#069 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz do Espiritismo, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do livro de Gênesis, focando no capítulo 4 e no simbolismo do cordeiro.

O que é estudado neste episódio

  • A técnica interpretativa dos símbolos bíblicos: Haroldo Dutra Dias explica a diferença entre descrição e evocação no contexto dos símbolos bíblicos. Enquanto a descrição classifica e detalha, a evocação busca provocar uma emoção ou sentimento no leitor, uma característica marcante da cultura hebraica.
  • O símbolo do cordeiro: O estudo se aprofunda no significado do cordeiro para o povo hebreu, especialmente para os pastores e agricultores do ambiente semiárido. É destacada a importância do cordeiro para a subsistência da família (lã, gordura, carne) e a conexão emocional que se estabelecia com o animal.
  • O sacrifício do cordeiro: É abordado o ato de sacrificar o cordeiro, não como maldade, mas como um gesto de doação e sacrifício para a manutenção da vida da comunidade, evocando a ideia de que “ele deu a vida para que eu tenha a vida”.
  • A conexão entre o cordeiro e a família: O estudo revela que o cordeiro e o rebanho estão intrinsecamente ligados ao símbolo da família. A presença do rebanho dentro da casa, por exemplo, demonstra o valor e a proximidade com esses animais, que representavam a própria vida da família.
  • A primogenitura e o papel do primogênito: É explorada a estrutura familiar patriarcal e a importância do filho mais velho (primogênito), que tinha a responsabilidade de cuidar da família na ausência do pai e recebia uma parte maior da herança para compensar essa responsabilidade.
  • Caim e Abel sob a ótica da primogenitura: A narrativa de Caim e Abel é reinterpretada. A pergunta de Caim “Acaso sou eu guardador de meu irmão?” é analisada à luz do dever do primogênito de cuidar dos mais novos. Caim, como primogênito, demonstra-se indigno de sua função ao desprezar a primogenitura.
  • O filho mais novo como “cordeiro”: Abel, o filho mais novo, ao ser sacrificado, assume um papel que evoca o sacrifício do cordeiro, carregando os erros da família e se imolando. Essa dinâmica entre o filho mais velho indigno e o filho mais novo que se sacrifica é um tema recorrente nas escrituras.
  • A repetição dos padrões familiares: A história de Caim e Abel é vista como um padrão que se repete, como na história de Esaú e Jacó, onde o primogênito despreza sua primogenitura. Isso ilustra como os problemas familiares e padrões psíquicos se reproduzem ao longo das gerações.
  • Jesus como o “Cordeiro de Deus”: A culminância desses símbolos é encontrada na figura de Jesus, o “Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo”. Sua missão de sacrifício e renúncia é comparada ao cordeiro que se doa para a vida da família.
  • A “geração de Caim” e o “homem velho”: Haroldo Dutra Dias relaciona a psique humana com a figura de Caim, representando o “homem velho” que legisla em nosso interior, movido por orgulho e egoísmo.
  • O pecado original e seu remédio: O “pecado” é definido como o erro trágico que gera toda a história, tendo como causas o orgulho e o egoísmo. A renúncia, exemplificada pela vida de Jesus, é apresentada como o remédio para essas chagas da humanidade, desativando o orgulho e o egoísmo através do amor, caridade e desprendimento.

Reflexões

  • A interpretação dos símbolos bíblicos vai além da descrição literal, buscando evocar sentimentos e emoções profundas, conectando o leitor à experiência cultural e espiritual do povo hebreu.
  • A história de Caim e Abel, e a figura do cordeiro, revelam a complexidade das relações humanas e a importância da responsabilidade, do sacrifício e da renúncia como caminhos para a superação do orgulho e do egoísmo, que são as raízes dos maiores erros da humanidade.
  • A vida de Jesus, o Cordeiro de Deus, é o exemplo máximo da renúncia e do amor, oferecendo o remédio para o “pecado original” do orgulho e egoísmo, e convidando cada um a transformar seu “homem velho” em “homem novo”.

Ler transcrição do episódio

A Luz do Espiritismo Olá, amigos, bem-vindos a mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés, A Luz do Espiritismo, do Consolador Prometido. Nós comentávamos, no episódio anterior, sobre a questão dos símbolos, como eles se entrelaçam, como eles são construídos e a técnica interpretativa milenar do povo hebreu, passada para os sábios, de sábios para sábios, sobre como encontrar, estudar e investigar esses símbolos. E, hoje, então, nós resolvemos nos deter em um deles, que é o símbolo do cordeiro e que está ligado aos irmãos, para que a gente mostre um pouco como que funcionam esses símbolos.

Então, vamos lá, capítulo 4 de Gênesis, o símbolo do cordeiro. Abel ofereceu, então, do primogênito do seu rebanho, com a gordura, e Deus se agradou dessa oferta de Abel. Caim se inflama de inveja de ciúme e mata o seu irmão. O primeiro ponto que nós gostaríamos de destacar é que eu não posso partir para uma investigação desses símbolos bíblicos com uma mentalidade cartesiana, linear. Então, isto aqui não é matemática. Não posso vir com esse grau de precisão. Por quê? Porque esses símbolos lidam com evocações. Qual é a diferença entre descrever e Evocar?

Descrever é quando você quer detalhar as características da aparência de um objeto. Então, eu olho para uma flor e começo a descrever. Essa flor é da espécie tal, de cor tal. Eu estou descrevendo, eu estou classificando. A descrição, na verdade, é um processo de comparação do que eu estou vendo com padrões classificatórios, com tabelas de classificação. Isto é descrever, comparar com padrões. O texto bíblico não faz isto. O texto bíblico é evocativo. O que é evocar? Evocar é diante de um fato ou de algo que você viu, você foi tomado de uma emoção, espanto, admiração, repugnância, pavor, asco.

E, o que o texto bíblico faz é, quando ele usa aquele símbolo, ele quer evocar, ele quer provocar em você a emoção que você sente. Este é o ponto do símbolo. Né? E, isto é típico da cultura oriental. A cultura oriental, sobretudo a cultura hebraica, ela é evocativa, ela coloca o símbolo para resgatar a sua reação emocional ao símbolo. Para isto, eu tenho que conhecer o símbolo, mas, não é conhecer no sentido descritivo. Então, aqui não me interessa se o cordeiro é da espécie tal ou qual. Ah, se o cordeiro é do branco ou creme?

O tamanho do cordeiro? Não. Aqui, o que se quer é, ao trazer o símbolo do cordeiro, evocar os sentimentos que o cordeiro provoca. Mas, vem cá, você tem cordeiro na sua casa, aí no apartamento que você mora? Você viu, por exemplo, que eu moro em apartamento e já percebi que não dava para ter um rebanho de cordeiros aqui no apartamento. Então, o que isto significa? Que nós vamos ter que voltar para o ambiente cultural dos agricultores e dos pastores. E resgatar o que aquele símbolo significava para eles. O que aquele símbolo significava?

Então, vamos lá? Primeira coisa, no ambiente semiárido de deserto, não dá para você ter gado nelore, não dá para você ter um rebanho de zebu, porque eles morrem de sede e de calor. É clima de deserto, muito quente durante o dia e muito frio durante a noite. Então, um rebanho de ovelhas e de cordeiros é muito bom. É muito bom por quê? Porque ele é pequeno. Eu posso administrar. Segundo, a ovelha é muito diversificada, eu posso aproveitar a lã dela. No calor, eu preciso levá-la para a sombra para beber água, eu preciso cuidar dela, colocar em um ambiente interno ali, cuidar, mas, à noite, ela suporta o frio, porque ela tem uma estrutura Então, são questões práticas, olha.

Dessa lã, eu faço roupa, eu faço tenda, eu tenho os fios para fazer uma série de coisas. Dessa gordura da carne dela, eu cozinho, eu faço N elementos, cosméticos, tanto de coisa com a gordura. A carne, eu me alimento. Lembrando que a carne, aqui, é um luxo e a proteína, aqui, é algo importante. Não é assim, apreciar com moderação, porque você come muitas outras coisas e a proteína é só o essencial, porque é difícil ter um rebanho, não é fácil ter um rebanho. Então, aqui, a gente já vai entrando no universo do Pastor.

A ovelha é muito importante para ele. Não é apenas algo que ele comercia, não é apenas um objeto, não é uma alface que eu entrego e pego. A subsistência de toda a família, a subsistência de toda a aldeia depende do rebanho. Por isso, ele tem que cuidar do rebanho, por isso, ele não pode perder o rebanho para um predador, por isso, ele tem que conduzir o rebanho, por isso, que o pastor conhece cada ovelha, por isso que a ovelha conhece o cheiro do pastor, ela sabe quem é o pastor, porque é ele que alimenta ela, é ele que cuida dela.

Então, aqui, quando o cordeiro é sacrificado, não é sacrificado nessa maldade que a nossa sociedade faz com os animais, não, é sacrificado com todo o respeito, já se tomou um amor por aquele bicho, ele é quase um animal de estimação, não é? Porque você não conviveu com o boi que você come, eu não convivi, eu comi o frango hoje, eu não convivi com o frango, é um frango anônimo, aqui não. Quando a família senta para comer esse cordeiro, esse cordeiro era o bichinho que viveu três, quatro anos com a família, esse bichinho tem nome, por quê?

Porque ele tem um, dois, tem um rebanho de quatro, cinco, às vezes, a aldeia inteira tem um pequeno rebanho, é muito valioso, é muito valioso. A visão ali de comer o animal tem, também, uma perda emocional. Então, como que é encarado para esse pastor que conviveu ali com o animal, como que é visto esse ato de Matar o animal para ele comer? É visto assim, esse animal foi sacrificado. Como assim sacrificado? Ele deu a vida para que eu tenha a vida, ele perde a vida dele para que a comunidade não perca dela. Uma relação é o sacrifício, alguém está se doando, o cordeiro está se dando para manter a subsistência daquele povo.

Que não tem outra fonte de proteína, que não tem outra, que não tem as opções, por conta do ambiente, por conta do clima desértico. Então, isso é muito importante. Então, quando a gente olha para o cordeiro aqui, o sentimento que evoca, para de raciocinar agora, sente o sentimento que evoca é aquele cordeiro que você tomou a mú, que é dócico, o cordeiro é dócico, o cordeiro você vai matá-lo, ele ele não reage, ele se deixa imolar, entrega a vida ao corpo para que os donos, para que aquela comunidade, para que aquela família sobreviva.

Olha, gente, isso é muito profundo e é isso aqui que está em jogo. É isso aqui que está em jogo. Por que está em jogo? E, agora, nós vamos estudar um outro elemento do símbolo, dos símbolos bíblicos. Os símbolos bíblicos, eles nunca estão sozinhos, eles sempre estão em uma rede de conexão, uma rede, sempre estão conectados. E, a gente vai perceber que o cordeiro, o rebanho e o cordeiro estão sempre conectados com outro símbolo, que é a família. Cordeiro, família, tem como separar. Tanto é assim que as casas antigas, mesmo antes da época de Jesus, o local onde ficava o rebanho era em uma parte da casa.

Então, você tinha a estrutura da casa e, dentro da casa, tinha um local onde ficavam os animais. Por que? Porque não dá para deixar do lado de fora, é clima de deserto, eles morreriam. Não dá para deixar do lado de fora por conta do perigo, de ladrão, de predador. E, aquilo é precioso, é a sua vida que está em jogo. Entende? Não tem supermercado que você vai lá e escolhe eu vou comer castanha do Pará, mas só tem no Pará, não tem castanha no Pará, no deserto da Judéia. Não tem. Então, ali é a vida da família. O rebanho fica ali, dentro de casa, dentro da casa.

Essa história da casa estar aqui e o curral, o local onde está o animal estar lá longe, não. Até porque não tem tanto. Isto aqui não é rei do gado, não é rei do gado. Tem uma fazenda com milhares de cabeças de gado, nem Salomão, em toda a sua glória. Nem Salomão, em toda a sua glória, foi um fazendeiro como o fazendeiro de Goiás. Milhares de cabeças de gado, o que é isso? Isso não existe. Não existe. É rica ali e tem algumas dezenas. A família, mesmo, pobre, tem ali três, dois. É uma realidade dura, muito dura. O cordeiro está ali do lado.

Ele é subsistência, ele será sacrificado. O cordeiro vai se imolar para que a família sobreviva. Daí, a ceia em que há o cordeiro, neste período mais antigo, é uma ceia especial. Ele não come o cordeiro assim no dia-a-dia. Geralmente, há-vão em cerimônias religiosas, em festas, naquele momento certo, você ia comer cordeiro ali. Animais maiores, como o novilho, por exemplo, em ocasiões especialistas, a gente vê isso, por exemplo, na parábola do filho pródigo. O novilho, que era um, porque se você mata um novilho, não tem geladeira, como é que você come isso?

É uma grande ocasião, o casamento do filho, o casamento da filha, aí você mata o novilho, chama a aldeia inteira e todo mundo come, porque não dá para guardar a carne. Não faz isso. É uma ocasião muito especial. Então, neste contexto aqui, a gente está percebendo que há uma conexão emocional do cordeiro com a família. Então, nós vamos ter que ir para a estrutura da família. A estrutura da família funciona assim. Tem o pai, porque é uma sociedade patriarcal. Patriarcal significa que o homem pensa que manda, porque quem manda mesmo é a mulher dele.

Brincadeira, não é? Então, é uma sociedade patriarcal, o homem tem certas responsabilidades, ele é investido em certas responsabilidades tem a esposa, aqui, no caso, mais de uma, as esposas, as filhas e, aí, vem uma sequência importante, que é a sequência patriarcal, a sequência dos filhos, do filho homem, que vai continuar exercendo a liderança do grupo, da comunidade. Nesse sentido, o filho mais velho é muito importante, ele tem uma posição familiar, social, comunitária, muito importante. E, o filho mais velho, ele tem uma parte maior na herança, para quê?

Para compensar uma responsabilidade maior que ele tem. Qual é? A responsabilidade de cuidar de todos os seus irmãos, na falta do pai. Então, ele é o arrimo da família na falta do patriarca. Para compensar esse acréscimo de responsabilidade, que o mais novo não tem, o primogênito tem uma parte maior na herança. Qual é? Isso é cultural, ele sabe disso. Então, o mais velho sabe que tem essa responsabilidade. É uma sina, é o destino dele, é a estrutura social em que ele nasceu. Correto? Correto! Então, lê comigo, aqui.

O Senhor disse a Caim, está lá no versículo 9, Caim, onde está teu irmão Abel? Ele respondeu, não sei. Acaso, eu sou um guarda, um vigia de meu irmão? O que você acha? O que você acha desse diálogo? Vamos voltar aqui. Quem são os pais deles? Adão, Eva. Quem são os avós de Caim? Ah, te peguei, não tem. Caim não tem avô nem avó, não é? Eu tenho subido Adão e Eva. Caim, quem que é o mais velho, Caim ou Abel? Caim. Abel é o mais novo. Então, que história é essa de Caim, eu não sou o guarda do meu irmão? Como assim? Ele é o primogênito.

Caim é o primogênito. Na falta de Adão, ele é o arrimo de família. Ele cuida da mãe, Eva, das outras esposas de Adão, dos filhos mais novos, de Abel. Ele é o guardador de todos. Ele é o primogênito. Ele é o filho mais velho. Ele tem uma parte maior na herança, exatamente por conta dessa responsabilidade. Qual que é o dever do primogênito? Cuidar da família. O dever do primogênito é ser o arrimo de família, não é substituir o pai. Ele não substitui o pai. Ele cuida da família na falta do pai. Para isso, ele recebe mais recursos, autoridade, obediência dos outros irmãos, obediência das mulheres da comunidade, da família.

Então, que história é essa? Não sei, não sabe onde está Abel, o irmão mais novo. Tinha que saber. Nesta sociedade, aqui, nesta cultura, era dever dele, como primogênito, saber dar conta, cuidar do irmão. Mais novo. Era dever. Por acaso, sou guardador do meu irmão e, exatamente, é exatamente isso que ele é. Você deve estar perguntando, meu Deus, mas que coisa curiosa. O que está acontecendo aqui? Está acontecendo aqui outro grande símbolo, outro grande símbolo bíblico, que é o desprezo da primogenitura pelo primogênito.

O filho mais velho, o filho homem mais velho, o primogênito, desprezando a primogenitura, não reconhecendo as As faculdades olha só que a primogenitura lhe dá, as garantias e os deveres da primogenitura. Portanto, portanto, mostrando-se indigno de ser o primogênito. E, o filho mais novo, que não é o primogênito, tendo um comportamento de primogênito. Porque, aqui, o mais novo se sacrificou, foi sacrificado, foi imolado em nome da família, sofreu e carregou os erros da família, o que era papel do primogênito. Simulou.

Mas, então, peraí, o filho mais novo tem uma ligação com o cordeiro? Opa! Isso aí! É exatamente isso. O filho mais novo, então, na estrutura familiar, no papel que ele desempenha dentro da família, no conjunto da história, porque o irmão mais velho desprezou, foi indigno de ser primogênito, esse irmão mais novo assume um ônus que não era dele, se sacrifica, se imola, se torna cordeiro. Então, percebe como que os símbolos bíblicos são evocativos? Eu não estou dizendo para você que o Abel começou a ter lã, começou a fazer bé, não é isso, não é descritivo.

Eu não estou dizendo que ele se tornou cordeiro. Entende? Eu estou dizendo que, emocionalmente, o filho mais novo com o seu destino familiar evoca em nós o sentimento que nós temos pelo cordeiro. Então, vincula, se liga, fica junto o símbolo. O filho mais novo, rejeitado, o filho mais velho, indigno da primogênitura, vende a primogênitura. E, esta história gerou até um livro do Machado de Assis chamado Exaú e Jacó, Exaú e Jacó, que é a mesma história. Exaú, o filho mais velho, primogênito, Jacó, o filho mais novo. Exaú vende a primogênitura por um cozido de carne, porque ele era guloso.

Então, é claro que aqui é uma história, está compondo. O problema do Exaú não era a gula, o problema do Exaú era o problema do Caim. Ele era o filho mais velho, ele tinha a função de cuidar da família e ele se mostra indigno, indigno. Ele está na linha sucessória de Isaac, está na linha sucessória de Isaac, mas ele não se comporta como um filho digno e ele, então, perde a primogênitura para Jacó. Então, vai ficar este jogo aqui do mais novo, mais velho, mais novo, mais velho, um símbolo que vai e esta história de irmãos, o mais novo, mais velho, vai se perpetuar, esta história vai ficar gravada.

Depois, nós vamos ter isto lá na frente com Jacó. Você vai ver que a história vai se reproduzindo, vai se reproduzindo. É interessante você estudar a família dos patriarcas, porque o problema da família é um, começou aqui com Adão e Eva, é um problema só e este problema vai se repetindo ao longo das famílias. Com a gente também, uma espécie de constelação familiar. O problema vai sendo reproduzido pelas gerações posteriores, inconscientemente reproduzido. Os padrões vão sendo reproduzidos inconscientemente, inconscientemente.

Uma história profunda isto aqui, mas o importante é que o destino dos irmãos fica, agora, vinculado ao destino do cordeiro. Vinculou dois termos. E esta história vai progredindo, ela vai crescendo, ela vai crescendo, ela vai crescendo e culmina numa história e aí isto vai ser dito para a gente, assim, com todas as letras. Jesus, o cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo. Aí haverá a identificação total do papel de Jesus como filho, aqui nesta família. Ele, mais novo em relação aos fariseus, em relação à estrutura hebraica que ele encontra, ele é o novo, o velho e o novo.

E o novo se mola para que o velho seja transformado. Aí, isto evoca o que? O papel do cordeiro lá no rebanho, na família pobre, de alimentá-la, de dar a sua vida para salvar a vida da família. É um símbolo que está aí, na simplicidade do pastor. Acontece que, cuidado, porque isto aqui não é matemática. Então, o que os autores fazem? Eles brincam com símbolos e misturam, porque misturam. Qual é o problema? Misturam. Ele quer evocar, o símbolo ele só evoca, ele não descreve, então ele não tem compromisso. O símbolo ele evoca, então eu posso misturar cem símbolos se eu quero despertar em você cem sentimentos.

Bom, noventa símbolos, porque eu quero despertar em você noventa sentimentos diferentes. Então, aqui mistura os símbolos. Jesus, ao mesmo tempo que ele é o cordeiro, ele é o pastor, ao mesmo tempo que ele é o pastor da ovelha, que ele é o cordeiro, ele é a porta do lugar onde as ovelhas ficam guardadas. É curioso, não é? Ele é o cordeiro, o lugar onde os cordeiros ficam, o pastor, mistura tudo. Mas, é por quê? Porque está evocando símbolos, está trazendo um universo para que a gente sinta o que está acontecendo. Qual é a missão do Cristo, o que ele desempenhou ali, qual é a característica essencial da sua missão?

Emular-se e, aqui, o que vai acontecer? Quando ele tem esse diálogo, por exemplo, Jesus tem esse diálogo com os fariseus, ele está conversando com os mais velhos. E, o que esses mais velhos vão fazer? Vão assassiná-lo, vão levá-lo para a crucificação, vão matar o irmão que eles tinham que cuidar. Percebe? Então, o novo chega ao invés do mais velho cuidar, ajudar, amparar, ele mata por inveja, por ciúme. Eu tenho certeza que você já viu isso na sua casa espírita. Tenho certeza que essa história se repete com outros nomes, em outras estruturas, mas é a mesma história, a mesma história.

O velho, com a função de acolher, de proteger, de orientar a geração nova, ele não faz isso. Por inveja e por ciúme, ele mata ao invés de acolher, amparar e cuidar. Voltou para a história. Voltou para a história. E, a história vai se repetindo, vai se repetindo incessantemente. Por quê? Porque a nossa genealogia psíquica e espiritual é Caim. Nosso teor psíquico e espiritual é Caim. É uma geração de Caim. Caim legisla em nosso mundo interior. Como diz Emmanuel, essa é uma expressão de Emmanuel, legisla em nosso mundo interior o homem velho.

O homem velho. E, aí, a gente já entende por que de homem velho, homem novo. Pode substituir irmão mais velho, irmão mais novo. É a mesma coisa, o velho novo. Então, vemos que os símbolos vão se juntando vão se mesclando. O mais relevante, então, o ponto essencial da vinda de um Cristo ao orbe é o grau de sacrifício feito por Ele. Em todos os níveis, em todos os níveis, ter sido crucificado não é o maior sacrifício, porque, para um Cristo, uma morte heróica não é o maior sacrifício. Há sacrifícios mais profundos por trás do sacrifício do Cristo.

Por exemplo, ingratidão, incompreensão, a falta de amizade a não correspondência em nenhum nível não foi correspondido. Vem com toda generosidade, com todo o amor, dá tudo, mas não recebe. Não há reciprocidade, não há sequer reconhecimento. E, Ele deixou as esferas celestes para vir o nosso convívio. E, molou-se um cordeiro que tira que, com esse ato, com essa demonstração de renúncia, a palavra aqui é renúncia, não tem outra. Por isso que tem um romance lá do Emmanuel chamado Renúncia. Essa é a palavra que resume o Evangelho.

Renúncia. E, essa palavra renúncia é a cura. Do grande erro. O pecado é o erro trágico. O pecado é aquele erro, vamos sair dessa história de religião, de teologia, o pecado é o erro principal da história. Toda a história acontece por causa desse erro. Então, pensa aqui em Caim, Abel e tudo mais que acontece. O erro que foi Caim matar Abel é o pecado. Esse é o erro principal. É esse erro trágico que faz toda a história girar. O roteiro se desenvolve a partir desse erro. Ele é o elemento de start, ele é o elemento que dá origem ao desenrolar da história.

Esse erro, que é chamado de Ramartia ou erro trágico, como nas tragédias gregas, o erro principal, o erro que vai gerar toda a história, o erro que desvenda toda a história, o erro que é a explicação de toda a história, é o ponto principal do roteiro, esse erro tem causas, tem origens, tem uma etiologia. Então, aqui no caso de Caim, esse erro, por que ele o matou? Responde na hora, inveja, ciúme. Mas, por que ele tem inveja e ciúme? Aí, você vai voltando, vai voltando, vai voltando e você vai chegar em uma fonte. Orgulho e egoísmo.

Orgulho e egoísmo. Esse é o pecado original, é o erro original. Essa é a mancha que está no psiquismo de todos os encarnados do planeta Terra. Orgulho e egoísmo. Qual o remédio que cura isso? Qual o remédio que cura isso? A vida do Cristo. Não é a vinda do Cristo, não. A vida, a vida, como Ele viveu. E a vida dEle se resume em uma palavra, renúncia. Porque a renúncia é feita de amor, de entrega, de dedicação, de caridade, de desprendimento, de tudo contrário ao orgulho e ao egoísmo. Então, é o remédio. Por isso, Ele é o cordeiro que tira o pecado, o erro do mundo.

Qual o erro? O orgulho e o egoísmo. Ele desativa. Porque, se Caim não fosse orgulhoso e egoísta, ele não se encheria de ciúme e de inveja. Se ele não tivesse se enchido de ciúme e de inveja, ele não teria assassinado seu irmão. Fecha aqui o círculo, sem mágica. Não tem mágica. Ah, o cordeiro foi emolado, Jesus morreu na cruz, então todos estão salvos, como se fosse uma coisa mágica, como se fosse Harry Potter, pegou a varinha assim, pronto, a mágica se fez. Não, não é a mágica que se fez, é o remédio. Esse remédio só funciona se você tomá-lo.

Então, está lá o remédio. O remédio se chama renúncia. Porque ela está ancorada no amor, na caridade, na entrega, na doação e são esses os elementos que vão desativar o orgulho e o egoísmo, as chagas da humanidade. Caim se alimenta de orgulho e de egoísmo. Enquanto houver orgulho e egoísmo, haverá Caim em mim, em você, no mundo. Por isso, o trabalho não é um trabalho pequeno. O trabalho é gigantesco, ele é enorme e todo o resto da Bíblia, a partir daqui, tudo mais vai contar a história da cura ou, ao menos, da busca da cura.

Com isso, nós encerramos, aqui, este episódio e esperamos você no nosso próximo episódio do estudo do livro Gênesis. Um abraço a todos e até o próximo episódio. O midrash, então, é essa técnica que permite que você identifique um elemento, no caso, aqui, o cordeiro. Este é o elemento que nós estamos investigando, lembra? O cordeiro. Nós estamos em busca do significado da palavra cordeiro.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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