#007 – Estudo do Velho Testamento – Livro Isaías

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Neste episódio, Haroldo Dutra Dias aprofunda o estudo do livro de Isaías, dando continuidade à análise das expectativas messiânicas no povo hebreu. Ele convida à reflexão sobre a repetição de comportamentos e erros do passado, especialmente a busca por soluções externas para problemas que exigem transformação interior.

O que é estudado neste episódio

  • A crítica às expectativas messiânicas do povo hebreu, que esperava um Messias libertador político, econômico e social, e a comparação com a busca por soluções externas nos dias atuais.
  • A superficialidade da ideia de um “Messias sofredor” que apenas sofre por nós, sem nossa implicação na própria libertação.
  • A profecia de um Messias “semelhante a Moisés”, não em aparência ou renome, mas na capacidade de libertar o povo da escravidão, porém, de uma escravidão de natureza diferente.
  • A virada de perspectiva apresentada por Isaías: a libertação que o Messias traz é de um gênero diferente, mais ousado e superior às expectativas materiais.
  • A contribuição da Doutrina Espírita para a compreensão de Isaías, através dos conceitos de reencarnação, imortalidade da alma, lei de causa e efeito, resgate (expiações e provas) e redenção espiritual.
  • A limitação de um libertador político ou material, que não pode garantir hegemonia eterna em um mundo em constante mudança e deterioração.
  • A distinção entre egoísmo (querer ser melhor) e orgulho (crer que somos melhores), e como isso gera disputas e impérios.
  • Os dois elementos da libertação proposta por Isaías, à luz da Doutrina Espírita:
    1. Não existe liberdade sem resgate dos débitos espirituais, purificação da alma e quitação com a lei divina.
    2. A verdadeira liberdade é a redenção da alma, a solução de questões do Espírito imortal, que, por sua vez, reflete na vida material.
  • A ideia de que o povo hebreu, vindo de Capela, possuía a maior soma de compromissos espirituais, especialmente por serem religiosos que erravam com consciência.
  • A proposta do Messias de Isaías: purificar a alma e o passado, espiritualizar o ser e, simultaneamente, trabalhar no mundo material para criar novas causas e construir o futuro.
  • A “cruz” do Messias como a aceitação dos próprios débitos, imperfeições e dificuldades para purificação, e como Jesus, que não precisava de cruz, tomou a cruz das nossas imperfeições para ensinar a construir o futuro carregando o passado.
  • A grandeza do Messias de Isaías como o “servo sofredor”, que assume servir a Deus e encarar o resgate e a purificação espiritual.

Reflexões

  • A verdadeira libertação não reside em soluções externas ou políticas, mas na purificação da alma e no resgate dos débitos espirituais, um processo individual e intransferível.
  • A Doutrina Espírita oferece uma chave de leitura profunda para o Velho Testamento, revelando a dimensão espiritual das profecias e a natureza da libertação proposta pelo Messias.
  • O Messias de Isaías nos convida a uma transformação interior radical, onde a construção do futuro se dá em paralelo à aceitação e purificação do passado, abraçando a própria “cruz” com dignidade e trabalho no amor.

Ler transcrição do episódio

No episódio anterior, nós comentamos sobre expectativas messiânicas no povo hebreu e eu espero que tenha ficado muito claro para você o fundamento dessas expectativas. Por que eu digo isso? Porque é muito fácil nós que estamos vivendo aqui nos em 2019, no século 21, olharmos lá para trás e criticarmos as pessoas por elas terem tido expectativas messiânicas de um que viria, libertaria o povo, mesmo que fosse necessário a guerra, mesmo que fosse necessário matar e derramar sangue para conferir hegemonia política, econômica e social ao povo hebreu.

E, a gente olha para o Velho Testamento, ah, o Velho Testamento é religião e quando se aproximam a eleição no Brasil, nós repetimos o mesmo comportamento, agimos da mesma maneira, aplaudimos ideias e valores, porque acreditamos que porque a economia está mal, eu posso, então, abrir mão dos meus valores espirituais, porque a política não anda bem, então eu devo adotar uma conduta que não é aquela. E, aí, nós cometemos o mesmo erro dos nossos ancestrais. Primeiro, porque não compreendemos a raiz do erro. Segundo, porque não respeitamos o sentimento que ocorreu naquelas pessoas e que as fizeram agir e acreditar nessas promessas.

Terceiro, porque não tivemos compaixão com o erro do passado. E, quem não tem compaixão, não compreende e não entende o passado, comete o mesmo erro, comete o mesmo erro. E, nós temos visto isso aqui no Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho. Os mesmos problemas de expectativas messiânicas do povo hebreu se repetindo aqui, aqui. A mesma coisa. Então, é importante olharmos com profundidade para isso, olharmos com profundidade. O que é desafiador em Isaías? O que é desafiador? E, quando eu falo nisso, eu até arrepio, porque é realmente desafiador.

É que ele vai apresentar um Messias que não é simplesmente um Messias. Eu poderia dizer aqui, e alguns autores dizem, mas, para mim, isso é um título superficial, é um título comercial da Coca-Cola, mas que não entra, também, no fundo da questão. Convencionou-se dizer que Isaías apresenta um Messias sofredor, um Messias que vem, sofre todas as nossas incongruências, sofre todas as nossas imperfeições, apresenta valores outros e é, simplesmente, trucidado, massacrado pela nossa maldade, pela nossa desobediência, pela nossa rebeldia, pela nossa revolta com os designios de Deus.

Então, quando eu digo um Messias sofredor, ele vem e sofreu. É como se eu não estivesse implicado. Então, o Messias vem, ele sofre e acabou. Não me envolva nisso. Não me envolva nisso. Então, é por isso que eu digo aqui, de uma maneira forte, que isso parece um comercial de Coca-Cola. Tudo lindo, tudo maravilhoso, porque o problema é do Messias, não é meu. Acontece que a libertação do Messias de Isaías, a libertação que o Messias vem trazer, porque, recorde-se, o Messias vem trazer uma libertação. Se ele não trouxer um êxodo, se ele não trouxer a libertação de uma escravidão, ele não é semelhante a Moisés.

E, a profecia era esta, Eis que suscitarei um profeta do meio de vós, semelhante a Moisés. Não é semelhante o que teria a aparência física de Moisés. Não é semelhante o que teria o temperamento de Moisés. Não é semelhante o que teria o renome social, o número de likes de Moisés. Porque veio o Cristo e não teve nem 1% dos likes de Moisés. Não teve nem 1% das curtidas de Moisés. Mas, semelhante no sentido de que ele encontraria o povo na escravidão e ele libertaria o povo dessa escravidão. Mas, ao contrário de Moisés, ele morreria não glorificado pelo povo, mas ele morreria trucidado pelo próprio povo.

Por quê? Que libertação era esta? Que libertação era esta? Então, aqui nós temos uma virada, uma grande virada. E, eu, particularmente, aqui eu vou dar a minha leitura. Eu espero que você construa a sua, porque eu não quero impor a minha leitura a você. Aqui que eu acho que a Doutrina do Espírito tem a extraordinária compreensão, uma luz profunda, para que a gente possa compreender esses dois elementos. De um lado, a expectativa messiânica de um Messias que libertasse igual a Moisés, trazendo hegemonia política, social e econômica ao povo hebreu.

E, de outro lado, um outro gênero de liberdade, um outro gênero de libertação. E, eu acho que, quando a Doutrina Espírita traz os conteúdos, como, por exemplo, reencarnação, imortalidade da alma, lei de causa e efeito, resgate no sentido de expiações e provas, redenção espiritual através do expurgo dos erros do passado. Quando a Doutrina Espírita traz esses elementos para o debate, ela aprofunda, de uma maneira nunca antes vista, a discussão que está em jogo aqui no profeta Isaías, incluindo a profecia, incluindo a previsão dele de um Messias novo, de um Messias que não era bem à expectativa.

Por que ele não era à expectativa? Porque ele era infinitamente superior à expectativa e, por ser superior, ele não seria compreendido. Quer dizer, a proposta era muito mais ousada, era muito mais extraordinária do que eles estavam esperando. Então, vamos começar a examinar isto aqui. Porque, se você abrir o livro Paulo Estevam e ler o discurso de Estevam na Casa do Caminho e a defesa de Estevam no Cinédrio, ele vai tocar nisso. Ele vai tocar nessas questões aqui que eu vou falar agora. Qual é o problema de um libertador político?

Que é o problema que nós vivemos no Brasil hoje. Qual é o problema de chegar um iluminado e melhorar a economia, melhorar a política e resolver? É que nós vivemos em uma comunidade internacional. Crises econômicas são cíclicas, crises políticas são cíclicas, porque os mandatos se renovam, chegam pessoas novas e as coisas podem piorar. Ademais, a vida física é frágil e cheia de intempéries e cheia de irregularidades. Este é o grande ponto. Então, o que adiantava levar Israel a uma hegemonia política, social e econômica?

Ele manteria essa hegemonia material pela eternidade? Se a própria matéria está em constante mudança? Se a própria matéria está se deteriorando e está mudando? Se nós envelhecemos e morremos? Como garantir uma hegemonia material eterna? Então, a primeira metáfora usada por Estevão no seu discurso diante de Saulo é – olha, Saulo, seria muito engraçado ver o Messias vindo num carro com um cavalo, olha que coisa curiosa, porque hoje a gente acharia graça – que hegemonia é esse cavalo com a biga, sendo que hoje o símbolo da hegemonia é um jato particular?

Está vendo como é que muda? Isso é da natureza da matéria. Mas, ironicamente, ele diz então vem esse Messias com seus cavalos, com seus exércitos e a biga dele ou a carruagem dele, a roda passa num buraco ou numa pedra, quebra e o Messias cai no chão. Então, ele apresenta isso. É isso? É isso que Deus prometeu para o seu povo? Essa é a promessa de Deus? Um Messias que pode cair do cavalo? Literalmente? Não é? Ou um ser humano poderoso num jato particular, num jato que pode cair, porque uma turbina estraga e cai o jato?

É isso? Uma liderança que pode ter um AVC, entrar em coma e morrer? É essa a libertação? Esse é o êxodo? E, aí, a gente já começa, então, nessa luta, nessa disputa pelos impérios, dos impérios uns com os outros, que é a velha disputa do egoísmo e do orgulho, porque é o egoísmo que nos faz nos dividirmos e criarmos hegemonia, um querendo ser melhor do que o outro. Isso gera o orgulho, a vaidade, onde a gente passa, verdadeiramente, a acreditar que é melhor do que o outro. Então, o egoísmo nos leva a querer ser melhor e o orgulho nos faz crer que somos, de fato, melhores do que os outros.

É isso. Então, começou aqui o problema. Então, eu ia ter um Messias como Davi, que construiu um reinado maravilhoso e que cometeu todos aqueles êxodos e um reino que acabou. E um reino que acabou. Então, Isaías, na sua perspectiva do Messias, ele vem apresentar um êxodo, uma libertação, que eu dividiria em dois elementos. E, agora, eu vou falar em uma linguagem bem espírita mesmo. Primeiro elemento. Não existe liberdade se você não resgatar seus débitos. Esse é o primeiro ponto. Para aspirar a liberdade de espírito, eu preciso quitar com a lei divina.

Eu preciso resgatar meus débitos. Percebe? Porque não adianta. Se você utilizou mal dos recursos materiais ou financeiros para prejudicar o outro, não adianta eu te colocar num regime social equilibrado. Você vai resgatar. Ninguém vai te livrar, vai te isentar desse débito. Não vai ser uma mudança na comunidade, uma mudança social ou um decreto presidencial que vai apagar o seu débito espiritual. O seu débito espiritual terá que ser resgatado por você, seja pelo trabalho no amor, seja pela dor. Então, não existe imunidade espiritual ao resgate.

Não, vamos arrumar uma solução, vamos arrumar um jeitinho político, social. A gente cria aí um regime político, um regime econômico, e aí eu me isento de quitar com a lei. Não! Não tem como! Agora, é fácil ouvir isso? Todas as pessoas estão preparadas para ouvir isso? Ou para aceitar isso? Então, o que eu estou dizendo aqui? Para você assumir sua liberdade plena, você tem que purificar a sua alma, purificar o seu passado. Se você tem dúvida, lê lá o livro O Céu e o Inferno ou o livro Ação e Reação. O Espírito não tem paz enquanto ele não purifica o seu passado, enquanto ele não purifica a sua alma.

E, aqui, nós precisamos trazer um elemento, que é a contribuição espírita para o estudo bíblico. Por isso, nós estamos estudando Isaías, a luz da doutrina espírita. O que Emmanuel diz no capítulo 7 do livro A Caminho da Luz? Que de todos os grupamentos vindos de capela em degredo, o povo hebreu era o que possuía a maior soma de compromisso espiritual com a lei divina, que, aliás, não é novidade. Quem são os que adquirem mais débitos com a lei? Os religiosos. Os religiosos. Por quê? Porque ele conhece e, mesmo assim, ele erra.

Ele sabe o que é o egoísmo e, mesmo assim, ele é egoísta. Ele sabe que não pode perseguir as pessoas, que não pode ter falta de caridade e, mesmo assim, ele persegue, ele calunia. Ele vai no Facebook, ele vai no Instagram, ele vai nas mídias e, lá, ele destila ódio, ele persegue, ele calunia, mesmo se dizendo espírita. Percebe? Então, ele erra com consciência, ele erra convicto, porque ele sabe, ele sabe que isso não é uma conduta de um Espírito superior, mas ele faz. Então, esse povo e fora os outros problemas. Então, quem que explodiu o 11 de setembro foi o quê?

Foi materialista que foi lá e explodiu? Não! Não foi! Foi religioso. Noite de São Bartolomeu, inquisição, perseguição religiosa, quem que provoca esse tipo de coisa? Religiosos! Então, esse grupamento, que é o grupamento religioso, que veio de capela, esse grupamento era o que possuía a maior soma de débito. Então, o que Isaías está dizendo aqui? Mas, espera aí, você quer liberdade sem quitar com a lei? Você quer liberdade sem quitar os débitos? Você quer se libertar de uma dificuldade de saúde sem quitar o seu débito?

De uma dificuldade de relacionamento, de dinheiro? Então, a liberdade, para ser atingida, o pré-requisito é purificação da alma. Se a alma não se purificar, não há liberdade. Então, esse é o primeiro ponto. Esse é o primeiro ponto. Segundo, o verdadeiro êxito, êxodo, a verdadeira liberdade é a redenção da alma. É a solução de questões que são do Espírito imortal e não da matéria. Nós não estamos criando uma oposição aqui, não é isso, porque essa oposição não existe aqui. Para Isaías, se você é um Espírito puro, você tem que ter uma vida econômica, política, social pura também.

Não tem divisão. Não tem divisão. Ah, não, eu posso ser um comerciante espertalhão que compra o mais barato aqui para ter um lucro e para explorar o outro, mas, espiritualmente, eu sou puro. Não existe isso. O Espírito puro é puro em todas as suas práticas. Todas as suas ações refletem seus valores morais. Mas, o que ele está apontando aqui é limitação do mundo material. Limitação do mundo material. Então, veja que o êxodo, a libertação que o Messias veio trazer ou viria trazer na profecia de Isaías é uma libertação muito, muito mais radical, muito mais profunda.

Ela não se circunscreve a questões políticas, econômicas e sociais. Ela engloba, mas, não se circunscreve. Ela engloba porque, em libertando todos os Espíritos, vamos raciocinar aqui, todos os Espíritos, purificando seus débitos, todos os Espíritos se redimindo, consequentemente, redime a política, redime a economia, redime a vida social. Mas, muda a vida material? Não. Muda a vida material? Não, não muda. O planeta Terra material continua sendo material. Encarnar num corpo físico, você vai desencarnar, mesmo tendo um coração puro.

Você vai passar por nascimento, envelhecimento, doença e morte. Então, ou seja, as mudanças no mundo material passam a ser um reflexo de uma profunda mudança que ocorre antes na intimidade do ser. O que o Cristo vem propor é purifica teu passado e tua alma. Depois, espiritualiza o seu ser. E, simultaneamente, essas duas coisas, simultaneamente, trabalham no mundo material. Simultaneamente. Então, não é eu vou purificar primeiro, eu vou me redimir depois. Não. Por isso que a gente encarna. Aí, você encarna com débitos, você encarna com imperfeições e você precisa trabalhar, precisa ir para o centro espírita.

Aí, tem filhos, tem marido, tem mulher, tem relacionamento, tem sua vida social, tem que votar, tem que ser um cidadão, tem que participar, ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo. O que nós não podemos é inverter. Ah, não, vamos dar um jeitinho aqui, a gente resolve aqui a sociedade, a economia, porque aí eu não preciso purificar meu passado e minha alma. Aí, eu não preciso me espiritualizar. Não. Não é assim. E essa era a expectativa messiânica. A expectativa messiânica é eu não tenho nenhum problema. Eu não tenho que purificar nada em mim.

Eu não tenho que me espiritualizar. Eu só preciso que resolva o meu problema econômico, o meu problema social e o problema político. Eu só quero que venha alguém lá e resolve isso para mim. Eu não tenho que resolver isso. Essa era a expectativa. Qual que é a expectativa messiânica que Isaías apresenta? Não, não, não. O Messias vem, mas o maior trabalho é em você. Você tem que purificar a sua alma e o seu passado, você tem que espiritualizar o seu ser e, simultaneamente, você tem que trabalhar para melhorar a economia, a política, a sociedade e a comunidade onde você vive.

Hum! Aí, eu já vejo agora o roxinho, assim, todo mundo falando. Nossa! Mas, não vai ser fácil. Aí, vai ser difícil. É! Aí, vai ser uma cruz. Aquele que quiser me seguir negue a si mesmo, toma a sua cruz e siga-me. Que cruz é essa? Seus débitos, seu passado, suas imperfeições, suas dificuldades. Abraça a sua cruz. Para quê? Para purificar. Mas, basta purificar o passado? Não, precisa construir o futuro. Então, você tem que pegar a sua cruz e seguir Jesus, porque, senão, Jesus chegaria e falaria assim, olha, deixa a sua cruz para lá e vem me seguir leve, livre e solto.

Não é assim. Então, os seguidores do Messias seriam pessoas que ou são pessoas, vou dizer no presente, os seguidores do Messias, aqui, de Isaías, que é Jesus, está anunciando a vinda de Jesus, os seguidores do Cristo são seguidores que estão construindo o futuro, mas, carregando sua cruz. Ele está planejando o futuro, ele está construindo o futuro, mas, ele está purificando o passado, ele abraçou o passado. E, o passado, aqui, é o Dio. Tentações, imperfeições, carma, sabe a palavra carma? Débitos, resgates, expiações, provas, ele abraçou tudo isso.

Então, ele caminha com isso. Se ele não negar o seu egoísmo, se ele não negar o seu orgulho, se ele não negar essa alta carga de desejos, ele não vai conseguir fazer isso. Então, só para a gente fechar, qual era a expectativa? Ah, eu fico aqui parado, vem alguém aí e resolve o meu problema. Resolve o problema da economia, resolve o problema da política, resolve o problema internacional, resolve o problema da sociedade, e eu? Eu não faço nada, quem tem que fazer é o Messias. Está te parecendo? O que está te parecendo isso?

Está parecendo véspera de eleição, não é? Não é isso? Não está parecendo véspera de eleição no Brasil? É isso. Isso é a expectativa messiânica. Aí, vem Isaías e fala, não, não, não. A proposta do Messias é o seguinte, ele vai ensinar, ele vai guiar, ele vai guiar, você não vai ficar perdido, porque ele é o caminho, ele é a verdade, ele é a vida, ele vai guiar, ele vai apresentar, e ele mais do que isso, ele não só vai apresentar o futuro, ele vai nos conduzir até lá, mas, você não vai poder ficar sentado, só assistindo ele a fazer as coisas, não.

Você vai ter que abraçar os seus débitos, para você poder resgatar com dignidade, você vai ter que abraçar as suas imperfeições, com compaixão e caridade, para você poder purificar a sua alma e você vai ter que agir na encarnação, agir onde Deus te colocou, agir na economia, na política, na sociedade, na família, nas suas interações, para criar novas causas, para plantar as sementes do futuro. Esse é o desafio, esse é o desafio. E, o Messias foi tão extraordinário, que ele tomou uma cruz, ele que não precisava de cruz, tomou uma cruz, para ele, para quê?

A cruz das nossas imperfeições, a cruz da nossa ignorância, a cruz da nossa maldade. Ele tomou essa cruz, por quê que ele tomou essa cruz? Ele tomou essa cruz para ensinar como que se constrói o futuro com uma cruz nas costas, porque construir um futuro abrindo mão do passado, o passado estar todo purificado, é fácil. Vocês estão entendendo o que eu estou querendo dizer, gente? Eu vou falar de uma maneira simples. Você guardar um dinheiro, se você não tem dívida nenhuma, é fácil. Agora, você tem uma dívida, você quitar a sua dívida, resolver seus problemas financeiros, e depois começar a guardar, é mais difícil.

Então, Jesus deu o exemplo de como é que eu construo o futuro carregando o passado delituoso nas costas. Como que faz isso? Esse é o Messias apresentado por Isaías, o servo sofredor. Servo, porque ele assumiu servir a Deus. Sofredor, por quê? Porque ele assumiu o seu passado espiritual. Ele tem a coragem de encarar o resgate e a purificação proposta nessa encarnação. Essa é a grandeza do Messias apresentado pelo profeta Isaías. Não é fácil, não é fácil. Eu vou dar um tempo, vamos refletir mais, o tema é profundo mesmo, a gente fica impactado.

No próximo episódio, nós damos continuidade ao nosso estudo de Isaías. Legendas pela comunidade Amara.org

Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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