#041 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no livro de Gênesis, especificamente no capítulo 2, versículos 4 a 7. O estudo aborda a narrativa da criação do homem e suas implicações à luz da Doutrina Espírita, desvendando as sutilezas do texto hebraico e suas profundas lições.

O que é estudado neste episódio

  • A narrativa em espiral de Gênesis: Haroldo explica a estrutura narrativa hebraica, que apresenta uma visão panorâmica no capítulo 1 e, em seguida, retoma os eventos com maior detalhe, como uma “espiral”. Ele destaca a aparente contradição entre Gênesis 1:11-13 (criação da vegetação no terceiro dia) e Gênesis 2:5 (ainda não havia erva dos campos), explicando que essa é uma característica da narrativa hebraica que não deve ser interpretada literalmente.
  • Distinção entre “terra” (arets) e “solo” (adamá): O estudo explora a diferença entre as palavras hebraicas para “terra” (arets), que se refere ao planeta ou à terra de Israel, e “solo” (adamá), que designa a porção específica de onde Adão foi moldado e que ele deveria cultivar. Essa distinção é crucial para entender a parceria entre Deus e o homem.
  • A parceria entre Deus e o homem: O texto de Gênesis 2:5 é interpretado como uma lição sobre a colaboração entre o Criador e a criatura. Deus faz chover sobre toda a terra (ação universal), mas o homem deve cultivar o seu solo (ação particular). A palavra hebraica para “cultivar” (avodá) também significa “servir”, indicando que o trabalho do homem é um serviço.
  • A dádiva divina e a capacidade de recepção humana: Haroldo Dutra Dias, citando Emmanuel, explica que a dádiva do homem é uma transferência, enquanto a dádiva de Deus é como o Sol, que ilumina a todos indistintamente. Cada um recolhe segundo sua capacidade de recepção. As bênçãos divinas já estão derramadas, e a questão é a capacidade humana de recolher e absorver.
  • A ação universal de Deus e a ação particular do homem: A ação de Deus é ilimitada e abrange todo o planeta, enquanto a ação do homem é direcionada e particular. Essa diferença de âmbito é fundamental para compreender a relação entre o Criador e a criatura.
  • O manancial que sobe da terra: O versículo 6, que descreve um manancial subindo da terra para regar o solo, é interpretado como a presença e o auxílio de Deus que já estão presentes em nossos problemas e em nossa vida. A solução não está limitada ao nosso “hectare” (problema particular), mas no conjunto, no global, exigindo uma ampliação da nossa visão.
  • A natureza como ensinamento: A organização e a resiliência do reino vegetal são apresentadas como lições de como a natureza, ao fazer a vontade do Pai, se organiza. A ingestão de fitoterápicos, homeopatias ou florais é vista como uma forma de absorver essa organização e resignação, auxiliando na nossa própria organização emocional e intelectual.
  • A frase de Emmanuel sobre servir amorosamente: Haroldo destaca uma frase de Emmanuel que resume a parceria: “haverá sempre um recurso de servir amorosamente de sua parte e sempre um meio de iluminação por parte de Deus”. O homem serve amorosamente, cultivando sua “adamá”, e Deus provê os recursos iluminativos.
  • A profundidade do “iode” na lei: O estudo aborda a frase de Jesus no Sermão do Monte sobre “nenhum til da lei passar”, relacionando-a com a menor letra hebraica, o “iode”. A presença de um “iode” a mais no verbo que descreve a formação do homem em Gênesis 2:7, em comparação com a formação dos animais, é interpretada pelos sábios hebreus como a indicação de que o homem foi formado com um corpo físico e um corpo espiritual (corpo da ressurreição), corroborando a visão espírita da dualidade corpo-espírito.

Reflexões

  • A interpretação não literal das escrituras é essencial para captar as profundas nuances e ensinamentos espirituais contidos no Velho Testamento.
  • A vida é uma parceria constante com o Criador, onde o homem tem a responsabilidade de “cultivar” sua parte, enquanto Deus provê os recursos e bênçãos de forma universal e ilimitada.
  • A misericórdia divina se manifesta na igualdade de oportunidades para todos, e a ação caritativa dos que já evoluíram visa auxiliar os que estão em patamares inferiores a ampliar sua capacidade de recepção das dádivas de Deus.

Ler transcrição do episódio

Olá, amigos! Hoje, mais um episódio do nosso estudo do Gênesis. Nós estamos no capítulo 2 e, depois de uma panorâmica e de explicar alguns aspectos que fechavam aquele ciclo do capítulo 1, nós ingressamos, neste episódio, no estudo mais específico dos versículos, especialmente dos versículos 4 até o versículo 5 até o versículo 7, que eu vou ler nesta tradução da Bíblia de Jerusalém, capítulo 2 de Gênesis, finalzinho do versículo 4 em diante, No tempo em que o Senhor Deus fez a terra e o céu, não havia ainda nenhum arbusto dos campos sobre a terra, e nenhuma erva dos campos tinha ainda crescido, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem para cultivar o solo.

Então, o Senhor Deus modelou ou formou o homem com a argila do solo. Então, este é o texto que inaugura esta segunda, esta nova etapa desta espiral, desta narrativa em espiral do livro de Gênesis. Hoje, tem dois temas que nós queremos abordar bastante interessantes. Todos devem ter percebido que a narrativa parece entrar em contradição. Nós estamos, aqui, diante de uma contradição chamada contradição aparente, porque todo o mundo se recorda do capítulo 1, versículos 11 a 13, em que o texto conta sobre a criação das ervas que davam semente, das árvores, dos frutos, das verduras.

Este era o terceiro dia. No terceiro dia, toda a vegetação foi criada. E, aqui, curiosamente, o texto retoma a narrativa, caminhando para a criação do homem e diz que ainda não havia nenhuma erva dos campos e não tinha crescido nenhum arbusto dos campos e nenhuma erva ainda tinha crescido. E, aí, Deus foi formar o homem. Ora, este é um exemplo clássico de como se dá uma narrativa no texto do povo hebreu, a narrativa em espiral, em que, primeiro, você dá um voo panorâmico – é como se você entrasse em um helicóptero e sobrevoasse rapidamente, em dez minutos, a sua cidade.

Este helicóptero pousa e, aí, você contrata uma nova viagem, mas, agora, este helicóptero vai passar detidamente sobre cada região da sua cidade. É o que está acontecendo aqui. Há uma narrativa geral, literária, colocada ponto a ponto, com os dias, primeiro dia, segundo dia, terceiro dia e, aqui, abandona-se este esquema literário de compartimentar em dia e a narrativa passa a ter uma outra lógica, uma outra divisão. É muito bonito isto, porque revela que nós não podemos interpretar literalmente o texto. Uma interpretação literal do texto faz com que nós percamos estas nuances, estas características narrativas do texto bíblico.

O que ressalta aqui? O que ressalta é que o narrador está retomando uma história, mas, contando-a de um jeito totalmente diferente, porque, agora, ele quer dar outros destaques. E, qual o destaque, aqui, agora? Este é o primeiro tema deste episódio de Gênesis. Qual é o destaque? Aqui, tem uma coisa muito bonita, muito bonita, mesmo, e, para captá-la, nós temos que ir ao texto hebraico. Há uma coisa curiosa neste trechinho, neste pequeno trecho, quando diz, assim, que Deus, o Senhor Deus, ainda não tinha feito brotar toda a erva na terra e, ainda, não tinha feito chover sobre o solo.

O que tem de interessante, aqui? A palavra terra, em hebraico, é arets e, a palavra, aqui, que é traduzida por solo, é adamá. Aí, você vai perguntar, assim, mas qual é a diferença? A palavra arets, no texto hebraico, tem duas referências. Ela pode significar o mundo, o mundo como um todo ou a terra de Israel. Toda vez que o texto se refere à terra de Israel, usa arets e, quando quer dizer sobre o planeta, o nosso planeta, também é utilizada a palavra arets. Mas, quando o texto bíblico, aqui, quer se referir àquele tipo de solo específico do qual Adão foi moldado, de onde Adão foi retirado, ele não, a sua forma física, de onde ele foi modelado, ou seja, o material de onde ele foi modelado, a palavra é adamá.

Adam, adamá. O adam vem da adamá e, dama é o vermelho, o sangue ou a argila. Daí, em algumas traduções, se utiliza argila, solo, solo argiloso por causa do vermelho, do barro, muito comum, também, algumas traduções dizerem assim que Adão veio do barro por conta desta característica da terra. Então, olha que interessante, aqui não está falando mais do planeta, está falando de uma porção específica da terra, de onde ele é retirado, ele é moldado e, curioso, a porção que ele vai cultivar. Porque, quando fala assim Deus não tinha feito, ainda, chover sobre esta porção do solo e não havia o homem para trabalhar neste solo.

Olha que interessante isto. Deus irriga a terra com a sua chuva, mas, o homem tem que cultivar o solo. As palavras são diferentes. Bom, deve estar todo mundo se perguntando qual é a lição que a gente tira deste texto. Eu vou trazer aqui um comentário. Ele é um comentário um pouquinho mais difícil, porque ele é um comentário produzido pela maior escola de rabinos do mundo, que é a Yeshiva, de Nova York. Quem publicou isto foi a Art Scroll, Tamar Series. É esta edição aqui, um comentário do livro de Gênesis, mas, ele tem uma dificuldade, porque ele está em hebraico e em inglês.

Parte em hebraico e parte em inglês. Mas, o que há de curioso nisto? Porque, aqui, são os sábios do povo hebreu, versados na primeira revelação, trazendo comentários da literatura ao longo de quatro mil, cinco mil anos. Eles pegam todos os sábios do povo hebreu e vão reunindo, trazendo as fontes. E, aqui, o que eles vão destacar, neste comentário do livro de Gênesis? Que nós temos uma parceria. Nós já falamos sobre isto, aqui. O que esta parte do texto de Gênesis quer nos ensinar é que não há um florescimento da terra e não há um cultivo da terra se não houver a participação de dois atores, Deus e o homem, Deus e o ser humano.

Mas, é bonito, porque a ação de Deus tem uma característica e a ação do homem tem outra característica, completamente diferente. O que diferencia a ação de um e do outro? Primeiramente, a extensão, porque o que o texto bíblico está dizendo é que nenhuma árvore brotou ainda na terra, nenhuma erva do campo, e, aqui, o campo, quando se fala campo, está dizendo do campo cultivado. De um campo agrícola. Não está falando da floresta. Este é um ponto interessante. Nós podemos, até avançando no espírito do texto, dizer que, no terceiro dia, sim, foi criada toda a vegetação, mas a vegetação bruta.

Agora, o texto está fazendo referência aos campos cultivados, àquilo que decorre de uma ação conjunta de Deus e do ser criado por Ele. Mas, a ação de Deus é mais ampla, porque Deus faz chover a sua neblina, cobre a superfície de toda a terra, toda a terra. Então, ela tem um âmbito mundial. É o planeta inteiro. E, Adão não tinha cultivado o seu solo. Esta é a diferença. Adão cultiva Adamar, é o seu solo, é o solo de onde ele veio. Deus faz chover sobre o planeta. Nós temos, aqui, uma diferença de âmbito, que é uma diferença importantíssima.

Qual é a lição espiritual que nós retiramos deste texto, que parece quase ser hermético? Ela não é tão difícil assim. Quer dizer que Deus tem uma ação universal e o homem, o ser humano, tem uma ação sempre particular. Ela pode envolver multidões, mas ela nunca é universal. A ação do homem não é universal. A ação do homem é uma ação de cultivo de avodá. A palavra avó é curiosa porque, daí, vem a palavra escravo, servo. Então, o cultivar, aqui, o avodá, não é, simplesmente, uma agricultura. É um servir. Então, se nós fôssemos preciosistas, nós diríamos, assim, que não havia brotado, ainda, um campo, não tinha aparecido, ainda, um campo cultivado, porque o homem não tinha, ainda, exercido o seu serviço.

Ele não tinha servido. Ele, ainda, não havia se tornado um servo do solo. Olha que bonito isto! O solo que lhe dá a forma, de onde lhe vem a forma física e que lhe deve servir quase que como um escravo. É importante isto porque esta palavra do servo, do servidor, vai aparecer em diversas parábolas de Jesus. Do servo, tem muitas parábolas sobre isto. E, o texto, mais uma vez, o fundamento, estão, aqui, em Gênesis. O homem não havia se tornado um servidor e Deus não havia feito chover sobre o orbe. A ação de Deus é uma ação que cobre o planeta.

A ação do homem é uma ação direcionada e particular de servidor. Então, primeiro ponto, aqui. Eu sei que é difícil, é uma sutileza, mas, nós vamos, com calma, mais um degrau. O que o texto também quer nos dizer é que, quando o ser humano quer entregar algo, ele entrega transferindo. Como assim? Eu tenho este livro. Eu vou fazer só a hipótese, porque eu não vou dar este livro. Eu não vou dar. Digamos que eu dê o livro. Se eu for dar o livro, eu estou transferindo este livro, porque, na essência, ele não me pertence.

Eu estou transferindo este livro para outras mãos. Não é assim que ocorre a doação do Criador. E, isto, Emmanuel destaca de uma maneira muito bela. Emmanuel diz assim a dádiva do homem é algo que ele transfere das suas mãos para as mãos alheias. A dádiva do Criador é diferente, porque o Criador não age com particularismos. Então, o Criador não beneficia uma pessoa dando-lhe algo. Como que o Criador age na sua dádiva? A dádiva do Criador, diz Emmanuel, é como o Sol. Ele ilumina a todos indistintamente, mas cada qual recolhe, segundo a sua capacidade de recepção.

Isto é maravilhoso, maravilhoso. Isto significa que, quando você diz assim, ó Pai, me ajuda, ele não vai deslocar-se da sua ação universal para atender o seu pedido particular. Na verdade, ele faz jorrar sobre nós as bênçãos que já caem sobre todos no universo. O que ele pode nos ajudar é ampliando a nossa capacidade de recepção. Então, Deus é sempre chuva, é sempre sol, é um sol que dá a mesma luz indistintamente e é uma chuva que cai indistintamente sobre a Terra, indistintamente. O homem, não. O homem, quando ajuda, ele ajuda alguém, porque ele não pode ajudar todos infinitamente.

Ele pode ajudar uma multidão, mas não todos. Toda a criação, ele não tem como abarcar. A ação do homem é direcionada e a do Criador é ilimitada. Isto, o texto revela. Isto é muito bonito. Isto é muito bonito. Terceira reflexão profunda que nós tiramos disso, que o texto está querendo dizer todas as bênçãos divinas já estão derramadas sobre nós. Todas já estão derramadas sobre nós. Então, a questão aqui é você vai ao oceano, vai a um rio buscar água, porque você precisa da água. Um leva um cântaro e traz o que cabe no cântaro.

Outro leva um vaso enorme e traz o que cabe no vaso. O outro vai para um caminhão-pipa e traz o caminhão-pipa cheio da água. Mas, o rio não está ilimitado. O rio está lá fluindo muito além da minha capacidade. Ele jorra surpreendentemente acima da minha capacidade. É claro que eu estou usando aqui uma metáfora limitada, porque o rio é limitado. Com Deus, não. Com Deus, é ilimitado. Deus jorra ilimitadamente sobre nós. Ele chove ilimitadamente. Nós já temos sobre nós tudo o que está reservado de maravilhoso e de bom.

A questão é e a minha capacidade de recolher? E, a minha capacidade, mais ainda, de absorver? Porque, nem sempre a minha capacidade de recolher é idêntica à minha de absorver. Eu recolho três galões, mas, só absorvo um copo. Tem isto, também. As coisas não se harmonizam. E, o texto está dizendo sobre isto. Deus não havia feito chover sobre a Terra por isto não brotava. Não era o momento. Mas, quando é o momento, Ele jorra infinitamente. E, Cabe ao homem, então, apropriando-se deste infinito da misericórdia divina, cultivar aquilo que ele consegue, a parcela que lhe é peculiar, aquilo que diz respeito a ele.

Então, é sempre assim. Por isso, nós aprendemos isto tanto na obra da codificação quanto nos textos do Emmanuel. Há até ditado popular com relação a isto. Faça a tua parte que Deus te ajudará. Mas, o ditado é mais profundo do que a gente imagina, porque significa que, ao concentrar-me na minha parte, na minha Adama, na minha Terrinha, na minha parcela de responsabilidade, Deus, que cuida do infinito, já está jorrando sobre ela e sobre as demais. Isto é bom, porque eu não tenho que ter sentimento de culpa. Se o outro não está cultivando a parcela que lhe compete, é uma questão de recepção dele, é uma questão de absorção dele.

Não há um tratamento em que Deus não distingue pessoas. Este é o ponto. Ou, como diz o apóstolo Tiago, Deus não faz recepção de pessoas. Então, é uma falácia esta teologia que prega que o Criador beneficia, então alguém lhe dá tudo e outros lhe dão. Não, isto não existe. Jesus vai retomar esta profundidade deste tema no Sermão do Monte. No Sermão do Monte, Jesus vai dizer sobre isto. Ele vai tomar esta chuva que está em Gênesis, que nós estamos lendo, Gênesis 2.5, e Ele vai ampliar, vai ampliar e vai trazer um elemento maravilhoso.

Ele diz assim, porque Deus faz com que o seu sol se levante o sol se levante sobre maus e bons e a sua chuva desça sobre justos e injustos. O sol vem desponta, mas quem é posicionado para receber primeiro o esclarecimento, a luz, o sol? Uma alma, uma alma, depois uma pessoa que é boa e a chuva que é o recurso também é providência, mas é mais desafiador, é a tempestade, primeiro ela vem sobre o justo, depois sobre o injusto. Ou seja, não está dizendo que chove em um e não chove no outro, chove, mas a ordem de posicionamento varia sempre e aqui entra o aspecto característico da lição de Jesus que é o que ele acrescentou, a misericórdia divina, sempre para beneficiar o mau e o injusto.

Aquele que é mau e aquele que é injusto tem uma tensão especial, assim como a ovelha que se perdeu tem uma tensão especial em relação aos 99 que ficaram. Aquele que está perdido tem uma tensão especial em relação àquele que está centrado, que se encontrou. É o aspecto da misericórdia para quê? Para que não seja ferido o princípio da igualdade. Então, aqui a gente entra até em uma questão do direito. Você desiguala formalmente para igualar na profundidade. Então, por que eu tenho uma lei que determina que o deficiente deve ser tratado de uma maneira diferente?

Porque, na prática, ele está desigualado, porque ele não tem as mesmas oportunidades de locomoção do que alguém que tem o corpo normal. Então, ele está desigualado. Então, o que a lei faz? Ela trata de forma desigual para igualar. Aliás, é um cuidado que a lei tem de não fazer o seguinte, de não tratar o deficiente de um modo tão desigual que ele fique superior ao normal. Aí, não pode, porque você criou o desequilíbrio. Então, você tem de desigualar até que ele tenha o mesmo tratamento, ele tenha a mesma condição. Aqui, também, é o que Jesus está destacando.

O Criador age de maneira universal, sem privilegiar quem quer que seja, mas, aquele que está desigualado em função da sua inferioridade, em função da sua maldade, em função de estar perdido espiritualmente, esse merece um tratamento espiritual para que, de fato, ele possa usufruir as bênçãos divinas no mesmo patamar de igualdade do outro. Está complicado, não é? Eu sei que hoje está um episódio difícil. Então, o anjo está tão bem interiormente, o anjo está tão equilibrado emocionalmente, está tão equilibrado intelectualmente, que as bênçãos que caem sobre ele, que são as mesmas que caem sobre mim, são absorvidas por ele milhares de vezes mais do que eu.

Por essa razão, determina a lei do amor que o anjo venha em meu auxílio para quê? Para que eu, também, possa ampliar a minha capacidade de absorção das dádivas que caem sobre mim, como caem sobre ele. Isto é maravilhoso. Quanto mais acende o Espírito os degraus da evolução, mais ele se torna um servidor de quem está abaixo. Por quê? Porque ele é tomado de um desejo de que todos possam assimilar, como ele, as dádivas que vêm do Criador. A mesma dádiva. Isto é muito bonito. Há este tratamento e, por isso, toda a lição do Evangelho é no sentido de orar por quem nos persegue, orar por aqueles que nos caluniam, orar pelos nossos inimigos, nunca desafiar o mal, nunca maldiçoar o mal, perdoar setenta vezes sete, acolher, transformar o erro em virtude, não apedrejar o pecador, mas recuperá-lo.

Por quê? Para que este possa ser integrado no processo de absorção das dádivas divinas, que são iguais para todos. As dádivas são iguais, mas, as capacidades de recepção são diferentes. Daí, esta ação caritativa, amorosa de quem já acendeu para que o que está inferior possa, também, ter acesso aos mesmos recursos. Que jorram indistintamente sobre todos. Este é um ponto lindo. Isto, aqui, soma um versículo. Mas, tem mais. Adam tem que cultivar ou servir, ser um servidor do seu solo. Aqui, é um regime de parceria. Nós já lemos, inclusive, um texto de Emmanuel que diz isto.

Nós habitamos a criação em regime de condomínio com o Criador. Ele faz a parte dele e ele é o proprietário, mas nós temos que fazer a nós. É um condomínio. Deus é vizinho. Ele mora conosco. Ele não construiu um condomínio e nos colocou e ele mora em um outro. Isto é importante. Deus mora no mesmo condomínio que nós moramos. É grande este condomínio. É bem grande. Mas, é este. É o condomínio universal. Deus ombreia conosco por misericórdia. Por misericórdia. Está conosco, está ao nosso lado, atua conosco por amor para que haja uma parceria.

Para que haja uma parceria. O que ressalta, aqui, deste versículo, desta simples frase? Vou ler, de novo, para nós pegarmos agora. No tempo em que o Senhor Deus fez a terra e o céu, não havia nenhum arbusto dos campos sobre a terra, terra, planeta, e nenhuma erva dos campos tinha crescido, porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, planeta, e não havia homem para cultivar o sol, a damar, o pedacinho. Entretanto, um manancial subia da terra e regava toda a superfície do solo. Perceberam? Não está dizendo, aqui, que o manancial jorrava dos céus.

Não. O manancial subia da terra e regava a terra. Ele já veio da terra. Ou seja, a presença de Deus não é algo que está ausente e que vai chegar. O auxílio de Deus não é algo que está lá longe e vai chegar. Não. O auxílio de Deus já está aqui no meu problema. A presença de Deus já está aqui comigo. Ela só vai se tornar perceptível por mim. Ela só precisa do tempo para se materializar, para se concretizar no meu nível de percepção. Mas, ela já está aqui. Então, ela sobe da terra, não da minha terrinha. Do universal.

Aqui, eu me lembro de uma frase que o Honório adorava. Ele dizia assim O problema que eu vivo jamais será solucionado nos limites do que eu vivo. Por quê? O Einstein também tem uma frase igual. Vários pensadores já expressaram isto. A solução de um problema só é encontrada se você mudar de fase. A solução do problema não vai ser alcançada no mesmo degrau que você encontrou o problema. Você encontrou um problema no degrau 3. A solução está no degrau 4. Você tem que subir um degrau. Se não houver uma ampliação do seu sentimento, da sua capacidade intelectiva, da sua inteligência, que é muito mais do que intelecto.

A inteligência é mais do que o intelecto. Se não houver uma ampliação dessas duas asas, amor e sabedoria, você não resolve o problema. Por quê? Porque a ação de Deus, que é este manancial, não sobe da sua terrinha, da sua adama. Ela sobe da terra, do globo, que é muito maior do que o solo que você cultiva. Você cultiva um hectare, mas o manancial de Deus sobe do planeta inteiro. É muito mais do que o hectare que você cultiva. Então, a solução não está no seu hectare. Ela está no conjunto, no global. Daí, o problema nos força a ampliar a nossa visão.

Você tem que tirar o olhinho do seu hectare, do seu sítio, tem que tirar os olhos do seu sítio e enxergar mais longe, enxergar de forma mais ampla, porque esta ação do Criador vem em benefício de todos. Ela surge e é bonito ela brotar da terra, porque ela vem da terra e, depois, ela desce, porque isto também nos revela que o Criador não impõe soluções para além daquilo que nós damos conta, para além daquilo que importa em elemento educativo. Ou seja, não há uma ação divina que não seja educativa. Então, não faz sentido eu tomar uma criancinha de três anos de idade e ensinar para ela física do segundo grau.

Não é educativo, não é pedagógico, porque imaginem o Criador, que é sabedoria infinita, jorrando a sua sabedoria infinita na minha capacidade de recepção, que é limitada. O que adianta? Vai sobrar, vai desperdiçar. Então, não é assim, desaba de cima para baixo, não. Brota e, aí, cai. Primeiro, o Criador observa o que é possível, o que eu posso absorver, o que será bom, o que será educativo, até onde eu posso ir, até onde eu tenho fibra moral e intelectual para caminhar e, então, ele faz brotar a solução. Desse denominador comum, ele faz jorrar.

Tudo isto o texto está dizendo. Está na natureza, não é? Está na natureza. Então, você fala assim, brota da terra. É, também tem isto. Tudo o que ele lança, você vê que da terra brota todo o ensinamento, não é? Todo o ensinamento. Você, uma vez, comentou, não sei se você se lembrava, em uma folha tem que ternear, não é? É, Porque foi uma conversa que eu tive com a Ana que faz parte até lá de sacramento, que tem aquela terra de Ismael. Então, e ela cultiva diversas plantas e fez um estudo disso, não é? E, a gente comentava sobre fitoterapia, não é?

Um trabalho de fitoterapia diferenciado. Então, ela comentava o seguinte, cada planta é uma biblioteca, uma biblioteca viva. Então, quando uma espécie se perde, é como se queimasse uma biblioteca de Alexandria. Por quê? Porque aquela planta é única, ela tem características de sobrevivência, características de crescimento que foram conquistadas ao longo de milhões de anos de evolução. Então, ela tem uma história de aprendizado, de adaptação ao ambiente, de resistência, de manifestação das características únicas dela, de luta para sobreviver, para crescer.

É uma história, não é? E que isso é uma lição. Então, ali está uma lição viva. E, ela me dizia que o reino vegetal é um dos mais organizados da natureza. Por quê? Porque a ordem não é questionada, porque a planta tem um nível de arbítrio quase zero. Quase, não é? Quase zero. Ela faz a vontade do pai. Então, é um reino muito receptivo à vontade divina. Então, ele é muito organizado. Portanto, quando a gente ingere um medicamento fitoterápico, ou uma homeopatia, ou um floral, aquela organização do reino vegetal nos organiza por dentro, porque nós só somos desorganizados por rejeitar a vontade divina a nosso respeito.

Então, a gente perde muito tempo em um atrito. É proposto um caminho ideal, mas a gente atrita, atrita, atrita e, aí, cria um desordem, um desordem interior, emocional, intelectiva. Emocional, por quê? Porque você fica ansioso, você fica revoltado, você fica triste, fica depressivo, é tomado de ciúme, de ódio, de raiva, de mágoa. E, intelectivo, por quê? A nossa capacidade de percepção embota. Então, você não consegue enxergar, você não consegue raciocinar, você não consegue pensar diferente, você não consegue enxergar o caminho que está sendo proposto.

Se tivesse uma atitude de asserenar, como a planta, e, aí, quando a gente ingere a homeopatia, a fitoterapia, é como se aquela organização, aquela resiliência, aquela resignação do reino vegetal viesse em nosso auxílio. Aí, você se organiza emocionalmente, intelectivamente, e, aí, você começa a perceber que há, de fato, uma proposta, que as circunstâncias estão encaminhando em uma direção e que aquela direção é o melhor naquele momento. Pode não ser o melhor no geral, mas, é o melhor naquele momento, é o melhor para aquele momento.

Pode ser que, daqui a um tempo, as coisas rejeitem e mudem e se transformem, mas, naquele momento, é o melhor, porque Deus está sempre operando o melhor. E, a história da planta é esta, porque ela foi se adaptando ao caminho que foi sendo proposto para ela e ela sempre encontrou o melhor, porque tinha pouca resistência da parte dela, resistência ao direcionamento. Então, é interessante você lembrar disso, é muito bonito. Porque eles fazem a vontade do pai e não exercem esse ligamento que acaba sendo o condutor da nossa tenda, da fé, da confiança.

Eu tenho uma árvore na rua, um ipê, um ipê interessante, um ipê rosa, que tem uma pátuana que ele cerca ali, ele fica sempre com aquela árvore, sempre, não tem nada, não tem folha, uma pátuana, e, de repente, ele flora. Ele é uma referência para mim nos momentos de, assim que eu olho para ele, quando tem folha, ele está lá, servindo, então o vento bate, ele está lá, ele está seguindo um um Um Um Um Um Um É o que o Casimiro Cunha fala, a cartilha da natureza, é bonito isso, como se a natureza fosse uma escola, ela tem uma cartilha que precisa ser assimilada, ser resgatada.

Tem um texto aqui do Emmanuel, ele está no livro Harmonização, e Uma frase do Emmanuel que eu vou destacar, que vai ser o próximo Sete Minutos com Emmanuel, vai ser esse tema, ele diz assim, que o discípulo deveria saber, e aqui vem a pérola, que haverá sempre, sempre, um recurso de servir amorosamente de sua parte servir amorosamente de sua parte e sempre um meio de iluminação por parte de Deus. Porque é o que o texto está dizendo, Adão serve a Adamar, que é um pedacinho do solo dele, e Deus irriga a terra. Então, sempre há um recurso de iluminação que parte de Deus, mas, há sempre um modo de servir amorosamente de nossa parte.

Eu não tenho obrigação nenhuma de iluminar o meu semelhante, eu não tenho responsabilidade de transformar o meu semelhante, eu não tenho responsabilidade de Regenerar o meu próximo, mas, eu posso sempre encontrar uma maneira, um recurso de servir amorosamente, para que os meios de iluminação venham de Deus, que Ele, sim, Ele regenera, Ele ilumina, Ele transforma, Ele age, Ele educa, Ele repreende, Ele exerce a justiça, Ele corrige, é isto, é o que o texto está dizendo. Acho que esta frase do Emmanuel fecha com a chave de ouro, o que é de Deus e o que é meu.

Então, eu posso sempre improvisar recursos de servir amorosamente, cultivar a minha dama, cultivar. É bonita a palavra cultivar, porque a gente aprende isto, você colhe o que planta. Então, eu preciso cultivar, mas, de Deus vêm os recursos iluminativos, que são infinitos. É lindo isto, não é? Agora, e Ele sabe bem, não é? Tudo que está acontecendo, não é? Ele só está renovando a oportunidade, Ele sabe que o caminho que você está seguindo, não é? Ele sabe quanto tempo você vai chegar, Ele não se desespera, não é? Exatamente.

Você não surpreende, não é? Você não surpreende Deus com as suas coisas, não é? Então, a gente fica imaginando, não é? Neste exercício nosso de ver um pai seguro, seguro de seus filhos, não é? Seguro de sua criação, não é? Ele não está pensando assim, como é que eu conserto essa filha que eu fiz errado? Não. Não pensa assim, não é? Como é que eu conserto esse filho que deu errado? Acho interessante pensar isto, hoje eu penso muito nisto, não é? Tudo certo, não é? Exatamente. E, o bonito, porque este tema que nós estamos abordando, de algo que vem do Criador e que é próprio do Criador, neste jardim, de algo que é próprio do homem, vai subentender a comunhão criatura-criador, que vai ser rompida lá na frente.

Mas, eu não vou entrar, porque nós vamos estudar isto em episódios, que é a queda de Adão e Eva, que foi o rompimento desta comunhão. Então, esta comunhão foi quebrada. Por quê? Porque o ser humano quis invadir a esfera de competência de Deus, quis usurpar daquilo que cabe a Deus. Então, isto é bonito, não é? E, agora, para fechar com chave de ouro este episódio, tem uma passagem no Evangelho, está no Sermão do Monte, que Jesus diz assim, os céus e a terra passarão. Falou céus e terra, a gente lembra Gênesis. Passarão.

Mas, aí, a tradução diz assim, mas nenhum tio da lei passará. Então, vamos esclarecer aqui. Só tem tio na nossa língua, não é? Tio não tem, não tem tiozinho, o do ão, ão, ões, não tem. Por exemplo, em inglês, não tem. Então, a que Jesus está se referindo? Ele usa a menor letra, que no grego está o iota, mas, o grego está traduzindo o hebraico, porque, no hebraico, a menor letra é o iúde e ela é um risquinho. É como se fosse o izinho, quando a gente põe um pingo no i, o iúde do hebraico é um pingo no i. Ele é mais do que um pingo, porque ele é o i, ele é o i, o valor dele é de i, daí, iúde.

Em grego, é o iota. Em português, aí, a gente faz uma adaptaçãozinha, e lei, a gente sabe, é a Torá. Então, nenhum iotazinho vai ser retirado da lei. Os céus e a terra passarão, mais ou menos. Mas, por que você está falando isso? Bom, o que que os comentadores hebreus descobriram aqui? No versículo 7, ele começa assim, vai-e yetzer Adonai Elohim et Adam, ou seja, e formou e modelou o Senhor Deus, o homem, o ser humano, até aí tudo bem, do que da Adamar, do solo argiloso. O problema é o seguinte, tem um i a mais no verbo, quando fala que Deus formou os animais.

Então, o verbo yetzer, ele só tem um i, um iot. E, aqui, quando está falando que Deus formou o homem, tem dois i’s, dois iot. Por que tem um i a mais? Não pode tirar, porque nenhum iot da lei vai passar. Pode ser tirado. Por que? Não pode. Está sobrando aqui, vamos tirar, não pode. Tem um i a mais, é o mesmo verbo. Está escrito errado? Está com uma letra a mais, a menor letrazinha. Bonito isso, não é? Então, aí, nós vamos entender a frase de Jesus, os céus e a terra passarão, mas nenhum iot da lei passará. O que eles entenderam, então?

Tem uma diferença na formação dos animais e na formação do ser humano, porque tem uma letra a mais. E, aí, o que eles dizem? Está aqui. Eu separei os comentários, um comentário judeu, isso é maravilhoso, não é? O Rash, que é um comentarista, um sábio que viveu mil duzentos e pouco, lá na região dos cátaros, ele disse assim, essa letra a mais está querendo dizer que quando Deus formou o ser humano, Ele formou um corpo físico e um outro corpo, o corpo da ressurreição, o corpo que Ele terá depois da morte. Ou seja, no homem, no ser humano, essa formação implica um corpo espiritual, pelo Espírito, e o corpo físico, por isso o iot a mais.

Chegaram a essa conclusão, é o que Ele diz. E, Ele vai chamar esse corpo, na tradição hebraica, o corpo físico se deita, mas um outro se levanta. Nós nos levantamos com outro corpo. Isso é tão bonito, porque, quando André Luiz vai descrever o processo da desencarnação, do Dimas, a desencarnação do Dimas, Ele está deitado, e, o que acontece? De repente, os Espíritos vão fazendo os desligamentos e, de repente, começa a subir uma nuvenzinha, vai subindo e vai por cima do corpo físico, formando um outro corpo. Aí, começa formando os membros, assim, por cima.

Daí, um tempo, tem um corpo por cima do outro, processo de formação do corpo espiritual. E, aí, você fica um duplo, um corpo físico morto, agora morto, e um corpo espiritual, que parece ser a cópia desse, mas, na verdade, esse aqui que é a cópia desse outro, que estava integrado e, agora, está separado. E, aí, ele corta e, aí, eles têm total independência. Então, esse corpo aqui, agora, espiritual, passa a ser completamente independente desse corpo físico. Daí, duas letrinhas, quando diz que o Senhor Deus formou o Adão, dois corpos.

É o cuidado da poesia e a beleza do espírito da letra. Fica, aí, essa pérola para a gente refletir sobre esse texto maravilhoso do Gênesis. No próximo episódio, a gente continua explorando as maravilhas desse texto muito bonito, que, inclusive, lança luzes inestimáveis sobre os ensinos de Jesus. Um abraço a todos! Legendas pela comunidade Amara.org

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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