Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias retoma a análise do livro de Gênesis, focando nos versículos que descrevem o quinto dia da criação. O estudo, que se propõe a ser uma ponte entre as revelações divinas e a Doutrina Espírita, explora a continuidade e a progressividade do conhecimento espiritual.
O que é estudado neste episódio
- A continuidade das revelações: Haroldo Dutra Dias enfatiza que as revelações divinas seguem um planejamento inteligente e uma sequência lógica, assim como a natureza. Não há descontinuidade na obra divina, e as revelações se adaptam ao progresso intelectual e moral da humanidade.
- Deus como Criador e Educador: O estudo ressalta a figura de Deus como o grande educador das almas, que age com pedagogia e propósitos definidos. A revelação é gradativa, e o conhecimento é acessível na medida do aperfeiçoamento das criaturas.
- A Primeira Revelação e seus missionários: A “Primeira Revelação” não se limita aos textos do Velho Testamento, mas abrange a vida e o testemunho de inúmeros missionários e profetas, como Abraão e Moisés. Esses seres construíram uma tradição oral, de vida e de comportamento, transmitindo a “tocha” do ideal espiritual de geração em geração.
- A importância do Gênesis: O capítulo 1 de Gênesis é apresentado como o alicerce de toda a Bíblia, estabelecendo a ideia de um Deus criador que pode intervir e recriar. A criação é uma escala de gradação, onde o homem é co-criador e co-responsável pela administração do cosmos.
- O Quinto Dia da Criação: O estudo detalha a criação da vida aquática e das aves, destacando a ordem “multiplicar”. O texto hebraico descreve oceanos e águas “fervilhando” de vida.
- O sentido espiritual do Quinto Dia: A vida marinha e alada é interpretada como forças psíquicas do nosso inconsciente. O princípio inteligente estagiou por essas espécies, e essa experiência está arquivada em nossa memória evolutiva.
- A animalidade e a humanidade: Haroldo Dutra Dias aborda a “fina casca de humanidade” que cobre vastas extensões de animalidade em nosso psiquismo. O desafio do Evangelho é “vigiar” e controlar esses impulsos animais, evitando que a inteligência seja “assaltada” por eles.
- A influência da animalidade no perispírito: O estudo explora como a regressão a experiências animalescas pode deformar o perispírito no mundo espiritual, refletindo o estado íntimo das criaturas.
- A energia divina e o domínio dos impulsos: Todas as energias psíquicas, incluindo a agressividade e a sexualidade, são de origem divina. O desafio é dominar essas energias, transformando-as em assertividade, coragem e ânimo para o bem, em vez de permitir que elas nos controlem e nos tornem “feras”.
- O primeiro teste da humanidade: A queda da humanidade diante da tentação de um réptil é analisada como um símbolo de como conteúdos psíquicos primitivos podem dominar a inteligência, levando a “quedas clamorosas espirituais”.
Reflexões
- A revelação divina é um processo contínuo e progressivo, que se adapta à capacidade de compreensão e ao estágio evolutivo da humanidade, demonstrando a pedagogia e a sabedoria de Deus.
- A história evolutiva do princípio inteligente, que estagiou pelos reinos mineral, vegetal e animal, está arquivada em nosso psiquismo. O desafio da humanidade é dominar esses impulsos primitivos, transformando a energia divina em força para o bem e para a evolução moral.
- O corpo físico, como uma “esponja”, oculta e protege nosso interior, oferecendo a oportunidade de transformar nossa animalidade em humanidade, dignificando a forma que nos foi concedida.
Ler transcrição do episódio
Hoje, nós estamos retomando o estudo do Gênesis. Depois de um longo excesso de fim de ano, início de ano, a gente volta ao texto do Gênesis. Mas, a gente gostaria, inicialmente, antes de fazer uma abordagem mais direta ao versículo que trata do quinto dia, nos versículos que tratam do quinto dia, de retomar alguns pontos, entre eles, do porquê de nós estarmos estudando o livro Gênesis, do porquê deste estudo do Velho Testamento. Nós sabemos, através do capítulo 1 do Evangelho Sino-Espiritismo, que há um processo de continuidade entre as revelações.
E, não poderia ser diferente, porque, se as empresas modernas, se as empresas atuais, os gestores, estão sempre buscando destacar-se pelo planejamento, estão sempre em busca de uma planificação das suas ações, nós não poderíamos imaginar que o Criador, na sua inteligência suprema, na sua sabedoria infinita, agisse sem planejamento. Outra coisa que nós não podemos supor, porque é incompatível com a perfeição divina, é que Deus comece uma obra e, depois, a destrua completamente para refazer do zero. Isso não faz sentido, porque trai um dos princípios mais importantes da lei divina, que é o espírito de sequência da natureza, bem destacado por Emmanuel.
A natureza é uma lição permanente do espírito de sequência. Da semente surge a flor, da flor o broto, do broto o fruto e, novamente, se inicia um ciclo. E, com as revelações espirituais que dizem respeito ao processo educativo, moral e espiritual das criaturas em evolução, não poderia ser diferente, porque a lei divina é una, já que Deus é um. Elas, então, observam, no que diz respeito aos aspectos físicos e no que diz respeito aos aspectos espirituais, os mesmos princípios, há também o espírito de sequência no que diz respeito à revelação espiritual.
Isso nos parece lógico. Pensar ao contrário entraria em contradição com os atributos da divindade que estão lá na questão número 13 do livro dos Espíritos. O Criador, como o grande educador das almas, como o Pai amoroso, que atrai os seus filhos para o seu seio de sabedoria, de amor infinito, age com pedagogia, age com propósitos definidos e, como a natureza não dá salto, nem pode dar, há sempre degraus na evolução e o conhecimento será revelado, ele é revelado, gradativamente, ao aperfeiçoamento das criaturas que vão recebê-lo.
Geralmente, como nos ensina os Espíritos, através do progresso intelectual, que acaba refinando o campo mental das criaturas e sendo seguido pelo progresso moral, porque a criatura com os horizontes da mente mais ampliados passa a sentir um certo incômodo com determinados comportamentos, com um certo estilo de vida, com valores e condutas que começam a ficar incompatíveis com o seu grau de percepção da vida e da própria evolução. Por isso, o progresso moral sempre acompanha o progresso intelectual, embora não o acompanhe imediatamente, como ressaltam os Espíritos.
Mas, por que nós estamos dizendo isto? Porque é preciso compreender que Deus está constantemente se revelando, constantemente se revelando. Por mais superior que nós imaginemos uma criatura de Deus, um ser criado por Deus, nós jamais poderemos imaginar este ser criado atingindo o patamar da divindade. Pelo contrário, há uma distância infinita separando a criatura do Criador, em termos de perfeição. Portanto, nós somos seres perfectíveis, nós estamos num contínuo, ininterrupto processo de aperfeiçoamento, que vai durar a eternidade.
Pensar o contrário seria admitir que nós, criaturas, poderíamos nos tornar iguais a Deus. E, aí, não haveria um Deus, mas dois, três, quatro, etc. E, isto é impensável. Então, o Criador é sempre, sempre absoluto. E, nós, na condição de criaturas, somos relativos. Nós temos sempre uma condição limitada, por mais ampla que ela seja. Então, aqui, apenas para facilitar o nosso entendimento desta questão, nós nos recordamos de um livro de Herculano Pires, em que ele entrevista Chico Xavier, O Espírito e o Tempo, e ele passa a tratar, com Chico, dos assuntos dos Cristos, deste assunto instigante.
Em um determinado momento, Chico, espontaneamente, diz para Herculano Pires que, embora todo o respeito que nós temos e devemos ter ao nosso Senhor Jesus Cristo, ele não era o Cristo do Sistema Solar. Ele era o Cristo do planeta, o governador espiritual do orbe. Porque o Cristo que governa o sistema seria um Cristo de um maior poder criador. E, Por analogia, nós vamos ampliando. Há um Cristo do planeta, há um Cristo do sistema, há um Cristo de uma constelação, há um Cristo de uma galáxia, etc., até atingir classificações que escapam até a nossa observação, tendo em vista que o universo é infinito.
Portanto, Deus sempre está acima e nós só conhecemos de Deus aquilo que Ele revela. Este foi um pensamento que sempre inspirou os sábios da primeira revelação. Eles sempre disseram que há uma parte oculta que é a parte imanifesta de Deus, aquilo que Ele não manifestou. E, aquilo que Ele não manifesta é inabordável. É preciso pensar nisso. Há Algo de Deus inabordável que diz respeito apenas a Ele e nós, no estado de criatura, só temos acesso àquilo que Ele revela. Por isso, o texto de Deuteronômio diz assim As coisas ocultas são para Deus, mas as reveladas são para os pais e para os filhos.
Aquilo que Deus manifesta – há até um pensamento filosófico sobre isso, a fenomenologia, a fenomenologia enquanto estatuto filosófico que trata disso. Nós só temos acesso ao fenômeno, aquilo que foi manifestado, aquilo que se revelou, aquilo que se apresentou e, aqui, vale para a revelação espiritual. A revelação espiritual é gradativa e ela se desenrola na proporção do nosso grau, do nosso estágio evolutivo. Portanto, em determinado período evolutivo da Terra, os fundamentos da moral espiritual, os fundamentos da espiritualidade, os fundamentos da revelação divina foram dados naquilo que se convencionou chamar de Velho Testamento.
Porque nós não podemos esquecer que, quando nós falamos em Velho Testamento, nós estamos falando em mais de 60 livros, alguns distantes dos outros, mais de mil anos. Então, é um processo. É um processo que nós podemos centralizar para efeito didático. Para efeito didático. Isto é importante ser dito. Para efeito didático, nós podemos centralizar a chamada Primeira Revelação na figura de Moisés. Mas, nós não podemos esquecer que, antes de Moisés, nós temos um Jacob, um Isaac, um Abraão, tantos outros patriarcas, tantos outros missionários e profetas anteriores e posteriores, incluindo os acônimos, aqueles que não constam da literatura, porque isto aqui é uma obra coletiva e tem um aspecto que é relevante, também.
Parte da revelação foi escrita com testemunho pessoal. Não podemos esquecer disso, porque, senão, nós vamos cometer um equívoco que é muito comum, sobretudo no movimento espírita. Quando nós falamos em Primeira Revelação, a pessoa imagina, ela simplifica que nós estamos nos referindo apenas ao texto da coletânea que se convencionou chamar Velho Testamento. Qual é o problema deste raciocínio? O problema são vários, mas os principais são os seguintes. Primeiro, há livros que não compõem o Velho Testamento, não entraram naquilo que nós chamamos de Cânone do Velho Testamento e são livros importantes.
Por exemplo, toda a literatura apocalíptica que inspirou João o Evangelista, que está no período depois do último profeta até o surgimento do Novo Testamento, esta literatura não entrou na coletânea chamada Velho Testamento e, no entanto, ela tem um impacto profundo nos escritores do Novo Testamento. Segundo, se nós imaginarmos que a Primeira Revelação se resume a textos escritos, nós estamos deixando de considerar, por exemplo, a vida de um Abraão, um espírito que vem em missão, encarna, recebe um chamado interior, abdica da sua terra natal, sai confiando numa inspiração espiritual, inicia uma grande saga de espiritualidade com inúmeros tropeços, quedas e levantamentos, sorrimentos, sofrimentos, testemunhos, experiências, em que o texto reproduziu, em parte, isto.
E, este patriarca, ele só foi seguido, ele só gerou um movimento por conta da vida dele, da vida dele. E, aí, nós nos perguntamos quantas vidas foram necessárias para compor este tecido do que nós chamamos de Velho Testamento? Será que só a vida de quem escreveu? Porque quem escreveu nem aparece. Nós sequer sabemos o nome dos escrivos aqui, de quem realmente escreveu. Alguns livros, por exemplo, você percebe que têm várias mãos. Uma parte foi escrita em um período, outra foi escrita em outro período. Então, será que a revelação é feita só de quem senta e pega um papir e um pergaminho e grafa?
Então, a revelação não é também vida? Quem testemunhou, quem criou o movimento, quem orientou, quem educou pessoas, quem formou gerações, quem inspirou gerações, sobretudo naquela época em que a oralidade, o ensino oral era a regra, porque a maioria das pessoas não lia nem escrevia. Então, o ensino oral era a maneira de se perpetuar o ensinamento. Nós devemos tomar cuidado com este tipo de raciocínio. A primeira revelação é feita de missionários, missionários que encarnaram, deram seu testemunho, viveram uma convicção, viveram valor.
Alguns, com testemunhos ásperos, não tem um profeta que não tenha sido trucidado, que não tenha sido perseguido, alguns até assassinados, assassinados. Mesmo aqueles que, aparentemente, passaram por situações que nós consideramos favoráveis, como o rei Davi, o rei Salomão, que eram reis, tiveram também grandes testemunhos. Tiveram momentos de altos e baixos. Passaram por seu momento de ter que viver aquilo que falavam, de ter que mostrar na própria vida aquilo que eles acreditavam. Então, quando nós olhamos para estes textos aqui, é preciso nos dar conta que, por trás deles, tem vida e centenas, quiçá milhares.
Moisés é uma delas, uma delas, mas não foi o único, porque ele teve continuadores, a obra deu sequência e as pessoas tiveram que levar adiante o ideal de viver aquilo que foi revelado. Então, quando nós falamos em primeira revelação, nós estamos nos referindo a este conjunto de seres que construíram uma tradição, uma tradição oral, uma tradição de vida, uma tradição de testemunho e uma tradição de comportamento. Para quem não está conseguindo ainda captar isto, eu sugiro a leitura do capítulo 11 de Hebreus. Na Carta aos Hebreus, que é conhecida como Poema da Fé, em que Paulo faz uma visita panorâmica ao Velho Testamento, ele vai citando estes heróis da fé.
Estas pessoas que representaram marcos, definidores da primeira revelação. E, são dezenas. Ele não só cita nominalmente, como ele dá a característica principal daquela encarnação, daquela missão. Qual foi o propósito daquele ser? Por que ele veio? Qual a marca que ele deixou? E, nós vemos que é um conjunto, um conjunto de seres que deram sequência. A ideia que me agrada muito isto é a ideia de uma corrida de tocha. Você tem vários corredores. Um corre cem metros, duzentos, não importa. Ele corre um trecho e entrega a tocha para o outro.
Que corre mais um trecho, entrega a tocha para o outro. Que corre mais um trecho, entrega a tocha para o outro. Lembrando que, aqui, não é simplesmente um indivíduo entregando uma tocha para o outro, mas uma geração de indivíduos entregando para uma nova geração. Uma geração de pessoas mantendo uma luz do ideal espiritual acesa e, depois, em função da velhice, em função da necessidade de se desligar da vida material, entregando essas luzes para uma nova geração, que vai dar sequência. E, isto perdurou por mais de dois mil anos.
Então, quando nós falamos de primeira revelação, é disto que nós estamos dizendo. Nós não estamos, aqui, estudando texto de Gênesis, apenas. É importante se diga isto. Nós estamos, aqui, mergulhando em missões e em missionários. Seus contributos, aquilo que eles deixaram, aquilo que eles choraram, aquilo que eles sangraram, aquilo que eles testemunharam. É importante dizer isto. E, como a revelação é gradativa, após esta geração de criaturas que gravitaram em torno de um patamar da revelação, vem o Novo Testamento, com a figura, com o sol da imortalidade, que é o Cristo, e passam a gravitar todos, inclusive espíritos, que estiveram encarnados na época da primeira revelação e que voltam numa reencarnação na figura de apóstolos, de discípulos, de trabalhadores anônimos, vêm agora para gravitar em torno da figura do Cristo, dando sequência ao processo da revelação divina.
E, depois, mais tarde, o mesmo fenômeno se repete com a vinda do missionário Kardec e de uma pleia de espíritos que também encarnaram para dar suporte, para criar aquele clima de geração, aquele conjunto de pessoas que iriam receber essa herança espiritual e, agora, trabalhá-la em novas bases. Este é o propósito aqui. Embora nós sejamos obrigados a reconhecer que é impossível trabalhar o texto do Evangelho sem a moldura dos textos que o antecederam. Então, eu não gosto nem tanto de dizer, assim, Velho Testamento, porque, se não, a pessoa fica com essa visão limitada de algumas dezenas de livros, textos que precederam o Novo Testamento, porque não existe texto solitário.
Todo texto, todo livro, está em diálogo. Ele sempre retoma algo que foi escrito, traz novas ideias ou, mesmo quando não traz novas ideias, resume ideias que já foram ditas com palavras diferentes. Essa é a ideia de que os textos também estão em diálogo. Portanto, os textos do Novo Testamento estão em permanente diálogo com os textos que os antecederam. Nós poderíamos dar vários exemplos aqui, por exemplo, vou dar alguns poucos para ilustrar. Quando pediram a Jesus um sinal, demos um sinal, um sinal de que Ele era o Messias, um sinal de que o que Ele ensinava era verdade, um sinal de que Ele tinha credibilidade, de que Ele tinha legitimidade, o que Ele faz?
Ele diz assim, a esta geração adúltera e perversa, não será dado nenhum outro sinal, senão o sinal do profeta Jonas. E, pronto. Agora, se você jogou os livros do Velho Testamento fora, e agora? Como que vai entender o que Jesus disse? Se você acha que os textos que antecederam não são importantes, você não vai saber qual é a história de Jonas. Você não vai saber nem que Jonas existe. Aliás, vamos imaginar que, num processo de fanatismo, todos os livros que existem do Velho Testamento sejam queimados. Como é que as gerações futuras vão entender esse ensino de Jesus?
Quando Ele diz assim, nenhum sinal será dado, a não ser do profeta Jonas. Você diz, mas quem foi esse profeta Jonas? Ora, não dá para saber, porque teve um pessoal fundamentalista lá, que achava que o Velho Testamento não era importante, e mandaram queimar todos os livros. Não sobrou nenhum. Vai entender como? As palavras de Jesus. Nós temos que tomar cuidado com isso, porque o Reino dos Céus está no meio. Nós temos que evitar essas posições extremistas e simplórias, porque o assunto é vasto, o assunto é complexo, ele é delicado.
Ele demanda de nós, primeiro, serenidade, segundo, ausência de paixão. Se a gente estiver apaixonado pelas nossas ideias, fica difícil raciocinar. Mas, Ele exige, sobretudo, discernimento, um espírito de discernimento. O nosso objetivo, aqui, ao estudar esses textos, é clarear a mensagem, clarear a mensagem do Novo Testamento e clarear a mensagem da Doutrina Espírita. A gente lembra, para dar um outro exemplo, agora, evocando o ensino da Doutrina Espírita, lá, naquela mensagem inaugural do Evangelho Segundo o Espiritismo, assinada pelo Espírito de Verdade, está dito assim «Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, qual um imenso exército que se movimenta as ordens do seu general, do seu comandante, caem na terra como estrelas cadentes e isto está fazendo referência a quê?
Deus, nos textos que antecederam o Novo Testamento, que nós chamamos de Velho Testamento, é chamado de o Senhor dos Exércitos ou das Estrelas, porque Cebalote pode ser Exército ou Estrelas. Quando Abraão é chamado, a alegoria, na linguagem simbólica do Velho Testamento, a alegoria que é feita para ele é para ele olhar para o céu, no deserto, e contar-se as estrelas. É dito para ele que a posteridade de Abraão seria mais numerosa do que as estrelas do céu, fazendo referência a estas estrelas. Mas, especialmente no profeta Isaías, há um texto belíssimo que chama os filhos de Israel, os detentores da revelação, como as estrelas que Deus chama pelo nome, porque conhece cada uma delas.
E, aí, chega no Evangelho segundo o Espiritismo esta mesma linguagem das estrelas cadentes, esta ideia destes seres iluminados que se transformam em estrelas-guia, descem à terra, representando aquela posteridade prometida a Abraão. Então, é bonito, a gente só consegue fazer esta interseção, só consegue fazer este entrelaçamento, se a gente abre a mente e lê os textos. E, é o que nós estamos fazendo aqui, sobretudo neste capítulo 1 do Gênesis, porque o capítulo 1 do Gênesis é a moldura da moldura da moldura. Tudo mais de texto bíblico, tudo está repousa sobre este alicerce.
Qual alicerce? Que há um Deus, há um Deus, mas Ele não é um Deus que é simplesmente um rei que chegou e encontrou a casa pronta. Não! Ele é um Deus criador. Então, não havia nada, Ele criou tudo. Isto é importante. Tudo Ele criou. Se Ele criou, Ele pode descriar. Como diz lá no Alto da Compadecida, comer e descomer. Então, se Ele gera, Ele pode cessar, fazer cessar, porque Ele é o Senhor da criação. Ele é o Senhor da criação. Tirando Ele, tudo o mais é criação divina. O único incriado é Ele, que não tem princípio, nem meio, nem fim, que é eterno, que existe de todo o sempre.
Tudo mais é obra das suas mãos. Falando aqui poeticamente. Esta é a mensagem central do texto. Há um Deus criador, mas Ele não é um Deus criador para afastar. Não, Ele é um Deus criador, porque Ele criou. Se Ele gerou tudo, por que Ele não pode interferir? Por que Ele não pode atuar? Então, todo o capítulo 1 de Gênesis tem um propósito, incutir em quem ler a ideia de que há um Deus criador, que, uma vez tendo criado, pode recriar, intervir, refazer, atuar. Esta é a mensagem maravilhosa. Então, Ele pode recriar a nossa vida, Ele pode desfazer e refazer, Ele pode consertar o que foi atrapalhado, Ele pode trazer quem foi ou Ele pode levar quem está sendo retido.
Então, Ele pode tudo. Ele pode tudo, porque Ele é o Criador, porque Ele é o Criador. E, neste processo de criação, há uma escala, há uma gradação. Tudo criado serve aos seres que passam a exercer ao lado de Deus a função de co-criadores. Co-criadores em plano maior, quando Deus fala façamos o homem a nossa imagem de semelhança, sugere o diálogo do Criador com os co-criadores em plano maior, que são os seus Cristos. Mas, co-criadores em plano menor, que é o homem, que domina sobre todos os elementos que foram criados.
Então, o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto dia é tudo o que foi criado até que se cria a espécie humana. A espécie humana que vai receber aquele ser espiritual em condições de assumir o seu papel de co-criador, de co-participante, de co-responsável, que tem o dever de ser imagem e semelhança de Deus e que divide com Deus a responsabilidade de administrar o cosmos e, portanto, é responsável. Responsável e tem que dar conta da sua administração. Tem que dar conta da sua administração. Essa mensagem é profunda, sobretudo, no momento, agora, de transição que nós estamos vivendo.
Eu me recordo que estava pensando aqui sobre a preparação deste texto do Gênesis, Churros, você tem que só me falar as horas. Eu estava lendo uma frase e acabei lendo uma frase do Gustave Flaubert em que ele diz assim e eu acho que essa frase se aplica muito a uma utopia dos tempos atuais. Ele diz assim Para você ser feliz, você precisa de três coisas. A primeira delas é ser imbecil. A segunda é ser um egoísta e a terceira é ter saúde. Mas, de todas elas, a mais imprescindível é a primeira, ser imbecil. É claro que é um grande escritor francês e aqui tem rios de ironia por trás desta inteligentíssima frase.
Mas, isto nos leva para o paradigma do tempo atual, que é você precisa ser feliz. Não, você não precisa ser feliz. Tem que ser feliz e assim, a qualquer preço, esquecendo desta posição de corresponsabilidade na criação. Nós somos corresponsáveis. Nós somos co-gestores com Deus. E, esta posição de co-responsáveis, de co-gestores, ela impõe limitações. É óbvio que ela impõe limitações, porque seria muito bom ser sem limite para você, mas é impossível ser sem limite para todo mundo. Este ponto, a questão do limite é permitir a convivência de todos.
Porque não dá para ser sem limite para todos. É só pensar no trânsito. Se você, no trânsito, puder fazer tudo o que você quiser, parece ótimo, mas você tem que imaginar que todos os motoristas também vão poder fazê-lo. E, aí, o trânsito se torna inviável, porque as regras são medidas protetivas do todo. Elas fazem com que tudo funcione em harmonia e que tenha vez para todos. Então, ela organiza o exercício da liberdade. Isto é importante. A lei divina organiza o exercício da liberdade. Não é que você não seja livre, mas é que há o momento oportuno de exercer a liberdade.
Isto é responsabilidade. Então, esta é também uma lição fundamental do primeiro capítulo do Livro dos Gêneros, que é na criação do sexto dia, quando o homem é criado, a imagem e semelhança de Deus. E, é dado a ele o poder de dominar sobre toda a criação, dominar no sentido de coordenar, de organizar. Então, Deus divide o Todo-Poderoso, que não precisa de ninguém. O Todo-Poderoso, que é autossuficiente, divide poder, delega poder e o processo se torna de cogestão. Por isso, somos cocriadores, evidentemente, em diversos patamares da cocriação, desde a condição humana – Desde a cocriação humana até a cocriação em patamares de elevação espiritual que nós sequer somos capazes de apreender a abrangência do poder cocriativo que estes Espíritos têm, o grau de liberdade que é conferido a eles, o tamanho da responsabilidade que eles já amealiaram, o tamanho, o grau de consciência que eles têm da lei divina, da harmonia divina.
Então, este é o resumo, aqui, do capítulo 1. O capítulo 1 de Gênesis é esta grande moldura. É para que a gente entenda que tudo o que existe está alinhado, converge para um núcleo. Este núcleo é o Deus único. O Deus único e o Deus único. Deus único, porque ele é só um. Deus único, porque ele tem só um designo. E, como ele é imutável, o designo dele é imutável e ele é constante, embora infinitamente variável na sua apresentação. Então, a gente vê uma infinitude de planetas, uma infinitude de sóis, cada um com o seu tamanho, com as suas características, mas um senso de unidade, um senso de propósito único.
Por quê? Porque tem uma inteligência suprema coordenada, não duas. Então, Deus não tem que fazer reunião de diretoria. Ele não tem que fazer reunião de condomínio para deliberar. Ele delibera e delega a execução dos seus designios àqueles seres que já atingiram patamares que nós sequer somos capazes de aprender. Então, esta é a história do Gênesis. É isto que nós estamos estudando aqui. E, aqui, nós vamos fazendo algo que é assim. Uma vez estudado o capítulo 1 de Gênesis, tudo mais que você for ler na Bíblia vai fazer referência a isto.
Então, se você for lá para o Apocalipse, o final do Apocalipse, o último capítulo do Apocalipse, fala do quê? Novos céus e nova terra. Retomando o fim inicial do livro Gênesis. Então, se não existisse o livro Gênesis, como que se entenderia o Apocalipse? Então, é quando Jesus diz a geração, a nova geração. Por que uma nova geração? Onde que surgiu esta ideia de geração? Está aqui no capítulo 1, quando o homem é criado e as gerações. Gerações de coisas, de seres e De humanos. Os seres humanos. Então, este é o propósito.
São nestas águas que nós estamos navegando. E, por falar em água, o tema de hoje é o quinto dia. Só relembrando que há uma sequência aqui surpreendente, surpreendente, considerando a época em que foi escrito, que primeiro fala de um abismo, de um caos, Deus dominando este caos e criando a luz. Este é o primeiro dia. Depois, o que Ele faz? Ele faz uma separação das águas que estão em cima e das águas que estão embaixo. Chama-se firmamento de céu. Este é o segundo dia. Depois, nós temos um terceiro dia, em que é separada embaixo um No momento, as águas debaixo do firmamento cobriam toda a superfície da terra.
Agora, é separada uma porção de água e uma porção de terra seca. Então, você passa a ter mar, oceanos, mares e continentes. E, aí, o que acontece? A parte seca de terra se enche de vegetação. Se cobre do reino vegetal. Nós já falamos, aí, da importância do reino vegetal, da organização, da energia de cada planta, do código genético de cada planta, que é uma biblioteca de Alexandria, porque cada planta representa um resumo de um esforço multimilenar de sobrevivência daquela espécie. Então, aquela espécie passou por inúmeras transformações e intempéries e, no código genético dela, ela tem o resumo da sua experiência, tudo o que ela conquistou para ser daquele jeito que ela é, para viver nas condições em que ela vive, cada um segundo a sua espécie.
Então, um reino extremamente organizado. E, esse foi o terceiro dia. Depois, passa para os fenômenos celestes, as estrelas, o Sol, a Lua, como medidores, marcadores de tempo, de ciclos, de fases, que é o quarto dia. E, a gente chega aqui no quinto dia, que é o quê? A vida na água borbulha. Então, agora, além de vegetação, passa a ter o ser de todas as espécies da água, da água doce e da água salgada. Precedendo, a gente sabe disso, isso é incrível, precedendo a vida sobre a Terra. Porque, aí, no sexto dia, no sexto dia, vai falar da vida sobre a Terra culminando com o homem, que é o senhor das espécies.
O homem se ergue na figura de Adão, ama e aprende a ser o rei da criação, na letra lá do Gladys. Mas, aqui, está falando da vida marina e a ordem é multiplicar, multiplicar. E, o texto hebraico usa uma palavra incrível, porque ele fala de oceanos e águas fervilhando, fervilhando no sentido de vida, desses seres se reproduzindo, as suas diversas espécies, aquilo fervilhando, fervilhando, fervilhando, fervilhando e gerando todas essas criaturas, inclusive as aladas, as aves, que vão se destacar, porque, aqui, ele reúne, didaticamente, os seres marinhos com os seres alados, para depois, no sexto dia, trabalhar só os seres que rastejam ou que andam sobre a Terra seca.
Então, este é o quadro esquemático. Mas, aí, alguém vai perguntar, ok, entendi, tem uma boa aula de biologia, Deus criou os animais marinhos, a vida fervilhou, mas, qual é o sentido espiritual que tem isto aqui? Olha, aqui que está o importante disso tudo. Nós temos aprendido que, se há um mundo exterior, há um mundo interior. Então, este oceano aqui, nós o temos, estas águas, também nós. E, todos estes animais, conforme as suas espécies, como forças psíquicas do nosso inconsciente, forças psíquicas da nossa própria alma, até porque, enquanto princípio inteligente, nós estagiamos por estas espécies.
Passamos lá pelo mineral, com todas as suas diversidades, porque o mineral, a gente acha que é tudo igual, mas, não é. Não é. Você não pode comparar uma brita com um quartzo. Você não pode comparar a organização de uma esmeralda, de um diamante, com a de uma pedra qualquer que você encontre na rua, a própria água, graus, a própria água. Então, no reino mineral, há uma diversidade, há degraus. E, a ordem é sempre assim. Cada vez mais ganha complexidade estrutural, é mais organizado. Quanto mais organizado, significa que o princípio inteligente está em um estágio mais avançado, porque ele foi se organizando.
E, aí, passa pelo vegetal. Toda a experiência das espécies vegetais, como foi organizadora. André Luiz, por exemplo, nos revela que o princípio inteligente das árvores está sedimentando a experiência que depois será usada no neurônio. Então, instintivamente, nós, Espíritos, só conseguimos coordenar a nossa rede neural graças à nossa experiência de princípio inteligente nas árvores, com as suas raízes, com os seus graus. Lá, nós aprendemos a coordenar o processo de seio, alimento, tudo aquilo. Por quantos milênios? Quantos milhões de anos?
E, isto está em nós. Isto é experiência psíquica. Isto é memória. Da mesma maneira que você viveu há dez anos uma experiência afetiva, familiar, de amigo, religiosa, e isto ficou memória, esta experiência evolutiva é memória. Ela está arquivada. 15 milhões de séculos, como diz a Babilônia, 1 bilhão e 500 milhões de anos. 1 bilhão e 500 milhões de anos. Esta experiência está arquivada. E, esta aqui, do oceano e destes seres, também está arquivada. Também está arquivada. Então, nós precisamos compreender, quando abordamos o tema do psiquismo e da mente humana, que nós temos mais tempo na animalidade do que na humanidade.
Nós somos uma fininha casca de humanidade, uma fininha casquinha de gelo. Vamos imaginar, assim, um lago congelado. Uma fininha casca de gelo cobrindo vastas extensões de animalidade, que, a qualquer momento, podem aflorar. Podem aflorar. E, aí, qual é o desafio? Qual é o desafio proposto pelo Evangelho do Cristo? Isto é importante. É o desafio do vigiar. Estar na posição da sentinela que observa e que controla estes elementos que estão no nosso psiquismo. Senão, nós começamos a agir por impulso animal. Daqui a pouco, não é você, mas é a baleia que está dentro de você, o réptil, o crocodilo, o jacaré, o rinoceronte, que começam a tomar conta da sua vida.
Estes impulsos que começam a somar e salteiam a inteligência. Isto é que é interessante, porque o Emmanuel, no Pensamento e Vida, quando fala do processo de evolução da mente, diz assim no homem, ergue-se, sob a ganga do instinto, entre ilusões que salteiam a inteligência. Mas, o saltear, aqui, é do verbo assaltar. Assaltar. O que é assaltar? Porque, muitos de nós, em determinados momentos da nossa encarnação, do nosso estágio evolutivo, fazemos escolhas e temos comportamentos que revelam claramente que a nossa inteligência foi amordaçada, algemada e colocada lá no quarto do fundo.
E, vigorou só a ilusão, só o impulso, só este conteúdo. Ou seja, nós não permitimos que a nossa inteligência, que o nosso grau de discernimento já conquistado, atuasse. Então, deliberamos, tomamos decisões, sem permitir que o nosso – não é do outro, não – o nosso próprio discernimento, a nossa própria capacidade de prever, de calcular, de raciocinar, entrasse em jogo. Então, eclipsa o entendimento, eclipsa o discernimento, a inteligência se eclipsa, assoma esta carga, este mar, este oceano e nós agimos no impulso, impulsos multimilionários.
Voltamos a experiências que são dantescas, animalescas. É por esta razão que muitas pessoas se assustam quando leem descrições, por exemplo, do livro Libertação ou de outras obras de André Luiz, ficam muito assustadas com certas regiões do mundo espiritual em que as criaturas deformam o seu perispírito, o perispírito delas começa a apresentar formas que sintonizam, que são quase que uma caricatura de formas animais. Eu digo caricatura, porque se eu olho para um lagarto, ele é um lagarto, ele é belo, o crocodilo é belo.
Dentro do estágio dele, ele é perfeito, muito bem planejado. Agora, se você encontrar um crocodilo falando, tem um problema. Então, se você encontrar no mundo espiritual uma criatura cujo perispírito regride e começa a ser uma caricatura, um arremedo de um crocodilo, tem algum problema. Qual que é o problema? Ela mergulhou nesse oceano, ela perdeu o senso moral, ela perdeu a sensibilidade moral, o senso de justo, de certo, de errado, de bem e de mal, de bom para mim e de bom para todos e vai em um processo gradativo, intenso, de regresso a experiências animalescas.
E, aí, o que acontece? O perispírito, que reflete o nosso estado íntimo, porque você pode ter um raciocínio muito bonito, ideias muito bonitas e tudo, mas você tem uma carga energética. Então, a gente chega, você sente a energia da pessoa. Por mais que o discurso dela seja brilhante, você sente a energia. Às vezes, a pessoa fala que quer paz, tem um discurso de paz, mas ela vibra guerra. A energia dela é de conflito, porque ela necessita do conflito. Isso significa que ela está ainda vinculada a experiências de animalidade, de agressividade, de impulsividade, de bater, de morder, de ferir.
Essas entidades, isto está lá no livro Libertação, justiceiras que se arrogam no direito de julgadoras, de juízes, se avoram na posição presunçosa de serem a mão de Deus da justiça, como se Deus precisasse da gente para exercer a sua justiça, elas, lá no livro Libertação, tem aquele caso do julgador que ele começa a dizer para a mulher você é uma loba, é uma loba, porque, na encarnação dela, ela não se comportou como uma mulher. Ela não se comportou como um elemento feminino equilibrado. Ela foi uma criatura que assassinou vários fetos, se envolveu em experiências e se comportou de uma maneira animalesca, uma fera mesmo, perigosa.
E, perigosa, por quê? Porque, como nós, encarnados, só vemos o corpo, a gente só consegue enxergar a forma. Então, às vezes, você olha e fala nossa, que linda, e não enxerga o que está por dentro. Quando ela chega no mundo espiritual, este julgador está com um cristal, ele passa o cristal no perispírito dela, ele vê a frequência dela, ele vê a memória afetiva dela, tudo o que ela fez, inclusive os abortos e fala você é uma louba, você não é uma mulher, você é uma louba, uma louba, uma louba. E, aí, o processo de culpa dela, que ela já estava inserida, que a consciência nos conclama a avançar, nos conclama a avançar, o perispírito dela começa a assumir a forma de uma louba.
E, a gente se assusta com isso, meu Deus, mas parece um filme de terror. Mas, por quê? Por que parece um filme de terror? Só porque agora a forma está refletindo o interior? Por que a gente não se assustou quando o interior se torna animalesco? Então, quer dizer que se eu fiz a barba, estou bonitinho, passei um perfume, estou todo arrumadinho, mas, por dentro, eu sou cruel, eu sou uma fera, eu faço calúnia, eu puxo o tapete, eu fio as pessoas, eu vou por trás, eu apunhalo. Então, não tem problema, desde que a forma esteja bonita.
Aí, quando a forma começa a ficar casada e harmonizada com o interior, a gente se assusta. Por quê? Por quê? Por que se assustar com as criaturas que chegam no mundo espiritual e o perispírito delas passam a refletir verdadeiramente quem elas são? Porque elas já são isso. Elas já são enquanto estão encarnadas. E é possível você sentir a energia da pessoa? É possível, você sente. Dá para sentir. Então, isto não deveria nos assustar, porque o que está acontecendo é que o mundo espiritual revela aquilo que o corpo oculta.
Então, o corpo é uma esponja, ele nos protege, ele nos esconde, graças a Deus, graças a Deus, até para nos dar a oportunidade de transformarmos interiormente e fazer com que o nosso interior reflita a forma humana que o corpo nos presenteou, que a espécie humana nos presenteou. Então, dignificar, agir, sentir e pensar como seres humanos, honrando o corpo humano que nós temos, este deveria ser o propósito. Esta é a lição do texto do quinto dia, de que existem estes seres dentro de nós, eles são forças psíquicas, eles estão fervilhando, mas há um comando que nós vamos ver lá no sexto dia, que é o comando domina, dominai.
É dominar mesmo, dominar. Por que dominar? Porque, se eu tenho, vamos imaginar no mundo antigo, um boi forte e eu coloco um jugo sobre ele, eu domino, põe o arado, ele é uma força para arar a terra. Você pega um cavalo bravo, você educa ele, coloca o selo, faz o arreio e educa ele, ele é um instrumento de locomoção. Por quê? Porque ele está sob domínio, um domínio de uma inteligência superior. Então, ele é utilizado. Se nós tivermos a capacidade de usar essas forças interiores, elas nos vão dar ânimo, alegria de realizar o bem, de fazer as coisas, de acordar cedo, de investir no projeto, de aprender, de nos aprimorar, de conduzir um trabalho do ideal, algo que a gente acredita.
A energia vem disso. É essa energia psíquica que, se tiver dominada, vai dar o combustível para que a gente possa agir. Agora, se eles passarem a comandar, nós nos tornamos felzes. E, aí, é daqueles que comungam a convivência conosco, porque eles vão sofrer a ação desse fervilhar interior desse mundo. Então, são sonhos que a gente fica a refletir no texto de Gênesis. E, a gente gostaria de concluir dizendo que o texto deixa muito claro e eu acho que o capítulo, a mensagem que foi lida no início fechou. Parece que a lição era essa mesmo.
Quando fala assim os seres, que nós usamos o nome de diabólicos, eles não são seres à parte, nós somos nós mesmos. Somos nós. Não é nada à parte. Somos nós. E, o bonito que está mostrando aqui é que tudo isto aqui é a criação de Deus. Então, toda a energia psíquica, toda a energia que existe em nós é divina. Não é? A energia da agressividade, ela pode ser agressividade dependendo da orientação que você der, porque se você der uma orientação positiva, ela é assertividade, ela é coragem, ela é força, ela é ânimo. Agora, se você não souber dominar, ela vira agressividade, mas ela é uma energia divina.
Assim, a energia sexual e todas as outras energias psíquicas que estão dentro de nós e que representam este acervo, este acervo que compõe a nossa história evolutiva. Então, pensemos assim, a Terra, o planeta Terra, a Gaia, possui uma história evolutiva de aproximadamente 4,5 bilhões de anos, em torno, vamos arredondar, mas nós, também, somos um mundo e aqui também tem uma história evolutiva. Tem reino mineral, tem reino vegetal, tem reino animal aquático, reino animal no ar, e reino animal terreno. Está tudo aqui dentro, uma história evolutiva de quantos milhões de anos?
Nós não sabemos. Nós não sabemos. E, uma fina camada, uma finíssima camada, porque há quanto tempo nós estamos encarnando na espécie humana? Não tem tanto tempo assim. Em comparação com os outros estágios que nós já percorremos, é uma fina camada, uma fina camada. É claro que isto vai se inverter, não é mesmo? Olha, basta a gente pensar que há Espíritos puros que já são puros, que é pureza no sentido que está lá no livro dos Espíritos, que se torna um Espírito na sua última encarnação. Você não precisa mais encarnar, não precisa mais da experiência física.
Se torna um Espírito puro, bem-aventurado. Tem Espírito que já é puro, bem-aventurado há 10 bilhões de anos. Então, a experiência que ele tem como Espírito puro, é superior à experiência que ele teve na animalidade. Então, a balança já perdeu para o outro lado. É por isso que você não vê eles aqui. Eles não vêm aqui. Esses não vêm. Quando vêm, deixam o Evangelho. Não vêm. Agora, nós não. Nós, a balança ainda está. É um pouquíssimo tempo de experiência humana, humana, não estou falando nem angélica, angélica só do Luciano Huck.
A nossa é humana. E, o Evangelho veio para nos tornar humanos, humanos, há um longo caminho, há um longo caminho. Mas, é bom, é bom perceber, é bom nos dar conta de que há um oceano e muitos rios fervilhando de espécies dentro de nós, dentro de nós. E, o texto é tão, para concluir, agora terminar, o texto é tão intrincado, ele é tão bonito, que depois que cria o homem, o homem sofre o primeiro teste, o homem enquanto ser humano, a espécie humana, sofre o primeiro teste. O primeiro teste é de quem? De um réptil, de um réptil.
E, a primeira queda se deu da espécie humana, perdendo, por um réptil. Não foi nem um chimpanzé, não foi nem um humanoide, não, um réptil. Dá o que pensar. As nossas quedas clamorosas espirituais se dão porque conteúdos psíquicos muito primitivos assumam, tomam conta da nossa inteligência, do nosso desenvolvimento. Conteúdos muito primitivos, muito répteis. Esta é a lição espiritual que está por trás desta descrição do quinto dia. Era o que a gente tinha para comentar hoje, e, semana que vem, a gente vai para o sexto dia.
Aí, eu prometo, prometo, que até agora, assim, estava árido, estava mais difícil que esses dias iniciais, mas, agora, entrando no sexto dia, tudo vai ficar mais árido ainda.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.
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