Neste terceiro episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Levítico, explorando os conceitos de purificação e santificação à luz da Doutrina Espírita. O estudo é enriquecido com a análise de textos da tradição judaica e passagens do Evangelho, buscando a unidade das três revelações divinas.
O que é estudado neste episódio
- A Mensagem de Emmanuel e a Unidade Divina: O estudo inicia com uma reflexão sobre uma mensagem de Emmanuel, que resume a história de falências e quedas espirituais do povo hebreu, simbolizando a humanidade. Haroldo destaca a importância de conjugar a primeira revelação (tradição judaica), a segunda revelação (Cristo) e a Doutrina Espírita para alcançar a unidade substancial em Deus.
- A Carta aos Hebreus como Bússola: É ressaltada a relevância da Carta aos Hebreus para a compreensão de Levítico, especialmente no que tange ao papel do sumo sacerdote e à figura de Jesus como o verdadeiro sumo sacerdote. A irmã Aíla Pinheiro de Andrade é mencionada por seu curso sobre a Carta aos Hebreus, que serve de complemento essencial ao estudo.
- Os Três Aspectos da Criação e a Santidade: Com base no comentário do rabino Nosson Sherman sobre o Livro Levítico e o Sefer Yetzirá (Kabbalah), são apresentados os três aspectos da criação: “olam” (mundo/espaço), “shanah” (ano/tempo) e “nefesh” (alma/essência espiritual). Haroldo explica que a santidade deve ser inserida nessas três esferas da existência humana – no ambiente físico, nos ciclos da vida e na dimensão espiritual.
- Korban: Aproximação e Purificação: O termo hebraico “korban” (oferenda/sacrifício) é analisado, revelando seu significado de “aproximar-se” de Deus. As oferendas são compreendidas como meios de purificação e santificação, combinando os aspectos espacial, temporal e espiritual.
- Adão como a Primeira Oferenda e o Ideal Celestial: A discussão aborda a ideia de que Adão foi a primeira oferenda, no sentido de que deveria corresponder ao seu “eu ideal celeste” ou “Adão Kadmon” (homem primordial/espiritual). A queda de Adão é interpretada como desobediência e infidelidade a Deus, levando à necessidade de redenção e elevação.
- As Gerações e a Genealogia de Jesus: É traçada uma linha de falências humanas e renovações de propósito, desde Adão, passando por Noé (Gênesis 8:20) e Abraão (Gênesis 12:7), que trouxeram oferendas. A genealogia de Jesus em Mateus 1:17 é analisada, mostrando a progressão de 14 gerações em três etapas, simbolizando o homem soerguido e purificado, que segue o modelo do Cristo.
- O Caminho para Deus e a Presença Divina: A primeira parte de Levítico (capítulos 1 a 17) é associada ao “caminho para Deus” e à purificação. A passagem de Êxodo 19:16-24, que descreve a descida de Deus no Monte Sinai em meio a trovões, relâmpagos e uma nuvem, simboliza a presença divina e a necessidade de pureza para se aproximar d’Ele.
- Purificação Segundo Kardec: O estudo se aprofunda no conceito de purificação através do “Código Penal da Vida Futura”, presente no capítulo 7 de “O Céu e o Inferno” de Allan Kardec. São abordados os artigos que explicam que a felicidade está ligada à purificação completa do espírito e que toda imperfeição gera sofrimento e privação de gozo.
- Arrependimento, Expiação e Reparação: Kardec define as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências: arrependimento (primeiro passo para a regeneração), expiação (sofrimentos físicos e morais decorrentes da falta) e reparação (fazer o bem àqueles a quem se fez mal). A expiação pode variar conforme a natureza e gravidade da falta, e a reparação pode ser feita por meio do amor ou da justiça.
Reflexões
- A verdade se soma: As verdades contidas na primeira, segunda e terceira revelações não se chocam, mas se integram, formando um todo que converge para a unidade divina.
- O progresso como lei geral: Deus, em sua sabedoria, quis que o progresso intelectual, moral e espiritual fosse uma lei da criação, e não nos criou perfeitos para que tivéssemos o mérito de nosso próprio aprimoramento.
- Jesus como o molde divino: Jesus é o “caráter de Deus”, o molde perfeito que nos aproxima do Pai. Ao nos deixarmos moldar por Ele, aprendemos a ser misericordiosos, bondosos, perdoadores e humildes, tomando a forma do Cristo.
Ler transcrição do episódio
Boa noite para todos. Retomando o nosso estudo sobre o Livro Levítico, fomos brindados com a mensagem do Emmanuel, que é aberta ao acaso por nós desencarnados, mas parece que não pelos Espíritos que dirigem a reunião. Nos parece que eles selecionam os textos assim com bastante antecedência, porque essa mensagem, ela, como diz Emmanuel, uma declaração enérgica de princípios, conclamando todos os corações para o plano da unidade divina, da unidade substancial em Deus. E Emmanuel parece resumir nessa passagem todo o livro de Êxodo, toda a história de falências e quedas espirituais do povo hebreu que simbolizam a miniatura da humanidade inteira, e também nos indicando que o caminho que nós estamos procurando nesse nosso estudo de aprimoramento dos trabalhadores, do ser e do meimei, é um caminho indicado porque ele busca conjugar a primeira revelação, toda a tradição judaica, toda a experiência do povo hebreu, tudo que os sábios do povo hebreu, os seus profetas, os seus missionários, tudo que eles legaram para a humanidade com muito sacrifício, muito testemunho pessoal, mas conjugar também o trabalho dos missionários da segunda revelação, que também foram trucidados a semelhança dos profetas e que tem na figura de Jesus a grande estrela da alvorada, o nosso Messias, o Prometido, aquele que representa o caminho, a verdade e a vida, e coroando essa conjugação a doutrina espírita que vem revelar o mundo espiritual, o espírito imortal e as relações do mundo espiritual com o mundo corporal, afastando tudo quanto é misticismo pueril e trazendo realmente um nível de espiritualidade, um nível de clareza a respeito das questões espirituais, como antes não tinha sido possível.
Então, conjugando as três revelações a gente entra no Levítico e Emmanuel, como sempre, já abriu aí o caminho pra gente. Eu só queria primeiro fazer um agradecimento aqui aos amigos que estão acompanhando pela internet, a todos eles, em especial a irmã Ayla, porque ela montou um curso da Carta aos Hebreus, me mandou o áudio, eu já ouvi, viu, maninha? Já ouvi os dois, ouvi tudo, adorei, e de fato é impossível estudar o Livro Levítico, pelo menos com o propósito que a gente está estudando, sem perder de vista a bússola orientação que está na Carta aos Hebreus.
O medo que a gente tem é que toda vez que você faz um mergulho no passado, se você vai mal equipado, você não volta. Esse é um risco. A gente volta ao passado e se não estiver espiritualmente preparado, nós corremos o risco de ficar, de voltar para reencarnações, de voltar para hábitos e perder o vagão da evolução, o trem da evolução espiritual. Então foi muito bom, eu acho que foi inspirado a irmã Ayla ter aberto o estudo da Carta aos Hebreus e eu quero pedir permissão para ela para a gente divulgar no nosso canal o áudio da Carta aos Hebreus, que ela também está fazendo uma sequência e já convidá-la para vir aqui também ao nosso grupo, fazer um resumo para a gente da Carta aos Hebreus e a todo momento nós vamos estar fazendo esse contraponto, essa soma para dar uma harmonia bem bonita, unindo aí a segunda revelação, a primeira revelação e trazendo os aspectos da Doutrina Espírita.
É isso que a gente está fazendo. E hoje eu gostaria de fazer algo assim mais participativo, então quem quiser trazer uma contribuição, fazer uma pergunta, colocar alguma coisa, eu vou tocando aqui, mas vocês me interrompam, senão eu começo a falar e eu não paro. E vocês me ajudem aí. Na semana passada nós tínhamos comentado sobre a questão do santuário, a construção do tabernáculo, o santuário como esse espaço em que a centelha divina habita em cada um de nós. Lemos as questões de Emmanuel, depois nós vamos, nós estamos com essa promessa aí, mas nós vamos cumprir, de colocar no nosso canal esses textos, essas referências, vão ser todas colocadas para que as pessoas da internet e mesmo do grupo possam ter acesso a isso.
E quando nós lemos as questões do Emmanuel, foi trazendo um pouco da contribuição da Doutrina Espírita para esse tema que nós estamos estudando. Mas hoje eu resolvi conjugar a terceira revelação com a primeira revelação. E nós trouxemos aqui para todos alguma coisinha assim para a gente dar sequência no nosso estudo desse comentário do Livro Levítico, é um comentário vaicrá da Artscroll, está na Arséria, está em inglês, infelizmente, foi produzido pela Escola de Rabinos de Nova Iorque, a Yeshivá de Nova Iorque, sob a coordenação do rabino Nosson Sherman.
Então, é um grupo de rabinos que estão comentando os livros da Tanar, da Bíblia Hebraica, e tem aqui um comentário de Levítico. E esse livro é daqueles livros que quando chega na nossa mão ele causa um tremor, assim a gente fica quase que desnorteado no primeiro momento, depois vai recuperando o fôlego. Eu selecionei aqui um detalhezinho só para confirmar aquilo que Emmanuel tinha dito, nós trouxemos na reunião passada, e aqui quem vai falar é o rabino Nosson Sherman da maior escola de rabinos da terra, que é a Yeshivá de Nova Iorque.
Não estou fazendo propaganda para a Yeshivá, mas dizem que é a maior. Vocês vão achar que eu sou o garoto propaganda da escola, mas não é isso não. Dizem que é, e realmente é um grupo de sábios. Ele diz assim, faz uma referência a um livro da Kabbalah chamado Sefer Yetzirá, que fala da árvore da vida, e ele diz que o Sefer Yetzirá propõe o tema que se tornou o básico no pensamento da Torá, no pensamento hebraico, de que existem três aspectos, três aspectos em todas as partes da criação. Então, se você pega a criação divina, ela pode ser dividida em três aspectos.
Desde o cosmos, ou seja, a partir do cosmos até o ser humano individual. Porque a ideia é de que o ser humano é um microcosmos. O que há no cosmos, há no ser humano. Então, tanto o ser humano quanto o cosmos, a ordem da criação, a criação ordenada, por isso que é cosmos, pode ser dividida em três partes. A primeira parte ele chama de olam, que em hebraico significa mundo ou o espaço, o aspecto espacial, as coisas, o lugar, o espaço. O segundo chamar, que em hebraico é o ano, fazendo referência ao tempo, a dimensão do tempo.
Então, se eu junto olam e chamar, mundo e ano, eu tenho espaço, tempo. Espaço, tempo. E o terceiro elemento, nefesh, que é a alma. Ele vai chamar de a essência espiritual. Não é espiritismo. Eu estou lendo o Rabino Nossancher, quero deixar bem claro, estou lendo. Então, ele vai dizer o seguinte, que isso significa que as pessoas devem inserir santidade, nós já havíamos comentado sobre isso, santidade, o que é o tema da santidade? Ele está dizendo que todos são conclamados a inserir, a injetar santidade nessas três esferas, ou seja, no meio ambiente físico, então, no cotidiano, na minha vida do dia a dia, eu não tenho que afastar do dia a dia, do cotidiano, para o dia a dia eu preciso trazer santidade, eu preciso para as mudanças de estações, ou de ciclos, porque a vida é feita de estações, a infância, a adolescência, a maturidade, a velhice, são quatro estações, as fases da vida, os ciclos da vida são estações, e isso é a dimensão temporal da experiência humana, e eu preciso trazer santidade para isso.
E espiritualidade e inteligência, que é o que nos proporciona tomar decisões, espiritualidade, que é a dimensão da essência espiritual. O que que ele vai dizer? Que todas as oferendas, os sacrifícios, oferenda e sacrifício, não são palavras adequadas para traduzir o termo que está em hebraico, que é korban. No Livro Levítico, os animais, os cereais, tudo o que é oferecido no altar é chamado de korban. Korban vem da raiz karav, que é o verbo aproximar-se. Nós comentamos sobre isso aqui. Havia uma tenda, o tabernáculo, e qual era o objetivo?
Que o povo se aproximasse da presença de Deus, se aproximasse de Deus, fazendo o quê? Purificando-se e santificando-se. Lembrando que santo é tudo aquilo que é reservado com exclusividade para o serviço divino. Então, o que que ele vai dizer? Todos os korbans, todas essas aproximações ou oferendas, combinam os três aspectos. Não é incrível isso? O aspecto espacial, o aspecto temporal e o aspecto espiritual. Então, isso não é novidade. Olha como que a gente está juntando as três revelações que estão dizendo a mesma coisa.
Aliás, a única coisa que pode combater a verdade, combater no sentido de travar um duelo com a verdade, é mentira. Porque quando uma verdade encontra a outra, elas se somam. Não há combate. As verdades que estão na primeira revelação, as verdades que estão na segunda revelação e as verdades que estão na terceira revelação, elas se somam, formando um todo. Se fosse mentira, elas se chocariam. Como elas são verdades, elas se somam, elas se integram no plano da unidade divina. Houve Israel, o Senhor é nosso Deus, o Senhor é um.
É um. Aí, parafraseando Teilhard de Chardin, Teilhard de Chardin dizia assim, grande teólogo católico, não é um padre? Ele dizia assim, tudo que sobe converge. Se está divergindo, é porque está descendo, não está subindo. Porque tudo que sobe em direção à divindade caminha para o plano da unidade substancial. O Senhor é um. Está muito filosófico? Está um pouquinho. Está adequado. Não? Está tranquilo? Quem quiser comentar, falar alguma coisinha, fique à vontade. E, aí, ele faz um comentário extraordinário. Ele diz assim, primeiramente, Adão foi a oferenda.
A primeira oferenda foi Adão, no sentido de que ele fez a si mesmo correspondendo ao seu eu ideal celeste. O Adão terreno, o que ele está dizendo aqui, ele fala isso antes, uma página antes. Cada ser humano tem a sua própria imagem acima o seu ideal espiritual, o seu self, o seu eu ideal espiritual, que representa o seu objetivo e o seu potencial. A alma humana é colocada num corpo terreno somente para que ele possa suplantar os desafios da vida material e elevar a si mesmo de acordo com esse seu eu celestial. Isso é um rabino que está dizendo isso.
Alguém já leu isso aqui em Kardec ou é impressão minha? É impressão minha? Bom. Então, ele vai dizer que a primeira oferenda foi Adão. Depois do seu erro, depois que Adão errou, animais tornaram-se agentes através dos quais era possível ao homem recuperar o seu estado espiritual que Adão tinha antes de perdê-lo. Meu Deus! Eu vou ler, olha o que que Nosson Sherman está dizendo. Ele não está dizendo isso aqui? Emmanuel, questão 311 do Consolador. Para Deus, o mundo não mais deveria persistir no velho costume de sacrificar nos altares materiais, em seu nome, razão porque enviou aos homens a palavra do Cristo, a fim de que a humanidade aprendesse a sacrificar no altar do coração.
Na ascensão divina dos sentimentos para o seu amor. Ascensão divina não é o que o Nosson Sherman está dizendo aqui? Que nós temos que corresponder ao nosso eu ideal celestial, que é o nosso propósito, que é a nossa meta, que é a missão pela qual nós estamos num corpo material? Então, o que que o Nosson Sherman está dizendo? Ele está usando o conceito da Kabbalah. O Adam material e o Adam Kadmor, que é o homem primordial, o homem espiritual, que é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu aos homens para lhe servir de guia e modelo.
Está ficando interessante, não é? Aí, só para a gente deixar o Nosson Sherman ir aqui, que tem muita coisa, nós vamos trabalhar aos pouquinhos, não é? Ao longo do nosso estudo, vamos estar sempre repousando as bases quando se tratar de primeira revelação nesse comentário extraordinário da Yeshiva de Nova York, ao livro Levítico. Ele diz assim, cada era que se sucedeu de falência humana, porque o que aconteceu com Adão? Adão tinha, segundo a simbologia do texto bíblico, ele andava no paraíso e Deus circulava no paraíso como se fosse uma viragem, como se fosse uma brisa.
E aí, o que aconteceu? Nós tivemos eras, períodos de falência humana. Então, para cada era sucessiva de falência humana, essa era foi pontuada com uma oferenda, que significava o começo de uma renovação do desejo de redenção e elevação. Eu vou parar aqui, porque agora ficou profundo. Desejo de redenção. O que é redenção? Libertação. Porque quando Adão errou, ele se tornou escravo do erro. Então, ele precisava ser salvo, redimido, libertado. E de elevação, por quê? Ele perdeu o ideal superior e baixou. Então, agora ele tinha que se elevar.
Como é que se faz esse processo de elevação? Em fases sucessivas, que são degraus da evolução. Aqui, eu estou trazendo um pouquinho de espiritismo para colocar nesse tempero aqui. Vocês estão percebendo que é um mexidão mineiro, né? Com o arroz, o feijão, misturando tudo. Então, cada era era pontuada com uma oferenda que representava uma renovação de propósitos. Eu quero ser redimido, eu quero me elevar. Então, depois da queda, depois da queda, Adão trouxe uma oferenda. Onde que está isso no Velho Testamento? Não está.
Isso não está no texto do Velho Testamento. Por isso que Nosson Scherman cita um tratado do Talmud, Avodah Zarah, página 8, A. Os tratados são assim. Tem a página e o verso. A página é A, o verso é B. Então, essa aqui é a página 8, a frente. Se fosse 8B, seria o verso da página. Então, em Avodah, eu conferi, depois eu vou trazer, está em hebraico e em inglês. Eu vou traduzir, vou trazer esse texto aqui pra gente ter isso. O que que o tratado Avodah Zarah diz? Ele pega o Salmo 69, versículo 32, Salmo 69, versículo 32, que diz que Deus não aceitou a oferenda de um vitelo, de um loiterno, com chifres pequenos lá.
Então, o que que o tratado de Avodah Zarah vai dizer? Que esse vitelo foi a oferenda de Adão. Então, Adão teve que oferecer esse animal pra se purificar do seu erro. E qual foi o erro de Adão? Tem nada a ver com sexualidade. A gente tem uma mania de inserir sexualidade na história de Adão. O erro de Adão foi desobediência. Desobediência. Ele desobedeceu. Ou, se a gente quiser ser mais profundo, ele foi infiel. O erro de Adão foi de fidelidade a Deus, que Deus confiou nele, deu o Éden pra ele tomar conta, colocou ele pra governar sobre todos os animais, ele seria o senhor do Éden, um rei que ia reinar sobre o Éden e deixou uma recomendação pra ele.
Umazinha. Ele podia fazer tudo o que ele quisesse. Uma coisa que Deus pediu. Deus deu tudo pra ele. Misericórdia, ou como chama Aíla, a graça, o dom de Deus, as dádivas, porque Deus é caridoso. Aliás, Deus é a caridade. Ele não é caridoso. Ele é a personificação da caridade infinita. Por isso que Deus é a dádiva absoluta. Deus é dom, é graça, jorrando sobre nós. Não é? Alguém tem dificuldade com essa palavra aqui? A palavra graça, dom, dádiva? Quantos corpos Deus nos proporciona ao longo da evolução? Quantas coisas ele nos dá?
Quanto que ele nos cerca de amor? Quantas pessoas ele coloca no nosso caminho? Quantas coisas Deus faz por nós? Tudo por amor. Amor gratuito. Por isso que Jesus ensina dai de graça o que de graça recebestes. Você recebeu de graça, porque você vai cobrar? Então, Deus é o doador. É bonito que tem uma simbologia, eu esqueci agora o texto da tradição judaica, que compara Deus com uma cascata. Pensa lá em Foz do Iguaçu, né? Deus é uma cascata jorrando amor e dádiva sobre a criação. É esse o sentido. E Adão, então, não foi fiel.
Deus confiou nele, mas ele não confiou em Deus. Ele traiu a confiança divina e, por causa disso, passou-se a oferecer sacrifícios. Aí, o que ele diz? Então, esse foi Adão. Depois do dilúvio, que foi um clímax da falência de dez gerações depois de Adão até Noé, Noé trouxe uma oferta. Isso está escrito. Está lá em Gênesis, capítulo 8, versículo 20. E aqui começa um tema maravilhoso. Adão faliu, dez gerações de falência veio Noé pra redimir. Noé, com uma renovação do desejo de redenção e de elevação da humanidade. Aí vem o dilúvio e a arca de Noé.
E aí Noé traz uma oferenda. Depois, o que nós temos? Entre Noé e Abraão, mas dez gerações. E Abraão, então, foi escolhido e ele também trouxe uma oferenda. Um corban, está no capítulo 12 de Gênesis, versículo 7. Então, Adão, mais dez gerações Noé, mais dez gerações Abraão. Aí ele diz assim, esses três simbolizam os três aspectos. Adão, o mundo, o aspecto espacial, que ele é o homem primordial, é a terra, é o que cuida do Éden. Noé é o tempo, porque ele simboliza o quê? O dilúvio, os ciclos de construção e destruição da evolução.
E Abraão simboliza o quê? O elemento espiritual. Por quê? Porque ele é pai de todas as nações, ele é um pai espiritual do monoteísmo. Abraão é o patriarca do monoteísmo. Todos somos filhos de Abraão. Por quê? Porque todos estamos mergulhados na fé no Deus de Abraão. Agora, vamos ver Jesus? Genealogia de Jesus em Mateus, como é que é? 14 gerações, 14 gerações, 14 gerações. Vamos examinar isso? Está em Mateus, olha que interessante, Mateus 1, versículo 17. Portanto, o total de gerações é de Abraão até Davi, opa, pegou de Abraão, a partir da queda.
Então, eu tenho um período de queda, Adão, Noé, Abraão, e agora começa um período de soerguimento espiritual, porque Abraão é espiritual. Então, o total de gerações de Abraão até Davi, 14 gerações. De Davi até o exílio na Babilônia, 14 gerações. E do exílio na Babilônia até o Cristo, 14 gerações. O que é 14? 7 mais 7. Aqui eu tenho 7 mais 7, 7 mais 7, 7 mais 7. Eu tenho 6 vezes 7. O que é 6? É o homem. 6 é o símbolo do homem, porque o homem foi criado no sexto dia. Então, essa genealogia de Jesus é a genealogia do homem soerguido, do homem purificado, do homem que entrou em contato com o seu eu celeste, com o seu Adão, Cadmo, é o ser que segue o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido aos homens para lhes servir de guia e de modelo.
Esse Adão, Cadmo, para nós é o Cristo. Como diz Kardec, o modelo de perfeição a que a humanidade pode aspirar na Terra. Eu até cansei. Está todo mundo vivo, depois dessa, né? Está todo mundo respirando ainda? Podemos avançar? Ninguém quer falar nada. Eu perguntei. Então, Adão, de Adão a Noé, 10 gerações, de Noé a Abraão, 10 gerações. Agora, de Abraão até Davi, 14. Não, não, de Davi até o exílio na Babilônia, 14. Do exílio na Babilônia até o Cristo, falou Jesus, até o Cristo, 14. Até o Messias. Bonito, né? Porque é o que eu estou querendo dizer, que é Jesus, lógico, mas não é Jesus no seu aspecto do homem que nasceu em Belém, morou em Nazaré.
É o que ele representa para a humanidade. Ele representa o Cristo, o enviado, e Jesus é a presença de Deus na Terra. Ele é o porta-voz da presidência. Quando o presidente, não é assim? Chega lá a hora. Porta-voz da presidência. Ele vai falar em nome do presidente. Então, Jesus fala em nome de Deus. Quando ele fala, é Deus que está se manifestando, porque ele é o porta-voz da presidência, o porta-voz da divindade. Bonito isso, né? Ok. Só nós demos um giro aí, né? Pra falar desse percurso das oferendas, do santuário, e tal.
Agora, vocês lembram que nós comentamos que a primeira parte do Levítico, capítulo 1 a 17, representava o caminho para Deus, o caminho da purificação? Está fazendo mais sentido agora com o que eu li do rabino Nossern Scherman? Adão perdeu aquela dignidade espiritual quando ele errou. Perdeu aquele padrão de aproximação de Deus. Então, agora ele tinha que se aproximar de Deus. Como é que se aproxima? Através dos rituais de Colban. As oferendas, os sacrifícios. Por quê? Porque esses são elementos de purificação. Todo mundo lembra disso, né?
Nós falamos muito disso aqui. Todas as oferendas têm o sentido de purificar quem se aproxima de Deus, que não pode se aproximar de Deus se não estiver puro. Depois que se aproxima, eu tenho que permanecer puro e agora eu tenho que santificar. Santidade. Porque sem a santidade, eu não consigo me Permanecer junto de Deus. A segunda parte do Levítico está do capítulo 18 ao 27, que é o caminho com Deus, a caminhada com Deus. Bom, eu vou só ler uma coisinha aqui. O capítulo 19 de Êxodo diz assim, capítulo 19, versículo 16.
Ao amanhecer, desde cedo, houve trovões, relâmpagos e uma espessa nuvem sobre a montanha. Que nuvem é essa? É a nuvem da presença de Deus. Nós falamos isso aqui, que a nuvem simboliza a presença de Deus. Por quê? Olha como a nuvem, branquinha, não é isso? A pureza. Ela está no céu, ela está no alto, mas ela se aproxima da terra. Então, para um peregrino no deserto, o que simboliza essa natureza divina? A nuvem simboliza. Outra coisa, da nuvem vem a água. A água é um símbolo da providência divina, do amor de Deus, do cuidado de Deus, que rega a terra.
É o símbolo da vida, porque não tem vida sem água. E, de vez em quando, simbolicamente falando, essa nuvem se enche de trovão, de raio, de relâmpago e desce a tempestade. Para quê? Para purificar. Então, desceu a nuvem sobre a montanha. Que montanha é essa? Sinai. É o Sinai. É o Sinai. E um clamor muito forte de trombeta e o povo que estava no acampamento pôs-se a tremer. O povo ficou com medo. Moisés fez o povo sair do acampamento e ir ao encontro de Deus. Olha que bonito. A presença de Deus estava no monte, no alto.
O povo saiu do acampamento para ir ao encontro. Isso não está lembrando a primeira parte do Levítico? O caminho para Deus? O caminho em direção à presença divina? Sim, está lembrando. Vamos lá. E puseram-se ao pé da montanha. Só que eles ficaram no pé da montanha. Não subiram. Toda a montanha do Sinai fumegava, pegava fogo e soltava fumaça. Porque Adonai descera sobre ela no fogo. O fogo, no Velho Testamento, é um dos símbolos para Espírito, essência espiritual. Por isso que Deus vem no fogo, em Espírito, e não material.
É claro que isso aqui é uma manifestação não é o Deus absoluto e infinito. É uma manifestação divina, uma emanação divina, como gostam de chamar os cabalistas, uma emanação divina. Ok. A sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha. E toda a montanha tremia violentamente. O som da trombeta ia aumentando pouco a pouco. A trombeta aqui, eu falo trombeta porque parece uma trombeta instrumento musical, né? Aqui não, é o chifre do carneiro, o chofar. Trombeta, o chofar. Adonai desceu sobre a montanha do Sinai, no cimo da montanha, desceu, porque Deus desceu, mas no alto da montanha.
Adonai chamou a Moisés para o cimo da montanha e Moisés subiu. Deus desceu, Moisés subiu. Se não tivesse dois movimentos, a espiritualidade superior descendo e o homem subindo, não tem o encontro. Adonai disse a Moisés, desce e adverte o povo que não ultrapasse o limite para viver Adonai, para viver o Senhor. Para muitos, porque muitos deles vão perecer. Olha, ou seja, não estão preparados para estar diante da presença divina. É esse o sentido. Não estão purificados, não estão ainda com o grau de santidade que lhes permita.
Mesmo os sacerdotes que se aproximarem de Adonai devem se santificar para que o Senhor não os fira. Olha só! Moisés disse a Adonai ao Senhor, porque aqui está o nome dele, o tetragrama, as quatro letras que não têm pronúncia. Alguns chamam de Jeová, Iavé, mas isso é a pronúncia mesmo, está guardada pelos seus sacerdotes e era transferido só de pai para filho e era o segredo porque ele só falava esse nome quando ele entrava no Santos dos Santos. Se tiver algum filho de seu sacerdote aqui para nos contar o segredo, Moisés disse a Adonai, o povo não poderá subir a montanha do Sinai.
O povo não pode subir porque tu nos advertisse dizendo, delimita a montanha e declara-a sagrada. Adonai respondeu, vai, desce, depois subirás tu e Arão, que é o sumo sacerdote, o sumo sacerdote, subirá contigo. Os sacerdotes, porém, e o povo não ultrapassem e não subem. Só o sumo sacerdote que sobe. Bom, aí eu vou deixar isso para a maninha, para a Ayla, que lá no Curso aos Hebreus ela está explicando o papel do sumo sacerdote e a Carta aos Hebreus vai dizer que Jesus é o sumo sacerdote, o verdadeiro, e, por isso, ele sobe no tabor no tabor e lá ele encontra Moisés e Elias que conversam com ele e aí não é a montanha que pega fogo, é ele que pega fogo.
Ele transfigura. Ele vira você pode chamar de, eu não sei, o que vocês vão chamar de fogo? De uma lua? Ele, ele agora é a presença divina. Deus agora se manifesta nele, por isso que ele incendeia. E vem Moisés, o profeta, e Elias. Elias, aquele que anuncia o Messias. Aí eu vou deixar para a Ayla também, que essa ligação de Melquisedeque, Elias, sumo sacerdote, é assunto para a Epístola aos Hebreus. Ela está acompanhando aí? Ela acabou de falar aqui, passou a bola para mim. Não, maninho, eu estou só… Só estou perguntando, quando é que ela vai dar esses esclarecimentos?
Quando é que ela vai dar esses esclarecimentos? Eu quero pedir autorização para ela deixar a gente colocar o áudio da Carta aos Hebreus junto com o nosso material. E eu ouvi, viu, maninho? Eu fiz o dever de casa, ouvi os dois áudios, maravilhoso, e aí ela dando sequência no curso a Carta, ela vai pontuando essas coisas, porque senão a gente foge muito da nossa sequência de estudo e entra muito lá, é por isso que tem que ter essa complementação. E foi uma coisa providencial a Ayla ter criado esse curso da Carta aos Hebreus, porque aí conjuga, aí forma uma conjugação.
Então, Tiago, hoje, nossa, você não… está muita conexão assim? Você fica um pouquinho preocupado. Está assim, Tiago? Está muito elemento assim, muita coisa? Está, né? Bom, vamos ficar com calma, porque é o seguinte, nós vamos voltar nisso tudo várias vezes, várias vezes, porque isso aqui é uma espiral. Então, a gente vai, volta, vai, volta, cada vez que a gente voltar, as coisas vão ficando mais claras, vão formando um todo. Eu queria, agora, tratar um material aqui, trabalhar um material muito importante, que é purificação.
Purificação. Porque nós já percebemos que é o seguinte, para estar na presença de Deus, tem que estar puro. E isso é capítulo 1 a 17 de Levítico. Então, antes da gente estudar os corbanes, as oferendas e o sacrifício, um por um, as festas, olha o tempo aí, a questão do tempo. Antes da gente detalhar isso, nós temos que entender o sentido geral de purificação e santificação. E hoje nós vamos purificação. Só que agora, eu queria pedir a ajuda de um grande professor. Ele vai, é um dos melhores comentários de Levítico que eu já encontrei, junto com esse do Nosson Scherman, que é muito bom, mas esse é muito bom também, é um comentário ao livro Levítico, que vai falar sobre purificação.
E ele dá uma aula. É Kardec. E o livro se chama O Céu e o Inferno. Vamos lá? Então, vamos. Kardec, a palavra é sua. No livro O Céu e o Inferno, capítulo 7, não tem artigo não, é Céu e Inferno, não é O Céu e o Inferno, é Céu e Inferno, capítulo 7, tem um item chamado O Código Penal da Vida Futura. Agora eu vou falar de Código Penal. Vamos lá? Artigo 32. Kardec é tão didático que ele colocou artigos. O Código Penal, ele pôs artigo primeiro, segundo, eu vou no 32. Deus disse não daria prova maior de amor às suas criaturas, criando-as infalíveis e por conseguinte isentas dos vícios inerentes à imperfeição?
É a pergunta. Será que Deus não daria uma prova maior de amor se Ele nos criasse perfeitos? Perfeitos! Ninguém precisa evoluir, ninguém precisa aprimorar, ninguém precisa purificar, nada, criou todo mundo perfeito. Ele fala assim, para tanto fora preciso que Ele criasse seres perfeitos, nada mais tendo a adquirir, quer em conhecimentos, quer em moralidade. Ou seja, para que as criaturas fossem infalíveis, elas teriam que ter todo conhecimento e toda moralidade. Certo, porém, Deus poderia fazer. Poderia? Poderia. O que Deus não pode fazer?
Ele poderia fazê-lo? Poderia. E se não o fez? É que em sua sabedoria quis, quis que o progresso constituísse lei geral. Poder, querer. Deus poderia? Poderia. Ele quis? Não. Deus não quis. O que que Ele quis? Que o progresso intelectual, moral, que o progresso espiritual fosse uma lei da criação. Bom, isso o Norson Sherman vai falar aqui. Ele vai falar do Adankadmor, do eu ideal, e que nós somos colocados num corpo material por quê? Porque nós temos que aprimorar a criação. Nós temos o dever de aprimorar a criação, a começar por nós mesmos.
Então, uma das missões que nós temos é aprimorar as coisas e a nós mesmos. A criação vai ser aprimorada com o concurso dos homens. Ainda que seja um concurso bem fajuto, bem de má vontade, porque a gente tem uma má vontade para cooperar com Deus, e às vezes a gente mais atrapalha do que ajuda e acaba sobrando a maior parte para Ele, mas é com o nosso concurso. É isso que o Kardec está dizendo. Portanto, os homens são imperfeitos e como tais sujeitos mais sujeitos a vicissitudes mais ou menos penosas. E, pois, que o fato existe, devemos aceitá-lo.
O Kardec está dizendo assim, é fato, não adianta você brigar. Esse é o fato. É o fato. Nós somos imperfeitos. Não há como você brigar com essa realidade. Inferir dele que Deus não é bom nem justo for a insensata revolta contra a lei. Olha aqui o que o Kardec está dizendo. Você está achando que porque o homem é imperfeito, Deus é injusto e Ele não é bom? Isso é rebeldia contra a lei dEle. Cuidado! Injustiça haveria, sim, na criação de seres privilegiados, mais ou menos favorecidos, fruindo gozos que outros, porventura, não atingem senão pelo trabalho ou que jamais pudessem atingir.
Ao contrário, a justiça divina patenteia-se na igualdade absoluta que preside a criação dos Espíritos. Todos têm o mesmo ponto de partida e nenhum se distingue em sua formação por melhor aquinhoado. Nenhum cuja marcha progressiva se facilite por exceção. Os que chegam ao fim têm passado, como quaisquer outros, pelas fases de inferioridade e respectivas provas.” Provas. Não falou expiação. Expiação é escolha individual. Provas. Isto posto, nada mais justo que a liberdade de ação a cada um, a qual concedida, livre, abítrico.
O caminho da felicidade a todos se abre amplo, como a todos as mesmas condições para atingi-la. A lei gravada em todas as consciências, a todos é ensinada. Deus fez da felicidade o prêmio do trabalho e não do favoritismo. O único lugar em que o sucesso vem depois de trabalho é no dicionário. Para que cada qual tivesse seu mérito. Todos somos livres no trabalho do próprio progresso e o que muito e depressa trabalha, mais cedo recebe a recompensa. O Romeiro que se desgarra, agora a Hila vai gostar, né? Tema da peregrinação na Carta aos Hebreus, né?
O Romeiro, o peregrino que se desgarra ou Que no caminho perde tempo, retarda a marcha e não pode queixar senão de si mesmo. O bem como o mal são voluntários e facultativos. Livre o homem não é fatalmente impedido nem pra um nem pro outro. Então, eu peguei o artigo 32 pra que a gente tenha uma ideia. Tenha uma ideia. Geral do progresso. Agora, vamos falar de pureza? O que nós estamos falando aqui? Ah, a primeira parte do Levítico espiritualmente significa pureza. Jesus veio trazer o modelo da pureza, o modelo do homem puro, do homem integrado a Deus através dele, porque é através do Cristo que nós nos integramos a Deus.
Não é? É isso. Ele é o nosso tipo, o nosso modelo. Ele nos atrai. Ele é o padrão. Através do Cristo, Deus molda a cada um de nós. Nós somos uma argila mole. Então, Deus nos aproxima do Cristo e nós vamos tomando a forma do Cristo. Me veio isso agora na cabeça. Ele é a forma perfeita que Deus fez pra nós da terra. A argila que se adaptar a ele. Agora, se a argila for dura, teimosa, resistente, aí é fogo pra amolecê-la. Aí vem provação, expiação, até a argila ficar molinha, molinha pra moldar. É isso. Aí, ele explica isso quando ela fala dos primeiros versículos da Epístola aos Hebreus sobre o caráter.
A Epístola aos Hebreus diz que Jesus é o caráter de Deus. O que que era o caráter? Aí, ele explica isso muito bem. Era aquela forma, aquele anel que o rei tinha no dedo e que ele colocava na cera, quando ele tirava, ficava lá a marca de que aquele selo é dele, de que aquele documento é dele. Ou seja, o modelo estava aqui, ele colocava no material mole, o material moldava. Então, Jesus é o caráter de Deus. Ele é esse molde. Quando ele aproxima da gente e a gente é uma argila maleável, a gente toma a forma do Cristo.
Aí, nós vamos ser, nós vamos aprender a ser misericordiosos como o Cristo, bondosos como o Cristo. Vamos aprender a perdoar como o Cristo. Vamos aprender a ser humildes como o Cristo. Nós vamos aprender tudo com Ele, lembrando que basta o discípulo ser como o mestre. Basta o discípulo ser igual ao mestre. Não queira o discípulo ser superior ao mestre, que aí já é pretensão. Aí, você está querendo tirar Jesus do trono dele e você ser o caráter de Deus. Você está querendo agora ser o molde de Deus. O molde é o Cristo.
Não é nenhum de nós. Basta que a gente se deixe moldar. Vamos lá. Artigo 1º do Código Penal da Vida Futura. Agora, se eu fosse traduzir Vida Futura para o hebraico, você sabe como é que ficava? Vida Futura em hebraico? Olam Rabah. Olam Rabah no judaísmo significa o mundo vindouro ou a vida futura. O reino messiânico ou a vida depois dessa. É duplo. Então, eu poderia chamar esse código de Kardec aqui de Código Penal do Olam Rabah. Olha o que ele vai dizer. Artigo 1º A alma ou o espírito sofre na vida espiritual as consequências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal.
Então, Deus castiga alguém? Não. Você simplesmente sofre as consequências das imperfeições que você não corrigiu na vida corporal. O seu estado feliz ou desgraçado é inerente ao seu grau de pureza ou impureza. Kardec usa pela primeira vez a palavra pureza e impureza. Impureza, sinônimo de imperfeições. Todo mundo acompanhando? Porque essas coisas jurídicas assim são chatas, não é? Artigo 2º A completa felicidade prende-se à perfeição. Isto é, a purificação completa do espírito. Então, vou repetir o artigo. Qual é a definição de perfeição?
É a purificação completa do espírito. Espera aí, como é que é aquela questão lá do livro dos espíritos mesmo? Que se torna o espírito na sua última encarnação? Espírito puro, sinônimo bem-aventurado, puro. Toda imperfeição é, por sua vez, a causa de sofrimento e de privação de gozo. Vamos com calma. Toda imperfeição gera duas consequências. A primeira, sofrimento. A segunda, te priva de gozar, de fruir a felicidade. Então, ela não só te afasta da felicidade, como te faz sofrer. Vamos lá? Vamos! Do mesmo modo que toda perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimento.
É bonito, não é? Artigo terceiro. Não há uma única imperfeição da alma que não importe funestas e inevitáveis consequências. Nossa, quando eu li isso aqui, me deu uns ânimos. Como não há uma só qualidade boa que não seja fonte de um gozo. Aí, quando eu li isso aqui, me deu esperança. Qualquer qualidade que você desenvolver te traz felicidade. Qualquer imperfeição te traz sofrimento e consequências desastrosas. A soma das penas é assim, aí já vem juiz, né? Uma existência não terá necessidade de pagar outra vez. É claro que essa…
Kardec está usando aqui uma metáfora. Pagar, dívida, como Jesus usa a metáfora. A pessoa que chega com a dívida, aí o Senhor perdoa a dívida e aí vem o devedor dele com a dívida pequenininha e ele não perdoa, não é? Não tem essa parábola no Evangelho? Mas, até agora, eu acho que seria vivenciar, não pagar. Porque pagar, eu acho que a gente vivencia aquilo que a gente cria pra nós mesmos. Seja de bom ou seja de ruim. Mas, aí nós, calma, porque tem uns artigos anteriores aqui. Tem uns detalhes que tem que pagar mesmo.
É. Nós vamos daqui a pouquinho. Calma, nós vamos chegar nesse artigo. Vamos chegar lá. Vamos chegar lá. Vamos lá. É no 16. Só mais um pouquinho. Mais um artigo, depois num segundo já vai responder isso. Artigo 11º. A expiação varia segundo a natureza e gravidade da falta, podendo, portanto, a mesma falta determinar expiações diversas conforme as circunstâncias atenuantes ou agravantes em que for cometida. Circunstâncias atenuantes e agravantes começou a entrar misericórdia? Começou. No artigo 9º, no artigo 3º, ele falou de pena.
Pena. Nós sabemos que quando alguém recebe uma condenação e ele vai preso, ele não cumpre a pena integral só se ele quiser. Se ele tiver bom comportamento, se ele preencher certos requisitos, ele cumpre apenas uma fração da pena. Se ele tiver direito a certos benefícios, ele tem suspensão da pena. Suci! O juiz suspende a pena dele. Aí, se ele cumpriu a outra coisa que o juiz der lá, some a pena. E existem circunstâncias agravantes e atenuantes. Existem atenuantes que diminuem a pena. Ora, será que o homem é mais justo do que Deus?
Será que eu, juiz em contagem, sou mais justo do que o Todo-Poderoso? Isso seria uma blasfêmia. Seria uma estupidez acreditar que um juiz humano é mais sábio, mais justo do que o Todo-Poderoso. Se a lei humana possui atenuantes, surci, suspensão condicional do processo, transação penal, o sujeito chega lá, faz um acordo, está livre do processo. Se a lei humana tem isso, será que a lei divina é mais miserável do que a lei humana? Então, dois Espíritos cometeram o mesmo erro. A expiação pode ser diferente. Pode ser completamente diferente.
Por quê? Porque aí entram os aspectos do amor. Porque a lei de justiça, a lei de amor é a mesma lei, é a mesma lei, só que lá tem artigos. Para quem erra, por teimosia, por rebeldia, são poucos artigos. É o Código Penal. É o Código Penal. É o Código Penal. Agora, eu vou fazer uma pergunta aqui. Ricardo, você teve algum problema com o Código Penal até agora? Graças a Deus, né? O Código Penal te afetou até agora? Ele existe. Quando você nasceu, ele já existia. Você precisou fazer uso dele? Graças a Deus, não, né? E ele está aí, não está?
Por que ele não te afetou? Sabe por quê? Porque você não cometeu as infrações da negligência, imprudência ou imperícia. Então, por desatenção, por falta de habilidade técnica ou de preparo, e por imprudência, você se excedeu. Aí é o crime culposo. Ele é bem menor. No Levítico, nós temos o sacrifício pelo crime. Puxa! Pisei na bola! Acho que não foi por maldade. Pisei na bola. É o crime culposo. Bonito! Artigo 16º O arrependimento com quanto seja o primeiro passo para a regeneração, regeneração não basta por si só. Por que regeneração?
Porque toda vez que eu me torno um infrator, infrator é uma palavra grave, um criminoso, eu degenero. Eu não correspondo ao que Deus espera de mim, ao padrão que Deus aspira e espera de mim. Então, eu deformo, eu degenero. Quando eu degenero, é preciso regenerar. Regeneração. Qual é o primeiro passo da regeneração? O arrependimento. Mas, isso aí parece meio óbvio, né? Porque se eu não arrependi, eu vou continuar degenerando. Então, eu já tive criaturas que sentaram na minha frente, o sujeito tem 15 homicídios. Eu falo, meu filho, pelo amor de Deus.
Não, eu não vou parar. Se me deixar, eu vou matar mais. Eu não vou parar de matar. Então, o que a gente faz? A justiça humana trata esse irmão como um doente infeccioso. Sabe o médico quando recebe alguém e fala, nossa, se essa infecção desse doente espalhar para o hospital, vai morrer todo mundo, inclusive os médicos. Não é? Se a gente solta ele, morre todo mundo, até o juiz. Então, você tem que isolá-lo para que essa infecção… Porque o mal é uma doença. O mal é uma infecção. Precisa ser tratada. Mas, você não pode tratar sem aparelho, com ingenuidade.
Se não, você sofre as consequências. Então, a gente é obrigado a isolar esse irmão até que ele se arrependa. Porque, quando ele se arrepender, é o início. Ele fala, não quero mais matar. Eu não quero mais matar. Graças a Deus! Primeiro passo. E, agora? Agora, começa o processo da regeneração. E, o que é preciso? Aí, Kardec vai dizer, não basta o arrependimento, são precisas a expiação e a reparação. Muita calma nessa hora. Vamos devagar, com santo, porque o andor é de barro. Ao contrário, devagar com andor, porque o santo é de barro.
Já estou trocando aqui tudo. Devagar com andor, porque o santo é de barro. Vamos lá! Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. Isso é Kardec? Muita pergunta. Eu nunca li isso. Isso é Kardec mesmo? É Kardec. Artigo 16º, Código Penal da Vida Futura, Capítulo 7, item Código Penal da Vida Futura, Livro, Céu e Inferno. Quando você comete uma falta, para você apagar os traços da falta, porque a falta deixa traços em você, em você e no mundo.
E, além dos traços, da mancha, ela deixa consequências. Para apagar os traços em mim, no mundo da falta, e as consequências, são necessárias três coisas. Três de novo? Três? Três de novo? Três? Arrependimento, expiação, reparação. Por que arrependimento? Porque é o seguinte, se eu não estiver disposto a não cometer o erro de novo, não adianta nada, não vai regenerar, vai ficar num ciclo vicioso de criminalidade, de falta, de degeneração. Então, vamos lá. O amor, eu posso dizer que a expiação é o escuro da falta. Ah, ele vai falar aqui agora.
Ele vai falar, ele vai definir. Foi ótimo você ter tocado nisso, porque ele vai cuidadosamente, agora, o Kardec vai definir cada um. Paulo, quando ele fala arrependimento, talvez seja no sentido de conscientizar-se Ele vai falar também. Ele vai falar também. Olha que interessante. Aí ele começa assim O arrependimento suaviza os traços da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação. Que coisa maravilhosa! Olha, então, o arrependimento é filho da esperança da esperança de que eu vou ser reabilitado. Bom, para nutrir uma esperança de que eu vou ser reabilitado, eu já tenho que ter tomado consciência de que eu degenerei.
Ele vai falar sobre isso. Abrindo caminho para a esperança da reabilitação. Só a reparação, contudo, pode anular os efeitos, não os traços. Vocês lembram? Os traços e tem as consequências, os efeitos. Para eliminar os efeitos, só a reparação, destruindo ali a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação. Artigo 17. Ele deu a linha geral. Vamos lá. O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo. Se for tarde, porém, o culpado sofre por mais tempo. Até que os últimos vestígios da falta desapareçam, a expiação consiste nos sofrimentos físicos e morais que lhe são consequentes, seja na vida atual, seja na vida espiritual após a morte ou ainda em nova existência corporal.
Vou dar um exemplo singelo. Eu estou perfeito, meu organismo está perfeito, eu começo o excesso de bebida alcoólica, tu, tu, tu, tu, tu, tu, tu, tu, acabo com o meu fígado. Chego no mundo espiritual, meu fígado perespiritual está destroçado. Então, eu digo assim, meu Deus, estou arrependido. E, aí, o fígado recompõe. É assim? Não, não é assim. Não é assim. Aí, eu demoro vinte anos no mundo espiritual para me arrepender. E, durante vinte anos, eu fico acompanhando quem bebe aqui no mundo físico, bebo junto com eles, só vai piorando.
Então, se o arrependimento for tardio, o culpado sofre por mais tempo, porque enquanto ele não se arrepender, não se inicia o processo de regeneração. Quando ele se arrepende, se inicia o processo. Aí, o que ele tem? Ele vai ter que espiar as consequências da sua falta. Ou seja, até o fígado dele ficar perfeito, vai ser um mal-estar. No mundo espiritual ou na próxima encarnação em que ele vem com o órgão debilitado. Por quê? Porque os traços do alcoolismo estão no fígado dele e esses traços precisam ser apagados. É a expiação.
Ok. A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito mal. Opa! Se eu prejudiquei meu fígado, é um problema de mim para comigo mesmo. Em tese. Porque, em virtude do alcoolismo, eu posso ter prejudicado a programação espiritual do meu casamento, a programação espiritual da minha paternidade, portanto, eu causei um prejuízo à minha esposa e um prejuízo aos meus filhos. E aí, meu amigo, não basta eu sofrer com o figro na próxima reencarnação, tomar remédio para fígado, não basta eu me arrepender, eu vou ter que reparar o prejuízo que eu causei.
Quem foi prejudicado? Isso está no Levítico. O sujeito chegava no dia de Yom Kippur e ia fazer uma oferenda. Oh, Deus, eu pequei contra ti, eu errei, me perdoa. Está aqui a minha oferenda. Ai, Deus, está perdoado, meu filho. Ah, eu posso ir embora? Filho, você ofendeu alguém? É, papai, eu ofendi. Ofendi, ofendi sim. Então, se você for lá, pedir perdão e reparar mais um cesto, o Levítico fala, você tem que dar o que você tirou, mais um cesto. Tem juros. Depois nós vamos estudar isso. Ah, Haroldo, mas quer dizer que eu só reparo pagando?
Não, não, não, não, não. Existe a reparação pelo amor. Eu devolvo em amor o que eu tirei com a maldade. Agora, agora, se eu não quiser devolver o que eu tirei com a maldade com amor, eu vou devolver com a justiça. Seitiu por seitiu. Portanto, quando trouxeres a tua oferta ao altar e descobrires que teu irmão tem alguma ofensa contra ti, deixa a tua oferta no altar e vai e reconcilia-te com teu adversário, com teu irmão. Depois, volta e oferece a tua oferta no altar. Jesus, irmão do monte. O tempo acabou. É incrível esse tempo.
Tem alguma coisa aí, essa segunda dimensão aí que o nosso anjelha fala, que é o Xaná, o ano, é terrível porque ele vai, ele foi e tem mais uns quatro artigos para eu ler, mas aí na próxima reunião a gente vai, porque ele vai trabalhar esse ponto a ponto, ponto a ponto, mas agora nós já estamos começando a ter uma dimensão da palavra purificação. Todo espírito imperfeito precisa se purificar para experimentar a presença divina. E aqui estão os instrumentos de purificação, de purificação, das imperfeições. Imperfeição não significa transgressão da lei.
Cada imperfeição gera um sofrimento e uma privação de gozo, mas se você fere a lei, aí você cai no tríplice arrependimento, expiação e reparação. As três coisas. Então, isso aí. Paulo, quem vai fazer a prática? Ah, sim, queria avisar, semana que vem nós não vamos ter o estudo, porque a gente vai viajar para Mato Grosso do Sul, a cidade de Rondonópolis, vamos ter um encontro lá, um seminário com os amigos, vamos mandar um abraço para todo mundo de Rondonópolis e a gente vai ter só essa pautinha, a gente tinha esquecido disso, e na outra a gente já volta com o Levítico, a força total na continuidade dos nossos estudos.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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