Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento à luz do Espiritismo, Haroldo Dutra Dias aprofunda-se no Livro dos Salmos, especificamente no Salmo 10. O estudo destaca a complexidade da redação bíblica e a profunda conexão entre o Salmo 9 e o Salmo 10, que, segundo a tradição judaica, formam uma unidade.
O que é estudado neste episódio
- Salmo 10: A leitura integral do Salmo 10, utilizando a tradução da Bíblia de Jerusalém, revela o lamento do justo diante do aparente sucesso do ímpio e o silêncio divino.
- Estrutura em espiral da escrita bíblica: Haroldo explica que a redação do texto bíblico não é linear, mas sim em espiral, com idas e vindas temáticas. Isso exige do leitor uma abordagem diferente da literatura moderna, evitando a rigidez de uma narrativa sequencial e a análise de versículos isolados.
- Unidade Salmo 9 e 10: A discussão retoma a ideia de que os Salmos 9 e 10 formavam originalmente um único salmo. A evidência para isso reside na estrutura acróstica hebraica, onde cada verso (do Salmo 9, verso 2, até o Salmo 10, verso 15) deveria seguir a ordem alfabética hebraica.
- Conceito de “Tikkun” (regeneração): A aparente quebra na sequência alfabética no Salmo 10, verso 15, é interpretada pelos sábios judeus como intencional e simbólica. Essa incompletude do acróstico sinaliza que a justiça plena ainda não se manifestou e que o mundo está “quebrado”, aguardando a era messiânica para sua regeneração (Tikkun).
- Silêncio divino e a prosperidade do ímpio: O Salmo 10 aborda o questionamento do justo sobre o silêncio de Deus diante da opressão e do sucesso dos ímpios. Essa é uma “pergunta legítima do justo”, uma expressão de fé que luta para entender.
- Conceito de “Tzimtzum” (retração divina): Para explicar o aparente silêncio de Deus, Haroldo introduz o conceito cabalístico de Tzimtzum, a “retração” divina. Deus se afasta um pouco para criar espaço para a existência e o livre-arbítrio das criaturas, permitindo que elas semeiem suas escolhas.
- A colheita e o retorno de Deus: Após o Tzimtzum, vem o Tikkun, que é o juízo e a regeneração. Deus retorna plenamente com amor e justiça para garantir a colheita das sementes plantadas, educando e restaurando o equilíbrio.
Reflexões
- A fé não é ausência de questionamentos, mas a luta para compreender a justiça e a providência divina, mesmo diante das adversidades e da aparente prosperidade do mal.
- A permissão divina para o livre-arbítrio, expressa no conceito de Tzimtzum, demonstra um amor que respeita a autonomia da criatura, mesmo que isso implique em experiências dolorosas e na necessidade de aprendizado através das próprias escolhas.
- A doutrina espírita, ao enfatizar a imortalidade da alma e a lei de causa e efeito, oferece uma lente para compreender que o “mal” é transitório e que as experiências, por mais difíceis que sejam, visam à regeneração (Tikkun) e ao progresso espiritual.
Ler transcrição do episódio
Música Música Música Música Música Música Olá, amigos, boa tarde, mais um estudo de salmo. Seja bem-vindo, Haroldo, seja bem-vindo, Júlio, todos os amigos que estão nos assistindo. Boa tarde, Leandrura, Júlio. Boa tarde, Haroldo. Haroldo, se eu puder baixar um pouquinho, para não voltar para a gente muito. E aí, sexta-feira, 13. E aí? Sextou. Mais um dia aí dos salmos, né? Isso aí, salmos 10 Salmo 10, né? Também na sequência daquele outro que a gente até teve a recomendação ou dizendo a sugestão, que poderia ser lido junto o 9 e o 10 e falando da precariedade da dos textos, né?
Da recuperação desse material. Mas é interessante, a gente estava conversando aqui nos bastidores, algumas trechinhas, né, Arudo? Que tem aí interessantes nesse salmo que a Arudo vai comentar pra gente. Mas o pessoal gostou muito do salmo 9 também. O pessoal comentando o comentário que eu recebi, Arudo, que eles acham muito engraçado Quando eu falo que quero sair da live no meio da sua fala. O pessoal fala assim, eles morrem de rir, né? O Júlio e muita gente que está ouvindo também, né? Quer fugir. Aqui a gente divide as tarefas, né?
Vai correndo. Tem um pouco de Haroldo, um pouco de Júlio, um pouco de Eleonor e todo mundo. Isso aí, é uma mistura. Muito bom. Mas e aí, Eleonora, qual a expectativa aí para esse Salmo 10? Esse Salmo 10, ele é um… Com o Salmo 10, a gente retoma aquele tema que a Eleonora trouxe na primeira vez quando a gente começou a estudar o Salmo 9, que é da existência de uma unidade entre eles, né? E que essa unidade teria sido, se perdeu e artificialmente, ao que tudo indica, a gente chega em dois salmos, que na verdade era um só.
Então, a gente vai trazer, acho que é importante trazer isso hoje, porque a gente vai entrar no 10, porque eu acho que fica adequado e a gente vai conseguir entender melhor o porquê disso, o que aconteceu, o que aconteceu aqui. Então acho que pra começar a gente pode ler o Salmo então, né? Ler grandinho, né? Vamos lá! Eu tô aqui com a Bíblia de Jerusalém, com essa tradução que a gente vai ler hoje. Salmo 10. E a ver por que ficas longe e te escondes no tempo de angústia? A soberba do ímpio persegue o infeliz. Fiquem presos nas tramas que urdiram.
O ímpio se gloria da própria ambição. Salmo 10. O avarento que bendiz, despreza e avé. O ímpio é soberbo, jamais investiga. Deus não existe, é tudo o que pensa. Suas empresas têm sucesso em todo o tempo. Teus julgamentos estão além do seu alcance. Ele desafia seus adversários todos. E diz em seu coração. Eu sou inabalável, jamais me acontecerá uma desgraça. Maldição, fraude e violência lhe enchem a boca. Sob sua língua há opressão e maldade. Põe-se de emboscada entre os juncos e as escondidas massacra o inocente. Com os olhos espreita o miserável, de tocaia, bem oculto, como leão no covil.
Ele se embosca para pegar o infeliz, captura o infeliz e o arrasta em sua rede. Ele espreita, se agacha, se encurva e o miserável cai em seu poder e reflete. Deus esquece, cobre a face para não ver até o fim. Levanta-te, Javé, ó Deus grande, ergue a tua mão Não te esqueça dos infelizes Por que o ímpio desprezaria Deus pensando que não investigas? Mas tu vês a fadiga e o sofrimento E observas para tomá-lo na mão A ti se abandona o miserável Para o órfão tu és um socorro Quebra o braço do ímpio do mal E procura sua maldade, não a encontras E a véia é rei para sempre e eternamente.
As nações desapareceram de sua terra. E a véia tu ouves o desejo dos pobres, fortalece seu coração, eles das ouvidos, fazendo justiça ao órfão e ao oprimido, para que o homem terreno já não infunda terror. Esse é o nosso Salmo 10, né? Sim. Deixa o Haroldo falar. Eu entendi assim, primeiro ele está falando do ímpio, né? Aí lá no 12, aí ele começa a falar com Deus. Mistura, né? Mistura. Não, mas é interessante você trazer isso, Leopardo, porque mostra pra gente que o redator bíblico do Velho Testamento, ele não tem uma escrita linear.
Não é a nossa literatura, porque nós estamos acostumados com uma história contada assim, princípio, meio e fim. A redação do texto bíblico é uma redação em espiral. Ela vai e volta, vai e volta, vai e volta. Então, o primeiro ponto que a gente tem que ficar muito atento, se eu não consigo entender essas idas e vindas, E se eu vou muito rígido querendo uma narrativa linear, eu me perco completamente. Parece que o texto não tem nenhum sentido. Parece que ele está juntando peças que não têm nada a ver. Então esse é o primeiro cuidado.
A gente tem que sair do nosso lugar, da nossa cultura, da nossa maneira de escrever e ler textos, abrir mão disso e tentar entender qual é a maneira deles escreverem textos, a maneira que eles contam uma história. Então, esse é um ponto muito, muito, muito importante. Por isso que a gente não pode ficar apegado a versículos. Se eu estudo versículos isolados, aí não há tragédia. Eu não vou conseguir enxergar essa estrutura espiral, E aí eu vou ficar mais perdido ainda, com muita dificuldade de compreender, porque é como se eu desmontasse uma quebra-cabeça e agora começasse a analisar cada pecinha separada.
Vira um tumulto. Então, é isso que a gente tem que tomar um cuidado. E por isso que sempre aqui, sempre no estudo de Salmos, é uma tradição desse estudo aqui nosso do ser… que já dura mais de dez anos, a gente está estudando textos da Bíblia hebraica, a gente procura dar um enfoque na estrutura. Não é um capricho nosso, é uma necessidade. Esse foco na estrutura não são informações só para satisfazer a curiosidade. Não, são ferramentas para a gente poder fazer uma leitura mais proveitosa desse texto do Bíblio. E, de fato, quando você leu aí, nós falamos, gente, que coisa confusa, né?
Começa o Salmo 9, um vez, termina do outro, o que que tá? Meu Deus, né? Tá falando do quê, né? Tá falando do quê, né? E, de fato, é isso. Tem dois temas contrastantes, verdade? Tem dois temas contrastantes. O Salmo 9 está falando do triunfo da justiça, está exaltando a justiça divina e no Salmo 10, parece que Deus ficou em silêncio. É o silêncio divino e aí entra o clamor do justo contra os ímpios. Como se a justiça divina tivesse se ocultado, tivesse silenciado. A gente vê muito claramente isso no verso 1, né? Porque, Senhor, estás longe…
Por que escondes, te escondes nos tempos de angústia, que é o tema de Deus virar face, né? Ó Senhor, por que escondes a tua face de mim, né? Ou seja, por que você não está olhando para mim? Você não está vendo que eu estou sofrendo? Você não está vendo que os ímpios estão prosperando? Não está vendo a injustiça do mundo? O que aconteceu? Estava indo tão bem! Estava indo tão bem, eu até escrevi o 9 e parece que desandou. Esse é um grande, grande tema, é um grande tema e nós vamos ver a beleza, a beleza dessa temática, ela tem uma implicação profunda na visão hebraica do mundo, Nós vamos explorar isso aqui com calma, mas esse é o tema mesmo.
Então, começa no 9 com a exaltação da justiça divina e o 10 é um clamor, é um lamento. A gente falou isso no início do estudo de Salmos. Não era só louvar, pedir e agradecer. A pressa também poderia ser usada como um lamento. A gente falou isso. Salmo 10 é a prova viva disso. Aqui nós temos um justo lamentando o sucesso dos ímpios e perguntando, Senhor, o que aconteceu? O senhor não está vendo? Que silêncio é esse? Me explica. Muito atual, né, Arondo? Muito atual, né? Muito atual. A gente vê do mundo aí fora… E assumir esse questionamento, né, Haroldo?
Porque às vezes a gente fica ocultando essa perplexidade. Gente, mas como é que Deus permite que isso aconteça? Senhor, onde o Senhor está, né? Onde é que o Senhor está? E é muito atual, né? Nós vamos entender isso, né? É isso que a gente precisa entender mesmo. Então, vamos lá. Não quero nem tomar tempo aqui, porque realmente eu acho que essa é uma constante. Acho que a gente fica ciclicamente, de uma forma… nessa espiral, passando por esses pontos em que a gente questiona a presença de Deus, ou lamenta a ausência, ou sente-se sozinho, né?
E eu acho que esse salmo, muitos outros tocam, mas assim, ele traz de novo o o quanto que a perplexidade do justo ou do que pensa ser justo, que às vezes na análise mais profunda nem tão justo não é, a gente já falou sobre isso num outro estudo, sobre a vitória do ímpio, o sucesso do ímpio. A gente até falou de um outro estudo. Como é que isso provoca perplexidade? A gente… Mas parece que ele está prosperando, né? Parece que ele está dando tudo certo para ele. Na minha está dando tudo errado. Exato. Talvez tem que acalmar o coração, né, Arô?
Mas o que chama atenção também é isso, né? O salmista, ele falando que o ímpio, ele tá se dando bem, mas a partir aqui do seis, o ímpio também acha que tá se dando bem, né? Porque ele fala assim, eu sou inabalável, nada acontece comigo, né? Ele também tá super confiante aqui, que o que ele faz e acontece tá dando tudo certo, porque, né? Vamos começar Vamos começar pela estrutura Então, quando a gente começou o estudo do Salmo 9 Eleonora lembrou que Olha, parece que tem uma quebra Alguns estudiosos dizem que O Salmo 9, 10, 5 Os sábios judeus perceberam isso Então, a gente tem no Talmud, em Rashi, em vários comentaristas judeus, eles perceberam isso.
E perceberam isso por quê? Agora eu vou contar um segredinho. O Salmo, a gente tem visto aqui que todo Salmo começa com uma introdução. O primeiro versículo é sempre uma introdução, né? Canto de Davi, não sei o que, tocando a laúde para não sei quem, tem um título, e aí começa o salmo. Então, o salmo 9 começa no versículo 2. E aí tem uma coisa curiosa, ele começa com a letra, aí o versículo 4 começa com a letra D, depois o 5 começa com a letra C, e assim vai. E isso vai até o Salmo 10, 15, versículo 15. Ah, Yaron, quer dizer que é uma letra para cada versículo?
Não, porque os versículos foram criados só em 1600 e pouco, foram criados artificialmente por pessoas que não conheciam da tradição judaica, meteram a mão e bagunçaram sem saber o que estavam fazendo. Então, vamos voltar lá para a estrutura hebraica. Se eu pego o Salmo, do 9 até o 10, versículo 15, cada verso começa com a letra do alfabeto, o que é um artesanato. É como se você fizesse uma poesia, um verso começando com a letra A, outro com a letra B, outro com a letra C, outro com a letra D, outro com a letra E, F, G, H, I, J, L, M, e aí tem um corte.
A hora que chega lá no Vav e no Zayn, lá no 10, versículo 15, quebra, quebra. Aí vem duas perguntas. Duas perguntas. Perdeu um pedaço? Ou a quebra foi intencional? Vamos lá, vamos abrir uma votação aqui entre nós. Quero ouvir o voto do Júlio, o voto da Leonor. Houve uma quebra, perdeu o verso. Perdeu o verso! Estava seguindo a ordem alfabética, bonitinho, poema lindo. Você olha assim, imagina que você coloque a primeira letra de cada verso em maiúsculo e negrito. Você ia ver o alfabeto certinho. A, B, C, D, E, F, G, H.
Uma obra de arte, um artesanato. Chega lá no Salmo 10, 15. Então, veja, Se eu saio do 9, versículo 2, e chego no 10, significa que o 9 e 10 é uma coisa só. Essa separação de 9 é artificial. É artificial. É um poema só. Por isso que eles disseram isso. Olha, você está seguindo a aula do alfabeto. A quebra só vai acontecer lá no versículo 15 do Salmo 10. Então, está evidente que é uma peça única. Aí, perdeu. Eu quero saber o que vocês vão votar agora. Que perdeu o mesmo verso, perdeu o verso, ou quem estava escrevendo, parou de seguir a ordem alfabética de propósito.
Vamos lá, Júlio, qual é o seu voto? Eleonora, qual é o seu voto? Olha que pergunta, vai! Gente, eu só vou falar o meu, só tem que ficar. Eu vou dizer que eu estava lendo esse livro, tinha a resposta e eu não li. Não, mas vota, eu quero que você vote. Eu acho que é diferente. É diferente do Júlio. Eu acho que é opção dois. Opção dois? Eu acho que ninguém sabe, não sei. Eu acho que ninguém sabe. Bem, eu estou perdido, isso eu sei. Gente, eu não estou pedindo para vocês explicarem, estou pedindo para vocês votarem. Eu vou votar que…
Ele vota que perdeu os versos e por isso que eles não estão aqui, por isso que perdeu a ordem, perdeu o verso, o verso perdeu. Quem vota por isso e quem vota que não, não perdeu. O redator de propósito parou de seguir a ordem alfabética. Qual que é o seu voto, Elidora? Eu vou no segundo, mas eu acho que podem ser as duas opções juntas. Eu vou no segundo. Meu Deus, que dificuldade de votar! Eu vou no segundo, o Júlio vai no primeiro. Eu vou no segundo, e você, Júlio? Ah, eu vou votar no primeiro para não me perder. Não tem que alguém perder, Guilherme.
Deus deu um perdido no texto que perdeu-se. Bom, então vamos lá. Os sábios judeus que interpretam esse texto votam com ele honor. De que não se perdeu. Foi proposital isso. E aqui está um grande conceito judaico chamado ticuna. Ticuna. Ticuna. Chikung, nós espíritas chamaríamos de regeneração. Agora explica. Então é o seguinte, estava seguindo a ordem, A, B, C, D, E, F, G, H, aí veio a transição planetária, bagunçou a ordem, e agora tem que ter a regeneração. Essa é a explicação. Chikung… Significa que, antes de Deus regenerar o mundo, antes dele juntar as pecinhas, tem um silêncio e uma confusão generalizada.
Nós, Espíritas, chamamos de transição planetária. Se eu tivesse aqueles bonequinhos, eu ia fazer um molequinho estourando, pegando fogo na cabeça aqui agora. Então, vamos lá. Que aqui tem um conceito importante então essa é a explicação pela aparente quebra dos dois salmos então na verdade na interpretação desses sábios por exemplo Davi, Kim, Shi Rashi por exemplo o Rashi ele chega a dizer o seguinte que essa incompletude do acróstico sinaliza que que a justiça plena ainda não se manifestou. E a justiça plena só vai se manifestar quando o mundo for regenerado na era messiânica.
É o conceito de Olam Rabah. O mundo… O que é Olam Rabah? É o mundo por inteiro. O mundo restaurado. Não mais em pedaços, mas agora inteiro. O que é isso, gente? Regeneração. Volta em Tereza então, vamos lá, qual que é a genialidade? Segundo esses autores esse é o voto deles você pode votar, ao contrário como Júlio não, não tem nada disso, perdeu mesmo só que aí eu acho mais pobre porque se a gente existe uma coisa bonita aqui, o que que eles estão dizendo? Essa aparente quebra entre o Salmo 9 e 10 é um reflexo do mundo quebrado Do mundo em pedaços.
Do mundo que era um vaso e se quebrou. Da ordem que se perdeu. Da aparente vitória do mal. Que é a pergunta que todos estão se fazendo. Meu Deus! Como pode? Tantas ditadores! Agora, em pleno 2025? Meu Deus, que horror é esse que nós estamos assistindo? Ah, não é possível! Deus não tem mais o comando da Terra. Ele só tem o comando de três trilhões de galáxias, não é da Terra, não. Da Terra, entendeu? Nossa, está muito errado, gente. O que está acontecendo? Para onde nós vamos? Nós estamos perdidos. O Salmo 9 e 10 dá uma impressão de quebra, porque, na verdade, eles são o espelho do mundo, que está quebrado e que precisa ser recomposto.
Olha que beleza, né? Eu voto com os sábios, por quê? Porque eu acho que, para nós, que estamos em busca do espírito da letra, essa interpretação é muito mais rica, ela nos dá muito mais possibilidades do que eu imaginava. Ah, não, perdeu o versículo. Gente, nós tínhamos escribas pagas, centenas de escribas, que recebeu o salário do templo para manter o texto copiado do mitinho. Eles iam perder o versículo? Menos. Faz sentido? Faz sentido tá aí 70 faces da Torá das interpretações exatamente exatamente porque de todo Aronto só um parêntese que me veio à mente agora e é interessante essa leitura porque a Em se falar dos escritos da matéria, ou seja, dos escritos escritos, ok.
Mas o que a história escreveu? O que a história escreveu desses salmos? Foram esses que ficaram, né? Ou seja, pra gente que analisa pelo lado espiritual também, assim. Mas então, bem, só ficaram esses, né? Esses trechos, né? Então, o que está escrito na história? Está escrito na história, esta possibilidade, ela tem que ser considerada. É isso aí. É a escrita de Deus, né? Isso aí. Então, aqui surge um tema, surge um tema muito importante. O salmista não tem dúvida de que Deus existe. Isso ele não tem dúvida. Ele não tem dúvida disso.
Deus existe, que Deus é criador. Ele não tem dúvida que Deus é justo, que existe uma justiça divina, uma justiça soberana. A dúvida que ele tem é por que essa justiça parece silenciar? Por que Deus, às vezes, parece que fica em silêncio e deixa acontecer? Essa é a pergunta. Porque quando Deus silencia e deixa acontecer, a impressão que nós temos, nós, estou falando nós, humanos, imperfeitos, qual a impressão que a gente tem? Que no momento que a justiça divina silencia, o ímpio prospera. Os malvados assumem o poder.
Eles conseguem levar o plano deles adiante, durante um tempo eles levam vantagem, durante um tempo o empreendimento deles tem sucesso, muitas pessoas aparentemente inocentes são atingidas pelo sucesso desses ímpios, aí surge a opressão, a violência, a desigualdade. Morte, a destruição, a injustiça em todos os aspectos. E aí vem a pergunta, por que ó Senhor, estás longe? Por que te esconde? Por que te escondes nos tempos de angústia? Por quê? Por quê? E aí o salmo, o midrash terrilim, que é um comentário judaico, ele diz, olha que interessante, está no Talmud também, Berahot 7a, ele fala que essa pergunta é a pergunta legítima do justo, a pergunta legítima, porque o justo pode lamentar, porque isso aqui não é um lamento desrespeitoso, isso aqui é uma expressão de uma fé que está lutando para entender.
Vou repetir. Uma fé que está lutando para entender o que é uma fé que luta para entender? É uma fé raciocinada uma fé que luta para compreender Senhor, eu não duvido de ti mas eu não estou entendendo É o que está todo mundo agora se perguntando. Eu acho que esse salmo é o salmo de hoje, né? 13 de junho de 2025. As notícias que estão aparecendo, né? E a gente pergunta, cadê Deus? Por que está longe? Por que tudo isso está acontecendo? Isso aí. Começou. Começou. Começou. E nós temos vídeos do Instituto C, quando a gente trazia Apocalipse, nós falamos isso.
O auge da transição vai começar com Israel no centro, Rússia, China e os grandes adversários de Israel do passado. Irã é um deles. Nós falamos isso. Estavam lá nos vídeos de Apocalipse. Esse seria o palco o grande palco descrito por Emmanuel lá no caminho da luz porque lá o Emmanuel fala, o século XX vai se encerrar, ele fala mas já acabou o século XX não, espiritualmente nós estamos em não mudou nada é o mesmo padrão as mesmas coisas vão acontecer de novo, por quê? Porque nós repetimos. A gente não conseguiu avançar.
A gente vai viver a mesma coisa. Por quê? Aluno que não aprende a lição tem que repetir. Voltamos para o século XX. E o Emmanuel diz lá, o século XX vai operar a divisão entre as ovelhas e os bodes. Isso não aconteceu ainda. Por que não aconteceu? Porque a gente chegou e não conseguimos terminar o século XX. Ele terminou cronologicamente. Mas ele não terminou espiritualmente, fala. O que você chama de terminar? Um ciclo, talvez, né? Como seria terminar essa… Aprender a lição, juro. Aprender a lição que, por exemplo, o nazismo nos deixou.
Aprender a lição que a violência da Segunda Guerra nos deixou. A lição sabemos de cor, só nos resta… Só nos resta aprender. O sal da terra. E aí, o que acontece? Os ímpios voltaram a prosperar e a zombar da justiça divina. E como que o ímpio zomba da justiça divina? Com o espetáculo da opressão dos fracos. Acho que não precisa dizer mais nada, né? O espetáculo da opressão dos indefesos, dos fracos. A força que sobrepuja a inteligência, o bom senso e a bondade. É isso que nós vamos assistir agora. Tudo de novo. Tudo de novo.
Ai, ai. Salmo 9 e 10, na prática. Então, bom, essa é a pergunta. Senhor, eu creio em ti. Senhor, eu creio que tu és justo, soberanamente justo. Senhor, eu só não estou entendendo porque o senhor está em silêncio. Eu só não estou entendendo porque o senhor não me consulta para eu te orientar como você exerce a sua justiça. E aí nós vamos entender um conceito bonito, porque para entender Tikkun, para entender regeneração, Tikkun… Nós temos que entender tisim, tisum, que é por que Deus retrai. Vamos lá? Nossa! Esse é um grande tema.
É um tema da Kabbalah. Qual que é o tema da Kabbalah? Deus é onisciente? Onisciente. Sabedoria infinita? Sabedoria infinita. Amor infinito? Amor infinito. Justiça infinita? Justiça infinita. Poder absoluto? Poder infinito. Então, não tem lugar pra ninguém. Não tem lugar. Deus domina tudo. Aí que diz os sábios. Deus fez assim no meio de mim no meio do meu fluido cósmico no meio eu vou abrir um espaço um útero eu vou abrir um espaço eu vou me retirar um pouquinho para que Júlio, Eleonora possam existir e fazer escolhas para que eles possam ter livre-arbítrio.
Nossa, Deus! Para eles terem livre-arbítrio, eu tenho que me afastar um pouquinho. Porque se eu interferir infinitamente, não vai ter espaço para o livre-arbítrio deles. Não é afastar totalmente, porque não tem espaço vazio. Não tem espaço onde Deus não está. O que eu estou dizendo é, Se o copo estiver totalmente cheio, como é que eu vou colocar alguma coisa? Então, ele teve que descer um pouquinho o copo para que sobrasse ali uns 20%, que é o que nós vamos acrescentar com o nosso livre-arbítrio. Esse movimento em que Deus se afasta um pouquinho é chamado de Tissim Tissum.
Significa, julga o meu filho. Pode semear. Pode semear. Eleonora, minha filha, pode semear. Dica do papai. Pensa bem. É que é colheita. Isso vai crescer, né? Por quê? Eu não me afastei totalmente. A colheita é obrigatória. E eu estarei aqui para garantir isso. Deu para entender? Não. Não. Deu. Deu para entender. Deu para entender. Deu para entender. Todo mundo que é pai e mãe sabe o que é isso. Se você tomar todas as decisões, se você interferir 100%, se você escolher tudo, se você tiver 100% presente, teu filho é um bebê e nunca vai crescer.
Não vai ter autonomia. E aí, aguenta o coração. Aguenta o coração. Por quê? Qual que é a estratégia da justiça divina? Nossa! Esse é o salmo. Nove e dez. Nossa! Só que aí tem o seguinte. Teve o Tzitzom. Depois vai ter o Tikkun. O que é o Tikkun? O Tikkun é o juízo. Você teve tempo e liberdade para semear. Na hora da colheita, Deus vem com tudo. Ele vem de novo plenamente. Plenitude de amor e plenitude de justiça. E aí isso gera o quê? A respiração de Deus. Ele inspira, depois Ele expira. Ele te dá margem, depois vem com tudo para regenerar e educar.
Nossa, vem muita imagem na minha cabeça, assim. Eu não sei como a Kionek está, mas fiquei lembrando o tempo todo do poema Matéria Cósmica aqui. Me lembrei também a outra passagem, que não sei se ela vai conversar com esse momento, que é o dos Trabalhadores da Última Hora, da Vinha, né? Os Trabalhadores da Vinha. Não sei se vai conversar com essa temática, com esse momento aí. E me lembrei dessa coisa de compreender esse Deus Pai. E que permite aos seus filhos viver. E é interessante porque é um pai que sabe da nossa imortalidade mais do que nós, né, Aronto?
Ou seja, o ensino está fundamentado na imortalidade. E o nosso medo está fundamentado na sensação de… Na temporalidade. Na temporalidade. Então, a doutrina espírita, ela traz essa grande contribuição, né, Aroudo, de nos preparar para a imortalidade, né? Para a imortalidade, porque o pensamento temporal, dessa temporalidade dentro dessa linha de pensamento, ele provoca distorções de visão e de conclusões a respeito do sucesso do ímpio. Né? Em distorção Do que é realmente a vitória E do que é E aí me vem essa imagem Que Jesus nos deixa forte Ao se entregar na cruz Exatamente Né?
Porque ali A lição da imortalidade Não é que ele vai ressurgir No terceiro dia, não É realmente De que a morte não tem A força De que a morte que se imagina ter a morte do corpo físico. É, e também… E corrige se eu estiver errado, pelo amor de Deus. Também, mas mais coisas ainda, de que a cruz tem um papel. Porque tem uma frase bonita, que é a pergunta 132 do livro Consolador, que é a grande pergunta. A grande pergunta do ser humano, a principal pergunta, por que existe o mal, se Deus existe? E aí o Emmanuel conclui a resposta da pergunta 132, que ele começa bonito, a lei universal é a lei de amor para todos os criaturas, para todos os seres, mas o homem confiando mais em si mesmo que na providência divina transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a essa mesma lei de amor.
Eis o mal, urge recompor os elos dessa união sagrada. Eis o resgate. Então, resgate é sempre ticum, resgate é sempre recompor elos que a gente destruiu na nossa imprevidência. Mas tudo bem, nossa, que coisa linda! Só que aí vem emando assim, assim podemos compreender que o mal, essencialmente considerado, Para Deus, é um zero à esquerda na sabedoria divina. O que ele considera seus filhos transviados como filhos que estão em cursos em grandes experiências? Eu só pediria para o Emmanuel acrescentar assim, grandes e dolorosas.
Os filhos transviados são os filhos que estão em cursos em grandes experiências. E dolorosas experiências. Aí como é que eu faço? Porque se eu tirar o mal, eu tiro a experiência. Ah, mas precisava do mal? Precisava ou não precisava? Mas é uma coisa eu te dizer que não precisa. Outra coisa eu te proibir. É, nossa. E esse é um ponto importante. Porque uma coisa é Deus dizer assim, olha, não precisa, filho. Não precisa. Você não precisa ir por esse caminho. Você não precisa. E outra coisa é ele dizer, eu não vou permitir que você trilhe esse caminho.
Aí mudou de filme, aí mudou. Guarudo, eu vou trazer para você, porque é uma experiência que nós temos tido na nossa mediúnica, numa companheira, que a dor dela é Deus ter permitido. A dor dela, a dor da serpente, a dor de Eva, a dor de Adão, né? É. Por que dessa loura, Lucas? Porque no fundo é como se você confiasse no seu pai. Porque no fundo, Júlio, no fundo você quer ser Deus. No fundo, você que quer ditar. No fundo, é você que quer conduzir. Com a compreensão que você tem. Sou eu que quero conduzir. Porque eu acho que a minha compreensão é mais ampla do que a de Deus.
E eu acho errado ele permitir. E eu queria estar no lugar dele, porque se eu tivesse no lugar dele, eu não permitiria. Esse é o nosso bem-vindo. E que a gente exerce muitas vezes com nossos filhos, né? Impressionante. Sim, sim, sim. Não permitindo, não querendo permitir. Isso, isso aí. É isso aí. Mas eu ainda fiquei com o pensamento da respiração, sabe? A respiração essa que se aproxima quando a lei está agindo, quando a justiça está agindo, ela se afasta para a gente poder exercer a nossa liberdade provisória. E fiquei pensando que…
E eu fiquei pensando que essa respiração não é uma respiração como a nossa, às vezes afobada, rápido, inconclusa, é uma respiração como a dos monges, eu acho assim, né, super retimada, super agora vem, agora vai, tudo no seu ciclo, né? Então, a gente está agora, esse momento… A nossa, o universo estava no caos, né? Baforido. E agora a gente está nesse momento que o salmista aqui, ele perguntou por que Deus parou de respirar, né? Parou de… Está no momento que… Não, parou de respirar, não. Está no momento que…
Inspirou. Inspirou. Por que ele se recolheu? Porque quando ele inspira, ele se recolhe. Quando ele sopra, é quando ele se faz presente. Então, ele soprou nas nossas narinas, não é isso? Isso. Quando ele soprou, ele está presente. Ele está agindo. Quando ele inspira, ele se ausenta. Então, ele soprou na narina. Como é os nomes que você falou em hebraico? Quando ele se recolhe, ele se sente sumo. Recolher. Quando é Tikkun, é ele voltando para a gente. Então, vamos lá. Deus soprou nas narinas de Adão. Só para a gente ir embora, porque eu tenho que sair, né?
Deus soprou nas narinas, depois ele se recolheu. Aí Adão fez o quê? Perdeu o paraíso. O que você tem de mim? O Adão falou, Adão, agora é contigo. Quando ele voltou de novo, já tinha feito um pacto com a serpente, já tinha… Só não pode mexer em uma árvore, só. Só naquela lá que não. Aí depois a gente comenta isso com o Carlos. Cenas do próximo capítulo que você vai render, viu? Vai render, vai render. Não, eu vou te dar um tempo, viu? Eu vou te dar um tempo. Sim, senhor, deixa comigo aqui. Vou deixar que vai dar tudo certo.
Fica com o paraíso aí. O paraíso é todinho teu. O negócio é ficar… Deixa comigo, vou destruir tudo que você entregou. Amigos, vamos voltar nesse assunto no próximo, tá? Gente, obrigada, até semana que vem, um ótimo final de semana para todos nós. Tchau, tchau. “
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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