Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda a análise do capítulo 3 do Livro de Gênesis, focando nas consequências impostas à serpente após a transgressão no Éden. O estudo revisita a simbologia da serpente, Eva e Adão, não apenas como figuras humanas, mas como representações de posturas psíquicas diante da evolução espiritual e da lei divina.
O que é estudado neste episódio
- Revisão da simbologia da serpente, Eva e Adão: Haroldo reitera que essas figuras representam posturas psíquicas que habitam em cada um de nós. A serpente simboliza a rebeldia consciente e calculada contra os planos divinos; Eva, a fragilidade humana decorrente do egoísmo e orgulho que a leva a aceitar o projeto da serpente; e Adão, a indiferença e a falta de discernimento que o tornam instrumento do mal.
- As consequências impostas à serpente: A principal consequência é a delimitação de sua ação, simbolizada por “arrastar-se no chão”. Isso significa que a ação da serpente é sempre material, marcada pelo interesse pessoal e pela busca de benefício próprio ou de um pequeno grupo, em detrimento do bem comum.
- A materialidade da serpente: A serpente rasteja com o ventre na terra, o que, na tradição hebraica, onde o ventre é a sede da alma, indica que seus interesses e emoções estão centralizados no que é material e perecível. Isso gera instabilidade emocional e desespero, pois tudo o que é material está sujeito à degradação.
- A serpente ataca o calcanhar: A simbologia de a serpente atacar o calcanhar (a base, os anseios e desejos terrenos) é explorada, conectando-a ao episódio de Jesus lavando os pés dos apóstolos na Última Ceia. Jesus purifica os pés para afastar a influência da serpente, que busca desviar os indivíduos para discussões de poder e vaidade.
- O significado de “adversário” (Satanás/Diabo): Haroldo esclarece que “Satanás” em hebraico e “Diabolos” em grego significam “adversário”. Assim, qualquer pensamento, palavra ou ação que se oponha à lei divina é diabólica ou satânica. O mal não é uma entidade externa, mas uma postura psíquica que reside em nós mesmos.
- Crivos para identificar a “serpente”: São apresentados três critérios para discernir a influência da serpente em propostas ou situações: a presença de vícios (hábitos que dominam a vontade), imperfeições morais (egoísmo, orgulho, vaidade, violência) e interesse pessoal (benefício próprio ou de um pequeno grupo em detrimento do bem comum).
Reflexões
- O mal é uma postura psíquica, não uma pessoa ou entidade externa. Ele se manifesta em nossos vícios, imperfeições morais e no interesse pessoal que se opõe ao bem comum.
- A verdadeira espiritualidade reside no equilíbrio entre o cuidado com o corpo e com o espírito, evitando tanto a materialização excessiva quanto a negligência das necessidades físicas.
- A vigilância sobre nossos próprios pensamentos e ações é fundamental, pois o “Diabo mais difícil que existe é o Diabo que vive em mim”, ou seja, as tendências egoístas e orgulhosas que precisamos esmagar sob nossos pés.
Ler transcrição do episódio
Música Olá, amigos! Estamos aqui para mais um episódio do nosso estudo do livro Gênesis, de Moisés. Você que tenha acompanhado, vai notar que no episódio anterior, nós encerramos exatamente na fala simbólica do Velho Testamento, em que Deus estabelece as consequências dos atos ou as consequências dos projetos adotados por cada uma das personalidades aqui envolvidas no capítulo 3 de Gênesis. Falamos um pouco sobre a serpente, sobre Eva, sobre Adão. É bom sempre revisar esse tema, porque não podemos interpretar serpente, Eva e Adão apenas como figuras humanas, porque eles têm uma amplitude maior.
Serpente, Adão e Eva representam também posturas psíquicas perante a evolução espiritual e, portanto, estão dentro de cada um de nós esses três elementos. Eles se expressam fora, nas pessoas, nas comunidades, ao ponto de nós termos comunidades inteiras que representam a serpente, comunidades inteiras que representam Eva ou representam Adão, mas podemos identificar também dentro de nós essas tendências espirituais, porque serpente, Eva e Adão dizem respeito a uma postura perante Deus. A serpente é uma postura de rebeldia consciente, calculada, uma rebeldia intencional, maldosa, em que eu me oponho deliberadamente aos planos da divindade.
Eva, que é uma postura equivocada, mas estruturada na vaidade, no orgulho, no egoísmo, na prepotência, na vontade de se sobrepor, mas não de uma maneira tão consciente a ponto de representar uma oposição intensa a Deus ou as leis divinas. A Eva fica naquele que é mais a fragilidade humana, fruto do egoísmo e do orgulho, do que propriamente a maldade calculada. Mas, em virtude dessa invigilância, em virtude dessas sementes de fragilidade, ela se conecta com a serpente e ela acaba adotando integralmente o projeto da serpente e responde, nós vamos ver aqui, cada uma que responde no grau da sua culpabilidade.
O fato é o mesmo, o projeto da serpente foi aceito e o projeto divino que era um ser humano, a imagem e semelhança do Criador, um ser humano que irradiasse o divino sobre a Terra, esse projeto foi rechaçado. Ele foi recusado. Mas, cada qual aqui vai responder no grau da sua culpa, no grau da sua responsabilidade. A serpente responde de um modo mais intenso, porque o grau de culpabilidade dela é muito maior. Ela não só elaborou esse projeto, como ela divulgou e faz de tudo para implementar esse projeto. Eva absorve, por conta dessa fragilidade, e Adão representa aqui aquela postura psíquica da indiferença.
Da indiferença. A pessoa que não se cuida o suficiente, ela segue porque os outros estão seguindo, porque é a tendência, porque as coisas funcionam assim, ele age meio sem convicção, mas acaba se tornando um instrumento do mal por conta de uma falta de firmeza, de um falta de discernimento e de clareza. Discernimento e vontade. Adão é o acomodado, ele segue os padrões da massa. A gente encontra isso hoje no tempo que nós estamos vivendo, nas situações no Brasil, no mundo, como que esses grupos vão ficando claros para nós, diante de todos os fatos da transição planetária.
Esses grupos vão se definindo. Então, como a gente comentava, falamos sobre a consequência imposta à serpente e, basicamente, qual é a consequência imposta à serpente? É A delimitação, é como se a providência divina cercasse os efeitos do mal. O mal é uma perturbação humana, provisória e limitada na harmonia divina, que é divina, ilimitada e perfeita. Portanto, o mal é diante do absoluto de Deus, o mal relativo é o nada, é o nada para Deus. Mas, para quem gera o mal, é tudo, é tudo, porque ele vai definir as consequências e os próximos passos evolutivos da criatura que engendrou o mal.
O mal é previsível. Porque ele é fruto do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da rebeldia, da falta de discernimento, da falta de vigilância. Então, ele é previsível, é previsível. Como uma professora do primário prevê que a criancinha que está aprendendo a escrever não vai escrever errado. Ou que, no meio daquele grupo de crianças, há uma que é rebelde que sequer quer escrever e quer aprender. Então, isso é previsível, isso é esperado. Por isso, Jesus diz, é necessário que o escândalo venha. Ele faz parte do contexto, mas, há e daqui ele.
Por quem vem o escândalo? Porque a justiça divina impõe consequências a todos os atos, pensamentos, atitudes e palavras. Tudo tem uma consequência. Uma consequência da serpente foi uma limitação. Ela passa a se arrastar no chão. Então, isso limita vibracionalmente, vamos dizer assim, ou espiritualmente, a ação da serpente. A ação da serpente é sempre material, é sempre materializada. E, essa é uma característica que nos ajuda a discernir quando uma proposta, seja uma proposta econômica, política, social, individual, ou mesmo uma proposta de trabalho dentro de uma casa espírita, como que a gente identifica se isso vem da serpente?
Pelo grau de materialidade, pelo grau de interesse pessoal. Então, quanto mais a proposta está marcada pelo interesse pessoal de uma pessoa ou de um pequeno grupo, olha que interessante isso, porque a serpente age sempre no interesse dela, nunca no interesse coletivo. A serpente não trabalha para o bem comum, ela trabalha para ela e para o grupo dela. Isso é importante a gente perceber, para saber quanto a gente está deixando em nós, não é para apontar o dedo para ninguém, para em nós. Quando que eu estou agindo como a serpente?
Quando eu estou pensando só em mim ou no meu grupo? Quando eu perdi a referência do bem comum? Quando eu deixo de fazer aquela pergunta será bom para todos? Isso é o melhor para todos nós? Para mim e para todos? Quando eu abandono essa pergunta e eu apenas me pergunto assim, isso é bom para mim ou para o meu grupo? Para o grupo que me apoia? Essa é a questão. Então, a serpente passa a arrastar-se no ventre. É curioso esse simbolismo, porque o ventre, na tradição hebraica, o estômago, é a sede da alma. Olha que curioso!
Para nós, para os brasileiros, ocidentais, a sede da alma é onde? Aqui, no cérebro. É tanto que a gente identifica vida com o cérebro. Então, se parar o cérebro, todos os órgãos que estarem funcionando, morrem. É morte. Está morto. Porque a gente identifica a sede da vida com o cérebro. E, claro, isso corresponde ao avanço da ciência. Claro, não estamos aqui questionando isso. Mas, recuemos a quatro mil anos atrás. Para essa sociedade aqui, a sede da alma está no ventre. Mas, eles não deixam de ter uma certa razão.
Não é que eles tenham razão biológica, é claro que não. A sede da nossa alma não está aqui no estômago e no ventre. É claro. Mas, vamos pensar do ponto de vista emocional. Quando você está descendo uma montanha russa, não dá aquele frio na barriga. Quando você sente medo, dá um frio na barriga. Então, a nossa primeira reação, a nossa reação mais primária, mais instintiva, mexe com o ventre, mexe com o estômago. Tanto que a gente fala assim, nossa, minha barriga até doeu de tanto rir. Então, essas emoções muito básicas, elas vêm do ventre.
O que está acontecendo aqui com a serpente? Onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração. A serpente centralizou os seus interesses na terra, na Adama, na terra vermelha, no barro, no pó, naquilo que é peredecido. E, aí, o que vai acontecer? Ela vai se arrastar sobre a terra. Significa que todas as suas emoções, toda a sua vida, todos os seus anseios, todos os seus sonhos desse grupo aqui, dessa postura da serpente, passam a ficar vinculados aos destinos do que é material, do que é forma. Aí, o que acontece?
Como a forma está sujeita à degradação, à morte, à desagregação, emocionalmente, a criatura que se identifica com essa proposta da serpente, ela está sempre instável. Ela vai criar um grau de insegurança máxima, um grau de desespero, porque toda a sua alma está identificada com o que é material. Como tudo que é material caminha para acabar, há até uma lei da física, a segunda lei da termodinâmica. A matéria caminha para desorganização, para perda de calor, desorganização, entropia. Então, a gente consegue identificar isso na sociedade, hoje, do mundo em transição.
A sociedade atual é uma sociedade profundamente identificada com a serpente. Isso significa pessoas extremamente materialistas, extremamente apegadas aos sentidos físicos, pessoas que não têm nenhuma prática de espiritualidade, de religiosidade, nenhum padrão de referência espiritual. Então, tudo é o físico. Aí, o que acontece? Qualquer oscilação na vida física, porque a vida física é um oceano de oscilações, não tem nada estável na matéria, nada. Pessoas morrem, é assim, essa é a vida material, essa é a vida material.
Por mais que a gente evite encarar essas questões, mas, imagine, todo encarnado vai desencarnar. É duro para a gente pensar sobre isso, é duro pensar, você olhar para as pessoas que você ama, que estão encarnadas, e começar a se acostumar ao fato de que elas vão desencarnar. É a lei material incluindo nós mesmos. Então, isso, se a referência da criatura, se o seu centro emocional está focado na matéria, isso é motivo de desespero. E, quando ocorre o fato, a pessoa perde a referência, ela perde a base. É muito sério isso.
Então, essa consequência que foi colocada para a serpente, rastejar com o ventre na matéria, na terra, de certo modo, explica o sofrimento gigante que os seres humanos, hoje, estão apresentando. Se identificaram tanto com os sentidos, se identificaram tanto com o mundo material, que perderam valores, perderam princípios, perderam a honra, a dignidade, para se entregarem aos sentidos. E, então, quando ocorre o processo de mudança que é inerente, que é vinculado à forma, à matéria, essas criaturas entram em um período de profunda instabilidade emocional.
Instabilidade emocional. E, a reação delas é o ataque. Atacar. Mas, atacar aonde? Isso que é o ponto. A serpente rastreja. A serpente não ataca na cabeça. A serpente ataca no calcanhar. Porque, é até onde ela dá conta de a serpente só vai até o calcanhar. É bonito isso aqui, porque vamos pular, pular para o Evangelho. Quando Jesus, na última ceia, percebe, na última ceia, ele entra, percebe que os apóstolos estavam discutindo. Qual que era o objeto da discussão? Qual deles era o melhor e o maior? Que tipo de discussão é essa?
Que tipo de discussão? Essa é a típica discussão da serpente. Querem ver? Vamos voltar lá no capítulo 3. Olha aqui. A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher Então, Deus disse, vós não podeis comer de todas as árvores do jardim? A mulher respondeu à serpente, nós podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse, dele não comereis, nele não tocareis sob pena de morto, senão morrereis. A serpente disse então à mulher, não, não morrereis.
Mas, Deus sabe que no dia em que dele comeres, vossos olhos se abrirão e sereis vós como deuses versados no bem e no mal. Qual que é a discussão aqui? Não, não fica aqui, Deus está te dizendo isso para que você seja pequeno, mas você tem que ser grande, você tem que ser Deus, como os deuses. Tocou onde? Tocou no orgulho, na vaidade, no orgulho, na vaidade, no egoísmo. Levou uma questão que era de princípio geral para uma questão pessoal, se tornou uma questão pessoal, como se Deus estabelecesse as suas leis para nos aborrecer individualmente.
Não, Deus estabelece as suas leis para o bem comum. Ele não está pensando em um indivíduo em particular, nem em um tempo particular, porque as leis divinas são eternas. Elas têm em vista a eternidade de todos os seres da criação, não um em particular. Deus não faz leis para chatear uma pessoa. Olha aqui, então, essa discussão foi a que aconteceu na última ceia. Então, o que aconteceu com os apóstolos? Eles estavam de novo aderindo ao projeto da serpente. Quem é o maior? É a discussão, quem é o melhor? Quem é o melhor?
Quem é o maior? Eu sou melhor que você, você é pior do que eu. Isso é serpente. E a serpente, onde que ela atinge? Onde que ela atinge? Está aqui, olha, ela atinge o calcanhar, o pé, a base. Aí, o que Jesus faz? Quando percebe que a serpente está entrando no colégio apostólico, porque ela já tinha mordido um, já tinha mordido Judas, a serpente já tinha conquistado Judas. A serpente que a gente fala aqui, simbolicamente, vocês entenderam, a proposta psíquica, quer dizer, Judas tinha caído no padrão psíquico da serpente.
E, aí, a serpente já estava querendo pegar todos os apóstolos que estavam discutindo que ele era o melhor. Aí, o que Jesus faz? A serpente ataca a cabeça? Não, porque a serpente arrasteja. Onde que ela ataca? Ataca o pé. Aí, Jesus faz o que? Lava os pés. Singe-se como escravo e lava o pé. Aí, Simão fala assim, oh, você não vai me lavar. Olha que interessante, você não vai me lavar. Jesus fala, se eu não te lavar, você não tem parte comigo, você tem parte com a serpente. Se eu não te limpar, você está aderindo ao projeto da serpente, eu tenho que te limpar, eu tenho que te purificar.
Aí, fala, nossa, Mércia, entendi. Então, lava tudo, lava a cabeça. Jesus fala, não, Pedro, cabeça não precisa, porque serpente só ataca pé. Se eu te lavar o pé, você está todo limpo. Basta lavar seus pés. O Hebrão comenta esse texto e ele vai dizer assim, os pés são a base da vida, a base da vida. É onde você se apoia, onde você se sustenta. Então, não é pé físico, é pé no sentido de onde está o teu desejo? Quais são os seus anseios? O que você quer da vida? Essa é a pergunta. Seus desejos estão onde? Na terra? Seus pés estão onde?
Cheios de poeira? Aí, a serpente vem e ataca, porque esse é o terreno dela. Esse é o domínio dela. Por isso, Jesus fala, entrando numa casa, diga, desça a vossa paz. Se a casa não receber a sua paz, pegue a sua paz de volta, não perde a paz, mas sacode a poeira dos seus pés. Sacudir a poeira dos pés por quê? Porque a serpente vai lá. Se o pé estiver cheio de poeira, é o alimento dela, o ventre dela arrasta no pó, ou seja, ela se alimenta de material terreno. Se as suas emoções, os seus sentimentos, os seus desejos estão focados no que é material, você é presa fácil da serpente.
Presa fácil. Emmanuel tem uma expressão que é muito interessante. Ele diz assim, Mas, para os que estão afogados na carne, olha que coisa, afogados na carne, porque nós, para evoluir, mergulhamos na carne. Mergulhar é uma coisa, o mergulhador, ele vai até um ponto, ele sabe que dali ele se descer, ele não pode mais, que ele morre, ele volta, respira, mergulha de novo. E quem afoga? Quem afoga mergulha e fica, morre na carne. Quer dizer que está vivo biologicamente, mas espiritualmente ele está morto na matéria, morto nos interesses corporais, nos interesses temporais, da forma.
Essa é a feliz expressão de Emmanuel, afogados na carne. Quem está afogado na carne é escravo da serpente. Então, ela atinge o calcanhar. E há uma inimizade aqui quando falamos de inimizade, a gente precisa tirar o espírito da letra, porque a linguagem hebraica era uma linguagem pobre, não é igual a língua portuguesa, rica em adjetivos, adverbios, substantivos, abstratos, não. A língua hebraica pouca coisa, vocabulário pequeno, termos concretos, então a gente precisa adaptar, porque a língua não tem aquela riqueza de nuances.
Então, inimizade significa o que? O projeto da serpente é adversário do projeto divino. Adversário em que sentido? Eles não se harmonizam, eles se chocam. Se chocam, por quê? Eu tenho aqui o universo, o projeto divino visa o bem de todos, o projeto da serpente visa o bem só dela. Como é que pode conciliar isso? Não tem como conciliar. É inconciliável, inconciliável, porque esse projeto aqui é o meu bem, ainda que o mal para todo mundo. Não tem como. O projeto divino é o bem para todo mundo. Como é que a lei divina vai admitir mal para os outros e bem só para um?
Então, ela privilegiaria algumas pessoas em detrimento de outras? Não pode. Isso não pode ocorrer. Uma coisa é alguém receber instrumentos que, às vezes, a gente interpreta como privilégio. Tem que tomar cuidado com isso. Às vezes, a providência divina dá instrumentos para a pessoa, como na parábola dos talentos. Teve um que recebeu cinco talentos, não é privilégio. E, o outro recebeu um talento. Mas, o que a gente percebeu? Aquele que recebeu um não fez nada com ele, não soube utilizar. Então, vai receber menos ainda.
E, aquele que recebeu os recursos e atuou no bem, vai receber mais, porque quanto mais nós agimos no bem, mais recursos nós recebemos para agir no bem. Eu não estou falando de recurso material. Recursos espirituais, inspiração, amparo, apoio, orientação e tudo mais. Isso não é privilégio, isso é instrumento. Instrumento. No entanto, se quem recebeu começa a utilizar para o interesse pessoal, aí ele é retirado. Porque a lei divina não cria privilégios para ninguém. Não há privilegiados. Todos respondemos de modo igual.
De modo igual. Há um minimizado, os projetos são adversários. Isso é muito importante. Isso é muito importante, porque a serpente tem outros nomes e esses nomes confundem muitas pessoas. A nós todos. As pessoas, eu estou muito lindo, confundem-nos muito. Porque nós somos criados, ao longo de séculos, numa tradição religiosa, acreditando, de uma maneira ingênua, que existe uma pessoa responsável pelo mal no Universo inteiro. Pensa nisso. Então, você pensa na Via Láctea, bilhões de sistemas solares e uma pessoa responsável pelo mal na Via Láctea inteira.
Só que não tem só a Via Láctea, tem bilhões de galáxias. Então, tem uma pessoa responsável pelo mal nessas bilhões de galáxias. Faz sentido isso? Faz sentido? Faz sentido imaginar uma pessoa responsável por todo o mal do planeta Terra? Será? Faz sentido? Então, temos que tomar cuidado aqui e a doutrina espírita nos esclarece. O mal é uma postura psíquica, não é uma pessoa. Não é uma pessoa. São várias. Somos nós mesmos. E, a serpente vai receber um nome, porque o projeto da serpente não é um projeto adversário do projeto de Deus.
Ela não quer exatamente o contrário do que Deus quer. É adversário, no sentido de contrário. Como que é adversário em hebraico? Então, vamos fazer um… não se assuste com isso. O seu time de futebol, não sei qual é, vai jogar com o adversário. Como é que você diz isso em hebraico? Meu time vai jogar com o adversário. Quem que é o adversário? Satanás. Gostou, não é? Pois é, então você vai chamar o seu time adversário de Satanás. Satanás é o adversário. É o adversário. E, em grego? Como é que é adversário em grego? Diabolos.
Passa para o latim e vira como? Diabo. Então, Diabo, Diabolos, Satanás é adversário. Tudo que for adversário do projeto divino é Diabo. Então, se eu estou aqui em casa, eu acabo de tomar o café e aí eu tenho um sentimento que é contrário à lei divina, eu estou tendo um sentimento diabólico, satânico. Parece duro dizer isso, não é? É porque a gente imagina o Satanás, o Diabo, geralmente é assim. Ele tem um pé de de boi, um rabo, um chifre. A gente pega alguns animais, mistura e tem o imaginário do Diabo, do Satanás.
E, ele está fora, não sou eu. Então, fica difícil para a gente, mas é assim. Quando eu falo alguma coisa que é contrária à lei divina, por exemplo, quando eu uso a minha palavra para humilhar alguém, a minha palavra foi satânica, foi uma palavra diabólica. Quando eu ajo em detrimento do bem comum, apenas em favor do meu interesse pessoal, a minha ação é diabólica, satânica. É isso, olha que coisa! Ou seja, o Diabo está no nosso pé, literalmente. Ele não está lá fora. Ele tem que ser esmagado pelos nossos pés. Então, eu não vou combater o mal que está lá.
O mal mais difícil de combater é o que está dentro de mim. O Diabo mais difícil que existe é o Diabo que vive em mim. Olha que profundo isso aqui! Muito profundo! Então, ele é o adversário, o grande adversário. Ele pode ser uma filosofia, pode ser uma teologia. Olha, o Diabo pode ser um religioso, alguém religioso que, em nome da religião, só pratica coisas contrárias à lei divina. Então, o Diabo pode ser um espírita. Olha que coisa isso! Pode ser um espírita. Se ele começa a agir, falar, se comportar e ensinar o que é contrário à lei divina, ele é um Diabo, um Satanás.
É sério isso! Traz a responsabilidade para a gente, não para ninguém. Apontar a dedo para ninguém. Eu tenho que ficar vigilante comigo. Como é que eu identifico isso? Eu identifico da seguinte maneira. Eu tenho um corpo que é material, tem cinco sentidos, mas eu tenho um espírito, eu tenho um emocional, um psíquico. Se eu direciono minhas emoções, meus desejos, meus anseios apenas para atender meu corpo, eu estou entrando na faixa de sintonia do Diabo. Apenas, não é que eu não tenha que atender o corpo. Não é isso!
A pessoa espiritualizada é a pessoa que atende o corpo e o espírito. Está lá no Evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo Sede de Perfeitos, no item intitulado O Homem no Mundo. O que é a criatura espiritualizada? Os Espíritos esclarecem. É aquele que cuida do corpo e cuida do espírito. Então, lá, os Espíritos orientam que existem dois tipos de violência. Aquele que só cuida do corpo é uma violência e aquele que só cuida do espírito é outra violência. O equilíbrio está em cuidar adequadamente dos interesses corporais e dos interesses espirituais.
Esse é o equilíbrio. Essa é a proposta. Mas, aqui, não. Aqui, a proposta da serpente é materializar a criatura, é torná-la cada vez mais grosseira, cada vez menos espiritual, cada vez mais distante da lei divina, cada vez mais distante das propostas divinas, puramente individualista, puramente egoísta, orgulhosa, prepotente, violenta. É isso. Essa é a proposta da serpente. Então, aqui, a gente identifica, são os elementos, para que a gente possa discernir, discernir, na seguinte ordem, isso está lá no Livro dos Espíritos, questões 926 e em diante.
Kardec pergunta aos Espíritos abstração feita olha que interessante isso dos vícios e dos defeitos qual é a marca da inferioridade dos Espíritos? Vamos tentar dizer isso aqui na linguagem simbólica do Velho Testamento. Abstração feita dos vícios e dos defeitos, qual é a marca da serpente? Olha que interessante. Abstração feita é porque se eu tenho vício, o que é o vício? O vício é algo, é um hábito, o vício é um hábito do qual eu não tenho mais controle, é ele que me controla. Eu relaxei a minha vontade, na verdade eu tenho controle, se eu acionar a minha vontade, eu paro.
Se eu colocar a minha vontade para funcionar, eu paro. Mas, eu relaxei a minha vontade, a minha vontade está embriagada, aí eu fico com aquele hábito e aquele hábito me domina. Eu não escolho mais, o hábito que toma conta de mim, é ele que manda em mim. Eu não tenho mais autodomínio, esse é o vício. Percebe que o vício ele é mais uma falta de vontade do que maldade. Olha que interessante isso. E, aí, a pessoa entra no vício e dali ela caminha para o mal, porque o vício é uma porta para tudo mais. Tem, também, os defeitos, as imperfeições morais.
As imperfeições morais são marcas da nossa inferioridade. Imperfeições morais, quer dizer, tudo que é contrário à caridade. Mas, tirando isso, tirando isso, tem mais uma coisa e, aí, a gente identifica, os Espíritos vão dizer, o interesse pessoal. Então, toda proposta que chega para a gente toda a proposta, nós podemos passá-la por esses três crios. Então, digamos que alguém chegue e diga assim, não, eu acho que para resolver esse problema do Brasil, nós temos que fazer isso. Aí, você passa pelos três crios. Essa proposta, tem algum elemento de vício nela?
Interessante isso. Porque, às vezes, o que vem como uma proposta nova na verdade, é um vício histórico, algo viciado. A pessoa está querendo que você entre em algo que você perca seu autodomínio e passe a ser escravo de práticas. É um vício. Tem algum conteúdo de imperfeição moral? Ou seja, tem humildade? Tem benevolência? Tem perdão? Tem bondade? Tem caridade? Ou não? Tem egoísmo? Tem orgulho? Tem vaidade? Tem violência? Então, são imperfeições morais. Se essa proposta está cheia de imperfeições morais, ela é a proposta da serpente ou, pelo menos, parcialmente da serpente.
Está misturado. Mas, tem um terceiro elemento, o interesse pessoal. Essa proposta atende ao bem comum ou ao interesse pessoal de uma pessoa ou um pequeno grupo? E, esses são os crivos. São os crivos para a gente detectar onde tem DNA de serpente, onde tem marca de serpente. E, aí, a gente consegue afastar. A gente consegue… Não, isso não está certo. Isso não está certo. Isso aí está misturado. Ou, essa proposta precisa ser melhorada, precisa ser depurada. Ela ainda não é a melhor, porque ela está marcada ou pelo vício, ou pela imperfeição moral ou pelo interesse pessoal, pelo interesse pessoal.
Essa, então, é a marca que a serpente deixa impressa. São os seus rastros, porque ela rasteja. Então, ela deixa marcas muito materiais. Não precisa inteligência muito grande. E, a gente sabe. Vem uma situação que você avalia e fala gente, isso não está legal. Aí, atende só fulano, não atende aqui. Você vê que é muito sinuosa a proposta. No próximo episódio, nós vamos falar das consequências que foram impostas a Eva. E, isso tem uma relação enorme com o Evangelho e com a vida de Jesus. Até o próximo episódio. Espero você.
Nenhuma animalidade natural. Nenhum animal.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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