez a imagem mais profunda para representar Deus foi aquela que Jesus utilizou quando contou a parábola do Filho pródigo.
É de um pai, como é que a gente pode dizer? É de um pai saturado de amor. Porque o pai da parábola do Filho pródigo, ele corre, coisa que um ancião não faz. Um ancião da antiguidade não anda correndo, ele não sai correndo, porque ele pode cair, ele pode tropeçar na sua veste. E no mundo oriental, o homem é conhecido pela solenidade dos seus passos. Quanto mais solene ele anda, mais respeito ele tem. Então, você não vê um ancião correndo porque isso não tem nada a ver com solenidade, isso não tem nada a ver com respeito, não é?
Então, esse pai é um pai que abandonou a solenidade pelo amor, ele sai correndo. O homem do Oriente Médio, o ancião do Oriente Médio, ele não fica beijando, ele dá um beijo, ele dá o beijo. Na parábola do Filho pródigo, o pai fica, igual eu com o João Gabriel, ele não gosta, eu pego ele, começo a beijar ele todo. Isso não está certo. No mundo antigo, não é assim, né? As pessoas beijam a mão dele, e se ele vai beijar um filho, é um beijo. Esse pai, ele beija, beija, beija, beija o filho. Corre, beija. Então, Jesus quis pintar um quadro de um pai que perdeu toda a compostura por amor, querendo chamar a atenção que no Velho Testamento Deus perde a compostura de tanto que ele ama.
O homem se afasta, ele se aproxima, o homem dá um passo atrás, ele dá dois à frente e ele não se cansa. O seu amor é incomensurável. Essa é a ideia. E como é que a gente vê isso no Levítico, então? Isso foi muito bem colocado pela Hila, pela maninha lá, na fala dela na Carta aos Hebreus. Qual que era a proposta inicial com Abraão? Abraão encontra Melquisedeque. É isso que ela diz lá, na aula da Hila, que a gente está até colocando aí no vídeo, né, Tiago? A gente vai colocar junto aí pra todo mundo assistir às aulas dela.
Então, o sacerdote precisa ter genealogia, nós vamos ver isso, né, porque ele tem que provar que ele é da família sacerdotal, que a família sacerdotal é da tribo de Levi e que, portanto, ele tem direito ao sacerdócio. Então, ele tem que trazer lá uma árvore genealógica. Melquisedeque não tem genealogia, não é? E não tem templo, e não tem Moisés, e não tem nada. Abraão encontra esse homem e paga dízimo pra ele, e esse homem abençoa Abraão. Então, ele é maior do que Abraão, porque quem abençoa é maior do que quem é abençoado.
E a tradição hebraica, né, é a tese do doutorado da Hila, vai dizer que Melquisedeque é o sumo sacerdote espiritual. E quando ele recebe Abraão, o que é que ele faz? Uma refeição. Então, como seria o culto a Deus? Quais seriam as prescrições? Uma refeição em família, uma grande refeição, em que a família se une, come junto, o pai divide o pão, na mais absoluta cumplicidade, intimidade, amor, fraternidade, respeito e tolerância. Mas o que que acontece? Essa proposta original é abandonada, porque Deus está sempre se aproximando e o homem está sempre se afastando.
E nesses conjuntos de afastamentos, foi preciso estabelecer um mecanismo, agora novo, para tentar minimizar a série sucessiva de afastamentos. Que mecanismo é esse? O culto no Levítico. Então, toda a estrutura ritual do Levítico é, eu não sei se eu posso dizer isso, mas vou correr o risco, é um paliativo, paliativo, é uma situação provisória para tentar minimizar o afastamento. Tamanho era o afastamento? Tamanha era a distância dos homens de Deus e tamanha era a distância dos homens entre eles mesmos, que era preciso remediar.
E aí surge o Levítico, o livro todo, um livro, uma situação transitória, mas ao mesmo tempo pedagógica, porque ela também aponta para o futuro. Então, nós podemos dizer que ela é provisória no sentido de que ela é uma árvore pequenininha, que um dia vai crescer e se transformar numa árvore frondosa e definitiva. Por quê? Porque nele, no Levítico, já estão contidos todos os elementos do futuro. É por isso que nós estamos estudando o Levítico, porque se o Levítico fosse todo anulado e viesse uma coisa totalmente nova, não tinha necessidade nenhuma de a gente estar estudando o Levítico aqui.
Então, nós podemos chamar de Levítico a semente e o Cristo a árvore. Aliás, eu não estou sendo nem original, porque Jesus diz assim Eu sou a videira verdadeira. Ele já se compara a uma árvore, a videira. E é curioso ser a videira, porque é o símbolo que os Espíritos pedem para desenhar na introdução do Livro dos Espíritos, dizendo que a videira resume o trabalho do Criador, porque o processo pelo qual passa a uva é o processo da purificação. A melhor uva é aquela que recebeu menos água, menos nutriente, que estava no solo mais difícil e depois ela foi macerada e depois ela sofreu, sofreu no carvalho até se transformar no vinho, que lá no Livro dos Espíritos vai dizer é a essência espiritual.
Então, é o símbolo do Espírito puro. Esse é o trabalho do Criador. É bonito isso aqui, não é? No Levítico, nós temos a semente e no Cristo, a árvore. Agora, nós vamos estudar a semente para entender os elementos. Então, vamos lá. Como é que nós poderíamos dividir o Levítico nessa perspectiva? Porque nós já dividimos em outras perspectivas. Nessa aqui. Nessa, nós temos o seguinte. Primeiro, o tabernáculo. Então, a primeira coisa do Levítico, do início do Levítico, finalzinho de Êxodo, é a ordem para construir o tabernáculo.
Por quê? Porque Deus iria fazer morada no meio do povo, através do tabernáculo. O que que isso sugere pra gente? Que já que Deus não poderia se apresentar diretamente em função dos sucessivos afastamentos, Ele agora precisa da intermediação de um tabernáculo. E um tabernáculo tripartido. Na primeira parte entra todos do povo, na segunda parte, que é o lugar santo, só entra o sacerdote e na terceira parte somente o sumo-sacerdote. E é na terceira parte que Deus está através da coluna, da nuvem da presença de Deus, que está sob a Arca da Aliança, que está no Santo dos Santos.
Então, a gente percebe aqui um processo de intermediação. Não é mais possível o contato direto. Tamanho, o afastamento do homem. Esse símbolo, né? Tá difícil isso? Tá difícil, Natália? Tá todo mundo acompanhando? Alguém quer que volte em algum ponto? Tá. Então, agora, é o remédio. Vamos intermediar, intermediar num ciclo trifásico. Vamos guardar essa palavra intermediar, mediação. Essa é a palavra-chave hoje. Bom, se eu tenho um tabernáculo tripartido, a pergunta é o povo, o povo hebreu, algum dia subiu no topo do Sinai e viu Deus face a face?
Nunca. Nunca. Quem subiu no topo, viu face a face foi mais essa. O povo sempre ficou no sopé da montanha. Diz o texto que o povo viu a glória, viu a montanha pegando fogo, viu a incandescência, ouviu a voz, ouviu o eco, mas não fala que ele viu que o povo todo subiu. Então, o mais próximo que o povo chegou foi da borda da montanha incandescente. Mas, convenhamos, já é muito, né? Já é muito. Viram fogo, viram relópago, ouviram a voz, trovão. O texto é bonito porque diz todo mundo viu, todo mundo ouviu, então quem era cego foi curado.
É isso que diz o Midrash, quem era cego foi curado, quem era surdo foi curado, quem era paralítico foi curado, porque foi até a montanha, todos foram. Então, dizia a tradição hebraica que houve uma cura geral. Paralíticos, cegos, surdos, mudos, todos curados para que todos tivessem acesso à presença, ainda que um pouquinho de longe, porque o afastamento era muito. Essa é a ideia. E Deus, tanto amor que incendeia montanhas. Incendiou coelhinhas, astoras, fez pegar fogo, Deus está sempre incendiando. Paulo diz assim, meu Deus é um fogo devorador.
É um amor… Eu já ia até citar Zeca Pagodinho, mas eu acho que não combina, né? Eu acho melhor não. É melhor outra referência. Agora, não, agora no Levítico eu tenho uma presença intermediada. A nuvem da presença, não é mais a teofania do Sinai, é a nuvem da presença, a fumaça. É gostoso isso, né? Porque fumaça, fogo, no Sinai é o fogo, aqui agora é a fumaça. Já desceu um pouquinho, né? A fumaça, a nuvem, a coluna. É o eco, é um eco. Ou como diz os cabalistas, uma emanação, uma emanação longínqua, mais longínqua. Só que ele está no santo dos santos, que está por um véu.
O santo dos santos está protegido por um véu. Ninguém entra lá, nem os sacerdotes, que dirá ao povo. Só o sumo sacerdote. E o tabernáculo está no meio. Então o que eu preciso? Eu tenho o tabernáculo, o que eu preciso agora? De um mediador. Quem é o mediador? É o sacerdote. O sacerdote é o homem que está no meio, é o homem que cuida de duas relações. A relação com Deus, de um lado, e a relação com o povo, com os seus iguais. Então, o sacerdote é o homem das relações interpessoais. Ele é a pessoa encarregada de cuidar das relações.
Lembrando que no Velho Testamento, qual é a relação fundamental, básica, primordial, fundadora? É a relação com Deus. Por isso, amar a Deus sobre todas as coisas. A relação fundamental é a nossa relação com Deus. A partir da relação com Deus, eu me relaciono com o próximo. Então, a relação com o semelhante é uma relação subsidiária. E o sacerdote agora é o mediador. E tem o sacerdote comum e tem o sumo sacerdote, que é o máximo mediador. Por quê? Porque só ele, uma vez por ano, entra no santo dos santos, onde a presença de Deus se faz mais intensa, através da nuvem, da fumaça, da coluna de fumaça, etc.
Onde está a presença de Deus. Então, se eu tenho um tabernáculo mediando a presença de Deus, se eu tenho um sacerdote mediando a mediação, porque o tabernáculo já é mediação, o sacerdote é a mediação da mediação, aí o que eu vou ter? Eu vou ter regras de aproximação, que é o que nós já falamos aqui. Aí, nós já falamos, eu não vou nem me deter nisso. A aproximação de Deus só é feita mediante purificação e sacrifício. Aí, eu tenho exigência de pureza do tabernáculo, o tabernáculo tem que ser puro e tem que ser santo, tem que ser santificado.
Quem se aproxima do tabernáculo, o sacerdote, o ofertante, que é uma pessoa do povo e a própria oferta, a farinha, o animal, tudo tem que ser purificado antes. Então, aqui eu tenho rituais de aproximação e de purificação. Todos são chamados, estão representados no corban. O corban é a oferenda, o corban é o sacrifício, não é? Quem purifica é o corban, quem espia é o corban e isso ele faz através do sangue, porque o sangue é vida. Então, nós vamos voltar nisso aqui. Depois da aproximação, eu tenho as regras de comunhão.
Quem está no tabernáculo precisa manter-se puro e santo, porque o santo aqui é reservado, nós já falamos isso, separado para Deus. E depois? Depois que eu faço, que eu cumpro todo esse ritual de purificação, de santificação, o que acontece? O sumo sacerdote entra no yoke pur, pede perdão para si e para o povo e ele volta, depois que ele entra, faz o sacrifício e tudo, ele volta para o povo com as mãos cheias de dádivas, com os dons, os dons mediados. Então, essa é a estrutura do Levítico. O que isso tem a ver com a palavra do bom samaritano?
O que isso tem a ver com o hebreus? Segura o coração, vamos lá! Podemos ir agora na velocidade de fórmula 1? Podemos? Então, vamos lá. Eu separei aqui itens. Um, primeiro, os hebreus, eles tinham um senso agudo da distância que separa o homem de Deus. Por quê? Porque o homem é um ser fraco, perecível, miserável, sujeito à morte, à doença, à degeneração, às intempéries, do tempo, da natureza, da vida. O símbolo do homem é fragilidade. Ele é a flor do campo que nasce hoje e amanhã morre em um leve sopro, o derruba. Do outro lado da relação está quem?
O onipotente, inalterável, transcendente e imanente, o Todo-Poderoso. Então, quer dizer, há uma distância infinita entre a criatura e o Criador. Está em Deuteronômio 4, 24, que fala que Deus é santo três vezes, não é? Hebreus, meu Deus, é um fogo consumidor. Tudo pra dizer o quê? Que quando Deus se manifesta, a sua luz é fulgurante, ela amedronta o homem. Isso está em Isaías 5, 5, Êxodo 20, 18, 19. Quando o absoluto se manifesta, o relativo fica amedrontado. O homem é infinitamente mínimo em relação à magnitude de Deus e eles tinham esse senso.
Eu acho que isso é o diramante precioso do judaísmo, do monoteísmo judaico, da primeira revelação. Essa consciência da transcendência de Deus e da fragilidade humana. Isso é importante. Bom, então, nós temos uma questão aqui. Só pode haver um relacionamento com Deus se houver uma transformação radical do ser humano, não é? Que deve efetuar a transição do nível material para o nível espiritual. Por quê? Porque o que é matéria? Tudo que é material é perecível, está sujeito à lei da transformação, do desgaste, do envelhecimento, da consumação.
Nada que é material permanece. Na-na-nada, nada. Então só tem uma maneira do homem estabelecer um relacionamento efetivo com Deus que é absoluto. Se ele se transformar, se ele se afastar dos seus aspectos materiais e adentrar na sua essência espiritual ou se ele fizer com que a sua essência espiritual sobrepuje a sua natureza material. Porque o homem é composto, né? Está lá, Deus formou Adão da argila, do barro, da terra, da adama, da argila, da terra vermelha, por isso ele se chama Adão, vem de adama. Mas, o homem não é só material, não é só um corpo.
E, aí, ele sopra. Aí, o homem passa a ser nefesh, alma vivente. O que é a alma a não ser o Espírito unido ao corpo? Então, é o Espírito unido ao material. Essa é aquela ideia. Se não houver esse processo de transcendência humana, não há relacionamento com Deus. E, como é que isso se faz? No Levítico, através de um processo que nós vamos chamar de consagração ou santificação. Lembrando que a palavra santo em hebraico é kodesh, kodesh é separado, reservado. Então, vamos lá. O que é esse processo? O homem, o ser humano e o povo não tem a pureza necessária para se aproximar de Deus.
Isso está lá em Êxodo 19,12 e em Êxodo 33, versículo 3. O povo, o ser humano, não tem a pureza necessária. Ele precisa, então, se santificar, se purificar e se santificar. Vamos lá. Esse é o propósito. Vamos entender aqui que o propósito não vai mudar. Esse objetivo, essa meta é a nossa, de todos nós aqui. O que que mudou? Mudou ou mudaram os meios, não o propósito. A conversa de Jesus com a mulher samaritana, Deus é Espírito, é verdade, e ele procura adoradores que o adorem em Espírito e em verdade. Isso significa o quê?
Se eu não transcender a minha natureza material, se eu não transcender os meus interesses materiais, se eu não me conectar com a minha essência espiritual, se eu não me transformar em Espírito, não no sentido de desencarnar, não é isso não, viu, gente? É no sentido de espiritualizar-se. Se eu não me espiritualizar, não tenho relacionamento efetivo com Deus. Essa é a meta, esse é o propósito. Como é que o Levítico faz isso? Qual o meio, ou quais os meios que o Levítico oferece para isso? O Levítico oferece uma solução ritual, um conjunto de rituais materiais para se atingir esse objetivo.
Vocês acham que dá? Vai dar certo? Vai? Mais ou menos, né? Mais ou menos. Vai dar certo parcialmente, fragmentariamente, não integralmente, não integralmente. Isso é uma solução pedagógica. Então a gente imagina que seja um meio-termo para disciplinar, treinar e educar para a solução integral e definitiva. É esse o sentido. Sendo que nessa solução pedagógica, o pedagogo é tão sábio que na solução pedagógica tem todos os elementos da solução integral. Tá muito difícil? Hoje tá sim, né? Então, que solução ritual é essa?
Agora eu vou usar uma palavrinha aqui que é muito importante. É um sistema sofisticado de separações. Sistema sofisticado de separações. O que é separação em hebraico? Kodesh. Então eu posso dizer sistema sofisticado de santificação. É a mesma coisa. Separar é santificar, nesse contexto aqui. Que sistema é esse? Ou que processo de separação é esse? O processo de separações de reservas. Vamos tentar trazer uma metáfora aqui. O que é um vinho reserva? O sujeito produz o vinho. Aí tem uma parte lá, ele põe tudo lá naqueles carvalhos nos tonéis, né?
Mas, tem um que superou, ficou. Aí ele reserva aquele pra dar um tratamento especial e aquele vinho se torna um vinho especial, um vinho reserva. É esse o sentido. Como começou o processo de separações ou de santificações? Começou com a eleição do povo hebreu. O povo hebreu, dentre todos os povos, foi separado para se consagrar a Deus. Foi o primeiro processo de separação bíblico. Você tem a humanidade inteira? Ah, vou trabalhar com a humanidade inteira? Não, vou trabalhar com uma parcela da humanidade primeiro. Primeiro vou trabalhar com uma parcela, depois eu amplio.
Então, a eleição do povo hebreu é o primeiro passo do processo do sistema de separações. Elegeu o povo hebreu? Ok. Quanta… Oi? Por que foi eleito o povo hebreu? Poderia ser escolhido outro povo? Poderia. Aí nós temos vários midrashes que vão dizer isso, né? Tem um midrash muito bonito do povo hebreu que diz assim, Deus ofereceu para todos os povos, o povo hebreu foi o único que aceitou. É interessante, né? Mas Emmanuel tem uma explicação mais… vamos dizer… mais realista. Era o que tinha o maior conhecimento, a religiosidade mais sofisticada, porque dos povos exilados de capela, eles guardavam os alicerces do monoteísmo como nenhum outro.
Essa é uma parte boa, né? E eram os mais necessitados. Dos povos que vieram de capela, aqueles que tinham o maior percentual de débito perante a lei divina. Então, a escolha se baseia na frase de Jesus, eu não vim para os sãos, mas para os doentes. Da mesma forma, a escolha do Brasil, mas aí já é tema para o seminário, né? Brasil, coração do mundo. Porque a gente imagina a pátria do Evangelho, Brasil, coração do mundo, imagina que Jesus vai escolher o país mais aquinhoado, o economicamente mais forte, o socialmente mais organizado.
Não! Vai escolher o mais necessitado de todos e vai trazer para o Brasil os Espíritos mais endividados e os mais necessitados para formar a pátria do Evangelho. O critério é sempre esse. O mais necessitado precisa receber o maior auxílio. Aliás, eu vou retomar uma coisa bonita que a Aíla falou na aula 3 de Epístola aos Hebreus. Ela disse assim, quando Jesus conta, no final dos tempos, o Senhor vai chegar e vai separar as ovelhas dos cabritos, dos bodes. Aí a gente já imagina, a ovelha se deu bem cabrito, tá lascado, né?
Tá perdido. Não! Se a gente voltar para a tradição antiga, o cabrito necessitava de cuidados especiais. Ele era mais frágil. Então, o pastor primeiro ele separava as ovelhas e depois tinha que dar uma atenção toda especial para o cabrito. Então, quando já está ocorrendo esse processo da regeneração do mundo em que os Espíritos mais necessitados vão ser separados, eles vão ser separados não porque para ser excluídos, mas porque eles vão necessitar da maior dose de cuidado e de amor. É nesse sentido. Então, por que foram separados?
Por que Israel foi eleito? Porque era o que mais precisava de amor, era o que mais precisava de cuidado e era o que mais ia sofrer na terra. Quem mais ia espiar, chorar, gemer, ranger dentes era o povo hebreu. Nenhum povo sofreria mais e talvez não tenha sofrido mais do que o povo hebreu. Então, o mais necessitado precisa mais do médico. O doente mais grave precisa do médico ao lado dele o tempo todo. Não é privilégio, é amor, é misericórdia. Então, a separação começa com a eleição do povo hebreu, depois até o povo hebreu tem doze tribos.
Doze tribos. Uma é separada. Uma tribo é separada para o serviço cultual. Qual tribo? A tribo de Levi. Mais um processo de reserva. Todo mundo da tribo de Levi é sacerdote? Não! Dentro da tribo de Levi, uma família é separada. A família de Harão. Não é? Ou uma… depois nós vamos ter outras aí, mas não vamos entrar nesses detalhes. Uma família, a família sacerdotal. Então, para alguém ser sacerdote, ele tinha que provar, primeiro, que ele era da tribo de Levi, segundo, que ele era de família sacerdotal. Então, o avô, o bisavô, o pai tem que ter sido sacerdote ou sumo sacerdote.
Bom, separação. Mas, então, para exercer a função de mediação entre o povo e Deus, tem que ser da família sacerdotal. Aí, na família sacerdotal, alguns membros são separados, que é o sacerdote. Olha, povo, tribo, família, homem. Separei um homem. Você vai ser o sacerdote. Viram o processo de separação? Ok. Esse homem que é separado, ele recebe o quê? Uma consagração especial. Ritual, unção, roupa, uma série de obrigações. Por quê? Porque ele tem que ser separado do mundo material para ficar à disposição do mundo espiritual.
Ou, se vocês preferirem outra terminologia, ele tem que ser separado do mundo terreno, do mundo profano e ser conduzido para o terreno sagrado, para o terreno espiritual. Como é que se faz isso? Primeiro, banho ritual para purificar dos contatos profanos. Ele não pode ter contato. O sacerdote não pode enterrar, não pode tocar em morto. A esposa dele menstruada, ele não pode tocar na esposa. Alguém que está com uma doença de pele, ele não pode. Então, ele não pode ser contaminado pelo ramezão do dia a dia. Olha que interessante!
Isso no Levítico, hein, gente? Aí, ele tem a unção, derrama o óleo nele para impregnar ele de santidade. Ele recebe vestes especiais que indicam que ele pertence ao mundo espiritual, não é? Porque elas representam elementos do mundo celeste. Depois a gente vai estudar isso aqui. E o que ele tem que fazer? Ele tem que oferecer corbãs ou sacrifícios que são rituais de purificação, de expiação, de santificação. Ou seja, ele é uma criatura de dedicação exclusiva, funtai. Isso é que é santo. Então, santo, imagina santo, imagina alguém com aureola, brilhando, luz emanando.
Não! O santo é um servo com dedicação exclusiva, banco 24 horas, 24 horas dedicado ao serviço cultural. É um servo. É bonito isso por quê? Aí, outra ideia, não dá para trabalhar essa aqui, mas eu vou só jogar. Durante muito tempo, o protestantismo interpretou uma expressão da Carta de Paulo, que é obras da lei, ergo nomo, obras da lei. Infelizmente, os teólogos protestantes fizeram uma oposição incompreensível entre fé e obra, porque Paulo diz assim, não são as obras da lei que justificam, que tornam a pessoa justa, mas a fé.
Fé no sentido de fidelidade, de relação com Deus, relação confiável com Deus. Só que obras da lei, olha que interessante, é a expressão hebraica avodá-torá. Lei em hebraico é torá. Esse é o sentido original, que é muito mais amplo do que o nomos grego. E o obras é no sentido, obra é no sentido de serviço, só que avodá é melhor, porque escravo é avode. Avodá é o serviço do escravo. Avodá-torá é o serviço do sacerdote, é um serviço escravo. Escravo no sentido de que ele não pode fazer mais nada. Ele está absolutamente consagrado para aquilo.
Aí, ele tem que limpar, tem que levar cinza, tem que matar os animais, tem que sacrificar, tem que manter a vela acesa. Gente, vocês não imaginam como que dá trabalho. Dá muito trabalho, avodá-torá. O serviço, mas no sentido de serviço, ah, vou fazer um serviço aqui. Não! É no sentido de serviço que vem de servo, de escravo da lei. Aí, Paulo brinca. Avodá-torá, serviço da lei, escravo da lei. Moisés é servo, Jesus é filho. No tabernáculo, Moisés é servo. Por quê? Porque ele está fazendo avodá-torá. Jesus é filho. Moisés é servo.
Jesus manda na casa. Ele construiu a casa. Mas, aí, já é epístola aos hebreus, não é? Só pra dar. Então, o que Paulo está dizendo é o seguinte, o que torna o homem justo não é o serviço da lei, não é avodá-torá, não é nada, nenhum desses rituais. Mas, aí, vamos guardar. Você queria falar? Paulo, para os conhecedores, para os fundos, todas essas questões, talvez, seria por isso que ele, quando ele escreve a Carta de Fatima, para você que fala assim, aos santos da igreja, talvez, seria por isso, aqueles que se dedicam exclusivamente…
Não, aos santos é nesse sentido de que aquelas pessoas, aqueles cristãos, foram separados do mundo, no sentido de que eles se afastaram das quedas do mundo e se tornaram o sal da terra. Por isso que eles são santos. São reservados para Jesus. Eles estão dedicados exclusivamente a Jesus. É nesse sentido que ele vai usar isso, né? É legal, né? Como é que ele pega isso, né? Então, olha só, quando você cumpre todos esses rituais, que era servidão, servidão, depois que você alcançava o estado de pureza, de santidade, tinha que manter ele.
Achou que era fácil chegar lá? Não sabe o que é manter. Estava você lá andando distraído e a sua esposa, menstruada, encostava em você, contaminou. Ai, meu Deus! Banho, ritual, sacrifício, para purificar. É interessante isso, né? Por isso que quando a gente vê a parábola do bom samaritano, um homem caído, o sacerdote passa de longe, meu Deus do céu! Imagina, se eu toco nesse homem, aí banho, matando, estou acabando de voltar de lá, não aguento, quero chegar em casa, puro, puro e limpo. Esse homem está morto, ó Deus, o tenha, ó Deus, abençoa, recebe a alma desse pobre.
Eu que não vou tocar nele, senão eu estou perdido. Passar por uma maratona de purificação. É simples. E o Levita também, Levita, da tribo de Levi, o ajudante lá do sacerdote, mesma coisa, passou, nossa senhora, meu Deus do céu! Eu tomei dez banhos, hoje eu monto um animal, não vou correr o risco. Interessante isso, né? Então, chegava no Yom Kippur, já falamos sobre isso, o sumo sacerdote fazia a máxima mediação. O sacerdote tinha todas essas exigências, ele era um servo, porque ele era mediador. Ele tinha que estar puro e santificado para fazer a intermediação entre a nuvem da presença e o povo.
Vamos lá. Quais as atribuições do sacerdote? Eu vou citar rapidamente aqui pra gente não perder tempo com isso. Ele tinha atribuições de sacrifícios rituais, está em Levítico capítulo 1 até o 9 e o capítulo 16. Ele tinha controle sanitário, Levítico capítulo 13, 14, que ele que olhava o leproso, olhava a mulher, né, tinha um controle sanitário. Funções judiciais, está em número 5, versículo 11 a 31. O ensino da lei, da revelação, da Torá, também cabia a ele, Deuteronômio 33, 9. Leitura da sorte, legal, né? Mapa astral, mão e outras coisas, cabala.
Engraçado isso, né? Está em Deuteronômio 33, 8, Samuel 14, 36. E a distribuição de bênçãos, 6, 22, Eclesiastes 45, 15. Por que a distribuição de bênçãos? Porque ele fazia intermediação. Depois que ele purificava, ele chegava na presença de Deus com o quê? Com um pacote de preces e de súplicas. Oh, Deus atende! Depois ele voltava para o povo, olha, pedi, fiz o pedido, está entregue. E voltava com as bênçãos. Distribuir as bênçãos. Interessante, né? O que que é isso? Se a gente pudesse resumir, o que que o sacerdote faz?
Relacionamento. Ele é um agente de relacionamento. Então ele chega assim, Natália, você está querendo se relacionar com Deus? Eu vou fazer a sua tutoria aqui, viu? Pode deixar, eu vou te colocar quase face a face. Relacionamento interpessoal. O sacerdote é a pessoa que cuida, primeiro, da relação universal, mais profunda, a base que é a relação com Deus e depois a relação constitutiva do ser humano, porque nós só somos seres humanos em função das relações com outros seres humanos. Então ele cuida também das relações.
Por isso ele exerce função judicial, ele tem a obrigação de cuidar das relações no povo. Então ele é o profissional das relações interpessoais com Deus e com o semelhante. Agora, será que o processo de separação vale só para o homem? Não, vale para Deus também. Vocês acreditam? O processo de separações também se estende à esfera divina. Deus não se encontra em qualquer lugar. Agora, não. Ele só pode ser encontrado no tabernáculo. Ah, mas eu quero procurar Deus lá no lago. Não está lá. Ele limitou-se. Ele só pode ser encontrado no lugar santo, num lugar que foi separado, reservado para ele.
Qual é? O tabernáculo. O tabernáculo é um espaço reservado ao culto, e interdito ao público. O povo não pode entrar lá dentro. Olha como é que é separado. Para entrar no lugar santo, o sacerdote deve se submeter a um ritual envolvendo cerimônias sagradas, em tempos sagrados, tem épocas definidas, sagradas, e especialmente a cerimônia de sacrifício corban, cujo objetivo era transportar a oferta do mundo profano, terreno, para o mundo sagrado. Porque o que é oferta? Vamos pensar aqui. Eu levo um animal. Quando eu queimo inteiramente o animal no altar, o que acontece com o animal, gente?
O que aconteceu com ele? Ele passou do mundo terreno para o mundo espiritual. O símbolo disso é a fumaça que subiu. Esse é o sentido. Agora, aqui… Ah, não é possível, esse relógio está errado. Esse relógio está errado. Então, para que existe sacrifício no Levítico? O sacrifício é um símbolo da espiritualização. O animal queimado no altar, sacrificado no altar, ele foi subtraído do mundo terreno e penetrou no mundo celeste, espiritual. Por que que foi um animal? Porque não teve nenhum sacerdote que quis ir. Imagina, né?
Quem queria ir? Então, o animal ia no lugar do sacerdote e do ofertante. Ofertante e sacerdote ficavam desonerados de partir para o lado de lá. O animal ia em nome do ofertante através do sacerdote. Essa é a ideia. Por isso o sangue, porque o sangue é vida. A ideia do sangue é que a vida do animal saiu do mundo terreno e foi para o mundo espiritual, diante do altar de Deus. Esse é o simbolismo. O sistema de sacrifício do Levítico é subtração, é entrar no mundo espiritual, porque quando eu entro no mundo espiritual, aí eu tenho chances efetivas de me relacionar com Deus.
Olha, profundo isso, não? Profundo. Vamos lá. Ao sacerdote, é impossível passar inteiramente para o mundo divino, para o mundo espiritual. Por quê? Para ele passar inteiramente, ele precisa morrer. Então, o sacerdote não passava inteiramente, passava só um pedacinho dele. Quando ele se purificava, quando ele se santificava, um pedacinho dele passava, mas uma parte ficava. Por quê? Porque ele continuava, apesar da cerimônia de consideração, ele continua sendo um homem terreno. Ele continua sendo um homem de carne e osso.
Frágil. O corban imolado e oferecido sobre o altar do templo é subtraído, consumido pelo fogo que sobe ao céu como fumaça. A fumaça se mistura com a nuvem, com a fumaça, com a nuvem da presença. Então, a oferta chegou a Deus. Nós não temos avião, helicóptero, nada disso, né, gente? No mundo antigo. Mas, para subir para o céu, é só a fumaça mesmo. Subir e ficar, né? Subir e cair é fácil. Subir e ficar é só a fumaça. Ou, então, o sangue derramado, que é vida. Vida que foi. Vida que foi tirada. Aqui, a gente já está começando a…
O Vanua, ele sugere que a gente, que a gente choca, né? Sangue, sangue. Substitui sangue por vida dedicada. O sangue é a vida que foi dedicada a Deus. Agora está começando a ficar interessante, né? Mas, vamos lá. Então, o corban, quer dizer, a oferta imolada ou queimada é o ponto culminante da mediação do Levítico. O ponto culminante. Porque tudo mais é preparação. Tudo mais é um sistema de separações que prepara para o evento máximo. Qual que é o evento máximo? A entrada definitiva no mundo espiritual. Quem faz essa entrada definitiva?
A oferta. Deu pra entender isso? Está muito complicado? Não é? Quem foi para o lado de lá foi o bichinho, o animal. Ou o cereal. O ponto culminante é esse, é mandar pro lado de lá. Então, a gente lê o Levítico e vê aquele tanto de sacrifício e não percebe isso, que é um processo. Eu vou separando, vou santificando, vou purificando, purifica a veste, purifica a mão, purifica aqui, purifica com a sagra, até chegar o animal que foi. Foi embora. Ele entrou. Entrou no mundo invisível, no imponderável, no espiritual, que é onde está Deus.
Mas, por que, então, que pega lá? Tirar o rim, a gordura? Certas coisas não podem entrar, mas eles são detalhes, depois a gente vai… minúcias, né? Não é tudo que pode ir, né? Por isso que algumas coisas são separadas, não podem ser queimadas, não podem… exceto no holocausto, né? Que aí tudo é queimado e vai tudo. Depende do propósito da oferta. Quando a gente foi estudar as ofertas em particular, a gente… Deixa eu olhar aí. Então, só pra gente encerrar, depois desse movimento ascendente de separações… Por que ascendente?
Eu separei um povo, separei uma tribo, separei uma família, separei um homem, purifiquei e consagrei ele, purifiquei a oferta, purifiquei o ofertante, purifiquei o santuário, purifiquei tudo, a oferta entrou. É um movimento ascendente, não é? Está subindo a Deus, não está? Se subiu, tem que ter agora uma descida. Descia um homem de Jerusalém pra Jerigó. O processo da subida havia sido feito. O sacerdote e o levita subiram, fizeram o sacrifício, fizeram, tudo tinha que fazer. O processo de ritualístico da subida fora feito.
Jesus agora começava a descrever na Parábola do Samaritano o processo de descida. E o que é o processo de descida? Depois desse movimento ascendente de separações sucessivas, há um movimento descendente de dons divinos. Porque depois que a oferta entra no mundo espiritual, Deus devolve dádivas, dons. E isso se todo o processo ascendente foi rigorosamente observado. Por isso que o sacerdote que descumprisse alguma regra do procedimento ascendente, a pena era de morte. Sentença de morte. Desrespeitar o processo ritual do Levítico é pena de morte.
Por quê? Porque aí Deus não manda as bênçãos, as dádivas. Era esse o sentido. A eficácia das dádivas estava condicionada à eficácia dos processos sucessivos de subida, de separações sucessivas. Eu vou voltar muito nisso, tá, gente? Hoje é só um panorama. Já vou encerrar aqui agora porque nós já passamos. Então, agora, depois que o sacerdote, principalmente o sumo, cumpriu todo o processo de separação ritual, todo o ar do trabalho de subida, ele agora vai exercer a principal função da sua vida, que é ser o mediador dos dons divinos.
Tudo que ele fez foi para entrar na casa. Agora ele vai pegar os bens e trazer para o mundo terreno. Ele entrou no mundo espiritual, no mundo sagrado, no mundo celeste, agora ele traz as dádivas do mundo celeste. Que dádivas são essas? São graças, dádivas, são dádivas. Deus dá se Ele quiser, o quanto Ele quiser, quando Ele quiser, como Ele quiser. Por isso que são dádivas, dons. Primeiro, a primeira dádiva, perdão dos pecados e fim das calamidades dEle resultantes. Porque eles entendiam que as calamidades, as coisas que acontecem na nossa vida, as tragédias, são fruto do pecado.
Se tem o perdão do pecado, cessa a tribulação. Outra dádiva, orientações e instruções divinas, para que a pessoa encontre o caminho, o justo caminho, diante da perplexidade da vida. Danças divinas, terceiro, né, danças para todos os setores da existência, em decorrência da influência benéfica produzida pela relação com Deus. Eu agora não estou bem com Deus? A nossa relação não está boa? Então, o meu casamento, meus negócios, meu rebanho, tudo vai ficar bom. Tudo vai ficar bom. Então, nós podemos resumir, aqui para encerrar, só para a gente encerrar mesmo agora, o qual pode ser resumido da seguinte forma.
Eu tenho elementos ascendentes, que é uma série ascendente de separações rituais. Separa o povo, separa a tribo, separa a família, separa o sacerdote, consagra ele, separa ele do mundo, da vida cotidiana, da vida profana, separa tudo, consagra ele, separa a oferta, separa o ofertante e a oferta entra. Ela é separada do mundo material e entra no mundo espiritual. Então, esse é o primeiro elemento ascendente, é uma série de separações. Aí, o que eu tenho? O elemento central. Qual que é o elemento central? A admissão do sacerdote na morada de Deus.
Aí, ele pode entrar na casa. Entra dentro da casa. Deus. Entrei. Posso pedir? Pode. Porque se ele não cumpria a série ascendente, ele não pode entrar. No Levítico tem uma coisa engraçada. Os dois filhos de Arão entraram sem seguir o processo, o fogo queimou os dois. Morreram. Por quê? Porque não obedeceram ao processo para entrar. Então, o elemento central é a admissão. E, depois, tem o elemento descendente, que é a transmissão dos dons de Deus ao povo, tais como perdão, instrução e bênção. Aí, eu vou comentar na semana que vem, as bem-aventuranças seguem esse padrão.
São nove bem-aventuranças. Quatro ascendentes, uma central, quatro descendentes. Vamos ver rapidinho e vamos encerrar. Quatro. Qual que é a central? Qual que é a bem-aventurança central? Bem-aventurados, os misericordiosos, porque eles receberão misericórdia. Por que ele é a central? Porque misericórdia quero e não sacrifício. Misericórdia quero e não sacrifício. Ela é a central. A misericórdia é a entrada na morada de Deus. Para chegar lá, eu preciso bem-aventurado, pobre de espírito, bem-aventurados, aflitos. Olha o sistema de purificação aí, gente!
Bem-aventurados os mansos e bem-aventurados os que têm fome, têm sede de justiça. Mas, não é justiça. Não podemos confundir. Quando Jesus fala fome e sede de justiça, ah, eu quero entrar na justiça. Não, não é isso. Fome e sede de justiça é eu estou morrendo de vontade de me tornar um justo. Eu estou morrendo de vontade de me tornar alguém apto a entrar na morada de Deus. Isso é que é fome e sede de justiça. Então, estão percebendo que o ritual ascendente? Ascendente. São pessoais. Está tudo dizendo respeito à minha relação com Deus.
Pobre de espírito, minha relação com Deus. Eu tenho que ser humilde para que Deus me preencha. Aflitos, porque serão consolados. Eu tenho que receber a correção de Deus, as disciplinas, as expiações e as provas que Deus está mandando para mim. Eu tenho que ser manso, porque se eu não obedecer a Deus, não vai dar jeito. E eu tenho que querer me tornar um justo, porque senão eu sou um filho rebelde. Então, tudo está dizendo respeito à minha relação com Deus. Aí, eu me transformo em quê? Em misericordioso. Misericórdia.
Porque Deus é misericórdia. Deus é misericórdia. Aí, eu começo a descer, descer auxiliando o próximo. Limpos de coração? Limpos, já está limpo. Ele vai ver a Deus, porque já experimentou a misericórdia e a misericórdia limpou totalmente o coração dele. Então, ele passa a ver a Deus. Aí, o que é que ele se transforma? Não mais em manso, mas agora em pacificador. Porque o manso é o pacífico, o obediente, o resignado. O pacificador é aquele que leva à paz onde há guerra. Olha a série descendente. Ele agora vai trazer, ele já conquistou a bênção da paz, agora ele tem que levar a bênção para os seus irmãos.
É o pacificador. Os perseguidos devido à justiça, ou seja, por ser um representante da justiça, por ser um justo, ele passa a sofrer perseguição, incompreensão. E, por fim, os injuriados e perseguidos por causa do Cristo, que é o máximo. Porque quando você é injuriado e perseguido por causa do Cristo, você começa a participar da cruz. Você começa a colungar da cruz do Cristo, do máximo processo de doação, que é esquecer-se a si mesmo para doar-se. Na semana que vem a gente comenta isso. Então, as bem-aventuranças aí, resumindo o Livro Levítico.
A gente vai voltar nisso, mas agora a gente já passou muito do horário. Sheila, faz a prece pra gente. Já? Que ótimo! Beleza!
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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