Neste episódio da série de estudos do Velho Testamento, conduzida por Haroldo Dutra Dias, mergulhamos no Livro de Isaías, focando na sua estrutura literária e nos profundos ensinamentos que ele nos oferece, especialmente à luz da Doutrina Espírita. Haroldo nos guia por uma análise que transcende o literal, buscando a essência e a intencionalidade do texto sagrado.
O que é estudado neste episódio
- A Estrutura Literária de Isaías: Haroldo enfatiza a importância de uma abordagem literária do texto, que respeita a intencionalidade do autor e a estrutura não gratuita da obra. Ele distingue “literária” de “literal”, alertando contra o literalismo e o fanatismo.
- O Capítulo 53 – O Taliá: Este capítulo central de Isaías é o foco principal. Haroldo explica que “Taliá” é uma palavra aramaica que significa tanto “cordeiro” quanto “servo”, e como essa ambiguidade é explorada no texto bíblico. Ele destaca a referência de João Batista a Jesus como o “Taliá de Deus que tira os pecados do mundo”.
- A Deturpação do Conceito de Pecado: É abordada a deturpação do conceito de pecado e de “tirar pecado” que ocorreu após o século IV do cristianismo, transformando-o em uma ideia mágica. Haroldo ressalta que, na cultura judaica, “pecado” significa “errar o alvo” e “tirar o pecado” é um convite à “texuvar” – mudança cognitivo-comportamental, ou seja, mudar a mente e o comportamento.
- A Caridade Divina e a Graça: O estudo explora a vinda do governador planetário (Jesus) como um ato de caridade e graça divina. A palavra grega “khares” (graça) é associada à caridade, um dom gratuito de Deus, não uma retribuição ou pagamento.
- Providência Divina vs. Lei de Causa e Efeito: Haroldo discute a deficiência na formação espírita que muitas vezes foca apenas na Lei de Causa e Efeito, negligenciando a Providência Divina. Ele convida à leitura do Capítulo 2 do Livro A Gênese, item “Providência Divina”, para compreender o cuidado e amor de Deus, que se manifestam como um dom.
- Expectativas Messiânicas: O episódio aprofunda as expectativas do povo hebreu em relação ao Messias, que esperavam uma restauração política, econômica e social de Israel, muitas vezes através de um “Messias general”, um líder guerreiro. Essa visão contrastava com a realidade de Jesus, um carpinteiro, que não possuía a “formosura” esperada.
- O Messias Desprezado e Abandonado: Os versículos de Isaías 53 que descrevem o Messias como “desprezado e abandonado pelos homens”, “sujeito à dor, familiarizado com o sofrimento”, são analisados. Haroldo argumenta que, do ponto de vista dos padrões mundanos, Jesus seria considerado um “fracassado” ou “perdedor”.
- Sucesso Mundano vs. Sucesso Espiritual: É feita uma reflexão sobre os parâmetros de sucesso no mundo corporal e no mundo espiritual, que muitas vezes não coincidem. A frase de Jesus “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” é interpretada como uma vitória sobre os valores e critérios mundanos.
- O Exemplo de Gamaliel: A história de Gamaliel, que inicialmente não compreendeu Jesus como Messias, mas depois, em sua velhice, reconheceu seu equívoco e se afastou para refletir, é usada para ilustrar como pessoas íntegras podem alimentar ideias equivocadas e a importância da humildade para corrigir o caminho.
- A Ilusão do Discípulo (Judas): A história de Judas é revisitada, não como uma traição, mas como a “ilusão do discípulo” que acreditava em um Messias diferente do que Jesus representava. A advertência de Jesus sobre a “bolsa pesada” e a pergunta “Amigo, a que vieste?” são destacadas como momentos de clareza para Judas.
Reflexões
- A verdadeira compreensão dos textos sagrados exige uma abordagem que vá além do literal, buscando a intencionalidade e o contexto literário, sem se sobrepor ao texto, mas respeitando-o profundamente.
- A Doutrina Espírita nos convida a uma fé raciocinada, equilibrando razão e sentimento, e a repensar os critérios de sucesso e fracasso que o mundo adota, à luz da Providência Divina e da história espiritual de cada indivíduo.
- O caminho do Cristo é singular e incomum, focado na transformação individual (“coração a coração”) para, então, promover a mudança na sociedade, desafiando as expectativas de poder e glória mundanas.
Ler transcrição do episódio
Bom dia. Bom dia. Tudo bem? Tudo. Então… eu estou… o Haroldo já está entrando… Eu me atrasei porque eu tive que vir da minha casa para a casa da minha irmã… aí eu cheguei aqui em sábado à hora… mas… bom dia… bom dia… bom dia… bom dia. Bom dia a todos… queria dar bom dia aqui para a Gilda… que foi a primeira a abrir a sala… a analisar… Oi, Júlio… Bom dia. Eu tive que… reinicializar o meu roteador aqui… e fiquei sem internet. É mesmo. É… e eu estava no trânsito… eu estava no caminho…
eu estava explicando… porque o Bernardo está tendo hoje uma atividade na escola… que é extracurricular… e… e aí eu… da minha casa para cá… para a casa da Sheila… cheguei aqui… é… em cima da hora. Haroldo… aquela luzinha sua… se você quiser acendê-la aí… É… mas hoje eu estou sem ela, Júlio. Não tem problema, então, não. Nossa… deixa eu abrir mais a janela. Está tranquilo. Pronto. Está bom. É… está ótimo. Você está tipo… como é que se fala… rombrando, não é? Entre luz e sombras. Entre luz e sombras…
é só luz que está aí, não é? Hoje vai combinar com o tema. Você, por favor, usa o lado direito seu, para falar. Eu uso. Então… vamos dar uns bons dias aqui para o pessoal, Eleonora… quer ir falando aí… deixa eu ver… a Gilda… A Gilda, que foi a primeira a entrar na sala… a Marisa… a Andria… a Eliane… o Marcos, lá de Porto Velho, Rondônia, disse que está estudando… que reviu os estudos passados… a Margarete… a Sílvia… Lúcia Oliveira… Ana Prado… A minha mãe está aqui… a Dona Dália… lá na Igreja do Sul…
Espera aí… você está muito lá na frente… Olha aqui… eu já estou aqui no Marcelo Tranjan… no Alex… na Azuila… Solte-me do ser. Onde é que você está olhando isso? Olha… Vanessa… Eu não sei onde você está vendo isso, não. Pedro… Rosiane… Tânia… Teca… Consuelo… todos bem-vindos… que deram um bom dia para nós. Olha aí… eu vou seguindo aqui… Pessoal que estiver aí hoje pela primeira vez… conhecendo o estudo agora… manda um recadinho para a gente… para a gente saber quem está chegando hoje…
Olha o Alex aí… Bom dia, Cristão… salve… bom dia, Alex. Cadê a mamãe… que eu não achei ela aqui ainda. A mamãe está pertinho do Alex. Jesus Cristo. É gente demais… é muito bom dia… É… Muito bem… eu vou achar aqui a Dona Dália. Mas e aí, herói… como é que passou a semana? Tudo em paz, Júlio… graças a Deus… Correria, não é? E depois tem o dia, não é, Leonora? Chegamos corrido aqui, não é? Agora vamos harmonizando, não é? Vamos fazer uma prece, então? Para nos envolver… envolver os amigos que estão conosco nesse amanhecer de sexta-feira…
Harmonizando os nossos corações, os nossos lares, os nossos locais de trabalho, para que possamos pedir permissão aos trabalhadores da primeira hora entrar nas suas revelações, nos seus códigos e símbolos, onde estão contidas as palavras e os roteiros de vida eterna, os símbolos e os códigos da evolução dos nossos dias, agradecendo a nossa hora de hoje, estarmos encarnados nessa hora da Terra, nessa hora de nossas encarnações, que todos se sintam consolados e com esperança e a certeza, no amor de Deus, que reje nossos destinos.
Que assim seja. E aí, o nosso tema de hoje… Leonora, só dar uma boas-vindas aqui para a Leda Calado, que falou que é a primeira vez que ela está aqui no estudo. Ô, Leda, todos os estudos você encontra lá no www.espiritismo.tv. Hoje vamos no estudo 27, temos 27 estudos. É isso aí. Mais os estudos de Gênesis e Levítico, que é o conjunto dessa série sobre o Antigo Testamento. Então, lá no www.espiritismo.tv você consegue acessar todo o material, se é que você já não assiste e está vindo aqui ao vivo pela primeira vez.
Mas quem estiver aqui pela primeira vez, estiver chegando, que tiver dúvidas, é só mandar para a gente um recadinho. Haroldo e Leonora, eu vou deixar vocês dois aqui, vou levar o Bernardo ali na escola e volto. Tá bem? Tranquilo, tranquilo. Então tá bom. Fiquem com Deus, então, vou acompanhando, tá? Beijos. Beijos. Vamos lá, né, Leonora? Vamos lá, mais a nossa manhã de estudo de Isaías. Nosso estudo de Isaías. Então, hoje, eu tinha separado, porque a gente tem estudado muito a estrutura literária do livro, né, meu amor?
Porque é muito importante essa estrutura literária do livro. Para nós aqui, como fica difícil a gente fazer um estudo capítulo por capítulo, porque a nossa intenção é fazer um voo panorâmico sobre o Velho Testamento. Nós já sobrevoamos o Levítico, já sobrevoamos o livro Gênesis, estamos sobrevoando agora o livro do profeta Isaías e a intenção é, terminando aqui, a gente sobrevoar o livro de Êxodo, que também tem muita coisa. São livros importantes para que a gente possa compreender o Novo Testamento de uma maneira mais profunda, de uma maneira mais literária.
O que significa literária? Muitas vezes, a gente já quer ir direto para a interpretação, a primeira interpretação que desponta na nossa mente. Mas, nós devemos ser cuidadosos antes de interpretar. Então, o trabalho grande… Vamos imaginar aqui que isso fosse o trabalho de um garimpeiro. Então, a gente tem que trabalhar ali com toneladas de cascalho, que são as informações literárias. Repara que eu não estou dizendo literal, porque literal é um excesso, literalismo é um exagero, é um fanatismo. Nós estamos falando de uma abordagem literária.
Isso significa levar a sério o texto, não se sobrepor ao texto, respeitar o texto. O intérprete não é maior que o texto. Isso é importantíssimo. O intérprete que quer mudar o texto, o intérprete que quer adaptar o texto às suas ideias, o intérprete que quer torcer o texto para que o texto diga aquilo que ele quer ouvir, ele deixou de ser intérprete, ele virou autor. Aí, é melhor ele escrever um outro texto. Então, o intérprete precisa ter essa reverência ao texto, e essa reverência também pode ser uma reverência fanática, não pode ser uma reverência de uma fé cega, até porque nós temos aprendido com a doutrina espírita a fé raciocinada.
Então, o que é a fé raciocinada? É um equilíbrio, é um equilíbrio entre a razão, a lógica e o sentimento, a confiança, a crença, a confiança em Deus, a confiança na condução da espiritualidade, que são coisas que a gente não consegue provar. Como nós vamos conseguir provar que existe um Cristo planetário que vela por nós e que dirige a evolução planetária? Esse é um aspecto de fé. A gente confia, a gente acredita, mas ela não é uma fé cega, ela é uma fé que tem por base um conjunto de experimentos, de estudos que estão na base da codificação espírita.
É isso, é isso. Tendo esse equilíbrio, a gente consegue seguir. Então, por isso que a gente trabalha muito estrutura literária, a nossa intenção aqui é criar um respeito ao texto. Então, o texto possui uma estrutura não gratuita, essa estrutura não é gratuita, essa estrutura do texto é intencional e ela quer transmitir algo intencionalmente. Existe uma intenção. Então, não é à toa, não é gratuito, não é por acaso que na segunda parte de Isaías, o capítulo que está no centro da estrutura é o capítulo 53, o capítulo do Taliá.
O que é Taliá? Taliá é uma palavra aramaico, é o aramaico. Na época de Jesus falava-se o aramaico porque eles ficaram muito tempo escravos na Babilônia, no Império Assírio-Babilônico. O Império Assírio-Babilônico falava aramaico. Depois eles ficaram muito tempo escravizados pelo Império Medo-Texa, também falava aramaico. Diferentes tipos de aramaico, porque a língua vai mudando no curso dos séculos, a gente sabe disso. E, Taliá é uma palavra, isso é gostoso no texto bíblico, porque o texto bíblico brinca com ambiguidades da palavra.
Então, Taliá significa cordeiro e Taliá também significa servo. Olha que interessante! Então, o capítulo 53 é o capítulo do Taliá, do cordeiro e do servo. E, nós vamos encontrar, tem uma personagem do Novo Testamento que adora isso, adora, adora, que é o João Batista. E, o João Batista, quando ele vai mergulhar Jesus nas águas do Jordão, o que que ele diz? O Taliá de Deus que tira os pecados do mundo. Eis o Taliá de Deus que tira os pecados do mundo. Então, ele olha pra Jesus e fala, ó o Taliá aí, ó o servo, ó o cordeiro, porque é uma palavra só, mas na hora da gente traduzir, aí tem que optar.
Então, os autores gregos não tinham, né, tinham palavras diferentes pra cordeiro e pra servo, então eles tiveram que optar por cordeiro, aí ficou o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. A frase que todo mundo conhece, né? A frase que todo mundo conhece. Lembrando aqui, um grande equívoco histórico, um grande equívoco histórico, é a palavra pecado. Então, infelizmente, depois do século IV do cristianismo, muitas ideias bíblicas foram deturpadas. Foi o desvio da ideia cristã. Então, ao cristianismo foram associadas práticas, hierarquias, estruturas políticas e interpretações que não tem nada a ver com o cristianismo.
E uma das interpretações deturpadas foi a interpretação de pecado e tirar pecado. Então, deu-se a essa ideia de tirar pecado uma ideia mágica, de que Jesus, de um modo mágico, quase mítico, que é muito típico da cultura romana e grega, não é? O pensamento mítico, mágico, Jesus, então, tiraria os pecados do mundo, não é? Então, a morte dele é uma varinha do Harry Potter que purifica todo mundo, limpa tudo o que você fez de errado e você vai para o paraíso. Então, esse pensamento mágico não tem nada a ver com a cultura judaica.
Não tem nada a ver com a cultura judaica. Aqui, a ideia é de quê? Esse servo, esse taliá, esse cordeiro de Deus, ele aponta um caminho para atexuvar. Nós já falamos de atexuvar. Atexuvar é o quê? Mudança cognitivo-comportamental. É a melhor definição. Você tem que mudar sua mente e mudar seu comportamento. Se você mudou sua mente e seu comportamento, ora, você ficou livre do pecado, que é o errar o alvo. É mais ou menos alguém que pega uma trilha errada e a pessoa quer ir para a cachoeira. E ela pega uma trilha na direção contrária à cachoeira.
Aí, ela encontra alguém no caminho e fala, você pegou a trilha errada. Você está no caminho errado. Nossa, meu Deus! O que eu faço agora? Você tem que texuvar. Você tem que voltar na trilha e pegar a trilha certa. Então, esse é o sentido de tirar o pecado, tirar o erro. É tirar você da trilha errada e colocar você no caminho certo. Não é? Por isso, João Batista diz assim, endireitai as veredas, as suas veredas, preparai o caminho. É isso. Esse é o sentido. Então, a vida de Jesus, a exemplificação de Jesus é uma rodovia, é uma highway.
A infinita highway. Não é? É uma grande rodovia de cinquenta pistas indo e cinquenta voltando. Então, você sai daquelas trilhas malucas e entra numa rodovia gigantesca que leva ao pai. Pensei em sete bilhões. Exato. Não é? Então, esse é o sentido. Mas, o importante aqui é o texto. Então, as pessoas ficaram apegadas também a alguns aspectos desse texto. E esse capítulo 53 precisa ser lido como um todo. Então, nesse capítulo, Eleanor, nós vamos estudar alguns versículos, porque ele é muito central. Ele é o capítulo que descreve Jesus.
Ele é o capítulo que descreve Jesus. Mas, nós vamos ter que entender nós vamos ter que entender algumas coisas, nós vamos ter que entender as expectativas messiânicas. Por que nós vamos ter que entender as expectativas messiânicas? Antes de eu responder essa pergunta, eu queria saber se está todo mundo acompanhando, Eleanor, se todo mundo está acompanhando o que é o capítulo 53, se o capítulo 53 ele está lá naquele núcleo, tem justiça, o amor na ponta e a caridade ali no centro. Então, o auge da caridade divina foi ter ofertado Jesus ao mundo.
O pessoal está acompanhando ali. Está todo mundo de dedinho. Estamos sim. Então, Eleanor, eu gostaria de destacar isso. A vinda do governador planetário ao orbe, a encarnação do verbo, encarnação, cuidado, não é reencarnação, a encarnação, porque o Cristo não está sujeito mais ao ciclo reencarnatório. Então, Ele toma um corpo físico, Ele se encarna, materializa no orbe por um ato de caridade. Caridade. Isso é importante. Daí que vem uma coisa complexa, que não cabe a gente entrar aqui agora, que é a ideia de graça, a graça divina.
Jesus, o dom gratuito de Deus, a graça divina, porque a palavra graça em grego é rares. Rares. Rares é caridade. O dom, a dádiva, o presente. E o presente, presente não é pagamento, presente não é retribuição, presente não é você chegar para o filho e falar assim, filho, olha, se você recuperar, tirar nota, eu vou te dar o videogame que você quer. Isso é trato. Isso não é presente. Isso é uma retribuição. Eu estou condicionando, eu estou dizendo, você precisa recuperar na matéria, precisa tirar uma boa nota, em retribuição ao seu esforço, em retribuição ao seu estudo, em retribuição ao que você está fazendo, eu vou lhe dar algo em troca.
Na rares, no presente, não. Presente, não. Eu saio e, ah, eu quero, vou levar umas flores pra minha tia, vou visitar minha tia, vou levar pra ela um vaso de flor. Ela não fez nada e ela nem tem que fazer nada. É um presente, é uma dádiva, é uma oferta. Eu chego lá e levo aquele vaso da flor que ela mais gosta e eu o presenteei. Exatamente, é o que o Tales está dizendo. Uma manifestação de amor, uma manifestação de afeto, mas é uma manifestação de cuidado. Por que, gente? Isso, Eleonor, é um ponto grave. Eu acho que existe um ponto grave na formação do espírita.
Na formação religiosa e espiritual do espírita, existe um fato grave. Grave. Vamos lá. O espírita, ele é educado para entender a lei de causa e efeito. A lei de responsabilização. Ok. Tá certo. Ação e reação, causa e efeito, lei do plantio e da colheita, você pode dar o nome que você quiser, que você já entendeu. Todo mundo entende. Existe uma lei de responsabilização. O que que é responsabilização? Ai, eu derrubei, o leite sujei. Quem que vai limpar? Você. É você. Então, nós somos responsáveis pelas consequências das nossas ações e omissões.
É isso. Não é castigo, não é punição, não é ira de Deus, tem nada disso. É responsabilidade. Deus é um pai de família e cada filho é responsável pelo que faz. É simples assim. Simples assim. Para que alguém seja responsabilizado, ele tem que estar no uso pleno da razão. Então, existem os atenuantes e os agravantes, como na lei penal. Não é? Ok. Acontece que se eu for lá no livro A Gênesis, se eu estudar o livro dos Espíritos, eu vou perceber que existe um conceito também. Lá no capítulo 3, o livro A Gênesis de Kardec, que é uma óbvia da codificação, não é?
É da codificação também. Às vezes, a gente acha que não é, não é? A codificação é só o livro dos Espíritos? Não. Lá no capítulo 3, tem um item, no capítulo 3, fala sobre Deus. Deus. Que é a primeira questão do livro dos Espíritos. Então, é um estudo que Kardec faz sobre Deus. Existe um item lá chamado Providência Divina. Raramente, o Espírita estuda isso. Essa é uma deficiência na formação dos Espíritas. O Espírita não estuda Providência Divina. Ele só estuda a Lei de Causa e Efeito. Então, ele não aprofunda. O que é Providência?
É cuidado, é amor, é desvelo. Então, aqui, a gente toma como metáfora da Providência a Mãe. A Mãe. Não é? Nós podemos fazer referência a uma passagem do Evangelho em que Jesus usa uma metáfora para falar da Providência Divina e do papel dele, Jesus, como instrumento da Providência Divina. Ele diz assim, ó Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes eu quis reunir os seus filhos como uma galinha faz com os seus pintinhos? Não são palavras minhas, são palavras de Jesus. E a gente esquece isso. Então, o que uma galinha faz? Abre as asas ali, ó, e abata.
Ó, não é assim que a mãe faz? Isso aí. É o cuidado, a providência. É o cuidado. Acho que eu errei aqui, é capítulo 2, não é? Capítulo 2, Deus da Gênesis. É isso? É o 2? Vamos conferir? Não estou vendo aqui. É. Ó. Vou conferir aqui agora, para não ficar dúvida. Capítulo 2, Deus. Capítulo 2, Deus. O pessoal está atento. Mas é esse capítulo mesmo. É o 2? A existência de Deus, da natureza divina, a providência. É isso. É o 2, não é? Então… E a gente fica tão amarrado nessa lei de causa e efeito, e acha que tudo é a nossa responsabilidade, que acaba entrando nessa de achar que não merece, né?
Exatamente. Exatamente. Obrigado. É o 2 mesmo, viu, gente? É o 2 mesmo. Está perfeito. Perfeito. É. Bom. Capítulo 2 do Livro a Gênesis. O título dele é Deus. E aí, ele tem quatro itens. Existência de Deus, da natureza divina, a providência, a visão de Deus. Olha isso. Que é a previdência. A visão de Deus é a previdência. Deus é previdente. Previdente. Ele vê antes, né? E antes, Deus é providente. Deus provê. Não é? Providência. É o 2 mesmo. É isso aí, gente. É o 2. Não tem dúvida que é o 2. Não é, Leonardo? Bom. Capítulo 2, item 20.
Isso. Então, o que que é importante aqui a gente corrigir essa falha? Eu aconselho a todos que estão acompanhando o estudo aqui, depois, darem uma lida nesse capítulo 2, especialmente no item a providência divina. Então, no exercício da providência, olha, Deus cuida. Cuida com amor. Deus cobre de bênçãos. De cuidado. De carinho. De amor. De recursos. De assistência. E isso é. Isso é rares. Isso é dom. Isso é presente. Isso é fruto do amor. Isso não é fruto da compensação, da lei, de justiça estrita. A responsabilização, ela é estrita.
Porque eu só respondo no limite da minha responsabilidade. O amor, não. O amor, não. O amor é assim que funciona? Então, tem uma mãe, tem um filho, o filho equilibrado, ou uma filha equilibrada, e o outro está preso. E ela ama igual. O que está preso, tem isso. Ele merece o amor? Existe isso? Não. O amor, o amor, ele se derrama. E quando você falou sobre o limite das responsabilidades, a gente lembra como uma mãe mesmo. Quando o filho tem os dois aninhos, a gente enche de cuidados, mas ensina que ele tem algumas responsabilidades.
E conforme ele vai crescendo, a gente ama igual, cuida igual, mas as responsabilidades a gente vai dando mais e delegando mais. Imagina se nós, enquanto pais, somos assim. Olha o amor de Deus. Então, por isso tem aquela frase impactante lá no livro Mensageiros, que é aqueles que amam governam a vida. A vida, a vida no sentido pleno, espiritual, a verdadeira, é governada pelos que amam, não pelos que conhecem. Não pelos que conhecem. Correto? Porque se a vida fosse governada pelos que conhecem, a gente chegaria ali e queria matar o Gregório, acabar com ele.
Vamos anular esse ser. Aí vem a Matilde, que é a mãe, e fala é meu filho. Filho? Chega. Está transformada. Gregório, chega. Você quer brigar? Então vem aqui, bate em mim. Briga com a sua mãe. Aí ele desmonta, já não aguenta aquela vibração, desmaia, ela pega no coro e fala gente, obrigado, deixa eu levar meu filho. Esperei tanto por esse momento. Correto? Ficou todo mundo assim, ah, o quê? Resolveu. Ali ela, naturalmente, ela vai programar, porque ninguém fica isento da responsabilidade. Mas, a direção da vida está na mão dos que amam, não dos que odeiam.
Essa é uma diferença entre a justiça divina e os justiceiros humanos. Essa é a diferença. A gigantesca diferença. Ok? E é importante, eu estou falando isso aqui, porque tem uma ligação aqui com o capítulo 53. Mas, vamos lá. Não é, irmão? Vamos lá. Havia, nós vamos entender agora um contexto. O Messias, é o enviado. O enviado. Toda uma tradição profética foi se formando ao longo dos séculos, no povo hebreu, de que Deus enviaria alguém para restaurar Israel. Olha isso. Restaurar Israel. Você acha que essa memória, desculpa, interrompeu o raciocínio, mas você acha que essa memória vem daquele relato que está lá no Acaminho da Luz, quando eles se encontraram com Jesus, os degredados, e Jesus falou que viria.
Eu acho que vem essa memória. Eu acho que em todas as civilizações… O Emmanuel diz isso no Acaminho da Luz, e, de fato, todas as culturas têm essa ideia escatológica. Ficou gravado nos Espíritos. Todas elas têm uma visão de direcionalidade da história, de que a história está caminhando para um ponto culminante em que haverá uma grande solução dos problemas. Isso existe em todos. Essa visão culminante. É claro que cada um vai interpretar esse ponto culminante como por exemplo, o budismo vai falar de um nirvana, uma ideia de um nada, de um vazio, que é quase que um panteísmo.
É quase que um panteísmo. Mas, cada um tem essa visão de que as coisas estão caminhando para uma culminância. O povo hebreu tem isso mais forte. Por que eles têm isso mais forte? Ah, deu uma cortadinha. Foi? Deu uma cortadinha. Por que isso é mais forte? Os hebreus tinham isso mais forte porque eles foram recebendo centenas de missionários que foram reforçando essa ideia. E isso é a primeira revelação. Quer dizer, eu sempre repito aqui, a primeira revelação não são os livros do Velho Testamento. Livros do Velho Testamento são os diários da revelação.
É o diário de bordo. Revelação são os missionários que vieram. Os trabalhadores, né? Os trabalhadores. E eles foram desenvolvendo uma tradição espiritual naquele povo. Tem que tomar cuidado com isso. Eu fico achando que a primeira revelação são os livros do Velho Testamento. Isso é um equívoco. Então, eles imaginavam uma restauração de Israel. A culminância da história, a culminância da revelação divina é a restauração de Israel. Então, aqui, já tem um problema. Quer dizer, na premissa já tem uma dificuldade. Deus vai restaurar o mundo ou só Israel?
Olha isso. 99,9999% do povo hebreu imaginava que é só Israel. Restauração de Israel. E os outros? Os outros são os outros. Alguns vão se submeter à liderança de Israel e os que não se submeter vão se lascar mesmo. É assim. Lá em Paulo Estevam tem quem é. Exatamente. Então, quem reconhecer maravilha, reconhece a liderança espiritual, será conduzido por Israel retorado. Quem não reconhecer se lasca. Então, isso é forte. Eu acho que não havia dúvida quanto a isso. E, esse é um equívoco. Esse é um equívoco. Porque a revelação sempre falou em Israel como primogênito.
A revelação sempre tratou o povo hebreu como primogênito. Primogênito significa irmão mais velho. Então, tem os irmãos mais novos. E, os irmãos mais novos, como é que fica? Eles não são irmãos? Esse é um problemão. Esse é um problema. Um problema sério. E, é um problema, Eleonora, da religião, dos religiosos. Ela mantém esse mesmo estigma, que Deus vem para o meu time. Tem espírita que acha que todo mundo vai acabar, só vai ficar espírita, que o espírita vai renovar o planeta. Tem gente que pensa isso. Aí, você chega para o evangélico e ele acha que não, que é a religião evangélica dele, que vai ser salvo, e os outros ou vão se submeter, vão se converter, não é?
Ele tem isso, não é? Ou vai se converter ou vai se lascar. Então, é isso. Então, tem o católico que pensa assim, tem o budista. Todo mundo opera nesse paradigma do dentro-fora. Quem está dentro é quem pensa como eu, quem segue o que eu acredito, e quem está fora pensa diferente e o problema é que eu sinto muito. Sinto muito. O mundo não é para você. Sinto muito. Deus não vai fazer nada por você. O problema é seu. Você acreditou na coisa errada, o problema é seu. E, por mais que Kardec tenha alertado quanto a isso, porque Kardec lidou com um problema grave, a igreja dizia assim, a igreja católica, ela dizia fora da igreja não há salvação.
E, o Kardec disse, não, não pode ser assim. É fora da caridade. Não importa qual a religião. O critério é conduta. O critério não é crença. Mas, independente disso, o que que acontece? Independentemente disso, foi substituído esse lema de Kardec e alguns espíritas defendem, fora do espiritismo, não há salvação. Com você falando, parece tão infantil, né, mas como está mesmo arraigado. Arraigado. Então, embora, e é complexo, Eleonora, porque, às vezes, a pessoa, é claro que ela não vai dizer isso explicitamente, mas ela pensa assim, nossa, coitada da Inaíla, tão inteligente e amorosa.
Ela pensa assim, não, ela pensa assim e ficou em pausa. Ah, sim. Às vezes, a gente não expressa isso diretamente, mas às vezes a gente pensa, por exemplo, a Irmã Ila, a gente fala assim, nossa, coitada da Irmã Ila, tão inteligente. E ela conhece. E é católica. Ai, coitada. Por que que ela não vira espírita? Está implícito aí. O que que está implícito aí? De que o lugar que ela está é inferior ao que eu estou. Eu que sou espírita. Que o lugar que eu estou é superior ao dela. Será? Será? Porque o critério é crença ou prática?
Obras, né? Não é? Nossa, mas ela, meu Deus, ela conhece coisas, ela já leu. Por que que ela continua lá ainda? Quer dizer, por que que ela continua naquele lugar inferior? Olha a sutileza. Entende, Leonardo? Então, é como se a gente estabelecesse, por exemplo, um diálogo com uma pessoa muçulmana. Aí ela conversa, ela leu o livro dos espíritos, ela leu os romances de Emmanuel, ela leu a obra de André Luiz, aí você fala assim, nossa, gente, coitado, ainda é muçulmano. Ele não deu conta de sair daquele lugar. Então, eu estou imaginando que o meu é superior.
Essa fala é muito importante. Olha como é que isso é arraigado. Olha como é que isso é forte. Está no inconsciente. E quando a gente fala sobre os judeus, a gente critica eles por achar que o Messias iria salvar eles. Eu acreditava que eles, quem que acredita nisso? Era um povo escolhido? Hoje os espíritas acham que eles são um povo escolhido. Que eles vão fazer a regeneração planetária. Estou lembrando da parábola. Não vão fazer a regeneração planetária. Se a gente pegar lá o livro A Gênese, fala da nova geração, o que é que diz lá?
Na ciência, na política, na economia, nas artes, virão missionários em todos os setores. A maioria não vai ser espírita. A maioria não será espírita. E a gente acha que é o grupo espírita que vai renovar o planeta. Não. O grupo espírita tem um papel. E ele precisa desempenhar o papel dele. Mas o papel dele não é o único. É a mesma ideia do Brasil. Olha, Humberto Campos diz assim, Emmanuel também, no concerto das nações, ou seja, na orquestra das nações, cada uma tem uma missão. E ao Brasil, compete a missão de pátria do evangelho.
Aí, como é que algumas pessoas leem isso? Então, a minha nação é melhor do que as outras, o que ela vai fazer é o mais importante e todas são inferiores. Mas, não é um conceito? Não é uma orquestra? É uma orquestra? Então, se uma falhar, atrapalha a orquestra toda, não é? Se eu tiver numa orquestra e o violoncelo, os cellos tocarem errado, não atrapalha. Atrapalha todo mundo, atrapalha a apresentação inteira. A apresentação fica comprometida. Então, nenhuma nação pode falhar na sua missão. O ideal é que todas cumpram sua missão.
Toquem o seu instrumento, né? Toquem o seu instrumento. Então, eles tinham essa ideia e essa ideia, essa ideia de que, olha, o Messias vai restaurar Israel e acabou, eu não vou me preocupar com ninguém além de Israel. Só que, a aliança foi tornar Israel primogênito, tornar Israel o irmão mais velho dos irmãos. Então, o papel de Israel era cuidar da família, da família. E a família é universal. E a família é universal. A família é universal. A família é universal. Então, esse é um ponto, esse é um ponto, porque o profeta Isaías vai dizer isso.
Ele vai dizer luz para as nações. Olha isso. Ele falou luz para si mesmo. E isso, Eleonora, isso, uma das interpretações de uma fala de Jesus no Sermão da Montanha é isso aqui. Não se coloca a candeia debaixo do alqueire, debaixo do, daquele reservatório de combustível. O que Jesus está dizendo ali? Escuta aqui, vocês estão criando aí uma coisa de pureza, uma prática religiosa só para vocês? Então, vocês estão escondendo a candeia, porque a candeia é para iluminar toda a casa. A casa é o quê? O planeta Terra. Colocar a candeia debaixo do alqueire é eu ficar centrado no meu umbigo.
Então, é aquela atividade espírita que só se preocupa com ela mesma, ela não está preocupada com a humanidade. Então, a casa espírita, as instituições espíritas, nós espíritas, temos um compromisso com a humanidade, que é a casa do Pai. Então, a candeia tem que iluminar a casa toda, não só o meu grupinho. Não só o meu grupinho. A panelinha, a minha panelinha, o meu grupinho. Foi o que aconteceu. Então, esse é o primeiro aspecto. O segundo aspecto. Restaurar Israel. Então, é só Israel? Não. Então, na verdade é. Qual que é a concepção correta?
O Messias viria restaurar a humanidade através de Israel. Eleonora, pouquíssimas pessoas compreenderam isso. Olha, nem Gamaliel compreendeu isso de primeira. Nem Gamaliel. O Gamaliel só foi compreender isso depois que ele se aposentou e foi para o deserto meditar. Aí, ele, nossa! Aprendi. Olha, Gamaliel! Um… Um homem… Mas, há dois mil anos ele compreendeu, e você falou que a gente ainda está em compreensão. Mas, eu digo assim, ele era um homem justo, um homem íntegro, orientador de pau, e ele não conseguiu compreender de primeira.
Não é? Não conseguiu compreender de primeira. Bom, agora tem o outro elemento. Restaurar Israel. O que quer dizer isso? O que quer dizer restaurar? Aqui começa o problema. O grande problema. O grande problema. E, eu preciso abordar porque os primeiros versículos do capítulo 53 vão fazer referência a isso. Mas, vamos lá. Israel estava sob o domínio político e econômico de outras nações. Então, qual que era a ideia deles de restaurar Israel? A liberdade, quase. Restauração política. Restauração política. Como que você faz restauração política?
Na diplomacia ou na espada? Na diplomacia ou na espada? Outra coisa, injustiças. Israel, aqui, na primeira parte, ele vai denunciar injustiça social, desigualdade, corrupção, todas as mazelas. Desculpa. Saúde. Ele vai denunciar todas as mazelas individuais que tem consequências sociais. Porque, existem defeitos em que eu afeto a minha vida. Existem defeitos e comportamentos que eu afeto a comunidade inteira. Então, a corrupção é um defeito individual em que eu comprometo a sociedade inteira. Toda a sociedade pena, sofre.
Então, restaurar seria o que? Estabelecer a justiça? Estabelecer o equilíbrio em todos os sentidos? Sim. Sim. Mas, entenda, para eles, restaurar a justiça social, o equilíbrio, é Israel, o resto da humanidade que se lasque. E o Messias, ele viria com a proposta diplomática ou com a espada. Se a proposta diplomática não fosse aceita, cabeças vão rolar. Cabeças vão rolar. Então, começou-se a formar uma ideia de que era necessário um Messias político general. Um general comandando um exército para restaurar Israel. Isso aí, meu amor, noventa e oito por cento tinha essa expectativa.
Culturalmente, era a única forma para se restaurar. Então, a ideia de nós vamos formar um império. E, para formar um império, nós precisamos de um general. O guerreiro mais forte que domina as outras nações. Mais forte que Nabucodonosor, mais forte que Alexandre o Grande, mais forte que César. Mais forte. Precisamos… Isso ecoa até hoje, não é? Isso ecoa até hoje. Só que, os sábios também identificavam que o Messias enviado por Deus não faria apenas uma restauração política, econômica e social. Cabia a ele também uma restauração religiosa.
E, Ele também tinha uma função de revelação. E aí, o que os sábios, imagina os sábios, estão lá, com aquelas cabeleiras pensando assim, vem cá, como é que esse sujeito vai ser um general e um sábio da Torá? Como é que ele vai conciliar essas duas coisas? Então, começou-se a criar uma ideia de que não seriam um Messias, mas vários. Então, teria um Messias general, mas, junto com ele, um Messias profeta e, junto com os dois, um Messias sacerdote. Uma divisão de tarefas. Então, deu para entender? Quer dizer, Messias general, Messias sacerdote e Messias profeta.
O Messias profeta daria um ânimo na revelação, ele daria um frescor à revelação e ele traria coisas novas, um renovo. O Messias sacerdote, o que ele faria? Primeira coisa, reconstruiria o Templo, restauraria a prática. O Templo, a prática, tudo ele colocaria em ordem à religião exterior. Entender isso? As práticas, os rituais. E o Messias general, esse cuidaria da política, da economia e da diplomacia do Império. Não é? Os três juntos, concretizariam o reino de Deus na Terra. A trindade, né? Qual seria o reino de Deus na Terra?
O Império Israelita. O Império Hebreu. É? Olha isso. E aí, melhorou? Agora, Isaías está no século VII. Até Jesus, nós vamos ter aí 600 anos. Se passam. E o povo só sofrendo. Passando de domínio para domínio, sendo escravizado, a terra destruída, o Templo. E aí, o que é? A expectativa começa a ficar grande. Cadê esses três? Que hora que esses três vão chegar? Três, que eu digo em termos de função, tá, Leandro? Porque eles não sabiam se ia ser três, se ia três em um, se um que ia fazer o papel dos três, se dois, um ia fazer dois papéis e o outro ia fazer um.
Eles não sabiam. Então, a ideia era três funções. Três funções. Três funções. Então, olha o que o texto diz. O capítulo 53 vai falar do Talia, o cordeiro, o servo. E ele começa assim. Quem acreditou naquilo que ouvimos e a quem se revelou o braço do Senhor? O braço. Quando eu… Isso aqui é uma expressão idiomática do hebraico. Que a gente usa. A gente usa. Você chega na empresa, o dono fala assim agora eu vou te apresentar meu braço direito. Cadê seu braço? Deixa eu ver seu braço. Não, não. Meu braço direito é esse.
É uma pessoa toda. Uma pessoa toda. Toma conta, ele que cuida de tudo aqui é meu braço direito. Quer dizer, ele. Eu sou destro e ele aqui. Meu braço direito é ele. É esse o sentido. Então, aqui Isaías está se perguntando o braço direito de Deus vai se revelar a quem? Quem que vai ter disposição de escutar o que ele tem pra dizer? Porque o que ele tem pra dizer é Decepcionante. Aí, continua. Ele cresceu diante dele, diante de Deus, então, esse braço cresceu na presença de Deus como renovo, como raiz em terra árida. Então, qual que é a ideia?
Israel, que é a figueira, estéreo, Israel, que é a figueira, estéreo, porque não está produzindo fruto, mas surgirá um renovo, um broto, que vai florescer e frutificar. O renovo é o Messias. Olha os símbolos aqui. Aí, a pessoa me pergunta, tem que estudar o Velho Testamento? Não, não precisa. Não precisa estudar o Velho Testamento. Ele cresceu em terra árida. Não tinha beleza, nem esplendor que pudesse atrair o nosso olhar, nem formosgura capaz de nos deleitar. Desconstruiu, né? Gente, ele não está falando de beleza física que não, hein, gente, não vai fazer a interpretação literal, não, pelo amor de Jesus Cristo.
Qual que era a formosura esperada? Qual que era o Messias formoso que ele esperava? O general! O sacerdote todo paramentado! O sumo sacerdote cheio de veste, de pedra, de coisa, paramentado! O profeta, todo caracterizado! Aí, chega um hebreu que trabalhava numa carpintaria em Nazaré, um carpinteiro, filho, filho de um José, capinteiro, a Maria, dona de casa, e aí a pessoa fala, esse aí é o Messias de Israel. Fala, oi? Como é que é? Esse aí? Não, esse aí não tem beleza nem esplendor que possa atrair o olhar do povo hebreu.
E ele não tem formosura capaz de nos alegrar. Porque nós estamos interessados em libertação política e econômica. Não vem com essa conversinha de amor, não. E agora? Era um desafio há dois mil anos e é um desafio hoje. Esse aqui é o capítulo mais amargo da Bíblia. É amargo pra gente! Não é amargo pro povo hebreu, é amargo pra gente. Não é? Agora, olha que interessante, Leonor. Era desprezado e abandonado pelos homens. Imagina isso, Leonor. Você falar que o Messias não seria reconhecido, que ele não teria honra, respeito, você imagina isso?
A gente não dá conta disso? Desprezado, desprezo, não ter honra é uma coisa, mas ser desprezado é forte. Desprezado. Isso aí, pelo amor de Deus. Homem, sujeito à dor, familiarizado com o sofrimento, como pessoa de quem todos escondem o rosto. Nossa, meu Deus. Olha aí. Era amargo antes e amargo hoje, em uma cultura em que a gente não pode mostrar esse sofrimento, que ninguém sofre, tem aquele poema, os meus amigos, ninguém sofre, ninguém foi traído. Então, dor, isso é incompatível. Um Messias general, que vai pegar a espada e vai restaurar Israel política e economicamente, ele provoca dor, ele não sente dor.
Não é? Provoca dor. Eu vou parar por aqui, Leonardo. Ó! O pessoal está comentando bastante ali. Isso que nem falamos que é o Messias que se deixa crucificar, não é? Nós vamos ver aqui na sequência. Ser traído. Isso, isso. Aqui tem uma progressão. Então, qual que é a ideia? Bem simples, Eleonor, para a gente entender. Existe, e aqui é importante, eu vou resumir esses versículos aqui numa frase do Evangelho, que a gente repete sem saber o que está dizendo e a frase fica barata, fica desgastada. Por quê? Porque a gente não leva ela sério, a gente repete da boca pra fora e não leva a sério.
Existe um parâmetro de sucesso no mundo corporal e existe um parâmetro de sucesso no mundo espiritual. Esses parâmetros, muitas vezes, não coincidem. Eu posso ter uma situação, claro, de uma pessoa que preenche os padrões de sucesso no mundo corporal e no mundo espiritual. Posso, claro. Por exemplo, Gamaliel. Gamaliel. Mas, chega um momento que fica inconciliável. É onde Jesus, resumindo esses versículos que eu acabei de ler aqui, ele diz assim, No mundo tereis aflições. No mundo corporal. Claro, no mundo corporal.
Tereis, você pode tocar aflições pela linguagem do Livro dos Espíritos. No mundo corporal tereis vicissitudes corporais. Aflições econômicas, aflições afetivas, aflições sociais, aflições físicas e o mundo não gosta disso. O mundo considera essas pessoas vou dizer uma palavra forte aqui, mas é o que está no texto. As pessoas no mundo, as pessoas que estão passando vicissitudes materiais, afetivas, sociais, físicas, são consideradas fracassados. Fracassados. Ou, como dizem os americanos, loser, perdedor. Esse é o título que o mundo dá.
E, é claro, eu não vou aqui gastar saliva para ficar dizendo o que o mundo valoriza. O que o mundo considera vencedor. Bem sucedido. Nossa, fulano é bem sucedido. Fulana é bem sucedida. É uma vencedora. Tem de bom ânimo. Tem de bom ânimo. Eu venço. E aqui, eu não estou aqui fazendo referência apenas à questão política. Eu estou falando até a psicológica. Você chega no psicólogo? Você chega no psicólogo? O consultório psicológico. Ele fala, eu vivi isso e isso. Ah, isso é um fracassado emocional. A pessoa vencedora é a pessoa que faz isso.
Entende? Na psicologia. Na religião. Na religião. Na religião. Em todas as áreas. Todas as áreas. Jesus diz no mundo terês aflições. Tem de bom ânimo. Eu venci o mundo. Então, vamos lá, Eleonor. Do ponto de vista dos padrões dos encarnados, Jesus é um fracassado. Não. É um perdedor. É isso que é apontado. Esse é o ponto. Um fracasso total. E é isso que o texto está dizendo. Isso que o texto está dizendo. E eu estou levando aqui, Eleonor, eu estou levando isso porque a gente precisa raciocinar até as últimas consequências.
Então, quando a mãezinha do André Luiz estava encarnada, uma dona de casa e o Laerte, marido dela, que tinha várias amantes e duas principais, que eram duas jovens, quem era o vencedor e quem era a fracassada? Se ela fosse num consultório psicológico, o que iam dizer para ela? Ora, você é uma fracassada, uma submissa. Dona de casa. Veio a desencarnação dela, do Laerte e das duas jovens. E das duas jovens. O fracasso foi de quem? O fracasso foi de quem? Da mãezinha do André Luiz? A mãezinha do André Luiz estava numa colônia espiritual superior ao nosso Laerte.
O Laerte e as duas jovens, com quem ele mantinha uma relação principal? Onde que ele estava? Na situação dificílima do umbral. Dificílima do umbral. Nós temos um caso que é o caso da irmã Cipriana. Está na obra de André Luiz, também. A irmã Cipriana vai contar a história dela. Teve lepra, foi abandonada pelo marido, as filhas caíram na prostituição e ela ficou sozinha e desamparada. Então, é uma reflexão que eu estou trazendo aqui. Agora, não é, Leonardo? A gente tem que evitar radicalismos, correto? A gente tem que evitar isso.
Por quê? Estar passando por aflições e dificuldades não garante sucesso espiritual. Nós aprendemos isso lá no Evangelho segundo o Espiritismo, porque existe o bem e o mal sofrer. Então, muitas pessoas que estão passando por uma luta, por uma dificuldade, se ela não aproveitar, se ela não souber aproveitar aquela expiação, aquela prova, ela pode não se dar bem na experiência e chegar num mundo espiritual cheio de revolta, de ressentimento, de má. Por quê? Porque ela passou pelo mal sofrer. Está lá no Evangelho segundo o Espiritismo.
O bem e o mal sofrer. Então, não é para a gente radicalizar, não é? É só para a gente repensar os critérios de sucesso que o mundo adota. Só isso. Porque eles são critérios pasteurizados, que não levam em conta a individualidade, eles não levam em conta a peculiaridade de cada indivíduo. E mais, os critérios de sucesso do mundo não levam em conta a história espiritual do indivíduo. É isso. Então, para eu definir o que é sucesso e fracasso, eu preciso olhar o indivíduo, sua história espiritual, o contexto que ele está vivendo, aquele momento da trajetória espiritual dele.
Não dá para eu criar um padrão, um figurino e todo mundo tem que vestir aquele manequim. Não tem como. Então, é só isso. Não é para a gente radicalizar. É tudo isso. Isso, não é? Porque nós temos que entender, por exemplo, Levi, um dos apóstolos de Jesus, era um cobrador de imposto, um intelectual, escreveu o Novo Testamento, e nós nunca vimos Jesus recriminando, pelo contrário. Lucas era médico, né? Lucas era um médico, não é? Bem sucedido, numa situação confortabilista. É muito engraçado, né? Porque, assim, todo mundo é apedrejado, todo mundo é preso, menos Lucas.
Não tem história, né? Eu vou ali comprar um pão, na hora que ele volta, todo mundo foi preso, todo mundo foi apedrejado. Quer dizer, ele não tinha débito. Ele curava os outros, né? Ele ajudava. Não é? É um espírito tranquilo. Aquele que vem mesmo para estar ajudando ali, mas ele mesmo não tem muita coisa para resgatar. É interessante isso. Ou seja, o que eu estou querendo dizer? Cada caso é um caso. Cada caso é um caso. Né? Então, a gente tem situações de apóstolos. Isso, gente… O psicólogo. Mas eu não estou falando de psicólogos, Ana.
Gente, nós temos que entender uma coisa. Nós estamos numa reflexão aqui. Nós não estamos falando de pessoas. Eu não estou falando de psicólogo ou psicóloga. Eu estou falando da psicologia. Eu estou falando das filosofias e das ideias. Então, não é do seu psicólogo, seu amigo, seu irmão, ou você, ou fulana. Não é. Não é. Não é. Nós estamos falando das teorias, das ideias. Das ideias. Não de indivíduos. Correto? Então, nós podemos pegar aqui várias… Podemos pegar várias correntes aqui psicológicas. Vamos lá no núcleo delas.
Qual que é a ideia de sucesso e de vitória? É o guerreiro, né? É o Messias Guerreiro. Não é? Agora, é claro. Eu poderia ficar aqui fazendo uma lista de psicólogos maravilhosos. Se vocês quiserem, eu posso. Nós vamos ficar aqui até amanhã. Eu não vou ficar citando o nome. Mas é isso que nós estamos conversando? Não. Não é? Então, esse pensamento de Ah, mas tem uma pessoa que é boa. Ah, não. Claro. Tem espíritos bons e nobres em todas as áreas, em todos os setores da humanidade. Não é? Eu posso citar, por exemplo, grandes nomes.
Grandes nomes. Vitor Franco, Carl Rogers. Não é? Tanta gente, mas é o que mais tem, né? Abraham Maslow, Melanie Klein da Psicanálise. Tem. Então… Mas nem de longe é o caso, né? A gente está realmente falando dos padrões, né? Dos padrões de vitória, dos padrões de… Esse é um ponto em que a gente cai em armadilhas. Eu chego assim… Ah, mas a pessoa é boa. A pessoa é boa. Eu gosto dela. Mas as ideias dela correspondem. Porque eu posso ter uma pessoa boa e que está trabalhando com ideias que são equivocadas. Percebe?
Então, vou dar um exemplo aqui pra ficar mais concreto. A minha mãe, pra mim, é uma pessoa maravilhosa. E ela acredita em céu e inferno. Então, eu vou falar Ah, não, minha mãe é uma pessoa muito boa, então esse negócio de céu e inferno deve ser verdadeiro mesmo, porque minha mãe acredita que ela é tão boa. É assim que a gente raciocina? É assim que a gente pensa? Ah, não, minha mãe é boa, então tudo que ela acredita é verdadeiro. Ah, não, o meu psicólogo, a minha psicóloga é uma pessoa muito boa, então todas as teorias da psicologia são boas, porque meu psicólogo é bom.
É assim que a gente pensa, gente? Claro que não. A doutrina espírita é a doutrina da fé raciocinada. Eu tenho que passar tudo pelo crivo da razão. Não é? Não é isso? Esse é o ponto. Nós estamos dizendo o quê? Existe uma prática em que a pessoa que está passando por essas situações, às vezes ela procura ajuda e recebe esse tipo de conselho. Conceitos de vitória, conceitos de bem sucedido, mal sucedido, conceitos de fracassado, de perdedor. Ela recebe um conjunto de conceitos que não são verdadeiros. Não são verdadeiros.
Então, é nesse sentido. Não é isso? É nesse sentido. E essa é a grande questão, que é o problema da tradição. Esse venci o mundo, você estava falando aquela frase super importante, tem de bom ânimo, eu venci o mundo, mas que mundo que foi vencido? Esse que estão nos vendendo no Instagram? Exatamente. Ou esse da mãe do André Luiz? Isso. Então, a gente precisa aqui, o que nós estamos buscando aqui é entender por que esse Messias Jesus não correspondeu às expectativas, gente. E aqui tem uma coisa muito bonita, Eleonor, eu queria chamar a atenção, que é quando Gamaliel visita a Casa do Caminho.
O Gamaliel era uma pessoa respeitadíssima. Simão Pedro tinha um carinho por ele, ele tinha um carinho por todos, um respeito, mas ele não acreditava que Jesus pudesse ser o Messias. Para ele, era incompatível. E muito legítimo, né? E encontra um amigo dele, Samônio, não é mesmo? E ele chega e fala, Samônio, o que você está fazendo aqui? O que você está fazendo aqui? Ele fala, ah, nem te conto. Adoeci, perdi meus bens, a esposa abandonou, meus filhos me abandonaram, todo aquele sucesso, Gamaliel, que nós valorizamos como único, válido, eu Não tenho mais.
E aí, o Samônio ficou balançado, o Gamaliel ficou balançado. Porque ele, o que ele começou a pensar? Meu Deus, nós não temos uma instituição assim em Israel. O que o Gamaliel pensou? Se acontecer isso comigo, eu não tenho pra onde ir. E aí, o Samônio começa a falar pra ele que Jesus é o Salvador, e ele fala, ô, Samônio, eu te respeito, meu amigo, eu entendo o que você está passando, mas isso é demais pra mim. Aí, você já falar de Jesus, aí já é demais pra mim. Aí, o Samônio diz pra ele, claro, você não precisa de um Salvador, ainda.
Você não precisa ainda. Então, é isso. Então, o que eu estou querendo dizer aqui? Não é porque o Gamaliel era uma pessoa boa que a visão dele de Messias estava correta, estava errada. É isso que eu estou tentando passar aqui. Ele era uma pessoa boa, ele era uma pessoa justa, era uma pessoa íntegra. Ele aprendeu dos pais, do avô, do bisavô, ele aprendeu aquela tradição equivocada. É isso. E é isso que nós vamos encontrar. Pessoas maravilhosas, pessoas amorosas, pessoas íntegras, mas que estão alimentando ideias que são tradições equivocadas.
Ideias equivocadas. E, quando nós tomamos contato com o Consolador Prometido, o quadro de valores muda. Ele muda. Ele muda. É isso. É isso. Então, ali, a gente tem. E esse é um exemplo claro. E o Emmanuel com muita sutileza, não é? Porque o Gamaliel nunca agrediu ninguém. O Gamaliel perseguiu alguém? Não. Não. Tratou com respeito, falou, gente, vamos respeitar, nada de perseguir. Se eles estiverem equivocados, eles vão perceber o erro. E, se nós estivermos equivocados? Ele era um homem poderado, mas a visão dele de Messias estava correta?
Não. Não estava. E, quando ele percebe que ele estava equivocado, o que ele faz? Ele se afasta. Ele fala, eu não vou causar escândalo. Eu vou me afastar, não vou causar escândalo. Ele deixou tudo, não é? Ele não perdeu tudo, mas ele deixou tudo. Ele abandonou as coisas, não é? Deixou tudo. Ele fez o caminho que o Samônio tinha feito, mas o Samônio fez obrigado, fez em virtude de expiação. O Gamaliel fez em virtude de reflexão. Eu já estou no fim da vida, já está chegando a minha hora, eu vou aproveitar esse final para mudar internamente.
Foi lá para o deserto, e a família falou o quê? Tadinho, ficou doido. Tadinho do Gamaliel. Ficou doido. Está falando umas coisas que não tem pena em cabeça. Quando o Paulo chega lá para falar com ele, o homem está na melhor forma. O pensamento dele está uma luz pura, não é? Ele falou, Paulo, deixa eu te falar uma coisa, eu estava errado, nós erramos, filho. Eu te ensinei errado. Gente, é isso que eu quero trazer aqui. Nós não estamos criticando uma pessoa ou outra. Era essa lição que eu queria trazer. O Gamaliel chegou para o Paulo e falou, filho, eu te ensinei errado.
Eu te ensinei errado. Não foi por maldade? Não. Não foi por maldade. E eu agora quero te ensinar o certo. Pegou o pergaminho, começou a falar aquelas interpretações que só o Paulo entendeu, que deviam ser coisas profundas, vínculos, amarrações. O Paulo falou, meu Deus do céu, Gamaliel está… Gamaliel está na força toda. Entregou o pergaminho para ele e ensinou o correto. A gente tem que sair dessa dicotomia, não é? Não, nós somos seres humanos, alimentamos ideias equivocadas, expectativas equivocadas e precisamos ter a grandeza de perceber, de corrigir, de olhar e falar, nossa, tem uma coisa errada.
E, aqui, na expectativa messiânica, é um grande problema, porque até hoje nós estamos tropeçando nisso. Até hoje. A gente ainda não compreendeu quais são os caminhos do Cristo para solucionar as mazelas do mundo. Não é que o Cristo não vai solucionar. O Cristo não está aplaudindo as mazelas do mundo. É que ele começa de um lugar diferente. Ele começa no indivíduo. Ele não começa na sociedade. Então, ele começa no indivíduo para chegar na sociedade e não na sociedade para chegar no indivíduo. É só isso. Só, né? Só isso.
Então, Emmanuel diz assim, o Evangelho avança paulo a paulo. Olha isso, paulo a paulo, um coração por vez. É belíssimo. Paulo a paulo, um coração por vez. Mas vai atingir todos os corações. Vai, vai. E quando atingir não todos, mas a maioria dos corações, dos corações, quando atingir, muda o planeta. É o ponto de mutação. Você vai ali de coração em coração, quando você vê, gerou a transformação. Então, vai ter transformação, vai ter. Então, no fundo, Eleonor, todos estão certos quanto ao ponto de chegada. A divergência está no caminho, nos caminhos que serão adotados.
E o caminho do Cristo é muito único, é muito singular. O caminho que o Cristo propõe é um caminho muito diferente, incomum, não usual. E é claro que é um caminho assim, com poucas pessoas. Não é o caminho que a multidão toma. É um caminho. É um por um. É isso. Nossa, belíssimo. Vamos anotar que a gente parou aqui nesse versículo, não é? No 3. 53, 3. 53, versículo 3. Vamos continuar. Vamos continuar. Nossa, é… realmente, é reflexões para várias encarnações, porque não é só o saber, a gente está nesse momento de sentir, de interiorizar tudo isso.
Exatamente. Então, muitos comentários, o pessoal realmente adorou o tema. O tema é difícil, não é? Não é fácil, é difícil. O Júlio já voltou, já levou o Bernardo, já voltou. Estou assistindo aqui, já. Já voltei lá, minha mãe está passando roupa ali, eu voltei lá para ela também, ela está ligadona ali. Muito bom, muito boas reflexões, não é, Haroldo? Muito atual. Parece que nós estamos falando realmente dos dias de hoje, tudo isso aí que está rolando. Os dias de hoje, exatamente. É que a mamis vai aparecer aqui, espera aí.
Oi, Dona Marta. Oi, Dona Marta. Ainda bem que você apareceu, porque eu achei que ele estava na hidroginástica, viu? Ainda bem que você apareceu, porque ele achou que eu estava na hidroginástica, estava na piscina. É, E é isso mesmo. O tema é muito delicado, é um tema que a gente vai aprendendo que há muitas variáveis, muitos fatores, as coisas não são tão simples quanto são na teoria. Não é? Então, se fosse tão simples, a gente não entenderia um Gamaliel, por exemplo. Não é? Então, imagina se o Gamaliel tivesse compreendido de primeira, tivesse convencido Sinédrio que Jesus era realmente o Messias.
Mas, isso só acontece no mundo da fantasia, porque no mundo real as vidas são complexas, no mundo real as histórias são complexas. As coisas não são assim. Sabe, Haroldo, quando você fala, o tempo que a gente vai conversando, é um misto de simplicidade com complexidade no aspecto de ter vários ângulos a ser analisados. Nem todos eles são difíceis, ou talvez nenhum deles sejam difíceis. Mas, quando você analisa só por uma face, abandona todas as outras, 69 faces, quando você abandona, é impossível que você tenha uma boa interpretação da vida.
Porque o que Deus espera de nós é que nós nos empenhemos na compreensão. Porque quando a gente quer fechar a questão, eu uso muito uma imagem assim, a gente acha uma verdade, quer fazer um platô e ficar ali. Haroldo – Isso. É a tenda lá do Monte Tabor. Que o Pedro chegou, cerrou, vamos fazer uma tenda, vamos ficar aqui, né? Porque a Moisés já está aí, e você, Mestre, não quer ir para lugar nenhum, né? Pode ficar aqui. Acabou a evolução, vamos aposentar e ficar só a gente aqui. Haroldo – Então, eu acho que é bonito, é isso.
A gente tem que ter calma. Eu vou me lembrando do Boa Nova, Haroldo, você pode falar melhor do que eu sobre isso. Os apóstolos aprontavam as deles, falavam, faziam, aí Jesus ficava ali, deixava rolar, e aí eles contavam, as coisas. Aí, depois, com tranquilidade, sem exasperar, sem nada, ele vinha e falava assim, mas não é que só faltou eu pensar nisso, né, Haroldo? Só faltou eu pensar nisso. Então, acho bonito demais, acho que a gente tem que abandonar esse regime certo e errado, abandonar esse regime preto e branco, esse extremo, essa dualidade, entendeu?
E compreender que existe muito mais do que isso para se compreender o texto bíblico, para se compreender o exemplo de alguém, para se julgar alguém, para olhar para alguém, porque a gente fica nessa presa, o único conceito que nós temos é o que você falou, e depois o resto tudo fica errado. Mas é muito legal, cara, acho assim que, para mim, é uma coisa importante, acho que foi até colocado num comentário aqui, né, às vezes a gente fica, uma coisa que me impressou no livro Boa Nova é que tem um capítulo dedicado a Judas.
Ilusão do discípulo. O que é o curioso nesse capítulo? O capítulo não se chama A Traição do Discípulo. Por quê? Todo mundo foca na traição de Judas. Mas, o Judas, ele acreditava no Messias que toda a nação de Israel acreditava. O Messias general, o Messias sacerdote, ele acreditava. Então, se perguntasse assim, se fizesse uma enquete, uma votação com urna eletrônica, Judas está certo ou está errado, ia dar 99,9% que ele estava certo. E a maioria dos apóstolos acreditavam junto com ele. Não acreditavam que ele tivesse errado.
E aí, a ilusão do discípulo é muitas vezes a gente avalia alguém quando a queda da pessoa aparece. A pessoa teve uma queda moral, aí a gente fala aqui, ó. E a gente não avalia o caminho de ilusão que a pessoa teve que percorrer até chegar naquela queda. Porque muitos de nós podemos estar no mesmo caminho de ilusão, é só uma questão de tempo. Então, a pergunta, né, Júlio, não é quem caiu, quem não caiu, é quem caiu primeiro. Porque, se eu estou no caminho da ilusão, na mesma ilusão, eu vou cair também. E, às vezes, acontece uma coisa maravilhosa, Júlio, que é eu estou no caminho da ilusão, de repente me dá uma luzinha, eu recebo a inspiração, os amigos espirituais me tiram daquele caminho, porque eu dei uma abertura, né, claro.
Mas, eu iria cair. Eu iria cair. O problema é que a gente avalia quem caiu. Esse caiu, esse não caiu. Esse caiu, esse não caiu. Esse não caiu, esse não caiu. Quem caiu? Fogueira. Fogueira. Vamos condenar. Mas, quem está na ilusão, primeiro, a gente não consegue avaliar. A gente não consegue. Às vezes, a gente não consegue avaliar nem a gente. Será que eu, Haroldo, sou capaz, agora, de, olhando para a minha vida, para o meu pensamento, saber se estou alimentando alguma ilusão ou não? Será que eu sou capaz? Sem ajuda?
A gente ouviu, Haroldo, uma vez, na conversa com um amigo espiritual, ele falou sobre Pedro, bem parecido com essa coisa de Judas, que muitas pessoas focam na negação de Pedro. Mas, antes de negar, ele dormiu. Ele blasfemou. Então, são os sinais que nós temos que observar da queda, daquela ilusão. A ilusão que leva ao pecado, a perder o alvo. Isso foi muito forte, porque a gente se identifica muito com a traição de Judas, mas não se identifica com a ilusão dele. A gente se identifica muito com a negação de Pedro, mas não se identifica quando dorme e quando blasfema, antes da negação.
Então, é importante que nós observemos todo esse processo, para que a gente enxergue. Eu me venho agora, você que é o cara da interpretação, mas só vou falar porque eu pensei, eu não julguei isso para não ser julgado. Porque quando você determinou o julgamento de alguém, quando chegar a sua vez, você também vai ser julgado, conforme a lei. E aí, a clemência de pedir para olhar outras faces, outros… Isso aí. Ah, isso aí. Nenhum momento Jesus vai tolher Judas. Nenhum momento Jesus vai tolher qualquer iniciativa dele.
Então, ele tinha uma preocupação que era a preocupação social. Ele era o cara preocupado com a questão política, social, econômica, do cristianismo. Ele estava preocupado com isso. Tanto que todo mundo reúne lá e diz vamos fazer uma caixa de previdência aqui, vamos recolher um dinheiro e vai pegando a bolsa e chega pô, Mestre, é pouquinho. Então, Jesus não repreende a atitude dele, a iniciativa dele. Jesus só dá uma advertência para ele. É pouquinho, Judas. Deus queira que você não sucumba ao peso dessa bolsa. Em nenhum momento Jesus falou assim eu te autorizei a fazer recolhimento aqui de dinheiro.
Jesus não faz isso. Não faz isso. Mas, que bom, Judas. Iniciativa boa, filho. Cuidado com essa bolsa, viu? Você acha que ela é pouquinho, mas ela é pesada. Essa bolsa é pesada. Ela pode te derrubar. Não é? Então, e lá na frente, ele vai pontuando para Judas. Vai pontuando. Não tem, por exemplo, na ceia, na última ceia, ele não chega e fala Judas, saia do colégio apostólico, você está expulso. Seu fingido, mentiroso. Você está traindo. Ele só deixa claro uma coisa. Jesus só deixa claro para Judas uma coisa. Filho, eu não estou iludido com você.
Na ilusão, você está só. Isso é duro de ouvir dos amigos espirituais. Filho, não acha que nós estamos iludidos com você. Não estamos. Então, Jesus falou. Deixou claro. Deixou claro para ele. Eu sei o que você está planejando, eu sei o que você está articulando. Eu só quero que você saiba que eu sei. Para que você tenha, lá na frente, certeza de que a única pessoa que você enganou foi a si mesmo. E, a passagem linda, que é a do beijo, que é uma cena simbólica, porque é óbvio que ninguém precisava daquele beijo para poder prender Jesus, identificar Jesus.
Mas, é uma ironia da ilusão de Judas ele dar o beijo. Porque o beijo que Judas deu o colocou numa situação insustentável. Porque, a partir daquele momento, ficou claro para ele que ele estava sendo incoerente. E, antes dele dar o beijo, Jesus pergunta, amigo, a que vieste? Importante essas perguntas de Jesus, não é? Você veio, não é vir, é o que está te movendo. Filho, presta atenção nas tuas intenções. Eu não quero saber o que você está fazendo, porque a gente pode cometer erro na execução. Você está com a intenção boa e mete os pés pelas mãos, isso é humano, é normal, gente, vai lá e corrija.
Mas, quando o vício é de intenção, quando a minha intenção é ruim, mancha todo o processo, porque aí não adianta corrigir atos. A motivação é equivocada. Então, tem uma fala bonita, Júlio, só para dar um exemplo, para ficar mais claro, uma fala do Divaldo, isso é um vídeo bonito, eu achei que ele estava tão lúcido, ele falou assim, é sobre haters na internet, aí eles falam assim, ele falou, muitos chegam até mim e me atacam quando poderiam me aconselhar. Muitos chegam até mim e me atacam quando poderiam me aconselhar.
Mas, eu escuto, me recuo para avaliar se eles têm razão. Olha só o que ele diz, o que eu não permito nessa idade da minha vida é que o mal deles se torne o meu mal. Então, olha isso. Jesus não fez isso com Judas. Ele chega e fala, Judas, qual que é a tua intenção? Tudo bem, você acredita que o Messias é um general? Ok, filho, eu estou aqui para educar mesmo, eu estou aqui para corrigir. Vocês não vão entender. A hora que eu for para a cruz, vai ficar todo mundo confuso. Está tudo certo. Este é o processo educativo.
Eu quero saber qual que é a sua intenção. E, aí, ele vai dar o beijo. Então, ele entrou numa contradição insustentável. E, quando a gente entra nesse tipo de coisa, em que você está com intenções que não condizem com o seu nível de compreensão espiritual, a gente gera uma cisão interior. E essa cisão foi culminar em quê? No suicídio. Porque ele ficou internamente tão dividido que ele não conseguia mais conviver com ele mesmo. E foi por isso que, depois da cruz, a primeira pessoa que Jesus vai correndo auxiliar é Judas.
Porque ele se cindiu, ele se perdeu. Ele começou a defender propostas, ele começou a alimentar intenções, ele começou a se envolver com pessoas, ele começou a participar de movimentos que não tinham nada a ver com a essência dele. Então, ô, Júlio, Judas não traiu Jesus, não. Judas traiu a si mesmo. E ele traiu a si mesmo, e essa traição, quando a gente se trai a si mesmo, é insuportável à dor. Insuportável. E como o assunto agora… Ele traiu a si mesmo, porque ele fala assim, como que eu posso falar em amizade, em colégio apostólico, se eu fiz isso com a pessoa que eu amo?
Como que eu posso falar num mundo vindouro, num mundo regenerado, se eu construo esse mundo regenerado com violência e traição? Fica tudo incoerente, tudo perde o sentido. Tudo perdeu o sentido, porque ele traiu a si mesmo. É… Eu vou me encerrar, eu queria encerrar… Pode falar. Bem rapidinho, que o assunto que o Arudo começou hoje foi sobre a lei, a de causa e efeito, e a misericórdia, e agora a gente falando sobre Judas, e está tudo certo com ele, com o espírito Júlio. Está muito melhor que a gente, está ruim como com a gente.
Já sofreu as questões de causa e efeito, e a misericórdia ainda divina com muitas oportunidades. Eu queria deixar uma indicação de leitura, Arudo, para o tema que envolve o discípulo, que é a pequena história do discípulo, que está no livro Luz Acima, pequena história do discípulo. Ela é muito esclarecedora sobre esses processos que envolvem todo esse caminho, essa jornada, e para a gente entender, é muito bonito como ela trabalha. Então, quem não conhece aqui do grupo, pelo menos para mim, aparece 238 pessoas, quem não conhece, leia a pequena história do discípulo, do Luz Acima.
É do Umberto de Campos, é maravilhoso para a gente entender esses processos aí. E vamos agradecer todo mundo que esteve com a gente aqui. Agradecer ao Arudo por essas duas horas. Nossa, fomos alturas espirituais. Subimos muito hoje. Agradecer a Leonora também, que agora tem que correr lá resolver as coisas de casa. Não é fácil, não. E eu vou buscar o Bernardo também. Gente, ótima semana a todos. Um beijo para todos. Fiquem com Deus. Obrigado, gente. Tchau, gente. Um abraço. Com Deus.
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

Respostas