Neste décimo episódio do estudo do Velho Testamento, Haroldo Dutra Dias dá continuidade à análise do livro de Gênesis, aprofundando-se na compreensão da criação à luz da Doutrina Espírita. O estudo retoma a discussão sobre a água na narrativa da criação e introduz o conceito de fluido cósmico universal como elemento fundamental para a interpretação dos textos bíblicos.
O que é estudado neste episódio
- A água na criação: O estudo inicia revisitando o primeiro capítulo de Gênesis, destacando que a criação da água não é descrita detalhadamente, mas sim a separação das águas. A água é apresentada como um símbolo perfeito de Deus, presente em todos os lugares e expressando características como maleabilidade e capacidade de envolver outros elementos, além de simbolizar o amor.
- Evolução do pensamento religioso: É ressaltada a visão de Allan Kardec sobre a progressão do pensamento religioso, desde os hebreus, passando por Jesus, até a Doutrina Espírita, que remove véus e esclarece a verdade, mostrando uma evolução coletiva da humanidade e uma maior percepção de Deus.
- A Doutrina Espírita como auxílio na compreensão do Gênesis: Haroldo Dutra Dias enfatiza a necessidade da Doutrina Espírita para interpretar os textos antigos, pois ela oferece os princípios e o alicerce para compreender temas transcendentes que estavam além da capacidade de entendimento das pessoas daquela época.
- O Fluido Cósmico Universal: O ponto central do estudo é a análise do fluido cósmico, considerado essencial para a compreensão da criação. Kardec sempre o relacionava às concepções de Deus, da providência e da lei divina.
- Conceito de Universo: A Doutrina Espírita, através de Kardec, apresenta um conceito de universo que abrange a infinidade de mundos visíveis e invisíveis, preenchido por fluidos. Essa visão contrasta com a concepção limitada dos hebreus e mesmo de muitas pessoas na atualidade, que ainda veem a Terra como o centro do universo.
- Deus no centro da criação: É abordada a concepção de Deus segundo a Doutrina Espírita, que o posiciona no centro da criação, irradiando seu pensamento para todo o universo. Essa visão se contrapõe à ideia de um Deus distante, sentado em um trono, e ressalta a sua presença imanente em tudo.
- O Espírito como centro que irradia: A partir da questão 92 de “O Livro dos Espíritos”, é explicado que o Espírito é um centro que irradia, assim como Deus. Essa capacidade de irradiação depende do grau de pureza do Espírito, explicando fenômenos como a bicorporeidade e a comunicação mediúnica à distância.
- A forma e a cor dos Espíritos: Com base nas questões 88 e 88a de “O Livro dos Espíritos”, discute-se a forma do Espírito, que é descrita como uma chama, um clarão ou uma centelha etérea. A cor dos Espíritos varia do “colorido escuro e opaco” (Espíritos inferiores) a uma “cor brilhante, qual a do rubi” (Espíritos puros), simbolizando a evolução espiritual.
- O Sol como local de reunião de Espíritos superiores: O comentário de Kardec à questão 188 de “O Livro dos Espíritos” é explorado, sugerindo que o Sol não seria um mundo habitado por seres corpóreos, mas um local de reunião de Espíritos superiores que, de lá, irradiam seus pensamentos para outros mundos através do fluido universal.
- O Fluido Cósmico como veículo do pensamento divino: O estudo conclui que o fluido cósmico é o “mar” que abrange toda a criação e o veículo de transmissão do pensamento de Deus e de todos os Espíritos. A onipresença de Deus é ressaltada, pois seu pensamento está em tudo, não havendo lugar onde ele não esteja presente.
Reflexões
- A Doutrina Espírita oferece uma chave de leitura para o Velho Testamento, permitindo uma compreensão mais profunda e transcendente da criação e da presença divina, superando interpretações literais e limitadas.
- A concepção de Deus como um centro que irradia seu pensamento para toda a criação infinita, presente em cada átomo e partícula, transforma a visão de sua onipresença e providência, tornando-o acessível e imanente.
- A compreensão do Espírito como um centro que irradia, e cuja capacidade de irradiação depende de seu grau de pureza, elucida fenômenos mediúnicos e a interconexão entre todos os seres, revelando a unidade da criação.
Ler transcrição do episódio
Nós vamos pedir desculpas para os amigos que estão aqui, que estão conversando pela internet, por esses problemas técnicos que provocaram um prazo de meia hora no estudo. A gente vai procurar solucionar, porque tem sido uma constante isso que tem acontecido, mas a gente vai tentar solucionar isso. Agradecemos a presença das companheiras que vieram de longe, que estão participando aqui com a gente. E, dando sequência à aula de Gênesis, em que a gente estudava o primeiro versículo do capítulo 1 de Gênesis. Em um determinado momento, a gente começou a falar um pouco sobre a água, que a água, a criação da água propriamente dita, não está descrita nesses versículos do primeiro capítulo de Gênesis.
Na verdade, o texto se refere à separação das águas de cima e das águas de baixo. Fala da criação dos céus e da terra, de um modo amplo, mas não escreve especificamente a criação da água. Todos os elementos recebem uma descrição detalhada do dia em que foram criados, da função, da avaliação, e viu Deus que era bom, etc. Mas, a água propriamente dita não tem uma referência sobre ela. Comentamos até um trecho do livro de Lanova, aquele capítulo em que Jesus conversa com João Evangelista, em que o próprio Mestre se refere à água como aquele símbolo perfeito de Deus, porque ela está tanto em cima quanto embaixo, tanto no céu quanto na terra e até mesmo no subsolo.
Então, ela expressa essa presença de Deus em todo lugar. Deus está em toda parte, velando pela criação inteira e também pelas características da água, o simbolismo do sentimento, sobretudo o amor, e também pela leveza, pela maleabilidade da água. Ela consegue penetrar, envolver a todos os outros elementos. A água tem essa capacidade. É importante a gente retomar algumas falas de Kardec. O Codificador está sempre chamando a atenção por um processo de evolução do pensamento religioso. A gente percebe isso muito claramente no Evangelho Segundo o Espiritismo.
A todo momento, Kardec diz assim, os hebreus iniciaram o trabalho, Jesus deu continuidade, esclareceu, e agora vem o Doutrino Espírita abrir, tirar mais véus, falar de forma clara a toda a gente, mostrando que não é apenas uma evolução individual dos Espíritos que estão na Terra, mas, coletivamente, a Terra como um todo está também sujeita a uma lei de progresso e essa lei de progresso implica uma maior percepção de Deus, da vida, da evolução e um maior conhecimento de si mesmo. Quanto mais percepção, maior a esfera de ação do Espírito e também da coletividade, de modo que, à medida que a Terra foi saindo da infância para a maioridade, da maioridade para a maturidade, novos ângulos do conhecimento, do progresso espiritual foram se abrindo para a Terra.
Hoje, nós podemos dizer que temos uma verdadeira explosão do conhecimento espiritual. No mundo inteiro se fala de espírito, de comunicabilidade dos Espíritos, de reencarnação. Então, a gente percebe, com a exceção daqueles lugares muito radicais, que estão muito fechados por um processo de endurecimento mesmo, mas, via de régua em todos os países, todas as coletividades, é difícil você encontrar uma pessoa que não tenha tido notícia, pelo menos, desses assuntos, o que revela que a nossa compreensão, coletivamente falando, está sofrendo um processo de ampliação.
E, nós temos enfatizado, no estudo do Gênesis, que, nesse regresso aos textos antigos, aos textos da primeira revelação, nós temos buscado um auxílio imprescindível da doutrina espiritual, porque ela fornece princípios, ela fornece alicerce e auxílio para a compreensão desses temas transcendentes, que os Espíritos daquela época não eram capazes de alcançar. Estavam fora da compreensão deles, porque era preciso um avanço social, econômico, político, da própria ciência. Era preciso avançar com esse mundo da verdade. Então, quando a gente está no processo da criação, que está descrito no livro Gênesis de Moisés, nós estamos fazendo a luta do Espiritismo, a luta da doutrina espiritual.
E, ao fazer uma análise da criação, nós precisamos examinar o fluido cósmico, fazer um estudo mais detalhado do fluido cósmico. Por quê? Porque Kardec, quando ele abordava concepções de Deus ou concepções da providência divina, da lei divina, da justiça divina, ele sempre, sempre fazia referência ou trabalhava algum aspecto do fluido cósmico. Isso chama bastante a atenção. Então, o que nós resolvemos fazer? Nós fizemos uma coletânea, vamos apresentar aqui em várias aulas, quando a gente vai estudar o fluido cósmico, porque é fundamental para a gente dar o tom do estudo do Gênesis à luta do Espírito.
Sem a compreensão do fluido cósmico, a gente corre o risco de fazer interpretações que não correspondem à realidade e corremos o risco de não captar, de não perceber alguns elementos fundamentais do texto. Ao fazer essa coletânea, ao fazer essa busca sobre o fluido cósmico, eu confesso que, particularmente, me surpreendi. Nós utilizamos um arquivo com toda a obra da Codificação e toda a Revista Espírita e jogamos o termo fluido cósmico. Temos todas as ocorrências do fluido na Codificação e na Revista Espírita. Então, eu tenho feito uma seleção, separei, mais ou menos, por assunto e a gente gostaria de compartilhar agora com todos aqui, pedindo que todos participem também, falando, e pedindo para quem está acompanhando pela internet também que pesquisas se encontram na obra do Sousa e de Iraia, principalmente na obra do Chico, da Yvonne de Valde, outros métodos mais seguros, que tragam para a gente essas contribuições, porque vão agregar muito aqui.
Então, a primeira coisa que nós buscamos ligado ao tema fluido cósmico, e é importante dizer isso, porque o fluido cósmico é uma raiz. Dessa raiz, Kardec tira vários galhos, vários ramos, vários princípios. E o primeiro deles, fundamental, é o conceito de universo. A revelação espírita traz um conceito de universo. Vamos fazer uma pequena pausa. Um hebreu da época de Moisés tinha uma concepção de universo completamente diferente da nossa. Eles imaginavam que a Terra era rígida, que o Céu era uma espécie de metal, como se fosse uma chapa metálica, onde estrelas estavam pregadas.
Por que imaginavam isso? Por conta das estrelas fixas. Algumas coisas se moviam, mas outras não. As estrelas fixas, na observação de um encarnado. Porque, na verdade, as estrelas fixas se movimentam, mas elas se movimentam tão lentamente que você precisa, às vezes, de milhares de anos para constatar o movimento. Como a pessoa vivia ali, no máximo, 40 anos, 50, e olhe lá, a média de vida era 40 anos, ela não conseguia observar. Então, eles imaginavam que era uma chapa fixa. Algumas coisas se movimentavam e outras estavam ali pregadas.
Depois daquilo, não tinha nada. A Terra era, de fato, o centro do universo. Essa é a visão. E, por incrível que pareça, essa é uma visão que predominou até Galileu. E, por muito tempo, foi defendida por a Igreja. E, acreditem se quiser, há muitas pessoas, hoje, andando nas ruas com essa visão. Muitas pessoas nas igrejas, nos templos religiosos, se não, da boca para fora, estão dizendo outra coisa, mas, internamente, concebem Deus, concebem a si mesmas, dentro deste universo limitado. Tem uma concepção, ainda, muito restrita.
E, o que a gente observa? Quando vai estudar o livro de Gênesis, muita gente se trai. Então, às vezes, vem uma pessoa, é física, é astrônoma, começa a estudar o livro de Gênesis, começa a fazer interpretações como se a Terra fosse um bloco, o céu fosse uma chapa e o texto estivesse fazendo uma descrição literal. Então, se comporta, na interpretação, como se adotasse aquela concepção restrita de universo. Então, é interessante isso. O importante é que nós selecionamos alguns textos do Kardec, onde ele vai dar, evidentemente, com a revelação dos Espíritos.
Ele está, apenas, sistematizando aquilo que os Espíritos disseram e ele começa na questão 37. Antes da questão 37, há um comentário de Kardec, questão 37 de O Livro dos Espíritos. Nesse comentário, ele dá uma definição de universo. Ele diz assim, o universo abrange a infinidade dos mundos, infinidade. Então, ele está falando de uma coisa infinita, de um número infinito de mundos. Olha que interessante. Então, a Terra é um dos infinitos mundos. O universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e dos que não vemos.
Olha que interessante. Então, é um conceito mais abrangente do que o da ciência atual, para qual o universo é só o que a gente vê. É evidente que isso já está mudando um pouco, já se fala em universos paralelos, dimensões, etc., mas está muito ainda no plano teórico, ainda com muitas controvérsias, mas já se fala nisso. Aqui, o conceito é claro. Mundos que nós vemos e que nós não vemos. Todos os seres animados e inanimados compõem o universo. Todos os astros que se movem no espaço – olha que interessante – assim como os fluidos que enchem esse espaço.
E, aqui, está a grande contribuição da Doutrina Espírita. O espaço infinito está preenchido por fluidos. Bom, quando nós falamos fluido, vamos traduzir isso, né, é líquido. A linguagem de fluido, como você estuda lá na Física, viscosidade, empuxo, densidade, comportamento dos fluidos, nós estamos falando de algo que tem um comportamento do estado líquido da matéria. Então, é interessante os Espíritos se referirem a essas energias, porque hoje nós sabemos que são energias. Na época em que Kardec codificou, não havia esse vocabulário, mas havia a ideia.
Não sejamos ingênuos. Não é porque Kardec utilizou um vocabulário que ele não compreendia a ideia. Nós vamos ver que ele compreendia, só que usou um vocabulário adequado ao século XIX. Mas, é um fluido que enche o espaço infinito. O que é isso? Água. Simbolicamente falando, claro que não é a água H2O. Nós não estamos falando dessa água aqui. Mas, essa água é um fluido. Ela se comporta como um fluido. Então, a água, o comportamento dela de fluido, quando os Espíritos utilizam o vocabulário fluido, eles estão querendo, através de uma metáfora, de uma comparação, falar preste atenção, porque essas energias têm um comportamento que lembra a água.
É tão interessante isso, porque Paulo de Tarso foi quem escreveu em Deus nos movemos e existimos. Como peixes no oceano. O que a gente não imaginava é que havia uma criação infinita mergulhada nesse oceano. Então, essa água do Velho Testamento, que é separada a água de cima e a água de baixo, nós estamos falando de um processo de fluido. Então, isso é importante. Por isso, nós dizemos que estamos estudando Gênesis à luz da Doutrina Espírita, porque nós estamos trazendo este conceito de universo. O capítulo 1 de Gênesis está descrevendo a criação da Terra e, indiretamente, a criação do universo.
Indiretamente. Porque ela não entra em detalhes. Ela só entra em detalhes na criação da Terra e pressupõe a criação do universo. Qual universo? É este universo aqui. É este universo. Nós não podemos ir com outro conceito de universo, porque aí teremos problemas na interpretação. Outra coisa importante. Dentro deste universo, e Deus? Onde está Deus? Nós já abordamos isto aqui e é importante ressaltar que toda vez que a gente vê um grande físico, um ganhador de prêmio Nobel, um Stephen Hawking, um ateu como Dawkins ou um cosmólogo ateu, eles falam assim, eu não acredito em Deus, porque o conhecimento que eu tenho, o que eu já estudei de física, não é compatível com Deus.
Que Deus! Que Deus! Aí, quando você pergunta para este cientista qual é a concepção dele de Deus, qual é a concepção dele de Deus? É a concepção de Deus que ele aprendeu nas igrejas dominicais. Europeias ou da América do Norte. Então, Deus está num céu, sentado num trono, tem uma barba branca, um dedinho, a forma humana e está julgando as pessoas. Isto é certo, isto é errado. Quem viveu fazendo coisa errada, eu vou condenar para sempre, porque eu tenho raiva. Quem viveu fazendo as coisas certas, é bonzinho e vai vir morar comigo.
Aí, o sujeito começa a manipular telescópio e começa a estudar partículas e ele não acha esse trono nem o homem de barba branca. Só que, em nenhum momento, ele cogita que o que tem que ser reformulado é a concepção de Deus da igreja dele. Em nenhum momento se cogita isso. E é interessante porque não basta ser espírita, estudar a obra espírita, porque tem muito espírita com essa concepção de Deus. Este é o ponto grave. Este é o ponto grave. Então, nós trouxemos um texto aqui que está no livro Céu e o Inferno, capítulo 3, item 2, em que Kardec dá uma nova concepção de Deus em relação ao universo.
E ele denuncia o vício, a falha na concepção tradicional de Deus. Então, nós vamos trabalhar com a concepção de Deus que é essa de Kardec, que os Espíritos ensinaram a ele e não com a concepção do anglicanismo, do evangelicalismo, do catolicismo da Idade Média. Não é com essa da Igreja Dominical, com todo o respeito que temos a esses segmentos. Até porque há teólogos hoje no protestantismo, teólogos na Igreja Católica que acham graça dessas concepções. Eu converso, por exemplo, com a irmã Ayla e quando ela ouve, foi uma coisa muito curiosa, a gente foi participar de um congresso em Goiânia e ela foi assistir a uma palestra e a palestrante começou a falar das concepções de Céu e de Inferno na teologia católica, só que a pessoa pegou concepções da Idade Média.
E, aí, a Ayla estava sentada do meu lado e falou, meu Deus, eu nunca soubei isso. Porque ela se formou como freira no século XX, quer dizer, não se ensina mais isso nem para freira. E, as pessoas estão repetindo isso, achando que os padres, as freiras acreditam nisso. Nem eles, eles já evoluíram, já estão pensando em outras coisas. Então, é importante trazer esse conceito aqui para a gente, olha, nós estamos trabalhando com qual concepção? Com essa concepção aqui. Kardec diz assim, as diferentes doutrinas relativamente ao Paraíso, doutrinas relativas ao Paraíso, repousam todas no duplo erro, dois erros, de considerar a Terra o centro do Universo.
Então, esse é o primeiro erro. E, nós vamos ver o seguinte, a maioria das religiões, hoje, no mundo, na base delas, está a ideia de que a Terra é o centro do Universo. Não é? Por quê? Todo mundo da Terra tem que ser convertido, que aí está resolvido o problema. E os dos outros? E o resto do Universo? Não, nós temos que sair em missão para a Igreja para levar para outros países. E os outros planetas? Olha que interessante! Eu me recordo de uma entrevista feita com Frei Beto. Aliás, ele deu uma resposta brilhante, brilhante.
Perguntaram para ele assim, Frei Beto, você fala no mistério da encarnação, do Cristo encarnando, da salvação, e, se chegarmos, nós fizermos contato com os seres extraterrestres? Aí, ele deu uma resposta tão lúcida, ele disse assim, olha, eu acredito que o mistério da encarnação e da salvação, embora em formatos diferentes, tenha também validade em outros planos. Quer dizer, já começou a ampliar. O Kardec está apontando que as doutrinas relativas ao Paraíso têm o erro de achar que a Terra é o centro do Universo. Então, nós, espíritos, não podemos pensar isso.
Até porque a ciência, a física, a cosmologia, a astronomia já demonstraram que não, que não, definitivamente não. Aliás, nós somos pequeninos demais para ser centro. Tão inexpressivo diante da grandeza da criação. Qual o outro erro? Achar que a Terra está limitada à região dos asses. Qual é o problema, hoje, que um cosmólogo, um astrônomo tem para estudar o Universo? Tem galáxia que ele sabe que existe, mas ele não pode detectar. Sabe por que ele não pode detectar? Porque ela está numa região do espaço em que a luz não chega até a gente.
A luz da galáxia não chega até nós. Vocês imaginem que há galáxias que estão há bilhões de anos-luz distantes de nós. Então, a luz que foi emitida por aquela galáxia que nós estamos captando agora foi emitida antes da Terra existir. Porque a Terra tem 4,5 bilhões, mais ou menos. Então, tem galáxia que a luz está chegando hoje, a luz foi emitida antes da Terra existir. Então, existem galáxias que estão mais distantes ainda que a luz não vai chegar. Porque, quando a luz chegar aqui, a Terra não existe mais. Então, a Terra não está limitada, o Universo não está limitado à região dos asses próximo da Terra.
E nem ela é o centro. Ok. Aí, Kardec diz assim, é além desse limite imaginário que todas têm colocado a residência afortunada e a morada do Todo-Poderoso. Então, onde está o Paraíso? No céu. Quantos quilômetros acima do solo? A ponto de a gente ouvir de um homem inteligente, um astrônomo preparado, uma criatura que tem 20, 30 anos de formação física e intelectual para poder entrar em um foguete e sair. Neil Armstrong chegou na Lua quando ele pisou e disse não vi Deus por aqui, mas ele esperava ver na Lua. Ele realmente aprendeu isso?
Que Deus mora na Lua? Não é? Mas, se você perguntar para alguém assim, mas onde está o Paraíso? Fica quantos quilômetros depois da Lua? Porque eu estou querendo ir lá, estou programando uma viagem, final de semana com a família, queria saber quantos quilômetros são. Então, nós imaginamos um limite e, além desse limite, estaria o Paraíso onde Deus mora, além desse limite. O interessante é que ele está bem distante da gente, nessa concepção. Eu estou aqui, o Universo é longe, longe, longe e tem um limite depois que acaba que está Deus.
Deus está onde? Depois do limite. Aí, o Kardec diz assim, singular anomalia que coloca o autor de todas as coisas, Deus, aquele que as governa a todas, nos confins da criação, em vez de no centro. Deus está na periferia, não no centro. Ele está nos confins, não no centro. Donde o seu pensamento poderia, vírgula, irradiante, vírgula, abranger tudo. O que Kardec está dizendo? Ele está dizendo o seguinte, na verdade, Deus não está no limite, Deus está no centro. O seu pensamento se irradia e abrange toda a criação infinita.
Deus é o centro. É o que ele está dizendo. Ele não é a borda, é o centro. Aí que está o erro, colocar Deus na borda, nos confins. Ele está lá, não está lá, está no centro. Olha que interessante. Agora, olha que coisa curiosa, porque falou aqui que o pensamento do Criador se irradia e esse é um conceito fundamental que Kardec vai trabalhar. O pensamento de Deus se irradia do centro e abrange a criação infinita. Com qual velocidade ele se irradia? Instantânea. Não há tempo. Imediato. Agora, olha que coisa curiosa. A questão 92, vai falar sobre bicorporiedade.
Mas, nós não viemos aqui falar de bicorporiedade. Nós viemos aqui falar de irradiação. Olha o que os Espíritos respondem. Porque o Kardec, a pergunta 92 era a seguinte, quando há bicorporiedade, o Espírito aparece em dois lugares, ele dividiu ao meio? Metade foi para um lado, metade foi para o outro. Se ele apareceu em três, ele dividiu em três. É assim que ocorre? Aí, os Espíritos respondem para Kardec. Não pode haver divisão de um mesmo Espírito. O Espírito é indivisível, ele não se divide. Mas, cada um, cada um quem?
Cada Espírito é Um centro que irradia. Opa! Bateu a linguagem. Então, o que Kardec escreveu no Céu e Inferno, capítulo 3, item 2, capítulo chamado O Céu, que Deus está no centro da criação e Ele irradia para toda a criação, vale para o Espírito, é claro. O Espírito não é filho de Deus? Não é imagem e semelhança de Deus? Então, ele tem que manter os atributos, só que em grau menor, porque nós não somos partículas da divindade, metaforicamente falando. Então, nós temos que ter, em grau reduzido, evidentemente, o que Deus tem em grau absoluto nós temos em grau relativo, mas nós temos que ter esses atributos.
Então, o Espírito é um centro que irradia para diversos lados, isso que faz parecer um Espírito em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol? É um somente. No entanto, irradia em todos os sentidos e leva muito longe os seus raios. Contudo, não se divide. Mas, o curioso é que tem gente achando que o Espírito tem que vir e ficar do meu lado para transmitir o pensamento dele, porque nós, mesmo nós, espíritas, ainda não incorporamos o conceito do Espírito irradiando, um centro que irradia. Quando Kardec vai comentar a questão 92, ele dá um exemplo, ele fala assim, olha, pensa numa vela, você está em um quarto escuro, pode fazer essa experiência todo mundo, pega uma vela, qualquer cor, para não ficar com misticismo, pode ser branca, qualquer cor, apaga a luz, coloca a vela no centro, deixa a luz apagada.
Nós vamos perceber o quê? O raio, porque a vela irradia a luz em todas as direções. Então, você tem um raio. Então, se você pôr uma vela pequenininha, o raio é pequenininho. Se você pôr uma vela do tamanho dessa sala, uma vela grandona, vai ser maior. Se você colocar uma lâmpada, se você colocar um holofote, vai aumentando o raio de abrangência. Mas, a lâmpada precisa sair de lá para vir aqui, para a luz dela chegar aqui, não precisa. O sol está lá, quieto, entre aspas, está movimentando. Mas, ele está lá, não precisa vir aqui.
Ele irradia. Nós vamos chegar lá. Ok. Aí, vem a questão 92a, porque o Kardec é de uma sutileza. Ok, irradia, mas qual a força dessa irradiação? Qual a força? Todos os Espíritos irradiam de modo igual? Aí, os Espíritos respondem. Questão 92a. Longe disso. Essa força depende do grau de pureza de cada um. Ou seja, quanto mais impuro, quanto mais iniciante o Espírito, na escala espírita, que está lá no livro dos Espíritos, a escala dos Espíritos, menor é a irradiação dele. Então, ele tem que vir mesmo. Se o Espírito é de um nível mais inferior, ele tem que vir e ficar do lado do médium.
Às vezes, tem até que abraçar o médium. Não é, Jana? A Jana tem experiência disso. A irradiação dele é tão pequenininha que se ele não colar a cabeça dele na cabeça do médium, não irradia, porque é pequenininha a irradiação. Agora, se você imagina um Espírito puro, ele está lá em outra galáxia irradiando aqui, o médium está psicografando ele. Psicografando. Por quê? Porque ele está irradiando. O poder de irradiação do pensamento dele é como se ele estivesse aqui. Porque a questão 92 não fala de bicorporeidade? É o que os Espíritos estão ensinando.
É como se ele estivesse ao lado do médium, só que ele está em outra galáxia. E se, além do poder de irradiação, ele tiver ubiquidade, ele pode influenciar mais do médium. Ele pode. Não é? Então, tem muita gente que fala que nossa, o Dr. Bezerra foi lá na minha reunião. A gente acha graça. Mentira, porque ele estava na minha. Né? A gente acha graça, porque é como se ele tivesse que pegar um ônibus. Ai, veio, entrou. Na verdade, ele está lá no lugar dele irradiando para 300 grupos espíritas, mandando uma comunicação simultânea para 500 médiums.
E, ele já tem condição de fazer isso. Ele já tem condição de fazer isso. Então, olha, e Deus? Deus está no centro, ele irradia para o universo infinito. Não tem limite. Ele não é o todo poderoso? Não tem limite para irradiação divina. Agora, Deus está onde? Não está em mim? Por que Ele não está em mim? Bonito que os Espíritos dizem assim. Cada Espírito é um centro, e é verdade. Se você for viajar no universo, a primeira coisa que os astrônomos falam centro depende do ponto de referência. Para quem está viajando no universo, ele é o centro.
O universo inteiro está em volta dele, que é o centro. Se um outro está no outro planeta observando, ele é o centro, porque o universo não é infinito? Move no infinito, você é sempre o centro. Por isso que cada Espírito é um centro. E, por isso que Deus está no centro de todos nós, dentro de nós, não fora. Irradiando. Essa concepção de Deus, essa concepção de Deus é um presente da doutrina espírita para o planeta Terra. Porque se os físicos, se os astrônomos, se os cosmólogos tivessem acesso a essa concepção de Deus, eles não teriam dificuldade de aceitar a ideia de Deus.
O que eles têm dificuldade de aceitar é a ideia de um Deus velhinho, de baba sentado num trono, lá num lugar longe, com raiva, brigando, xingando, porque você não está seguindo uma conduta X ou Y. Interessante, não é? Bom, mas vamos lá. Com relação à forma dos Espíritos, a questão 88 é muito curiosa, porque nós estamos falando em radiação, em centro, então vamos na forma dos Espíritos. Kardec faz uma pergunta curiosa. Ele fala, tira pelo Espírito, tira corpo, eu quero o Espírito, o Espírito sem nada, sem nenhum corpo.
Ele tem alguma forma? A forma de uma roda? De um cubo? Cubo mágico? A forma de uma bengala? Qual que é a forma? Questão 88. Aí, os Espíritos respondem. Para vós, não, não tem forma. Para vós, não tem forma. Para nós, sim, tem uma forma definida. O Espírito é, se quiseres, porque é difícil escrever na linguagem humana, se quiseres, uma chama, uma chama, um fogo, um clarão ou uma centelha etérea. Olha, totalmente coerente a questão 82 com a questão 92. Porque, se a forma do Espírito é de uma chama, todo Espírito é um centro que irradia.
Ele não é uma chama? Um clarão? Então, ele irradia. E, esse clarão corporifica, aí ele se espalha, porque ele irradia, ele se espalha, ele toma a forma, por exemplo, de um corpo humano. Interessante, não é? Mas, a forma mesmo do Espírito, a definitiva, a forma de fábrica, original, é de uma centelha, uma faísca, um fogo, uma luz. Interessantíssimo, isso, não é? Bom, tem cor? Será que o mundo é preto e branco? O Espírito tem cor? Tem cor? Aí, vai para a questão 88a. Tem uma coloração que, para vós, para vós, vai do colorido escuro, colorido escuro é ótimo, não é?
Que é o Espírito inferior, não é? Vai do colorido escuro e opaco, quer dizer, quase não brilha, escuro no sentido de apagado, não é? Porque, senão, a pessoa pode fazer interpretação racista aqui, não tem nada a ver, hein, gente? Não tem nada a ver. O escuro, porque é uma chama, então ela pode ser pouca luminosidade, opaco, com muita luminosidade. Importante frisar isso. Ele vai de um colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi. Então, todos somos cor rubi. Fica aí brigando, porque um é moreno, o outro é negro, o outro é branco, o outro é…
Nós somos tudo vermelho, tudo rubi, tudo cor de vinho. Tem uma poesia, um soneto de obras dos anjos, que chama-se Ao Homem, e tem uma parte desse soneto que ele fala assim, és mais, és muito mais, és a sentido do céu, alma da luz resplandecente, que o mistério implacável e clemente amortalhou na carne ágil e intranquila. Nossa, que lindo, né? Bonito, né? Então, cor rubi, conforme o Espírito, é mais ou menos puro. Então, por isso que o emblema do livro dos Espíritos está lá no Prolegomos, que é o prefácio, é uma cepa de uma uva, porque a cor do vinho, né, que lá fala o trabalho do Criador, é o que?
É o mesmo trabalho do vinicultor. Esmaga a uva, o bago é o corpo, o Espírito tem que ir no corpo, ali ele sofre as vicissitudes, as dificuldades, até que sai o vinho e a cor que é? Aquela cor linda, que é a cor rubi do Espírito puro. Irradiando uma coisa que a gente não tem nem condição de entender. Importante isso. É engraçado que o vinho é associado a Cristo, e Cristo dentro É, não é à toa. Não é à toa, exato. Não é à toa. Então, exatamente. Bom, agora, a questão 188 tem um comentário do Kardec que causa, às vezes, muita confusão, porque o Kardec faz um comentário na condicional, ele diz assim, dizem parece que porque ele estava trabalhando com informações espirituais, então ele está reproduzindo o que disseram para ele, não está afirmando que é ou não é.
Correto? Mas, o interessante é que nesse comentário ele fala de Júpiter, de Marte, que Marte estaria atrás da Terra, aí todo mundo fica discutindo, não entende que ele está falando na condicional, ele está apenas dizendo o que disseram, ele não está nem abonando nem negando, está apenas transmitindo a informação do jeito que ele recebeu. Ok. Mas, o interessante é que ele fala aqui, olha o comentário que ele faz, o Sol não seria, olha que interessante, segundo a informação desses Espíritos, o Sol não seria mundo habitado por seres corpóreos, mas, simplesmente, um lugar de reunião dos Espíritos superiores, os quais, de lá, irradiam seus pensamentos para outros mundos, que eles dirigem, ou seja, então, esses Espíritos que estão se reunindo lá são Espíritos que dirigem mundos, Espíritos que dirigem mundo, nós já sabemos quem é, são Cristos, dirigem por intermédio de Espíritos menos elevados, transmitindo-os a esses Espíritos menos elevados que eles por meio do fluido universal, transmitindo o pensamento por meio do fluido universal.
Considerado do ponto de vista da sua constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade, todos os sóis como que estariam em situação análoga, local de reunião de Espíritos que dirigem mundos, local em que eles se reúnem para irradiar os seus pensamentos através do fluido cósmico, que é o meio pelo qual o pensamento deles se irradia, para outros Espíritos cumprirem as ordens, porque eles dirigem, mas quem executam são os outros Espíritos de ordem inferior, até chegar em nós, nos animais, nos seres, porque todos estamos obedecendo num grau hierárquico.
Então, o que chama a atenção aqui? Eu só trouxe este comentário da questão 188 para que a gente perceba, na descrição do Gênesis, porque que dá uma atenção para o Sol, que o Sol foi criado, a Lua, as estrelas, a função do Sol, da Lua e aqui a gente já começa a perceber os desdobramentos espirituais. Mas, nós temos que encerrar na hora que vem. A gente vai dar continuidade nisso. Aqui estamos só introduzindo, estamos só falando do conceito de universo. Agora, nós vamos falar do fluido cósmico dentro deste universo aqui.
Então, Espírito sem telha, que irradia, Deus no centro, irradiando para a criação infinita e o fluido cósmico como esse mar que abrange toda a criação e que é o veículo de transmissão do pensamento de Deus e de todos os Espíritos. É o condutor. É o condutor. Como o ar é da palavra, eu falo aqui, o ar vibra, chega no tímpano e a gente escuta. Então, o ar é o veículo da transmissão. Se nós estivéssemos no vácuo, ninguém conseguiria ou falaria, ninguém poderia escutar nada. Assim é o fluido cósmico. Ele é o veículo que transmite o pensamento de Deus e dos Espíritos.
Então, encerramos com a seguinte reflexão. Se toda a criação está mergulhada no fluido cósmico, adivinhe, entre eu e o Lucas aqui, está cheio de fluido cósmico. Estamos todos aqui mergulhados no fluido cósmico. Todos os átomos, todas as partículas do meu corpo, meu espírito, todos estamos mergulhados no fluido cósmico e o pensamento de Deus está aqui se transmitindo por ele. Deus está onde? Então, é essa belíssima concepção de Deus. Deus está aqui, está aqui dentro deste copo. Está aqui dentro. O pensamento dele está aqui dentro, nas moléculas desta água, porque isto aqui não é fluido cósmico.
A pergunta é onde ele não está, onde ele não está, onde o pensamento dele não vai. Não alcança. Não existe. Não existe nada fora do fluido cósmico, nada que não esteja abarcado pelo pensamento da divindade. Isto é fundamental, porque nós vamos trabalhar, depois, este conceito de providência divina, justiça divina, lei divina e este conceito que a Doutrina Espírita traz no Livro dos Espíritos é fundamental para a gente entender o Livro de Gênesis, segundo o nosso grau de compreensão que nós temos hoje.
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