PodSER #033 – “Pensamento e Vida” e “Morro Alto”

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Prepare-se para uma viagem profunda e inspiradora pelos ensinamentos de Allan Kardec e André Luiz! Neste episódio especial do PodSER, gravado ao vivo no 1º encontro ViraSER em 2015, grandes nomes do espiritismo brasileiro se reúnem para um bate-papo descontraído e enriquecedor.

Thiago Franklin, Dr. Roberto Lucio, Dr. Ricardo Wardil, Dr. Décio Iandoli e Haroldo Dutra Dias mergulham nas páginas do clássico “Pensamento e Vida”, de Emmanuel. Além disso, Aluizio Elias e Luis Barcelos nos presenteiam com a primeira apresentação do livro e das músicas que compõem a obra “Morro Alto”, revelando uma nova perspectiva sobre a arte espírita.

Neste episódio

  • A importância do livro “Pensamento e Vida” como guia para a encarnação.
  • A profundidade dos capítulos “Humildade” e “Culpa” e suas aplicações na vida cotidiana.
  • Apresentação inédita do projeto “Morro Alto”, uma obra literomusical inspirada em “Pensamento e Vida”.
  • A visão da arte espírita segundo Kardec e a busca por produções originais e inspiradoras.
  • Reflexões sobre a culpa, o perdão, a responsabilidade e a graça divina.
  • A importância de reconhecer a própria “lindura” e lidar com a competência de forma natural.

Participantes

  • Thiago Franklin
  • Dr. Roberto Lucio
  • Dr. Ricardo Wardil
  • Dr. Décio Iandoli
  • Haroldo Dutra Dias
  • Aluizio Elias
  • Luis Barcelos

Destaques

  • “Pensamento e Vida” como “cartilha de segurança para encarnar”: Os participantes ressaltam a relevância atemporal da obra de Emmanuel, comparando-a a um manual essencial para a jornada terrena.
  • A humildade como ferramenta contra a autoflagelação: Dr. Roberto Lucio explora como a compreensão da imperfeição humana e a aceitação dos erros são cruciais para o crescimento e a reparação, sem cair na culpa destrutiva.
  • “Morro Alto”: a arte que educa e inspira: Aluizio Elias e Luis Barcelos apresentam o projeto que une literatura e música, mostrando como a arte pode ser um veículo poderoso para transmitir os ensinamentos espíritas de forma original e envolvente.
  • A culpa e a graça divina: Haroldo Dutra Dias provoca uma reflexão sobre a culpa como um sinal de alerta para a regeneração, e a importância de se abrir à graça de Deus para uma reparação mais suave e eficaz.

Ler transcrição do episódio

A gente vem chamando, vim de todos a servir. Alimentados? Corpo e alma? Então tá bom. Então nós vamos para a nossa última fase do dia. E enquanto vai terminando aqui os ajustes finais, a gente vai trazendo alguns dados, tá? Então nós vamos gravar um podcast ao vivo sobre o livro Pensamento e Vida, com a presença daqueles que vocês passaram o dia, né? E também depois nós vamos trazer algumas coisas sobre o Morro Alto, que é o livro que vocês estão vendo as imagens, né? Que os quadros foram pintados. Nós vamos falar mais um pouquinho sobre ele depois, tá?

Dentro da proposta dos pintores, que também estão estudando, os pintores são pintores que a gente conhece e que hoje estão no mundo espiritual, em processo de trabalho, assim como nós. Então eles também estudaram a obra Pensamento e Vida e também estão estudando este trabalho, que chama-se Morro Alto, que vai virar um trabalho do seminário de Júlio, o Lítero Musical, e depois o Júlio vai explicar um pouquinho sobre eles. E os artistas, com esse propósito de vir a ser assim como nós, começaram a iniciar o processo da pintura.

Então a gente tem pinturas de Portinari, do Modigliani, do Picasso, vocês vão poder apreciar depois direitinho, tá bom? E nós temos dois projetos que foi muito interessante porque partiu deles. Um por causa da tragédia de Mariana, que o Aleijadim, que é o Lisboa, ficou muito comovido com a situação e a falta d’água e fez o projeto das Lágrimas de Maria. Então esse a gente vai disponibilizar para venda, porque a gente vai reverter esse dinheiro lá pra Mariana, pra água, principalmente que nós sabemos que os idosos não conseguem ir onde está o caminhão para carregar a água, para os vilarejos mais distantes, então a gente vai destinar, que foi um pedido deles, nada mais que justo, ainda mais vivenciando esse processo como eles vivenciaram, moraram lá.

E o outro projeto é da Tereza Dávila e depois vocês vão acompanhando pela internet, que tem outros personagens que eles gostariam de retratar e que seria para a sustentabilidade da própria tarefa, com a compra de tinta, pincéis, telas, tá bom? Algumas pessoas me procuraram com relação a aquário, gostaria que me procurasse no finalzinho, pra gente conversar, tá? E vou passar para o Júlio. Cadê o Júlio? Tá lá atrás? Vamos passar para o Júlio, não, gente? Já teve bullying demais. Eu queria só comentar uma coisa sobre esse projeto Morro Alto.

A gente sempre teve uma preocupação no SER de buscar fazer uma arte, uma arte dentro daquilo que o Kardec dizia do conceito de arte espírita. Esse conceito foi muito mal interpretado, porque as pessoas imaginavam que você estava segmentando a arte e a arte não comporta segmentação. A arte é a arte. Música é música. Pintura é pintura. Mas o que Kardec ponderava é que todo artista se inspira num conjunto de ideias. Todo artista se inspira numa estética. E o que Kardec dizia é que o espiritismo abre um mundo tão grande de possibilidades, de ideias, de reflexões, e que isso constituiria um material para a produção artística.

Então você imagina que alguém de posse da obra de André Luiz, um grande pintor, é capaz de fazer uma obra monumental retratando o mundo espiritual. Você imagina que um grande músico, se a gente tem aí Gilberto Gil com letras maravilhosas, de espiritualidade, ele poderia tomar esse conjunto de ideias, de princípios, esse mundo que o espiritismo abre como uma ponte para fazer a sua arte. E nós no SER sempre tivemos essa preocupação. E um medo que a gente tinha, sem qualquer crítica, era a questão de fazer paródia. Então você pega uma música do Roberto Carlos e põe uma letra espírita.

E a ideia era produzir algo que fosse original, fosse feito a partir de uma fonte. E surgiu então a ideia de fazermos o livro musical Pensamento e Vida. E pela primeira vez a gente teve a ideia de fazer um encontro, trazer amigos, para que quando chegasse no litro musical nós já tivéssemos um conjunto de corações sintonizados com a obra, sintonizados com a proposta, para que a gente saísse daquele modelo de evento espírita e que as pessoas vão só passivamente para bater palma, para expositor. A gente queria fugir disso.

Queria que o próximo litro musical fosse um litro musical em que os corações estivessem mergulhados no conteúdo da obra. E aí o que aconteceu? Esses dois aqui… Eu não sei o que aconteceu. Um morando em Baraba e um gaúcho morando no Rio, sem se conhecerem. O Luiz Barcelos é um bandolinista que toca muito violão. Então vocês imaginam o tanto que ele toca de bandolim. Acompanha hoje os maiores artistas da música brasileira no Rio de Janeiro. É um músico de alto nível. Toca uma harmonia, um violão absurdo. E eu não sei onde ele foi.

Porque as harmonias que ele trouxe não ficam nada a dever aos grandes compositores da música popular brasileira. Não fica. E o Aloysio, eu não sei onde ele pôs a tomada dele também. Porque a ideia era escrever algo, uma história mineira, bem inspirada mesmo nas vertentes de Guimarães Rosa, com aquela coisa da linguagem mineira. Pensa que o Onze é Dez. Essas coisas assim. Mas com uma carga literária muito grande. Então surgiu a história dessa fazenda, Morro Alto, que tem um menino. E esse menino vai vivendo experiências na fazenda.

E as experiências que ele vai vivendo na fazenda estão ligadas aos capítulos do Pensamento e Vida. Cada capítulo tem um título e cada capítulo recebeu uma música. Então tem o tema lá, a letra, a música. E aí eles começaram a brincar. E aí fica só eu e o Júlio assim. O que está acontecendo? Então assim, para dar um tom, antes de começar, cortando todo o protocolo, quebrando todo o protocolo, até porque o Júlio estava lá dentro e a gente queria evitar bullying. A gente resolveu pegar o microfone. E eu vou pedir para os dois uma palhinha.

Uma primeira assim, mas para dar o tom. Vocês já têm um programado, não é? Faz uma… Fala o capítulo. A gente vai fazer a última que foi composta, mas é de uma passagem do livro que não vai ser trabalhada aqui hoje. Mas está representada aqui no quadro, que é um personagem, uma negra maravilhosa, com um coração maternal extraordinário, que é a mãe Figena. E a música e o capítulo falam exclusivamente sobre a maternidade. Porque o menino vivia com a avó, então ele não convivia com a mãe. Então o sentimento maternal que ele conheceu foi de uma vizinha da fazenda, uma senhora que era a mãe Figena.

Preta abarrando o terreiro A história é por mim Preta dobrando o coelho A história é por mim Mas se mãe preta cede ao filho Seu cobertor, história de amor Preta ao sol cercando a palha A história é por mim Preta arribando a cangalha A história é por mim Mas se mãe preta benze a testa Do sofredor, história de amor Beijão cascado sobre a eira A história é por mim Pé de sandália na soleira A história é por mim Mas se mãe preta for vereira De um viador, história de amor Preta arregrando a bandalha A história é por mim Preta tozendo a mortalha A história é por mim Mas se mãe preta reza a regra Do revendor, história de amor Preta tiçando o braseiro A história é por mim Preta arregrando o canteiro A história é por mim Mas se mãe preta risca o traço Do criador, história de amor Jaca de milho em palhoça A história é por mim Mata um goveio de carroça A história é por mim Mas se mãe preta leva a cruz De nosso senhor, história de amor Qualquer vida toda assina A história é por mim Qualquer feia de rotina A história é por mim Pana, moenta, bagaço A história é por mim Sendo caso de cansaço A história é por mim Mas se mãe preta acende o lume Do velador, história de amor Cansa de angola, de cabaça A história é por mim Árnica curtida em cachaça A história é por mim Mas se mãe preta entorna o riso Na minha dor, história de amor Mas se mãe preta cede ao filho Seu cobertor, história de amor Mas se mãe preta vende a testa Do sofredor, história de amor Mas se mãe preta for vereda De um viador, história de amor Mas se mãe preta reza a regra Do redentor, história de amor Mas se mãe preta risca o traço Do criador, história de amor Mas se mãe preta leva a cruz De nosso senhor, história de amor História de amor História de amor História de amor Eu avisei.

Eu avisei. Essa é a arte espírita que a gente acredita. Então… Olá, pessoal. Olá, pessoal. Aqui é Tiago Franklin. E… Recordemos-nos de que, no estágio evolutivo em que nos achamos, ninguém existe sem débitos a resgatar. Pensamento e vida chamamos no mundo espiritual. E, sob a mesma designação, oferecemos-a aos nossos irmãos de luta, temporariamente internados na esfera física, para informá-los, ainda uma vez mais, de que o nosso pensamento cria a vida que procuramos, através do reflexo de nós mesmos, até que nos identifiquemos, um dia, no curso dos milênios, com a sabedoria infinita e com o infinito amor que constituem o pensamento e a vida de nosso pai.

Eles estão em vantagem, porque eles leram, você viu, gente? Então eu vou falar uma conclusão que eu tirei ao ler o capítulo Amor. Nós viemos aqui para aprender a amar o que não é amável. O que eu tenho que fazer agora? Eu sempre achei que mineiros eram um pessoal hospitaleiro, né? Fizeram uma fria aqui agora. Ele me solta uma dessa, aí depois joga o microfone na minha mão. O meu nome é Ricardo Vardil. Bom, eu sou o Deste Andoli, em estado de alerta. Adrenalina a meu. E, olha, é bem oportuno, o que vem na minha cabeça, que é a frase da minha cabeceira, que é só sei que nada sei.

Meu nome é Roberto Lúcio. Cada espírito recebe, no plano em que se encontra, certa cota de recursos para honrar a obra divina e engrandecê-la. Sendo assim, estamos iniciando mais um episódio do Pode Ser. Com trilha sonora e tudo, né? Muito bem. Pois é, estamos aqui no primeiro encontro do Vira Ser, primeiro encontro do Ser, gravando um podcast ao vivo. É uma alegria receber todos vocês aqui em Belo Horizonte. E eu fiquei pensando como é que eu ia iniciar esse podcast sobre o livro Pensamento e Vida. E aí me veio à cabeça o seguinte, quando a gente entra no avião, a gente pega aquela cartilha de segurança, né?

Onde está a saída de emergência, qual é o avião e tudo. E eu fiquei pensando que o Pensamento e Vida é mais ou menos isso, né? É uma cartilha de segurança para você encarnar. E eu acho que é um livro que às vezes é esquecido no movimento espírita. E deveria ser a primeira coisa que o pessoal, adentrando na casa espírita, deveria receber, né? E eu queria saber de vocês qual é o capítulo que mais tocou o coração de vocês dentro do processo. Eu comentava hoje no seminário que o livro Pensamento e Vida, por orientação de uma amiga espiritual que se apresenta como irmã Bernadette, ele foi o primeiro livro estudado pelo Grupo de Estudos de Espiritismo e Psiquiatria que surgiu no Hospital Espírita André Luiz em 1979.

E esse livro foi estudado pelo grupo quase por três anos. E nós nos assustamos com a profundidade do livro, porque quando foi indicado e a gente pegou aquele livrinho pequenininho, a gente achava que era um livro e que iria ser muito simples o seu estudo. E quando a gente leu a introdução do livro, aí parecia muito mais simples, porque Emmanuel disse que ele estava oferecendo páginas com um linguajar simples para a gente aprender. E eu me lembrei… Você acreditou no Emmanuel. Eu me lembrei dos espíritas que ficam encrencados com a Joana de Ângele pela linguagem rica dela.

Eu falei assim, ele também é muito simples no falar, sabe? Mas, para mim, o capítulo que mais chama a atenção é o capítulo da humildade. Eu acho que ele tem um significado especial, porque eu sinto que talvez seja a coisa que eu preciso mais aprender nessa vida. E depois, porque eu entendo, como profissional da área de saúde mental, que nós somos, na realidade, humus. Nós somos esterco. Nós somos criaturas, frutos dos nossos dejetos, daquilo tudo de dificuldade que nós construímos. Mas nós precisamos entender que tudo isso alimenta a vida e pode produzir frutos.

Então, eu acho que é uma grande lição que a humanidade precisa aprender. Por isso, é o capítulo que mais me chama a atenção dentro do livro. Bom, você comparou com a cartilha do avião, eu acho que o pensamento de vida é leite condensado. Quando eu era pequeno, não tinha leite, minha mãe pegava uma lata de leite condensado e fazia uns 3 litros de leite. Então, esse livro, se você puser um pouquinho de água, ele vai crescendo, crescendo, crescendo, e tem tanta informação ali, está tudo concentrado. Então, você falou hoje que nem a ordem, você tem a sensação que a ordem das palavras é colocada exatamente às vírgulas, tudo.

Então, quando você dá uma passada de ódios, você lê rápido, você fala assim, ah, tá. Aí você fala, o que esse capítulo diz? É, fala sobre a humildade. Tá, mas o que diz? Aí você vai ler direito, cada parágrafo, você tem que parar umas cinco vezes em cada parágrafo. Então, é como se tivesse, eu sinto isso muito na obra do André Luiz, tem tanta informação entre uma linha e a outra que parece que é um negócio quântico, você fecha o livro, quando você abre, tem outra coisa escrita. Aí você fecha, abre e mudou de novo. Ainda bem que vocês estão batendo palmas, senão é que acontece com vocês também.

Eu acho que isso acontece naqueles livrinhos da coleção Fonte Viva. Eu acho que eles mudam de vez em quando, porque eu nunca li isso aqui. Eles devem morrer de rir do outro lado. Então, eu acho que é um livro importante mesmo. E depois que o Roberto me contou essa história, é o próximo livro que a gente vai estudar lá no Mato Grosso do Sul. Nós já vamos começar com Pensamento e Vida. E é um livro que eu acho que nós vamos perder mais tempo em cada capítulo do que nós fizemos com a Evolução em Dois Mundos. Porque na Evolução nós ficamos três anos estudando.

E aí, quando eu abri, já mudou tudo, nós temos que começar de novo. Então, vamos fazer primeiro o Pensamento e Vida. E o capítulo que me chamou a atenção é o mesmo do Roberto. Talvez porque está acontecendo nessa encarnação para nós. E eu, para mim, tenho uma visão mais poética, não é esterco. Para mim, o sinônimo de humildade é noção de realidade. Noção de realidade. Porque eu ficar me fazendo menor em coisas que sei que sei fazer bem não é humildade. É eu deixar de usar um bem que recebi. E isso está errado. Mas está mais errado do que você querer ser mais do que o que você é.

E o problema é esse. Porque a minha cabeça, a louca da minha cabeça, que, para mim, era um macaco bêbado, agitado. A minha mente é igual um macaco bêbado. Então, ele tenta pular de um galho para outro sem… E acaba caindo toda hora. Então, a minha cabeça funciona como um movimento pendular. Então, tem dia que eu acho que sou o máximo. E tem dia que eu acho que não presto para nada. E esses dias, eu sei que são dias ruins, que eu não vou conseguir produzir. Eu tenho que esperar passar no meio o pêndulo. Quando está passando no meio, eu falo, hoje é dia.

Aí eu sento para estudar, eu sento para escrever, porque é o dia em que estou em equilíbrio. Eu acho que a humildade é esse momento em que eu não me acho mais do que eu sou e não me acho menos do que eu sou. E esse capítulo do pensamento fala muito sobre isso e foi muito emocionante para mim fazer esse contato com o capítulo. Eu adorei a entrevista que a equipe fez com o Divaldo. Quando a Joana de Andes fala assim, Divaldo, você vai ter que ler o livro dos Espíritos próprios 100 anos. Foi isso? Porque cada vez que você lê, tem que ver algo diferente.

É isso que eu estava falando. Ou seja, quanto mais a gente ama, mais a gente entende e enxerga o que aquele autor quis dizer. E falar de qual capítulo? Eu vou falar do último capítulo, o medo do amor, que é isso que eu estou vivendo, que é um capítulo ousado. Ou seja, nós não viemos aqui para ser amados, não viemos aqui para ser respeitados, nem considerados. Nós viemos aqui para amar. E Deus é tão louco. Deus é palhaço, gente. Eu falei isso no grupo hoje. Por quê? Porque Ele transforma desgraça em graça. Essa é a essência do palhaço.

Aquilo que nós achamos que é desgraça, está nascendo uma graça do Espírito. Então esse capítulo do amor é uma loucura. Eu levei 30 anos… Eu vou falar aqui o que eu falei no grupo, para todo mundo saber, ainda mais porque a personagem está aqui agora. Eu levei 30 anos para entender que o grito da minha esposa não era de raiva. É porque ela é assim. É mistura de espanhol com italiano. Hoje eu entendo por que o tomate é vermelho. Não é de raiva. É assim. Aí eu falei com ela, querida, vai lá hoje de calça vermelha. Levanta aí para todo mundo ver.

A minha retenção. Então está a coisa mais gostosa do mundo. Ela grita, fala estranho, louvado seja Deus. Louvado seja Deus. Isso mesmo. Grita, minha santa. Grita. Porque enquanto ela grita, eu estou me tornando um cordeiro de Deus. Então é muito bom. É muito bom. O cara fala uma besteira para a gente, você não precisa acreditar não. Se ele te elogiou, não precisa acreditar também não. Para quê? Aí a gente vai gostando, aceitando, tudo como é. Tudo, atrevido, sem vergonha, intolerante, arrogante, louvado seja Deus. Oportunidade para eu te amar do jeito que você é.

É isso que o capítulo fala aqui. Deixar o outro viver na convicção dele. Em paz. Então vive em paz, meu amigo. Que eu te amo do jeito que você é. É bom demais. Eu acho que o doutor Ricardo falou tudo, não é? Eu também estou aprendendo essa lição também. Estou aprendendo essa lição do amor. O que eu… Somando a tudo isso que você falou, eu… acho que o meu grande desafio é unir esse capítulo do amor com os outros. Essa conexão. Do amor com a educação, com a instrução, com o da vontade, com o do dever, com o da culpa, com o da profissão.

E fazer essa grande conjugação. Mas… é bom o capítulo do amor porque… a gente vai tirando aquela pretensão de transformar coisas e pessoas. Não é uma lição fácil, não. Não é uma lição fácil. Mas quem falou que o amor é fácil? Se fosse assim, todo mundo amava. Então, nós vamos aproveitar nossos amigos aqui. Agora, pode que ache gostoso, não é? O negócio é mais informal e é diferente, não é? Agora, eu vou chamar nossos amigos para poderem apresentar esse livro para a gente. O nosso querido amigo Aluísio vai ler o primeiro capítulo e apresentar um pouquinho do Morro Alto para vocês.

No Julio Adriano, eu penso que escrevi o capítulo. Então, Arouca vai ler. Primeiro capítulo da parte do… Humildade, pensamento e vida. Isso. É porque cada capítulo do Morro Alto começa com um parágrafo. A epígrafe é um parágrafo do pensamento e vida. No caso, o capítulo Humildade, o parágrafo selecionado é… Comenta o bem feitor. Possuída pelo espírito da posse exclusivista, a alma acolhe facilmente o desespero e o ciúme, o despeito e a intemperança, que geram a tensão psíquica da qual se derivam perigosas síndromes na vida orgânica a se exprimirem na depressão nervosa e no desequilíbrio emotivo, na ulceração e na disfunção celular, para não nos referirmos aos deploráveis sucessos da experiência cotidiana em que a ausência da humildade comanda o incentivo à loucura nos mais dolorosos conflitos passionais.

Era uma figueira brava do sertão, a gameleira de meu avô. Ergueu-se rente um mourão de angelins, praendo o corpo para o adiante ou acima, plantar currais debaixo de gameleiras era coisa comum nas fazendas do de lá pra cá. Eu passei minha infância assuntando sobre aquela árvore, empoleirado na forquilha de um galho largo, eu ficava espiando a cisma ruminante da vaquinha imperatriz. Ela só, lá embaixo, no pátio do curral. Picho pensativo, tal e qual o meu avô, o Antônio Nogueira. Ele e a vaquinha muito me ensinaram sobre o silêncio daquela árvore.

Empoleirado nela, eu aprendi a falar calado, só para o meu coração, sobre as descobertas que fazia. Ah, mas nesse vaguiar da alma perambulante, eu laço a lembrança e prossigo. Já era junho frio e eu partira para o festão de Santo Antônio, que acontecia todo ano na casa de parentes nossos, lá no arraial da Antinha, cabeceira do Tamanduá. Quando voltei para a fazenda nossa, subindo na gameleira para matar saudade, descobri no galho largo, o de minha predileção, um ninho exagerado. Desci da árvore em dois tempos, e só no chão é que me dei conta de que o ninho intruso era do pertencimento de uma galinhona preta, ave esquisita, com uma crista de penas rupiadas no cucuruto.

Ciscava entre as raízes da gameleira e parecia esbravejar contra a minha presença. Então busquei a firmeza de meu avô. Vovéi, vovéi, me acuda, eu vi o capiroto, é o temo de pico e pluma. Ele riu seu regalo, quando apontei para aquela feiura. Deu-me entendimento sobre a questão, dizendo se tratar de um mutum de penacho. A fêmea vigiava de perto a cria sua, que era dois garnizés mutunzenos. Mas além estava um macho graúdo, todos ali, na gameleira do curral. Alojados e ciscando, sob o galho largo onde eu tinha o meu quinhão de árvore.

Arre trem, agi em cólera. Peguei o bambu de futuca abacate e derrubei o ninho. Nem olhei para trás, não queria ver a bagunça do feito. Segui meu rumo, ocultando o resolvido da minha raiva. Mas o Antônio via meu desarranjo. Depois de ouvir meu queixume, receitou o chá de bolo amargo, dizendo a sério. É que essa brava ciumeira sua capi nessa roça, filho. Vai rezar que passa. Aquilo me deu um pavor. Rezar não queria, não podia. Era pensar nisso e vinha numa queimura, lá das tripas, um fugaréu que ardia desde a barriga em Teaguela.

E se eu rezasse, Deus vinha ter comigo? Podia, e era o certo. E ele reprovaria meu proceder. E assim foi, tolemas. Aquele pensamento meu já era, sem que eu soubesse, a oração desensaiada de um menino. A reza que eu não queria, fiz. E Deus escutara o que eu dissera no meu temor de dizer. E ele veio com autoridade. Veio de dentro de mim, queimando a alma, desde as tripas, da barriga em Teaguela. Pronunciando retidões sobre tudo que era torto. Depois, o peso daquela oração me prostrou. Adormeci. Quando acordei, já era dia novo.

Meu avô quentara leite e café. Deitei o olhar sobre a mistura e vi o todo. O leite de Imperatriz e o café de meu avô viviam em paz, dividindo o mesmo caneco. O leite e o café não disputavam espaço, coabitavam. E era bom o resultado daquele acordo. Se mesclados, viravam coisa melhor. Então constatei isso. Para cada árvore, há um passarinho certo. Para cada rio, um dado peixe. Para cada roça ou raial, uma gente sua. Tudo no lugar e no tempo concebido por Deus. No quando e no onde Ele calcula a exatidão de dever ser. Mas pode acontecer dEle achar a ocasião necessária em que se decida pela bagunçação do ordenamento.

E é aí que Ele vem com vontade sobre nós, desenredando a história, reinventando os gerais. A vida de uma criatura enxertada na freguesia de outra. E era a minha hora, o meu momento. Era o mutuno, o meu galho largo. Manobras altas da providência, o reinado do Criador. Pois primeiro Ele meramente quis. Depois, simplesmente foi. Trajetória nossa é pura governança dEle. Então, pensa o homem, pensa, pisando o momento. Pasto é livramento, posto sobre chão. Deu-lhe conta a boiada ao aboiar. Bom Jesus campeia, toca ao gado e ao boi.

Passa o pranto e a vássia, soma o rumo no curral. Segue confiando, pois vem vindo um temporal. Pensa e repensa, cabe em vida afora. Prova de outrora ser-lhe a ração. Mas também não pensa, pausa o teu lamento. Ousa o sentimento, muge em oração. Bom, agora a gente… Esse é o capítulo Humildade, então a gente tem que falar um pouquinho sobre ele. Dá vontade. O Berto já começou. Quer falar um pouco, Berto? Nossa, eu estou emocionado, cara. Que coisa linda isso. Muito obrigado. Sério mesmo. Olha, o que vem na minha cabeça nesse momento é assim.

A questão da humildade, eu acho que é a ferramenta mais importante para a gente evitar a autoflagelação. Porque a gente é tão arrogante que a gente acha que não vai errar. Porque, quando a gente erra, e a gente percebe que fez uma bobagem, a gente não se perdoa, porque acha que não podia ter feito aquilo. Bom, se você sabe que você é imperfeito, que, na verdade, você não é, se você sabe que você é incompleto e que tem muita coisa que te falta ainda, para você aprender, você tem que tentar. A gente aprende por tentativa e erro.

Então, eu vou para acertar, não vou para errar. Às vezes, eu acerto e, às vezes, eu erro. Agora, quando eu erro e percebo que errei, eu não posso me culpar. Porque a culpa é você admitir que você não deveria ter errado e que isso não faz parte de você. E faz. Então, o momento em que você percebe que você fez bobagem é o momento em que você toma consciência do erro. E esse é o momento pedagógico da sua vida. É o momento em que você percebe que aquela ação não é legal e que você precisa mudar a sua forma de agir em relação àquilo.

Esse é o momento pedagógico. E aí o que você tem que fazer é a reparação, assumindo a responsabilidade do seu erro. Então, a dor do menino quando ele percebe a bobagem que ele fez, que derrubou o ninho. No momento da raiva, no momento da ira, em que você perde o controle do seu julgamento, em que você faz a coisa sem pensar. E, depois, o que acontece? O que acontece é que você tem que admitir que errou e tentar consertar. Mas, se você se culpa, você entra na autoflagelação. E é uma herança da tradição judaico-cristã isso.

A gente acha bonito. Olha, está subindo 50 degraus de joelho. Para quê? A única pessoa que vai gostar disso é o ortopedista dele. Não é verdade? Qual é o objetivo? Deu-me autoflagelar? Não, é para pedir perdão a Deus. Ele não te condena. Como é que ele vai te perdoar? Para haver o perdão, é necessário haver a condenação. Ele não te condena. Então, quem tem que te perdoar é você. Você precisa do perdão. E, no momento em que você percebe isso, e isso é uma coisa da sua arrogância, no momento em que você percebe que você é incompleto e que tem coisas que você não consegue fazer, e tem muita coisa que você ainda vai ter que aprender, você troca a culpa pela responsabilidade.

E, em vez da autoflagelação, que é uma coisa que não te interessa, não interessa a Deus e não interessa a mais ninguém, você parte para a reparação, que te faz crescer, sedimenta o teu aprendizado e, de quebra, corrige o erro que você cometeu. Agora, para você fazer isso, você precisa admitir o teu lugar. Nem mais, nem menos. Que é a humildade. E essa é a parte difícil da coisa. Essa é a parte difícil. Se a gente baixa o nível, eu fico lá… Ah, eu sou uma droga, eu não sirvo para nada, a minha vida é uma porcaria, eu só faço coisas erradas.

Ou então… Não, não fui eu. Não tenho nada a ver com isso. Bateu um vento, derrubou lá o ninho, não tenho nada a ver com isso. Não. Fui eu mesmo, porque estava com raiva. Bobagem. Vou tentar consertar. E aí, sim, a gente concretiza a ação pedagógica, útil, que move, que põe para frente. Eu quero unir a última frase do texto. Leia aí, restituindo… O reinado criador, pois primeiro ele meramente quis, depois simplesmente foi. Trajetória nossa é pura governança dele. Pura governança nossa. Só quero unir isso com o que ele leu, que tem a palavra posse.

Tem a palavra posse, uma posse desmedida. Aí eu vou causar inveja a vocês. Eu passei a minha infância ouvindo a minha avó, que foi aluna de Ouriço e Passanufo, contar casos dele no colégio Allan Kardec. Outra inveja mais brava ainda, que ele é meu tiavô. Só que acontece que é o seguinte, quando a gente tem um estirpe desse na família, porque a gente é necessitado grave, gravíssimo, e Deus bravo, gente. Quando eu tinha cinco anos, eu estava tão mal, que minha mãe achou que eu ia dessa para outra. Foi no Chico. O Chico virou e falou assim, não, pode deixar que tem salvação, vai passar.

Isso é resto da Inquisição. Então você já viu, não é, Roberto? Tem que ter estirpe alta na família para dar conta, para salvar o garoto. E aí eu lembro que eu era menino, assim, já jovem, nós fomos visitar a tiavó Idalides, que é irmã de Ouriço e Passanufo, e, quando nós íamos embora, ela queria dar alguma coisa para a gente, de lembrança, e ela não tinha nada. Ela correu lá dentro e pegou um busto que foi dado a ela em comemoração ao aniversário de Eurípedes. Era muito valor para ela. Ela deu para a gente e falou assim, não, tia, mas isso é seu, de valor.

E a frase dela ficou para mim o resto da vida. Falei assim, filho, nada nos pertence, nem o próprio corpo. Nada. Aí quando eu me vejo apegado a alguma coisa, eu lembro disso. Quando eu saio de casa, que vem aqueles medos humanos, ah, se eu voltar aqui, a casa estiver incendiada, ah, ladrão. Aí eu viro e falo assim, Deus, essa casa te pertence, faz ela o que quiser. Eu nem peço a Deus para proteger mais a casa, porque eu me encoerei nessa casa, é dele que vai proteger a própria casa, não é minha. Não rezo também para proteger filho.

Deus, eles te pertence, só sabe de tudo que eles necessitam ser filho. Então, está com Deus. Então, e mais ainda, porque a gente é tão apegado, nossa, isso é horroroso. Aí quando eu vou detectando os meus apegos, eu vou entregando para Deus. Nada me pertence. Ultimamente eu estou entregando para Deus a minha razão, o meu saber, tudo. E me propus a levar uma vida desarrazoada, sem razão de nada, entrar em luto, luto da minha razão, luto do meu saber, para tentar amar a razão do outro, o saber do outro. Mas aí, como é que a gente consegue isso?

É a frasezinha final. Resgatando o pertencimento a Deus. Que se resume na primeira pergunta do livro dos Espíritos, que hoje, depois de tantos anos de Espiritismo, eu já estou entendendo. Deus causa a primária de tudo. É de tudo mesmo. Não é mais ou menos, não. É de tudo. E se Ele é justo e bom, nada me acontece que não esteja por detrás. A bondade é a justiça de Deus. É como um bordado, nós conversamos isso no grupo. A beleza do bordado, está no avesso do bordado. Encontrar Deus no avesso da trama. Ser capaz de ver beleza na feiura.

Encontrar Deus no absurdo. E ali, então, resgatar esse profundo pertencimento a Deus, em qualquer circunstância. Aí, sim, a gente dá conta. Suando, é trabalhoso entregar meu corpo e minha alma a Deus. E aí viver esse desapego da posse e a humildade. É exercício para os próximos séculos. Para a gente tentar. Mas é gostoso. Porque todo dia eu entrego todos os meus filhos, entrego tudo para Deus. Minha casa, tudo. Olha a minha casa. Se Deus quiser pegar fogo, pode. É Deus. Deus seja louvado. É isso o recadinho do link das duas coisas.

Resgatar a governança de Deus. Não existe nada que aconteça que não esteja com o olhar de Deus. Toda vez que eu penso em humildade, eu lembro de uma frase, de uma canção. Porque eu acho que, às vezes, os poetas conhecem mais a alma humana do que a gente que acha que trabalha e estuda sobre ela. Eu acho que os psicólogos, os psiquiatras, precisam entender. E quando se fala de humildade, eu lembro dessa frase que diz, o homem que diz é, não é. Porque quem é mesmo não diz. E Aquele que é humilde é a única coisa que ele não faz na vida é dizer que ele está nesse lugar.

Porque não compete ao lugar da humildade dizer-se humildade. Que é diferente desse lugar de buscar se entregar, se oferecer, de entender, de buscar amar e fazer esse processo que Ricardo está falando. E eu fico pensando que ao contrário do que o Décio vê, de que ele faz assim, o meu olhar é negativo, eu não vejo a negatividade quando eu falo dessa colocação que a palavra vem de húmus, que é esterco. Porque a negatividade ela não está no objeto, ela está no olhar. E Há uma passagem em um dos evangelhos apócrifos que falam disso, dessa mudança de olhar.

Que diz que Jesus estava andando com os discípulos e tinha um animal em decomposição, um cão, e que os discípulos tamparam o nariz e reclamaram do cheiro, e que Jesus olha e diz que belos olhos tinham, belos dentes tinha esse animal. Então, a humildade é uma visão, é uma mudança de olhar no homem. Então, quando hoje eu falava que o principal passo nesse processo de autorreconhecimento é a humildade, porque a humildade é se reconhecer com aquilo que você tem, é reconhecer que o outro é, que é isso que Ricardo reforçou muito.

Um aprendizado difícil, gostar das pessoas do jeito que elas são, o que a gente quer que elas sejam do jeito que a gente quer, e compreender que há algo superior a todos nós. Uma das coisas que eu acho que tem maior inspiração do alto, do mais alto na Terra, são os doze passos do ar. Para quem nunca parou e leu, eu falo que ele não foi feito para os alcoólicos anônimos, ele foi feito para a alma humana. São doze passos que, se a gente seguir, a gente vai crescer e modificar. E o primeiro passo, eu tenho que reconhecer que eu estou no fundo do poço.

Que eu, e mais do que isso, eu tenho que reconhecer que há algo superior, que eu chame de que quiser, e que só nele eu posso encontrar o caminho dessa solução. Isso é que eu entendo da humildade. É de entender que nós estamos em muitas dificuldades. Não porque a gente seja a pior coisa, mas é porque nós estamos longe daquilo que se espera que nós façamos. E a gente usa uma desculpa muito grande, porque o grande referencial que a gente tem é Jesus. E todas as vezes que a gente assume isso, a gente fala assim, mas Jesus é Jesus.

Como se Jesus tivesse feito alguma coisa de extraordinário, na realidade, que nós não possamos fazer. Ao contrário, ele quis mostrar isso. Que tudo aquilo que a gente interpreta de extraordinário, que aí a gente se desculpa de não fazer, é ordinário. Nós todos somos capazes de fazer tudo aquilo. E não sou eu que estou dizendo isso, foi ele que nos disse isso. Então eu vejo nesse sentido e acho que nós precisamos pensar profundamente e essa história é muito marcante, porque a humildade, ela também sai das tripas. Ela sobe queimando e ela desce para transformar.

Dr. Roberto, um dia que eu escrevi, eu estava com uma asia danada. Estava passando muita contrariedade com o condomínio. Aí eu percebi que o meu apartamento era o meu galho largo. E aí eu fui escrevendo e aquela asia incomodando, aí eu falei, vou colocar isso no livro, porque é a questão emocional do ventre que o Haroldo mencionou hoje. A emocional da gente vai a autoflagelação estomacal. E a gente sofre com isso. E o mais bonito que eu vejo nesse capítulo é a oportunidade de se permitir despertar. Na hora que ele desperta de manhã e ele vai observando a natureza, o leite, o café, e se permitir despertar e descobrir algo novo.

Porque muitas vezes a gente se prende naquele erro, naquela desculpa, para poder mudar, e fica naquilo. Então, isso que é bonito, é tentar a mudança. Eu tenho uma coisa que me chamou muita atenção nesse capítulo sobre a humildade, é Como que você lida com a competência. É isso que você falou. Humildade também não é você abdicar dos seus dons, daquilo que você faz bem. E É você entender que a excelência é o normal. Porque nós lidamos com a excelência como se fosse um milagre. Mas Deus é perfeição. Então, o modo excelente é o natural de Deus.

Então, se você vê uma pessoa tocando muito bem, isso é o natural. Tocar ruim é que não é natural. E se eu acreditar que eu toco bem e tocando mal, aí é que é o problema. Aí é psiquiátrico. Então, quando alguém vem aqui e fala, e se expressa bem, às vezes com excelência, isso é o normal do uso da fala. Então, eu acho importante isso. Porque a gente desenvolve uma prepotência, uma prepotência, que é um dos opostos aí da humildade, porque você acredita que aquilo que você é bom é tão milagroso que você deva se orgulhar disso.

Então, eu chegar para fazer uma consulta com Deus e falar assim, esse cara é bom para caramba, ele é muito bom. Não, isso é o normal do que se espera de um médico, que ele seja excepcionalmente bom. Não há motivo nenhum para você se orgulhar disso. Isso me chama atenção, porque você começa a lidar com naturalidade com as coisas. Com naturalidade. E a gente, porque isso é humildade também. Então, Jesus nunca ficou assim, não, não, eu não sou bom, não. O bom ele não aceitou, isso é fantástico. Ele falou assim, bom só o pai, mas aceitou o título de mestre.

E o de pastor da ovelha e de porta. Eu e o pai somos um. Porque imagina Jesus chegar aqui e ficar igual espírita. Não, não, eu não sou o Cristo, não, que isso. De jeito nenhum, né. Quer dizer, eu estou tentando, né. E, no entanto, ele vinha dizer, eu sou o Cristo de Deus com a maior naturalidade, eu sou o guia da humanidade. E falava isso, não tem nada de excepcional. Porque aos domingos ele sai para encontrar com Cristos de vários sistemas, de várias galáxias. Quantos milhões de Cristos ele conhece? Ser Cristo é uma coisa natural para ele.

E Quando você começa a colocar as coisas em perspectiva, quando você coloca tudo numa perspectiva cósmica, não há grandeza humana, não há. Você começa a estudar as dimensões da astronomia, você fala assim, meu Deus, isso é um negócio incompreensível. Entende? Quer dizer, o sistema solar mais próximo do nosso, você demora 42 anos para chegar lá, viajando na velocidade da luz. Esse é o mais próximo. Tem galáxias, se você viajar na velocidade da luz, você demora bilhões de anos. Tem outras que estão tão distantes que nós não conseguimos captar, por quê?

Porque a luz dela não dá tempo de chegar, porque o universo expande mais rápido do que a luz vem até a gente. Então, nós nunca vamos ver. Então, quando você começa a pensar nessas proporções do universo, a excelência é um dever. Ser bom em algo é mero dever. Não há que se gabar. Isso me chamou muita atenção no capítulo da humildade. Você reconhecer competência como algo natural, aquisições naturais e aquisições democráticas, porque todos os espíritos vão fazer essas aquisições. Então, hoje, alguém toca bem, mas amanhã todos tocarão bem.

Hoje, alguém fala bem, amanhã todos falarão bem. Todas as habilidades serão desenvolvidas, porque nós somos espíritos perfectíveis. Isso eu acho que é o que eu entendi que o Décio falou do choque de realidade. É o choque de realidade, o dimensionar. Você põe as coisas nos devidos lugares. Vamos para o segundo capítulo. Figueira Matapal. Capítulo Culpa. É por essa razão que Jesus, não apenas como mestre divino, mas também como sábio médico, nos aconselhou a reconciliação com os nossos adversários, enquanto nos achamos a caminho com eles, ensinando-nos a encontrar a verdadeira felicidade sobre o alicerce do amor puro e do perdão sem limites.

Do contente da manhã eu decidira compartilhar o meu galho largo. Viveria em trégua com os mutuns. Repartiria com eles o que o amor de Deus me entregara de bom grado. Alcancei a árvore, mas o que ali encontrei foi o duro da vida. Laje de rio raso, trincando o casco da canoa. A fome de um lobo cobrir o chão com penas de mutum. Um guará encaçada, calar o piado deles. Por um momento o mundo ficou mudo. Na fazenda toda só se ouvia o silêncio da minha tristeza. Ah, senhor sabe, remorso é farpa de tábua velha na estreiteza da unha.

Era assim que eu senti o arrependimento. Num sofrer demasiado por ter derrubado o ninho. Agira também como lobo, como fera, guará menino sem compaixão. Imperatriz, ouvindo a minha mágoa, veio esfregar-se no mourão de angelim. Mansa, deixava que eu acarinhasse seu couro. Sentia ela que o meu coração pedia algum conforto. Olhou-me como se ofertasse leite pelos olhos, numa ordenha generosa. Fartei-me com a nata de sua compaixão. Cada movimento amoroso da vaca era um afago de Deus. Imperatriz era mãe, destra nas artes do aconchego.

Foi então que um piozinho fino abafou minha sofreguidão. Vinha de uma covinha funda na base do tronco. Era um mutuzinho sobrevivente. Havia escapado do lobo, escondendo-se na trama da raiz. Ali, no oco do pau, arfava a minha alegria perdida. E eu renascia alentado. A gameleira salvara aquela criaturinha de Deus, entregando-a aos meus cuidados. Agora eu podia redimir o crime estendido no latejo da noite. Cuidaria do meu mutuzinho, como meu avô cuidava de mim. E vê-lo assim, tão necessitado, dava ao meu coração alguma temperatura.

A ele daria ternuras e carinhices. Esse mutum de penacho foi para mim o acalanto vivo do bem-querer de Jesus. Nosso Senhor nos dera a sabedoria da gameleira, e ela por sua vez nos entregara a fragilidade do mutunzinho. Sempre ela, a árvore santa da Morro Alto. Peço licença, aliás, para relatar ao Senhor o que melhor poderia explicar a mística daquela árvore. Os antigos chamavam-na de Figueira Matapau. Um nome catrumano, doidaria do povo daqui. Um dia, por meio coragem, perguntei ao vô Antônio que é isso de se dar a gameleira um nome de perversidade?

Meu avô foi ficando circunspectado, mas todo calma firmou o propósito de aguçar meu espírito com enigmas. Olhou-me com ares de mistério pra só então dizer Why? Tu tens sua história? A santidade da gameleira também tem a dela, e o que você procurar vai achar. Daí findou a conversa. O tempo passou, mas não descansei dos segredos que moravam na fala de meu avô. Precisava saber. Procurei então o nosso amigo, o Jô Camateiro, empregado antigo da Morro Alto. Sabia o antes do lugar. Contou-me que noutro tempo, longe recuado, quando tudo ali ainda era terra virgem, existia no capão bonito certa tinguassiba ouriçada, uma mamica de porca, uma árvore velha espinhenta, com um tronco cheio de namitoques.

Segundo o Jô Camateiro, a Tarzinha era um perigo para qualquer menino. Nela não se podia trepar para brincadeiras, porque cada espinho do tronco era de uma gudeza sem propósito. O próprio gado nela não encostava querendo sombras. Aquela espinharia encrustada na madeira era cruel com a carne de qualquer animal. E a arrematou. Pior que mamica de porca, só bicho cacheiro. Mas na massa do chão, no encoberto, Deus inventara a salvação. Do fundo da terra brotou como que um rebento benfazejo. Plantinha com ânsia de céu, que se ergueu desde o pé da mamica de porca, ajuntadas, reunidas e destinadas, uma a viver e a outra a morrer.

A arvorezinha beirou-se, encostou-se, entranhou-se e foi-se. Crescia uma raminha terra, planta outra, grutada no tronco grosso da velha árvore espinhenta. A mudinha crescia e espalhava-se por sobre os espinhos da mamica de porca, travando luta com ela. Via-se mesmo que a força novidadeira estrangulava a maldade da espinhenta. Enquanto a plantinha nova virava árvore, pouco a pouco ia engolindo a árvore antiga. Se bem que não matava a velha, mas aguardava dentro de si a adormecida. A árvore nova reinaria sobre a velha.

O mando, ao certo, haveria de ser da que crescera por último. Erra, boiarisco, pois não há de ver que essa tal plantinha nova era justamente a nossa gameleira? Figueira matapau, esgotando o ser de uma mamica de porca. A gameleira secara os espinhos da antiga árvore, engolindo-a com decisão e paciência. Era feito o sucuruju almoçando capivara gorda. Demorou um cadinho de tempo, mas eia que não se encontrava mais sinal da espinhenta malvada. O que se tinha na vase era já e só a gameleira de meu avô, toda grande, pronta para ser sombra de curral.

Quando o jucamateiro terminou o enredo, eu sentia que meu pensamento havia esbarrado em algo maior, pois não tinha sido eu, uma mamica de porca, tinguaciba malvada, no quando derrubei o ninho dos mutuns? Pois bem, Belelém, foi assim, seu moço. Deu semear o bomgrão em mim. No tempo oportuno, a mudinha crescera, sufocando as minhas más inclinações, meus espinhos. Por isso, hoje, me sinto mais menino e menos lobo. Nós vamos chamar a Joyce, uma amiga do ser lá de Diamantina, que é a próxima música sobre as árvores, as duas árvores briguintas.

É ela que vai cantar. A música se chama Arvorar. Arvorar Do brotejo agalhado Eis a flor Chabadão Entre terra e calhaus A raiz Avançar A semente acender Ele o fugor Coração Sobre a pele o pulsar Cicatriz Espinheira A maldade o pesar Desamor Mas virá Um renovo, um rebento Um botão Gamileira A vontade é maior Ao pendor Para o ser Para o sertão Vem Rompendo o cerrado Vem rendendo a inimiga Fã Querer consagrado Sem ceder, sem fadiga Firmação Da vontade A verdade a divertejar Força além Do mistério A redenção A vitória Da pensão Vem Propondo a esperança Vem tecendo A alegria Muda a terra A criança Conceição Da harmonia E a fluição Da verdade A vontade triunfará E a quem Vem os segredos Da conversão A vitória Da pensão Que maravilha, hein?

É ou não é Música de alto nível? Eu quero saber Quem é que vem no seminário ano que vem Com essas músicas, com o livro Levanta a mão aí Quem pretende vir ano que vem Ih, Júlio, vai precisar de quatro dias Porque não vai caber no teatro, não Eu estava brincando, Thiago Eu acho que esse projeto Morro Alto é o É o novo Sítio do Picafão Amarelo É uma coisa Que está Nesse patamar E é engraçado Que eu e Natália Lemos e mostramos a música Para alguns professores Da escola Comum mesmo E eles observaram Que isso vai ser um excelente Trabalho para se trabalhar dentro de sala de aula Porque é um texto Diferente, não tem um fundo Moralista, mas fala de moral E cala qualquer pessoa, qualquer religião E isso Que é a beleza da doutrina espírita Eu queria então abrir o comentário Porque o capítulo é culpa O Emmanuel deixa bem claro no capítulo Só precipita na culpa quem foge ao dever Que é a nossa região de serviço Concedida por Deus Eu achei muito bonito Que o Roberto Lúcio, hoje de manhã Me tocou profundamente Sobre a rebeldia Ele dizia assim A rebeldia É quando você Recusa a vida Que Deus te deu Porque ele não deu A vida que você quer Então Fugimos ao dever E precipitamos na culpa Agora A partir do momento Que a criatura ingressa na culpa Eu acho que isso é o bonito que o texto diz Ele precisa encontrar Elementos para não Ficar nesse lugar muito tempo Por que eu digo isso?

Porque uma criatura Que nunca sentisse culpa Ele seria um homem bomba Ele seria capaz De qualquer coisa Porque é uma consciência Congelada e adormecida Mas quando a gente Penetra na região da culpa Deve-se acender Um sinal vermelho De que? Eu preciso Sair daqui Eu preciso regenerar E eu não posso alimentar Esse sentimento Porque o sentimento de culpa Ele não resolve o que foi feito Só é capaz De reparar Quem se dispõe Primeiro se arrepende E quem se dispõe a reconciliar A reconstruir Mas sobretudo a aceitar Aceitar A vida que Deus Deu Aceitar As circunstâncias Configuradas por Deus E entender que Nós comentávamos isso ainda Hoje Ninguém Sozinho repara O mal que fez Porque só uma consciência Que já está acima Do mal praticado É capaz de auxiliar uma consciência Que praticou o mal Porque a fuga Ao dever e a maldade nos coloca Num novelo do qual Você não é capaz de sair com os próprios pés E é nesse sentido que nós Deveríamos incorporar Um conceito Da igreja católica E do protestantismo, que é o conceito de graça E que as vezes a gente ouvisse e falava Hum, graça O pessoal protestante falando de graça Não, o espiritismo é lei de causa e efeito Olha gente, eu vou dizer uma coisa Se o universo fosse só causa e efeito Não estava ninguém de pé Não E se nós sentimos Alegria E sentimos o direito De sair e distribuir Um pão debaixo de um viaduto Se nós nos sentimos bem Porque praticamos algo bom para alguém Por que que Deus não poderia ser caridoso conosco?

Por que que Deus seria um contador Que só te dá se você merece? Então quando a gente se abre Para a graça divina A reparação Fica mais suave Eu acredito Eu tenho refletido Profundamente nisso Por que que hoje nós vivemos uma sociedade Que estimula a fuga ao dever Porque você acha Que vai cumprir o dever sozinho Mas Deus está do seu lado Uma coisa que eu ouvi hoje Achei tão lindo Jesus fala assim Vinde a mim vós que estáis Aflitos e sobrecarregados E eu vos darei Um buquê de flores Não, vos darei um jugo e um fardo Poxa, mas eu estou sobrecarregado Eu já estou sobrecarregado Mas a questão é Desde quando o dever e o bem sobrecarregam alguém O que nos sobrecarrega É a rebeldia O que nos sobrecarrega É o afastamento de Deus O que nos sobrecarrega É a incapacidade de reconhecer Que Deus está comigo, Ele vai me ajudar a levar isso Para falar a verdade Talvez Ele carregue 90% O que me compete são 10% Então a gente vai aprendendo aqui Nesse capítulo da culpa Uma lição dupla O amor ao dever Mas ao mesmo tempo Um reconhecimento De que?

Eu faço Mas tem uma hora Que é Deus que faz Como diz Aprendi um ditado Let’s go and let God Uma hora que Tem uma parte que nos compete Mas tem uma parte que é de Deus Deixa Deus fazer É isso Uma coisa que é Importante a gente pensar No capítulo É que No processo Do encaminhamento Da criatura humana Nós temos criaturas Que não sentem Culpa porque não tem Conhecimento da lei E Essas criaturas Elas caminham na vida Sem sofrimento Porque Elas estão fazendo Aquilo que lhes compete No processo evolutivo Mas nós temos Um grupo de criaturas Que Não sentem a culpa porque Congelaram a culpa dentro dela Essas criaturas são as criaturas Que A psiquiatria Psicologia chama de psicopatas São as criaturas Que fazem o mal Que se comprazem No mal e que Negam toda a possibilidade De encontro Com essa culpa E a gente Aprendeu com os amigos espirituais Nesse grupo Eu não sei falar De outra forma Eu fui para esse grupo como estudante Então eu aprendi com esses espíritos Aquilo que eu faço hoje em psiquiatria Que quando O psicopata desperta Que vem a culpa Ele fica louco A loucura Essa doença Que a gente vê No pensamento em vida Emmanuel reflete assim A loucura Já é um caminho De cura Porque a criatura Ela foge Para um mundo que ela Construiu dentro dela Porque ela não dá conta Da maldade que ela fez E Numa das páginas De Emmanuel Num desses livros Que Arnaldo recolheu Da psicofonia dele Os espíritos Dizem que Os indivíduos Que são chamados loucos Eles são Espíritos Que abusaram Da inteligência e do poder E que foram Homicidas e suicidas Em reiteradas Reencarnações A loucura É o resultado Dessa maldade Que o indivíduo Um dia tem que despertar Então Nós não Temos que olhar Para a culpa Sentindo Que isso é ruim Porque se nós somos Espíritos hoje Que nós já Conseguimos lidar com a existência Dela Significa que a gente já saiu desse lugar Complicado que um dia A gente viveu O grande Problema Que eu vejo É que nós pegamos a culpa E utilizamos ela Como instrumento de fuga Porque A gente Fala que está culpado Para ninguém ter que te amolar Não, eu estou certo, Ricardo, eu estou errado Mas eu saio dali e continuo fazendo a mesma coisa Mas aí quando eu falei que estou errado Eu calo a boca do Ricardo Porque ele queria que eu tivesse Essa constatação Eu disse para ele Isso me permite fugir Ou então esse lugar ruim Que a gente se transforma Em vítima e fica falando Eu sou culpado, eu sou ruim Eu sou péssimo Esse lugar que É tão comum Nos meios religiosos e no espiritismo Não é diferente E que não adianta nada Porque Ficar repetindo que eu estou errado Se Eu não fizer um movimento de Crescimento Não adianta Então O arrependimento Tem esses dois caminhos Tem o caminho Da drenagem Que é a expiação E o caminho do crescimento Que é a reparação Então nós Precisamos ver Que existem Criaturas Que se sentem culpadas De maneiras bem Diferentes O chamado mal ladrão Ele sabia que ele era culpado Mas ele brigava Com Deus, porque ele Achava que Deus tinha que resolver O problema dele, não ele E o bom ladrão Ele Ele se coloca no lugar Real da vida dele Ele consegue Compreender que há uma grandeza Que ele não consegue Viver E ele Respeita Essa diferença Que muitas vezes a gente não Respeita, e aí Você vai ver que quando Jesus Diz para o bom ladrão Ainda Você estará comigo No reino de Deus Não é porque estava tudo resolvido É porque aquele que se Reconhece aonde Verdadeiramente ele está Ele está no reino de Deus Porque o reino De Deus é esse contexto E você falava aí Dessa Desse sentimento De Diante do criador Um amigo espiritual Me ensinou um dia Uma regrinha de matemática Porque eu sou péssimo em matemática Depois descobri que o meu cálculo Estava errado, que era matemática Complexa, né?

Eu vou entender isso Mas não é que o cálculo estava errado, era a minha Avaliação, porque os espíritos dizem o seguinte Que lei de causa e Efeito é Diretamente Proporcional a lei de justiça Porque é isso que diz, aquele Que com ferro Fere, com ferro Será ferido Mas ela é inversamente Proporcional a lei De amor Um gesto de amor Cobre uma multidão de pecados Então lei de causa e efeito É lei de justiça Dividido por lei de amor Então se eu fiz dez pecados Que a gente adora Essa palavrinha no sentido Pior da maldade Dez pecados Se eu fiz Dois atos de bondade, isso já virou cinco Mas ele virou E disse o seguinte Nós não dizemos Que a misericórdia é a tonalidade Que demarca a diferença Do amor do criador pela criatura Então É Lei de justiça dividido Pela lei do amor Menos a misericórdia E a misericórdia de Deus Tem de infinito Então aquilo que a gente acha que a gente está Pagando aqui, que está sofrendo É um tiquinho De tanta coisa que a gente já fez Na caminhada Nós achamos que O sofrimento é imenso Não é não O nosso sofrimento É infinitamente menor Do que Os nossos gestos Disrespeito a lei Porque o amor divino Ele não quer Que a gente sofra Ele quer que a gente apreta Nós espíritas Somos Obsediados pela Reforma íntima É um verdadeiro transtorno compulsivo A reforma íntima Numa espírita E cada vez mais eu percebo que a gente trilha Para um caminho Um caminho estranho Que é de autocondenação De querer acabar tudo que a gente tem de ruim Tudo que a gente tem de ruim Mas quando eu olho aquela Parábola do credor Incompassivo Que a dívida dele era tão grande Que tinha que dar a mulher Os filhos, tinha que dar tudo, tinha que dar a vida Qual que é a dívida que nós temos Para com Deus?

É dívida de existência É dívida De doação de talento De frutificação De trigo, de fluorescência De luz O evangelho é todo falando de talento Não é isso? Não é isso? Não é? É tudo isso Então, tem duas palavrinhas que eu acho Fantásticas, que é do Oiman No livro Pérola de Amor E lá Do André Luiz, muito maior E Kardec também no início lá Não lembro qual pergunta Nós podemos resumir Todos os fenômenos da vida em duas palavras Direção e medida Ou seja Quem eu sou Eu sou O que eu sou Em que direção que eu estou usando O que eu sou E com qual medida que eu estou usando o que eu sou O que eu sou é o que?

Está lá na carta de Pedro Fonte Viva, capítulo 130 Deus deu a cada um Um dom Cada um nasceu com um dom Um talento Para usar A serviço de Deus A bagunça começa E aí que vem a culpa Quando a gente usa esse dom Na direção equivocada E desmedidamente A direção se refere a que? O egoísmo Eu estou usando o meu dom, o meu talento Com interesse pessoal Ou interesse do bem geral Com qual medida que eu estou usando A medida se refere ao orgulho Como é que eu sei que estou sendo orgulhoso Toda vez que eu acho que eu tenho razão Porque aí como dizem Eu vou me arrogar no direito De impor a minha razão no outro Começou a bagunça E aí vem a culpa Da bagunça que eu fiz A bagunça que eu fiz A espada com que eu feri Serei ferido Ou seja O que eu fiz no outro Fica em mim sob forma de sentimento Doloroso E esse sentimento doloroso Vai se converter em virtude Em talento Olha que coisa linda Receberam?

Isso é fantástico Ou seja, se eu outrora abandonei Por interesse pessoal A sensação de abandono Fica em mim E para não sentir essa dor Eu vou cuidar Eu vou proteger Então a dívida Se transforma em dom Olha que dinâmica de Deus maravilhosa Dessa forma Tal reforma íntima A gente pode sintetizar Em reconhecer o que eu sou E ficar atento Estou agindo por interesse pessoal? Estou agindo Achando que eu tenho razão? Está certo? Então se resume nisso Aí a gente começa a ficar atento É nisso Aí é a briga que eu acho que ele comentou Da singularidade Cada um tem uma singularidade E está doando aquela singularidade Para o outro O problema é que a gente não reconhece isso E aí o que acontece A nossa singularidade Está desmedida e ninguém aguenta Aí eu viro Meu Deus me ajuda Senhor Eu preciso eliminar esse mal Aí tem o conceito de mal do André Luiz No livro Ação e Reação que é fantástico O mal nada mais é Do que a triste vocação do bem Voltada exclusivamente para si mesmo Então o problema é do bem Não temos que ficar olhando o mal não gente O mal só existe em função do bem O mal é o bem na direção equivocada E na medida injusta Então eu tenho que olhar para mim E para o outro Tentando enxergar A beleza do outro O belo do outro O dom do outro E perceber Quando eu falo do outro É que eu estou pensando como filho Pai e filho, olhando o filho O filho olhando a companheira Eu tenho que olhar para mim Para buscar a minha lindura Eu sou lindo em quê?

Eu tenho que Reconhecer a minha lindura Se eu não reconhecer não vai dar em nada Entendeu? E tem essa bobagem Eliminar o mal pela raiz, o pepino Torcer o pepino, não sei o quê Bobagem Eu tenho que reconhecer a lindura Se eu não sei, vou te dar uma dica Foi o assunto da nossa conversa hoje na sala Pergunte aos seus familiares Em que vocês são insuportáveis Ali está a sua lindura Que está desmedida É só diminuir o volume Entendeu, gente? É só diminuir o volume Pronto Isso é bom demais E Deus é tão danado O que ele faz para ajudar a gente A temperar, a ir para o meio O meio O meio é o reino dos céus Está no meio de vós O meio é a ausência de extremos O nosso problema é extremo O que Deus faz?

Coloca os opostos juntos Olha que Deus bandido Você imagina Se eu sou um doido Estrategista Organizado Gosta das coisas do certinho Maníaco Que apaga a luz de cores O negócio todo O que Deus faz? Para me ajudar a me desapegar Me libertar desse exagero Para ir para o meio Onde é a felicidade do espírito Deus coloca um porco do meu lado Um porquinho E aí Esse doido Que gosta de tudo limpinho Vai tentar tirar o porco do chiqueiro E não vai conseguir Porque porco gosta de viver no chiqueiro E deixa ele em paz Não é assim?

É assim que é a loucura da família É só observar o seu dia a dia Como é que é Meu filho, onde é que você pôs o tênis? Não sei o quê, não sei o quê E briga, e briga, e não muda Não muda O nosso filho, estava morando no Canadá Cinco anos Cientista Para ser um bom cientista tem que ser um quê? Avoado, aloprado Tem que ser, uai Não está no piso aqui, tem que ser Então a gente sempre Brigava com ele, meu filho, onde você pôs O tênis, olha a blusa Nunca deu nada, não dá certo Bobado, quebra a cabeça com isso, não Não resolve nada A gente não educa o comportamento, educa o sentimento Ele voltou para casa esses dias Que estava voltando para o Brasil Enquanto arrumava a casa para ele Quando eu olho assim, eu comento com a minha esposa Querida, olha aqui O tênis estava na sala De visita A roupa em cima da sala de jantar Tudo esparramado Não adianta Não é falar, não tem cura Ele que vai curar a vida Vai impor o que a vida fez, deu um filho para ele Claro Não é?

Filho é bom demais, que o aloprado Teve que descer a terra E ele cientista, virou, falou assim Pai, agora eu tenho um projeto científico Na minha mão, olha que beleza Agora eu tenho que aprender a trocar Fralda, não sei o que, acordar, não sei o que Está sendo ótimo, pai Então, olha só que coisa boa Fica mais leve Esse negócio de vitimê De culpa Eu achei bacana demais É um sinoplo, nós estamos progredindo Porque já existe conflito entre o que eu sei E o que eu fiz, então nós estamos progredindo Quem não tem culpa, como eu falei, é o ser primitivo E uma maneira gostosa de conduzir isso É esse Reconhecer o que eu sou Se não sabe, pede ajuda à família Quer que eu sou chato Insuportável Vai lá olhar, dosa Fica atento para o interesse pessoal Isso pega a gente Pega mesmo Tem gente que faz campanha do quilo Para o interesse pessoal Tem gente que Pega o vovô O papai que mora lá no sítio Na Rocinha, está sozinho lá Coitado, ele vai morrer, está sozinho Ele tem que ficar aqui comigo No meu apartamento Traz o velhinho para o apartamento, ele entra em depressão Isso é interesse pessoal Deixa ele lá em paz Ele está feliz no sítio Mas ele vai morrer, deixa ele morrer com as galinhas Feliz Cuidando das galinhas Deixa ele em paz Esse interesse pessoal Nenhum cuidado, nada não Então o interesse pessoal é sutil Às vezes a gente acha atua E aí que chega a culpa Porque o pai vem deprimido Meu Deus, olha o que eu fiz com meu pai E vem a culpa Deixa ele lá Então é uma maneira legal de lidar Essa visão sintética De ficar atento no interesse pessoal E no orgulho E como é que eu sei que eu estou no caminho?

Como é que eu sei que eu estou com Cristo? Quando eu estiver me sentindo desconfortável Porque como diz Emmanuel Nós temos que violentar o egoísmo E apodrecer a vaidade Isso gera um desconforto terrível Se eu estiver desconfortável É porque eu estou com Cristo E por falar em desconfortável Vou contar um caso Para ilustrar o que o Dr. Ricardo estava falando Ele colocou dois opostos Ele e o meu amigo Dentro de um navio, numa cabine Na viagem que nós fizemos Eu vou deixar ele contar, porque ele conta melhor que eu Em outra cabine, o Julio Adriano e o Haroldo Porque eram dois opostos Aí o Tiago teve uma ideia Vamos conversar Põe eu e o Julio junto Porque a gente é bagunceiro E eu e o Haroldo, que é extremamente organizado Juntos Aí o Haroldo, sabe?

Obviamente, falou Deus quis que os opostos estivessem juntos E vieram os testes Mas quantos testes? O Tiago tinha uma plantação de sapatos Brotava do chão Era incrível E aí teve uma tormenta No navio, e eu tive um certo enjoo Passando por mal Aí ele resgatou a disciplina dele Aonde? Onde o Paulo teve a tormenta também Mas ele resgatou a dívida dele Porque ele ficou com medo de eu vomitar Em cima do sapato dele Ele saiu organizando tudo E a gente tinha que ensinar o Julio a chave Julio, olha só Você coloca a chave, pega a chave Põe no bolso Repita comigo Coloca a chave, tira a chave, põe no bolso Coloca a chave Porque ele coloca a chave, tira Onde eu pus a chave?

Toda hora que voltava na cabine E o celular Perdi uma hora e meia com isso Porque cada dia Onde é o sapato? E voltando pro aeroporto Pra vir embora Cadê meu passaporte? Tava dentro da mala do violão Nossa, e agora? Ele só Alcalmou na hora que chegou no aeroporto Bom, mas O Décio vai falar? Bom, a única coisa que eu tenho A acrescentar É que, assim, a culpa É um passo, não terminou ainda Eu tenho que continuar Então, se eu não continuar Essa culpa vira doença Então Uma vez eu recebi uma paciente indignada No consultório, ela tinha uma doença Inflamatória intestinal grave E ela veio assim Ó, doutor, eu tô vindo aqui no senhor Porque eu fui num colega seu E é um absurdo o que ele fez Eu não sei o que aconteceu com o colega Mas, ela falou assim Olha a receita que ele me deu Tava escrito, para dona Marieta Silva Receita Perdão Me deu vontade de falar pra ela Funcionou?

Falei assim, não, né, doutor Então aumenta a dose Que é isso, gente É que você não pode pôr isso na receita Que você perde o CRM depois Mas que a verdade é Porque as doenças Auto-imunes São o exemplo mais claro, na minha opinião Da culpa Cristalizada no corpo E a gente percebe claramente Isso, então O paciente que se sente culpado É o paciente orgulhoso e rebelde E o que ele precisa? O único remédio que tem pra isso Chama perdão Então, se você não tiver Essa atitude, esse passo adiante Depois do reconhecimento da culpa É claro, o que nem percebeu o que errou Nem começou o processo Mas a culpa, se você não passar rapidamente Pra culpa, você adoece Né, e Uma coisa também que eu Tenho muito forte pra mim E que tanto o Ricardo quanto o Roberto falaram É que, assim A gente confunde lei de ação e reação Com lei de Italião Lei de Italião não ensina nada Pra ninguém Se você tomar um tapão na cara E você der um tapão na cara do outro O que acontece a seguir?

Os dois falam assim, puxa, é verdade Não devia ter te batido, é verdade, olha como doeu Ô, irmão, vem aqui, dá um abraço Isso não vai acontecer Vai sair rolando no chão Então, o olho por olho O dente por dente não ensina nada pra ninguém Agora, a ação e reação Não é Olho por olho, dente por dente Então, usa a matemática do Roberto Se ele é ruim, eu sou pior Mas você vai perceber ali Que a lei de amor está incluída E tem também a misericórdia divina Então, é aquela história Eu posso nascer com uma malformação Com um problema, ter uma doença Ou eu posso ganhar a oportunidade De resgatar aquele dano De restaurar o meu erro Com uma oportunidade de trabalho Que é como o Ricardo falou Então, esse é o lance Então, se eu Pus fogo no corpo e nasci Com pênfrego Uma doença grávida de pele É ação e reação Mas ainda assim não é talião, por quê?

Porque eu escolhi aquilo Não conscientemente Mas é que eu não tive Condições, nem conhecimento Nem consciência suficiente Para neutralizar aquilo Então, eu podia nascer Com todas as chances De ser um bom dermatologista E tratar a pele das pessoas Eu estaria resgatando do mesmo jeito Normalmente, o que eu tenho visto É que as pessoas acabam Por falta de perdão Elas acabam pedindo a prova Semelhante àquela que elas provocaram E que trouxe a culpa para elas Então, é um momento em que Elas resgataram a culpa delas Elas resgataram a dívida Que eu não gosto de chamar de dívida Não gosto Esse negócio de que eu estou resgatando Quem está te cobrando?

É sua consciência Não tem boleto Você paga Na verdade, é uma reconstituição De dano autogirado É isso que é Então, o que acontece E que a gente chama de castigo É a oportunidade Então, mesmo que eu Pare na culpa E essa culpa gere a doença A doença tem um efeito terapêutico Por quê? Porque ela está me mexendo Me fazendo mover, sair do lugar Para resgatar aquele problema que eu tive Eu posso ter a doença Desencarnar da doença E não acontecer nada Eu vou nascer de novo Do mesmo jeito Então, é por isso que eu fico muito Angustiado quando está acontecendo alguma coisa Ruim comigo, que eu fico pensando assim Qual é a mensagem?

Por quê? Porque eu quero aprender Logo, rápido Da melhor maneira possível Que é para não passar por aquilo de novo Então, essa Eu já paguei Os meninos falam assim na faculdade Essa matéria eu já paguei Então, eu passei, acabou Então, da próxima não tem mais aquilo para mim, não Então, essa questão É muito importante, porque Essa coisa da lei de Italião Olho por olho, dente por dente É também da nossa herança judaico-cristã E isso está relacionado àquilo que eu falei No outro capítulo Que é a coisa de orgulho De achar que você não vai fazer bobagem Porque vai E se você não consegue se perdoar Quando você percebeu o que fez a bobagem Então, seu caminho vai ser bem duro Bem difícil É aquela história Vai chegar 5 mil anos para o jantar Como você falou hoje Você se atrasa tanto no processo Por quê?

Porque você escolheu E não é castigo divino Não é dívida kármica Não é nada disso, é você mesmo Então Quando eu aprendi o espiritismo Quando eu comecei a estudar Eu tive uma ótima notícia E uma péssima notícia A ótima notícia A minha vida está nas minhas mãos E a minha felicidade só depende de mim A péssima notícia A vida está em minhas mãos e só depende de mim É isso Bom, agora nós vamos pedir Para as mulheres Se ajeitarem na cadeira Porque agora vem Um capítulo Especial O verme É amado pelo Senhor Que lhe concede Milhares e milhares de séculos Para levantar-se Da viscosidade do abismo Tanto quanto O anjo Que o representa junto do verme Eu já tinha acordado E preferi No entanto permanecer ali quietinho Gostava de ficar Escaldando as ideias E só despreguei do colchãozinho De sabugo ao ouvir A autoridade de meu avô Levanta, filho Vem despedir da gracinha Era aquela hora da manhã Em que tudo parece existir com pouco caso Orvalho fresco Contudo despertava o cheiro da roça Enquanto o alvoradão Abrasado acendia o horizonte Meu avô preparava um carro Toldado e as quatro juntas De bois que a ele serviam Para aquela viagem Os fueiros recebiam uma manta de couro Que deveria garantir as sacas de polvilho Era mantimento comprometido com os armazéns Da cidade Nosso sustento, carga valiosa Naquela manhã, no entanto Eu fechar os olhos da minha alegria Porque tudo compunha o cenário De uma despedida custosa Gracinha se ia Sem como voltar Avistei-a sentada Num toquinho de arueira Aguardando o embarque da carga Ela estava tremendo Não sei se por medo ou por frio Vestia um trapinho melhor Com fita no cabelo E sandálias novas Também segurava no colo Uma matula de pano Do qual se podia adivinhar Todo o seu tesouro O terço de estimação A bonequinha de palha Feita pela mãe E uma muda de roupas velhas Para a lida Além dessa tralha Só ela mesma Se despedindo de nós Gracinha era filha da Tiana Polvilheira Chegaram na fazenda menina de colo E hoje moça feita Gracinha ajudava a mãe Na feitura do polvilho Ofício com o qual estava casada Por precisão e mística Eu me afeiçoara a ela Porque não tinha mãe e irmãs Foi Gracinha quem me apresentou Aquela ternura amulherada Cheia de diminutivos Cafunés, cantorias e rezas Mas por provação Sempre chega a hora azeda De um dia infeliz Coronel emericiano Montado em poderes Sempre visitava a fazenda Botando banco e ditando ordens Esparramava-se assim Sem pedir permissão Porque compraram Uma milícia odiosa Acostumada com feitos de violência O comando dessa jagunçada Figurava por conta de um mulato Dos olhos verdes Chamado Zeferino Caninana O povo dizia dele Que tinha a alma enlutada Pelas ruindades já praticadas Era de uma bruteza Enojada de si Dragão, cuspidor de fogo Revoando a solta pelo sertão Ué, redemunho Zeferino foi botando o olho Na Gracinha e firmando o propósito De anoivar com ela Queria se afixar na cidade E levar a Gracinha para morar mais ele Vô Antônio e Tiana estremeceram Ante a notícia Quiseram dificultar a coisa toda Dizendo ao Zeferino Que valeria ali a querença da menina Pediram então Que ele esperasse a resolução Da moça Por isso foi um desnorteio só Quando a menina se adiantou Confessando ao padrinho e a mãe O seu apreço pelo Zeferino Assim dizia Do encantamento Vi no zoio verde dele Um brilho de maravilhas E quando meu avô Argumentou sobre as carnificinas do famigerado Ela respondeu com calma De sossego Eu vou cuidar dele E esperar, esperar Sem ter remédio que curasse a febre De amor da Gracinha O casamento foi marcado para logo Eu não me conformava Com o resolvido de Gracinha E vendo ali com medo do depois Sobre o peso daquela hora incerta Eu supliquei, Gracinha, fica Zeferino é alma condenada Vai lhe sangrar o coração Mas ela sorriu Com uma bondade estremada e disse Mas eu vou cuidar dele E esperar, esperar Após abrir a pausa de um silêncio Continuou com fala inusitada Olha Você ouve e repete Para os outros que eu vou te ensinar Para fazer polvilho Primeiro você rala a mandioca Em casca de angico Depois você lava a massa dela Prensa e separa o leite da mandioca Então deixa descansar Que é para o polvilho deitar no fundo Escorre a água E põe o amido para secar na laje Aí você quebra os torrão seco Até ficar tudo fininho, fininho Esse é o polvilho doce Esquecendo-me Por um instante do quão absurda Me parecia aquela prosa colhida do vazio Aí eu perguntei, e o polvilho é azedo?

No que ela respondeu com uma sabedoria Que eu só pude compreender mais tarde Why? É a mesma coisa Só que precisa de mais tempo Tem de esperar Esperar Nesse caso, ser direito É você olhar para a imundice de sobremistura E acreditar que o polvilho Tá lá no fundo A coisa fedida e feia que fica por cima Se chama babão Mas você olha para aquilo acreditando no polvilho Viu? Você tira o babão que ficou boiando Com bastante cautela, sem afobação Escorre a água E põe o amido para secar na laje Aí você quebra os torrão seco Até ficar tudo fininho, fininho Esse é o polvilho azedo Quando o Gracinha terminou a sua instrução polvilheira O vô Antônio já estava com o carro montado A boiada ia se mover Era a hora da despedida Acompanhando o início da travessia Notei que as juntas O candeeiro, o carreiro e o carro Formavam um todo só E quando aquilo cruzou o cercão aberto Algo foi revelado à minha alma O carro que levava Gracinha Era uma barca boiável Navegando à custa de bois pelo leito seco Da estrada poerenta Meu avô era o carreiro O capitão, chefiava Gracinha por sua vez A carga tripulante Obedecendo a uma vontade senhora Tração e movimento, carro e bois Conduziriam ao jagunço embrutecido A ternura de nossa menina O correr do carro parecia atender Apressado a um chamado de Deus Alentava a minha ideia de que a providência Era como um grande carro de bois Levando e trazendo as pessoas De lá para cá, de cá para lá Um poder zebuíno Transportando a vida da gente Para onde alguém mais necessitasse dela E diga ao senhor que me ouve atento Acho mesmo que Deus Se compadecera do Zeferino Sonhara algo melhor para a vida do infeliz E por isso entregara-o a Gracinha Era vontade dele Ver a tempestade mais feroz Dormindo tranquila No colo de uma brisa menina A misericórdia divina Vestida de noiva Alcançaria o ser do Zeferino E depois saberia esperar Esperar Eu perdi o carro de vista No sem fim do cerrado Quando descobri que tinha fome Na cozinha encontrei biscoito assado de véspera Biscoito de polvilho Feito por Gracinha Receita danada de boa Coisa sua inventada Ela dizia que o bem bom desse biscoito Era a mistura dos dois polvilhos Lembro-me bem De ouvir aquela voz de riachinho Explicando o êxito da receita Para o meu avô Uai padrinho, não tem segredo não É só casar o doce Com o azedo Pode o senhor Compor constelação Com o astro e a imensidão Um instante e eternidade Pode Crepuscular A tarde o coração O céu beijando o chão Pinta o poente em nós Pode o senhor Guardar em comunhão A moça e o dragão O servo e a potestade Pode Embluar a Olhar da escuridão Silêncio e confissão No limiar da voz Sabe o amor Esperar Esperar Sabe o amor Esperar Esperar Esperar o amanhecer A flor desabrochar Esperar O escaldado do polvilho Esperar Esperar o anoitecer A estrela despontar Esperar O chuvisco da tardinha Estiar Sabe o amor Esperar Sabe o amor Esperar Esperar Pode o senhor Prover consolação O enfermo e a compaixão No altar da piedade Pode A auroria O sol da redenção A mártir e o perdão Na remissão do algoz Sabe o amor Esperar Esperar Sabe o amor Esperar Esperar Bom, chegamos ao fim De mais um episódio Ah, mas o doutor Ricardo Quer contar um caos aqui Depois, depois Vocês tocam ela no Ritmo mais Naquele ritmo mais acelerado É que vocês deram uma Né Depois vocês fazem, pelo menos o refrão Né, só que aí a gente encerra a coisa Mas num andamento Não tem jeito De eu contar um caos Essa música Esse negócio me fez lembrar Vou até contar do jeito que vocês estão cantando Tentar Quando ainda jovem Na mocidade da nossa casa Apareceu lá uma morena Que o nariz me chamou atenção Que morena de nariz grande O coração caiu por ela Apaixonado E a gente ficou ali E eu fiquei ali olhando pra ela Eu dava passe Um olho Um olho orava, o outro vigiava ela dar passe Ô morena Bonita que dava passe, gente Mas eu tentei Tentei nada Dois anos tentando, gente Até com um amigo disse assim Mulher é assim, se você der muito de cima Não dá bola não, para de dar bola E não é que deu resultado Parei de dar bola E ela veio pra cima de mim O tempo de Deus É o tempo do filho pródigo Nasceu a consciência Nasceu a consciência dela Ela caiu por mim Risos Aplausos Música Música Música Sabe o amor esperar Esperar Esperar Sabe o amor esperar Esperar Pessoal Entenderam agora O porquê do Morro Alto Com pensamento e vida Pois é, é isso Então nós Vamos chegando ao termino De mais este dia E nós vamos Fazer a nossa prece E nos encontrar Daqui a pouquinho no plano espiritual Tá bom?

Deco Quer fazer a prece pra gente? Pra achar alguém pra fazer a prece Agora vai ser difícil Que tá todo mundo emocionado demais Vamos fazer então Fechar os nossos olhos E dizer assim Meu Senhor Sábio dos sábios Pai de toda a criação Põe a doçura em meus lábios E a fé no meu coração Sol de amor que me conduz Na vida em que me agasalho Enche os meus olhos de luz E as minhas mãos de trabalho Dá-me forças no caminho Pra eu lutar e vencer Transformando todo espinho Em flores do meu dever Pai Não te esqueças de mim Nas bênçãos da compaixão Guarda-me em teu coração De paz E de amor sem fim Com esta prece Agradecemos pelo dia Pelo aprendizado Que possamos agora Descansar E aprender Num outro nível Fica conosco Jesus Porque nós precisamos de ti Que assim seja Boa noite pessoal

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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