#038 – Estudo do Velho Testamento – Livro Gênesis

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Neste episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Gênesis, dando continuidade à análise dos conceitos fundamentais da criação e da natureza humana. Ele destaca a importância dos primeiros capítulos de Gênesis como a “régua de ouro” da Bíblia, onde a história do relacionamento entre Deus e a criatura é estabelecida como o tema central de toda a narrativa bíblica.

O que é estudado neste episódio

  • A “Régua de Ouro” da Bíblia: A discussão inicia-se com a ideia de que Gênesis, do capítulo 1, versículo 1, ao capítulo 2, versículo 4, estabelece o arcabouço temático de toda a Bíblia. Este período descreve a criação do cenário evolutivo nos cinco primeiros dias e o surgimento do ser humano no sexto dia, como a criatura eleita para estabelecer um relacionamento com Deus.
  • O Relacionamento com Deus: Haroldo enfatiza que o grande tema da religiosidade é o relacionamento entre Deus e a criatura. Ele argumenta que, devido à onipotência, onipresença e onisciência de Deus, este relacionamento é inevitável. A oposição a esse relacionamento, exercida pelo livre-arbítrio humano, é o que coloca em movimento a história evolutiva narrada em Gênesis a partir do capítulo 2, versículo 5.
  • Conceitos Hebraicos Fundamentais:
    • Ruach (Espírito): Retomando discussões anteriores, Ruach é apresentado como uma potência espiritual divina, frequentemente identificando o próprio Deus no Velho Testamento. A contribuição do monoteísmo hebraico é a afirmação de que Deus não é material, mas Espírito, definido por oposição à matéria.
    • Nefesh (Alma): Nefesh é associado à garganta, respiração e sopro, representando o fluido vital que anima os seres. É a dependência da vida divina, mostrando a fragilidade e a necessidade de sustento do ser humano.
    • Bassar (Carne): Este é o foco principal do episódio. A palavra “bassar” ocorre 273 vezes no Antigo Testamento e tem múltiplos significados:
      • Sentido literal: Carne de animais (104 ocorrências).
      • Referência ao ser humano: Substitui a palavra “ser humano” para indicar que o homem é uma espécie animal e, portanto, efêmero, frágil e limitado.
      • Sentido metafórico: Bassar nunca é usada para se referir a Deus, reforçando que Ele não é material nem efêmero. No sentido metafórico, “carne” representa a limitação, a deficiência e a fragilidade inerentes à criatura em oposição ao Criador absoluto.
  • A Fragilidade da Criatura: A ideia de que o ser humano é “carne” implica sua limitação e dependência de Deus. A passagem de Jó 34:14 (“Se Deus tirasse o seu hálito, toda a carne morreria ao mesmo tempo; ao pó voltaria também o ser humano”) é usada para ilustrar que a existência de toda criatura, material ou espiritual, depende de Deus.
  • A Distância Infinita entre Criador e Criatura: Haroldo explora a ideia de que, para Deus ser único e supremo, nenhuma criatura pode ser igual a Ele. A distância entre Deus e o espírito mais evoluído do universo é infinita, pois somente Deus é absoluto, perfeito e onisciente. Jesus, ao dizer “Bom, só há um, que é o Pai”, reforça essa verdade.
  • A “Carne” na Epístola de Paulo: A interpretação da “carne” em Paulo é revisitada. Não se trata apenas do corpo físico ou das paixões desregradas, mas da limitação e fragilidade da criatura em oposição ao Espírito (Deus). As “obras da carne” são manifestações dessa fragilidade e da incapacidade de aceitar o estatuto de criatura.
  • Adão e Eva como Metáfora da Carne: A história de Adão e Eva é interpretada como a narrativa da limitação e fragilidade humana em luta com o absoluto. A “tentação” da serpente não é sobre sexo ou um fruto literal, mas sobre a promessa de ser “como Deus”, negando a condição de criatura.
  • Jesus como Antídoto ao “Mal de Adão”: O sofrimento de Jesus no Monte das Oliveiras e sua aceitação da vontade do Pai (“Seja feita a tua vontade”) são apresentados como a cura para a rebeldia humana de não aceitar sua fragilidade. Jesus, ao aceitar sua condição de criatura, mesmo sendo o Cristo, oferece o antídoto contra o “mal de Adão”.

Reflexões

  • A essência da religiosidade reside no relacionamento com Deus, que é inevitável e contínuo, mesmo na oposição.
  • A “carne” no Antigo Testamento e nas epístolas paulinas representa não apenas o corpo físico, mas a limitação, fragilidade e dependência inerentes à condição de criatura em contraste com a infinitude e a onipotência do Criador.
  • A história de Adão e Eva, à luz do Espiritismo, simboliza a dificuldade humana em aceitar sua condição de criatura e a tentação de se igualar a Deus, enquanto Jesus, ao aceitar plenamente a vontade divina, oferece o caminho para a superação dessa rebeldia.

Ler transcrição do episódio

O Estudo do Gênesis Boa noite para todos. Nós vamos dar início a mais um episódio desta segunda temporada do Estudo do Gênesis. Especialmente nesta semana, a gente começa um grande ciclo de repetição. Nós comentamos na aula passada que do capítulo 1, versículo 1 de Gênesis até capítulo 2, versículo 4, nós temos um metro. Nós poderíamos chamar de a regra ou a régua de ouro da Bíblia. Tudo mais vai ser medido por esse metro, porque todas as demais histórias vão ser desenvolvimento desse tema. Aproveitando a nossa visita do professor Lucena, que é o grande mestre da música, é como se fosse um motivo.

Esse motivo vai sendo retomado e desenvolvido. Uma melodia básica que vai sendo constantemente retomada. Por que isso? Porque o arcabouço de toda a Bíblia é a história do ser humano, do homem, o homem enquanto ser humano, dentro de um quadro ou dentro de um cenário. Esse cenário está descrito. No primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto dia da criação. Então, o narrador bíblico vai trabalhar a criação do cenário evolutivo nos cinco primeiros dias da criação. No sexto dia surge essa figura primordial, central, que é o ser humano, que, dentre as espécies criadas, é aquela eleita e, portanto, dotada de capacidade, de potencial para estabelecer um relacionamento com Deus.

Então, aqui a gente percebe como esse texto toca em questões que são essenciais e que muitas vezes passam despercebidas numa leitura rápida ou numa leitura desatenta. O grande tema da religiosidade é o tema do relacionamento. O que o texto bíblico quer esclarecer é que há um relacionamento. Há um relacionamento entre Deus e a criatura. Por que nós podemos dizer que há? Sempre há, porque do outro lado da relação está Deus, que é onipotente, onipresente, onisciente. Então, Ele quer que tenha o relacionamento e vai ter, porque nós não temos como opor resistência a Ele.

Ou nós nos relacionamos com Ele ou nós nos opomos a esse relacionamento, mas opor-se a esse relacionamento já é relacionar-se. Essa é a questão, essa é a trama. Se o ser humano aqui tivesse acessado seus potenciais divinos, já de imediato, se ele tivesse sido dócil à aproximação do Criador no relato, não teria história bíblica. Então, teria terminado tudo no capítulo I e início do capítulo II de Gênesis. É uma história curtíssima, mas exatamente porque um dos atributos dessa criatura, desse ser, que é o ser humano, dessa espécie, é o livre-arbítrio, ele pode opor-se.

E, ao opor-se, ele colocou em movimento a história humana, a história evolutiva. Então, o que Gênesis vai narrar no capítulo II, versículo V e em diante, é a história da oposição, do não quero me relacionar ou quero me relacionar, mas nestas condições. Interessante isto, não é? Bastante interessante. E, o texto vai girar em torno disto, sempre voltando à melodia base, sempre voltando à melodia base. É como se ficasse um eco, uma nota soando lá no fundo, que é este início da criação. Isto é importante, todas as vezes que a gente for ler estes textos, atentar para isto.

Hoje, nós queremos desenvolver, mais especificamente aqui, um tema bastante interessante, porque nós já falamos aqui de uma palavra hebraica chamada Ruach, que é o espírito. Já falamos de outra palavra aqui, que é o Nefesh, que é traduzido por alma. E, hoje, nós vamos falar sobre Bassar, que é carne. Só fazendo uma revisão rápida. Quando a gente comentou sobre Ruach, nós falamos de uma potência espiritual, que é divina, que é Deus. Então, quando o Velho Testamento fala no Ruach, no espírito, ele está se referindo, indiretamente, a Deus.

E, não há espíritos, seres conscientes. Não é este o sentido. Evidentemente, que este sentido também ocorre. Vamos ser usados neste sentido de Ruach, mas poucas vezes, na maior parte das vezes, na maior parte das vezes, Ruach identifica Deus. Para fazer uma posição clara. E, aqui, é interessante. Quando a gente aprende, na Doutrina Espírita, que a grande contribuição de Moisés, Moisés como símbolo, como ícone, porque, na verdade, é a contribuição da cultura hebraica, do povo hebreu, deste ramo dos capelinos que aportou na Terra.

Diz-se que a grande contribuição deles é o monoteísmo. Mas, nós não podemos ser ingênuos. Este monoteísmo não é, simplesmente, dizer que existe um só Deus. Não é só isto. Por que não é só isto? Porque, nos templos iniciáticos egípcios, os sacerdotes iniciados acreditavam que só havia um Deus. Isto não era uma novidade. Povos da Mesopotâmia possuem registros simbólicos que a gente consegue deduzir que eles também acreditavam em um Deus único. E, estudos recentes demonstram, se você fizer um estudo mais detalhado da mitologia grega, também, com a figura de Zeus, aponta-se para um Deus único.

Este Deus único que estaria cercado de uma corte celestial, de seres divinos, mas que não são Deus, que o auxiliam, que o ajudam. E, como a massa, o povão, precisava de coisa concreta, então criavam-se várias divindades subordinadas à divindade única. Então, era a deusa da terra, a deusa da chuva, o deus do relâmpago, etc. Mas, por trás, quem estava criando isto sabia da existência de um Deus único, até por um raciocínio lógico. O universo apresenta uma regularidade. Esta regularidade não seria possível se você tivesse dois deuses, porque um poderia querer uma coisa e o outro poderia querer outra e, pronto, dividir.

Então, quando se olhava para os fenômenos, sobretudo os fenômenos astronômicos, ficava evidente que havia uma unidade de propósito, uma lei única. Daí, a regularidade dos fenômenos naturais, os eclipses, o nascer e o pôr do sol, as fases da lua, as marés, o ciclo das plantas, etc. Isto tudo apontava para um Deus único. Então, é claro que não é esta a contribuição do povo hebreu. Não é isto. O que diferencia o monoteísmo do povo hebreu dos demais monoteísmos? E, aqui está o ponto, que foi o que nós tratamos quando estudamos a palavra Ruach.

O monoteísmo hebraico é claro ao dizer Deus não é material. E, aqui está a diferença. Deus não é material. Ele é Espírito. O que é o Espírito? O Espírito é algo oposto à matéria. Nós também não sabemos o que é. Não tem definição no texto bíblico. A definição é por oposição. Então, o que é o Espírito? É aquele que não é matéria. Deus não é material. E, por que? Por que esta oposição? Porque Deus não participa da natureza humana. Este é o ponto básico do monoteísmo. Aí, alguém vai dizer assim, não, está errado. Quem é que fala que Deus se irou, que a mão dele?

Mas, tudo isto é linguagem metafórica. É evidente que é linguagem metafórica. E, por que é linguagem metafórica? Porque todo o texto hebraico está recheado de metáforas, até para se referir ao homem. Se você queria falar que um rei era poderoso, você dizia que o chifre dele era potente. E, ninguém ficava imaginando que o rei tinha um chifre. Eu estou falando de chifre mesmo, de verdade, não é o metafórico, não. Ninguém ficava imaginando isto. Mas, quando se diz que Deus se irou, aí todo mundo interpreta literalmente.

É uma ingenuidade literária. Uma ingenuidade literária. A gente acha que os hebreus eram todos bobinhos, que quem escreveu era todo bobinho, acreditavam que Deus tinha mão. Claro que não acreditavam nisto. O texto básico, o auge da manifestação divina no Velho Testamento é quando Deus se apodera da montanha do Sinai e se comunica com Moisés. Como é que é dito? A montanha pegou fogo. Esta era a forma mais, vamos dizer, mais abstrata que eles tinham para representar. A montanha incendiou-se. Não fala que ele tomou uma forma.

É escolhido o fogo exatamente por isto. E, é um texto muito curioso, bastante curioso, que é o contato, tudo isto é símbolo, tudo isto é literatura, contato que Elias tem com Deus. Como é que é este contato? Ele entra para uma caverna e fica esperando Deus se manifestar. Aí, vem um relâmpago barulhento. Não era Deus. Aí, vem uma tempestade. Ele acha que agora também não era. Aí, vem um tremor de terra. Ele fala que este é Deus. Não era. Aí, sopra uma brisa suave. Era Deus. Uma brisa no vento. Só que, aqui, tem uma pegadinha.

Porque a palavra espírito, em hebraico, é a mesma de vento. Em grego, também. Em hebraico, ruar pode significar um vento. Em grego, pneuma. Daí, pneumático. Pneuma também pode ser traduzido por vento ou por espírito. Então, o texto é delicado, é uma joia, é uma poesia. Quando soprou uma brisa ou soprou um espírito? Não é? Jesus vai brincar com isto lá em João. Ele fala para Nicodemos, assim, em João 4, O espírito sopra onde quer. Qual espírito? Deus. Ele não está falando dos espíritos. Tem muita gente que confunde isto.

Ele está falando do espírito com o artigo definido. Deus, o espírito, sopra onde quer, não sabe de onde Ele vem nem para onde Ele vai. O que significa isto? Que nenhum de nós pode prever Deus. Ele é imprevisível. Porque, se você fosse capaz de prever, você teria a mente dEle. Nós não sabemos de onde Ele vem, onde Ele se manifestou, nem onde Ele vai se manifestar. Nós não sabemos. E, era isto que Jesus estava querendo dizer para Nicodemos. Vocês estão construindo uma religião organizada em que vocês estão querendo aprisionar Deus, como se Ele fosse um pássaro e colocá-lo dentro da gaiola.

Vocês não vão conseguir. Vocês estão querendo prever o que Deus quer, o que Ele acha que deve ser feito. Vocês não vão conseguir, porque isto não é relacionar-se com Ele. Relacionar-se com Ele é entender que Ele é um outro. Ele não é você. Então, Ele vai te surpreender constantemente, porque Ele é outro. É outra pessoa. E, esta é a essência do Evangelho. A essência do Evangelho. O que a mensagem de Jesus faz para aprimorar o edifício mosaico é que ela dá um upgrade nesta ideia de relacionamento com Deus. Apresenta Deus como um pai, pai no sentido de familiaridade, quer dizer, um relacionamento de proximidade, de afetividade.

Se Ele é pai, significa que nós moramos com Ele. Ele mora conosco. Uma série de questões. Mas, o importante aqui para a gente fixar é este termo Espírito. Deus é Espírito. E, o Nefesh, a alma? A alma é, Como nós vimos aqui, ela faz referência à garganta, a respiração, a um sopro. É aquilo que Deus sopra, aquilo que Ele infunde e que torna as coisas vivas. Então, tem mais a ver com o fluido vital do que com o Espírito, com a alma. Interessante isto, não é? É tão curioso isto que, na introdução do Livro dos Espíritos, quando Kardec apresenta as definições de alma, ele fala que a palavra alma é uma palavra complicada.

Ela pode ter várias acepções. Uma das acepções que a alma tem lá, no resumo dele, é de fluido vital, que é uma acepção básica do Antigo Testamento. Os seres só são vivos, eles só ficam animados porque há um sopro de algo divino que vem e dá vida. E, nós necessitamos deste hálito para viver. Daí, a ideia de garganta, de respiração, para mostrar um ser humano que é frágil, que precisa ser alimentado, precisa ser cuidado. Se você pensar no nível mais filosófico, para existir, nós dependemos de Deus. É como se Ele fosse a hidrelétrica.

Se apagar lá, acabou tudo, porque nós não temos vida própria. Nós não temos vida própria. Nós temos uma vida que é dependente, subordinada à vida divina, à vida de Deus. Então, vejam que monoteísmo sofisticado este. E, agora, para completar o edifício, a palavra baçar, que é carne, já dá para entender. Das ocorrências, vamos lá nas ocorrências, que é importante, não é? Aqui, nós fazemos um estudo que é fundamentado, mesmo, no mesmo livro do Hans Walter Wolff, Antropologia do Antigo Testamento. Ele vai dar aqui as ocorrências da palavra baçar, carne.

Ela ocorre 273 vezes, essa palavrinha, no Antigo Testamento. No Novo, ela vai ocorrer muito, porque Paulo vai usar demais. Nós vamos falar daqui a pouco. 104 vezes, ou seja, mais de um terço, ela se refere a animais. Então, isso é importante, porque o primeiro sentido da palavra carne é o sentido do açougueiro. Carne é carne mesmo, não é? É carne do cordeiro, é a carne da galinha, do frango, da perdiz, não é? É carne. Então, esse é o sentido. Ela, também, vai falar de algo, vai se referir ao ser humano como carne. Então, muitas vezes, a palavra ser humano é substituída pela palavra carne.

Para deixar claro duas coisas, que o ser humano é uma das espécies dos animais. Então, ele compartilha. E, segundo, portanto, ele é efêmero. Efêmero. O ser humano é efêmero. Ele é como uma flor. Aí, vem a poesia do Eclesiaste. É como uma flor. Nasce, fica uma flor bela, depois, murcha. Ou como a carne que apodrece, que envelhece, que adoece. Então, a efemeridade do ser humano. E, aqui, tem um detalhe. A palavra bassar nunca é utilizada para fazer referência a Deus. Este é um fato importante. Deus não é carne, não é material, não é efêmero.

Este é um ponto importantíssimo. Agora, o fato que é mais interessante é quando a palavra carne é utilizada no seu sentido metafórico. Então, nós vamos ver isto, por exemplo, em Jó 34, 14. Olha que interessante o texto de Jó. Toda a carne, ele está dizendo assim. Vou contextualizar aqui. Ele diz que se Deus tirasse o hálito dele, olha o que está escrito em Jó. Olha o que está escrito em Jó. Agora, pensa no hálito divino, como diz André Luiz, como o fluido cósmico. Se Deus tirasse o hálito dele, toda a carne morreria ao mesmo tempo.

Ao pó, votaria também o ser humano. Pensa num tanto de robô alimentado por energia. Você vai lá, desliga a energia, acaba tudo. Isto é profundo, profundo. Então, quando se refere ao ser humano como carne, não está apenas querendo dizer do encarnado, de um ser revestido de carne. Não só. Também. Nós falamos aqui antes, no segundo item. Muitas vezes, o ser humano é referido como alguém revestido de carne. Temos até o texto famoso de Ezequiel. Ele pega os ossos, coloca músculos nele, vai colocando carne, depois põe pele e sai andando.

Então, o ser humano como alguém revestido de carne. O encarnado. O encarnado. Agora, aqui, tem um sentido espiritual mais profundo. A pergunta que está por trás, aqui, é hipotético, porque isto nunca vai acontecer e isto é impossível de acontecer. É só uma pergunta didática. Se Deus deixar de existir, você continua existindo? Então, Jó responde assim, rápido, não. Não. A fonte sustentadora de tudo que é material e de todos os Espíritos é Deus. Então, vamos ler de novo. Se Deus tirasse seu hálito, toda a carne morreria ao mesmo tempo.

Ao pó, voltaria também o ser humano. Jó 34, 14. Então, qual é o sentido aqui de que o ser humano, agora eu não estou falando do encarnado, estou falando da criatura, do Espírito. Ele é limitado, deficiente. Sempre. Sempre. Toda criatura é, por definição, limitada. Vamos ver isto, que aqui é importante. Voltando a algumas questões que são fundamentais. Para que Deus seja único, nós temos que atender a uma premissa, a uma condição. Para ele ser único, não pode haver nenhum ser igual a ele. Todo mundo concorda com isto?

Concorda? Kardec desenvolve isto no livro A Gênese, no próprio livro dos Espíritos. Isto é bem simples. É bem simples. Se você tiver um Espírito qualquer, criado por ele, porque todo mundo foi criado por ele, que alcance a mesma inteligência dele, então você tem duas inteligências supremas. Todo mundo concorda com isto? Agora, se eu tenho duas inteligências supremas, então ela não é suprema. Porque o que é inteligência suprema? É a maior. Então, pensa no Espírito mais evoluído do universo. Aqui é igual pedir para pensar no infinito.

É pedir assim. Começa a contar até acabar. É a mesma coisa se você pensar no Espírito mais evoluído do universo. Ele não tem a inteligência que Deus tem. Tranquilo? Ele tem a bondade que Deus tem? Não, também não tem. Ele tem a perfeição que Deus tem? Não tem. Isto é tranquilo? Tranquilo? Só que o negócio é mais grave do que isto. É mais sério do que isto. Ele é absoluto ou limitado? Limitado, porque só Deus é absoluto. Então, aqui eu criei um infinito de distância. A distância entre Deus e o ser mais evoluído do universo é infinito.

Mas, eu nunca tinha pensado nisto. Pois é, filosofia espírita. Agora, Jesus ensinou isto. Quando o rapaz se aproxima dele, ele fala assim, bom mestre, porque o senhor é o Cristo? Não foi isto que o jovem falou? O senhor é o governador espiritual do óbvio? Eu acabei de ler O Caminho da Luz e aprendi que o senhor é o Cristo do planeta. Eu vi lá o Emmanuel e me falou. Por isso, eu estou te chamando de bom. Bom, só há um, que é o Pai. Então, isto é muito importante. Este é o conceito de carne. Carne, no sentido, se refere ao encarnado, o ser que está revestido de carne.

Aí, coitadinha, somos nós. Aí, é a fragilidade da fragilidade da fragilidade. Aí, é o máximo da fragilidade. A nossa condição de encarnado é a de mais absoluta fragilidade, talvez, no universo. Não tem como ficar mais frágil do que isto. Um próximo nível de fragilidade, mas, acima, seria desencarnado. Você pode estar ruim, lá no umbral, péssimo, mas, é menos frágil do que o encarnado. Concordam? É menos frágil. E, assim, vai em graus de fragilidade. Mas, vamos imaginar, então, dos Espíritos puros, Espíritos que não encarnam mais.

Ele deixa esta condição, aqui, de passar? Não, porque ele continua limitado. Ele nunca vai ser absoluto. Ele nunca vai ser o amor supremo. Ele nunca vai ser a inteligência suprema, e mais. Ele só é eterno ou, melhor, eterno ele não é. Ele só é imortal se, e somente se, Deus for eterno. Está complicado demais. Hoje, está mais difícil. Hoje, está muito filosófico. Hoje, está bastante filosófico. Significa o que? A fonte da matéria é Deus. Porque, toda matéria vem do fluido cósmico e todo fluido cósmico vem dele. É o hálito dele.

Mas, os Espíritos também vêm dele. Aqui, os Espíritos usam um conceito, o próprio Emmanuel usa, que vai dar uma ideia para a gente. Ele diz assim, nós somos centelhas do Criador. Ele é a fonte de luz e nós somos raios. Se a fonte apagar, o raio apaga. Então, quem garante a nossa imortalidade é a eternidade de Deus. Então, mas, o que isto tem a ver com Gênesis? O que tem a ver é o que o texto de Gênesis quer transmitir no final das contas. Quer dizer, no frigir dos ovos, depois que a conta vem com os 10%, o que é a lição?

A lição é você não existe fora de Deus, você não existe sem Deus. Ele é o fundamento da tua existência, não só material, quanto espiritual. Ele é o absoluto, ele abarca, nós somos sempre o limitado. Entende, gente? Eu me recordo, porque tem coisas que são bonitas, e, aqui, nós estamos entrando nessas questões que são macrocosmicas, macrocosmicas. Eu vou contar dois casinhos, a gente já contou isto aqui, mas vale a pena recordar, porque é apropriado agora para o momento. Uma vez, o Chico, conversando com Emmanuel, ele falou que queria entender um pouco mais da grandeza de Deus.

Que era bem mineirinho, Mineiro, Pedro Leopoldo, estava em Pedro Leopoldo, cidadezinha do interior, casinha humilde, cinto, na mesa. Emmanuel falou, você quer? Então, levou ele desdobrado para uma espécie de cinema 4D espiritual. E, ele começou a sentir que se estivesse afastando da Terra. A Terra ficou pequenininha. Aí, começou a ver o sistema solar. De repente, o sistema solar começou a ficar pequenininho. Aí, começou a ver a galáxia. De repente, a galáxia começou a ficar pequena. E, outras galáxias maiores foram surgindo e foram ficando pequenas.

Ele vira para Emmanuel e fala assim, não dá para a gente voltar, não? Porque me deu uma vontade de tomar um café. O Chico tinha um dom de transmitir grandes lições com uma fala aparentemente ingênua. É claro, é claro, que não deu vontade dele de tomar café. Não é isso que ele está querendo dizer. O que ele queria dizer é que chega um determinado momento e você perde referência. A gente muda de casa e fica desnorteado. Quando você, pelas circunstâncias da vida, se vê levado a mudar de uma cidade e você chega em uma cidade nova, você fica completamente perdido.

Você mudou de uma cidade. Não é nenhum país. Uma cidade dentro do seu estado ou fora, do estado vizinho. Você está ali com um relacionamento com alguém, essa pessoa morre, ou separa, vai embora. Você fica perdido. Então, imagina você ser levado para um ambiente de galáxias. Você perdeu o referencial porque não tem mais sua rua, não tem mais seu CEP, não tem mais sua cama. Então, o que o Chico estava querendo dizer é isso. Eu quero tomar meu café. Eu quero as minhas referências. Eu não dou conta disso. Agora, será que isso vale apenas para o encarnado?

Será? Então, vamos lá. Eculano Pires foi entrevistar Chico Xavier e eles começaram a falar sobre Cristos, sobre os seres que estão na introdução do livro Evolução em Dois Mundos. Os arcângelos, os dévoras, os cristais, você pode dar o nome que você quiser. São os seres divinos porque eles já atingiram um nível de evolução e eles estão em um processo de comunhão com Deus indescritível, já falamos disso aqui. Portanto, eles estão em um nível que é nem o campeonato europeu. É mais do que isso. É top, top, top. E, aí, o Eculano está conversando sobre isso.

O Eculano cita Platão, que Platão já falava desses seres, os demiurgos, quer dizer, um germe da ideia de governador planetário. Está lá em Platão. Cita isso. E, aí, o Chico me solta o seguinte. O Chico diz assim com todo o respeito a Nosso Senhor Jesus Cristo. É o jeitinho dele de falar com todo o respeito a Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele não é o Cristo do Sistema Solar, que é o Cristo do Sistema Solar. É um Cristo de maior poder criador. Agora, imagine com todo o respeito a Nosso Senhor Jesus Cristo ele tendo consultoria com o Cristo do Sistema.

Agora, você tem aí uns cem bilhões de sistemas solares só na nossa Via Láctea. Aí, periodicamente, eu não sei a data. Não adianta me perguntar. Qual é a data da reunião? Eu não sei. Mas, periodicamente, esses cem bilhões de cristos de sistemas solares se reúnem com o Cristo da Galáxia. Vocês dão conta de imaginar isso? Não dá? Agora, esse Cristo da Galáxia ele se sente limitado. Sabe por que ele se sente limitado? Porque, periodicamente, ele vai numa reunião de Cristos das Galáxias e tem um Cristo de um aglomerado de Galáxias.

Aí, ele conversa com esse e ele fala assim eu me sinto tão pequeno porque tem multiverso, tem mais de um universo. Entendem? Entendem? Agora, infinitamente acima disso tudo está Deus. Essa é a ideia. Essa é a ideia. A ideia que dá carne é essa. Por isso que quando Paulo aqui é importante para a gente Por que nós estamos falando isso aqui? Porque Adão é isso. Define Adão e Eva. Adão e Eva é carne. É a história da limitação, da efemeridade, da fragilidade em luta com o absoluto, com o eterno, com o imperecível. Só que o bonito dessa luta é que o absoluto não golpeia.

Ele gradua a sua manifestação. Entendem? Porque, imagina um sol diante de uma formiga, se ele brilhar a todo vapor, acabou a formiga. Então, Deus gradua. Eu acho que quem escreveu isso poeticamente tão bonito foi o Gilberto Gil quando se refere a Deus e fala assim o detrás do de trás. Por trás do de trás. Então, Deus é esse que se oculta de trás. É tão bonito isso porque a gente vai percebendo e a física hoje mostra isso. A realidade física está no micro. Está escondido lá no interior do átomo. A realidade da matéria está no micro, não está no macro.

Então, o poder absoluto se esconde por detrás do de trás e gradua. Tirando de lado toda a linguagem simbólica, às vezes até empolada, a Kabbalah judaica fala isso quando ela trabalha as emanações de Deus. O que ela quer dizer com isso? Nós não conhecemos Deus, nós conhecemos as manifestações dele e ele tem níveis de emanação. Então, tem uma manifestação dele que só os Cristos percebem. Aí, ele dá uma outra manifestação mais concreta e outros seres já percebem. Até chegar no concreto do concreto que é o que a gente percebe.

Mas, isso não é ele. É uma emanação dele. Não é ele, propriamente dito. E, quem consegue olhar para o sol? Quem consegue ficar diante de um forno de cem mil graus Celsius? Não existe isso. Essa é a ideia que está aqui por trás. Eu fico tão impressionado porque, por exemplo, quando a gente lê esse texto aqui do Hans Walter Wolff, é um teólogo, teólogo protestante, esse livro é brilhante, Antropologia do Antigo Testamento. E, ele escreve, escreve, mas, me parece que ele não captou a essência. A essência mesmo ele não captou por falta desses conhecimentos que dizem respeito à existência do Espírito, à imortalidade e outros.

Então, quando Paulo fala de carne, qual foi a primeira interpretação que fizeram de Paulo? Ah, ele está se referindo à carne, então, é corpo. O corpo é o inimigo do Espírito. Então, durante séculos, a gente acreditou que você tinha que maltratar o corpo, tinha que ficar bem magrinho, deixar de comer. O problema é o corpo. Aí, superamos isso e entendemos que o corpo não tem problema nenhum com o corpo. Não tem problema nenhum. Aí, começaram a ler carne como se fossem as paixões. Então, tem que eliminar todas as paixões.

Aí, começou um tipo de ascetismo moral. Não pode ter paixão nenhuma. Eu não posso me emocionar. E, tem gente, até hoje, nisso. Ser espiritual é o quê? É nem ficar alegre nem triste. Eu não fico nada. A gente aprende na revelação espírita que as paixões são como cavalos que precisam ser domados. Então, quanto mais cavalos, melhor. Quanto mais paixão, melhor. Qual é a potência do seu motor? Trezentos cavalos. Não tem problema nenhum. Eles têm que estar domados. Você tem que estar no comando. Então, carne não pode ser paixão.

Então, olha que coisa aqui. Aqui vai entrar o pulo do gato. Se carne não é paixão, porque paixão desregrada é o problema de desregramento. Mas, se você mexer na direção e na intensidade, você corrige, você educa. Aí, se torna uma virtude. Então, não é isso. O problema também não é o corpo, apesar de que o corpo impõe mais limitações ainda. Então, o que que é a carne? Porque Paulo diz assim, as obras da carne, são várias, só coisa ruim, ciúme, maledicência, adultério, prostituição, assassinato, tudo de ruim, são as obras da carne.

E, o Espírito? Aí, ele fala no singular e o fruto do Espírito. Interessante! No singular. E, aí, o que é essa danada da carne, então? Aqui que vem o gatilho e a introdução que eu queria fazer para a gente começar a estudar Adão e Eva. O que é essa carne que está sempre em oposição ao Espírito, que é o inimigo do Espírito? Então, já vamos dizer aqui, Adão e Eva não tem nada a ver com sexo, não tem maçã no texto, não sei de onde que tiraram a maçã, ela não aparece nenhuma hora. Fruto aqui, não é? Questão de sexo, não tem problema nenhum, porque Adão andava pelado com Eva e eles nem se importavam com isso.

Nada! Qual é o problema da carne? Então, aqui nós vamos entrar, porque esse é o mote que pode te derrubar em qualquer estágio da evolução que você estiver. Acontece que, depois de um determinado estágio, o Espírito não cai mais nessa armadilha boba. Qual é, então? Carne significa, em relação ao Espírito que é Deus, significa limitação, limitação, no sentido de limitar, de não absoluto. A criatura não é absoluta, a criatura não é onisciente, a criatura não é perfeita, a criatura não tem acesso a tudo. Essa é a carne, no sentido metafórico.

No sentido físico, carne é estar encarnado, porque estar encarnado é uma aula didática, uma aula didática para nos mostrar que nós somos limitados. Entendem? Então, eu fui lá fazer hoje o exame, aí o médico falou assim, você está com quantos anos? Não, eu vou fazer 45. Ele falou assim, já estão sinais de desgaste no olho. E, só vai piorar. Ela só vai piorar. Só vai piorar. Ela não disse até por elegância, mas, se ela fosse ser verdadeira, ela dizia assim, isso vai acabar em morte. Vai acabar em morte. Porque é a efemeridade da vida física.

Mas, a efemeridade da vida física é uma metáfora da efemeridade da limitação da criatura em relação ao Criador. Entendem? Então, você pode chegar Emmanuel aqui agora, Bezerra de Menezes, Clarencio, e você falar para eles, nossa, são espíritos iluminados, eu estou aqui encarnado ainda. Gente, dá para vocês irem lá no sol e voltarem? Ele vai falar, não, eu não consigo. Nossa, não é espírito iluminado? Aí, ele vai falar assim, menos, menos, meu filho, menos. Nós não somos Deus, nós somos espíritos. Isso é maravilhoso.

Que é o que nós falamos no episódio passado, quando Félix, o benfeitor, no livro Sexo e Destino, está cuidando de tudo, por causa da moça que ele está cuidando, que é a personagem central do livro. Aí, ele faz de tudo, ela quer suicidar, ela vai na farmácia para comprar um veneno, aí eles influenciam o farmacêutico, o farmacêutico dá um negócio errado, ao invés de dar o veneno, dá o sonífero, ela toma o sonífero, dorme, e eles falam, graças a Deus dormiu, está resolvido, ela acorda e é atropelada. Nessa hora, André Luiz olha para o Félix e fala assim, isso estava nos planos?

Ele diz, não. E, o senhor sabe o que nós vamos fazer agora? Ele diz, rezar. Agora, nós vamos orar, André Luiz. Vamos orar. E, qual é a lição aqui? A lição é que, se há um relacionamento inevitável e inafastável entre eu e Deus, o maior erro da evolução é eu me colocar na posição de Deus. Esse é o problema. Então, na questão 132, quando pedem para Emmanuel definir o mal, ele define de maneira extraordinária. Ele diz assim, o homem, confiando mais em si mesmo do que na providência divina, transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias à lei de Deus, eis o mal.

Então, é a formiga que pega uma espada do tamanho dela, um escudo para lutar com o Tiranossauro Rex. Temos coisas importantes nessa definição de Emmanuel. Confiar mais em si. Ele não está dizendo que você não tem que confiar em si. É o contrário. Você tem que confiar mais em Deus do que em nós. Você tem que confiar em você, mas mais em Deus. Por quê? Só porque ele é absoluto. Só por isso. E, transforma a sua fragilidade em foco. É um focozinho infeccioso. O que acontece quando tem um foco infeccioso? Vem o sistema imunológico e faz o quê?

Isola aquele foco e trata. Aí, vem Emmanuel. Olha só! Transforma a sua fragilidade, a sua carne, porque o que é a fragilidade? É a carne, é abassar. É a fragilidade. A nossa fragilidade gera o ciúme, gera o mal, gera a inveja, gera o egoísmo, gera o orgulho. Tudo isso é gerado pela fragilidade, por uma necessidade de eliminar essa fragilidade. Está muito difícil isso, gente? Certa vez, eu assistia a um grande psiquiatra e, aí, a pessoa estava contando os casos e disse que algumas pessoas se sentem inseguras, porque elas só têm um real na sua conta bancária.

Então, ela disse que se sentiria muito segura se ela tivesse um milhão de reais. E, eu atendo pacientes que vêm consultar comigo porque estão inseguros, porque têm um milhão de reais. Aí, uma pessoa fez uma pergunta, soltou a mão para a terra. Então, o que eu preciso fazer para ter segurança? Aí, ele respondeu assim, não há segurança. Não existe segurança humana, porque como que um ser limitado, relativo e frágil pode criar uma segurança absoluta? Só pode haver um gênero de segurança genuína, aquela que vem de Deus, aquela que vem da homologação divina.

Como diz na linguagem popular, Deus pôs a mão. Deus pôs a mão. A insegurança não é causada pelo medo? Também. Também. Porque é o medo da dor. O medo é uma das causas da insegurança, mas tem outras. Mas, a raiz de tudo é essa fragilidade. Agora, tem alguma novidade nisso? Nós vamos ver que não tem nenhuma. Qual é o diálogo da serpente com Eva? Ela não perguntou para Eva assim, ó, Você está tendo relação sexual com seu marido? Foi essa a conversa? Não foi, gente? Ah, você está, fiquei sabendo que você está bebendo aí, você está comendo umas comidas estranhas.

Não foi isso? Fiquei sabendo que você colocou uns pices aí na barriga, né? Ó, você vai para o inferno. Não foi isso? A conversa não foi essa. A conversa foi assim. Qual foi a ordem que foi te dada? A ordem foi que eu podia comer de tudo, menos de uma árvore. Aqui que a serpente falou, ah, ah, é porque Deus está com medo de você ser igual a Ele, porque Ele sabe que na hora que você comer desse fruto, você vai ter o conhecimento que Ele tem. Esse é o mote, esse é o leitmotiv, como dizem, né? Essa é a célula melódica da sinfonia.

É isso que dá origem a tudo. A nossa incapacidade de aceitar o nosso estatuto de criatura, que é um estatuto de fragilidade. E, é isso que horroriza, o que deixa todo mundo assustado quando lê o Evangelho. Todo mundo vem e pergunta assim, mas, Arudo, por que Jesus chorou no sermão? No Monte das Oliveiras? Por que Ele pediu para afastar o Cálice? Ali está o antídodo, ali está a cura do mal de Adão. Quando Jesus chora no Monte das Oliveiras e pede para afastar o Cálice, Ele está dando a cura do mal de Adão e Eva. Por que?

Porque Ele está abrindo os braços e aceitando a condição de criatura, aceitando de bom grado. E, Ele conclui a crucificação, eis que tudo está consumado. Em tuas mãos, Pai, entrego o meu Espírito. Curou. É o antídodo. Por isso que, agora vou parecer pastor, o sangue do Cristo tira os pecados do mundo. Entendem? O sacrifício do Cristo é o antídodo contra essa rebeldia humana de não aceitar a sua fragilidade, a sua limitação de criatura. E, Jesus só é o Cristo, só um que Ele é, porque Ele aceita que é criatura. Por que me chamas bom?

Bom é só o Pai. Dessa data, nem o Filho nem os anjos do céu sabem, mas só o Pai. Seja feita a tua vontade, na terra como nos céus, porque nos céus já é feita. Nos céus, em termos de vibração, vibrações superiores, a vontade divina já é feita, porque quem está morando lá já entendeu isto. Mas, é esta a ideia de carne e este é o motor da história de Adão e Eva. Aqui, a gente acaba. No episódio que vem, nós vamos desenvolver isto, mas muito, muito, muito. Nós vamos ter a Bíblia inteira para desenvolver isto.

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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