#035 – Estudo do Velho Testamento – Livro Isaías

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Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento à luz do Espiritismo, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro de Isaías, um dos mais proféticos e impactantes textos bíblicos. O foco principal é o capítulo 53, considerado o “topo da pirâmide” e o centro do livro, onde as profecias sobre o Messias se revelam com notável clareza e profundidade.

O que é estudado neste episódio

  • Isaías 53:1-3: O Messias como “braço do Senhor” e renovo em terra árida. A discussão aborda a linguagem hebraica que concretiza o abstrato, comparando o Messias a um “agente executor da vontade divina”, conforme os Espíritos revelaram a Kardec. A imagem do “renovo em terra árida” é analisada como a vinda de Jesus a corações não receptivos, contrastando com a simbologia de terra fértil à beira do rio, presente no Salmo 1.
  • Isaías 53:4-6: O sofrimento do Messias e a expiação coletiva. Haroldo Dutra Dias enfatiza que o sofrimento de Jesus não era uma necessidade pessoal, mas sim a manifestação do amor e da expiação pelos sofrimentos da humanidade. A profecia é apresentada no tempo passado, como se Isaías já tivesse presenciado os eventos, uma estratégia literária que confere certeza à narrativa.
  • Isaías 53:7-9: A passividade e o silêncio de Jesus. A imagem do “cordeiro conduzido ao matador” e da “ovelha muda” é explorada, destacando o silêncio divino de Jesus diante da violência humana. É feita uma conexão com o sacrifício de Isaque, onde o cordeiro substitui o filho, mas no caso de Jesus, o sacrifício se concretiza.
  • Isaías 53:10-12: A vitória do Messias e a intercessão pelos criminosos. A profecia culmina na vitória do Messias, que, apesar de ser contado entre os criminosos e entregue à morte, verá sua descendência e o desígnio de Deus triunfar. A intercessão pelos criminosos é associada ao diálogo de Jesus com o ladrão na cruz.

Reflexões

  • A expiação, embora dolorosa, é uma “cirurgia na alma” que visa a cura e a purificação, levando à paz da consciência.
  • O silêncio de Jesus na cruz representa a resignação e a ação interior, ensinando que, quando o ambiente não pode ser mudado, a transformação deve ocorrer dentro de nós.
  • A interpretação do “cálice” na oração de Jesus no Getsêmani é debatida, alertando para não confundi-lo com a cruz, pois Jesus não demonstrava medo da morte e já havia anunciado sua crucificação.

Ler transcrição do episódio

Olá, boa tarde, Leonora. Boa tarde, boa tarde, amigos. Mais uma sexta-feira de Isaías. Exatamente, Leonora. Já está aqui uma turma boa aqui, né? No grupo. Sim. O Fabinho, né, que foi o primeiro a entrar. O Fabinho disse que com esse novo horário ele está conseguindo acompanhar ao vivo. Um abraço para o Centro Espírita Luz e Amor de Urutai, Goiás. Nossa, que bacana. Um abraço para a Andria Nascimento, que nos deu também Boa Tarde, o Emerson Cunha, Marli Veiga de Menezes, Paulo Costa, Lilian Quadros, Neide Nauva Perini, Neide, né?

A Neide lá de Caxias do Sul, desconheceu o Haroldo lá quando foi entrevistar, quando autografou as cartas de Paulo. Ah, que legal. A Mônica, a Elza, vários amigos, né? A Cida está sempre conosco. A Luciana, minha irmã, o Edu. Então, vamos lá. E aí, Leonora? Hoje vamos dar sequência? Nós estamos lendo aqueles capítulos, né, Leonora? E é bom porque a gente está tomando contato com o texto mesmo de Isaías, né? E hoje eu separei aqui, para a gente poder, o capítulo cinquenta e três. Que é um capítulo, assim, eu não vou dizer nada.

Nós vamos aproveitar para ler esse capítulo todo, né? E aí a gente vai sentir a força do profeta Isaías. Então, vamos. Deixa eu achar ele aqui. Tá. Cinquenta e três. Cinquenta e três, eu já tenho aqui. É o topo da pirâmide, esse capítulo. Exatamente. É o centro do livro, né? É o centro do livro. Então, vamos lá. Vamos lendo e a gente vai comentando alguma coisa, né? Para a gente entender a força desse texto. Quem acreditou naquilo que ouvimos? E a quem se revelou o braço do Senhor? Bom, aqui a gente já percebe o emprego de expressões linguísticas do hebraico.

Mas, essas expressões, elas são extraordinárias, porque elas dão concretude a algo que é abstrato. Então, aqui, o Messias, o Cristo, é chamado de o braço do Senhor. E é exatamente isso. Quando nós lemos lá na revista Espírita, fevereiro de mil oitocentos e sessenta e oito, os Espíritos dizem assim para Kardec, naquele conjunto de mensagens e Kardec agrupa sobre o título Messias do Espiritismo. Os Espíritos vão esclarecer o que são os Cristos. E tem um momento lá que os Espíritos dizem assim. São vários, né? São Luís, La Menela, Cordé, que eles são agentes executores da vontade divina.

Agentes executores da vontade divina. Olha que interessante. Para o hebraico, esse tipo de formulação abstrata não existe. Então, como que a língua hebraica formula isso? Que o Messias é o braço de Deus. Está explicado, né? Está explicado. Como a gente diz, fulano é meu braço direito. Por quê? Porque a pessoa é destra, ou se ela for canhota, é meu braço esquerdo. Ou seja, executa. Então, isso é interessante, olha. Ele cresceu diante dele, quer dizer, diante do Senhor, como renovo, como raiz em terra árida. Olha novamente a ideia do renovo, do broto, da raiz de Gessé.

Então, um broto que nasceria da raiz. A raiz é a mesma, essa raiz gerou um tronco, que foi a tradição do primeiro testamento, da primeira revelação, e agora um novo broto inauguraria a segunda revelação. Só que, ao contrário do que a gente imagina, não muda a raiz. É uma mesma árvore. Mudam os ramos, os troncos, né? É como aquela… vai galhos, né? Vai bifurcando. Então, um novo… Só que aqui, o que é interessante? Em terra árida. Porque a Bíblia hebraica, ela usa uma expressão para receptividade, para acolhimento, para alguém que está ouvindo.

Ela compara essa terra, esse coração receptivo, a uma terra fértil às margens de um rio. Interessante também essa simbologia, não é, Heleonora? Quer falar alguma coisinha? Você está calada hoje. Não, eu estou ouvindo, porque o assunto é… Interessante quando fala… Primeiro, a questão sobre o braço, né? Quando fala, inclusive, lá na doutrina espírita, na escala espírita, quando vai falar dos Espíritos puros, né? Que executam a vontade de Deus, realmente, pega braço e é o mesmo símbolo, né? Exatamente, exatamente.

E esse da terra, dessa terra que está à beira do ribeiro, é um termo importantíssimo, é uma imagem, né? O Velho Testamento, ele é composto de um número limitado de imagens, que são imagens do agricultor e do pastor, imagens da vida na tenda, aqueles elementos mais singelos da vida daquele povo de agricultores, de… do rebanho ali, de pescadores, é aquilo ali, é aquela vida, é aquela vida. E esse tema da árvore que está plantada numa terra fértil à beira do ribeiro, do coração humano, que é uma terra fértil próxima de um rio, é o tema do Salmo número 1.

O Salmo número 1 utiliza esse tema. E, no meio do Salmo, ele muda de imagem para o tema do banquete, que é outro tema também, para a alegria, para a felicidade, para a espiritualidade, é o tema de um banquete. Então, a gente vê que são imagens bem singelas mesmo, do cotidiano. Então, qual que é a ideia aqui? O Cristo seria um renovo em terra árida. Então, ele não contaria com corações receptivos, acolhedores. Ele contaria com terrenos áridos, terra seca. Olha que imagem bonita. Não tinha beleza nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosura capaz de nos deleitar.

Então, aqui, é preciso tomar um cuidado, porque aqui não está falando da beleza física de Jesus. Aqui está dizendo que os atrativos que eram considerados valor, Jesus não tinha. Então, ele não vem, ele não é um príncipe de um reino, ele não vem com um exército de guerreiros. Ou seja, ele não vem como Davi. Não vem como Davi. Então, ele não tem cem esposas, ele não tem súditos generais, exército, palácio, ele não tem esses símbolos, símbolos de poder, símbolos de prosperidade e símbolos de beleza, de atratividade. Não é?

Humanos, né? Humanos. Humanos. Imateriais, né? Ou, para ser mais preciso, corpóreos. Não é? Porque essa é a simbologia do mundo corpóreo. Hoje é outro, os símbolos são outros, né? Hoje é um jato, uma bolsa da Louis Vuitton, não é? Roupa da Dolce & Gabbana. Os símbolos são outros, a beleza é outra, mas é a mesma coisa. Muda só o instrumento, mas a mentalidade é a mesma. O Cristo, ele não viria com isso. Olha que interessante. Era desprezado e abandonado pelos homens, homem sujeito à dor, familiarizado com o sofrimento, como pessoa de quem todos escondem o rosto.

Isso é forte. Isso é forte. Porque, até hoje, a cruz de Jesus e tudo que cercou o episódio da crucificação já era um mal-estar. Já era um mal-estar. Desprezado, não fazíamos caso nenhum dele. Por exemplo, não tinha atenção. E, no entanto, eram nossos sofrimentos que ele levava sobre si, nossas dores que ele carregava. Então, aqui é uma coisa importante que nós precisamos prestar atenção nisso aqui. Nada do que Jesus passou aqui na Terra é necessidade dele. Nós precisamos ter muita lucidez contra isso. Porque, se nós não tivermos lucidez contra isso, nós vamos começar a acreditar que Jesus estava espiando algum dele, que ele estava passando por alguma aprovação.

Então, o profeta, com muita precisão, mas com muita precisão, ele está dizendo assim aquele sofrimento ali não é dele. Aquele sofrimento ali é nosso. É um manual, né? É um manual de como a gente deve passar pelos sofrimentos. Não é? O Pedro Alsa está lembrando aí. Sim, o profeta está usando no passado. Isso é uma coisa belíssima da profecia de Zaías, porque ele fala como alguém que já viu acontecer. Né? Bonito isso, né? Então, é como se ele se colocasse depois do acontecimento, ele olhasse para trás e enxergasse o que aconteceu.

Ok, Pedro? Muito bem lembrado isso aí. Isso é uma estratégia literária dos livros proféticos. Né? E é bonito porque ele não tem dúvida do que aconteceu. Ele não tem dúvida. Então, ele já está se colocando depois do fato consumado e olhando e olhando para trás. Isso me lembra uma música do Djavan, né? O Djavan diz assim, Eu considero a vida como fato consumado Não é? Como fato consumado. Olha… Interessante, né? Oi, Leonora, você ia falar? É… Eu ia falar sobre as dores dele, né? Isso que você falou, que ele não precisava em nada passar sobre isso, né?

E tenho lido muito e várias mensagens e recorrente que parece que o espírita ou que os religiosos que leem a Bíblia, que leem os ensinos, não vão passar pelas dores ou sofrimentos. E, na verdade, é. Nós vamos passar, mas com um manual na mão, né? A gente faz a prova com o livro na mão de como passar pelas atribulações, como passar pelas aflições, né? Nossa, fantástico isso. Pelo exemplo de Jesus. Porque parece que os religiosos, em muitas falas a gente escuta, né? Parece que afasta as atribulações ou as vicissitudes.

E lá na 132 fala que não, que o objetivo da encarnação é a gente passar pelas vicissitudes e pelas atribulações, né? Passar pelas vicissitudes da vida corporal. E esse é o trabalho da purificação da alma. O trabalho da purificação da alma. Bonito, né? E também esse versículo lembrou do Cristo consolador, lembrou do jugo mais leve, né? De Jesus carregando nosso sofrimento. Isso mesmo, lembrou. A Zuila tá perguntando se todos os livros proféticos falam no tempo verbal passado. Não, Zuila, essa é uma estratégia. E ele não fala o tempo todo no passado também, não.

É uma das estratégias que utiliza pra poder… Pra poder… Narrar, né? Parece que ele tá contando um filme que ele assistiu. Ele assistiu a cena, assistiu o filme e tá nos contando, né? Tá nos contando. E aí começa assim. Mas nós o tínhamos como vítima do castigo, ferido por Deus e humilhado. Então, ele foi visto. Isso é importante. Agora, aqui, aqui a profecia começa a ficar muito incrível. Muito incrível. Por quê? Porque a crucificação para o judeu é uma abominação. É um tipo de morte para o injusto. Então, não é uma morte…

No imaginário da cultura hebraica, alguém que tem uma morte assim é um amaldiçoado por Deus. Então, com esse versículo aqui, o Isaías tá quase falando a palavra cruz. Porque ele tá dizendo assim. Nossa! A morte dele vai ser um negócio tão infame que nós vamos achar que Deus castigou ele. Que ele é um ímpio. Nós vamos ver que o texto vai prosseguir nesse raciocínio. Vamos prosseguir nesse raciocínio. E, na verdade, esse é o grande argumento para rejeitarem o Cristo. Como é que um Messias pode morrer numa cruz? Esse foi o grande argumento.

Como é que um Messias pode morrer numa cruz? Então, vamos lá. E, agora, começa a ficar. Então, agora, Isaías, ele tá começando a detalhar a crucificação. Começando a detalhar. Vamos lá. Mas ele foi trespassado por causa das nossas transgressões. E esmagado por causa das nossas iniquidades. Então, aqui o tema do trespassamento. Não é? Daquele centurião que trespassou Jesus. Que, aliás, é Dom Pedro II, né? Brasil, coração do mundo. É. Trespassado pelas nossas transgressões. O castigo que havia de trazernos a paz caiu sobre ele.

Sim. Por suas feridas fomos curados. Olha isso aqui. O castigo que havia de trazernos a paz. Esse é um texto profundo. A expiação é para trazer paz. Porque a expiação é uma cirurgia na alma. Né? A expiação é uma cirurgia na alma. Deu uma quietinha. Mas já volta. Caiu? Caiu. A sua imagem estava congelada. Agora voltou. Então, a gente estava usando a metáfora da cirurgia. Que a expiação, ela abre e retira algo adoecido. E depois fecha. Cicatriza. É claro que dói. É claro que dói. Mas o propósito não é doer. O propósito é curar.

O propósito é purificar. Não é? E, quando nós nos purificamos, nós atingimos a verdadeira paz, que é a paz da consciência. Porque toda vez que nós ferimos alguém, toda vez que nós ferimos a lei divina, nós trazemos perturbação para a consciência. Nós trazemos intranquilidade para o nosso ser. Então, por suas feridas, fomos curados. Olha isso. Bonito isso. Todos nós, como ovelhas, olha isso, andávamos errantes. Seguindo cada um o seu próprio caminho. Olha o problema do egoísmo e do orgulho aqui. É que cada um quer fazer um caminho.

Mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Foi maltratado, mas livremente humilhou-se. E não abriu a boca. Por isso que Jesus fica em silêncio. O silêncio de Jesus durante todo o episódio, desde o momento que ele é preso até os últimos momentos da cruz, é um silêncio divino. É um silêncio que fala mais alto do que o maior grito que já se deu até hoje na Terra. Não abriu a boca. Como cordeiro conduzido ao matador. Então, aqui entra a imagem do cordeiro. O cordeiro de Deus. É aqui, olha a força do profeta Isaías.

Então, essa imagem do cordeiro de Deus que tira as transgressões do mundo vem daqui. Por isso que esse capítulo é o topo do livro de Isaías. Aqui parece um evangelista. Parece um evangelista. Não é? Parece. Como cordeiro conduzido ao matador, como ovelha que permanece muda na presença dos tosqueadores. Então, ele pacificamente se entregou a toda a espécie de violência humana. Toda a espécie de violência humana. A Dionísio está falando, olha, dialoga com o sacrifício de Isaac, a quedar de Isaac. Sim, com um detalhe, Dionísio.

Quando Isaac ia ser sacrificado, foi interrompido o sacrifício. E aí, Deus deu um cordeiro que estava preso no arbusto. Aquele cordeiro é o Messias. Porque Isaac foi poupado, mas não Cristo. Não Cristo. Tem uma reflexão, né? Porque a gente pensa, Espírito puro, os Cristos, os co-criadores, a gente imagina sempre criando, sempre trabalhando para Deus, né? Ativos. E aí, a gente vê esse Cristo passivo, né? Esse Cristo deixando agir à vontade do pai, não falando, né? Não se expressando. Essa lição, assim, para nós mesmos, né?

Que sempre queremos essa defesa, mostrar explicação, mostrar pelo raciocínio, né? E eu acho que o grande aprendizado é esse. A hora da gente co-criar com o pai, né? Estar trabalhando inativa e fazendo coisas e construindo mundos, né? Construindo a nossa vida. E a hora que a gente aceita a resignação, né? As tribulações. Isso. Então, é assim, né, Leonor? Eu gosto de pensar da seguinte maneira. Existe a ação externa, existe a ação interna. Então, quando eu estou agindo externamente, é porque algo pode ser modificado.

Pode ser modificado. Quando a circunstância, o acontecimento, não pode ser modificado, a ação tem que mudar de sentido e ela tem que se tornar uma ação interior, que é a resignação. Por isso que chama resignação. É uma redesignar a ação. Ela deixa de ser uma ação no ambiente e passa a ser uma ação dentro. Então, aqui, no episódio da cruz, Jesus semeou o Evangelho e a semente foi colocada nas profundidades da terra. Restava a ele apenas aguardar. Aguardar que a semente brotasse. Porque, a partir do momento que ele colocou a semente na intimidade da terra, não há mais nada a fazer na terra.

Tem que aguardar. É como a mamãe, a mamãe que faz o bolo delicioso, cenoura com cobertura de chocolate, daite, fez tudo e coloca o bolo no forno. Coloca no forno, o que tem que fazer? Tem que esperar. Então, tem a hora de quebrar os ovos, tem a hora de mexer a massa, tem a hora de agir no ambiente e tem a hora de esperar a resposta surgir. Então, o silêncio do Cristo é o silêncio do cultivador de almas. Por quê? Eu semeio, mas eu aguardo brotar. É por isso que Paulo diz assim, eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento.

Então, aqui, Jesus planta, mas entrega a Deus a colheita, o processo de germinação. É profundo isso. É profundo. O problema é que a gente quer plantar e dois segundos depois já quer colher. Então, nós somos, muitas vezes, a gente acaba de plantar a muda de pé de café e já chega com a xícara querendo tomar o café. Mas, aquela planta só vai dar café daqui cinco anos. Não tem jeito. São ações diferentes, uma ação dentro e uma ação fora. Aquilo que eu não posso mudar, resignação, que é a ação interior, eu tenho que mudar a mim.

Se eu não posso mudar o ambiente, eu mudo a mim. Aquilo que eu posso mudar, a ação externa. Então, esse equilíbrio nós precisamos atingir. Porque, se eu acreditar que tudo é ação externa, que eu posso mudar tudo, eu entro num processo de ilusão, de prepotência, de arrogância, achando que eu posso mudar tudo. Não posso. Não posso. Tem questões que fogem da minha esfera de ação. E olha que nós estamos falando aqui do Cristo. Tem aquela palestra sua linda sobre o livro O Voltei, o Jacob que faz, faz, faz, e depois, quando vai ver, ele não tem luz.

E aí, a gente lê lá o homem de bem, aquele que pega inchada, que se Deus te deu uma inchada, o teu trabalho é capinar aquele terreno, e a gente acha que, enquanto espírito, realmente a nossa evolução é no fazer. No fazer tudo, no fazer insensatemente. E tem esse livro, O Voltei, que ele vai mostrar um espírito que sabia de tudo isso e muito fazia. E como fez. Fez. Agiu, agiu, agiu. E aí, esqueceu dessa ação interior. Podemos seguir? Podemos seguir, pessoal, podemos. Após detenção… Ah, então ele foi levado na presença como um cordeiro conduzido ao matador, uma ovelha para ser tosqueada e ele não abriu a boca.

Não abriu a boca. Após a detenção e julgamento… Olha isso aqui, Leonor, olha isso aqui. Isso aqui foi 600 anos antes. Após a detenção e julgamento, foi preso. E tem gente que ainda tem dúvida da profecia, né? Então, eu estou vendo uma pergunta aqui da Sony. Jesus presidia essas profecias? Sony, está lá no livro O Consolador. Está no livro O Consolador. Lá no título do capítulo chamado Velho Testamento. Emmanuel diz assim, os profetas do Velho Testamento foram diretamente inspirados pelo Cristo. Diretamente. Não é indiretamente, não.

Aqui é quase psicografia mecânica, para a gente poder entender. Aqui é o próprio Cristo falando. Após a detenção e julgamento, foi preso. Dentre os contemporâneos, quem se preocupou com o fato de ter sido cortado da terra dos vivos? Quem se preocupou? Olha isso. Ser cortado, ou seja, se ele está usando a expressão ser cortado da terra dos vivos, ele está falando em assassinato. Quem se importou com o assassinato de Jesus? Quem? De ter sido ferido pela transgressão do seu povo, deram-lhe sepultura com os ímpios. Seu túmulo está com os ricos.

Olha isso. Embora não tivesse praticado violência. Olha o olhar. Então, o túmulo aqui não é só o sentido do lugar onde ele foi enterrado. O gênero de morte. É o gênero de morte. Então, para aquela cultura, alguém ser crucificado ao lado de dois ladrões é uma desonra. É uma desonra. É uma desonra. Então, embora não tivesse praticado violência, nem houvesse engana em sua boca. Olha só. Então, Jesus só dizia a verdade e ele não praticou nenhuma violência e recebeu toda a violência. Isso aqui é inédito. Isso aqui é inédito, não é?

Mas o senhor quis esmagá-lo pelo sofrimento. Porém, se ele oferece a sua vida como sacrifício expiatório, olha isso, certamente verá uma descendência, prolongará seus dias e, por meio dele, o desígnio de Deus triunfará. A semente, né? Então, a semente. Então, o que o Zahir está dizendo? Não se engane. Morrendo na cruz, ele semeou com muito mais força. Com muito mais força. Zahir viu essa história toda mesmo. Assistiu o filme. Impressionante, não é? Após o trabalho fatigante da sua alma, verá a luz e se fartará. Pelo seu conhecimento, o justo, meu servo, justificará muitos e levará sobre si as suas transgressões.

Eis porque lhe darei um quinhão entre as multidões. Agora é o próprio senhor falando. Próprio Deus. Lhe darei um quinhão entre as multidões, com os fortes repartirá os despojos, visto que entregou a si mesmo a morte e foi contado entre os criminosos. Olha isso. Foi contado entre os criminosos. Olha aqui a crucificação ao lado de dois ladrões. Mas, na verdade, levou sobre si o pecado de muitos e pelos criminosos fez intercessão. Olha a conversa de Jesus com o ladrão, um dos ladrões, o ladrão arrependido, não é? Pedindo perdão também, né, pai?

Perdoa-os, né? Não sabe o que fazem, todos estavam ali. Agora, Leonora, para a gente terminar, porque hoje nós estamos com o prazo apertadinho, tem a pergunta da Patrícia que está dizendo assim, O que que Jesus pede ao pai para afastar o cálice? Por que ele, enquanto encarnado, desconfiava da cruz, mas não tinha certeza? Patrícia, vamos só corrigir algumas coisinhas. Jesus não desconfiava da cruz, não. Ele anunciou a cruz três vezes. Ele não desconfiava, não tinha certeza absoluta. Na terceira vez que ele anunciou com muita força que ia acontecer, o Pedro surtou.

Pedro surtou. E aí, Jesus teve que chamar a atenção de Pedro. Então, vamos só corrigir isso. Jesus não desconfiava, não. Ele anunciou três vezes seguidas. Ele não tinha a menor dúvida, ok? Bom, outra coisa. Toma muito cuidado, muito cuidado, para não achar que cálice é igual à cruz. Porque no que você está escrevendo, está parecendo que o cálice é a cruz. Aí, Jesus orou e falou, Pai, se possível, afasta de mim esse cálice. Mas quem disse que o cálice é a cruz? Quem disse isso? Não tem nada no texto que diga isso. Então, vamos lá.

Jesus chega no orto e ora ao pai. Patrícia, o que ele conversou com Deus? Eu não sei. E nenhum evangelista sabe. Porque ali foi o Cristo conversando com o Todo-Poderoso. Então, cuidado. Cuidado por quê? Porque Jesus não se contradiz. Não há contradição no Cristo. Antes de orar no orto, ele anunciou, Convém que eu vá a Jerusalém, seja entregue. Mas falou assim, mais claro do que o sol ou o deserto ao meio-dia. Ele falou da primeira vez, os discípulos fingiram que não ouviram. Ele falou da segunda, os discípulos começaram a ficar meio preocupados.

Da terceira, o Pedro surtou. De jeito nenhum, não vai acontecer isso. E aí, o que ele faz? Ele chama a atenção de Pedro. Ele dá um puxão de orelha em Pedro. Aí, ele ia chegar no orto e pedir para afastar a cruz? Aí, seria incoerência. Não existe incoerência no Cristo. Então, cuidado para não achar que o cálice é a cruz. Bom, Jesus diz assim, Pai, se possível, afasta de mim esse cálice. Que cálice é esse? Não sei. E não importa. Que cálice é esse que ele está pedindo para ser afastado? Sabe por que não importa? Porque a lição não é essa.

A lição é, mas que seja feita a tua vontade e não a minha. Essa é a lição. Essa é a lição. Então, vamos ficar atentos a isso. Porque eu vejo toda hora, a pessoa está lendo, ela já olha, ah, não, o cálice é a cruz. Onde tirou isso? Da onde que tirou isso? Não é? Não tem isso. É tomar cuidado com essa interpretação aí. Não é? Porque daí, a pessoa começa a achar que Jesus ficou com medo. Ah, ele estava com medo de desencarnar. Não é? E, assim, você vê medo em Jesus do momento que ele é preso? Eu não vejo medo nenhum. Nenhum.

A hora que prendem ele, Pedro… Pedro, não. Pedro estava surtado. Pedro estava dominado pelo medo. Ele tirou a espada, cortou a orelha do soldado mau. O que que Jesus fez? Pegou a orelha no chão, colocou no lugar e falou, guarda a tua espada. Aquele que com ferro fere, com ferro será ferido. Se eu quisesse, eu pediria ao pai e ele me enviaria legião a gente. Eu não precisava passar por isso. Então, olha o que que ele está dizendo. Se eu quisesse, eu acabava com isso aqui agora. Então, o cálice da oração do outro não é a cruz.

Cuidado. Cuidado. Ele estava tranquilo. Ele foi preso, foi soltado, foi levado para Pilatos, foi levado para… Ninguém falou que Jesus estava tremendo, que ele estava com medo. Não tem isso. E no auge da cruz, depois que ele tinha sido furado por uma lança, furado por uma lança, quando ele estava nos últimos segundos morrendo na cruz, ele diz, pai, perdoa. Não há medo de morte em Jesus, hein? Vamos ter cuidado com isso. A gente projeta em Jesus o que é nosso. Tem que tomar cuidado com isso. Não é? Correto? Então, eu prefiro…

eu não sei o que que é esse cálice, porque é uma oração privada de Jesus. É uma conversa de Jesus com Deus. Agora, qualquer um tem o direito de imaginar qualquer coisa, mas não tem prova do que que é. Nenhum de nós tem prova do que que Jesus falou com Deus. Foi uma conversa. O que que um Cristo planetário falaria com Deus, eu não sei. Porque nós estávamos enxergando a crucificação. Jesus estava enxergando três mil anos na frente. Três mil anos. Quem está vidrado na cruz somos nós. Jesus já estava vendo para depois da transição planetária.

Como que nós é que seremos quando formos crucificados, né? Porque, na verdade, a gente acha que Jesus estava mostrando como que os Cristos agem na Terra. Ele não veio para isso, né? Ele veio para mostrar o nosso caminho. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ele veio mostrar como que nós seremos quando nós formos negados. Quando os nossos amigos nos traírem. Quando nos crucificarem sem motivo nenhum. Por isso que incomoda tanto. Porque a lição da cruz não é uma lição do Cristo. É uma lição nossa. Do nosso futuro espiritual, né?

Do nosso ser crístico, do nosso ser espiritual. Então, o que a gente faz no episódio da cruz? A gente mistura tudo, né? E é bonito porque quem quiser ter um detalhe maior, dá uma lida no livro A Dois Mil Anos para ver. Enquanto Jesus estava crucificado, ele estava olhando para Simeão. Ele estava convertendo Simeão. Ele estava olhando para Lívia. Ele estava olhando para Maria. Ele estava cuidando de João. Ele estava perturbando. Ele estava resolvendo tudo quanto é coisa que você puder imaginar. A única pessoa que ele não estava pensando era nele.

É nele. É fantástico isso. É fantástico isso. E aí as pessoas, muito bem lembrado, o pessoal está lembrando o Salmo 22. Por que que Jesus recita o Salmo 22 na cruz? Sabe para quê, gente? Agora eu posso falar. Sabe para quê? Ele recita o Salmo 22 para dizer assim… Ei! Leiam o capítulo 53 de Isaías. Sou eu. Entenderam o que que eu desenho uma cruz? E teve alguém que perguntou antes por que que os doutores da lei ainda não entendem ou não interpretam que Jesus é o Messias. E a gente já falou isso nos episódios anteriores.

E justamente é por isso. Porque esse Messias é totalmente diferente, totalmente inesperado. É constrangedor. Não é, Leonora? Eu não sei se os cristãos também aceitam Jesus. Porque nós espíritas, evangélicos, católicos, a gente aceita Jesus na hora da multiplicação dos pães. A gente aceita Jesus na hora da pesca maravilhosa. A gente aceita Jesus na hora da purificação dos leprosos, da cura das mãos mirradas. A gente aplaude Jesus na hora do sermão da montanha. Mas, quando ele chega à crucificação, a gente não entende.

Não entende. Eu não sei se a gente pode julgá-los assim com tanta energia, não. Porque seguir com Jesus da manjedoura à cruz é o desafio da nossa evolução. A gente vai até a pesca maravilhosa. Acalma uma tempestade, às vezes. Acalma a tempestade. Justamente. É o nosso caminho, né? A caminho da luz. Isso aí. A caminho da luz. Muito bem. E semana que vem teremos mais versículos de Isaías que anunciam o Messias? Isso. Aí nós vamos seguir um pouquinho mais, Eleanor. Porque aí tem umas coisas muito legais aqui. Que são o pós-cruz.

Porque é bom também a gente lembrar isso. O Evangelho não termina na cruz. O Evangelho não termina na cruz. O Evangelho termina, a narrativa evangélica termina, numa manhã ensolarada de domingo. Jesus aparecendo para Maria de Magdala, visitando os discípulos, andando no caminho de Emmaus. O Evangelho não termina na cruz. E aí nós vamos ler mais alguns versículos de Isaías, porque até isso Isaías foi feliz, né? Ele consegue narrar essa manhã de domingo. É bonito a gente entender isso. É uma noite estrelada em Belém e uma manhã ensolarada de domingo em Jerusalém.

Esse é o início e o fim do Evangelho. O restante é, como diz Guimarães Rosa, travessia. Muito bom. Então vamos agradecer a presença de todos os nossos amigos hoje com a tarde cheia, né? Parece que para o pessoal esse horário das duas horas ficou melhor, né? O pessoal conseguiu se organizar para participar, mas aqueles que vão assistir depois online, que sigam com os comentários, com as reflexões, nos nossos grupos de estudo, lá no Facebook, no WhatsApp, vai ter muito conteúdo para a gente conversar durante a semana, né?

Exatamente. Bom, então veja que o Júlio está atrasado, está com o horário aí apertado. Semana que vem nós estamos juntos, um final de semana abençoado para todos, muita paz, muita alegria. Que assim seja. Tchau. Legendas pela comunidade Amara.org

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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