#061 – Estudo do Velho Testamento – Livro Êxodo

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento à luz da Doutrina Espírita, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no simbolismo do incenso, um dos elementos do Lugar Santo do Tabernáculo, conforme descrito no livro do Êxodo.

O que é estudado neste episódio

  • Cultura Hebraica vs. Cultura Greco-Latina: Haroldo inicia o estudo diferenciando a cultura hebraica, focada em concretudes, da cultura greco-latina, que valoriza o pensamento abstrato e filosófico. Ele ressalta que, embora o Novo Testamento tenha sido escrito em grego, os autores pensavam de forma hebraica, o que exige uma nova perspectiva para a interpretação dos textos bíblicos.
  • A Concretude da Experiência Hebraica: O palestrante compartilha experiências pessoais no deserto (Mar Morto e Arábias) para ilustrar a concretude da vida e da fé do povo hebreu. O deserto, o sol, o vento, os animais e as plantas eram elementos tangíveis que moldavam sua compreensão do mundo e de Deus.
  • O Incenso como Símbolo do Abstrato e Espiritual: No contexto de um mundo tão concreto, o incenso, com sua fumaça perfumada que sobe, representa o que há de mais abstrato e sutil. Ele simboliza a transcendência, o espiritual, o que se eleva acima do denso e material.
  • O Fogo e o Vento como Símbolos do Espírito: O fogo, que aquece e queima, mas não pode ser pego, e o vento, cujos efeitos são sentidos mas que não pode ser visto, são apresentados como símbolos do Espírito e da vida na literatura bíblica, reforçando a ideia de elementos sutis e intangíveis.
  • O Incenso como “Entrada” para o Santo dos Santos: A fumaça do incenso que sobe é vista como uma “miniatura” ou uma “entrada” para o Santo dos Santos, o lugar do invisível, do divino, da coluna de fogo e da nuvem da glória (Shekinah), que representam a presença imaterial e incorpórea de Deus.
  • A Transitoriedade da Espiritualidade no Lugar Santo: Haroldo explica que todos os elementos do Lugar Santo (lâmpadas, pães, incenso) são provisórios e precisam ser constantemente renovados, simbolizando a natureza intermitente da nossa conexão com o divino. Em contraste, o Santo dos Santos é permanente e imutável.
  • Vigilância Moral e Evolução Espiritual: A necessidade de manter o incenso aceso e os pães frescos é comparada à vigilância moral constante que o ser humano precisa ter em seu processo evolutivo. Essa vigilância é fundamental para evitar tropeços e a geração de sofrimento.
  • A Forma dos Espíritos (O Livro dos Espíritos, Questão 88): O estudo conecta-se com a Doutrina Espírita ao abordar a questão 88 de O Livro dos Espíritos, que trata da forma dos Espíritos. A resposta dos Espíritos Superiores, que descreve o Espírito como uma “chama, um clarão, uma centelha etérea”, utiliza uma simbologia bíblica, reforçando a ideia de que o abstrato para nós pode ser compreendido através de imagens que remetem ao fogo e à luz.

Reflexões

  • A compreensão dos textos sagrados exige que nos despojemos de nossas lentes culturais e tentemos entender a perspectiva original dos povos que os produziram, especialmente a concretude da cultura hebraica.
  • O incenso, em sua simplicidade, é um poderoso símbolo da transcendência e da busca espiritual, representando a elevação do ser em direção ao divino, mesmo em um mundo material.
  • A vigilância constante sobre nossos atos e pensamentos, simbolizada pela manutenção dos elementos do Lugar Santo, é essencial para a nossa evolução moral e espiritual, preparando-nos para uma comunhão mais permanente com o Criador.

Ler transcrição do episódio

Boa tarde, Leonora. Boa tarde, amigos. A gente estava com um probleminha técnico que o Júlio estava tentando nos colocar ao vivo aqui e a gente não estava… a gente estava aguardando ele, né? E agora entramos sem aviso nenhum. Que coisa boa. Leonora, se você quiser cumprimentar aí, né? Tem gente que chegou cedo aí, né? Estou vendo aqui… A Viviane Lopes. Nossa querida Viviane. Todos muito bem-vindos a mais uma sexta-feira de estudo de ESDO à luz da doutrina espírita. Muita alegria estarmos todos juntos. A primeira, no meu celular, é a nossa querida Elísia, que sempre nos acompanha.

Elísia, um grande beijo. Depois temos a Delsa, a Sandra Morini, que está sempre conosco em todos os estudos. Sandra Morini. A Mônica Silva. A Noemi. Com muita gratidão ao Haroldo, ao Crio de Estudos do Ser. A Tânia Antiqueira, sempre conosco também. Marjorie. Alguém está aqui hoje pela primeira vez, gente? Coloca lá para a gente saber. Alguém que nunca acompanha online hoje conseguiu entrar. Toda semana a gente tem relatos, né? De amigos novos que estão ao vivo. Regina Evaldi. Maria Rita Jesus Santos, falando de Aparecida de Goiânia.

Goiás. Miguel Malvone. Boa tarde a todos. Boa tarde, Miguel. Nunca tinha visto o seu nomezinho por aqui. Atemis Leal, que está sempre conosco. Juliana Albuquerque. Deixa eu deixar rolar aqui para ver agora os últimos. A Elba Venâncio, dizendo que hoje está um pouquinho longe, que ela está na Itália, acompanhando o êxodo. Que legal, Elba. A Luciana da Conte. Está assistindo também lá de Londres, né? Luciana da Conte agora está com o rei. Rei Charles III. Desejamos um ótimo trabalho a ele, né? A Vanessa Eleutério, nossa amiga, sempre conosco, sustentando os estudos.

Ontem nos despedimos de 70 anos, né? Parece que a vida, ela sempre foi assim, né? Com a rainha. Eu, pelo menos, eu nasci, né? Com ela enreinado. Desconheço Londres sem a rainha Elizabeth, né? Exatamente, meu amor. Então aqui, a Márcia Lopes, a Lúcia, a Gisele, a Regi Madeira, os últimos amigos que estão dando boa tarde, desejando um ótimo estudo hoje, para nós. Que coisa boa, meu amor. Então hoje nós vamos avançar um pouquinho. Semana passada, a gente comentou sobre a questão do pão, do pão da vida, e falamos, passamos por tudo isso, né?

Hoje, eu gostaria de já começar, pelo menos, a tratar de um terceiro símbolo do lugar santo, que é o incenso que deveria permanecer aceso o tempo todo. E os sacerdotes se revezavam na manutenção daquele lugar santo, mantendo sempre o incenso aceso. E aqui é importante, a gente, antes da gente começar a comentar sobre o incenso, eu queria fazer uma introdução para a gente poder entender esse aspecto, uma introdução da cultura do povo hebreu e de características da língua hebraica. É muito importante a gente compreender que a cultura hebraica é uma cultura de concretudes, não é uma tradição de abstrações.

Isso é muito importante. Então, já se escreveu muito, comparando o espírito grego, a cultura grega, o pensamento grego, a produção intelectual e cultural grega com a produção intelectual dos hebreus, a cultura hebraica. E, Esse ponto ressalta, ressalta. É tanto que o Giovanni Reale, que tem aquela coleção História da Filosofia, sete volumes, o Giovanni Reale deixa muito claro na introdução do volume 1 que a filosofia nasce na Grécia. Outros povos pensaram, construíram teorias, construíram seu misticismo, sua espiritualidade, suas crenças religiosas, seus raciocínios, até matemática, um pouquinho de ciência, mas a filosofia, logo, o pensamento sistematizado, abstrato, crítico, é grego.

E não é o caso da cultura hebraica, não é o caso. Então, se a gente, e esse é um problema pra nós, porque nós somos herdeiros de uma cultura greco-latina, nós somos herdeiros, nós que eu digo Portugal, Brasil, a Europa como um todo, nós somos herdeiros do mundo greco-romano. E Roma bebe na fonte da Grécia o pensamento romano, é o pensamento grego. O que difere em Roma é a organização social, a organização política, a organização econômica, o avanço do Império Romano, mas o pensamento romano bebeu totalmente na fonte, é herdeiro do pensamento grego.

E, quando a gente começa a interpretar a Bíblia hebraica, chamada de Velho Testamento, ou os textos do cristianismo, os textos do Novo Testamento, nós sempre corremos um risco de acreditar que a origem, que a fonte desses textos é também uma cultura abstrata, filosófica, histórica, grega. E isso confunde ainda mais quando a gente pensa que, por exemplo, todos os textos do Novo Testamento foram escritos em grego, porque o grego era o inglês da época, era a língua universal. Como o cristianismo tinha essa pretensão de se espalhar, de ser universal, de se estender a todos os povos, ele precisava usar uma língua universal.

Não podia usar uma língua hebraica, senão ele ficaria inscrito na terra de Israel e nunca ia atingir os chamados gentios. Então, essa foi uma estratégia muito importante. Como é hoje? Como é hoje? Hoje, se você quiser publicar algum artigo de grande impacto, de grande relevância no mundo científico, você publica em grego. As grandes obras, os grandes best-sellers estão em grego. Isso é inglês, não é? Em grego hoje ninguém entende. Em grego é ótimo. Então, eu voltei tanto que eu fui lá para Grécia. Então, se você quiser publicar um artigo científico de grande impacto, precisa ser em inglês.

Precisa ser no inglês. Os grandes best-sellers são em inglês. As expressões do mundo econômico, as terminologias, o tanto de palavra que a gente usa, aqui mesmo no Brasil, tudo em inglês. Tudo em inglês. E a gente cada vez mais vai misturando isso tudo, por conta da universalidade da língua. E o fato é que, se você fala o inglês, você conversa em qualquer país do mundo. Em qualquer país do mundo você vai conseguir se virar, você vai conseguir se comunicar de um modo ou de outro. Então, assim era o grego. Mas, veja, o fato do Novo Testamento ter sido escrito em grego, o fato do Velho Testamento ter sido traduzido para o grego, não significa que os autores desses livros pensavam em grego.

Então, nós não estamos pensando aqui em abstrações. Então, é muito importante, muito importante, muito importante a gente viver essa experiência aqui. Eu me permito contar alguma coisa aqui autobiográfica, eu não gosto disso, mas eu acho que, Lúcia, porque foi uma experiência que eu tive, eu gostaria de contar duas grandes experiências que eu tive para entender esse mundo oriente, esse mundo do Oriente Médio, no qual se insere a nação de Israel, o povo hebreu. Então, a primeira experiência marcante para mim foi ficar, foi caminhar por duas horas e meia, três horas, no deserto do Mar Morto, no deserto ali das proximidades do Mar Morto.

Alguns quilômetros, próximo de Jericó, de Jerusalém, descendo de Jerusalém para Jericó, eu caminhei ali no deserto. E foi uma experiência muito importante, porque, primeiro, eu pude viver a experiência do silêncio do deserto. O deserto é um silêncio, é um silêncio que nem todo mundo está preparado para ele. Segundo, ver, andando pelas estradinhas, pastor de ovelha, ovelhas, aquele mundo que é um mundo bíblico. Olhar e ver ao longe o Rio Jordão, as colinas de Golã, o território, o relevo de Israel. Então, eu pude ter uma ideia muito nítida da concretude da experiência daquele povo.

É uma experiência concreta, é experiência com o sol, é experiência com o deserto, é experiência com o vento, é uma experiência com os animais daquela região, é uma experiência com as plantas daquela região, com aquele clima. É uma experiência muito concreta, muito concreta. Então, você está em contato com a natureza, com a natureza forte, com a natureza bruta. E, a outra experiência foi quando eu fui fazer um congresso espírita em Dubai, Abu Dhabi, e aí eu tive a oportunidade de ir para o deserto, agora não mais o deserto de Israel, mas o deserto de areia mesmo, o deserto das Arábias.

Uma é pedra e a outra areia, né? E aí também foi uma grande experiência, porque eu vi aqueles árabes chegam no final da tarde e eles vão para o deserto. Eles sentam, acendem fogueiras e ficam ali conversando, eles gostam do deserto. É uma experiência incrível também. Mas, vejam, mais uma vez, é uma experiência com o concreto, com aquilo que a natureza tem de mais forte, mais impiedoso. E é esse mundo concreto que produz o texto bíblico. Então, não dá para eu chegar no texto bíblico cheio de teoria, cheio de ideia, cheio de filosofia, eu acho meio…

Essa é uma grande crítica que se faz, que os alemães fizeram isso, se apropriaram do texto bíblico com aquele espírito herdeiro da Grécia. Então, tem muita teoria, muita teologia, muita coisa, e a gente perde esse contato com os símbolos concretos. Então, o que eu estou querendo dizer aqui? Num mundo, nesse mundo do território de Israel, das areias ardentes da Arábia, que Paulo visitava, nesse mundo concreto, a única coisa que tem de sutil é o vento que sopra e você não vê, o ar que refresca e você não vê, a fumaça, o fogo, que é um negócio estranho, que você não consegue pegar, mas, se você toca, ele te queima, é o que tem de abstrato.

E, por que eu estou dizendo isso? Para chegar no incenso. Então, o incenso é aquela coisa que está queimando, tem um foguinho ali, um pequeno fogo, uma fumaça e O cheiro. E o cheiro? Pensa, você naquele deserto, aquele povo ali no deserto, como é que você explica o cheiro? Não estou falando de explicação, não me venha com explicação científica. É, juro, conseguiu pegar. E o cheiro bom, né? O cheiro bom. Então, sem explicação científica de sensores no nariz, impulso elétrico, moléculas aromáticas, anéis de carbono, não, não, esse povo não conhecia isso.

Então, você via aquela fumaça subindo, aquele perfume, e aquilo era o que tinha de mais abstrato naquele deserto. Aquilo era o abstrato. Aquilo era o abstrato. Então, eu tenho o concreto, a rocha que eu pego, eu tenho a água que eu bebo, tenho o pão que eu como, o azeite, carne pouca, pouca carne, que ali de um rebanho não é assim, não é? Um peixe, ervas, tâmaras, não é? É aquilo, essas coisas concretas. E, de repente, vem uma fumaça perfumada, misturada com fogo. Esse é o abstrato. Abstrato. O fogo, o fogo passa a ser visto na literatura bíblica como um símbolo do Espírito.

Ele é forte, ele aquece, ele queima, mas ele não pode ser, você não pode pegá-lo. O Espírito, também, a vida, passa a ser vista como o vento. Você sente os efeitos do vento, mas você não enxerga, você não pega. Não é como a rocha, como a água, como a ovelha, como a lã, como a tâmara, como o azeite, como o pão. Então, eu estou. E, no caso do incenso, além daquele foguinho ali na haste do incenso, aquela fumaça e o aroma delicioso, o cheiro agradável. E, o que acontece com essa fumaça? Ela sobe, ela sobe. Eu estou assim, eu estou aqui, eu estou mexendo com o sensório de todo mundo que está ouvindo aqui, porque a gente precisa usar o sensório.

Estudo do Evangelho e da interpretação bíblica não é só uma atividade intelectual. É sensorial também, senão você não vai entender. Então, a água desce, a fruta cai, a ovelha tropeça, cai também. Está tudo descendo, tudo é concreto. E, de repente, tem algo que sobe. De repente, tem uma fumaça perfumada que sobe. Alguma coisa está subindo, está subindo para as alturas. Aquilo que é abstrato, uma fumaça, um cheiro que eu não consigo pegar. Você pega cheiro? Não pega. Então, você sente aquele perfume, você vê aquela fumaça, você vê o fogo, e aquilo está subindo.

Então, naquele mundo, qual a associação feita com o incenso? O incenso é o espiritual. O incenso é a transcendência. O incenso é quando eu deixo aquilo que é concreto, aquilo que é denso, aquilo que pesa, aquilo que sofre a força da gravidade e vou para uma outra realidade, para uma outra dimensão daquilo que sobe. De um perfume que sobe. O espiritual. Então, o incenso, representa isso. Porque, veja, o próximo passo é o santo dos santos. O santo dos santos é o lugar do invisível, do divino, da coluna de fogo, da nuvem da glória.

Lembra? A gente comentou isso aqui, não é? Existia uma coluna de fogo seguindo o tabernáculo. E essa coluna ficava no santo dos santos. Olha o fogo. Havia uma nuvem, uma nuvem da glória. Tudo abstrato, tudo que sobe. Quer dizer, dando a entender que Deus e o santo dos santos é imaterial, é incorpóreo. Imaterial e incorpóreo. É por isso que é proibido fazer imagem de Deus. Porque ele não tem forma. Ele não é incorpóreo, ele não é material. É proibido, na tradição judaica, representar Deus. Não pode. Não pode. Não pode nem pronunciar o nome.

Qual que é a mensagem? Ele é transcendente. Ele é incorpóreo, imaterial, infinito, ilimitado. Então, essa é a ideia. Mas, ele se faz presente, ele atua, ele age, ele conduz, ele se manifesta. Então, o incenso é uma miniatura, é uma entrada, é uma entrada que você serve preparando para o prato principal. O prato principal é a coluna de fogo, a nuvem da glória, a xerriná. O incenso é a entrada. O incenso é a entrada. Legal, não é? Leonardo, acho que avancei muito aí, não é? Vamos ver se tem alguma pergunta aí. Vamos ver se tem alguma pergunta da Vânia e Elias, não é?

Você achou uma pergunta? Como é que é, da Vânia? Acho que é a última, a penúltima aí, não é? Da Vânia e Elias, eu tenho assim, era abstrato em termos, porque era visível. Pois é, Vânia, eu vou explicar de novo. Em termos, para a gente. Em termos, para a gente, porque nós temos o abstrato. Eles não. Eles não. O abstrato, para eles, é a nuvem, a fumaça, é o fogo. Isso é o mais abstrato para eles. É tanto que você está estranhando. Nossa, mas o abstrato é a nuvem? O abstrato é o fogo? Eu estou vendo? Pois é. Era mais sutil, né?

Está vendo o estranhamento? Porque nós somos herdeiros de uma tradição grega e que o abstrato é a ideia. Que não é visível, não tem forma, não tem nada. Isso não existe na cultura hebraica. Isso não existe. Então, agora você expressou exatamente o estranhamento. Então, o fogo, o incenso, isso é o abstrato deles. Porque o concreto é rocha, é pedra, é areia, é água, é pão. Isso é o concreto. Agora entendi. Não tem invisível. Invisível é grega. Eu estou na fila aqui, Julio, para comentar também. Está na fila? Você está atrasado ou na minha frente?

Não, pode dar aí a boa tarde para o pessoal, já que você chegou atrasadinho. Não cheguei atrasado, não. Cheguei junto, só que não consegui entrar com a minha imagem maravilhosa aqui. Mas, então, Aruto, quando a gente fala, você estava falando, se eu estou entendendo, que é o fato de a gente analisar um texto que retrata um contexto de abstração diferente do contexto de abstração atual, do abstrato atual. Então, é um texto que a base, a origem dele vem de um tempo que, para aqueles viventes daquele período, os contemporâneos, abstrato eram coisas que para nós hoje são bem concretas, quase que a gente consegue imaginar mais como concretas.

Mas esses hebreus, nós estamos falando de que época, de que tempo? Porque o hebreu, a pergunta agora é do burrinho mesmo. Quando você fala de hebreu, quando é que a gente tem o hebreu ainda ou a gente não tem mais, porque a gente tem o grego, quando você pensa naquela população, naquele povo, o povo hebreu, como hebreu, eu nunca pensei sobre isso historicamente, quando é que isso começa e termina? Eu nunca pensei sobre isso. Hoje se fala em povo hebreu? Não fala, Júlio, porque a partir do ano 780 a.C., quando Nabucodonosor invade as tribos do norte, o povo hebreu perde a sua unidade de 12 tribos.

É como se tivesse uma invasão no Brasil e dos 27 estados, Deixassem de resistir. 17 estados fossem reunidos e Dominados por um império e Sobrassem apenas 10 estados. No caso dos hebreus, Foram invadidos, sobrou somente 2, a tribo de Judá e a tribo de Benjamim. Acabou, então, aquele povo das 10 tribos, foi levado cativo para Babilônia e o povo que ficou na terra passou a ser chamado de judeu, porque eram da tribo de Judá, cuja cidade principal é Jerusalém. E a tribo de Benjamim fica unida à tribo de Judá. Então, nesse momento, você deixa de ter o hebreu e passa a ter o judeu.

Como nós estamos em Êxodo, aqui tem povo hebreu, porque aqui eles estão peregrinando no deserto 12 tribos. 4 à frente do tabernáculo, 4 tribos atrás, 4 à esquerda, 4 à direita. 12 tribos. Mas é um pouquinho de história, não é? É, porque às vezes é importante para a gente se situar no aspecto de que… Claro, importantíssimo. Importantíssimo. É, porque você fala a comparação, né? Quando é que o sentimento… Se havia esse sentimento do povo hebreu como um povo, como uma nação. E depois, como é que fica o que era o povo hebreu, viram essas duas tribos que restam.

É bem interessante. Um dia a gente podia estudar um pouquinho de história com você sobre isso aí. Isso é bacana, né? Muito legal mesmo. Agora, aqui, a ideia do concreto e do abstrato é, mesmo para o povo grego contemporâneo dos judeus, mesmo para o povo grego, abstrato para eles era uma coisa totalmente diferente do que era abstrato para o povo de Israel. A Marta está perguntando se essa sua explicação é a diáspora. Uma delas, né? O povo vai viver várias, né? Várias. Começa aí, mas vai seguir até o ano 135 depois de Cristo.

Tem muitas diásporas. A Sandra também perguntou, interessante, algumas religiões usam o incenso como purificação para o espantar. Qual o sentido? E a outra amiga também fez alguma pergunta com relação ao incenso entre a Índia, né? Isso é muito utilizado. Aí é outro contexto. Aí é outra cultura. É outra perspectiva religiosa. É outro significado completamente diferente. Aqui, a gente está estudando o incenso, o incenso que está presente no lugar santo. O incenso do tabernáculo, o incenso do povo hebreu. Se a gente vai estudar o incenso na cultura, na tradição budista, budista da China, do Tibete, o budismo ou o hinduísmo da Índia, aí é outra coisa completamente diferente.

E mesmo o incenso em culturas indígenas, aí é outro significado. É outra coisa. Sai completamente do estudo de êxodo, né? E nem sei se interessa muito, né? Porque, eu digo, interessa muito para a compreensão do tabernáculo, tá? Todo estudo de cultura é maravilhoso e interessa, né? Eu estou querendo dizer para a compreensão do tabernáculo, a gente precisa entender o incenso na tradição do povo hebreu. Então, na tradição do povo hebreu, o incenso é uma miniatura da coluna de fogo e da xerriná, da nuvem da glória. É uma mostra, é uma mostrazinha, é uma prova.

Sabe? Quando alguém está fazendo ali uma comida gostosa, você fala assim, ó, dá uma provada. Aí você, hum, nossa, tá muito bom. E era essa a minha pergunta, porque quando a gente começou a falar sobre o incenso, eu fui ali em êxodo 30, né? Que é a parte de êxodo, o capítulo que vai falar sobre o incenso, sobre a confecção desse altar e tudo. E, na sequência, ele vai falar que Arão queimará o incenso sobre o altar todas as manhãs, quando vier cuidar as lâmpadas. A minha pergunta era isso. É um ofício do sacerdote, né?

Quando você fala que é um experimento, é quase assim, o homem experimentando está em comunhão com, né, com Deus, alguma coisa assim. Então, é assim. Isso é bonito, viu, Leonora? Porque significa que tudo, tudo que pertence ao lugar santo é provisório. É passageiro. Precisa ser renovado constantemente. Então, as lâmpadas da menorá se apagam. Eu tenho que renovar o azeite e acender. O incenso acaba. Eu tenho que colocar um novo e acender a chama novamente. Os pães murcham, mofam. Eu tenho que trocar os pães. Então, é uma experiência de espiritualidade, é uma experiência de conexão, mas ela é passageira.

É a nossa experiência. A nossa espiritualidade são essas incursões temporárias. Porque quando chega no santo dos santos, Leonora, não tem mais nada temporário. E não precisa mais ficar mantendo, porque já é permanente. Ninguém precisa acender a coluna de fogo. Ninguém precisa manter a nuvem da glória. Ela é imutável. Então, o Espírito puro, ele ingressou numa espiritualidade, ele ingressou numa comunhão permanente. Não tem mais solução de continuidade. Nós, não. A nossa conexão com Deus são relâmpagos. Você vai e dá um relâmpago.

Dá um relâmpago. Ela é intermitente. Precisa ser mantida constantemente. Daí vem a ideia da vigilância. Então, a vigilância, o sacerdote vigia. Ele vigia por quê? Porque o pão não pode murchar, não pode mofar, o amenorar não pode se apagar, o incenso não pode se apagar. Então, ele fica ali vigiando, vigiando e trabalhando muito. São as obras da Torá, a servidão da Torá. Permanentemente, eu tenho que manter esse trabalho. A expressão que foi traduzida por português, infelizmente, por obras da lei, que é um equívoco total.

Arul, você está falando, eu quero estar nesse lugar, a gente está no lugar santo, observando esses símbolos e tal. No nosso encontro na 34, acho que eu não tinha falado para o Arul, mas a gente, na entrada, a gente fez uma dinâmica que nós remontamos, fizemos uma similaridade com esses símbolos. Então, o pessoal, quando chegava, entrava e lavava os pés nas bacias, entrava e estava ali. A ideia era justamente, naquele momento, a gente estar exercitando esse cuidado que a gente tem que ter da vigilância do lugar santo.

Fizemos lá, simbolizando a Mãe Nora, o incenso, os pães, foi muito bonito, para a gente que está estudando aqui em Êxodo, pelo menos. Conseguimos um dia, algumas horas, com tudo funcionando, depois apagou. Depois apagou. Você falou nessa questão, na evolução, Arul, quando é que esse cuidado com essas coisas, do incenso, acontece? Porque o pensamento de Deus, que é constante, nos mantém. Não sei por que me veio essa imagem de Deus cuidando de nós com o seu pensamento almo e fecundo. E qual a relação que pode haver desse pensamento que me surgiu, com esse trabalho que é eterno de evoluir para nós.

Quando é que a gente vai se sentir num lugar que é eterno e que você não tem que mais cuidar dessas coisas, sendo que o processo evolutivo é tão longo e para nós, espíritos, nos parecer interminável. É um processo constante e interminável. Você já pensou sobre isso? Sim, porque o que acontece, Júlio, a primeira ordem não é a ordem dos espíritos perfeitos. Não existe essa ordem. É curioso, porque, olha só, a terceira ordem, espíritos imperfeitos. Segunda ordem, bons espíritos. Primeira ordem, espíritos perfeitos. Deveria…

não tem. Espíritos puros. Porque tem problema nenhum você ser imperfeito. Até porque você será imperfeito eternamente. Só há um imutável. Imutável só há um. Ouve, Israel, o senhor é nosso Deus, o senhor é um. Só tem um imutável. O desafio da evolução é se tornar puro. Porque o conceito de pureza tem a ver com senso moral. É pureza moral. Pureza moral. É aquele espírito que incorporou a moral do Cristo. Esse tá puro. Ele não tem nenhum problema. Ele até tem uma alegria infinita de ser imperfeito. Porque ele tem aprimoramento pra eternidade.

Vai conhecer, vai explorar, vai ampliar seus poderes infinitamente. Me lembrou uma imagem desse aspecto trino, né? E a gente na música gosta muito dos compassos externários, né? Eles são compassos muito envolventes e eles vêm e são andantes, né? Um, dois, três. Um, dois, três. Um, dois, três. Aí me veio essa imagem realmente agora, né? Dessa evolução em espiral que o senhor Honório gostava tanto de falar. E esses espaços, né? Sendo cada vez mais elaborados, mais elaborados, mais elaborados. Então, você vai ter sempre acima um pátio, uma área do pátio dos gentios melhor, uma área do Lugar santo melhor.

Uma área cada vez mais puro, né? Eu fico imaginando se isso vai caminhando, a compreensão. Porque também, do jeito que você falou, né, Arouca? Daqui a algum tempo, estudarem a gente, vão falar assim, abstrato para eles era isto. Isso, com certeza. Porque a evolução é onde eu deixo, aí já caminhando assim pro finalzinho, né? Eleonora, você fez a sua pergunta? Sim, era essa, sobre o incenso e o ofício, né? A Márcia Godoy fez uma pergunta. Essa vigilância seria a nossa evolução espiritual? Fiquei pensando assim, enquanto a gente estava lá no pátio, era sacrifício.

Quando a gente entra, entramos no lugar santo, muita trabalho, trabalho de vigilância, né? De vigiar. Isso. É vigilância moral. É vigilância moral. Por quê? Porque você não é puro ainda. Então, você pode tropeçar e ferir a lei divina. E ferir a lei divina significa originar, dar origem a algum tipo de mal, sofrimento, dor ao teu próximo. É isso. Daí a vigilância. Agora, olha que bonito. O Júlio estava falando dessa questão da abstração, né? Essa é a nossa grande questão, o Livro dos Espíritos, questão número 88. 88.

Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante? Porque, gente, para ter forma, só tem forma o que é limitado. Porque, para uma coisa ter forma, eu tenho que ter as bordas, não tem? Eu tenho que ter os limites. Uma coisa que não tem limites é ilimitada. O ilimitado não tem forma. A pergunta de Kardec é genial, né? Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante? Olha a resposta. Veja, não está falando de perispírito, gente, não está falando de corpos espirituais, está falando o Espírito, o Espírito em si, não os corpos que ele tem, o Espírito.

Olha a resposta. Para vós, não. Ponto e vírgula. Para vocês, encarnados? Para vocês? Não tem. É abstrato demais para vocês. Para vocês, não tem forma. É uma abstração que vocês não têm condição de compreender. Ponto e vírgula. Para nós, sim. É maravilhoso isso, gente. Para nós, sim. Tem um tipo de Espírito que está respondendo, né, para ver o tipo de Espírito que está respondendo. Ah, isso é uma processão. Então, tem. Tem. Que tem, tem. Mas, para vocês, parece que não tem. Parece que não tem, mas que tem, tem. Né? Aí, vem um ponto.

Ponto final. Aí, começa uma outra frase. O Espírito é. Se quiseres. Aí, agora, vem metáfora. Agora, vem um símbolo. Não vem descrição. Agora, vem uma imagem para a gente tentar compreender. Aqui, os Espíritos falam, se quiseres, eu vou dar um negócio. Se vocês acharem bom essa imagem, se vocês gostarem, é uma chama, um clarão, uma centelha etérea. Um fogo, gente. Centelha é uma chama, um fogo. Um clarão. É etérea. Não fica achando que você vai pegar, não. Isso é imagem, né? É claro que isso é uma imagem. É claro que isso é uma metáfora.

Se quiser. Você quer uma imagem? Você quer uma, compadre? Você quer? Vou dar uma ideia para vocês aí. Não é. Mas vou dar uma ideia. É uma chama, é uma centelha. É um clarão. Que é o que a gente dá conta de compreender. Agora, o que é bonito aqui? Porque eles pegaram um símbolo da Bíblia. É isso que eu ia falar. Eles citaram justamente… Esse símbolo é o símbolo bíblico, gente. Nos remeteu lá atrás. Eles foram lá no lugar santo. Foram lá no santo dos santos. Referência da Bíblia. As línguas de fogo. É. Usaram uma referência já conhecida nela, inclusive.

E bíblica. E bíblica. Poderia ter usado outro? Poderia. Mas essa aqui não ficava melhor? Mais compreensível? Ficava. É uma imagem. Aí o Kardec aproveita. Gostei. Eu aceito essa imagem. Essa chama ou centelha tem cor? Esse é danado. Esse é danado. Obrigado. Olha só. Tem uma coloração que é para vós. Para vocês. Não para a gente. O tempo todo eles estão dizendo assim. Escuta. Vocês são cegos. E nós estamos descrevendo a luz para vocês. Vocês são cegos de nascença. E nós vamos tentar descrever a luz para vocês. Porque falta a vocês um sentido para perceber o que nós estamos dizendo.

Mas nós vamos tentar. Vamos tentar. Vamos tentar. Tem uma coloração que para vós vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante. Qual a do rubi? Conforme o espírito é mais ou menos puro. Se ele for menos puro ele é mais opaco. O colorido dele é mais escuro. Se ele for mais puro é brilhante. É um colorido que tem esse brilho do rubi que é a cor do vinho. Outro símbolo bíblico. Outro símbolo bíblico. Tracaram boda de canar na resposta. Não tem espírito bobo aqui não gente. Bobo é só a gente que lê. Aqui é tudo mestre das letras bíblicas.

Tem nenhum inocente aqui respondendo a Kardec? É Novo, né? Nós temos aqui muitas perguntas sobre incenso, sobre outras questões, mas, né, às seis horas chegou o nosso horário. Quem quiser ainda ver o Haroldo hoje, né, tem palestra ao vivo lá no Sheila às dezenove horas, né, Haroldo? É o Congresso da Aliança Municipal Espírita de Belo Horizonte. Quem está em Belo Horizonte. O Congresso é virtual, mas eu fiquei sabendo hoje que a abertura é presencial lá no Sheila. E o mais surpreendente que a abertura é presencial comigo.

Mas é com o público, Haroldo? É com o público ou não? Pois é, com o público. Lá do Sheila, mas vai ser transmitido por YouTube. E qual é o tema? Aliança Municipal Espírita de Belo Horizonte. Vai ser transmitido no canal do YouTube deles, mas eu terei que estar presente, né? Que bom que está retornado. O Congresso é virtual, mas eu vou estar presente, né? E qual é o tema de hoje, Haroldo? Qual o tema? O tema é eu sou a luz do mundo. Olha só. Olha só, tudo a ver. Haroldo, comentei que haja abstração, né? Haja abstração.

Gente, foi muito bom. Agradecer a todo mundo aí. A semana passada, né, Haroldo comentou da semana passada, mas foi muito marcante a gente ter comentado e o pessoal se emocionou muito com a temática abordada ali que envolveu esse setembro amarelo assim que nós planejássemos, né? Falamos um pouco, um pouco não, até bastante, né? Algumas pessoas ficaram preocupadas comigo, viu, Haroldo? Como é que fala? Desnutrição. E agradeço a todo mundo que mandou mensagem pra gente e o pessoal que mandou mensagem depois falando. Agradeço também a oportunidade de a gente estar aqui junto e aprender junto, viu?

Então é isso. É isso, né? Deu, né? Deu. Por hoje é só. Temos continuidade agora. Semana que vem nós vamos de queiro. Não, vamos continuar aqui ainda, né? Tem essas questões. Tem muita coisa aqui ainda. Tá bom. E nós seguimos o nosso trabalho de vigilância, né? É. Vamos manter a menorar acesa. O incenso aí queimando. Sempre. Os pãezinhos sempre novos. Alimento espiritual, né, Júlio? Pra ninguém ficar com fome. É isso aí. E aí semana que vem a gente vem novamente pra esse estudo gostoso, né? Haroldo, peraí. Semana que vem você vai estar viajando, não?

E aí semana que vem eu vou estar viajando, Júlio. Tem que… Depois a gente… Nós vamos viajando na semana. Haroldo, você vai falar lá em Orlando, né? Em Orlando. Congresso. Ainda bem que tá retornando esses presenciais, né? Tá voltando, né, Leonora? Graças a Deus, viu? É isso mesmo. Então é isso, galera. Um beijo pra todo mundo. Fiquem com Deus, Haroldo. Tchauzinho. Fiquem com Deus. Tchau, amigos. Tchau, amigos. Uma boa semana. É isso, garoto. Tchau.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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