#073 – Estudo do Velho Testamento – Livro Êxodo

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Neste estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias conduz uma profunda reflexão sobre o livro de Êxodo, estabelecendo um paralelo com conceitos fundamentais da Doutrina Espírita: a evolução dos seres e a escala dos mundos.

O que é estudado neste episódio

  • O Livro de Êxodo como Metáfora: Haroldo destaca que a linguagem bíblica, rica em metáforas, alegorias e símbolos, serve como uma narrativa que encontra sua explicação direta e didática na Doutrina Espírita.
  • A Escala Espírita e a Escala dos Mundos: São abordadas as questões 100 a 120 de O Livro dos Espíritos (sobre a escala espírita) e o capítulo 3 de O Evangelho Segundo o Espiritismo (“Há muitas moradas na casa de meu Pai”, sobre a escala dos mundos), como chaves para a compreensão do Êxodo.
  • O Problema do Mal (Natural e Moral): O estudo se aprofunda nas grandes perguntas da existência, como a permissão do mal por Deus, a existência da cadeia alimentar, a doença, a morte, a desigualdade e a exploração. Haroldo enfatiza que o “problema do mal” não se restringe ao mal moral (fruto da vontade consciente), mas abrange também o mal natural (como a finitude dos planetas e a destruição na natureza).
  • A Lei de Evolução Universal: A Doutrina Espírita oferece a resposta central de que todos os seres são criados simples e ignorantes, sem exceção, e estão sujeitos à lei de evolução. Não há seres criados puros e perfeitos de fábrica.
  • Princípio Inteligente e Espírito: É diferenciado o princípio inteligente (estágio inicial da evolução) do Espírito (princípio inteligente que atingiu a fase de humanidade e razão).
  • A Humildade Divina e o Livre-Arbítrio: A não imposição do bem por Deus é vista como a maior manifestação de Sua humildade e bondade. A perfeição não é imposta, mas conquistada através do esforço e da experiência, sendo uma obra de cooperativismo entre o Criador e Suas criaturas.
  • A Travessia como Presente Divino: A jornada evolutiva, a “travessia”, é apresentada como um presente de Deus, permitindo que a perfeição seja um desejo e uma conquista, e não uma imposição.
  • Inspiração de Santo Agostinho: Haroldo revela que muitas das perguntas levantadas no estudo foram feitas por Santo Agostinho em sua encarnação, e que ele, como membro da plêiade do Espírito de Verdade, retornou para trazer algumas das respostas.
  • Citação de Calderaro (No Mundo Maior): O estudo culmina com a leitura de um trecho do capítulo 3 (“A Casa Mental”) do livro No Mundo Maior, de André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier, onde Calderaro descreve a evolução incessante de todas as forças da criação, desde o mineral até o ser humano, e a perfeição como obra de cooperativismo.

Reflexões

  • A Doutrina Espírita nos convida a fazer as grandes perguntas da existência, sem pressa por respostas prontas, compreendendo que a busca e a reflexão são parte essencial do nosso aprimoramento.
  • A evolução é uma lei universal e ininterrupta, onde todos os seres, desde o princípio inteligente mais simples, caminham para a perfeição, conquistando valores através da experiência e do esforço.
  • A humildade e a bondade de Deus se manifestam ao nos conceder o livre-arbítrio e a oportunidade de construir nossa própria perfeição, em um processo de cooperativismo que transforma a jornada em um presente divino.

Ler transcrição do episódio

Bom dia, Arouca! Olá, meu querido! Já estamos online? Já estamos online! Ah, coisa boa! Tudo bem? Tudo em paz, Julio! Vamos cumprimentar o pessoal aí, né? Estamos atrasados um pouquinho, né? Mas chegamos! Vamos cumprimentar o pessoal! Vamos! Pessoal, se eu chegar nos comentários aqui, para mim, a primeira pessoa que aparece é a Tânia Nepomuceno Pinto, a Janete Ramos, a Rosângela Maria, a Luísa Leão, a Márcia Gomes, a Salete Barbosa, a Isa Bartolomeu, o Joselande Araújo, a Dalva Bastos, o Marcelo de Chapecó. Ele falou, difícil pegar ao vivo o motivo do trabalho, vamos ver se hoje consigo.

Será que está conseguindo, Marcelo? Manda recado para a gente! Maria Lúcia Ferreira, Lia Valente Borim, a Cleodoliva, Clé Amara, Maria Ecleia, muita gente, a Regina Oliveira, a Zima Santos, a Jutiane Ullmann, está falando de pelotas no Rio Grande do Sul. Olha! Tem aqui o Biguassu Santa Catarina, a Zilma de Belém do Pará, a Eunice de São José do Rio Preto, a Janira de Salvador, Bahia, a Ana de Friburgo, no Rio de Janeiro, Curitiba, a Noely, a Noely a gente já conhece, sabe? Curitiba. Não é, Noely? Acho que sim. Nossa, a memória está…

Marisa! Oi, Marisa! É isso aí. Stanislav está aí também. Vamos ver quem está chegando por último aqui, Arô. Que maravilha! Durildes Gatote, Elba Venâncio, Luciane, Patrícia Alexandre, Marcos Antônio. É isso aí, pessoal. A internet está mais ou menos hoje ou está agarrando agora? Está perfeita, Júlio. Está perfeita. Não travou nem uma vez. Que bom, que bom. Mas e aí, meus amigos? Duas semanas que eu não venho, que falta aula? Mas você pegou aí, não é? Uma gente falou do Salmo 23, outra a gente falou do Salmo número 1.

E hoje, Júlio, eu preparei algo assim, uma síntese, porque a gente está caminhando já para o encerramento do Êxodo. Então, hoje eu preparei uma coisa simples, que é um paralelo do livro Êxodo com um conteúdo muito específico da doutrina espírita, que é a evolução dos seres e a evolução dos mundos. Basicamente, a escala espírita e a escala dos mundos. É bem simples. Mas é tão simples que eu estou até preocupado de a gente ter dificuldade de entender. Porque, ultimamente, eu acho que as coisas simples são as mais difíceis de serem compreendidas de forma completa.

E é aquilo que a gente conversa, eu e você. A gente fica preocupado, às vezes, nós, espíritas, não com o que a gente desconhece, mas com aquilo que a gente acha que sabe. Tem certeza, não é, Haroldo? E esse tema todo mundo acha que sabe. Todo mundo acha que sabe. E isso gera uma série de perplexidades, Júlio, uma série de perplexidades. Então, eu preparei uma reflexão. Ótimo! Reflexão sobre isso. Ótimo! O livro Êxodo é uma síntese na linguagem bíblica. A linguagem bíblica é a linguagem de metáfora, de história, de parábola, a gente sabe disso.

A linguagem bíblica, você entra no reino da alegoria, da parábola, da metáfora, do símbolo. Doutrina espírita é a linguagem direta, objetiva, descritiva, didática. Então, nós acreditamos que a escala espírita, que está lá da questão 100 até 120, mais ou menos, e o capítulo 3 do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, que é aquele Meu Reino, não é? Há muitas moradas na casa de meu pai que fala da escala dos mundos. A gente acredita que esses dois grandes textos são uma explicação do livro Êxodo. Então, essa é a ideia.

Muito bom! Essa é a ideia. Então, essa é a programação que a gente tem para hoje. Mas, eu queria começar não pelas respostas, porque a gente já estudou o livro Êxodo, já demos aqui uma panorâmica nele, nós já lemos a escala espírita, com certeza a maioria de nós aqui já leu o capítulo 3 de O Evangelho segundo o Espiritismo. Então, a gente leu esses textos. Agora, a gente precisa pensar nas perguntas. Nas perguntas. As perguntas que esses textos respondem. Por que, Julio? Porque são as perguntas que nos angustiam. Sim.

E são as perguntas que nos guiam na interpretação desses textos. Sim. São as perguntas. Eu acho que a gente tem que voltar nelas. Então, eu separei algumas aqui. Eu separei algumas que são. Primeira pergunta, Julio. Se Deus é onisciente, Ele sabe quando a gente deseja praticar o mal e quando a gente está planejando praticar o mal. E Ele sabe quando a gente pratica o mal. Por que Ele deixa? Deus sabe que o mal vai acontecer. Por que Ele permite? Por quê? Por que existe cadeia alimentar? Por que os animais, para sobreviver, têm que matar os outros?

Não estou falando de seres humanos, não. Por que existe essa violência? Por quê? Por que o jacaré, para comer, Julio, tem que matar outro animal? É. Por quê? É. Por que nós temos um corpo que adoece e que morre? Por que existe a desigualdade? A exploração e a violência no mundo? Seres humanos explorando outros, violentando outros, sistemas violentos e exploratórios? Eu estou vendo algumas pessoas mandando respostas. Eu queria propor aos amigos que mandassem perguntas. É. Entendeu que nós falamos no início, não é, Haroldo?

Nós temos… Nós falamos no início, exato. Que aí, veja, a gente faz uma pergunta dessa, a pessoa fala, ah, já vim. Aí já vem com respostas rápidas e prontas. E que elas são quase que um… um muro, uma parede, contra o avanço do pensamento a respeito daquele assunto. Por que nós estamos insistindo, gente, nas perguntas? Porque quem governa o universo é a inteligência suprema. Então, eu não tenho a mínima pretensão de que a gente vai sair daqui entendendo todos os detalhes. Porque isso equivale a dizer, se a gente compreender tudo, todo o processo, isso equivale a dizer que a nossa inteligência se equiparou à inteligência divina.

Então, o livro Êxodo, a escala espírita, e o capítulo 3 do Evangelho, segundo o Espiritismo, eles propõem linhas gerais. Não tem todas as respostas. Não tem todas as respostas. Então, por exemplo, por que um cachorrinho tem câncer, Júlio? É livre-arbítrio? Reencarnação passada? Carma? Carma? Eu estou pensando. Estou trazendo perguntas, gente. A gente precisa aprender a viver com perguntas. A viver com perguntas. São as perguntas que nos aprimoram. Isso é maravilhoso. Não é legal isso? Maravilhoso, porque é uma doutrina que foi codificada a partir de perguntas, e a gente vê a gente deixar de fazer perguntas.

Deixar de fazer perguntas. Então, aquela lei que está gravada na nossa consciência, ela fica ali inabilitada a te responder a te trazer respostas, a fazer você avançar nas perguntas, avançar e aprofundar nas perguntas e compreender respostas que, às vezes, estão ali na sua frente. Estão ali na sua frente. Então, quando a gente pensa assim, não é, Júlio? O sistema econômico do mundo, o sistema social, o sistema político, tudo é injusto, é opressor, é violento. A própria vida animal é cheia de dor, cheia de dor, de doença, de envelhecimento, de Predador.

Predador, Júlio? Predador. O que será? O que será? Vou abrir mais aqui, está a luz aqui. Espera aí, Júlio. O sol está batendo aqui, rapaz? Está daquele jeito. Ah, agora sim. É, predador. Você vê no reino animal, entre os animais, aqueles filhotinhos que são devorados pelos outros, as mães desses filhotinhos que são mortas e eles ficam à mercê, aqueles, na própria, é superinteressante, esteve no projeto Tamar, lá na Bahia, a coisa da tartaruga, ela deixa os ovos na praia e depois a tartaruga que se vire. E muitos vão…

Por que isso? Por quê? Por quê? Porque Deus ama. Então, por que a predação humana? Por quê? Por que a predação, a completa devastação do ambiente? Por quê? Por que isso é permitido? Vamos lá, então. Por quê? A gente fica doido para responder. Não é? Então, agora nós vamos agora nós vamos trazer alguns elementos, não é? Pois é, a Marília Candel está dizendo que não existe injustiçado. Mas, aí, Marília, você já está… Aí, você já está falando de ser humano que tem consciência, que errou com consciência. Aqui, eu estou falando de um animal que não tem nem consciência de si mesmo.

Não estou falando de carma. Eu não estou falando do mal que é o débito da sua encarnação passada. Vamos lá. O cachorrinho comete o mal? O cachorro contrai carma? E aí? Por que o sistema de sobrevivência na vida animal depende de presas e predadores, de uma cadeia alimentar? Por quê? Dá para falar em justiça e injustiça para um ser inconsciente? Dá para trazer esses conceitos de justiça e injustiça e aplicar isso ao jacaré? Dá para avaliar e fazer um julgamento moral do jacaré? Olha, jacaré, você errou e contraiu um carma.

Na encarnação que vem, você vai vir como zebra. Dá para fazer isso? Estou achando interessante, Haroldo, o exercício de não responder as perguntas que você está fazendo e pensando o que está acontecendo no meu cérebro. É. Estou pensando no que acontece com o nosso cérebro quando a gente não tem pressa em responder. E eu estou trazendo questões, Júlio, porque, por exemplo, quando Buda, Siddhartha Gautama, Buda, quando ele olhou para os animais e ele percebeu que no reino animal não há outra possibilidade. Existe uma cadeia alimentar.

Não tem outra opção. Quando ele olhou para aquilo e falou assim existe um mal intrínseco nisso. Então, não há bondade nesse mundo. Nesse mundo não há um Criador. Não pode haver um Criador bondoso que tenha criado esse mundo. E, este é o dilema de muitos Espíritos, não é, Haroldo? Muitos Espíritos. Por isso que eu estou trazendo essas questões, Júlio. Por isso que eu estou trazendo essas questões e observando aqui qual é a reação. Por isso que eu estou trazendo isso. Então, você tem o seu, eu não estou falando nem um ser humano que está do seu lado, porque aí a gente dá uma explicação, não é?

Você tem uma pessoa amada e fala ah, não, isso é carma dele, né? Mas, tá bom, e o seu cachorrinho? Ah, o seu cachorrinho está com câncer. E, você vê ele deitadinho ali, morrendo, tendo dor. Para quê, Júlio? Por quê? Ele fez alguma coisa de errado? E Deus fez? Então, será que existe, será que não tem sensibilidade de Deus? Essa é uma resposta. Muitos filósofos responderam dessa maneira. Não. Existe um Criador, mas isso é uma filosofia. Eu vou trazendo aqui as respostas. Então, existe uma filosofia que diz assim, não, existe um Criador, mas ele não pode nem ir para o que você está sentindo, não.

Ele é absolutamente insensível. Tem gente que respondeu assim. Indiferente, né, Lúcio? Indiferente. Outros respondem assim. Tem outras respostas. Não, não, tem exploração mesmo. A gente viu agora aí. Vamos pegar um fato aqui. Mão de obra escrava, Rio Grande do Sul, nas vinícolas do Rio Grande do Sul. Escravidão. Escravidão. Alguns vão responder assim. Olha, acontece isso, mas a pessoa vai ser recompensada, ela vai para o céu. Então, vou trazer. Tem uma explicação por exemplo, que está na obra do Pietro Baldi. Ele acha que Deus criou dois universos.

Um universo de seres puros, que só pensam e vivem o bem. Aí, nesse universo, alguns caíram e tiveram que vir para esse outro universo aqui, onde tem todas essas coisas ruins. Então, quem está nesse universo aqui é porque foi castigado. Ou seja, uma interpretação literal da parábola Adão e Eva. Ele chama esse universo que Deus desejou, esse que Deus queria, do sistema, e o antissistema foi depois da queda. Então, só evolui quem caiu. Foi uma explicação. Ele era um espiritualista católico, veio da Itália. Então, ele mesclou aspectos de espiritualidade com aspectos da teologia católica, especialmente do Lúcifer, do anjo caído.

Foi uma explicação. E aí? Então, é importante… Aliás, a Silene não está concordando. Então, explica para a gente, Silene, como é que é? Explica para a gente, escreve aí. Como é que é a interpretação? É interessante a questão, não é? Porque as perguntas têm de ser feitas… Gente, se não queiram concordar, escreve aí, por favor, explica. Explica como é que é. Então, nós estamos trazendo reflexões. Nós estamos trazendo reflexões. Porque, por exemplo, essas informações eu obtive não só da leitura do livro, mas da conversa do Flávio Tavares, filho do Clóvis Tavares, que receberam o Pietro Baldi no Brasil.

E que me deram o material do próprio Pietro Baldi explicando a obra dele. Então, como é que é? É como a gente fala, não é, Bruna? A ideia não é a gente parar naquilo que a gente não concorda, até porque… Exato! A gente tem muito o que aprender, não é? Então, é sempre bom aprender. E como a gente está lendo as coisas. Mas o importante aqui, eu acho, dentro da nossa conversa, são as perguntas que nos fazem chegar a Deus, não é? Chegar a uma concepção mais próxima de Deus e dos seus atributos, não é? Exatamente. Para encontrar respostas.

Então, olha que bacana. O que eu estou… As perguntas que eu estou levantando aqui são perguntas aleatórias? As perguntas, não. Essas perguntas, na filosofia, elas são chamadas de o problema do mal. O problema do mal. E o problema do mal não é apenas o mal moral. Então, isso é importante a gente entender. Então, o problema do mal não se resume ao uso que os seres conscientes fazem no seu livre-à-vida. O problema do mal é mais amplo. Então, o problema do mal, ele pergunta o seguinte. Todo tipo de mal, todo tipo de mal.

Todo tipo. Então, ele pergunta assim. Por que o Sol esfria e acaba? Por que os mundos… Pronto, a Terra. A Terra teve início, meio e terá fim. O planeta Terra vai acabar. O planeta Terra vai acabar. Nosso corpo é perecível. Ele envelhece e adoece e morre. Olha aqui. E, aí, entra no mal moral. O mal moral, também, que tem a ver com aquilo que o Criador, aquilo que o Criador, desculpa, aquilo que a criatura constrói. Então, a sociedade, a cultura, as relações, as interações humanas. Eu ia falar Criador, mas é o pó Criador, não é?

Aquilo que o ser consciente cria. A sociedade, as relações sociais, a estrutura social, a cultura, tudo isso. Aquilo que é fruto da construção dos seres humanos. Eu saio do natural e entro no cultural. Saio do racional e entro no… Não, eu saio do natural, da natureza, porque, por exemplo, o planeta Terra vai acabar. Mas o planeta Terra não existe porque nós, seres humanos, criamos ele. Não fomos nós, seres humanos, que criamos o planeta desse jeito. Não foi? Agora, a sociedade fomos nós. A sociedade, do jeito que ela é hoje, as relações sociais, a cultura, isso fomos nós, nós, seres humanos, que criamos isso.

Isso é uma criação humana. Essa construção da sociedade em si, ela também não é fruto de um processo evolutivo, das experiências de acordo… Não, sim, não, mas aí… Porque eu não cheguei ainda… Nós estamos só… Vou passar agora já para as reflexões, para a gente sair das perguntas. Então, é essa a pergunta, o problema do mal. O que é importante aqui? Quando a gente fala mal, a gente pensa só no mal moral. Eu estou falando aqui da filosofia. O mal moral é aquilo que é a criação de uma vontade consciente. Mas o problema do mal não se resume apenas ao mal moral.

O problema do mal vai além do mal moral. Então, ainda que você tire todos os seres humanos da Terra, continua ali o problema na cadeia alimentar, continua o problema dos vulcões, o problema da destruição. A destruição e a morte continuam, mesmo que você tire os seres humanos. Mas aí, no caso… Lembrando que a destruição, a lei de destruição é uma lei natural, não é? Mas aí já é a explicação, não é? Aí você já foi lá para a resposta que a doutrina espírita dá para o problema do mal. Sim. Então, a reflexão que eu estou trazendo hoje é a gente vai na resposta, mas, muitas vezes, sem ter passado pelas perguntas.

Entendeu, Júlio? Sim. A doutrina espírita surgiu em 1857 e milênios antes disso, filósofos de todas as civilizações, mulheres e homens, estavam fazendo essas perguntas e a gente pulou as perguntas e fomos para as respostas. Entendeu, Júlio, onde eu quero chegar? Entendi. Bom, agora nós vamos… agora nós vamos trabalhar as luzes que a doutrina espírita trouxe para a gente responder as questões levantadas pelo problema do mal, mal natural e mal moral. Não é? Ficou mais claro, não é? Sim. Estamos no caminho para chegar às perguntas.

Então, Júlio, quando Kardec começa a… depois que ele descobriu que é espírito, que espírito é a inteligência, os seres inteligentes da criação, que aqueles que estavam comunicando com ele já tinham vivido aqui na Terra, estavam lá, depois que ele entende isso, aí ele começa a fazer perguntas, Júlio, mais profundas. Ele começa a fazer perguntas mais profundas. E, aí, surge, ele não fez essa pergunta diretamente, mas fica assim, Júlio, por que vamos lá, por que ele tem uma estrutura lá, tem uma lei de evolução. A primeira coisa que os Espíritos falaram foi existe uma lei de evolução, existe uma evolução.

Aí, ele pergunta, olha que interessante, Júlio, existe alguma exceção? Existe algum ser que foi criado e não precisou evoluir? Não, a resposta é não. Todos são criados simples e ignorantes. Simples, no sentido de estrutura, mais simples possível, e ignorantes no sentido de que não têm experiência. Não têm nem consciência de que existe, não é? Tem alguma exceção? Não. Não tem exceção. Nenhum ser, nenhum ser, nenhum ser foi criado já Perfeito, puro. Eu digo perfeição da criatura. É o que Kardec coloca lá, na primeira ordem.

Os Espíritos puros atingiram a perfeição de que é suscetível à criatura. Não é a perfeição do Criador, não é? A perfeição de que é suscetível à criatura. Não precisa mais passar por provas nem expiações, não estão sujeitos à encarnação em corpos perecíveis. Então, não tem exceção. Ninguém foi criado puro, ninguém foi criado já consciente. E, aí, ele trabalha, Júlio, olha que legal, não é? O conceito de princípio inteligente e Espírito. Princípio inteligente é aquele que começa ali no estágio inicial. Espírito, com E maiúsculo, é o princípio inteligente que atingiu o estágio de humanidade, de razão.

Não é interessante isso? Então, todos têm que passar pela fieira da evolução. Do mal, não. Não, do mal, não. Da evolução. Não é? Aí, Júlio, mas, fica uma pergunta, não é? Por que ele já não criou todo mundo puro, Júlio? O Kardec não fez essa pergunta, não, Haroldo? Ela ficou implícita. Ele vai deixando isso implícito. Ele ficou igual o mineiro, não é? Ficou com vergonha. Aí, Júlio, a gente tem que pegar, porque ele faz umas investidas, ele pergunta alguma coisa, e tem uma hora que os Espíritos falam para ele assim, você está querendo que Deus te preste contas da criação dele?

Mas, aqui entra a grande pergunta, Júlio, a grande pergunta. Por que ele já não criou todo mundo perfeito, todo mundo Espírito puro, todo mundo habitante de mundo celeste? Eu prefiro não responder essa. É, mas essa é bacana. Agora, veja, não tem uma resposta, tá, Júlio? A gente tem reflexões. Eu vou trazer reflexões. E você, se você ficar o final de semana pensando nisso aí, segunda-feira você vai chegar para mim e falar assim Nossa, Haroldo, eu pensei mais dez coisas diferentes daquilo que você pensou. Maravilhoso, é isso mesmo.

Então, uma direta, Júlio, se ele os tivesse criado puros, já no mundo celeste, não haveria no nosso vocabulário a palavra esforço, luta e vitória. Eu quero acalmar os corações que estejam na live, Haroldo, que estejam como o meu. Porque eu nem pergunto por que ele não criou perfeito, eu pergunto por que ele criou. Por… Haroldo, por que ele criou, né? Por que ele me criou, eu nem pedi. Porque, Haroldo, esta é, eu acho que esta pergunta, ela é a pergunta que nos faz chegar até o fim. Haroldo. Porque ela não tem resposta, porque a resposta dela só está no fim.

E você não vai saber. Eu já falei aqui, né? Que eu já me editei sobre isso. Eu fui ao fundo do poço. Essa que você fez aí, sim. Essa, com certeza. Essa, com certeza. Mas essa outra que eu fiz, por que não criou perfeito e puro? A gente começa a entender algumas coisas. Estou aqui usando, inclusive, aqui estou usando um pouquinho do Spinoza, tá? Então, vamos lá. Por que, se tivesse criado todo mundo puro, perfeito, no mundo celeste, esses seres não teriam no vocabulário deles, mental, não teria a palavra esforço, vitória e luta?

Concorda? É, concordo. Eu estou segurando na língua para não incrementar esse negócio, porque eu também diria que não haveria no vocabulário deles crime, ódio. Isso. Mal. Mal. Maravilhoso, Júlio. Maravilhoso, rapaz. Maravilhoso. Não haveria Egito, nem Êxodo. Maravilhoso, aí. Estou falando que o bonito é fazer pergunta. Não teria Egito, nem Êxodo. Nem crucificação. Nada disso. Eles não são puros e perfeitos e estão no mundo celeste? Existe imperfeição, vício e interesse puramente e exclusivamente pessoal em Espíritos puros?

Eu não tenho muita intimidade com nenhum, Haroldo. Não, não, não, mas calma, calma. Vê aí. Igual Cilene está colocando aqui. Os serafins sabem muito bem o que é esforço. Claro! Porque eles evoluíram. Eu estou fazendo uma hipótese, gente. Vamos voltar ao raciocínio daqui. Eu não estou falando do que existe. Eu estou falando de uma coisa que não existe. Eu não estou falando do Espírito puro que existe. Eu estou falando, se Deus tivesse criado um ser que não precisou evoluir, já criou ele puro, perfeito, com toda experiência, com toda sabedoria, já criou ele assim.

Ele não evoluiu, ele não precisou evoluir. Ele nunca passou por um corpo perecível. Ele já é Espírito puro habitante do mundo celeste. É claro que essa criatura não existe, gente. Eu estou fazendo uma hipótese de raciocínio. Deus poderia ter feito assim? Ele poderia, Júlio? Você acha que ele poderia, Júlio? Eu acho que ele poderia. Se ele não fez, deve ser porque… Você acha que ele poderia fazer isso? Deve ser porque não era o melhor. Deve ser porque não era o melhor. Não, eu não estou perguntando isso. Eu estou perguntando se ele poderia.

Poderia. Se ele fizesse, estava tudo certo. Ele poderia, não é? Ele poderia. Ele poderia, não é? Poderia. Ele não fez. Ele poderia. Poderia. Ele poderia. Ele poderia ter criado seres já puros e perfeitos, sem nenhuma necessidade de evoluir. Deus poderia ter criado um universo que não tem evolução? Poderia? Poderia. Eu não estou perguntando se criou. Não criou. Não criou. Os Espíritos respondem. Não. Não há exceção. Todos são criados simples e ignorantes. Então, eu não estou perguntando se existe isso. Eu estou perguntando por quê?

Por quê? Por quê? Então, se ele tivesse criado um universo que não tem evolução, teria animais, Júlio? Teria animais, Júlio? Não sei. Não, mas… Não sei. Já não sei de nada. O animal não é um princípio inteligente em evolução? Eu estou igual a Gilberto Gil. Se eu sou alguém compreensível, meu Deus, é mais. Não, mas, espera lá. O animal não é um princípio inteligente em evolução? Sim. Ele não vai atingir a fase de humanidade? Ele não vai prosseguir a evolução e se tornar Espírito puro? Não é? Se Deus tivesse criado só puro, teria animal?

Teria planta? Não é um princípio inteligente, não, né? Planta que fala, né? Planta que… As plantas mais evoluídas, né? Os animais não seriam esses animais que nós temos aqui, não. Seriam os outros animais indiferentes, né? Mas aí ele não seria puro. Meu Deus, esse negócio do si, rapaz. Você é bono e nota em música. Então, olha só. Então, Júlio, o que que está implícito nas questões iniciais do Livro dos Espíritos? Deus não fez essa opção. Essa opção ele não fez. Isso aí os Espíritos respondem diretamente a Kardec.

Essa não tem dúvida. Todos, todos, devem passar pela fieira da evolução. Todos, todos. Isso é importante. Então, o que que eles estão dizendo para a gente? Ninguém, não há um ser inteligente na criação que já foi criado, puro e perfeito, de fábrica. Ave Maria. 1756, você só está embolando a linha. Essa é a instrução dos Espíritos a Kardec. Isso. E é com base nesse princípio que se ergue o edifício da Doutrina Espírita. Agora, vamos lá. Agora, questões. Nós sabemos toda a resposta do porquê? Não. Porque, juro, se nós soubéssemos a resposta completa, nós teríamos penetrado na mente de Deus.

Não é isso que eu estou propondo. Juro. Não é isso que eu estou propondo. O que eu estou propondo é alguma coisa dá para a gente compreender. Então, por exemplo, juro, se ele já tivesse criado o Espírito direto, já tivesse criado ele puro e perfeito, o bem foi imposto. O bem não foi conquistado. A pureza e a perfeição, ela não foi desejada, querida e conquistada pelos filhos. Ela foi imposta. Porque você já foi criado puro e perfeito. É difícil isso, não é? Não é difícil? Mas nós temos que… Você está entendendo, Júlio?

Então, ele teria chegado e falado assim, Júlio, meu filho puro e perfeito, eu não te dei a opção de ser imperfeito. Eu não quis te dar essa opção. Agora está começando, né? Agora está começando a clarear? E ele diria assim, Júlio, meu filho perfeito e puro, eu também não quis que você fizesse qualquer tipo de esforço para ser puro e perfeito. Não é? Percebe? Então, Júlio, aqui a gente começa, Júlio, os atributos da divindade. Deus, olha isso, o Todo-Poderoso, o Todo-Poderoso, Júlio, não te impôs isso. Então, você terá, num trecho do caminho, num pequenino trecho do caminho, e aqui eu quero fazer essa reflexão.

Todos nós vamos chegar ao nível de Espírito puro, habitante de um mundo celeste. Todos vamos chegar. Uns vão chegar mais rápido, outros vão demorar muito, Júlio. Muito, muito, muito, muito. Uns vão chegar num tempo, outros vão demorar vinte vezes mais, cem vezes, mil vezes, um milhão de vezes mais. Pode. Você pode demorar o tempo que você quiser, Júlio. Mas, quanto mais você demora, mais experiência se adquire. Quanto mais experiência se adquire, mais se evolui. Quanto mais se evolui, mais se desenvolve o seu senso moral.

Quanto mais o seu senso moral se desenvolve, mais você quer avançar. É fundamental esses pensamentos. Qual que é a palavra-chave aqui? Experiência. O Criador… Agora, você falou, mas, Haroldo, que loucura! Da onde você tirou isso? Pra que você está trazendo essa live maluca hoje? Aonde você tirou isso? Que coisa maluca, que coisa mais doida, Haroldo! Júlio, posso falar de onde eu tirei? Eu vou só acender a luz aqui, que está ficando muito escuro. Acende a luz aí, para ver se melhora, Haroldo. Sabe quem começou a fazer, quem fez a maior parte dessas…

Ele não encontrou as respostas, Júlio. Ele não deu as respostas que estão na Doutrina Espírita. Ele não deu. Mas, ele fez essas perguntas, Júlio. E, por ele ter feito as perguntas, ele foi convidado para fazer parte da plede do Espírito Verdade. E, por ele ter feito as perguntas, ele foi um dos Espíritos que veio trazer as respostas. Não todas, mas as principais. Sabe de quem eu estou falando, Júlio? Santo Agostinho. Santo Agostinho. Santo Agostinho. Então, aquela encarnação dele como Santo Agostinho, nos vários livros, não só no Cidade de Deus, mas no livro em que ele fala, no livro de Abito, principalmente, a maioria dessas perguntas que eu estou fazendo aqui, ele fez, Júlio, e ele desencarnou sem a resposta, Júlio.

E, aí, ele volta como membro da plede do Espírito Verdade, para nos contar o seguinte. Meus irmãos, eu encontrei algumas das respostas, não todas, e eu quero compartilhar com vocês. É só eu que acho isso maravilhoso? É maravilhoso mesmo. Não tem preço, não. E, aí, a gente vai percebendo, Júlio, que muitas daquelas perguntas que o Kardec fez e muitas daquelas respostas têm muito a ver com as questões que instigaram, por exemplo, Santo Agostinho. Então, uma das questões do livro dele, que ele fala sobre o livro de Abito, ele vai dizer o seguinte, se Deus não tivesse dado aos seres conscientes, e, veja, ficou faltando, claro, o Santo Agostinho não tinha resposta para os seres inconscientes, ele não sabia desse negócio de evolução mineral, vegetal, animal, ele não tinha isso.

É óbvio que não. Santo Agostinho não viveu em 1857. Ele não sabia, então, ele excluiu, ele pensou nos seres conscientes. Então, qual a reflexão que ele faz? Se Deus não tivesse concedido o livre-arbítrio, ele seria um ditador. O bem seria uma imposição. Não, uma escolha. Então, Júlio, é tão bonito que quando um moço rico chega para Jesus e diz assim, bom mestre, aí, Jesus fala, por que você está me chamando de bom? Bom, a bondade, só um, só tem um, que é meu pai. Agora, veja, Júlio, se o mancebo rico tivesse chegado para Jesus e dito assim, humilde mestre, Jesus não teria dado a mesma resposta?

Não teria, Júlio? Por que me chamas de humilde? Humilde, só tem um, meu pai que está nos céus. Então, Júlio, a inteligência suprema causa primária de todas as coisas, o todo poderoso, soberanamente justo e bom, soberanamente sábio, foi tão humilde, Júlio, que ele não impôs o bem a ninguém. O bem ele não impôs, ele só impôs a responsabilidade, responsabilidade, que aí também não podia ser, aí não dava, não é? Aí, assim, eu escolher tudo o que eu quero, eu fazer tudo o que eu quero e não ter consciência nenhuma, consequência nenhuma, aí é demais, não é?

Aí é demais. Aí é demais. Então, quem é o mais humilde, Júlio? Quem é o mais humilde, Júlio? Deus. Deus. Mas, Júlio, isso está no Evangelho? Está no Evangelho? Alguém lembra da parábola do filho pródigo? Filho pródigo, Júlio? Parábola do filho pródigo. Quem decidiu voltar, Júlio? Quem decidiu voltar para a casa paterna? Foi o pai? O pai que impôs? Ele foi lá importunar o filho pródigo? Não, não é? Quem que decidiu voltar? Foi o filho? Foi ele, não é? Ele quis, não foi? Ele não quis, Júlio? Não vou dizer nem que foi o filho, foi a criatura.

Foi a criatura. Isso, a criatura. A criatura. Ali o pródigo. O que ficou, queria ter saído, mas não teve coragem, não é? Então, um ainda não teve coragem de errar. O outro já arrependeu de ter errado. A gente já conversou sobre isso. Ele quis voltar, não quis voltar, Júlio? Ele quis voltar. Aí, é o seguinte, Júlio, na volta ele precisou percorrer o caminho todo? Não, não é? Porque o pai o pai abreviou, não é? O pai andou um pouquinho para encontrar, não é? Então, um trecho da volta, ele caminhou ao lado do pai, não é?

Sim. Ao lado assim, o pai já tinha recebido. Ao lado do pai, não. Já encontrando o pai. Um trecho do caminho de volta, ele já tinha encontrado o pai. E já não estava mais descalço, porque o pai foi com sandália, com veste, com anel, não é? Então, um trecho da estrada já foi mais leve, não é? Porque antes você estava descalço. Rasgado, não é? Então, um trecho da volta já foi com sandália, anel, não é, Júlio? Não é? É isso aí. Agora, um trecho do êxodo já é com sandália e anel, não é, Júlio? Um trecho já é, não é? Quem já está na parte da volta de Mundo Ditoso já está de sandália, anel, túnica no oficial, não está, Júlio?

Já está com as vestes. Já está preparando para a festança, não está? Já. Quem está no Mundo Ditoso já está preparando para a festança do mundo celeste, não está, não? Ou está caminhando descalço aqui, ou está aqui no êxodo, correndo, correndo, para não ser escravizado de novo. Só por amor. Só por amor, não é? É maravilhoso isso, não é, Júlio? É. Então, olha isso, Júlio. Deus decidiu que as suas criaturas seriam criadas simples e ignorantes, que elas deveriam, com a ajuda dele, a obra da evolução, calderar. O aperfeiçoamento é a obra de cooperativismo entre o Criador e nós.

A obra do cooperativismo. Você não faz tudo sozinho. É a obra de cooperativismo entre o Criador e nós. Cooperativismo. Mas, ele nos criou simples e ignorantes, Júlio? E, ele disse assim, Filho, eu não vou te impor as minhas conclusões. Você vai chegar a elas com as suas próprias experiências. Me veio uma imagem, Haroldo. É tão complexo, porque eu ainda luto para, quando eu falar em Deus, não pensar numa criatura com vaidades e desejos. E eu acho que todos nós, em algum momento, a gente ainda está treinando a escapar desse estereótipo.

Além do estereótipo de imaginar ele como uma máquina. Como uma máquina. Que não tem vontade, que não tem planos, que não tem propósitos. Menos comum, na minha opinião. Mas, você pensa no oceano, a questão do oceano. Existe uma comparação que estamos mergulhados no fluido cósmico, que é esse livro onde o Criador escreve seus poemas de seres e universos. Isso. E você pega no mundo, todo o rio corre para o mar. É, sim. E no meio desse caminho, a gente pensar nesse processo. Esses rios que passam por cidades, e passam por vales, e passam por montanhas, e passa, e passa, e passa.

E quando chega no mar, Haroldo… É, essa metáfora, é. Então, Júlio, aí a gente vai ter que usar o Guimarães Rosa, não é? A grande é a travessia, não é? É a travessia. Não é nem a partida, nem a chegada. Nós estamos conversando aqui da travessia. A travessia. Júlio, foi maravilhoso você ter trazido essa metáfora. Porque é o seguinte, ao invés de Deus ter criado o Júlio, já perfeito, já puro, e já habitante de um mundo celeste, ele te deu de presente a travessia. Eu penso que tem tantas maneiras de pensar isso que, às vezes, eu penso assim, ele já me fez puro, só não me deixou saber.

É, mas… Que também é um caminho de volta, não é, Haroldo? Vamos dizer assim? Sim, sim. Tem pureza… Mas existe um caminho. Mas existe um caminho, não é? Porque, assim, nós estamos sofrendo, estamos aqui vivendo as injunções, não é? Só para a gente também não descolar da realidade, porque senão a gente começa… Não, só filosofando assim. Isso, não é? E, como diz o caldeirado, ressombraremos suor por muito tempo. Não é? Então, haverá por muito tempo um esforço gigante, desafios, dor, expectativa, perplexidade, cansaço, não é?

Cansado, mas não desanimado. Perplexo, mas não desamparado. Não é? Haverá muito cansaço e muita perplexidade ainda. Só para a gente não sair desse pé no chão. Agora, olha que bonito, Júlio. Ele deu de presente a travessia. Então, Júlio, chegar em casa se torna um desejo, não uma imposição. Aí, a gente volta no Santo Agostinho. O que ele está dizendo? A maior manifestação de humildade de Deus foi ele ter nos dado o livre arvido. A travessia. Não só o livre arvido. A travessia. A possibilidade de ter sido criado, simples e ignorante, é de construir desde quando você estava no mineral, Júlio.

Desde a célula. Porque desde a célula você está ali. Lá no átomo, depois, na célula, num ser unicelular, você estava ali, Júlio, aprendendo, esforçando, realizando a travessia. Então, o Júlio, hoje, já é alguém que andou quase metade do caminho. Andou muito. Muito. Muito. Muito. E, o fato de ele ter te dado isso de presente, é o que o Santo Agostinho vai dizer. É a prova da humildade dele, Júlio, de Deus. É a prova da bondade dele, Júlio. Aí, eu vou encerrar a live com caldeirada. Agora, eu acho que vai ficar claro.

Eu acho que vale a pena pegar a fala, não é? Melhor, não é? Não é? É. Deixa eu… Está onde? Fala um pouquinho aí, que eu vou pegar agora. Fala, comenta lá. Deixa eu ficar falando aqui. Rapidinho, para a gente poder encerrar. O que eu vou falar, pessoal, é que nós estamos muito dentro, Arouca, mergulhados em muito do que é o tema do vir a ser. Não é, Arouca? Hoje, nós falamos muito sobre o que nós vamos falar no vir a ser. Verdade. Porque nós vamos tratar do perdão e estamos numa provocação que é do perdão a Deus, ao próximo, como a ti mesmo.

E a gente vai mergulhar nisso, tudo que o Arouca está falando hoje aqui, que envolve a nossa relação com Deus e a compreensão dos propósitos divinos, da compreensão dos próprios propósitos a partir dos seus atributos. Então, hoje, diria que é uma pré-estreia da temática, muito bacana, como ela vem amarrada com a proposta do perdão, que é uma das grandes dificuldades de compreensão de Deus. Como é que nós vamos compreender Deus sem que nós respondamos ou façamos as perguntas que precisamos fazer a respeito de nós mesmos, sem reconhecer a maternidade divina?

Estou lembrando ali dos apóstolos falando para Jesus, ali no capítulo de João, mostra-nos o Pai. Júlio, achei aqui, viu? Vai lá, nós se quiser. Está lá no capítulo 3, Júlio, do livro No Mundo Maior. No Mundo Maior. O capítulo 3 é a casa mental. Está lá no meiozinho do capítulo, a fala é do Calderaro. Então, eu vou ler a fala do Calderaro. Não é minha, gente, é o Calderaro. O Arouca falou, não é o Arouca. É igual ao livro mesmo? No Mundo Maior. Sim. Capítulo 3, a casa mental. Abre aspas, Calderaro. Não somos criações milagrosas destinadas ao adorno de um paraíso de papelão.

Não houve um milagre de você ser criado diretamente por. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores de experiência em experiência, de milênio a milênio. Então, ninguém é criação milagrosa. Ninguém foi criado milagrosamente puro. Somos herdeiros de séculos, conquistando valores de experiência em experiência, de milênio a milênio. Não há favoritismo no templo universal do Eterno. Não há favoritismo. E todas as forças da criação aperfeiçoam-se no infinito. Não há favoritismo. Ninguém foi favorecido.

Ninguém foi criado perfeito. Não há favoritismo no templo universal do Eterno. E todas as forças da criação aperfeiçoam-se no infinito. A crisálida de consciência que reside no cristal a rolar na corrente do rio, aí se acha em processo liberatório. É o princípio inteligente no reino mineral. As árvores que, por vezes, se aprumam centenas de anos a suportar os golpes do inverno. Golpes do inverno. Olha a dor-evolução, Júlio. Dor-evolução. Golpes do inverno. E, acalentadas pelas carícias da primavera, estão conquistando a memória.

Sublinha. Estão conquistando a memória. Memória da dor do inverno e memória da alegria da primavera. Porque, no inverno, Júlio, elas são golpeadas. E, na primavera, elas são acalentadas pelas carícias da primavera. A fêmea do tigre lambendo os filhinhos recém-nascidos aprende rudimentos do amor. O símio, o chimpanzé, o primata, guinchando, organiza a faculdade da palavra. Nada está pronto, Júlio. Nada foi te dado pronto. Nada, Júlio. Nada. Tudo você teve que conquistar, Júlio. Tudo você teve que desenvolver. Em verdade, Deus criou o mundo, mas nós nos conservamos ainda longe da obra completa.

Por quê, Júlio? Porque Deus não cria a obra completa. A obra completa é o final do trabalho. Vamos lá. Os seres que habitam o universo ressumbrarão suor por muito tempo para aprimorá-lo. Assim, também, a individualidade. Olha isso, Júlio. Nós temos que aprimorar o próprio universo porque ele não foi criado pronto, querido. E a nossa individualidade também não. O que é ressumbrar, Arouca? O que é ressumbrar? Ressumbrar é você ficar encharcado. Ficar encharcado de suor. Quer dizer, é muito suor, é muito esforço. É muito esforço.

Assim, também, a individualidade. Somos criação do autor divino e devemos aperfeiçoar-nos integralmente. O Eterno Pai estabeleceu como lei universal que seja a perfeição obra de cooperativismo entre ele e nós, os seus filhos. Eu vou traduzir. Ele chegou assim. Júlio, meu filho, eu não vou te dar a perfeição, não. Você vai construir a perfeição junto comigo, tá? A sua perfeição será a obra de cooperativismo entre eu e você. Essa aí, filhão, nós vamos fazer junto, tá? Vai ser junto. E fim! Acabou! Você achou bonito? Demais!

Eu vou ler de novo, sem interrupção, tá? Aí a gente encerra. Eu vou só ler, sem interrupção, sem comentário, tá bom? Tá bem. Só para ficar o texto. Não somos criações milagrosas destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores de experiência em experiência, de milênio a milênio. Não há favoritismo no templo universal do Eterno e todas as forças da criação aperfeiçoam-se no infinito. A crisálida de consciência que reside no cristal, a rolar na corrente do rio, aí se acha em processo liberatório.

As árvores, que por vezes se aprumam centenas de anos a suportar os golpes do inverno e acalentadas pelas carícias da primavera, estão conquistando a memória. A fêmea do tigre lambendo os filhotes recém-natos aprende rudimentos do amor. O símio guinchando organiza a faculdade da palavra. Em verdade, Deus criou o mundo, mas nós nos conservamos ainda longe da obra completa. Os seres que habitam o universo ressumbrarão, ficarão encharcados de suor por muito tempo para aprimorá-lo. Assim também a individualidade. Somos criação do autor divino e devemos aperfeiçoar-nos integralmente.

O Eterno Pai estabeleceu como lei universal, lei que seja a perfeição, obra de cooperativismo entre ele e nós, os seus filhos. E o fruto desse cooperativismo se chama êxodo. Êxodo. Êxodo. Êxodo é a travessia. Mas é uma travessia em que o tabernáculo divino está no meio de nós. Porque a obra da perfeição é cooperativismo, Júlio. Por isso que, no êxodo, Deus peregrina com o povo. Ô, querido. É isso. É só isso. Acho que ninguém dorme essa noite. A gente não tem a pretensão de fechar, né, Júlio? Eu só levantei as perguntas, levantei as coisas.

Mas, assim, a chave dessa live de hoje, que até se estendeu, é esse texto do Calderari. Agora, veja, se eu tivesse pegado esse texto e lido ele no início, não teria a força de agora. Sim. Acho que estão aí as chaves, né? Estarmos atentos às perguntas, menos apressados em dar respostas, e atentos após as respostas a novas perguntas. Exato. Essa é a travessia. Essa é a travessia, querido. Eu vou te mandar esse texto, Júlio, que é se você quiser colocar aí no grupo. Manda para mim. Já coloquei. Aí vou colocar aqui a obra, não é?

No Mundo Maior, capítulo 3, A Casa Mental. Olha o título do capítulo. Fala de Calderari. Não gostou? Briga com Calderari. Está brincando? Se você achar ele… Se você achar, ele está numa tenda lá longe, bem na frente. A tenda dele é uma bem iluminada. Bem iluminada, está lá na frente. Obrigado, pessoal. Foi uma delícia. A gente também curtiu demais. Obrigado, Calderari, obrigado, André Luiz, e obrigado, Santo Agostinho, que nos inspirou com essas perguntas. Eu apenas fiz um resumo imperfeito. Peço desculpas. Um resumo imperfeito.

Mas eu acho que deu. Deu, sim. Quero lembrar a todo mundo que nós todos estamos no esforço e vamos errar, sim, aqui. Vamos cometer também leituras que vão se aprimorar, não é, Haroldo? E é isso que as pessoas têm que entender. Paciência com a gente também. Gente, um beijo para todo mundo. Fiquem com Deus. Beijão. Foi ótimo.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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