#100 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

video
play-sharp-fill
Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Neste episódio especial, Haroldo Dutra Dias celebra o centésimo estudo do Velho Testamento, compartilhando a gênese do projeto e a importância de resgatar as raízes da revelação divina. Ele aborda a resistência encontrada ao propor o estudo do Antigo Testamento no movimento espírita e a necessidade de uma compreensão mais profunda da continuidade das revelações.

O que é estudado neste episódio

  • A gênese do projeto de estudos: Haroldo compartilha sua trajetória no Espiritismo, desde o contato inicial com a doutrina, a influência de Honório Abreu e Leão Zálio, e como a ideia de estudar o Velho Testamento surgiu de forma despretensiosa.
  • A resistência ao estudo do Velho Testamento: O expositor discute as objeções e preconceitos enfrentados ao propor o estudo do Antigo Testamento no meio espírita, refutando a ideia de que esses temas seriam “vedados” ou “superados” pelo Espiritismo.
  • A visão de Kardec sobre o Velho Testamento: Haroldo destaca que o próprio Allan Kardec estudou e comentou passagens do Velho Testamento, como as questões 50 e 51 de “O Livro dos Espíritos” sobre Adão, e o ensaio sobre os “Anjos Caídos”, mostrando que a Codificação Espírita tem suas raízes nas antigas revelações.
  • A continuidade das revelações: É enfatizada a ideia de que a Lei Divina é uma árvore contínua, onde o Antigo Testamento é a raiz, o Evangelho é o tronco e o Espiritismo é o fruto, e que desprezar qualquer uma dessas partes é negligenciar a totalidade do plano divino.
  • A unidade do plano divino: O estudo explora o conceito de que a Lei Divina se manifesta em todas as esferas da existência, desde a organização do cosmos até as leis morais, e como a compreensão dessa unidade pode trazer luz para a interpretação dos textos sagrados.
  • Exemplos de aplicação da Lei Divina no Velho Testamento: Haroldo ilustra como preceitos do Velho Testamento, como a colheita em círculo para deixar alimento para os pobres, revelam a profundidade da Lei Divina e sua aplicação prática para a justiça social.
  • A fé do Centurião: A passagem bíblica do Centurião é utilizada para exemplificar como a compreensão da lei de unidade, mesmo sem conhecimento formal das escrituras, pode levar a uma fé profunda e intuitiva.

Reflexões

  • A Doutrina Espírita não anula as revelações anteriores, mas as complementa e as esclarece, oferecendo uma chave para a compreensão dos textos sagrados.
  • O estudo das antigas revelações, à luz do Espiritismo, enriquece a compreensão da Codificação e da obra subsidiária, e vice-versa, pois todas fazem parte da mesma “árvore” da Lei Divina.
  • A Lei Divina é uma lei de unidade, manifestando-se de forma coesa em todas as esferas da criação, desde as leis naturais do universo até as leis morais que regem a conduta humana.

Ler transcrição do episódio

Primeiro, eu queria agradecer muito, né, a essa equipe. Hoje a Melissa não está aqui, mas está a Josi e a Eleonora, né. Está também a Michelle, que faz as chamadas desse trabalho. É um trabalho coletivo, porque a gente tenta, nesses estudos semanais, que são gravados lá em casa, no escritório. Então vai o Tiago, o Júlio, e se reveza, às vezes vão os dois. E é a maneira, nessa correria, no tempo que a gente tem de levar adiante esse estudo. E elas são as que transcrevem, buscam as referências bibliográficas, conversam, a Michelle faz as chamadas, os resumos.

Então esse livro não existiria, na verdade, se não fossem elas. Não é o primeiro estudo, a gente começou pelo Levítico, né, que é um… vai sair, vai Michelle? Vai, né? Vai, Eleonora? Vai, Josi? Vai, né? O Levítico vai sair, porque ele, acho que foi um estudo muito especial. Mas a gente acredita também ser bastante representativo do fato do Gênesis sair primeiro. Então nesse estudo especial de hoje, em que a gente quer tentar simular a naturalidade com que esse estudo é conduzido lá em casa, numa filmagem, porque esse é o primeiro ponto do estudo.

Ele é um estudo despretensioso, porque há inúmeros corações em universidades, em várias partes do mundo, que fazem um estudo profundo, acadêmico, desses temas. Então a nossa proposta não era essa, era estabelecer pontes, estabelecer possibilidades de leitura do texto. Então eu queria aproveitar esse episódio especial para falar um pouco sobre isso, sobre o projeto em si. Não no sentido de rebater qualquer crítica, muito pelo contrário, mas no sentido de explicar a origem das coisas, já que o tema é Gênesis. Então hoje nós vamos falar da gênese de Gênesis.

Quando eu comecei no movimento espírita, aos 16 para 17 anos, aconteceu uma coisa muito marcante comigo. Eu vinha há um ano de contato com o Espiritismo, o primeiro livro foi o nosso lá. Cheguei no grupo Loreto Flores, lá no bairro Santa Inês, aqui em Belo Horizonte. Entrei na mocidade espírita Irmão Áureo, do Loreto Flores, e depois de um ano convivendo ali com Roberto, Rui e uma turma que frequentava a mocidade, eu ouvi pela primeira vez dizer do grande nome do movimento espírita em Belo Horizonte, aliás, de um time de pessoas que eram representadas assim pelo nome Honório Abreu e o famoso grupo Emmanuel em Belo Horizonte.

Então vai lá, o jovem. Não tinha experiência de movimento espírita, eu não conhecia o movimento espírita de nenhuma outra cidade que não fosse Belo Horizonte. Chego no grupo Emmanuel, o Afonso se recorda disso, e na primeira reunião fiquei muito impressionado. Era uma reunião de terça-feira, uma reunião pública, em que o Honório Abreu dedicava uma parte dessa reunião para o estudo minucioso do Novo Testamento, do Evangelho, do Evangelho mesmo lá, o Novo Testamento, não o Evangelho segundo o Espiritismo, à luz da doutrina espírita.

Então eu que vinha de uma família católica, não tão praticante, mas católica, e que fiz crisma, catecismo, aquilo fiquei bastante impressionado pela profundidade da interpretação, pela conexão que o Honório Abreu fazia do texto do Novo Testamento com a codificação kardequiana e com a obra de Francisco Cândido Xavier, em especial a obra de Emmanuel, e aquilo me impressionou. Depois eu voltei, passei a frequentar a reunião de terça. Um pouco depois, ele abre um estudo de Gênesis, de Gênesis aos domingos, aos sábados de manhã, era o estudo de Gênesis de Moisés.

E aí foi um impacto, porque eu já estava acostumado com as reuniões de terça. Quando ele vem do Velho Testamento e começa a fazer aquelas interpretações e traz um texto de Kardec, traz um texto da obra de Emmanuel, da obra de André Luiz e outros autores, eu fiquei encantado com aquilo. Eu arrumei um gravador emprestado e tinha uma fita cassete, uma. Então tinha que gravar a reunião, chegava em casa e transcrevia para poder gravar em cima, porque só tinha uma. Comecei a transcrever aquilo e aquilo me impactou. De modo que, por muito tempo, por muito tempo, e com a convivência com Honório, isso tudo me pareceu muito natural, muito natural.

Então eu lia os textos, ouvia aquelas interpretações, aquelas conexões, tudo era muito natural. Era como ser mineiro. Você tem um teor de queijo no sangue, se baixa a taxa, você tem que comer um queijinho. Eu já cheguei aqui, o teor de café no sangue estava baixo, e o João trouxe um cafezinho sem açúcar e já equilibrou todo o organismo. Era natural. Depois de um tempo convivendo com Honório, eu pude também conviver com um time, porque Honório é quase que uma marca. Ao lado de Honório, você tem um time maravilhoso, Manuel Alves, Jader Sampaio, o pai do Jader Sampaio, que tem a Liga de Pesquisadores Espíritas, um abraço, Jader.

Temos Oswaldo Abreu, que era o irmão do Honório, especializado nas obras de André Luiz, temos o Lúcio Abreu. Era um clã Abreu. O Lúcio Abreu trabalhava com a evangelização da infância. E o Leão Zálio, o Sobral. O Sobral era uma coisa curiosa, porque ele já, até por questões de saúde e outras coisas, já não podia mais frequentar o grupo, então ele fazia um conto no lar, na casa dele. E me lembro, hoje, a esposa dele, que é oriental, e o Sobral, chegamos lá, ele estava fazendo um culto, ele abriu o Novo Testamento, e ali interpretava.

E as pessoas iam lá, no culto no lar, na casa dele, para ouvir interpretação. E me recordo, quando fui lá, ele me deu o telefone, liguei algumas vezes para o Sobral para perguntar sobre coisas. Um honor da mesma maneira. E pude também conhecer o Leão Zálio. O Leão foi muito curioso, porque o Leão tinha uma filha, ele chamava de especial. Ela tinha a síndrome de Down e outras limitações, e ele chamava ela de especial. Então, ele afastou-se das atividades da Casa Espírita para cuidar dessa filha, mas ele fazia uma reunião culto lá e estudava de tudo.

E aí fui conhecer o Leão, foi a primeira vez que encontrei o Leão. Parti lá na porta da casa dele, ele abriu a porta. Eu falei, é aqui que é a casa do Sr. Leão Zálio? Ele falou, sou eu. Como todo bom leão, moro na floresta. Que era o bairro que ele morava, na floresta. E o Leão era muito curioso, porque o Leão era instigante. Então, o Honório teve esse papel muito grande na nossa formação, mas o Leão teve um impacto, porque o Leão era assim, você lia um trecho, e ele falava assim, e o que você leu nas entrelinhas aí?

Qual é, Sr. Leão? Nada. Mas você não está conectando esse parágrafo com o capítulo 11 do Obreiros da Vida Eterna? Obreiros é quem, Sr.? Obreiros, a coleção André Luiz. Então, com o Leão Zálio, eu comecei a desenvolver aquela sensibilidade de não ler um parágrafo de um livro e acho que você entendeu. Você tem que conectar aquilo com 150, 200 obras espíritas. Você tem que numerar os parágrafos. Quando a gente estudava os romances de Emmanuel aqui, a gente numerou os parágrafos. Então, a gente estudava Paulo Estevam assim, parágrafo 300 do capítulo tal.

Era assim. E isso a gente aprendeu com o Leão, e o Senhor Honório falava isso, porque às vezes o Leão chegava e falava assim, Honório, não concordo com isso. Por que, Leão, você não concorda? Porque no parágrafo tal, da obra tal, se você juntar com isso, ficava paralisado. Então, essas coisas, estamos contando isso aqui para dizer que isso tudo passou a ser natural, muito natural. No entanto, depois de beber nessa fonte, e eu acreditava que o movimento espírita do Brasil e do mundo era assim. Eu acreditava que era assim.

E, de fato, eu fiquei bastante assustado quando saí de Minas Gerais e cheguei em alguns lugares em que lideranças do movimento espírita diziam assim, não, espírita não estuda Novo Testamento. Porque quando você ouve isso pela primeira vez, você fica um pouco desnorteado, porque fala, gente, deixa eu articular aqui. É como alguém chegar para você e falar assim, não, a gente não anda em bicicleta usando os pés. Hã? Como é que é? É estranho, não é? Até você articular, lembro que uma vez saí com o Júlio, ele pediu um expresso, dois expressos, por favor, aí o moço pegou a xícara e foi lá na máquina.

Aí o Júlio falou, o meu está em gelo. Aí o rapaz parou, parou assim, porque estava processando, que era um negócio tão assim. Aí ele olhou, mas não está em gelo, não. Demorou um minuto. E eu fiquei assim, meio desnorteado. Não estuda, não. Porque primeiro me parecia estranho, espírita, não ter algum assunto vedado. Isso me pareceu um pouco estranho. Alguém que se alimenta da fonte de Kardec impor determinados assuntos ou proibir determinados assuntos. Então, isso me pareceu desconfortável. Isso me pareceu incompatível com Allan Kardec.

Por que incompatível? Basta você ler um opúsculo. Eu gosto desse nome, opúsculo, porque opúsculo é um livrinho chamado Catálogo Racional. Não é? O Catálogo Racional, onde Kardec dá orientações sobre a montagem de uma biblioteca espírita. E lá, nos últimos itens, ele pede para você ter na biblioteca obras contrárias ao Espiritismo. Ele coloca obras espiritualistas e ele indica para a biblioteca espírita obras que ele tem restrições e ele faz as restrições. Essa obra é boa, mas tem uns pontos aqui que chocam com o Espiritismo, mas ele não pede para tirar da biblioteca.

Então, eu senti um desconforto com esse posicionamento. Não, não, não. Espírita não pode comentar sobre tal assunto. E quem está falando em nome do Espiritismo? A pessoa? Então, eu fiquei desconfortável com aquilo. Ah, o Espírita não estuda o Novo Testamento. Então, vamos queimar o Evangelho segundo o Espiritismo, porque o Evangelho segundo o Espiritismo é uma reunião de textos dos Evangelhos em que Kardec comenta, ele comenta e dá um microfone para os Espíritos comentarem. Então, ele fala e deixa os Espíritos comentarem.

Faz ali uma reunião de comentário. Se você atentar bem, na última parte de O Livro dos Espíritos, ele abre para os Espíritos fazerem comentário e nós temos ninguém, mais ninguém menos do que Paulo de Tarso ditando uma mensagem. Então, esse assunto, eu fiquei um pouquinho desconcertado com isso. Mas, percebi que esse era um problema mais localizado, não era um elemento global. Apesar de ter constatado que não havia no movimento espírita, de uma maneira geral, uma tradição de estudo dos textos do Novo Testamento. Não havia.

Não havia. Mas, graças a Deus, fatos ocorreram e que, ao longo do tempo, têm contribuído para que esse preconceito no movimento espírita diminua sua força. Porque deixar de existir ele não vai. Não vai. Esse preconceito sempre haverá, mas ele tem diminuído bastante. Nós vamos citar algumas coisas que contribuíram para que esse entendimento se espalhasse para o movimento espírita brasileiro e também para o movimento espírita internacional. E aqui, mais uma vez, nós temos que render a nossa gratidão a Honório Abreu, Nestor Mazotti, Ruth Salgado, Marta Antunes, a Ruth, da União Espírita Mineira, a Marta, hoje vice-presidente da Federação, o Nestor, à época, presidente da Federação Espírita Brasileira, e o Honório, à época, presidente da União Espírita Mineira, porque, numa reunião na Federação Espírita, a convite do Nestor Mazotti e por imposição do Honório Abreu me colocaram nesse negócio chamado tradução do Novo Testamento.

E aí, então, se espalhou, e aí criou-se uma base para que o movimento espírita pudesse lidar com o estudo dos textos do Novo Testamento de uma maneira mais natural, natural, espontânea, sem medos, sem preconceitos, natural, espontânea, e sem abrir mão das bases, dos princípios do Espiritismo. Porque você pode estudar o Novo Testamento à luz de qualquer orientação. Então, por exemplo, tem gente que estuda o Novo Testamento à luz da ufologia. É possível. Eu já vi, por exemplo, o estudo do Novo Testamento à luz do budismo.

É possível. É possível. Então, você tem várias vertentes, mas tornou-se natural para nós o estudo do Novo Testamento à luz do Espiritismo. Baseado na obra básica, na obra subsidiária, e o que tem se mostrado, uma prática muito rica. Então, isso um pouco que prosseguiu. Falta agora, no meu modesto entendimento, não sei se o Afonso já tem muita estrada nisso aí, não sei se ele concorda com isso, mas faltam agora as cartas de Paulo. Então, nós não temos no movimento uma tradição de estudo profundo das cartas de Paulo.

Se Deus permitir, falo abaixo, estou quase terminando a tradução das cartas. Agora, quem está me ajudando na organização, como a Eleonora, a Melissa, a Josi, a Michelle, quem está me ajudando agora na parte material da organização desse trabalho é o Saulo, com a Larissa, a esposa, e a tradução está fazendo muita diferença, porque, de fato, as traduções das cartas de Paulo são complexas, são desafiadoras. Então, eu acredito que a grande contribuição da tradução será nas cartas de Paulo, porque nos Evangelhos ficou muito que igual, tem alguma coisa que difere, mas nas cartas a diferença será estrondorosa, a ponto que eu acredito que teremos de fazer um trabalho, até no momento em que lançarmos a tradução, eu já estou separando os textos gregos para poder pandar com ele, uma bolsinha assim, estou pensando, fica assim com o texto grego, porque a todo momento alguém vai chegar e você vai falar, não, não fui eu que puse, é o texto grego.

Ele pega o texto assim e fala, olha aqui, deixa eu ler para você aqui palavra por palavra. O Saulo até comentou, falou, Haroldo, acho que vai ser necessário lançar junto com a tradução um interlinear. O que é o interlinear? Você pega o texto grego e coloca a tradução, palavra por palavra, em cima, para que as pessoas olhem a tradução e falem, é, realmente ele não inventou nenhuma palavra, porque está tão fiel, está tão fiel que as pessoas vão ficar assustadas, vão redescobrir Paulo. E aí eu acho que nós vamos entrar em uma segunda fase do estudo do Novo Testamento, que é o estudo das cartas de Paulo à luz da Doutrina Espírita.

Uma grande fase aí que temos que nos preparar, porque, meu Deus, o couro vai comer. Agora, quando eu, na minha ingenuidade de caipira mineiro, fui falar em estudo do Velho Testamento, eu quase sofri atentado. A resistência, ela é irracional. Irracional. Então a gente ouve frases assim, Espírita não estuda Velho Testamento. O Velho Testamento foi superado pelo Espiritismo. Ou assim, esses temas do Velho Testamento não fazem parte do escopo da Doutrina Espírita. Não são temas abordados pelo Espiritismo. Eu ouvi essas coisas.

Essas eram as mais leves. As mais pesadas eu não vou falar. Vou falar só as médias, as medianas. As medianas é assim, esse Aroldo é um judeu reencarnado, está querendo trazer judaísmo para o Espiritismo. Agora só faltava essa. Nós já temos padre no Espiritismo, já temos pastor, agora tem rabino. Rabino. Então eu virei rabino. Sem sinagoga, sem salário. Virei rabino. E rabino. Porque aí a crítica passou a ser pessoal. É uma deturbação do Espiritismo. Estamos manchando o Espiritismo com esse tipo de estudo. É importante a gente entender isso.

O objetivo que nós estamos trazendo isso aqui não é para criar nenhuma defesa, até porque nenhum trabalho do bem, cujas fontes sejam o bem, sejam a espiritualidade superior, necessita defender-se. Necessita defender-se. Aliás, foi uma coisa que o Divaldo me disse, que a Joana disse para ele, que o Emmanuel já tinha dito também para o Chico, que é nunca se defenda. Nunca se defenda. Nunca se defenda. E eu ainda perguntei, mas de porquê, Divaldo? Ele falou, a Joana disse que se a sua obra não foi capaz de convencê-los, não serão as suas palavras.

Se o trabalho que você desenvolve não é capaz de convencer e de sensibilizar, então fecha a boca que não serão as palavras. Não é para se defender. Até porque, se nós estivermos errados, temos que nos corrigir também. Podemos sustentar um erro por vaidade. Então, a minha preocupação aqui é tratar um pouquinho dessas objeções, já que nós estamos nesse episódio especial e vamos adentrar aqui algumas coisas sobre isso. Então, primeiro, o tema Velho Testamento é um tema vedado no Espiritismo? Se você responder que sim, você vai ter que tirar a questão 50 e 51 de O Livro dos Espíritos.

Assim, de começo, você vai ter que tirar muita coisa da codificação, mas você vai ter que começar retirando uma questão, então, inconveniente, imprópria, inadequada, que é a questão 51, onde Kardec pergunta em que época viveu Adão? Então, o que Kardec tem que se meter com Adão? Não é? Então, Kardec merece ser censurado? Agora, olha a resposta dos Espíritos. Em que época viveu Adão? Os Espíritos respondem assim, aproximadamente, mais ou menos, na época que lhe assinalais, quatro mil anos antes de Cristo. Como é que chegou nessa data?

Como assim? Então, tem pessoas que leem isso e acham que os Espíritos revelaram que foi quatro mil anos antes de Cristo, que viveu Adão. A pergunta é 51. Só que antes de fazer a 51, ele fez a 50. A humanidade começou por um único homem? Os Espíritos entenderam. Entenderam que ele estava fazendo uma interpretação de Velho Testamento e disse assim, a humanidade não começou nem por um único homem e nem em um só lugar. E eles ainda… Estou falando de ti, mas eles chegam chutando a canela. Dizem assim, aquele que chamais Adão não é nem o primeiro nem o único homem.

Chegou chutando na canela, na interpretação. Então, se você fica só com a 50, Adão não é nem o primeiro nem o único. Então, isso é mito, isso é fantasia. Aí, ele pergunta a segunda, em que época viveu Adão? E os Espíritos respondem, parece que está contraditório. Se Adão existiu ou não existiu, gente? Cadê a identidade desse indivíduo? CPF. Nacionalidade desse indivíduo. E que negócio é esse? Quatro mil anos. Por que quatro mil anos? Como é que você chega nessa data? Aí, você tem que estudar o Velho Testamento, que é o tema proibido.

Então, se você, lá em Gênesis, fala Adão, Gerou, Fulano, então, tem lá a família, todo mundo, e fala quanto tempo cada um viveu. Se você somar a data de todo mundo, você tem quatro mil anos antes de Cristo. Então, esse número você obtém lendo o Velho Testamento e somando as datas. E os Espíritos ainda foram unânimes em dizer mais ou menos na época que lê a Sinalais. Mas não para por aí. Kardec escreveu na Revista Espírita, depois incorporou isso na Gênesis, escreveu o que ele chamava de Ensaio dos Espíritos ou dos Anjos Caídos.

Ensaio sobre os Anjos Caídos. Em que ele vai trabalhar o quê? Adão e Eva. E é ele, é ele que pela primeira vez, é ele, Allan Kardec, quem pela primeira vez vai trazer uma possibilidade interpretativa que é a do degredo espiritual. Em vários pontos. Então, quem primeiro começou a estudar o Velho Testamento foi Allan Kardec. Eu falo, pelo amor de Deus, a culpa é dele. A culpa é do Kardec. Mas, se você ler atentamente a introdução do Evangelho Segundo o Espiritismo, você verá que nós estamos ainda no início, no início, no início, no início.

Porque nós ainda não estudamos sequer o Novo Testamento inteiro à luz do Espiritismo. Estamos ali só nos Evangelhos. Faltam as Cartas de Paulo e falta o Apocalipse como um todo. O Velho Testamento ainda conta com esse preconceito, então está começando aqui uma sementinha. Começando uma sementinha nesse momento de hoje, porque outros já fizeram isso, tem trabalho, Emmanuel comentou, não tem novidade nenhuma. Honório já fazia isso aqui por anos e décadas, mas, infelizmente, não deixou algo publicado. É uma pena, não é?

É porque não tinha Eleonora, Josiane, Melissa, Michelle, senão teria um livro aí do honório, dos estudos dele. Mas, é uma sementinha que começa. Mas, tem uma outra parte que nós não estudamos ainda. Olha o que Kardec diz. Muitos pontos da Bíblia, dos Evangelhos e dos autores sacros em geral. Então, nós ainda vamos ter que estudar os pais da igreja, a luz do Espiritismo. Isso não foi feito ainda. E isso é um dever moral que nós temos, porque um deles, vários, mas um deles está lá de uma maneira forte, que é Santo Agostinho.

E nós não fazemos um estudo da obra de Santo Agostinho sem a luz da Doutrina Espírita. E ele é um dos Espíritos, da pleia do Espírito de Verdade. Então, precisamos ver como nós, encarnados, estamos atrasados, porque lá no mundo espiritual já tem turma avançada que estuda esses temas. Nós, encarnados, que estamos 150 anos para trás. Então, Kardec diz assim, muitos pontos da Bíblia, dos Evangelhos e dos autores sacros em geral somente são incompreensíveis, ininteligíveis, por falta, um sujeito olha assim para Santo Agostinho, cidade de Deus.

Meu Deus, o que é isso? O que esse homem está dizendo? Então, você pega o escrito de Santo Agostinho, graça. Você fala, meu Deus, como é que conjuga isso com a lei de causa e efeito? Olha os desafios. Falta a chave. Aí, Kardec diz assim, essa chave está completa no Espiritismo. Por quê? Porque o Espiritismo, já dissemos ontem, é a ciência, filosofia e religião que estuda o elemento espiritual e as relações do elemento espiritual com o mundo corporal. Então, o que Kardec está querendo dizer? Se você não tiver um estudo do elemento espiritual e das relações do mundo espiritual com o mundo corporal, você não vai entender Bíblia, você não vai entender Evangelho e você não vai entender nenhum autor sacro.

Nem do islamismo, nem do budismo, nem do judaísmo. Não vai entender. Porque as grandes vertentes religiosas da humanidade tratam de maneira mais ou menos simbólica do Espírito, do mundo espiritual e das relações do mundo espiritual com o mundo corporal. Se você não entende essas leis, você não vai compreender. Por isso que a chave, porque nós temos a impressão que Kardec está dizendo assim, eu vou explicar tudo. Eu. Não é isso que ele está dizendo. Tanto não é que ele diz assim, o Espiritismo está na natureza. O Espiritismo está em todas as civilizações e em todas as épocas.

Como assim? É difícil dar aula de evangelização. Você chega comigo e fala assim, o Espiritismo foi codificado em 1857. O Espiritismo está na natureza. Professor, a natureza começou em 1857. Como é que você explica isso? Quando Kardec afirma, o Espiritismo está em todas as civilizações. O que ele está entendendo por Espiritismo? Ele está entendendo sobre o conjunto de leis ou o conjunto de conhecimentos a respeito dessas leis que regem o elemento espiritual e as relações do elemento espiritual com o mundo material. É isso.

Então, você vai lá em uma tribo africana que nunca teve contato, você vai ver que tem um pajém lá que incorpora, que vê espírito índio, lógico, africano. Ele tem em algum nível uma relação com o princípio espiritual e com o relacionamento do mundo espiritual com o mundo corporal. Tanto que você está passando uma aula lá, ele vai lá na árvore, pega uma essência lá, vem, tem um contato. É isso que Kardec está dizendo. É esse conhecimento que nós temos que saber, que nós temos que tirar, trazer para a interpretação. Ou, se você quer uma coisa mais sofisticada, eu gosto de Boa Ventura de Souza Santos, o grande epistemólogo português, que trata de saberes.

Saberes. Os saberes. Então, o conhecimento do mundo espiritual, do elemento espiritual e das relações do elemento espiritual com o mundo material é um saber. Sem esse saber, você não penetra na religiosidade e nem na espiritualidade. Então, é isso que Kardec está dizendo. Então, lá já estava apontada essa possibilidade do que a gente faz aqui, que é estudar o livro Gênesis. Aí alguém vai entender. Não, eu entendi isso. Não, está certo. Então, não é um assunto vedado. Foi o próprio Kardec quem estudou vários temas. Foi ele quem citou.

Ele cita Moisés, o primeiro capítulo do Evangelho de Segundo Espiritismo é Não vim destruir a lei. Não vim destruir a lei. E o primeiro espírito a comentar, a primeira instrução dos espíritos é de um espírito israelita. A gente sabe quem é. Você vai lá na Revista Espírita, Kardec tinha um contato com uma família de judeus. E esse espírito israelita era um patriarca lá da família, rabino, que dá uma mensagem chamada Nova Era. A primeira mensagem do Evangelho de Segundo Espiritismo está no primeiro capítulo, onde ele faz o quê?

Ele relaciona a primeira, a segunda, com a terceira revelação. Então, está lá. Está lá. Ele resume. E Moisés deu início, Jesus deu continuidade, o Espiritismo concluirá a obra. Deu uma sequência. Deu uma sequência. Só que aí a pessoa fala, não, não, entendi, o assunto não é vedado, eu posso estudar, não tem problema, você já me convenceu, realmente, tem mais de vinte ensaios e artigos de Kardec sobre o Velho Testamento na Revista Espírita, tem muita coisa dele escrita na codificação. Tudo bem, você já me convenceu, sem contar a obra subsidiária.

Ok. Mas qual a necessidade? Você vê que agora a pergunta é outra. Qual a necessidade disso? Porque o Espiritismo fala as coisas tão claras. Aí, a gente abre o Velho Testamento aqui, rapaz, dá até um arrepio. Na hora que você lê aqueles negócios, você fala, Jesus, não estou entendendo nada, não é possível que isso aqui, isso aqui não é de Deus, não, gente, não é, não é. Você lê aquilo, o sujeito viveu oitocentos anos, não faz sentido, não faz sentido. Isso aqui, o que é isso? Vai lá, lê o Livro dos Espíritos, é tudo tão claro, a linguagem tão moderna, os assuntos são abordados de forma direta, a codificação inteira, vou ler isso aqui, realmente tem necessidade.

Então, começa a haver uma compreensão de que o Espiritismo superou, superou a segunda revelação e a primeira. Superou ao menos os textos, não Jesus, claro, tem uns que dizem isso, mas aí é pouca gente, aí também é a minoria. Tem uma turma aí que defende o Espiritismo sem Jesus, mas aí já é bem minoritário, uma corrente mais minoritária. Porque aí fica desconfortável, aí você tem que aí você tem que puxar as duas orelhas do Kardec, cortar três quartos da codificação, tirar a questão 625, a primeira edição do Livro dos Espíritos era a questão 333, aí você tem que mutilar muito a doutrina para poder defender uma posição dessa.

É uma posição mais minoritária, mas você pode fazer isso de uma maneira mais sutil, seja assim, não Jesus, é o guia e modelo, mas aqui, pode jogar esses textos tudo fora. Paulo é um desequilibrado, machista, vai para uma mulher ter medo do marido? Você submissa marido? Que loucura isso! Isso é um homem perturbado. Joga isso tudo fora. Para que eu vou ler isso? Então, você descarta os textos da Segunda Revelação para entender que eles são. Por exemplo, para que você vai ler Ainda que eu falasse a língua dos homens, dos anjos, se eu não tiver amor?

Joga isso fora. Joga fora. Quem que precisa do capítulo 13 de Coríntios sobre o amor? Ninguém precisa disso, joga fora. E aí, evidentemente, esse espírito se adentra para os textos do Velho Testamento. Aí, o pessoal sai jogando fora com gosto. E pega aqueles textos. Puxa vida, o sujeito ficar três dias na barriga de uma baleia? Joga isso fora, eu vou ler. Pelo amor de Deus, isso é a historinha da Xuxa. Para baixinhos, ninguém vai ler um negócio desse. Então, você vai descartando, porque aquilo que está numa linguagem, está num formato, numa conformação e que cria um desconforto.

Ah, esse desconforto. Então, alguém pergunta assim, de fato o Espiritismo superou a Segunda e a Primeira Revelação? A pessoa pergunta, superou. Você não acha que superou? A pessoa perguntou isso. Eu queria só te fazer uma pergunta. Você não acha que superou? Essa pergunta tem um problema. Essa pergunta tem um problema. Porque essa pergunta é feita num paradigma, num modelo equivocado. Então, não adianta você responder essa pergunta, porque a pergunta é equivocada. Então, eu respondi assim para o companheiro. Posso te fazer uma outra?

Antes de responder essa pergunta, posso te fazer uma outra? Claro. Depois que você me responder essa, eu respondo a sua. Qual fruta que você gosta? Ele falou assim, laranja. Laranja. Você acha que a laranja superou a raiz da árvore? Você acha que o fruto é algo que superou a raiz da árvore de onde ele nasceu? A pergunta está inadequada, não está? Está inadequada, é claro que está inadequada. Eu vou fazer outra inadequada. Você acha que o tronco da árvore existe porque superou a raiz? Eu vou fazer uma mais inadequada ainda.

Você acha que a árvore superou a semente? Então, você fala assim, nossa, eu gosto de uma árvore, uma árvore que não dê fruto comestível, uma árvore que dá uma sombra bonita. Você acha que a copa da árvore superou a raiz, o tronco, a semente? Inadequado esse pensamento. O que é inadequado? Porque a semente é a árvore. A raiz é uma ânsia de se tornar fruto. O sonho da raiz é se tornar fruto. E o fruto é a realização do sonho do tronco, da raiz e da semente. E o fruto é tão grato com os que vieram antes, que são ele mesmo.

O fruto é tão grato com ele mesmo, que ele carrega a semente. Para que o que aconteceu com ele volte a ocorrer. Entende? É nesse paradigma que a gente raciocina. É nesse paradigma. Porque, senão, nós não damos conta da continuidade. Eu vou falar uma coisa. Está gravando, né? Está gravando. Ao vivo. Nossa! Nossa! Ao vivo. Vai, Deus nos proteja. Então, quando chegou Jesus em Jerusalém, o templo estava construído. Eles tinham mais de dois mil anos missionários nascendo. É igual a gente, hein? A gente chega assim. Sérgio Menezes, Eurípides Barçanovo, Chico Xavier.

Porque tem mais de cem anos que está nascendo missionário. A gente vai assim no movimento espírita, por exemplo, de alguns países. A pessoa fala assim, ô meu Deus, ô Haroldo, ajuda a fazer mais oração. Aí, vem um bezerra, só o bezerra, só o Eurípides. Dá uma reencarnadinha aqui, vai tornar o país inteiro espírita, porque o país desse está mais em Minas Gerais do que São Paulo. Faz uma prece, um sozinho, um zinho, um Ivone. Pegue para Ivone e vim. Para Ivone. Então, aqui nós tivemos uma enxurrada. No caso do povo hebreu, gente, centenas de missionários encarnaram ali.

Muitos dando testemunho com a própria vida, para firmar, para estabelecer bases, bases, que a gente diz que estão superadas. Então, eu vou dar um exemplo aqui. Vou dar um exemplo aqui. Muito se tem, hoje, a grande discussão sobre igualdade social, sociologia, etc., etc., políticas sociais, etc. No Velho Testamento, está determinado que você planta em quadrado ou retângulo. Perfeito. A gente também planta aqui, não é? Então, as plantações são assim, em quadrado. Só que a Torá determina que você só pode colher em círculo.

Que brincadeira é essa? Você tem um quadrado aqui, eu colho em círculo. Para quê? Para sobrar as pontas. Você não pode colher nas pontas. Você faz um círculo, colhe, mas não colhe as pontas. Aí, você colheu, colocou em cima do caminhão. Caiu no chão, não pode pegar. O que cair, enquanto você está colhendo, não pode pegar. Nossa, que coisa supersticiosa. Aí, você colheu, então, vai ficar as pontas da plantação e o que caiu? O que faz com isso? Você chama os pobres e os excluídos daquela comunidade e eles podem colher nas pontas e o que caiu?

Gostou, Tito? Então, vamos pegar lá Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, as grandes regiões de desenvolvimento agrícola e, a partir de agora, todos os grandes agricultores do Brasil só vão colher em círculo e os excluídos vão poder colher das pontas e do que tiver caído no chão durante a colheita. Você acha que vai ter fome? Aí, monta uma cooperativa. Um pouco menos, não é, Tito? Rapaz, você não foi no Mato Grosso, rapaz. Você não foi. Fui fazer uma palestra lá uma vez, aí eu falei, tem um engarrafamento aqui. Nós ficamos quatro horas no engarrafamento.

40 quilômetros de caminhão duplo. 40 quilômetros de caminhão. Eu acho que todos os caminhões do planeta estavam lá naquele lugar. Nós estamos falando aqui se o Velho Testamento, estou falando de Evangelho, não, hein? Se o Velho Testamento fosse seguido, hoje, por nós, eu não vou entrar nem em outras questões mais polêmicas. Por exemplo, não pode emprestar juros capitalizados. Não vou nem entrar nisso. Vou ficar só com a parte da agricultura. Entende? E aí você vê os profetas denunciando o sistema opressor, a exclusão, os pobres, as viúvas, o sistema desigual, que a lei não estava sendo seguida.

Você lê, por exemplo, Jeremias falando de juízes corrompidos. Legisladores corrompidos. Está lá os grandes temas. Por quê? Porque ali você tinha a raiz ansiando por se tornar fruto. E aí chega Jesus. Chega Jesus. Está tudo pronto, tudo estruturado. Quem é você? Eu sou Jesus. Eu sou a segunda revelação. Não precisamos de nada, não. Estava completo. O que você veio fazer? Destruir tudo? Não, não vim destruir nada. Eu vim cumprir. Eu vim dar cumprimento. Eu vim dar sequência. Aí nós, nós, nós, que não aceitamos, reencarnamos como cristão.

Aí aceitamos. Aí chegou 1857. Aí veio a codificação falando vamos dar sequência, que a vida pede sequência. Vamos avançar um pouco mais. Não, não precisamos avançar, não. Epa, você estava encarnado lá na época de Moisés falando a mesma coisa. Agora está de novo aqui. Pelo amor de Deus. Aí veio a doutrina para dar sequência. Aí nós saímos agora do catolicismo para o catolicismo. Encarna espírita. Qual é o discurso agora? Não, está completo. Está completo. Aí você vai lá e abre. Fevereiro e março Revista Espírita 1868.

Uma coletânea de mensagens de fevereiro de 1868 chamada Os Messias do Espiritismo. E março, uma mensagem de Kardec explicando isso. Aí você fala ai meu Deus, o que está para acontecer? O que está para acontecer? Para que a gente possa entender esse fluxo das revelações, do progresso. Porque a gente sabe que as revelações estão conectadas. Por quê? Porque a base, a raiz é a mesma. A árvore é a mesma. É por isso que simbolicamente os Espíritos disseram assim. A árvore do Evangelho foi transplantada. A árvore foi transplantada.

É uma metáfora para nos dizer a árvore é a mesma gente. Vocês não estão fazendo nada de novo. É a mesma árvore. Essa compreensão. Então, por que que eu vou me voltar hoje mesmo tendo toda clareza do texto espírita? Eu vou aqui dar alguns depoimentos. O fato de você estudar os textos do Antigo Testamento e os textos do Novo Testamento, o estudo lança grandes luzes sobre os textos da codificação e da obra subsidiaria espírita. Da mesma maneira que o estudo da codificação e da obra subsidiaria lança luzes sobre os textos do Novo Testamento e sobre os textos do Velho Testamento.

Então, eles se se completam. Mas, é claro, é a mesma árvore. A seiva é a mesma. Então, você começa a criar uma sensibilidade. Você começa a criar uma percepção do texto. Uma percepção que você não iria adquirir se não fosse o estudo do texto. Se não fosse o estudo do texto. Então, aqui, por exemplo, agora, a gente pega essa catalogação aqui. Aqui, a gente está no índice. Tem a introdução, aí tem temática central, Deus criador. Deus criador. Porque é o primeiro capítulo de Gênesis, mas é a primeira questão do Livro dos Espíritos.

Causa primária. A inteligência, porque a inteligência é o elemento ordenador, é o elemento que que transforma caos em cosmos, em ordem. Está aqui, está conectado. É a leitura do primeiro capítulo de Gênesis, mosaica, à luz da questão número um de O Livro dos Espíritos. Nós podemos ir para outras aqui. Um único Deus, uma só lei. Parte terceira do Livro dos Espíritos, que, às vezes, a gente passa desapercebido, porque Kardec pergunta assim, a lei natural é a lei divina, é a mesma lei divina ou são distintas? Não é? E está dito lá, a lei divina é a lei natural, porque Deus é o autor de todas as coisas.

Isso está no texto de Gênesis, porque, às vezes, a gente tem uma ideia, está no estudo de Gênesis, todo mundo vai ver isso nos vídeos, a ideia do monoteísmo, monoteísmo com uma proposta que diz que tem um Deus só. É mais do que isso, isso é o leite nã do monoteísmo. Isso aí é quando você é bebê no monoteísmo. Então, você vem do politeísmo, aí a primeira coisa que você toma é um leitinho de neném. Deus é único, só há um Deus. É uma madeira. Na hora que você está maiorzinho, a gente já começa a falar sobre unidade ou princípio da unidade, princípio da unidade.

Então, os Espíritos começam a dizer assim para a gente, olha, a atração nos corpos materiais é a mesma força da atração dos seres espirituais. Por quê? Porque o mecanismo é distinto, mas o princípio é o mesmo. Aí você começa a elucubrar. Por que o elétron é atraído por um próton ou um próton por elétron? Para não falar que a gente está com preconceito aqui. Por que os elétrons se repelem? Por quê? Por causa do princípio de cargas, cargas em movimento. O elétron tem uma carga negativa, o próton tem uma carga negativa e eles não ficam paradinhos.

Esse danado fica em uma velocidade absurda e o próton também, tudo em uma velocidade absurda e carga em movimento gera eletromagnetismo. É o ímã, o efeito ímã. Uma atração ou uma repulsão. Aí a gente, nossa, fica tentando hoje entender isso. Aí você vai para a gravidade. Como é que a Lua é atraída pela Terra? Tudo é atraído pelo Sol? A gravidade, a gravidade que exerce a sua ação sobre uma partícula, por exemplo, que não tem massa. A gravidade curva a trajetória da luz e mantém tudo unido. E umas coisas curiosas, vocês sabiam?

Se dessem o Sistema Solar para a gente cuidar. Dá para o encarnado cuidar do Sistema Solar. O sujeito perde até a chave. Onde que eu pus minha chave? Nossa! Amor, liga para o meu celular, aí que eu não sei onde coloquei o celular. Esse é a gente. Aí você pega lá. O Sol, os planetas, eles estão no mesmo plano de órbita. Isso não. Então, se você traçar uma linha imaginária, o Sol está aqui, a Terra não está aqui não, nem aqui não. Todos os planetas estão num plano imaginário. A órbita elíptica se dá num plano. A Terra, com seus quase 24 movimentos, você pode imaginar um eixo, imaginar um eixo imaginário, você pode conceber um eixo imaginário e ela gira em torno desse eixo imaginário.

Todo movimento, o eixo imaginário, está num ângulo, aí quem gosta de seno, cosseno, tangente, no mesmo plano. Quem que colocou esses negócios assim, tudo alinhado? Ah, é o Big Bang. Explodiu, ficou tudo alinhado. Falou, vou fazer isso lá em casa agora. Ela sai chutando tudo, fica tudo organizado. Ela chega assim, joga a roupa tudo quanto é lugar, explodiu, aí já cai a calça dobradinha na gaveta, o tênis pontinho. Não é? Então, você percebe uma ordem, e isso aqui, sem eu entrar em questões mais delicadas, por exemplo, como as constantes universais, que são os ajustes finos.

Se você mudar um ponto, a pressão atmosférica, não tem vida na Terra, porque a massa de gases esmagaria a nós, habitantes. Então, quem que calibrou? Ah, foi uma explosão, jogou tudo para lá, chegou certinho e nasceu. Ah, é demais, não é? Constante de Planck, constante gravitacional, é tão engraçado isso, não é? A constante, a piada da constante gravitacional. O Einstein fez equação, a equação não funcionava. O que nós vamos fazer para funcionar? Ah, põe uma constante. Vou tacar um número aqui, que é o número que eu preciso para dar certo.

Aí, tacou a constante, e aí funcionou. E aí, ele escreveu para um amigo, acho que esse foi o maior erro da minha vida, a constante gravitacional, e eu não consigo me livrar dela. Escreveu isso. Eu não consigo me livrar, mas também não consigo explicar porque eu coloquei isso. Aí, agora os cosmólogos descobrem a matéria escura, e no cálculo, adivinha o que ela é? É exatamente a constante gravitacional, só que ela é tirada do lado esquerdo, que trata da geometria, e é colocada para o lado direito, que trata da energia.

Então, você só deslo… só não, né? É uma simples operação matemática, uma complexa operação cosmológica, mas você mudou a constante, deu exato no cálculo, bonitinho, matéria escura, energia. Einstein acertou, achando que errou. É uma constante. Então, a unidade da lei, há um plano de unidade. Ora, aí você fala, mas, Haroldo, você tira a gente no domingo para ficar falando isso? O que é que eu quero saber de monoteísmo, princípio da unidade? Sabe por quê o princípio da unidade? Porque para você tomar decisões na sua vida, se você souber o princípio da unidade, você elucubra sobre o desconhecido a partir do que você conhece.

Porque há um plano de unidade na criação. Querem ver? Jesus estava lá cercado de só espírita, só gente que frequentava o ex, de fazer estudo sistematizado, toma passe, água fluidificada, toma tuta, acompanha as podcasts, acompanha os estudos, todo mundo só estudioso. Aí chega um centurião, exército romano, soldado, não fez exde, não fez o estudo da mediunidade, não participa de estudo nenhum, mas o criado ou o filho, a palavra é dubio, ficou febril. Ele vai falar, tem um profeta aí, Nazareno. Tem um profeta? Tem, está curando.

Mas, vou lá. O senhor que é o profeta Nazareno? Sou eu. Eu estou com um criado lá, está bem doente, se o senhor pudesse lá curar ele. Bem objetivo. Jesus gostou da sinceridade daquela pessoa, falou, vou lá. Não, precisa ir lá? Precisa não. O que é isso? Precisa ir lá em casa? Não, moço. O que é isso? Eu sou centurião, eu sou um oficial do exército romano, eu tenho 100 soldados hierarquicamente abaixo de mim que eu comando. Então, eu falo para o soldado assim, soldado Lucas, pega isso para mim, o soldado vai lá e pega.

Soldado, eu dou uma ordem, o soldado vai lá e executa. E eu tenho também servos, inclusive esse que está doente. E eu falo, ô meu amigo, e ele tratava bem, porque ele estava doente, ele estava intercedendo pelo, se você vê que era uma pessoa amorosa, cuidadosa. Eu digo para ele, faz isso, faz aquilo. Você também é um homem, você é mais do que um centurião, Jesus. Eu não li livros dos Espíritos, não estudei esse negócio de Cristo, não, mas também não sei nada desse negócio de Velho Testamento, nem de Novo Testamento, não fui a nenhum ESDE, mas você é mais do que um centurião.

Você deve ter um tanto de gente hierarquicamente, que você diz assim, vai lá e ele vai e faz. Aí, Jesus olhou para esse indivíduo e falou assim, estão vendo aqui? Não frequentou ESDE, não leu e eu nunca vi uma fé igual à desse centurião, nem mesmo em Israel. Por quê? Porque a fé do centurião estava baseada na lei de unidade. Ele falou, se nós, aqui em Roma, construirmos esse negócio chamado Exército, que já funciona há uns milênios, porque o negócio funciona, funciona até hoje. Se esse negócio funciona, e se aqui tem uma hierarquia, estou desconfiado que esse negócio existe lá também.

E é verdade, por causa do princípio da unidade. Então, aqui nós temos uma coisa maravilhosa. O princípio da unidade revela um tanto de coisa. Por exemplo, as leis morais. As leis naturais e as leis morais são as mesmas. As leis morais decorrem das leis naturais. E os Espíritos ainda dizem mais, eles dizem assim, o sábio estuda a lei natural. Fica lá fazendo equação, equação da gravidade, força gravitacional, todo mundo lembra disso? É igual à constante gravitacional, vezes g1, multiplicado, m1 multiplicado…

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Telegram
Email

Respostas

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Hide picture