PodSER #031 – Carta aos Hebreus: Parte 02

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Prepare-se para mais uma imersão profunda na sabedoria milenar da Carta aos Hebreus! Neste episódio, continuamos nossa jornada de descobertas e reflexões, desvendando as camadas de significado de um dos textos mais ricos e desafiadores da tradição cristã.

Neste episódio

  • A estrutura literária da Carta aos Hebreus, revelada por estudiosos renomados.
  • A posição central de Jesus Cristo no universo e na revelação divina.
  • A hierarquia espiritual e o papel dos anjos na cosmovisão da Carta.
  • A vida humana como uma jornada e a simbologia da “tenda” e da “travessia”.
  • A importância da fé e da perseverança diante dos desafios da vida.
  • A relação entre justiça e misericórdia, e a eficácia do sacrifício de Cristo.
  • A parábola do filho pródigo sob uma nova perspectiva, e suas implicações para a vida cristã.
  • A reencarnação e o juízo divino, desmistificando interpretações equivocadas.

Participantes

  • João Romário (mediador)
  • Irmã Aíla
  • Haroldo Dutra Dias

Destaques

  • A Irmã Aíla compartilha insights sobre a estrutura da Carta aos Hebreus, destacando a descoberta do estudioso Albert Vanhoye sobre a organização espelhada do texto, com um ponto central no sumo sacerdócio de Cristo.
  • A discussão aprofunda a posição de Cristo em relação aos anjos e a Moisés, enfatizando sua autoridade e proximidade com a humanidade, e como isso se contrapõe às concepções da época.
  • A analogia do filho pródigo é revisitada, com uma análise instigante sobre a postura do filho mais velho e a importância da misericórdia e do perdão, além da mera observância das regras.
  • O episódio aborda a questão da reencarnação e o versículo “aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disto o juízo”, contextualizando-o dentro da argumentação da Carta e desmistificando interpretações que o utilizam para combater a doutrina reencarnacionista.

Ler transcrição do episódio

A de nascer, nova era de crescer, novo homem coração, de quem quer servir. É prosperir, novo verbo é burilar o íntimo, colorindo o céu de um novo ser. Teologia Apocalíptica Carta aos Hebreus 2 Nesses dias que são os últimos, falou-nos por meio do Filho. A de crescer, nova era de crescer, novo homem coração, de quem quer servir. É prosperir, novo verbo é burilar o íntimo, colorindo o céu de um novo ser. A de crescer, nova era de crescer, novo homem coração, de quem quer servir. A de crescer, nova era de crescer, novo homem coração, de quem quer servir.

A de crescer, nova era de crescer, novo verbo é burilar o céu de um novo ser. A de crescer, nova era de crescer, novo verbo é burilar o céu de um novo ser. A de crescer, nova era de crescer, novo verbo é burilar o céu de um novo ser. Espera-se. Espera-se bastante isso de você. Então aqui nós vamos entender a estrutura geral da Epístola aos Hebreus. E o primeiro diálogo que a gente quer fazer com a Maíla é esse. Como que quando você foi fazer a tese de doutorado sobre a Epístola aos Hebreus, onde você buscou autores que pudessem clarear a questão da estrutura literária da Carta aos Hebreus?

Certo. Bom, da outra vez que nós gravamos aqui, eu falei que eu entrei em contato com o padre Caetano para saber mais ou menos o que eu iria lendo. Então ele me falou de um autor, o nome vai estar aí no site, Albert Vanioir, na época era responsável pelo Instituto Bíblico de Roma. Ele dedicou a maior parte da vida dele, ele atualmente ainda está entre nós bem velhinho, mora lá em Roma, ele é de língua francesa, mas viveu a maior parte da vida dele lá dedicado à pesquisa sobre a Carta aos Hebreus lá em Roma, e ensinava sobre a Carta aos Hebreus, era matéria dele.

E ele era um apaixonado pela Carta aos Hebreus. Bom, ele foi quem descobriu a estrutura da Carta aos Hebreus. Muitas pessoas diziam que a Carta se divide em duas partes, em três partes. E ele foi lendo o texto mesmo da própria Carta aos Hebreus, e ele viu que havia uma dica do próprio autor, uma dica dentro do texto de Hebreus, como se o autor falasse assim, eu estou falando muita coisa, e pode ser que você se distraia nessas coisas todas, porque vai mencionando vários aspectos do judaísmo e a relação com o cristianismo.

Então, tem uma hora lá no capítulo 8, no capítulo 8, versículo 1, que diz, olha, o ponto central do que eu estou falando é isso, que é o sumo sacerdoso de Cristo. Então, foi esse, agora ele é cardeal, esse cardeal, o padre Ivanio A., que percebeu isso e disse, olha, eu vou esquecer tudo o que eu já li. Eu vou ficar com o que o texto diz. Porque ele sempre foi muito apaixonado mesmo pelo texto. As limitações que ele teve, foi da época dele, e também do fato de estar morando lá no Vaticano, e a Carta aos Hebreus tem várias complicações para quem é católico, digamos assim, tem complicações para quem é evangélico também, que tem a parte mais para o final que tem uma menção à comunhão dos santos, que todos estão envolvidos para quem está aqui, como vocês falam, os encarnados e os desencarnados estão unidos em um objetivo comum.

Então, isso também, dentro de um texto bíblico, complica um pouco algumas teologias protestantes. Então, é uma carta que bate num, bate no outro, bate no outro, bate em todo mundo. Então, ninguém fica fora. Então, o próprio Van Wilde tem algumas limitações que a gente encontra devido àquilo que é próprio mesmo de cada teologia. A teologia protestante tem uma cerca, a teologia judaica tem uma cerca, mas ele é uma pessoa muito dedicada. Então, ele ficou mesmo com o que dizia a Carta aos Hebreus, que o ponto central era esse.

E aí ele foi estudando o texto e descobriu uma estrutura espelhada, um pouco parecida com o que o Haroldo já mostrou no site a respeito do Evangelho de Lucas, na parábola, no livro que ele escreveu sobre as parábolas, que é muito bem explicada, aquela questão dos degraus, aquela coisa toda. Então, é uma estrutura em cinco partes. Formando aí como se fosse um triângulo. Você acende, chega no platô central e depois desce. Exatamente. Então, a primeira parte é sobre qual é a posição de Jesus Cristo na história geral, no universo.

De início, esses primeiros versículos que o Haroldo até citou no início do podcast, é só uma introduçãozinha. No versículo 1 ao versículo 4, é como se fosse um resumo de tudo. Ele deve ter escrito isso depois, talvez, ou então tinha em mente tudo que ele ia escrever. Então, o que ele dizia é o seguinte, é uma palavra, é o Filho, é aquele que estava presente na composição desse mundo e está envolvido nisso. Então, Deus foi falando isso de diversos modos, foi preparando essa revelação de diversas formas, e agora ela se tornou uma revelação mais clara, mais definitiva no Filho mesmo.

Então, é só uma introdução que mostra mais ou menos o que ele vai falar. E aí já passa para qual é a posição de Cristo no universo em relação aos anjos, em relação a Deus, em relação ao ser humano, em relação a Moisés, em relação ao que foi revelado antes. Então, que posição ele ocupa em tudo isso, porque ele de diversos modos falou, de diversos modos se manifestou. Mas, nesses diversos modos, qual é o lugar do Cristo nesse monte de coisa que Deus foi falando aí? É o que eles chamam, já seria uma Cristologia mesmo, quer dizer, pega a figura do Cristo e posiciona-la nesse esquema da revelação.

Qual é a posição dele, qual é a função dele, qual é o papel dele. Esse contraponto com os anjos, inclusive, ele tem um contexto específico que fundamenta ele, Paulo dá essa ênfase, porque não é algo muito comum você encontrar ninguém, de alguma forma, colocando os anjos em um patamar inferior a nada. Normalmente, ninguém trata os anjos como seres. E, no entanto, Paulo faz questão de dizer, os caras são bons, mas não são como eles, mas Cristo é melhor. É mais ou menos isso. Quando eu explico a Carta aos Hebreus, tem pessoas do ambiente católico que tem muita vinculação aos anjos.

E eu digo assim, olha, ninguém se preocupa, os anjos não caíram fora do esquema. Eles perderam um pouco do emprego de serem os maiorais, perderam um pouco da patente, mas tem lugar para eles. São diretores, mas o senhor… O senhor não é, porque ele vai colocar o filho entronizado. Então, ele pega o processo todo e diz, isso aqui é alguém que tem autoridade para governar, tem a majestade, está governando, está reinando, que é a linguagem antiga. Em vez de governar, dizia reinar. Então, é uma posição privilegiada de mais envolvimento com Deus, mais proximidade com Deus do que anjos.

É conhecida essa cadeia de anjos, que Paulo várias vezes fala, os tronos, os pós-testados, que eram tipo de patentes ou de… Graus hierárquicos. Graus hierárquicos. Agora, Ayla, essa hierarquia espiritual que o Paulo fala, isso está mais na tradição que nos textos da Bíblia hebraica, não é mesmo? É. Isso está mais elaborado nos textos da tradição judaica do que propriamente nos textos que compõem o cano da Bíblia hebraica, não? É. Era mais uma coisa do senso comum, de falar essas classes angélicas, tronos, poderes, pós-testados, essas coisas todas.

Isso aí não tem muita importância. O que era uma coisa do senso comum, que a gente podia falar assim para ajudar a pessoa a entender, que seria como patentes num exército, graus mais elevados. Mas no sentido, quer dizer o seguinte, nem todo anjo é porque anjo está igual. Está entendendo? Mas é assim, se alguém tiver uma dúvida, por exemplo, se ele quer aprender um pouco sobre essa hierarquia, onde que é a tradição, não será nos textos. Nos textos canônicos, não. O primeiro livro de Enoch fala bastante. Alguns textos de Cunhã falam sobre os anjos, sobre esse tipo de hierarquia.

Era alguma coisa do que hoje a gente chama de intertestamento. São livros, são literaturas. Período interbíblico. Período interbíblico, quer dizer, entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Essa literatura que foi produzida, que trabalhava mais. Trabalhava mais isso, trabalhava mais isso. Lá consegue… E você sabe de alguém, Ayla, que tenha escrito, que tenha feito um inventário dessas hierarquias, que tenha feito um estudo disso? Por exemplo, Arcanjo… Serafim… Serafim, Cherubim, essas coisas todas. Eu lembro que eu usei há muito tempo essa hierarquia colocada.

Como é que é essa patente aí? Quem que é o general? Quem que é o tenente coronel? Quem que é o sargento? Bom, eu sei que teve uma tese lá no Instituto Bíblico que foi sobre angelologia em Qumran e na Carta aos Hebreus. E que eu não cheguei a ler. É italiano, por um monge beneditino, parece, se eu não me engano. E ele pegou um pouco dessas coisas que tem a primeira parte da Carta aos Hebreus, fala um pouco dos anjos e como que eles ficam em relação a Cristo. E aí entrou pelo documento de Qumran, pelos apócrifos. E, se eu não me engano, eu não cheguei a ler.

Ainda não tive acesso. Mas, quando eu estava pesquisando, que a gente joga tudo assim para saber nas bibliotecas o que tem, eu vi que na biblioteca lá do Instituto Bíblico de Roma tem essa tese, foi feita lá. E, se eu não me engano, como já faz algum tempo que eu estava pesquisando sobre essa literatura toda a respeito da Carta aos Hebreus, se eu não me engano, nessa tese ele entra mais nessas questões de como eram compreendidos os anjos, como eram compreendidos na época em que a Carta foi escrita, que importância eles tinham e porque era fundamental, primeiro, logo, deixar claro que existe uma posição ocupada por Cristo que os anjos estariam subordinados a essa posição dele como governantes, como rei, e que eles estariam a serviço.

Outra coisa que deixou claro também, que eu achei interessante, devido ao fato dos anjos terem adquirido grande importância na época em que a Carta foi escrita, é que ele coloca os anjos como servidores dos seres humanos, quer dizer, a serviço da salvação deles. Então, quer dizer, empenhados, envolvidos no crescimento de quem está aqui lutando. Então, ele coloca isso no início, esse tipo de coisa. Em vez de nós aqui estarmos exaltando os anjos por eles mesmos, neles mesmos, e até eles tomando uma postura, uma posição que não compete a eles, mas eles estão subordinados a Cristo, também a gente tem que saber que eles estão envolvidos na salvação nossa.

Então, eles são ministros de Deus, eles são servos de Deus que estão a serviço, apoiando os seres humanos na sua jornada. Mais do que a etimologia vai nos dizer, da ideia do mensageiro, eles seriam talvez verdadeiros orientadores espirituais, seres comprometidos com o projeto, com o projeto de salvação, a gente na visão espírita vai traduzir em uma versão mais pedagógica, uma versão mais educacional, estamos aqui para nos educar, esse projeto de salvação passa por isso, e os anjos seriam compreendidos nessa percepção.

Biblicamente, a figura do anjo aparece como mensageiro, inclusive em hebraico e grego, significa simplesmente mensageiro. A gente tem que ver pelo contexto se se trata de um ser puramente espiritual, ou se é uma pessoa mesmo daqui do nosso meio, que nos ajuda com alguma coisa, ou que traz uma mensagem. Vamos usar o mesmo termo, o contexto que vai dizer se está se tratando de alguém espiritual ou não. Por exemplo, lá no texto do primeiro livro dos reis, quando o profeta Elias recebe o mensageiro da rainha Jezebel, tem lá o mensageiro da rainha Jezebel dizendo amanhã a esta hora estarás morto, um mensageiro.

E depois ele foge quando está a caminho, aí ele recebe um mensageiro de Deus que vem ajudá-lo. Então é o mesmo termo. São dois anjos. É engraçado que na Bíblia em português, quando é o mensageiro da rainha, é o mensageiro, e quando é o mensageiro de Deus, aí é o anjo. Aí eles são anjos. Mas a palavra é a mesma. É a mesma palavra. É o ângelos. Quando a gente está traduzindo um texto assim, a gente tem que saber do que se trata, porque vai depender do contexto, porque vai ser o mesmo termo, porque a gente fica ao pé da letra, o mensageiro.

O próprio evangelho é o ângelos. É o ângelos. E aí vem mensagem. Boa notícia, boa nova, boa mensagem. Pois é. Então a primeira coisa que ele faz é isso. Agora é interessante que ainda nesses dois primeiros capítulos, que é essa posição do Cristo, quer dizer, qual é a posição que Cristo ocupa em tudo isso, em todo esse emaranhado de coisas, polímeros, caipolítropos, a gente vê os polímeros na química, a gente sabe o que é. Então, polímeros. A Carta dos Hebreus começa assim, polímeros, quer dizer, de várias formas fragmentadas, mas unidas.

A gente imediatamente pensa na figura do polímero. Já pensa no polímero. Da química. Como que ele está pensando arquitetonicamente também. Como que ele tem uma ideia de figuras. Primeiro que ele quer dizer polímeros, de diversas formas e de diversos lugares. Caipolítropos, quer dizer, em diversos lugares, ele foi falando, Deus foi falando, foi se manifestando, foi dizendo. Então, como fica o Filho no meio dos polímeros, quer dizer, como ele se situa nessa pluralidade que Deus foi falando ao longo da história, por várias pessoas, de diversos modos.

Então, coloca… O que ele faz aí? Uma situação central. Quer dizer, tudo que veio antes, veio em função dele. E as funções exercidas, seja pelos anjos ou por Moisés, porque aí ele vai colocar o Filho da forma mais alta, que é de governante, de rei, entronizado, e da forma mais baixa, é o servo, é o ser humano que esteve aqui e superou a todos em humildade e em tudo. Então, ele consegue colocá-lo nas suas duas… Dois polos, então, da missão de Cristo, a solidariedade que ele teve com o ser humano, é um dos termos que mais aparece nas cartas hebreus, é a questão da solidariedade que ele teve é o sympatheo, o verbo de sofrer junto, de sentir junto, de participar do que a gente vive, das nossas angústias, para se solidarizar.

Então, ele, muito próximo de nós, pode nos entender. Os anjos estão, quanto mais elevada a posição, mais longe dessas angústias que a gente vive, certo? E o Filho, não, ele quis viver essa situação toda, e ser um de nós, e não se envergonha de nos chamar de irmãos, porque foi um de nós. Tem a cor muito bonita, porque o judaísmo, ele esperava o Messias rei, o Messias davídico, que ele nunca conseguiu chegar à dimensão de como poderia ser esse governante. É um governante da terra de Israel, com sua sede lá em Jerusalém.

E o que eles pensaram em reino de Deus era mais um grande império, Israel como um grande império, e não como uma coisa totalmente diferente. Então, o bonito é que ele vai dizer assim, é rei, não é bem como vocês chegaram a pensar, mas é um rei do universo, já participando da constituição desse universo, desde o início, envolvido com esse universo. E vocês nunca pensaram isso, vocês pensaram que era um rei só igual Davi, que ia ter um império, não, não é bem isso. Mas também vocês nunca o pensaram tão servo, tão próximo, tão baixo.

Vocês nunca pensaram nele tão alto, nem tão baixo, como ele realmente é a postura dele. Queriam algo grande e receberam algo maior ainda, mas como parecia muito pequeno, eles não aceitaram. Resumindo aqui a ópera um pouco. Tem um dos comentadores do Novo Testamento, eu não estou lembrada agora, que a gente chama dos pais, do cristianismo, que ele diz assim que o que aconteceu, o que acontece com os judeus e o que vai acontecer é algo parecido, se assemelha ao que acontece com os irmãos de José, lá no Egito. Porque os irmãos de José, eles venderam José como escravo.

Então, quando eles foram ao Egito, eles nem sequer pensaram na possibilidade de encontrar José. E se, por acaso, ainda o encontrassem vivo, eles iriam encontrar um escravo. Então, quando eles chegaram lá no Egito, e José era o segundo no poder. Depois do faraó. Depois do faraó era José, eles não reconheceram. Porque José era grande demais. E eles esperavam se encontrar, se ainda vivo, depois de tudo que um escravo passa, seria um escravo. Então, eles não reconheceram. E esse santo, eu não estou lembrada do nome dele agora, ele diz que quando Cristo veio, ele veio tão servo, e os judeus o esperavam um rei tão alto, que eles não o reconheceram.

Então, ele diz assim, assim como José teve que tirar todos os paramentos de poder, que ele começou a tirar as vestes do poder, para ser reconhecido pelos seus irmãos, Jesus, quando realmente se encontrar na dimensão mais definitiva desse mundo que a gente vive, que a gente conhece. Então, os judeus vão vê-lo nas suas vestes de rei, e vão dizer, não é que era ele mesmo. Então, aí vai ser o aporte de José do Egito, está entendendo? Como se essa história fosse uma figura que estava por vir. Ele diz assim, quando esperavam um escravo, encontraram um rei, não o reconheceram.

Teve que o rei se desfiar, para eles poderem ver quem era o irmão deles. E agora veio um outro irmão deles, que eles esperavam que viesse como um rei, e veio como um escravo. Então, eles não reconheceram. Mas na hora que eles virem a majestade, aí eles vão dizer, pois era ele mesmo. Eu achei interessante. Fantástico a analogia. Os caras viajam, mas são bons. Não é à toa que eles são os pais da igreja. São os pais. O rei do Egito pensa bem, né? Pensa, porque eles estavam tentando explicar porque há essa dificuldade toda em se mostrar para os judeus o que aconteceu com Cristo, o que falta, que argumento se usaria.

Então, esse pai estava tentando dizer, mas por que se faz tanto esforço? E que a carta aos hebreus vai dizer assim, não era para vocês estarem nesse alimento tão frágil, nesse leite. Era para vocês estarem recebendo um alimento sólido. E diversas vezes o escrito para para se lamentar. O escrito para para se lamentar de não estar sendo compreendido. Mas porque vocês não conseguem compreender, eu tenho que voltar. E aí diz Emmanuel no Paulo Estevam. Paulo parava e chorava sobre o escrito. Ele fala assim, muitas vezes o apóstolo avisa chorando sobre aquele escrito.

Interessante ele ter falado isso, porque a epístola está pontuada. Está pontuada por… Dos lamentos, né? Lamentos. E dizer, olha, estou falando isso porque vocês não conseguem entender. E aí ele volta e fala de novo. E fala da mesma coisa de forma diferente. Faz um esforço, a gente vê um esforço. Quando eu estava estudando para o mestrado, eu diversas vezes me emocionei com o texto. Quando eu dizia assim, eu me lembro que teve um dia que eu disse assim, mas coitado, coitado ele não consegue se fazer compreender. Não consegue se fazer compreender.

E me senti um sentimento de gratidão também, pela primeira vez estar… Pelo menos eu estava entendendo que ele estava se esforçando para se fazer compreender. E não conseguia se fazer compreender. Então, ele… Primeira coisa é essa, o início do capítulo 1, capítulo 2 principalmente. Qual é a posição que Cristo ocupa nesse emaranhado de coisas que Deus foi manifestando ao ser humano. E é engraçado que a última parte, que começa no capítulo 12, é a situação dos cristãos. E agora? É uma estrutura espelhada. O início da carta tem a ver com o final.

O final da carta é para dizer, e agora que tudo isso foi dito e foi… Qual é então o lugar de quem acredita no Cristo? Como é que fica? Falou das duas comunidades. Exatamente. E agora, como é que a gente fica? Então, ele vai comparar muito os cristãos com os judeus. E vai também dizer, vai também, de certa forma, exortar os cristãos, porque eles têm que ser solidários. Eles têm que viver, estar prontos para viver aquilo que Cristo viveu em termos de sofrimento. Eles têm que abandonar essa postura, confortável, um pouco confortável que eles estão.

E aí, nesse capítulo 12, fala um pouco sobre o sofrimento. Mas é uma questão pedagógica. Ele assume essa coisa do sofrimento como uma questão pedagógica, para nos ensinar alguma coisa. Ou, pelo menos, ele deixa bem claro que o que as pessoas têm, a postura que a pessoa tem em relação ao aquele que crê no Cristo deve ter em relação ao sofrimento é de aprendizagem. Então, mesmo que as pessoas não entendam não entendam o porquê do sofrimento, as causas, não sabem quais são as causas, em vez de ficar perguntando por que sofro, não, é uma postura de aprendizagem.

E não se está só, ele já sofreu primeiro, ele não tinha motivos para sofrer por ele mesmo. Então, o Cristo já sofreu, e ninguém sofre igual ao Cristo, também. Então, é uma postura de aprendizagem que vai aparecer lá no capítulo 12, do sofrimento como aprendizagem. Então, esse capítulo 12 é precedido pelo… O hino da fé. O hino da fé, do capítulo 11. Então, vai mostrar que todos aqueles passaram pelo maior aperto sem chegar a vislumbrar aquilo que Cristo trouxe. Então, por que que quem já vislumbrou, que quem já experienciou, não consegue ter a fé nem igual ao dos antepassados, como é que é isso?

E se acha que está sofrendo demais, uma das coisas que eu achei interessante na Carta aos Hebreus é o momento que ele diz assim, você acha que está sofrendo demais? Já lhe pediram o seu sangue? Não, né? Então, você não está sofrendo demais. É mais ou menos isso que ele diz, eu estou dizendo em linguagem. Nossa, mas é isso que ele está dizendo. Você acha que sofre demais? Já lhe pediram o seu sangue? Você já resistiu até ao sangue? Não? Ah, tá. Então, não está sofrendo demais, não. Mano, lá naquele testemunho de Chico Xavier, tem um depoimento lá que o Chico fala, Chico relata que, mano, eu disse para ele, enquanto ele, em uma carta que ele escrevia ao presidente da Federação Espírita Brasileira da época, iniciar a tarefa cristã é fácil, dar continuidade a ela é difícil, mas concluí-la é crucificar-se.

É bonito isso. É algo que converge bastante com isso que você está nos trazendo aí da epístola. Pois é. Então, é isso. Pelo menos eu queria falar agora, nesse primeiro momento, desse início e desse final, da carta, para mostrar essa coisa espelhada do início e do final. Depois a gente vê como é que a gente vai vendo essa estrutura, mas nessas coisas todas que Deus foi mostrando ao longo de milênios, Cristo tem uma posição central, central nisso aí. E essa posição tem que ser garantida. E essa posição que Ele ocupa, em todas essas coisas, é algo que não tinha sido pensado.

Nem tão grande, nem tão pequeno. E que Ele viveu. Então, se falou muito, às vezes, de um servo que iria sofrer, ou de um rei, mas nunca conseguiram ver como seria isso, nem que isso estaria na mesma pessoa. E aí Ele vai e coloca. E também o final é. Qual é a postura do cristão? Que posição ele ocupa no universo? O que ele deve fazer? Como ele deve se posicionar? O que é consequência da fé de quem assume que o Messias é Jesus Cristo? Como é que fica, então? Que postura ele tem que ter? Isso é muito interessante, esse início e esse final.

Porque aí exige do cristão uma decisão de se colocar no lugar que ele deve estar. Como aquele que… Aqui é o que vai mostrar que as pessoas só podem ver o que Cristo fez e quem Ele é a partir dos cristãos. Daquilo que os cristãos vivem. Então, quem ainda não fez a experiência de que Jesus é realmente o Cristo, é o Messias, essa pessoa ainda não está sabendo, ainda não está claro isso para essa pessoa, então só pode ver isso através daquilo que o cristão… Que responsabilidade dos cristãos. Porque a gente viu que ao longo da história…

Fizeram muitas vezes o oposto do que Cristo. Falhamos muito nessa missão de mostrar. Agora, nesse ponto que você colocou do falhar, ele diz, olha, a gente não deve ficar parado, estagnado, por causa dos nossos erros. Então, para isso existe o Cristo que perdoa, que entende os nossos erros, porque viveu uma condição humana. O que a gente tem que fazer é avançar, porque nós estamos em uma grande trajetória, em uma grande marcha. Então, ele diz assim, olha, a única coisa que não dá para fazer é parar em vez de avançar na direção daquela cidade, que ele vai comparar a existência humana com a travessia do deserto.

E ele vai usar o exemplo dos judeus, dos hebreus, que quando atravessaram o deserto e chegaram próximo da terra, que era a hora de entrar, aí eles deram para trás. Disseram assim, nós não vamos conseguir. Pensaram nas suas próprias capacidades, disseram, a cidade é grande demais, nós somos iguais, garfane outros, perante eles que são gigantes. E aí o que ele vai dizer? Essa geração inteira que se recusou a entrar, que não avançou, que parou, os ossos deles ficaram no deserto. Aí ele vai repetir várias vezes o termo usado por eles.

Por isso, hoje, ele usa o termo do Salmo 95, se não me engano. Por isso, hoje, se vocês ouvirem a voz de Deus, não endureçam os seus corações, não façam igual aquela geração que na hora que Deus disse, entra aí na terra, eles disseram, não, nós não temos condição. Qual foi o pecado? Ele vai dizer que o grande pecado do Antigo Testamento, é incrível porque várias pessoas mencionam o pecado do Antigo Testamento como bezerro de ouro, como sei lá o quê, várias coisas. Mas ele vai dizer que o pecado do Antigo Testamento foi não terem avançado, terem parado, estagnado.

Nós não temos condição. Pararam. Vamos parar. Vamos parar. Nós não conseguimos. E aí, foi o grande pecado. Ele disse que isso aí foi uma afronta a um Deus que mandou um libertador para avançar. E ele diz, sim, naquele tempo, foi uma afronta, porque Deus mandou Moisés para levá-los até lá. Imagina a afronta que é agora, que é Cristo que está. Aí, detona. Detona, vou te dizer. Olha, tem vários carambas. A gente começa a ler, a gente começa a chorar, a gente converteu. Tem hora que é emocionante, tem hora que a gente ri.

E tem hora que a gente leva… E tem hora que é um chicotado com um solto, não é? Meu Deus do céu. Tem hora que arde. Tem hora que dói pra caramba. Então, é por isso que às vezes eu acho que a gente até tem uma defesa, talvez, um mecanismo de defesa, mas a gente não entender, nem se esforçar para entender, porque, eu vou dizer, mexe com a gente, está entendendo? Porque eu esperaria tudo. Eu esperaria tudo que dissesse assim, olha, eu vou mostrar aqui uma coisa que aconteceu no Antigo Testamento, e que você não pode de forma nenhuma repetir.

Sabe? Você pode fazer tudo de errado, Deus te perdoa. Para isso tem o Cristo. Certo? Mas eu só vou te dizer uma coisa. O que eles fizeram, que foi uma coisa erradíssima, que foi o pecado dos hebreus, e foi grave, imagina como não será grave na nova aliança. E a gente não espera dizer assim, vai já dizer, foi idolatria, foi bezerro de ouro, foi não sei o quê. Não, é que eles não avançaram. Não avançaram. Eles não avançaram. Não fizeram a travessia. Não fizeram a travessia. Agora é interessante. Eles pararam lá, ficaram parados, disseram assim, nós não temos condição.

E aí, isso foi uma afronta. Então, ele se reporta ao livro de números, capítulo 13, mais ou menos, 12, 13, por aí, que é aquela geração que diz, não, nós não vamos. Nós não vamos. E aí, quando Moisés diz que eles cometeram um pecado gravíssimo, aí ele diz, pois agora a gente vai. E Moisés diz, pois agora não vai não. Porque agora vocês têm que, já que vocês pararam e decidiram parar a travessia, agora vocês têm que ser educados. Têm que ser educados para poder continuar. Aí eles disseram, não, nós não vamos ser educados com esse menino.

Não vamos agora. Pega as armas e vamos. E foram e morreram. E por isso os ossos deles ficaram. Então, quer dizer, também não é avançar do nosso jeito. É o modo humano, ou confiando apenas em si mesmo. É, confiando. Porque eles, olha, e eles disseram, Ah, então quer dizer que nós vamos ficar aqui? Eles disseram, olha, já que vocês não querem avançar, então o que vai acontecer é que vocês não vão conseguir entrar na cidade que a gente está indo, né? Vocês não vão conseguir entrar na terra. Eles disseram, não, nós queremos entrar na terra.

Não, mas vocês não quiseram avançar. Vocês disseram que não tinham condições de avançar, que não tinham condições de lutar contra, embora o Josué Caleb garantisse que podiam, né? Garantiu. Olha, a gente consegue sim, com Deus. A gente consegue. Sempre tem alguém pra dizer que pode. É, a gente consegue. Tem esse pessoal sonhador ou do ultradisco. E assim, a gente consegue, a gente consegue. E aí, eles disseram, não, a gente não consegue, vamos parar, né? E quando disseram, então, o que vocês fizeram foi gravíssimo, mas eles disseram, vocês deveriam avançar, nós temos que avançar e tudo, e agora nós vamos ser educados, nós vamos ser trabalhados aqui no deserto, né?

Então, quem vai entrar são os filhos de vocês. É a outra geração. Agora, Ayla, tem uma coisa profunda nisso aí? Porque tá ligado ao título da carta, Carta aos Hebreus. Fala um pouquinho do Hebreus, da raiz, do verbo, porque tem tudo a ver com essa peregrinação, né? Vou deixar você falar. E tem um texto que me chamou muita atenção, Ayla, que tá no Evangelho de Lucas, quando na transfiguração no monte, no tabor, aparece Moisés e Elias, e o texto diz assim, com referência a Jesus, e eis que estava próximo o seu êxodo, se referindo ao martírio na cruz, ao martírio na cruz como ao êxodo.

Então, mais uma vez, remetendo a essa ideia da peregrinação, da jornada humana como uma peregrinação, em direção a algo, né? Certo. É em Lucas 9, 29, né? Tô abrindo aqui a Bíblia. Pois então. O termo Hebreus, né? Muita gente já falou que vinha derivado da palavra rapiru, que significava uma classe social, não era uma etnia, mas um tipo de classe social assim, desprezível, que eram nômades, né? E que não eram confiáveis, que chegavam e roubavam tudo e tal. Mas isso aí é muita viagem. Hoje em dia, os estudiosos preferem aceitar que vem de Eber, que é um dos mencionados patriarcas, né?

E significa atravessar. É uma referência ao nomadismo e à vida humana nômade, né? Como uma travessia. Então, para o judaísmo, esse entendimento da vida humana como uma jornada é muito forte, né? Então, quando alguém nasce, que vai até aparecer no evangelho também, no evangelho de João, é que arma a tenda entre nós. Que é dito até para Jesus. Ele tabernaculou. João criou um verbo, né? Ele fez uma tenda. Ele habitou. Então, vem do termo tenda, né? Ele constrói um verbo grego a partir da palavra tenda. No tabor também, os discípulos perguntam se quer que construam uma tenda.

Porque a tenda é isso. Ela representa uma estadia temporária. A tenda não é uma casa de pedra que você constrói e ela permanece. A tenda você leva com você. Então, você desarma aquilo e leva. Depois você monta de novo. Ela significa mobilidade. Então, as pessoas às vezes pensam que eles disseram, nós vamos ficar por aqui mesmo. Mas eles falaram tenda. Então, dito isso, para Jesus, em grego é isso mesmo. Ele armou a tenda. Ele fez uma tenda. Uma morada. Bom, então também já mostra que além de ser um semitismo para dizer que ele nasceu, é também uma forma de dizer que foi uma estadia temporária também aqui entre nós.

Se eu não me engano, a carta de Pedro II, que quando ele está escrevendo próximo já de… Como você diz? De desencarnar. Tem que aprender esse vocabulário. E a tenda é o corpo. Desencarnar é armar a tenda. Desencarnar é desarmar. Desarmar a tenda. Então, acho que, se eu não me engano, é a segunda carta de Pedro. Então, dizendo assim, estando eu perto de desarmar a minha tenda, aí, quer dizer, eu estou perto de me mandar. De ir embora. É o Pedro falando. Como dizia o padre Carmona, que eu contei para vocês, é me machar.

Estou perto de me mandar daqui, de ir embora. E não, diz assim, estando perto de desarmar a tenda, ele resolveu escrever a carta para das últimas orientações. Então, essa coisa da tenda, essa mobilidade, e também porque a tenda, ela gera uma intimidade, acho que por isso que fala na Transfiguração, gera uma intimidade, porque as pessoas ficam face a face, lembra… No texto da Transfiguração tem a nuvem, que remete ao deserto, que vinha até a tenda, que era uma forma de representar a presença de Deus, a Shekinah, quer dizer, a presença de Deus.

Então, é muito interessante, porque a Carta aos Hebreus, ela é conhecida desde muito… É um título muito antigo, de ser Carta aos Hebreus. Porque o que acontece? Geralmente, nós não sabemos como eram os títulos dos escritos bíblicos. E se pensa, será que tinha lá Catá, Marcon, será? Conforme Marcos. Ou tinha no início ou não tinha, porque nós temos cópia. Então, as pessoas perguntavam assim, será que estava escrito lá, desde o início, Carta aos Hebreus? Então, uma das coisas que eu estudei é que no ano 170 e pouco, quer dizer, num dos textos desses pais do cristianismo, esses primeiros escritores, menciona Carta aos Hebreus.

Tertuliano, por exemplo, menciona Carta aos Hebreus. Quer dizer, pelo menos eu posso dizer que no tempo de Tertuliano, já que querem que eu prove as coisas. No tempo de Tertuliano, ela é conhecida. Está muito próxima. Mas o Evangelho de João tinha sido escrito, não é? Está muito próximo. Quer dizer, batizássemos aí uns 100 anos depois da Carta. Então, é conhecida muito, em tempos muito remotos, como Carta aos Hebreus. E fala muito nessa questão do deserto. Fala demais do deserto. Quando fala do povo de Israel, fica cutucando a ferida, que é o povo de Israel no deserto, que era uma época privilegiada de condução nos designios de Deus e que davam para trás, que não faziam a coisa certa.

Então, sempre nas exortações, que no estudo bíblico chamamos de parênteses, as partes parenéticas, as partes exortativas, a exortação moral, a Carta tem várias exortações que ele dá uma doutrina, para a doutrina, e joga as exortações, aí os verbos são todos no imperativo, e aí vem a exortação. Então, já que você aprendeu, isso tome, aí você deve fazer assim, assim, assim, assim, assim. É assim que a gente deve fazer, então. Aí vai nova doutrina, doutrina bem profunda, bem condensada, aí mais uma exortação, e assim vai.

Tem as grandes exortações e as pequenas exortações, dependendo da gravidade do conteúdo que foi passado na parte doutrinária. E aí, sempre colocando o povo de Israel, não como judeu, nem como Israel, mas no deserto, quando eles se autodenominavam de hebreus, porque estavam em uma travessia, porque não tinham lugar para ficar. O Paulo revelando aí seu senso prático, teoria e prática, desenvolve a teoria, mas vamos aplicar isso aqui. Vamos aplicar isso aqui. Isso aqui se aplica assim. Todo tempo tem as grandes exortações e as pequenas exortações para as questões de doutrina.

Então, ele explica a situação, porque é sempre também comparando. Sempre, eu já falei no outro podcast, que ele tem um método arrabínico chamado Calvahomem, uma regra de Midas, quer dizer, leve e pesado, e que ele faz comparações. Coloca na balança. Coloca na balança. Ver o que tem mais consistência. De um lado e do outro. De um lado e do outro. Então, ele sempre vendo o passado de Israel, e o que ia acontecer agora a partir de Jesus. E aí, ele coloca na balança, mostra o que é mais consistente, e aí ele vem e exige.

Então, por causa disso, nós temos que agir assim, assim, assim. Certo? Então, eu creio que, desde o início, foi um título aos hebreus por causa do conteúdo, do conteúdo que é um conteúdo do povo no deserto, sempre falando no deserto, certo? Nunca fala templo, fala tenda. E a linguagem também, não é? A simbologia de alguém que precisa conhecer profundamente o judaísmo para poder entender a casa. Precisa conhecer profundamente o judaísmo. Precisa conhecer bastante o templo, saber dos rituais. É alguém que não faz considerações de fora, assim, de imaginar como seria o templo, porque o templo copia a tenda do deserto, como se fosse um upgrade, uma nova versão da tenda.

E aí, ele, quando vai descrever a tenda, ele tem o templo em mente, ele sabe tudo o que acontece lá, sabe como é feito o sacrifício, vai falar dos sacrifícios, de diversos tipos, do que tem dentro. Ele diz assim, olha, vocês sabem, na tenda tem isso, tem isso, mas não vamos agora nos distrair, dizer assim, mas não vamos nos distrair, que nós estamos aqui para descrever tenda, nós estamos aqui só para citar isso. Quer dizer, ele ainda diz assim, se você agora vai ficar visualizando e tecendo considerações, eu estou só usando isso aqui para dizer uma coisa.

Bem, o que eu vou dizer? Não fique se distraindo, pensando em como era o templo, ou a tenda, ou como era o sacrifício. Isso aí, nós já sabemos como é, ninguém vai perder tempo com isso. Estou só dizendo que é assim para dizer que na dimensão espiritual, na realidade celeste, a coisa é muito mais, isso aqui era só uma cópia, isso aqui é só uma coisa para nós podermos entender nas regiões celestes, isso aqui é de uma grandeza, uma magnitude que não dá para imaginar. Ele fala desse jeito. Só que você pensa assim, tem o Santo do Santo, o sacerdote atravessa a tenda e chega lá no Santo do Santo.

Sumo-sacerdote. Sumo-sacerdote, com a oferta que simboliza o povo que ficou lá fora. Então, essa travessia para ele, uma travessia humana, ela é representada na vida de Jesus, aqui entre nós. E aí a travessia humana é representada na vida de Jesus, então é como se ele vem, se torna um de nós, e aí pega, é como se ele tivesse dito assim, houve uma parada, os hebreus lá no deserto disseram, nós não temos condição de avançar. Aí é como se Jesus chegasse e disse assim, vamos lá, pessoal, deixe que eu vou. É como se alguém dissesse assim, vocês não vão não, mas eu vou.

Eu vou representando vocês, eu sigo em diante. E aí, onde que termina? Termina lá no Santo do Santo. Quer dizer, a travessia… Com sacrifício extremo. Com sacrifício extremo, certo? Então… Tem uma grande simbologia também, não é, Aíla? Eu estive refletindo muito sobre isso, que essa recusa do povo hebreu de seguir, do ponto de vista teológico e bíblico, tem implicações na humanidade inteira. Havia uma proposta para a humanidade e diante dessa resistência do irmão mais velho, que é Israel, quer dizer, de tantos os povos da humanidade, se imaginar que os povos são os irmãos, o irmão mais velho, que é o povo da aliança, que foi o escolhido por Deus para orientar os outros irmãos mais novos, esse irmão mais velho se rebela e isso cria uma crise na casa toda, na casa humana.

Certo. E essa crise na humanidade vai exigir aí uma nova estratégia de redenção do ser humano que passa agora pelo sacrifício. É, aí… Quer dizer, vocês não quiseram avançar porque estavam com medo de sofrer, de morrer e tal… E agora é o sofrimento que é a redenção. A fira do humano é obrigatória, mas uma vez que a gente cai… Aí é o sofrimento. Aí a redenção passa pelo sofrimento. A dor passa a ser necessária. Bom, eu achei interessante, porque o que a carta trata é assim, em linguagem atual seria assim, nós não vamos sair daqui, nós não vamos avançar, nós não vamos entrar aí nessa cidade, nós não vamos querer entrar.

Nós achamos que não temos condição, nós vamos ficar bem aqui. Então, quando eles caíram na conta de que isso era o pecado deles… Sabe o que aconteceu? Eles ficaram lá, quando eles já não queriam mais ficar. Está entendendo? Então, quer dizer, a decisão por ficar foi um erro. E depois o… A gente diz assim… O teto de querer sair de qualquer jeito foi de qualquer jeito e já não podia. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória. Eu achei assim interessante, fiquei… Meu Deus do céu, aí quando eles disseram não, não quero ficar aqui, eu disse, não, agora nós temos que ficar.

Agora você já plantou, você tem que guardar. É, agora tem que ficar. E aí a travessia da humanidade, esse Cristo que nunca disse assim, eu não vou, porque eu vou me dar mal, eu vou sofrer, eu vou… Ele avançou, ele morreu, e após a morte dele, ele chegou lá, nesse santo do santo, levando a oferta dele, representando também a oferta de todos, como quem diz assim, pai, olha, eles estão vindo aí atrás. Eles estão vindo aí atrás, o que é isso? Ele, ele… O cartão zebreu… Estou dando o meu aqui, agora eles estão vindo aí.

Eu vou trazê-los, pode ficar tranquilo. Vai demorar um tiquinho, mas eles vêm. Ah, eles estão vindo aí. Eles estão vindo aí. E aí é interessante, porque ele vai dizer assim, então nós não podemos parar. Nós temos que… Agora nós temos acesso. Foi um de nós lá, e abriu a porta lá do santo do santo, agora nós temos que seguir adiante. Temos que entrar. Agora nós temos que entrar, certo? Aí a gente tem que ter confiança de se aproximar, de avançar, ninguém pode parar. Porque ele chegou lá pra dizer, eles estão vindo aí, eles estão chegando aí, eu cheguei primeiro, eles estão vindo aí.

E parece um pouco com os textos de João, que Jesus diz assim, onde eu estiver, vou preparar uma morada, e onde eu estiver, estará meu seguidor. Então quer dizer, você tem que terminar lá, avançando lá onde ele chegou. Eles estão vindo aí. E também eu acho o seguinte, eu vejo que os Novos Testamentos, eu vejo alguns textos de Lucas, além de João, tem um parentesco com João, mas eu também vejo um parentesco com Lucas, tem até um texto que foi escrito, eu não me lembro mais quem, que foi mutua influência entre a obra de Lucas e a Carta aos Hebreus.

Eu não estou lembrada agora. Mas eu li um livro de um cara chamado Haroldo Dutra Dias, era sobre as palavras do Jesus. O que esse cara falava? Quando eu li, eu tive um insight, mais ou menos, uma coisa assim, sabe? Que tem a ver também com a Carta aos Hebreus. Eu estou até falando aqui para ver o que a gente acha disso. Bom, sobre a parábola do filho pródigo. Foi conhecida como parábola do filho pródigo. Às vezes, a gente não presta atenção no filho mais velho. Porque, na realidade, ali são duas histórias. A história do pai com o filho mais novo e a história do pai com o filho mais velho.

Não sei se a gente fica falando essas coisas que o grande pecado para a Carta aos Hebreus, o grande pecado da primeira aliança foi não avançar. Foi não entrar naquilo que Deus tinha preparado para o ser humano, representado por Israel. Pois, na parábola do filho pródigo, o irmão mais velho não quer entrar. Não quer entrar na casa. Não quer entrar na casa e atrapalha a festa toda. Atrapalha a casa toda. Faz o pai sair para ir ao encontro. Porque a festa não funciona. Quer dizer, são dois filhos. Todos os vizinhos e os servos.

Como vão celebrar? Os vizinhos, os servos, os amigos. Se o irmão mais velho não entrar? Força o pai a sair. Você não acha que tem alguma coisa a ver? Não, eu acho que tem. Eu estou desconfiado. Eu tenho que falar com especialista em parábola porque eu estou pensando lá. Diz o Guimarães Rosa. Diz assim, né? Não sei de muita coisa, não. Não sei de nada, não. Mas desconfio de muita coisa. Desconfio muito disso. Até porque essa parábola é contada no momento em que Jesus está fazendo a refeição com pecadores, prostitutas.

Os fariseus recriminam essa postura dele. E aí ele conta as três parábolas. Da ovelha perdida. Da moeda. Da moeda. E essa do filho pródigo. Parece que nítido, né? A humanidade caracterizada, é claro, de forma metafórica, não tem nenhum maniqueísmo nessa descrição, mas de forma metafórica entre os filhos mais novos e esse irmão mais velho. Que é a nação hebraica e que tinha a missão que está em Isaías, né? De ser luz para as nações. Toda a terra. E aí, no próprio sermão do monte, eu vejo ecos também de Jesus dizendo assim, não se coloca a candeia debaixo do balqueiro.

Que a grande falha do povo hebreu que é ter criado uma luz apenas para si próprio. E não ter confraternizado com o gentil. Não ter confraternizado e não ter compartilhado do banquete. A responsabilidade com os irmãos mais novos. Esse grande peso aí sobre o povo hebreu, espiritualmente falando, esse peso da responsabilidade de não ter acolhido os irmãos mais novos no banquete e não ter exercido a sua missão. É como dizer assim, se eles tiverem o mesmo que nós, que também é a parábola lá dos vários trabalhadores, quer dizer, às vezes quem chega na última hora vai usufruir daquela bondade do empregador, não é?

Se ele tiver o mesmo que eu, não quero saber. Então, eu me recuso. Eu me revolto só porque alguém consegue conseguir algo que eu luto, luto e não consigo. Porque uma das coisas também que eu vejo na carta aos hebreus é uma, é um equilíbrio entre justiça e misericórdia. Então, é assim, uma coisa muito bonita porque ele vai dizer Não é uma graça barata, né Ayla? Não é uma graça barata. Principalmente na segunda parte da carta, que é do capítulo 3 ao capítulo 4, ele vai mostrar essa questão, justiça e misericórdia, está entendendo?

Então, o que é? É uma… Aquilo que ele mostra, que foi o erro do povo hebreu e que, se isso for repetido agora, depois do Cristo, fica mais grave, e exige uma justiça, e, às vezes, ele é até muito duro, porque ele fala assim, quem faz esse tipo de coisa crucifica de novo o Cristo, né? Ele é duro, tem uma linguagem dura, né? Crucifica de novo o Cristo, mas ele mostra a misericórdia, como o outro lado, né? Então, tem que provar das duas coisas, da justiça e da misericórdia. Tem coisa que a gente não dá conta. A gente tem que se agarrar no perdão dos outros e de Deus, né?

A gente tem que saber acolher o perdão, saber pedir o perdão, saber lidar com a misericórdia, porque também eu acho que, nesse ponto, que eu vejo também na parábola dos dois filhos, é que um… Os dois eram errados. Os dois eram errados. Mas um soube ir atrás do perdão, soube acolher o perdão. E o outro, o que ele sabe dizer? Qual é a palavra que ele diz? Ele diz assim, eu sempre cumpri os teus mandamentos. O filho mais velho fica chateado porque ele sempre cumpriu os mandamentos. Ele quer prêmio, ele está preocupado com o prêmio.

E ele não está preocupado em se avaliar se aquilo que ele está fazendo de se recusar a entrar na festa é tão grave, dói tanto no pai, quanto a saída do outro. Do filho mais novo. Do filho mais novo, está entendendo? Então, aí as pessoas ficam muito preocupadas com os méritos e se esquecem de pensar nos próprios pecados e no pedido de perdão e na acolhida do perdão. Eu reflito, assim, sobre essa postura do filho mais velho, me vem à mente aqui, é que a gente precisa estar sempre refletindo sobre, não tanto se nós estamos fazendo a coisa correta ou não, mas com que motivação nós estamos fazendo as coisas.

Não é simplesmente cumprir de uma forma hipotética a coisa certa. A coisa certa faz essa, aí eu faço. A gente coloca o foco lá fora e não presta atenção sobre que processos íntimos estão dentro de nós enquanto nós estamos fazendo a suposta coisa certa. Então, faltou isso. É o que a gente brinca aqui, né? Sempre brinca com o Júlio, ele sempre fala isso, né? É o elefante que entra num jardim para colher uma rosa. Ele colhe a rosa, mas ele destrói o jardim. Então, a pessoa com esse senso de justiça, de integridade, está muito lindo.

É uma rosa que ele colheu. Mas a ausência de misericórdia, de piedade, de caridade para consofrimento do irmão e para com a generosidade do pai, não fez ele enxergar nada à volta dele a não ser ele mesmo. Então, ele só consegue ver. Então, é tão incrível isso porque a pureza religiosa, o senso de ética e de moralidade, quando praticado de uma forma cega, nos faz perder de vista o próprio Deus. Então, você fica tão ansioso de si mesmo, você só se enxerga. E aí a gente perde o pai que está com a festa e chamando o filho para…

Agora, eu achei bonito isso que você falou, Ayla, porque é muito engraçado, até no meio espírita, tem uma mania muito grande de ficar falando assim, caridade, ser caridoso, perdoar, mas raramente a gente vê um espírita falando em ser treinado para receber a caridade ou para ser perdoado. A gente sempre acha que está na posição de perdoar, ou de exercer a caridade. A gente nunca se coloca na posição de quem vai receber a caridade, de quem vai receber o perdão. Você está falando do meio católico. É uma arrogância tão grande que a gente tem, porque a gente acha que não precisa ser perdoado, não.

E aí, a gente deixa de experimentar o sabor da misericórdia e do perdão. E aí eu fico pensando e a gente vai, quando vai pensando sobre si mesmo, né? Será que é possível viver se você não treinar a receber a misericórdia, o perdão e a tolerância das pessoas? Porque tem hora que nós somos insuportáveis. Pois é. Não, e se a gente sempre for aquele que oferece o perdão, quer dizer que a gente está acima, mais evoluído, mais avançado, mais… Porque aí o outro que é o pecador, que merece o meu perdão, né? E essa questão também, além disso, na Carta dos Hebreus, vai tratar da questão da eficiência, que eu acho que vem junto com essa questão do fazer…

Que agora a gente viu esse paralelo com a parábola, né? Do filho pródigo. Porque ele cumpria os mandamentos, né? E na Carta dos Hebreus ele vai tratar também das questões dos hebreus, além de fazer a eficiência com que fazia. Ele descreve de forma majestosa como os ritos eram feitos, né? Eficientemente, com tudo… Tudo certinho. Tudo certinho. Tudo minuciosamente calculado. Com que eficiência se cumpria a religião, né? Mas não tinha eficácia. Não tinha eficácia. Aí ele vai e diz a eficiência era uma coisa extraordinária dos ritos, né?

E aí ele diz, mas sabe o que que era? Só recordação de… Cada vez que fazia isso, apenas era uma recordação de que nós não conseguimos realmente fazer aquilo que é o importante pra Deus. Não tinha eficiência. E aí ele vai dizer e olha só, e faziam várias vezes e faziam eficientemente. Agora… Não é eficaz. Agora Cristo fez só uma vez e foi eficaz. Ele coloca… E é incrível que ele usa o termo jamais, né? Ele diz assim, a eficiência de todo esse aparato religioso não… Foi inadequado. Não conseguiu o objetivo a que se propõe.

E Cristo fez uma vez só e ele diz, e aquilo que era feito antes, jamais jamais Ele usa o termo jamais. É o sangue de touros e de bode. Jamais. Não conseguia. E Cristo fez uma vez só e é eficaz. Uma vez por todas. Não é mais necessário. Né? Então, esse tipo de oferta que ele fez é uma vez por todas. Quer dizer, é uma preocupação com a eficácia das coisas minuciais. E aí, Aíla, já que você entrou nisso aí, que tem um tema muito interessante, que está no capítulo 9 da Epístola dos Hebreus, quando ele começa a citar o texto profético do sacrificios e oblações.

Como está determinado ao homem morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo, né? Eu pensei que a gente ia entrar nessa aí, só no outro podcast. Eu estava pensando, não, eu não vou entrar nela, não. Vai que você puxou, vamos, né? Porque dessa… Se você pesquisou essa questão aí do juízo, o juízo relacionado à morte vira o juízo, né? E aí, sacrifício e oblações, não quiser, acho que está na sequência, mas corpo me preparaste. Me preparaste. E esse que eu estou aqui é o pai para fazer a tua vontade, não é isso? Mas sim, mas o que você quer saber mesmo de tudo isso aí?

Vamos ficar só no capítulo 9 inteiro, que aí não tem problema. Apenas, apenas. Estou brincando. Do juízo aí, da questão da morte, do juízo. Bom, ele começa no capítulo 9 falando sobre essas questões que eu estava falando, né? Do santuário terrestre, com todos os seus… todos os seus aparatos, seus móveis, seus objetos, tudo para que… para a eficiência. E aí ele diz, continuamente, os sacerdotes realizam esses serviços sagrados, por si e também pelos outros e tal. Aí ele vai e fala que tudo isso é só uma parábola, é um simbolismo.

O que ele está falando, ele deixa bem claro que é uma parábola, que ele está falando, que tudo esse aparato, tudo é uma parábola para a gente poder entender as realidades celestes que vêm com Cristo e tal. Bom, então ele fala que a oferta de Cristo foi uma eficaz, foi uma vez por todas eficaz, aquilo que os sangue de animais tentaram realizar, não conseguiram, porque é o que nós temos a ver com esses animais. E aí ele fala da questão do, aquilo que também já mencionei da outra vez. Não, mas antes ele tem a questão da necessidade da morte do testador para que o testamento seja válido.

É nesse aspecto que ele vem, que ele está falando. Ele primeiro já deixou claro que é um simbolismo dessas realidades daqui, essas realidades terrestres querem representar as realidades mais altas, as realidades celestes. E aí ele fala que como ele passou pela morte, então o testamento agora é válido, é necessário que, no versículo 16, 9 e 16, é necessário que intervenha a morte do testador para que o testamento seja válido. Bom, então, o que vem mais? Aí fala sobre essa nova aliança e ele fala uma coisa interessante, que é como se Cristo tivesse inaugurado o santuário celeste, porque no santuário celeste, anterior a essa coisa toda, é um pouco, a pessoa pergunta assim, como é que se inaugura um santuário celeste?

Quer dizer, antes dessa oferta de Cristo, até a realidade celeste era diferente, isso que ele está dizendo. Para nós, parece estranho, quem pensa assim, num céu pós-morte, todo mundo igual, essa coisa toda, fica difícil de dizer. Aí houve uma mudança no céu, uma inauguração, uma coisa que nunca tinha acontecido, aconteceu. Certo, agora, eu não estou encontrando na parte que você falou. É o 9 e 27. Ah, e assim como aos homens está ordenado morrer em uma só vez, vindo depois disto o juízo, assim também Cristo, tendo oferecido uma vez por todas, para tirar os pecados de muitos, aparecerá a segunda vez, sem pecado, aos que aguardam para a salvação.

Bom, no âmbito católico, evangélico, esse versículo é utilizado, geralmente, fora de todo esse contexto argumentativo, para combater as doutrinas de reencarnação. Acho que vocês sabem disso mais do que eu. Então, é para isso que é utilizado esse versículo. Mas, eu acho que não tem a ver muito isso. Primeiro, não cabe aqui se há ou não há reencarnação. Não é o tema. Então, o que ele quer dizer? Ele está dizendo assim, olha, eu vou falar de coisas terrestres, coisas que vocês pensam no dia-a-dia, que vocês conversam no dia-a-dia, e todos os barulhos agora vêm, né?

Tá, então, estou falando de coisas que vocês vivem, que vocês conversam no dia-a-dia, e com isso estou querendo representar realidades diferentes, para vocês terem uma ideia. Então, eu não acho que caberia que nem combater doutrina de reencarnação, nem afirmar reencarnação, que o tema não é esse, não se trata disso. Então, o que ele está dizendo é, bom, o que a gente vê? A gente vê que as pessoas morrem. Morrem em uma vez, né? Graças a Deus! Não tem que morrer duas vezes, não, né? Ele está falando de tudo que se vê, né?

Os utensílios, os sacrifícios, e o testamento, você vê, o cara morreu, o testamento começa a funcionar, você herda o que você tem que herdar, e aí esse julgamento quer dizer, quando se morre a pessoa tem que encarar, tem que prestar contas do que fez durante a vida que teve, então todo mundo sabe disso, né? Então, o que ele está dizendo é, bom, então, ninguém a partir disso aí fique desesperado ou fique receioso de enfrentar alguma coisa no pós-morte, mas as próprias realidades desse mundo já nos apontam que no pós-morte não é motivo para se entrar em pânico com o que vem logo após a morte, por causa de tudo que Cristo fez, por causa de tudo que a gente já pode perceber como sinal, já nessa realidade aqui, o que ele está dizendo é isso, né?

Então, eu acho que quando usa para combater a reencarnação, não é isso, o texto está sendo usado fora do contexto, né? Então, aí cada um na sua própria doutrina, veja, o que que se está querendo dizer, mas eu não apoio usar esse versículo para dizer, olha, então, aí está aqui testando que é assim que funciona, porque não é isso que ele está dizendo, ele está dizendo assim, eu vou pegar das realidades do comum que a gente vê… Pegar o ponto concreto para falar do abstrato, o terreno para falar do espiritual. Então, quem for, quem discordar, olha, eu uma vez eu conversei muito com um amigo de infância, né?

Há algum tempo antes de conhecer todos esses amigos espíritas que eu tenho aqui, ele queria me… porque tem uma coisa também, do mesmo jeito que tem católicos que dizem que estão católicos e não entendem nada de católicos, tem pessoas que porque nunca leram o livro de Chico Xavier nem de Allan Kardec, mas porque acreditam na reencarnação, eles são espíritas, né? Então, aí a vida moral é Deus que me lida. Então, uma vez se a pessoa veio assim, é porque você é católica, católica não acredita em reencarnação. Eu falei assim, olha, eu sei pouca coisa do espiritismo, mas eu acho que a ênfase do espiritismo é muito mais do que reencarnação.

A reencarnação faz parte da doutrina espírita, mas o foco é cumprir aquilo que Cristo nos ensinou, pelo menos foi isso que eu já consegui perceber. E depois, eu sempre digo assim, se a reencarnação for uma lei, se for uma lei universal, a gente não tem nem que concordar nem de que discordar, a gente está dentro dela. Se é uma lei, então não se preocupe se eu concordo ou discordo, porque eu posso não entender e não concordar com a lei da gravidade, mas, poxa, se eu me jogar bem aqui nessa janela que eu estou, eu vou estar dentro da lei da gravidade, vou me esborrachar lá no chão, está entendendo?

Então, se é uma coisa que todo mundo está dentro, então não se preocupe se eu creio ou não creio, porque eu estando dentro, vai funcionar, não é? E se não for, não vai funcionar, e daí? Qual é o problema? Cumprir os mandamentos do Cristo exige a reencarnação, ou não, vai lhe trazer benefícios. Vai trazer benefícios, e o resto funciona. Com reencarnação, com ressurreição, você vai estar bem. Então, eu acho que às vezes as pessoas se preocupam muito com questões doutrinárias, periféricas, porque eu vejo assim, eu vou falar que como uma pessoa de fora, o que é que eu observo?

Eu acho que a pessoa como essa pessoa lá do meu passado, que acreditava na reencarnação, mas tinha uma vida moral não muito correta, de que adianta? Eu pergunto, de que adianta? Ela não era, por exemplo, testemunho para mim. Então, usar, inclusive, essa fé na reencarnação, pra dizer fica pra depois, quer dizer, eu não vou me esforçar pra fazer o bem agora, porque eu vou ter uma outra oportunidade, isso é mais terrível do que não acreditar, porque tem algumas pessoas que não acreditam na reencarnação e elas dizem assim, poxa vida, eu tenho que cuidar da minha vida agora, eu tenho que fazer a vontade de Deus, porque eu não vou ter outra chance, então deixa eu me esforçar, eu tenho isso aqui como se fosse uma oportunidade única, então eu tenho que estar envolvido.

E aí, a pessoa, então, uma vez também eu tava ouvindo um ateu, e um ateu que tem razões para não acreditar, razões sérias, e ele diz assim, enquanto as pessoas estão bobeando e dizendo assim, eu vou morrer e vou me encontrar depois com minha filha, por exemplo, no lado de lá, eu não acredito que existe no lado de lá, então aproveito pra dar toda atenção a minha filha agora, poxa, isso aí, quer dizer, mesmo ele não tendo fé na vida pós-morte, mas isso aí é profundo, ele diz, olha, eu me dedico a ela agora, porque eu não acredito que depois eu estarei junto com ela, porque eu não acredito nada no depois.

Então, parece um pouco com o católico, o evangélico, que não acredita na reencarnação, ele diz, poxa, eu tenho que me envolver agora, me dedicar agora, sabe, então, tudo tem, eu acho assim, eu respeito todas as pessoas, eu acho que todo mundo tem o seu momento, elas têm que estar no grupo religioso e na doutrina que lhe faz bem, que ajuda a evoluir como ser humano, sabe, então, eu até falei nessa época pra esse amigo, eu disse assim, olha, algumas pessoas precisam não acreditar na reencarnação pra poder fazer a coisa certa, elas precisam disso.

Eu não tenho a menor dúvida assim, acho que se eu quiser, um espírito com o mínimo de maturidade de percepção sobre a própria filiação religiosa, espiritual, ele vai ter essa noção de que, na verdade, as diversas correntes, as diversas tradições religiosas, espirituais, elas são ferramentas, são instrumentos, e cada alma que está nesse mundo, vem com as ferramentas que precisa pra cumprir o que tem que cumprir. Então, querer que todo mundo, nós espíritas, no caso, queremos que todos sejam reencarnacionistas, a pessoa que quer isso, ela não entendeu alguma coisa muito importante.

E não entendeu, né, Aíla? E aí é interessante, o que nós estamos falando aqui até agora, sobre a estrutura da Carta dos Hebreus. Que, independente dessas crenças periféricas que você tenha, todos estamos em marcha. Todos estamos em marcha. E o que é pecado é não avançar. É não avançar. Não melhorar, não ir em direção a esse objetivo. Não evoluir, não ir em direção, parar, estacionar. Tem até uma frase muito linda do Chico, do Chico Xavier, que ele dizia assim, eu me sinto como um verme que rasteja, mas rasteja para a frente.

Bonito. Bonito, a gente vê. Porque não importa a velocidade que você está, importa se você está avançando. E nessa grande marcha, através do deserto, né, que ele vai falar, tem aqueles que avançaram bastante na fé, que são do capítulo 11. Que passaram por tudo por causa da fé. E teve gente que reclamou uma unha encravada. Certo? Então, tem de todo tipo. Então, é uma marcha que você tem que pensar assim, uns bem na frente, e outros lá no final da fila. Lá no finalzinho. Então, tem gente que diz assim, vamos por aqui.

Está lá na frente, e o resto todo vem atrás. E tem gente que diz assim, eu não sei para onde eu vou, porque eu só vejo as costas dos outros. Mas eu estou seguindo as costas. Porque eu digo que eu sou católica, existe proscição no catolicismo. E a gente pergunta assim, por onde vai a proscição? A pessoa que está lá no finalzinho, assim, eu não sei. As costas das pessoas estão aqui. Vai olhando para a nuca aqui. Olhando para a nuca das pessoas. Se você estiver vendo a nuca, você está no caminho certo. E ainda tem esse, tem o que está cantando lá na frente, um tipo de canção, um tipo de hino, de cântico, e os lá de trás não estão nem ouvindo, e estão cantando outra coisa.

Tem de tudo em uma marcha, gente. O importante é estar na marcha. O importante é estar na marcha. E tem um que volta, que vem assim, e vai até o final da fila. Como é que é, pessoal? Nós estamos desorganizados, vocês estão cantando outra coisa, e nós vamos para tal lugar, e dá uma informação. E se manda de novo lá para frente, porque o lugar dele é lá na frente. Eu estou lembrando uma frase aqui do Paulo Estevam, que o Paulo fala para o João Marcos, sobrinho do Barnabé, quando ele resolve voltar da primeira viagem, não quer prosseguir.

Aí o Paulo diz para ele assim, olha, lembre-se de que a jornada para Deus se dá também em filas. Todos devem chegar bem, mas os que se desgarram devem chegar bem por conta própria. Interessante. Aí é doloroso, né? Porque todos têm que chegar bem. Os que estão na frente estão dando a mão para a gente, e a gente dando a mão para os que estão para trás. E um passa a água, olhando, vamos passando a água. Isso faz lembrar a questão da nuca, faz lembrar o que a gente falou no começo, né? Sobre a responsabilidade do cristão no que ele está fazendo.

Os que estão andando na frente estão me sinalizando para onde é que é. Estão sinalizando para quem está atrás, para que rumo é. Porque ela está numa posição mais privilegiada, pelos próprios méritos, pelo próprio contexto, está mais à frente, está podendo enxergar melhor a cabeça ali. Então ele está andando e quem está atrás não está vendo, às vezes, a meta final, mas está vendo aquele que está caminhando no meio. Então é uma responsabilidade nossa. E eu acho que toda essa nossa reflexão sobre marchar, ir à frente, eu acho que é uma excelente reflexão para a gente ir caminhando para a nossa conclusão.

Só para a gente fechar então, o último fechamento, dizer então que tudo na Epístola aos Rebeus caminha para um centro, para uma ideia central de que o Cristo, o Messias, é o verdadeiro sumo sacerdote da humanidade. É o verdadeiro sumo sacerdote. Só existe Ele. E que Ele então é esse que faz a mediação entre a humanidade e Deus. Certo? Agora, o que Ele vai colocar no capítulo 12 sobre nós estarmos numa luta, é uma marcha que é uma luta, e não é ajuda de todos, ajuda desses heróis da fé, desses que já foram. Todos estão envolvidos, que a gente consiga.

Então, mas essas mediações, elas estão dentro da mediação de Cristo. Elas estão entre Cristo e nós, que estamos aqui. Como membros desse corpo simbólico, esse corpo místico, que são esses que seguem Cristo. Então, a gente faz mediações, nós aqui ajudamos os outros, a gente intercede uns pelos outros e tal. E o que Ele, quando Ele menciona os que já foram, Ele menciona como no sentido de que a morte não destrói os vínculos que nos unem e que nos fazem solidários uns com os outros. Então, esses vínculos, eles não são destruídos com a morte.

A morte, o que vai para a Terra e tudo mais, é o corpo físico, mas o que a pessoa é, os vínculos que ela tem, esses vínculos não são destruídos com a morte, porque também esses vínculos, eles são anteriores, esses vínculos de afeto, de relacionamento, eles são anteriores à nossa vinda do útero materno. Já no útero materno, a gente é um feto e já está se relacionando com o meio, através de nossa mãe, tanto que existe traumas intrauterinos, causas assim. Então, esse vínculo de relacionamento, de comunicação, esse vínculo afetivo e de comunicação, ele existe e ele permanece no pós-morte, porque por causa da ressurreição, a morte não tem poder de destruir esses vínculos.

Então, eles existem. Então, é isso que ele quer dizer, que as pessoas estão se sentindo responsáveis. Então, isso aí é uma grande controvérsia entre católicos e protestantes. Por causa dos católicos, tem os santos. Se eles se envolvem, se eles são intercessores, se alguém, após a morte, se envolve, se intercede, se solidariza, o católico diz que sim, o protestante diz que não. Então, é uma discordância que existe. O que a gente quer dizer, assim, por que nós acreditamos nessa ajuda mútua? Nós não acreditamos que eles estejam entre nós e Deus.

Entre nós e Deus, um católico que estuda não vai dizer isso. Pode ser a dona Maria ali da vizinha. Mas, entre nós e Deus é o Cristo. E, Essa intercessão, essa, digamos assim, mediação entre aspas que uns exercem em função dos outros, é uma coisa que está no tomo lugar do Cristo, não. É em Cristo que se exerce isso. É por causa de Cristo que se exerce isso. Está abaixo de Cristo, tudo isso. Então, é mais ou menos isso que eu queria dizer. Ah, que coisa linda. Bom, então, para encerrar, nós vamos ler aqui um trecho que está no livro Fonte Viva, o capítulo 103 do livro Fonte Viva, que é um comentário de Emmanuel, da Epístola aos Hebreus, capítulo 6, versículo 15, que diz assim, E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa.

Hebreus, capítulo 6, versículo 15, livro Fonte Viva, capítulo 103, Esperar e Alcançar. Comenta o benfeitor. A esperança de atingir a paz divina, com felicidade inalterável, vibra em todas as criaturas. O anseio dos patriarcas da antiguidade é análogo ao dos homens modernos. O lar coroado de bênçãos, o dever bem cumprido, a consciência edificada, o ideal superior convenientemente atendido, o trabalho vitorioso, a colheita feliz. As aspirações da alma são sempre as mesmas em toda parte. Contudo, esperar, significa persistir sem cansaço, e alcançar, expressa triunfar definitivamente.

Entre o objetivo e a meta, faz-se imperativo o esforço constante e inadiável. Esperança não é inação, e paciência traduz obstinação pacífica na obra que nos propomos realizar. Se petrens materializar os teus propósitos com o Cristo, guarda a fórmula da paciência como a única porta aberta para a vitória. Há sofrimentos em teus sonhos torturados, incompreensão de muitos em derredor de teus desejos? Ingratidão e a dor te visitam o espírito? Não chores perdendo os minutos, nem mal digas a dificuldade. Aguarda as surpresas do tempo, agindo sem precipitação.

Se cada noite é nova sombra, cada dia é nova luz. Lembra-te de que nem todas as águas se acham no mesmo nível, e nem todas as árvores são iguais no tamanho, no crescimento ou na espécie. Recorda as palavras do apóstolo dos gentios, esperando com paciência alcançaremos a promessa. Não te esqueças de que o êxito seguro não é de quem o assalta, mas sim daquele que sabe agir, perseverar e esperar por ele. Legendas pela comunidade Amara.org

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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