Neste estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se nos Salmos 9 e 10, à luz da Doutrina Espírita. O episódio retoma a análise da manifestação de Deus através das colunas do rigor e da brandura, e como essa dualidade se harmoniza perfeitamente, tornando a justiça divina, muitas vezes, incompreensível para nós.
O que é estudado neste episódio
- Retomada dos Salmos 9 e 10: A discussão inicial revisita os conceitos de rigor e brandura divinos, presentes nesses salmos, e a dificuldade humana em compreender a justiça de Deus.
- O caso de Pedro e Camilo (Livro “No Mundo Maior”): O estudo se aprofunda em um caso prático de obsessão, narrado por André Luiz, onde Pedro, um filho adotivo, assassina seu pai, Camilo. Após 20 anos de obsessão, Camilo está à beira da desencarnação.
- A intervenção de Cipriana: A figura de Cipriana, um espírito de grande amor e sabedoria, é apresentada como um instrumento da compaixão divina. Ela aborda Pedro e Camilo com um amor universal, que transcende os laços sanguíneos.
- A questão da “justiça própria”: É analisada a atitude de Pedro ao “fazer justiça com as próprias mãos”, desviando seu caminho de retilíneo e iluminado para uma “curva perigosa”, agravando seu quadro perante a justiça divina.
- A justiça imanente e a dissonância psíquica: Haroldo Dutra Dias explora o conceito de justiça imanente de Emmanuel, onde cada direito que o indivíduo se arroga corresponde a um dever para com o próximo. A violação desse princípio gera uma dissonância psíquica, levando à culpa e à auto-sabotagem.
- A “posição de vítima” de Camilo: Cipriana confronta Camilo, que se esconde no papel de vítima, mas na verdade age como um obsessor. Ela o leva a confrontar a família de Pedro, revelando a complexidade de suas emoções.
- O questionamento de Camilo: Camilo questiona a Deus: “Se Deus é compassivo, por que me deixou desamparado?”, ecoando as indagações dos salmistas sobre o sofrimento.
- A resposta de Cipriana sobre o sofrimento: Cipriana utiliza metáforas do oleiro e do escultor para explicar que o sofrimento é um instrumento divino para moldar o espírito, transformando-o de imperfeito em puro.
- O martírio e a origem divina da dor: É introduzido o conceito de martírio como um problema de origem divina, uma dor que o indivíduo não fez por merecer, mas que é uma decisão de Deus para a evolução do espírito. A forma como se enfrenta essa dor pode elevar ou precipitar o espírito.
- O testemunho de Cipriana: Cipriana compartilha sua própria experiência de sofrimento extremo (perda de filhos, esposo, saúde), mas como essa dor a levou à iluminação espiritual e à glorificação do Senhor da vida.
Reflexões
- A justiça divina, embora muitas vezes incompreensível para a mente humana, opera através do amor e do perdão, buscando a restauração da harmonia e a evolução dos espíritos.
- O sofrimento, em suas diversas formas, incluindo o martírio de origem divina, é um instrumento de Deus para a lapidação do espírito, transformando-o de imperfeito em puro, como o oleiro molda o vaso ou o escultor a pedra bruta.
- A verdadeira reparação não se limita ao cumprimento da lei de causa e efeito, mas busca a reconciliação e a restauração dos laços de amor e compreensão, conforme exemplificado na união de verdugos e vítimas no reino de Jesus.
Ler transcrição do episódio
De volta para o nosso estudo, né? E ainda com a lembrança do finalzinho do último estudo, que o Haroldo agora resolveu que ele guarda as cartinhas para o final do estudo, sabe? Pois é. Então, quem está assistindo aqui com a gente, pessoal, vai até o fim, porque sempre tem surpresinha, viu? Sempre tem, sempre tem. A CIDADE NO BRASIL E ainda com a lembrança do finalzinho do último estudo, que o Haroldo agora resolveu que ele guarda as cartinhas para o final do estudo. Então, quem está assistindo aqui com a gente, pessoal…
Vai até o fim, porque sempre tem surpresinha, viu? Sempre tem, sempre tem. Pra quem fica até o fim, né? A gente teve uma surpresa no último episódio, mas é importante que a gente retome, né? Nós estamos ainda estudando o Salmo 9 e o Salmo 10, retomando alguns conceitos dele, né? De repente a gente poderia começar relembrando esse tópico, né, Haroldo? Exatamente, Eleonora então, o que a gente comentou antes de abrir aquela leitura do livro No Mundo Maior a gente comentou que na tradição judaica Deus é visto Deus não, a manifestação de Deus porque tem uma coisa bonita quando o livro de Zohar fala sobre Deus ele se refere a Deus como o Ensof quer dizer, o infinito, o incomensurável.
E o que significa isso? Eu não consigo delimitar Deus, nem para conceituar, porque conceituar é limitar, é definir. E eu não consigo definir o indefinível. Então, eles imaginam que Deus é incomensurável, que Deus é o infinito, nenhuma criatura… nenhuma criatura de Deus é capaz de abarcá-lo é capaz de delimitar o infinito que ele representa mas ele se manifesta as manifestações de Deus se dão no nosso universo limitado na nossa percepção limitada então tem percepção gigantesca como as dos Cristos mas elas são limitadas Porque ilimitado só Deus.
Então, nas manifestações de Deus, aí a gente já viu aqui, tem duas colunas. Uma é a coluna do rigor e a outra é a coluna da brandura, do amor, da misericórdia. E Deus harmoniza isso de maneira perfeita e infinita. É por isso que é difícil para a gente entender a justiça divina. E o pilar do meio é exatamente esse que equilibra tudo é o que harmoniza tudo então nós falamos desse rigor e desse amor que é uma marca do Salmo 9 e 10 que ele está falando exatamente disso e aí o que a gente propôs? Vamos estudar um caso prático vamos estudar para a gente poder entender melhor e aí a gente foi lá para o livro No Mundo Maior para estudar um caso lá importantíssimo, que é um caso de obsessão de um filho que matou o pai adotivo, o pai adotivo, o nome é Camilo, e esse filho que teria assassinado o pai adotivo é o Pedro.
E aí o pai adotivo está no mundo espiritual há 20 anos obsidiando ele, e agora ele está numa situação lastimável no hospital, assim, prestes a desencarnar, que é o grande objetivo do obsessor. E, então, Calderaro pede ajuda à Cipriana. E aí vem esse espírito com aquisições muito profundas no campo do amor, de mãe e ela aborda esses dois de uma maneira que o Caldeirado fala não tem como André a gente pode esclarecer falar mas nós não temos a capacidade de amar esses dois como se eles fossem nossos filhos verdadeiros isso aí só Cipriana tem esse amor universal esse amor que extrapola os laços sanguíneos, esse amor que já nasce saiu dos condicionamentos humanos.
E aí a gente parou exatamente naquele trechinho que a Cipriana diz para o Pedro o seguinte Cuidavas ministrar o direito a ti mesmo e entortaste o destino, imprimindo perigosa curva ao teu caminho. Que poderia ser retilíneo e iluminado. Então, ou seja, o pai adotivo era truculento, fazia exigências descabidas e era injusto. E sentindo-se injustiçado, o Pedro resolveu assassinar o pai adotivo para fazer uma justiça. A justiça dele. Ele analisando aquele cenário limitado, falou, não, deixa eu substituir Deus. Deixa eu ocupar a cadeira do supremo juiz e eu vou fazer justiça.
E aí, é claro, foi uma tragédia. Ele importou o destino. E transformou um caminho retilíneo e iluminado numa curva perigosa. Perigosa. Em que? De uma suposta vítima que estava resgatando, quer dizer, de alguém que estava em resgate, ele sai dessa posição de um espírito em resgate para ocupar a posição de um assassino. Então, agravou, agravou o quadro perante a justiça divina. Uma curva perigosa. Perigosa. E, por que uma curva perigosa? Porque, agora, vai ter que dar voltas, muito sofrimento para chegar no mesmo ponto.
Isto é o triste. Você anda o triplo da distância para chegar no ponto que você desvirtuou. Não é vantajoso. Não é vantajoso. É esta a situação. E aí você quer comentar alguma coisa porque aí agora tem um caminho agora tem uma pessoa nossa graças por me ver isso né como é que que você tem um nascedor de uma dificuldade que pode escalar a Absurdamente. Isso aí, escalar. Então, eu acho que aí o senhor usou uma palavra forte e justa. O grande desafio da expiação é a gente escalar. Estava ruim, mas pode piorar. Estava ruim, mas por que não piorar?
E no texto, ela fala aqui que era só ele ter aguardado um tempinho mais. A resistência também, né? Durante as provas. E ela segue também falando que destruísse a paz de um companheiro e perdesse a tranquilidade própria. Aí comenta que ele fugiu, né? Ele buscou refúgio, trabalhando, que ele conseguiu muitos recursos… Aí ela pergunta para ele, como não te ocorreu, Pedro, a oração santificante? Que talvez através da oração ele pudesse começar, que ele falou essa regeneração. É aqueles três passos que estão lá no Código Penal da Vida Futura, que o primeiro passo, lá está arrependimento, mas a gente sempre fala que a gente prefere a palavra texuvá, porque texuvá é retomar o caminho.
Então, o primeiro passo é esse, retoma o caminho. Errou? Retoma o caminho do bem. Retoma. Isso é arrepender. Arrepender é texuvá, é voltar para o caminho. Fez uma curva? Volta para o caminho. Por quê? Ao voltar para o caminho, você vai ser amparado para poder reparar e espiar. Se eu permaneço no caminho tortuoso, fica muito mais difícil reparar e espiar, que é o caso dele aqui. Então ele quis burlar a lei divina. O problema é o que Emmanuel nos ensina lá no livro Justiça Divina. Ele fala da justiça imanente. A justiça divina está dentro de nós.
Ela faz parte da nossa estrutura psíquica. E à medida que a gente vai crescendo, essa justiça divina, essa compreensão da justiça se amplia em nós. Como é que funciona essa justiça imanente? Olha que obra da inteligência divina. Tudo aquilo que você começa a enxergar como direito seu, é também um dever para com o próximo. Essa é a justiça humana. Então, eu pego assim a cachorrinha, a Tiffany aqui, o pet. Ela tem a compreensão que eu tenho dos meus direitos de espírito? Não tem. Não tem. Ela vai ver a cachorrinha e falar, ela quer o quê?
Ela não quer ser maltratada, não quer que faça maldade com ela, ela quer que dê a comidinha para ela. De água, que ela tem um lugarzinho dela para fazer as necessidades e ela quer passear e quer carinho. Esses são os direitos que ela enxerga. À medida que a gente evolui, a gente vai se acreditando, e é verdade isso, titular de direitos. Mas para cada direito que você se julga possuir, esse vira um dever para com o outro. Então, se eu fio esse direito do outro, eu crio uma dissonância psíquica em mim. Essa é a justiça imanente.
Essa é a justiça imanente. Então, não precisa Deus, não precisa Espírito, não precisa ninguém fazer nada. O próprio Espírito entra em dissonância, que foi o que aconteceu com Pedro aqui. Ele entrou numa dissonância. Por quê? O que ele pensou? Eu tenho direito à vida, ele é meu pai adotivo, ele protegeu a minha vida, então, ele tinha direito à vida e eu tirei a vida dele. Não tem como, não tem jeito. Por mais que você crie o sofismo de que não, é só eu que tenho direito, o outro não tem direito, não cola, a consciência nossa não permite isso.
E, a partir desse momento, ele começou a fugir, fugir dele mesmo, fugir da dissonância dele, fugir desse conflito psíquico. Em vão em vão e aí o pior e o mais perigoso eu acho que é quando a pessoa começa a ser tomada de culpa e aí ela acha que ela tem que ser punida vingada então aqui ele está se entregando à obsessão ele não ora ele não faz nada para sair dessa obsessão por quê? Porque ele fala assim não, eu mereço Eu mereço ser fustigado. Eu mereço sofrer. Não, eu tenho que ser castigado. E não é isso. Isso também é curva.
Então, ele mesmo começou a se sabotar, porque falou, não, eu mereço, eu tenho que pagar isso. Eu tenho que, eu tenho que. E aí, a vítima, é uma vítima que se curva. Ele não precisava ser assim, não precisa ser assim. E aí, a Cipriana vai dizer isso para ele. Não, meu filho, o que é isso? Você não morou? Deus é bondade também. E eu venho aqui em nome dele. Nós estamos vindo aqui para auxiliar. Por quê? Porque você tem filhos, você tem um lar, você tem uma família. Você precisa cuidar dessas pessoas e cuidando delas, você vai aliviar o seu mérito.
Pensa nisso. Então, é bonito isso, né? É bonito. Então, isso é o Pedro. Olha que dificuldade ele… Primeiro ele quis ser juiz, porque se achava no direito, fez justiça com a própria mão, violou o direito do outro, aí a justiça imanente colocou ele numa dissonância psíquica dessa dissonância psíquica, ele caminhou com um processo de culpa e boicote, em que a pessoa começa a acabar com a vida dela, porque ela acha que assim ela vai ser vingada. É um processo complexo, né? Ela tenta fazer isso quase também para ferir o outro, né, Arudo?
Às vezes, para atingir o outro também, né? Dizer, olha, eu passei… provar para o outro que eu vou pagar, que eu vou pagar o preço. E quem estabelece o preço, não é a gente. A gente já conversou em outras lives disso, a gente é péssimo julgador, até de nós mesmos. Então, eu vou estabelecer minha pena, eu vou estabelecer minha pena. Não faz isso. E ele está doente agora, e esse encontro está acontecendo lá no hospital, na verdade, ele está nesse processo, né? Acabado, para de ficar ganhando, né? Aí agora tem a vítima, o que era vítima?
É a vítima do momento. Nesse capítulo, nesse momento, tem o verdão com a vítima A vítima do momento é o Camilo Aí agora, agora, tem uma das conversas mais profundas da obra de André Luiz Das mais profundas Porque qual que é a abordagem da Cipriano? Ela começa a falar com o Camilo e aí fala para ele, olha, você está se escondendo no papel de vítima, mas na verdade você lembra o lobo, o chacal enraivecido, a víbora, que tem 20 anos você está destilando veneno, então você está se escondendo na posição de vítima. Mas, meu filho, não vou conversar com você aqui não.
Nós vamos lá para a casa do seu verdugo. E aí ela pede para o caldeirado, né? Eles ajudam e levam o Pedro. Isso aqui eles estão em espírito, né, claro. Levam eles lá para a casa do Pedro. Olha isso. Porque aí agora, o verdugo vai ter que ver os netos, né? Porque ele é pai adotivo. Ele vai ver os netos. Vai ver a nora. Vai ver a família do filho. E aí o homem dá uma balançadinha. Ele sai daquela posição agressiva e aí ele fala para ela assim, para a Cipriana, eu quero ser bom, mas eu sofro. Confrangem-me atrozes padecimentos.
Se Deus é compassivo, por que me deixou desampar? Aí é salmão lógico. É o salmista, né? Por que o Salmista? É o salmista. Agora entrou, virou Salmo 9 e 10. Virou Salmo 9 e 10 ao vivo. Ao vivo. Quem sabe faz ao vivo, né? Virou Salmo 9 e 10. Porque ele está falando, mas por que Deus me deixou desamparado? E aí começa a soluçar. Aqueles soluços a explodirem na alma torturada feriam e fundam o coração. Como não chorar também ali, ante aquela cena simbólica? Camilo e Pedro entrelaçados no crime e no resgate. Não representavam todos nós, os seres humanos falíveis?
Cipriana, tolerante e maternal, não personificava a compaixão divina? Sempre inclinada a ensinar o perdão? Olha isso aqui, gente. Cipriana, tolerante e maternal. Então, isso aqui é importante. Porque aqueles dois pilares da manifestação divina têm um pilar do rigor, que é masculino, e tem o pilar da compaixão, da providência divina, que é feminino, é maternal. Então, quando a gente fala em providência divina, quando a gente fala em compaixão divina, em misericórdia divina, nós estamos falando na face maternal de Deus.
Lindo isso! Então, essa figura aqui, Cipriana, está sendo um instrumento, ela está canalizando a expressão maternal do Todo-Poderoso. O que aí também é uma coisa bonita. Da mesma maneira que Deus equilibra o rigor infinito com o amor infinito, Ele equilibra o masculino infinito com o feminino infinito. Não tem nenhum pai como Ele, não tem nenhuma mãe como Ele, como Deus. Olha isso! Olha isso! Agora, veja isso. Não personificava ela com paixão divina? Sempre inclinada, inclinada a ensinar o perdão e a corrigir através do amor?
Quem falou que a justiça divina ensina o ódio? A vingança. Quem falou que a justiça divina corrige através da violência? Quem falou isso? A gente sente assim, né, Herodo? Algumas pessoas entendem que até o outro é a mão de Deus na vida dele. O outro que pratica o mal. Não, calma. Eu vou comentar isso aqui agora. Aí nós vamos entrar agora em um negócio complicado aqui agora. Mas agora o negócio aqui vai virar, vai pegar. Mas, o importante agora é isso. Então, o que ela está dizendo? Óbvio, não confunda vingança com justiça, não confunda violência com os processos de resgate divinos.
Os processos de resgate divinos são processos que se dão no amor e no perdão. Convivendo todos na mesma casa, né? Isso. Por isso que Jesus, quando no final do livro de Paulo e Estevão, ele vem com Estevão do lado direito, Abigail do lado esquerdo, do lado do coração… que é uma simbologia. Puxa, desculpa, só um minutinho. Foi Deus que ligou? Cipriana, né? Cipriano direto. Ela que ligou. Você ia falar sobre Paulo que quando desencarna tem Abigail e Estevam, simbolizando essa dupla, assim, né? E aí é bonito, Eleonora, porque isso é um símbolo.
De novo, o rigor de Estevam, a disciplina, aquele jovem que cultivava o campo, que ajudou a apagar o incêndio, aquela energia realizadora. E Abigail, que é a doçura, o amor, a compreensão. Então, e aí ele vem e diz assim, vem Paulo, ser feliz, pois é da vontade do meu pai que no meu reino os verdugos e as vítimas se reúnam para sempre. Os verdugos e as vítimas se reúnam para sempre no meu reino. Ou seja, não há justiça completa, reparação completa, sem o perdão e a reconciliação. Porque alguém quebrou o elo da harmonia divina.
E essa harmonia tem que ser refeita. É isso? Então, para Deus não adianta dizer eu tirei 20 da Eleonora, devolvi os 20 e não quero vê-la. Não, não, não serve. Isso não é revelado. Está pago. Isso não é resgate. O resgate é, eu dou os 20, eu devolvo os 20, mas eu tenho que voltar ao laço original, que era de amor, de bondade, de compreensão. Isso é restauração. Isso é restauração. E é isso que a gente não compreende. Então, esse é um ponto importante. Mas agora vai piorar. Podemos? Vamos lá. As perguntinhas da Cipriana, né?
A gente está dentro do meio de encontrá-la. Você pensa bem. Deus fala assim… manifestas pelo Haroldo e falam assim, pode piorar? E a gente concorda. Pensa bem numa coisa insana dessa. Isso é o mau uso do livre-arbítrio, né, cara? Não, não, a gente está sendo aqui esclarecido, né? Se tem alguém com a caixão divina fazendo as perguntinhas. Então lembra que o caminho falou ele falou assim porque me deixou desampar se deus é compassivo porque me deixou desampar e aí a cipriana vai responder ouvindo as palavras do verdura a missionária observou quem de nós meu amigo poderá apreender toda a significação do sofrimento quem de nós todo o significado do sofrimento porque veja parte do significado a gente entende é ruim não quero que coisa desagradável parece que é injusto não é?
Mas será que isso resume toda a significação do sofrimento? Mas ela continua indagas a razão pela qual permitiu o Senhor atravessasses tão dura a prova. Repete, Haroldo, repete. Indagas a razão pela qual permitiu o Senhor atravessasses tão dura a prova. Porque o que o Camilo está perguntando é por que Deus permitiu que o Pedro me assassinasse? É isso aí. É isso. Por que Deus permitiu que ele fizesse isso? Veja que é uma pergunta inteligentíssima, porque ele não está fazendo pergunta boba. Ele não está perguntando assim, por que Deus não mudou o livre-arbítrio do peito?
Ele sabe disso, ele sabe que existe o livre-arbítrio, que algumas pessoas vão fazer o bem, outras vão fazer o mal. Ele não está perguntando isso. Ele está falando assim, se Deus é todo poderoso, por que ele permite É a pergunta de quem sofre, né? É a pergunta de quem passa. De quem sofre. Por que ele permite que alguém adentre na esfera do outro para ferir? Haroldo, e olha, eu tenho ouvido na mediúnica alguns espíritos questionando por que Deus permitiu que ele ferisse. Olha que loucura. Não é assim? Mas você vê que os dois lados…
Mas é a mesma coisa. É a mesma coisa. Só muda de que lado você está. Se você está puxando a espingarda, você está tomando a bala. O que me fala é que nós estamos perdidos diante desta… de Deus, desse processo da evolução divina. Bom, agora vamos ver. Vamos ver a resposta. A resposta é cintriana. Ah, mas você está querendo ver, você está lendo, como é que fala? O gabarito, pô? Sim. Vamos ver a resposta cintriana. Qual a razão? Aí ela começa. Não será o mesmo que interrogar o oleiro pelos motivos que o compelem a cozer, cozinhar o delicado vaso em calor ardente ou inquirir do artista os propósitos que o levam a martelar a pedra bruta para a obra-prima da estatuária?
Agora, gente, agora é o seguinte, agora é o seguinte, agora é você chegar lá pro Rodin você chega na no ateliê do rodan tem um bloco de pedra e você pergunta por que você está fazendo isso com a coitadinha da rocha você está lá por que você está fazendo isso com ela aí o rodan vai falar assim volta aqui semana que vem aí quando você voltar lá semana que vem diante dos seus olhos A escultura do pensador. Uma obra-prima da escultura no mundo. É obra-prima. Ô, Haroldo, você não vai brigar comigo, não? Briga comigo, não.
Mas o pessoal diz que eu faço as perguntas que eles querem fazer. Ótimo. Cara, mas há uma diferença entre você fazer isso com alguém que sente e pensa. Eu falaria isso para a Zipriana. Há diferença… Porque senão a gente pode… Estou entendendo que não é isso, né, Ludo? Mas, enfim, eu posso dizer que eu vou dizer que por que eu estou lá castigando meu filho e mando alguém vir semana que vem para ver como ele está educado, como eu gostaria. Então, eu fiquei pensando para a gente chegar lá na frente, para eu chegar…
Ótimo, ótimo. Ok aí, Júlio. Aí é o seguinte pra rocha pra rocha eu tenho cinzel eu tenho fogo eu não tenho cinzel percebeu a metáfora? Pra cozer o delicado vaso quer dizer pra eu construir um vaso o que eu tenho que fazer com a argila? Levar ao fogo ela tem que derreter e aí ela derretendo eu vou moldar, não é isso? Porque se a argila estiver dura eu não consigo moldar Ficou claro isso? É. Geralmente… Se a argila já está mole, eu não preciso levar no forno. Acho que ela vai no forno para endurecer, né? O processo, ela tem que amolecer e ela vai no forno para ganhar resistência.
É isso, né? A queima é para resistência. Só a metáfora, para a gente ajeitar a metáfora. A queima é para ela… Não, não. A queima é para ela conservar a forma. Ah, sim. Né? Porque eu moldei, não é isso? Aham. Eu molhei a argila. Molhou, aí ela amoleceu. Aí eu levo no fogo para ela poder manter a forma. Isso, beleza. Então, para a argila manter a forma de vaso, tem que ir para o fogo, ok? Isso. Então, qual que é o instrumento que esculpe, que modela o vaso? Fogo. Para eu esculpir… para eu fazer uma escultura, eu levo a rocha para o fogo?
Não. Rocha pede outro instrumento, não é? Isso. Eu estou entendendo. Rocha pede outro instrumento. Rocha pede cinzel. E o ser pensante? E o espírito? Detentor de razão, sentimento e livre-arbítrio. Quais instrumentos para moldar esse ser? O que que tá por trás dessa pergunta dela? O que que tá por trás dessa pergunta dela? Quem era o Camilo? Aí eu vou pedir ajuda pro Júlio. É. É? Descreve pra mim as características de personalidade do Camilo. Camilo do mundo maior. Bom, você não vai lembrar. Eu vou te dar os dados, aí você descreve.
O Camilo era… É… agressivo. Arrogante, materialista, egoísta, estava sempre humilhando por causa do dinheiro, usava o dinheiro para ameaçar. Essa é a estrutura do barro. Esse é o barro que a gente tem para mandar. É a nossa roxinha, a nossa roxa. É o barro. E eu sugiro para mudar essa criatura a gente cantar salmos eu prefiro nem dar sugestão então o que assim o que gente isso é profundo porque ela tá dizendo você não vai ver Deus estruturando vaso com cinzel e você não vai ver Deus esculpindo rocha com fogo então ele possui um conjunto de instrumentos fazer o que com seus filhos?
Transformá-los de espíritos imperfeitos em espíritos puros que é a obra-prima é a obra-prima ele quer a obra-prima a obra-prima Qual que é a obra-prima em relação a mim? É o arobo do Espírito Puro. Agora que eu chegar nessa condição, ele fala assim, essa é minha obra-prima. Não é isso? Jesus sendo batizado por João Batista, uma voz desce do céu e diz assim, este é o meu filho amado em quem me comprasse. Quer dizer, esse aí já está moldado. Esse aí está obra-prima. Estou satisfeito. Estou satisfeito. Estou satisfeito.
Estou satisfeito olha isso no fundo ela está respondendo ô Camila você está começando a entender porque que Deus permitiu mas ela vai continuar a danada é danada ela vai dizer assim Camila expande a vida o sacrifício liberta a dor, expande a vida O sacrifício liberta a vida. O martírio é problema de origem divina. O martírio é problema de origem divina. Ou seja, não entra nisso que você vai se perder. O martírio é problema de origem divina. Tentando resolvê-lo, pode o Espírito elevar-se ao píncaro resplandecente ou precipitar-se em abismo tenebroso.
Porque muitos retiram do sofrimento o óleo da paciência, com que acendem a luz para vencer as próprias trevas, ao passo que outros dele extraem pedras e espinhos, de revolta com que se despenham na sombra dos precipícios ou seja tem uma coisa aqui que está fora tem um componente aqui que está fora até então a gente estava estudando cometi o mal resgatei fiz isso acontece isso lei de causa e efeito só que agora entrou um negócio que está fora da lei de causa e efeito o que? A dor do martírio o martírio O martírio. Vamos falar sobre o martírio?
O que a gente entende por martírio na fala dela? A dor que você não fez para merecer. Que você desconhece a origem, o motivo. Que você não sabe o motivo. Eu entendi aqui como que cada um passa, né? Porque para um ele pode acender a luz. Não, não é como você passa que é o martírio. Ela fala assim, o martírio é problema de origem divina. Tentando resolvê-lo, pode o espírito elevar-se ao píncara ou resplandecente ou precipitar-se no abismo. Aí é como você enfrenta ele. Isso. É como você passa por ele. Estou errado em lembrar da passagem de Jesus falando do afasta de mim esse cálice, mas que seja feito a vossa vontade?
Isso aí. Isso aí. E aí é curioso, porque essa é a passagem, Júlio, que espírita não consegue interpretar. Porque espírita só entende causa e efeito. Então o espírito é assim. Ora, mas o que eu fiz na encarnação passada? Pode estar acontecendo isso comigo. Eu não fiz. Não. E aí, o que ela está dizendo aqui? Camila, Camila, tem algo na dor e no sacrifício, tem um tipo de dor e sacrifício que é decisão divina em relação a você. E aí, Camila, cuidado, porque você não sonda o desígnio de Deus. Você não consegue sondar. Você não consegue sondar.
Não consegue sondar. A gente está caminhando para o fim do nosso episódio. Eu vou ousar trazer uma experiência que nós tivemos, que eu acho que é muito enriquecedora nesse aspecto do que você trouxe agora, na nossa Média Única de Pintura, em que o Monet nos contou um caso, cada qual pode levar para o lado da ficção ou da realidade, vai de cada um, porque no âmbito da mediunidade, vamos dizer, ele contou o caso, a gente estava falando sobre limitações, e ele contou o caso de que eles assistiram, na colônia lá dos pintores, uma palestra com o Stephen Hawking, esse físico, que desencarnou e tal.
E daí ele falou que ao final, encurtando a história, que ao final ele pôde entrevistá-lo. E ele, na ingenuidade dele, virou para o físico e falou assim, poxa, e essa última encarnação, com tantas limitações, tantas dificuldades, foi um processo kármico? Aí diz ele que o Stephen Hawking se ri e fala assim, não, amor demais de Deus. Não. Nessa encarnação, ele resolveu tirar de mim tudo aquilo que eu não precisava. É isso aí. Entende? É a compreensão de que essa parte já compreendida do martírio, que talvez não se compreenda, ele estava atribuindo ao amor de Deus.
Exato. Porque o que acontece, Ju? Nós, espíritas, temos uma visão de evolução que é assim. Deus é só para quando a coisa der errado, para resgatar. Porque nós, espíritas, não estudamos ainda que Deus dirige a evolução. Ele dirige a evolução. Ele dirige tudo, né? Dirige tudo. Ele dirige a evolução. E aí, olha que bonito, só pra gente concluir então, pra gente fechar e depois a gente volta. Aí ela fala pra ele, porque agora ficou difícil, não ficou? Ficou um discurso difícil. Esse do Martírio. A dor expande a vida, o sacrifício liberta a vida.
Aí ela fala assim, Camila, comentas o mal que te feriu. Invocas a providência com expressões desrespeitosas. Ó meu filho, cala o dom de falar quando não puder servir ao bem. Vivi igualmente na terra e não padeci quanto devia. Considerando o tesouro da iluminação espiritual que recebi do céu pela dor. O tesouro da iluminação espiritual que recebi do céu pela dor. Perdi meus sonhos, meu lar, meu esposo, meus filhos. Mas ela é aquela, né? Aqueles dois exemplos que ela faz. Ah, ela vai contar. Aí ela vai contar. Mas antes disso, no parágrafo anterior que falou que com o sofrimento tirou o óleo da paciência que acendeu a luz para vencer as próprias trevas.
É. Então, perdeu. Aí ela começa a contar. Aí, gente, eu vou falar uma coisa pra você. Assim, eu prefiro perder a vida. Porque, olha aqui. Perdi meus sonhos, meu lar, meu esposo, meus filhos o Senhor me deu o Senhor me retomou meus dois rapazes foram assassinados na guerra civil em nome de princípios legais enterrou dois filhos enterrou dois filhos dois filhos Minhas duas filhas, seduzidas pelo facinho do prazer do ouro, escarneceram de minhas esperanças e permanecem na esfera sombria, emaranhadas em trigosas ilusões.
Ou seja, foram para a prostituição. O esposo era o único amigo que me restava. Entretanto, quando a lepra acometeu minha carne, abandonou-me também, empolgado por visível ouro. Desprezaram-me todas as afeições, fugiram todos os favores do mundo. Contudo, enquanto os meus membros se desatavam do corpo, que se corrompia, quando me achava relegada ao extremo desamparo dos que me eram caros, obustecia-se dentro de mim o cântico da esperança. Minha alma glorificava o Senhor da vida triunfante. Concederam-me eu um dia todas as graças da sua misericordia, retomando em seguida esses bens que eu guardava por empréstimo.
Privou-me dos entes queridos, desfez-me o equilíbrio orgânico, enviou-me a fome e a dor. No entanto, quando a minha solidão se fez amarga, e completa minha fé elevou-se mais clara e mais viva que necessitava eu, miserável mulher senão padecer para santificar-se a esperança que não precisarei a mim para lograr o acesso às fontes superiores quem somos nós senão vaidosos vermes com inteligência mal aplicada aos quais se tem de mil modo manifestado a misericórdia infinita, mas em vão.” Aí o Camila joalhou, porque assim, o Camila joalhou, porque eu só perdi a vida, eu só fui assassinado, fui assassinado.
É, demais, né? Por isso que na sequência, que do peito dela partia radioso feixe de luz. Que lhe atravessava o coração ao venado de Luarca. Está sem som, Júlio. Está sem som, Júlio. Primeiro eu falei que eu vim aqui para debaixo da mesa porque isso foi do eu, sabe? Eu sumi aqui para debaixo da mesa. Daí eu estou imaginando, porque você leu ainda com a entonação do juízo. Eu queria ver essa mulher falando. Já acabou com o cara, bicho. é Porque aqui ela deu um teste aí é bonito né porque ele fala isso ele fala assim não são as vossas palavras que me convencem mas o vosso sentimento que me deixa mudo Deus me livre é Me deixa mudo então e aí gente assim onde que tá esse espírito né que condição que ele tá né e aí ela olha pra isso e olha pra condição que ela tá Eu acho que ela só tem uma expressão, fala assim, entendi.
Entendi o sisel, entendi o forno. Tudo. Era isso mesmo. Se o Carol estivesse lá, ele ia falar o quê? Concordo. Eu concordo. Concordo. Amigo. Está bom por hoje, né? Está bom por hoje? Tá bom. Só temos a agradecer, né? Sexta-feira, só o coração, só a criança de nossa vida, afinal de contas não temos nenhum problema dessa monta toda, né? É assim, né? Você fala assim, ó, perdeu todos os filhos? Perdeu a companheira? Tá com lepra? Tá com dor? Os amigos, todo mundo abandonou você? Todo mundo aí então, então não chegou a sua vez ainda misericórdia meu Deus, Aron é uma lição que se a gente soubesse, a gente não li a gente ficou desavisado eu vou te falar muito bom Essa daí é aquela que você dá uma topada naquele dedinho do pé assim, e depois fala, ó, senhor, obrigado.
Nem reclama? Muito bem. Obrigado, obrigado. Foi ótimo, foi ótimo. Aguardamos a próxima. Próximo nós vamos para o próximo salmo, né, gente? Salmo 11, vamos para o salmo 11. Que é o mesmo assunto. Vamos seguir nessa toada. Todos os salmos… São sempre um problema da nossa interação com Deus. Por que ele está fazendo isso? O que está acontecendo? É sempre a gente reclamando do oleiro. Mas também louvando. O problema todo é que a gente só reclama, não louva. Vamos lá nessa. Beijo para vocês. Fiquem com Deus. Obrigada, um ótimo final de semana.
Nos encontramos semana que vem. Fiquem com Deus. Com Deus, gente. Com Deus. Tchau. “
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