Neste episódio, Haroldo Dutra Dias conclui o estudo do livro de Isaías, à luz da Doutrina Espírita, respondendo a diversas perguntas enviadas pelos participantes e espectadores. As questões abordam desde as fontes de estudo utilizadas até a aplicação dos ensinamentos proféticos nos dias atuais.
O que é estudado neste episódio
- Fontes de estudo para Isaías: Haroldo detalha as ferramentas e literaturas que utiliza para embasar suas análises do livro de Isaías, incluindo programas de estudo bíblico avançados, comentários especializados em inglês e português (como os de John Oswald), a tradição judaica (em hebraico), a obra de Allan Kardec e a psicografia de Francisco Cândido Xavier. Ele enfatiza a importância de consultar múltiplas fontes para construir um conhecimento sólido e evitar a idolatria de um único autor.
- Profetas na atualidade: É discutido o conceito de profeta como um indivíduo inspirado a trazer novas ideias e comportamentos. Haroldo compara a atuação dos profetas antigos com a profusão de inspirações nos tempos atuais, destacando Chico Xavier como um grande profeta, cujo reconhecimento se dá pela coerência entre sua vida e a mensagem que pregava, conforme o critério de Jesus: “conhece-se a árvore pelo seu fruto”.
- Afinidade com a cultura judaico-cristã: A questão de como se relacionar com o Espiritismo sem ter afinidade com a cultura judaico-cristã é abordada. Haroldo explica que o essencial é captar a essência universal da mensagem de Jesus (confiança em Deus, humildade, afabilidade, doçura, perdão, tolerância), que transcende as particularidades culturais. Ele cita Paulo de Tarso como exemplo de quem pregou valores universais aos gentios.
- Fluido Cósmico Universal e imanência de Deus: A dificuldade de compreender o Fluido Cósmico Universal é discutida, ressaltando que, para Espíritos menos evoluídos, é uma matéria inabordável. A reflexão filosófica sobre a presença divina na criação é incentivada, mas a compreensão de sua estrutura mais íntima exige pureza moral e evolução espiritual.
- Expectativa do Messias libertador: Haroldo esclarece que Isaías nunca prometeu um Messias libertador político, mas sim que essa era a expectativa dos judeus da época de Jesus, o que gerou frustração. Ele compara essa situação com as expectativas atuais em relação a figuras que poderiam resolver problemas sociais e políticos, enfatizando que a tarefa de progresso é individual e coletiva.
- Recomendações de Bíblias: São sugeridas a Bíblia de Jerusalém (pela elegância do texto) e a Bíblia do Peregrino (pelas notas de rodapé excepcionais), com a ressalva de que qualquer tradução representa uma perda em relação ao original e que o ideal é consultar múltiplas versões.
- Por que muitos judeus não acreditaram em Jesus: A não aceitação de Jesus como Messias por muitos judeus é atribuída à expectativa de um libertador político em um contexto de dominação e escravidão, que os impedia de compreender a mensagem transcendente de Jesus.
- Reencarnações de Isaías: Haroldo afirma não ter informações seguras ou confiáveis sobre reencarnações posteriores do profeta Isaías.
- Deus fala e a mediunidade de Jesus: É esclarecido que Deus não fala diretamente de forma material, pois é imaterial e incorpóreo. Ele se manifesta através das circunstâncias e inspira seus instrumentos. Jesus, como médium de Deus, não era um “microfone” passivo, mas agia por livre vontade, expressando a sintonia com o amor e a sabedoria divina.
- Livre-arbítrio dos profetas e misticismo: A posse do livre-arbítrio pelos profetas não implica manipulação das mensagens, mas sim a capacidade de escolha. O mau uso do livre-arbítrio pode levar à falsidade profética, mas os verdadeiros profetas, mesmo com sua individualidade, buscam o bem.
- Semelhança entre o povo hebreu e o brasileiro: É traçado um paralelo entre a missão do povo hebreu de espalhar o monoteísmo e a missão do povo brasileiro de ser guardião e divulgador da Terceira Revelação (Espiritismo).
- Relação entre Estêvão e Isaías: Haroldo aponta uma grande proximidade de pensamento entre Estêvão e Isaías, especialmente nas falas de Estêvão registradas em Atos dos Apóstolos e ampliadas por Emmanuel em “Paulo e Estêvão”.
- Inspiração de Isaías nos dias atuais: A mensagem de Isaías é considerada extremamente atual, pois ele viveu em um tempo de corrupção, injustiça, megalomania e dificuldades econômicas. Sua voz questiona se focaremos em elementos falíveis ou escolheremos alicerces espirituais e eternos para guiar a vida.
Reflexões
- A busca pelo conhecimento deve ser ampla e crítica, consultando diversas fontes para formar convicções próprias, em vez de idolatrar um único autor.
- Os verdadeiros profetas são reconhecidos pela coerência entre sua vida e a mensagem que pregam, refletindo a essência universal dos ensinamentos divinos, que transcende barreiras culturais.
- A evolução espiritual nos leva a uma compreensão mais profunda das leis divinas, revelando que o bem é um “mar infinito de possibilidades”, enquanto o mal se restringe a poucas e repetitivas opções.
Ler transcrição do episódio
Olá, amigos! Este é o último episódio do nosso estudo do livro de Esaías, A Luz da Doutrina Espírita, neste ano de 2019. Em 2020, nós voltaremos com os nossos estudos e aproveitamos, então, este último episódio para responder a perguntas, perguntas das pessoas que nos assistem no canal espiritismo. tv e, também, das pessoas que formaram grupos de estudos sobre Isaías no Facebook, aí, sob a coordenação do Instituto Cê. Deus deixa de ocupar uma posição central essa exigência moral de ausência de orgulho e de ausência de egoísmo cessam.
Então, está valendo o orgulho, está valendo… Se você fez a sua pergunta e não foi contemplado, continua aí, que nós teremos outras oportunidades de responder a essas perguntas e nós selecionamos, aqui, algumas delas. Vamos, então, para a primeira pergunta. Perguntam, assim, que fontes são utilizadas para embasar os seus estudos em Isaías? Bom, essa não é uma resposta simples. Eu utilizo um programa norte-americano que é o maior programa de estudo bíblico que existe no mundo. É o Logos Bible. Nesse programa, há diversas séries de comentários bíblicos.
Na minha biblioteca, especificamente, eu tenho mais de 45 séries de comentários bíblicos. As séries mais importantes, International Critical Commentary, Hermeneia, Anchor Bible e várias outras séries. Mas, a dificuldade é que essas séries estão todas em inglês. Elas são muito volumosas, por isso que o programa é digital e a gente tem acesso ao livro digital. Eu Pesquiso por lá e, aí, eu tenho acesso aos grandes estudiosos, aos grandes pesquisadores do livro de Isaías, porque essas séries reúnem comentários de todos os livros da Bíblia.
Então, são séries com 90 volumes, 100 volumes, 70 volumes. Imagine se fosse para ter esses livros físicos aqui. Então, o Logos Bible é essa plataforma que permite a pessoa acessar. É uma plataforma cara, bastante cara, mas, ela oferece todos esses recursos. Então, essa é a minha grande fonte de pesquisa. Há uma publicação em português que eu gosto, que é muito séria, tem subsídios valiosos, que é essa aqui. Eu tenho ela fisicamente, da editora Cultura Cristã. É um comentário de Isaías. Olha, são dois volumes, este aqui é só um volume, são dois volumes do John Oswald, que é um grande comentarista do livro de Isaías.
E, como ela está em português, é uma série de comentários do Antigo Testamento, foi editada pela editora Cultura Cristã. Então, vale a pena conferir. Se você tiver a oportunidade de comprar, é uma boa introdução, mas, eu sempre lembro uma coisa. Nunca podemos ler apenas um autor. Só isso que eu quero que você grave. Nunca leia só um autor. Nunca leia somente um autor. Porque você fica entusiasmado com aquele autor e você vira um papagaio daquele autor. O ideal é você ler o máximo de comentários possíveis, para que você tenha uma visão panorâmica ampla e você possa formar suas próprias convicções, você possa construir seu próprio conhecimento, ok?
Por isso que eu não gosto de ficar indicando um ou outro autor, porque as pessoas começam a endeusar, a idolatrar um autor e esquecem de usar um dom precioso que Deus nos deu, que é o dom de pensar, de avaliar, de examinar. Combinado? Então, quem puder, acessar eu logo os Bíblios, tem essa quantidade toda, mas a dificuldade é porque está tudo em inglês e tem esse aqui da editora Cultura Cristã. Aliado a isso, eu uso toda a tradição judaica para compreender o Livro de Isaías. Aos poucos, ao longo do nosso estudo, eu vou dando referências, mas aí a dificuldade é maior, porque essas referências estão em hebraico.
Fora isso, claro, a obra de Kardec, a Psicografia de Francisco Cândido Xavier e outras obras subsidiárias. Essa, então, é a nossa fonte de estudo do Livro de Isaías. Mas, eu também não posso me furtar a verdade. Muita coisa que eu digo aqui é construção da minha reflexão dos meus estudos de mais de 35 anos. Não vai achar que tudo o que eu estou falando aqui, você encontra em livros, porque também tem um trabalho de décadas de estudo e de reflexão, de leitura desses livros e de pontes que eu faço entre a literatura católica e protestante e a literatura espírita.
Vamos, então, para a próxima pergunta. Quem são os profetas da atualidade? Nos tempos atuais, ainda precisamos de profetas? Se sim, como identificá-los? Bom, a primeira coisa que nós precisamos ter em mente é o que significa o profeta. O profeta é aquele indivíduo, homem ou mulher, inspirados pelas forças superiores para trazer ideias, sentimentos e comportamentos novos para os seus contemporâneos. No passado, a ação desses profetas era mais limitada, mas, como foi dito na própria literatura bíblica, eis que no final dos tempos derramareis sobre toda a carne do meu espírito, que está dito lá na profecia de Joel.
Então, hoje, nós vivemos uma profusão. Por quê? Porque já foi construído o alicerce da casa, porque as paredes já foram levantadas, porque a casa já está praticamente pronta. Então, os profetas de hoje complementam, agregam elementos a este grande edifício que foi construído ao longo de quatro mil anos. Isto nós precisamos ter em mente. Mas, se você me pergunta, Francisco Cândido Xavier era um grande profeta? Por que não? Um grande profeta? A quantidade de revelação, de conhecimento que veio pelas mãos desta criatura, eu o comparo a um grande profeta do Antigo Testamento ou do Novo Testamento.
Como que nós o reconhecemos? Pela coerência entre a sua vida e a mensagem que ele prega. Este é o critério. E, o critério não é meu, é o critério de Jesus. Conhece-se a árvore pelo seu fruto? É assim que se conhece a árvore. Como é que nós conhecemos o verdadeiro profeta? Pela sua vida. Se a vida dele, a maneira como ele se comporta e vive é coerente com a mensagem que ele prega, é um verdadeiro profeta. Se não é, é um falso profeta ou um estagiário de profeta, porque ele pode estar transmitindo uma mensagem e na boa vontade, com a intenção pura de viver aquela mensagem, embora ele ainda não consiga viver integralmente.
Correto? Então, nós não podemos matar uma plantinha porque ela está crescendo e ainda não é capaz de dar frutos. Não é isso? O que nós precisamos distinguir é o falso profeta, aquele que, intencionalmente, quer manipular e enganar as pessoas, falando algo e se comportando de maneira totalmente diferente. Mas, não é o nosso caso, que divulgamos a mensagem e temos a intenção de viver, mas somos muito imperfeitos, somos ainda carregados de defeitos e, muitas vezes, não conseguimos exemplificar. Mas, isso, essa é a evolução, não tem outro caminho.
A próxima pergunta é o que fazer se entrei no Espiritismo e não tenho uma afinidade com a cultura judaico-cristã? Ótima pergunta! É por isso que Jesus enviou Paulo de Tasso para pregar aos gentios. Por quê? Porque havia pessoas que não se identificavam com a cultura judaica. Nós tínhamos pessoas que viviam no mundo grego, portanto, se identificavam com a comida grega, com a veste grega, com a literatura grega, com as casas gregas, com a maneira de viver na Grécia. Paulo também falou na Europa, na Espanha, com pessoas na Gália, com pessoas que tinham uma alimentação diferente, que viviam de uma maneira diferente, então, qual é a dica aqui?
Capta a essência, porque você não precisa ter afinidade com a cultura judaica e nem com a cultura cristã. O que nós temos que captar é a essência. Eu vou dar um exemplo para não ficar muito abstrato. No Evangelho segundo o Espiritismo, nós encontramos uma mensagem falando sobre duas virtudes, afabilidade e doçura. E, eu te pergunto, afabilidade e doçura é só para judeu e cristão? Quer dizer que o budista está dispensado de ser afável e dócil? A pessoa que mora na China, afabilidade e doçura não é uma virtude para ela?
A pessoa que mora na Rússia, afabilidade e doçura é uma virtude para qualquer pessoa do planeta Terra. É uma virtude que nós apreciamos até em um pet, em um cachorrinho, em um gato. Percebeu? Então, o que fazer? Separar o que é cultural, separar o que é veste, vestimenta, alimentação, hábito social, o que é cultural do que é essência, a essência da mensagem. Então, a essência da mensagem de Jesus é confiança em Deus, humildade, afabilidade e doçura, obediência e resignação, perdão, tolerância. Essa é a essência. Então, não importa se você é budista, se você é muçulmano, se você não é de religião nenhuma, se você é só uma pessoa científica ou filosófica, não importa.
Você pode continuar se vestindo como você gosta, você pode continuar comendo as coisas que você gosta, você pode continuar ouvindo a música e consumindo a arte que você gosta, você pode continuar vivendo a cultura que você gosta, porque esses valores são universais. E esse é o mérito de Paulo de Tás. Ele pregava valores universais e não culturais. Então, você está certo. Quando chega alguém levando a mensagem de Jesus e exigindo que você vista dessa maneira, use a roupa tal, coma isso, não coma aquilo, ouça tal música, isso aí é pregação cultural, isso não é Jesus.
Levar a mensagem de Jesus é levar a essência universal, universal. E, para viver o Evangelho, ninguém precisa se tornar cristão. Ninguém precisa se tornar cristão, porque Jesus nem quer isso. Ele prefere que as pessoas absorvam e vivam esses valores na sua vida. Isso é o essencial. Próxima pergunta. Como me aprofundar no conceito de fluido cósmico universal e a ligação com a imanência de Deus? Temos alcance para tanto? Temos, se você abordar o tema de uma maneira filosófica, porque o André Luiz diz que a matéria elementar do universo, o fluido cósmico, é, para os Espíritos da esfera dele, uma matéria inabordável.
O que é inabordável? Nós não sabemos. Eu vou te dar um exemplo de algo inabordável para a ciência hoje, a energia e a matéria escura. E, a energia e a matéria escura ainda não é fluido cósmico. A energia e a matéria escura é uma modificação grosseira do fluido cósmico, só para você ter ideia do que é o fluido cósmico. E, a ciência não consegue definir. Qual é a natureza da matéria escura? Porque ela não é feita de nenhum elemento da matéria que nós conhecemos. Então, o que é? Não sabemos. O fluido cósmico também não.
Mas, filosoficamente, filosoficamente, você pode pensar, refletir. Se existe a matéria, que é 4%, a matéria que nós conhecemos é 4% do universo. Aí, já descobriram agora a matéria escura, a energia escura, que totaliza, aí, os outros 96%. E, para além disso tudo, tem o fluido cósmico. Isso é só para a gente entender como que nós estamos mergulhados no pensamento divino e como ele se faz presente na criação infinita. Isso é para a gente ter uma ideia. Agora, se você quiser saber a estrutura química do fluido cósmico, aguarda aí uns dois bilhões, dois bilhões e meio de anos, que você vai conseguir ter uma aulinha disso, mas, aí, você vai ter que ser, já, um Espírito puro para poder começar a ter acesso a esses conhecimentos.
Por quê? Porque a vida não revela seus mais íntimos segredos a Espíritos que ainda não possuem pureza moral. Essa é a regra. Vamos lá. Isaías disse que o Messias seria um outro libertador? Não. Não. Porque a pergunta está dividida em várias partes. Isaías disse isso? Não. Isaías nunca disse isso. Quem dizia isso eram as pessoas que viviam no tempo de Jesus. A expectativa que elas tinham era qual que era a expectativa? De que o Messias seria alguém que as libertaria do domínio humano. Isso era a expectativa das pessoas.
Essa nunca foi a mensagem de Isaías. E, aliás, essa foi a grande frustração com Jesus, porque qual que é o problema das expectativas? Quando elas são ilusórias, a gente se desilude. Desilusão é isso. É quando você tem que ajustar a sua expectativa à realidade. Então, eles tinham a expectativa de um Messias libertador, tiveram que ajustar a expectativa deles à realidade. Então, esse é o primeiro ponto. Isaías nunca disse isso. Não encontrei essa referência em Isaías. Não encontrou, porque realmente não tem, né? Não entendi.
Será que foi isso que Haroldo falou? Falou, mas está em Emmanuel, plataforma do mestre. Esperavam um Messias libertador. Isso. Isso, sim. Os judeus esperavam um Messias libertador, mas não foi esse Messias que Isaías prometeu. Ficou claro, agora? Então, a expectativa deles era uma. A mensagem do céu era outra. Vamos lá. Qual a Bíblia que você recomenda? Eu, a mesma coisa vale para a resposta da pergunta sobre as fontes que nós estamos utilizando para estudar Isaías. Nunca use apenas uma Bíblia. Porque você vai ficar com uma visão distorcida do texto.
O ideal, o ideal, seria que todos nós lêssemos nas línguas originais. Esse seria o ideal. Mas, aí, é fantasia, não é? Querer que a humanidade inteira leia em grego o Novo Testamento e leia o velho em hebraico, aí, a expectativa está fora da realidade. Mas, o ideal seria isso. Eu estou dizendo isso para, toda vez que você pegar uma tradução, eu gostaria que você pensasse o seguinte. Não importa a tradução que você tem. Se é tradução, você já perdeu 30%. Coloque isso na cabeça. Eu vou te indicar aqui duas traduções, mas, você tem que entender isso.
Não importa qual a tradução, até mesmo a minha. Até mesmo a minha. Se você está com a tradução, você já perdeu 30%. Já perdeu 30%, ok? Só para ajustar as expectativas. Então, você já sabe que a tradução é, se ela for boa, ela é 70% do original. Se ela for boa, se ela for honesta. Porque, tem traduções que são 50%, 20% do original. Tem tradução que é 2% do original. Porque o tradutor entrou num delírio, achou que era autor e reescreveu a Bíblia. Isso acontece muito. Então, eu vou te indicar duas, mas, sabendo isso, você já perdeu 30%.
A Bíblia de Jerusalém é um texto elegante, é um texto direto, que ajuda a compreensão. Ele tem alguns problemas de tradução, mas, ele é um texto mais elegante. Infelizmente, as notas de pé de página são pobres. A outra Bíblia é a Bíblia do Peregrino. A Bíblia do Peregrino, as notas de pé de página são excepcionais, excepcionais. Mas, a tradução é meio livre, é um pouco livre, não é tão elegante, precisa, como a da Bíblia de Jerusalém. Então, o que a gente faz? Junta as duas, porque, aí, você consegue ter uma visão mais geral do texto e consegue ter notas de rodapé muito ricas.
Então, Bíblia do Peregrino, Bíblia de Jerusalém. E, aí, ao longo do tempo, você vai pegando João Ferreira de Almeida, vai pegando outras. Hoje, como eu uso o programa Logos Bible, eu acesso 85 traduções diferentes, 85 traduções diferentes. E, muitas vezes, enquanto eu estava traduzindo o Novo Testamento, eu não gostei de nenhuma delas e tentei fazer algo que fosse mais próximo do original. Porque eu não fiquei satisfeito. Então, é assim, a tradução é isso. Por que muitos judeus não acreditaram que Jesus era o Messias?
É o que nós estávamos comentando aqui. Se vocês não entenderem, gente, o povo judeu viveu muito tempo na escravidão, no domínio. Eu vou dar um exemplo aqui. Digamos que você está há 15 horas sem comer, 15 horas sem comer. Aí, você chega num restaurante morrendo de fome e pede um prato. Aí, antes de te servir, o garçom quer fazer uma palestra para você de uma hora e meia. O que vai acontecer? Você vai ficar irritado, você não vai gostar. Por quê? Porque você quer atender a uma necessidade imediata. O povo judeu, ao tempo de Jesus, vivia uma dominação, uma escravidão.
Então, a preocupação deles, imediata, era a libertação política. Essa era a fome deles. Essa era a necessidade premente deles. Então, toda a expectativa deles era de um fenômeno político e econômico. Mas, não é o que está acontecendo agora no Brasil? É exatamente isso. Em que as pessoas estão com uma premensa tão grande política e econômica que elas não conseguem pensar em mais nada, só nisso. Correto? Então, criaram essa expectativa. Quando chega Jesus falando de uma mensagem transcendente e dizendo que não tem compromisso com política, frustraram.
Frustraram. Frustraram. E eu digo mais, se Jesus viesse hoje, muitos espíritas iam se frustrar com Ele. Porque, eu esperar que Jesus fosse fundar um partido, assumir a política, resolver o problema político do Brasil, resolver a economia, Jesus não iria fazer isso. Porque essa tarefa é nossa. Essa tarefa é nossa. Nós, enquanto povo, cada cidadão, tem que progredir, tem que atingir um patamar maior de respeito, de responsabilidade, de educação cidadã, para poder merecer e eleger um governo melhor. Esse é o papel evolutivo nosso.
Então, Ele frustraria, da mesma maneira, frustraria muita gente. É isso que aconteceu. A Doutrina Espírita tem alguma informação sobre reencarnações posteriores do profeta Isaías? Não tem nenhuma, assim, segura, confiável. Eu estou falando a meu ver, ok? Meu ver. Eu não tenho nenhuma que eu confie, que eu acho fidedigno e falo, e o Chico não psicografou nada, não deixou nada, porque ele não queria se identificar, não é mesmo? Tenho refletido na abordagem do estudo 1, quando Haroldo afirma que Deus não fala, assim como o profeta não é um microfone.
Jesus não afirmou que Ele e o Pai são um? Então, se Deus não fala, como Jesus poderia ser médium de Deus? Bom, então, aqui eu estou percebendo, nessa pergunta, uma pequena confusão, uma confusão sobre o que é ser médium e o que é médiumidade. É isso que nós estamos falando. Então, vamos voltar lá. Deus fala? Fala diretamente? Deus fala diretamente? Pensa nisso. Se você é brasileiro e Deus for falar com você, o que Ele tem que fazer? Ele tem que materializar uma boca, dente, língua, e mais, Ele tem que falar em português, senão você não vai entender.
E, se Deus for falar na Indonésia, o que Ele tem que fazer? Materializar uma boca, dente, língua, faringe, corda vocal e falar no idioma da Indonésia. E, se Ele for para a Rússia? Se Ele for para a China? Para a Austrália? Percebeu? Se Ele for para um país na África, que fala um dialeto africano, Deus não fala diretamente, porque Deus é imaterial e incorpóreo. Está lá a questão 13 do Livro dos Espíritos. Deus é imaterial e incorpóreo. Então, Deus não tem boca, Deus não tem dente, Deus não tem língua, Deus não tem aparelho fonador, porque Deus é incorpóreo.
Então, Ele fala como? Ele fala através da sílaba, circunstâncias, porque Ele é Deus. Ele controla tudo. Então, Ele fala através das circunstâncias. Mas, você percebeu que é uma fala sutil? Não é mais uma fala como eu estou falando com você. É uma fala sutil. E, Ele fala através dos seus instrumentos. Mas, esse instrumento é um microfone? Jesus foi médium de Deus, mas, Jesus era um microfone? Passivo, Deus chegava assim e falava, Oi, pessoal, testando o som, testando o microfone de Jesus, agora eu vou falar, é assim que Ele falava?
Não, não é assim. Então, o Cristo estava conectado com Deus e estava em sintonia com o amor e com a sabedoria de Deus. E, o Cristo agia por livre vontade. Ele agia de acordo com a individualidade dEle, expressando Deus. É esse o sentido. Então, não é um processo mecânico de fala. Deus inspira o instrumento, inspira sentimentos, inspira ideias e se manifesta através das circunstâncias. É assim. Bom, na colocação, o profeta possui livre-arbítrio, gerou-me uma dúvida. Então, os profetas manipulavam as mensagens que recebiam para causar temor e respeito?
Seria o caso de misticismo? Mas, eu não entendi aqui como que está relacionando o livre-arbítrio com o misticismo. Que visão é essa? O livre-arbítrio significa que não há nós não somos robôs, nós não somos máquinas, nós somos filhos de Deus, criados a sua imagem e semelhança, co-criadores. É por isso que nós somos criados simples e ignorantes e temos que evoluir, aprender, adquirir sabedoria e amor para exercer o livre-arbítrio. É isso. Não é porque o profeta tem livre-arbítrio que ele vai usar para o mal, que ele vai usar para o misticismo.
Isso aí é o mau uso do livre-arbítrio. Quando um profeta usa mal o livre-arbítrio, ele se transforma em um falso profeta. Mas, não é o caso dos profetas da Bíblia. Não é o caso. Mas, eles tinham o livre-arbítrio. Claro que eles tinham o livre-arbítrio. Eles não são máquinas, não são objetos, eles não são um copo que Deus pega, tira daqui e põe ali. São seres humanos. Tem sentimentos, tem afeto, tem pensamentos próprios, tem gostos, tem preferências, tem estilo, tem personalidade. É isso. Tem livre-arbítrio. Tem livre-arbítrio.
Cada um é diferente. Não são objetos manipulados pelo Criador. Mas, o fato de ter livre-arbítrio significa que eu vou usar mal. Quanto mais superior você for como Espírito, mais livre-arbítrio você tem. E, menos você transgride a lei. Olha que lindo! Mas, como é que é isso? Ora, mas, seguir a lei é uma coisa monótona? Não! Seguir a lei divina é um mar infinito de possibilidades. É um mar infinito. Nós não tínhamos Alcione fazendo um curso de música lá em Sirius? Pode ter um companheiro, um Espírito do mesmo nível que ela fazendo um curso de matemática em outra constelação.
Qual o erro disso? Um está estudando música, o outro está estudando matemática. O outro está estudando medicina. É livre-arbítrio. E todos estão fazendo o bem. Porque a gente tem uma ideia de que fazer o bem é uma coisa limitada. Seguir a lei de Deus é uma coisa limitada. O mal é que é cheio de opções. Pelo contrário. O mal é pouquíssimas opções. O mal é um negócio, assim, sem graça. Porque é a mesma coisa. É a mesma coisa. Você faz aquilo, resgata, o mal entra em sem graça. O bem é que é infinito, que é rico de opções e de possibilidades.
É correto pensar que o povo hebreu é muito semelhante ao povo brasileiro? Em certo sentido, sim. Em certo sentido. Claro que nós não podemos comparar coisas separadas na história, não é? Mas, em certo sentido, por quê? Porque ao povo hebreu foi dada a missão de espalhar o monoteísmo sobre a terra. E, ao povo brasileiro, foi dada a missão de levar o consolador prometido e de viver o consolador prometido. De abrigar o consolador prometido. Então, nesse sentido, tem uma semelhança, sim. Um foi responsável pela primeira revelação.
O outro é o guardião da terceira revelação. Recebeu a terceira revelação para cuidar e para espalhar essa luz. Que relação você vê entre Estêvão e Isaías? Relação no pensamento. Se você lê em Atos dos Apóstolos, o que Estêvão fala na sua defesa no Cinegro, e se você lê no livro Paulo e Estêvão, a fala de Estêvão na Casa do Caminho, quando ele está conversando com Saulo, e depois a defesa dele no Cinegro, que Emmanuel amplia, coloca mais detalhes daquilo que está resumido em Atos dos Apóstolos, quando você soma essas duas falas, você vê que tem uma proximidade muito grande de pensamento entre Estêvão e Isaías.
Conhece algum estudo a respeito dos treze salmos que Jesus declama entre a Santa Ceia e a Cruz? Não, particularmente, não. Eu não conheço nenhum. Em que o profeta Isaías pode nos inspirar nos desafios dos dias atuais? Ótima pergunta! O profeta Isaías vem num tempo em que nós estamos vivendo um problema político muito grande. O profeta Isaías vive num tempo em que há uma corrupção muito grande, corrupção de todos, inclusive de juízes, dos julgadores. O profeta Isaías vive num tempo em que há muita injustiça, muitas crianças viúvas, muita injustiça, e aqueles que eram responsáveis por proteger o povo eram os que mais se desviavam.
O profeta Isaías vive num tempo em que as relações internacionais eram de verdadeiras crianças. Os poderosos da época eram megalômanos, só queriam poder. E o profeta Isaías vive num tempo de penúria, de dificuldade econômica. Então, qualquer semelhança é mera coincidência. Não é? Dá uma olhada no cenário internacional. Dá uma olhada no nosso cenário aqui. O que nós estamos experimentando? Só que o profeta Isaías é a voz que chega e diz assim, vocês vão focar nisso? Vocês vão eleger esses elementos para balizar em sua vida?
Ou vocês vão escolher alicerces espirituais e eternos para fundamentar a sua existência? Essa é a mensagem radical do Isaías. E essa é a mensagem para nós. O que você vai escolher? Pessoas, seres humanos falíveis, estruturas institucionais falíveis, ou um padrão ético-moral eterno para guiar a sua vida? Essa é a mensagem de Isaías. Essa é a atualidade da mensagem de Isaías para os dias de hoje. Até 2020, no nosso próximo episódio, nós continuaremos no estudo de Isaías e regularmente faremos algumas paradas para interagir, para responder perguntas.
Feliz ano novo!
Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.

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