Prepare-se para uma jornada fascinante às raízes da espiritualidade! Neste episódio, mergulhamos na riqueza do Antigo Testamento e da tradição judaica, desvendando a profundidade da primeira revelação divina. Uma conversa imperdível que conecta o passado milenar à nossa compreensão espiritual atual.
Neste episódio
- A importância do Antigo Testamento para o espírita.
- As referências de Emmanuel às Escrituras Sagradas.
- O significado da circuncisão na cultura judaica.
- Como o Evangelho Segundo o Espiritismo se conecta à raiz da revelação divina.
Participantes
- Haroldo Dutra Dias
- Afonso Chagas
- Thiago Franklin
Destaques
- A metáfora da árvore para as três revelações: compreenda a unidade e a interconexão entre a primeira, segunda e terceira revelações divinas, desde a raiz profunda até os frutos.
- A lei divina como seiva: explore a ideia de que a lei divina é uma só, imutável e infinita, revelada gradativamente à humanidade, e como ela nutre toda a árvore das revelações.
- A interpretação do Antigo Testamento: descubra a necessidade de entender o Velho Testamento em seu contexto cultural e literário, evitando interpretações literais que podem distorcer sua mensagem simbólica e profunda.
- A visão de Paulo sobre as raízes judaicas: analise a Epístola aos Romanos e a advertência de Paulo sobre a importância de não menosprezar a tradição judaica, reconhecendo-a como a raiz que sustenta toda a árvore da fé.
Ler transcrição do episódio
A de nascer, nova era de crescer, novo homem em coração de quem quer servir. É prosperir, novo verbo é burilar o íntimo, colorindo o céu de um novo ser. Olá pessoal, estamos iniciando mais um episódio do Pode Ser. Aqui é Tiago Franklin e os livros dos profetas israelitas estão saturados de palavras enigmáticas e simbólicas, constituindo um monumento parcialmente decifrado da ciência secreta dos hebreus. Contudo, e não obstante a sua feição esfingética, é no conjunto um poema de eternas caridades. Seus cânticos de amor e de esperança atravessam as eras com o mesmo sabor indestrutível de crença e de beleza.
Emmanuel, a caminho da luz. Aqui é Haroldo Dutra Dias, minha frase, o evangelho é o sol da imortalidade que o espiritismo reflete com sabedoria para a atualidade do mundo. Emmanuel, prefácio do livro Vinha de Luz. Olá a todos, eu sou Afonso Chagas, sou da União Espírita Mineira e a minha frase é quando Jesus diz aos discípulos, eu sou a videira e vós os ramos. No evangelho de João 15, versículo 5. É isso aí pessoal, hoje estamos aqui reunidos para falar sobre a raiz, a primeira revelação. Lembrando que no episódio anterior falamos sobre o apocalipse.
Sendo assim, vamos para mais uma leitura de recados e e-mails do Pode Ser. E aí pessoal, como é que nós fomos aí do episódio do apocalipse? Acho que foi um complemento do trabalho feito pelo Haroldo. E eu acho que a gente conseguiu, de certa forma, responder algumas coisas para os ouvintes que estavam mandando e-mails. E sedentos, né Haroldo, por perguntas e respostas. E nós vamos fazer mais outros, né? Sim, aliás, não fechar o assunto, a gente nem pode falar isso. Mas vamos trazer mais coisas e nós precisamos do ouvinte.
Nós queremos mais perguntas, qualquer dúvida que vocês tiverem, mandem que nós vamos fazer pesquisas e o Haroldo vai estar aclarando isso para vocês. Nós recebemos um e-mail do Heleno Silvestre. Heleno Silvestre é um grande amigo nosso daqui de BH. Ele diz assim, Olá Haroldo, Olá Tiago, estou adorando o Pode Ser e gostaria de sugerir uma coisa. Que seja avisado no Twitter ou outro canal de comunicação, os dias que serão gravados o Pode Ser e quem fará parte dele para que possamos enviar perguntas. Isso é fantástico, olha que isso aí foi inspirado, viu?
Então Heleno, nós vamos ver qual a melhor maneira de informar isso para vocês. Talvez o Twitter seja uma boa ferramenta, um caminho bom. Então fiquem ligados no Twitter do Ser e no Twitter do Haroldo, que eu acho que vai ser um bom canal de comunicação. Agora, como receber essas perguntas, eu vou ser sincero para você que por enquanto nós vamos utilizar o e-mail. E o post também dos comentários, quem quiser mandar alguma coisa. É, mas é porque eu acho que para ficar mais fácil da pessoa fazer perguntas sobre o episódio novo, não dá para ser nos comentários do episódio antigo, né?
Vamos tentar de certa forma mandar por e-mail então as perguntas. Nós vamos divulgar sim, quem será o próximo convidado, qual o assunto da próxima semana que vai ser gravado e vocês mandam as perguntas por e-mail, ok? Ou através da aba de contato que tem no site. A Thaís Silva, de Coronel Fabriciano, disse assim para a gente. Sempre que vejo alguma sugestão de livro em palestras, procuro ler tais livros. Gostaria que vocês sugerissem livros e também sites dedicados ao Evangelho. Eu acho que nós já estamos fazendo isso de certa forma, né?
O Haroldo tem feito alguns comentários, a gente já tem trazido. Acho que tem que ficar alerta dentro do episódio, né? Porque a gente está sempre fazendo alguns comentários e buscando esses links, né? É, mas nós vamos ampliar, viu Thaís? Nós vamos também colocar artigos no portal, pequenos vídeos, comentários de passagem do Evangelho e temos também uma linha de episódios do Pode Ser que vão ser feitos com pastor Enéas onde nós comentaremos livros específicos de estudo do Evangelho que nós julgamos essenciais, fundamentais para qualquer estudante.
Então serão episódios dedicados a essas obras, a indicação bibliográfica onde a gente vai poder divulgar em sites também. Então, continua acompanhando, Thaís, que isso vai aumentar. E lembrando, só quando ela fala assim, já sou uma seguidora do Ser, eu acho que ela está querendo se referir à questão da nova visão de internet, né? De seguir perfis, né? Ela segue o perfil do Ser no Facebook, ela segue o Twitter, não seguidores como seguidor de… Não é assim, é uma linguagem de informática. Vamos só… Uma linguagem de internet.
Exatamente. O Milton de Oliveira Lourenço de Recife, ele diz assim, na página institucional desse site, o nome de Jesus foi grafado ao final do texto de apresentação em letras minúsculas. Nós vamos fazer essa correção. Foi bom ele ter mandado esse e-mail, né? Vamos verificar isso e vamos fazer essa correção. Na verdade, Milton, tem outros erros lá também, inclusive de acentuação, de vírgula. Nós vamos corrigir isso. E ele diz que foi convidado pelo Júlio a conhecer esse trabalho, né? Olha que bacana, o pessoal está realmente divulgando, né?
Ele diz que mora em Recife e teve a oportunidade de conhecer o nosso trabalho. Vou virar sócio de carteirinha. Parabéns a todos que estão envolvidos diretamente e indiretamente nesse trabalho. Muito obrigado, viu? E que Jesus abençoe seu coração por querer realmente se manter ligado a essa proposta. E a gente agradece a todos aqueles que puderem nos ajudar aí corrigindo eventuais erros e trazendo aí apontamentos com o intuito de nos ajudar. Que a proposta é exatamente essa. Que as pessoas, ao encontrarem algum erro, mesmo nas nossas falas, mandem.
É um diálogo aberto. Nós temos uma sessão aqui que é o Falha Nossa. Falha Nossa, depois nós vamos recolher para fazer um episódio só do Falha Nossa para ficar bastante engraçado. Exatamente. Temos aqui um e-mail do Jefferson Trevisan de Curitiba, Paraná. Olá Jefferson, um abraço. Um abraço para todos do Paraná, Federação Espírita do Paraná, ao seu presidente Francisco Ferraz. Um beijo no coração de todos. Ele diz assim, na palestra do Harold sobre o livro Paulo Estevam, ele fala sobre as datas que são apresentadas neste livro e no estudo do doutor Harold Renner.
E gostaria de saber onde posso encontrar uma relação dessas datas. Jefferson, no artigo Reformador, na Revista Reformador, inclusive nós publicamos um resumo com essas datas em um dos artigos, eu não me recordo aqui de um mês, mas entra lá no site da FEB, Revista Reformador, você vai encontrar lá uma tabela, essas datas todas. A FEB, inclusive, chegou a fazer uma coletânea. Mas nós pretendemos também começar uma coluna de artigos, retomar a coluna do Reformador, que eu estou até em falha com a revista, estou precisando mandar para lá os artigos, e escrever alguns artigos mais aprofundados no site do SER, sobre a questão de cronologia.
Então, Jefferson, um pouquinho só de paciência, que a gente está se estruturando, se organizando, mas daqui a pouco o site vai estar recheado de conteúdo. E a gente está aqui com alguns amigos. Olha, a Dani do Laboro mandou também um recadinho para a gente. Amigos, agradeço a oportunidade de compreender e aprender sobre essas verdades. É com muito laboro, e o grifo do laboro, do grupo laboro, que vamos caminhando felizes. Vocês todos são exemplo desse grande esforço, que Jesus continue abençoando, parabéns. Deus nos abençoe, Deus abençoe o Instituto SER, abençoe o trabalho de todas essas pessoas que estão aí envolvidas com esse propósito, e que o Instituto consiga atingir, sim, Dani, com a sua prece, com o seu apoio, com o apoio de tantos amigos, a essa finalidade maravilhosa que é contribuir com a nossa renovação íntima.
Esse é o propósito maior de tudo isso. Eu vou mandar um beijo para a Dani e para todo o pessoal do Laboro, que é um teatro que nos encanta. O Afonso Chagas, que participou com a gente nesse episódio, que você vai ouvir daqui a pouquinho, é com Afonso. Ele deixou o recadinho dele lá, porque ouviu o episódio do Apocalipse, e ele diz o seguinte para a gente. Muito obrigado e muita paz. Oh Afonso, um abraço, um beijo no seu coração, obrigado por essa participação sua aqui, que foi tão relevante, e na verdade você já está convocado a jogar nesse time aqui, que conta com muitos craques, você é um deles, vão sempre ser convocados para vir aqui e ajudar as nossas deficiências aqui, porque nós somos dos perna de pau, vamos chamar os craques de vez em quando.
Um grande abraço, Afonso. Temos um e-mail aqui da Elisa, esposa do Henrique, querida amiga de Belo Horizonte, ela diz assim, oi pessoal, obrigado pelo trabalho maravilhoso e de seriedade que estão fazendo. Todos sabemos que trabalhos bem feitos assim pedem muitos sacrifícios, mas Jesus prometeu que inspira aqueles que falassem em seu nome, que o Divino Mestre continue inspirando vocês. Uma sugestão, quando postarem fotos, como as de Israel, se tiver jeito, coloquem um comentário explicativo da foto para sabermos do que se trata.
Elisa, obrigado pela sugestão, isso aí foi falha minha, eu devia ter mandado para o Tiago o comentário, mas eu prometo que acabando essa leitura de e-mail aqui, chegando em casa eu já vou colocar, e todas as fotos vão vir com isso mesmo, para as pessoas identificarem a região. Obrigado também pelo carinho de sempre, um beijo no Henrique, e a gente espera também essa inspiração de Jesus, para que a gente consiga levar a mensagem com o mínimo de interferência das nossas impurezas. Nós vamos aproveitar aqui e reiterar o pedido que nós estamos fazendo, que é de cada pessoa poder apresentar para mais cinco amigos esse trabalho, que é um trabalho que a gente está desenvolvendo com carinho, com esforço, e se você gostou do trabalho, grave isso num CD, num pendrive e distribua, vamos fazer um trabalho, a gente quer fazer um trabalho bem corpo a corpo mesmo, de apresentar para cinco amigos, e esses cinco amigos apresentem para mais cinco amigos, e assim sucessivamente.
E a gente gostaria de agradecer a participação de todos, e pedir ainda um pouco de paciência, de compreensão, que nós estamos em fase de ajustes administrativos, então às vezes o episódio vai sair toda quarta-feira, e no último dia houve uma falha, mas aos pouquinhos a gente vai apertando alguns parafusos, vai ajustando, para que toda quarta tenha um episódio novo, para que o site tenha mais conteúdo, tenha mais artigos, é porque isso tudo demanda uma estruturação, uma disciplina das pessoas, um volume de trabalho, e nós ainda estamos nos ajustando a ele.
Mas prometemos a todos que em breve vamos nos organizar, e esse site vai se completar, vai fluir de forma mais tranquila. Mas o carinho que nós estamos recebendo e a participação já vale todo o sacrifício. Motiva bastante, e a gente vai vendo que o formato é um formato que tem agradado muito as pessoas, e esperamos que a gente consiga cada vez mais entender como fazer isso, e com esses ajustes o site do Instituto C vai poder nos servir de várias outras formas também. Então o conteúdo a gente acredita que nós vamos ter à disposição, temos muitos amigos aí dispostos a oferecer o trabalho, e essa estruturação inicial acho que ela é muito comum, né Arudo?
É só apresentar para vocês, assim, vocês já o ouviram, quem está falando é o Fredinho, é a nova voz que vai estar com a gente gravando os episódios, assim, a convocação foi feita, e acho que ele ouviu a convocação e resolveu vir jogar no time. Sempre que Deus permitir, porque se depender do meu coração já estou aqui há muito tempo. É isso aí, vamos para mais um episódio. Mais um episódio. Pela clava de Moisés, Deus é um, Deus é único, Pastor que nos guia, nada nos faltará. Bom, vamos lá, né? E aí Arudo, vamos para mais uma gravação, e hoje nós vamos falar sobre a raiz, né?
Isso. Acho que a gente podia explicar primeiro porque a raiz, deve ter muita gente aí pensando, a raiz, o que é isso, né? É, está todo mundo assim. Qual é a imagem da árvore, né? Curioso, né? Exatamente. Arudo, podia trazer para a gente essa imagem? Na verdade é uma metáfora, nós vamos falar de um tema que é conhecido da comunidade espírita, é o tema das três revelações, e para falar desse tema, nós estamos usando uma metáfora, uma simbologia. Não é uma metáfora por nós criada. Não sei se vocês repararam na fala do nosso convidado, Afonso, ele já citou um trecho do Evangelho de João em que Jesus falou, eu sou a videira verdadeira.
Então Jesus já utilizava essa metáfora da árvore. Mas o texto em que a gente se baseia para falar das três revelações é o texto do capítulo 11 da Epístola aos Romanos, onde Paulo vai também tratar da imagem da árvore. E seria bom a gente pensar um pouquinho na árvore. A árvore tem a sua raiz, ela começa com a raiz, fica profunda, muitas vezes oculta, muitas vezes inacessível ao olhar, e ela sai, rompe a terra, aí nós vamos encontrar aquele tronco, aquele caule, depois os galhos e as folhagens, e por dentro, num processo que a gente desconhece, a um primeiro olhar, a seiva que passa, que flui por dentro e que vai alimentando essa grande planta.
Então para falar das três revelações, nós gostamos de pensar, seguindo a orientação de Paulo na Epístola aos Romanos, nas três revelações como um bloco único, como, na verdade, uma árvore, uma grandiosa árvore. Por aí, nós já começamos a eliminar alguns equívocos. O primeiro dele é imaginar que a primeira, a segunda e a terceira revelação são coisas separadas, são coisas que possam ser compreendidas isoladamente. E se você corta a raiz, corta o tronco, cortou os galhos, já não é mais árvore. Então a nossa intuição é de que as três revelações devem ser entendidas como um organismo único.
E é claro que essa não é uma ideia nossa. Nós tiramos isso de Emmanuel e vamos ler alguns textos sobre isso. Mas antes a gente gostaria de ouvir aqui o Afonso e o Tiago para a gente dar sequência a esse raciocínio. Pode ir, Afonso. Aqui é o seguinte, é um bate-papo mesmo. Pode ficar à vontade. Se quiser atravessar, pode ir à vontade. Nós achamos também muito interessante essa correlação das três revelações com a árvore, entendendo que é um bloco com etapas e com caracterizações no tempo e no espaço diferenciadas, mas que fazem parte de um todo, a partir da raiz, que desenvolve no caule, que elabora as folhas, as flores e o fruto, que vai nutrir e alimentar a todas as almas.
Pensamos assim também e gostamos. Muito bom. Eu queria pedir ao Haroldo, hoje o que acontece? O nosso processo para falar dessa árvore vai acontecer em quatro episódios. Nós vamos começar pela raiz, que é o Antigo Testamento e a cultura judaica, que é o que nós vamos falar hoje. Depois vamos gravar um novo episódio falando sobre o tronco e um novo episódio falando sobre a copa. E depois vamos fazer um episódio falando sobre a revelação em si, que é a árvore. Eu queria pedir ao Haroldo, então, para poder fazer para a gente, para falar para a gente qual é o gênero literário do Antigo Testamento, a Gênesis, por exemplo.
Como é a forma de leitura, porque as pessoas às vezes tomam aquilo como uma leitura não por parábolas, como é o gênero literário do Antigo Testamento, Haroldo? Tiago, esse é um tema importantíssimo de a gente pensar. Primeiro imaginar que o Velho, quando nós falamos Velho Testamento, nós estamos falando de dezenas de livros, alguns distanciados uns dos outros por mais de 500, 600 anos. Como um conjunto de livros, cada qual tem características próprias que refletem a época em que foram produzidos, o momento histórico, social, o que gerou a demanda e a intuição e as necessidades das pessoas que produziram, que escreveram aquele material.
Mas quando essas pessoas que tiveram uma intuição, que tiveram um insight, ou mesmo um contato mediúnico, revelador, quando elas foram escrever isso, quando elas foram transmitir, elas o fizeram segundo características da época, da língua e da cultura hebraica. Então isso é importante pensar nisso. Você pode ter uma visão, num milésimo de segundo você tem uma percepção grandiosa, mas depois você vai ter que descrever essa percepção. E ao descrever, que material você vai usar para descrever? O material da sua cultura.
Você vai usar a sua língua, porque você não vai descrever com a língua que você não conhece. Então a pessoa vai usar a língua materna dela, ou a língua que ela tem familiaridade, que ela se expressa. Essa língua, por sua vez, é um produto social, ela é fruto de uma comunidade, é aquilo que a comunidade definiu. E as formas de expressão são compartilhadas, daí surgem os gêneros. Então nós vamos observar aqui no Velho Testamento, você tem, por exemplo, o gênero poesia, salmos e algumas poesias esparsas, e vários outros livros que estão no gênero poesia.
É o gênero, é uma forma de escrever. Nós temos, por exemplo, anais de reis, que são descrições, anotações da vida do rei. Então você diz quem é o rei, qual é a família, os principais atos dele no poder, os principais erros cometidos por ele, e o resultado divino, a consequência divina daquela conduta, daquele comando daquele rei. É um livro de reis, por exemplo. Nesse mesmo título temos crônicas. E temos um gênero amplo, em que dentro dele cabe uma série de divisões, que é o machal. O machal é um gênero, dentro dele você tira o midrash, você tira a parábola, você tira provérbios.
É mais ou menos a maneira figurada, ou a linguagem figurada. É o uso e o abuso da metáfora e da simbologia. O livro de Gênesis, por exemplo, ele foi, segundo a estrutura, ele tem uma estrutura de poesia. O livro de Gênesis, principalmente os primeiros capítulos, estão inclusive com rima e ritmo de poesia, de poesia hebraica. Quando você pega o texto no original, você percebe isso claramente. E a simbologia, a forma de narrar, segue muito o gênero de parabólico, de parábola mesmo, recheado disso. Daí o equívoco da pessoa tomar o livro de Gênesis, por exemplo, e ler como se fosse um tratado de ciência do século XX ou do século XXI.
É um erro, assim, muito grave e quase que infantil. Nós imaginávamos que um livro que foi produzido há mais de 2.500 anos atrás vá descrever coisas segundo padrões da ciência atual. Então, quando a gente entende os gêneros, a gente vai conseguir interpretar com mais segurança. Você não vai interpretar, por exemplo, uma poesia como você interpreta uma crônica. Você não vai interpretar uma parábola como você interpreta uma poesia. Então, essa sensibilidade nós precisamos ter para dar o devido respeito e para abordar da forma correta o chamado Velho Testamento.
Muito bom. Eu estava fazendo a leitura para poder fazer um estudo, para ver o que eu conseguia puxar. Existe realmente uma dificuldade do Espírito em entender o Antigo Testamento, até porque nós não temos essa cultura de estudo, de estudo da Bíblia mesmo. Realmente, na hora em que eu estava lendo, eu senti algumas dificuldades. Tem alguns textos que são bem carregados. É difícil o entendimento. Eu queria saber qual era a principal chave de interpretação dos profetas. Para eu entender os profetas, a forma como eles trazem aqueles textos, qual é a principal chave para eu poder entendê-los?
Tiago, é uma coisa interessante, Afonso, que a gente pensa que é o seguinte. Se você pretende ir ao Japão, por exemplo, e morar no Japão durante um ano, naturalmente você não vai se preparar para essa viagem, para ficar lá um ano morando no Japão, estudando francês e aprendendo sobre cultura alemã. Se você pretende morar um ano no Japão, você vai precisar saber ao menos algumas palavras em japonês, pelo menos cumprimentar, pedir comida, se deslocar, aprender um pouco sobre a culinária japonesa, o que se come, o que eles servem lá, porque você não vai imaginar que chegar no Japão, num restaurante japonês, e ele trazer uma macarronada à la italiana.
Então eu digo que, por mais incrível que pareça, por mais óbvio que isso pareça, nós até num episódio anterior, lemos um e-mail, de uma pessoa falando sobre o NT Wright, a nova perspectiva na leitura de Paulo. E o que é a nova perspectiva? Os intelectuais perceberam, se eu quisesse entender os textos judaicos, eu teria que estudar judaísmo. Mas parece tão óbvio isso, né? É, parece tão óbvio, mas por milênios, talvez pelo antissemitismo, pelo preconceito, não se estudava judaísmo, não se iam as fontes judaicas, e queríamos estudar os livros da literatura judaica.
Então é um contrassenso, nós diríamos que o primeiro passo para interpretar o Velho Testamento, os profetas, é entender um pouco, não estou dizendo que você precisa se tornar um especialista nesse tema, né, Afonso? Justamente. Não precisa saber o Hebraico, nada disso, mas compreender um pouco sobre a cultura do povo hebraico, porque é um povo oriental, né, Afonso? Orientais, eles não são ocidentais, são orientais. Segundo, eles viveram, quando esses livros foram produzidos, há três mil anos atrás. É o Oriente, o tempo é muito distanciado, a língua é outra, a cultura é outra.
Então eu, basicamente, Tiago, eu criei assim uma forma simples de eu imaginar, sem sofisticar muito. Eu disse assim, eu quero muito aprender o Antigo Testamento. Então o que eu fiz? Busquei comentários dos judeus sobre o Antigo Testamento. Eu quero ver como é que eles mesmos comentam a literatura deles. É mais ou menos assim, você quer saber sobre Bossa Nova? Você vai lá para o Rio de Janeiro conversar com os músicos que criaram o movimento da Bossa Nova. Quer dizer, você vai aprender na fonte, com quem sabe, com quem criou, com quem tem familiaridade com Bossa Nova.
Parece óbvio, mas esse é o primeiro conselho. Aprender com quem sabe, com quem criou a coisa. É fantástico, é isso mesmo. Também tem pensado assim, sobre quando nós entramos no Espiritismo e aprendemos que a base da revelação divina, isso Emmanuel que diz, ela surge com os hebreus, surgiu uma necessidade de conhecer um pouco mais sobre o povo, de ver mais coisas, ler mais sobre essa cultura, sobre qual visão de mundo que os judeus traziam, a diversa nomenclatura de se tratar sobre si mesmo ao longo do tempo, semitas, hebreus, povo de Israel, judá, quer dizer, toda essa toda essa cronologia, toda essa história, que, claro, parece que o Haroldo vai ampliar para nós entendermos melhor no tempo e no espaço esse povo que é a raiz na revelação, a base.
Exatamente, Afonso. E engraçado que indo ao encontro disso que você falou, nós pedimos permissão para ler a questão 267 do livro Consolador. Sim. Quando eles perguntam para Emmanuel assim, qual a posição do Velho Testamento no quadro de valores da educação religiosa do homem? Olha só, qual a posição do Velho Testamento no quadro de valores da educação religiosa? Aí o Emmanuel responde, no quadro de valores da educação religiosa na civilização cristã, o Velho Testamento, apesar de suas expressões altamente simbólicas, poucas vezes acessíveis ao raciocínio comum, deve ser considerado como a pedra angular ou como a fonte mater da revelação divina.
Então tem várias coisas aqui nessa questão. Primeiro é o seguinte, não é no quadro de valores da educação científica, da humanidade. Não é no quadro de valores da educação filosófica. É no quadro de valores da educação religiosa. Os hebreus são mestres no aspecto religioso. Se você quer estudar filosofia, você tem que começar a falar com os gregos. A fundamentação da fé. Exatamente. A fundamentação da fé. Então é no quadro de valores da educação religiosa. Você não pode buscar no Velho Testamento o que ele não tem para oferecer.
Justamente. Então não é no quadro de valores da educação artística do homem. Não. Em arte, você vai ter que ir em outros povos. Porque cada povo traz a sua contribuição para o banquete universal. Cada um é uma espécie de escola que desenvolveu certos elementos e que se tornou sábio, que se tornou adestrado naquele aspecto e que traz aquilo para que os outros povos da humanidade compartilhem. E o que os hebreus têm a oferecer? O aspecto religioso. Nesse aspecto, o que eles têm a oferecer é a fonte-mãe. Fonte-mãe. Então aqui a gente pensa o seguinte.
Se o cristianismo é um rio São Francisco, caudaloso, a fonte está lá nos hebreus. A fonte da revelação, onde começa o rio, está lá. É a fonte máter. E é interessante isso porque como que os judeus chamam a sua tradição? Eles chamam de fonte. Até isso Emmanuel é cuidadoso na palavra. Ele usou uma terminologia técnica. E pedra angular, ele está usando a metáfora da construção civil, que é aquele bloco que sustenta todo o edifício. Ele vai falar isso um pouco mais para frente também. Outra coisa que ele fala é que o Velho Testamento é poucas vezes acessível ao raciocínio comum.
Então não adianta você vir com o raciocínio comum que você não vai penetrar. O Velho Testamento exige raciocínios incomuns. Exige uma lógica incomum. Daí aquilo que o Afonso falou, a necessidade de conhecer a história do povo hebreu, conhecer como eles pensam, as categorias mentais deles, a tradição. É um raciocínio incomum, oriental, peculiar. E ele fala aqui que está repleto de expressões altamente simbólicas. Então isso nós já aprendemos na Doutrina Espírita. O maior desastre do mundo não é o tsunami. É você interpretar o Velho Testamento ao pé da letra.
É um desastre. É um desastre. De gravíssimas consequências. Querem ver uma coisa? Galileu quase morreu. Quase que Galileu morreu por conta de uma interpretação literal do livro Gênesis. De Moisés. Interpretar literalmente, não é a Terra que gira em torno do Sol, não. É o Sol que gira em torno da Terra. Interpretação literal. E aí o Galileu quase que perde a cabeça. Quase. Porque no Gênesis mostra o surgimento do Sol e da Lua depois do aparecimento da Terra. Leirar ao pé da letra e não interpretar. Quase que um grande cientista perde a cabeça.
É um perigo mesmo. Porque pediu desculpa, porque renegou. Termina dizendo, no entanto, ela se move, mas bem baixinho. O Galileu, para preservar o pescoço, pediu desculpa e falou, mas eu ainda acho que ela… Depois ele veio confirmar. Essa é a tragédia. E a coisa que dá mais tristeza, né, Afonso, é ver um espírita lendo o Velho Testamento ao pé da letra. Ao pé da letra. Querendo comparar expressões de Gênesis com pesquisas atuais da ciência. Gente, meu Deus, mas isso é… É preciso entender isso que o Emmanuel está falando aqui.
Expressões altamente simbólicas. Se não tivesse a sensibilidade para simbologia, para metáfora, metáfora, vai ter muita dificuldade com o Velho Testamento. O que nós vamos compreender também, lembrar que o apóstolo Pedro, na sua segunda carta, capítulo 1, versículo 20 e 21, ele vai dizer que as escrituras não foram produzidas pelos homens, mas os homens santos, inspirados pelos espíritos superiores, ele usa o termo lá, os espíritos santos, é que trouxeram a mensagem. Nós descobrimos e vamos perceber o problema da filtragem mediúnica.
Quantos Chico Xavier aparece por dia? Por ano? Por década? Então nós encontramos aqueles homens, aqueles médiuns, que recebendo a inspiração, captando essa fonte primeira, eles vão ter que transcrever de alguma maneira, e o símbolo, o arquétipo, ele vai servir de símbolo universal para favorecer o entendimento. Então, naturalmente, nós não vamos ler ao pé da letra, literalmente. Vamos procurar compreender, e é um exercício de ampliação. Exatamente. Pegando o gancho pelo que o Afonso está falando, acho que o Haroldo já trouxe para a gente nessas reuniões, como eu falei para vocês, que a gente faz na casa dele, alguns links dentro da literatura de Emmanuel, que vai lá na…
A gente até brinca, não é, Haroldo? Que se, por acaso, os livros do Chico Xavier, de Emmanuel, né? Fosse um iPad, seria cheio de links, né? Hipertexto, onde você clicava, todas as palavras que você clica ali, você cai lá no Velho Testamento, no Novo Testamento, pela terminologia como ele coloca. Acho que o Haroldo podia falar um pouquinho disso para a gente. Nossa, isso é muito interessante. Quando a gente usa aqui essa metáfora da árvore, aí vem o primeiro raciocínio. O que é a seiva? A seiva, o que que alimenta essa planta, essa árvore das revelações?
Aí, eu gostaria de chamar a atenção para o capítulo 1 do Evangelho segundo o Espiritismo, porque depois nós vamos parar em Emmanuel. No capítulo 1, Kardec dá o título de Não Vim Destruir A Lei. A, Artigo definido no singular. Lei, no singular. A lei. Quando ele vai comentar, sobre as revelações e tudo, ele diz assim, que a lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação. A do Novo Testamento tem ainda no Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus. Então, o que que o Kardec está dizendo aqui?
Está deixando claro que a lei divina ela é uma só, ela é imutável e ela vigora no universo infinito. Nós é que não devemos alimentar a pretensão de que a mente humana é capaz de absorver a totalidade da lei divina. A lei divina, fruto do Criador, ela é, na sua totalidade, incompreensível ainda pela mente humana. Daí a necessidade de revelações gradativas, pedagógicas, da lei de Deus. A primeira revelação, a revelação mosaica, o judaísmo, são parcela ou um pedaço da lei divina, a base da lei divina. Depois vem Jesus e desenvolve com a prática, com a ação, mostrando elementos que já estavam na primeira revelação, mas que não eram vividos ou porque as pessoas não queriam viver ou porque elas não sabiam como vivia aquilo, como que colocava em prática.
Então, ele dá mais um, acrescenta esse tronco que sustenta a árvore, que é a vivência de Jesus, a personificação dele, a exemplificação, e depois vem a doutrina espírita trazendo outros elementos para ampliar o nosso entendimento. Mas a lei divina continua sendo uma. Uma única lei. Ela continua sendo uma única lei. E nós vamos pelo infinito tendo revelações dessa lei, porque ela é tão ampla que ela vai sendo descortinada aos poucos. Aos poucos. Quando o apóstolo Paulo define assim desperta o tu que dormes, ele está mostrando para nós a ampliação de compreensão deste sol espiritual que é Jesus Cristo, refletindo o sol de Deus, se pudermos dizer assim, e nós que estamos despertando, compreendendo gradativamente.
Não é de um lance para outro que nós vamos compreender. Não dá para compreender de uma vez. É como o mito da caverna. Exatamente. É uma correntada de costas enquanto tudo escuro. E não pode vir para o sol de uma hora para a outra. É paulatino, ampliando perspectivas. E uma coisa que me chama a atenção, Afonso, é que o primeiro capítulo do Evangelho do Espiritismo é esse, Não vim destruir a lei. E a primeira comunicação espiritual do Evangelho do Espiritismo é de um espírito israelita. De um espírito israelita. E é chamada a nova era, a mensagem dele.
E ele fala uma coisa linda, linda. Ele fala, Deus é único. E Moisés é o espírito que ele enviou em missão para torná-lo conhecido, não só dos hebreus, como também dos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que se serviu Deus para se revelar por Moisés e pelos profetas. E as vicissitudes por que passou esse povo destinavam-se a chamar a atenção geral e a fazer cair o véu que ocultava aos homens a divindade. Olha o que esse espírito está dizendo. Ele está dizendo que a revelação, a primeira revelação, não está apenas no que está escrito no Velho Testamento.
Está na história do povo hebreu. Porque as vicissitudes pela qual passou o povo hebreu constituem lição imortal para todos nós. A forma como esse povo viveu, os desafios que ele enfrentou, as dificuldades e como ele tem até hoje se desenvolvido é uma lição para todos os povos da Terra. Para todos os povos que ele está dizendo aí. Para não ficar restrito a um povo só. A um povo só. Então é importantíssimo. Confirmando isso, o Emmanuel faz a seguinte pergunta direta para o Emmanuel, porque alguém deve ter percebido isso e perguntou direto para o Emmanuel na questão 271 do livro Consolador.
Moisés transmitiu ao mundo a lei definitiva? Olha só. Quer dizer, é a nossa ideia de achar que a mente humana é capaz de absorver o todo. A gente fica pensando, não é Afonso? Como que um copo d’água pode caber o oceano? Conta uma história que parece, se eu não estiver enganado com os personagens, que Santo Agostinho em momentos que ele estava fazendo reflexão sobre a grandeza de Deus, as margens do mar Mediterrâneo, talvez, ele viu uma criança que corria até a água com uma colher, trazia aquela recipiente da colher cheia de água e colocava num buraquinho na areia.
E aí ele chegou e perguntou para a criança, o que você está fazendo? A criança olhou para ele nos olhos e disse assim, eu vou pegar a água toda do mar e vou colocar aqui nesse buraco. Aí ele falou, mas você não vê que isso é impossível? E a criança disse, pois é, também vai ser impossível você colocar a Deus nessa cabecinha aí. A hora que ela assustou e olhou, a criança tinha sumido. Olha só. Olha que seja o que espiritual dele chamando a atenção. Ele vai compreender Deus na sua plenitude. É exatamente isso. E às vezes, Afonso, nós, seja o judeu, seja o cristão, temos uma ilusão de imaginar que Deus acaba dentro da nossa mente.
Que nós, limitados, vamos ser capazes de refletir integralmente o Todo-Poderoso. O Todo-Poderoso, o Criador, Ele não se sujeita a limites. Ele é ilimitado por definição. De modo que, a evolução vai descortinando aspectos de Deus e da sua lei divina. E a medida, porque o universo é infinito. Nós vamos querer medir o universo pela Terra? A vida se desdobra em outros ambientes com uma riqueza de formas, com uma riqueza de energias, com organizações sociais, com estruturações que fogem a nossa compreensão. Eu li uma definição sobre Deus no I Ching, quando fala assim, é o irrepetível.
Imagina nesse ilimitado, infinito, se pudermos dizer assim, aquilo que nada repete, o irrepetível. Como que é conceber originalidade absoluta em tudo? Exatamente. Que grandeza! É a grandeza de Deus. Então, quando fazem essa pergunta para o Emmanuel aqui, Moisés transmitiu ao mundo a lei definitiva, aí o Emmanuel diz, o profeta de Israel deu à Terra as bases da lei divina e imutável, mas não toda a lei integral e definitiva. Aliás, somos obrigados a reconhecer que os homens receberão sempre as revelações divinas de conformidade com a sua posição evolutiva.
Que beleza! Estão sempre recebendo. Então, nós podemos usar aqui, Afonso e Tiago, a metáfora de que a lei divina é a seiva que alimenta. Essa é a seiva que alimenta. Então, surge a raiz, que é a base, aí vem o tronco, as ramagens, o fruto, aí gera outras árvores e vai nesse, desdobrar-se, mas sempre Deus sustentando e dando crescimento. Aí o Paulo fala isso, né? Eu plantei, Apolo regou, e Deus dá o crescimento. Porque essa força de vitalidade, que dá vida a essa planta, é o Criador, com a sua lei imutável, divina e completa.
Mas nós vamos sempre recebendo. Aí o Emmanuel diz assim, até agora, olha só, até agora, a humanidade da era cristã, olha só, recebeu a grande revelação em três aspectos essenciais. Moisés trouxe a missão da justiça, o evangelho, a revelação insuperável do amor, e o espiritismo, em sua feição de cristianismo redivivo, traz, por sua vez, a sublime tarefa da verdade. Olha que bonito isso, né? Então, o amor no centro, a missão da justiça e a tarefa da verdade ajudando aí o amor. Mas é até agora. Então, nós não podemos ficar achando que…
É bonito, né? Você vai se processando. Aí ele fala, no centro das três revelações, encontra-se Jesus, Cristo, como o fundamento de toda a luz e de toda a sabedoria. É que com o amor a lei manifestou-se na terra no seu esplendor máximo. E isso é que é bonito. Porque a criatura que ama, embora ela seja uma criatura limitada, ela é capaz de, ao amar, refletir Deus integralmente. Nós não podemos compreender e nem conter Deus. Mas, ao amar, é como se nós fôssemos um espelho refletindo o sol. O amor, ele é capaz de concretizar Deus.
Você diz isso e eu lembro que Emmanuel escreveu que o amor puro é o reflexo do Criador na criatura. Então, neste processo, nós estamos, Haroldo, Tiago, compreendendo, não pelo intelecto, mas pela expansão da capacidade nossa de sentir. De sentir. De conectar, sensibilizar com a vida que estua ao nosso lado. Nós somos seres energéticos, condensados num corpo, mas comunicamos muito mais pelas nossas vibrações, pela nossa irradiação, do que propriamente pela fala, pelo intelecto. Então, o Evangelho convida esse entendimento.
Esse tipo de vibração, de conduta. Agora, pensando ainda nessa raiz e fazendo uma leitura, eu estava acompanhando Moisés descrevendo a criação. Antecedendo a cada término de ciclo, tarde e amanhã, o dia primeiro, o dia segundo, o dia terceiro, o dia quarto e o dia quinto, sempre vem uma expressão assim e viu Deus que era bom. E no sexto dia, diz assim e viu Deus que era muito bom. Foi o sexto dia para poder entrar no sétimo. É um processo que nos chama a atenção em cada etapa da criação, a avaliação, a aferição do que foi feito, o sentir, ver, no sentido de perceber que foi bem feito, concluir uma etapa e começa outra.
Quer dizer, além dos símbolos que existem, nós vamos encontrar expressões que tocam muito perto da nossa vivência. O que estamos fazendo em cada momento? Vemos que é bom? Podemos passar para uma outra? Essa é a base para poder atingir um novo plano de evolução. Exatamente. E nunca esquecendo, Afonso, que o Senhor, a pessoa mais velha ou a Senhora guarda em si a criança que foi. Por isso o Emmanuel tem uma fala muito bonita para massacrar todo o antissemitismo e todo o preconceito que se possa ter ao povo judeu, ao povo hebreu, dizendo que nós somos devedores deles e que eles são a raiz, a base da revelação.
A importância, porque é impossível, Afonso, a gente sempre comenta isso, é impossível compreender o Novo Testamento sem conhecer o Antigo. Não tem jeito, não. Isso é inviável, porque é você querer entender essa árvore sem as raízes dela, sem o que sustenta essa árvore, a base dela. E entender o Espiritismo sem entender. Aí é mais complicado ainda. Quando eu vejo pessoas falando assim, ah, o Espiritismo, tirar o aspecto religioso, a pessoa não entendeu. Ele não entendeu o processo de revelação, ele não entendeu a progressão espiritual e está com a visão ingênua a respeito de ciência.
Ingênua, achando que a ciência que nasceu ali no século XVIII, século XIX, XX, XXI, com os seus métodos, com as suas dificuldades, com a comunidade científica, com os problemas de financiamento de pesquisa e N outros problemas, vai resolver o problema do homem. Falta ainda. É interessante que quantas pessoas nós já encontramos no caminho que dizem que ao adentrar na doutrina espírita e estão fazendo faculdade, mestrado, doutorado, estão lendo o livro dos Espíritos e começam a fazer anotações, não, aqui os livros dos Espíritos estão errados.
Isso aqui não tem nada a ver, não sei o que. Após uns dez anos de estudo da doutrina, onde o coração vai se enchendo com a lei divina, né, e depois numa releitura olha para aquilo e sente uma vergonha de tratar aquilo. Quem conta essa história é um amicíssimo nosso, Gilmar Trivelat, grande abasto, Gilmar. E Gilmar fala isso, hoje o Gilmar é doutor na área dele de química, um pesquisador da Fundacentro, uma pessoa extremamente qualificada, dá aula em curso de pós-graduação, para mestrandos e doutorandos e ele diz que quando entrou na USP, foi pegando a classificação e anotando, isso aqui está errado, isso aqui não é bem assim, e hoje quando ele pega isso, ele fala, ai meu Deus, que adolescente presunçoso, né, porque tem uma frase do Chico que ele diz assim, olha, se laranjeira tivesse que fazer curso de agronomia para dar laranja, hoje a gente estava perdido.
Porque a vida é de uma riqueza e nós não podemos ficar preso em um aspecto dela, em um aspecto. E aqui cabe essa reflexão aí, né Tiago, da seiva e tudo, vamos deixar falar um pouquinho para a gente entrar no texto de Paulo, que é Epístola aos Romanos, capítulo 11, que vai falar sobre isso, exatamente sobre essa visão aí da árvore. Acho que a gente já pode entrar, quer fazer mais algum comentário? Não, acho que podemos, vamos direto na fonte. Então vamos. Bom, esse é um texto nós vamos ler aqui pela tradução da CNBB, que é uma tradução que procura utilizar um português mais moderno, mais comum, e aí ela facilita, ela simplifica as expressões, aí facilita o entendimento.
Porque realmente o Paulo escreve de uma forma mais complexa, precisa simplificar um pouquinho. Mas no capítulo 11 da Epístola aos Romanos, o Paulo diz assim, pergunto então, por acaso Deus rejeitou o seu povo? De maneira alguma, pois eu mesmo sou Israelita, descendente de Abraão, da tribo de Benjamim. Ou não sabeis o que diz a escritura a respeito de Elias? Como ele acusa Israel diante de Deus? Aí ele cita um texto. Que aí o Paulo, como doutor da lei, começa a citar os textos, nós não vamos ler. Por que ele está dizendo isso aqui?
Lá Na igreja em Roma, que era formada por arianos, gregos, romanos, eles estavam começando a ficar envaidecidos. Olha, nós entendemos a mensagem de Jesus, e os judeus não entenderam. Só uma minoria entendeu. E começaram a tirar a onda. Somos bons. Antes foi o contrário, eram os judeus que se convertiam e tinham preconceito com os gentis. Esse foi um primeiro momento, um momento inicial, que Paulo teve que trabalhar duro. Mais na frente é um pouco, eram os gentis, já estavam em maior número, agora se achando o máximo, e começando a menosprezar a cultura judaica, os judeus, a tradição do Velho Testamento.
Começou esse processo. E aí o Paulo faz essas advertências aqui que nós vamos ler. Mas infelizmente, Paulo não foi ouvido e durante séculos, segundo, terceiro, quarto, quinto século, foram feitas cruéis perseguições aos judeus, a igreja cristã se distanciou das suas raízes e em muitos pontos criaram-se deturpações da mensagem de Jesus, exatamente por ter perdido o contato com as suas origens, com as suas tradições mais básicas. Então aquilo que Paulo mais temia acabou se concretizando ao longo da história. E hoje nós assistimos a intelectuais como o N.T.
Wright, que é um bispo anglicano e outros pesquisadores, pregando, mesmo dentro do protestantismo, a necessidade de se voltar às raízes judaicas para entender o cristianismo, para entender o Velho Testamento. A importância disso aqui. Aí ele fala ainda, pergunto ainda, será que eles tropeçaram para cair de todo? De maneira alguma. Mas foi para que a queda de Israel tornasse possível a salvação aos pagãos e Israel ficasse com inveja. Ora, se a queda de Israel é riqueza para o mundo e a sua decadência é riqueza para os pagãos, quanto mais o será sua conversão total.
Então Paulo faz um raciocínio aqui, que é um raciocínio de doutor da lei. Ele está raciocinando o seguinte, só uma minoria aceitou a mensagem de Jesus, a maioria não, mas graças porque eles eram os mestres da primeira revelação. Imagina se todos tivessem aceitado, não tinha trabalho para a gente. Como a minoria aceitou, isso possibilitou que o gentil chegasse e se desenvolvesse, se aperfeiçoasse, amadurecesse e Integrasse o plano divino de colaboração. O plano divino de colaboração, que é a união de todos os seres.
Não fosse essa aceitação parcial, talvez isso não fosse possível. Seria difícil para aqueles que estavam ainda muito imaturos na questão religiosa acompanhar o hebreu que estava muito à frente em matéria de concepção religiosa. Aí o Paulo vai dizer assim que se a queda deles é a riqueza para a gente, imagina quando todos tiverem uma compreensão, não que todos os judeus têm que se converter ao cristianismo. Não é isso que nós estamos dizendo, gente. Nós estamos tirando isso da cabeça. Não é converter-se ao cristianismo.
Não é isso. É entender a proposta, a proposta moral, a proposta de que todos nós, seres humanos, temos que nos unir com o amor para construir um mundo melhor. Não é converter. Ele pode continuar judeu do jeito que ele é, o muçulmano, o muçulmano, o chinês, o chinês. A proposta não é isso. Todo mundo ficar seguindo Jesus ou se tornar cristão. A proposta é a lição moral de Jesus penetrar no coração dos seres. Essa que é a proposta. Aí o Paulo fala, imagina quando isso acontecer. Se a queda dele já provocou esse crescimento.
E aqui também a gente vai pensando, vai pensar no exílio dos capelinos. A mente vai longe, com esse texto. E a vós, pagãos, digo-vos que enquanto for apóstolo dos gentios, honrarei meu ministério para ver se desperta o ciúme da gente de minha raça. E assim consigo salvar alguns deles. É interessantíssimo, né? Aí ele diz assim, porque se a rejeição deles resultou na reconciliação do mundo, qual será o efeito de sua reintegração senão a vida dentre os mortos? Porque se os primeiros frutos são santos, a massa também é.
E se a raiz é santa, os ramos também são. É daqui que nós tiramos a ideia de raiz. O que o Paulo está dizendo? Se a raiz, que é a primeira revelação, é santa, a árvore toda é. Ele está baseando num texto de Levítico que fala da colheita. Quando você ia fazer a colheita, os primeiros frutos da colheita eram dedicados a Deus. Para quê? Esses primeiros frutos purificavam e santificavam a colheita toda. Você não precisava levar a colheita toda para o sacerdote. Você levava só os primeiros frutos. As primícias. Ele abençoava e aquilo santificava toda a colheita.
É o que ele está falando aqui. Se a raiz é santa, se a raiz tem origem divina, ou como diz Emmanuel, se a raiz, que é a primeira revelação, é a fonte máter da revelação, todas as outras são. Porque todas as outras estão em conexão com ela, ou são desdobramentos dela. Não é uma construção que está sendo feita em outro alicerce, né, Afonso? Você está construindo nesse alicerce. Ele está verticalizando. Ele está verticalizando. E aí ele diz assim, Se alguns ramos foram cortados, e se tu, Oliveira Selvagem, foste enxertada em seu lugar, e agora recebes seiva das raízes, olha, não te vanglories às custas dos ramos, pois se tu te vangloriares, sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas é a raiz que te sustenta.
Dirás, talvez, os ramos foram cortados para que eu fosse enxertado. Muito bem, é por causa da incredulidade que eles foram cortados, ao passo que tu estás firme pela fé. Não te fique cheio de soberba, mas teme, porque se Deus não poupou os ramos naturais, também a ti não poupará. Então, o bonito disso aqui, que o Paulo está dizendo, que todos os povos foram enxertados nessa raiz religiosa, nessa concepção religiosa, que o povo hebreu foi o detentor, porque a espiritualidade superior escolheu o povo hebreu para ser o detentor dos alicerces da revelação, e depois os outros povos foram agrupados nesse alicerce.
Através de que? Do trabalho de Jesus, porque esse foi o trabalho de Jesus. Foi reunir o povo hebreu e cumprir o que estava na profecia de Isaías, que era levar a luz para os gentios, porque na época em que Jesus chegou, a luz que o povo hebreu detinha estava sendo usada só para eles. A luz estava de baralqueiro, a candeia estava de baralqueiro, a candeira não estava no velador. Então, Jesus pega essa luz e fala, não, precisa levar a luz para todos, que é algo que já está na profecia de Isaías, já está na profecia de Isaías, que o povo hebreu deveria ser luz para os gentios.
Então, chegou Jesus, fez essa reunião e fez um enxerto, trouxe esses outros gentios e colocou nessa árvore, essa bonita árvore, cujas raízes são o judaísmo e a primeira revelação, a cultura e tudo aquilo que o povo hebreu trouxe. Então, Paulo está dizendo assim, você não fica vangloriano, não, porque não é você que sustenta a raiz, não, a seiva vem da raiz e vai alimentando tudo. E se Deus não poupou nem os ramos naturais, que são aqueles que não aceitaram e que foram tirados desse tronco, que dirá dos ramos que foram enxertados.
Você me faz esse raciocínio inteligentíssimo, um raciocínio de um doutor da lei, que é uma metáfora, para a gente entender essa sequência das revelações que vão incuminar com a revelação dos Espíritos, porque aí ela universaliza mesmo. Porque a doutrina espiritual trazia o conceito de reencarnação, imortalidade da alma, sobrevivência após a morte, lei de causa e efeito, ela universaliza as duas revelações. Ela desenvolve, amplifica e leva até as últimas consequências, a primeira e a segunda revelação, dando essa unidade.
Não é, Afonso? Eu falei muito, Afonso. Mas lembrando que, como o Espiritismo não está personalizado em alguém, uma cultura, ele é um consenso universal do ensino dos Espíritos, vai quebrar a barreira mais facilmente, porque tem a barreira do judaísmo inicialmente, depois o cristianismo fica entre os cristãos, mas com o Espiritismo não está em uma sociedade, não está na cultura, no pensamento. Está na lei, na revelação das leis, dos aspectos da lei de Deus, e lei natural, não tem como fugir dela. Você está lembrando da reencarnação, lembrando da imortalidade da alma, da mediunidade, que é de todos os tempos, e aí esta raiz, que continua fluindo, nutrindo a árvore, ela vai alimentar toda a humanidade, todos nós.
Trazer para a realidade da vida esta compreensão, nós lembramos aqui, enquanto você estava lendo, da mulher cirofenícia, quando ela pede ajuda, e o Senhor diz pra ela que não era lícito tirar da boca dos filhos e dar aos cachorrinhos, mas ela vai dizer que os cachorrinhos também comiam das migalhas, mostrando uma perspectiva universal, cada um assimilando daquilo que pode. Exatamente, Afonso. E o Senhor louvou aquela compreensão, ela que era pagã. O vislumbre que ela teve. O vislumbre que ela teve. Então, acho que nós estamos chegando neste momento, onde esta árvore ela está, nós podemos pensar assim, ela vai dar frutos agora universais.
Nós estamos lembrando da árvore que é transplantada para o Brasil. Exatamente. Fixada, e que daqui do Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho, é que toda esta verdade da lei de Deus vai se disseminar. Eu achei interessante o que você falou, Afonso, quando você abordou esta questão de que a lei divina, por ser lei natural, tanto a que rege os fenômenos físicos quanto a que rege os assuntos espirituais é uma lei só. Deus é leslador único. Ele é um só. A lei dele vale para os fenômenos materiais e para os fenômenos espirituais.
Ela não é propriedade da Terra. Ela é uma lei das galáxias, das constelações, porque, como diz a letra, é o senhor das estrelas. Deus é o senhor das estrelas, é o Deus do infinito, do universo infinito. Essas leis, seria uma, é quase pueril nós imaginarmos que nós, os da Terra, somos os detentores da lei divina, temos a propriedade, a patente dessa lei. E o espiritismo tem essa vocação universalista, não é Afonso? Que é a vocação de abrigar a todos, sem pretensão de converter ninguém, mas de mostrar aqueles aspectos da lei que são leis.
Leis divinas e imutáveis, independente da sua crença, da sua religião, da sua cultura, você não tem que abandonar sua cultura, sua vivência, nada disso, mas compreender esses aspectos universais que regem e vigoram no universo. O Tiago está vendo aqui, nós estamos conversando, mas nós estamos lembrando também, por exemplo, quando nós acreditamos na gravidade, não importa qual religião que nós temos, todos esses processos das leis naturais que regem todo o funcionamento da vida nos dois planos, material e espiritual, são princípios da lei de Deus.
Ela não precisa mudar a nossa crença pessoal, mas é um diálogo possível que vamos trilhando nesse processo, aprendendo, compreendendo e entendendo que o homem, no esforço dele, ele descobre pela pesquisa, pela experiência, vários elementos, mas que a lei de Deus, ela é revelada. Ela vem antecipando em muito a compreensão humana. Exatamente. Por isso que ela é gradativa, nós já conversamos sobre isso aqui. Ela vai antecipando aquilo que o homem é capaz de já compreender. Ou seja, Deus está sempre na frente. E por isso que nós vamos compreender que é o Baird Campbell, que diz, Jesus vence sempre.
E eu acho interessante, uma vez, Afonso, eu estava fazendo uma palestra e um jovem chegou para mim e perguntou assim, você falou sobre a questão da progressiva e tudo, e Nós não podemos fechar. Então, imagina que chegasse uma nova revelação, no futuro vai chegar, como que nós reconheceríamos que esse novo desdobramento da revelação seria verdadeiro? É que é um desafio. Porque, imagina, tinha a primeira, aí chegou Jesus trazendo os desdobramentos. Muita gente não compreendeu. Muitos. Depois de Jesus, veio a doutrina, os Espíritos revelando tanto de coisa, muita gente não compreendeu.
E se vier um novo processo, como é que nós vamos compreender? Aí, como eu já tinha essa questão da metáfora, eu disse para ele assim, nós vamos reconhecê-la se ela estiver em absoluta consonância com as três. Por quê? Se ela estiver em consonância, mas estiver abrindo aspectos, mas em consonância com as outras três, significa que ela é uma revelação legítima. Por quê? Se ela vier construir outro terreno, desmentindo tudo, você pode saber que é falso profeta. Porque é falso profeta. Porque é exatamente esse aspecto de desdobramento.
Primeiro vem a raiz, aí vem o tronco, aí vai se desenvolvendo. É esse aspecto de continuidade. Tanto que Jesus fala, eu não vim destruir a lei e os profetas. Aí vem o Kardec e fala, eu também não vim destruir nada. Os Espíritos estão só explicando, estão só dando sequência, trazendo alguns aspectos que estavam ocultos na forma de símbolos, porque você já vai lá no profeta Joel e ele fala e eis que nos últimos tempos derramarei do meu espírito sobre toda a carne. O que é isso? O que é isso, a não ser o fenômeno da espiritualização geral do mundo?
Porque ninguém tem dúvida que nós estamos vivendo a transição, os últimos tempos na linguagem simbólica do Velho Testamento e do Novo Testamento. Então é o processo de derramamento do Espírito Divino, de espiritualização dos homens, já estava previsto lá no Velho Testamento. No Velho Testamento. Então olha o espírito de continuidade, né Alfonso? Como é que está tudo ligado. O Gladstone que fala, que ele é espírita, até apareceu uma coisa nova. Uma coisa melhor. Uma coisa melhor é espírita. Quando não aparece nada melhor é espírita.
Exatamente. Troa, trometa. Mas o Apocalipse vai concluindo seus discursos, dizendo que a nova Jerusalém desce do céu como uma noiva ataviada para o seu esposo. Então uma próxima revelação é o casamento da criatura com o Cristo. Aquele momento em que haverá o consórcio, se nós pudermos pensar assim. Exatamente. Onde compreendemos e vivemos integralmente, ampliar cada vez mais. E os frutos que vão surgir disso daí, que são filhos. Exatamente. E aliás, é importante você ter tocado nisso aí, Alfonso, porque aí já entrando agora na parte prática, deve estar todo mundo se perguntando assim, mas tudo bem, vocês já me convenceram, né?
A primeira revelação é a raiz. E daí, né? O que que isso vai me ajudar? O que que eu vou fazer com isso? Mas vamos dar um exemplo aí. Alfonso citou uma coisa aqui muito interessante. Um dos símbolos da união do ser humano com Deus no Velho Testamento é o casamento. O símbolo é o casamento. E como que é simbolizada a idolatria? Que é quando você quebra esses vínculos com Deus e passa a cultuar outros deuses. É chamado de prostituição. Então nós temos o profeta Joel, em que num texto clássico dele, mas temos também em Jeremias, em outros profetas, mas esse Joel está bem forte, em que numa conversa simbólica que Deus está tendo com o povo hebreu, que já nessa época estava dividido ao sul, os judeus e ao norte, os samaritanos, né?
Capital Samaria, capital Jerusalém. Ele chama Jerusalém e Samaria de duas prostitutas. Elas eram duas esposas amadas que se tornaram prostitutas porque traíram ele. É como se Deus estivesse na linguagem simbólica se queixando que as suas duas esposas o traíram. Por que isso? Na linguagem simbólica do Velho Testamento Deus tem que ser amado acima de todas as coisas. Quando você ama algo ou alguém mais do que Deus você está num processo de idolatria. Você está cultuando outros deuses. Tem gente que ama mais o dinheiro do que qualquer coisa, tem outros que ama mais a esposa, mais o filho, mais não sei o que, mas é Deus que tem que ser amado acima de todas as coisas.
Quando nós não conseguimos manter essa fidelidade absoluta a Deus, simbolicamente nós somos prostitutas. É a prostituição. A prostituição é isso. É perder esses vínculos. E aí, esse texto que o Afonso citou lá do fechamento do Novo Testamento, do Apocalipse, quando fala que Jerusalém é uma noiva pronta para o esposo, que é exatamente o que? Ela terá abrido Jerusalém como símbolo da terra, da religião, do aspecto religioso, onde nós já teremos abrido mão dos deuses, das idolatrias e entraremos num processo de conexão absoluta com Deus.
O dia que houver essa conexão absoluta com Deus, haverá o tão sonhado casamento, que são as bodas, Jesus começa em bodas, que é o símbolo do casamento, esse casamento aí. Um casamento com a lei divina, Afonso. É você viver a lei divina, não é, Tiago? Você viver ela na sua vida. Não é só pensar, não. É viver. Olha como que uma simbologia do Velho Testamento abre aspectos do Novo Testamento e da própria doutrina espírita, que quando você entende esse símbolo, essa simbologia vai abrindo tudo. A partir dessa perspectiva nova, do estudo da raiz, nós vamos ter que voltar a enreler toda, fazer uma releitura dos textos da doutrina espírita, porque é um novo olhar dentro da leitura, o Evangelho segundo Espiritismo, Livro dos Espíritos, fazer uma nova leitura nos textos de Emmanuel.
Quem nós não vamos falar que Emmanuel acusá-lo de religioso, graças a Deus que ele traz o aspecto do nosso entendimento religioso, está resgatando o que nós está perdendo, as raízes. E aqueles textos que a gente olhava para aquilo e falava assim, mas da onde que ele está tirando isso aqui, agora tem aonde buscar. A fonte está revelada. Então, quando a pessoa pergunta assim, aonde que está dito que o Espiritismo tem uma base religiosa? Eu falo, meu Deus, se eu tirar a base religiosa do Espiritismo, então nós vamos queimar todos os Evangelhos segundo o Espiritismo.
Vamos queimar tudo. Porque olha a primeira mensagem que o Kardec coloca no Evangelho segundo o Espiritismo, mensagem assinada pelo Espírito de verdade. Olha só. Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, qual imensito exército que se movimenta aos receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da terra e semelhantes a estrelas cadentes, vem iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos. Gente, isso aqui é lá Abraão, conversando com Deus, e ele fala, olha para o céu, Abraão. Aí ele fala assim, você é capaz de contar as estrelas?
Ele fala, não. Pois a tua descendência será maior do que as estrelas. A descendência de Abraão, que era uma descendência espiritual. Espiritual. Não é? Agora, como é que começa o Evangelho segundo o Espiritismo? Como é que começa esse livro? Essa mensagem do Espírito de verdade dizendo o seguinte, que essas estrelas é que estão caindo. Estão caindo. As estrelas que Abraão viu lá, que são as virtudes dos céus, estão caindo, qual estrelas cadentes ao comando de quem? De Deus, que é o Senhor, não é dos exércitos. O texto hebraico fala, Tsevaot, que é, pode ser exército, mas também estrelas.
Então, o texto mesmo, na verdade, do Velho Testamento, é o Senhor das estrelas. Essa é a tradução mais correta do termo. Senhor das estrelas, não dos exércitos. Porque o Velho Testamento chama Deus de Senhor dos exércitos. Não, exército não, Tsevaot, que é estrelas. Por que estrelas? Porque quando ele conversa com Abraão, ele fala isso. Olha para as estrelas dos céus. A tua descendência será mais numerosa do que as estrelas do céu. E tem um texto maravilhoso, gente, que é um comentário, o maior comentarista judeu de todos os tempos, Rash.
Ele viveu no século XII, na França. Comentou todo o Velho Testamento, comentou todo o Talmud. É um gigante esse homem. Ele comenta esse texto. E, Quando ele vai comentar esse texto, ele chama um outro de Isaías, Isaías 57, se não me engano, em que Isaías diz assim, E quem chama as estrelas pelo nome? Aí, ele fazendo esse link com Abraão, ele fala que a descendência de Abraão, que são seus filhos, como as estrelas do céu, quando começam a aparecer no início da noite, Deus as chama uma por uma pelo nome. Então, Deus conhece cada um dos seus filhos, porque são estrelas do céu.
Olha, exatamente o texto que está aqui no início do Evangelho Segundo Espiritismo. Fazendo um link aqui com o Velho Testamento, com o profeta, aí você precisa ter um pouquinho de leitura de Velho para entender isso aqui. As grandes vozes do céu ressoam como sons de trombetas. Está fazendo referência ao Apocalipse. As trombetas soando, e assim vai todo esse texto aqui. Nós os convidamos, avós homens, para o divino concerto. Tomai a líria, fazei unir-se-a nas vossas vozes, e que num hino sagrado elas se estendam e repercutam de um extremo a outro do universo.
Então, eu acho que não preciso explicar mais nada. O Espírito de Verdade já fez um miudinho aqui de velho, novo e fechou ainda com chantilly por cima do volume. É fantástico. É, porque nós vamos na questão 625 do Livro dos Espíritos e quando Allan Kardec pergunta por aquele tipo, aquele modelo melhor que Deus ofereceu à humanidade, é sintética a resposta e é tudo ao mesmo tempo que Jesus. Então a doutrina espírita no plano filosófico do Livro dos Espíritos, vamos imaginar assim, ela já define Jesus como condutor, porque o Espírito não poderia ser cristão se ele é o ponto de referência que temos, o melhor tipo e modelo.
Exatamente. Eu vou aproveitar. Eu queria pedir ao Haroldo para a gente poder fazer algumas, que ele pudesse nos explicar um pouco sobre alguns aspectos da cultura judaica. Acho que muita gente tem a curiosidade, acho que vem para a parte gostosa também do podcast, que é de fazer esse tipo de pergunta, né? Exatamente. Eu tenho muita curiosidade, por exemplo, para saber o porquê da circuncisão, por exemplo. Porque hoje a gente vê uma discussão, eu estava até lendo na internet sobre a questão da circuncisão na África por questões de diminuir drasticamente o perigo de se pegar algumas doenças, algumas coisas, mas eu não consegui entender dentro dos textos bíblicos qual a necessidade da circuncisão na época.
Bom, aí tem um aspecto complexo, tem vários desdobramentos desse tema. O primeiro eu gostaria de começar pelo desdobramento simbólico. A circuncisão é colocada de forma simbólica no Velho Testamento para simbolizar uma aliança. Quando Deus faz a aliança com Abraão, relembrando um pouco a história, Abraão da Caldeia, um caldeu, lá onde a civilização começa, que é no crescente fértil, Caldeia, traz esse pagão e fala, eu vou fazer um pacto com você, nós vamos formar um povo, esse povo vai ser o primogênito, olha que interessante, Israel vai ser um filho primogênito, já dando a ideia de que o povo hebreu seria o irmão mais velho que teria que educar a humanidade inteira e que não fez isso, esse irmão mais velho não fez isso, fechou-se em si mesmo, não educou, mas nessa ideia de trazer a ideia da aliança, já mostrando a aliança por quê?
Olha a ideia de casamento, aí você vai lá, corta o prepúcio, é bonito isso? Porque nós estamos imaginando três mil anos atrás, ou mais, né? Abraão, três mil e quinhentos anos atrás, é muito tempo atrás, então, uma sociedade agrícola, povos nômades, nem agrícola, eram povos nômades, criavam animais e ficavam circulando ali, nem tinham se fixado ainda, nem tinham cultura agrícola, eram povos nômades, pega um povo nômade desse, qual que era o sentido deles de sociedade, de vida? Eram as relações familiares. Então, quando ele faz essa aliança cortando o prepúcio, já está ligando a ideia de casamento, de união com Deus, a força genésica entrando, criativa, né?
Tudo é toda essa simbologia, faz lá a circuncisão, para mostrar que aquilo ali era aliança. Então, a circuncisão tem esse aspecto simbólico de aliança com Deus, mas ela tem também um sentido social, que é um sentido de distinguir o povo hebreu dos outros povos. E nós vamos encontrar no Velho Testamento uma série de determinações que tem a ver com fixação de características culturais do povo hebreu. Então, o que ele come, o que ele não come, como ele se veste, como ele não se veste, são leis sociais, inspiradas para que o povo hebreu tenha uma identidade.
Se ele não tivesse uma identidade, como é que ele ia ensinar aos outros povos? Ele precisava primeiro criar sua identidade para depois conviver e relacionar e, possivelmente, ensinar para os outros. Então, a circuncisão tinha um aspecto seguinte. Quem é circunciso é hebreu. Então, tem esse segundo aspecto. É uma marca cultural, uma marca cultural, como nós, brasileiros, temos. O nosso futebol, a nossa feijoada, o nosso samba, as nossas praias são marcas culturais que nós não estamos dispostos a abrir mão. Então, se você chegar para alguém do Rio Grande do Sul e falar para ele, vamos cortar o chimarrão, dá briga.
Eles não vão aceitar, porque é uma identidade cultural, é uma marca cultural. A circuncisão passou a ter essa característica de marca cultural também. Então, esses dois aspectos são importantes a gente pensar. E tem um terceiro aspecto que eu gosto de pensar muito também. Embora em muitos casos não dá para comprovar assim, um mais um são dois, muitas regras de alimentação, de conduta que estão no Velho Testamento, aos poucos a ciência tem descoberto que o negócio tem um sentido mesmo. A sensação é de que a espiritualidade superior estava orientando regras para não ter infecção, de dietéticas, regras de sanitárias, de higiene, no sentido de proteção mesmo, não misture esse alimento com esse não, porque você não come esse tipo de carne, você não tem como conservar isso, cuidado com isso, e a circuncisão tem esse aspecto que você entrou aí também.
Talvez nas relações ela realmente não sei até que ponto isso tem uma base mesmo, merece aí uma pesquisa, mas se tem, muitas pessoas têm estudado isso e acabam concluindo que algumas determinações do Velho Testamento tem desdobramentos que se comprovam cientificamente, é que tem uma base mesmo. Mas tendo ou não uma base, ele teve esse sentido lá, porque você imagina lá no passado, não tinha nenhum dos recursos de higiene, de medicina que nós temos hoje. Então eram regras mesmo para preservar para o povo ficar rígido, ficar saudável para a tarefa grandiosa que eles tinham pela frente.
Tem esses três aspectos aí que a gente precisa pensar. Eu queria pedir o Haroldo, então, para fazer uma ligação para a gente do Antigo Testamento com o Novo Testamento. Eu, pelo menos nas minhas leituras, eu acredito que esse elo possa se dar através de João Batista. É isso mesmo? Você consegue imaginar isso de alguma maneira? Não. Não só. O João Batista ele é aquele momento da transição. Então, João Batista é uma coisa bonita de ser dito porque existe um gênero literário do Velho Testamento dentro das profecias, dentro do livro dos profetas que é a chamada encenação profética.
O que é isso? O profeta chegava e começava a fazer uma mímica. Aí estava todo mundo olhando para aquela mímica. A mímica dele era a profecia. Olha que interessante. Tem vários tipos desses. Até no Novo nós temos o ágabo. Chega lá com Paulo, para na frente de Paulo, começa a fazer uma mímica que está sendo amarrado, que não sei o que e tal, que era uma profecia de que Paulo seria preso em Jerusalém e tudo. Então, essa profecia por mímica, por representação ou encenação teatral, vamos dizer assim, é um gênero dentro do Velho Testamento.
E aí, eu desafiaria o ouvinte a pensar o seguinte, a purificação do tempo quando Jesus derruba algumas mesas e expulsa os animais e os cambistas, está dentro desse gênero chamado encenação profética. Porque havia uma profecia dizendo que o tempo seria purificado. Então, Jesus vem ali e faz essa mímica que não tem esse exagero que todo mundo imagina, que saiu chutando, batendo nos outros, não tem isso. Só tinha milhares de guardas no tempo, se ele fizesse algo disso, ele seria preso imediatamente. Então, ele fez uma encenação profética.
Seguindo o estilo literário. E aqui eu gostaria de lançar um outro desafio. A vida de João Batista é uma encenação profética. Ele se veste de pelo de camelo, come mel, se veste gafanhoto, fica só no deserto e clamando arrependei-vos que é chegado o reino do céu. Você imagina você encontrando com uma figura dessa. Cebana judéia andando, encontra com um homem vestido de pelo de camelo, mastigando gafanhoto, bebendo mel e falando arrependei-vos que é chegado o reino do céu. Tomou um susto. A vida de João Batista é uma encenação teatral da profecia.
Quando eu falo encenação teatral, gente, eu não estou dando um sentido pejorativo, nenhum sentido de gracinha, não. Não é brincadeira, não. A encenação profética era séria. Tanto que o profeta Agabo, quando ele faz a encenação para Paulo, a profecia diz que o Paulo ia ser preso, ia ser morto. Então, não tem gracinha, não tem brincadeira, não. É a forma de fazer. A vida de João Batista é uma encenação. Ele faz-se passar por essa figura rude do deserto. O que que ele está querendo transmitir? Que lição que ele está querendo transmitir?
Que chegou-se a uma virada. Que nós chegamos num momento que tinha que passar por uma transição para dar um salto. E Quem daria esse salto? A figura do Messias, que é Jesus. Então, ele dizia assim, a minha vida, isso que eu estou falando, é um período de ajuste, que é aquilo que o Afonso falou, de avaliação, de síntese. Vamos avaliar o que nós já construímos, vamos ver o que é bom e o que não é bom, vamos pensar o que nós vamos descartar, o que nós vamos manter, porque está chegando uma nova era, que é a era do Messias, que era a vinda de Jesus.
Então, João Batista tem esse aspecto de transição. Mas não é ele só que resume o velho. Eu costumo dizer o seguinte, qual bíblia que Jesus lia? Alguém vai imaginar, ah, Jesus lia Apocalipse. Não, não tinha Apocalipse. Apocalipse é depois que ele é crucificado, lá no ano 98, 99, que ele chama João lá e revela o Apocalipse. Não tinha Apocalipse, não. Tinha Epístola de João? Não, não tinha. Tinha Epístola de Pedro? Não. Paulo? Tinha Epístola de Paulo? Ah, Paulo nem tinha conhecido ainda, não tinha carta de Paulo. Tinha Evangelho?
Não tinha. Então, qual bíblia que Jesus lia? O Velho Testamento. Qual bíblia que Jesiel, que Estêvão, lia? O Velho Testamento. E Estêvão deu aquela exemplificação toda lendo o Velho Testamento. Da onde toda vez que Jesus dava uma lição, ele citava um texto do Novo Testamento? Não, do Velho Testamento. Então, o problema está no velho ou está em quem lê? Ah, aí é que a grande pergunta. O problema está no Velho Testamento ou está em quem lê o Velho Testamento? O problema está em quem lê. Por isso, quando o doutor da lei perguntou para ele assim, ô mestre, o que é que devo fazer?
O que é que está escrito na lei? Lei aí é Torá, é Pentateu. O que é que está escrito lá no Pentateu? Como lês? Como que você está lendo? E tem um texto belíssimo que eu recomendo a todos que leiam. É o capítulo sobre Nicodemus no livro Boa Nova. Nesse capítulo, Tiago e Levi ficam em dúvida com esse negócio de resgate, reencarnação, aquela coisa. Tudo isso faz uma pergunta para Jesus. Lá no livro Boa Nova, Humberto de Campos descreve isso. E aí Jesus pergunta para eles assim, como se dá o processo de redenção na lei antiga?
Aí eles logo respondem, né? Olho por olho, dente por dente. Responde de cara, né? Aí Jesus fala, até tu Levi, até tu Tiago, está lendo a lei como Nicodemus? Não percebestes que o primeiro mandamento da lei divina é amar a Deus sobre todas as coisas? E que o segundo é amar ao próximo com a si mesmo? Ou seja, o amor já está lá. Os dois mandamentos de amor já estão lá no Velho Testamento. Por que ninguém leu? Primeira pergunta. Segunda pergunta. Por que ninguém viveu isso? Porque a gente só encontra aquilo que já está no nosso coração.
Se o amor não estiver no nosso coração, nós não vamos encontrar o amor lá fora. É isso que Jesus estava chamando a atenção. Ou seja, Jesus fundamentou e utilizou o Velho Testamento para apoiar, para embasar o seu ensino e a sua vivência. Por que? Porque lá é a base da lei. A base da lei divina já estava lá. A fonte máter da revelação divina já está lá. O que Jesus ia fazer era viver, dar o exemplo de como é que vive isso tudo e desdobrar. E desdobrar. Então já está. E outra… Aí nós temos que pensar outra coisa. Todos os gêneros literais do Velho Testamento estão no Novo.
A língua usada é a mesma. A cultura é a mesma. A cultura é a mesma. Tem até um… O Oscar Scarsall, no livro, ele usa uma metáfora interessante. Na Alemanha, naqueles campos nazistas, tinha assim uma grade e uma placa escrita. Proibida a entrada de judeus. E Do lado de dentro da grade, uma mesa com um crucifixo em cima. Aí o Oscar fazia… Foi o único judeu que entrou. Eles esqueceram que Jesus era judeu. Esqueceram que Jesus era hebreu. O único hebreu que entrou. Proibida a entrada de judeus. E lá dentro, Jesus crucificado.
É um… É um paradoxo. Isso é um quadro. É um quadro isso. É um paradoxo essa pintura. É um paradoxo. E às vezes é um paradoxo a gente ouvir espírita falando assim Mas pra que estudar o Velho Testamento? O Velho Testamento não interessa. Não interessa. E o Evangelho Segundo Espiritismo começa no capítulo 1 trazendo os dez mandamentos. Exatamente. O decálogo. O decálogo. Que é a base da lei na sua expressão que vai ser depois ampliada por Allan Kardec na terceira parte do Livro dos Espíritos. Tira a primeira, a lei litoral e a última.
E ali nós temos as dez leis desdobradas em outros terrenos. Então, a doutrina espírita faz esse link com Jesus, com Moisés, com o Novo e com o Velho Testamento. Exatamente. Agora, Haroldo, conclui o raciocínio. João Batista depois perde a cabeça. Nesse teatro o que nós podemos pensar sobre isso aí? Aí uma coisa tão bonita, né Afonso? Porque Jesus fala que ele é o Elias que havia de vir. E aqui nós aprendemos na interpretação espírita que ele é a reencarnação de Elias. E vamos ver. Elias vai para o Jordão depois que ele derrota os sacerdotes.
De Baal. De Baal. E faz o que? Manda cortar a cabeça de todo mundo à beira do Jordão. E depois onde ele aparece? Pregando e batizando no Jordão e perde a cabeça. Perde a cabeça. Então nós não podemos perder a cabeça. Se você perde a cabeça, você acaba perdendo a cabeça. Literalmente. Ele se excedeu no idealismo, se excedeu no fervor pela verdade e se transformou num fundamentalista. Esse é um perigo muito grande que nós temos que ter. Que o nosso fervor, que é a nossa fé, não se transforme em violência e em preconceito.
Tem que ser no amor. Olha que bonito, foi bom você ter lembrado isso aí. E lembrando também, quando nós falamos de Torá, a Torá são cinco livros. Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio. Esse aqui é o Pentateuco, que é chamado pelos hebreus, pelos judeus, de Torá. É ali que eles entendem que estão a lei, que está a lei revelada. E ali está mesmo a base de tudo. E Quando nós fomos a Israel, o que nós trouxemos? Nós trouxemos a tradição judaica que comenta a Torá. O Talmud, os Midrash, os demais livros que abrem a interpretação desses livros.
E aí o que você faz? Quando você pega a tradição judaica comentando esses livros, junta com o Evangelho, aí você entende o Evangelho, o Evangelho se abre como um sol. E aí depois você vem para a doutrina e faz as conexões, gente, aí é para ficar sem dormir uma semana. Cada coisa que a gente descobre, você fica dois dias sem dormir. Não consegue, a gente fica maravilhado. É maravilhoso mesmo. Outro dia eu estava até comentando com Afonso por telefone, a gente estava conversando que eu peguei um comentário judaico do profeta Daniel.
E eles comentando o profeta Daniel, pegando o Talmud, a tradição judaica, os judeus mesmo comentando. E eu falei, meu Deus do céu! A maioria dos católicos protestantes não conhece. Não conhece a tradição judaica. Os comentários judaicos, como que eles leem esses livros. Logo, eles que são os detentores da primeira revelação, eles que foram os portadores. E a importância da gente voltar para essas tradições, voltar para esses ensinos com o objetivo de quê? De unir, de enxergar espiritismo, cristianismo e judaísmo como uma árvore.
Quando você vê essa unidade, é bonito demais, viu Afonso? Porque tudo abre. Eu te digo que, eu não vou citar aqui por respeito, mas eu tenho um amigo que foi na sinagoga e Estava ouvindo um rabino. Eu não vou citar o nome dele, é por respeito que eu não sei se eu estou autorizado a falar isso que ele ensinou. E aí chegou uma hora lá, o Lourenço, que é um amigo nosso, levantou a mão e falou, Rabino, eu queria perguntar para o senhor sobre reencarnação. O que o senhor tem a dizer sobre reencarnação? Aí ele falou assim, para mim, sem reencarnação, nós não conseguimos entender nada de Deus e nada da Torá.
Rabino? Rabino. Não tem nome. Não aqui, aqui no Brasil. Não vou falar a cidade para não entregar o rabino, né? Mas ele falou aberto, sem reencarnação não dá para entender. E agora a Sefer, que é uma livraria judaica, publicou um livro que eu recomendo, viu, Tiago? Nós vamos colocar o link dele, para quem está querendo entender um pouquinho mais do judaísmo, que é o chamado O Guia Mais Completo do Judaísmo. É um rabino lá de Nova York e a editora Sefer traduziu para o português e editou aqui, que fala tudo, dá o inicial assim, a ideia básica, né?
O que é, o que não é, para ter uma compreensão. E é bonito que tem uma parte lá, olha o que esse rabino fala nesse livro. Vamos ver esse rabino. Ele foi o diretor da escola de rabinos de Nova York, que é a maior escola de rabino do mundo. A mais famosa, a mais renomada. Olha o que ele fala no livro. A primeira vez que o templo foi destruído é porque os judeus não sabiam amar a Deus. Aí foi destruído lá, Nabucodonosor, aquela coisa toda. A segunda vez que o templo foi destruído, no ano de 70, por Tito, é porque os judeus não sabiam amar o próximo.
Isso não é Haroldo que está falando não, meu querido, esse é o rabino lá. E num capítulo, olha aqui que ele fala, quando ele vai falar de reencarnação, ele diz assim, quando eu penso nos campos de concentração e penso naquelas crianças que foram assassinadas e que não tiveram a oportunidade de ser um judeu completo, eu penso na reencarnação e Aí ele fala que pensa que talvez essa seja realmente uma forma de Deus fazer a sua justiça. De dar àquela alma a oportunidade de uma nova vida e dela ser uma pessoa completa. Olha que coisa linda.
Quer dizer que já está começando a juntar. Já está começando a unir. Quem trabalha para separar está nadando na contramão. Você ouvir um rabino falando isso é bonito demais. É lindo. É bonito demais. Imagina quando a gente se der as mãos. Quando judeus, muçulmanos, cristãos, espíritas, que são cristãos também, muita gente não sabe, mas somos, se derem as mãos todos para buscar a lei divina. A lei divina. Vai ser maravilhoso. Esse momento da nova era que anuncia de unidade. Unidade de objetivo, de princípios. Cada um com a sua singularidade, mas com essa mesma unidade.
Trabalhando todos em prol do crescimento. Todos com a mesma visão. Porque no Evangelho segundo o Espiritismo, Ana Kardec trata disso. Se não tiver o bem na terra, se não tiver o mal na terra, o bem fica sem o que fazer? Não. Se não tiver o mal na terra, o bem prevalecendo vai cada vez ampliando mais esse componente do amor. Dessa sensibilidade de relação, da unidade, do respeito, das diferenças, mas que buscam a convergência. E aí é bonito você ter falado isso aí, Afonso, porque o Kardec, quando ele fala no Evangelho segundo o Espiritismo, ele diz assim, eu vou comentar não a parte de dogma, de milagre, de nada.
Eu vou comentar a parte moral do Evangelho. Porque em torno dela, todas as religiões da terra poderão se unir. Ou seja, Kardec não estava falando que todo mundo tinha que ser cristão. Ele estava falando que nós tínhamos que refletir nas lições morais do Evangelho. Porque se todos os homens praticarem a moral, que é o amor ao próximo, fraternidade, perdão, caridade, tudo que está ali é um mundo novo. Que inclusive a regra áurea está em todas as culturas. Todas as culturas de alguma maneira repetem a regra áurea. Jesus não fez a novidade.
A novidade foi o vivê-la. Não foi a frase, a novidade foi o vivê-la. Então o nosso processo hoje de gravitar em torno do aspecto moral do ensino de Jesus, é porque nós podemos todos viver, não importa em qual cultura, amor. Nós acreditamos no que o judeu, homem de bem, o muçulmano, homem de bem, o evangélico, homem de bem, o espírita, homem de bem, o budista, homem de bem. Porque o homem de bem você conhece. Ele não é pela crença ou pela religião dele. Você conhece ele pela conduta dele. Se ele é justo, se ele é misericordioso, se ele é honesto, se ele é ético, se ele é amoroso, se ele é caridoso, se ele é fraterno, se ele sabe perdoar e todas aquelas qualidades que eu não vou falar aqui, porque está lá no homem de bem, no evangelho segundo o espiritismo.
Fantástico, acho que a gente está caminhando já para o final. O Arudo ainda tem, o Afonso ainda tem uma palestra para poder fazer. É final do pode ser, não é final dos tempos não. Segura na cadeira aí. Nós temos muito trabalho ainda. Final do episódio. Acho que é fantástico, quer fazer mais alguma consideração? Acho que a gente conseguiu de certa forma trazer e a gente quer que agora que você já ouviu esse pode ser, fazer perguntas. Perguntas, comentários, dúvidas. Citem textos para a gente, uma coisa que a gente tem gostado muito, não é Tiago?
O pessoal tem sugerido textos, textos que a gente já tinha se esquecido. Por favor, façam isso. É porque é tão vasta a literatura espírita que às vezes passa alguma coisa. Estamos lembrando aqui também, não é Tiago? Pedir para as pessoas aquele compromisso. Você gostou do episódio, divulgue para mais três pessoas. Cinco pessoas. Mais cinco, eu já estou diminuindo. Parece que eu estou disso a horas seis. Está só diminuindo. Vamos divulgar. Vamos divulgar. Para quem você achar que tem que divulgar, vamos divulgar. É um trabalho que é o que vocês podem fazer pela gente agora, neste momento é o momento de divulgar e participar.
Divulgar e participar. Mandem e-mails, podem mandar as perguntas. Não tem problema, nós estamos aqui para isso mesmo. O tempo que nós separamos para poder fazer esse trabalho de vocês é nosso. Porque nós também gostamos muito de realizar esse trabalho, fazer a divulgação e fazemos com todo carinho. Nós gostaríamos, para encerrar minha participação, agradecer a presença do Afonso aqui, dizer que ele é um grande amigo, que ele vai participar de vários episódios. Já está convocado, né Tiago? Não é convidado, é convocado.
Vai participar de vários episódios, vai estar aqui com a gente. Foi muito bom a participação dele aqui. Vamos passar a palavra para ele, para ele encerrar. Eu quero agradecer profundamente a oportunidade que vocês nos concederam. Eu me sinto muito pequeno para poder ficar aqui discutindo essas questões tão profundas. Mas para mim foi uma alegria muito grande poder participar, encontrar corações que no tempo nós temos caminhado, buscando essa compreensão da verdade, essa iniciativa que o Aroldo está capitaneando e está arrebanhando tantos corações juntos que nós achamos da mais alta significação, um momento ímpar.
Nós todos devemos trabalhar como aquele semeador. A exemplo do semeador maior, lançando a semente nos corações de toda a gente, para que essa semente possa crescer e fixar raiz, gerar uma árvore, poder reproduzir os frutos e multiplicar, porque nós estamos todos nesse tempo da nova era. Vamos juntos, irmãos. E muito obrigado pela permissão de nós podermos estar aqui e poder conversar essas coisas tão bonitas. Permissão não, a honra é nossa. A honra é nossa.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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