Prepare-se para uma viagem emocionante e reveladora ao universo de Divaldo Pereira Franco! Neste episódio imperdível do PodSER, temos a honra de receber o querido médium em um bate-papo íntimo e profundo. Divaldo abre as portas da Mansão do Caminho e nos presenteia com histórias de sua vida, desde a infância até os desafios e aprendizados de sua mediunidade.
Neste episódio
- A infância de Divaldo e o convívio com uma família “laboratório” para o aprendizado.
- Os primeiros contatos com a mediunidade e a figura de seu amigo de infância, Chaguaraçu.
- A emocionante psicografia da carta de sua mãe através de Chico Xavier e a comprovação da vida após a morte.
- O primeiro encontro com Joana de Ângelis e a revelação de sua identidade como “espírito amigo”.
- As primeiras palestras e os desafios de ser um jovem médium expositor.
- A importância da responsabilidade e do estudo na mediunidade.
- A visão de Divaldo sobre a banalização da mediunidade na sociedade atual.
Participantes
- Thiago Franklin
- Divaldo Pereira Franco
- Haroldo Dutra Dias
Destaques
- A comovente homenagem de Gladston Lage, lida por Haroldo Dutra Dias, que exalta a caridade e a missão de Divaldo.
- Divaldo compartilha detalhes íntimos de sua família, revelando como as adversidades foram oportunidades de aprendizado e crescimento espiritual.
- A história da carta psicografada por Chico Xavier, que trouxe uma mensagem de sua mãe e a comprovação de um fato que só as duas sabiam, reforçando a grandeza da mediunidade.
- A revelação da identidade de Joana de Ângelis como o “espírito amigo” e a forma como ela o guiou em seu desenvolvimento mediúnico.
- Divaldo aborda a importância de dignificar a mediunidade, alertando sobre a banalização e a necessidade de responsabilidade e estudo contínuo.
Ler transcrição do episódio
Há de nascer, nova era de crescer Novo homem, coração de quem quer servir É prosperir, novo verbo é burilar O íntimo colorindo o céu de um novo ser Olá pessoal, estamos iniciando mais um episódio do Pode Ser Aqui é Thiago Franklin e libertemos a claridade que jaz enclausurada em nossos corações e avancemos. Olá pessoal, aqui é Haroldo Dutra Dias, diretamente da Mansão do Caminho, 21 de março de 2015, essa vai ser uma efeméride que vai ficar para a história, a nossa frase está tirada do Lampadário Espírita de Joana de Ângeles, discografada por Divaldo Pereira Franco.
Em todos os momentos da vida do incansável ceareiro do amor, essas pequenas grandes lições de toda hora, deveres de todo momento, constituíram a seara sublime da perene Boa Nova. Queridas irmãs, queridos irmãos, aqui é Divaldo Pereira Franco em nosso lar e o pensamento que nós retiramos do vida feliz, diz que irriga o teu organismo com pensamentos saudáveis, a ação da mente sobre emoção, o corpo e toda a aparelhagem fisiológica é incontestável. Estamos aqui para este encontro muito querido no qual me compraso infinitamente.
É isso aí pessoal, olha que maravilha, nós estamos aqui na Mansão do Caminho, na casa do Divaldo, na sala dele, com muitos amigos nos observando, gravando esse podcast, nossa eu estou até arrepiado de emoção porque, olha, ver o Divaldo com essa alegria de nos receber, com o Lucas, com a turma toda aqui na mansão, ver as crianças no dia a dia, foi uma emoção para nós, não é Haroldo? Já era um sonho, né Tiago, fazer um pode ser em homenagem a Divaldo Franco, mas a gente não imaginava que a misericórdia de Jesus era tão grande, porque nós fomos recebidos pelo Divaldo, toda a equipe do Sexta, aqui Gesiane, Luís, o Júlio Adriano, o Tiago Franco e eu, fomos recebidos na casa dele, estamos tomando café com ele, almoçando com ele, passando o dia, visitando cada lugarzinho da Mansão do Caminho, vendo a obra com os olhos as crianças, todo o atendimento e ainda tendo a oportunidade de registrar para vocês que nos acompanham, um pouco da história deste semeador de estrelas, como diz Sueli Caldaschuba, mas contando também aspectos da vida do Divaldo e deixando ele falar de uma maneira que talvez a gente não tenha ouvido ainda ele se expressar, contando histórias e casos e experiências, porque as experiências dele são pérolas recolhidas e que ele generosamente está disposto a repartir conosco, então é uma emoção muito grande, não é Tiago?
Talvez um podcast que vai ficar para a história, para a nossa história do ser. O meu primeiro contato com o Divaldo Franco foi lá em Belo Horizonte, uma peça de teatro que eu assisti sobre a vida do Divaldo, se eu não me engano a peça se chamava Francamente Divaldo e eu falei, nossa, mas que pessoa maravilhosa, uma história de vida fantástica com a mediunidade e eu acho que o Divaldo podia trazer um pouquinho dessa infância dele, como foi o primeiro contato com a mediunidade, eu acho que é uma história que todo mundo deve conhecer, né?
Podia falar para a gente um pouquinho, Divaldo? Com muito prazer, agora eu gostaria de começar as evocações em uma homenagem à mulher grandiosa que na terra foi a minha genitora, sem nenhuma vinculação remota freudiana, considero uma verdadeira missionária e graças a quem o pouco que eu tenho conseguido ser devo-lhe em total integridade, porque foi um exemplo ímpar, confirmando o que nos diz a Doutrina Espírita, nós temos a família, não que gostaríamos, mas aquela família de que temos necessidade para evoluir e nosso lar modesto foi um lar laboratório no qual ele exerceu o papel de grande trabalhadora do bem, conseguindo manter-nos espíritos atribulados, ricos de conflitos, numa união possível, embora o temperamento de cada um e recordo-me dos lances dessa mulher extraordinária através da convivência com o meu irmão mais velho.
Era um homem exemplar no caráter, temperamento muito forte e quando eu nasci, ele já contava há 26 anos, eu sou o último, ele é o primeiro, mas nesta longa existência eu ainda não encontrei uma pessoa com temperamento que ao dele se assemelhe, porque era de uma firmeza de caráter e de um temperamento rebelde ímpar, ele casou-se com uma mulher trabalhadora dedicada que todos nós tínhamos como verdadeira irmã e meus pais a consideravam uma filha e eles foram relativamente felizes até ela ficar grávida com 11 meses mais ou menos depois de casada, mas infelizmente a gestação não foi adiante e ela abortou e o meu irmão temperamental, machista, conforme os tristes padrões da época, culpou-a e inimizou-se com ela, inimizou-se e continuou residindo no mesmo lar, embora sem lhe dizer uma palavra, por mais de 20 anos e eu era criança e acompanhei profundamente vinculado a essa senhora muito bondosa e nobre que eu amava com extremos de devotamento.
Certo dia eu perguntei-lhe, como é que você suporta? Porque parece que você é que é nossa irmã e que é filha de meus pais, porque ele se inimizava com meu pai, por qualquer motivo que eu nunca soube ele deixou de falar com meu pai e meu pai manteve esse sentimento de dor durante toda a existência que foi longa até a sua morte e curiosamente ele, a minha cunhada disse, ele não é mal, Divaldo, Gênesio é um homem ímpar de valores morais, mas como ele acha que eu sou culpada da morte do nosso filhinho, ele me detesta, mas quando ele está enfermo, então o amor que ele tem por mim aflora, eu ajudo, atendo e logo que ele se recupera, ele volta à inimizade.
Naquele tempo não havia divórcio e eles tinham uma vida classe média, de repente ele resolveu abandoná-la, abandonou-a porque se apaixonou por uma outra senhora que morava na mesma rua e foi residir com essa senhora e passava com a senhora pela porta da sua casa, sem sequer ter dito a ela que ia deixá-la, simplesmente saiu e não voltou nunca mais, mas continuou muito meu amigo porque ele me queria muito bem, a mim e a minha mãe, éramos os únicos na família a quem ele queria bem e eu não entendia porque era pequeno, ainda estava com oito, nove anos, mas certo dia eu perguntei a ele na minha ingenuidade, por que você abandonou Malvina?
Ele disse porque ela é má, daí o nome, ela vem de uma progenitura muito má. Aí eu não fui adiante e ele me disse, era uma mulher que só me deu azar, perdeu meu filho, eu nunca progredi e com esta outra o meu destino mudou completamente, eu estou muito bem economicamente e ele chegou a me aliar uma pequena fortuna. Nesse íntegro eu cheguei a idade adulta, transferi-me para Salvador e ele me ajudou pagando a passagem para eu vir residir em Salvador e mantínhamos correspondência, ele escrevia todo mês, ele me respondia.
Quando eu comecei a viajar, agradecendo todo o carinho que ele teve de me ter ajudado, eu lhe mandava um postal de cada cidade e certo dia um irmão meu intermediário, que se fez amigo dele, me disse, olha, não mande mais correspondência para Ginésio, porque ele disse que você anda se exibindo de países que ele nunca foi, então ele fica magoado, você pensa fazendo bem e ele está muito aborrecido com você. Eu então deixei de mandar. Depois de algum tempo, esse mesmo irmão me disse, olha, Ginésio está muito aborrecido com você, disse que você ficou rico e de repente abandonou e aí voltei a escrever.
Mas nesse íntegro, a dor que ele sentia por não ter tido um filho foi suavizada, porque foi morar perto dele um casal que tinha um filhinho. E ele estava, certo dia, à janela, quando a criança passou, brincou e ele se apaixonou pela criança. Apaixonou-se de tal forma que conseguiu atrair o interesse dos pais e se tornou uma espécie de padrinho, um benfeitor. Mas de tal forma foi a paixão que ele começou a perturbar a educação da criança, a tomar conta, a criar situações embaraçosas. E a família, para se livrar, transferiu-se para Salvador.
Ele então contratou detetives para descobrir onde a família vivia. Descobriu, veio a Salvador, comprou um apartamento da fronte da casa para poder ver a criança ir para a escola, voltar da escola, porque a família queixou de menores. E ele ficou proibido de se aproximar até 300 metros da criança. Mas continuou a paixão. Mais uma peculiaridade de meu irmão Genésio, a quem eu tenho muita estima, ele está no além, é que ele adorava a minha mãe. E nesse tempo, minha mãe, meu pai, minha irmã moravam conosco e eu trabalhava no Instituto de Previdência.
Consegui um empréstimo e construí uma casinha aqui ao lado e, com a permissão da diretoria, ofereci a casa, a instituição e trouxe meus pais e minha irmã para morarem conosco, a fim de estarmos perto. E nós passávamos muita dificuldade. Tínhamos dias muito difíceis, de escassez de alimentos e ele disfrutava de uma situação econômica privilegiada. E uma vez por mês ele vinha visitar minha mãe. E era tão peculiar o nosso relacionamento que ele saltava aqui, deixava o carro e me dizia, mãe não está necessitando de nada, não é?
Eu dizia, não está necessitando de nada. E estávamos necessitando de tudo. Mas eu procurava prover do que era possível e ele era muito humilde, muito modesta, tudo estava ótimo. E ele continuou amando esse menino. Certo dia, ele veio me dizer, o menino já estava com uns 15 anos, que ia deixar todos os bens para aquela criança. E pela primeira vez eu fiquei magoado, porque a esposa, abandonada, trabalhava infatigavelmente. E eu lhe pedi várias vezes que ajudasse, que lhe desse uma pequena importância, em gratidão aos 20 anos que ela lhe havia doado.
Ele disse, não, eu a odeio, não ajudarei. Então quando ele me falou que ia deixar todos os bens para o menino, eu disse, e Malvina, esse anjo bom da sua vida. Ele disse, se você me falar nela novamente, eu nunca mais falarei com você. E eu sabia que ele fazia isso. Eu digo, não, eu não vou falar sobre ela, eu vou falar sobre sua mulher, que você abandonou. E que ela me pede ajuda. E eu não tenho também recursos, embora o mínimo, para ajudá-la. Nesse íntere, chegou o divórcio ao Brasil. E a minha cunhada resolveu o divorciar-se.
Escreveu uma longa carta, queria tirar o sobrenome, Franco, porque ele pesava muito, pesava a vida ao passar com a outra. E eu achei justo. Ela então disse assim, peça seu irmão para ele, pediu o divórcio, pagaram o advogado. Então eu fiz uma carta, contando que ela já estava idosa, queria libertar-se do passado, desejava voltar ao seu nome de solteira, e que ele fizesse o divórcio para casar-se com a senhora que lhe deu tanta sorte, que era uma mulher digna, merecia, portanto, o lar, a garantia das leis, etc. Ele então me respondeu, já que você a ama tanto, contrate o advogado, pague e faça o divórcio.
Então, eu contratei o advogado e fizemos o divórcio. Ela ficou muito feliz, etc. E foram passando os anos, e ele começou a ter tormentos pelo temperamento, do ódio que ele tinha de algumas pessoas, inclusive de alguns dos próprios irmãos. Mas minha mãe era o anjo tutelar que eu acalmava. Chegava, acariciava-lhe a cabeça, já um homem de mais de 80 anos, e ele então chorava copiosamente. Então eu agradeço a Deus a felicidade imensa de ter nascido num lar aonde eu aprendi a conviver com pessoas difíceis. Também a minha irmã, uma das minhas irmãs, detestava meu pai.
De uma forma tal que ela estava sentada e me queria muito bem. E, de repente, ela dizia, seu pai está vindo aí. Levantava, e dizia assim, mas meu pai é o seu pai. Não. Eu digo, então, você está falando mal de nossa mãe, porque nós só temos um pai. Mas eu o detesto. Daí, a cinco minutos, ele chegava. Certo dia, estávamos no ônibus, eu sentado à janela, e ele, quando de repente, ele me olhou muito triste e disse, meu filho, eles não pronunciavam os nomes, sua irmã me odeia, não é? Eu disse, é, pai. Se ela pudesse me matar, ela me matava.
Eu digo, matava, senhor. Mas por que, meu filho? O que é que eu fiz à sua irmã? Então, eu vi a cena ali no ônibus. O inconsciente dele liberou uma cena terrível na Argélia, no bordel, quando ele a assassinou. Então, ela veio como filha para poder modificar. Passaram-se os anos, o ódio continuava, e mãe entre os dois, tentando apaziguar, porque ela o provocava e ele se irritava, havia atritos, e mãe defiando o anjo crucificado. Mas ele foi adoecendo, começou com os sintomas de Alzheimer, e certo dia, os benfeitores disseram que ele ia desencarnar.
Então, eu falei com minha irmã. Ele olhou e disse, pai, vai morrer, de hoje para amanhã. É bom você fazer as pazes. Ela me queria muito bem. É bom você fazer as pazes, não pode ficar isso para sempre. Na outra encarnação vai ser muito pior. Aproveite que ele está aqui, então coloque-o num quartinho separado e peça perdão a ele. Ela disse, mas dia eu tenho medo dele. Eu nunca lhes contei o motivo daquela inimizade. Eu tenho pavor, eu não posso ficar. Você fica comigo ao lado? Eu digo, fico, sem dúvida. Então, trouxe, a trouxe minha mãe, eu entrei com ela e disse, pai, Dete está aqui.
Ele recobrou a lucidez, abriu os olhos e olhou bem para ela e disse, minha filha, perdoe seu pai. Eu não sei o que ele fez. Perdoe-me. Então, foi uma cena, porque ela se dobrou sobre ele e aí pediu perdão. Pai, eu também não sei, mas eu odeio o Senhor. O Senhor me fez algum mal. Em alguma vida o Senhor me fez algum mal, mas eu lhe perdoo agora na hora da morte. Perdoe todo o mal que eu lhe fiz, os ódios que eu tive. Aí abraçaram-se, eu saí um pouco para deixá-los a sós. E entrei com mãe, que se despediu e ele desencarnou em paz.
Então, era um laboratório a nossa família, especial. E hoje eu percebo que a divindade me concedeu esta honra para eu poder aprender a conviver com pessoas de vários temperamentos, ter paciência, porque estou acostumado, desde o berço. E minha mãe continuou sendo esse anjo bom, da família toda. Eu recordo-me que na infância, por volta de 1929, 32, depois do creque da bolsa de Nova York, o meu pai perdeu praticamente o pouco que tinha. E nós começamos a passar necessidades, as necessidades básicas. E como eu me sentava ao lado de minha mãe à mesa, eu ficava surpreendido, surpreso de vê-la tomar só café.
Um pouquinho de farinha, tomava café. E um dia, aos quatro anos, eu perguntei, mãe, por que a senhora só toma café? Ah, meu filho, porque tira a fome. E por que a senhora quer que tire a fome? Porque a comida está pouca. Então, como eu já estou criada, você e seu irmão, Oswaldo, ele era mais velho do que os cinco anos, necessitam de desenvolver-se. Então, a comida fica para vocês. Só mais tarde, aos sete anos, é que eu pude entender a grandeza dessa renúncia. Ela me ensinou a renunciar, porque ela deixava de comer para que os filhos pudessem comer.
Quando a comida era farta, ela fazia a refeição normal. Mas toda vez que tinha qualquer escassez, ou ela não sentava à mesa, ou ela evitava comer, tomava café. E eu perguntei, mas por que o café? Porque o café tira a fome, faz bem, dá força e emagrece. Já naquela época. Então, é uma família assim, muito especial. E outros irmãos também. É impressionante, porque uma outra irmã, a mais velha, namorou nos velhos tempos, digamos que por volta dos anos 28 a 30, casou sem comunicar a nossa família, mudou-se sem se despedir dos pais e foi morar em Aracaju.
Então, eu não conhecia esta irmã. Mais tarde, em 1956, eu já era funcionário público e houve um inquérito administrativo da repartição e eu fui nomeado para fazer parte da comissão de inquérito. Viajei. Viajei e fui visitá-la. Ao chegar à sua casa, bati a porta, ela veio receber e perguntou, você é quem? Eu disse, eu sou seu irmão. Qual deles? Eu disse, Divaldo, o último que você não conhece. Fizemos as pazes. Convidei-a para que viesse. Reveja os seus pais, que não via há mais de 30 anos. Ela veio. Chegou num dia, no dia seguinte brigou com a outra irmã, voltou e nunca mais voltou até a morte.
Era uma família muito especial. Mas os meus sobrinhos, os seus filhos, quatro, eu indo muito a Aracaju, todos se tornaram espíritas. E ela desencarnou muito bem comigo, mas ela me dizia, eu não posso ser espírita. Mas por que não, Otília? Porque eu odeio. E sendo espírita, eu tenho que deixar de odiar. E eu não quero deixar de odiar. Então desencarnou idosa com 92 anos. Mas era um ser gentil, bondosa, mãe excelente, esposa exemplar, mas tinha a sua sombra do passado. Então eu penso que a divindade me honrou com essa oportunidade para poder treinar as tarefas que por certo eu deveria ter no futuro, lidando com pessoas difíceis, pessoas agressivas, sofrendo algumas agressões físicas e sem guardar raiva pelo hábito desde a infância.
E porque quando minha mãe desencarnou em 1972, ela estava em aparelhos, fiz um pré-coma e estávamos com minha irmã Dete, que a adorava. Tinha tanto amor por ela que se deitava numa esteira no chão para ficar segurando a mão dela, para que se ela tivesse qualquer coisa, ela atender. Era um amor impressionante, embora o seu temperamento atormentado tivesse reações as mais inesperadas, mas era um amor em comum. E nesse momento, minha mãe despertou, ela possuía olhos verdes lindos, ia dizer brincando para ela, mãe, essa mulher me deu tanta coisa, podia ter me dado seus olhos verdes também.
Ela sorria e disse assim, depende de Deus, meu filho. Depende de Deus. Mas então, ela despertou e disse, de Nair, que era minha irmã que ressuscitou, está aqui, 33 anos de sofrimento no além. Ela está me pedindo para vir logo, a fim de arrancá-la dessa dor que ela já não aguenta mais. Eu irei, meu filho, mas assim que eu a acalmar, eu volto para tomar conta de você e de Dete. Que vocês não têm ninguém. E ela disse, como eu não tenho, mãe? Você já sabe da minha família, dos meus irmãos espirituais, da família daqui do centro, das pessoas que renunciaram a tudo para vir trabalhar.
E ela disse, é, mas não tem assim a família. Um irmão, uma irmã carnal. Você é muito sozinho. Tem Nilson, que é como seu pai. Tem Dete, que ela se dedicou a trabalhar para a creche. Ela costurava 16 horas por dia, para atender a todas as crianças da creche. Ela tinha aquele lado de angústia e tinha o lado de bondade. Como Deus é fantástico. Uma coisa ia compensando a outra. Pois bem. E a gente imagina, não é, Divaldo? Você estava dizendo isso, que as pessoas às vezes veem você subindo e fazendo uma palestra e veem o Divaldo orador.
E não imaginam esse ser humano que fez uma trajetória e que teve que conciliar tantos opostos. Teve que acolher essas adversidades ou esses espinhos para transformar em flores do dever. Flores da missão. Eu acho que depois as pessoas ouvirem isso, elas vão pensar um pouquinho mais. E agradecer a Deus as famílias nas quais nascem. Não é impulso do acaso, é um programa. Por mais que ela traga desafios, adversidades. É a única forma de reabilitar-se do passado. Então minha mãe desencarna. Eu vejo quando os espíritos a retiram do corpo.
E logo Joana abraça e diz-lhe, lembra que Divaldo lhe falava do burrinho de São Francisco? E ele contava muito que São Francisco era hora de morrer. Recebeu frelião que ele pegou para o meu pai. Eu tenho um amigo que maltrata muito o seu jumentinho. O jumentinho está com ele há 44 anos. Não tem mais resistência. Ele é exigente. Não tem compaixão do jumento. O que é que eu faço? São Francisco disse, quem é ele? Traga-o aqui para eu repreender esse ingrato. Frelião, de onde sois vós, meu pai? Vosso corpo é o vosso jumentinho.
Veja como está. Vós me pediste para desnudar-vos e colocá-los nas cinzas. Ele não aguenta mais. Então São Francisco começou a chorar. Pai, perdoe-me meu jumentinho. Eu não fiz por mal. Eu contava a minha mãe, ela se comovia. Então na hora que ela desperta, olha o seu jumentinho, Ana. 86 anos que ele lhe carregou. Agradeça. Ela então se ajoelhou, o velho hábito. Se ajoelhou e agradeceu. Comovida. E então foi levada para o além. Mas, quando ela estava morrendo, ela disse, meu filho, eu vou voltar para tomar conta de vocês.
Eu disse, não volte, mãe. Os bons Espíritos dizem-me que há um lugar muito bom que a aguarda. A senhora vai ser muito feliz no mais além. Ela disse, qual é a mãe que pode se sentir feliz no além? Com os filhos na terra sofrendo. Enquanto vocês viverem, eu estarei ao seu lado. Eu insisti. Eu disse, mãe. Ela disse, meu filho, você quer discutir com sua mãe na hora da morte? Ela falou isso. Ela ganhava toda a batalha. Toda a argumentação. É daí que veio seu poder de argumentação de novo. Aí eu calei a boca. E dez dias depois eu estava na cidade de Castro, no Paraná.
E falava sobre mortalidade da alma. Repetidamente eu virei-me e a cinco metros ela estava com o vestido que eu lhe havia dado do meu primeiro salário. Um vestido de seda, de chifão, branco com umas florzinhas azuis. Minha irmã fez o vestido, ela usou uma vez para fazer uma fotografia e disse quando morreu que era com este vestido que o meu filho me deu. Enquanto ela apareceu, me disse assim, voltei, meu filho. Ela estava exuberante, com um halo de luz muito delicado em volta da aura. Voltei, diga-lhes que ninguém morre.
Que a vida continua. É uma porta que se cerra, mas é uma porta que se abre na direção do infinito. Então entusiasmado acho que fiz a mais emotiva conferência da minha vida. Nossa! Onde foi de volta? Castro, no Paraná. Fica mais ou menos a uns 60 quilômetros de Ponta Grossa. Isso em que ano, Divaldo? 1972. 72. Um ano depois de eu nascer. Estava começando. 71. Então, eu considero essa família uma bênção. Um laboratório. Porque até hoje eu não tenho mais nenhum irmão, só tenho sobrinhos netos. Não tenho nenhum vínculo material.
Mas, curiosamente, todos os meus irmãos, talvez porque eu fosse o último, gostavam de mim. Qualquer coisa atraía-os a mim. Depois, quando eu me tornei espírita, dois deles se tornaram espíritas também. E mesmo o Genésio, que não aceitava, mas era ter uma dor de cabeça, ele vinha de Feira de Santana e me dizia dê-me aí um passe pra tirar essa dor de cabeça. E eu tinha que tirar a dor de cabeça. Eu dava também um analgésico pra ele. Porque era a forma de entender os espíritos. Mas não é isso, Genésio. É exatamente isso.
Eu sei que você tem um pouco de feiticeiro. Um pouco de feiticeiro? Era um temperamento especial. E, concomitantemente, a mediunidade. Que era uma coisa tormentosa porque eu via as pessoas duplas. Eu me sentia muito só nessa confusão. E quando eu contava há seis anos, me apareceu um índio. Um índio brasileiro. Pequeno como eu. Ele apareceu e nós começamos a brincar no quintal. Era um quintal muito grande, dessas casas antigas. E eu perguntei qual era o seu nome? Ele disse Chaguaraçu. E ficamos amigos. Foi o meu amigo de infância.
Subíamos em árvores. Caíamos, brincávamos. Corríamos. E ele esteve comigo por longos anos até eu completar 12 anos. Quando eu completei 12 anos ele me disse eu vou reencarnar. Mas eu não sabia o que era reencarnar. Eu pensei que era ressuscitar. Eu digo, mas por que? Você é morto? Eu disse, sou morto. Eu não tinha ideia. Não sabia que era morto. Agora, Divaldo, a gente quer que você conta um pouco da eclosão da sua mediunidade. Já está começando, mas teve algum episódio marcante não por você da sua clarividência de alguma comunicação da sua mãe?
No dia 2 de fevereiro de 1982 eu voltava de Miami depois de umas atividades. E antes havia escrito a dona Altiva Noronha que era minha intermediária junto a Chico Xavier porque se a carta fosse direta talvez não chegasse a ele. E combinamos que eu passaria por Uberaba. Acontecia ser uma quarta-feira. E ele anuiu. Era dia que não tinha atividade. Ele anuiu e quando eu cheguei de Miami ao Rio, fui ao Uberaba de avião. E eu me hospedava com Emmanuel Martin Chaves. Um verdadeiro aposta do Espiritismo Berabeza. E ele sabendo que o Chico me esperava a noite, nós fomos.
Fomos, conversamos. Ele estava sozinho com o auxiliar de cozinha. Tivemos assim momentos muito agradáveis. Eu narrei como era o movimento espírita naquela época. Como é que fazia as atividades. E repentinamente ele disse meu filho, vamos orar. Fomos à sala de refeições. Ele chamou o auxiliar de cozinha. Já veio de uma salinha que era chamada O Correio. Onde ele despachava as cartas de correspondência. As caixas com mensagens. Trazendo papel e lápis. Ele sentou no extremo da mesa. Eu me sentei no outro extremo. E Emmanuel Chaves sentou-se ao meu lado.
E o auxiliar sentou-se ao lado dele para segurar o papel. Mas, nós sempre falávamos sobre nossas mães. Sempre dialogávamos. Ele tinha lembranças da mãezinha dele. Me falava muito da tarde de tempestade quando ela apareceu. Ele estava embaixo da mesa de Chico. Não tema as coisas de Deus, venha ver. Ele foi ver os raios. Ele tinha 4 anos e meio. Ele contava também de minha mãe, dos seus sacrifícios. Ele sabia que minha mãe era analfabeta. Sabia da saudade que eu sentia dela. Ela havia desencarnado 10 anos antes. Exatamente 10 anos.
Então, sentamos e, subitamente, ele orou e disse, vamos escrever. Escrevemos. E, quando voltamos à lucidez, eu havia psicografado. Ele disse, leia a mensagem do Dr. Bezerra. Então, eu li a mensagem do Dr. Bezerra para ele. E fiquei na expectativa qual mensagem ele queria. Era uma mensagem de minha mãe. Porque, quando minha mãe estava encarnada, ele disse assim, mãe, mas a senhora é tão inteligente que eu gostaria de lhe ensinar a ler e escrever. Porque, em uma semana, a senhora aprenderia. Ela sorriu e disse, meu filho, eu já sou diplomada pela Universidade da Vida e não quero colocar confusão na minha cabeça.
Quando Chico começa a ler a mensagem, eu logo ouvi que era de minha mãe. Di, meu filho, quando eu estava na terra, você costumava dizer isso e aquilo. Pois, ao chegar aqui, tomei banhos de memória para recordar-me, meu filho, a fim de lhe dar o prazer de receber uma carta minha. Escreveu uma carta de 32 páginas. Nessa carta, ela se identificava de todas as formas possíveis. Porém, havia um detalhe. Ela se referia a uma personagem que a recebeu no mundo espiritual. Dona Maria Domingas Bispo, que havia desencarnado no dia 2 de julho de 1932.
E, então, na época, eu estava com 5 anos e recordei que não conhecia essa senhora. Eu conhecia todas as amigas de minha mãe, que eram poucas. Quando eu voltei, meu irmão mais velho veio, perguntou por ela. Ele recebeu a carta do Chico. Ele tinha muito respeito pelo Chico. Aí, eu li a carta obtindo essa informação, porque eu não conseguia me lembrar. E, então, eu perguntei em genésio. Mãe tinha alguma amiga de nome Maria Domingas Bispo? Ele disse não, não tinha. Perguntei aos meus outros 6 irmãos. Ninguém a conheceu.
Eu digo, mas não é possível. Chico não erra. Mãe também não erra. Eu tenho que descobrir. Fui à feira de Santana e pedi ao prefeito que me facultasse um funcionário para nós olharmos os livros de registro. E ele, por ser muito amigo nosso, me facultou um funcionário e, em 3 dias, nós olhamos no cartório o registro de 1927 a 1935. Não havia nascido nem morrido, no livro de óbito, ninguém com este nome, Maria Domingas Bispo. Eu tinha que voltar, porque trabalhava nessa época. E tem um amigo que ainda está encarnado em feira, já idoso, com o nome de Lauritz Bastos.
Eu disse, Lauritz, eu gostaria que você me fizesse um favor. Narrei. Será que você me descobre se existiu aqui em feira esta senhora? Ele aceitou, porque era um desafio. E, 6 meses após, ele me escreveu. Me escreveu dizendo que havia encontrado. E narrava que havia feito pesquisa na igreja, no cemitério. Não havia o registro da senhora. Então, o que aconteceu? Ele, um dia, estava na praça do mercado e disse, Dona Ana, a senhora nos meteu nesse embrônio. Ajude-nos a decifrar. De imediato, ele teve um insight. E lembrou-se que, em 1932, o município de Feira de Santana era enorme.
Havia muitas vilas nas extremidades. Mas, em 1946, houve uma lei de municípios. E aquelas antigas vilas foram transformadas em municípios. E disse, é provável que num desses municípios ela esteja enterrada. Então, tem o município de Humildes, da Lapa, de São José das Itapororocas, de Santa Bárbara. Ele, então, teve a ideia de visitar São José das Itapororocas, onde nasceu Maria Quitéria, que é a heroína brasileira. Ela foi para a Guerra do Paraguai, vestiu-se de homem e foi para a Guerra do Paraguai. Então, ele foi e, no livro de óbitos da igreja, um livro já muito gasto, tinha, no dia 2 de julho de 1932, na sede, morreu Dona Maria Domingos Bispo, a quem foi negado o solo sagrado.
Ela foi sepultada aqui, porque era protestante. Então, ele fotografou a página, me mandou, provando a grandeza da medianidade do Chico. Porque, se olharmos o ponto de vista psicológico, quais são as estranhas teorias, nenhuma delas explica, nem a célebre intuição, depois a telepatia, a hiperestesia indireta do inconsciente e etc. Só o próprio espírito de minha mãe e de Dona Maria Domingos, que nunca também me apareceu, é que poderiam narrar um fato que somente as duas sabiam. Então, isso, para mim, foi extraordinário.
Extraordinário. Agora, Divaldo, uma coisa que todos ficamos com aquela vontade de saber, o primeiro encontro nessa encarnação com a benfeitora Joana de Angelis. Como foi? Foi no dia 5 de dezembro de 1945. Nós fazemos reuniões numa casa de uns amigos da família Sarroris. Ainda existem vários membros e a senhora que nos recebia, Eunice, ainda está nona genária no Rio de Janeiro. Ela reside na Senador Vergueiro. Então, curiosamente, nós fazemos uma reunião, o casal, ela, Celso, eu e Nilson. Então, era a reunião assim, fazíamos uma prece e eu recebia espírito, bons, maus, de todo jeito.
E aparecia um espírito e dizia assim, olha, eu sou o responsável pelo grupo, meu nome é Manoel da Silva. Então, por seis meses, Manoel da Silva vinha, nos aconselhava, nós achávamos lindo, mas não entendíamos nada. Em 1945. Eu achava tão bonito ser médium, porque quando eu acordava, eles me contavam e eu ficava deslumbrado, mas não acreditava. Estava dormindo. Como é que a gente pode falar dormindo e não lembrar? No dia 5 de dezembro de 45, eu vi Manoel da Silva veio e eu o vi chegar, ele se comunicou. Quando eu voltei ao normal, Nilson me disse estamos mal.
Estamos mal? Manoel da Silva vai reencarnar. Eu disse, o que será da gente? Ah, ele trouxe um espírito, que se comunicou e disse que a partir dali ia tomar conta de nós. Eu perguntei, como é o nome? Um espírito amigo. Eu disse, que coisa horrível. Um espírito amigo. E aí não gostei nada, mas eu via um jato de luz. Bom, passaram-se os meses, um espírito amigo. E eu não me conformava. Desci em Italiologia Doutrina a partir de 47, quando Viana de Carvalho, que era muito meu amigo, Manoel Viana de Carvalho, disse, você é médium, mas não é espírito.
Precisa ler, Divaldo. Leia o livro dos espíritos. O Viana de Carvalho encarnado? Desencarnado. Ele me aparecia muito, conversávamos. Ele me contava suas experiências de viagem. Eu disse, mas onde eu acho esse livro dos espíritos? Naquela época era muito difícil. Procurei, procurei, não consegui encontrar. Até que alguém me emprestou um livro gordo. Porque o livro lido fica gordinho. E quando eu abro o livro, prolegômenos. Eu não sabia o que era. Aí eu perguntei ao Viana, meu irmão, o que são prolegômenos? Ele disse, Divaldo, compre um dicionário.
Porque o espiritismo é uma doutrina confortadora, mas é também uma doutrina de cultura. E você precisa aprender. Mas o meu salário era muito justo. Então eu cortei o lanche durante um período e comprei o dicionário. Quando eu cheguei em casa, que abri, não tinha a palavra prolegômenos. Ah, mas eu fiquei desalado. Aí eu falei à Viana, olha que ele não tem. Vai ver que não existe essa palavra. Ele riu e disse, você é o único. Da próxima vez, olhe primeiro a palavra e compre o dicionário depois. Mais três meses de lanche.
Aí eu comprei o dicionário e já me segui. O dicionário ilustrado. Primeiro eu olhei e estava lá, prolegômenos. Ah, esse é bom. Comprei o tal do dicionário. E aí eu comecei a ler. Lio, mas eu achei monótono. Aquelas letras miúdas quase me mataram. Porque eu estava acostumado a ler o Gibi, o Goril, o Globo Juvenil, revista de quadrinhos. De repente aquela coisa, não tinha uma figura. Só a sepa. Eu digo, se eu ler esse livro todo, eu morro. Como é que eu vou poder ler esse livro todo? Mas aí eu li. Pô, eu li umas páginas, umas coisas, que eu achei monótonos.
Quando eu terminei e Viana apareceu e disse, olha, eu já li. Que livro eu deveria ler? Ele disse, olha, de volta. Leia novamente o Livro dos Espíritos. Eu disse, eu acho que ele notou que eu soltei. Aí eu reli. E aí eu descobri Kardec. Eu fui relendo e digo, nossa, como o Kardec era inteligente. Ele fez perguntas que eu gostaria de fazer. Aí eu me achei também inteligente. Demorei uns três meses, terminei. Quando terminei, eu disse, meu irmão, agora eu já li. E memorizei algumas perguntas que eu achei bonitas. Que livro eu leio?
Agora estude o Livro dos Espíritos. Vou lhe dizer uma coisa. Se você viver cem anos estudando o Livro dos Espíritos, em cada vez que o releia, ele será inteiramente novo. Eu digo, nossa, o Espírito é fanático. Cem anos? É, Edvaldo, leia, estude. E agora leia concomitantemente o Livro dos Espíritos. E vá comparando. Aí eu comecei a tarefa. Muitos anos depois, nos anos 60, eu fui proferir uma conferência na formatura de odontólogos aqui na universidade. Foi um fenômeno, uma abertura muito grande. E quando eu terminei, formou um grupo de estudantes e Edvaldo e tal, porque a física quântica, eu não sabia o que era, nunca tinha ouvido falar.
Mas Edvaldo, porque no campo de vácuo, mas aí eu dava louco para me ver livre. E ao mesmo tempo, lembrando do Vianda, se você lê cem anos, ele me enganou. Eu já estou lendo há mais de 18 e não sei física quântica. Quando eu cheguei em casa, eu morava fora da mansão, ele me apareceu. Eu digo, o senhor me enganou, e falei alto assim, porque quando eu estou sozinho, eu falo alto com ele. O senhor me enganou, o senhor me disse que eu saberia praticamente tudo, se eu lesse. Agora quase eu morro com esse negócio de física quântica.
Ele disse, qual é o problema? No Livro dos Espíritos não tem. Não tem? Apanhei na estante. Eu apanhei. Você tem certeza? Eu disse, meu irmão, eu sei quase de memória este livro. E não tem. Pois não. Abre na questão 540. Aí eu lembrei. Mas mantive de um. Vamos lá. Leia a pergunta, leia a resposta. Tudo sem cadeia em a natureza, desde o arcângel de hoje, que foi o átomo primitivo de ontem, como o átomo primitivo de hoje, que será o rancho de amanhã. Olha aí. Aí tem. Agora eu não tenho culpa das suas, eu sei ignorância.
Eu lhe vou explicar o que é um átomo de carbono para você ter uma ideia. Daí eu fui me deslumbrando cada vez mais com a doutrina e fui começando realmente a estudar. E essa expressão que ela deu, um espírito amigo, ela não se identificou como Joana. Não. Eu não sabia se era homem ou se era mulher. Quando eu conheci o Chico, em 1948, ele me convidou para dormir na sua casa. Eu estava na casa dele, três anos de espírito amigo, eu louco para saber quem era. No dia seguinte pela manhã… Três anos que ela se comunicava com o espírito amigo?
Mais de três, mais de dez. E não dizia. Aí eu perguntei assim, Chico, você viu meu guia espiritual? Ah, Divaldo, eu vi. E quem é? Você sabe que ele, o espírito, não me deu o nome? Eu então vi assim como se fosse uma noiva ou uma coisa. Me enrolou completamente. E nunca me disse. Nessa época. Mas é uma tragédia. Quando nós já tínhamos a noção do caminho, certo dia chegou uma senhora do Rio de Janeiro, desequilibradíssima, com mala, cuia, vim me hospedar aqui. A gente não tinha de receber a senhora. Foi o Huawei para mexer criança, tira daqui, bota ali, colocamos a senhora.
E a nossa casa ficava numa praia. O fundo do quintal era uma praia muito bonita, na cidade baixa. No dia seguinte, a senhora me diz, olha, Divaldo, eu vou à praia levando os meninos. Eu digo, mas aqui nós temos regulamento. Não, não está de regulamento, eu sou do Rio. Vamos levar os meninos. E aí levou aquela meninada. Eu deixei para não ter contrariedade. E brincaram. Quando foi meio-dia, ela chegou com os meninos e disse, tio Divaldo, essa senhora é linda, é uma tia. Nós botamos o nome dela Lambretinha. Porque ela entrava, nós adoramos, tio Divaldo.
E então ela, estoica, me perguntou, você é médium? Eu digo, é, eu acho que sou. E o seu guia? Já foi no calcanhar de Aquiles. Eu não tenho guia. Eu tenho um espírito amigo. Ela disse, que lástima, pois eu sou guiada por Santa Rita de Cássia, Santa Rita dos Impossíveis, São Francisco de Assis e as 11 mil virgens. Mas eu fiquei com uma inveja da mulher. Naquela noite, quando o espírito amigo me aparece, eu digo, mas que coisa. Eu não fumo, não bebo, não jogo, tenho a vida regular e tenho, quem é seu guia? O espírito amigo.
Essa senhora louca, varrida, tem as 11 mil virgens, Santa Rita de Cássia, São Francisco de Assis. Aí pela primeira vez eu vi que o espírito riu. Eu disse, mas Divaldo, é que para segurar um trem louco desse, precisa de muito guia. Você que já está no trem, não precisa de guia nenhum. É só me seguir. Foi por volta de 1969 que eu estava aprofundando a Confederação da Cidade do México. Salão Maçônico, Valle del México, Peracepa. Essa é a Confederação Espiritual da Berenguera. Era um congresso internacional. Eu estava para o fim da palestra quando eu vi que estava um espírito lindo.
E aí alguém que estava ao meu lado, espiritual, disse, só Juana Inês de la Cruz. Mas uma indumentária linda. Ela veio, se acercou, sorriu para mim e eu digo, nossa, se eu tivesse um guia desse. E antes de terminar a palestra, chame aquele rapaz que está ali gravando, os gravadores eram grandes, e peça-lhe para que ele indique chegar a San Miguel Nepantla, perto de Cuernavaca, porque nós vivemos ali numa fazenda. Mal terminou a reunião, eu chamei o rapaz e disse, você poderia me dizer como é que eu alcançaria San Miguel Nepantla, eu vou ficar aqui uns dias.
Ele disse, olha, eu sou engenheiro da Petromex e se você não se importa, eu terei prazer com minha família de no domingo levá-lo lá. Ele se chama Inácio Dominguez. No domingo ele me levou e nós fomos ao lugar em que ele nasceu, Soro Juana Inês de la Cruz. Então ela apareceu e me contou a história. Nesse momento ela se transfigurou diante dos meus olhos e apareceu como a Joana Angélica, a arte da independência. Eu conhecia de fotografia. E então, ela me apareceu assim no fulgor. Era um amanhecer muito bonito, tem os escombros da casa, uma placa.
Eu sou o espírito amigo. Eu perguntei, e qual é o nome da senhora? Joana. Ai, mas eu fiquei tão decepcionado. Porque eu queria um guia de nome estrangeiro. Nessa setava de um guia eu tinha assistido um filme, O Morro dos Ventos Uivantes. E no Morro dos Ventos Uivantes tem um personagem que se chama Heathcliff. Quando ela enlouquece, ela diz, Heathcliff. Ai, se eu tivesse um guia com o nome, quando eu tiver um filho, eu vou botar esse nome, Heathcliff. Ai, achei o guia. Como é seu nome? Joana. Eu digo, nossa, nome de lavadeiras, de gente pobre.
Pensei mesmo. Eu era tão estúpido. Ela sorriu e disse assim, chama-me Joana de Angélica. Ai, eu achei o máximo. Joana de… Meu Deus, como a senhora é bonita. Mas eu vi agora a senhora com três rostos. É, meu filho. São as nossas experiências pretéritas. E ai, eu já tinha muita amizade pelo Espírito Amigo. Gostava muito. Um dia eu estava lendo a mensagem, a Paciência, e vi lá o Espírito Amigo. Eu disse, que coincidência, eu perguntei. Eu pensava que era a obra de meu irmão. Olha uma mensagem aqui com seu nome. Pode ser.
Eu desencadei em 1822. E quando eu estava do além, a equipe do Consolador convocou-me para trabalhar na construção da nova doutrina que traria Jesus de volta. Essa mensagem fui eu quem escreveu. E mais tarde, ainda no Evangelho, uma outra sobre a caridade. O Espírito Amigo também seria de sua autoria. Então, ficamos amigos. E ela foi me levando para entender. Lá mesmo, eu fui visitar o museu de Chaputelpec, onde tinha um pouco da história dela. Esse amigo me ofereceu a coleção das suas obras, que eu não tive coragem de ler, porque é muito pesado.
E é um espanhol muito antigo, mas ali tem alguma coisa. Então, foi assim que eu descobri quem era o meu guia. E tem uma mensagem dela, psicografada pelo Chico, no livro Falando a Terra. Bem, Joana Angélica. Que é fabulosa. É impressionante. E eu perguntei um dia ao Chico. Chico, essa Joana Angélica, isso muito depois, é a mesma Joana de Ângeles. Ele olhou com aquele olhar baroto. Oh, meu filho, os espíritos também usam o pseudônimo. Que ótimo. Que fantástico. Edivaldo, a gente podia voltar um pouquinho sobre a questão da sua mediunidade, quando ela eclodiu e quando você começou as suas primeiras conferências.
Tem uma história sobre as primeiras palestras na Federativa. Você podia contar para a gente. Ai, meu Deus. É que era muito… Eu nunca fui em nada. E, de repente, eu estava em Aracaju, na casa da família Sarrorins. E Conversávamos. E é derlindo. Ele me disse assim, Edivaldo, conte como é que você vê. Eu comecei a contar. Como é que a gente vê? A gente olha e vê, enxerga e tal. Gente, por que você amanhã não conta lá na União Espírita Seixipana? É um grupinho de nada, porque nós não temos médio vidente. Então, você conta para nós.
Edivaldo, está ótimo. Mas, nesse interim, eu cheguei à sala de visita e vi a revista Reformador. A primeira vez que eu a vi. Ai, eu abri e tinha uma mensagem. A lenda da guerra. Ai, eu li. Eu tinha muito boa memória nessa época. Assinado Humberto de Campos. Essa época é ótima. Quando eu terminei de ler, eu falei, amanhã eu vou contar. Primeiro eu conto a história, para não entrar logo direto, e me preparei. Excelentíssima senhora, vou narrar a lenda da guerra. Quando nós fomos, éramos 27 pessoas. Dirigida por José Martins Peralva Sobrinho.
Era ele o presidente da União. O pai da Rosa estava presente, a mãe, Dona Neide, seu mesquita. Então, é das lendas. O nosso Divaldo, estava com 20 anos, é muito jovem, mas ele é médio. Ele vai falar um pouco das suas experiências. Pode falar, Divaldo. Eu levantei. Levantei e comecei. Excelentíssimas senhoras, excelentíssimos senhores, eu vou contar a lenda da guerra, psicografada pelo médio Francisco Cândido Xavier, e ditada pelo espírito Humberto de Campos. Quando eu falava, esqueci. Deu um branco, mas eu esqueci terrivelmente.
Aí me perturbei e disse, eu ia falar sobre a lenda da guerra, mas eu me esqueci. E aí me sentei. Quando eu fui me sentando, eu vi entrar o senhor baixo, a cabeça um pouquinho desproporcional, óculos de aro fino, sério, ele veio, chegou até mim e disse assim, Divaldo, eu sou Humberto de Campos, o autor da obra. Levante-se, porque quem pretende servir a Jesus deve sempre estar de pé. Eu falarei por ti e falarei contigo. Eu disse um momentinho. Aí levantei. Mas eu falei. Eu achava lindo, porque eu estava assim como ele estava sonhando.
Eu falava ele assim, meu Deus, como eu sou inteligente. E eu falava. Falei 40 minutos. Quando eu terminei de falar, Peralva disse, meu Deus, todo mundo como ouvido. Ele não contou a lenda da guerra. Até hoje eu não me atrevia a contar. Nunca contei. Ficou esse trauma, Divaldo. Tenho medo de esquecer da hora. Então, quando eu sentei, Peralva disse assim, mas, Divaldo, você fala. Foi a primeira vez. Ele disse, você falaria amanhã de novo? Eu disse, ah, falo. Porque, digamos assim, eu vou contar o que eu ia contar hoje.
No dia seguinte. A União era uma sala um pouco maior do que esta. Mas havia gente pendurada na janela. E quando eu cheguei, ele disse assim, vai ter alguma festa? Aí o senhor disse, não. É um baiano que veio aí que vai falar hoje para nós. Eu disse, baiano? Não havia jeito de eu raciocinar. E o que ele vai falar? Ah, ninguém sabe. Dizem que ele fala muito bem. É lindo. Tem outro baiano aqui? Não, é você. Você não disse que ia falar. Aí as pernas começaram a tremer. E eu fui. Sentei à mesa. Teve a apresentação. Aqui está nosso irmão de voz.
Esse Martins Peralva era o Martins Peralva? De Minas? Depois ele foi morar em Belo Horizonte. Foi. Ele foi. Aí a Ederlindo me levou para Belo Horizonte quando eu conheci o Chico. É todo um encadeamento interessante. E então chegou a vez de me passar a palavra. Eu me levantei. Excelentíssimas senhoras. Excelentíssimos senhores. E aí esperando o Espírito chegar, né? Nada. Novamente Excelentíssimo, nada de chegar. Aí eu disse, olha, ontem eu ia falar isso, mas eu me esqueci. Então veio o Espírito, disse a Márcia Humberto de Campos, e falou, hoje eu não me lembro de ontem, nem ele veio hoje.
Então não vou falar nada. Aí eu me sentei. O professor, hum, está aqui de boníssimo. E aí eu ouvi nitidamente. Primeira lição. Chama-se responsabilidade. Como é que tu te atreves a aceitar a falar sobre coisa que não sabes? Ah, mas eu pensei que o senhor viria. Pensou mal. Porque eu não firmei nenhum contrato para o atender. Levante-se. Falarei hoje, mas nunca mais seja Leviana. E é nesse momentinho que o Espírito chegou. Aí levantei e mandei braço. Quando terminei, perguntei, eu não aceito mais nada. Esse foi meu canto de cisne.
Aí o Beto, primeiro estudador, então quando eu cheguei a Salvador, o Viana, você é médio, mas não é Espírita. Vamos estudar o livro das Espíritas. Nossa. Então… Agora, esse encadinhamento é maravilhoso, né? É impressionante. E aí você foi depois a Belo Horizonte e estava lá o Martins Peralva. No ano seguinte. O Ederlino Sarroriz, ele havia sofrido tuberculose pulmonar. E Peralva também. E naquela época, os melhores hospitais para tuberculose eram Belo Horizonte, por causa do clima. Então Peralva, o Ederlino se transferiu em dezembro, Peralva em fevereiro.
E foram morar nos Inapiarios. É um bairro que fica entre o aeroporto e a Afonso Pena. Hoje deve ter um outro nome. Eram os primeiros edifícios… IAPI. Eram aqueles edifícios altos. Então nós fomos. O Ederlino te convidou. Venham passar as férias. Aqui vai ter oportunidade de conhecer. Sim, porque quando o Berto se comunicou, ele disse, agora escreva a Chico Xavier. Para que ele lhe oriente. E aí eu escrevi, quando cheguei a Salvador. Excelentíssimo, Sr. Franciscante Xavier. E eu não sabia que voz era a segunda do plural.
Excelentíssimo, vossa senhoria. Eu achava que era o mesmo. Porque, vós sabeis… Excelentíssimo, Sr. Chico Xavier. Aquela carta… Me apareceu um espírito de nome, o Berto de Campos. Pediu para eu vos escrever. Eu tenho a cartinha resposta. Daí a Deus… Meu querido Devaldo, nosso Humberto falou-me muito sobre você. Falou-me da sua juventude. E eu gostaria muito de o conhecer. Quando marcamos a viagem a Belo Horizonte, eu o comuniquei para o telegrama. E numa terça-feira, ele sempre vinha a Belo Horizonte, porque havia uma família, a família Docilia Cavalcanti, que era muito amiga.
É um caso lindo. Impressionante isso da família Cavalcanti. E a Dérlinda sabia Peralva. Então, com Arnaldo Rocha, nós fomos à Avenida Tupinambás, número 330, Foto Minas. Isso é porque a sua memória não está boa. É. É antiga. Onde morava a Dona Lucila, que era uma senhora viúva pernambucana, mãe de dois, de um casal, Carlos e Dorothy. E então nós ficamos. Às 16 horas, ficamos à porta da Avenida Tupinambás, quando, de repente, para o carro e salta aquela coisa linda com uma boina, uma boina azul que ele me ofereceu. Eu tenho a boina, aquela boina azul de feltro.
E assim, ele era bem gordinho. Gordinho, alegre, foi abraçando todo mundo. E eu lá numa ponta da fila. Quando ele chegou em mim, ele disse assim, Uai, Divaldo, como você é jovem. Eu quase morri. Eu digo, Chico, como é que você sabe que sou eu? Ele pega na minha asa, meu filho, e não larga de jeito nenhum. Aí grudei no braço e entramos. Porque essa família Cavalcante era uma família profundamente ligada a Chico Xavier. Essa senhora enviou o voo no Recife e transferiu-se para Belo Horizonte com os filhos. Ela era fotógrafa.
E então ela criou a Foto Minas. Carlos estava na época com 16 anos, Dorothy com 18. E ela passava muitos problemas. Certo dia, ela foi a Pedreiro Ponto. E Chico saiu do trabalho mais cedo. Quando ele estava na rua principal, ele viu do outro lado aquela viva. Ele chamou-a. Chamou-a e disse, Lucila, há quanto tempo eu estou esperando por você? Ele conversou bastante com ela. Dialogaram. Naquela noite, ele recebeu uma mensagem do marido e disse, Lucila, sua família é minha família. Carlinhos me é muito querido. Aí ele passou a frequentar.
E Carlinhos seria a reencarnação de Carlos V. Filho de Juana Laluca. Que impressionante. Teria sido ele. Esposa de Filipe e do Benio. O negócio é um rolo bem quando vem com essa de garfo. Um garfão profundo. Pelo menos naquele tempo não era. E isso ele próprio me contou. Ele tinha pelo Carlos algo de impressionante de amor pelo menino. E foi vítima em 1956 de uma situação muito lamentável. Porque o menino hoje já é um senhor. Ele teve um enfarte recentemente. Não agiu como deveria. E ele nunca mais voltou a casa. Era de um caráter estico.
A doutrina estava acima de tudo. E como o fato criava embaraços muito sérios, ele optou por dilacerar o coração. Porque é, Como diz Kardec, o calvário dos médios. Médio sem calvário é observador de teatro. E Joana me diz, meu filho, todas essas quinquilharias não deem o menor valor. Realmente, eu só fui ao museu, acho que uma ou duas vezes. Nunca fui. E se insiste, eu digo, não me interessa. Tem aqui um, não me interessa. E são quinquilharias. As verdadeiras condecorações do trabalhador do Cristo são as cicatrizes que leva na alma.
Então, não ostente nenhuma quinquilharia. Porque o senhor vai olhar quantas cicatrizes você traz na alma. Agora aceite para promover o bom nome do Espiritismo, para poder entrar, levar a doutrina em recintos onde dificilmente ela chegaria. Então é válido, é um respeito humano, dê o valor que merece, retribua a sociedade a confiança, mas não deixe entrar na sua alma. Porque senão lhe perverte. Nossa. Já está todo mundo percebendo aí o tom do podcast. Então, quem estiver querendo tomar uma água, chorar um pouco, se refazer das emoções, porque está demais.
A gente vê o Divaldo assim, abrindo o coração e falando essas coisas todas, é muito impressionante. É o que eu gosto de dizer a muitos companheiros da mediunidade, para que não se equivoque com os chamados laureis, nem com as entidades venerandas que, por acaso, venham a ser instrumento mediúnico. Kardec assevera bem que se reconhece o bom médium, não porque ele receba espíritos elevados, mas pela maleabilidade de se comunicar com os espíritos. Porque alguns me dizem assim, eu só recebo fulano de tal, Beltrano, e está agora na moda, de repente a pessoa se torna médium.
Eu estou no movimento há muitos anos, e conheço o calvário de todos os médiums, suponho. Alguns me narram suas dores íntimas, suas frustrações, seus testemunhos, suas noites mal dormidas. E, de repente, as pessoas se tornam médiums e passam a ser instrumento de entidades venerandas, que coroam a mediunidade depois de um largo período. Chico recebeu espíritos eminentes, mas ele recebeu um espírito que apenas assinou o espírito numa memorável reunião de sexta-feira em Uberaba. E tudo indica que é o espírito de verdade.
Meu Deus! Mas não assinou. Não assinou. O espírito é uma mensagem breve, sintética, que ele psicografou. Não recebeu Kardec. Evitou receber entidades que criassem litígio e debates. Recebeu entidades venerandas, personalidades da Terra que foram muito célebres, mas dentro de um pudor que está desaparecendo. Você está perdendo isso, não é, Adivaldo? Você acha que isso tem a ver, Adivaldo, com a sociedade que a gente vive hoje, onde as pessoas têm uma necessidade de exposição tremenda? Facebook, as pessoas vão ali num restaurante comer e aí tem necessidade, às vezes, às vezes se entregam para uma atividade sexual e divulgam.
E isso está chegando também no movimento espírita, na mediunidade também, essa ânsia treslocada de… A psicologia chama NV, necessidade de valorização. Então, pegam a mística da mediunidade para vender livros. E mensagens que não resistem, como também no meu caso, a mínima crítica firmadas por entidades venerandas. Essas entidades venerandas não se comunicam tão facilmente. Um espírito como o doutor Bezerra de Menezes tem uma equipe, é um centro de comunicações. No além, há um centro de comunicações que ele administra.
Então ele pode apresentar-se quase como o quê? Em ubiquidade. Está presente simultaneamente. Porque dali ele irradia o pensamento. E uma equipe de espíritos de um nível bom representa o NU. Quando se faz necessário, comunica, traz a mensagem dele e dá o nome como se fosse. Mas, infelizmente, estamos alguns espíritas barateando muito a melhor unidade com nomes pomposos. Tem havido casos lamentáveis, de, por exemplo, doutor Bezerra prometer abraçar colaboradores de instituição, aqueles que são os melhores benfeitores, fazer uma lista dos que vão ser abraçados no Natal.
Como aqui na Terra nós fazemos, essas homenagens pessoais que eles já ultrapassaram. Esse nível eles já ultrapassaram. Eles amam o mais infeliz, talvez, com maior sentimento de ternura do que aqueles poderosos do mundo. E, então, é preocupante. Porque os indivíduos não passaram pelo fogo dos testemunhos mediúnicos. Não conviveram com a mediunidade. São médios naqueles instantes festivos. Mas o médio o é 24 horas. 24 horas ele é médio. Concentrando-se, ele entra em sintonia. Mas ele é médio o topo todo. Então nós precisamos de trabalhar, conversar para dignificar um pouco mais a mediunidade.
Então, as comunicações públicas, algumas têm ocorrido por meio intermédio. Mas estão banalizando. Terminando-se qualquer palestra com uma entidade veneranda. Mas obrigatoriamente, ter uma mensagem no final de uma reunião pública. E, então, isso banaliza. Mas o médio está consciente do que está fazendo. E isso é perigoso. Porque ele está telementalizado por alguém de mente muito poderosa. Que o vai levar ao ridículo. Que ele vai criar uma situação embaraçosa. O que é muito grave para ele. E é desagradável para o movimento.
Porque perde essa beleza, essa pucritude. A pucritude paulina. Agora, Divaldo, uma coisa que a gente fica assim muito curioso, porque para espíritas da minha geração, que já cresceram na doutrina, conhecendo o Divaldo Expositor, a gente tem uma curiosidade. Quando o Divaldo começou, quem eram aqueles expositores da doutrina espírita que você admirava assim? Comenta um pouco. Como é que eles eram? Eram veneráveis. Normalmente eram os senhores e senhoras. Depois da meia-idade, com o passado ilibado. Quando se levantavam para expor a doutrina, tinham uma vida condigna.
Que correspondia ao que apresentavam. Mas o método, naquela época, era da leitura de texto. Levavam o discurso pronto. Olham lendo. Foi quando começamos a proferir a palestra, digamos assim, de improviso. E surgiu uma diferença. Houve muitas dificuldades dos companheiros mais experientes que desejaram impedir. Porque era muito jovem, podia fracassar, contometer-se. Então era um zelo, aliás, justificável. E em alguns lugares nos impediam. Não, você é muito jovem, ainda não tem experiência para ser espírita. E eu entendia perfeitamente.
Porque uma vez eu perguntei a Joana por que ela nunca me disse o nome no começo. Porque você não tinha maturidade, minha filha. Você ia terminar na explosão da juventude, da falta de experiência, dizendo o que não convinha para a época. Então esperamos amadurecer, porque toda revelação tem que ser progressiva. Não pode ser de uma vez. Se nós trouxermos a verdade em dose alta, intoxicamos. A verdade tem que ser dosada. Até chegar ao nível da compreensão do conjunto. Então, eu admirava, por exemplo, José da Costa Freitas.
Foi o primeiro orador que eu vi na União Espírita Baiana. Ele falou sobre o encontro de Jesus com a mulher samaritana. E eu fiquei emocionadíssimo, porque eu vi uma entidade federanda que fazia lembrar um dos profetas bíblicos. Não era, mas fazia lembrar. E ele, então, naquele momento que Jesus disse assim, mulher, eu o sou. Eu que te falo. Aquele momento foi culminante. Quando ela fala do Messias, eu sei que o Messias está para chegar. E então ficamos tão fascinados que ao terminar, eu fui conversar com ele. Conversei um pouco, falei-lhe do Espírito que estava e pedi que me aconselhasse.
Então, nessa noite, ele foi à casa da família Sarrolice e sugeriu que nós criássemos o Santo Espírito a caminho da redenção. Foi ele, José da Costa Freitas. Ele desencarnou em governador Valadares. Criou lá o cetro, que ainda existe, com um grande trabalhador da Seara. Então ele disse, olha, ponha no grupo o nome, Caminho da Redenção, que será o caminho da redenção de vocês. E então pegou o estatuto da Federação Espírita Baiana, simplificou, e no dia 7 de setembro, foi no dia 5, nós, ele foi para oferecer uma palestra lá na nossa salinha e criamos o centro e se tornou nosso benfeitor.
Mas era um orador extraordinário. Ele viajava. Ele era funcionário do periódico da revista A Noite. Era uma revista famosa do Rio de Janeiro. E ele viajava para acolher assinaturas. Em Vitória da Conquista, que era uma cidade muito protestante naquela época, ele estava na farmácia vendendo assinaturas, e veio um pastor e o desafiou. Ele então, ele era baixinho, mas era um verbo muito bonito. Ele disse ao rapaz, durante o dia, eu trabalho para a noite. Agora, durante a noite, eu trabalho para o grande dia. Vamos à Praça Pública de noite.
Meu Deus! Pra Praça Pública? No coreto da cidade. Então, aquele jogo bíblico, porque as discussões eram bíblicas. E ele ganhou de 10 a 0. Meu Deus! Começou com Jeremias. Era um orador brilhantíssimo. Eu o achava fantástico. E muitos outros oradores, pessoas federandas. Mas esse está no além. Aí surgiu uma nova mentalidade. A palestra sem ser lida. Então, você inaugurou um novo paradigma para a época. Como eu via a coisa, às vezes eu ia perguntar, qual é o tema? Tal tema. Tinha que ser do Evangelho, porque Dona Bélia Rodrigues chegava, ela fazia assim.
Aí eu via a paisagem. E uma fita de teletipo. Então, meu problema era o vocabulário. Porque era tão bonito que ela apresentava, que eu não entendia como descrever. Faltavam palavras. Então, vinha essa fita escrita. Aí eu conseguia falar alguma coisa. É um filme com legenda? Que que é isso? Isso é covardia! Foi assim, um largo período. E então, o professor Pastorino nos sugeriu reunir as mensagens de Joana, e lançaram o pederista. Mas eu estava em São Paulo e fui apresentado por Vinícius Pedro de Camargo, que era um orador brilhante.
Três protestantes. Mas ele levava também e lia o sermão ou o discurso. E a federação tinha uma reunião às dez da manhã, onde falava Vinícius. Então, era a reunião dos intelectuais. E ele me convidou. Quero apresentá-lo a São Paulo, no meu horário. Às dez horas. E aí eu pedi a Vianda de Carvalho, o meu irmão, vamos fazer um tema bonito. Eu queria um tema, pronunciar palavras assim, que eu não pronunciava. Dei um jeito. O Vianda, ele é um pouquinho mais baixo do que eu, um pouquinho. Ele me disse, olha, Edivaldo, você vai ter que ler com muito cuidado.
Qual é o tema que você gosta? Eu disse, eu não sei, mas é um tema científico, eu acho tão bonito. A pessoa fala sobre ciência. E não é só evangelho. Algumas pessoas me ironizavam. Ah, são palestras de água com açúcar para a mulher nervosa chorar. Então, muitos… Mas eu me gostava. Então, eu decidi, nós vamos falar. Vamos falar sobre o evolucionismo de Charles Darwin. Eu digo, eu não sabia nada. Nem sabia direito o que era Darwin. Mas foi o máximo. Eu cheguei à tribuna, me preparei, saldei. Vinicius tinha os cabelos muito altos, era um homem muito bonito, idoso, sereno, daqueles que se conquistou a si mesmo.
E eu comecei a saldei o público e vi escrito. No ano de 1865, foi publicado o livro Filosofia Zoológica. Aí eu vi o nome do autor, em francês, que eu consegui pronunciar muito bem. Nada obstante, a teoria do transformismo fundamenta-se em dois grandes postulados. O filogenético e o mesológico. O meio ambiente, a hereditariedade. No entanto, não é ele o autor da tese. Antes dele, no século XVIII, Erasmus, que mais tarde seria o avô de Darwin. E aí eu vi um nome, Goethe. Eu digo, uau, eu sabia. Mas aí eu vi Béatioine.
Eu digo, nossa, esse homem deve ser francês. E Bacon. Aí eu vi ela, Bacon, burro. Nunca viste tosse um bacon? Nem aqui na Bahia não tinha esse negócio. Tinha tossinho de porco. Tinha tossinho de porco. Eu nunca vi. Isso é bacon. E novamente, a frase, com tanto nome. Não precisava os nomes. B-U-F-F-O-I-N. Eu digo, ah, esse deve ser inglês. Bafon. Bifon, burro. Então fazem toda arremendada. E aí eu falei sobre o transformismo. Depois eu entrei em Mendel, que eu também não sabia quem era. Aí Charles Darwin. Porque o mito de Adão e Eva é o arquétipo.
Eu também não sabia o que era arquétipo. Depois a gente perguntava, e o que é isso? Você pediu palavras difíceis. Eu sou bravo. Nunca mais me atrevi a ouvir André de Carvalho. Mas eu fui a Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1957, a primeira vez. E eu fui falar no Teatro Guaragui. É um teatro da época, dos teatros do Amazonas, do Pará, do Maranhão, do Rio de Janeiro. E quando eu cheguei, eu ouvi uma voz canora que falava. Mas falava com um brilhantismo incomparável. E aí eu entrei e fui assim pelo fundo para aparecer no palco.
Quando eu me sentei, numa frisa, estava um espírito. E ele disse assim, Divaldo, ali sou eu em 1924, quando eu proferi uma conferência aqui do teatro sobre o batismo. Tanto conto, batismo. Naquela época se combatia muita igreja. Batizar? Para tirar o pecado original? Qual é o pecado original de um navio que se batiza? De uma arma de guerra? Eram conferências assim. Sempre em oposição à igreja católica, aos protestantes. E eram muito bíblicas. Réplicas, tréplicas. Então a gente entra com o Evangelho, a Bélia Rodrigues, suavemente.
Daí apareceu Nilton Boixá. Olha! Um trabalhador notável. Depois Jacó Holzmann Neto. Foi o melhor orador que eu já ouvi. Ele possui uma memória. Ele escrevia a palestra inteira. Depois ele dizia de memória. Era uma memória prodigiosa. Nilton Boixá também. Era uma memória bíblica. Ele era ex-protestante. Fascinante. Surgia um número muito grande de jovens expositores e um movimento em São Paulo chamado Brasil Central e Estado de São Paulo. De reunir 5 mil jovens numa concentração em Marília em 1965. Meu Deus! Depois entraram as lutas administrativas contra a juventude.
Tinha que pertencer ao seito. As juventudes diluíram-se. Porque sempre quando chega no auge, quebra. E hoje estamos na luta. Mas há hoje outra mentalidade. A mentalidade eletrônica. A pessoa com iPad. Mas o que eu acho melhor na mentalidade nova, eu adoro, é quando o orador diz assim uma frase. Ele meio que se surpreende. Não sei se vocês identificam. Ele diz uma coisa arrebatadora. Poxa, que coisa bacana! Que coisa bacana! Já te aconteceu isso de volta? Aconteceu com um amigo. E aí ele volta. Outra. Abre bem o olho.
Não dá para dormir na palestra dele porque ele está de olho aberto. Acorda os mortos. A gente percebe que depois num determinado momento da sua tarefa a psicografia começa a assumir um papel muito importante. Um papel preponderante. Como que isso veio? Como que isso surgiu? Foi em fevereiro de 1949. Nós estávamos com um grupo de amigos numa cidade do interior chamada Munitiba. E eu acordei com uma dor no braço. Mas uma dor insuportável. E naquela época tudo era reumatismo e artetismo. E se fazia uma mistura de álcool e duas outras substâncias.
E passava. Friccionava. Para passar a dor. Não. É uma sementezinha. Então eu fiz aquela coisa mas não passou a dor. A dor aumentou. A alcocânfora e a outra. Estava presente Abel Mendoza, que era um jornalista muito emérito aqui de Salvador. Falava muito bem. Era muito sério. Era um bom escritor. Tinha uma coluna no jornal, O Imparcial. Então Abel disse assim Divaldo, vamos sentar aqui a mesa. Naquele tempo enrolava-se o pão em um papel especial que era chamado papel de enrolar pão. Um papel pardo grosso. Ele pegou uns pedaços da residência, cortou, colocou e me deu um lápis.
Então quando eu botei a mão disparou. E aí escreveu uma mensagem. Subtração e soma. E assinou Marco Prisco. E logo depois veio. Amanhã, nesse mesmo horário, eu pretendo voltar a escrever. Aí passou a dor do braço. Aquele sintoma era para poder despertar. Então Marco Prisco, que é um pseudônimo, começou a escrever e o Espírito Amigo veio estabelecer o horário e até eu fui juntando no baú. Então certo dia o Espírito Amigo disse queime tudo porque isso é exercício. Mas queimar tudo isso? Tudo. Ah, meu irmão, eu vou te dar mais uma mensagem.
Queimar tudo porque não é seu, é nosso. Você apenas escreveu o que nós ditamos. Queimar porque isso é exercício. O que vai ser publicado um dia nós escreveremos depois. E aí ela começou a escrever com mais correção de linguagem. As mensagens tomaram aspecto mais profundo. E quando o pastorino diz, Marivalda, é pena. Vamos reunir isso no volume porque as mensagens ficam esparsas. Necessitamos, às vezes, mas não encontramos. Ele disse, você acha? Porque o pastor era muito culto. Falava doze idiomas. Inclusive duas línguas mortas.
E eu digo, você acha? Você tem o dever de divulgar. Então criamos o Mestre de Amor. O João não deu pra fácil. Ah, o Mestre de Amor foi dessa coletânea. Foi a primeira coletânea. E nós lançamos no Ministério da Fazenda no dia 5 de maio de 1944. Ele completou 50 anos no ano passado. 60. Foi muito curioso porque quando eu vi o livro e trouxe para casa eu fiquei emocionadíssimo. Era um livro simples, uma capa verde com as letras em negro. Mestre de Amor. Era no tempo da ditadura. E o pessoal da ditadura gostava muito de falar no Ministério.
Eles gravavam tudo. Eu falava sobre a paz. Ele dizia, você vem nos ajudar a governar o país. Falar sobre a paz, eu digo, mas não a aceitação do crime. Eu disse, são tementes. O que for errado, se for necessário, eu abordarei. Mas nunca me impediram. Era a sobrinha de uma amiga que trabalhava no Ministério. Ela conseguiu o salão. Mas nesse dia eu voltei para casa com o livro. Uma emoção. Eu residia na casa de duas amigas. Eu coloquei assim no quebra-luz, em pé. E fiquei orando e olhando, orando e olhando, alegre. Então entra Joana.
Mais um suspeito amigo. Ela entra e coloca no sentido transversal um botão de rosa com a haste muito grande. Eu achei aquilo curioso. De repente o botão foi indo, abriu, abriu, as pedras envelheceram, começaram a cair e borrava de sangue no livro. Entraram perto assim. Hoje é o momento em que tudo está em botão. Mas a rosa vai abrir, vai envelhecer. Eu quero perguntar se tu estás disposto a pagar o preço do testemunho. E eu disse a senhora me ajudar, eu estou disposto. Então meu filho, vamos publicar mais. Vamos publicar 10 livros.
Eu disse a Ave Maria. É, eu vou convidar muitos amigos. Temos muitos amigos. E vamos começar. Mas irás pagar um preço muito alto. Porque a treva não se incomoda com a palavra. Naquele tempo não havia muito gravador. Os gravadores eram grandes. Mas com o que está escrito, isso é permanente. E eles têm que impedir. Então, tu tens que pagar. Aí aceitamos. Começamos. E ela foi convidando amigos. Impressionante. Um dia Chico me falou uma coisa curiosa. Quando ele era jovenzinho, ele vejava a Ciudad Gama. Porque ele recebia mensagens.
Adorava os romances. Adorava os romances. Ah, eu gostaria tanto de ser meio de romances. Mas em 31 Emmanuel anuncia o A dois Mil Anos. Ele disse que ficou numa expectativa. Mas ele adorava. Eu também recebia aquelas mensagenzinhas modestas. Ai meu Deus, se um dia eu recebesse um romance. E num dia eu voltava de Juiz de Fora. Era uma Kombi. E Juiz de Fora tinha muitas curvas. Tinha 300 curvas. Era uma coisa bárbara. E fazia muito calor. Eu abri o quebra-vento da Kombi. E peguei uma gripe. Terrível. Cheguei ao Rio, gripe adérrimo.
Tive febre. E a noite se fazia o culto evangélico na Casa de Celeste. A noite eu estava tão emprestável que eu digo, Celeste, não vou ter condição de ficar sentado na mesa. Eu vou ficar aqui no quarto. Deixo a porta aberta. E então eu ouço. E deitei-lhe. Ela e a irmã, Lena, começaram o evangélico. Quando eu estava assim, quase em delírio, vinha entrar um senhor de roupa negra, de seda, mas severa. Eu disse, é Vitor Hugo. Eu o conhecia de fotografia. Ele chegou e disse levanta-te. Vamos escrever. Mas ele falou em francês.
O meu cérebro decodificou. Eu digo, ai meu Deus, é delírio. Estou delirando da febre. Levanta-te. Vamos escrever. Eu tenho 10 romances e quero escrever por ti. Eu digo, eu enlouqueci total. Não é possível. Levanta-te. Mas eu não posso, eu estou muito febril. Eu estou aproveitando da tua enfermidade para quebrar o teu temperamento e eu poder impor o meu temperamento sobre ti. Então levanta-te. Ai eu levantei assim cabaleante. Celeste, Deus me livre, quer escrever. Ela adorava. Correu logo, pegou papel de rolar pão, costurou, sentamos.
Começou a escrever o livro Bárias em Redenção. O primeiro capítulo. O Duque de Bite de M, etc. E eu aí via. Era como se eu estivesse no teatro debruçado, vendo as cenas. Ai, mas eu achei lindo aquilo. A roupa da época, mil setecentos e pouco, mil setecentos e quarenta. Mas eu fiquei deslumbrado. Ele havia escrito três capítulos. Mas num dos capítulos, Dirólamo, mancomonado com uma das haias, mata as três crianças que são herdeiras da fortuna do Duque de Bite. E eu fiquei com uma raiva do cara, que assassino horrível.
Esse cara tem que morrer a Pernambucana com a peixeira, porque não é assim que se faz. No dia seguinte, Vitor Hugo voltou. E eu fui para a sala com Celeste Helena e planejando a morte daquele monstro. Vitor Hugo me apareceu e disse o senhor está matando a minha personagem com seu temperamento nordestino. Faça o favor de não interferir no meu trabalho. E aí escreveu, eu não entendi nada. Daí por diante, eu não entendia nada, porque ele escreveu capítulo um, oito, dois, trinta, quarenta. Ele mandou as ordens dos capítulos, tirou da sequência.
Tudo. Aí eu fiquei perturbado. Ele disse assim, para aprender a não interferir na minha obra. Por isso que eu aproveitei doente para domar o seu caráter. O médio tem que ser neutro. Aprenda a não ter emoções. Eu disse, eu estou morto. Com esse espírito nordestino. Mais tarde, foi tão interessante, porque eu já estava aqui em Salvador. O livro foi escrito há vinte e quatro dias. Ele me mandou colocar no chão. Ele me pegou assim e disse, coloque aqui. Número um. Número tal. Até três eu já tinha. Aí eu coloquei, fui colecionando e fui ler.
Quando eu li, que eu cheguei mais tarde, O Pobre do Girólamo, o Duque torna-se obsessor. E há uma cena em que o Duque quer se vingar do Girólamo e leva-o ao sótão, onde tem uma corda. Ele diz, olha a corda. Ele vê a corda. Ele diz, não faça isso. Aí eu já fiquei a favor do Girólamo. Já ficou a favor. E o senhor lendo aí, Vitor Hugo, diz, vê, o senhor quis matar a minha personagem com os métodos do nordeste. A personagem morreu em 1477. O senhor queria matar com métodos atuais? Mas é lindo, porque há um momento muito bonito em Siena.
A festa da Assunção. A Corrida do Pálio. Mais tarde, eu vi no cinema. E ele pediu para eu ir a Siena para conhecer os lugares. Ele fala que em Siena havia um pórtico, escrito em latim. Antes que Siena te abra as portas, já te abriu o coração. Mas houve coisas interessantíssimas com Vitor Hugo. Porque no outro livro, ele coloca uns dados. E o Dr. Armando era presidente da FEB. A FEB merece parabéns pela honorabilidade, com que sempre publicava os livros. A FEB tinha muito pudor e deve continuar tendo. Nunca eles mudavam uma palavra sem consultar o médico.
Consultavam a Chico e a mim consultam até hoje. Se tem que mudar uma palavra ou acham que algo não corresponde, eles me escrevem. Eu pergunto ao autor se concorda. E então o Dr. Armando era o presidente. E Luciano dos Anjos era sua eminência parda. Era muito amigo dele, secretariava, uma mente privilegiada. E então Vitor Hugo diz que La Piazza di Concilia, a Praça da Concha, tinha tantas hastes, porque é uma praça enorme e Representando uma concha do mar. E tinha tantas hastes. Somente que no livro dizia, eu não lembro exatamente, que tinha sete hastes.
Mas em realidade só tem cinco. Ele foi adjunto cultural vice-consul em Siena. E lembrava, mandou pedir documentos, fotografia da praça. Aí eu apresentei a Vitor Hugo. Eu digo, olha, deve ter na vida algum erro de filtragem. Às vezes há uma interferência de filtragem do inconsciente. Vitor Hugo diz, mantenha como eu escrevi. Eu digo, olha, é melhor só escrever. Ele escreveu, La Piazza di Concilia tem sete hastes. Eu mandei. Dr. Armando manda outra fotografia, de outro ângulo. Aí eu contei. Cinco hastes. Vitor Hugo se irritou.
Interessante, não é? Tinha um pouquinho de paixão. Ele diz que a época do livro, do século XVIII, a praça era muito grande. Mas que depois, na Segunda Guerra Mundial, houve um bombardeio. E ao recomporem a praça, tiraram duas hastes. Nossa! Ficaram cinco, mas na original eram sete. Dr. Armando mandou buscar no departamento da cidade, onde guardam as plantas, a planta primitiva. Sete hastes. Interessante, não é? Com o Brasil no coração do mundo, foi uma luta muito grande. O Dr. Wanto e o Chico. E o Alberto. Tem um caso lindo.
Uma vez você me contou. Eu queria que você… Você foi visitar o Chico e estava com o livro do Vitor Hugo. Ah! Era no tempo que o Dr. Teodoro gravava em papel de seda. E era um sábado à tarde. Então nós fomos à casa dele. E tinha um senhor espanhol de Barcelona. Olha que eu falo muito. O homem me manteve calado. Duas horas o homem falou. E eu calado. Com uma sacola e o livro dentro. E eu louco para perguntar ao Chico. Porque daí a pouco era a vida dos passos pretos. Não teria mais. Então ele disse, olha Chico, eu sou de Barcelona.
Ah, meu filho! Eu me lembro da Santa Casa de Misericórdia. Eu desencarnei lá. Na Santa Casa de Misericórdia. Em 1811. Porque naquela época Emmanuel era um professor na França por ocasião da Revolução Francesa. E quando vieram os dias do terror, nós emigramos. Atravessamos a Cordilheira e fomos para Barcelona. E eu era uma jovem, muito jovem. Filha dele. Desencarnei lá. Então eu me lembro das tábuas. E o homem foi ficando pálido. O piso e da janela de onde podia ver Montjuic. O homem disse, Chico, eu já estive internado neste quarto.
E aí ele descreveu Montjuic, a Santa Casa com detalhes. Aí fiquei sabendo que ele tinha estudado na Espanha. Ele adorava a Espanha, o Paso Doble. Adorava. Nena Galvez era também companheira lá de Paso Doble. E ele tinha uma pintura de um quadro qualquer com três bailarinas. Pois bem. É interessante notar que depois disso ele se voltou para mim e fez assim, Divaldo, abrem na página 19. Eu queri logo o caderno. Estava sem numerar. Aí eu fui contando. 19. Era uma questão sobre a prece. Que eu ia perguntar, porque eu fiquei na dúvida.
Ele disse, pode deixar. Está certo. Abra agora na página 174. Era outra pergunta. Pode deixar. Dessa noite, Emmanuel deu prefácio do livro. Que coisa maravilhosa, Divaldo. Mas o mais interessante foi uma outra vez que nós vimos a vida dos passos pretos. E Eurípides ia à frente. Eu sentado ao lado. E Eurípides, pálido de alegria. Eu estava sentado ao lado e o Chico atrás, com aquele jeitinho dele. Chico, eu tenho uma novidade. Olha, eu trouxe um livro. Gostaria muito de ler. Uma página para você. Ele perguntou como é o nome do livro.
Eu disse, alerta. Ele disse, Eurípides, meu filho, o que é que eu terminei ontem? Um livro chamado Atenção, de Emmanuel. E eu recebi alerta. Bom. Para a tristeza de todos nós e para todos os que nos acompanham. Não sei como vocês aguentaram. Pode ser. E para ficar com aquela imensa vontade de voltar e fazer outro. Nem falamos, não dá. Mas eu acho que, não é, Tiago? O que a gente viveu aqui hoje é algo que vai ficar para a história do Pode Ser. E foram momentos memoráveis. Momentos memoráveis. Divaldo, muito obrigado.
Por esse apoio ao ser. Por ter nos dado essa honra de gravar um Pode Ser. E por essas lições maravilhosas de vida, seus testemunhos na Seara Cristã. Que isso sirva de luz, de exemplo para todos nós que estamos começando nossa jornada aí também de testemunhos. Que a gente sempre se lembre do seu exemplo nos momentos difíceis. A gente o tem como um modelo de alguém que sempre manteve a cabeça erguida, jamais respondeu, jamais devolveu a agressão, a calúnia e continuou trabalhando, continuou trabalhando, os agressores silenciaram, mas a sua obra permanece iluminando e inspirando a todos nós.
Então, antes que as portas da mansão do caminho se abrissem, o seu coração se abriu para nós. E a gente agradece de joelhos e comovido essa recepção amorosa e calorosa no Plano físico e no mundo espiritual, que também nos acolheu aqui com benevolência. Estamos com muitos amigos participando desse intercâmbio. Eu só gostaria de deixar uma pequena mensagem, especialmente dirigida aos médiuns. Conforme diz o egrejo codificador, nós médiuns deveremos sempre tomar para nós mesmos as mensagens que vertem do mundo espiritual.
Nunca acharmos que elas são dirigidas aos outros, que cada qual encontre a sua porção no conjunto que é dirigido a todos nós, mas principalmente ao médium. Que aprendamos que somos instrumentos e que Deus nos conceda a honra de conseguirmos ser instrumentos maleáveis para que se faça vontade do Senhor, que nos convidou à última hora para trabalhar da sua vinha, para que tenhamos em mente que a existência humana na Terra por mais longa é muito rápida depois que passa. E repetindo uma frase do Venerando Aposto da Mediunidade de Chico Xavier, desde que não podemos voltar o dia do passado para apagar os erros, que aprendamos agora a construir o bem para colher frutos sazonados amanhã, que a caridade não se esfria em nosso coração, que o mal dos maus não nos atinja, porque nós estamos com o bem, mas que nos recordemos que a mediunidade é um favor divino para o nosso auto-aprimoramento, não é um palco.
Allan Kardec foi muito claro, a mediunidade jamais subirá ao palco das feiras, embora tenha subido muito nos últimos tempos, como espetáculos ridículos e até hediondos, que nós preservemos a faculdade mediúnica, que a resguardemos com o carinho que devemos às coisas sagradas, vivendo-a cristamente, lembrando que ela é instrumento de amor, de misericórdia para nós, em primeiro lugar, e para o nosso próximo, que as lágrimas daqueles que nos buscam não nos causem mal-estar, e que a zombaria daqueles que não nos aceitam, não nos gerem qualquer conflito, que sirvamos porque fomos convocados para o serviço e não para a colheita de resultados.
Façamos o nosso trabalho, deixando que o Senhor, mais tarde, faça a colheita e aprove ou não o labor que exercemos. Por fim, recordemos, Paulo, todos nós, espíritas, que demos conta da nossa administração, dos bens que o Senhor colocou em nossas mãos, para os administrarmos em favor da nossa autodominação. Agradecemos ao nosso querido Haroldo, à equipe do SER, pela oportunidade de estarem conosco, o que nos constitui uma verdadeira benção, porque as honras são terrestres. Paz! Aguardávamos desde há muito, mas tínhamos receio de os convidar e na agenda sobrecarregada de vocês não haver lugar.
Então mantivemos a expectativa, orando ao Senhor pelos seus obreiros e esperando que um dia pudessem passar por nós para nos ajudar na atividade a que nos afeiçoamos desde há muito, trazendo o calor da sua juventude, da sua amizade e a beleza do seu trabalho na construção do mundo melhor. Aos corações amigos que tiverem paciência de nos ouvir, que nos relevem algumas informações, que nos desculpem a maneira como nós expusemos de coração aberto algumas ideias e ocorrências mas que retirem o que for de melhor em seu próprio benefício porque para isso aceitamos o convite de expor algumas experiências que possam ser úteis a nossa querida comunidade.
Em nome de todos da mansão do caminho, muito obrigado. Nosso obrigado, Divaldo. Divaldo, sua presença entre nós nos é motivo de alegria e de gratidão. Gratidão por esse seu trabalho levando a mensagem espírita ao mundo todo, por esse seu trabalho cuidando de muitos na mansão do caminho, por esse seu trabalho de intermediário entre os dois mundos. Parabéns pelo seu aniversário, desejo a você muitas alegrias sob as bênçãos de Deus. Do seu amigo em Cristo, Simão Pedro. A figura incomparável desse tarefeiro da doutrina espírita chamada Divaldo Franco é habitualmente conhecida pelo seu verbo eloquente, com a sua oratória deslumbrante, sem nunca ter feito um curso de oratória, inato, num processo de encantamento e beleza que chama a atenção de quem o ouve pela primeira vez e que sempre guarda na memória, sem jamais esquecer, o tom, a eloquência, o jeito com que ele consegue passar a mensagem da qual ele é portador.
No entanto, o que é mais admirável em Divaldo não é aquele homem que fala, é o homem que faz. O seu tamanho está no tamanho do trabalho que ele realizou. Trabalho no bem, no exercício da caridade que fez dele um homem incomparável nesses dias de tanto egoísmo. A sua fidelidade a Jesus e a Kartec impressiona pela coerência com que ele consegue articular a vida a essas duas figuras ímpares na história da humanidade, Kartec e Jesus. E Nesse processo sinérgico de juntar o comportamento alinhado à doutrina espírita, ancorado no evangelho de Jesus, faz de Divaldo um homem que consegue reestabelecer um canto de paz que vai tomando contornos que ainda nós não podemos sequer avaliar.
A paz que ele consegue entretecer através da sua ação, do seu trabalho, do seu verbo e da sua postura na humanidade, dá-nos ensejo de poder compreender de que ele efetivamente é um evangelho escrito com as suas próprias ações, falando de Jesus, falando de que a vida vale a pena ser vivida. Divaldo Franco nos é um exemplo nesses dias. Mais tarde ele será um mito. Não saiba à tua direita o que faz à esquerda. Quem recolhe com Jesus não desperdiça, não tem perda. Glorificarão ao Pai que está nos céus, vendo tuas boas obras.
Dos teus pães multiplicados, migalhas que caem das mesas nos fartam de luz e sobras. Ninguém tem maior amor que aquele que dá a vida pelos seus irmãos. Pássaro de canto divino, músicas lhe saem das mãos. Os verdadeiros adoradores adorarão em todo lugar, Bahia, Minas Gerais, Salvador, Jerusalém. Se eles se calarem, as pedras falarão, Joana, Victor e Filomeno. Tábuas, pedras, folhas e pergaminho, a bondade alicerça em festa o terreno da manifesta casa do caminho. Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
Na terra o teu destino, nos altiplanos respaldo, versos símbolos que retino. Temática tão verdadeira, árvore do bem, Pereira, queridíssimo irmão, Divaldo. Música Música Música Música Música
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
Respostas
O poema acima fala da caridade e amor. Possui um ritmo marcado pelas rimas no segundo e quarto/ quinto versos, o que prende o leitor que o lê ou ouve. O ritmo vai num continuum assim como deve ser este amor e caridade aos nossos semelhantes.