#016 – Estudo do Velho Testamento – Livro Salmos

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Neste 16º episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias e seus convidados retomam o Livro dos Salmos, mergulhando no Salmo 4. Este salmo, classificado como um lamento, é analisado sob a ótica da confiança em Deus, mesmo diante da angústia e da perplexidade diante do sofrimento.

O que é estudado neste episódio

  • Salmo 4: A análise detalhada do Salmo 4, versículo a versículo, destacando a dualidade entre a angústia humana e a confiança na justiça e misericórdia divinas.
  • A angústia e o desespero: A distinção entre a angústia que leva ao desespero e à dúvida da existência de Deus, e a angústia que, mesmo dolorosa, mantém a fé e a súplica ao Criador.
  • A prece do autossuficiente vs. a prece humilde: A crítica à prece que se assemelha a uma palestra para Deus, onde o orador se coloca em pé de igualdade com o Criador, em contraste com a oração humilde que reconhece a fragilidade humana e a soberania divina.
  • A empatia de Chico Xavier: Exemplos da profunda empatia de Chico Xavier, que, mesmo com sua visão espiritual avançada, chorava com as mães que perdiam seus filhos, demonstrando que a dor e a angústia são sentimentos humanos legítimos, independentemente do conhecimento espiritual.
  • Os limites humanos: A importância de reconhecer os próprios limites e a necessidade da ajuda divina, ilustrada pela frase “Deus dá o frio conforme o cobertor” e pelo conceito de “débitos congelados” de André Luiz.
  • As causas da angústia: A reflexão sobre as causas das aflições, que são a transformação da glória divina em vergonha, o amor à vaidade e a busca pela mentira, conectando-as à lei de causa e efeito.
  • O significado de “santo” e “separado”: A explicação de que o piedoso é “separado” ou “reservado” por Deus, não no sentido de exclusão, mas de ser precioso e distinto, como o “sal da terra” e a “luz do mundo”.
  • O mal na perspectiva de Deus e do homem: A discussão sobre como o mal é visto como “zero à esquerda” na perspectiva divina (questão 133 do Consolador), mas representa angústia e sofrimento para o ser humano que o escolhe.
  • A parábola do filho pródigo: A reinterpretação da parábola do filho pródigo, contrastando o filho “culpado” que se afoga na culpa com o filho que se arrepende e age para retornar ao pai, enfatizando a importância da ação e do retorno (texuvá) em vez da estagnação na culpa.
  • O erro e a transgressão (pecado): A distinção entre errar por inexperiência (crime culposo) e transgredir intencionalmente (crime doloso), onde o erro que gera karma é a escolha consciente de fazer o mal, mesmo sabendo o certo.
  • O uso dos talentos: A reflexão sobre como os talentos e recursos concedidos por Deus devem ser usados para a glória divina e o bem comum, e como o uso egoísta e vaidoso leva à queda e ao sofrimento.

Reflexões

  • A oração não é um diálogo de igual para igual com Deus, mas um reconhecimento da nossa pequenez e da Sua grandeza, onde expressamos nossa fragilidade e buscamos Sua misericórdia.
  • A angústia, muitas vezes, é um convite à reflexão sobre nossas escolhas e a forma como utilizamos os recursos e talentos que nos foram concedidos, que deveriam ser para a glória divina, mas que por vezes transformamos em vergonha.
  • O verdadeiro arrependimento, à luz dos ensinamentos de Jesus, não é se afogar na culpa, mas reconhecer o erro e agir para retornar ao caminho do bem, confiando na misericórdia divina que sempre nos espera.

Ler transcrição do episódio

E aí Olá, amigos, mais um estudo de Salmos, o nosso estudo de número 16. Sejam todos muito bem-vindos. Bem-vindo, Júlio, bem-vindo, Haroldo, bem-vindo a todos que estão nos assistindo. Leonora, Júlio, que alegria a gente retomar nosso estudo de Salmos. Estamos sempre retomando, né, Haroldo? Isso é muito bom. Exatamente, mas é isso, né? Salmos é isso, viu? Salmos é sempre uma retomada. É, coisa boa. Cai e levanta novamente, levanta orando. Isso. E levanta cantando salmos, né? O importante é a gente… Essa é a lição.

Essa é a lição. O importante é a gente saber que durante esses períodos nós não estivemos… parados, né, estivemos no trabalho, no exercício daquilo que aprendemos, mas é nosso desejo, né, que continuar e assim faremos, né, como a gente disse, né, podemos interromper um período, podemos, né, e tal, mas estaremos com firme propósito de de seguir em frente, isso é o mais importante. E hoje a gente está indo de Salmo 4, o Salmo 4, não é, Arudo? Salmo 4. Isso aí. O que é que, antes de começarmos assim, Arudo, esse Salmo a que te remete e ele está classificado dentre qual modelo?

Esse é o típico Salmo, de aquilo que a gente tinha falado, aquele salmo de um lamento, um salmo que você expõe para Deus toda a sua angústia, toda a sua dúvida, mas não como alguém que está desesperado e que perdeu a confiança em Deus, pelo contrário. E esse é um ponto importante. Eu acho que começa por aí. Tem duas maneiras de você se angustiar. Tem a angústia que é desespero, em que você duvida da própria existência de Deus, você duvida de que haja uma esperança, você duvida de que exista uma lei regendo os destinos e você se entrega para aquela concepção de que a vida é um caos, a vida é um acaso, uma sucessão aleatória de acontecimentos e, na maioria das vezes, acontecimentos desastrosos onde você sai perdendo.

Então, esse é o clamor do desesperado, que, na verdade, ele não está clamando para ninguém. O desesperado está num monólogo com ele mesmo, ele está ruminando revolta, angústia, desespero, tristeza, É quase que o primeiro passo para jogar a toalha. Reclamando, né? E tem a pessoa que confia em Deus, mas ela está perplexa, ela está angustiada, porque ela não está conseguindo entender o que está acontecendo, ela está suportando um sofrimento atroz, ela está sofrendo as consequências da maldade, do mal, então, ela suplica a Deus, mas como alguém que está diante do terapeuta, como alguém que precisa falar da angústia, porque falar da angústia alivia.

Eu só acho que é um ponto que, às vezes, a gente tende a relegar, isso eu queria conversar com vocês. Esse é um ponto que a gente tende a relegar, especialmente nós, espíritas, que fazemos sempre prece para Deus, parecendo que nós somos Deus, sabe? Está tudo bem, a gente compreende tudo, a nossa inteligência é suprema, Está tudo compreendido, está tudo processado e, olha, Deus, estou aqui só te louvando e conversando com você aqui, mas está tudo bem, viu? Eu nem preciso de você, na verdade. Eu me viro sozinho aqui, mas estou…

Às vezes, quando a gente escuta algumas preces e algumas posturas, incluindo nossas, dá essa ideia, que é a prece do autossuficiente. Ele é quase uma palestra para Deus. Olha, Deus, senta aí que eu vou te ensinar umas coisas. Olha, aqui não. Aqui é o piedoso, aqui é o humilde, dizendo assim, Senhor, eu estou sofrendo e eu não estou compreendendo. Mas, eu sei que você é Deus. Eu sei que a resposta está em ti. A resposta não está em mim. Nesse momento, eu não tenho nenhuma resposta. Mas, eu sei que a resposta está em ti.

Então, eu preciso falar com você. Eu preciso desabafar, pai. Eu preciso te dizer que eu sou frágil. Eu preciso conversar. Eu preciso desabafar para tirar essa angústia do meu peito. Esse é o Salmo 4. Ele é belíssimo. Isso aí. Eleonora? Eu lembro que causou muita estranheza no pessoal quando a gente falou sobre a questão dos salmos e a gente mais ou menos fizemos um paralelo com a prece, né? Pedir, louvar, agradecer. E aí quando falou em lamentar, as pessoas… meio que estranharam, mas é isso mesmo eu não entendo o que está acontecendo me explica pai me mostra o que está acontecendo não é que a gente não confie mas que está difícil às vezes, está apertado porque o que eu acho que é difícil do Salmo 4 é porque ele não tem nada a ver com o intelecto ele não tem nada a ver com o que você compreende ele tem a ver com o que você está sentindo Então, eu lembro muito de um fato, que, veja, é um fato profundo.

Hoje, eu entendo que é um fato profundo. As mães procuravam o Chico para receber mensagem dos filhos que haviam desencarnado, que haviam morrido. Em algumas ocasiões, o Chico abraçava essas mães e chorava com elas. Então, assim, você tem que Não se trata de quem melhor do que o Chico para ver o mundo espiritual e compreender a realidade da imortalidade? Quem melhor do que o Chico? Nenhum de nós. Nenhum de nós tinha um contato com o mundo espiritual, nenhum de nós tinha um acesso ao mundo espiritual que o Chico tinha encarnado.

E, por que ele chorava com essa mãe? Porque a angústia não tem nada a ver com o que você está vendo, com o que você está compreendendo. A angústia tem a ver com a dor que você está carregando. Esse é o ponto. E, é muito curioso, e eu vou contar uma história aqui, eu estive em Pedro Leopoldo com Arnaldo Rocha e outras pessoas e fomos visitar uma irmã, aliás, fomos visitar duas irmãs do Chico que moravam em Pedro Leopoldo e que hoje já desencarnaram. As duas irmãs desencarnaram, o Arnaldo Rocha desencarnou e eu estou aqui não sei até quando.

E, aí, ela contou uma coisa que, certa vez, o Chico ligou tarde da noite e falou assim – Irmã, eu estou pegando um ônibus, mas eu não quero que você fale com ninguém, porque eu preciso muito ficar com vocês. Ela falou – Ah, Chico, aconteceu alguma coisa? – Não, chega aí, nada, nada de especial, mas, chega aí, eu conto para vocês. Ficaram assim, o Chico pegou o ônibus de madrugada, Chegou aí Pedro Del Porto, ficou ali sem alarde, pediu para não dizer que ele estava e, quando ele chegou, ela fez um café da manhã, recebeu, isso ela contando.

E, o Chico tomou o café e falou, meu irmão, o que está acontecendo? Veja, o Chico falou assim, não, eu precisava muito ficar aqui com vocês uns dois dias e conversar, porque eu não aguento mais atender mãe que perdeu filho. Então, é muito doloroso. Olha isso, gente! Olha isso! Então, o Chico era tão empático, o Chico era tão sensível ao outro que, mesmo vendo o mundo espiritual, o que isso tira a dor? Não tira a dor de ninguém, nem de quem está no mundo espiritual, nem de quem está aqui. E, aquela sucessão ali, imagina, toda semana, quantas centenas de mães Aquilo, com o tempo, né, Júlio, né, Eleonor, vai acumulando, você vai ficando angustiado também.

Você precisa de um alívio, né? Você precisa falar, nossa, está muito para mim. Por que, Júlio? Nós não somos Deus. Nós não somos Deus. Nós temos um limite. Nós temos um limite. Então, esse salmo é lindo, porque é uma criatura que sabe os seus limites, suplicando e lamentando com o Criador, que é ilimitado. Então, agora vamos mergulhar nesses salvos aí, que essa explicação fazia sentido para nós todos, hein? Porque justamente ela está comentando, né, as pessoas sabem aí, né, da desencarnação da Sheila e E é isso mesmo, a gente vai sentindo, é um sentir mais do que um saber.

Então, é interessante a gente mergulhar. Eu já estou curioso aqui para ver a tradução do Arudo. É bonito porque ele já começa assim. Por que eu chamo a atenção que é um salmo afetivo, é da emoção? Porque ele é contraditório. Eu vou ler o primeiro versículo, olha aqui. Ele diz assim, no meu clamar, me responde, ó Deus da minha justiça, na angústia, olha, na angústia, você me alargou, ou seja, essa é uma expressão hebraica, quer dizer assim, você me aliviou, você me alargou. Deixa eu explicar isso, porque angústia é constrição, então, você fica constrito, Então, alargar é consolar.

Então, quando você está constrito, a consolação te alarga. Faz sentido, não é? Então, ele está dizendo assim, no meu clamor, me responde, ó Deus da minha justiça, na angústia, me consola, me alivia. Olha que bonito. Compadece-te de mim. Tem compaixão de mim. Sabe o que é contraditório? Porque ele fala assim, ó, Ele está falando assim, Deus, quando eu clamo, você me responde na tua justiça. E aí ele fala da angústia. É tipo assim, Senhor, eu sei que tu é justo, eu sei que você me responde, mas eu estou angustiado. Eu acho que é o Júlio falando.

Hã? É o Júlio falando essa prece. É. É isso aí, olha só. No meu clamar, me responde, ó Deus, a minha justiça. Na angústia, me consola. Tem compaixão de mim, compadece-te de mim. E escuta a minha oração. Olha isso. Então, ao mesmo tempo que ele reconhece que Deus é Deus, que Deus é suprema justiça, amor e misericórdia, e aí vem a coisa bonita. Ele reconhece também, eu sou criatura. Eu sou limitado, eu sou frágil. Eu me angustio, eu estou angustiado, ó Senhor, compadece-te de mim, tem compaixão de mim, tem compaixão da minha pequenez, das minhas limitações de criatura.

Gente, é muito bonito isso. Porque, assim, gente, não dá para você acreditar que na oração você está conversando de igual para igual. A nossa conversa com Deus nunca é de igual para igual. A gente não pode esquecer isso. De igual para igual, eu converso com meu irmão, com a minha irmã. De igual para igual, eu converso com outra. Com Deus, não conversa de igual para igual. É o que Jó, tem um momento que Jó fala assim, Senhor, eu quero conversar com você. Ele fala, ok, Jó, eu vou como Deus, você vem como homem. É sempre assim.

E a gente não pode esquecer isso. A gente não pode esquecer isso. Porque às vezes, as nossas orações dão a entender de que nós estamos conversando de igual para igual com Deus. Ainda, Haroldo, se a gente pensar, acho que A gente vai chegando no equilíbrio, né? Durante um tempo, uma certa relação com Deus também é complicada, como um Deus que pune, que você negocia. Então, ou seja, aqui nós estamos entrando numa nova fase de maior naturalidade, mas, no entanto, nós temos que entender essas nuances da relação de filho, né?

Com o pai, que é da confiança, que é da esperança, que é da consciência dos atributos de Deus. Eu não sei se tem a ver isso. Isso. Esse é o ponto, sabe, Júlio? E ter certeza e assumir que nós temos limites. Porque eu acho que são duas coisas. Uma… é você achar que suporta tudo. E aí, isso é síndrome de Deus. Porque aí você acha que você é ilimitado. Você compreende tudo, você tolera tudo, você suporta tudo, qualquer fardo você carrega, e a gente confunde isso com resignação. Não. Tem fardo que a gente não suporta.

Por isso que tem um ditado popular que diz assim, Deus dá o frio conforme o cobertor. Porque, se ele der um frio acima do seu cobertor, você não suporta. E é por isso que André Luiz diz, no Ação e Reação, dos débitos que são congelados. O que é um débito congelado? Você contrai um débito que, nesse momento atual da sua evolução, você não tem condição de resgatar. Aí, a bondade divina permite que se passem três, quatro, cinco séculos até que você tenha estrutura moral para resgatar, sem a probabilidade de sucumbir, ou seja, com grandes chances de vencer.

Então, o débito é congelado. É esse o sentido. Então, aqui, nesse salmo, ele reconhece, fala, Senhor, eu tenho limites, eu estou angustiado, tem compaixão de mim, tem compaixão de mim, mas eu sei que tu és o soberano e que a tua justiça é ilimitada, o teu amor é infinito e a tua caridade é sem fim. Eu sei. E isso você está comentando aqui no primeiro verso, não é, Arudo? Esse foi o primeiro verso. Quando ele abre esse salmo, ele abre com uma confiança. É um Deus que responde, é um Deus que alivia, é um Deus que tem piedade e que ouve a minha prece.

Então, ele está demonstrando toda a sua confiança. A confiança e a fragilidade. Ao mesmo tempo, né? A confiança e a fragilidade. Eu confio, mas eu sou frágil. E ele está se confessando, né? E pedindo ali, tem misericórdia de mim. Isso aí, tem misericórdia de mim. Agora estou curioso com esse segundo verso aí. Na angústia tem misericórdia de mim. O que significa isso? Na angústia, tem misericórdia de mim. Ou seja, é confissão de que estou angustiado, de que eu tenho limites, de que sem a tua ajuda, Senhor, eu não suporto, eu não consigo.

Isso é que é importante. Pensando como é que eu leio. Na minha tradução aqui, ele bota um ponto e vírgula depois da… Aqui ele traduz assim, na angústia me deste largueza. Aí tem ponto e vírgula. Tem misericórdia de mim e ouve minha oração. Isso. Ele está reconhecendo já a atuação divina, quando ele fala que na angústia me deste largueza. E ainda assim está pedindo que ele tenha misericórdia para ouvir a oração. É porque é tudo junto, né? Na angústia largaste, compadece de mim. Na angústia você… Porque essa tradução colocando o verbo no passado não é uma boa tradução.

Ah, entendi. O que ele está dizendo é assim, na angústia você me consola, compadece-te de mim e escuta a minha oração. Tem misericórdia e ouve a minha oração. É, porque ele está reconhecendo, eu sei que na angústia você me consola. Então, tem compaixão de mim, ouve a minha oração. Entende? Eu sei que na angústia você me consola. É por isso que eu estou te pedindo você ter compaixão de mim e ouvir a minha oração. Então, é um misto. É isso que eu queria chamar a atenção. Ao mesmo tempo em que ele diz para Deus, eu confio em ti, eu confio na tua justiça e eu confio na tua consolação.

Mas, eu preciso dizer que eu estou angustiado e eu preciso que você escute a minha oração. Gente, isso é muito bonito. Isso vai ser retomado lá no Novo Testamento. Vocês vão lembrar dessa passagem. É uma passagem que tem um fariseu orando e um pecador orando. O fariseu contando vantagem. Eu cumpro a lei, eu sou puro, eu faço isso. E o pecador dizendo assim, ô, senhor, tem compaixão de mim. Eu estou errando demais, eu sei que eu sou… pecador, eu sei que… Aí, Jesus falou, ó, aquela oração ali é maior do que a do fariseu, porque o fariseu está orando para Deus como se ele fosse igual a Deus.

Está lá no Novo Testamento, gente. É um eco do Salmo 4. Então, ninguém ora para Deus achando que está do mesmo tamanho de Deus. Esse é o ponto. Isso é oração de fariseu. A gente ora para Deus… reconhecendo a grandeza dele, isso é confiança, mas reconhecendo a nossa pequenez, isso é bom senso. Isso é juízo. Sim. Faz sentido, né? Mas eu estou curioso agora com a oração. Que agora ele começa a reclamar, né? Não, agora, Eleonora, isso é uma coisa bonita do Salmo. Os Salmos têm muito isso. Agora, ele cala a angústia dele e ele começa a, como se fosse assim, imaginar qual seria a resposta de Deus.

Aí, ele fala assim, ó homens, até quando vocês retornarão para… Até quando vocês transformarão minha glória em vexame? Até quando amareis a mentira, a vaidade, e buscareis a mentira? Isso é como se fosse Deus respondendo, entendeu? Aí, ele volta. Saber, porém… Não, é Deus ainda falando. Saber, porém, que o Senhor distingue para si o piedoso. O Senhor me ouve quando eu clamo por ele. Interessante, não é? Porque, na verdade, vamos lá. O que nós fizemos? As causas anteriores das aflições. Quais são as causas anteriores das aflições?

Transformamos a glória de Deus em vexame, em vergonha. Nós amamos a vaidade e buscamos a mentira. Então, é bonito que ele está dizendo, olha, quem subverteu a glória divina, quem amou a vaidade e buscou a mentira, agora está colhendo o fruto da angústia. Total lei de causa e efeito, não é? Nós poderíamos aqui pegar um papel e fazer uma lista de 200 expiações, 200 tipos de expiações. A gente iria ver que todas, ou porque transformou a glória divina em vergonha, ou porque amou a vaidade, ou porque buscou a mentira. Essas são as razões pelas quais a gente se desvia do caminho reto, despreza a verdade, se entrega à vaidade e aquilo que era para a glória divina a gente transforma em vergonha, né?

Porque tudo que existe na criação é para a glória divina. Está muito abstrato, não é? O dinheiro não é para a glória divina? Mas, muitas vezes, a gente não transforma o dinheiro em vergonha? A sexualidade não é para a glória divina? E, muitas vezes, a gente não transforma a sexualidade num motivo de vergonha para o nosso destino espiritual? A beleza não é para a glória divina? E, muitas vezes, a gente não subverte a beleza e transforma ela em pura vaidade? Olha, interessante, não é? O poder, a inteligência, não é para buscar a verdade?

E a gente não usa o poder e a inteligência para buscar a mentira? Então, aqui estão as causas da angústia. Bonito, não é? É como se tivesse assim, escuta, essa angústia não é em vão, essa angústia tem uma causa. Bonito, né? Isso aqui para entender só com o consolador prometido. Nossa, mãe, isso aí, olha lá. Nem três vezes. Não é? É como se fosse o talento que você recebeu e escondeu, né? E utilizou. Isso. Ao contrário da fraternidade, da solidariedade, do bem comum, quando a gente vai pensar em inteligência, em sabedoria.

Você está no três, né, Arudo? É… O que você entende aí sobre esse… O Senhor separou… Aqui eu vou ler minha tradução. Sabês, pois, que o Senhor separou para si aquele que é piedoso. Como é que está essa tradução? É isso mesmo. Porque isso é uma coisa bonita. Aqui é colocar à parte, separar. Vocês lembram da palavra santo lá do Levítico? Sim. O santo é o separado, né? Sim. É aquilo que está reservado. Pensa num vinho, o reservado é aquilo de qualidade máxima. Então, a piedade, a pessoa piedosa, ela se desloca da massa e ela começa a caminhar para ser reservado, para ser santo.

Bonito isso, não é? Separado, não é? O separado. Então, o separado é o reservado, é o guardado. É aquilo que é precioso, é precioso, é pouco, é o sal da terra, é pouco, por isso que é separado, não é a multidão. No mundo aqui, nós não temos multidão de piedosos, multidão de piedosos é no mundo celeste. Aqui, o piedoso é sal da terra e luz do mundo. Bonito, não é? Por isso que ele é separado. Achei lindas as reflexões sobre as causas anteriores dos sofrimentos. Está tudo ali mesmo. Transformar o que é glória em vergonha, que é geralmente isso.

A gente vê na série André Luiz, ou mesmo os romances de Emmanuel, descreve lá as quedas espirituais. Vamos lá, vamos pensar. Por que Públio Lentos caiu? O que aconteceu com Saulo de Tarso? Recebeu tantos recursos para a glória de Deus e transformou tudo aquilo em vergonha. Rompeu com Gamaliel, terminou noivado com Abigail, assassinou Estevão. Quer dizer, ele recebeu um cunhado, Estevão, uma noiva, Abigail, um mestre, Gamaliel. Não quis. Odebo transformou tudo isso em vergonha. É incrível, não é? Preferiu a vaidade…

e buscar a mentira do que a verdade. É a explicação, acho que é a explicação profunda dos nossos erros, dos nossos erros, porque tudo que existe na criação é para a glória divina. Esse é um ponto que a gente insiste. O dinheiro é para a glória divina, a beleza é para a glória divina, a inteligência é para a glória divina. Então, qual deveria ser a regra? Os inteligentes auxiliando os menos inteligentes, os poderosos auxiliando intensamente os fracos, os com mais recurso auxiliando os que não têm. Se houvesse isso, seria a glória, não é?

Porque, lembra lá do Sermão da Montanha? Para que os homens vejam as vossas boas obras e glorifiquem a Deus. Por que a Deus? Porque quem colocou os instrumentos de glória na sua mão foi Deus. Só que a gente transforma os instrumentos de glória em caminhos de perdição e de queda. É bonito isso, né? A filosofia por trás disso, né? Nossa, isso é incrível. Todo espírito, quando cai, quando se desvia, é porque ele subverteu algo que era um instrumento para o bem e ele usou mal. Aquilo poderia ter sido usado. Gente, vamos lá.

Se Pôncio Pilatos tivesse usado o poder dele para a glória do Evangelho, o que seria, Júlio? O que seria, Leonor? O que seria? O que seria, gente? Responde. Se César tivesse usado todo o seu poder, os seus recursos para a glória de Deus, o que seria, gente? O que seria? Seria ele o crucificado, né? Seria ele o crucificado. É o nosso estágio, né? Acho que o bonito disso é que é como esse processo seja um processo de validação para a vida verdadeira. Porque quando a gente medita sobre essas coisas, sobre a luz e sombra, que é exatamente…

Jesus contrasta com a nossa sombra. Ele contrasta com aquilo que é a sombra do ser humano. E ele ilumina. E é por isso que ressalta. Se você pega ali… A gente fala muito sobre isso. Se o Judas não tivesse tal… Se o Pilatos não tivesse tal… e nós temos que entender que são oportunidades. A decorrência dos fatos nem é tanto assim, né? A decorrência dos fatos não está um tio fora de um planejamento divino, né? Agora, para a nossa jornada, essas decisões fazem toda a diferença. Mas aí você tocou num ponto bonito, Júlio.

Porque toda vez que a gente conversa sobre o mal, as pessoas querem conversar da perspectiva de Deus. Sim. Amigo, da perspectiva de Deus, questão 133 do Consolador. Para Deus, o mal é um zero à esquerda. Não, não é mesmo. Porque ele compreende os seus filhos transviados como filhos incursos em grandes experiências. Só faltou Emmanuel colocar uma coisinha. Em grandes experiências de angústia. Está sofrendo, né? Esse é o ponto. Então, para Deus que está no coração das alturas, o mal é zero. Para você que está caindo no despenhadeiro, meu irmãozinho, o mal não é zero, não.

O mal não é zero, não, porque vai doer. Vai ser uma jornada que você vai ter que… Por quê? Olha isso. No equilíbrio, você está em felicidade. No desequilíbrio, você está na angústia. Para Deus… Se você escolheu crescer e aprender no equilíbrio, ou crescer e aprender na angústia, para Deus não faz diferença nenhuma, Júlio. Agora eu pergunto, e para você? E para mim? Então, esse é o ponto que a gente tem que ser muito prudente quando formos falar do mal. Porque Deus é Deus. Aroldo é Aroldo, Júlio é Júlio, Eleonora é Eleonora.

Então assim se pode tudo querido qualquer caminho para deus é aprendizado agora não venha comparar um caminho de flores com caminho de espinho né é aquela coisa do alta compadecida que sujeito fala assim nossa mata padre dá um azar e aí o padre fala sobretudo para o padre né é bem é uma experiência tudo é uma experiência inclusive angústia. Então, o ponto que nós temos que entender é o mal está sempre de mãos dadas com angústia. Você pode escolher o mal, mas depois não tem como você abrir mão da angústia. Eu acho que o Salmo retrata isso.

É só para a gente, quando for falar do livre-arbítrio, dos caminhos, a gente ter um pouquinho de sensibilidade e entender que nós somos criaturas. Para a gente, o caminho escolhido faz toda a diferença. Faz toda a diferença. Apesar, né, eu até estava conversando com uma amiga… que estava na dificuldade da questão da culpa, que é um processo também da perturbação diante da lei divina, e diante dessa escolha que talvez pense que fez errado. E realmente, quando você está conversando com Deus e alinhou com Ele, você pode até compreender, e apesar de ter a angústia como regulador da…

do seu desequilíbrio, que o mal não representa sem, né? Ele pode não representar zero, mas ele não representa sem essa questão da minha máxima culpa e ficar ali, e daí não progride, não sai daquilo e tal. Então, a gente está buscando, é isso que você falou do equilíbrio. O equilíbrio não é um ponto estático, ele é um ponto próximo a… né eu assim essa questão da culpa é Jesus abordou isso está na parábola do filho pródigo então eu vou eu vou mudar a parábola de Jesus Jesus contou a parábola como deve ser eu vou mudar a parábola vai ser o filho pródigo culpado ou o filho pródigo cheio de culpa tá bom então havia o filho mais novo ele pediu herança ele foi para uma terra distante gastou tudo e pensou assim muitos servidores do meu pai têm abundância de pão e eu aqui agora, comendo bolota de porco.

Ai, que criatura culpada eu sou! Nossa, como eu sou culpado! Vou ficar aqui mil anos afundado na culpa e chorando. Essa é a parábola do filho pródigo culpado. Agora, a parábola do filho pródigo de Jesus. Muitos servidores da casa do meu pai têm abundância de pão e eu aqui comendo bolota de porco. Levantar-me-ei e irei ter com meu pai e lhe pedirei. Essa é a parábola de Jesus. Então, na parábola de Jesus, Júlio, não tem ninguém deitado se afogando em culpa. Na parábola de Jesus, tem criaturas que reconhecem que erraram e dizem assim, levantar-me-ei e irei ter com meu pai e lhe pedirei para me receber na misericórdia.

Essa é a parábola do cristão. Esse é o ensino de Jesus. Ficar afundado em culpa, lamentando o que você fez de errado, isso não é seguir o Cristo. Isso não é seguir o Cristo. Então, erra e fala, nossa, errei, errei, errei, e já estou sofrendo as consequências. Levantar-me-ei e irei ter com meu pai. E vou voltar para casa. Agora, os hebreus substituem tudo isso aqui por uma palavra, texuvá. Te-shuvah é retorno. Aí, a tradução em português, sabe como é que a tradução em português traduz o hebraico? Retorno. Arrependimento.

A gente confunde tudo. Porque arrependimento fica parecendo assim, ai, me arrependi, deixa eu chorar mil anos, ai eu não valho nada. Não é isso. Não é isso que Jesus ensinou. Não é isso que ele ensinou. E eu acho que o verso seguinte vai falar disso. E o mais lindo ainda de tudo é que a gente sabe que Deus está esperando. Não, mas aí você está muito apressadinho, né? Você está muito apressadinho. Está querendo estudar o Salmo inteiro, num episódio, né, Eleonora? E aqui aí? Calma, calma. Se deixar, ele vai até o versículo 8.

Já entra no Salmo 5. Calma. Eu acho que a gente tem tanta coisa bonita aqui, né? Agora vamos esperar o próximo episódio, o pessoal fazer perguntas, trazer contribuições, para a gente poder avançar nesse salmo maravilhoso. A Leandrão ia comentar uma coisa. Eu estava refletindo que esse filho pródigo, quando levanta, quando se arrepende e quer retomar os caminhos, a gente ainda sabe essa história, o que vai acontecer. O pai está esperando e faz festa e abraça. Então essa certeza também nos traz… Essa misericórdia divina que a gente tem para onde voltar.

E fiquei pensando, enquanto o Haroldo falava, sobre essa condução dos nossos talentos, das nossas… da nossa vida, e fiquei pensando em vários estudos anteriores que a gente já conversou, né, sobre o mal, ele ser o bem só para mim, né, e o bem, ele ser o bem para todos, então, dentro de tudo que a gente falou, né, sobre inteligência, sobre as capacidades, né, sobre os recursos que nós viemos, que nós trazemos, nessa vida, se a gente utiliza para o bem comum, se a gente sabe utilizar, a gente não vai ter esse arrependimento de ter utilizado só para si, eu acho que isso que traz o grande arrependimento, quando a gente utiliza com egoísmo, utiliza só para o bem íntimo, só para o bem comum, e…

fiquei pensando essas questões e também fiquei pensando sobre a questão do pecado também que a gente já conversou sobre o errar o alvo a gente está lá com tudo certo e aí erra o alvo e se errar o alvo depois vai ter que retomar os caminhos desculpa Júlio, você ia comentar é porque eu acho que depois a gente volta nisso eu acho que esse é um tema importante porque o pecado não é errar o pecado é transgredir Ó, ó, importante isso, porque o errar, o Júlio, quem está aprendendo violão, vai errar, Júlio? Vai errar. Transgredir é diferente.

Transgredir é quando eu já sei fazer o certo e eu opto por fazer errado. Isso é transgredir. Esse é o pecado. Esse é o Ramatim. Eu não estou fazendo errado porque eu sou inexperiente, porque eu não tenho perícia. Não. Não. Eu estou fazendo errado conscientemente e eu sei fazer certo. É diferente. A lei humana distingue também. A lei humana chama o erro intencional, quando você sabe fazer o certo e você faz o mal intencionalmente, ela chama crime doloso. E quando você erra por imprudência, por imperícia, você não queria crime composto.

A pena é pequenininha. É diferente. Então, é importante isso. O erro, o erro que gera karma, eu sabia fazer o certo. Eu sei, eu já aprendi. Mas, por interesse pessoal, eu escolho fazer errado. Porque será vantajoso para mim. Será vantajoso para mim. Aí, gente, pode pegar todos os romances de Emmanuel, toda a série André Luiz, Manuel Filomeno de Miranda… Todos os casos de espíritos que cometeram grandes erros tiveram que resgatar. É tudo assim. Que entra aqui no nosso insultar a glória, amar o nada, buscar a ilusão.

Isso aí, isso aí. Transformar a glória em vergonha, buscar a mentira e a vaidade, né? E amar a vaidade. Eu ficaria com essa pergunta pra encerrar, né? Até quando nós converteremos a glória de Deus em infame? Isso aí, isso aí, Júlio. Isso aí, isso aí. Ficar com essa perguntinha para levar para o próximo episódio. Claro que sim. Até quando? Eu vou trazer uma mensagem, então, no próximo episódio, do Emmanuel. Que ele fala que nós precisamos abandonar o sistema da semeadura na decadência. Olha isso. E a colheita… Como é que é?

É… E, a colheita, nossa, a palavra, você está decadente, semeia na decadência e colhe na absoluta carência, na absoluta dor, na absoluta murcha. Entendi. É porque você tinha todos os instrumentos, inclusive instrumentos incríveis, que você está em posição, porque veja, gente, Quem está num resgate, por exemplo, na área financeira? Teve muito recurso. Quer dizer, tinha tudo. Quem caiu na área da inteligência? Tinha toda a compreensão, todo o intelecto. Não é, Júlio? Até quando? Até quando, Alô? Então, não é isso? Você pega, por exemplo, a pessoa que teve uma queda na área sexual.

Ele tinha toda a beleza, todo o magnetismo, todo o encanto. E usou aquilo para destruir o sentimento. Ele entrou no coração das pessoas e pisoteou. Fez promessas, se aproveitou tudo no seu interesse pessoal. Mas ele tinha tudo, né? Aí vem uma situação de penúria na área afetiva. Por quê? Aí ele perde tudo que ele tinha, né? Claro, está lá no Boa Nova. Como dar uma veste nova e bela para alguém que na veste rasgou? Anterior, rasgou a veste que foi dada, não pode receber uma nova nas mesmas condições eu vou voltar nesse assunto que eu sei na semana que vem que eu vou fazer uma, já que eu sei juiz, vou fazer do advogado de água porque se não é o que se propõe para um filho pródigo o que deixa o outro filho invocado Assim, cara, como é que você, o cara foi lá, gastou tudo e agora você dá uma novinha pra ele?

Mas, Haroldo, o lance é que a glória e a graça divina, que eu gosto muito do Tales falar da graça divina, você não comanda. A gente tem que entender que a glória e a misericórdia divina não é a gente que comanda. E nós não julgamos nem o que ele vai fazer por nós, quanto menos o que ele vai fazer por outrem. Que ele conhece todo o processo, conhece toda a caminhada. Então, eu ultimamente falo muito para mim mesmo, que no máximo, não sendo muito bom o proveito, eu julgar os meus atos. O dia terceiro é 100% de chance de eu errar.

É, é porque o que acontece, né, Júlio, é que, aí nós vamos falar isso no próximo episódio, então. O filho mais velho está um passo atrás do filho pródigo. Então paramos aqui e vamos continuar no próximo episódio. É, está um passo atrás, infelizmente. É isso aí. Vamos ver, vamos ver. Arnoso, muito bom retomar, muito bom estarmos juntos. Muito bom mesmo. Um abraço para todos, um ótimo final de semana. Ótimo final de semana. Obrigado, gente, obrigado por todas as mensagens que me enviaram aí pela Sheila. A gente ficou muito sensibilizado e vamos em frente…

juntos, né, Aruto? Vamos juntos. Vamos juntos. Inclusive com ela. Ela está aí também. Agora está vindo mais do que a gente. É o nosso agradecimento a ela por essa… Ela tem a piedade de nós. Um beijinho. Um abraço. Um beijo. E aí”

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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